O “Acordo do Alvarinho”, três anos depois

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O acordo que terminou com uma fase de grande agitação na região dos Vinhos Verdes, designada pela imprensa como “guerra do Alvarinho”, foi assinado há três anos. Tempo e distância emocional suficientes para olhar os números e […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O acordo que terminou com uma fase de grande agitação na região dos Vinhos Verdes, designada pela imprensa como “guerra do Alvarinho”, foi assinado há três anos. Tempo e distância emocional suficientes para olhar os números e avaliar os resultados alcançados.
TEXTO: Luís Lopes
Não foi um acordo fácil. Mesmo quem não acompanha de perto o sector do vinho deu-se conta, através dos jornais e da televisão, da perturbação que, em 2014, revolvia os concelhos de Monção e de Melgaço. Levantamentos populares, ameaças de corte de estradas, Assembleia da República, partidos, Governo e Comissão Europeia metidas ao barulho, a coisa esteve muito feia. Valeu na altura o paciente e talentoso trabalho diplomático de Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), conseguindo trazer à mesa das negociações os “inimigos”, fazendo imperar o bom senso e alcançando internamente aquilo que as pressões e interferências externas não conseguiram: um acordo entre as partes.
O que estava em causa era a impossibilidade de manter para a sub-região de Monção e Melgaço um estatuto de excepção, que lhe conferia, dentro da denominação de origem Vinho Verde, o uso exclusivo da designação Alvarinho na rotulagem. Um direito histórico, construído pelo trabalho e pelo mérito dos produtores da sub-região, mas que deixava em condições desvantajosas os restantes produtores da região dos Vinhos Verdes, obrigados a usar a designação Regional Minho ou a omitir o nome da casta na rotulagem.
Isto enquanto produtores de todo o país, do Douro ao Algarve, plantavam Alvarinho (as castas não têm dono nem fronteiras…) e vendiam os seus vinhos com o nome da uva em destaque. Uma situação insustentável, que feria as leis europeias, mas que exigia cedências de ambas as partes para que nenhuma delas ficasse prejudicada, nem os produtores de Monção e Melgaço, nem os restantes produtores de Vinho Verde.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Moratória até 2021
Em traços muito gerais, o acordo alcançado em Janeiro de 2015 traduziu-se em nova legislação que deu a todos os produtores da região o direito a utilizar a designação Alvarinho em conjunto com a denominação Vinho Verde, mas estabeleceu uma moratória até 2021 para esse alargamento. Ao longo desses seis anos, seria feito um forte investimento (3 milhões de euros) na promoção da “marca” Monção e Melgaço, de forma potenciar a sua imagem, valorizar os seus vinhos e tornar o nome da sub-região tão ou mais forte do que o nome da casta.
Três anos passados, a CVRVV disponibilizou à imprensa um documento onde se avalia o desenvolvimento da sub-região ao longo deste lapso temporal. Como principais dados objectivos, destaca-se o facto de as vendas de Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho terem crescido 32% desde o fecho do acordo. As vendas de Alvarinho-Trajadura (o lote tradicional da sub-região) subiram 17% e as de Alvarinho-Loureiro (lote “proibido” pela lei anterior) representam já 3,3 milhões de litros/ano. No mesmo período, as vendas globais de Vinho Verde aumentaram 5%, o que diz muito do impulso alcançado pelos vinhos de Monção e Melgaço.
Ao mesmo tempo, assiste-se ao crescente interesse de produtores de fora de Monção e Melgaço em investir na sub-região, ao contínuo processo de reconversão de vinha e de novas plantações e à manutenção do preço da uva acima do €1/quilo, o que a torna na uva mais cara de Portugal, com benefícios evidentes para toda a economia local.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”60″][image_with_animation image_url=”27376″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A revolução deu, portanto, lugar à evolução. Para já, são muito boas notícias para Monção e Melgaço, espelhando um sucesso mais do que merecido, pela qualidade e singularidade dos seus vinhos. Depois de 2021, os benefícios totais do “acordo do Alvarinho” serão finalmente extensíveis ao resto da região dos Vinhos Verdes.
Edição Nº13, Maio 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Da Floresta à Barrica

