Vinhos estrangeiros: Eles estão entre nós

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Não faz mal proclamar que os nossos vinhos são os melhores do mundo, desde que essa convicção seja baseada num conhecimento mínimo do que se faz por outras paragens. Numa breve viagem pelo planeta-vinho, deixamos algumas sugestões […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Não faz mal proclamar que os nossos vinhos são os melhores do mundo, desde que essa convicção seja baseada num conhecimento mínimo do que se faz por outras paragens. Numa breve viagem pelo planeta-vinho, deixamos algumas sugestões de vinhos estrangeiros a preços razoáveis que se podem encontrar em Portugal.
TEXTO Valeria Zeferino
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Quando há 17 anos cheguei a Portugal, encontrar algum vinho estrangeiro nas prateleiras era quase uma missão impossível. E há razões óbvias para isto. Historicamente, qualquer país produtor de vinhos tem uma oferta limitada de vinhos estrangeiros. É claro que os vinhos cá produzidos estão-nos mais próximos, as castas e as regiões são mais conhecidas e os sabores mais familiares.
Mas num mundo cada vez mais global é difícil continuar isolado em qualquer área que seja. Os consumidores e enófilos adquirem mais conhecimento, viajam mais e tornam-se mais informados e curiosos em relação aos vinhos produzidos lá fora. E o mercado responde.
Hoje podemos constatar que os vinhos estrangeiros estão melhor representados, quer nas grandes superfícies e garrafeiras, quer na restauração. Quem preferir vinhos do Velho Mundo pode escolher entre várias regiões dos países mais clássicos, como a França, Espanha, Itália, Alemanha e até Áustria. Do Novo Mundo também é possível encontrar vinhos praticamente de todos os cantos: Chile, Argentina, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Califórnia.
Vinhos estrangeiros? Eles estão entre nós!
Esta selecção é apenas uma pequena parte de vinhos estrangeiros que podem ser comprados em Portugal. Evitámos propositadamente os vinhos básicos e os vinhos de gamas altas, propondo uma escolha de vinhos acessíveis, mas de alguma forma representativos dos seus países de origem.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Velho Mundo vs. Novo Mundo
Estes são dois termos que dividem globalmente o mundo da produção de vinho. O Velho Mundo integra todos os países da Europa, da bacia mediterrânica e Norte de África. O Novo Mundo refere-se aos países para onde os imigrantes europeus levaram as videiras e a tradição de fazer vinho.
O Velho Mundo baseava-se mais na tradição em termos de viticultura e vinificação, enquanto o Novo Mundo apostou na ciência. No Velho Mundo mandava o terroir, enquanto no Novo Mundo as castas assumiram a liderança. O Velho Mundo inventou o tão complexo quanto complicado sistema de classificações e designações, enquanto o Novo Mundo não se debruçou tanto sobre a estrutura regional, que é muito mais simples.
Entretanto, hoje em dia esta fronteira está cada vez mais ténue: os países do Velho Mundo abriram as portas à tecnologia e inovação na produção de vinhos, fizeram grandes investimentos e renovaram-se, e muitas vezes comunicam os seus Cabernet e Chardonnay no rótulo. Os países do Novo Mundo descobriram os seus terroirs, começaram a falar nos seus solos, a trabalhar pequenas vinhas separadamente, e às vezes fazem vinificações a lembrar o Velho Mundo. As castas internacionais ganham terreno nas regiões mais tradicionais ao lado de castas autóctones e no Novo Mundo experimentam-se castas pouco conhecidas.
Estes são os países e regiões cujos vinhos selecionámos para este trabalho.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”França”][image_with_animation image_url=”30619″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Bordéus
Até quem não bebe vinho sabe que em Bordéus e Borgonha produzem-se dos mais aclamados e caros vinhos do mundo. Não na região toda, apenas em zonas específicas com uma grande estrutura hierárquica. Mas nem todo o Bordéus é Médoc e nem toda a Borgonha é Côte d’Or. Há muitos vinhos correntes e banais nestas duas regiões.
Os vinhos tintos de Bordéus baseiam-se no lote de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot e algumas outras castas em proporções diferentes em função da localização geográfica (na margem esquerda do estuário do Gironda predomina Cabernet Sauvignon e na margem direita predomina Merlot) e condições do ano. Os vinhos brancos também representam um blend de Sauvignon Blanc, Semillon e Muscadelle.
Os grandes chateaux de Bordéus produzem vinhos de qualidade excepcional e preços astronómicos, mas também têm vinhos bem mais acessíveis. Château Mouton-Rothschild é um bom exemplo. Por um lado, faz parte da famosa classificação de vinhos de Bordéus criada em 1855, embora só tenha sido promovido a 1er Cru em 1973, com vinhos dos mais caros do mundo; por outro lado, todos os anos lança cerca de 12 milhões de garrafas de Mouton Cadet, das quais 70% são vendidas fora de França.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Borgonha
Os vinhos de Borgonha, salvo poucas exceções, são feitos das duas castas clássicas: Pinot Noir, para os tintos; e Chardonnay, para os brancos.
É terra de vinhas de pequenas dimensões e de grande fama, mas também de grandes negociantes, como por exemplo a Louis Latour. É um dos maiores players do mercado e também um dos mais antigos (fundada em 1797). Começou por adquirir terrenos e plantar vinhas, bem como comprar uma das casas “negociants” em Beaune e também o Château Corton-Grancey, na comuna Aloxe Corton. Tem vinhas em toda a Côte d’Or, mas também em Chablis e fora da Borgonha e é o maior proprietário de vinhas classificadas como Grand Cru na Borgonha. E ainda produz barricas na sua própria tanoaria.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Rosés da Provence
Embora em França existam várias regiões especializadas em vinhos rosés (como é o caso de Rosé d’Anjou, Rosé de Loire ou intensos rosés de Tavel, por exemplo), as Côtes de Provence produzem os rosés mais admirados internacionalmente. A sua característica cor desmaiada, as garrafas estilosas e a proximidade da Riviera Francesa criaram-lhes a imagem chique junto dos consumidores.
Os rosés reinam em Côtes de Provence, correspondendo a 90% da sua produção. É o maior produtor de rosés em França (42%) e é responsável por 6% dos rosés a nível mundial. Feitos maioritariamente das castas Grenache e Cinsault por prensagem direta, são muito clarinhos (com tonalidades de pêssego, pêtalas de rosa, casca de cebola), secos, frescos, leves, quase neutros.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Chianti fica na parte central da Itália na região de Toscana. É uma das regiões demarcadas mais antigas do mundo, rivalizando com o nosso Alto Douro Vinhateiro. As fronteiras da zona de produção de Chianti foram definidas em 1716 pelo Grão-Duque da Toscana Cosme III de Médici (entretanto, a nossa região demarcada, para além dos limites geográficos, tinha regras de produção associadas e um orgão de controlo).
No início do século XX, com a crescente fama da região, a zona de produção estendeu-se muito para além da sua área inicial, o que fomentou o movimento em defesa da originalidade e qualidade do Chianti. Assim, em 1932, por via legislativa o vinho produzido dentro da zona original passou a ser designado como Chianti Classico, embora só tenha obtido o estatuto superior – DOCG (Denominazione di origine controllata e garantita) – em 1984. O Chianti Classico é um DOCG separado e não faz parte do Chianti DOCG. As regras de produção são mais restritas, obrigando a utilização de pelo menos 80% da casta Sangiovese (70% para Chianti). A designação Reserva obriga a um estágio mínimo de 24 meses, das quais pelo menos três em garrafa.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Valpolicella
Valpolicella é outra zona histórica de produção de vinhos na Itália. Fica no nordeste do país, perto de Verona. Depois da promoção ao DOC em 1968 também sofreu uma grande extensão de área de produção, o que levou à necessidade de limitar a zona histórica com a respectiva denominação Valpolicella Classico e que hoje corresponde a 40% da produção.
Podemos falar do blend típico de Valpolicella – um trio de Corvina, Molinara e Rondinella. Das três, Corvina tem o papel principal, é considerada a casta mais completa e mais tradicional, tem aroma de ginja ácida e especiaria e acidez pronunciada. Rondinella é bastante produtiva, adiciona cor, algum corpo e notas de ervas e especiarias ao lote. Molinara, que tem pouca cor e acidez em excesso, está em franco declínio. A casta Corvinone, que era considerada um clone de Corvina, está a ganhar terreno.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Gavi
Gavi é uma pequena DOCG (pouco mais de 1000 hectares) na região Italiana do Piemonte que produz vinhos brancos por excelência. Aqui a casta autóctone Cortese encontra a sua expressão máxima em vinhos muito secos com acidez pronunciada, aromáticos com notas de maçã verde, fruta citrina, algumas flores, nuances de amêndoa e mineralidade.
Nos anos 60 e 70 do século passado, Gavi era conhecido e reconhecido como a fonte importante de vinho branco italiano seco e fresco. Praticamente, Gavi e Cortese mostraram ao mundo o que é o vinho branco italiano. O grande sucesso comercial levou ao aumento da produção e ao inevitável aparecimento no mercado de vinhos vulgares. Entretanto, existem produtores que se preocupam com a qualidade dos seus vinhos, como é o caso da La Escolca, Pio Cesare ou Fontanafredda.
Se no rótulo encontrar Gavi di Gavi, isto significa que o as uvas foram provenientes das vinhas localizadas na comuna de Gavi.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
A viticultura e produção de vinho no Chile foram iniciados pelos conquistadores espanhóis no século XVI, mas as castas e as tradições francesas tiveram mais influência no perfil de vinhos. O isolamento geográfico e a rigorosa quarentena ajudaram a proteger as vinhas da devastação causada pela filoxera na velha Europa. Os verões secos e soalheiros facilitam o amadurecimento da uva sã. As principais castas são Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc, Carménère, Chardonnay, Merlot e Pinot Noir.
Especial atenção merece a casta Carménère, de origem francesa (um cruzamento espontâneo de Cabernet Franc e Gros Cabernet) e largamente plantada em Bordéus no início do século XVIII. Viajou para o Chile em meados do século passado, misturada com Merlot e foi tomada como tal. Só em 1994 descobriram que afinal era outra casta. As análises de ADN confirmaram a suspeita e em 1998 o Carménère foi oficialmente reconhecido pelas autoridades do Chile e assumiu o seu papel como casta-bandeira do país.
Sendo mais tardia do que Merlot e Cabernet Sauvignon, tem no Chile melhores condições para amadurecer do que na sua terra de origem. No seu melhor, e se a produtividade for controlada, dá vinhos com macieza e charme de Merlot e estrutura do Cabernet Sauvignon, sem aromas vegetais em excesso.[/vc_column_text][vc_column_text]
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Argentina”][image_with_animation image_url=”30632″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Malbec
Argentina é o maior produtor de vinhos na América do Sul. Na maior parte do país a viticultura só é possível graças à altitude (até 1500 metros acima do mar), senão seria demasiado quente. A maioria das vinhas (três quartos) está situada em Mendoza no sopé dos Andes, onde goza muita luz solar, enquanto as amplitudes térmicas diárias permitam prolongar o período de maturação equilibrada. O ar é sem poluição atmosférica e muito seco, ajudando manter a uva num perfeito estado sanitário.
De longe a casta mais plantada e mais conhecida da Argentina é Malbec, que não alcançou a mesma popularidade na sua terra natal em Cahor na França, onde responde pelo nome Cot. De um modo geral o Malbec em França tende ser mais rústico, tânico e carnudo, enquanto na Argentina fica mais redondo, maduro e suculento.[/vc_column_text][vc_column_text]
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Nova Zelândia”][image_with_animation image_url=”30646″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Sauvignon Blanc
O Sauvignon Blanc da Nova Zelândia é inconfundível pelo seu perfil e exuberância aromática, que praticamente se tornou numa marca em si. 75% dos vinhos da Nova Zelândia são produzidos na região de Marlborough, onde Sauvignon Blanc é responsável por 85% da produção. Portanto, para o resto do mundo, Sauvignon Blanc e Nova Zelândia são inseparáveis.
Tudo começou quando em 1985 surgiu no palco vínico internacional o Sauvignon Blanc da Cloudy Bay, com o seu característico sabor de maracujá, espargos, groselha. Rapidamente tornou-se uma moda, promovida pela facilidade com que se reconhecia o estilo em qualquer canto do mundo.[/vc_column_text][vc_column_text]
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Austrália”][image_with_animation image_url=”30645″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Shiraz
Shiraz é a antípoda australiana da casta francesa Syrah. A diferença do nome reflete a diferença de estilos. Há 20-30 anos o Shiraz australiano era mais extraído, com corpo cheio, tanino muito maduro, acidez mais contida e fruta preta abundante, acompanhada pelo chocolate e especiaria. Hoje em dia é produzido em estilos diferentes e alguns vinhos fazem lembrar o estilo da Syrah elegante e especiada do norte do Rhône.
Absolutamente impensável para a França, o blend de Syrah com Cabernet Sauvignon na Austrália não só é possível, como muito popular. Outro blend da Shiraz com a casta branca Viognier foi copiado da tradição existente na região mediática francesa Côte-Rôtie, onde se adicionava até 20% de Viognier para acrescentar a complexidade aromática e fixar a cor da Syrah.
Barossa Valley é uma das regiões típicas para Shiraz na Austrália. Embora outras castas tintas e brancas também estejam lá plantadas, Shiraz continua a ser o seu ex-líbris, sobretudo das vinhas velhas não regadas.[/vc_column_text][vc_column_text]
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº17, Setembro 2018
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Surpreendentes tintos na terra dos moscatéis

