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Os segredos da Vinha Velha

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O que é uma vinha velha? Que características imprime aos vinhos que origina? Vinha velha é sinónimo de qualidade? Num momento em que cada vez mais produtores apresentam as vinhas velhas como bandeira, são questões sobre as quais importa reflectir.

TEXTO Dirceu Vianna Junior MW
FOTOS Ricardo Palma Veiga

O termo “vinhas velhas” varia no seu significado. Apesar de não existir uma definição legal do que é uma “vinha velha”, é fácil estimar a idade de uma planta examinando a largura do seu tronco. Em locais onde a viticultura não tem história vinícola muito longa, como é o caso da Nova Zelândia ou Oregon, videiras que atingem 25 anos já são consideradas antigas, enquanto que em países como França ou Espanha, um vinhedo é considerado antigo após 50 anos de idade.
Isso também varia na opinião pessoal dos produtores. Susana Esteban, experiente e talentosa enóloga espanhola que hoje tem seu próprio projeto no Alentejo, considera antiga uma vinha que atinge 30 anos. No Douro, Francisco Ferreira, descendente da legendária Dona Antónia Adelaide Ferreira e responsável pela viticultura da Quinta do Vallado, define uma vinha antiga como uma parcela que foi plantada com alta densidade, entre 7.000 e 8.000 plantas por hectare, com mistura de castas e com no mínimo 40 anos de idade.
Um país que desenvolveu uma terminologia oficial é a Austrália. De acordo com o ‘Old Vine Chart’ australiano, uma planta que tem 35 anos é considerada ‘Old Vine’ ou uma ‘Vinha Velha’. As plantas que alcançaram 75 anos de idade ou mais são chamadas de “Survivor” (Sobrevivente) e as raras videiras que atingem 100 anos ou mais são consideradas ‘Centurion’ (Centurião). Devido ao facto de o Governo australiano ter oferecido incentivos com o objetivo de modernizar a viticultura do país na década de 80, muitos produtores optaram por arrancar e substituir vinhedos antigos. Alguns sobreviveram. Na cidade de Tanunda, em Barossa Valley, encontra-se um dos vinhedos comerciais mais antigos de que se tem notícia: uma parcela de Shiraz que foi plantada em 1847.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A vida útil de uma videira depende da sua capacidade de atingir um volume de produção adequado pelo maior tempo possível, proporcionando ao produtor um retorno viável. Uma videira necessita de cerca de três anos para estabelecer as suas raízes e desenvolver a sua estrutura aérea. Esta é uma das razões pela qual a maioria dos AOP franceses (Appellation d’Origine Protégée) proíbem a produção de vinhos oriundos de vinhas com menos de três ou, por vezes, quatro anos de idade. O crescimento tende a estabilizar quando a planta atinge um periodo entre os três e os seis anos de idade, embora durante esse tempo, a planta ainda permaneça bastante vigorosa.
A partir desse ponto, e até atingir o final da sua segunda década, a videira produzirá abundantemente, embora o volume de produção dependa de uma série de factores externos, entre os quais os mais importantes são o vigor do solo, o clima, a casta e o manejo da videira (principalmente em relação à filosofia adoptada durante a poda de Inverno).
No Châteaux Margaux, em Bordéus, uma vinha com menos de dez anos é somente usada para produzir vinho para o segundo rótulo da propriedade, o Pavillon Rouge. Apenas quando a videira atingir a sua maturidade e produzir frutas de excelente qualidade é que poderá começar a aparecer no famoso Gran Vin de Chateau Margaux.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27704″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A idade ideal, segundo o saudoso diretor técnico Paul Pontallier, seria após a segunda década de existência, principalmente entre 30 e 40 anos, embora nesta fase do seu desenvolvimento os rendimentos da videira já comecem a entrar em declínio.
Olivier Humbrecht, o primeiro Master of Wine francês e hoje responsável pelos excepcionais vinhos do Domaine Zind Humbrecht, na Alsácia, acredita que um hectare de vinhas na sua propriedade é capaz de produzir cerca de 400.000 litros de vinho durante sua vida útil. Até certo ponto, cabe ao produtor moldar a longevidade da planta com base no rendimento médio anual.
Na região do Vale do São Francisco, no norte do Brasil, onde os vinhedos podem produzir cerca de 5000 litros por hectare duas vezes ao ano, a expectativa de vida é significativamente inferior e estima-se que as vinhas devam ser substituídas antes que atinjam 40 anos. Por outro lado, uma das mais antigas videiras ainda em produção de que se tem conhecimento foi plantada em 1768 e está localizada no Palácio de Hampton Court, na Inglaterra.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Qualidade e rendimento
A grande vantagem de um vinhedo mais velho é a sua capacidade de produzir fruta com óptima concentração. Com o avanço da idade torna-se mais difícil para a vinha produzir fruta e o rendimento da planta cai. O tamanho do cacho diminui, bem como o tamanho dos bagos, consequentemente aumentando a proporção entre casca e sumo, eis o motivo pelo qual se nota mais concentração. As raízes profundas são um dos maiores recursos de uma videira velha, pois possibilitam que a planta busque nutrientes e água em reservas mais acentuadas do subsolo. Além de melhor qualidade, vinhedos mais velhos, em muitos casos, proporcionam maior complexidade, visto que foram plantados há décadas e exibem uma diversidade genética superior aos vinhedos mais novos, que são frequentemente plantados com um número inferior de clones. Tiago Alves de Sousa, o simpático e habilidoso enólogo responsável pelos grandes vinhos da família Alves de Sousa, acredita que vinhas que foram plantadas nos últimos trinta anos com foco em estratégias mais produtivas acabaram por perder essa diversidade genética.
Francisco Ferreira, por seu lado, defende que a fruta de uma vinha velha, além de produzir vinhos de grande concentração, atinge também melhor equilíbrio entre acidez e taninos mais redondos, conferindo ao vinho excelente estrutura e maior complexidade. Susana Esteban diz que a planta madura tem melhor propensão à auto-regulação, mostrando-se menos sujeita à influência de factores externos e tornando-se cada vez mais consistente em termos de qualidade. Tiago Alves de Sousa explica que isso é consequência de as plantas terem desenvolvido raízes mais profundas, o que permite estarem melhor adaptadas ao excesso ou indisponibilidade de recursos hídricos. As plantas desenvolvem uma melhor adaptação ao meio e, além disso, passam por uma espécie de selecção natural que vai ocorrendo ao longo do tempo, porque as videiras menos adaptadas ou menos resistentes vão morrendo com o passar dos anos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Por um lado, a planta autorregula-se, diminuindo a necessidade de intervenção para gerir a parte vegetativa e também controlar a produção de fruta. Por outro lado, a videira vai ficando mais sensível e frágil à medida que o tempo passa, e acaba exigindo mais cuidado. Vinhas velhas são mais susceptíveis a pragas e doenças, como nematóides e clorose, por exemplo. Susana Esteban alerta também que é preciso ter muito cuidado com doenças do lenho.
Além da atenção redobrada, Francisco Ferreira adiciona que uma das grandes desvantagens é que estas vinhas raramente são mecanizadas e necessitam de mão-de-obra especializada para a execução dos trabalhos, muitas vezes diferenciados e individuais de uma videira para outra, o que pode tornar o custo excessivamente alto.