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Visitar uma floresta de carvalhos e entender como se gere um património desses é uma experiência e uma lição. Assistir à feitura de uma barrica, com as inúmeras etapas que exige, é fascinante e fica-nos na memória. […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Visitar uma floresta de carvalhos e entender como se gere um património desses é uma experiência e uma lição. Assistir à feitura de uma barrica, com as inúmeras etapas que exige, é fascinante e fica-nos na memória.
TEXTO Valéria Zeferino e João Paulo Martins
FOTOS Christophe Deschanel / CORTESIA Grupo Charlois
Estivemos em França a convite do Grupo Charlois, tanoeiros e fabricantes de barricas. Mais precisamente estivemos no vale do Loire, no início do vale onde começa uma das principais regiões vinícolas de França, que se estende até ao mar. Ficámos instalados numa aldeia da região de Sancerre, em Chavignol. Pequena a aldeia, mas famoso o queijo que leva o seu nome, o Crotin de Chavignol, um pequeno queijo de cabra (por acaso não avistámos nem uma, mas pronto…) que desde 1976 adquiriu o estatuto de DOP. Já a região vitícola – Sancerre – é das mais conhecidas de França (e do mundo…) porque ali, e na vizinha Pouilly-Fumé – nascem alguns dos vinhos brancos mais conhecidos do país, feitos a partir de Sauvignon Blanc. A região produz sobretudo brancos (com a denominação a ser criada em 1936) mas também tintos e rosés de Pinot Noir, que tiveram também direito a uma AOC desde 1959. A região incorpora 366 “domaines” que cobrem uma área de 2.770 ha, alguns deles muito famosos e cujos vinhos já estão longe de serem baratos. Para além de vinhas, a região tem, como de resto todo o país, uma larga área de floresta coberta de carvalhos. Falar de carvalhos e falar de carvalho francês não chega, como aqui aprendemos. As árvores, tal como as vinhas, são influenciadas pelo terroir e as barricas feitas de carvalho, se tiverem origem no terroir certo, permitem que o vinho expresse melhor o terroir da vinha. O tema é complexo e exige muita experimentação, algo que quer produtores quer enólogos fazem sistematicamente.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]AS BARRICAS E OS SEUS SEGREDOS
O estágio em barrica faz parte da criação de grandes vinhos, mas por si só não é suficiente. A barrica tem de ser de qualidade e o tipo de madeira tem de ser o adequado para o perfil de vinho que se pretende fazer. Três factores são importantes para a qualidade de barrica: a origem do carvalho, que influencia o grão de madeira; as condições de secagem da madeira (que antecede o fabrico das barricas) e que é necessária e determinante para a sua qualidade e, finalmente, a tosta a que a barrica é sujeita e que altera as suas características químicas, potenciando a interacção com o vinho. A visita que fizemos às tanoarias Berthomieu e Ermitage em França evidenciou a importância destes três factores.
O carvalho cobre cerca de 33% da área de França, com duas espécies, Quercus robur e Quercus petrea. Muitas florestas foram plantadas ainda no século XVII no reinado de Louis XIV e por iniciativa do seu ministro Colbert, inicialmente para abastecimento da indústria naval e de guerra. Até hoje a gestão da floresta é atributo do Estado, entidade que gere o que se planta e o que se abate. Existem políticas de intervenção específicas, como por exemplo, a protecção do litoral, recuperação de terrenos de montanha ou de defesa contra incêndios. A produção de madeira é interpretada como um meio de gestão da floresta, desenvolvendo recursos para a renovação e manutenção da mesma.
Para garantir o equilíbrio e sustentabilidade a floresta é tutelada pela ONF – Office National des Forêts, organismo governamental que gere 11 milhões de hectares de florestas públicas. O principal objetivo é responder às necessidades do homem, preservando o meio ambiente. A ONF identifica anualmente as parcelas de floresta com árvores de possível abate. Estas parcelas e árvores são colocadas a leilão público. As empresas produtoras de madeira, em função das suas necessidades e com base na sua experiência, vão verificar a qualidade e o potencial destas parcelas para depois tomar a decisão de avançar ou não com aquisição e abate. Os técnicos da ONF verificam posteriormente as parcelas a as árvores cortadas.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”40″][image_with_animation image_url=”27348″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”27347″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Apenas as árvores identificadas para abate podem ser cortadas. O abate das árvores não identificadas tem consequências legais sob forma de graves multas e penalizações. Existem regras rigorosas para o abate das árvores: têm de ter mais de 100 anos de idade e, não raramente, perfazem a idade de 150 anos. Numa parcela abatida não se pode construir, nem fazer outro tipo de plantação a não ser carvalho. Não se corre assim o risco de que sejam urbanizadas áreas anteriormente ocupadas por floresta. Renovação das parcelas exploradas ocorre naturalmente. Um carvalho adulto gera bolotas suficientes para produzir 2000 árvores novas. À medida que for necessário, também se plantam 30-50 hectares de carvalhos todos os anos. Mesmo nas encostas cobertas de vinha, como pudemos observar, há pequenas manchas de floresta que não podem ser “tocadas”: estão lá e é para continuar assim, não para abater. É essencial conhecer bem as florestas para poder escolher os melhores carvalhos. O Grupo Charlois é um dos maiores players nesta indústria, com uma história já centenária e compras anuais de 100.000m3 de madeira de carvalho.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”nectarslider_style” images=”27351,27345″ bullet_navigation_style=”see_through” onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A GEOGRAFIA E A QUALIDADE
A origem geográfica reflecte-se na composição da madeira. Factores como o clima (temperatura e humidade), o solo, a densidade e a idade das árvores afectam as suas características. As melhores tanoarias, como a Berthomieu, trabalham com as madeiras de excelência, provenientes das florestas com maior potencial. É o caso da floresta de Nevers no centro de França, com colinas suaves e solo rico e húmido, onde as árvores são altas e rectas, apresentando madeiras de grão regular e apertado. Este tipo de madeira contribui menos para estrutura do vinho, preservando a frescura natural e uma agradável doçura.
A sul de Nevers fica a floresta de Allier, onde os solos são bastante diferentes apesar da proximidade geográfica. O grão dos carvalhos nascidos aqui é ainda mais apertado. As barricas feitas desta madeira respeitam a fruta do vinho, ao mesmo tempo que conferem taninos, estrutura e finesse. Um estágio prolongado nesta madeira resulta em vinhos elegantes com grande final de boca.
No nordeste de França, perto da fronteira alemã, fica floresta de Vosges numa zona montanhosa. Aqui os carvalhos evoluem mais em altitude e de grão muito fino, especialmente se comparados com os das florestas do sul do País. Este carvalho tende a suavizar os taninos e criar uma sensação de boca mais rica, tornando-se uma excelente opção para procurar um perfil de vinho ainda mais fresco.
Outro tanoaria que produz barricas de excelência – Ermitage – trabalha exclusivamente com madeiras originárias das duas florestas mais reputadas de França – Bertranges e Tronçais. A primeira fica na região de Nevers, onde ocupa 8.000 hectares, mas ao contrário de outras florestas daquela zona, os seus carvalhos são, essencialmente, da espécie Quercus petrea, que, nas condições específicas da região, desenvolvem madeira de grão fino. Como o terroir também é distinto de Nevers, as árvores têm um crescimento mais lento. Estas madeiras contribuem com taninos subtis e a pureza é a sua principal característica.
A floresta de Tronçais estende-se por 10.500 hectares na região de Allier. Esta foi uma das florestas plantadas no século XVII. Graças à riqueza dos solos, os seus carvalhos são excepcionalmente altos. O clima de influência marítima resulta em árvores que se destacam pelos seus aromas subtis e estrutura precisa. Os taninos são mais abundantes do que em carvalhos de outras florestas francesas e, por isso, os vinhos necessitam de estágios mais longos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”60″][image_with_animation image_url=”27342″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]TANOEIROS E ARTESÃOS
Certas tanoarias funcionam como alfaiates e podem produzir barricas à medida das necessidades dos seus clientes, por exemplo, utilizando 30% de carvalho de uma floresta e 70% de outra, ou fazer acabamentos específicos. É o caso da Ermitage, uma tanoaira muito artesanal, onde todos os processos são feitos à mão. Desta forma consegue-se produzir apenas 5 barricas por dia. A título comparativo, na tanoaria Berthomieu produzem-se mais de 350 barricas por dia.
Quando as árvores chegam à tanoaria, são revistas tronco a tronco e identificadas e devidamente assinaladas as partes da árvore que podem ir para a produção de barricas. Apenas 30% do tronco é aproveitável. Para barricas de 225l, cortam o tronco em medidas de 1m para depois dos tratamentos todos dar 95 cm de altura. No caso de carvalho europeu é importante respeitar o veio da madeira, assegurando assim a estanquicidade das aduelas. Por isso, ao contrário de carvalho americano que é serrado longitudinalmente em quartos e depois em aduelas, o carvalho francês não pode ser serrado, correndo o risco de verter, tendo de ser rachado ao longo do veio, originando barricas de melhor qualidade. Este processo exige mais mão-de-obra e origina muito desperdício de madeira. As partes rachadas são cortadas em aduelas de 32 mm de grossura que, depois de feitos os tratamentos todos, darão uma grossura de barrica de 27 mm. As peças a serem transformadas em aduelas são verificadas sempre antes de passar para o passo seguinte.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Cada peça conforme a avaliação ou passa para o processo seguinte, ou volta para trás, ou vai servir para outros fins. Nessas outras utilizações, contam-se as aduelas que depois de tostadas são usadas para inserir nas cubas e conferir gosto a madeira e as próprias aparas que são igualmente usadas, sobretudo em vinhos de baixo preço, para dar sabor aos vinhos.
As aduelas não podem seguir logo para a produção de barricas. A madeira precisa de secar. A madeira fresca ainda contém a seiva, preservando humidade de cerca de 60-70%. O processo de secagem é extremamente importante para o futuro desempenho das barricas. As aduelas ficam empilhadas a céu aberto nos grandes parques de secagem durante um período bastante longo, de 24 a 36 meses. A acção alternada da chuva e do sol reflecte-se nas características químicas e físicas de madeira. A chuva e vento provocam uma certa lexiviação, limpando a madeira, libertando-a do excesso de taninos elágicos, diminuindo assim a sensação amarga e adstringente de futuras barricas. Por vezes a madeira precisa de ser regada, sobretudo nos primeiros meses depois do corte. O sol, por sua vez, seca a madeira, sendo responsável por desidratação e evolução de compostos aromáticos. A madeira no seu estado verde praticamente não tem aromas e estes são verdes e pouco atrativos. A maturação aumenta a intensidade de aromas de coco, baunilha e cravinho, embora em menor concentração comparando com a tostagem de barrica. Sendo uma boa maturação de madeira tão importante, o Grupo Charlois gere vários parques próprios de secagem, onde se consegue controlar todo o processo. A secagem também pode ser feita de forma artificial dentro de estufas ventiladas com temperaturas de 40 a 60°C que imitam a ação solar. Este processo não é tão eficaz como a secagem natural progressiva, pois leva a teores mais baixos de eugenol e de vanilina e origina vinhos com menor complexidade aromática, mais ásperos e com pouco equilíbrio entre a fruta e a madeira. Para além disto, a secagem mais rápida pode provocar o aparecimento de fendas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”nectarslider_style” images=”27350,27353,27352″ bullet_navigation_style=”see_through” onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]CONSTRUINDO A BARRICA
Finalizando o processo de secagem, as aduelas chegam à tanoaria, onde são limpas da camada superior escurecida e depois começa-se a compor as barricas.
Cada aduela tem largura ligeiramente diferente e têm que ser escolhidas à mão para que a junção destas dê uma medida certa. Por exemplo no caso de uma barrica bordalesa de 225l, as aduelas colocadas lado a lado ocupam um comprimento de 2,15m e normalmente são necessárias de 27 a 32 aduelas para compor uma barrica destas. Todas juntas e unidas de uma ponta, formam um círculo chamado “roseta” e têm que sofrer um aquecimento térmico (pré-tosta) para conseguir curvar e apertar as aduelas da outra ponta, obtendo assim a forma definitiva de barrica. Este processo dura cerca de 20-30 minutos, alterando a elasticidade dos tecidos e permitindo vergar as aduelas sem as quebrar. Existe uma técnica inovadora de fazer pré-tosta a vapor, utilizada pela Berthomieu. As “rosetas” passam por um túnel com uma corrente de ar quente e húmido. Para além de permitir dobrar as aduelas e fixá-las, o vapor penetra na madeira, dilata os seus poros reduzindo o teor de taninos e permite que o calor de fogo durante a tostagem posterior entre ainda mais fundo na madeira. A tostagem neste caso pode ser mais longa e menos intensa, o que preserva melhor o sabor original de fruta mas, por outro lado, fica mais leve do que a tostagem tradicional de madeira seca. A experiência mostra que o nível de taninos elágicos de barrica que tenha passado pela pré-tosta a vapor é reduzido 94% comparado com 78% de redução na pré-tosta tradicional. Assim, os vinhos estagiados em barricas tratadas a vapor mostram taninos mais macios. A tosta pode ser leve, média ou forte, com algumas variações. Isto depende da temperatura e do tempo de exposição ao fogo. Quanto mais forte for a tosta, mais afecta a estrutura celular de madeira. Os compostos voláteis da madeira são numerosos, mas em quantidades baixas, por isto as barricas não tostadas são aromaticamente menos intensas que as tostadas. Estas permitem trabalhar o volume em boca, limitando o impacto aromático e reforçando a fruta. Neste caso, a secagem de madeira é de importância extrema, pois se for deficiente proporciona madeiras com carácter de serrim e vegetal em conjunto com desagradável secura.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27349″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O uso de barrica na produção de vinhos não só potencia a sua qualidade aromática, como também permite uma doseada entrada de oxigénio, acrescentando volume de boca, melhora a textura e transmite uma certa doçura ao vinho. Para estágios não prolongados (até 12 meses) o grão médio é suficiente, pois permite uma boa troca gasosa, contém maior concentração de taninos elágicos e acrescenta menos complexidade aromática.
Para estágios longos as barricas com grão fino e extrafino são mais apropriadas, proporcionando maior potencial aromático e marcando menos com taninos elágicos. Obviamente, os vinhos menos concentrados, quer brancos, quer tintos, suportam menos barrica. Cabe assim ao produtor descobrir qual a melhor barrica que se adequa ao seu vinho e ao tipo de vinho que quer produzir. As inúmeras variantes que se têm de equacionar fazem com que a escolha da barrica seja por vezes uma dor de cabeça e obrigue a que se façam experiências todos os anos com novas barricas e novas características até que se encontre o modelo mais adequado ao vinho que se pretende. Não há receitas nem modelos acabados, há que ensaiar e aprender. E a floresta tem muito para nos ensinar.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” bg_color=”#efefef” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”15″][vc_text_separator title=”A Palavra a Diogo Lopes” color=”white”][image_with_animation image_url=”27365″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][divider line_type=”No Line” custom_height=”15″][vc_column_text]
Com o grupo de jornalistas que se deslocou a Sancerre esteve também o enólogo Diogo Lopes, que trabalha em conjunto com Anselmo Mendes em vários projectos. Diogo explicou-nos o porquê da escolha destas barricas. Como se esperaria, as opções dependem muito da experimentação, “estivemos 5 anos a fazer experiências e testes para descobrir as melhores madeiras para o Alvarinho; fomos fazendo provas cegas ao longo do ano com barricas oriundas de vários terroirs para perceber qual a que melhor deixava a casta brilhar”. É este conhecimento da madeira que faz com que, por exemplo, no Alvarinho Parcela Única se use só madeira nova e isso não é evidente no vinho, enquanto no Touriga Nacional e no Reserva branco da Adega Mãe se usam agora madeiras diferentes das utilizadas no início. “Somos agora grandes adeptos das barricas que passaram previamente na câmara de vapor. A qualidade dos taninos e a finura que se obtém no final são muito importantes”.
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”15″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº13, Maio 2018
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Château D’Yquem, para além de todas as classificações

