Enoturismo: Caminhos Cruzados

A história do vinho no Dão é mais do que uma simples sucessão de acontecimentos. É um emaranhado intrincado de natureza, cultura e tempo. A vinha, arraigada nas encostas escarpadas e nos planaltos graníticos, é um testemunho vivo da relação ancestral entre o homem e a terra. As raízes que se aprofundam no solo, buscando […]
A história do vinho no Dão é mais do que uma simples sucessão de acontecimentos. É um emaranhado intrincado de natureza, cultura e tempo. A vinha, arraigada nas encostas escarpadas e nos planaltos graníticos, é um testemunho vivo da relação ancestral entre o homem e a terra. As raízes que se aprofundam no solo, buscando a água e os nutrientes, espelham a própria busca do homem por significado e pertencimento.
Mosaico de tradições
A cultura vínica do Dão é um mosaico de tradições transmitidas de geração em geração. As mãos calejadas dos vinhateiros, moldadas pelo trabalho árduo, são a expressão de um saber ancestral, um conhecimento tácito que se perde nas brumas do tempo. A vindima, celebração da colheita, é um rito de passagem que marca o ciclo da vida e da natureza. É nesse momento que a uva, fruto da terra e do sol, se transforma em néctar divino.
As suas paisagens exuberantes e aldeias pitorescas constituem o palco onde a história se desenrola. Os castelos e as quintas, testemunhas silenciosas do passado, guardam os segredos de um tempo em que o vinho era sinónimo de poder e riqueza. As adegas, com suas barricas de madeira e aromas inebriantes, são templos dedicados ao culto de Baco. A vinha, com as suas paisagens exuberantes e a variedade de castas, é a primeira tela do artista vinícola. A escolha do local de cultivo, a orientação das fileiras, a poda e a adubação são decisões que moldam o caráter do vinho. O terroir, conjunto de fatores naturais que influenciam o sabor da uva, é a paleta de cores do artista, oferecendo uma infinidade de nuances e tonalidades.
O vinho do Dão é mais do que uma bebida, é uma expressão da alma da região. Cada garrafa conta uma história, um reflexo do terroir, do clima e do homem que o criou. A diversidade de castas e solos confere, aos vinhos do Dão, uma personalidade única e inconfundível. A cor, o aroma e o sabor são elementos que compõem a sua estética. Um vinho tinto encorpado e complexo pode ser comparado a uma pintura barroca, rica em detalhes e contrastes. Um vinho branco fresco e mineral pode lembrar uma aquarela, leve e delicada.
A filosofia do vinho ensina-nos a apreciar a simplicidade das coisas, a saborear cada momento e a encontrar beleza nas pequenas coisas. O ato de degustar um vinho é uma experiência sensorial e espiritual que nos conecta com a natureza e com a história. É um convite à reflexão sobre a vida e a passagem do tempo.
Na pincelada da minha escrita transborda um sentimento artístico pela felicidade que os vinhos do Dão me proporcionam. Nesta região sinto no vinho uma forma de expressão artística que une a natureza e a cultura.
Ao brindar com um vinho do Dão, celebramos não apenas a excelência de um produto, mas também a riqueza de uma cultura e a beleza de uma região. A vinha, o tempo e a alma do Dão estão inextricavelmente ligados, formando um património único e valioso que devemos preservar para as futuras gerações.
Inovação na tradição…
As minhas viagens pelo mundo do Enoturismo em Portugal têm-me proporcionado momentos inesquecíveis e gratificantes, ao conhecer a história e a tradição das regiões vitivinícolas, ao descobrir vinhos únicos, caminhar por vinhas exuberantes, onde a beleza se une à qualidade dos vinhos, admirar paisagens deslumbrantes e conhecer pessoas apaixonadas por essa arte milenar.
Na minha “árdua” felicidade de conhecer o país enoturístico, numa jornada introspetiva, numa espécie de convite à filosofia, à contemplação da existência e à busca por significados profundos no mundo do Vinho e porque não dizer da Gastronomia, escolhi o Dão para esta viagem.
