AVELEDA: Uma aventura em terras do Lima

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A maior empresa de Vinho Verde, produtora da marca mais importante – Casal Garcia – é também, a partir de agora, a detentora da maior mancha de vinha de toda a região demarcada. Um projecto enorme, um […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A maior empresa de Vinho Verde, produtora da marca mais importante – Casal Garcia – é também, a partir de agora, a detentora da maior mancha de vinha de toda a região demarcada. Um projecto enorme, um desafio e tanto, que visitámos recentemente.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Cortesia do produtor
Estamos em Cabração, aldeia do concelho de Ponte de Lima, com a serra de Agra por perto e em terrenos até há pouco tempo baldios e, como tal, geridos pelas comunidades locais. É aqui que a Aveleda está a implementar um projecto de grandes dimensões que irá alargar substancialmente a sua área de vinha própria. Ao todo estamos a falar de uma nova plantação de 200 hectares (ha), com 70 já plantados este ano e os restantes até 2020. Na edição de Julho da Grandes Escolhas já demos notícia deste novo investimento, que irá rondar os 7 milhões de euros. Mas só visitando Cabração se consegue perceber a dimensão (gigantesca para a região) do projecto. O grande cuidado na plantação da vinha fez com que já seja perceptível o crescimento acelerado das novas plantas e a ausência de falhas, excelente sintoma da qualidade dos enxertos prontos.
O terreno agora arrendado à Aveleda era terra bravia e inculta que não resistiu aos incêndios dos últimos anos, mas “é um terreno medianamente rico, com pH baixo e bons teores de argila”, descreve Pedro Barbosa, director de viticultura da Aveleda. “Se fosse agora, se calhar não conseguíamos este acordo, face à nova lei dos baldios”, diz-nos, aliviado, o administrador António Guedes. Dos 900ha de baldio (não contínuo) “irão permanecer grandes manchas destinadas à biodiversidade e vegetação local, onde iremos plantar árvores mais resistentes ao fogo; é triste, mas parece que a vida aqui também ardeu, não se ouve um pássaro, não se vê um coelho ou javali”, lamenta-se Pedro Barbosa. Mas tal como a flora tem vindo a recuperar, também a fauna se espera que volte a este local nos próximos meses.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29036″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uvas de qualidade
A vinha de Cabração está assente em terrenos de xisto com granito nos pontos mais altos. Foram feitos estudos cuidados dos solos e tipologia, com deslocação de terras, sondas e preparação minuciosa para que as castas escolhidas tenham aqui a melhor adaptação. A Trajadura, por exemplo, está fora dos planos, em virtude de o terreno ser muito pobre, mas haverá grandes manchas de Loureiro (25ha já plantados) e Arinto, aqui para já com 8ha e sobre os quais há alguma curiosidade, uma vez que a empresa não tinha esta casta plantada em terrenos xistosos; a ideia que nos transmitiram é que vai ser plantado “um bocadinho de tudo”, tirando assim partido da enorme área disponível. Fernão Pires e Alvarinho também marcarão presença. Com uma densidade de plantação bastante superior ao habitual, é expectável que se chegue às 15 toneladas/ha, mas com menor rendimento por planta, o que ajuda a qualidade. Em 2019 já será feita a primeira colheita.
Projectos desta dimensão têm grande impacto na zona, ajudando de forma inequívoca ao desenvolvimento regional. A mesmo tempo, este investimento em Ponte de Lima vai garantir matéria-prima de qualidade necessária não apenas para as marcas já existentes, mas também para um potencial alargamento do portefólio a vinhos de topo, onde provavelmente haverá também um envolvimento de Cristiano van Zeller, que passou a integrar a equipa da Aveleda após a aquisição da Quinta do Vale D. Maria, no Douro.
Aliás, por curiosidade, e comparando com as vinhas durienses, tradicionalmente com custos de plantação elevados, esta plantação em Cabração, com as precauções que se exigem para a prevenção de doenças do lenho, como a esca, vai obrigar a surribas mais onerosas do que as realizadas no Douro.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29037″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma prova didáctica
A visita não ficava completa sem algumas provas de vinhos. O que aqui foi interessante é que a prova incidiu sobre vinhos de parcela, o que nos permitiu perceber a diversidade que se consegue alcançar a partir da mesma casta.
Vejamos, como exemplo, o Alvarinho da Aveleda que resulta de um lote de quatro vinhos com origens diversas: uma vinha em Melgaço /vinha do Salvador) plantada em finais dos anos 80; uma parcela em Celorico de Basto, que tem neste momento 11 anos de idade; uma parcela já com 16 anos (vinha da Estufa), que fica mesmo atrás da casa da Aveleda; e a vinha da Aperrela, também em Penafiel e com 11 anos. Provadas as bases que deram origem ao lote final, percebe-se que a vinha de Melgaço origina vinhos fechados aromaticamente enquanto jovens, e com um lado mais mineral; da vinha da Estufa, em Penafiel, temos um branco de perfil mais tropical, mais gordo e com boa acidez; de Celorico chega-nos um Alvarinho algo fechado aromaticamente mas que se mostra muito expressivo na boca, provavelmente em consequência do solo xistoso onde está implantada a parcela de 15ha; e da vinha da Aperrela, em Penafiel, provámos um branco de grande harmonia, expressividade e qualidade aromática, como que a dizer que um dia poderá ambicionar ter direito a ser engarrafado separadamente.
Provámos também algumas colheitas mais antigas da marca Quinta da Aveleda. São vinhos de lote onde se combina a Alvarinho com Loureiro e Trajadura em proporções que variam conforme o ano. Não foram colheitas “muito” antigas porque só a partir de 2004 se começou a guardar, de forma sistemática, amostras para memória futura. Ainda assim provámos vinhos de 2010 e 2012 e nota-se perfeitamente que com a nova viticultura, que tende a gerar vindimas mais precoces, é possível conseguir vinhos com belo equilíbrio de acidez e boa capacidade de evolução em garrafa. Há que contrariar a ideia feita de que os Vinhos Verdes são para consumir cedo. E vale a pena conservar algumas garrafas em cave porque as boas surpresas (como as que tivemos) estão asseguradas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#eaeaea” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]À frente de um enorme projecto
António Guedes pertence à nova geração que está a assumir, com o primo Martim, os comandos da empresa. Já era até aqui uma enorme empresa do sector, com aquisições maciças de uvas a lavradores. E vai passar a ser também detentora da maior área de vinha própria em toda a região. Mas António assume o desafio: “Este novo projecto coloca-nos várias questões que estamos a procurar resolver e as novas tecnologias de implantação de vinha têm-nos ajudado. Por exemplo, percebemos melhor a qualidade da terra de cada parcela – que obriga também à deslocação de terra de um lado para outro – e sentimos que o clima local, o vento e a exposição poderão permitir vir a fazer aqui uma agricultura biológica, o que, como se sabe, não é nada fácil na região. Apostamos forte na casta Fernão Pires, algo pouco comum na região. É uma variedade precoce e produz bem, sendo por isso uma boa fonte de rendimento para o viticultor. Mas temos (como acontece noutras regiões) um problema grande de mão-de-obra. Falta gente, embora acredite que este novo projecto possa contribuir para minimizar o despovoamento. Com esta dimensão torna-se inevitável a construção de uma adega em Cabração, já que a adega de Penafiel fica a 50km. E vamos recrutar no mercado local, o que vai ajudar a região.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº16, Agosto 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Encruzado, a ilustre joia do Dão
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A casta Encruzado é certamente uma das mais promissoras variedades brancas portuguesas, originando vinhos elegantes, equilibrados, complexos e longevos. E pode vir a ser uma das bandeiras de Portugal nos mercados de todo o mundo. TEXTO Dirceu […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A casta Encruzado é certamente uma das mais promissoras variedades brancas portuguesas, originando vinhos elegantes, equilibrados, complexos e longevos. E pode vir a ser uma das bandeiras de Portugal nos mercados de todo o mundo.
TEXTO Dirceu Vianna Junior MW
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Eu estava participando numa degustação em Londres, há uns meses. O final da tarde se aproximava e após o dia todo degustando vinhos de várias partes do mundo estava quase na hora de ir embora quando um amigo chegou, aproximou-se para cumprimentar e aproveitou para pedir algumas dicas do que ele deveria degustar, visto que a sessão estava prestes a encerrar, portanto o tempo era curto. Sem hesitar disse que eu mesmo o levaria até a mesa do meu vinho favorito daquele dia. Ele aceitou e lá fomos nós. Ele estava com um ar curioso, provavelmente pensando no que eu lhe iria apresentar e eu estava interessado em surpreendê-lo e observar a sua reação. Passamos pelas mesas de alguns ícones italianos, produtores de Borgonha, excelentes Champagnes, vários vinhos de bons produtores do Novo Mundo e chegamos ao destino.
