Tintos do Douro, A perfeição cada vez mais perto

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Douro produz vinhos tintos de excelência, diferentes entre si, mas cada vez mais frescos e elegantes, com a barrica usada com precisão e o álcool mais contido. Sente-se uma procura pela expressão do terroir de cada […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Douro produz vinhos tintos de excelência, diferentes entre si, mas cada vez mais frescos e elegantes, com a barrica usada com precisão e o álcool mais contido. Sente-se uma procura pela expressão do terroir de cada vinha ou local, numa busca incessante do vinho perfeito.
TEXTO: Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS: Ricardo Palma Veiga
O consumidor atento sabe bem que o Douro é uma das regiões com mais prestígio no mercado, sobretudo quando falamos de tintos. A fama (mais do que merecida) do Vinho do Porto ajuda a essa percepção e, desde a segunda metade dos anos 90, a região encetou um movimento de criação de valor aos vinhos DOC. Actualmente, e falando ainda de DOC, é uma região pujante, quer ao nível dos números de produtores, quer ao nível da qualidade dos vinhos.
Trata-se de uma região grande em dimensão, com uma área de vinha de mais de 42.000 hectares (metade só no Cima Corgo), mas a produção por hectare é muito baixa se comparada com outras regiões. Em 2017, e apenas quanto a vinhos certificados, depois do Alentejo, Minho e Península de Setúbal, a região do Douro é quem mais vende em Portugal, com uma quota de mercado de 4,8%. As projeções para 2018 são de crescimento, para uma quota de 5,5%. O nível de crescimento nos últimos anos é importante, sendo a região apenas suplantada em 2018 pela Península de Setúbal como aquela que mais cresceu em relação a anos anteriores.
Mas mais ainda do que o volume que produz e vende, o Douro é uma região com valor, com um número de vinhos premium e super-premium absolutamente avassalador (como as dezenas de tintos provados neste painel atestam). Aliás, no que respeita a vendas em euros, é a segunda região do país e aquela que regista a subida mais acentuada nos últimos anos. E no que respeita ao preço médio por litro, tirando os casos muito específicos do Algarve (devido ao consumo turístico local) e das Terras de Cister (centrado nos espumantes de Távora-Varosa), é o Douro que reina.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”33139″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Buscar a diferença” font_container=”tag:h6|text_align:left” google_fonts=”font_family:ABeeZee%3Aregular%2Citalic|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal”][vc_column_text]Com tanto sucesso, o desafio do Douro é outro que não apenas a liderança dos números: é buscar diferenciação face a outras regiões e com estilos diferentes dentro da região. No primeiro caso, e dada a existência de significativa área de vinha velha com dezenas de castas autóctones misturadas, bem como a quase exclusão de castas estrangeiras (excepção de Syrah e Alicante Bouschet, esta última, todavia, presente em alguns vinhedos antigos), a diferenciação está relativamente assegurada.
Quanto ao segundo aspecto, os anos 1990 e início do novo milénio apontaram para um perfil quase generalizado da região, centrado em tintos com fruto muito maduro e de recorte encorpado. No que respeitava a topos de gama, a essas características caberia adicionar o uso de barrica (quase sempre maioritariamente) nova e alguma tendência para elevados teores alcoólicos.
Atualmente a situação é bem diferente, como demonstra a nossa prova, onde os vinhos das colheitas mais recentes de 2015 e 2016 confirmam que estamos a viver um momento pivot, uma verdadeira mudança de paradigma, aspeto para o qual João Paulo Martins já tinha salientado na prova de topos de gama do ano passado (edição de novembro de 2017). Para tal, foi crucial a verificação de dois movimentos convergentes: por um lado, vários foram os produtores que passaram a procurar um estilo mais aberto e vivo, menos centrado no fruto maduro e no álcool quase sempre por imposição do mercado (vindimando mais cedo e fugindo da obsessão pela maturação fenólica); por outro lado, novos produtores e enólogos (muitos deles jovens) apareceram na região, e sentiram a necessidade de desenvolver estilos de tintos menos padronizados, procurando distinguir-se dos restantes, ora evitando barrica nova, ora procurando uvas em altitude e/ou com exposição que garantisse menor risco de sobrematuração.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” bg_color=”#e2e2e2″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Rolhas de topo” color=”black”][vc_column_text]Ao contrário do que sucedera na grande prova de vinhos topo de gama do Douro realizada em 2017, praticamente não tivemos problemas de rolha nesta prova. Apenas um caso de desclassificação foi taxativamente qualificado como tendo TCA, e em apenas duas outras situações foi necessário provar uma segunda garrafa para despistar problemas de rolha (não necessariamente de TCA). Tendo em consideração as várias dezenas de vinhos provados, e em comparação com outras provas menos recentes, é de notar este registo muito positivo. Os mais inovadores procedimentos de tratamento e/ou avaliação rolha a rolha poderão estar já a dar os seus frutos…[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_custom_heading text=”2016, ano de frescura e elegância” font_container=”tag:h6|text_align:left” google_fonts=”font_family:ABeeZee%3Aregular%2Citalic|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal”][vc_column_text]Acresce ainda um significativo investimento estrangeiro (vindo de países como Alemanha, Angola, Brasil ou França), que tem ajudado a uma renovação mais rápida ao nível do perfil dos vinhos. Tintos provenientes dos projetos Xisto e Chryseia, ou das propriedades Quinta da Romaneira, Quinta do Pessegueiro (sobretudo nas primeiras edições) ou ainda Quinta Maria Izabel, todos resultados de maior ou menor investimento transfronteiriço, mostram alguma apetência por registos mais em elegância do que em músculo.
Por fim, e no que respeita à colheita de 2016, tratou-se de um ano climatericamente mais moderado do que o habitual, com poucas oscilações e raros picos de calor. Tal significou um ciclo tardio na maturação das uvas e permitiu o raro fenómeno de a fruta ter atingido a maturação fenólica mantendo acidez elevada e um grau alcoólico relativamente baixo para a média habitual da região. Por isso, os vinhos de 2016 revelam um equilíbrio absolutamente ímpar e uma prova de boca mais fresca e menos larga do que o normal, conservando-se a potência e profundidade comuns nos grandes tintos da região.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”33138″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Isso mesmo foi-nos confirmado pelo enólogo e produtor Jorge Serôdio Borges (Wine & Soul, Quinta do Passadouro e Maritávora), para quem o ano de 2016 foi muito específico, posto que “o ciclo muito longo e um ano muito ameno proporcionaram vinhos que não precisaram de ser vindimados cedo para se manterem frescos e com boa acidez; isso fez toda a diferença”. O enólogo e também produtor Jorge Moreira (Poeira, Real Companhia Velha e Passagem) concorda e confirma que 2016 foi muito diferente de 2015. “Em regra, os 2015 são mais encorpados e têm uma fruta muito bonita e profunda, resultante de um ano quente, enquanto os 2016 são mais frescos e elegantes”, diz-nos.
Curiosamente, confrontámos este último profissional com a circunstância de dois dos seus vinhos presentes no painel parecerem contradizer a matriz dos anos, pois o Poeira 2015 revela-se fresco e elegante e o Carvalhas Vinhas Velhas de 2016 mostra-se cheio e potente. “Nesse caso, a justificação é o terroir, pois enquanto a vinha da Quinta do Poeira tem muita sombra e é virada a norte, as vinhas velhas das Carvalhas tem bastante exposição solar todo o dia e proporcionam sempre vinhos de grande concentração”, confessa-nos. Ou seja, afinal o terroir ainda é o mais importante…
Por isso mesmo, reforçamos, nas várias dezenas de vinhos provados foram visíveis diferentes registos, resultantes da localização das propriedades (por exemplo o Baixo Corgo é, em regra, mais chuvoso e fresco do que o Cima Corgo e este mais fresco e chuvoso do que o Douro Superior,) ou mesmo resultantes do preciso posicionamento das vinhas dentro das próprias propriedades (cotas mais altas perante mais baixas, por exemplo, ou consoante a exposição a sul e poente, as mais quentes, ou a norte e a nascente, as mais frescas). Em suma, é um puzzle complexo que significa, no final do dia, a riqueza de uma região que se diversifica a cada ano que passa e que, mais importante ainda, tem na diversidade de estilos mais um caminho para um sucesso que, tendo já sido alcançado, teima em ser superado.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Em Prova” title_align=”separator_align_left” color=”custom” accent_color=”#888888″][vc_column_text]
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Quinta das Tecedeiras
Tinto - 2015 -

