Colheita, um Porto de celebração

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Quando se entra numa loja que vende Vinho do Porto são inúmeras as garrafas que têm data de colheita e que a ostentam bem destacada no rótulo. Outrora negócio de nicho, hoje é um segmento que interessa […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Quando se entra numa loja que vende Vinho do Porto são inúmeras as garrafas que têm data de colheita e que a ostentam bem destacada no rótulo. Outrora negócio de nicho, hoje é um segmento que interessa a quase todas as empresas. Principal razão: a procura de Colheita está a crescer muito entre os apreciadores, sobretudo como forma de celebrar uma data especial.

TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga

A produção deste tipo de Vinho do Porto esteve durante muito tempo associada com as casas portuguesas do sector. Durante anos e anos foi a marcas como Messias, Barros, Kopke, Burmester, Wiese & Krohn e Niepoort que os apreciadores recorriam para comprar um Porto Colheita. No outro lado estavam as empresas inglesas, sempre mais vocacionadas paras os vintages e L.B.V., como a Taylor’s, Fonseca, Cockburn, Croft e todo o grupo Symington (Graham’s, Warre, Dow’s, etc.)
Na última década, o interesse neste tipo de vinho começou também a motivar as empresas inglesas e o jogo mudou de figura. É um negócio importante porque acrescenta muito valor e porque “é uma resposta à apetência do mercado”, como nos disse José Alvares Ribeiro, responsável do mercado interno do grupo Symington. A apetência vem, como nos disse, “pelo renovado interesse pelos tawnies velhos, vinhos mais fáceis de tratar e de gerir, quer em casa quer na restauração”. A tendência actual para vinhos que possam ser consumidos refrescados também veio ajudar ao negócio dos Colheita, embora o grupo Symington não faça, por enquanto edições anuais de Porto Colheita – “Vamos lançar um Graham 1963 que se mostrou excelente só por si.”
A antiga tradição que muitas casas portuguesas mantêm é exactamente de engarrafar todos os anos uma pequena parte do stock e fazer depois engarrafamentos à medida das vendas. É a pensar nessa estratégia que a Sogevinus reserva todos os anos cerca de 400.000 litros para Porto Colheita. “É em Janeiro, no ano a seguir à colheita, que se decide para que marca vai o vinho, sendo certo que a Kopke absorve por norma 150.000 daquela quantidade, já que é o nome mais forte do grupo em Porto Colheita e, pela razão oposta, à Cálem caberão entre 10 a 15.000 litros”, afirma Carlos Alves, enólogo da Sogevinus. Tudo é devidamente controlado pelo IVDP que aceita o registo de determinada quantidade destinada a Porto Colheita e que faz depois o controlo periódico desse stock, havendo contas-correntes de todos os vinhos armazenados.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32022″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]CONTROVÉRSIAS À VOLTA DE UM ESTILO
Nunca houve no sector uma “unanimidade aprovativa” do Porto Colheita. Do lado da crítica choviam argumentos contra: com muitos anos de casco, a data da colheita já pouco interfere no produto final; para não perder qualidades o vinho tem de ir sendo rectificado e refrescado, o que ajuda à perda de identidade. Assim, o Colheita era olhado de lado por várias empresas, como a Sogrape e a Ramos Pinto, que há muitos anos deixou de produzir este tipo de vinho. Os dois argumentos aduzidos têm razão de ser, mas Álvaro van Zeller, enólogo da Barão de Vilar e da Andresen, argumenta que o IVDP, através da análise periódica que faz aos vinhos em armazém, pode detectar qualquer mudança de estilo, de cor, de teor de açúcar, e por isso “não se pode mudar substancialmente o que se tem em cave”; e a própria rectificação de aguardente não pode exceder os 2% ao ano, para uma evaporação que pode chegar aos 3%/ano. Na verdade, cada ano que passa há um pouco menos de vinho nos cascos, mas por uma boa causa. “Não me importo de perder vinho todos os anos”, diz-nos Álvaro.
Para manter a frescura do vinho requer-se também que existam passagens a limpo, ou seja, mudar o vinho de casco. Este processo é mais frequente nos vinhos novos, fazendo-se de três em três anos, e aí o objectivo é limpar o vinho das borras; já nos vinhos mais velhos a passagem a limpo pode ser feita de cinco em cinco anos, sendo que nesse caso o único objectivo é o arejamento. O tipo de vinho que temos e o que queremos dele, irá determinar, por exemplo, a quantidade colocada em cada pipa. “Se for para oxidar mais e evoluir mais depressa, deixo a barrica a meio, mas por norma, na Andresen, deixo 50 litros em vazio numa barrica de 500 litros”, refere Álvaro van Zeller.