O vinho que lhe dei a provar era branco. Na minha opinião, exibia extrema elegância, equilíbrio e complexidade. Era encorpado, denso, com textura cremosa, e possuía uma combinação de frutas cítricas, frutas de caroço, avelã e apontamentos florais e minerais. A madeira estava muito bem casada e o final de boca era persistente, com uma frescura incrível. O meu amigo degustou em silêncio, fechou os olhos e após alguns segundos soltou entusiásticos elogios a um grande vinho. Concordou que realmente era um vinho fabuloso e ainda brincou… “Depois desse vinho, acho melhor ir para casa.”
Confesso que fiquei contente por tê-lo deixado devidamente impressionado. O meu amigo era o carismático e conhecido jornalista Oz Clarke; o vinho era da região do Dão; a casta, Encruzado.
O meu entusiasmo por essa casta já havia sido instituído alguns anos antes, quando tive a responsabilidade e honra de selecionar 50 Grandes Vinhos Portugueses para o mercado brasileiro a convite da ViniPortugal, com o objetivo de ajudar a educar e promover os vinhos de Portugal no Brasil. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de degustar múltiplos exemplos dessa casta de uma só vez. Confesso que fiquei tão impressionado com a qualidade quanto pela escassa área de superfície plantada que essa casta ocupava naquela época. Desde então as plantações não evoluíram muito. De acordo com a Comissão Vitivinícola da Região do Dão, existem somente 226,47 hectares de vinhedos plantados na região. Estes números podem estar desactualizados, mas é um facto que a disponibilidade de uva Encruzado é hoje muito inferior à procura.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29025″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma casta recente
É importante levar em consideração que historicamente essa casta aparecia somente em vinhedos mistos. Foi apenas na década dos anos 1950 que o eng. Alberto Cardoso de Vilhena, pesquisador do Centro de Estudos Vitivinícolas de Nelas, iniciou um projeto que incluia plantações desta variedade em parcelas únicas e instituiu micro-vinificações para explorar essa casta separadamente.
Manuel Vieira, carismático e habilidoso enólogo que por muitos anos foi responsável pelo projeto da empresa Sogrape na região do Dão (hoje apoia a vinícola Caminhos Cruzados), lembra-se das suas impressões durante uma prova feita no início da década de 90, quando teve a oportunidade de degustar alguns ensaios do engenheiro Vilhena, incluindo amostras das colheitas da década de 60. Recorda-se muito bem dos vinhos, que, apesar de já estarem em garrafa por décadas, apresentavam um perfil elegante, complexo e ainda bastante vivo. A longevidade desses brancos impressionou não somente Manuel Vieira como também o responsável da Sogrape, Fernando Guedes, e o enólogo José Maria Soares Franco, que estavam presentes. Esse admirável e excepcional trabalho feito por Alberto Vilhena ajudou a moldar os vinhos do Dão e sua influência perdura até aos dias de hoje.
Pouco sabemos sobre a origem e história do Encruzado. Até hoje não foi possível encontrar qualquer menção na literatura do século XIX, mas Manuel Vieira ainda não desistiu e recentemente decidiu formar um grupo para investigar em maiores detalhes o passado dessa ilustre casta. Os indícios mais antigos que temos conhecimento até o momento vêm de um período próximo da II Guerra Mundial, quando a casta aparece mencionada em conexão com a região de Viseu. Nesse contexto, podemos considerar que o Encruzado foi um descobrimento extremamente recente em comparação com castas como, por exemplo, Khikhvi, Rkatsiteli ou Mtsvane Kakhuri, plantadas na Geórgia e com relatos históricos que se estendem desde o ano 5 AC.
Apesar de as variedades portuguesas frequentemente co-existirem em regiões distintas, essa casta raramente aparece fora da região do Dão. Além de aparecer nos vinhos de classificação Dão DOC, é teoricamente possível encontrar Encruzado de plantações recentes nos vinhos regionais de Beiras, Terras do Sado e Alentejo, mas isso raramente ocorre.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Boa na vinha, óptima na adega
De acordo com Nuno Cancela de Abreu, enólogo da empresa Boas Quintas (marca Fonte do Ouro), o Encruzado é uma casta fácil do ponto de vista da viticultura. É fácil de conduzir, tem produções regulares capazes de atingir facilmente sete toneladas por hectare e resiste bem às doenças. Maria Castro, da Quinta da Pellada, concorda que a casta seja resistente às doenças, mas revela que na sua propriedade a planta apresenta vigor moderado e um nível de produção ligeiramente mais baixo. Ambos concordam que a principal desvantagem é o facto de os rebentos novos partirem com facilidade com o vento, por vezes causando grandes prejuízos.
De acordo com Peter Eckert, proprietário da Quinta das Marias, a maturação em clima temperado é regular e lenta. O clima da região do Dão, com os dias quentes e as noites frias, ajuda a proporcionar condições ideais para uma boa síntese de precursores aromáticos e manutenção da acidez. De acordo com Maria Castro, em solos graníticos, que não retêm muito bem a água, é necessária alguma chuva durante o período do desenvolvimento vegetativo para evitar que a planta sofra stress hídrico. Os cachos são tipicamente pequenos, mas aparecem em grande número. O bago é médio, ligeiramente achatado, envolvido por uma película firme, apresenta cor verde com tons amarelos e no seu interior uma polpa mole.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”29026″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A casta tipicamente amadurece muito bem e revela bom equilíbrio entre açúcar e acidez. A literatura indica que a maturação é precoce, ocorrendo simultaneamente com a casta Fernão Pires, mas Nuno Cancela de Abreu observa que nos seus vinhedos a maturação é mais tardia em comparação com as outras castas brancas do Dão.
Na adega a grande desvantagem, de acordo com Nuno Cancela de Abreu, é a facilidade com que se oxida, tanto ao nível do mosto como no vinho. No entanto, a evolução da tecnologia, com a utilização de gás inerte, melhores prensas e controlo de temperaturas, ajuda a proteger a qualidade e a fermentação acontece sem sobressaltos. Já para Maria Castro, a casta não é especialmente oxidativa, podendo às vezes até ser um pouco redutiva, e opta na Pellada por uma intervenção mínima, com o mosto mais inteiro possível e sem batonnage. Para Manuel Viera, a Encruzado, após a fermentação, mostra-se neutra, levemente vegetal, subtil e sem muito interesse. O segredo é ter paciência.
Paulo Nunes, enólogo responsável pelos vinhos da Casa da Passarella, adianta que a grande vantagem do Encruzado é a sua plasticidade, ou seja, a sua capacidade de responder de forma positiva a diferentes abordagens e métodos de vinificação. Para Peter Eckert, a Encruzado é uma casta bastante versátil, capaz de fazer bons vinhos em lote, mas prefere quando é 100% varietal. Desde 2006, produz um estilo mais fresco e linear fermentado em cubas de inox, e um estilo mais encorpado e denso fermentado e envelhecido em combinação de barricas novas e velhas de 225 litros. Peter Eckert opta por engarrafar ambos separadamente. Apesar de gostar de usar as borras e fazer batonnage em ambos os vinhos, a tendência que vem seguindo é diminuir a frequência dessas intervenções. Em relação à madeira, prefere vinhos que respeitem a sua origem, sem que a barrica se sobreponha. Em barrica ou inox, os dois estilos de Quinta das Marias Encruzado são igualmente bem aceites pelo mercado, mas Peter Eckert reconhece que o vinho com estágio em barrica tem mais sucesso em provas cegas e concursos.
Nuno Cancela de Abreu diz que a vinificação é fácil tanto em inox quanto em barrica, mas prefere a fermentação em madeira nova com batonnage para lhe dar volume, complexidade e assegurar potencial máximo, o que certamente possibilita evolução positiva e longeva na garrafa. Manuel Vieira assegura que tempo em garrafa é necessário para revelar as qualidades e personalidade da casta, mas é possível notar que o vinho às vezes se fecha após um tempo e renasce após quatro ou cinco anos. Uma coisa é certa: o Encruzado quando vinificado sem madeira e sem tempo de garrafa raramente é um vinho interessante. Para revelar o seu carácter e demonstrar o seu potencial é necessário o uso da madeira ou é preciso dar tempo para que o vinho se desenvolva. De preferência, ambos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Personalidade e longevidade
Encruzado, bem como o Alvarinho e Arinto, cria vinhos com muita personalidade, harmonia e complexidade. Essas castas são capazes de produzir brancos longevos e que reflectem precisamente as suas origens. Desde o meu primeiro encontro com o Encruzado até hoje, continuo intrigado pelo facto dessa casta, que é capaz de fazer alguns dos melhores e mais longevos vinhos brancos de Portugal, não ser mais plantada na região do Dão. É que, apesar do entusiasmo dos produtores locais, a área de Encruzado é ainda diminuta quando comparada com Malvasia Fina, ou outras castas regionais.
Portugal é um país que a maioria dos consumidores internacionais associa a vinhos fortificados e vinhos tintos. Com a capacidade que Portugal tem de elaborar vinhos brancos de alta qualidade e surpreender os apreciadores com seu potencial de guarda, como aconteceu no caso do critico Oz Clarke, não deveria apostar mais em variedades como o Encruzado? Certamente seria divertido para quem educa, prazeroso para quem bebe e lucrativo para quem produz. O Encruzado é uma grande joia do património ampelográfico português e pode ser um importante trunfo para o reconhecimento internacional dos brancos deste país.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][heading]Em Prova[/heading][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
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Casa da Passarella O Enólogo
Branco - 2016 -