Quinta das Brolhas
Tinto - 2013 -

Poças
Tinto - 2016 -

Pacheca Vale de Abraão
Tinto - 2015 -

Messias Vinha de Santa Bárbara
Tinto - 2013 -

Grandes Quintas Vinhas do Cerval
Tinto - 2013 -

Flor do Côa
Tinto - 2016 -

Dona Berta Vinha Centenária
Tinto - 2011 -

Casa Velha
Tinto - 2016 -

Vinha da Urze
Tinto - 2014 -

Vale de Pios
Tinto - 2014 -

Vale da Raposa
Tinto - 2015 -

Santos da Casa Fazem Milagres
Tinto - 2015 -

Quinta de Ventozelo
Tinto - 2015 -

Terras do Grifo
Tinto - 2015 -

Quinta de S. José
Tinto - 2016 -

Quinta da Romaneira
Tinto - 2016 -

Quinta da Costa das Aguaneiras
Tinto - 2015 -

Monte Cascas Vinha das Lameiras
Tinto - 2013 -

Maritávora n.º 2
Tinto - 2015 -

Laura
Tinto - 2015 -

Castello d’Alba Limited Edition
Tinto - 2015 -

Quinta do Valbom
Tinto - 2013 -

Quinta dos Murças VV47
Tinto - 2013 -

Passadouro
Tinto - 2016 -

Kopke Vinhas Velhas Limited Edition
Tinto - 2014 -

Duas Quintas
Tinto - 2016 -

Batuta
Tinto - 2016 -

Quinta da Touriga-Chã
Tinto - 2016 -

Poeira
Tinto - 2015 -

Quinta do Vale Meão
Tinto - 2016 -

Pintas
Tinto - 2016
Edição Nº20, Dezembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
António Amorim: “Vamos eliminar o TCA até 2020”