Nesta região somos convidados a um diálogo íntimo com a natureza. A terra paciente oferece os seus frutos. A videira, símbolo da vida e da renovação, tece uma narrativa milenar, onde cada folha é um capítulo escrito pelo tempo. A cada passo, somos lembrados da nossa própria finitude e da impermanência de todas as coisas. O Dão é isto. É fantasia, é mistério. Obriga-me a viver como se amanhã fosse o último dia da minha vida.
A escolha estava feita – a Quinta da Teixuga e a sua Adega Caminhos Cruzados, encaixa-se “como uma luva“ neste espírito filosófico, na busca interminável do saber e do sabor. Nesta adega o vinho, que é o resultado de um processo alquímico entre a terra, o sol e o trabalho humano, revela-se como uma metáfora da vida. Assim como o vinho amadurece em barricas, transformando-se numa bebida complexa e multifacetada, nós também evoluímos com o tempo, moldados pelas experiências e pelas relações que estabelecemos.
Paixão pelo vinho
A Adega Caminhos Cruzados é mais do que apenas um local de produção de vinho. É um verdadeiro manifesto de paixão pelo vinho e pela sua região. Fica na Quinta da Teixuga, situada em Vilar Seco, concelho de Nelas, no distrito de Viseu, propriedade de 30 hectares no coração do Dão, e destaca-se pela sua arquitetura moderna e arrojada, que se funde perfeitamente com a paisagem circundante, desenhada pelo Arquiteto Nuno Pinto Cardoso
Na chegada à Adega Caminhos Cruzados percebe-se, de imediato, que se entra num espaço com claras preocupações estéticas e integradoras na paisagem rural. De forma natural, cria de imediato uma elevada expectativa do que se vai encontrar. A inovação da arquitetura funde-se com a tradição vínica da Região do Dão, como a de dois amantes num eterno tango, alicerçado num abraço apaixonado. A tradição vitivinícola guia a inovação pelos caminhos da história, enquanto esta, com sua energia vibrante, insufla nova vida nas raízes ancestrais. É nessa dança harmoniosa que a criatividade encontra a sua inspiração, e o futuro a sua essência.
Encontrei o Luis Filipe, coordenador do Enoturismo da Caminhos Cruzados, na empresa desde 2019, que orgulhosamente explica que começou como embaixador/promotor da marca na zona centro do país. Sente-se a sua paixão pelo que faz e representa. A quinta localiza-se em pleno planalto do Dão, em Terras de Senhorim, que são excelentes para a plantação de videiras e produção de uva, salienta. As amplitudes térmicas locais são apropriadas para a boa maturação das uvas e o seu lento amadurecimento dá origem a vinhos de aromas ricos e boa acidez, elegância e estrutura, diz também.
A Caminhos Cruzados surge do amor que a família Santos, natural de Nelas, têm à Região do Dão. É em 2012 que Paulo Santos, empresário têxtil, decide voltar a dar vida a esta tradição e criar uma empresa familiar, dirigida por Lígia Santos, a sua filha, que troca Lisboa e a advocacia pelo vinho e ruma a Nelas para dirigir os destinos do projeto.
Paulo Santos, que fazia vindimas em família e com amigos, desde cedo, produzindo vinho caseiro num pequeno lagar, salienta que, na adega produz vinho de qualidade, com uma vertente de tradição aliada ao modernismo e constante diferenciação que o mercado exige”. Desde o início, que a visão da Caminhos Cruzados foi surgir como “O Novo Dão” e a sua adega emergiu das vinhas da Quinta da Teixuga em 2017. Em algumas delas, cuja idade média é de 50 anos, podemos encontrar as castas tintas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro e brancas Malvasia-Fina, Encruzado e Bical. É a partir desta riqueza varietal que são feitos os vinhos na adega. Os caminhos cruzados da vida podem proporcionar algo mágico e fantástico, experiências e vivências diferentes que nos transformam e enriquecem a alma. São como um labirinto cheio de surpresas e desafios, de complexidade e imprevisibilidade. É desta paleta filosófica que surge a ideia de designar a Adega de “Caminhos Cruzados”. “A sua estética inspira-se no logótipo da empresa, duas linhas que se cruzam, e encontra-se perfeitamente integrada no ambiente”, sustenta Luis Filipe com um brilho nos olhos de quem adora o que faz.