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A unanimidade na apreciação de vinhos nem sempre é fácil. E o consenso regional entre todos os produtores sobre quem é o melhor ainda é mais difícil. E é aqui que surge o Château d’Yquem, o tal […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A unanimidade na apreciação de vinhos nem sempre é fácil. E o consenso regional entre todos os produtores sobre quem é o melhor ainda é mais difícil. E é aqui que surge o Château d’Yquem, o tal sobre quem recai a unanimidade: é o supra-sumo de Sauternes. Ninguém contesta. O sonho de qualquer produtor, portanto.
TEXTO João Paulo Martins
As normas europeias, nomeadamente as da rotulagem, podem ser uma chatice. Para todos e sobretudo para aqueles que, à força de tanta história carregarem consigo, não precisam de quaisquer normas. Isto vem a talhe de foice porque até há pouco tempo (poucas décadas…), uma garrafa deste branco doce ultra famoso, feito com uvas podres, apenas dizia: Château d’Yquem e o ano de colheita; nem Made in France, quanto mais capacidade da garrafa e teor alcoólico e o contém ou não contém sulfitos! Para os apreciadores apenas bastava saber qual era a marca e o ano. O resto eram informações para incautos!
Mas comecemos pelo princípio. Estamos a falar de um vinho branco doce feito com uvas atacadas de podridão nobre (botrytis cinerea), na região de Sauternes, a sul de Bordéus. Embora esta DOC (que tem 2002 hectares de vinhas) seja dominada por pequenos produtores (cerca de 160 têm menos de 5ha de vinhedos e menos de 20 têm áreas de vinha acima dos 20ha), este château tem 113ha de vinhas, um verdadeiro latifúndio, dos quais 100 em produção, com cerca de 10 em constante renovação.
Os vinhos Sauternes resultam, em geral, da fermentação de uvas de Sauvignon Blanc (20%) e Sémillon (80%), depois com pequenas variações de casa para casa, podendo também incluir a difícil Muscadelle. A região inclui 5 comunas – Barsac, Sauternes, Bommes, Fargues e Preignac – e os brancos doces já eram famosos em 1855, quando se fez a célebre classificação dos vinhos bordaleses. Yquem já então era reconhecido por todos como o melhor e ficou assim com a classificação de 1er Grand Cru Supérieur. Abaixo dele, e com a designação Prémier Cru, ficaram 11 châteaux e 15 como Deuxième Cru.
A fama que esta região adquiriu foi baseada nos brancos doces, mas há vários anos que algumas destas propriedades começaram a produzir anualmente vinhos secos, utilizando parcelas que não foram atacadas pelos fungos ou vinhas novas consideradas não aptas ao Grand Vin. Foi assim que surgiram o Y de Yquem, o R de Rieussec ou o S de Suduiraut, só para dar alguns exemplos. Escusado será dizer que, à conta do nome que carrega, o Y de Yquem também é bem caro, sempre acima dos €100.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um pouco de história
O mais simples é recuarmos apenas até aos finais do séc. XVI, quando Jacques de Sauvage, conselheiro do rei e tesoureiro geral, adquire Yquem, até então propriedade do rei. Manteve-se na família Sauvage até que, em 1785, Joséphine de Sauvage, senhora de Yquem e herdeira única, casa com Louis Amédée de Lur Saluces. Louis morre três anos depois devido a uma queda do cavalo e ela fica a dirigir a propriedade que consegue manter na família, isto no meio das convulsões da Revolução Francesa (1789) e apesar de ter estado presa três vezes. É com ela que se inicia a vindima por várias passagens e a cave do château é construída em 1826. O último Lur Saluces foi Alexandre (6ª geração), que por razões familiares acabou por vender o château a Bernard Arnault (grupo LVMH) em 1996 e a partir de 2004 é Pierre Lurton quem passa a dirigir a propriedade. A enóloga de Yquem é, a partir de 1998, Sandrine Garbay, mas já lá trabalhava desde 1994.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27330″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Não se sabe exactamente quando se começou aqui a fazer o vinho a partir de uvas atacadas de botrytis, mas o que sabe é que já no séc. XVIII em Tokaji (Hungria) e na Alemanha se faziam vinhos desta forma. O fenómeno da podridão é bioquímico e complexo: depende do clima da região e o fungo, sob a forma de cogumelo microscópico, “instala-se” na parte exterior do bago, levando-o a perder sumo, o que concentra os açúcares e a acidez. Aquela podridão é apelidada de “nobre” para se distinguir da podridão cinzenta que tudo transforma em vinagre. Desta forma, a botrytis é possível em climas com humidade e nevoeiros matinais e tardes soalheiras e quentes, combinação esta não tão fácil assim de conseguir.
A enologia descobriu formas de contornar esta exigência climática e a eventual falta de botrytis, mas para Yquem isso não interessa nada, uma vez que aqui ainda impera a regra: sem botrytis não há Yquem! E foi devido a esta exigência com a qualidade da colheita e a característica da podridão que nos anos 1951, 52, 64, 72, 74, 92 e 2012 foi decidido não produzir. Decisão difícil, uma vez que estamos a falar de 65.000 garrafas que custam sempre mais de €100 à saída e que valorizam por cada ano que passa.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27333″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma vindima complicada
Uma vez que é preciso colher sobretudo os bagos atacados de podridão e sabendo-se que, num simples cacho, uns bagos podem já estar prontos e outros ainda não, a vindima obriga a várias passagens. Por isso os 200 vindimadores têm de passar várias vezes nas mesmas cepas, colhendo em cada passagem os bagos já atacados e deixando os restantes para passagens seguintes. A vindima estende-se por bem mais de um mês e, por norma, são precisas 5 a 6 passagens, mas houve anos em que já foram 13. A produtividade é muito baixa, em média 8hl por hectare (quando na região é normal colher 20 a 30 hl/ha), o que acaba por dar no final a tal proporção que é emblemática neste château: cada cepa dá apenas um cálice de Yquem!
A fermentação decorre em barricas novas e o vinho permanece nessas barricas durante três anos e meio. No final são desclassificadas algumas barricas e com as outras é feito o lote. E é só nesse momento que se decide se vai ou não haver Yquem. No acto do engarrafamento são usados quase todos os formatos disponíveis nos vinhos bordaleses, com destaque para as meias garrafas, uma medida considerada de grande valia quando o grupo de convivas não é numeroso. Um branco doce não se consome em quantidade idêntica aos outros brancos e por isso aquela é uma medida cada vez mais usada.
As diferenças de colheita para colheita assentam na qualidade/quantidade de botrytis que houve. É por aí que se devem procurar as nuances e não nas metodologias da vindima ou de trabalho de adega. Segundo Alexandre de Lur Saluces, as virtudes de Yquem – que o distinguem dos seus vizinhos –, podem equacionar-se assim: diversidade de solos (na área da propriedade há solos pedregosos de calhau rolado, argilas e areias), a perfeita exposição solar, o extremo cuidado na vindima e na vinificação e a maturação prolongada dos vinhos antes do engarrafamento. Com o tempo em garrafa os vinhos vão mudando de cor, adquirindo uma tonalidade mais acastanhada, chegando mesmo a uma quase cor de chocolate.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27334″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”30″][vc_column_text]Beber Yquem, para mais tarde recordar
Nunca é boa ideia beber Yquem novo porque, se muito jovem, não terá desenvolvido toda a complexidade que o tempo lhe irá trazer. Para o vulgar apreciador não é fácil beber um velho, não só pela raridade como pelo preço astronómico que estas garrafas podem atingir. Já tive o privilégio de beber um dos anos 20 e outro dos anos 30, além de outras colheitas mais recentes (de 1976 para cá) e não tenho dúvida de que é a idade que lhe confere o estatuto de néctar dos Deuses. A descoberta de aromas que vão dos alperces aos frutos secos, das flores a notas mais balsâmicas, é um dos prazeres da prova. No final ficamos a falar com o vinho por muito tempo, o que acaba por ser também um dos prazeres da prova.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Alguns restaurantes fazem gala de mostrar a sua colecção de Yquem como se de relicários se tratasse. Recordo aqui o Atrio, em Cáceres (Espanha), com vinhos que recuam até aos inícios do séc. XIX; e o Durski, em Curitiba (Brasil), onde pude atestar a colecção fabulosa que têm, assim o cartão de crédito tenha folga! Entre nós está disponível ocasionalmente em algumas garrafeiras – não há importação directa do château, mas a empresa Garcias Gourmet importa-o, através de alguns négociants.
Quanto à ligação vinho/comida, um grande Sauternes como Yquem é sempre um presente para entradas de foie-gras, um patê de pato ou um queijo Roquefort. Com um Yquem velho a ligação é ainda mais fácil: basta um bom sofá e um balde de gelo! Yquem pertence àquele núcleo duro de vinhos que, idealmente, todos os apreciadores deveriam beber ao menos uma vez na vida.
Edição nº13, Maio 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
A importância da acidez

