Quatro Carvalhas com requinte: As pérolas da Real Companhia Velha

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um branco, um Tinta Francisca, um Touriga Nacional e um Vinhas Velhas são as quatro novidades Carvalhas, agora no mercado, que vêm dar significado à palavra premium. TEXTO E NOTAS DE PROVA Mariana Lopes FOTOS cortesia RCV […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um branco, um Tinta Francisca, um Touriga Nacional e um Vinhas Velhas são as quatro novidades Carvalhas, agora no mercado, que vêm dar significado à palavra premium.

TEXTO E NOTAS DE PROVA Mariana Lopes
FOTOS cortesia RCV

A Quinta das Carvalhas está nas mãos da Real Companhia Velha (RCV) desde a década de 50 do século XX e é a sua propriedade mais antiga. Situada em São João da Pesqueira, materializa-se numa espécie de montanha com exposições a 360º e uma totalidade de 500 hectares, dos quais 137 são vinha. Com videiras até aos 550 metros de altitude, uma selecção de variedades já pouco utilizadas (e outras clássicas, também), a mestria do enólogo Jorge Moreira e a cuidada viticultura de Álvaro Martinho, Carvalhas tem tudo para originar vinhos de excelência. E assim tem acontecido desde o lançamento do primeiro, em 2012.
A apresentação das quatro novidades da gama foi feita nas instalações da RCV, em Gaia, com visita às caves orientada por Pedro O. Silva Reis (gerente e responsável de marketing), e uma prova que antecedeu o almoço com o conceito “C4 – Carvalhas Convida Chefes a Criar”. Já é a segunda edição deste tipo de evento, e este ano o desafio foi feito a Vasco Coelho Santos, do restaurante portuense Euskalduna Studio, que criou pratos inspirados no terroir Carvalhas, e harmonizados com outras colheitas dos vinhos desta quinta pelo sommelier Edgar Alves.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Jorge Moreira declarou, com sinceridade: “Carvalhas é a quinta que nos dá mais prazer trabalhar, pois tem muito carácter.” E não há dúvidas de que esse carácter se imprime nos vinhos, que mostram um lado do Douro super-elegante e menos estruturado, com as castas a revelarem o seu lado “je ne sais quoi”, em jeito de agradecimento a um viticultor que trata as plantas como se fossem suas irmãs. “Não fazemos mais do que respeitar aquilo que as videiras querem, pois elas são o segredo para compreender as diferenças entre estes vinhos”, disse Álvaro Martinho. O viticultor, que entrou para a RCV em 1997, nasceu em frente à Quinta das Carvalhas e por ela tem um carinho especial. “Olho para lá como se fosse o meu mundo”, confessou.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”28064″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Carvalhas branco 2016, que surgiu pela primeira vez em 2010, tem no seu lote as castas Viosinho e Gouveio, provenientes de uma vinha que está a 400 metros de altitude. Com estágio de oito meses em barricas novas de carvalho francês sobre borras finas, originou cerca de 6.000 garrafas. O Tinta Francisca 2014, de uma variedade que representa, na Quinta de Carvalhas, 2,1 hectares, é um tinto igual apenas a ele próprio, onde se conseguiu um paradoxo inserido em 2.600 garrafas: o novo Douro de uma variedade antiga. O estágio foi feito em barricas usadas de carvalho francês durante um ano. Da Vinha da Cascalheira, com parcelas junto ao Rio Torto e exposição a Norte, vêm as 3.300 garrafas do Touriga Nacional 2015, que também estagiou um ano em barricas usadas de carvalho francês e se revela um tinto no qual as notas familiares da Touriga Nacional se conjugam com um lado exótico. Por último, o Carvalhas Vinhas Velhas 2015. Das mais de vinte variedades presentes nas vinhas velhas da quinta é esculpido o ovo Fabergé da Real Companhia Velha. Com pisa a pé e estágio de dezoito meses em barricas novas e usadas, este é um vinho que, segundo Jorge Moreira, “é feito na vinha, o único sítio onde se seleccionam as uvas”. São 10.000 garrafas de um tinto que não consegue esconder de onde vem.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº15, Julho 2018

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Croft: Uma casa com 430 anos!

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um produtor com um passado da dimensão do Vinho do Porto. Um Vintage de sonho produzido a partir de uvas de uma quinta mítica. Uma celebração inesquecível. TEXTO Nuno de Oliveira Garcia FOTOS Anabela Trindade Existem colheitas […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um produtor com um passado da dimensão do Vinho do Porto. Um Vintage de sonho produzido a partir de uvas de uma quinta mítica. Uma celebração inesquecível.

TEXTO Nuno de Oliveira Garcia

FOTOS Anabela Trindade

Existem colheitas que produziram Vintages de que ninguém se esquece. Colheitas que viraram lendas, e anos que rimam com perfeição. A par da colheita de 1963, talvez só a de 1945 adquiriu esse estatuto, e perspetiva-se que 2011 possa, com o teste dos anos vindouros, vir a ser também dessa índole. Pois bem, da colheita de 1945 é unânime que um dos melhores Vintage desse ano foi o da Croft. Provado recentemente no evento que comemorou os 430 anos da empresa, resta-nos dizer sobre ele que qualquer adjetivo peca por defeito.
Melhor do que isso só poder confirmar, numa prova vertical muito especial em homenagem ao 430º aniversário, que também anos como 1948, 1955, 1963, 1966 e 1970 permitiram à Croft fazer alguns dos melhores Vintage que já provámos, e não estamos a exagerar. E a verdade é que a marca Croft, apesar de ter transitado de proprietários algumas vezes, sempre se manteve presente nas escolhas dos consumidores portugueses e ingleses, sendo uma referência muito relevante no universo Porto. Talvez o caso mais evidente, a par dos Vintages, tenha sido o Croft’s Invalid Port, um produto de enorme sucesso, tido por um tónico com propriedades medicinais e que chegou a expor no respetivo rótulo uma sugestiva cruz vermelha…
Com tanto sucesso e história (no Vinho do Porto e no Sherry), em 2001, e após algumas tentativas anteriores não sucedidas, a então Taylor Fladgate & Yeatman (atual The Fladgate Partnership) adquiriu o negócio do Vinho do Porto da Croft (do negócio ficou fora a área do Sherry). Mas, para além de uma marca intemporal, dos stocks e instalações, a razão da aquisição era bem clara, e consubstanciava um sonho antigo – voltar a possuir a Quinta da Roêda, inicialmente comprada pela Croft em 1889.
Trata-se de uma propriedade extensa junto ao Pinhão, em pleno Cima-Corgo, na margem norte, fácil de identificar pela curva majestosa que o rio Douro desenha nesse mesmo local. A exposição das vinhas é virada a sul, com uma altitude que não ultrapassa os 300 metros, o que explica que a vindima aconteça, por vezes, mais cedo do que em propriedades rio acima. Os vinhos aqui produzidos também revelam essa exposição e terroir, com um perfil muito aromático, cheio de fruto robusto, e nota florestal. Os primeiros registos de plantações datam de 1811, sendo que a casa principal, e demais edifícios agrícolas, terão sido edificados por volta do ano 1920.
Com a aquisição pela Taylor Fladgate & Yeatman, coube ao reputado e experiente António Magalhães a liderança da replantação de mais de 5 hectares por ano, reservando intocáveis apenas as melhores vinhas velhas. Atualmente a quinta comporta 75ha de vinha, sendo que as parcelas mais velhas, pouco mais de 10ha, foram plantadas a seguir à filoxera. As primeiras replantações tiveram, curiosamente, como objetivo arrancar alguma vinha plantada nas décadas de 60 e 70 do século passado, que não se adequavam à qualidade que se pretende na propriedade. Mais recentemente, viria a surgir uma adega quase nova, novos lagares e robots mecânicos de pisa, e a ambição não mais parou.
David Guimaraens, responsável máximo pela enologia, é perentório ao afirmar que não irá descansar enquanto os Vintages da Croft não alcançarem o estatuto que já tiveram, e enquanto não tiverem a mesma reputação das duas restantes marcas do grupo – Taylor’s e Fonseca.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Provados os vinhos da nova era, já sob a propriedade da The Fladgate Partnership, somos da opinião que esse exigente desígnio é alcançável a curto e médio prazos, com destaque para os belíssimos 2003 e 2011 a convencerem-nos disso.
Para comemorar a fantástica efeméride de 430 anos, a marca lançou um vinho dedicado à fundação da Croft, em 1588, por Henry Thompson, precisamente no ano da invasão pela Invencível Armada, um Reserve Ruby de muito bom nível, cheio de fruto como é apanágio da marca.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”28116″ alignment=”” animation=”Fade In” img_link_target=”_blank” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%” img_link=”https://grandesescolhas.com/vinho/croft-430th-anniversary-celebration-edition”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”30″][vc_column_text]