Ladeira da Santa
Branco - 2017 -

Ribeiro Santo
Branco - 2017 -

Soito
Branco - 2017 -

Quinta das Marias
Branco - 2017 -

Quinta dos Roques
Branco - 2016 -

Quinta dos Carvalhais
Branco - 2017 -

Cabriz
Branco - 2017 -

Quinta do Perdigão
Branco - 2016 -

Fonte do Ouro
Branco - 2017 -

Quinta de Saes
Branco - 2015 -

Titular
Branco - 2016
Edição Nº 16, Agosto 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Quinta da Alorna, Tejo moderno com muita história

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Já foi um dos maiores produtores de vinho, chegando a fazer mais de 20 milhões de litros num ano. Hoje, a Quinta da Alorna faz um décimo disso, mas a qualidade, estamos seguros, está muito acima. Fruto […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Já foi um dos maiores produtores de vinho, chegando a fazer mais de 20 milhões de litros num ano. Hoje, a Quinta da Alorna faz um décimo disso, mas a qualidade, estamos seguros, está muito acima. Fruto de investimentos em conhecimento, vinha e adega…
TEXTO António Falcão
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Imagine 2.800 hectares de terra. É muita, mas mesmo muita terra. É assim na Quinta da Alorna. De facto, é a família Lopo de Carvalho que detém, há cerca de 5 gerações, esta enorme quinta no Ribatejo (no Alentejo chamar-lhe-iam herdade). A grande parte está ocupada por floresta (montado de sobro, eucalipto, pinheiro bravo e manso), mas a Alorna tem ainda uma generosa área de regadio com culturas arvenses. A parte mais pequena é ocupada com vinha, mas estamos a falar de cerca de 220 hectares, uma das maiores áreas de vinha do país num só produtor e região.
A produção vínica terá muitas décadas, mas esta quinta tem raízes históricas bem mais longas. A sua mais famosa proprietária terá sido a Marquesa de Alorna (finais do século XVIII, início do século XIX), mulher notável na época pela invulgar amplitude de conhecimentos e pelos seus trabalhos artísticos e literários. E ainda por ter desafiado o Marquês de Pombal, o que lhe valeu (e a parte da família) uns bons anos em reclusão. A figura da marquesa não só ‘empresta’ ainda hoje o seu título aos vinhos topos de gama da casa, como foi objecto de obra escrita por Maria João Lopo de Carvalho, um dos elementos da família proprietária.
A jóia da coroa é a magnífica casa apalaçada, cujo portão principal, curiosamente, dá para o que poderíamos considerar as traseiras, para o lado do rio. Mas há uma razão para isso: nos tempos da marquesa, os proprietários, residentes em Lisboa, subiam o Tejo de barco quando vinham à quinta. E este era o caminho que tomavam para entrar em casa…
Para além de ser uma marca muito conhecida no mundo vínico português, a Quinta da Alorna mantém-se um projecto familiar com um vincado cunho empresarial, uma combinação pouco comum em Portugal. De facto, toda a gestão do dia-a-dia é efectuada por profissionais exteriores à família. A direcção-geral está a cargo de Pedro Lufinha. A gestão da vinha (e do resto da agricultura) está a cargo de Pedro Mascarenhas, há pouco tempo na função, mas visivelmente já ambientado no terroir. Martta Simões é o elemento que está há mais tempo na equipa, na adega da casa desde há mais de uma década.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29005″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Saber tratar a vinha
A maior parte da vinha foi transferida dos solos mais férteis para os chamados solos de charneca (os mais pobres) em meados/finais dos anos 80, altura em que as instituições estatais deram bons subsídios para a mudança. Muitos agricultores seguiram estas indicações, tendentes a uma melhor qualidade.
Toda a vinha tem arrelvamento natural, que tem aqui não só a função de restringir o vigor das videiras, que têm de competir com as outras plantas, mas também manter maior teor de matéria orgânica, aumentando a fertilidade. Mas as vantagens não acabam aqui: o solo arrelvado é menos compacto e “a diferença é enorme”, informa Pedro. E há ainda uma outra razão: “Neste ano húmido, quem andou a mexer na terra para arrancar as plantas, tem as vinhas cheias de oídio; nós não temos nada.” O clima húmido de Primavera tem obrigado a equipa a fazer tratamentos contra as doenças fúngicas. A contagem vai em nove! (em 2017 foram apenas seis).
Os restantes 45 hectares, plantados há alguns anos (2009 e 2012), estão junto ao “palácio”. Este solo não é ainda o “campo”, o solo mais fértil da região, sendo antes uma zona de transição, com solos predominantemente arenosos, a fazer pensar na Península de Setúbal (“mas sem água a pouca profundidade”, lamenta Pedro Mascarenhas). São os “terraços do Tejo” e esta zona foi sobretudo reservada para outras castas brancas. Entraram assim Alvarinho, Viognier e Sauvignon Blanc. Numa zona mais elevada entraram ainda Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Franca (todas a estrear na casa). Ou seja, uma certa revolução no encepamento…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um terroir muito especial
Pedro Mascarenhas aponta o seu todo-o-terreno ao campo e vamos visitar as vinhas, instaladas em planície ou em encostas muito suaves. Nada de surpreendente, considerando que estamos nas vizinhanças de Almeirim, perto do rio Tejo. Para qualquer enófilo mais avançado, que gosta de saber onde nasce o vinho que está a beber, o terroir de boa parte da Quinta da Alorna é especial. Aqui predomina o calhau rolado, um tipo de solo, falemos verdade, pouco comum nas vinhas portuguesas. Em certa medida poderemos estabelecer o paralelo com algumas das mais famosas vinhas de Bordéus e parece-nos, isso sim, um bom começo. “É o que toda a gente diz”, remata Martta. Pedro Mascarenhas diz-nos que este solo é bom para as videiras: “Dá umas uvas óptimas.”
O calhau rolado não existe apenas à superfície. Um corte no terreno mostra que mergulha a vários metros de profundidade. Imagina-se que aqui correu um gigantesco rio, há muitos milénios. A pedra ajuda à estrutura do terreno: “Sem elas, o solo ficaria muito compactado”, garante Pedro. A textura arejada do solo permite ainda que as raízes da videira mergulhem fundo e se alimentem melhor.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29007″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Esta vinha não tem rega e, pelos vistos, aguentou-se muito bem na seca extrema do ano passado, muito melhor mesmo do que a outra vinha que é… regada.
No total, as áreas maiores vão para Touriga e Castelão, nas tintas, e para o Arinto, nas brancas. Mas existe muito mais…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Saber tratar a vinha
A maior parte da vinha foi transferida dos solos mais férteis para os chamados solos de charneca (os mais pobres) em meados/finais dos anos 80, altura em que as instituições estatais deram bons subsídios para a mudança. Muitos agricultores seguiram estas indicações, tendentes a uma melhor qualidade.
Toda a vinha tem arrelvamento natural, que tem aqui não só a função de restringir o vigor das videiras, que têm de competir com as outras plantas, mas também manter maior teor de matéria orgânica, aumentando a fertilidade. Mas as vantagens não acabam aqui: o solo arrelvado é menos compacto e “a diferença é enorme”, informa Pedro. E há ainda uma outra razão: “Neste ano húmido, quem andou a mexer na terra para arrancar as plantas, tem as vinhas cheias de oídio; nós não temos nada.” O clima húmido de Primavera tem obrigado a equipa a fazer tratamentos contra as doenças fúngicas. A contagem vai em nove! (em 2017 foram apenas seis).
Os restantes 45 hectares, plantados há alguns anos (2009 e 2012), estão junto ao “palácio”. Este solo não é ainda o “campo”, o solo mais fértil da região, sendo antes uma zona de transição, com solos predominantemente arenosos, a fazer pensar na Península de Setúbal (“mas sem água a pouca profundidade”, lamenta Pedro Mascarenhas). São os “terraços do Tejo” e esta zona foi sobretudo reservada para outras castas brancas. Entraram assim Alvarinho, Viognier e Sauvignon Blanc. Numa zona mais elevada entraram ainda Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Franca (todas a estrear na casa). Ou seja, uma certa revolução no encepamento…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É tempo de reestruturar
Os velhos troncos da vinha velha, grossos e retorcidos, não mentem. Com mais de 30 anos de idade, e um ‘mix’ de castas tintas e brancas, estas vinhas pouco mais dão do que 3 a 3,5 toneladas por hectare. Algumas bem menos. A qualidade das uvas é geralmente muito boa e os topos de gama da casa vêm daqui. No entanto, as videiras começam a mostrar indícios claros de velhice, incluindo várias falhas nas linhas, devido a doenças do lenho. Por isso, a equipa está a pensar em reestruturações, a começar já para o ano, mas mantendo a percentagem brancas/tintas nos 50/50.
A passagem para o modo de produção biológico já foi discutida, mas não estará para breve. “As colinas de calhau rolado são arejadas e não temos grandes problemas sanitários. Lá em baixo [mais junto ao Tejo] seria mais complicado” diz Pedro Mascarenhas.
A vindima é feita sobretudo à máquina (a casa tem duas), mas várias parcelas são vindimadas à mão, para os vinhos mais caros. E a adega é logo ali…[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_column_text]Investir na adega
Os enormes edifícios da adega mantêm-se desde há muitas décadas e têm espaço de sobra. Afinal, chegou a vinificar mais de 20 milhões de litros de vinho, armazenados em enormes depósitos de cimento. Uma parte subterrânea, outra logo acima, ao nível do chão. [/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29010″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O cimento tem problemas de higiene, é difícil de limpar e a Alorna optou por realizar, nos últimos anos, grandes transformações. Saíram depósitos ao nível do chão, por exemplo, e o espaço serviu para receber modernas cubas de inox com controlo de temperatura. Uma parte dos restantes depósitos é revestida a epoxy e ainda é usada para armazenar algum vinho, mas os outros só recebem sub-produtos.
Depois a atenção virou-se para o telhado, que foi substituído: não só deu melhor aspecto como permitiu manter mais fresca a temperatura no interior. Martta Simões quer colocar mais inox, especialmente para fermentar brancos, e cubas mais pequenas, destinada a vinhos especiais e/ou experiências. Não falta uma generosa cave de barricas, que até poderia ter mais quantidade. Mas aqui só se usam as barricas por três anos. Depois são vendidas e Martta informa que nem é difícil: “A procura é muita.” Existem algumas de produtores de whisky, que as ‘emprestam’ para serem usadas e devolvidas mais tarde.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Fazer bons vinhos… e vendê-los
Quando tomou as rédeas da enologia, há cerca de oito anos, Martta fez uma ligeira inflexão no perfil dos vinhos. E continua, anos mais tarde, a afinar. É uma apoiante dos vinhos mais elegantes, tirando partido do terroir: “A acidez dos tintos (e não só) aqui é diferente. Dá vinhos mais elegantes e frescos. Acho que a proximidade do Tejo faz toda a diferença”, remata a enóloga.
O histórico de vendas parece dar-lhe razão: a Quinta da Alorna tem tido bastante sucesso no mercado nacional e internacional, em todas as gamas. A loja da quinta, estrategicamente colocada na estrada que a atravessa (de trânsito intenso) dá uma belíssima ajuda. Com estacionamento à porta, esta loja será das que mais vende entre os produtores de vinho deste país. E não há mais enoturismo; em tempos pensou-se iniciar projectos com estadia, mas, apesar de existirem imóveis na exploração para o fazer, o projecto tem estado em banho-maria.
Fazer bons vinhos não é fácil, mas vendê-los é bem mais difícil. Essa á provavelmente a tarefa mais difícil para Pedro Lufinha, que corre mundo a promover a casa que dirige. Se as operações lá fora estão a correr muito bem, por cá Pedro quer “aumentar a notoriedade dos vinhos”: “Temos vinhos com excelente relação preço-qualidade e precisamos de comunicar melhor.”[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29011″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em velocidade de cruzeiro
Esta não foi a minha primeira visita à Alorna. É verdade que tenho provado os vinhos ao longo do tempo e é de senso comum que têm mantido uma notável consistência de qualidade. Os mais recentes lançamentos, baseados nas novas vinhas, estão a ser um sucesso. O que nos faz pensar que não será má ideia a reestruturação gradual da enorme vinha velha. As bases são sólidas, o conhecimento está lá, e por isso os próximos anos só podem trazer coisas boas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº16, Agosto 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Brancos do Douro, carácter e sedução