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Grandes vinhos oferecem harmonia, intensidade, aromas vibrantes e um final de boca persistente. Além de frutas exuberantes e complexidade de sabores, a acidez é uma das características mais atraentes do vinho, ajudando promover a frescura e favorecendo […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Grandes vinhos oferecem harmonia, intensidade, aromas vibrantes e um final de boca persistente. Além de frutas exuberantes e complexidade de sabores, a acidez é uma das características mais atraentes do vinho, ajudando promover a frescura e favorecendo a harmonização com a comida.
TEXTO: Dirceu Vianna Junior MW
FOTOS: Ricardo Palma Veiga
Ácido em si tem gosto azedo. Faz o nosso paladar salivar. Quando em excesso torna o vinho agressivo, duro e austero; quando insuficiente o vinho parece chato e em casos extremos a bebida se torna flácida, demasiadamente pesada e dificil de beber. O assunto é tão interessante quanto complexo, pois a acidez afecta não apenas o aroma e o sabor, mas também a cor, a estabilidade e a longevidade do vinho. Por isso não há dúvidas sobre a sua importância.
Alguns dos ácidos que se encontram no vinho estão naturalmente presentes na fruta, outros são sub-produtos da fermentação. Os ácidos naturais encontrados nas uvas parecem ter um perfil mais linear e fresco. Entre os principais podemos citar o ácido málico, ácido cítrico e o ácido tartárico, que além de ser o ácido mais forte e mais importante, é o ácido predominante.
Uma série de ácidos são formados durante o processo de vinificação e são tipicamente mais suaves e oferecem complexidade ao vinho. Como exemplos de tais ácidos podemos citar o ácido láctico e o ácido succínico. Outros ácidos presentes no vinho incluem acético, propiônico, pirúvico, glicólico, fumárico, galacturónico, oxálico, etc. Embora apareçam em quantidades menores, esses ácidos desempenham um papel importante, pois são as reações desses ácidos com álcoois que produzem ésteres, conferindo mais complexidade ao vinho.
Acidez no vinho refere-se à quantidade de ácido numa solução medida em gramas por litro, embora um parâmetro igualmente importante é o pH (potencial hidrogeniónico), pois indica a força do ácido na solução. Para ilustrar a importância do pH na produção de vinho, as divisões dos vinhos de prensa na casa da Champagne Bollinger são freqüentemente decididas em função das leituras do pH.
É claro que os produtores precisam de entender os papéis dos vários ácidos, a sua ocorrência, como medi-los e os princípios de como ajustá-los caso necessário, embora Maria Castro, da Quinta da Pellada, prefira simplicidade e naturalidade. Acredita no poder de uma boa viticultura e defende que a frescura de um vinho nasce na vinha e o trabalho do enólogo é simplesmente saber preservar o que a natureza lhe oferece.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27308″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_column_text]Clima, solo, casta
Entre os vários factores físicos que a natureza oferece, a altitude tem um impacto significante. A cada 100 metros de altitude a temperatura pode diminuir até cerca de 1°C. Essa queda de temperatura, principalmente na parte da noite, ajuda preservar a acidez na fruta. Em Portugal, a região da Beira Interior abrange vinhedos situados em altitude de até 700 metros. Podemos comparar a região mais alta de Portugal com a região de King’s Valley na Austrália, onde o clima mais frio, consequência do efeito da altitude similar à Beira Interior, tem um impacto direto no estilo dos seus vinhos, apresentando um perfil mais delicado, leve e fresco, incluindo espumantes de óptima qualidade.
Solo é outro factor importante. Para Diogo Lopes, enólogo da Adega Mãe, situada na região de Lisboa, os solos argilo-calcários favorecem a retenção da acidez natural de um vinho. O mesmo pode ser dito dos solos calcários na região de Chablis, no norte da França, ou de certos vinhedos em Friuli, nordeste da Itália, que possuem solos semelhantes e conferem ao vinho elegância e um pronunciado frescor.
Além de certas intervenções na vinha e exposição dos vinhedos aos raios solares, a proximidade ao mar é outro factor pertinente.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Em Portugal, as regiões dos Vinhos Verdes e Bucelas, cuja proximidade ao mar influência o perfil de seus vinhos, podem ser comparadas com Leyda Valley, no Chile; Margaret River, na Austrália; ou Elgin, na África do Sul, onde as brisas marítimas refrescam os vinhedos e ajudam preservar a acidez.
Independentemente das condições físicas da região, na hora da colheita o ácido tartárico predomina. Porém, a relação entre os ácidos e a quantidade final depende também da casta. Castas portuguesas brancas como Avesso, Arinto, Azal, Rabigato, Verdelho e Alvarinho exibem entre as suas características principais a capacidade de reter acidez e transmitir esse frescor e vivacidade aos vinhos, da mesma forma que varietais internacionais como o Riesling, Petit Manseng, Furmint, Glera e Sauvignon Blanc conseguem demonstrar em outras partes do mundo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_column_text]O momento da vindima
Uma das principais decisões a ser tomada durante o ciclo anual é definir a hora da colheita. Na Herdade do Portocarro, José Mota Capitão prefere colher as uvas antes que o processo de maturação acelere. Busca a harmonia natural e tenta evitar a necessidade de corrigir a acidez durante o processo de vinificação. Considera fundamentais as análises científicas de maturação, mas o mais importante, em sua opinião, é ir para a vinha degustar a fruta antes de determinar a data da colheita.
João Camizão, responsável pelos vinhos Sem Igual, da região dos Vinhos Verdes, decidiu em 2010 ir contra os padrões do vinho familiar da época. Foi em busca de um estilo de vinho com acidez acentuada, sem gás e sem açúcar residual. Para João Camizão, a decisão de quando colher é vital e por isso opta por vindimar de forma segmentada, passando pela mesma parcela múltiplas vezes no prazo de uma semana para assegurar o nivel de maturação adequado da fruta sem sacrificar a acidez natural. O processo de vinificação é muito tradicional, diz João Camizão, que tenta intervir o mínimo possível, preferindo fazer estabilização química ao invés da estabilização a frio, garantindo, em sua opinião, melhor acidez do produto final.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27316″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Na Herdade do Portocarro, José Mota Capitão busca matéria-prima sanitariamente perfeita e opta por fazer prensagens suaves e lentas sem medo da oxidação. A fermentação ocorre em balseiros de carvalho francês a baixas temperaturas. Para manter acidez evita a conversão maloláctica. Em busca de volume de boca deixa o vinho em depósitos de inox durante 6 meses sobre as borras finas, fazendo battonnage a cada quinze dias. O vinho ganha maior complexidade sem perder frescura.
Os factores, processos e decisões descritas acima têm como objectivo principal agradar ao consumidor. Não há dúvida de que a acidez exerce um papel vital em vários estilos onde esse parâmetro realmente é a espinha dorsal do produto, como é o caso dos Vinhos Verdes, espumantes da região de Champanhe, Riesling alemão e Sauvignon Blanc da Nova Zelândia, além de muitos outros.
Por outro lado, existem muitos casos onde, apesar de não ser o parâmetro preponderante de um certo estilo, a acidez não deixa de ser fundamental para conceder harmonia ao vinho. Não devemos esquecer que a maior parte dos vinhos comercializados no dia-a-dia são vinhos de custo baixo, comprados por consumidores que não estão interessados nos aspectos técnicos. Apenas buscam atributos positivos de um vinho harmonioso para lhes dar prazer. Nesse caso, a acidez, mesmo que para o leigo seja aparentemente inapreciável, não deixa de ser indispensável. Um vinho com pouca acidez torna-se chato, pesado e difícil de beber. Um vinho com boa acidez é um vinho vivo, vibrante, refrescante e prazeroso.
Independente do papel que a acidez exerce em certo estilo de vinho, a sua importância é vital. Mesmo que imperceptível, a acidez frequentemente torna-se um dos factores decisivos na hora de o consumidor determinar se gostou ou não do produto e, mais importante, se voltará ou não a comprar a segunda garrafa.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_custom_heading text=”Vinhos recomendados” font_container=”tag:h2|text_align:center”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
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Cabo da Roca
Branco - 2016 -

Barranco Longo
Branco - 2017 -

Frei João
Branco - 2015 -

Aliás Branco de Outrora
Branco - 2015 -

Quinta de San Joanne
Branco - 2015 -

Alfaiate
Branco - 2016 -

Kompassus
Branco - 2016 -

Quinta dos Termos Reserva do Patrão
Branco - 2016 -

Sem Igual
Branco - 2016 -

Quinta da Pellada Primus
Branco - 2015
Edição nº13, Maio 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
A vinha a seu dono