Edição Nº15, Julho 2018

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row]

Acidez volátil

A acidez volátil é defeito ou virtude? É esta primeira questão que se coloca quando se aborda este parâmetro que mede a concentração de ácido acético no vinho que bebemos e apreciamos. Bactérias acéticas e Acidez Volátil A acidez volátil é formada por várias estirpes de bactérias acéticas que, em contacto com o oxigénio, degradam […]

A acidez volátil é defeito ou virtude? É esta primeira questão que se coloca quando se aborda este parâmetro que mede a concentração de ácido acético no vinho que bebemos e apreciamos.

Bactérias acéticas e Acidez Volátil
A acidez volátil é formada por várias estirpes de bactérias acéticas que, em contacto com o oxigénio, degradam (oxidam) o álcool do vinho em acetaldeído e o acetaldeído em ácido acético, água e dióxido de carbono.

Ácido acético e Acetato de etilo
A formação do ácido acético, com o característico aroma balsâmico a vinagrinho, é sempre acompanhada pela formação de acetato de etilo com aromas de cola, acetona e verniz. O primeiro, em quantidades moderadas, pode ser favorável ao sabor final do vinho, contribuindo com grande frescura, enquanto que o segundo prejudica quase sempre o resultado final.

Uma doença do vinho
A degradação do vinho por bactérias acéticas é considerada pela enologia como uma doença da qual é necessário proteger o vinho feito. A protecção faz-se com assepsia ou elevado nível de higiene, ausência de contacto de oxigénio com o vinho feito e níveis confortáveis de sulfuroso livre.

Limites máximos de Acidez Volátil
A União Europeia permite um máximo de 1,2 gramas de ácido acético por litro de vinho. No caso dos vinhos generosos este máximo sobe para 1,5 g/l e com derrogação (que decorre da justificação do produtor) pode subir aos 1,8 g/l.

A Acidez Volátil e o Vinho
Normalmente, a quantidade de acidez volátil num vinho seco bem feito e devidamente protegido situa-se entre os 0,4 e os 0,6 gr/l; contudo, podemos encontrar vinhos com valores bastantes superiores sem que a qualidade do conjunto seja colocada em causa.

Marcas famosas e acidez volátil
Os tintos mais famosos de Espanha e da Austrália, respectivamente o Vega Sicilia e o Penfolds Grange, vangloriam-se da elevada acidez volátil dos seus vinhos, sendo que são dois dos tintos mais caros do planeta.Nos brancos não quero ter acidez volátil excessiva. Também não vejo qualquer vantagem em ter uma volátil elevada nos tintos de gama baixa. Nestes casos, não há qualquer mais-valia. Mas no caso dos tintos topo de gama, com vários meses ou anos de barrica antes do engarrafamento, a acidez volátil um pouco elevada, em torno dos 0,8 ou 0,9 gramas por litro, pode ser muito vantajosa porque oferece complexidade e frescura balsâmica ao vinho em causa.

*Enólogo

Segredos do Douro Superior

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A mais remota sub-região do Douro tem uma identidade muito própria, que se reflecte na paisagem, no clima, nos solos e, obviamente, nos vinhos. A diversidade de estilos é grande e se a opulência e intensidade de […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A mais remota sub-região do Douro tem uma identidade muito própria, que se reflecte na paisagem, no clima, nos solos e, obviamente, nos vinhos. A diversidade de estilos é grande e se a opulência e intensidade de aromas e sabores já seria esperada, a frescura, elegância e mineralidade de muitos tintos e brancos é uma grata surpresa.