Assunto controverso e não resolvido é a característica diferente que este tipo de vinho adquire, conforme tenha sido estagiado em Gaia ou no Douro. Dois factores intervêm neste tema: a temperatura e a humidade, ambos importantes mas, como nos confirmou Van Zeller e o que observámos na adega da Nogueira (Fonseca Guimaraens), em S. João da Pesqueira, a humidade pode mesmo ser o factor diferenciador. Na Nogueira foram instalados aspersores que permanentemente estão a colocar ar húmido na atmosfera do armazém, com clara diminuição da evaporação, e Van Zeller confirmou que em Gaia, mesmo num armazém mais quente, a evaporação é sempre mais contida do que no Douro, onde os vinhos, por força da conjugação temperatura/ar seco, tendem a ganhar aromas mais pesados, mais torrados e por vezes aborrachados, a que os ingleses chamam baked e que um nariz mais apurado detecta imediatamente em prova cega.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”32023″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]INTERESSE RENOVADO
No consumidor pode ficar sempre a dúvida: qual será a diferença entre o Tawny com indicação de idade 40 Anos e um Colheita que tenha estado 40 anos em casco? José A. Ribeiro confirma que “pode não ser fácil mas é o mesmo tipo de dificuldade que existe com outros tipo de Vinho do Porto que têm muitos pontos de contacto, com os Ruby Reserva e os L.B.V., por exemplo; o 40 Anos é um vinho de blend, é uma criação de loteamento sucessivo, enquanto o Colheita pode aparecer como um vinho não tão polido, onde as características do ano ainda podem estar presentes”. O conceito é confirmado também por Charles Symington, enólogo da empresa, que acha que “um ano mais quente ou mais fresco, um vinho com fruta mais ou menos madura, tudo isso se pode reflectir depois no Colheita, mas se forem muitos os anos de casco é de facto difícil perceber o ano.”
Mas no caso das marcas da família Symington, os Colheita vieram para ficar e a empresa pretende estar mais presente no mercado com este tipo de vinho. Não no caso Graham (onde haverá lançamentos especiais e engarrafado todo o stock do ano de uma vez só) mas nas outras marcas, tais com a Warre Otima ou a Dow’s, por exemplo. “Creio que fizemos bem em entrar neste novo negócio porque tínhamos e temos excelentes vinhos velhos em casco e, em muitos casos, em quantidade que justificava a colocação no mercado”, refere Charles.
Os portugueses estão a beber mais Porto Colheita e, na opinião de Jaime Vaz, da Garrafeira Nacional, em Lisboa, estão mesmo a comprar mais Tawny do que Vintage, a não ser nos anos clássicos. Com uma curiosidade: “Ao contrário dos vintages, o meu consumidor pede Colheita, não pelo nome do produtor mas pelo ano e com frequência, quando há escolha do mesmo Colheita, pedem engarrafamentos mais antigos. É um negócio que poderá andar entre as 15 e 20.000 garrafas/ano.” Luís Cândido da Silva, da Garrafeira Tio Pepe, no Porto, também não tem dúvidas: “Este é o segmento de Vinho do Porto que mais tem crescido e os nossos clientes pedem (talvez 50%) pelo ano que querem e não pela marca. Mas também estou certo de que foi o aparecimento de colheitas antigas de marcas prestigiadas que veio trazer um renovado interesse por este tipo de Porto”, confirmou.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#efefef” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Colheita, modo de usar” color=”custom” accent_color=”#888888″][vc_column_text]A primeira ideia que nos surge quando pensamos na integração do Porto Colheita num menu é considerá-lo como vinho de sobremesa, servido por isso no final da refeição. A ideia está correctíssima e é mesmo como corolário da refeição que, por norma, entendemos o Colheita. No entanto é possível ter neste assunto uma atitude mais aberta e atenta. Assim, creio que um Colheita muito velho não deverá ter a mesma ligação com a sobremesa que reservaríamos a um Colheita novo, com 10 ou 12 anos. Para mim um Colheita muito velho é sempre o protagonista, quando não o solista do final do concerto: bebe-se sozinho, sem qualquer acompanhamento. Já um Colheita de meia-idade – entre 20 e 30 anos, por exemplo – pode merecer um tratamento diferente e ser grande parceiro, servido como entrada, com um foie-gras mit cuit. Pode ser servido nos copos de Porto ou, caso os possua, nos modelos especiais para colheitas tardias que algumas empresas de copos têm no portefólio. Um Colheita mais novo pode ser bem apreciado no início da refeição com amêndoas torradas ou, como as servem no Douro, fritas em azeite e temperadas com sal; mas também no final da refeição com sobremesas de ovos desde que não muito doces, como leite-creme, por exemplo, mas também a tarte tatin ou outro tipo de tartes de maçã.