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A produção de uvas brancas na região duriense é muito antiga, mas esteve durante mais de um século associada ao Vinho do Porto. Por essa razão, a localização das vinhas, a altitude ou as castas usadas não […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A produção de uvas brancas na região duriense é muito antiga, mas esteve durante mais de um século associada ao Vinho do Porto. Por essa razão, a localização das vinhas, a altitude ou as castas usadas não eram factores preponderantes. Mas tudo isso mudou e hoje a região pode, com orgulho, mostrar os seus grandes vinhos brancos.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Na tradição portuguesa mais antiga, o Douro, tal como as outras regiões, produzia uvas brancas e tintas, não raramente misturadas na mesma vinha e vindimadas em simultâneo. Esse lote feito na vinha marcou a forma de trabalhar e de pensar o vinho durante séculos; o método era válido para os tintos – com as castas misturadas – mas era também para os brancos. Ainda hoje se encontram no Douro vinhas centenárias onde apenas pontificam cepas de uvas brancas e nessa “misturada” encontramos um lote muito alargado de castas e por vezes até uvas de mesa, tradicionalmente mais vocacionadas para serem comidas do que usadas para fazer vinho.
A vinificação destas uvas para fazer um branco não generoso não foi, ao longo do séc. XX, prática que interessasse a muitos produtores e foram assim bastante escassas as marcas com alguma expressão comercial. Neste capítulo temos de recordar as etiquetas quer da Real Vinícola quer da Real Companhia Velha que, enquanto empresas fortemente concorrentes, iam criando marcas à medida da “resposta a dar” à empresa rival. Assim, rótulos como Grandjó, Evel, Grantom, Granléve, Marquis de Soveral eram conhecidos dos apreciadores, mas a palavra Douro nem andava associada a estes vinhos. Era a época em que a região não estava demarcada para vinhos DOC mas apenas para vinhos do Porto e onde proliferavam muitas adegas cooperativas que acabavam por abranger quase todas as escolhas de vinhos da região.
Alguns brancos eram também o resultado de lotes de vinhos de várias proveniências (algo não comunicado ao consumidor), mas a circulação pela restauração tinha algum significado; vinhos como Monopólio (Constantino) ou Lello (Borges) marcavam o terreno nos anos 60 e 70, tendo ainda nessa década surgido o Quinta do Côtto. Em verdade se diga que apresentar a alguém um branco de referência do Douro era tarefa ingrata; além de faltar massa crítica, havia pouco conhecimento sobre a potencialidade das castas brancas. Esse quadro manteve-se até aos anos 80 do século passado, quando se começou a estudar e a fazer microvinificações das castas mais conhecidas da região. A necessidade de fazer um estudo com validade estatística levou ao inevitável afunilamento do número de variedades, situação que se manteve até há poucos anos, quando alguns produtores começaram a vinificar castas tradicionais caídas em desuso. Estamos agora em período de intenso experimentalismo, sentindo-se um interesse cada vez maior pelas castas que estiveram fora de moda. E não são só os produtores de DOC Douro que lhes estão a dedicar mais atenção, são também empresas totalmente vocacionadas para o Vinho do Porto, como é o caso da Fladgate Partnership.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_custom_heading text=”Altitude e exposição solar”][vc_column_text]Altitude e exposição solar
É comummente aceite que a altitude, sobretudo numa zona de clima quente como o Douro, pode jogar um papel determinante nos vinhos que origina. É assim normal que as melhores uvas para branco venham de vinhas da cota 500 metros ou acima disso, zonas já não utilizadas para a produção de Vinho do Porto. Aí se conseguem uvas com grande frescura e acidez elevada, condição indispensável para se conseguir um bom vinho branco.
Mas o Douro é muito extenso e muito diversificado e, em consequência, é possível encontrar boas parcelas que desafiem aquela lógica da altitude. Aqui então já não estamos a falar de altitude, mas sim de localização e de exposição solar. Nas duas margens do rio encontramos vinhas que, estando abaixo daquela cota dos 500m, podem também originar vinhos complexos e ricos. Estamos a pensar em encostas viradas a norte, menos castigadas pelo escaldão estival e que conseguem conservar uma boa acidez nas uvas.
Para Jorge Moreira, enólogo e produtor na região (Poeira, La Rosa e Real Companhia Velha), o mais importante é conseguir-se uma boa maturação, mas em que se conserve a acidez e, neste ponto, a localização da vinha é fundamental.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”28990″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em zonas mais extremadas de clima, quer para o lado seco quer para o lado mais pluvioso da região, é mais difícil. Mas Jorge é peremptório ao afirmar que existe “ainda pouca experiência de vinhos brancos no Douro, falta estudar as castas que estiveram esquecidas e que podem dar grandes resultados”. Samarrinho e Donzelinho são castas agora a serem trabalhadas na Real Companhia Velha e que podem “renascer das cinzas”, regressando ao lote das eleitas da região.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_custom_heading text=”As zonas de eleição”][vc_column_text]Já no que respeita às variedades mais plantadas, Jorge coloca um pé no “bloco central” – Viosinho e Gouveio –, enquanto pilares dos brancos durienses, mas é especialmente apreciador de outras, como a Arinto e Boal; em relação a outras variedades, tem menos apreço pela Malvasia Fina e pelo Moscatel, sobretudo usado em lote. “Mas”, diz, “há outras que conheço mal e que ainda tenho pouca experiência, como a Códega do Larinho.”
Fica a dúvida: há castas específicas de cada uma das três sub-regiões durienses (Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior)? Jorge Moreira tem uma resposta segura: “Rabigato é claramente do Douro Superior, enquanto Malvasia Fina e Códega são claramente do Baixo Corgo; no entanto quero deixar claro que temos muito a esperar das castas que estamos a redescobrir e que que nos irão ajudar à diversidade, algo que nas últimas décadas se perdeu no Douro. E isto é válido tanto para tintos como brancos.”
Já o também enólogo e produtor Jorge Borges (Guru, Manoella) acrescenta o Arinto às duas atrás citadas e foi esse trio que plantou numa pequena vinha de 2,5ha nas zonas altas. É de resto na faixa que vai de Murça até Carrazeda de Ansiães que Jorge Borges situa a melhor zona para a produção de grandes brancos, “porque tem uma mistura de zonas de xisto com granito e porque, do ponto de vista climático, oferece um clima mais abrigado onde se conseguem maturações de boa qualidade”.
As experiências de João Nicolau de Almeida nos anos 80 na empresa Ramos Pinto e os trabalhos sobre viticultura que partiram dos investigadores da Universidade de Trás-os-Montes ajudaram a que os brancos reconquistassem o gosto dos consumidores. A marca Duas Quintas surgiu nos inícios dos anos 90 e mostrou que, com tecnologia moderna, era possível fazer vinhos de grande longevidade, o que sucessivas provas verticais têm vindo a demonstrar. Até aparecer o Duas Quintas Reserva, já com fermentação em barrica, colocava-se a dúvida sobre a capacidade desses vinhos feitos em inox resistirem ao tempo. Há mesmo, segundo Jorge Moreira, algumas castas como o Arinto e Samarrinho que até ganham em serem vinificadas apenas em inox. Os anos 90 foram assim tempos de experimentação onde de tudo isso se falou e discutiu e onde os consumidores foram ouvindo falar de zonas de eleição para a produção de brancos: Murça, Alijó, S. João da Pesqueira, Favaios, entraram aos poucos no léxico dos apreciadores.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_custom_heading text=”O papel da barrica”][vc_column_text]No Douro, tal como noutras regiões, começou-se nos anos 90 a usar a barrica para fermentar brancos. Resta saber se, para se fazer um bom branco do Douro, é ou não preciso recorrer à fermentação em barrica e, na sequência, em que tipo de barrica. Nova é indispensável? De segunda e terceira utilização é mais útil? Velha é o caminho a seguir?