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Nesta entrevista a António Amorim, é certamente a declaração de maior impacto, por aquilo que significa para produtores de vinho e consumidores, que têm no chamado “gosto a rolha” um factor de risco para o seu produto […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Nesta entrevista a António Amorim, é certamente a declaração de maior impacto, por aquilo que significa para produtores de vinho e consumidores, que têm no chamado “gosto a rolha” um factor de risco para o seu produto ou para o seu momento de prazer enófilo. Mas o presidente e CEO da Corticeira Amorim aponta outros importantes desafios para uma indústria que está, claramente, numa boa onda.
TEXTO Luís Lopes
FOTOS Anabela Trindade
António Amorim, pode dizer-se, nasceu para isto. Ao leme da maior empresa mundial do sector, atravessou o período mais difícil da década de 2000, com a pressão concorrencial colocada pelos vedantes alternativos, e conseguiu recuperar a confiança do mercado na rolha de cortiça à custa de um gigantesco investimento em investigação, desenvolvimento tecnológico e sensibilização. Hoje, a rolha de cortiça cresce a um ritmo superior ao do mercado do vinho.
A guerra contra o TCA (tricloroanisole) está na fase final: problema resolvido nas rolhas de microaglomerado de cortiça, promessa de resolução, até 2020, nas rolhas de cortiça natural. Entretanto, na Corticeira Amorim já se trabalha para superar o novo desafio imposto ao sector: tornar o sobreiro uma opção mais apetecível e de retorno mais rápido para o produtor florestal.
António Amorim, 51 anos, sabe que não pode parar para contemplar as vitórias. O negócio da cortiça é feito de uma luta permanente pela optimização de processos, evolução tecnológica, melhoria de performance, criação de novos produtos, consolidação e conquista de mercados. Como nos diz, reiteradamente: “Nada está ganho, não chegámos ainda a lado nenhum e não podemos ter essa ilusão.”
Iniciou a sua carreira profissional muito cedo, com 22 anos, no Grupo Amorim, mas não foi logo para a cortiça, esteve na Imobiliária, na Hotelaria…
Na verdade, eu queria trabalhar na cortiça desde o início, mas o meu tio, Américo Amorim, não me fez a vontade. Fiz os meus estudos universitários em Inglaterra e depois uma formação ligeira em enologia em Bordéus, mas após um pequeno estágio na corticeira fui primeiro para uma empresa de telas de pneus pertencente ao grupo, depois veio a hotelaria, num projecto ligado à Accor e aos hotéis Ibis/Novotel, e a seguir a imobiliária, onde tive a responsabilidade de lançar aquilo que é hoje o Arrábida Shopping, além de outros projectos. Em 1996 houve uma mudança muito profunda na estrutura dirigente da Corticeira Amorim, com a saída de alguns quadros históricos, e, finalmente, o meu tio chamou-me para ficar responsável pela Unidade de Negócios Rolhas. Cinco anos depois, com a saída dele da gestão operacional da Corticeira Amorim, assumi o lugar de presidente e CEO da Corticeira.
A cortiça era uma inevitabilidade na sua vida?
Eu acho que fui educado e preparado desde o início para fazer aquilo que faço hoje. Nasci a um quilómetro da fábrica, as minhas férias de juventude foram passadas aqui em Santa Maria de Lamas, os meus sábados eram na empresa, o meu pai recebia clientes em casa semanalmente, eu ajudava nas visitas à fábrica porque tinha mais facilidade com o inglês, nas férias de Natal e da Páscoa íamos ao Alentejo ver os sobreiros e as herdades. Fui assim ganhando proximidade, afinidade, conhecimento e gosto por este trabalho. A minha maior surpresa foi o meu tio não me deixar entrar directamente na cortiça…
Ficou triste?
Na altura sim, claro. Mas o meu tio foi-me buscar uns anos mais tarde e consegui então fazer aquilo que sempre quis.
Falemos primeiro de cortiça para daqui a pouco falarmos de rolhas. Portugal tem cerca de 34% da floresta de sobro de mundo. O volume de matéria-prima é adequado às necessidades?
Portugal tem 34% da área, mas 50% da produção de matéria-prima. Espanha, por exemplo, produz 30% da cortiça. A produção de cortiça não é escassa, está ajustada ao nível de procura actual. Não podemos esquecer que na década de 2000 a 2009 a cortiça perdeu uma quota importante no mundo do vinho; se o mercado tivesse continuado a crescer ao mesmo ritmo, hoje haveria, é verdade, um desajustamento entre oferta e procura. Neste momento, essa relação está equilibrada.
Mantendo-se a retoma da cortiça e o crescimento continuado, no vinho e noutras bebidas, não irá haver escassez de matéria-prima no futuro?
Esse é o problema, a questão coloca-se não a curto prazo, mas sim a longo prazo. A cortiça tem um potencial enorme de crescimento no mercado, o sector tem uma ambição muito forte, queremos reafirmar as características únicas do nosso material, e como na floresta tudo demora décadas, se não começarmos agora a planear esse crescimento de oferta, daqui a sete ou oito anos vamos encontrar um desequilíbrio entre oferta e procura. É nessa vertente que estamos a trabalhar neste momento.
Como avalia a evolução do montado de sobro em Portugal? Qual é a tendência?
Nunca tivemos em Portugal tanta área ocupada com sobreiros e nunca a produção de cortiça foi tão pequena. O problema não está na área ocupada, mas sim na densidade existente. Tem havido alguma renovação, vamos em breve entrar num período onde poderemos beneficiar das plantações feitas entre 1995 e 2000, com esses sobreiros a iniciarem o seu ciclo de produção após 25 anos. A questão é que hoje não há quem invista num horizonte temporal de 25 ou 30 anos. Um produtor florestal já não investe para os netos, como fazia antigamente. Portanto, temos de encontrar uma forma de fazer com que o sobreiro seja uma espécie mais interessante para o produtor florestal. Ao mesmo tempo, é preciso renovar a oferta de cortiça existente, pois não havendo plantações novas o montado vai envelhecer e a qualidade da cortiça vai ressentir-se daqui a 30 anos. É por isso necessário plantar ou adensar as áreas existentes. E fazer com que o sobreiro dê mais depressa retorno ao produtor.
Como é que se consegue reduzir o ciclo produtivo do sobreiro?
Através de um sistema de irrigação gota a gota, conseguimos acelerar o crescimento inicial do sobreiro, de 25 para 10 anos. Este modelo tem sido testado e colocado em funcionamento em alguns produtores florestais e é acompanhado cientificamente, para validar os resultados. A aceleração do crescimento é apenas no ciclo inicial do sobreiro, após a primeira extração (que não serve para rolhas, como se sabe) a rega é retirada e o sobreiro segue o seu ciclo normal, de forma a que a cortiça tenha, na segunda, terceira e futuras extrações, a densidade e as características celulares habituais. Esta cortiça de sobreiros plantados e irrigados será assim igual à obtida através dos sobreiros de geração espontânea. A Corticeira Amorim está muito comprometida com a criação de novas plantações neste modelo.
Está satisfeito com os resultados alcançados até agora?
A primeira plantação, em Avis, foi feita em 2002 e a primeira extração ocorreu em 2010. Testámos uma segunda extração propositadamente cedo, quatro anos depois, aí já com calibre suficiente para rolhas, mas sem as características de vedação que pretendemos. E deixámos a cortiça crescer de novo, agora mais nove anos, estando a aferir periodicamente o seu crescimento.
Estamos entusiasmados com os resultados iniciais, de tal forma que comprámos recentemente uma grande herdade para experimentar nós próprios esta tecnologia numa escala muito maior. Vamos plantar em 2019, 2020 e 2021 e depois acelerar o ciclo até à primeira extração, voltando depois ao ciclo normal dos nove anos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Acredita que, com a garantia de um retorno mais rápido, por um lado, e com os riscos de incêndio associados a outras espécies, como o eucalipto ou o pinheiro, por outro, o produtor florestal pode ser convencido a apostar no sobreiro?
Nós temos que fazer com que esta tecnologia dê ao produtor florestal um rendimento compensador. Ele investe no eucalipto porque tem um rendimento superior ao da cortiça. Emocionalmente, tenho a certeza de que, com base numa rentabilidade similar (ou mesmo superior), o produtor florestal irá preferir o sobreiro. O sobreiro é uma espécie autóctone, adaptada ao clima e aos solos daqui, e desde que exista alguma disponibilidade de água, o sobreiro plantado será uma excelente alternativa de investimento. Até porque face ao montado espontâneo (que representa 90% do montado alentejano), o montado plantado oferece uma densidade que pode ser até 7 vezes superior, com os enormes ganhos daí resultantes. Em Portugal, temos uma densidade de 50 sobreiros por hectare, que é baixíssima, e podemos ir às 250 ou 300 árvores. Tudo isto está a ser apoiado por intensa investigação e aquisição de conhecimento. A Corticeira Amorim é a entidade no mundo que mais sabe de cortiça. Mas quer também ser quem mais sabe de sobreiros. Estamos a trabalhar muito nesse sentido.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”33127″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Acha que o sucesso do olival intensivo pode ser replicado nos sobreiros?
Sem dúvida. O sobreiro aceita terrenos menos férteis do que aqueles onde vemos o olival. Poderemos ver o sobreiro a crescer no Alentejo, a sua região natural, mas também noutras regiões do país, intervalando com esta espécie autóctone as manchas de monocultura de eucalipto. Acredito que, garantindo o rendimento, será uma opção bem acolhida pelos produtores e pelas autoridades florestais.
Vamos então falar de rolhas, começando pela vertente da sustentabilidade: produto natural, reutilizável, reciclável. Para além disso, sabemos que o montado é um ecossistema único. Comunicar a sustentabilidade e o perfil eco friendly desta matéria-prima face aos vedantes artificiais é importante para a indústria da cortiça?
É importante porque é uma vantagem diferenciadora face aos materiais que hoje concorrem connosco. Se fizer uma análise do ciclo de vida da rolha comparativamente aos produtos alternativos de plástico e alumínio, e se incluir a floresta, é evidente que a rolha tem uma contribuição negativa em termos de CO2, ou seja, retemos muito mais CO2 (através do montado) do que aquilo que emitimos. Esse é um aspecto diferenciador, apelativo, e que vai ao encontro das preocupações ambientais de consumidores e produtores de vinhos. A sustentabilidade é inerente à cortiça na floresta, mas também ao nosso processo industrial. É um processo não poluente, e que optimizamos em termos de consumo de água e energia. Sabia que 70% da energia que consumimos na fábrica é gerada pela queima dos resíduos da cortiça? E vamos aumentar em breve esse percentual, com a produção de energia fotovoltaica. A sustentabilidade é para nós uma bandeira, mas também um argumento em relação ao qual temos de nos sentir responsáveis. Mas não pode ser o único argumento a favor da rolha de cortiça.
A qualidade é sempre o mais importante, não é verdade? O que diz a um consumidor se este lhe perguntar sobre qual é melhor: a rolha de cortiça ou o vedante artificial, seja plástico ou alumínio?
Existem três grandes argumentos a favor da cortiça e o primeiro é a performance. A cortiça é melhor para o vinho. No caso da rolha de cortiça natural, a cortiça fornece ao vinho microxigenação, polifenóis, permite-lhe evoluir melhor. A cortiça acrescenta valor ao vinho, em termos qualitativos e também em termos de imagem. Não existe outro produto com a performance na rolha. Para o consumidor, um vinho com rolha de cortiça é um vinho de qualidade. Depois, temos a questão do ritual, do abrir da garrafa. E finalmente, a sustentabilidade. As muitas dezenas de estudos que realizámos junto de consumidores de todo o mundo, apontam para uma clara preferência (80 a 97%) pela rolha.
Em números redondos, a rolha de cortiça está em cerca de 12 mil milhões de garrafas, a screw cap (cápsula de rosca) em 4 mil milhões, a rolha sintética de plástico abaixo dos 2 mil milhões. Em termos de quota de mercado, a screw cap cresceu a um ritmo muito elevado entre 2004 e 2009, continua a crescer mas muito mais lentamente; a rolha de plástico tem vindo a decrescer desde 2007. O pior ano para a rolha de cortiça foi 2009, tendo vindo a ganhar mercado desde então. O que contribuiu para estas oscilações e para a tendência actual?
Entre 2000 e 2008 a cortiça perdeu uma quota de mercado muito significativa, fruto da emergência de alternativos. Primeiro o plástico, a partir dos mercados da Austrália e dos Estados Unidos, depois as cápsulas de alumínio, sobretudo impulsionadas pelos supermercados ingleses, sempre os grandes promotores dos produtos alternativos à cortiça. Hoje, com a constatação generalizada de que o plástico não aporta nada de positivo ao vinho (oxidação, dificuldade de repor o vedante na garrafa, etc.) a sua utilização caiu bastante. O plástico está desacreditado e associado a vinhos muito simples e baratos. As soluções técnicas encontradas pela rolha de cortiça para os vinhos de grande volume (as rolhas de microgranulado, por exemplo) e a competitividade de preço, tornaram-na muito mais atraente do que o plástico para as grandes empresas vinícolas.
Quanto ao screw cap, tecnicamente não são encontradas nenhumas vantagens relativamente à cortiça, mas tem uma vantagem funcional que é a facilidade de abertura. A Corticeira Amorim respondeu a isto com a criação da rolha Helix, que permite a mesma conveniência ao nível de abertura. Portanto, o que aconteceu entre 2000 e 2009 deveu-se a um trabalho de casa que a indústria corticeira não fez. Mas depois de uma fortíssima aposta na investigação e no desenvolvimento de produto, na eficiência operacional, na melhoria da performance da rolha, a cortiça voltou a crescer a muito bom ritmo, acima do crescimento da indústria do vinho. O que significa que estamos a ganhar quota de mercado aos alternativos.
Qual o mercado que mais ajudou a ganhar quota aos vedantes alternativos?
A China. Os vinhos australianos têm na China o principal mercado e os chineses não querem cápsula de alumínio, querem rolha de cortiça, pelo estatuto e pela sua associação ao vinho de qualidade. Os australianos foram “obrigados” a deixar de insistir na cápsula de alumínio e a dar ao cliente aquilo que o cliente quer. A nossa filial que mais cresce a nível mundial é a da Austrália, algo impensável há uns anos.
Aquilo que os supermercados ingleses fizeram ao prescrever a cápsula de alumínio, estão os chineses a fazer com a rolha. E como a China vai ser o grande mercado do mundo…
Vou mencionar agora aquelas letrinhas que produtores de rolhas, produtores de vinho e, também, muitos consumidores, mais temem: TCA. Verdadeiramente, onde está a fonte do problema? E como minimizá-lo ou eliminá-lo?
O TCA tanto se pode formar na floresta como ao longo do processo de produção. Na floresta, existem sistemas preventivos que nós aplicamos (como a remoção e eliminação da cortiça que está em contacto com a terra ou, nas zonas de maior risco de contaminação, a análise de TCA à prancha de cortiça na árvore) e que nos oferecem todas as garantias. Na produção, temos alterado e continuamos a alterar significativamente o processo de forma a que não existam condições para o TCA se formar. No caso de, mesmo assim, não conseguirmos garantir a 100% a ausência de formação de TCA, temos métodos altamente sofisticados de controlo de qualidade. Existem no grupo mais de 30 cromatógrafos a analisar todos os momentos do processo de fabrico, desde a área de recepção e armazenamento da cortiça, à cozedura. E investimos em sofisticada tecnologia que aportamos para diferentes tipos de rolha (das microgranuladas às rolhas naturais) que nos permitem ter uma garantia nas rolhas que entregamos ao mercado. Só na Amorim, desde a primeira metade da década de 2000, investimos mais de 280 milhões de euros no desenvolvimento do processo de fabrico com vista prevenção e eliminação do TCA.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”33125″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Acredita que, com a garantia de um retorno mais rápido, por um lado, e com os riscos de incêndio associados a outras espécies, como o eucalipto ou o pinheiro, por outro, o produtor florestal pode ser convencido a apostar no sobreiro?
Nós temos que fazer com que esta tecnologia dê ao produtor florestal um rendimento compensador. Ele investe no eucalipto porque tem um rendimento superior ao da cortiça. Emocionalmente, tenho a certeza de que, com base numa rentabilidade similar (ou mesmo superior), o produtor florestal irá preferir o sobreiro. O sobreiro é uma espécie autóctone, adaptada ao clima e aos solos daqui, e desde que exista alguma disponibilidade de água, o sobreiro plantado será uma excelente alternativa de investimento. Até porque face ao montado espontâneo (que representa 90% do montado alentejano), o montado plantado oferece uma densidade que pode ser até 7 vezes superior, com os enormes ganhos daí resultantes. Em Portugal, temos uma densidade de 50 sobreiros por hectare, que é baixíssima, e podemos ir às 250 ou 300 árvores. Tudo isto está a ser apoiado por intensa investigação e aquisição de conhecimento. A Corticeira Amorim é a entidade no mundo que mais sabe de cortiça. Mas quer também ser quem mais sabe de sobreiros. Estamos a trabalhar muito nesse sentido.
Acha que o sucesso do olival intensivo pode ser replicado nos sobreiros?
Sem dúvida. O sobreiro aceita terrenos menos férteis do que aqueles onde vemos o olival. Poderemos ver o sobreiro a crescer no Alentejo, a sua região natural, mas também noutras regiões do país, intervalando com esta espécie autóctone as manchas de monocultura de eucalipto. Acredito que, garantindo o rendimento, será uma opção bem acolhida pelos produtores e pelas autoridades florestais.
Vamos então falar de rolhas, começando pela vertente da sustentabilidade: produto natural, reutilizável, reciclável. Para além disso, sabemos que o montado é um ecossistema único. Comunicar a sustentabilidade e o perfil eco friendly desta matéria-prima face aos vedantes artificiais é importante para a indústria da cortiça?
É importante porque é uma vantagem diferenciadora face aos materiais que hoje concorrem connosco. Se fizer uma análise do ciclo de vida da rolha comparativamente aos produtos alternativos de plástico e alumínio, e se incluir a floresta, é evidente que a rolha tem uma contribuição negativa em termos de CO2, ou seja, retemos muito mais CO2 (através do montado) do que aquilo que emitimos. Esse é um aspecto diferenciador, apelativo, e que vai ao encontro das preocupações ambientais de consumidores e produtores de vinhos. A sustentabilidade é inerente à cortiça na floresta, mas também ao nosso processo industrial. É um processo não poluente, e que optimizamos em termos de consumo de água e energia. Sabia que 70% da energia que consumimos na fábrica é gerada pela queima dos resíduos da cortiça? E vamos aumentar em breve esse percentual, com a produção de energia fotovoltaica. A sustentabilidade é para nós uma bandeira, mas também um argumento em relação ao qual temos de nos sentir responsáveis. Mas não pode ser o único argumento a favor da rolha de cortiça.
A qualidade é sempre o mais importante, não é verdade? O que diz a um consumidor se este lhe perguntar sobre qual é melhor: a rolha de cortiça ou o vedante artificial, seja plástico ou alumínio?
Existem três grandes argumentos a favor da cortiça e o primeiro é a performance. A cortiça é melhor para o vinho. No caso da rolha de cortiça natural, a cortiça fornece ao vinho microxigenação, polifenóis, permite-lhe evoluir melhor. A cortiça acrescenta valor ao vinho, em termos qualitativos e também em termos de imagem. Não existe outro produto com a performance na rolha. Para o consumidor, um vinho com rolha de cortiça é um vinho de qualidade. Depois, temos a questão do ritual, do abrir da garrafa. E finalmente, a sustentabilidade. As muitas dezenas de estudos que realizámos junto de consumidores de todo o mundo, apontam para uma clara preferência (80 a 97%) pela rolha.
Em números redondos, a rolha de cortiça está em cerca de 12 mil milhões de garrafas, a screw cap (cápsula de rosca) em 4 mil milhões, a rolha sintética de plástico abaixo dos 2 mil milhões. Em termos de quota de mercado, a screw cap cresceu a um ritmo muito elevado entre 2004 e 2009, continua a crescer mas muito mais lentamente; a rolha de plástico tem vindo a decrescer desde 2007. O pior ano para a rolha de cortiça foi 2009, tendo vindo a ganhar mercado desde então. O que contribuiu para estas oscilações e para a tendência actual?
Entre 2000 e 2008 a cortiça perdeu uma quota de mercado muito significativa, fruto da emergência de alternativos. Primeiro o plástico, a partir dos mercados da Austrália e dos Estados Unidos, depois as cápsulas de alumínio, sobretudo impulsionadas pelos supermercados ingleses, sempre os grandes promotores dos produtos alternativos à cortiça. Hoje, com a constatação generalizada de que o plástico não aporta nada de positivo ao vinho (oxidação, dificuldade de repor o vedante na garrafa, etc.) a sua utilização caiu bastante. O plástico está desacreditado e associado a vinhos muito simples e baratos. As soluções técnicas encontradas pela rolha de cortiça para os vinhos de grande volume (as rolhas de microgranulado, por exemplo) e a competitividade de preço, tornaram-na muito mais atraente do que o plástico para as grandes empresas vinícolas.
Quanto ao screw cap, tecnicamente não são encontradas nenhumas vantagens relativamente à cortiça, mas tem uma vantagem funcional que é a facilidade de abertura. A Corticeira Amorim respondeu a isto com a criação da rolha Helix, que permite a mesma conveniência ao nível de abertura. Portanto, o que aconteceu entre 2000 e 2009 deveu-se a um trabalho de casa que a indústria corticeira não fez. Mas depois de uma fortíssima aposta na investigação e no desenvolvimento de produto, na eficiência operacional, na melhoria da performance da rolha, a cortiça voltou a crescer a muito bom ritmo, acima do crescimento da indústria do vinho. O que significa que estamos a ganhar quota de mercado aos alternativos.
Qual o mercado que mais ajudou a ganhar quota aos vedantes alternativos?
A China. Os vinhos australianos têm na China o principal mercado e os chineses não querem cápsula de alumínio, querem rolha de cortiça, pelo estatuto e pela sua associação ao vinho de qualidade. Os australianos foram “obrigados” a deixar de insistir na cápsula de alumínio e a dar ao cliente aquilo que o cliente quer. A nossa filial que mais cresce a nível mundial é a da Austrália, algo impensável há uns anos.
Aquilo que os supermercados ingleses fizeram ao prescrever a cápsula de alumínio, estão os chineses a fazer com a rolha. E como a China vai ser o grande mercado do mundo…
Vou mencionar agora aquelas letrinhas que produtores de rolhas, produtores de vinho e, também, muitos consumidores, mais temem: TCA. Verdadeiramente, onde está a fonte do problema? E como minimizá-lo ou eliminá-lo?
O TCA tanto se pode formar na floresta como ao longo do processo de produção. Na floresta, existem sistemas preventivos que nós aplicamos (como a remoção e eliminação da cortiça que está em contacto com a terra ou, nas zonas de maior risco de contaminação, a análise de TCA à prancha de cortiça na árvore) e que nos oferecem todas as garantias. Na produção, temos alterado e continuamos a alterar significativamente o processo de forma a que não existam condições para o TCA se formar. No caso de, mesmo assim, não conseguirmos garantir a 100% a ausência de formação de TCA, temos métodos altamente sofisticados de controlo de qualidade. Existem no grupo mais de 30 cromatógrafos a analisar todos os momentos do processo de fabrico, desde a área de recepção e armazenamento da cortiça, à cozedura. E investimos em sofisticada tecnologia que aportamos para diferentes tipos de rolha (das microgranuladas às rolhas naturais) que nos permitem ter uma garantia nas rolhas que entregamos ao mercado. Só na Amorim, desde a primeira metade da década de 2000, investimos mais de 280 milhões de euros no desenvolvimento do processo de fabrico com vista prevenção e eliminação do TCA.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um objectivo bem mais fácil de conseguir nas chamadas “rolhas técnicas” do que nas rolhas de cortiça natural…
Sem dúvida, e isso tem explicação. O TCA não entra em profundidade na cortiça, é superficial. Aquilo que nós temos de conseguir é limpar a superfície da cortiça. No granulado de cortiça [a matéria-prima das rolhas técnicas] conseguimos limpar eficientemente o TCA através do sistema de vapor ou outros. E, por conseguinte, há vários anos que podemos considerar o TCA completamente eliminado nas rolhas mais “correntes”, de microgranulado de cortiça. O grande desafio está em eliminar completamente o TCA nas rolhas de cortiça natural, as rolhas de topo destinadas aos melhores vinhos. Os sistemas que aplicamos ao granulado de cortiça não funcionam na rolha de cortiça natural.
Portanto temos um Fiat 600 fiável e um Ferrari que pode dar problemas…
Deixámos de ter “problemas no Ferrari”, com o sistema NDTech. Agora podemos assegurar que as rolhas topo de gama, de cortiça natural, são inteiramente fiáveis. O NDtech utiliza cromatografia gasosa para analisar individualmente cada rolha, despistando e eliminando as contaminadas, e fornecendo assim uma garantia adicional, a 100%, aos nossos clientes.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”33131″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Não esqueçamos, no entanto, que o NDtech é uma garantia adicional, a montante está todo um conjunto de medidas preventivas e curativas que, na última década, melhoraram tremendamente a performance da rolha de cortiça natural. Mas o facto é que hoje já não estamos no campeonato de “melhorar”. Hoje estamos no campeonato de “erradicar”, acabar com o problema. E por isso apostámos no NDtech, onde já investimos 12,5 milhões de euros e vamos investir, até ao final do ano, mais 2,5 milhões.
Segundo sei, uma rolha individualmente analisada e garantida pelo sistema NDtech custa cerca de 12 cêntimos a mais do que uma rolha sem esse controlo de qualidade adicional. É um valor que se pode considerar baixo, sobretudo se tivermos em conta que essas rolhas se destinam a vinhos de topo, de preço mais elevado.
O preço do NDtech é propositadamente baixo porque sentimos que é nossa obrigação fornecer um produto fiável. E é por isso que fazemos tudo para disponibilizar cada vez melhores produtos aos nossos clientes e a preços mais competitivos. Se perguntar às principais empresas vinícolas, todas lhe dirão que, comparando com a realidade de há uma década, hoje gastam muito menos dinheiro em rolhas e obtém rolhas muito mais fiáveis. Sobretudo porque, ao segmentarem as rolhas em função da categoria do vinho, compram as rolhas de preço mais elevado para os melhores vinhos, mas também conseguem obter rolhas de grande performance e fiabilidade para os vinhos de volume por muito menos do que pagavam há uma década. Isso só foi possível através de um enorme investimento que a indústria corticeira tem feito e cujo custo não tem sido passado para o mercado. Na Amorim, o investimento em investigação e desenvolvimento tem sido absorvido na nossa conta de resultados, através do aumento de quotas de mercado e de uma eficiência industrial como nunca tivemos. Com 55 pessoas produzimos 1.3 biliões de rolhas de microgranulado, operando 24 horas por dia, 7 dias por semana. A optimização das operações através da tecnologia, permitiu que, com matéria-prima e mão-de-obra bem mais caras, consigamos colocar no mercado um produto que, em preço médio, não cresceu nada nos últimos 15 anos.
Mas a procura de NDtech excede a vossa capacidade de oferta…
Neste momento, se tivéssemos o dobro de rolhas NDtech tínhamos tudo vendido. Nos cromatógrafos, já conseguimos reduzir o tempo de análise de cada rolha de 20 segundos para 16 segundos, e acreditamos poder chegar aos 10 segundos. Fornecemos este ano cerca de 60 milhões de rolhas NDtech, no próximo ano esperamos ter entre 85 e 90 milhões de rolhas. Mas deveríamos ter uma oferta para 1 bilião de rolhas naturais 100% livres de TCA… Chegar lá demora muito tempo. O fornecedor desta tecnologia inovadora é uma pequena empresa de Cambridge, e o sistema é bastante detalhado e minucioso, leva tempo a produzir e é complexo de operar. Estamos a falar de equipamentos laboratoriais (que têm de estar permanentemente calibrados com o máximo de precisão) a trabalhar numa escala industrial. Aqui na empresa temos 25 engenheiros a trabalhar por turnos, 24 horas/dia, no sistema NDtech.
O NDtech não resolve tudo, portanto…
É claro para nós que o NDtech não é suficiente. Não basta eliminar as rolhas com TCA. Temos é de eliminar o TCA. E é para isso que estamos a trabalhar. Enquanto aumentamos a escala de produção NDtech, investimos paralelamente em investigação e desenvolvimento de novas tecnologias que nos vão levar a esse objectivo primordial: fornecer todas as nossas rolhas naturais garantidamente isentas de TCA. E vamos fazê-lo até ao final de 2020.
A rolha de cortiça e a indústria estão no seu momento mais alto de sempre, em termos de negócio, optimização, conhecimento tecnológico. Que potenciais desafios encontra no seu caminho para a próxima década?
O maior desafio que temos é não nos iludirmos com esta situação. Nada está ganho. O mercado é evolutivo e dinâmico. Temos importantes conquistas e vitórias, mas deveremos continuar a apostar na melhoria da performance, na completa erradicação do TCA e na eficiência operacional (para podermos continuar a investir e, ao mesmo tempo, ser competitivos). Não chegámos ainda a lado nenhum e não podemos ter essa ilusão. Temos de manter a nossa gestão num estado de desafio e conquista permanente, embora com muita ambição. Celebrando as vitórias, naturalmente, mas com a certeza de que temos muito trabalho pela frente. No dia em que baixarmos a guarda, não teremos grande futuro. Os plásticos estão feridos, mas não sepultados, o alumínio continua aí. A cortiça necessita de continuar a reafirmar de forma consistente e cientificamente comprovada as suas enormes vantagens face aos produtos concorrentes e manter o investimento constante na melhoria da sua performance. O potencial é enorme.
Temos também que perceber que o sector do vinho está a mudar e acompanhar essa mudança. Ter a China como terceiro maior consumidor de vinho tinto é algo impensável há 15 anos. Temos uma nova geração de consumidores, pelo que a indústria da cortiça tem de trabalhar melhor a questão da conveniência, da facilidade de abrir e fechar uma garrafa. A investigação e desenvolvimento de novos produtos deverá ser constante. E é preciso termos também a noção de que rolha não é só vinho, é também espumantes e bebidas espirituosas e aqui temos um mundo para conquistar. Veja-se que o Prosseco passou de 280 milhões de garrafas para 540 milhões em sete anos… Veja-se a tendência cada vez mais premium das bebidas espirituosas, do gin à vodka, e o enorme mercado que aí surge para a rolha de cortiça. São tudo segmentos onde a cortiça tem muita margem para crescer.
Edição Nº20, Dezembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Paulo Laureano, colecção “Outono/Inverno”