[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]UM PORTO COM REGRAS?
Diz-se, e com razão, que nos assuntos do vinho não devem existir demasiadas regras, para que o prazer do consumo não vire uma actividade sujeita a demasiados normativos. No entanto, no caso do Porto Colheita, é verdade que convém o consumidor estar por dentro de alguns segredos que este tipo de vinho encerra. Na origem estamos a falar de um Porto envelhecido em casco e, por via disso, entra na categoria de Vinho do Porto Tawny. Vamos então ver as características específicas que este Tawny apresenta e que deveremos ter em conta, quer no acto da compra quer no do consumo.
1. Por lei, um Colheita só pode ser engarrafado após sete anos de estágio em casco. Mas não tem de ser engarrafado todo de uma vez. Por norma, seguida por quase todas as casas, os Colheita vão sendo engarrafados à medida das solicitações do mercado. Faz-se um engarrafamento quando é preciso, normalmente uma vez por ano, nas quantidades que o mercado irá absorver.
2. Os Colheita podem ser, na origem, vinhos brancos ou tintos. Actualmente já se faz a distinção ente Colheita branco e tinto, algo recente no sector do Vinho do Porto. No caso dos Colheita brancos, essa indicação vem no rótulo.
3. Algumas empresas optam por colocar os Colheita à venda apenas quando já têm 10 anos de casco. A idade de 7 anos é apenas a indicação oficial, a partir do qual o Colheita pode ser vendido. Fica assim ao critério de cada empresa a idade a partir da qual começa a vender o seu Colheita.
4. Esta regra do engarrafamento faseado, leva a que o tempo de estágio possa ser muito diferente, dependendo do tempo que esteve em casco. Exemplo: há várias empresas que ainda têm o Colheita 1937 em casco e estão a engarrafá-lo aos poucos, desde os anos 40. Assim, um 37 comprado agora e engarrafado recentemente, terá muito mais anos de casco do que o seu equivalente engarrafado há 40 ou 50 anos. E, diz-nos também a prática, o que tiver sido engarrafado há menos tempo estará muito mais vivo e fresco. Fica então a primeira sugestão: antes de adquirir um Porto Colheita verifique a data de engarrafamento presente no rótulo ou contra-rótulo. Do que atrás se disse não se conclui que só os engarrafamentos recentes são de considerar; um Colheita engarrafado há muito tempo pode continuar a mostrar imensa saúde e adquirir mesmo o famoso “cheiro de garrafa”, algo difícil de definir mas corresponde a uma nota vidrada que nos indica que o vinho estará engarrafado há muito. A ideia é que, perante uma opção de compra entre dois Colheitas do mesmo ano e do mesmo produtor, será preferível escolher o que tiver menos tempo de garrafa.
5. Os Colheita são sempre filtrados antes do engarrafamento. Não requerem assim decantação prévia. No entanto, caso tenha já muitos anos de garrafa, é possível que apresente algum depósito. Há então que ter alguns cuidados no manuseamento da garrafa para que o Porto seja servido limpo e límpido.
6. Caso exista depósito e tenha de ser decantado, o vinho tanto pode ser servido num decanter (de cristal, de preferência) como na própria garrafa. Nesse caso decante o vinho, lave bem a garrafa e volte a colocar o vinho na garrafa original.
7. Tal como todos os Porto Tawny, os Colheita devem ser conservados ao alto na garrafeira; o facto de se tratar de um vinho já oxidado não obriga a que a garrafa seja conservada deitada.
8. Ao contrário dos Vintage, os Colheita podem ser consumidos tranquilamente durante alguns meses sem perda de qualidade na garrafa depois de aberta. Mas aqui há que não exagerar e, ao final de um ano, o vinho terá perdido frescura. Há assim que prestar atenção ao tempo que decorre entre a abertura e o final do consumo da garrafa.
9. O Colheita beneficia em ser servido ligeiramente fresco, fica bem mais elegante e ganha muita vivacidade. A garrafa deverá ser colocada no frio um par de horas antes do serviço, mas, se necessário, não há que hesitar em usar um balde de gelo para que o Colheita não fique prejudicado com a temperatura.
10. O Colheita não ganha com o tempo de garrafa. Alguns aromas podem modificar-se mas, no essencial, a evolução fez-se antes do engarrafamento. Conservar um Colheita em casa por muitos anos à espera de melhorias significativas pode revelar-se contraproducente.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]