Foi seguindo os ditames das modas de então que surgiram os primeiros vinhos fermentados em barrica nova, algo totalmente inovador e surpreendente que animou debates e conversas. No entanto, de então para cá, muito se experimentou e muito a investigação sobre barricas avançou para se chegar à fórmula actual: pouca barrica nova, maior percentagem de barrica usada e, prática cada vez mais generalizada, uso de barricas velhas.
Mas a fórmula não é mágica. Jorge Borges confessa que gosta de usar barrica com 3 ou 4 anos, mas que depois dessa idade passa a usar essas barricas apenas para tintos. E, ao contrário do que aconteceu com os primeiros brancos da marca Guru, a versão mais recente tem pouco mais de 10% de barrica nova e o resto com a idade citada. É determinante usar barricas para fazer um grande branco porque “a barrica confere estabilidade e conservação ao vinho, dando-lhe mais resistência à oxidação; a madeira muito velha acaba inevitavelmente por conferir aromas do tipo ranço e favorece a acidez volátil e, por isso, há que ter o máximo cuidado”, explica Borges.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”40″][image_with_animation image_url=”28992″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text] E reforça: “Não é por ser velha que a madeira é boa para brancos; pode ser mas também pode correr mal.” Luís Sottomayor, enólogo da Sogrape, confessa estar ainda numa fase de experimentação de barricas e tem utilizado a madeira sobretudo para o final da fermentação e estágio dos brancos, não tendo ainda ainda certezas quanto às castas, a não ser a Arinto, que, “como tem muito boa acidez, pode aguentar bem a fermentação em madeira”.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#e0e0e0″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_text_separator title=”CASTAS BRANCAS DO DOURO” color=”black”][vc_column_text]O Douro tem um grande número de castas brancas e nas vinhas velhas encontram-se variedades bem antigas, de nomes exóticos como Praça, Malvasia Parda, Trincadeira Branca, Reconco, Chancelar, Rabigato Miranda, Samarrinho ou Donzelinho Branco. Arinto ou Fernão Pires, uvas transversais a todo o Portugal, têm também um papel importante no Douro, tal como a Códega (a Síria/Roupeiro). Mas as que se seguem serão talvez as que mais contribuem para a identidade dos modernos brancos durienses.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”VIOSINHO”][vc_column_text]Conhecida no Douro desde o séc. XVIII. Está presente em quase todas as novas plantações do Douro, produz vinhos bem estruturados, aromáticos e intensos, embora lhe falte por vezes alguma acidez, sobretudo nas cotas mais baixas. Aromas e sabores de marmelo, ananás, citrinos maduros.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”GOUVEIO”][vc_column_text]Referida desde o séc. XVI, é no Douro (e não só) chamada muitas vezes de Verdelho, o que origina confusão com o Verdelho madeirense. É a mesma uva que o Godello da Galiza. Bastante adaptável a diferentes solos e climas, consegue uma boa maturação sem perder acidez, originando vinhos de boa intensidade aromática (pêssego, maçã) e equilíbrio.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”MOSCATEL GALEGO”][vc_column_text]A família Moscatel (nas suas muitas variantes) é provavelmente a mais antiga família de uvas conhecida. O Moscatel Galego duriense (conhecido internacionalmente como Muscat à Petit Grain) está sobretudo plantado no planalto de Alijó e Favaios, acima dos 500 metros de altitude. Muito aromático, floral, exuberante, marca presença em lotes de brancos mais simples, mas começam a aparecer alguns varietais ambiciosos. Para além de fazer o licoroso Moscatel do Douro, claro.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”RABIGATO”][vc_column_text]Mencionada desde o séc. XVI, marcando outrora presença um pouco por todo o país, está hoje centrada sobretudo no Douro. De baixa produtividade, com muita acidez natural, boas notas citrinas, perfeita para lotes com outras castas mais ricas, mas menos frescas.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”CÔDEGA DO LARINHO”][vc_column_text]Casta típica do Douro e Trás-os-Montes. Bem produtiva, aromática (frutos tropicais, flores silvestres) mas muitas vezes com baixa acidez (sobretudo se plantada em cotas mais baixas), necessitando da companhia de castas mais ácidas, como Gouveio e Rabigato.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Extra-Color-1″ text=”MALVASIA FINA”][vc_column_text]A Malvasia Fina (o Boal da Madeira) está bem presente nas vinhas velhas e também em plantações mais recentes no Douro. De produtividade elevada, é muito aromática e perfumada (quase melosa, por vezes), ganhando boa maturação. Quando vindimada cedo, e em cotas altas, consegue conservar a frescura. [/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″ custom_height=”20″][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_custom_heading text=”O que faz falta”][vc_column_text]Tal como em muitos outros items que aqui poderíamos enumerar, falta informação ou, se se quiser, quem dê a informação técnica que o trabalho agrícola requer. Jorge Borges lembra-nos que não há um organismo técnico no âmbito do IVDP que seja conselheiro de um lavrador que queira plantar uma nova vinha, “não há quem venha ver as condições específicas do local para sugerir o que plantar, como plantar, se é zona de brancos ou se é de tintos, se é melhor plantar esta casta ou aquela; é verdade que existe a ADVID mas é uma associação, o que quer dizer que é preciso ser-se sócio para ter apoio técnico”. Sobre o tema, quisemos também ouvir a opinião de Rosário Janeiro, técnica da Sogrape, que lembrou que os pequenos lavradores, se quiserem reconverter uma vinha, podem apresentar candidaturas agrupadas, mas a candidatura isolada não tem apoio técnico; o próprio Centro de Estudos Vitivinícolas da Régua não tem equipas no terreno, confirmando-se assim os receios expressos por Jorge Borges.
Das opiniões que recolhemos, fica-nos a sensação de que o Douro branco é assunto ainda em progresso e falta mais tempo e experiência para se tirarem conclusões; as castas bancas já têm um “núcleo duro”, mas nos próximos anos poderá haver notícias interessantes nesta matéria; a vinha velha (mais de 40 anos, segundo Jorge Borges) é o local onde se podem produzir brancos de melhor qualidade e longevidade; as zonas altas da região tendem a gerar mostos mais equilibrados e as barricas, indispensáveis a um grande vinho, deverão ser maioritariamente usadas. Estas serão as ideias-chave, as excepções existem para confirmar a diversidade e grandiosidade da região duriense.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”28999″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Em Prova” title_align=”separator_align_left” color=”custom” accent_color=”#888888″][vc_column_text]
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Santos da Casa
Branco - 2016 -