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um rosé e quatro tintos constituem as novas propostas de Paulo Laureano. O produtor e enólogo alentejano (que nem é de ir em modas) tem no mercado um portefólio de vinhos que junta coerência, consistência e qualidade. […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um rosé e quatro tintos constituem as novas propostas de Paulo Laureano. O produtor e enólogo alentejano (que nem é de ir em modas) tem no mercado um portefólio de vinhos que junta coerência, consistência e qualidade.
TEXTO Luís Lopes
FOTOS Ricardo Palma Veiga
O nome, os vinhos e a figura de Paulo Laureano (cujo bigode à “fin de siécle” é imagem de marca) são conhecidos da grande maioria dos apreciadores portugueses. O sucesso estende-se aos mercados de exportação, e sobretudo a países como Angola, Brasil ou EUA, contribuindo para a manutenção de um volume de produção que excede o milhão de garrafas.
Paulo Laureano começou por ser professor e enólogo consultor (chegou a assessorar quase três dezena de adegas e hoje, apesar de ter reduzido bastante essa actividade, continua a apoiar importantes marcas) antes de lançar o seu próprio projecto em 1999. Os vinhos que Paulo Laureano faz actualmente são distintos, no perfil, daqueles que criava quando se iniciou como produtor, num percurso semelhante ao de outros seus congéneres, levando-o a procurar cada vez mais a elegância e a acidez e, cada vez menos, a concentração e a barrica de madeira nova. Desde há muito, porém, que assume como estandarte da sua marca as variedades portuguesas (ou adoptadas, como o Alicante Bouschet), recusando com determinação castas estrangeiras, por muito bons que sejam os resultados no Alentejo, como é o caso da ubíqua Syrah.
Para assegurar a matéria-prima de que precisa, compra uvas a vários viticultores e conta, sobretudo, com os seus 120 hectares de vinha. A quase totalidade (110 hectares), está na região da Vidigueira, ali se encontrando as suas vinhas mais antigas, com Antão Vaz, Roupeiro, Aragonez, Alfrocheiro ou Tinta Grossa. Esta última casta, originária da Vidigueira e quase extinta (os lavradores não gostam da sua exuberância vegetativa e da facilidade com que apodrece) foi por ele pacientemente recuperada, dando origem a um singular e exótico tinto varietal que aparece de novo na colheita de 2015. Os restantes 10 hectares estão na região de Évora e encontram-se desde 2013 em modo orgânico.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32758″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O processo de reconversão de convencional para orgânico não foi fácil. A vinha esteve quase a morrer, mas depois recuperou e ganhou resistências que lhe permitem suportar muito bem anos difíceis como este, de 2018. A vinha de Évora dá origem a uma versão orgânica da marca Paulo Laureano Vinhas Velhas, de que foi agora lançado o tinto de 2015. Para o produtor, no entanto, o rótulo orgânico não vale só por si: “O vinho tem de ser, pelo menos, tão bom quanto – e desejavelmente melhor que – o Vinhas Velhas original”, refere. Paulo tem em curso um projecto com a Universidade de Évora para transformar também em orgânico uma das parcelas da sua vinha da Vidigueira.
A linha Genus Generationes é, desde que foi criada, dedicada à família, ostenta os seus nomes e assenta em vinhos que primam pela singularidade, como os Teresa Laureano rosé de 2017 (avermelhado e intenso, ao arrepio das modas) e Miguel Maria Laureano Alfrocheiro de 2015, tal como a Tinta Grossa outra casta difícil (janela de vindima muito curta no clima alentejano) mas muito elegante e que Paulo aprecia particularmente.
A colecção agora apresentada culmina com o Alicante Bouschet de 2014. A casta, há bem mais de um século no Alentejo, dispensa apresentações. E Paulo Laureano, enquanto enólogo consultor do emblemático Mouchão, obriga-se a um muito elevado patamar de exigência no que respeita a monovarietais de Alicante Bouschet. Talvez por isso, o último Alicante com a sua marca datava de 2008. Seis anos depois, achou que tinha outra vez um Alicante à altura. E achou muito bem.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Raposinha em grande forma