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Edição Nº18, Outubro 2018

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Cockburn’s celebra Dia Internacional do Vinho do Porto

No dia 27 de Janeiro assinala-se o Dia Internacional do Vinho do Porto e a Cockburn’s, marca da Symington Family Estates, vai celebrá-lo com a mais recente novidade do seu Centro de Visitas: piqueniques no espaço do Centro. Quem reservar piquenique terá a oportunidade de provar os vinhos Douro e Porto e também sabores regionais […]

No dia 27 de Janeiro assinala-se o Dia Internacional do Vinho do Porto e a Cockburn’s, marca da Symington Family Estates, vai celebrá-lo com a mais recente novidade do seu Centro de Visitas: piqueniques no espaço do Centro. Quem reservar piquenique terá a oportunidade de provar os vinhos Douro e Porto e também sabores regionais sendo que, no dia 27, tem oferta de visita e prova do Cockburn’s 10 Anos.
O menu do piquenique está disponível para uma ou duas pessoas (19 e 32 euros, respetivamente) e inclui pão rústico, enchidos, queijo, azeitonas, paté de bacalhau, batatas fritas, tomates cherry, fruta da época, chocolate com Vinho do Porto Special Reserve, um copo de Altano e outro de Cockburn’s Special Reserve. Também os menus infantil (12 euros) e vegetariano (19 euros) são uma opção.
A pré-reserva pode ser feita através do e-mail cockburnslodge@cockburns.com ou do número 913007950.

Croft: Uma casa com 430 anos!

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um produtor com um passado da dimensão do Vinho do Porto. Um Vintage de sonho produzido a partir de uvas de uma quinta mítica. Uma celebração inesquecível. TEXTO Nuno de Oliveira Garcia FOTOS Anabela Trindade Existem colheitas […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um produtor com um passado da dimensão do Vinho do Porto. Um Vintage de sonho produzido a partir de uvas de uma quinta mítica. Uma celebração inesquecível.

TEXTO Nuno de Oliveira Garcia

FOTOS Anabela Trindade

Existem colheitas que produziram Vintages de que ninguém se esquece. Colheitas que viraram lendas, e anos que rimam com perfeição. A par da colheita de 1963, talvez só a de 1945 adquiriu esse estatuto, e perspetiva-se que 2011 possa, com o teste dos anos vindouros, vir a ser também dessa índole. Pois bem, da colheita de 1945 é unânime que um dos melhores Vintage desse ano foi o da Croft. Provado recentemente no evento que comemorou os 430 anos da empresa, resta-nos dizer sobre ele que qualquer adjetivo peca por defeito.
Melhor do que isso só poder confirmar, numa prova vertical muito especial em homenagem ao 430º aniversário, que também anos como 1948, 1955, 1963, 1966 e 1970 permitiram à Croft fazer alguns dos melhores Vintage que já provámos, e não estamos a exagerar. E a verdade é que a marca Croft, apesar de ter transitado de proprietários algumas vezes, sempre se manteve presente nas escolhas dos consumidores portugueses e ingleses, sendo uma referência muito relevante no universo Porto. Talvez o caso mais evidente, a par dos Vintages, tenha sido o Croft’s Invalid Port, um produto de enorme sucesso, tido por um tónico com propriedades medicinais e que chegou a expor no respetivo rótulo uma sugestiva cruz vermelha…
Com tanto sucesso e história (no Vinho do Porto e no Sherry), em 2001, e após algumas tentativas anteriores não sucedidas, a então Taylor Fladgate & Yeatman (atual The Fladgate Partnership) adquiriu o negócio do Vinho do Porto da Croft (do negócio ficou fora a área do Sherry). Mas, para além de uma marca intemporal, dos stocks e instalações, a razão da aquisição era bem clara, e consubstanciava um sonho antigo – voltar a possuir a Quinta da Roêda, inicialmente comprada pela Croft em 1889.
Trata-se de uma propriedade extensa junto ao Pinhão, em pleno Cima-Corgo, na margem norte, fácil de identificar pela curva majestosa que o rio Douro desenha nesse mesmo local. A exposição das vinhas é virada a sul, com uma altitude que não ultrapassa os 300 metros, o que explica que a vindima aconteça, por vezes, mais cedo do que em propriedades rio acima. Os vinhos aqui produzidos também revelam essa exposição e terroir, com um perfil muito aromático, cheio de fruto robusto, e nota florestal. Os primeiros registos de plantações datam de 1811, sendo que a casa principal, e demais edifícios agrícolas, terão sido edificados por volta do ano 1920.
Com a aquisição pela Taylor Fladgate & Yeatman, coube ao reputado e experiente António Magalhães a liderança da replantação de mais de 5 hectares por ano, reservando intocáveis apenas as melhores vinhas velhas. Atualmente a quinta comporta 75ha de vinha, sendo que as parcelas mais velhas, pouco mais de 10ha, foram plantadas a seguir à filoxera. As primeiras replantações tiveram, curiosamente, como objetivo arrancar alguma vinha plantada nas décadas de 60 e 70 do século passado, que não se adequavam à qualidade que se pretende na propriedade. Mais recentemente, viria a surgir uma adega quase nova, novos lagares e robots mecânicos de pisa, e a ambição não mais parou.
David Guimaraens, responsável máximo pela enologia, é perentório ao afirmar que não irá descansar enquanto os Vintages da Croft não alcançarem o estatuto que já tiveram, e enquanto não tiverem a mesma reputação das duas restantes marcas do grupo – Taylor’s e Fonseca.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” equal_height=”yes” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Provados os vinhos da nova era, já sob a propriedade da The Fladgate Partnership, somos da opinião que esse exigente desígnio é alcançável a curto e médio prazos, com destaque para os belíssimos 2003 e 2011 a convencerem-nos disso.
Para comemorar a fantástica efeméride de 430 anos, a marca lançou um vinho dedicado à fundação da Croft, em 1588, por Henry Thompson, precisamente no ano da invasão pela Invencível Armada, um Reserve Ruby de muito bom nível, cheio de fruto como é apanágio da marca.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”28116″ alignment=”” animation=”Fade In” img_link_target=”_blank” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%” img_link=”https://grandesescolhas.com/vinho/croft-430th-anniversary-celebration-edition”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”30″][vc_column_text]