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Os vinhos de Setúbal têm vindo a conquistar números de vendas muito importantes, mercê da sua excelente relação qualidade-preço. No entanto, os seus tintos, sobretudo, vão muito para além do bom e barato, como Dirceu Vianna Júnior […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Os vinhos de Setúbal têm vindo a conquistar números de vendas muito importantes, mercê da sua excelente relação qualidade-preço. No entanto, os seus tintos, sobretudo, vão muito para além do bom e barato, como Dirceu Vianna Júnior teve ocasião de comprovar.
TEXTO Dirceu Vianna Junior MW
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Certos livros apontam a região de Setúbal como possível berço da viticultura na Península Ibérica, quando vinhedos foram cultivados pela civilização tartessa, cerca do ano 2000 A.C. Arquivos históricos mostram que a região já exportava vinho no século XII, mas passou a ganhar notoriedade a partir do século XIV, quando Richard II solicitou que o Moscatel de Setúbal fosse servido durante eventos da corte real inglesa. A região foi oficialmente reconhecida em 1908 e conta com 7.213 hectares de área total plantada, de acordo com os dados recentes do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV). Apesar da pressão comercial pelo espaço urbano, Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) da Península de Setúbal, constata que a área plantada tem permanecido razoavelmente estável durante a última década.
A casta Castelão, com 3227 hectares (ha), representa cerca de 49% da área total, sendo, de longe, a mais plantada. Moscatel de Setúbal corresponde a 8% da área plantada com 541ha, seguida por 512ha de Fernão Pires, 419ha de Syrah e 287ha de Aragonez. Outras castas plantadas incluem o Alicante Bouschet (252ha), Cabernet Sauvignon (243ha), Touriga Nacional (216ha), Trincadeira (168ha) e Arinto (125ha), dentre outras. A produção total da região nos últimos anos tem oscilado entre 408.000 hectolitros (hl) em anos menos abundantes, como 2013, e 525.000 hl em anos mais prolíficos, como 2017. A média das últimas cinco vindimas é de 480.000 hl. Apesar de o nome da região estar intrinsecamente associado com vinhos licorosos, os famosos Moscatéis de Setúbal representam apenas cerca de 6% da produção total. A maior parte das uvas regionais são destinadas à elaboração de vinhos tintos, que representam 64% do volume total.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”30591″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Percepção e qualidade
De acordo com Frederico Falcão, CEO do grupo Bacalhoa, os vinhos tintos da região têm vindo a conquistar quota de mercado devido à excelente relação entre qualidade e preço que oferecem ao consumidor. Jaime Quendera, gerente geral da Cooperativa Agricola de Santo Isidro de Pegões, concorda e acredita que o sucesso também tem a ver com a facilidade de o consumidor associar a região com as marcas e importantes casas da região. José Mota Capitão, enólogo e administrador da Herdade do Portocarro, julga que o consumidor terá a percepção de que os vinhos tintos de Setúbal apresentam frutas maduras generosas, perfil redondo, com taninos suaves, portanto fáceis de beber. Por outro lado, Domingos Soares Franco, vice-presidente e enólogo chefe do grupo José Maria da Fonseca, alerta para o facto de que haver um número elevado de uvas plantadas e existir grande variação de estilos acaba por confundir o consumidor.
Os vinhos da região têm enorme sucesso no mercado português, ocupando a terceira posição, com uma quota de mercado correspondente a 5,8% do volume total engarrafado, abaixo de Alentejo, que conta com 16,8%, e o Minho (Vinho Verde), com 7,4% (IVV 2017). Porém, na mente do consumidor internacional ainda existe bastante trabalho para ser feito. Apesar de a maioria dos profissionais ter conhecimento da região através da reputação de seus Moscatéis, poucos consumidores fora de Portugal percebem a região como produtora de vinhos tintos de qualidade.
Quanto à qualidade dos vinhos tintos, Jaime Quendera acredita que Setúbal esteja no mesmo patamar das regiões mais desenvolvidas do país, tanto no campo da viticultura, com vinhas mecanizáveis e de extensão, quanto na vinicultura, com adegas modernas, totalmente equipadas e com profissionais habilidosos. Na opinião de Domingos Soares Franco, Setúbal estaria num patamar abaixo do Douro pelo facto de ter menos experiência com diversas altitudes e exposições, e mais elevado do que o Dão, por essa região ter estado durante muitos anos dependente de adegas cooperativas e somente ter despertado para a viticultura mais tarde, embora reconheça que sempre ali houve quintas privadas a produzir excelentes vinhos. De um modo geral, na opinião de Domingos Soares Franco, a qualidade dos vinhos da região de Setúbal é comparável à do Alentejo, talvez pela proximidade geográfica, embora solos e clima sejam distintos. Filipe Cardoso, o gestor da Quinta do Piloto, acredita que a qualidade em geral é boa, mas que faltam vinhos de patamares super-premium e ícones para se aproximar das outras regiões produtoras de grande reputação.
Na verdade, existe um pequeno núcleo de produtores responsáveis pela maioria do volume produzido e em termos de enologia, de um modo geral, a região está na linha da frente. Mesmo assim, existe um caminho a percorrer para que a qualidade continue crescendo, principalmente no que diz respeito ao uso excessivo de madeira, incluindo também a utilização de aduelas e outras alternativas. A solução seria tentar assegurar boa maturação e preservar o frescor que a fruta possui devido à proximidade do oceano Atlântico e não ofuscar isso com o uso excessivo de madeira. Também é necessário erradicar um dos maiores problemas encontrado nos vinhos desta região, que é a extração excessiva, o que faz com que os vinhos lançados jovens cheguem ao mercado demasiadamente firmes, tânicos e adstringentes. De um modo geral, é importante não ceder às modas que vêm do exterior, interferir menos e buscar mais a elegância.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Estilos de vinhos
Frederico Falcão considera os vinhos desta região, de forma geral, macios e fáceis de beber. Ao mesmo tempo, a região é capaz de produzir vinhos com estrutura, e muito equilíbrio entre o teor alcoólico e acidez, simultaneamente vinhos elegantes, fáceis de beber enquanto jovens, mas também com capacidade de envelhecimento.
Filipe Cardoso, da Quinta do Piloto, acredita que os vinhos regionais exibem um estilo mais internacional, similar aos vinhos do Novo Mundo, pois são frutados, concentrados e fáceis de beber e frequentemente com madeira evidente. Segundo José Mota Capitão, esses vinhos têm a tendência para ser demasiadamente comerciais, e, como tal, por vezes, perdem um pouco de seu carácter e personalidade. No que diz respeito aos Palmela de gama mais alta, Filipe Cardoso descreve vinhos mais clássicos, vinhos de terroir comparáveis com o estilo Velho Mundo. Para Jaime Quendera, os tintos de Setúbal são tintos maduros, mas apresentam frescura natural devido à sua proximidade ao mar e será esta a sua grande diferenciação.
O facto é que não existe clareza ou consenso em relação ao estilo dos vinhos na região. Por um lado, isso é bom, pois demonstra a personalidade e diversidade, por outro lado torna-se difícil selecionar um produto regional com segurança, devido à falta de coerência no que diz respeito aos estilos de vinhos.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”30592″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Isso pode ser considerado uma desvantagem em comparação às outras regiões onde os estilos são mais uniformes, como Brunello de Montalcino, Rioja, ou mesmo o Cabernet Sauvignon de Napa Valley ou o Merlot do Chile. Nestes casos, o profissional e, principalmente, o consumidor internacional que adquire o produto, tem uma boa ideia de qual será o estilo de vinho que o espera quando sacar a rolha.
Os consumidores estão dando cada vez mais valor aos vinhos de carácter e que conseguem preservar a personalidade do seu terroir. Existe uma oportunidade para crescer no mercado externo, que hoje é responsável por cerca de 35% do consumo da produção local. Um dos caminhos para que a região se afirme como confiável produtora de excelentes tintos seria valorizar sua casta tinta, o Castelão, como a bandeira principal dos vinhos tintos de qualidade da região. Hoje, uma carta de vinhos verdadeiramente internacional deve contar com a presença de, pelo menos, um Malbec argentino, um Shiraz australiano e um Sauvignon Blanc neozelandês, por exemplo. Além disso, precisa de conter os clássicos do Velho Mundo, como por exemplo Barolo, Ribeira del Duero, Nuits St Georges, entre outros. A região de Setúbal deveria trabalhar no sentido de produzir vinhos tintos onde a casta Castelão fosse maioritária e que atingissem esse nível de notoriedade.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Desafios e estratégias
Frederico Falcão defende um trabalho que ajude fortalecer a percepção de que os vinhos da Península de Setúbal oferecem excelente custo/benefício para consumo do dia-a-dia e, ao mesmo tempo, tentar surpreender com vinhos de topo de gama. Sugere o foco em mercados como Brasil e Angola, que já são fortes importadores dos vinhos da região. Felipe Cardoso incluiria Inglaterra, Estados Unidos e Canadá como países ideais. Para Domingos Soares Franco, o Canadá, Escandinávia, América Central e América do Sul apresentam as melhores oportunidades. Uma coisa é certa: os produtores precisam de trabalhar em conjunto e gastar a sola do sapato, viajar mais e mostrar os seus vinhos ao mundo com mais confiança.
Apesar de a região ter comercializado €49.238.124 de vinhos tranquilos (Dados do IVV 2017), com um crescimento de 3,8%, existem vários desafios a serem enfrentados. Na área de viticultura, além das ameaças das alterações climáticas, na opinião de Domingos Soares Franco os trabalhos de campo poderão vir a ser comprometidos devido à falta de mão-de-obra. Filipe Cardoso acredita que um dos maiores patrimónios que a região possui deve ser protegido energicamente, ou seja, não deixar morrer as vinhas velhas de Castelão, Fernão Pires e Moscatel, pois é isso que dá identidade à região. Para José Mota Capitão, um grande problema são os preços demasiadamente baixos que produtores recebem pelo seu produto, influenciando negativamente a região como um todo. Acredita que a região precisa de se afirmar como produtora de vinhos de qualidade a preços mais altos e justos. E afirma ser triste e desagradável receber propostas de exportação em que o limite máximo para vinhos da Península de Setúbal está abaixo de 1,79 euros por garrafa.
Porém, muita coisa positiva aconteceu nos últimos anos. Jaime Quendera explica que a região, há menos de duas décadas, era composta praticamente por duas empresas e que em termos de vendas ocupava a sexta ou sétima posição do país. Foi precisamente por oferecer preços médios competitivos que foi possível estimular o desenvolvimento. Hoje, defende, existe um número maior de empresas e essas estão gradativamente mais fortes.
A verdade é que, apesar de a região se mostrar bem capaz de fazer brancos e tintos de qualidade superior, o preço médio está entre os mais baixos do país. De forma geral, é essencial trabalhar com o objetivo de valorizar mais os produtos e adequar os preços ao seu valor intrínseco para assegurar, além de uma margem de lucro correcta, que seja possível seguir investindo e apostando no aprimoramento contínuo, consequentemente garantindo o futuro da região.
Em relação ao futuro, Jaime Quendera acredita que tudo continuará a desenvolver-se como tem ocorrido nos últimos tempos, com produtores buscando melhorar a qualidade e seguir oferecendo ao consumidor vinhos com boa relação entre qualidade e preço. Para Filipe Cardoso não existe duvida de que a região vai continuar a crescer, pois existe um grande número de profissionais jovens, curiosos e criativos à frente da maioria das adegas, o que vai impulsionar o desenvolvimento da região. José Mota Capitão também se mostra optimista e diz que existe espaço para novos produtores, mesmo que o futuro próximo esteja fortemente dependente do que será feito pelas quatro maiores empresas da região.
O interesse renovado por vinhos do Chile e Argentina em vários mercados, nos últimos tempos, tem muito a ver com o que foi feito não pelas grandes marcas mas por pequenos projetos em sub-regiões novas que quebram paradigmas, demonstram criatividade e aumentam a percepção positiva da região e do país como um todo.
É natural que os grandes produtores continuem focados em promover as suas próprias marcas, mas existem méritos e vantagens que justificam fazer um trabalho colectivo em paralelo, com o objetivo de divulgar a região de um modo geral. Definir com mais nitidez os estilos de vinhos tintos, para que fique mais claro na mente do consumidor sobre o que esperar, encorajar pequenos produtores para energizar positivamente a região, continuar a focar na qualidade sem perder identidade com vinhos que não transmitem o seu terroir, não ter medo de ultrapassar limites e lançar vinhos-ícone. Estes serão alguns dos passos necessários para que os vinhos tintos da região atinjam o reconhecimento que precisam e merecem.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][heading]Em Prova[/heading][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
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Edição Nº 17, Setembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Pelos extremos da terra selvagem