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mais de 200 mil portugueses são proprietários de vinha. Áreas pequenas, na sua maioria. Mas também há gigantes. No campeonato interno dos hectares, a Bacalhôa Vinhos de Portugal supera a Symington Family Estates e a Sogrape – […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mais de 200 mil portugueses são proprietários de vinha. Áreas pequenas, na sua maioria. Mas também há gigantes. No campeonato interno dos hectares, a Bacalhôa Vinhos de Portugal supera a Symington Family Estates e a Sogrape – mas a empresa da família Guedes está em três continentes e é a maior proprietária portuguesa de vinha no mundo.
TEXTO Luís Francisco
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Portugal gosta de vinho. E de vinha. É o país do mundo com maior percentagem do seu território dedicado a esta cultura: 2,6 por cento. Ou seja, em nenhum outro país é tão elevada a probabilidade de “tropeçarmos” numa vinha e os proprietários contam-se às dezenas de milhar – centenas, para ser mais exacto, uma vez que o número total supera os 200 mil. A área média é de 0,9 hectares. Mas, claro, isso é a média… Os grandes proprietários andam na casa das centenas e há mesmo dois, Bacalhôa Vinhos de Portugal e Symington Family Estates, que superam a barreira dos 1000 hectares.
Os dados recolhidos pela Grandes Escolhas contêm, desde logo, um elemento de surpresa: ao contrário da ideia generalizada no sector, a Symington não é a maior proprietária de vinha em Portugal. Esse “título” pertence à Bacalhôa, com mais de 1200 hectares (ver quadro), distribuídos por sete regiões vitivinícolas e mais de quatro dezenas de quintas. A empresa liderada por Joe Berardo junta aos 555 hectares da sua região de origem, a Península de Setúbal, outros 381 no Alentejo, 86 na Beira Interior, 66 no Dão, 48 no Douro, 39 na Bairrada e 27 em Lisboa. Total: 1202 hectares.
A Symington, segunda deste “ranking” (elaborado com dados fornecidos pelos próprios produtores), tem uma filosofia bem distinta, concentrando a sua operação na região do Douro, onde soma 1024 hectares distribuídos por 26 quintas – só recentemente se expandiu para outra região, com a aquisição de mais 41,5 hectares em Portalegre. Total: 1065,5 hectares.
O terceiro lugar é ocupado pela Sogrape, com 771 hectares em cinco regiões (Douro: 505; Alentejo: 120ha; Bairrada: 62ha; Dão: 50ha; Verdes: 34ha). Mas a maior empresa portuguesa do sector não confina a sua actividade ao rectângulo lusitano, juntando às suas vinhas em Portugal propriedades na Argentina (395 hectares), Chile (170ha), Espanha (191ha) e Nova Zelândia (15ha). Ou seja, a Sogrape é a empresa portuguesa com mais vinha no mundo: um total de 1452 hectares em três continentes. Uma área considerável, mas que ainda fica longe dos líderes mundiais (ver caixa).[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27278″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=”tilt”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”medium_depth” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”50″][vc_text_separator title=”Top 10 dos proprietários de vinha em Portugal” color=”custom” accent_color=”#888888″][split_line_heading]1202ha – Bacalhôa Vinhos de Portugal
1065,5ha – Symington Family Estates
776ha – Sogrape
677ha – Esporão
584ha* – Fundação Eugénio de Almeida
552ha – Real Companhia Velha
484,5ha – José Maria da Fonseca
468ha – Casa Santos Lima
422ha – Casa Ermelinda Freitas
400ha – Global Wines[/split_line_heading][vc_column_text]
(dados fornecidos pelos produtores)
* inclui 32ha da Tapada do Chaves, em Portalegre
[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”40″][/vc_column][vc_column enable_animation=”true” animation=”none” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color=”rgba(216,216,216,0.01)” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Symington, segunda deste “ranking” (elaborado com dados fornecidos pelos próprios produtores), tem uma filosofia bem distinta, concentrando a sua operação na região do Douro, onde soma 1024 hectares distribuídos por 26 quintas – só recentemente se expandiu para outra região, com a aquisição de mais 41,5 hectares em Portalegre. Total: 1065,5 hectares.
O terceiro lugar é ocupado pela Sogrape, com 771 hectares em cinco regiões (Douro: 505; Alentejo: 120ha; Bairrada: 62ha; Dão: 50ha; Verdes: 34ha). Mas a maior empresa portuguesa do sector não confina a sua actividade ao rectângulo lusitano, juntando às suas vinhas em Portugal propriedades na Argentina (395 hectares), Chile (170ha), Espanha (191ha) e Nova Zelândia (15ha). Ou seja, a Sogrape é a empresa portuguesa com mais vinha no mundo: um total de 1452 hectares em três continentes. Uma área considerável, mas que ainda fica longe dos líderes mundiais (ver caixa).[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Crescer até onde?
Quando se atinge o topo da pirâmide, a grande questão que se coloca é perceber até onde se quer continuar a crescer. E, nesse pormenor, todos os três primeiros da tabela de área de vinha em Portugal parecem tranquilos. Embora não de braços cruzados…
Paulo Costa, administrador da Bacalhôa, garante que a empresa de Azeitão aposta numa “estratégia de valorização das regiões” e que isso implica estar “sempre atento a bons negócios”. “Temos feito umas ‘comprazinhas’ na Bairrada, para compor uma vinha com as que estão à volta e procurar alguma economia de escala”, exemplifica. Nos próximos tempos, entre replantações e novas vinhas, a Bacalhôa propõe-se mexer em cerca de 100 hectares, para reforçar a importância das castas autóctones. “Somos quase auto-suficientes em termos de vinha, mas a realidade muda muito depressa…”
O discurso de Joe Álvares Ribeiro, administrador da Symington, alinha pela mesma lógica: “Não estamos interessados em expandir muito mais. Nos últimos anos, temos ficado com vinhas contíguas às nossas, o que permite criar sinergias e aproveitar o conhecimento que já temos do terreno. Na Quinta de Ataíde, onde temos uma mancha enorme de vinha biológica, poderemos vir a expandir a área de vinha – há espaço e interesse.”[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27287″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Para não destoar, também Miguel Pessanha, administrador da Sogrape, fala de crescimento tranquilo. “A área de vinha é adequada às nossas necessidades. Recentemente adquirimos 22 hectares no Douro, para reforçar o stock de uva branca de regiões mais frescas, e vamos plantar 42 hectares no Alentejo. Temos um plano de negócios a 3-5 anos e há regiões onde estamos a crescer muito, pelo que no futuro poderemos vir a ter necessidade de fazer crescer a área de vinha. Teremos de estar atentos a propostas que surjam; não andamos à procura, mas estamos sempre prontos para analisar alguma oportunidade que surja”, assume o também enólogo do omnipresente Mateus rosé.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27281″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][image_with_animation image_url=”27283″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Esmiuçar os números
Em jeito de aviso ficam desde já algumas observações acerca dos números apresentados neste trabalho: em primeiro lugar, a área de vinha própria não tem uma correspondência directa com a quantidade de vinho produzido (a Bacalhôa, por exemplo, usa nos seus vinhos mais de 90 por cento de uva própria, enquanto a Symington, para além da sua produção, compra uva a cerca de 1700 lavradores no Douro).
Há quem produza vinhos sem ter vinha própria e quem tenha vinha e não produza vinho. Em muitos casos, um grande produtor acaba por agregar em seu redor os viticultores de uma zona – acontece, por exemplo, com a Casa Ermelinda Freitas, que tem 422 hectares de vinha própria (em 11 propriedades e mais oito parcelas pequenas) e conta com outros 400/450ha de fornecedores externos. Mas talvez o caso mais expressivo seja o da Fladgate, que detém 370 hectares de vinha, mas conta com mais 1300ha de fornecedores de longa data. A Gran Cruz, um dos grandes exportadores de Vinho do Porto, só recentemente adquiriu a sua primeira quinta no Douro.
Depois, há a questão da densidade da vinha. Que pode variar conforme a orografia, o tipo de plantação, o solo ou, principalmente, a idade da vinha. E pode variar de forma drástica: há vinhas com 2500 videiras por hectare, enquanto outras podem chegar perto das 6000…
E, finalmente, temos de considerar a produtividade das videiras, Mais uma vez, o leque de condicionantes é vasto: os solos, as castas, as características do ano agrícola, as opções do produtor. Em termos gerais, Paulo Nunes, enólogo da Casa da Passarella e da Casa de Saima, entre outros, calcula que, se não for controlada, a produtividade de uma vinha nova possa andar entre as 8/10 toneladas por hectare no Douro e as 20t/ha nos Vinhos Verdes – o Dão e a Bairrada andarão pelas 10t/ha, o Alentejo aponta às 15t/ha, Península de Setúbal e Tejo estão na casa das 15/20t/ha.
Estes são valores correntes. É claro que, em alguns casos, os produtores optam por intervenções na viticultura com vista a reduzir a produção, procurando maior concentração nas uvas. Em algumas castas, é mesmo necessário estar atento. “No Dão, a Jaen precisa mesmo de uma monda drástica. É capaz de produzir 15 toneladas por hectare, mas nessa quantidade a uva perde qualidade. Será por isso, por não se controlar a produção, que a casta foi desvalorizada no passado recente. A verdade é que as vinhas velhas, cujas produções podem descer até às 2t/ha, sempre deram Jaen de grande nível…”, explica o Enólogo do Ano de 2017, eleito pela Grandes Escolhas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Os outros
De volta aos números. Para se elaborar um quadro fiável dos dez maiores proprietários de vinha em Portugal usaram-se dados oficiais fornecidos pelas empresas contactadas. Mas, em alguns casos, estes números não contam a história toda. A Fundação Eugénio de Almeida, por exemplo, não contabilizou a área da recentemente adquirida Tapada do Chaves, por se tratar de um projecto autónomo – mas isso vale igualmente para a Symington no caso da Quinta de Fonte Souto (berço da marca Altas Quintas), em Portalegre, que a empresa assumiu nas contas finais.
Outras conclusões exigem opções mais delicadas. Vejamos o que se passa com a Casa Santos Lima: aos 486 hectares próprios, o produtor lisboeta junta mais 28 hectares da Quinta de Porrais (a empresa é sócia da sociedade proprietária da quinta e é responsável pela comercialização dos vinhos e azeites), 100 hectares de um produtor alentejano da região de Beja com quem estabeleceu uma parceria de longa duração e ainda dois hectares de vinha alugada em Lisboa (a já célebre vinha do aeroporto). Nenhuma destas parcelas foi considerada no total final da empresa.
A J. Portugal Ramos Vinhos detém 325ha de vinha, mas aluga mais 540. A José Maria da Fonseca conta com 200 hectares extra de vinhas alugadas ou de produtores a quem dá assistência técnica. A Fundação Eugénio de Almeida aluga e explora 123 hectares e compra em mais 320ha. A Sogrape tem 2500 fornecedores de uva em Portugal.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27292″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]E, como este é um mundo dinâmico, estes números são apenas o espelho da situação em Maio de 2018. Algumas alterações a curto prazo são, desde já, expectáveis: o projecto Grandes Enseadas (que já tem 270 hectares de vinha) está em vias de concretizar uma aquisição na região do Douro; a Parras Wines/Quinta do Gradil (190ha) anunciou a intenção de plantar mais 150ha na herdade da Candeeira, Alentejo, até 2019, o que elevará o seu total para 340 hectares; a Casa Santos Lima quer plantar mais 13,5 hectares este ano (no Algarve e nos Verdes); a Real Companhia Velha pode ter novidades para anunciar em breve.
Abaixo do limiar dos 400 hectares, há um lote de três produtores com dimensão intermédia – Taylor’s Fladgate (370ha), Herdade das Servas (350ha) e J. Portugal Ramos (325ha) – e depois um grupo compacto para lá da barreira dos 300 hectares, com destaque para Grandes Enseadas (270ha), Companhia das Quintas (250), Ramos Pinto (240,5), Rozès (230), Aveleda (226), Borges (220), Quinta da Alorna (220), Sogevinus (215), Enoport (213) e DFJ (200).
Apenas a título de curiosidade, referência para as maiores áreas de vinha numa só propriedade declaradas pelos produtores. Sem surpresa, é no Alentejo que encontramos as grandes vastidões: 453,6 hectares na Herdade do Esporão; 445 hectares na Herdade de Pinheiros, da Fundação Eugénio de Almeida. A Quinta de Ventozelo, da Gran Cruz, no Douro, tem 198 hectares de vinha.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”As adegas cooperativas”][vc_column_text]Não é preciso ter-se vinha própria para fazer vinho e há muito mais produtores de uva do que de vinho, como é evidente. As grandes empresas do sector, as que trabalham grandes volumes, recorrem, para lá das suas vinhas, a uvas compradas a fornecedores externos ou provenientes de vinhas alugadas ou geridas em exclusivo. Mas neste campo da área de vinha disponível, é muito difícil bater as adegas cooperativas. As maiores, com centenas ou mesmo mais de um milhar de sócios, “esmagam” as empresas no campeonato dos hectares… A maior é a Carmim, Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, com 3600 hectares de vinha, a larga distância da segunda, a Adega Cooperativa do Redondo (2500 hectares). Os dados recolhidos pela Grandes Escolhas mostram ainda mais duas adegas cooperativas acima dos 2000 hectares (Beira Serra e Borba) e pelo menos outras 16 entre os 1000 e os 2000 hectares. Para se ter uma ideia, a Fenadegas, associação do sector, representa 54 adegas e 21.533 viticultores, num total de 27.123 hectares.[/vc_column_text][vc_gallery type=”flexslider_style” images=”27294,27293,27295″ onclick=”link_no”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27296″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][vc_text_separator title=”Lavradores de Feitoria, um caso muito especial”][vc_column_text]No cenário do sector vitivinícola nacional há um caso que se destaca pela sua originalidade. Em Setembro de 2000, 15 lavradores da região do Douro juntaram-se para partilhar recursos e criar sinergias, dando corpo a um modelo de gestão inédito e que se mostrou uma receita de sucesso. Hoje, a Lavradores de Feitoria conta com 48 accionistas, dos quais 15 são proprietários de 18 quintas – estas, no total, e acrescendo a Quinta do Medronheiro, comprada em 2011 com capital da empresa, somam cerca de 650 hectares de vinha. A Lavradores de Feitoria trabalha numa só adega, mas a sua equipa de enologia dispõe de uvas das três sub-regiões do Douro: Baixo Corgo (2 quintas), Cima Corgo (15) e Douro Superior (2).[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”80″][vc_column_text]
Edição nº13, Maio 2018
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Aragonez, a casta-rainha da Península Ibérica