Edição Nº15, Julho 2018

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row]

Honore: celebrar o Crasto com vinhos extraordinários

TEXTO Mariana Lopes FOTOS Quinta do Crasto Quatrocentos anos de Quinta do Crasto, cem na família de Leonor e Jorge Roquette. Um motivo mais do que suficiente para celebrar, e ainda mais para lançar grandes vinhos: um Douro, Honore tinto 2015, e um Porto, Honore Very Old Tawny. Em 1615, a propriedade passa a ser […]

TEXTO Mariana Lopes
FOTOS Quinta do Crasto

Quatrocentos anos de Quinta do Crasto, cem na família de Leonor e Jorge Roquette. Um motivo mais do que suficiente para celebrar, e ainda mais para lançar grandes vinhos: um Douro, Honore tinto 2015, e um Porto, Honore Very Old Tawny.
Em 1615, a propriedade passa a ser conhecida pelo nome actual e, no início do século XX, Constantino de Almeida, avô de Leonor Roquette, adquire-a. “Honore et Labore” é a máxima do Crasto e o que se lê no seu logo. “Quando vi a Quinta do Crasto, em 1962, apaixonei-me, perguntei de quem era a propriedade e casei-me com a dona, no mesmo ano. Correu-me bem. Felizmente, mantenho ambas as paixões”, declarou Jorge Roquette.

O tinto Honore 2015 tem origem nas centenárias Vinha da Ponte e Vinha Maria Teresa, parcelas que são o “ex-libris” do Crasto, com 1.96 hectares e 4.7, respectivamente. “Estas vinhas são dois quebra-cabeças para a enologia e a viticultura”, contou o enólogo Manuel Lobo. De características ímpares e franca beleza natural, dão nome a dois vinhos igualmente únicos, mas agora unem-se para criar um vinho irresistível e sedutor. O lote divide-se em 71% de uvas da Maria Teresa e 29% da Ponte e, segundo Manuel Lobo, “É um vinho onde não existe intervenção enológica”. São 1615 garrafas Magnum, em jeito de homenagem aos 400 anos, vendidas juntamente com um livro escrito por Gaspar Martins Pereira sobre a Quinta do Crasto, e uma embalagem especial. O conjunto tem o valor de 1000 euros.

Já o Honore Very Old Tawny é uma autêntica jóia do espólio da Quinta. Os três cascos deste Vinho do Porto lendário estavam guardados desde a época de Constantino de Almeida, que já os trouxe para o Crasto, tendo envelhecido por mais de um século. Engarrafado em 400 decanters em 2015, um por cada ano de história, inseridos numa embalagem luxuosa desenhada pela Omdesign, estes foram feitos em cristal puro, prata trabalhada à mão, madeira de nogueira totalmente maciça e alcântara cozida manualmente. Uma preciosidade de intensidade, frescura e limpeza surpreendentes, com um preço de 5500 euros. “Neste tawny velho está toda a história da Quinta do Crasto” disse Manuel Lobo. É provar para crer.

Vieira de Sousa: Um Porto do ‘outro mundo’ e outras novidades

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Novo episódio glorioso na história do Vinho do Porto, com mais uma casa produtora a lançar um vinho perfeito – um Porto de homenagem engarrafado num espetacular decante de cristal. A par deste lançamento especial, provámos as novidades DOC deste produtor 100% familiar.

TEXTO Nuno de Oliveira Garcia

É disto que o Douro é feito, não hesito em pensar durante a apresentação do Vinho do Porto 90 Homenagem a António Vieira de Sousa… Encontro-me perante um produtor familiar como tantos outros no Douro, com mais de cinco gerações e muitos anos a produzir uvas e vinhos para famosas casas exportadoras de Porto. Neste caso, trata-se ainda de uma família com um património invejável – cinco propriedades, um número muito significativo de hectares plantados com vinha e um significativo stock de vinhos do Porto.