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Douro Superior é vasto e quase selvagem. E é também uma terra de extremos. Mas os que aqui nos interessam são os geográficos. Os limites desta sub-região bordejam, a leste, com a vizinha Cima Corgo, e, […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Douro Superior é vasto e quase selvagem. E é também uma terra de extremos. Mas os que aqui nos interessam são os geográficos. Os limites desta sub-região bordejam, a leste, com a vizinha Cima Corgo, e, a sul, com a Beira Interior. O clima é semelhante, a morfologia do terreno também, mas estes dois casos que fomos conhecer – Cortes do Tua e Colinas do Douro – não podiam ser mais diferentes. Em comum, contudo, têm a ambição de produzir grandes vinhos.
TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA Nuno de Oliveira Garcia
FOTOGRAFIAS Ricardo Palma Veiga
As paisagens são esmagadoras. Vales profundos, escarpas, poucas árvores, vegetação sobretudo baixa ou rasteira, própria de climas muito secos. As rochas – xistos ou granitos – predominam. O Douro Superior é das regiões menos povoadas do país e é sobretudo nisto que o viajante pensa quando por aqui passa. Em vez dos casarios espalhados pelas encostas, como se pode ver no Baixo e Cima Corgo, aqui as casas pouco aparecem e as povoações são escassas. Por isso predomina o silêncio e, quando o sol de põe em dias de lua nova, cai a escuridão profunda.
Longe dos circuitos turísticos do Douro, esta região está votada ao despovoamento e, não fosse a vitivinicultura, o panorama seria ainda pior. Mas esta é também uma terra de paixões. Ou se ama, ou se odeia. Como o clima, extremamente frio ou brutalmente quente.
É neste panorama que, no Douro Superior, dois produtores têm chamado a atenção para o cuidado que colocam nos vinhos e pelo investimento realizado em capital e trabalho. Comecemos pelo norte, junto ao Cima Corgo…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Cortes do Tua”][vc_column_text]Considerando o histórico do Douro, a cronologia da empresa Cortes do Tua é relativamente curta, tal como a idade dos seus protagonistas. Ana Almeida e Duarte Costa estão na casa dos 30 anos, mas a história da casa começou com o pai de Ana, Luís Carlos Almeida, que começou a produção de vinho por gosto pessoal. Herdeiro de vinhas, foi ele quem começou a fazer a adega aos poucos e poucos, situada em Pinhal do Norte, concelho de Carrazeda de Ansiães. Mas, trabalhando em Vila Real (em outras áreas), achou que estava na altura de passar o testemunho e desafiou a filha e o namorado para que ficassem com o projecto. Corria o ano de 2016 e Ana e Duarte deram o pulo. O pai ficou radiante.
Ana e Duarte são enólogos de formação. Em 2014/2015, Ana estava no Vale D. Maria, mas já tinha feito vindimas na Austrália e em Napa Valley, na Califórnia, tal como Duarte, que estava na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo: “Tenho 18 vindimas”, orgulha-se ele.
Entraram assim alguns equipamentos que faltavam, como tapete de escolha, mais algumas cubas, barricas e a montagem de um pequeno laboratório. A adega tem dois pisos e não tem nada de velho. A sala de barricas, por exemplo, tem ar condicionado.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”30560″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vinhas entre o granito e o xisto
O casal explora directamente um pouco mais de 15 hectares de vinha. Alguma está ao pé da adega, mas a maioria está um pouco mais longe. E o acesso não é fácil. O todo-o-terreno de Duarte e Ana vai-nos levando por uma estradita de terra, estreita e que, diz-nos Duarte, “leva 40 minutos à camioneta do pessoal”. Com o todo-o-terreno é bem mais rápido… Pelo meio, passamos por muitas pequenas vinhas, a maior parte de vetusta idade, e manchas de granito e outras de xisto. Casas são poucas, e gente ainda menos. “Isto era um Douro adormecido”, avança Duarte.
Chegamos às vinhas, que estão, como no resto do Douro, em linhas que contornam as encostas, respeitando as curvas de nível. As altitudes rondam os 300 metros e acima disso. Este solo e morfologia do terreno, diz Duarte, “é o que nos dá frescura nos brancos”. Lá em baixo corre o rio Tua, pelo meio das imponentes escarpas. O cenário é quase absurdo de beleza selvagem e, diz Ana, “toda a gente que aqui vem fica encantada”. O casal pensa em criar aqui uma espécie de casa, estrategicamente colocada para se admirar o vale e gozar o silêncio.
O clima é seco, está bom de ver, e também por isso Duarte e Ana pensam em passar para um modo de produção biológico. Nada de premente, contudo. “Até porque”, diz Ana, “somos muito minimalistas nos produtos para a vinha e tentamos apenas não estragar o que a vinha nos dá. Na adega também.”
A maior parte da vinha tem mais de 40 anos. Mas existem algumas ‘velhinhas’ com mais de 80, com as castas todas misturadas… Boa parte da vinha já é ‘mecanizada’, um tributo à visão do pai de Ana, que, segundo Duarte, “na altura pensou um pouco à frente de toda a gente”.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vindimas selectivas
A uva branca só é colhida até às 10 da manhã, tudo à caixa. Vai para o frio e a uva só chega à prensa à noite. “Nós fazemos três vindimas na mesma vinha velha: para o Cortes do Tua colheita, para o Reserva e para o Soulmate.. Neste último (o Grande Reserva), o procedimento é ainda mais exclusivo, como nos diz Ana: “Dia a dia pintamos com um spray (“bio-degradável”, note-se) as videiras que queremos vindimadas. E o rancho só vindima essas…” A ‘modernice’ provocou muita celeuma no início e os mais velhos cismavam: “Estes miúdos pensam que já sabem tudo… então eu não sei o que é vindimar castas brancas?!” Mas o pessoal lá acedeu e, meses mais tarde, os mais esclarecidos, depois de provarem os vinhos e visitarem a adega, já pediam para o casal lhes fazer os seus próprios vinhos.
Naquela zona, o envelhecimento da população é visível. E os filhos, mais tarde ou mais cedo, vendem as vinhas. Duarte e Ana estão atentos a uma possível compra: “Dentro do possível e o que estiver ao nosso alcance.”
O casal tem usado sobretudo uvas próprias e continua a estudar as vinhas. Mas já estão a acompanhar produtores da região e, através de contracto, ficam com as uvas e a responsabilidade da viticultura. “Pagamos bem e eles fazem os tratamentos que nós queremos”, avança Duarte.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”30562″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Duarte e Ana fazem lotes usando vinhos de vinhas com altitudes e exposições diferentes, para aliar frescura com estrutura. E preocupam-se em fazer vinhos com taninos suaves, até porque nos mercados externos “é isso que pedem”. Os vinhos têm tudo o que os antigos tinham, “mas de uma forma elegante, luxuosa”, diz Duarte. A esmagadora maioria da produção vai para o estrangeiro, com o Brasil à frente.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vida dura
Ana e Duarte fazem aqui de tudo, da viticultura à promoção e venda dos vinhos. “Acabamos uma vinificação à meia-noite e no outro dia, às 6 da manhã, estamos aqui outra vez. Não há horas, não há fins-de-semana. E não temos férias a sério desde que estamos cá… “, diz Ana sem qualquer azedume. Duarte acrescenta: “Temos este romantismo, mas é preciso pagar as contas. Esta é a nossa principal actividade.” Vivendo e trabalhando juntos, quando o stress aperta, o casal vai até a umas termas próximas dar um mergulho no Tua e descansar na plataforma que ali foi construída recentemente para os barcos de recreio/turismo. E, uma hora depois, estão zen e preparados para criar mais uns “vinhos de autor”.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][image_with_animation image_url=”30561″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Em Prova”][vc_column_text]
O investimento aqui foi pesado: as terras pobres, colinosas e cheias de pedra, deram lugar a um mar de vinhas. Só as zonas mais pedregosas e colinas mais íngremes foram deixadas como estavam. “São corredores ecológicos, para a sustentabilidade”, atira-nos Jorge Rosa Santos. Jorge é o director de produção e viajamos com o seu braço direito, Rui Lopes, coordenador de enologia.
O projecto chama-se Colinas do Douro e é a antítese do anterior. A começar pela propriedade do terreno, uma ‘herdade’ de 456 hectares que pertence a um empresário angolano apaixonado pelos vinhos da região. Tudo no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”30577″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mais de 100 hectares plantados!
O projecto começou em 2010 e de uma só vez foram plantados 100 hectares com videiras, tarefa terminada em 2011. A responsabilidade técnica coube ao professor Nuno Magalhães, que tinha o encargo de escolher as castas e os sítios onde iriam ficar. Jorge não hesita em dizer que foi um trabalho muito bem feito e pensado. Nas castas tintas (quase 90% do total) predominam as ‘Tourigas’ (Nacional e Franca) mas estão lá todas as outras típicas do Douro e um pedaço de Cabernet Sauvignon. O mesmo acontece nas castas brancas, as típicas do Douro e algumas ‘fora do baralho’ (como Alvarinho e Encruzado).
Metade da vinha está ao alto, o resto em patamares. Existem ainda 5 hectares de vinhas velhas, com 35 anos. Jorge Rosa Santos só entrou em finais de 2014 e por isso a vindima de 2015 foi a sua estreia nestas terras. Os primeiros tintos estão agora a sair, num ano cheio de “concentração e taninos cheios”, diz o enólogo. Mas promete ter mais cuidado com a extracção: “Aqui, os taninos podem ser quase violentos.” Estes vinhos têm muito de Beira, cuja região vitivinícola está logo ao lado.
Jorge recebeu desde o início a incumbência de conseguir que o projecto se posicione como produtor de referência no Douro nos próximos anos. Por isso começou logo à procura das melhores uvas, que encontrou numa das cinco quintas internas. Chamaram-lhe Quinta da Extrema e fica mesmo no coração da área. “O nome”, diz Jorge, “indica o levar o terroir ao ‘extremo’, com solos de transição geológica do xisto para o granito, do planalto beirão de calhau rolado para as escarpas do Douro.” A altitude da vinha oscila entre os 450 e os 650 metros e as noites costumam ser aqui muito frescas. Isso potencia, diz Jorge, “uma grande mineralidade e frescura nos vinhos”.
A marca Quinta da Extrema ocupa assim, no portefólio das Colinas do Douro, a posição cimeira.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”30580″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Com a Beira Interior logo ali ao lado
Num dos pontos altos da quinta, viramo-nos a sul e admiramos um magnífico vale a menos de dois quilómetros de distância. Ali já é Beira Interior. O espaço é imenso, o silêncio domina. Viramo-nos ao contrário, a norte, e, lá muito ao fundo, vislumbram-se as vinhas da CARM, da Duorum e da Quinta da Leda.
Para combater anos mais secos e regularizar a viticultura, a equipa mandou escavar um enorme buraco no meio da vinha, abastecido no Inverno através de um afluente do Douro. Cabem lá 70 milhões de litros e foi um enorme investimento, mas salvou muitas videiras jovens no ano passado. Outra ‘charca’ está nos planos, com 50 milhões de litros.
A equipa de campo já tem uma dezena de pessoas, quase todos beirões. Pode pensar-se que é muito, mas Jorge não hesita: “Queremos atingir um patamar de excelência.” A equipa usa intensamente novas tecnologias, como a utilização de drones para medir parâmetros de toda a vinha e detectar áreas que estejam a necessitar de assistência. Jorge quer ter boas ferramentas de gestão para tomar as melhores decisões. Para o futuro, é ambição passar toda a vinha para o modo de produção biológico. A parte de cima já está em transição. A vindima, já agora, é toda feita à mão e já se juntaram aqui cerca de 85 pessoas![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Nova e tecnológica adega
Os vinhos são vinificados numa adega alugada, a cerca de 30 quilómetros dali. No total entram cerca de 600 toneladas de uvas, mas o futuro a curto prazo vai passar por adega própria, em início de construção. As máquinas já escavavam, mas não muito: como esta exploração está no Parque Natural do Douro Internacional, não é possível descer a mais de 3,5 metros de profundidade. Isto para desespero dos enólogos, que queriam colocar uma parte da adega a maior profundidade. A arquitectura está a cargo do conceituado Souto Moura e deverá começar a funcionar na vindima de 2020.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”30583″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Jorge promete uma adega de topo, com equipamentos ultra-modernos: “Vamo-nos divertir muito, nesta adega do século XXI, a fazer vinhos elegantes e pouco alcoólicos.”
A maior parte do vinho vai para exportação, na direcção dos Estados Unidos, China, Europa Central, Brasil, entre outros. “Para Portugal”, diz Jorge, “estamos a fazer um trabalho de valorização de marca. Leva mais tempo, mas é mais sólido.”[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_column_text]Um futuro com sorriso na face
A equipa de produção tem estado a fazer bom trabalho, mas, pelo que vimos, os próximos anos irão mostrar melhor o verdadeiro valor deste terroir. Existem factores onde podem existir muitas melhorias, a começar pela vinha, que vai ganhando idade e ‘juízo’. Mas o conhecimento mais profundo do terroir e a nova adega, logo ali ao lado, irão certamente funcionar a favor da qualidade dos vinhos e a trazer belíssimas surpresas aos enófilos de todo o mundo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Em Prova”][vc_column_text]
Edição Nº17, Setembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
30 espumantes de prazer, por menos de €12