Um tesouro escondido
Escondida entre as serras do Caramulo, Montemuro, Buçaco e Estrela, a Quinta da Teixuga é um refúgio para os amantes do vinho que buscam experiências autênticas. Com 42 hectares de vinhas, a propriedade oferece um panorama único da viticultura portuguesa, onde a natureza e a tradição se entrelaçam.
As vinhas, situadas entre os 400 e 700 metros de altitude, beneficiam de um terroir excecional. Os solos xistosos e graníticos, aliados ao clima mediterrâneo influenciado pela altitude, conferem aos vinhos uma mineralidade e complexidade únicas.
Com o objetivo de preservar a alma do Dão, a Quinta da Teixuga investe na recuperação de vinhas velhas, com mais de 50 anos. Essas vinhas, verdadeiros tesouros, guardam um património genético único que se traduz em vinhos com uma identidade própria.
Em paralelo, a Quinta da Teixuga aposta na plantação de novas vinhas, com variedades que complementam as castas tradicionais do Dão, como a Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen, Tinta Roriz, Encruzado, Bical, Cercial, Malvasia Fina e Verdelho. Consciente da importância da preservação do meio ambiente, a Quinta da Teixuga iniciou, em 2019, um projeto de conversão de uma parcela de vinha para a agricultura biológica.
Uma experiência única de Turismo, Gastronomia e Vinhos
Visitar a Quinta da Teixuga e a sua adega é uma viagem no tempo. Ao percorrer as vinhas e a adega, os visitantes podem conhecer de perto o processo de produção dos vinhos e apreciar a beleza da paisagem. Provar os seus vinhos é uma boa oportunidade para descobrir a sua complexidade e elegância.
Na adega Caminhos Cruzados todas as atividades começam com uma visita guiada, uma imersão nas paisagens e processos vitivinícolas da região do Dão. O circuito tem início no exterior, próximo das vinhas, onde os visitantes são contemplados com uma vista panorâmica da Serra do Caramulo. Nesse momento é apresentada a história da empresa, desde sua fundação, em 2012, até os dias atuais, além de uma breve e objetiva explicação sobre os vinhedos, que se estendem para além da Quinta da Teixuga. A visita inclui uma introdução às características geográficas e vitivinícolas da região do Dão.
Em seguida, os visitantes são conduzidos ao setor de produção, localizado no subsolo da adega. Neste espaço é explicada cada etapa do processo, desde a colheita até o processamento das uvas. O tour passa então pelas cubas de inox, onde são abordadas as diferenças entre os tipos de fermentação, destacando as distinções entre as cubas cilíndricas e as troncocónicas.
A visita continua pela área de enchimento e rotulagem, onde os participantes conhecem os processos de finalização do produto e podem observar o laboratório, onde a enóloga Carla Rodrigues realiza análises detalhadas e define os lotes finais dos vinhos.
O ponto alto da visita é a deslumbrante sala das barricas, que impressiona todos os que percorrem o seu interior. Neste espaço, os visitantes são apresentados aos diferentes estágios de envelhecimento em madeira, um processo essencial para a qualidade dos vinhos produzidos na adega. No final, as pessoas são direcionadas para o local onde participarão na atividade escolhida, encerrando uma experiência enriquecedora no mundo do turismo de vinhos.
Viagem gastronómica
A cozinha do restaurante está sob o comando do talentoso chef Miguel Vidal, que combina ingredientes regionais com influências da sua experiência internacional, oferecendo uma verdadeira viagem gastronómica, que destaca a autenticidade dos produtos locais com toques inspirados nas passagens por vários países.
Entre as suas especialidades encontram-se pratos como Bacalhau com broa, Escabeche de truta, Vitela em púcara de barro preto e o tradicional Arroz de carqueja em vinha d’alhos, que encantam pelo sabor e apresentação cuidadosa.
Além do cardápio regular, o chef oferece a possibilidade de se realizar experiências gastronómicas personalizadas. Com reserva prévia, pode criar menus exclusivos, ajustados às preferências e ocasiões específicas dos clientes, seguindo um conceito tailor made que garante um toque único em cada refeição. Para aproveitar esses almoços ou jantares especiais, acompanhados pelos vinhos da adega, é necessário agendar com pelo menos 24 horas de antecedência.