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Aragonez, Tinta Roriz e Tempranillo são alguns dos muitos nomes por que é conhecida, a mais importante casta tinta ibérica. Em Espanha é responsável pelas prestigiadas marcas de Rioja, Ribera del Duero ou Toro. Em Portugal é […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Aragonez, Tinta Roriz e Tempranillo são alguns dos muitos nomes por que é conhecida, a mais importante casta tinta ibérica. Em Espanha é responsável pelas prestigiadas marcas de Rioja, Ribera del Duero ou Toro. Em Portugal é a uva tinta mais plantada, mas é utilizada sobretudo em lotes com outras variedades.
TEXTO João Afonso
FOTOS Ricardo Palma Veiga
A Aragonez, que tomou já depois do Barão de Forrester o nome de Tinta Roriz na metade norte do país, é a versão portuguesa da Tempranillo espanhola. Uma casta muito especial, muito produtiva, mas, se não se cometerem excessos de produção, capaz de originar excelentes vinhos.
O “muito” é normalmente inimigo do “bom”, mas o viticultor, ao fazer as suas contas, opta habitualmente por tentar produzir o máximo de quantidade com o máximo de qualidade. E esta casta consegue um índice muito alto nesta relação, além de ter grandes vantagens na lavoura pelo seu porte erecto, fácil de conduzir e cuidar (que compensa a sua forte sensibilidade aos fungos do míldio e oídio e ao inseto da cicadela).
Talvez por tudo isto ela seja no momento a primeira casta tinta ibérica. A que se planta mais, tanto em Portugal (cerca de 20.000 hectares/10% da área) como principalmente em Espanha (cerca de 215.000 hectares/20% da área, quando em 2000 a área de plantação andava nos 80.000 hectares). No mundo ocupa a 6ª posição.
A sua importância no país vizinho é, poderemos escrever, “demolidora”, já que o seu crescimento e alastramento para mais de metade das DO espanholas, é um dos principais factores de perda da diversidade varietal naquele país (e os poucos clones utilizados nas novas plantações adicionam à erosão varietal a erosão genética).
O êxito da Tempranillo em Espanha levou a que daqui fosse exportada para vários países, onde se destacam os EUA, com uma área interessante de 250 hectares, repartida por pouco mais de três dezenas de adegas que se autodenominam com o acrónimo TAPAS (Tempranillo Advocates Producers and Amigos Society) e que cultivam nos seus vinhedos castas espanholas a que se juntaram mais recentemente castas portuguesas. Na Austrália atinge ainda maior expressão, com 312 hectares.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27225″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Origem Antiga
Não existem dúvidas de que a sua origem é espanhola. Terá nascido há alguns séculos após o cruzamento das castas indígenas Albillo Mayor e Benedicto. Provavelmente na DO de Valdepeñas, onde possui hoje a maior diversidade genética. Em Espanha a casta possui vasta sinonímia (diferentes nomes) consoante a região onde é plantada: Tinta del País, Tinto Fino, Tinta de Toro, Cencibel, Ull de Liebre, etc…
A Aragonez/Tinta Roriz entrou em Portugal entre o final do século XVIII e início de XIX, pois não possui referências anteriores a 1822 (A. Girão, citado por Jorge Bohm). O Visconde de Vila Maior escreve que ela terá sido importada pela Quinta da Romaneira, no Douro, e refere também que em 1875 ela se podia encontrar na região de Portalegre. É um facto que as vinhas de provecta idade ainda existentes nas imediações desta cidade têm uma grande percentagem de Aragonez.
O crescimento da casta nos vinhedos nacionais terá ocorrido com a chegada do cooperativismo, nos anos 50 do século XX (as uvas foram durante décadas pagas não pela qualidade mas pelo grau/quilo), e mais tarde, a partir dos anos 80, com o crescimento generalizado da qualidade dos vinhos e com o desenvolvimento e valorização de muitas das suas marcas.
Hoje em dia, a Aragonez/Tinta Roriz é uma casta que reúne consenso devido às suas enormes qualidades na vinha e na adega. Mas é também aquela que recolhe da produção descuidada ou excessiva, as maiores criticas. Culpam-se os clones, mas muitos dos clones que hoje são comercializados vêm da vizinha Espanha e muitos deles são produzidos por Itália… em meandros confusos estabelecidos pelo uniformizador programa VITIS. A este respeito, as ajudas financeiras à compra de bacelos já enxertados e certificados, ainda que importantes do ponto de vista económico, conduzem ao afunilamento e perda da diversidade da casta, “apagando-lhe” os fenótipos de cada uma das regiões ibéricas onde ela se adaptou e modificou ao longo de séculos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27230″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27234″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Casta multifacetada
Se a selecção clonal da Touriga Nacional correu bem, o mesmo não se pode dizer da Aragonez/Tinta Roriz. Os dois critérios de selecção – maior rendimento em quilos e grau alcoólico – numa casta já de si muito produtiva e precoce na maturação, forçaram uma redundância que hoje obriga os viticultores a defenderem-se da sua excessiva generosidade. João Paulo Gouveia, enólogo no Dão, refere que a principal acção no controlo da variedade é uma monda de cachos severa da ordem dos 50% – “E sem medo”, sublinha. Hamilton Reis (Cortes de Cima) confessa o segredo da vinha que produz um dos melhores Aragonez nacionais: “Aquilo é só calhau rolado em cima de rocha mãe.” A extrema pobreza do solo da vinha situada no sopé da serra do Mendro faz o controlo natural da casta e os vinhos de topo surgem naturalmente. António Magalhães, da Fladgate Partnership (Taylor’s, Fonseca…), escolhe sempre os solos mais pobres e arejados para a casta. Por seu lado, Francisco Ferreira, responsável pela gestão agrícola da Quinta do Vallado, confessa também que o Field Blend da vinha velha é pelo menos 20% Tinta Roriz, casta que não dispensa nos vinhos de lote, mas concorda que é no Douro Superior, com maiores limitações à fertilidade, que a casta dá melhores resultados.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27232″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]De um modo genérico todos lamentam as fortes produções da casta, que tantas vezes originam vinhos vegetais, com taninos excessivamente secos e difíceis de engolir. Mas, quando controlados os excessos de produção, a Aragonez/Tinta Roriz é uma casta muito plástica, eclética, trabalha bem em topo o tipo de solo e produz todo o tipo de vinho. Vinificada em branco para espumante (sem o tanino agressivo que por vezes dá aos tintos) origina vinhos finos e complexos, como refere Marta Lourenço, enóloga da Murganheira; se vinificada em monovarietal dá vinhos extremamente especiados e gastronómicos, como lembra Francisco Bentos dos Santos (Quinta do Monte d’Oiro). Mas é em Espanha que a casta ganha todo o protagonismo varietal, dominando a grande maioria dos principais e icónicos tintos deste país, e na Rioja Alavesa consegue também excelentes tintos de maceração carbónica. A solo ou acompanhada, a Aragonez/Tempranillo é responsável por muitos dos melhores tintos Ibéricos (com grande vantagem neste caso para Espanha).
Mas vai ainda mais longe, sendo parte importante dos principais Porto Vintage do último século. David Guimaraens (enólogo do grupo Fladgate) elege duas castas principais para o fabrico dos grandes Porto: Tinta Roriz e Touriga Franca. A Roriz pelo seu aroma fino e intenso, de fruto vermelho fresco e elegante; e também pelos seus taninos muito firmes e ricos, que ajudam outras castas menos fortes nesta matéria, sendo, acima de tudo, a uva que mais contribui para longevidade e melhoramento do vinho em garrafa.
Numa produção orientada para a qualidade, a Aragonez/Tinta Roriz é hoje uma casta essencial, capaz de originar vinhos de excelência, a solo ou em lote, em ambos os lados da fronteira. Uma verdadeira rainha da Ibéria.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid” animation_in_type=”transition.fadeIn” animation_in_offset=”100″ animation_in_duration=”300″ animation_in_delay=”0″][vc_text_separator title=”Mestres do Aragonez”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”rgba(237,237,237,0.01)” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”image_grid” images=”27239,27240,27241,27242,27243″ display_title_caption=”true” layout=”fullwidth” item_spacing=”default” gallery_style=”1″ load_in_animation=”fade_in” css=”.vc_custom_1543315822198{background-color: rgba(237,237,237,0.01) !important;*background-color: rgb(237,237,237) !important;}”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default” animate=”yes”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”rgba(232,232,232,0.01)” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição nº13, Maio 2018
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Frescura alentejana, em brancos de Primavera