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Verão está a acabar, mas todo o ano apetece beber um espumante fresco e vibrante, seja antes, durante ou depois da refeição, e, já agora, que não ponha em causa o orçamento familiar. Provámos três dezenas […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Verão está a acabar, mas todo o ano apetece beber um espumante fresco e vibrante, seja antes, durante ou depois da refeição, e, já agora, que não ponha em causa o orçamento familiar. Provámos três dezenas de espumantes vendidos até €12 e ficámos muito agradavelmente surpreendidos pela sua elevada qualidade.
TEXTO Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS Ricardo Palma Veiga e outros
Um dos produtos vínicos nacionais no qual a evolução qualitativa mais se fez sentir nos últimos anos foi os espumantes. Efetivamente, há pouco mais de uma década contavam-se pelos dedos as marcas de espumantes consistentes na qualidade e na regularidade de lançamentos de novas colheitas. Por isso não espanta que desde 2013 o volume comercializado de espumante certificado tenha dobrado (valores do IVV), assistindo-se também a um aumento na exportação (apesar de a balança comercial de espumantes ser ainda negativa, o que se compreende neste tipo de vinho dada a fortíssima concorrência internacional).
No mesmo sentido, era um sector relativamente acomodado quanto à troika de estilos, bruto, meio seco e doce, e confrontado com consumidores que viam o espumante quase exclusivamente como um vinho de comemoração. Hoje em dia, como de resto se pode avaliar pelos vinhos provados, o leque de estilos é bem mais largo, com brancos de uvas tintas e brancos de brancas, com velhas reservas de longo estágio, e vários brutos naturais, e com espumantes brutos com diferentes dosagens de açúcar. Temos, assim, mais por onde escolher, mais versatilidade e aumento generalizado de qualidade, tudo muito boas notícias. Não há qualquer motivo para não nos orgulharmos dos espumantes do nosso país, mesmo quando provêm, como veremos adiante, de regiões com menor tradição ou de clima mais quente.
Falámos com produtores, e confrontamos garrafeiras, e todos nos confirmaram que não é fácil vender espumante nacional acima de 10€. Na prova realizada, encontravam-se vinhos com ambição, posto que 12€ é um valor bem acima, mesmo quando falamos de espumantes, da média que o consumidor português paga habitualmente por um vinho.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Do “método clássico” ao “cuba fechada”
” font_container=”tag:h6|text_align:left” google_fonts=”font_family:ABeeZee%3Aregular%2Citalic|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal”][vc_column_text]Também por isso, praticamente todos os espumantes provados foram produzidos pelo método que garante o melhor resultado na elaboração de um vinho espumante superior em qualquer lugar do mundo. Falamos do denominado método clássico/tradicional, a fórmula champanhesa, ou seja, o método (inventado naquela região francesa) cuja operação decisiva é a segunda fermentação em garrafa conduzindo à libertação de CO2 produzido durante esta fermentação, originando a efervescência ou borbulhas que tanto desejamos.
Existem outros métodos, vocacionados para vinhos de venda mais precoce, como seja o Charmat (segunda fermentação em cuba fechada) ou o método Dioise. Estes dois últimos métodos privilegiam um estilo mais jovem, e têm como principal vantagem conseguirem criar um espumante correcto e apetecível em três meses, ao invés do método clássico (bem mais oneroso em termos de custos de produção) que demora no mínimo seis a nove meses para originar espumantes equilibrados, e vários anos para produzir um espumante de grande nível.
O método Charmat (patenteado pelo francês Eugène Charmat) implica que a segunda fermentação do vinho base não ocorra em garrafa, mas em grandes tanques, geralmente de inox, pelo que quando o vinho é engarrafado já contém gás carbônico.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”29383″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text] O conhecido Prosecco, da região italiana Veneto, é feito com recurso a esse método, geralmente a partir da casta Glera. Já no método Dioise (inventado pelo enólogo Federico Martinotti), ocorre a fermentação do mosto em cuba e estanca-se essa mesma fermentação – ou seja, não há uma segunda fermentação – num momento que deve ser o ideal, sendo para isso necessário um mosto muito rico em açúcares, razão pela qual o produto final é um espumante com algum açúcar residual não fermentado. É o processo usado na elaboração do Asti Spumante, por exemplo.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_gallery type=”nectarslider_style” images=”29393,29394″ bullet_navigation_style=”see_through” onclick=”link_no”][divider line_type=”No Line” custom_height=”30″][vc_custom_heading text=”O tempo é fundamental
” font_container=”tag:h6|text_align:left” google_fonts=”font_family:ABeeZee%3Aregular%2Citalic|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal”][vc_column_text]Demonstrando a ambição dos produtores nacionais, vários dos vinhos provados beneficiaram de estágio durante longos meses em cave previamente ao dégorgement, operação na qual as leveduras mortas acumuladas na parte superior da garrafa são expelidas e é colocada a rolha final, não sem que haja antes um atesto com o chamado licor de expedição (que, no caso dos “bruto natural” não contém qualquer açúcar).
O estágio em garrafa é, de resto, um dos factores mais relevantes para a qualidade de um espumante. O perfil mais fino, delicado e sofisticado de um espumante é quase sempre o resultado de anos de estágio em garrafa, de preferência em caves frias e relativamente húmidas. Por isso encontramos, no lote dos vinhos que mais nos impressionaram, alguns espumantes de 2009 (Raposeira) e 2010 (Murganheira, Caves Montanha) além de vários de 2013 e 2014, o que representa para cada uma das casas um grande investimento, desde logo em armazenamento.
Isso mesmo nos confirmou Marta Lourenço, enóloga da Murganheira, para quem a região, e a experiência acumulada, mas sobretudo o estágio e posterior selecção são os fatores determinantes. Para Marta, tudo deve ser feito segundo o perfil clássico de Champagne, desde a prensagem das uvas à colocação do produto no mercado, que implica por exemplo a utilização apenas de leveduras livres, evitando-se as leveduras encapsuladas (com membrana). Estas leveduras, que são comumente utilizadas no sector, têm a vantagem de dispensar a operação de remuage, reduzindo custos, apesar de o resultado ser um espumante menos fino para vinhos de longo estágio. Por isso, a Murganheira aposta forte também nas gamas altas, e dirige a sua atenção cada vez mais para o segmento de luxo na restauração nacional, atualmente muito em voga.
Falamos ainda com Alberto Henriques, CEO das Caves da Montanha, empresa bairradina que produz cerca de 2 milhões de garrafas, que destacou igualmente o longo estágio em garrafa, e a correcta temperatura desse estágio, como os factores mais relevantes para a qualidade de um espumante, secundados pela escolha do vinho base (aspecto que Alberto entende ser por vezes negligenciado). Alberto Henriques destaca, ainda, como principal desafio de uma casa de espumantes a manutenção de um estilo ao longo dos anos. À semelhança da Murganheira, também as Caves da Montanha têm vindo a apostar na restauração de luxo, estando presente sobretudo com vinho a copo em alguns dos melhores restaurantes do país.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#e0e0e0″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_text_separator title=”Bairrada e de Távora-Varosa dominam” color=”black”][vc_column_text]As regiões da Bairrada e de Távora-Varosa dominam o mercado dos espumantes certificados, com um ligeiro avanço da primeira nos últimos anos; juntas produzem mais do dobro de todas as demais regiões juntas. A elas seguem-se a região do Tejo e a dos Vinhos Verdes.
Outro dado interessante: desde 2014 que a exportação de espumantes tem apresentado um leve decréscimo, mas tem sido compensado pelo consumo interno e pelo aumento do preço médio vendido em Portugal.
[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″ custom_height=”20″][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Regiões de Espumante
” font_container=”tag:h6|text_align:left” google_fonts=”font_family:ABeeZee%3Aregular%2Citalic|font_style:400%20regular%3A400%3Anormal”][vc_column_text]Em Portugal faz-se espumante em todas as regiões. Mas apesar do carácter transversal da produção deste tipo de vinhos, a Bairrada domina, o que não é de estranhar, dada a propensão das suas vinhas para a produção de vinhos bases com boa acidez (a própria gastronomia local é propícia o consumo de espumante…), de tal forma que, segundo os registos, o primeiro vinho natural da região terá sido criado em 1890.
Para se ter uma ideia dos números, a Bairrada produz mais de 7 milhões de garrafas de espumante por ano, dos quais quase dois milhões e meio são certificados (valores da Comissão Vitivinícola da Bairrada), o que revela bem a força da região. De resto, a Bairrada é talvez a região que tem procurado um maior dinamismo no sector, sendo um bom exemplo disso o projeto Baga Bairrada, uma iniciativa da CV da Bairrada para o surgimento de um produto distinto, um espumante branco de uva tinta com regras de produção e identidade gráfica próprias a partir da casta Baga, a mais emblemática da região.
Destaque também para Távora-Varosa, região com muito antigas tradições na produção de espumante. A qualidade dos vinhos da Murganheira e da Raposeira, e bem assim da Cooperativa do Távora (com a marca Terras do Demo), demonstram o patamar de excelência desta região que praticamente se especializou neste tipo de vinho.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][image_with_animation image_url=”29381″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#e0e0e0″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_text_separator title=”Espumantes à volta do mundo” color=”black”][vc_column_text]Apesar do protagonismo da região de Champagne, produz-se espumante em quase todos os países vinícolas, desde o sul de Inglaterra (região emergente e cada vez mais conceituada) até ao Chile, passando pela Austrália. A par de Champagne – a região mais respeitada em todo o mundo – outras de excelência existem, como a Fraciacorta, no norte de Itália. Em ambas as regiões são as castas Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier que brilham. Do Luxemburgo, nas margens do Rio Mosela, vem o Crémant de Luxembourg com vários estilos e derivações. Em Espanha, a produção de Cavas (com base nas castas locais Xarel-lo, Macabeu e Parellada, e ainda Chardonnay e Pinot Noir) não tem parado de aumentar. Ainda em Itália podemos encontrar o Prosseco (método Charmat), o Frizzante e o Spumante (sendo que a distinção entre estes dois últimos é que o Frizzante tem menos gás), cuja qualidade varia de produtos muito bons a relativamente banais. Na África do Sul encontramos belos vinhos sob a denominação MCC (Method Cap Classique, ou seja, método clássico), sobretudo na área do Cabo, em Elim e em Stellenbosch. No Brasil e na Argentina a produção cresceu e afinou-se muito com a entrada dos franceses da Chandon, parte do grupo LVMH.[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″ custom_height=”20″][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Nos últimos anos, também têm saído produtos de grande qualidade da região dos Vinhos Verdes, sobretudo a partir da casta Alvarinho, mas também Douro, Dão, Tejo ou Alentejo estão a produzir cada vem mais espumantes e com qualidade muito consistente. Agora é só erguer um flute ou copo ao alto (ou uma tacinha, como dantes de dizia) e… SAÚDE![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Em Prova” title_align=”separator_align_left” color=”custom” accent_color=”#888888″][vc_column_text]
-