Seja através de uma visita breve ou de uma imersão completa, a Caminhos Cruzados proporciona uma experiência única: a alegria que surge da perfeita harmonia entre o vinho, a natureza e a inovação na tradição.

CADERNO DE VISITA
COMODIDADES
– Kids friendly
– Línguas faladas: inglês, espanhol
– Loja de vinhos
– Diversas salas com capacidades máximas de 8 a 40 pessoas para diferentes atividades e refeições
– Parque para automóveis ligeiros e autocarros
– Provas comentadas (ver programas)
– Conceito open kitchen com o chef Miguel Vidal
– Turismo acessível
– Wifi gratuito disponível
– Visita às vinhas
– Slow tourism (conceito de receber sem apressar o visitante, com abertura para poder caminhar livremente pela quinta ou apreciar um vinho à lareira, por exemplo)
EVENTOS
Corporativos
Atividades team building
Privados variados, incluindo aniversários, reuniões familiares, despedidas de solteiro (a) e batizados
PROGRAMAS DE ENOTURISMO
VISITA À ADEGA & PROVA DE 3 VINHOS
Duração média da experiência: 60 minutos
Horários: 11h/14.30h/16.30h de segunda a sábado
Limite mínimo de visitantes: 2
Limite máximo de visitantes: Não tem
Preço: 15€/Pax
VISITA À ADEGA, VINHA & PROVA DE 3 VINHOS PREMIUM
Tábua de enchidos e queijos. A tábua vegetariana necessita de marcação prévia de 24 h.
Duração média da experiência: 90 minutos
Horários: 11h/14.30h/16.30h de segunda a sábado
Limite mínimo de visitantes: 2
Limite máximo de visitantes: 28 sentados e 40 de pé
Preço: 30€/Pax
WINE AND FOOD
Atividade composta por visita à adega/quinta seguida de almoço vínico. As provas são harmonizadas com a gastronomia local. Opção vegetariana. necessita de marcação prévia de 48h
Duração da visita e almoço: 120-150 min
Horários: 12.30h de segunda a sábado
Limite mínimo de visitantes: 2
Limite máximo de visitantes: 28 sentados e 40 de pé
Preço: Almoço 50€/Pax; Jantar 55€/Pax
ENOLOGIA CRIATIVA
Nesta atividade o visitante poderá criar e engarrafar o seu próprio vinho, loteando e produzindo amostras para chegar ao perfil que gosta mais. No final leva a garrafa, para partilhar a experiência com os amigos ou família.
Duração média da atividade: 120 min
Horários: 11h/15h de segunda a sábado
Limite mínimo de visitantes: 2
Limite máximo de visitantes: 10 (equipas de 2)
Preço: 40€/Pax
PIQUENIQUE NA VINHA
Inclui prova de vinhos, um cesto de piquenique com uma garrafa de vinho, uma garrafa de água, compotas, pão regional, biscoitos, enchidos, queijo e fruta.
Duração da visita: Ilimitada.
Horários: A partir das 10.30h de segunda a sábado
Limite mínimo de visitantes: 2
Limite máximo de visitantes: Não tem
Preço: 40€ (2 Pax)
PROVA VINHO E CHOCOLATE
Nesta experiência, que agradará aos amantes de vinhos e de chocolates, são harmonizados cinco bombons com quatro vinhos.
Duração média: 90 min.
Horários: 11h/14.30h/16h de segunda a sábado
Limite mínimo de visitantes: 2
Limite máximo de visitantes: 20
Preço: 25€/Pax
PEDDY PAPER NA VINHA
O objetivo é passar um momento divertido com familiares e amigos a descobrir pistas no meio de uma vinha, através da leitura e descodificação de um road-book. Após o jogo, recupera-se a energia com a prova de um vinho na adega.
Duração média do jogo: 90 min
Horários: 11h/15h de segunda a sábado
Limite mínimo de visitantes: 2
Limite máximo de visitantes: Não tem
Preço: 20€/Pax
JOGO DOS AROMAS
O Jogo dos Aromas permite, aos jogadores, pôr à prova a sua capacidade de identificar os aromas do vinho, envolvidos em contexto vitícola.