TEXTO Dirceu Vianna Junior MW
FOTOS Ricardo Palma Veiga

Além de grandes vinhos, a região do Douro ostenta extrema diversidade e lindas paisagens. O Douro distribui-se por três sub-regiões, diferenciadas principalmente pelo clima e pela evolução dos seus aspectos históricos e culturais que se desenvolveram através dos séculos. Das três sub-regiões, o Douro Superior, devido à sua posição geográfica mais remota, aparenta estar ligeiramente isolado, tirando partido de uma menor intervenção humana para revelar toda a sua biodiversidade.
Apesar do percurso oferecer uma paisagem agradável, a viagem entre a cidade do Porto e Vila Nova de Foz Côa, centro geográfico da região do Douro Superior, é longa, mais de duas horas. A região permaneceu praticamente isolada até ao século XVIII. O inicio da expansão aconteceu somente em 1780, no reinado de D. Maria, quando o monólito de granito existente no rio, e que impedia a navegação, foi removido. Com o rio navegável a região tornou-se mais acessível, mas mesmo assim o acesso nunca foi fácil. Uma viagem desde a cidade do Porto até Barca d’Alva, no ano de 1848, durava praticamente o dia todo. Hoje, apesar da viagem por estrada ser muito mais fácil e rápida que no passado, ainda existe a percepção de que a região continua um pouco afastada em comparação com outros centros vinhateiros, como Mesão Frio, Régua ou Pinhão.
A região do Douro Superior estende-se desde o Cachão da Valeira, na borda do Cima Corgo, e prossegue até à fronteira com Espanha. É uma região árida e agreste. O facto de ser mais afastada ajuda a que sua paisagem e biodiversidade sejam melhor preservadas. E isso contribui para o carácter, charme e personalidade da região.
Fazendo uma comparação das sub-regiões do Douro com regiões produtoras de vinhos franceses, se uma visita ao Cima Corgo, com suas famosas e magníficas quintas, seria equivalente a uma visita aos belos chateaux de Bordeaux, então visitar um pequeno produtor no Douro Superior corresponde a uma visita à Borgonha. As pessoas são simples, amigáveis e hospitaleiras. As refeições que seguem as visitas muitas vezes ocorrem nas mesas dos próprios produtores e são eventos íntimos, informais, que reúnem amigos e representam uma experiência cultural e gastronómica real e verdadeira.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27967″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O clima da sub-região do Douro Superior é continental, notoriamente quente e mais seco. Manuel Carvalho, jornalista e crítico de vinhos com amplo conhecimento dos vinhos do Douro, observa que a fruta do Douro Superior é tipicamente mais madura, com bastante intensidade e as vezes pode até lembrar um pouco o estilo frutado de um vinho do Alentejo. Dirk Niepoort é mais radical e acredita que os vinhos da região são caracteristicamente pesados e demasiadamente alcoólicos, embora não descarte a qualidade de alguns vinhos de zonas mais altas e em locais onde solos graníticos predominam. Mas será de estereotipar assim uma região tão vasta e diversa?
Devido à posição geográfica, existe maior amplitude entre o calor do dia e o frescor das noites, deixando assim a vinha descansar e ajudando até certo ponto a fruta a preservar a sua acidez. O clima é mais estável e uniforme ao longo do ano, sobretudo na época da colheita. Para João Nicolau de Almeida, da Quinta do Monte Xisto, essas amplitudes térmicas mais acentuadas contribuem para que o solo, predominantemente xisto, esteja mais desfeito e mais evoluído, tornando mais fácil trabalhar. Nas regiões mais altas, encontra-se também granito e até mesmo manchas de calcário, como refere Carlos Magalhães, do Palato do Côa, que cita os solos de Muxagata como exemplo. Para Ana Almeida, enóloga da propriedade Cortes do Tua, esta mistura de solos ajuda a conferir frescura e mineralidade aos seus vinhos, especialmente os brancos.
Em comparação com as outras sub-regiões, a morfologia do terreno apresenta inclinações mais suaves, o que torna mais fácil mecanizar. Outra vantagem, de acordo com João Nicolau de Almeida, é a possibilidade de haver plantações de maior densidade e assim uma melhor concentração de aromas e sabores. Além disso, essa topografia menos acidentada resulta em menos problemas de erosão.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Altitude faz a diferença
O Douro Superior é a maior das regiões demarcadas do Douro, englobando uma área total de 110.000 hectares, mas apenas 10.200 hectares estão plantados. Isso significa que os vinhedos cobrem apenas 9,3% da região. Tal como as outras sub-regiões, o Douro Superior também é uma região fragmentada. Apesar de a região se ter desenvolvido mais tarde, existem, de acordo com o Instituto do Vinho do Douro e do Porto, 3.458 produtores de uva em actividade.
Uma das grandes vantagens do Douro Superior, de acordo com Carlos Magalhaes, é o seu clima mais constante em comparação com as outras sub-regiões. Isso significa que as plantas necessitam de menos intervenções na vinha para manter a saúde fitossanitária. Clima consistente permite ter mais homogeneidade nos vinhos produzidos, isto é, está menos dependente dos fatores climáticos que nas outras sub-regiões. Outra vantagem é que esse clima favorece a adaptação para a viticultura orgânica e biodinâmica. Mas nem tudo são vantagens: João Nicolau de Almeida alerta para o problema do escaldão, devido ao extremo de temperaturas e excesso de sol, ainda que isso possa ser menorizado com o tipo de condução da vinha.
Para fugir do calor excessivo existem outras possibilidades.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27968″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Segundo Ana Almeida, um dos segredos é a altitude. Em zonas altas é possível obter vinhos com muito equilíbrio entre acidez e álcool, o que nas outras sub-regiões é mais difícil. Para João Nicolau de Almeida, as vinhas viradas ao norte proporcionam fruta com menos volume e boca, mais acidez e fabulosas notas de mineralidade, o que permite elaborar lotes interessantes e equilibrados. Além disso, os vinhos tintos apresentam cor profunda e estável ao longo do envelhecimento, proporcionando longevidade ao vinho. Os taninos dos vinhos tintos são firmes, intensos, mas ao mesmo tempo maduros e sofisticados.
O Douro Superior é uma região rica em castas autóctones. Entre as principais variedades tintas sobressaem a Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinto Cão, Trincadeira e Sousão. Entre as brancas destacam-se a Malvasia Fina, Viosinho, Gouveio, Rabigato e Moscatel Galego. Para Ana Almeida, essa diversidade manifesta-se principalmente nas vinhas velhas de plantações mistas como, por exemplo, em Pombal-Carrazeda de Ansiães, onde dezenas de castas brancas estão dispersas numa única parcela.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Desafios e oportunidades
Um dos principais desafios para a região no futuro próximo serão as alterações climáticas. Com certeza, as dificuldades impostas devido a estas alterações vão provocar formas distintas de trabalhar na vinha. Para Ana Almeida, o sistema de rega será cada vez mais imprescindível. Para Teresa Ameztoy, da casa Ramos Pinto, proprietária da emblemática Quinta da Ervamoira, o caminho passa por respeitar ainda mais o ambiente, minimizando o uso de herbicidas e pesticidas nos vinhedos. Mas o trabalho de campo exige mão-de-obra capacitada.
Eis outro desafio significativo e decisivo para o futuro da região: fixar população no interior para trabalhar não somente no campo, mas também em indústrias adjacentes. Essa também é uma preocupação de Teresa Ameztoy. O turismo na região do Douro é um fenómeno recente, mas no Douro Superior essa vertente está percetivelmente atrasada e o seu desenvolvimento representa uma oportunidade para a região como um todo. Melhor infraestrutura certamente ajudará a atrair mais gente a esta bela região. Hotéis adequados, bons restaurantes e lojas comercializando os melhores vinhos da região serão fundamentais para projetar ainda mais a imagem do Douro Superior.
A percepção geral de um consumidor menos envolvido ou de um apreciador que vive fora de Portugal é que o Douro Superior seria uma região remota, agreste e árida. Devido ao seu clima mais seco, os vinhos serão mais maduros e pelo facto de haver menos chuva os vinhos tornam-se positivamente consistentes. Até certo ponto isso faz sentido.
Mas o que muitos ainda não descobriram é que a região é capaz de produzir vinhos tintos elegantes, menos pesados e sem perder o carácter. E é também possível encontrar bons exemplos de rosé, como o Palato do Côa 2017 de Carlos Magalhães, onde predomina a Touriga Nacional, e até mesmo ser surpreendido por um espumante fresco, vivo com bela textura, notas tropicais, florais e minerais, elaborado com a casta Códega do Larinho (Montes Ermos). Esse vinho da colheita de 2017, feito pela Adega Cooperativa de Freixo de Espada à Cinta, realmente ajuda quebrar o preconceito de que o Douro Superior não é capaz de fazer vinhos frescos e elegantes.
Na verdade, o maior segredo que esta região guarda é sua capacidade de surpreender o apreciador com vinhos brancos elegantes, minerais, com baixo nível de álcool e extraordinária frescura. E pronto, os segredos foram revelados![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][heading]Em Prova[/heading][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº 15, Julho 2018

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Rosés no topo

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Escolhemos mais de uma dezena de rosés verdadeiramente topos de gama. Rosés imperdíveis, frescos e saborosos, mas também inventivos e com exotismo, ao nível do que de melhor se faz pelo mundo. TEXTO Nuno de Oliveira Garcia […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Escolhemos mais de uma dezena de rosés verdadeiramente topos de gama. Rosés imperdíveis, frescos e saborosos, mas também inventivos e com exotismo, ao nível do que de melhor se faz pelo mundo.

