ABC do Vinho

A Rega da Vinha

By 28 Janeiro, 2019 Sem comentários

É Verão. As plantas têm sede, a vinha é regada. Até há poucos anos a vinha era uma cultura de sequeiro. Hoje, podemos considerar que é uma cultura de regadio.

Stress Hídrico
A falta de água provoca na videira um stress hídrico que, em casos extremos, pode dificultar o correcto amadurecimento das uvas, provocando mostos desequilibrados que requerem maior ou menor correcção antes de iniciarem o processo fermentativo. Para uvas de grande qualidade procura-se que a videira passe por algumas horas diárias de stress hídrico moderado durante a fase de maturação. É nas horas de maior calor que a videira estará sujeita a este stress hídrico.

Rega de Precisão
O desenvolvimento das técnicas de irrigação modernas permite aos viticultores monitorizar com grande rigor a dotação de água à cultura da vinha. Procura-se facilitar o ciclo vegetativo nas suas várias fases. Hoje, podemos quase afirmar que existem técnicas de irrigação para as várias gamas e preços de vinho. Têm em conta a superfície foliar da sebe, as castas, o tipo de solo, o débito do gotejador etc, etc.

Câmara de Pressão de Sholander
Uma das técnicas mais eficazes para avaliar o stress hídrico das videiras é medir a pressão estomática nas folhas, através da Câmara de Pressão Sholander. Esta medição é feita a horas pré-determinadas do dia. Estes resultados, interligados com os vários factores que geram stress hídrico (evapotranspiração, potencial de base etc.), permitem disponibilizar dotações de água muito próximas do que a planta precisa para gerir um stress hídrico de acordo com os objectivos de qualidade do produtor.

Os Puristas e o Terroir
Contudo, conseguimos ainda encontrar produtores de vinho que renegam a rega da vinha, uma cultura milenar que até há poucos anos nunca necessitou de qualquer dotação humana de água para produzir todos os vinhos que fizeram a história da nossa civilização.

A opinião de Mário Andrade*

De um ponto de vista genérico, sou a favor da rega. Acho que deve ser feita sempre que é necessário, ainda que a maioria das vinhas que hoje são regadas produzam vinhos de preço baixo. É fundamental para o viticultor ter algum lucro. Podemos regar para aumentar a quantidade ou aumentar a qualidade. O produtor não deve confundir a rega de quantidade com a rega de qualidade. Por outro lado, e obviamente, a rega altera o terroir, interfere com as castas, com o clima com as uvas e o vinho. Há que proteger e defender este conceito e salvaguardar a expressão das vinhas de sequeiro, com terroir próprio.
* Enólogo

Edição Nº17, Setembro 2018

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