Duração média do jogo: 90 min
Horários: 11h/14.30h/16.30h de segunda a sábado
Limite mínimo de visitantes: 2
Limite máximo de visitantes: 24
Preço: 20€/Pax
WINE SURPRISE
Partilha de o espaço da adega criar e oferecer surpresas aos outros.
WORKSHOPS
Possibilidade de participar em workshops temáticos criados pela Caminhos Cruzados, que são anunciados num futuro próximo.
EVENTOS CORPORATIVOS
Espaço único para eventos especiais, team buildings e formações com possibilidade de conhecer a adega e os seus vinhos.
CONTACTOS
Quinta da Teixuga, Estrada Municipal Algeraz – Carvalhal Redondo
3520-011 Nelas – Portugal
Tel.: +351 232 940 195
Email: enoturismo@caminhoscruzados.net
Responsável pelo Enoturismo – Luis Filipe
Notas
Aos domingos e feriados é necessária marcação prévia.
Preços especiais para crianças.
Nota: o autor escreve segundo o novo acordo ortográfico
Novas propostas culinárias na Caminhos Cruzados

Miguel Vidal, o chef residente da Caminhos Cruzados, empresa produtora de vinhos do Dão, apresentou recentemente um novo leque de propostas culinárias na ementa de actividades de vinho e comida desta casa, sediada em Nelas. As novas propostas, para o Verão de 2024, são um Creme de Cogumelos ou Cogumelos Recheados com Chouriço e Broa, […]
Miguel Vidal, o chef residente da Caminhos Cruzados, empresa produtora de vinhos do Dão, apresentou recentemente um novo leque de propostas culinárias na ementa de actividades de vinho e comida desta casa, sediada em Nelas.
As novas propostas, para o Verão de 2024, são um Creme de Cogumelos ou Cogumelos Recheados com Chouriço e Broa, como primeiros pratos, Carolos de Milho e Chouriço com Lombinho em Vinha-d’alhos ou Polvo Panado com Arroz do Mesmo, como pratos e a sobremesa de 200 Folhas com Puré de Castanha e Doce de Ovos. Para as mais recentes propostas culinárias de Miguel Vidal, onde predomina o que é endógeno, são também sugeridos os vinhos da Caminhos Cruzados, tal como acontecia já com os pratos que já constavam da ementa, como Escabeche de Truta, Bacalhau com Broa, Vitela em Púcara de Barro Preto ou Arroz de Carqueja com Vinha d’Alhos. Para além disso, Miguel Vidal está também disponível para o conceito “tailor made”, ou seja, para criar pratos à medida dos desejos gastronómicos dos clientes, mediante reserva com alguma antecedência.
Natural de Aveiro, o chef mudou-se para Viseu há mais de uma década. Passou pela cozinha de restaurantes como Ceia dos Malandros, 100 Papas na Língua e DeRaiz, antes de abrir o seu próprio espaço, o restaurante Terracota, com Anselmo Pires. Em 2023 tornou-se chef residente da Caminhos Cruzados.
Caminhos Cruzados: Em modo Clandestino

Em 2012, o empresário Paulo Santos iniciava o seu negócio de produção de vinho em Vilar Seco, Nelas. Anos mais tarde, a sua filha Lígia tomava as rédeas da empresa, mas o destino mostrou ser outro: Em finais de 2020, a empresa foi adquirida pelos empresários Paulo Pereira e o casal Maria do Céu Gonçalves […]
Em 2012, o empresário Paulo Santos iniciava o seu negócio de produção de vinho em Vilar Seco, Nelas. Anos mais tarde, a sua filha Lígia tomava as rédeas da empresa, mas o destino mostrou ser outro: Em finais de 2020, a empresa foi adquirida pelos empresários Paulo Pereira e o casal Maria do Céu Gonçalves e Álvaro Lopes, do Grupo Terras e Terroir, proprietário da famosa Quinta da Pacheca, no Douro, e de outras quintas na Bairrada e Alentejo. A nova gestão não só manteve a estrutura de produção, como continuou receptiva à experimentação. Esta equipa é a responsável pelos vinhos Titular, a marca mais conhecida da empresa do Dão, mas também por vinhos com Descarada, Caminhos Cruzados, Vinhas da Teixuga e Teixuga.