TEXTO Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS Ricardo Palma Veiga

No nosso país, o tema dos vinhos rosés começa a ser relevante. Tirando França, ‘um mundo à parte’ no que a rosés diz respeito, Portugal destaca-se cada vez mais dos seus congéneres europeus e de grande parte do mundo (se bem que nos EUA os rosés locais também se encontrem em expansão clara). Em Espanha e na Itália, por exemplo, o vinho tinto ainda é rei, secundado por espumantes. Em Portugal, diferentemente, os vinhos brancos já assumiram um protagonismo significativo, e os rosés parecem seguir agora o mesmo trilho. E há uma razão – ou melhor, uma condição – para isso: a enorme qualidade dos nossos produtores.
Em menos de uma década, o paradigma mudou verdadeiramente no que concerne à qualidade e apresentação dos nossos rosés. Faltará ainda um pouco mais de adesão pelo consumidor, sobretudo em época não estival; mas lá chegaremos, disso estamos completamente convictos. É que, e permita-se-me a repetição, a qualidade atual dos nossos rosés é, numa palavra, entusiasmante e sem paralelo na nossa história. Se fosse preciso provar a tese que acabámos de explanar, veja-se que são já vários os produtores portugueses a colocarem-se na vanguarda de um movimento rosa, com o lançamento de rosés premium, verdadeiros topo de gama.
Por isso, já nem estranhamos quando nos deparamos com produtores que apresentam na sua gama não um, mas dois rosés: um de entrada de gama – colheita, geralmente proveniente de sangria de vinho tinto –, e outro de topo – reserva, a partir de uma vindima feita propositadamente para rosé, quase sempre apenas com ‘mosto-gota’, sem uso de prensa, e recurso recorrente a battonage de borras finas. De agora em diante, temos igualmente que não estranhar encontrar rosés com um preço acima dos 15€ ou mesmo 20€, e isso são boas notícias, pois os vinhos têm qualidade para o preço pedido.
No que respeita ao topo, que é o que nos interessa no presente texto, encontramos quase sempre rosés fermentados (em parte ou totalmente) em barrica, feitos quase sempre a partir das melhores uvas e com as castas mais exclusivas e caras (Touriga Nacional e Syrah à cabeça), outras vezes com recurso a blend de mais do que uma vindima num gesto enológico de rasgo e simultaneamente de algum classicismo (Unlocked da Quinta do Portal), e até casos de rosés em que parte do vinho provém de sangria de tinto e a outra parte foi vinificada em bica aberta (Rosé da Fita Preta). Também existem rosés de topo onde o autor opta por não usar barrica (Herdade do Sobroso) para revelar o vinho em estado puro, mas são exceções que confirmam a regra.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Abaixo o preconceito!
Os rosés selecionados são verdadeiros vinhos de autor e, em alguns casos, verdadeiros produtos da criatividade e engenho do enólogo e/ou do produtor. O facto de num vinho rosé o terroir e o ano da colheita serem menos relevantes do que nos brancos e tintos – desde logo pela data de vindima ser muito precoce e as uvas não se encontrarem numa fase final de maturação fenólica – tem vindo a estimular a experimentação na adega, com resultados quase sempre muito positivos. Há, assim, quem opte por ter fermentação em barrica 100% nova (Redoma, Ravasqueira Premium, Quinta Nova), outros decidem-se por usar barricas novas e usadas (Quinta da Pacheca Reserva), e existem aqueles que não hesitam em utilizar apenas barrica usada (Aliás, Quinta do Poço do Lobo), por vezes de 500 litros (Monte d´Oiro) para não marcar o perfil delicado do vinho com a madeira.
Em todo o caso, a tese e o objetivo são os mesmos: o de permitir a estabilização do vinho num ambiente de madeira (procurando diminuir os casos de reduções do mosto e vinho, que são muito comuns em rosés) e contribuir para uma maior complexidade do lote final. Como acima já dissemos, outra tendência é o uso prolongado de battonage na barrica, ou seja, a agitação das borras (por regra as finas, apenas), procurando-se maior amplitude e cremosidade na prova de boca, operação que foi realizada em todos os rosés escolhidos para esta reportagem.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”30″][image_with_animation image_url=”27958″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Nos casos em que a barrica é toda, ou em parte, nova, os aromas fumados da barrica adicionam mais uma camada ao vinho, contribuem com sofisticação e permitem, em muitos casos, uma maior versatilidade à mesa, distanciando-se da imagem corrente do rosé de esplanada.
Esse distanciamento é, de resto, o grande desafio que os vinhos ora escolhidos enfrentam. Não é ainda fácil criar e transferir para o consumidor uma ideia de luxo e de refinamento num produto como o vinho rosé. A visão clássica de vinho para se tomar à beira da piscina, ou para acompanhar um banquete de sardinhas, não contribui para um posicionamento alto. Mas, assim como os espumantes têm conseguido deixar para trás a imagem de vinho de celebração ou apenas como aperitivo, também os rosés têm vindo a aumentar o espetro da sua utilização.
Nas versões mais secas, perfeitas no início da refeição com acepipes, em saladas de inspiração mediterrânica, couscous (preparado de sêmola de cereais) com legumes, ou quiches vegetarianas; nas variantes mais intensas e capitosas, a acompanhar massas e pizas picantes, ou mesmo um bacalhau à Brás; ou até nos exemplares mais complexos e robustos, perfeitos com pratos como arroz de polvo, tandoori de frango (frango em marinada cozinhado em fogão indiano), ou tagine de borrego (guisado numa panela de barro típica do norte de África). Quem começa a pôr de lado o preconceito sobre os rosés cedo se entrega aos prazeres deste delicioso e versátil tipo de vinho. Não perca tempo…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Em Prova”][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº15, Julho 2018

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Julia Kemper: Paixão pelo vinho e respeito pela Natureza

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]As vinhas de Julia Kemper têm uma história que começou nos seus antepassados, mas está agora com ela, que aterrou neste mundo vinda de outra profissão. O maior destaque é mesmo o respeito pelo ambiente e a […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]As vinhas de Julia Kemper têm uma história que começou nos seus antepassados, mas está agora com ela, que aterrou neste mundo vinda de outra profissão. O maior destaque é mesmo o respeito pelo ambiente e a certificação biológica desde o início. Nada fácil no Dão, diga-se de passagem.

TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA João Paulo Martins
FOTOS Anabela Trindade

“Nunca na vida fui agricultora; eu era advogada em São Paulo e Lisboa, mas fui a escolhida para herdar esta quinta. E levei três anos a dizer que sim.” É assim que começa a insólita história recente desta casa de Mangualde, contada pela própria Julia Kemper (www.juliakemperwines.com). Só aceitou com duas condições: “Se passássemos para a agricultura biológica. E assim foi.” E que começassem a vender vinho, “porque a quinta nunca o vendeu”. Nunca? Na verdade, a família (enorme) consumia o vinho, ou dava-o a amigos e clientes (um conjunto com mais de mil pessoas, recorda Julia). O restante ia para outras paragens…
Isto não significa que se tratasse a uva e o vinho ‘às três pancadas’, nada disso. Julia diz-nos que o seu avô “era muito vaidoso do seu vinho”: “Chegou a fazer milhares de quilómetros para o mostrar numa exposição em Berlim.” [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]E ganhou mesmo um prémio, exibido com orgulho numa das paredes da adega, sob forma de diploma emoldurado. Apenas não precisava de vender. Outro indício do amor à terra do avô, que aqui passava uma parte do ano, vindo de Lisboa, era o investimento em capital humano: quando aqui chegou, Julia diz-nos que a quinta (de 60 hectares) tinha 54 empregados!
O avô faleceu e, alguns anos depois, Julia começa a trabalhar na quinta, mas, como não percebia nada, chamou “uns franceses”. “Não porque eles saibam fazer melhor vinho do que nós, mas porque são mestres a vender. Ora, os franceses eram a favor dos vinhos varietais e eu queria também introduzir algumas diferenças em relação à tradição.” Por exemplo, deixar de fazer apenas um branco e um tinto (com as castas todas misturadas) e passar a fazer alguns ‘monocastas’.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”27938″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Isso obrigou Julia a alterar o encepamento, plantando por parcelas e castas. Com a reestruturação, acabou por reduzir a área de vinha. Optou por ficar com 20 hectares (menos de metade), receando, sensatamente, dar um passo maior do que a perna. Mas, confessa, “hoje teria mantido tudo”. E sabemos também que teria preservado alguma vinha muito velha (Julia fala em plantas com bem mais de 100 anos!) mas, por acidente, foi tudo fora. A escolha do novo encepamento foi para as castas tintas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen, e, nas brancas, Encruzado, Malvasia Fina e Verdelho. Muito típico do Dão.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Biologia polémica na região
Por aqui passaram muitos especialistas, incluindo técnicos de agricultura biológica. “Gastei muito dinheiro”, diz Julia, que acabou a contratar a empresa Vines & Wines, famosa no Dão, para continuar todo o processo. António Lopes, o encarregado de sempre (já falecido), e conhecedor profundo do terreno, assistia a tudo com alguma incredulidade. Os métodos biológicos eram estranhos para ele, mas aceitou e terá mesmo tentado evangelizar os amigos da região, que lhe diziam “ó António, tens a vinha cheia de ervas”.
Para Julia, a natureza tem forma de se equilibrar e só em casos anormais o humano tem de intervir. Ainda assim, não faltaram vozes na região (e fora dela) a augurar o ‘estampanço’ do projecto. Um técnico consagrado disse uma vez a Julia que aquilo tudo era “uma estupidez pegada”.
Afinal, o equilíbrio natural prevaleceu e o projecto foi avançando. “Comecei em 2003 a replantar a vinha, mas o primeiro vinho só saiu da colheita de 2008. Decidi não ter pressa. Sempre assim foi na minha vida.” A falta de pressa continua hoje, como se pode ver pelas notas de prova anexas, de vinhos tintos de 2011 e 2012. Não há mesmo pressas, e ainda bem. Os vinhos agradecem…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”image_grid” images=”27937,27940,27939″ layout=”3″ gallery_style=”1″ load_in_animation=”none”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Para o desenvolvimento da actividade e da região, José Castelo Branco não esquece que “o dinamismo do Alqueva veio dar um aqui boost muito grande. Proporcionou mais investimento nas redondezas, trouxe o movimento financeiro que estava a faltar”.
Ao longo da propriedade, que acompanha as margens do rio Guadiana, existem nove pequenas barragens, nove “oásis no deserto” que embelezam ainda mais aquilo que já é um local pleno de encanto. Percorrendo os caminhos da herdade, uma surpresa a cada passo, uma perdiz a descansar na estaca de uma vinha sem preocupações, o Guadiana a espreitar, quando menos se espera, entre dois montes que o encerram como que a impedir que ele fuja, o olhar sereno de um vitelo, um campo de flores silvestres a pintar o quadro de amarelo. A produção integrada e a consciência ecológica são evidentes.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Terroir de altitude
A Quinta do Cruzeiro está situada numa região de altitude, e os vinhos resultantes precisam de tempo para ‘casar’ na garrafa e, no caso dos tintos, amaciar os taninos. As vinhas estão situadas entre os 450 e 520 metros, mas os terrenos estão protegidos por quatro serras – Estrela, Caramulo, Buçaco e Nave. Lá em baixo, um conjunto de casarios forma a aldeia chamada Oliveira.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]De resto, é típico Dão, até na decoração do terreno: só vemos a vinha quando lá chegamos. Tudo se encontra no meio da floresta. Esta zona, aliás, foi fustigada por um fogo em 2016 e só se salvou porque os meios aéreos chegaram a tempo. Ainda assim, Júlia perdeu um dos 10 imóveis da quinta, completamente destruído pelas chamas. A outra característica típica de (algum) Dão é o predomínio do granito. A prová-lo estão vários rochedos de imponente tamanho que se encontram junto à vinha. Mas também existem alguns pedaços com solo xistoso.
O sistema de rega está instalado, mas pouco funciona, porque não tem sido necessário. O subsolo tem muita água e o velho António Lopes sabia isso muito bem. E contrariou inclusive, com razão, a varinha de um vedor que foi contratado para ver onde havia água. Facto curioso: uma história de análises e observações indica que os terrenos que mais fazem sofrer a vinha são aqueles de onde vêm as melhores uvas e onde se fazem os melhores vinhos.
Vê-se que a proprietária gosta de passear pela vinha. Ou melhor, correr, como tinha feito nessa madrugada. “Na agricultura biológica temos que ver a vinha todas as semanas, mesmo no Inverno.” Não é só a visão romântica do assunto, mas também uma maneira de perceber se algo se está a passar: “Aqui temos que jogar sempre em antecipação”, confessa a proprietária.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27951″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Rumo à adega
A fazer vinhos há mais de um século, a Quinta do Cruzeiro possuía, claro, uma adega própria. O avô de Julia ampliou-a e a neta também. Mas não foi preciso fazer muita coisa. O avô era visionário e mandou fazer depósitos em cimento, uma revolução na altura. Julia dividiu os depósitos em espaço mais pequenos, para flexibilizar o armazenamento dos vinhos. E mandou fazer revestimentos em epoxy e instalar sistemas de controlo de temperatura. Outra inovação do antepassado foi para o percurso da uva e mostos: tudo é feito por gravidade, sem se usarem bombas. A adega comporta ainda lagares de pedra, que ainda hoje são usados para fazer a pisa a pé nos tintos. As maiores modificações ocorreram nos brancos, feitos com recurso à tecnologia mais moderna, com controlo de temperatura e inertização. Infelizmente há pouca uva branca, situação que deverá mudar num futuro próximo. Até porque Julia passou a gostar muito de brancos, especialmente depois de estagiarem alguns anos.
A vindima chega a juntar 30 ou 40 pessoas, algumas delas com um histórico de décadas: “Temos inclusive emigrantes que vêm fazer a nossa vindima, porque gostam”, diz-nos a proprietária. Tudo é feito à mão, para caixas de pequeno tamanho, mas, mesmo assim, existe uma mesa de escolha vibratória na adega, para refugar qualquer cacho ou bago em más condições. Ou seja, a uva é aqui muito bem tratada, da vinha à adega.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Em Prova”][divider line_type=”No Line” custom_height=”30″][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº15, Julho 2018