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Com 12 anos de colheitas, a equipa do Monte da Raposinha vai ‘fazendo a mão’ à vinha e aos procedimentos enológicos. Estas afinações permanentes só podem trazer boas coisas aos novos vinhos que, entretanto, vão sendo lançados. […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Com 12 anos de colheitas, a equipa do Monte da Raposinha vai ‘fazendo a mão’ à vinha e aos procedimentos enológicos. Estas afinações permanentes só podem trazer boas coisas aos novos vinhos que, entretanto, vão sendo lançados.
TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA Luís Lopes
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Poucos são os produtores de vinho no Alentejo que se situam nestas franjas da região. De facto, a meio quilómetro da parede da barragem de Montargil, o Monte da Raposinha está geograficamente a poucos quilómetros do Ribatejo. Mas não é só a localização; também em termos de solos, a herdade está mais próxima do típico solo ribatejano do que do alentejano, com muito calhau rolado. Quase faz pensar, aliás, em alguns pontos de Bordéus…
Este é apenas um pormenor, mas que condiciona, claro, a vinha e os vinhos. Quem trata das vinhas (cerca de 15 hectares) e gere o projecto é João Nuno Ataíde; a sua mulher, Paula Bragança, é quem cuida da enologia. É evidente que ambos têm ajuda e, na enologia, a técnica (e produtora) Susana Esteban está atenta a tudo o que se faz na adega.
João Nuno e Paula foram os anfitriões de mais um lançamento de novos vinhos pela empresa alentejana. O pai de João Nuno, Nuno Ataíde, e Susana Esteban juntaram-se ao grupo na altura do almoço, em parte confeccionado pelo próprio João Nuno, incluindo um magnífico arroz de javali. O intuito do evento foi apresentar os novos vinhos da casa, em todos os segmentos, a saber: Nós, Monte da Raposinha, Athayde e o topo de gama, Furtiva Lágrima, que só sai em anos que a qualidade o justifique. Para se ficar com uma ideia, as tiragens vão de 30.000 garrafas (Nós tinto) às 1.850 (Furtiva Lágrima); e com preços de 5,50 euros até 45.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32751″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Como nos tem vindo habituando, notámos muita consistência qualitativa em toda a gama. “Um dos grandes segredos”, disse-nos João Nuno, “vai para a altura da vindima. Tentamos apanhar cedo para controlar o grau alcoólico.” Paula Bragança acrescenta: “Aqui é muito fácil algumas uvas entrarem rapidamente em sobrematuração.” Ao mesmo tempo, a equipa procura pouca extracção das uvas na adega. O resultado está aí: vinhos frescos que privilegiam a elegância à força bruta, tintos com taninos presentes, mas suaves. Nos néctares com estágio em madeira, há quase uma obsessão em não deixar que a madeira marque muito o vinho.
Ano após ano, o Monte da Raposinha continua na senda de produzir belos vinhos, sempre com muita seriedade nos processos. Mas coisas que aqui também não faltam são o entusiasmo e a classe.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
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Novos Douro e mais um tinto de luxo