Quinta de Ventozelo
Branco - 2016 -

Casa Burmester
Branco - 2016 -

Busto
Branco - 2016 -

Secretum
Branco - 2016 -

Quinta da Romaneira
Branco - 2017 -

Crasto Superior
Branco - 2014 -

Altano
Branco - 2016 -

Vinha dos Pais
Branco - 2016 -

Vallegre
Branco - 2016 -

Titan of Douro Vale dos Mil
Branco - 2016 -

Quinta da Pedra Escrita
Branco - 2016 -

Poeira
Branco - 2016 -

Muxagat Os Xistos Altos
Branco - 2014 -

Maria de Lourdes
Branco - 2016 -

Dona Berta Vinha Centenária
Branco - 2017 -

Vallado
Branco - 2017 -

Meruge
Branco - 2016 -

Duas Quintas
Branco - 2017 -

Antónia Adelaide Ferreira
Branco - 2015 -

Redoma
Branco - 2017 -

Mirabilis
Branco - 2016 -

Maritávora
Branco - 2015 -

Maria Izabel Vinhas Velhas Vinhas da Princesa
Branco - 2015
Edição Nº16, Agosto 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Tapada do Chaves, um clássico reerguido

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É das casas vinícolas mais antigas do Alentejo e nos anos 80 tornou-se uma marca ícone da região. Depois de um período mais discreto está agora, pelas mãos da Fundação Eugénio de Almeida, a caminho de voltar […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É das casas vinícolas mais antigas do Alentejo e nos anos 80 tornou-se uma marca ícone da região. Depois de um período mais discreto está agora, pelas mãos da Fundação Eugénio de Almeida, a caminho de voltar ao estrelato.
TEXTO Mariana Lopes
NOTAS DE PROVA Luís Lopes
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Ao largo de Portalegre, em Frangoneiro, existe uma vinha com mais de 100 anos. Não é uma vinha alentejana qualquer, pela idade e localização. À sombra da serra de São Mamede, a Tapada do Chaves, plantada em solo granítico, beneficia de um Alentejo fresco, alto e com amplitude térmica considerável entre o dia e a noite, na fase de maturação das uvas.
Tudo começou no primeiro ano do século XX, quando o senhor Chaves plantou a primeira vinha na sua Tapada, de uvas tintas. Dois anos depois, plantou a segunda, desta feita de variedades brancas. Desde aí, a Tapada do Chaves já passou pela alçada da família Fino e da Murganheira, sendo que, em Julho de 2017, foi a Fundação Eugénio de Almeida (FEA) que lá espetou a bandeira. Atraídos pelo património vitícola e pela qualidade e personalidade única pelos quais os vinhos da Tapada são reconhecidos há décadas, José Mateus Ginó e Pedro Baptista (o presidente do concelho executivo e o enólogo da FEA, respectivamente), assumiram as rédeas de uma marca da qual já conheciam bem o percurso. “Foi uma marca que, de certo modo, ajudou a criar este novo Alentejo vitivinícola, com uma projecção muito importante”, disse José Mateus. “Falamos em marca porque sempre fomos da opinião de que a Tapada do Chaves, para além de ser um projecto vitivinícola, era uma marca e, na estratégia da Fundação, o caminho sempre foi muito assente nas marcas. Olhamos para elas como um grande capital.”
É certo que houve um período relativamente longo de menor exposição, mas isso não fez a dupla perder o interesse, pois o estatuto ganho pela Tapada do Chaves, ao longo do tempo, foi adormecido mas não apagado. A hipótese de assumir o projecto surgiu em 2010, sete anos antes da conclusão do processo. Neste intervalo, houve margem para ponderação e avaliação. Entretanto, a região de Portalegre começou a ganhar outro foco, com novos players a investir, e isso foi motivação acrescida. José Mateus Ginó explicou: “Tendo a Fundação consciência de que poderia crescer, entendemos que o deveria fazer dentro do universo do Alentejo vitivinícola, e numa região que não fosse Évora, onde está o coração do nosso projecto.”
E a intenção sempre foi muito clara, Tapada do Chaves e FEA são duas entidades independentes e a primeira não é uma marca da segunda. “Achamos que deve viver por si só, com tudo aquilo que é a sua identidade e as suas características únicas, somos fiéis a isso. O ponto comum é tão só o conselho executivo da FEA ser a administração da Tapada”, adiantou José Mateus.
Partindo desta premissa, nem os canais comerciais serão os mesmos. A estratégia comercial, decidiram, será a de dar um passo atrás. “Queremos um contacto directo com os nossos clientes e parceiros e, para isso, retirámos a marca da distribuição moderna. Estamos a elencar uma rede de restaurantes e de algumas garrafeiras onde queremos estar presentes. Será uma distribuição capilar.” Um reposicionamento, a nível de preço, também já está em marcha. Também os novos rótulos são um regresso às origens e até o antigo carimbo, com o ano da colheita, é reproduzido digitalmente.
Toda a equipa que estava na Tapada ficou e ganhou um elemento, o jovem enólogo Bruno Ramos, que veio da FEA, em Évora, e que agora é o responsável permanente em Frangoneiro. “Deu-me muito prazer ser chamado para ajudar a reerguer um vinho que compete facilmente com outros grandes do mundo”, confessou Bruno.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”28981″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vinhas velhas, mas cheias de vida
“A viticultura é o suporte de tudo”, reiterou Pedro Baptista, “e se a Tapada do Chaves tem o percurso que tem, de imagem, credibilidade, valor de marca, da forma como comunica há décadas com o consumidor, é por causa disso.” Esta parte do património, a das vinhas velhas, que construiu uma base importante para a solidificação do projecto, está extraordinariamente saudável. Ninguém diria que aquelas parcelas, com 117 e 115 anos, têm a idade que já carregam em si, e isso reflecte-se, indubitavelmente, no produto final.
Além disso, é um património que prevalece face às condições mais adversas. Pedro Baptista não tem dúvidas sobre as vantagens que estas vinhas trazem: “A capacidade de resistência às alterações climatéricas é elevada, são muito resilientes. Também geram, habitualmente, vinhos mais concentrados e mais equilibrados, habituando-nos a um excelente nível de qualidade.” A idade média de todas as vinhas da propriedade é também relevante, umas com 100 anos, outras com 40 e algumas com 11, numa totalidade de 32ha, inseridos numa área de 60ha, sendo que algumas parcelas estão localizadas a mais de 500 metros de altitude.