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Vinho Verde Branco, frescura garantida

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Vinho Verde branco de hoje pouco tem a ver com o que tínhamos à nossa disposição há uma década. Não apenas o estilo mais “tradicional”, com gás e leve doçura, cresceu muito na qualidade, como nos […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Vinho Verde branco de hoje pouco tem a ver com o que tínhamos à nossa disposição há uma década. Não apenas o estilo mais “tradicional”, com gás e leve doçura, cresceu muito na qualidade, como nos últimos anos vem ganhando peso junto dos apreciadores um perfil bem diferente de Verde, que se afirma pela secura, elegância e superior ambição. Em comum, apenas a vibrante frescura tão característica dos brancos desta região.

TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga

A extensa região dos Vinhos Verdes começa no rio Minho, na ponta mais ao norte do país, e termina já a sul do rio Douro. Faz fronteira com a região do Douro, mas não perde a sua individualidade. Estamos na terra do Vinho Verde, onde nascem vinhos muito apreciados pelos consumidores. Uma zona marcada pelo clima, pelo solo e pela presença de alguns importantes cursos de água. A água é, de resto, elemento que não falta nestas terras.
São três os principais rios que marcam a paisagem minhota e determinam estilos e castas. A norte temos o rio Minho, que percorre a sub-região de Monção e Melgaço; no centro da região, o rio Lima, e a sul o rio Douro. Curiosamente (ou não) cada uma destas zonas corresponde à preponderância de uma casta sobre as outras, marcando assim os vinhos com um “selo” que os faz distinguir dos restantes. Temos então, e de norte para sul, a Alvarinho, a Loureiro e a Avesso, três das principais castas brancas da Denominação de Origem (ver texto anexo). A região é bastante rica de variedades de uva e algumas delas continuam ainda numa certa penumbra, como que à espera da redescoberta por parte dos produtores e, por via deles, dos consumidores. Estamos em terras onde a tradição impôs os vinhos de lote, mas onde cada vez mais descobrimos o interesse pelos vinhos varietais, e não só pelas três castas que acima referi.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27918″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A região dos Vinhos Verdes tem imensos pontos de contacto com a sua vizinha galega das Rias Baixas, partilhando com ela o clima – não esqueçamos que estamos na zona mais pluviosa do país –, as castas e as formas de plantio. No entanto, com uma tão grande extensão territorial, é compreensível que os estilos de vinhos sejam bem diferentes, sobretudo à medida que caminhamos para sul. Foi também essa diferenciação que levou à criação de sub-regiões, mas, diga-se, a única que ganhou estatuto de “autonomia” junto do consumidor foi a de Monção e Melgaço, muito por “culpa” da uva Alvarinho. As restantes sub-regiões, apesar de possuírem razões para se distinguirem, nunca se conseguiram afirmar enquanto tal junto do consumidor. Serão poucos os que conseguem associar as suas marcas preferidas a sub-regiões Cávado, Paiva, Sousa ou do Ave, só para citar algumas. As informações dos rótulos e contra-rótulos também nunca privilegiaram esta indicação e, desta forma, com a já referida excepção de Monção e Melgaço, a região é, aos olhos do consumidor, um todo. São Vinhos Verdes e são assim há muito tempo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_custom_heading text=”Do tinto para o branco”][vc_column_text]O plantio da vinha na região hoje conhecida como dos Vinhos Verdes é tão antigo quanto a nacionalidade. Ali, como noutras zonas, foram as ordens religiosas que incentivaram e desenvolveram quer as técnicas de viticultura quer as da produção do próprio vinho. Com frequência, o que chegava às abadias era mosto, resultado de uvas pisadas perto da própria vinha, em lagaretas dispersas que ainda hoje se encontram em algumas zonas da Beira Alta e Minho. Esse mosto era depois fermentado nas abadias e muito provavelmente não haveria uma distinção clara entre o vinho branco e vinho tinto, dicotomia que apenas terá entrado no léxico da região dos Verdes já bem dentro do séc. XIX.
Assim, é muito difícil afirmar que a tradição minhota é de branco ou é de tinto. Já foi de tinto – provavelmente desde a filoxera (segunda metade do séc. XIX) até aos anos 90 do século passado – e só de então para cá o branco suplantou o tinto. As estatísticas disponibilizadas no site da CVR dos Vinhos Verdes mostram claramente que só a partir da campanha de 1992/93 é que a quantidade de vinho branco produzido ultrapassou o tinto. Até então estávamos em reino de tintos. Em relação a tempos mais antigos, não é só a distinção entre branco e tinto que poderá não ter cabimento, é também o tipo de vinho, seguramente muito menos alcoólico (tal como acontecia, de resto, em todo o Portugal e Europa vinícola).
Como atrás se disse, foi então a partir dos anos 90 que os brancos suplantaram os tintos, com um crescimento que não tem parado desde então. A região está hoje a produzir menos do que outrora e, mesmo que apenas analisadas a produções deste século, vemos que têm variado na última década entre um mínimo de 61,6 milhões de litros na campanha de 2012/13 e um máximo de 93,2 milhões de litros na campanha em curso, com máximos históricos de mais de 194 milhões na campanha de 91/92. Os concelhos onde a produção atinge por norma os valores mais altos são Felgueiras e Penafiel, mas a sub-região que abrange os concelhos de Monção e Melgaço tem tido um enorme crescimento, aproximando-se dos 9 milhões de litros.
Os vinhos tintos conhecem também alguma modificação na forma como chegam ao consumidor: à prevalência quase total da casta Vinhão, muito querida de lavradores e de muitos consumidores por ser casta tintureira, taninosa e muito estruturada, assistimos hoje ao ressurgimento de outras castas, como a Alvarelhão, Folgosão e Borraçal, e à modificação do próprio Vinhão, que perdeu o seu lado mais agreste, sendo hoje possível encontrar vinhos bem mais macios e afinados, sem que o seu traço mais forte – a cor – se tenha perdido.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27921″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_custom_heading text=”Novas tendências”][vc_column_text]A região é das que mais vinha tem renovado, logo a seguir ao Douro. Renovar aqui, significa muitas vezes mudar práticas culturais antigas, seleccionar castas e procurar melhores rendimentos. As uvas do Vinho Verde, face à procura que tem havido, estão a ser pagas, segundo Manuel Pinheiro, presidente da CVRVV, acima da média nacional e a casta Alvarinho é mesmo das mais bem pagas do país, com um preço sempre na casa de €1/quilo, o que a aproxima do valor das uvas autorizadas para Vinho do Porto. A procura absorve toda a produção e as próprias adegas cooperativas da zona mostram uma vitalidade que não se compara com as de outras regiões demarcadas.
O melhor exemplo da renovação vitícola é dado pelos elevados investimentos que empresas como a Avelada estão a fazer na região, apostando em 200 novos hectares de vinha, criados de raiz na zona de Ponte de Lima. Em Monção e Melgaço sucedem-se os novos projectos e a região como um todo só pode beneficiar com isso, nomeadamente na projecção e imagem do Verde noutras terras. As novas plantações têm abrangido entre 600 e 700 hectares por ano, sobretudo em reconversão de vinhas já existentes, e o que mais se tem plantado é Loureiro, Alvarinho, Arinto e Avesso. No fundo as três castas emblemáticas da região, aqui acrescentadas da Arinto, a ubíqua uva branca que todos os produtores nacionais querem na sua região.