A mais nova geração da família, Luísa e Maria Eduarda Vieira de Sousa, irmãs, tomam conta do projeto. Luísa, sendo jovem, é a mais velha, enóloga de formação e vocação, e foi a primeira a ‘meter a mão na massa’. Maria Eduarda chegou um pouco depois ao projeto, é a responsável pelo marketing e vendas e calcorreia meio mundo em feiras e provas de vinhos.

Os vinhos Douro são a aposta mais recente. Nesta prova, foram os brancos que mais nos surpreenderam, quer o Alice Vieira de Sousa de 2017, entrada de gama e sem ver madeira, quer o topo Vieira de Sousa 2016, fermentado em barrica de carvalho francês. Ambos os vinhos saem das vinhas com maior altitude, na Quinta da Fonte, em Celeirós, terroir entre Sabrosa e Provesende, e são um sucesso na exportação. Quanto aos Portos, o bestseller da casa é, curiosamente, também branco, um lote de 10 Anos ligeiramente mais seco do que o habitual. Para os tintos, Luísa tem à sua disposição três quintas em lugares nobres do Cima Corgo, a saber: Ronção Pequeno (Roncão), Quinta do Fojo Velho (Vale de Mendiz) e Quinta da Água Alta (Gouvinhas). Desta última propriedade é lançado agora um Porto Vintage de quinta, que fará companhia ao Vintage Vieira de Sousa já editado em anos anteriores. Quanto aos tintos DOC, a novidade é o Reserva (o Grande Reserva só sairá no próximo ano) e mantem a linha de vinhos carnudos e intensos, assentes em alguma vinha velha e em Touriga Franca, a casta que mais tem surpreendido Luísa na adega.

O grande destaque vai, todavia, por inteiro para o Porto velho lançado em homenagem a António Vieira de Sousa, pai de Luísa e Eduarda, que comemora este ano 90 anos de idade! Homem que fez carreira na indústria, sem nunca olvidar as propriedades durienses da família, vê merecidamente ser-lhe atribuída esta homenagem familiar. Trata-se de um vinho incrível que se encontrava numa única barrica e que, pela sua qualidade, não necessitou de qualquer correção antes do engarrafamento. Um vinho com seguramente mais de 90 anos de casco, de enorme concentração, densidade e doçura mas também de notável acidez (acidez total de 8 g/l), como que a querer revelar um dos maiores segredos do Vinho do Porto assentes em evolução em madeira e que se resume numa frase: um vinho bom em jovem é melhor ainda em velho. Absolutamente fabuloso!

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António Vieira de Sousa 90 anos
Porto Very Old
Vieira de Sousa Wines & Vines

Incrível aroma, imensamente complexo e prazeroso, com notas, entre outras, de anis, nougat, caramelo salgado, toque salino também. Enorme concentração e acidez na boca, fantástica e surpreendente frescura, longo e cremoso sem ser pastoso, equilibradamente doce (lembra torrão de gema) e fino. Muito limpo e com um final de boca inesquecível. A essência do Douro! (20%)[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição nº 20, Dezembro 2018

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IVDP certifica formadores em Vinho do Porto

Porto Tawny

O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP) apresenta a primeira ação de formação em Vinho do Porto dirigida a profissionais do setor. Com conteúdos teóricos e práticos, o curso é um projeto destinado à certificação de educadores de Vinho do Porto em todo o mundo, para que fiquem habilitados, pelo IVDP, […]

O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP) apresenta a primeira ação de formação em Vinho do Porto dirigida a profissionais do setor. Com conteúdos teóricos e práticos, o curso é um projeto destinado à certificação de educadores de Vinho do Porto em todo o mundo, para que fiquem habilitados, pelo IVDP, a disseminar conhecimento sobre temas como vinha e viticultura, castas e suas potencialidades, como fazer um blend, envelhecimento, fiscalização, certificação, harmonizações gastronómicas e cocktails. 

Certified Port Educator é um curso intensivo orientado por profissionais do IVDP e de empresas de Vinho do Porto, tem duração de três dias completos e realiza-se com grupos de até 9 pessoas. De abordagem teórica e prática, integra visitas, provas, harmonizações e conversas à volta do Vinho do Porto, das suas particularidades, diversidade e versatilidade. As sessões têm lugar entre o IVDP, caves de Vinho do Porto em Vila Nova de Gaia, quintas no Douro e restaurantes. 

Esta semana decorre a sessão-piloto e, a partir de 2019, haverá duas formações por ano. As inscrições serão feitas através do site do IVDP e estarão sujeitas a um processo de seleção prévia. Os interessados poderão candidatar-se a frequentar o curso para, certificados pelo IVDP, virem a apresentar o Vinho do Porto em ambiente académico ou profissional. “Queremos criar embaixadores formados em Vinho do Porto”, sintetiza Manuel Cabral, presidente do IVDP. Mais informação em: www.ivdp.pt.