Nesta casa com 40 hectares de vinha, a enologia está a cargo de Carla Rodrigues, uma engenheira química industrial convertida em enóloga (depois de formação adicional). Carla não está só: os enólogos consultores Manuel Vieira e Carlos Magalhães dão-lhe apoio há vários anos, aportando à adega décadas de experiência.
A linha Clandestino nasceu da cabeça da jovem Lígia Santos, actualmente responsável pelos departamentos de comunicação e sustentabilidade do grupo Terras e Terroir. O primeiro elemento surgiu em 2017, o Clandestino tinto, que agora vai na colheita de 2019. E logo no ano a seguir, surge o branco, que está na versão de 2022. Este é oriundo de castas estrangeiras plantadas junto à adega, na Quinta da Teixuga, e que, por razões legais, não podem dar origem a vinhos com Denominação de Origem Dão. Como é Clandestino, a bem-disposta Lígia armou o seu melhor sorriso e não quis dizer quais as castas usadas: Chardonnay, Sémillon… quem sabe?
O mais recente da linha é outra provocação da equipa: um vinho com mistura de uvas brancas e tintas, que recebeu o nome de Clandestino Cuvée EC + TN. É da colheita de 2022 e resulta da adição de películas de Touriga Nacional (resultantes da produção de um rosé) ao mosto de Encruzado. Afinal, diz Lígia, estas são as duas “castas rainhas do Dão”.
É um tinto de cor clara mas, também pelo corpo que apresenta, hesitamos em classificá-lo. Manuel Vieira diz que “não é um clarete e certamente não é um rosé”. E talvez não seja um palhete. Afinal, diz Carla Rodrigues, “é um vinho fora da caixa”. Ou, diríamos nós, um vinho de perfil “Clandestino”.
(Artigo publicado na edição de Julho de 2023)
Caminhos Cruzados com chef residente que serve em toda a adega

Já é possível saborear os pratos de Miguel Vidal na adega da Caminhos Cruzados, chef que passa a estar em permanência nas instalações da empresa produtora de Nelas, no Dão. Quase todos os locais da adega podem ser palco das refeições criadas por este chef, que valoriza os produtos endógenos e utiliza a experiência adquirida […]
Já é possível saborear os pratos de Miguel Vidal na adega da Caminhos Cruzados, chef que passa a estar em permanência nas instalações da empresa produtora de Nelas, no Dão.
Quase todos os locais da adega podem ser palco das refeições criadas por este chef, que valoriza os produtos endógenos e utiliza a experiência adquirida em vários países do mundo, e os harmoniza com os vinhos da casa.
Escabeche de truta, bacalhau com broa, vitela em púcara de barro preto ou arroz de carqueja com vinha d’alhos são algumas das especialidades que se podem degustar em sítios como a sala de estágio dos vinhos Caminhos Cruzados, a varanda com vista para as vinhas, a sala de provas ou o pátio exterior.
Em alternativa, Miguel Vidal está disponível para proporcionar experiências personalizadas na adega, desde que requeridas com antecedência.
Os almoços ou jantares na adega da Caminhos Cruzados (mínimo 2 pessoas), são de marcação obrigatória (enoturismo@caminhoscruzados.net; 232 940 195) e têm um preço médio que ronda os 50 euros por pessoa, incluindo vinhos.
Caminhos Cruzados usa morcegos na vinha para combater pragas

No âmbito do seu projecto de sustentabilidade e biodiversidade, o produtor Caminhos Cruzados, do Dão, convidou dezenas de crianças de uma escola primária de Nelas — onde se situa a Quinta da Teixuga — a pintar casas para morcegos (na fotografia) que vão ser espalhadas pela propriedade. O objectivo é estimular os morcegos a permanecer […]
No âmbito do seu projecto de sustentabilidade e biodiversidade, o produtor Caminhos Cruzados, do Dão, convidou dezenas de crianças de uma escola primária de Nelas — onde se situa a Quinta da Teixuga — a pintar casas para morcegos (na fotografia) que vão ser espalhadas pela propriedade. O objectivo é estimular os morcegos a permanecer na quinta, no seu habitat, junto das culturas, para que estes ajudem no controlo de pragas
Lígia Santos, directora de sustentabilidade da Caminhos Cruzados, explica que “sendo a dieta do morcego maioritariamente constituída por traças, pretende-se com este projecto reduzir os estragos causados na vinha. Paralelamente, esperamos reduzir a necessidade do uso de pesticidas, pois teremos frutos mais sãos e recuperaremos a vida biológica dos solos e da fauna existente”.