Em termos de adega e de perfil de vinhos, os Verdes continuam a apostar cada vez mais nos vinhos brancos, mas com o segmento dos rosés a avolumar-se. Também há a salientar o crescente interesse pelos vinhos espumantes, que, embora em muitos casos produzidos em pequenas quantidades, não deixam de ser uma nova área de negócio que interessa a cada vez mais produtores. Globalmente, a qualidade dos Vinhos Verdes tem crescido imenso na última década, seja do estilo “tradicional” (com gás e leve doçura), seja no estilo moderno, seco e com mais álcool, corpo, e ambição na qualidade e no preço.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mas existem também tendências menos interessantes, sobretudo aquilo a que poderia chamar de “Sauvignonização”. De facto, surgem com alguma frequência no mercado vinhos excessivamente aromáticos, exuberantes de frutas tropicais (maracujá, manga), características pouco comuns nas castas locais. Acredito que este caminho nada acrescenta à região, tornando os vinhos iguais ao que se pode fazer em qualquer parte do mundo. Mais sentido fará continuar a melhorar um estilo que ganhou raízes e tradição nos Vinhos Verdes, com sejam os vinhos com gás adicionado e com açúcar residual.
É isso o que defende, por exemplo, o enólogo Manuel Vieira: “Um vinho branco com álcool moderado, acidez evidente, presença de gás e de açúcar residual, é, na minha opinião, uma interpretação, em termos técnicos exequíveis, do vinho branco tradicional da região, que fazia a fermentação maloláctica na garrafa.” E acrescenta: “A viticultura da região sofreu entretanto enorme evolução e outros tipos de Vinho Verde surgiram. Hoje em dia, e devido a essas alterações, o nível de álcool subiu, a acidez reduziu-se e o leque de vinhos expandiu-se, tornando a região um viveiro de excelentes vinhos. Penso que só aceitando esta realidade é que poderemos ir mais além, no intuito de valorizar cada vez mais os vinhos produzidos, sejam eles com gás ou sem gás!”[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27920″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#e0e0e0″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_text_separator title=”As uvas brancas do Vinho Verde” color=”black”][vc_column_text]Ainda que em crescimento no resto da região dos Vinhos Verdes, a uva Alvarinho está sobretudo ligada à sub-região de Monção e Melgaço, onde nasceu. Pela sua especificidade, optámos por deixar os Alvarinho de Monção e Melgaço fora desta prova, e focámo-nos nos outros Vinhos Verdes, elaborados, na sua maioria, a partir destas cinco castas.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”Arinto”][vc_column_text]A casta é originária de Bucelas, mas sempre esteve bem presente nos Vinhos Verdes, com o nome de Pedernã. É uma variedade usada para dar alegria ao lote, uma vez que mantém a elevada a acidez do mosto mesmo em clima (ou ano) mais quente.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”Avesso”][vc_column_text]Casta do interior da região, está sobretudo presente nas zonas que fazem a transição entre os Verdes e Douro; encontramo-la assim em Baião, mas também em Amarante, por exemplo. Foi durante muito tempo subestimada, mas conhece agora uma maior atenção pelos produtores. É uma casta com perfil muito próprio, mais contida na sua exuberância, mas que origina vinhos muito equilibrados.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”Azal”][vc_column_text]Presente sobretudo nas zonas de Amarante, Basto e Baião, é também uma variedade que, tal como a Avesso, prefere as terras de interior, longe da influência atlântica. Foi durante muito tempo (até ao final do século XX) uma casta que, em virtude da viticultura tradicional, originava vinhos difíceis, de acidez elevadíssima. Citrino na cor e aroma, o vinho resultante, hoje bem mais atractivo, é sobretudo usado em lotes e para apreciar enquanto jovem.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”Loureiro “][vc_column_text]É a rainha do vale do Lima, também muito presente em terras galegas. Prefere zonas mais próximas do mar, húmidas e frescas. Muito completa em todos os itens, produz bem e tem boa capacidade de viver em garrafa. Origina muito bons vinhos varietais, mas é também importante em lotes, sobretudo com Arinto e Trajadura e, mais recentemente, com Alvarinho[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”Trajadura”][vc_column_text]Com aromas e sabores de fruta madura, tende a evidenciar baixa acidez. Boa para lote e muito usada em ligação com Alvarinho, originando então vinhos muito atractivos. Muito divulgada também na Galiza.[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″ custom_height=”20″][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_custom_heading text=”Valorizar o Vinho Verde”][vc_column_text]Os números do Vinho Verde são bastante positivos, mas o desafio passa agora por aumentar o preço médio de venda. As exportações não têm parado de crescer e se, em 2000, apenas 15% do negócio resultava das vendas ao exterior, já em 2017 essa percentagem subiu para os 50%. Passou-se também dos 9 milhões de litros exportados em 2005 para 25,5 milhões em 2016. Esse crescimento é tanto mais significativo quanto foi feito sem sacrificar o preço: €2,30 por litro hoje em dia, contra €2 em 2004. No entanto, longe ainda do que a região pode e deve ambicionar.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A esse respeito, Manuel Pinheiro afirmou à Grandes Escolhas que “o exemplo da sub-região de Monção e Melgaço tem de ser seguido nas outras, mas por enquanto não há massa crítica, faltam produtores em número suficiente a promover a imagem de cada sub-região; mas estou convencido que Baião (onde domina a casta Avesso) começa a reunir condições para ser a próxima sub-região a dar o salto, em termos de notoriedade”.
Muito do futuro passa por aí: sub-regiões personalizadas e afirmativas, criação de cada vez mais segmentos de valor acima do patamar “gás e doçura”, um número maior de vinhos ambiciosos que apaguem do Verde a associação ao vinho barato, que ainda permanece sobretudo no mercado externo e apesar de os preços reais continuarem a subir.
Vinhos de casta e valorização das sub-regiões parece ser o caminho a traçar por agora. Já foi o tempo (anos 80 e 90) em que o Vinho Verde chegava aos consumidores com a “marca de solar”, casas bonitas, de traça antiga, onde se produzia vinho em pequenas quantidades, mas muitas vezes sem estratégia e visão de mercado, assente em muito amadorismo. Hoje, a região conhece um movimento muito grande de investimentos, alguns bastante importantes e assentes em estruturas altamente profissionais. Um bom sinal, certamente.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27919″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Em Prova” title_align=”separator_align_left” color=”custom” accent_color=”#888888″][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº14,  Junho 2018

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Paço do Conde: Vinhos do Alentejo profundo

Baleizão foi terra de cereais e hoje é sobretudo terra de olival, pastagens e vinho, sob a égide da Herdade Paço do Conde. Com um portefólio de produtos variado, este gigante agrícola do Baixo Alentejo serve paisagem numa bandeja. TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS Ricardo Palma Veiga João Tordo, escritor português, […]

Baleizão foi terra de cereais e hoje é sobretudo terra de olival, pastagens e vinho, sob a égide da Herdade Paço do Conde. Com um portefólio de produtos variado, este gigante agrícola do Baixo Alentejo serve paisagem numa bandeja.