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Foram agora apresentadas as novidades da Sogevinus, sobretudo nas gamas Reserva das várias marcas da empresa. O momento foi também de revelação da terceira edição do topo de gama, o Kopke Vinhas Velhas. TEXTO João Paulo Martins […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Foram agora apresentadas as novidades da Sogevinus, sobretudo nas gamas Reserva das várias marcas da empresa. O momento foi também de revelação da terceira edição do topo de gama, o Kopke Vinhas Velhas.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Cortesia Sogevinus
Tudo aconteceu na quinta de S. Luiz, o local escolhido para a apresentação dos novos DOC Douro da empresa. Esta propriedade começou por pertencer à Kopke, empresa de Vinho do Porto, que a adquiriu em 1922. A Kopke foi posteriormente adquirida em 1952 pela empresa portuguesa Barros & Almeida e assim a quinta passou a integrar o portefólio da Barros. Foi então que a quinta se expandiu, com as aquisições de várias quintas contíguas e passou dos iniciais 30 para 125 hectares de terra. É esta a área que ainda hoje tem, pertença da Sogevinus, que a adquiriu a Barros Almeida.
A localização da quinta é excelente, na margem sul do Douro, entre a Régua e o Pinhão, e as suas vinhas contam-se entre as mais fotografadas da região, pela diversidade de condução e pelo perfeito acompanhamento dos patamares às curvas de nível. Ali, no conjunto dos 90 hectares de vinhedos, ainda subsistem 7 de vinhas muito velhas, com 2ha, relativamente perto do rio, a terem idade anterior a 1922, sem que se saiba a data certa do plantio. A vinha, que visitámos, apresenta todos os sinais da velhice e da débil saúde e vai ser objecto de intervenção “positiva”, alterando o embardamento e cobrindo as falhas com varas da própria vinha. Nem todas as castas estão identificadas, mas tem Touriga (num antigo livro sobre quintas do Douro fala-se, nesta vinha, mas apenas em “Touriga”, sem que se fique a saber se era Nacional ou Franca) e também Tinta Amarela, Tinta Roriz, Tinta Francisca e Cornifesto. Parte do tinto Kopke Vinhas Velhas tem origem nesta vinha. Noutras áreas da quinta têm Rufete, que chegaram a pensar arrancar, mas que agora, que a compreendem melhor, estão até a alargar a área da vinha.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32747″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Sogevinus gere actualmente 360ha de terra com 210ha de vinha e tem contratos de fornecimento de uvas com 200 viticultores; os dois principais polos produtores são esta quinta de S. Luiz e a de Arnozelo, que fica no Douro Superior, entre S. João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa e que está mais associada à marca Burmester. A marca Barros foi descontinuada em DOC e apenas é usada em Vinho do Porto. Foram então os vinhos Reserva que foram agora objecto de prova, conduzida por Ricardo Macedo e Carla Tiago, enólogos dos vinhos DOC Douro. Os talhões destinados a DOC Douro e Vinho do Porto estão perfeitamente identificados e as uvas para cada marca têm sempre origem no mesmo local. No conjunto estamos a falar de 6 milhões de garrafas de produção de Vinho do Porto e um milhão de DOC.
Assim, o Curva Reserva branco teve a primeira edição em 2006 e tem origem em vinhas do Cima Corgo e vale do Sabor e fizeram-se 3300 garrafas. Já do Reserva tinto, com uvas do Douro Superior fizeram-se 9300 garrafas. A marca Casa Burmester tem várias versões, branco, tinto e um varietal de Touriga Nacional. Do branco fizeram-se 10.000 garrafas e o vinho resulta de um lote de uvas do Douro Superior e Cima Corgo; no tinto fazem-se 33.300 garrafas e é um lote de S. Luiz com Arnozelo, com duas tourigas e Tinta Roriz; o Casa Burmester Touriga Nacional (6600 garrafas) tem uvas de Arnozelo e S. Luiz e apenas usa barrica nova para o estágio. A primeira edição saiu em 2009, mas não tem edição anual, só quando a qualidade o justifica.
A marca Kopke funciona neste registo Reserva como a marca de PVP mais elevado (são 7700 garrafas de branco e 20.000 de tinto), o branco inclui Folgazão que na Madeira se chama Terrantez. Fermenta em barrica parcialmente nova e estagia nas barricas por 6 meses. O tinto é exclusivamente de S. Luiz e tem 14 meses de barrica nova e usada. Para esta gestão de barricas a Sogevinus adquire cerca de 100 barricas novas por ano.
No topo da pirâmide temos o Kopke Vinhas Velhas, que apenas vai na terceira edição, tendo sido produzido em 2008 e 2010. Tudo aponta para que também tenha edição em 2015. Este teve direito a 2426 garrafas e é esta a quantidade que é habitual neste vinho, raro e muito querido na empresa. Estagiou 16 meses em barrica nova.
Um conjunto de vinhos de qualidade bem elevada e de preços que se podem considerar muito ajustados. Tudo aquilo que faz falta ao consumidor.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
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Quinta de S. José: O fervor de um sonho familiar