O levantamento das variedades está a ser feito. A vinha velha de tintas, com pouco mais de um hectare, é sobretudo Trincadeira, com um pouco de Grand Noir (que faz parte da história da casa e de Portalegre) e outras mais. A de brancas, que tem quatro hectares, inclui Arinto, Assario, Fernão Pires, Roupeiro, algum Tamarez, Diagalves, etc. A vinha mais jovem branca, por sua vez, foi plantada com Antão Vaz, Arinto e Fernão Pires. No total, a Tapada do Chaves tem 23ha de uvas tintas e nove de brancas.
Pedro Baptista contou que as alterações que introduziram na vinha foram apenas ao nível do conhecimento que detêm ao nível da agricultura biológica. “Entendemos que o orgânico era o caminho a percorrer, do ponto de vista de potenciar as características que aqui tínhamos na vinha”, disse. Assim, começaram este ano a reconversão para a agricultura biológica na totalidade da quinta, onde também introduziram algumas práticas de biodinâmica.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Passado, presente e futuro
José Mateus Ginó e Pedro Baptista não regateiam elogios ao anterior proprietário, a sociedade detentora da Murganheira: “Quando entrámos, no Verão de 2017, foi só fazer a vindima. Vinhas e adega estavam num estado impecável. E o passado, o património vínico, foi integralmente preservado.” O stock que encontraram, guardado na adega, incluía vinhos engarrafados de colheitas relativamente recentes, mas também de várias bem antigas. De 1961, resta-lhes uma garrafa, que ostenta uma chave desenhada no seu rótulo poeirento.
Agora, são três os vinhos que chegam ao mercado, o Tapada do Chaves branco 2014, o Reserva tinto 2013 e o Vinhas Velhas tinto 2010. Mas, entretanto, duas outras colheitas existentes na casa serão colocadas nas lojas, um branco de 2012 (700 garrafas para vender) e um branco Vinhas Velhas de 2008 (2500 garrafas). “Com estas referências conseguimos espelhar estas vinhas em vinho”, afirmou Pedro Baptista, e desvendou que, no futuro, poderão ser produzidas cerca de 180.000 garrafas, exclusivamente das vinhas da Tapada.
José Mateus Ginó, que começou a trabalhar na CVR Alentejo em 1991 e na FEA em 1999, foi o primeiro jovem do Alentejo a viajar com 40 marcas “às costas” para a Europa. Quando questionado sobre a maneira como vê, a nível pessoal, o novo projecto, respondeu: “Tive a felicidade de, após quase 30 anos, ter feito o percurso por duas casas que sempre foram, para mim, uma referência do mundo do vinho e do Alentejo, a Fundação Eugénio de Almeida e a Tapada do Chaves. Hoje digo, com alguma vaidade, que me sinto realizado.”[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”28983″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº16, Agosto 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Rocim, uma questão de família

Quando a ambição se junta à dedicação plena e uma grande atenção aos detalhes, seja na viticultura, na vinificação ou na apresentação, o resultado só pode ser surpreendente e bem-sucedido. TEXTO Valéria Zererino Fotos Cortesia Herdade do Rocim Catarina Vieira e o seu marido Pedro Ribeiro são ambos enólogos e gestores da Herdade do Rocim, […]
Quando a ambição se junta à dedicação plena e uma grande atenção aos detalhes, seja na viticultura, na vinificação ou na apresentação, o resultado só pode ser surpreendente e bem-sucedido.
TEXTO Valéria Zererino
Fotos Cortesia Herdade do Rocim
Catarina Vieira e o seu marido Pedro Ribeiro são ambos enólogos e gestores da Herdade do Rocim, situada na sub-região da Vidigueira, no Alentejo. Tudo acaba por ser um assunto familiar e talvez desta forma seja mais fácil tomar decisões acertadas.
O mundo vínico Português ainda se lembra do seu recente êxito – Herdade do Rocim Clay Aged – um vinho de extrema elegância e carácter, estagiado (não fermentado) em talha, quando mais novidades acabam de ser apresentadas, entre as quais um elegante espumante rosé, um peculiar branco Olho de Mocho 2017, um branco e um tinto feitos em talha e, finalmente, o Crónica #328.
Já é a terceira edição do espumante a seguir ao de 2013 e 2014. O 2015 não foi particularmente feliz e preferiram não o lançar. A Touriga Nacional que protagoniza este rosé, foi colhida no final de Julho com o intuito de preservar acidez. O dégorgement é feito após 12 meses de estágio sobre borras.
O vinho de talha branco é o resultado de um lote tipicamente alentejano com Antão Vaz, Perrum, Rabo de Ovelha e Manteúdo. E o tinto resulta de um lote igualmente tradicional, onde Moreto assume 50%, acompanhado de Tinta Grossa, Trincadeira e Aragonez. Estas uvas são provenientes de vinhas sem rega com mais 65 anos. Um pormenor interessante consiste em que as talhas utilizadas na Herdade do Rocim não são pesgadas (revestidas pez, substância à base de resina de Pinheiro e cera de abelha), o que de certa forma explica a limpeza aromática dos seus vinhos de talha. Quer branco, quer tinto estiveram sobre as massas nas talhas até ao mês de Fevereiro, quando foram engarrafados. São produzidas mais de 5.000 garrafas de cada um.
O Olho de Mocho branco reserva 2017 é feito com apenas uma casta – Antão Vaz de solos arenosos e de orientação a nascente. É uma vinha bastante ensombrada, que no calor do Alentejo ajuda a preservar a acidez. O vinho fermenta sem clarificação de mosto e a temperatura relativamente elevada (17-18˚C), depois estagia em barricas novas e de segundo ano durante 6 meses.
A Crónica # 328, foi escrita com vinho pela filha em homenagem do seu pai. José Ribeiro Vieira (1943-2012) foi um empresário de Leiria cujo objectivo na altura dos anos 70 foi contribuir para a mecanização da agricultura, que uma década mais tarde resultou numa empresa para equipamentos de obras públicas. Era uma pessoa muito ativa política e socialmente, expressando a sua posição e opinião crítica no semanário Jornal de Leiria, onde escreveu 327 crónicas, deixando a última, a 328ª, para a sua filha Catarina.
O Crónica # 328 pretende ser o melhor vinho da Herdade. As castas são típicas da região, Trincadeira e Aragonez, da vinha com 15 anos que fica nos terrenos xistosos de uma encosta de 300 metros de altitude virada a sul. Depois da fermentação com uma parte de engaço, o vinho passa dois anos em barricas novas de carvalho francês dando origem a uma edição muito limitada de apenas 1.200 garrafas
Edição Nº15, Julho 2018
Uma Mensagem para o mercado nacional