TEXTO Mariana Lopes
NOTAS DE PROVA Luís Lopes
FOTOS Ricardo Palma Veiga

João Tordo, escritor português, descreveu a aldeia de Baleizão da seguinte maneira, no seu livro Anatomia dos Mártires: “É um conjunto de casas brancas com telhados em tijolo castanho, janelas de cantaria e portas extraordinariamente pequenas onde, durante as tardes, os locais se abrigam do calor. Tem uma escola, uma Junta de Freguesia e, no centro da aldeia, um busto de Catarina Eufémia sobre uma coluna branca cercada por uma pequena vedação onde, ao final da tarde, os velhos se sentam a descansar. (…) Andei ao acaso pelas ruas de alcatrão quente e as portas baixinhas, de laranjeiras podadas e cães vadios farejando as bermas.”

Ao largo desta aldeia, carregada de simbologia, encontra-se a Herdade Paço do Conde, que está nas mãos da família Castelo Branco há mais tempo do que se consegue contar. Os actuais proprietários, José António Castelo Branco, Luís Miguel Castelo Branco e Maria Luísa Castelo Branco Schmidt, são os netos do fundador da actual empresa, que nasceu em 1928. A parte materna da família já pratica agricultura tradicional na região há muitas gerações. Já a parte paterna é da Beira, especificamente de Vila Nova de Poiares. O referido avô fundador, vindo dessa zona, viu-se um dia perante uma oportunidade de investimento no Alentejo, que acabou por se concretizar na Herdade de Paço do Conde.

Um dos seus filhos, advogado de profissão, era aficionado de agricultura e da região, e o fundador, que mais tarde resolveu vender tudo, acabou por não o fazer, por essa razão. Assim, fez-se uma sociedade agrícola entre ele, o filho advogado e as duas filhas. Estas faleceram cedo, mas o filho acabou por lá casar e ser pai de José António Castelo Branco e dos irmãos. “Nasci em Lisboa, mas passava muitas temporadas em Baleizão com o meu pai, sempre que ele tinha férias”, contou José António. Na verdade, muitos proprietários, naquela altura, desertaram dali, mas a família Castelo Branco ficou, até hoje. E hoje chegam-se à frente, na gestão e na supervisão agrícola, Filipe Castelo Branco e Pedro Castelo Branco Schmidt, filhos de José António e de Maria Luísa, respectivamente.

Do Guadiana a Vilares
A Herdade Paço do Conde estende-se por cerca de 4.000 hectares com uma flora (e até fauna…) bastante diversificada. O principal negócio, o azeite, vem de 1.900 ha de olival, mas a herdade é também berço de outras culturas como o trigo, o girassol, o milho, a papoila e vários produtos hortícolas. Só 1.700 ha representam pastagem natural e semeada para alimentação das cerca de 1.000 vacas. A vinhas, todas próprias, materializam-se em 260 ha na totalidade, sendo que 50 desses são na Vidigueira, com mais 15 para breve. Em Baleizão, o solo dos vinhedos comporta muito xisto e alguma areia, enquanto que na Vidigueira são compostos, sobretudo, por argila. Para a plantação das vinhas, que se iniciou em 1995, escolheram-se as castas tintas Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Castelão, Merlot, Syrah, Touriga Nacional e Trincadeira; e as brancas Antão Vaz, Arinto e Viognier. Este investimento na vinha e no olival representa o esforço dos Castelo Branco em reconverter a actividade agrícola que muito passava pelo cereal de sequeiro, focando-se em culturas mais competitivas como aquelas. “Estamos a considerar entrar na amêndoa, para diversificar ainda mais a nossa oferta” contou Pedro Schmidt.

Para o desenvolvimento da actividade e da região, José Castelo Branco não esquece que “o dinamismo do Alqueva veio dar um aqui boost muito grande. Proporcionou mais investimento nas redondezas, trouxe o movimento financeiro que estava a faltar”.
Ao longo da propriedade, que acompanha as margens do rio Guadiana, existem nove pequenas barragens, nove “oásis no deserto” que embelezam ainda mais aquilo que já é um local pleno de encanto. Percorrendo os caminhos da herdade, uma surpresa a cada passo, uma perdiz a descansar na estaca de uma vinha sem preocupações, o Guadiana a espreitar, quando menos se espera, entre dois montes que o encerram como que a impedir que ele fuja, o olhar sereno de um vitelo, um campo de flores silvestres a pintar o quadro de amarelo. A produção integrada e a consciência ecológica são evidentes.

Da adega e do lagar
A adega começou a ser erguida em 2002, ano em que o Paço do Conde começa a produzir os seus vinhos, com apenas 30 a 40 ha de vinha. De construção moderna, o edifício esconde no seu interior abóbadas e arcadas, mas também uma tecnologia de vinificação com capacidade para 1.410.000 litros. A marcas Herdade Paço do Conde (marca-mãe), Encostas do Guadiana, Herdade das Albernoas (muito presente lá fora, especialmente no Canadá), Vilares e 3 Herdades perfazem, actualmente, uma produção de 1,5 milhões de garrafas, número “a duplicar em breve”, descortinou Pedro Schmidt. O tinto representa 65% da produção, e o branco 35%. Na verdade, o forte aqui ainda é a exportação, mas a vontade da família é dar cada vez mais importância ao mercado nacional. “A previsão, este ano, é ficar 50/50”, adiantou.

O enólogo, que está na empresa desde o início da actividade vinícola, é o experiente Rui Reguinga, que nos explicou: “A intenção aqui sempre foi fazer vinhos com excelente relação qualidade-preço”.
Em 1998, iniciaram a plantação do olival, selecionando as variedades Galega, Cobrançosa, Frantoio, Arbequina e Picual, e em 2007 começou a produção em lagar próprio, com capacidade para processar 650 toneladas por dia. Hoje, a produção anual é de 2 000 000kg de azeite que se divide em dois engarrafados, Herdade Paço do Conde e outro com o mesmo nome e designativo Exclusive Selection (para lojas gourmet), e uma grande parte que é vendida a granel, sendo que “Itália é um excelente mercado” para esta última. Não obstante, querem vender cada vez mais azeite engarrafado.
Pedro Schmidt foi muito claro no que toca aos objectivos actuais da empresa. “O nosso grande foco é crescer no vinho e no azeite, pois achamos que são as duas culturas que mais fazem sentido no Alentejo”. O sucesso desta sociedade agrícola, que conta já com cerca de 70 pessoas empregadas, não se baseia em nenhum segredo nem numa malha complexa de gestão. Pedro tem a fórmula, e esta é simples: “Começámos com os pés bem assentes na terra”.

 

Edição Nº15, Julho 2018