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em Ervedosa do Douro existe uma quinta singular. Com o know-how enológico de João Brito e Cunha, é a origem de vinhos únicos e de um projecto que, com muito empenho e paixão, vai de vento em […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em Ervedosa do Douro existe uma quinta singular. Com o know-how enológico de João Brito e Cunha, é a origem de vinhos únicos e de um projecto que, com muito empenho e paixão, vai de vento em popa.
Texto: Mariana Lopes
Notas de prova: Mariana Lopes e Luís Lopes
A Quinta de S. José começou, em 1997, com o desejo de Ruy Brito e Cunha de adquirir, para si e para a sua família, uma propriedade no Douro. Um dos seus filhos, o enólogo João Brito e Cunha, tinha acabado de chegar da Austrália com muita motivação e vontade de “pôr as mãos na massa”. As condições da quinta eram improváveis e, por muitos, altamente desaconselhadas: cinco casas em decadência junto ao rio, dois hectares de vinha com pouca saúde e difíceis acessos. Mas na primeira visita ao terreno, os olhos de Ruy “iluminaram-se”, contou o filho, e decidiram que era ali que iriam concretizar o sonho.
João viu muito potencial naquela propriedade, junto à Quinta de Roriz. A partir daí tudo fluiu, com a reconversão da vinha e a reabilitação das casas de xisto. O jovem enólogo empenhou-se a fundo no projecto e em 2005, a conselho do pai, resolveu comprar aos irmãos as respectivas partes na vinha e na marca, assumindo em 2017 a totalidade da propriedade, com a aquisição das casas, depois de se apropriar de mais quatro hectares confinantes com S. José, onde plantou mais vinha. Por essa altura, João já tinha sido consultor de cerca de 15 produtores da região do Douro. “Isso foi muito importante porque permitiu uma aprendizagem fundamental”, disse. Entretanto, a sua esposa Sofia juntou-se à empresa, assumindo a parte comercial e de comunicação.
Apesar de a produção de vinho, com a marca Quinta de S. José, ter começado em 2005, vinificando as uvas na Quinta da Touriga Chã (onde João continua a ser responsável de enologia), com a dimensão do projecto já nas 20 mil garrafas, deram início em 2011 à construção da adega própria, localizada numa das cotas mais altas da quinta, a cerca de 520 metros. Nesse mesmo ano tinham já assumido a componente de enoturismo, recebendo visitantes para provas e dormidas nas casas, cada uma nomeada com uma cor diferente.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Com 10 hectares de vinha e uma produção actual de 80 mil garrafas, a Quinta de S. José tem um portfólio que abrange as gamas Flor de S. José (vinhos feitos com uvas adquiridas) e Quinta de S. José DOC Douro e Porto Vintage. A exportação, para 13 países, representa 40% desta produção, com a Suíça à cabeça dos mercados principais. E, agora, uma novidade: em tributo ao pai, o impulsionador de tudo, o tinto Quinta de São José Vinha Ruy Francisco. João explicou: “Ao longo de anos de estudo das nossas vinhas e de prova dos vinhos, havia sempre uma parcela que se distinguia das outras pelo carácter e singularidade.” Essa é a vinha ao alto, de 1,1 hectares, exposta a Norte, com 12 anos de idade e vários clones de Touriga Nacional.
“É uma vinha com muito pouco vigor e rendimentos relativamente baixos, onde até os cachos são diferentes, com o bago mais pequeno”, indicou o experiente José Manso, o consultor de viticultura da casa. “Este ano, apesar do problema de escaldão que afectou muitas vinhas pelo país, esta resistiu, precisamente por ser pouco vigorosa”, continuou. “Por causa disso e pelos resultados que dá, gostamos de a manter como se fosse um atleta de alta competição, sempre no limite.”[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”32740″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]João Brito e Cunha, ao anunciar, com Ruy Francisco presente e em jeito de surpresa, o lançamento deste vinho com o seu nome, confessou: “A razão deste vinho é a homenagem que queremos fazer ao meu pai, porque sem ele não estaríamos aqui e porque foi ele a arrancar com o nosso projecto. Decidimos, por isso, dar o seu nome à parcela que mais se destaca na Quinta de S. José.” São 1200 garrafas e algumas dezenas em formato magnum, de um grande vinho que se distingue pela complexidade, frescura e amplitude.
Juntos, João e Sofia são o “power couple” que leva a Quinta de S. José cada vez mais além. Ele na adega, ela no mundo. E os vinhos no topo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
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Quinta do Tamariz, Verdes sempre especiais