O projecto tem gerações de tradição familiar por trás, mas a sua afirmação na era moderna só agora está a cumprir a sua primeira década de vida. Da região do Tejo chegam-nos vinhos que não querem ser iguais aos outros. E uma gama nova destinada ao mercado interno. TEXTO Luís Francisco NOTAS DE PROVA Valéria […]
O projecto tem gerações de tradição familiar por trás, mas a sua afirmação na era moderna só agora está a cumprir a sua primeira década de vida. Da região do Tejo chegam-nos vinhos que não querem ser iguais aos outros. E uma gama nova destinada ao mercado interno.
TEXTO Luís Francisco
NOTAS DE PROVA Valéria Zeferino
FOTOS Cortesia do produtor
A Quinta do Arrobe tem um percurso muito próprio e algumas singularidades. Para começar, o projecto arrancou com uma aposta assumida em castas estrangeiras e só agora aponta baterias às variedades portuguesas. O foco quase exclusivo nos mercados internacionais explica as opções iniciais, o trabalho mais intenso na frente interna justifica o lançamento de uma nova gama. Os vinhos Mensagem foram apresentados no início de Junho e serão distribuídos apenas em Portugal.
Num jantar que decorreu nas instalações da Garrafeira Wine Man, de Bruno Antunes (o distribuidor dos restantes vinhos da casa na região de Lisboa e que terá o exclusivo nacional desta nova gama), foram dados a provar os Mensagem branco (2017) e tinto (2015), bem como o Mensagem Reserva tinto (2014). Antes da mesa, tinham passado pelos copos o Mensagem espumante e ainda uma amostra de cuba de uma “brincadeira”: um branco de uvas tintas, no caso, Trincadeira. A estes juntaram-se alguns dos vinhos com a chancela Quinto Elemento, que alberga os topos de gama da casa: o Arinto Reserva 2015 e o Syrah Reserva 2013. Há ainda o Quinto Elemento Cabernet, que na sua edição 2013 é o vinho mais caro deste produtor.
São vinhos ambiciosos e que não pretendem competir no “campeonato” das grandes superfícies, como explica Alexandre Gaspar, líder deste projecto familiar sediado na Várzea de Baixo, Casével, Santarém: “Fazemos cerca de 200.000 garrafas por ano, mas não queremos massificar. A nossa filosofia é produzir vinhos de nicho.” A exportação representa actualmente cerca de 50 por cento do mercado dos vinhos da casa, uma percentagem que tem baixado, não por diminuição da procura, mas sim pelo crescimento na frente interna nos anos mais recentes.
O bisavô de Alexandre (e também de Maria Gaspar, sua irmã e enóloga da casa, juntamente com Mário Andrade) plantou as primeiras vinhas ainda no século XIX, mas só mais de 100 anos depois o projecto entrou na sua era moderna e se abalançou na criação de uma marca própria para engarrafamento. E começou de forma peculiar: apostou em castas estrangeiras. “A nossa mãe é francesa e isso é sempre uma influência. Mas o que achámos é que, fazendo vinhos com castas internacionais, poderíamos mais facilmente demonstrar a nossa qualidade além-fronteiras.”
A primeira fase do projecto, em 2007, incluiu, portanto, plantar vinhas novas com Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional. Em 2009 seguiram-se Arinto, Trincadeira, Merlot, Pinot Grigio, Sauvignon Blanc, Verdelho, Moscatel… Para a segunda fase, a ideia é apostar em castas tradicionais portuguesas – o alvo imediato é a Preto Martinho, “mas há falta de material”, queixa-se Alexandre Gaspar. No futuro, a terceira fase ambiciona criar um enoturismo e conciliar essa actividade com a produção de vinho.
As vinhas, trabalhadas em modo de produção biológico, ainda que sem certificação, situam-se em dois locais distintos: 16 hectares junto à adega, em Casével, e outros 10 na zona de Tomar – estas são vinhas velhas, de 60/70 anos de idade, na sua maioria de Castelão (80%), o resto Fernão Pires. Estranhamente, para quem está habituado a associar os conceitos “vinhas velhas” e “qualidade superior”, o Castelão tem sido usado como base dos vinhos das gamas média e de entrada… Outra especificidade deste produtor, mas que pode conhecer desenvolvimentos nos próximos tempos: “Temos um Castelão guardado há dois anos para ver o que dá. Mais uns dois ou três anos e poderá eventualmente sair como Grande Reserva.” Ficamos à espera.
Edição Nº15, Julho 2018
João Portugal Ramos, 25 anos a “caçar” vinhos

Entre caçador e enólogo, João Ramos divide as suas paixões. Os vinhos tomaram-lhe a profissão e esse vício já o conseguiu passar aos dois filhos, que agora também trabalham na empresa. Tempo de festa, tempo de novos projectos. Em Estremoz e não só. TEXTO João Paulo Martins FOTOS Ricardo Palma Veiga O nome de João […]
Entre caçador e enólogo, João Ramos divide as suas paixões. Os vinhos tomaram-lhe a profissão e esse vício já o conseguiu passar aos dois filhos, que agora também trabalham na empresa. Tempo de festa, tempo de novos projectos. Em Estremoz e não só.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga
O nome de João Ramos foi omnipresente na revolução que os vinhos portugueses conheceram a partir dos anos 80 e, sobretudo, 90 do século passado. O foco inicial foi no Alentejo, como enólogo de cooperativas e de alguns produtores, como a Quinta do Carmo e Tapada do Chaves, mas logo depois ligou-se a Setúbal, Tejo e Lisboa. Eram muitas as consultorias mas o seu projecto pessoal começou a crescer, centrado em Estremoz, e a vida foi-se modificando. Manteve um “pé” fora da região, com as vinhas dos seus sogros em Foz de Arouce, o desenvolvimento de uma estrutura própria no Tejo (Falua), nos Vinhos Verdes e mais recentemente no Douro, aí em parceria com José Maria Soares Franco.
Os filhos estão agora a trabalhar com o pai e João não se cansa de afirmar que a organização interna da empresa levou uma enorme volta com a entrada da filha Filipa: novos métodos e procedimentos e nada ficou como dantes. As empresas familiares correm sempre o risco de não conseguirem passar o testemunho à geração seguinte, mas aqui não consta que tal venha a ser um problema.
O momento da visita foi aproveitado para mostrar toda a nova roupagem dos vinhos Marquês de Borba, a linha de engarrafamento que agora concentra toda a operação a nível nacional e uma cave onde antes chegaram a estar cerca de 1000 barricas e que agora terá seis lagares de mármore para pisa a pé. João Maria, filho, foi claro: “Acreditamos muito nos lagares e vamos continuar a apostar, sobretudo para algumas castas que podem beneficiar muito com esse tipo de vinificação, como o Alicante Bouschet.” Foi também apresentada uma nova gama de Marquês de Borba Vinhas Velhas, situado em termos de preço entre o normal e o Reserva. E Filipa salientou que “a antiga imagem foi muito importante para o Marquês de Borba, mas estava na hora de mudar e para isso fizemos um estudo junto de 1000 consumidores para chegar a esta nova imagem”. O tinto será provado mais tarde.
Entretanto, aquela que foi a primeira vinha de João Portugal Ramos, plantada em Estremoz em torno da casa onde ainda vive, foi agora arrancada e replantada. As novas formas de plantio e as doenças do lenho, como a esca, a isso obrigaram. Esta vai ser mais uma vinha nova, a somar às centenas de hectares que já tem sob sua responsabilidade. Um projecto de família, uma família cheia de ideias novas. E o próximo ano promete, uma vez que João Ramos se mostra muito entusiasmado com a qualidade do 2017: “É a minha segunda melhor vindima de sempre, a seguir ao 2011!” Expectativas em alta, portanto.
Edição Nº15, Julho 2018