A empresa do Dão tem levado a cabo, nos últimos anos, um programa agroecológico que teve início com a plantação de 105 árvores espalhadas pela Quinta da Teixuga, formando um bosque com 10 espécies diferentes da região, com bagas e frutos que fornecem alimento à avifauna, ao longo de, praticamente, todo o ano. Um bosque que também contou com o envolvimento da comunidade escolar, “tendo em vista sensibilizar as crianças desde tenra idade para a importância da regeneração, preservação e valorização das matas”, comunica o produtor do Dão.
O compromisso ecológico da Caminhos Cruzados tem, além dos morcegos, outros “ajudantes”, como o as ovelhas: “Começámos em 2022 a usar ovelhas certificadas para a produção de Queijo da Serra, para controlar infestantes e promover uma cobertura regenerativa dos solos da vinha, o que trará como resultado uma terra mais fértil e rica em biodiversidade e carbono”, adianta Lígia Santos.
Caminhos Cruzados firma compromisso agro-ecológico na Quinta da Teixuga

A Caminhos Cruzados — empresa produtora do Dão conhecida sobretudo pelos vinhos homónimos, e pelos Titular e Teixuga — anunciou que colocou em marcha um projecto agro-ecológico para a sua Quinta da Teixuga, compromisso que arrancou hoje, no Dia Mundial da Árvore (21 de Março) com a plantação de 105 árvores na propriedade. “A monitorização da […]
A Caminhos Cruzados — empresa produtora do Dão conhecida sobretudo pelos vinhos homónimos, e pelos Titular e Teixuga — anunciou que colocou em marcha um projecto agro-ecológico para a sua Quinta da Teixuga, compromisso que arrancou hoje, no Dia Mundial da Árvore (21 de Março) com a plantação de 105 árvores na propriedade.
“A monitorização da informação com recurso a tecnologia, a aposta em modos de produção mais protectores dos recursos (água, solo e biodiversidade) e uma nova visão sobre o embalamento”, são algumas das áreas que este projecto toca, segundo o produtor. Lígia Santos, directora-geral da Caminhos Cruzados, explica que a empresa vai conhecer um impulso nos próximos tempos, ao nível da sustentabilidade, “no caminho da regeneração, resiliência e transição, três passos fundamentais que querem dar uma resposta eficaz às exigências do mercado em termos de sustentabilidade e agro-ecologia, mas sobretudo para termos condições de fazer face às alterações climáticas e os desafios que elas trazem ao nosso, perfil, identidade e terroir”.
A “mini-floresta” plantada hoje — em conjunto com alunos do 2º ano do Centro Escolar de Nelas — que simbolizou o início desta nova era da Caminhos Cruzados, representa um bosque misto ibérico com 10 espécies diferentes da região, “com bagas e frutos de muitas cores, que fornecem alimento à avifauna ao longo de praticamente todo o ano. É por isso um bosque para pássaros, que certamente irá ser mais uma peça fundamental no restauro do mosaico da Quinta da Teixuga”, refere a empresa.
Anteriormente, a Caminhos Cruzados já tinha dado alguns passos no sentido deste projecto agro-ecológico, com intervenção na vinha e nos espaços florestais e naturais que a enquadram, “no sentido de progressivamente reduzir ao mínimo, ou mesmo eliminar, o uso de herbicidas e fito-fármacos”. Já este ano, começou a usar ovelhas certificadas para a produção de Queijo da Serra, para controlar infestantes e promover uma cobertura regenerativa dos solos, o que traz biodiversidade e maior captação de carbono aos mesmos.