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]“The times they are a-changin’.” Bob Dylan não se referia aos vinhos quando compôs a música, mas o essencial está lá: os tempos estão a mudar, o sociológico e o meteorológico, e os brancos do Alentejo também. […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]“The times they are a-changin’.” Bob Dylan não se referia aos vinhos quando compôs a música, mas o essencial está lá: os tempos estão a mudar, o sociológico e o meteorológico, e os brancos do Alentejo também. Cada vez mais elegantes e frescos, acompanhando a Primavera…
TEXTO Mariana Lopes
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Para satisfação dos produtores, na busca por um mercado vínico mais democrático e equilibrado, o facto é que o consumo e procura de vinho branco têm evoluído positivamente nos últimos seis ou sete anos. Isto verifica-se na generalidade das regiões e o Alentejo não é excepção, funcionando como motor para o aumento das plantações de uva branca e da produção de vinho branco. Segundo dados estatísticos apurados pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), este crescimento verifica-se tanto em volume como em percentagem da produção total, sendo que em 2012 o vinho branco representava 19% e em 2016 já estava na ordem dos 23%. Num total de, aproximadamente, 21.353 hectares de vinha que o Alentejo hoje tem (com Denominação de Origem Controlada e Indicação Geográfica), mais de 4.767 são de uva branca, ou seja, 22,3%.
Com isto percebemos que o domínio do vinho tinto sobre o branco ainda existe, mas que o caminho está a ser traçado. E os enólogos reiteram. Luís Cabral de Almeida, da Herdade do Peso, diz que a procura por vinhos brancos das suas marcas “está a subir todos os anos, e as vendas do Sossego branco crescem exponencialmente”. O mesmo indica Carlos Rodrigues, técnico da Adega Mayor, confirmando que “tem sido uma constante aumentar a área de vinha branca, em parte por causa disso” – e analisa que “antigamente, os brancos eram um nicho de mercado e agora já não, as tendências mudaram, houve modernização do património vitícola do Alentejo e já há um equilíbrio maior”.
Mas, há cinco anos, Filipe Teixeira Pinto, da Herdade do Sobroso, ainda não o sentia. Foi há cerca de três anos que se começou a aperceber de um interesse muito crescente pelos brancos. Mas isto são apenas “facts and figures”, há-que ir a outras nuances. Quem é o consumidor que está a puxar a barra dos brancos para cima, no gráfico do Alentejo? Segundo Pedro Ribeiro, do Rocim, é “aquele consumidor inicial, que vem dos tintos mais estruturados, que começa a dar mais atenção aos brancos do que o de antigamente e, quanto mais conhecedor é, mais importância dá ao branco”. Filipe Teixeira Pinto complementa, e diz que esse fenómeno acontece sobretudo “em gamas superiores”.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27205″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Desafiante, mas não impossível
Nesta prova de brancos alentejanos provaram-se vinhos com preço de venda ao público até oito euros, a maior parte da colheita de 2017, mas também vários de 2016, alguns 2015 e até um 2014. A jornada que tivemos faz-nos rir do mito: que o Alentejo é uma região menos favorável para brancos. Esqueça-se isso de vez. Não só é favorável como podemos constatar frescura, crocância e até mineralidade. Se é fácil? Ninguém diz. Fazer brancos assim, no Alentejo, é até um dos maiores desafios para os enólogos, principalmente com o clima em constante mutação e o aquecimento global que, quer se queira quer não, está aqui.
Pedro Ribeiro declara, sem vacilar, que “tudo aquilo que são boas qualidades num branco, a frescura, a mineralidade, a acidez, consegue-se encontrar no Alentejo, mas o desafio maior é esse, encontrar numa região quente o equilíbrio e a frescura”. Para Luís Cabral de Almeida, passa por encontrar, ainda na vinha e principalmente na Antão Vaz, o compromisso entre o carácter vegetal e o carácter mais frutado da uva, o momento exacto em que esses dois marcadores estão em equilíbrio para que possa ser colhida e para se preservar o equilíbrio ácido. “Normalmente, os brancos associados ao Alentejo são de peso e volume”, diz Carlos Rodrigues, “e contrariar isso é sempre um desafio, acima de tudo mantendo o carácter alentejano”.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”full_width_content” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” content_placement=”top” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ enable_shape_divider=”true” shape_divider_position=”bottom” shape_type=”curve”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
As alterações climáticas
“Uma região quente”, são palavras que saem da boca destes técnicos e de outros mais, e também da do povo. Sempre foi. Porém, com as alterações climáticas globais, parece estar cada vez mais. “Já não é um ‘será’, mas uma certeza”, diz Pedro Ribeiro, “e o Alentejo é das regiões que mais sofre com isso. Quando comecei, há vinte anos, as vindimas começavam no final de Setembro e agora começam no início de Agosto.” É verdade e urge combatê-lo, não só para obtenção de bons resultados na garrafa, como pela sustentabilidade ambiental.
Felizmente, é fácil de ver que, mesmo no plano nacional, os produtores estão muito despertos para o problema e cientes da sua responsabilidade. Vemos adegas de todas as regiões com planos de poupança, reserva e reutilização de água, uma exponencial tendência de agricultura sustentável e de respeito pelo planeta. O Alentejo também tem as suas próprias formas de lidar com estas adversidades. A busca pelas castas mais resistentes já começou e essa é uma das razões pelas quais algumas uvas antigas e já pouco presentes estão a ser recuperadas.
Luís Cabral de Almeida explica: “Estamos muito preocupados com isso e a trabalhar bastante nesse sentido. Olhamos para o passado para plantar as vinhas futuras. Estamos a fazer uma pesquisa exaustiva sobre as castas que se plantavam antes e os
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27207″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]sistemas de condução que se utilizavam, e sentimo-nos obrigados a perguntar ao passado o que é que resistia. Procuramos também castas de ciclo longo, cuja maturação fenólica seja feita o mais tarde possível, que se possam vindimar mais tarde, para se beneficiar de uma coisa muito importante, que são as noites mais frias. É fulcral tentar perceber e acompanhar algumas vinhas velhas na nossa zona com castas antigas, para fazer novas plantações e, acima de tudo, colocar em causa os sistemas de condução actuais.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”15″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Castas brancas do Alentejo”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” bg_color=”#f2f2f2″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” enable_gradient=”true” color_overlay=”#dddddd” gradient_direction=”left_to_right” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color=”#e5e5e5″ background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27191″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][tabbed_section style=”minimal” alignment=”center” spacing=”default” tab_color=”Accent-Color” cta_button_style=”accent-color” icon_size=”24″][tab icon_family=”none” title=”Antão Vaz” id=”1543248864-1-98″ tab_id=”1543251472743-5″][vc_column_text]Antão Vaz é, cada vez mais, a casta-bandeira do Alentejo. O que não deixa de ser curioso para uma variedade que, no início dos anos 80, era quase inexistente fora da Vidigueira. As noites mais frescas desta sub-região alentejana (influência da serra do Mendro) conferem mais frescura, equilíbrio e mineralidade, sobretudo quando plantada em solos de xisto e granito. Fora da Vidigueira, precisa muitas vezes do apoio de uma casta mais ácida. Fruto expressivo, corpo, elegância, são alguns dos seus atributos.[/vc_column_text][/tab][tab icon_family=”none” title=”Síria” id=”1543248864-2-92″ tab_id=”1543251473051-10″][vc_column_text]Até à ascensão da Antão Vaz, a Síria (ou Roupeiro, como é conhecida localmente) era a rainha das uvas brancas alentejanas. Ainda hoje mantém o segundo posto, mas longe do predomínio de outrora. Origina vinhos muito aromáticos quando jovens mas não mostra no clima alentejano a resistência ao tempo que revela no planalto da Beira Interior. Ainda assim, continua a ser de grande utilidade nos lotes.[/vc_column_text][/tab][tab icon_family=”none” title=”Arinto” id=”1543251569005-2-3″ tab_id=”1543251473051-10″][vc_column_text]Arinto é a parceira ideal da Antão Vaz, conferindo-lhe a acidez e frescura que por vezes lhe falta. Uva antiga, presente em todo o país, é muito provavelmente a casta branca portuguesa mais útil, pela sua polivalência, adaptabilidade, acidez natural e aromas e sabores citrinos.[/vc_column_text][/tab][tab icon_family=”none” title=”Fernão Pires e Rabo de Ovelha” id=”1543251569699-3-7″ tab_id=”1543251473051-10″][vc_column_text]Fernão Pires e Rabo de Ovelha, são duas castas tradicionais na região (e em quase todo o Portugal continental, na verdade), mantendo ainda uma pequena presença (pouco mais de 5% cada) nas plantações alentejanas. A Fernão Pires origina vinhos de grande intensidade floral e corpo cheio, mas precisa ser vindimada bem cedo, sob pena de perder a acidez e a graça. Tal como a Fernão Pires, a Rabo de Ovelha tem produtividade elevada, e necessita cuidados acrescidos para originar vinhos de qualidade.[/vc_column_text][/tab][tab icon_family=”none” title=”Verdelho, Gouveio e Alvarinho ” id=”1543251570231-4-3″ tab_id=”1543251473051-10″][vc_column_text]Verdelho, Gouveio e Alvarinho (as primeiras duas são muitas vezes confundidas, até pelos próprios produtores) são castas recentes na região mas em forte expansão. A elegância aromática, o perfume, a capacidade de manter acidez com a maturação são trunfos importantes a seu favor.[/vc_column_text][/tab][tab icon_family=”none” title=”Rabo de Ovelha, Perrum, Diagalves e Manteúdo” id=”1543251664281-5-5″ tab_id=”1543251473051-10″][vc_column_text]Juntamente com o Roupeiro, antigamente encontravam-se por todo o Alentejo, mas estão agora em acentuado declínio. Raramente são objecto de atenção nas novas plantações, ainda que se comece a assistir à redescoberta da Perrum, uma casta de grande qualidade, pela acidez e componente mineral que empresta aos vinhos. (LL)[/vc_column_text][/tab][/tabbed_section][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default” custom_height=”15″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Passaporte alentejano
Os enólogos dizem-nos que há variedades mais resistentes do que outras, e é aí que surge uma declaração de amor generalizada: Antão Vaz, Antão Vaz, Antão Vaz. A menina dos olhos de muitos dos que fazem vinho no Alentejo, naturalmente, e ainda mais, na Vidigueira. Não só porque faz frente às intempéries, mas também pela personalidade intrínseca da uva. “É a que gosto mais, permite-nos fazer brancos com variados estilos”, confessa Filipe Teixeira Pinto. Mesmo Carlos Rodrigues, de fora da Vidigueira (a Adega Mayor fica em Campo Maior), assume que esta casta é das mais interessantes de trabalhar, e Pedro Ribeiro também a indica como favorita e não deixa de dizer que “tem uma expressão particular na Vidigueira, onde é perfeitamente possível atingir mineralidade com ela, desde que tenhamos uma linha de respeito pelo terroir”.
Isto traduz-se num facto irrefutável: neste momento a Antão Vaz é a casta mais plantada em toda a região, a representar quase 26% do encepamento em cerca de 1.230 hectares, num total de 4.760 de vinha branca. Também é verdade que, na Vidigueira, as condições são particulares. Já sabemos que a serra do Mendro e os ventos do Atlântico temperam o clima desta sub-região, o que ajuda muito na “epopeia” da frescura. Mas, em todo o Alentejo há armas em forma de uva que tornam essa epopeia menos árdua e, por vezes, essas armas são estrangeiras à região.
A Arinto, nascida em Bucelas mas residente honorária em variadas regiões do país, é assídua nos lotes clássicos do Alentejo, sobretudo com Antão Vaz, e é essencial para uma boa acidez e frescura. Carlos Rodrigues sabe bem que assim é e diz que “Arinto é a vertente fresca do Sul, é o ‘nosso’ Alvarinho, dá-nos nervo”. A questão da introdução de castas de fora no Alentejo prende-se com esta matéria do equilíbrio e é uma questão sensível, mas não, de todo, controversa. Falamos de Verdelho, Viosinho, Viognier ou Alvarinho, por exemplo.
Muitos consideram-nas necessárias, mas percebem que a comunicação da região não é por aí. “Não as ponho de parte”, revela Carlos Rodrigues, “só não devemos tentar fazer igual à região de origem, mas é extremamente interessante ver o comportamento delas aqui. Gosto muito de complementar os meus lotes com essas castas, como sal e pimenta para um vinho. O Verdelho, por exemplo, é uma casta constante nos nossos vinhos, pois dá-nos frescura, tipicidade, mineralidade.” Filipe Teixeira Pinto é assertivo na resposta, afirmando que “são precisamente necessárias para ir buscar a tal frescura aromática e de boca que muitas das variedades de fora têm.” E especifica: “O Alvarinho é uma que acredito ter futuro no Alentejo e o Verdelho já deu mais que provas. O Arinto, esse é um todo-o-terreno.” Luís Cabral de Almeida acrescenta um lado comercial: “Acho que as novas castas têm ajudado a conquistar outros consumidores. Em vinhos de entrada de gama, tornam-nos mais universais mas, no segmento dos seis aos oito euros, o caminho deverá ser a distinção. Mais tarde, o consumidor vai agradecer a opção pelas castas autóctones.”
Dados da CVRA mostram-nos que, a seguir ao Antão Vaz, as uvas mais plantadas em todo o Alentejo são a Síria (19%), que tradicionalmente na região tem o nome de Roupeiro, Arinto (15%), Rabo de Ovelha (6%), Fernão Pires (5%) e Verdelho (5%). No entanto, as tendências dos últimos anos adivinham alterações a estes números. De acordo com a Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo (ATEVA), têm aumentado muito a sua força, além do Arinto, a Viosinho, Verdelho, Alvarinho e Viognier, precisamente. Curiosamente, também a Encruzado (do Dão) tem começado a aparecer (quem diria?). A Síria é um dos casos de diminuição acentuada nas plantações mas que, como também tem acontecido com a Perrum (sobretudo na Vidigueira), nos últimos três anos tem sido recuperada pelos produtores. Isto revela que aqui não há perdedores. Não só há abertura a novos instrumentos como os da terra estão a ser bastante valorizados e reintroduzidos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”15″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O jeito que o branco tem
Os quatro enólogos com quem falámos pertencem ao grupo dos seis vinhos que obtiveram classificação mais alta neste painel de prova. Juntam-se-lhe Solar dos Lobos e Pousio. Todos eles custam entre seis e oito euros e todos têm um perfil muito objectivo, perfil esse que converge entre estas marcas, neste segmento. “Acima de tudo, tem de ser convidativo. O mercado quer estes vinhos já com personalidade e sentido de lugar. Tem de ter frescura e ser gastronómico, ter equilíbrio”, confere Luís Cabral de Almeida. Todos dizem que um toque de madeira usada, mas pouca, faz toda a diferença, porque dá a personalidade necessária ao perfil. Filipe Teixeira Pinto acrescenta que, neste segmento de preço, “são brancos que não se limitam ao estereótipo do vinho de Verão”: “Já deve ser um vinho para o Inverno também, com alguma estrutura e que viva mais tempo.” Nas palavras de Pedro Ribeiro, “um comercial upgraded”.
Dizer que ainda há caminho a percorrer pode ser verdade, mas é um cliché que todos dizemos por acreditarmos que há uma fita de chegada para cortar, um vinho ideal, perfeito e a partir do qual não há mais para onde ir. Mas estamos bem e a fazer bem. Estamos lá, o percurso é notável. Equilíbrio, acidez, frescura, leveza, Alentejo. For the times, they are a-changin’.
Em Prova:[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27206″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
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Pousio Selection
Branco - 2017 -