O factor mais importante pode não ser exclusivamente a idade das videiras, mas o equilíbrio alcançado entre a parte vegetativa e o volume de fruta produzido pela planta. É possível, através de conhecimento e tecnologia, controlar o equilíbrio usando técnicas de irrigação e gerenciamento da canópia. Esse equilíbrio entre o crescimento vegetativo e o rendimento que é alcançado em plantas maduras pode ser observado também em plantas quando muito jovens.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”27706″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Alan Scott, renomado produtor da Nova Zelândia, observa que as videiras jovens oferecem fruta com certa exuberância e vivacidade durante os primeiros estágios da sua vida. Na África do Sul, a primeira colheita de Sauvignon Blanc da Klein Constancia resultou numa das melhores já feitas. É interessante saber que o Stag’s Leap Cabernet Sauvignon que venceu a famosa competição de Paris, em 1976, foi proveniente de frutos da primeira colheita comercial daquelas vinhas, em 1973. Uma das colheitas mais veneradas do Domaine de la Romanée-Conti é a de 1953 e as vinhas foram replantadas no final dos anos 40.
Frutas de vinhedos mais velhos tipicamente apresentam melhor qualidade à medida que a planta envelhece. É possível notar maior concentração, densidade, certa mineralidade e complexidade. Mas atenção: uma vinha, pelo simples facto de ser velha, não passa a ser extraordinária. Se a planta não for adequada àquelas condições ambientais ou caso seja de uma casta menos nobre ou demasiadamente produtiva não vai fazer bons vinhos apenas por ter muitos anos de vida. O importante não é exclusivamente a idade da videira, mas sim a qualidade da fruta. Um vinhedo bem situado, gerido adequadamente, pode mitigar certas deficiências associadas a plantas mais jovens e dar origem a belos vinhos. Quando uvas de vinhas velhas que são bem adaptadas à região e cultivadas com diligência são transformadas em vinho por enólogos competentes o resultado invariavelmente é um grande vinho. Os exemplos aqui relacionados ilustram muito bem esse facto.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][heading]Em Prova[/heading][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº 14, Junho 2018

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