RS Blanc de Noir
- 2015 -

Portal da Calçada Cuvée Prestige
Espumante - -

Ribeiro Santo
Espumante - -

Real Senhor Blanc de Blancs
Espumante - 2013 -

Quinta do Ortigão Cuvée
Espumante - 2014 -

QM
Espumante - 2016 -

Muralhas de Monção
Espumante - 2015 -

Marquês de Marialva
Espumante - 2014 -

Luís Pato
Espumante - -

Célebre Data
Espumante - 2015 -

Terras do Demo
Espumante - 2016 -

Raposeira Velha Reserva
Espumante - 2009 -

Rama Grand Cuvée Blanc de Noirs Bruto Natural
Espumante - 2013 -

Quinta do Valdoeiro
Espumante - 2014 -

Quinta do Poço do Lobo
Espumante - 2015 -

Quinta das Bágeiras Bruto Natural
Espumante - 2016 -

Aliança
Espumante - 2015 -

Kompassus Blanc
Espumante - 2015 -

Elpídio
Espumante - 2014 -

Ataíde Semedo Cuvée
Espumante - 2014 -

Montanha Grande Cuvée
Espumante - 2010 -

Milheiro Selas
Espumante - 2014
Edição Nº17, Setembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Dirk Niepoort: “Gosto de vinhos que mostrem de onde vieram”