Gastronomia com Vinho do Porto em avaliação até 30 de Novembro

Os restaurantes portugueses foram novamente desafiados a promover harmonizações com Vinhos do Porto e do Douro. Organizado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, IP (IVDP), o concurso “Gastronomia com Vinho do Porto” vai já na sua 10ª edição e visa promover os Vinhos do Porto e do Douro em harmonização com menus […]

Os restaurantes portugueses foram novamente desafiados a promover harmonizações com Vinhos do Porto e do Douro. Organizado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, IP (IVDP), o concurso “Gastronomia com Vinho do Porto” vai já na sua 10ª edição e visa promover os Vinhos do Porto e do Douro em harmonização com menus da restauração nacional. Pretende-se com esta ação incentivar a criatividade dos restaurantes na seleção e sugestão dos Vinhos da Região Demarcada do Douro como indispensáveis ao acompanhamento da gastronomia portuguesa.

“Gastronomia com Vinho do Porto” está aberto à participação de todos os restaurantes de Portugal continental num máximo de 100 inscritos e pretende avaliar e atribuir prémios a candidatos em três categorias diferentes: Gastronómico/Fine Dining, Informal/Casual e Tradicional/Típico. O júri é composto por chefes de cozinha e técnicos especialistas do IVDP que visitam os restaurantes, avaliando várias vertentes do trabalho dos concorrentes, desde o esforço de divulgação do concurso aos menus completos e também a cada harmonização, para atribuição dos seguintes prémios: “Melhor Promoção”, “Melhor Carta de Vinho do Porto”, “Melhor Entrada”, “Melhor Prato” e “Melhor Sobremesa”.

As atividades de apuramento dos vencedores do concurso decorrem até ao próximo dia 30 de Novembro. Mais informação em: www.gastronomiacomvinhodoporto.com.

Os vintages de Jorge Borges

Edição nº11, Março 2018 Vinho do Porto TEXTO João Paulo Martins FOTOS Cortesia Wine & Soul Começou na Niepoort a fazer vinhos do Porto. Quando saiu resolveu fazer o seu próprio vinho e criou a empresa Wine & Soul. Continuou também a ser o responsável técnico na Quinta do Passadouro. E por aí ficou. Hoje […]

Edição nº11, Março 2018

Vinho do Porto

TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Cortesia Wine & Soul

Começou na Niepoort a fazer vinhos do Porto. Quando saiu resolveu fazer o seu próprio vinho e criou a empresa Wine & Soul. Continuou também a ser o responsável técnico na Quinta do Passadouro. E por aí ficou. Hoje os seus Portos, ainda que em pequena quantidade, são vendidos a alto preço. Aqui nos deixou a sua visão do Douro, do futuro do licoroso e dos projectos da sua empresa familiar.

O final dos anos 90 conheceu uma grande renovação de rostos na enologia do Douro. Foi então que surgiram os novos enólogos que sucederam à geração de João Nicolau de Almeida e José Maria Soares Franco, entre vários outros. Jovens formados sobretudo em Vila Real, alguns com ligações ao Douro, outros que chegaram à enologia por gosto e interesse profissional. O panorama mudou e aos poucos começou-se a falar deste e daquele, dos encontros que faziam, dos vinhos que provavam, das tertúlias onde jorravam grandes vinhos do mundo, bebidos em belos copos. Era uma outra forma de estar na enologia que acabou por mudar a face da região.
Jorge Borges, com tradições familiares ligadas ao Douro e Vinho do Porto, estava nesse grupo e o seu nome começou por aparecer associado à Niepoort, para onde entrou em 1999. Por via dessa ligação tomou também contacto com a Quinta do Passadouro, situada no vale do rio Pinhão, um projecto que tinha como sócios Dirk Niepoort e um belga apaixonado pela região, Dieter Bohrmann. Jorge esteve assim desde o início da actividade profissional ligado à produção de Vinho do Porto, à técnica dos lagares e ao envelhecimento dos vinhos. Após a saída da Niepoort, Jorge agarrou a oportunidade de trabalhar na Quinta da Maritávora, onde ainda se mantém, mas por lá não se fazem vinhos do Porto. Após o falecimento do belga do Passadouro, Jorge Borges ficou responsável pelos vinhos, em associação com as herdeiras de Dieter.