Monte da Ravasqueira Seleção do Ano
Branco - 2017 -

Montaria
Branco - 2016 -

Marquês de Borba
Branco - 2017 -

Flor do Guadiana
Branco - 2017 -

Duas Castas
Branco - 2017 -

Dona Maria
Branco - 2017 -

Dom Martinho
Branco - 2016 -

Chaminé
Branco - 2017 -

Artefacto
Branco - 2015 -

Alento
Branco - 2017 -

Solar dos Lobos Exclusive Collection
Branco - 2016 -

Herdade do Sobroso Barrique Select
Branco - 2017 -

Herdade do Rocim
Branco - 2017 -

Herdade do Peso
Branco - 2016 -

Adega Mayor Seleção
Branco - 2017
Edição nº13, Maio 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][/vc_column][/vc_row]
Tempos de mudança na Quinta da Pacheca

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É uma das quintas com maior notoriedade no Douro e será certamente a que mais enoturistas recebe. Os investimentos no enoturismo continuam em bom ritmo, mas muitas mudanças estão também a ocorrer na vinha e nos vinhos. […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É uma das quintas com maior notoriedade no Douro e será certamente a que mais enoturistas recebe. Os investimentos no enoturismo continuam em bom ritmo, mas muitas mudanças estão também a ocorrer na vinha e nos vinhos.
TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Enquanto calcorreamos as vinhas da Quinta da Pacheca, vizinhas ao magnifico conjunto arquitectónico que constitui a quinta, dou comigo a pensar que “isto não é Douro”. De facto, o solo escuro não tem pedra, não se avista xisto em lado nenhum e o relevo é plano, ou quase. Poderia estar facilmente numa vinha de Lisboa, do Tejo ou de qualquer outra região onde as vinhas bordejem um rio, em terras de aluvião.
Afinal o Douro não é só colinas, escarpas, patamares ou socalcos. “O Douro é uma imensidade de terroirs diferentes”, explica-me Hugo Fonseca, o responsável de viticultura, que nos acompanha. Mas, de facto, como este há muito pouco…
Nem toda a área de vinha é assim, contudo. O projecto Pacheca compreende mais duas vinhas próprias: uma ali ao pé, no Vale Abraão e junto ao hotel Six Senses, maioritariamente na morfologia típica do Douro. E a outra, recentemente adquirida, no Cima Corgo, ao pé da Folgosa. Aqui também predominam a colina de xisto e os patamares. No total, a casa possui hoje cerca de 70 hectares de vinha, mas tem parcerias com lavradores locais, incluindo no Vale da Vilariça. Mas foi-nos dito que é intenção serem auto-suficientes…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27152″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” content_placement=”middle” full_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mudança na propriedade
Hugo Fonseca gere uma multidisciplinar equipa de quase 20 pessoas e só entrou para o projecto em Dezembro de 2013. Nessa altura, já a propriedade da Quinta da Pacheca estava em outras mãos, nas do então casal Maria do Céu Gonçalves e Paulo Pereira, que a adquiriram em 2012. Originários da região, mas residentes há décadas em França, os dois possuem no país gaulês negócios de monta na distribuição de produtos do mercado da saudade (e não só portugueses). Mas também estenderam os seus investimentos lusos à hotelaria na cidade do Porto.
A face mais visível da quinta é, contudo, Maria do Céu, empresária dinâmica e esclarecida. Em poucos anos investiu forte aqui, mas com cabeça, tronco e membros. O hotel está em vias de ser ampliado, nasceu um generoso parque de estacionamento, novas salas – e quando por lá passamos outras estavam em construção. Como uma nova loja e sala de provas e uma sala para ‘cooking lessons’!
A mais recente novidade foi implantada na parte superior da quinta, em plena vinha, com a instalação de dez quartos em forma de tonéis, tal e qual como se fosse uma cave de barricas a céu aberto. As ‘wine barrels’, como aqui lhe chamam, foram transportadas inteiras (uma de cada vez, claro), em transporte especial. Vieram de uma empresa de Amarante e cada ‘barrica’ inclui casa de banho, duche, janela, cama e por aí fora. Nós já lá ficamos e a experiência é muito interessante, provocando a curiosidade de vários turistas que por lá passavam.
Neste ponto, a Quinta da Pacheca é um rodopio. Uns turistas vêem dos cruzeiros que sulcam o Douro, outros são hóspedes do hotel, e outros ainda trazem o seu automóvel para uma visita pontual. O ano passado foram quase 70.000, um número astronómico, mas suportado por uma boa equipa de enoturismo que recebe, mostra e explica o que é uma quinta no Douro. Tudo muito profissional, tudo muito bem feito. Melhor ainda, a equipa de 8 pessoas está sempre à procura de novas e inovadoras experiências para oferecer. “Queremos proporcionar experiências mais pessoais, com a mão na massa”, diz-nos Ricardo Santos, o ‘tasting room manager’. Aqui não há vídeos ou palestras em salas fechadas: tudo é feito no terreno… Mas deixemos o tema para uma visita futura do nosso especialista no enoturismo e voltemos à vinha e ao vinho, o grande motivo da nossa presença ali.
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A peça fulcral na produção é Maria Serpa Pimentel, a enóloga que conhece como ninguém este terroir. Afinal, a quinta era de família e foi aqui que Maria cresceu. E foi ainda aqui que iniciou a sua carreira enológica profissional, depois de cursar Enologia na Universidade de Trás-os-Montes, onde estreou o curso e onde acabou por ser professora (hoje já não).
Com novos meios e uma liberdade de acção que nunca teve, Maria começou a planear a mudança na viticultura e enologia na Quinta da Pacheca. Afinal, reza a história que foi esta uma das primeiras quintas a engarrafar vinhos no Douro com marca própria.
A equipa de viticultura cresceu (e muito) e compraram-se novos equipamentos. A vinha começou a receber reestruturações, acabando-se com algumas parcelas pouco interessantes (por causa das castas e/ou da idade das vinhas). Tudo feito de forma faseada, até para não alterar muito o funcionamento enoturístico da quinta, que representa uma fatia importante do negócio.
Na adega, localizada na vizinha cidade de Peso da Régua, entrou também mais material. Na quinta continuaram os imponentes lagares, reservados para os vinhos mais ambiciosos e os ‘Portos’. São 11 ao todo, a maioria comportando 12 toneladas de uva. Na altura das vindimas fazem a delícia dos turistas, porque aqui não existe pisa robotizada: é tudo a pé, como antigamente.
Por outro lado, foram celebrados contractos com alguns viticultores locais, para complementar a oferta de uvas, que era insuficiente para o crescimento que, entretanto, se foi verificando. Tudo se profissionalizou com maior organização e planeamento, baseados nos mais recentes conhecimentos do mundo vínico.
Estas mudanças levam tempo a dar os seus resultados, mas os vinhos já começaram a demonstrá-lo.
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O portefólio de Vinho do Porto sofreu uma pequena revolução, graças a investimentos de monta. Com o estatuto de comerciante, a Pacheca conseguiu, por exemplo, adquirir tawnies velhos e hoje possui lotes de 10, 20, 30 e 40 anos. E não faltam várias colheitas antigas, incluindo um de 1934, o mais caro vinho da loja (€855). Os LBV e Vintage também constam do portefólio, assim como os Tawnies e Rubis de entrada de gama. A lista de brancos e tintos, uma força tradicional na casa, também sofreu alterações nos últimos tempos, especialmente nos topos. Destaque para um rosé Reserva, um dos poucos do Douro, seco e muito gastronómico.
Falta na gama um branco Grande Reserva, mas Maria Serpa Pimentel já descobriu as uvas certas para o fazer. E vai existir também um Colheita Tardia, com uvas de Semillon, igualmente de um lavrador da região. Álvaro Lopes, gestor da Quinta da Pacheca, acrescenta outra novidade: “Nos vinhos topo de gama vamos fazer sempre 10% em garrafa magnum (1,5 litros); acho que existe muita apetência dos nossos clientes para este formato.”
Hoje a quinta produz mais de 1 milhão de garrafas, cerca de oito vezes mais do que em 2012! O maior cliente individual é o próprio complexo da Quinta da Pacheca, entre o hotel, o enoturismo, o restaurante e a loja de vinhos. Curiosamente, o vinho que mais se vende é o Tawny 30 anos (€59 na loja). E uma boa parte dos vinhos aqui adquiridos é enviada a posteriori para os clientes, um pouco para todo o mundo.
Outra porção dos vinhos fica logo no próprio Douro, abastecendo duas das três maiores operadoras de cruzeiros no Douro. De resto, os vinhos vão para o estrangeiro e mercado nacional.
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”nectarslider_style” images=”27169,27170,27171″ flexible_slider_height=”true” bullet_navigation_style=”see_through” onclick=”link_no” img_size=”400×700″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”15″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mudança total
Trabalham na Quinta da Pacheca cerca de 70 pessoas permanentes, mais ainda na altura das vindimas. A polivalência é muito apreciada e não é raro vermos o responsável de viticultura sair das vinhas para conduzir um grupo de visita. A formação é contínua, da viticultura ao enoturismo. E Álvaro Lopes diz-nos que a quinta “paga acima da média aos colaboradores, para maior motivação e fidelidade”.
A nova gestão só começou há cinco anos. Neste curto período, muita coisa mudou entretanto, e para melhor. Desde a hotelaria à viticultura e aos vinhos. O nome Pacheca continua por isso em alta no Douro e mantém-se como uma referência incontornável. Mas, apostamos, o melhor está ainda para vir.
Em Prova:[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição nº13, Maio 2018
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