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Dirk Niepoort é uma das mais mediáticas personalidades do vinho português e a sua figura, com os desgrenhados caracóis, o colete sem mangas, os “crocs”, é conhecida de quase todos os enófilos. No entanto, Dirk é muito […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Dirk Niepoort é uma das mais mediáticas personalidades do vinho português e a sua figura, com os desgrenhados caracóis, o colete sem mangas, os “crocs”, é conhecida de quase todos os enófilos. No entanto, Dirk é muito mais do que a sua imagem de marca. É alguém que revolucionou uma empresa familiar, antecipou modas e tendências, acolheu e impulsionou dezenas de pequenos produtores, ajudou a transformar uma região. Mas o que pensa realmente Dirk Niepoort, sobre a vinha, o vinho, o Douro, Portugal? Fomos perguntar.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]TEXTO: Luís Lopes
FOTOS: Anabela Trindade[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_column_text]Aos 54 anos, Dirk Niepoort já fez muita coisa, mas continua um espírito inquieto. Numa entrevista em que passa em revista o passado, analisa o presente e perspectiva o futuro, deixemos que seja ele a definir o seu estilo, a confrontar as suas opções e a explicar as suas ambições: “A minha forma de aprender é fazer. Quanto mais vinhos fizer mais aprendo.”[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Foi recentemente notícia, junto dos profissionais e dos enófilos mais atentos, a tua aquisição de todas as participações familiares da Niepoort. O que significou para ti este passo?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]A Niepoort vivia uma situação complicada, mas semelhante à que ocorre em muitas empresas familiares: duas pessoas (no caso eu e a minha irmã Verena) com igual peso e responsabilidade ao nível da gestão, mas formas muito diferentes de ver o negócio e as estratégias e caminhos a seguir. Até podemos ambos ter razão, mas não eramos compatíveis e a situação não era saudável para a empresa. Um de nós teria de sair para deixar o outro seguir o seu caminho. Assim, negociámos, chegámos a um entendimento e acabei por seu eu a comprar a empresa. [/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29357″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Foram momentos difíceis…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]É verdade. Ao longo da minha vida, a minha prioridade sempre foi a Niepoort. Trabalhar na e para a Niepoort era tudo, esquecendo muitas vezes a minha família, apenas pela satisfação pessoal de estar aqui. A dada altura, porém, fiz um reset, e comecei a dar a prioridade à família, à minha mulher e aos meus filhos, e ao futuro deles e com eles. E percebi que a empresa não era tudo e que, se não me entendia (em termos de gestão empresarial) com a minha irmã, seria pouco provável que os meus filhos e os seus primos se entendessem. Não podia deixar aos meus filhos um foco de problemas. Podia ter sido a minha irmã a comprar e eu iria fazer outras coisas, mas a separação era inevitável. Afinal fui eu que comprei as participações dos meus pais e da minha irmã e agora estou livre para fazer o que quero, quando quero e como quero. E com o apoio da óptima equipa que temos na Niepoort, posso consolidar a empresa para a entregar saudável às próximas gerações.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”A empresa e o sector mudaram muito desde 1990. Na altura, a Niepoort era Vinho do Porto e alguma aguardente. Desde então, o Douro DOC entrou em quase todas as empresas de Porto, mas na Niepoort de forma particularmente radical. Hoje em dia o Porto representa apenas 30% do negócio da firma. O que te levou a trilhar esse caminho? ” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Eu gosto de sonhar e pensar não a dois meses ou dois anos, mas a vinte anos. Mas não sou um visionário, isto foi algo que aconteceu naturalmente. E há uma estória curiosa por trás disso. Em 1987, quando estava a completar a aprendizagem na Califórnia e a voltar para Portugal, uma pessoa amiga perguntou-me se eu ia fazer vinho no Douro. E eu disse que não, o meu objectivo era fazer Vinho do Porto. “Mas vais fazer vinho tinto?”, insistiu. Não sei se dá, posso experimentar, respondi. “E que estilo de vinho vais fazer?” Bom, o meu primeiro vinho vai ser um monstro. Mas, se calhar, daqui a vinte anos farei vinhos elegantes. “E porque não fazes desde logo vinhos elegantes?” Porque a minha escola é a californiana e eu gosto de vinhos pesados, poderosos, com extração e barrica evidente. Mas ouço dizer que há vinhos franceses muito bonitos e elegantes, tenho de conhecê-los, ver se gosto e, se for o caso, aprender a fazer vinhos assim. E foi isto que aconteceu. Quando cheguei a Portugal era uma folha em branco, não sabia de vinho de mesa nem de Vinho do Porto. Precisei de aprender.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Mas já tinhas bem enraizada uma cultura de Vinho do Porto…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]É verdade, mas nós eramos negociantes, não produtores. Eu não tinha acesso directo à vinha, somente à sala de provas, onde aprendi muito com o Zezé Nogueira, nosso grande provador. No entanto, sempre tive um grande fascínio pelo Douro região, pelo Douro vinha, e quando voltei, em 1987, o meu pai, Rolf, comprou a Quinta de Nápoles. Um ano depois, comprámos a Quinta do Carril. O foco continuava a ser o Vinho do Porto, claro. Curiosamente, não fiquei nada contente, no início, com a compra da Quinta de Nápoles, porque achava que não era o ideal para Porto. Contrariado, fiz lá duas vezes Vinho do Porto, com maus resultados, até nos convencermos todos que a quinta não dava para o pretendido. E, desta forma, fui quase “obrigado” a fazer vinho Douro das uvas de Nápoles. E ainda bem! Foi assim que tudo começou, como que por acaso. Não sei se isto é uma “aldrabice mental” que conto para mim próprio…[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Acho que é…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text](risos) A verdade é que a partir daí comecei a inventar com o que tinha à mão. Na altura, a Niepoort era uma pequena empresa que não tinha dívidas, mas também não tinha dinheiro, não havia grandes lucros. Eu entrei numa empresa que tinha um bom nome na praça junto dos especialistas, mas eramos uns ilustres desconhecidos para o consumidor. A pouco e pouco fui fazendo experiências com o vinho não fortificado e as coisas começaram naturalmente a crescer e a ganhar peso.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29373″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”O que é que na altura te atraía para o vinho do Douro?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]No Vinho do Porto não é preciso fazer revoluções, é mais uma questão de evolução. No Porto, a gente “sabe” quais são as vinhas ideais, a gente “sabe” como se faz o vinho, existe um conhecimento transmitido de geração para geração, as mudanças que podemos fazer são detalhes, nada mais. O vinho de mesa do Douro implicava começar do zero, uma revolução total, e esse desafio fascinava-me. Por exemplo, procurava as vinhas altas, mas não sabia porquê. Apenas em 2004, quando fiz o meu primeiro vinho na Áustria, percebi que as vinhas altas faziam sentido. Depois fui descobrindo as vinhas viradas a norte e muitas outras coisas que eram determinantes naquilo que eu queria fazer.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”E, a pouco e pouco, foram nascendo muitas marcas…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]As pessoas dizem que eu faço vinhos a mais, e não tenho dúvida de que é verdade. Mas há que perceber que na Niepoort existem alguns vinhos (Redoma, Batuta, Charme, e o Porto, claro) que são a base de tudo, o coração da empresa. Os outros vejo-os como satélites, que são fundamentais para experimentar, para aprender, para melhorar, para acertar detalhes. O Diálogo, por exemplo, foi um vinho que começou como um “satélite” e depois se tornou algo de muito importante.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em resumo, e para responder à tua questão inicial, a Niepoort de hoje nada tem a ver com a Niepoort de há 30 anos, mas isso não se ficou a dever a uma estratégia pensada e executada. Foi a paixão pelo vinho e pelo Douro que fez com que eu seguisse esse rumo.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Douro e Porto são dois produtos com origem da mesma região, diferentes, mas complementares. Como achas que deveria ser o caminho de um e de outro?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Um dos problemas do sector do Vinho do Porto são as casas quererem “democratizar” este vinho como forma de desenvolver o negócio. Democratizar é importante em tudo, mas aqui a democratização transforma-se em banalização. Eu gostava mais de ver o Porto como um produto “snob” e antiquado, elitista se quisermos, mas não banalizado, do que aquilo em que se está a tornar, quando se inventam formas para tentar levar as pessoas a beber um Porto barato em qualquer momento.
O futuro do Vinho do Porto é indissociável do futuro do Douro vinho e do Douro região. A meu ver, deveríamos reduzir a quantidade de Vinho do Porto, deixar a excessiva dependência que temos de Porto barato para supermercados, apostar mais nas categorias superiores (como é o caso dos Colheita), aumentar a qualidade geral e, consequentemente, o preço dos vinhos. O Porto deveria ser encarado como algo de especial, raro, desejável, que não é para todos nem para todos os dias.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”E que papel estaria reservado para os vinhos Douro?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Um papel essencial. Porto e Douro são duas faces da mesma região. Se produzirmos menos Porto, mas melhor e mais caro, podemos focar-nos em criar marcas fortes de brancos e tintos durienses. O Douro região precisa de diversas marcas de 300 ou 400 mil garrafas, de vinhos com personalidade e carácter regional, que possam ser vendidos em qualquer parte do mundo. Até em supermercados, claro, mas sem ser baratinhos, até porque os custos de produção na região não o permitem! Vendendo melhor estes vinhos, pode-se pagar melhor ao lavrador e compensá-lo do que irá perder ao vender menos uvas para Porto.
Paralelamente, a região deveria apostar em “vinhos de garagem” para mostrar ao mundo que conseguimos fazer no Douro vinhos tão bons como em Bordéus, Borgonha ou qualquer outra região de topo.
Se fizermos tudo isto e, ao mesmo tempo, implementarmos e generalizarmos no Douro um turismo de qualidade, o futuro da região, das empresas e dos lavradores está garantido. Agora, se continuarmos a baixar preço no Vinho do Porto, o negócio deixará de ser sustentável e toda a região fica a perder. É por isso que acho um disparate dizer-se que o Porto está a subsidiar o vinho do Douro. Se o sector não arrepiar caminho na forma como encara o Vinho do Porto, vai ser o vinho do Douro a ter de subsidiar o Porto para assegurar a sua sobrevivência.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”O Douro Superior tem vindo a assumir uma importância crescente, tanto para os vinhos Douro como para os vinhos do Porto. Mas há 30 anos, falava-se com algum desdém do Baixo Corgo e do Douro Superior, apontando-se o centro do vale, o Cima Corgo, como a zona de eleição. Como encaras as três sub-regiões e o seu potencial para Porto e Douro?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]O Cima Corgo, para mim, continua a ser a zona de eleição. Quanto ao Douro Superior… Sei que alguns produtores vão ficar chateados com o que eu vou dizer mas, a meu ver, se o objectivo for fazer vinhos excepcionais (fortificados ou não) o Douro Superior não faz sentido. Haverá uma ou outra excepção, uma ou outra vinha velha nas zonas altas da Mêda, ou o Vale da Teja, por exemplo. Mas, globalmente, o Douro Superior poderá ser bom para fazer grandes volumes, com vinhas modernas de produções acima da média, mas não grandes vinhos.
Já o Baixo Corgo tem um potencial enormíssimo para vinhos Douro, potencial que não está ser devidamente aproveitado pelos produtores. Devia haver muito mais grandes vinhos oriundos do Baixo Corgo, porque o terroir para isso está todo lá. No entanto, não acredito no Baixo Corgo para vinhos do Porto de excelência. Não quer dizer que não exista uma vinha ou outra capaz de originar um grande Porto, mas, regra geral, a sub-região não atinge a complexidade e o equilíbrio que encontramos no Cima Corgo.
No entanto, nós não temos um Douro, temos 40 Douros, com diferenças de altitude e exposição solar, enorme riqueza de castas, é a região mais complexa do mundo. As generalizações podem ser injustas. O Douro tem o melhor fortificado do mundo, já faz grandes tintos e hoje estou convencido que tem um potencial enorme para vinhos brancos. Não há muitas regiões no mundo com três tipos de vinho fantásticos.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Começaste no Vinho do Porto, depois vieram os vinhos do Douro, mais recentemente os investimentos na Bairrada e no Dão. O que procuras fora do universo duriense?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Eu gosto muito do nosso país. Portugal, por diversas razões, políticas e geográficas, ficou parado no tempo em determinada altura. O que é uma desvantagem em muitos aspectos mas pode significar também que preservámos coisas que outros mudaram ou perderam. É um país pequeno, mas com uma diversidade louca. Só no norte do país temos quatro ou cinco importantes regiões de vinho que são vizinhas mas nada têm a ver umas com as outras.
Sempre que fiz qualquer coisa fora do Douro aprendi a conhecer melhor o Douro. A Bairrada aconteceu porque tinha mesmo de acontecer. Sempre gostei muito da Bairrada. Enquanto distribuidor de vinhos vendi vinhos da Bairrada, enquanto produtor fiz diversas experiências na região a partir de vinhas e adegas de produtores amigos. Um dia, a Filipa Pato pediu-me conselho na produção de um vinho fortificado dela e quando a visitei e vi a vinha fiquei maravilhado e pedi-lhe que me deixasse fazer um vinho tinto. As coisas começaram assim e depois apareceu a oportunidade de comprar a Quinta de Baixo, onde eu posso realizar os meus sonhos de fazer vinhos diferentes num terroir diferente.
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29375″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Quando te ouço caracterizar um vinho de que gostas quase sempre usas a palavra “finura”. O que é para ti um bom vinho?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Finura, é verdade. E o Nick Delaforce usa uma palavra também muito expressiva que é “drinkability”, vinhos que apetece beber. Outras palavras importantes para mim são “equilíbrio” ou “harmonia”. Eu gosto de vinhos que tenham um perfil que revele a sua origem. Não gosto de vinhos frutados mas gosto de frescura (são duas coisas diferentes), o que implica uma boa acidez natural. Para mim, é também muito importante que sejam vinhos que envelheçam bem, que mostrem a sua idade.
No fundo, gosto de vinhos que respeitem o terroir. Acho que o ser humano, o enólogo, é muito importante, mas acho que deve intervir menos, deve aceitar mais a Natureza e o que a uva lhe dá.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Os vinhos que concebes apontam para um perfil definido. Existe um estilo Dirk Niepoort, independentemente da região, da casta, do terroir?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Sinceramente, acho que sim. Muitas pessoas me têm confirmado isso, frequentemente, sem saberem que vinhos estão a provar. Mas percebem o fio condutor, percebem o perfil na ligação que existe entre vinhos diferentes de regiões ou países diferentes. [/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Como definirias esse estilo?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Uma vez alguém me disse que eu marcava muito os vinhos com meu estilo. Fiquei um bocado irritado, confesso, e respondi aquilo que acredito: que na Niepoort o que fazemos, acima de tudo, é respeitar o sítio. E dentro do sítio, temos a nossa interpretação. Não acho que o Douro tenha de ser muito encorpado e alcoólico, nem que o Bairrada tenha de ter muita cor, muito tanino e muita acidez. A minha interpretação do Douro ou da Bairrada não é essa. Por isso, e respondendo à questão, o estilo Niepoort tem três requisitos: vinhos que respeitam o sítio; vinhos com pouca maquilhagem, que apetece beber; e vinhos equilibrados e frescos, com boa acidez. [/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Sempre tiveste um apreço muito especial pelas vinhas velhas e pelos vinhos daí resultantes. Onde é que a vinha velha faz mais diferença?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Sempre gostei de vinhas velhas, quase de forma obsessiva, ao ponto de rejeitar as vinhas mais novas apenas por serem novas. É claro que uma vinha nova num sítio bom, é melhor que uma vinha velha num sítio mau. Mas as vinhas velhas, ou vinhas tradicionais com as castas misturadas, se quisermos, fazem, na verdade, uma diferença enorme. Até no perfil da maturação.
Olhemos para uma vinha moderna, ou seja, feita por engenheiros, segundo os livros, com canópia grande, produzindo muito e uvas com álcool elevado. Se a compararmos com uma vinha tradicional, vemos que a moderna produz primeiro o álcool e depois a maturação fenólica, enquanto nas vinhas velhas acontece o contrário. Ou seja, com vinhas velhas eu consigo vinhos equilibrados com muito menos álcool. Por isso, não tenho problemas em vindimar com 11 graus, porque as uvas estão maduras. Enquanto outros têm de esperar muito tempo pela maturação das uvas e quando vindimam já estão com 16 graus.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29376″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”O teu interesse pela biodinâmica está intimamente ligado à vinha tradicional?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Sem dúvida. Os lavadores durienses de mais idade, que nos vendem as suas uvas das vinhas tradicionais, já faziam biodinâmica sem o saberem, regulavam todos os seus trabalhos pela lua, só que não o diziam, tinham vergonha disso. Se lhes perguntarmos quando vão engarrafar o vinho que fazem para consumo em casa, eles indicam o dia concreto. E se não engarrafam antes não é por falta de tempo, é por não ser um dia adequado. O que fazem com o vinho, fazem com a vinha. Por isso, na verdade, mais importante do que a idade da vinha é a forma como ela foi plantada e como é tratada. Os antigos não tiravam tudo da terra; eles devolviam à terra. Hoje, tira-se tudo da terra e depois colocamos químicos para compensar.
Se conseguirmos juntar os modernos equipamentos vitícolas e o conhecimento científico de que dispomos, ao conhecimento empírico que as pessoas mais antigas conservam, faremos vinhas e vinhos muito melhores. Não podemos é continuar a plantar as novas vinhas seguindo regras cegas que não têm em conta as alterações climáticas, a qualidade e o respeito pelo terroir.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Achas que essa tendência se vem agravando? É que, cada vez são mais as empresas portuguesas, grandes e pequenas, que assumem estar a recuperar práticas vitícolas tradicionais e sustentáveis…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Infelizmente, é mais conversa do que outra coisa. Há mais preocupação em falar disso do que em fazer. Mas reconheço que começa a haver algumas pessoas que estão a fazer viticultura orgânica e biodinâmica por paixão, por preocupação ambiental e por acreditarem que a química não é tudo.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Falas de respeito pelo terroir. O que é para ti o terroir, para além da clássica definição francesa? Por exemplo, existe um terroir Douro, ou a palavra só pode ser aplicada a determinadas vinhas ou parcelas?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]A meu ver, o terroir começa por ser o sítio. E esse sítio pode ser uma região inteira, como Chablis, por exemplo, que apesar de ter vários terroirs tem um reconhecível traço comum. Mas é muito mais do que isso.
A vinha alimenta-se da água e dos minerais que estão na terra. Isso transfere-se para a uva. Dessa uva fazemos vinhos. Se não colocarmos mais nada no vinho, nem sequer leveduras, o que vai espelhar o terroir são os desvios causados pela falta ou excesso de elementos no mosto, desvios que vão criar erros de percurso (coisa que irrita os enólogos, que logo pensam em corrigir) na fermentação. Eu quero esses erros, quero que as coisas aconteçam. E são esses erros e desvios que vão evidenciar o carácter desse vinho particular nesse ano particular. Há coisas que são super específicas de uma vinha, mas também outras que são de uma região. O importante é os vinhos dizerem claramente de onde vêm. A enologia moderna acaba por apagar essa impressão digital ao querer corrigir tudo.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”És geralmente considerado um dos grandes embaixadores do Douro e dos vinhos de Portugal no mundo. Que hipóteses temos nos mercados de exportação?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Está a acontecer aquilo que eu pensava que ia acontecer, só que levou mais tempo do que previa. Acho que, finalmente, o mundo começa a fartar-se de Cabernet e Chardonnay. O consumidor está a tornar-se um bocadinho mais sofisticado e a aborrecer-se com a simplicidade. E aí é que entra Portugal. O país passou uma fase de modernização cega, copiando aquilo que os outros faziam, estragando a sua identidade. Mas, felizmente, isso está a passar. Portugal é pequeno e não vai ganhar pela quantidade, mas sim pela qualidade e, principalmente, pela individualidade. Não copiar os outros, fazer diferente e correr o mundo a convencer os importadores da mais-valia dessa diferença, dá muito trabalho, mas é o único caminho viável. O consumidor fartou-se da banalização e nós temos as vinhas velhas, temos as castas, temos muita individualidade. Só temos que fazer bem, aproveitar a onda, e vincar a nossa diferença.
É por isso que precisamos de mais vinhos com volume, bem feitos e com alguma personalidade. Também não é preciso exagerar, não é preciso fazer vinho com 1 grama de acidez volátil só porque é diferente. Não é isso que eu defendo. Defendo os vinhos bem feitos e que mostrem o sítio de onde vieram.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Aos 54 anos já fizeste muita coisa no mundo do vinho. Olhando para trás, o que é que farias diferente? ” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Haverá muitas coisas que poderia ter feito diferente, mas estou feliz com o que foi feito. Por vezes, pequenos erros colocam-nos num caminho muito melhor do que o inicial. Gosto da grande maioria das coisas que fiz e sou um optimista por natureza. Acho que, se soubermos o que queremos, faremos sempre mais e melhor.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”E o que é que te falta fazer?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Eu disse há algum tempo que daqui a duas décadas, 50% da facturação da Niepoort seria chá. Quase toda a gente achou que eu não estava bom da cabeça. Talvez tenha exagerado com os 50%, mas continuo a acreditar que, um dia, o chá vai ser muito importante para esta empresa. Penso que o sector do vinho, a nível mundial, vai passar por muitas dificuldades, vamos ter restrições políticas cada vez maiores, em alguns países o vinho vai começar a ser tratado como uma droga ou, no mínimo, como algo negativo para a saúde e para a sociedade. Talvez não aconteça na minha geração, mas acredito que a próxima geração de produtores de vinho terá dificuldades acrescidas. [/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”Procuras, portanto, produtos alternativos…” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Por um lado, sim, mas, mais uma vez, tal como quando apostei no vinho do Douro numa época em que a Niepoort era Porto, não estou agora a apostar no chá por ter uma orientação estratégica estudada e planeada. Tem a ver com paixão e paixão antiga, pois sempre me interessei por chá. Há 30 anos tinha o sonho de importar chá verde para a Europa. Nessa altura ninguém sabia o que era isso. Fui à China, procurei fazer negócio, mas fui cedo demais, era um país muito fechado, difícil, estive em locais onde ninguém tinha visto um europeu. Não consegui fazer negócio e desisti.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29374″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Felizmente, a minha mulher, Nina, também gosta muito de chá e, em conjunto, resolvemos reactivar esse sonho. Trouxemos algumas plantas, que colocámos no jardim em Fornelo, Vila do Conde, onde já temos 1 hectare plantado. Em biodinâmica, claro. Fizemos já algumas experiências e vamos aprendendo, tal como aconteceu com o vinho. Neste ano de 2018 vamos fazer a nossa primeira colheita, e esperamos obter perto de 50kg. Entretanto fizemos já um chá, a partir de folhas trazidas da China, chá esse que envelhecemos em quatro barricas de vinho do Porto. Estamos muito entusiasmados e acreditamos muito neste projecto.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_custom_heading text=”A família é muito importante para ti, a Niepoort é uma empresa familiar, os teus três filhos contactam com o mundo do vinho desde que nasceram. O que esperas deles?” font_container=”tag:h6|text_align:left”][vc_column_text]Não espero nada, quero que eles façam o que lhes apetecer, não pretendo influenciar. Sempre lhes disse para não pensarem que ambiciono vê-los a trabalhar na Niepoort. Eles que decidam o que querem fazer na vida e quando estiverem seguros do que querem, eu cá estarei para tentar ajudá-los a atingir esse objectivo, seja ele qual for.
Ficarei obviamente muito contente se um ou mais de entre eles decidir seguir este caminho, mas acima de tudo quero que eles sejam felizes naquilo que escolherem.
Edição Nº17, Setembro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Poças: 100 anos dedicados ao Douro