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Durante décadas, a opção por vinhos complexos e sem gás transformou a Quinta do Tamariz praticamente num corpo estranho na região dos Verdes. A filosofia da casa não mudou, mas os tempos sim. E hoje, em Barcelos, […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Durante décadas, a opção por vinhos complexos e sem gás transformou a Quinta do Tamariz praticamente num corpo estranho na região dos Verdes. A filosofia da casa não mudou, mas os tempos sim. E hoje, em Barcelos, este produtor familiar é um bom exemplo da nova era que se vive na região.
TEXTO Luís Francisco
NOTAS DE PROVA Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Os menos atentos a estas coisas do vinho até poderão não conhecer a Quinta do Tamariz, mas esta é uma marca com pergaminhos e quase um século de história. A opção, assumida desde o início, pela qualidade em detrimento da quantidade explica que muita gente ainda não se tenha cruzado com este produtor dos Vinhos Verdes, mas uma coisa é certa: quem já teve no copo algum destes néctares nascidos em Barcelos dificilmente o esquecerá… Agora chegou a altura de saírem para o mercado cinco novos vinhos e uma aguardente, todos destinados ao canal Horeca e garrafeiras.
Com 16 hectares de vinha, dominada (70 por cento do encepamento) pela casta Loureiro, os vinhos mais emblemáticos da Quinta do Tamariz (que, já agora, é o nome de uma planta que cresce à beira-mar e dá flores cor-de-rosa) são os monocasta: Loureiro, Alvarinho e Arinto formam o trio de castas brancas plantadas, enquanto as tintas Touriga Nacional, Vinhão e Borraçal também marcam presença. Fazem-se cerca de 50.000 garrafas/ano e vende-se o resto das uvas.
Curiosamente – ou não, dado tratar-se de uma opção pela diferenciação reforçando a aposta na qualidade – dois destes novos vinhos Tamariz são de lote. O Quinta do Tamariz Superior é feito de Loureiro e Alvarinho; e o Grande Reserva tem Arinto, Alvarinho e Loureiro. Mas existem ainda, para além dos espumantes, um branco 100% Arinto, um branco Reserva, varietal de Alvarinho e um rosé de Touriga Nacional.
O gosto pessoal de António Vinagre, que considera o Arinto “a grande casta branca portuguesa”, modelou a opção por um Vinho Verde onde a casta de Bucelas assume presença de destaque. Pouco visto, mas uma aposta ganha.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32734″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A mulher de António Vinagre, Maria Francisca, que é engenheira agrónoma de formação, gere a quinta e a enologia está a cargo de Jorge Sousa Pinto. E os três apontam na mesma direcção: fazer vinhos que provem a excelência do terroir do Tamariz (solos graníticos com vinhas plantadas a meia encosta) e sejam capazes de enfrentar o desafio do tempo. Já foi quimera olhada de lado por muitos, agora a própria evolução da região veio dar-lhes ânimo nesta missão.
A Quinta de Tamariz (a marca é “do”, embora o nome da propriedade se escreva com “de”) está nas mãos da família dos actuais proprietários desde 1942 e já produzia – embora com outro nome – vinhos pelo menos desde o século XVI. Engarrafava-se desde finais dos anos 30, quando isso era uma raridade na região, e a marca Quinta do Tamariz foi registada em 1946. Quando, em 1976, passou a ser permitido plantar vinhas no campo (e não apenas em latada), a viticultura foi totalmente reestruturada: a quinta foi pioneira na opção pelo cordão simples e apontou para as zonas de meia encosta, deixando os terrenos baixos para pomar. Vem daí a aposta na casta Loureiro, afinal, a mais emblemática do vale do Cávado. É engarrafada em varietal desde 1989.
“As vinhas estão cada vez melhores. E os nossos vinhos estão mais ricos, mais complexos, e isso permite-nos apontar mais para cima em termos de mercado – a própria evolução da região vai nesse sentido”, assume António Vinagre, que apresentou as novas propostas no decorrer de um almoço no restaurante lisboeta Epur. Afinal, duas filosofias em sintonia: na nova casa do chef Vincent Farges também se enfatiza, acima de tudo, a excelência da matéria-prima. Uma refeição que bem fez por merecer o brinde final, com a aguardente vínica de 40 Anos agora lançada e que merecerá destaque numa das nossas próximas edições. A casa já destila desde 1950, mas nunca tinha lançado um produto com envelhecimento tão prolongado. Valeu a pena esperar.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº19, Novembro 2018
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Aparas & Outros

A evolução do gosto pelo vinho tem desenvolvido um singular apreço pelas notas aromáticas e gustativas de madeira de carvalho. Em substituição das barricas de carvalho (por vezes demasiado caras) surgiram os chamados “Alternativos”. TEXTO João Afonso Função dos Alternativos As madeiras desenvolvidas para enologia têm como fim modular o perfil organolético do vinho ao […]
A evolução do gosto pelo vinho tem desenvolvido um singular apreço pelas notas aromáticas e gustativas de madeira de carvalho. Em substituição das barricas de carvalho (por vezes demasiado caras) surgiram os chamados “Alternativos”.
TEXTO João Afonso
Função dos Alternativos
As madeiras desenvolvidas para enologia têm como fim modular o perfil organolético do vinho ao gosto “a madeira” e também corrigir alguns defeitos provenientes de deficiente maturação das uvas ou decorrentes dos processos de vinificação e estágio.
Tipos de Alternativos
No mercado estão disponíveis Pós de Madeira, que se usam habitualmente durante a fermentação alcoólica; Aparas, a usar entre ou após as fermentações alcoólica e maloláctica; e Aduelas, de uso aconselhado apenas após a fermentação maloláctica.
Acção Melhoradora dos Alternativos
Os produtos de madeira não tostadas têm as vantagens de ser antioxidantes, de eliminar mercaptanas (compostos com odores sujos e pesados) e de aumentar o sabor doce e a estrutura e volume de prova, assim como a intensidade de fruto, além de melhorar e fixar a cor dos vinhos tintos. Os produtos de madeira tostada, além das vantagens mencionadas, eliminam ainda aromas herbáceos ou vegetais e melhoram a complexidade aromática e gustativa dos vinhos.
Alternativos Sim ou Não?
Claro que sim. Presentemente são uma ferramenta essencial para a enologia na produção de vinhos, sobretudo de médio e grande volume. Há inúmeros mercados que exigem vinhos baratos e com mais ou menos gosto a madeira. O contrário também acontece: alguns mercados chegam a exigir uma declaração do enólogo em como o vinho nunca esteve em contacto com madeira.
Mas os alternativos, quando bem usados, podem fazer toda a diferença. Uso “Pós” durante a vinificação. Depois da vinificação, aparas ou cubos, que são aduelas cortadas em pedaços com maior superfície de contacto do que as aduelas. Para vinhos de qualidade média/média alta, as aduelas quando têm muita qualidade (vindas de madeira bem seca e bem tostada) e são acompanhadas com a micro-oxigenação, podem fazem um trabalho notável.
Edição Nº19, Novembro 2018


