Compra da Caminhos Cruzados dá origem ao “Terras e Terroir”

Os empresários Paulo Pereira e o casal Maria do Céu e Álvaro Lopes, acabam de investir num novo projecto, ligado ao mundo da vitivinicultura, com a aquisição da empresa Caminhos Cruzados (na foto), produtor de vinhos do Dão sediado em Nelas. Com este negócio os empresários fundam o Grupo Terras e Terroir, que passa também […]
Os empresários Paulo Pereira e o casal Maria do Céu e Álvaro Lopes, acabam de investir num novo projecto, ligado ao mundo da vitivinicultura, com a aquisição da empresa Caminhos Cruzados (na foto), produtor de vinhos do Dão sediado em Nelas. Com este negócio os empresários fundam o Grupo Terras e Terroir, que passa também a integrar as durienses Quinta da Pacheca, em Lamego, e a Quinta de São José do Barrilário, em Armamar.
Do Douro ao Dão, o mundo da viticultura já há alguns anos que se transformou numa das grandes paixões de Maria do Céu, do seu marido Álvaro Lopes, assim como do sócio Paulo Pereira, unidos pelos negócios desde 1999. Depois de em 2012 terem adquirido a Quinta da Pacheca e em 2017 Quinta de São José do Barrilário, avançam agora para uma empresa que granjeou notoriedade na região do Dão. “Temos uma real paixão por produtos de origem portuguesa e por tudo aquilo que é mais genuíno, e uma dessas coisas é o vinho, secularmente ligado à nossa história e às nossas raízes”, referem os empresários, acrescentado que com o investimento feito agora na Caminhos Cruzados pretendem “criar sinergias entre as empresas do Grupo, bem como estender o nosso know-how económico e técnico a outras regiões do País”.
Com uma rede de distribuição consolidada, quer a nível nacional quer no mercado externo, o Grupo Terras e Terroir entende que pode oferecer à Caminhos Cruzados “um modelo de gestão mais profissional, alguma folga financeira e um projeto integrado que vai fazer cimentar a posição das marcas no mercado”. Segundo os novos proprietários, grande parte da actual equipa da Caminhos Cruzados, cerca de 15 pessoas no total, irá manter-se na empresa.
Caminhos Cruzados promove Concurso de Fotografia

A Caminhos Cruzados, produtora de vinhos do Dão, apela, com o apoio das Casas do Lupo, à criatividade e desafia os amantes de vinho a registá-lo, em fotografia, sob o mote “A Caminhos Cruzados desafia a descobrir… O que é o vinho? É uva? Vinha? Adega? Copo? É tudo isso e mais ainda”. Entre os […]
A Caminhos Cruzados, produtora de vinhos do Dão, apela, com o apoio das Casas do Lupo, à criatividade e desafia os amantes de vinho a registá-lo, em fotografia, sob o mote “A Caminhos Cruzados desafia a descobrir… O que é o vinho? É uva? Vinha? Adega? Copo? É tudo isso e mais ainda”.
Entre os dias 1 e 31 de Julho, os apaixonados pela arte da fotografia e do vinho podem participar e habilitar-se a ganhar um fim-de-semana (2 noites) nas Casas do Lupo, para 2 adultos (até 15 de Dezembro de 2019, excepto no mês de Setembro), um programa completo de Enoturismo na Caminhos Cruzados e ainda a uma garrafa do vinho topo de gama Teixuga Branco 2014.
Para seleccionar as melhores imagens fotográficas, Caminhos Cruzados contará com jurados de renome: Isabel Saldanha, fotógrafa; Mariana Lopes, editora de imagem da revista Grandes Escolhas; Ricardo Garrido, fotógrafo e editor de imagem e Bernardo Torres, Director das Casas do Lupo.
O vencedor será anunciado no dia 6 de Setembro, na Adega da Caminhos Cruzados. As 5 imagens finalistas estarão em exposição na Adega da Caminhos Cruzados e na Feira do Vinho do Dão, em Nelas, entre os dias 6 e 8 de Setembro.
Os participantes deverão enviar as suas fotografias para o e-mail geral@caminhoscruzados.net.
O regulamento pode ser consultado no Facebook do produtor ou no site da Caminhos Cruzados.