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É em 2018 que se completa o centenário desta empresa, das (muito) poucas que, no sector do Vinho do Porto, ainda se conservam nas mãos da mesma família. Foram praticamente 70 anos de dedicação exclusiva ao generoso […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É em 2018 que se completa o centenário desta empresa, das (muito) poucas que, no sector do Vinho do Porto, ainda se conservam nas mãos da mesma família. Foram praticamente 70 anos de dedicação exclusiva ao generoso mas, nos últimos 30, a Poças entrou decididamente no negócio dos DOC Douro. A consistência de qualidade dos seus vinhos coloca-a sem qualquer dúvida entre as referências da região e do sector.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Cortesia do produtor
Comemorar 100 anos é um momento único e por isso a empresa Poças irá fazer deste um ano de comemorações várias que incluirão várias parcerias culturais em áreas como a música, a literatura, a arte pública e o teatro. O momento da celebração foi aproveitado para também mostrar o novo centro de visitas, situado nas Devesas, onde está a sede da empresa.
Há muito que se fazia sentir a falta deste espaço, porque, ao estar arredada da marginal de Gaia, a Poças não tinha condições para receber visitantes e clientes. Aproveitou-se um armazém e fez-se uma intervenção minimalista, mas que vai permitir receber os visitantes e proporcionar provas temáticas em ambiente confortável. Há também a ideia, o que é mais um elemento no conjunto das celebrações, de retomar uma produção antiga na empresa – vermute – e que há muito tinha sido abandonada. Para o efeito utilizar-se-ão os botânicos das quintas do Douro.
Lá mais para o Outono sairá a público um vinho – Branco da Ribeira – que se pretende venha a ser o topo de gama da Poças, onde não se pouparam cuidados técnicos para conseguir um vinho de referência; são apenas 1500 litros provenientes de uma parcela com 5 hectares, instalada em solos graníticos de Numão, na quinta de Vale de Cavalos, adquirida em 1988. O vinho é feito a partir de Códega e Arinto e fermentou em barricas novas de 300 litros. É um vinho onde a viticultura é feita a pinça e a enologia minimalista mas tão cuidadosa quanto possível.
As provas que fizemos no momento da apresentação, com as explicações de Jorge Pintão, enólogo da empresa, incluíram também um Porto branco 10 Anos que ainda está em aprovação no IVDP e que vai ser o primeiro branco com idade a entrar no portefólio. Houve aqui o cuidado de colocar este branco velho num patamar o mais afastado possível do Tawny 10 Anos, não havendo por isso lugar a confusões ou comparações. Também foi provado o vintage 2016, que a Poças declarou, acompanhando assim a grande maioria do sector que, ao declarar o 2016 como ano clássico – para usar a terminologia das empresas inglesas – voltou a trazer o Porto Vintage para as bocas do mundo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”nectarslider_style” images=”29243,29244″ bullet_navigation_style=”see_through” onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em relação à vindima de 2017, Jorge salientou a dificuldade tremenda que foi conseguir ter boas uvas, porque tiveram de parar a vindima em vários momentos, aguardando maturações correctas. Foi assim que se conseguiu, por exemplo, que o Branco da Ribeira resultasse com uma perfeita maturação mantendo níveis de acidez de cerca de 7,2 gramas/litro, valores elevados e ainda mais raros se pensarmos que estamos no Douro. Como nos disse o enólogo, “o objectivo é conseguir explorar as diversidades que o Douro permite e isso obriga a um conhecimento minucioso das parcelas e das características diferenciadas que apresentam”.
E é sempre bom recordar que a Poças foi das primeiras empresas do sector do Vinho do Porto a apostar nos DOC Douro, desde 1990. Marcas como Vale de Cavalos foram sempre pensadas com sendo destinadas ao mercado externo e hoje fazem 300.000 garrafas e continuam a crescer. Diz Jorge, com orgulho: “Somos a sexta maior exportadora de DOC Douro do sector.” Na reorganização do portefólio desapareceu a marca Poças Reserva, agora incorporada na Vale de Cavalos. O branco integra uvas de Numão e outras compradas nas terras altas de Murça, uma das zonas mais procuradas pela qualidade das uvas de variedades brancas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº16, Agosto 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
A Temperatura de Serviço

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Velho Conceito A velha ideia do servir vinhos “brancos e rosés frescos, e tintos à temperatura ambiente” é um erro enorme no serviço ou apreciação de qualquer vinho. A Temperatura e o Vinho Cada vinho tem […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O Velho Conceito
A velha ideia do servir vinhos “brancos e rosés frescos, e tintos à temperatura ambiente” é um erro enorme no serviço ou apreciação de qualquer vinho.
A Temperatura e o Vinho
Cada vinho tem uma temperatura de serviço mais ou menos precisa que deve ser respeitada durante as estações de temperaturas mais frias e amenas e principalmente durante o Verão, altura em que, no copo, qualquer vinho sai rapidamente da temperatura sensata de serviço ou consumo.
No Nariz tudo muda com a Temperatura
Os componentes voláteis do aroma aumentam e diminuem com a temperatura: o aroma é incrementado a 18ºC, diminuído a 12ºC e neutralizado a menos de 6ºC. Acima dos 20ºC o álcool domina e com ele podem surgir defeitos escondidos a temperaturas mais baixas.
Na boca também…
As temperaturas muito baixas (<6ºC) inibem as papilas gustativas. Entre os 10ºC e os 20ºC os gostos evoluem corretamente. Os sabores doces aumentam com a temperatura. A temperatura baixa diminui o efeito de ardor do álcool, reforça a acidez e aumenta os gostos salgado e amargo, assim com a adstringência ou aspereza nos tintos. No espumante favorece a bolha fina e o equilibrado desprendimento de gás.
Servir com precisão
Tenha em conta que, uma vez no copo, o vinho ganha temperatura. Se queremos bebê-lo à temperatura correta, deverá sempre servi-lo a uma temperatura inferior ao recomendado e, se for Verão, e estiver muito calor, deverá mesmo servi-lo alguns graus abaixo do que é recomendado.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” bg_color=”#e2e2e2″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”A opinião de Rodolfo Tristão*”][vc_column_text]Numa perspetiva genérica não devemos servir os brancos muito gelados nem os tintos muito quentes. Brancos mais jovens e secos e sem madeira, servir entre os 6ºC a 8ºC. Devemos sempre contar com a subida de dois a três graus durante o consumo. Brancos com madeira, entre os 10ºC e 12ºC; alguns mais complexos podem ser servidos a 12ºC ou 14º C. Nos tintos, se não têm madeira ou se são de castas mais frescas, como Castelão, Trincadeira, alguns Baga e Moreto, servir a 14ºC ou 15ºC. Os outros entre os 16ºC e os 18ºC. O espumante entre os 4ºC e os 6ºC, mas se for mais velho, de bolha mais fina e maior complexidade, podemos subir um pouco mais a temperatura. Os Vintage, Tawny e Moscatel, servir entre os 10ºC e os 12ºC. São vinhos de consumo mais pausado (a temperatura sobe mais no copo) e assim também sentimos menos o álcool e mais a complexidade e elegância do vinho.
*Escanção
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº16, Agosto 2018
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PEGOS CLAROS: A excelência do Castelão