Manoella e não só

Com a mulher, a também enóloga Sandra Tavares da Silva, Jorge criou a Wine & Soul, empresa produtora dos tintos Pintas e Pintas Character, do branco Guru e do Porto vintage também com o nome Pintas. Na Quinta da Manoella, que lhe chegou por herança, Jorge optou por aí produzir apenas vinhos DOC Douro e não Porto. Para o Porto, além da vinha de onde sai o vintage Pintas, foi adquirida uma pequena vinha ao lado da Quinta dos Malvedos e essas uvas são apenas usadas para fazer Vinho do Porto. Estão assim claramente definidas as vinhas que dão uvas para Porto e as que originam DOC Douro. E nunca há misturas. Também a empresa da Quinta do Passadouro adquiriu uma vinha no vale do Roncão, chamada Síbio e que fica ao lado da quinta do mesmo nome, propriedade da Real Companhia Velha.
Jorge gosta de se manter fiel a algumas tradições – como a pisa em lagar – mas defende a nova maneira de se fazer Porto: “Antigamente o Vinho do Porto fazia-se para ser consumido 20 anos depois; dizia-se que o melhor vintage era o que não cheirava a nada em novo, o mais fechado possível, onde só a concentração contava; hoje preocupamo-nos mais com o equilíbrio do vinho mesmo em novo e não me parece que se esteja a hipotecar o futuro. Alguns desses vinhos feitos à maneira antiga estão hoje muito fracos e nada nos diz que o método era bom. Antes era tudo força, força, força, uvas muito maduras, muita cor e tanino e não se pensava no equilíbrio do vinho. Acho que hoje estamos a trabalhar correctamente e dos anos 90 para trás não são tantos assim os vinhos que merecem referência.”
As diferenças em relação ao passado são notórias, com muito maior presença na vinha para seleccionar o que deve ou não ir para vintage, sempre à procura de um bom equilíbrio entre maturação e acidez e, claro, utilizando aguardente de grande qualidade, o que Jorge assume abertamente: “Hoje compramos aguardente caríssima para o Vinho do Porto, mas estamos muito satisfeitos porque a diferença é enorme.”
Neste negócio misto de DOC Douro e Porto há que separar bem as duas vertentes. Assim, na Quinta da Manoella está todo o stock de Vinho do Porto e, em virtude do crescimento deste, será a adega climatizada ainda este ano para ter melhor controlo da temperatura; os DOC Douro estão na adega Wine & Soul, em Vale Mendiz, entretanto aumentada em espaço. A opção do generoso está para já centrada em duas categorias, um vintage e um tawny 10 anos. Deste tawny estão a produzir 3000 garrafas/ano; para o futuro irão procurar fazer um 30 Anos e um Colheita, mas nenhum deles tem data de saída.
No caso do vintage Pintas (e como não produzem L.B.V.) sempre que não há declaração o vinho vai todo para envelhecer em tonéis; têm declarado quatro vezes por década e, segundo Jorge, “foi uma pena não se ter declarado o 2015” – “Acho-o belíssimo, fino e elegante, até mais do que o 2011. Nós declarámos e agora só iremos declarar (em princípio) o 17.” Na Quinta do Passadouro, sempre que não se declara vintage há um L.B.V. exactamente com o mesmo vinho, só que com mais dois anos de casco.
Na prova vertical que agora fizemos, os vinhos do Passadouro mostraram estar mais assentes na fruta, mais redondos e menos austeros mas com grande harmonia, muito autênticos e francos. Os vintage Pintas são de um recorte bem mais vegetal e mineral, mais tensos e balsâmicos e com uma consistência de estilo que apraz registar, resultado de terem origem sempre da mesma parcela de vinha velha, sentindo-se por isso menos variação de ano em ano. Isto sem prejuízo de os vinhos que resultam de anos extraordinários também se mostrarem melhor.

Futuro com Porto, mas…

Ao fazer um balanço sobre a produção, Jorge Borges entende que o futuro do Douro passa obrigatoriamente pelo Porto, complementado pelo DOC Douro, mas falta muito trabalho e muito diálogo. Não há associações de produtores, “e disso somos todos culpados, temos um IVDP que deveria ser bem mais activo e mais promotor de soluções e consensos”. Mas há também que redefinir melhor as categorias de Vinho do Porto: “Há categorias a mais e por vezes com fronteiras demasiado ténues, como é o caso dos Ruby Reserva e L.B.V.”
E há que valorizar mais as vinhas e as pequenas zonas do Douro. Sobre isto foi peremptório: o vale do rio Pinhão, por exemplo, tem especificidades que o diferenciam por exemplo do vale do rio Torto e isso deveria acrescentar valor ao vinho. “As grandes empresas que sempre defenderam o lote de vinhos de zonas diferentes estão agora a fazer vintages de parcelas e esses são os mais cotados em termos de preço. Por alguma razão será.”
A aposta nos vinhos do Porto vai continuar e será sempre muito forte. A Wine & Soul assume-se com pequeno produtor, mas, exactamente por isso, irá sempre apostar em vinhos de gama alta, muito cuidados no perfil e para consumidores exigentes. E Jorge, com um pé no Passadouro e outro na vinha do Pintas, não quer dar passos maiores do que a perna…