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma marca que é um dos símbolos da casta Castelão. Uma vinha velha, sem rega, extensa e extraordinária. Tivemos acesso a uma visão geral com a prova de quase uma dezena de colheitas de Pegos Claros e […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma marca que é um dos símbolos da casta Castelão. Uma vinha velha, sem rega, extensa e extraordinária. Tivemos acesso a uma visão geral com a prova de quase uma dezena de colheitas de Pegos Claros e confirmámos um perfil que é imposto pela casta e pelo terroir.
TEXTO Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS Ricardo Palma Veiga e cortesia do produtor
Os registos históricos revelam que na Herdade de Pegos Claros, em Santo Isidro de Pegões, faz-se vinho de qualidade pelo menos desde 1920. Efetivamente, são os muitos os relatos a propósito da reputação dos vinhos desta propriedade, mas é indiscutível que a marca ganhou a fama pela qual é conhecida durante a década de 90 do século passado.
Depois de vários donos e vicissitudes, o proprietário atual, desde 2010, é o CA Imobiliário – Fundo Especial de Investimento Imobiliário Aberto, um fundo do grupo Crédito Agrícola, encontrando-se a gestão afeta à Terra Team, empresa constituída em 2008 e especializada em planeamento e gestão de recursos naturais. Por isso não espanta que a herdade seja atualmente explorada em modelo de Gestão Florestal Responsável, o que implica uma atenção especial aos recursos ecológicos, ambientais e até sociais ali existentes.
A herdade passou por vários proprietários, quase meia dúzia nos últimos 30 anos, e a adega nunca teve as condições que os enólogos pretendiam, mas a verdade é que os vinhos foram preservando um fio condutor, sempre relacionado com a casta Castelão e com os solos de areia pobre onde a vinha está implementada. Para se ter uma ideia da dimensão da propriedade, as vinhas têm cerca de 40 hectares e encontram-se integradas numa área total de 540 hectares, cuja ocupação é predominantemente florestal. Encontramos, assim, grandes extensões de sobreiros e pinheiros mansos, não estivéssemos nós em terras de Palmela, em transição para o Alentejo.
Seria só no início dos anos 90 do século passado que arrancaria o projeto vinícola moderno da herdade, com a contratação de João Ramos. O conhecido enólogo e produtor (mais tarde fundador da João Portugal Ramos, Falua e Duorum) tinha ganho visibilidade com o excelente trabalho na Adega de Pegões (cuja colheita de 1992 tinha sido coroada como o melhor vinho da região), pelo que, já na colheita de 1993, passou a acumular funções na Herdade dos Pegos Claros. Aí ficaria quase até ao final da década, sendo que os magníficos tintos de 1993, 1995 e 1996 são da sua autoria.
O facto de a herdade ter enormes lagares, nos quais as uvas eram pisadas a pé, e as vinhas serem velhas e em solo de areia foram factores de sedução para cativar João Ramos, que nos confirmou o fantástico terroir da propriedade. Lembra-se de chegar à propriedade e estar quase tudo por fazer, mas, com modéstia, disse-nos que naquelas vinhas velhas – com uvas pisadas a pé, fermentação em lagar, e estágio em barricas – não era difícil produzir bom vinho… Recorda-se que a vindima era relativamente precoce, e exalta as qualidades da casta Castelão quando plantada em solos adequados, sobretudo pela capacidade de reter sabor a fruto encarnado mesmo após vários anos de evolução, algo que podemos atestar na nossa prova vertical.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29047″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O novo século
João Ramos deixa a herdade entre 1999 e 2000, no meio de uma sucessão de proprietários e projetos. Entre 2000 e 2010, a herdade passou a estar sob gestão da Companhia das Quintas, com João Corrêa a assumir as funções de enólogo, coadjuvado por Bernardo Cabral e Nuno do Ó. Este último recorda-se bem das condições difíceis na adega, e lembra-se de chegar à propriedade pela primeira vez e deparar-se com vinho em barrica há mais de 3 anos… Todavia, e ao contrário do que seria de esperar, os vinhos estavam de boa saúde, o que atesta bem as qualidades da casta e do terroir em termos de longevidade.
Durante essa década, a qualidade do vinho manteve-se no essencial, apesar do maior volume de produção ter acarretado uma ligeira alteração do perfil, mais acessível e leve desde novo, tendo mesmo existido algum desinvestimento na marca entre 2006 e 2009. Ainda assim, foi nesse período que se lançou o Garrafeira de 2005, um vinho arrebatador, e do qual nos lembramos bem e com saudade, mas que, infelizmente, não tivemos oportunidade de provar nesta vertical.
Em 2010, e como acima mencionámos, a gestão da propriedade passou, e mantém-se, para a Terra Team, que criou a subsidiária HPC especificamente para a administração do projeto Pegos Claros. À frente da Terra Team e da HPC encontra-se José Miguel Gomes Aires, que começou por contratar Frederico Falcão para a enologia. Este, que ficou em Pegos Claros entre 2010 e meados de 2012 (altura em que passou a assumir funções como presidente do Instituto da Vinha e do Vinho), elogia as vinhas e os solos fundos e pobres da propriedade, destacando ainda os clones específicos e antigos de Castelão como uma das suas mais-valias. Para o enólogo, e agora administrador delegado (CEO) do Grupo Bacalhôa, que já tinha trabalhado com a casta na Herdade do Esporão e na Companhia das Lezírias, os clones de Castelão na Herdade dos Pegos Claros deram origem a uma das melhores vinhas que conhece daquela casta.
Com a saída de Frederico Falcão, Bernando Cabral assume a responsabilidade pela enologia, projeto que, curiosamente e como acima referimos, tinha acompanhado nos tempos em que trabalhou com João Corrêa na Companhia das Quintas. Bernardo conta-nos que procurou manter um estilo clássico, com fermentação em lagar com algum engaço (em 20% a 30%) e pisa a pé. O seu grande desafio inicial passou por compreender como uma adega tão pouco equipada (praticamente sem equipamento de frio e cubas de cimento mal conservadas) conseguia produzir vinhos tão interessantes e longevos.
Das primeiras colheitas, o enólogo recorda que o desengaçador original funcionava mal e que talvez fosse essa uma das razões pelas quais os vinhos fermentavam com engaço… A verdade é que, quando Bernardo trouxe uma nova máquina, cedo se apercebeu de que o engaço era mesmo necessário. Assim como também notou que um pico rápido de temperatura na fermentação (30º durante um dia, algo comum na vinificação de Pinot Noir) contribuía para uma maior complexidade do vinho. Com tanta precariedade na adega, só mesmo um terroir de excelência, e uma casta perfeitamente apta aos solos, pode produzir excelência.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em 2010, e como acima mencionámos, a gestão da propriedade passou, e mantém-se, para a Terra Team, que criou a subsidiária HPC especificamente para a administração do projeto Pegos Claros. À frente da Terra Team e da HPC encontra-se José Miguel Gomes Aires, que começou por contratar Frederico Falcão para a enologia. Este, que ficou em Pegos Claros entre 2010 e meados de 2012 (altura em que passou a assumir funções como presidente do Instituto da Vinha e do Vinho), elogia as vinhas e os solos fundos e pobres da propriedade, destacando ainda os clones específicos e antigos de Castelão como uma das suas mais-valias.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”29043″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Para o enólogo, e agora administrador delegado (CEO) do Grupo Bacalhôa, que já tinha trabalhado com a casta na Herdade do Esporão e na Companhia das Lezírias, os clones de Castelão na Herdade dos Pegos Claros deram origem a uma das melhores vinhas que conhece daquela casta.
Com a saída de Frederico Falcão, Bernando Cabral assume a responsabilidade pela enologia, projeto que, curiosamente e como acima referimos, tinha acompanhado nos tempos em que trabalhou com João Corrêa na Companhia das Quintas. Bernardo conta-nos que procurou manter um estilo clássico, com fermentação em lagar com algum engaço (em 20% a 30%) e pisa a pé. O seu grande desafio inicial passou por compreender como uma adega tão pouco equipada (praticamente sem equipamento de frio e cubas de cimento mal conservadas) conseguia produzir vinhos tão interessantes e longevos.
Das primeiras colheitas, o enólogo recorda que o desengaçador original funcionava mal e que talvez fosse essa uma das razões pelas quais os vinhos fermentavam com engaço… A verdade é que, quando Bernardo trouxe uma nova máquina, cedo se apercebeu de que o engaço era mesmo necessário. Assim como também notou que um pico rápido de temperatura na fermentação (30º durante um dia, algo comum na vinificação de Pinot Noir) contribuía para uma maior complexidade do vinho. Com tanta precariedade na adega, só mesmo um terroir de excelência, e uma casta perfeitamente apta aos solos, pode produzir excelência.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A casta-mistério
Com o passar do tempo, as vinhas ficaram ainda mais velhas, e algumas morreram, a produção total diminuiu e as quantidades de vinho, no que respeita ao topo de gama tinto, baixaram (o que até permite melhor seleção e qualidade). Por outro lado, aumentou-se a gama com um rosé muito cativante, um interessante branco de uvas tintas, e um sólido tinto Reserva, todos feitos a partir de Castelão. Há ainda uma surpresa em cave, um tinto topo de gama num perfil diferente do Grande Escolha, com fermentação em barricas de 500 litros, estágio curto de 6 meses e, por isso, engarrafado mais cedo. Um belíssimo tinto, antecipamos, que se estima ir para as garrafeiras lá mais para o final do ano.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”50″][image_with_animation image_url=”29045″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Atualmente, a herdade está numa fase de velocidade de cruzeiro, com uma produção total de 100 mil garrafas, podendo crescer entre 20% a 30% nos próximos cinco anos, em parte devido à reconversão de uma área de seis hectares de vinha em 2013. Neste momento, dos quase 40 hectares em produção, 28 hectares têm mais de 25 anos – e, desses, cerca de 18 hectares com mais de 60 anos e parte significativa com mais de 90 anos.
O grande desafio para José Miguel Gomes Aires tem sido o repovoamento (retancha) de algumas falhas na vinha, e recuperação das vinhas velhas, sempre com o material genético original e em pé-franco, tarefa particularmente difícil numa vinha sem rega mecanizada. Para grande surpresa do próprio, recentemente foram descobertas, no meio da vinha mais velha de Castelão (acima de 90 anos), algumas linhas de uma outra casta, tintureira por sinal e ainda por catalogar, mas que José Miguel Gomes Aires está tentado a replicar em futuras plantações já em 2019.
José Miguel Gomes Aires é a verdadeira força motriz do projeto, não falha a uma apresentação dos vinhos, cuida de todos os pormenores, mesmo os comerciais, e toma quase todas as decisões. Quando o contactámos, encontrava-se a trabalhar na herdade, onde passa muitos dias a pensar no que pode fazer para melhorar a propriedade. A sua filosofia é ser fiel ao terroir único, viticultura e enologia conservadoras, e preservar o património vitícola para as gerações futuras. A qualidade dos vinhos, como atestamos nesta vertical, é evidente e justifica todos os investimentos.
A visão e persistência de José Miguel Gomes Aires, completada pela sensibilidade e técnica de Bernardo Cabral, dão-nos a certeza de um futuro muito risonho, com vinhos cheios de carácter.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Edição Nº16, Agosto 2018
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