Aveleda: O vinho entre jardins

Aveleda

O uso da palavra jardins no título desta peça não é ocasional. O espaço ocupado pela quinta da Aveleda é todo ele um pequeno paraíso: árvores centenárias, vegetação luxuriante, fontes e riachos que nos tranquilizam, pavões a chamar as pavoas e (menos bucólico, digamos…) cães a correr atrás de cabritos para lhes ferrarem os dentes […]

O uso da palavra jardins no título desta peça não é ocasional. O espaço ocupado pela quinta da Aveleda é todo ele um pequeno paraíso: árvores centenárias, vegetação luxuriante, fontes e riachos que nos tranquilizam, pavões a chamar as pavoas e (menos bucólico, digamos…) cães a correr atrás de cabritos para lhes ferrarem os dentes e obrigarem os primos Guedes, na liderança da empresa, a correria desenfreada para salvar o animal! Para tranquilizar o leitor, podemos afirmar que o bicho foi salvo e o cão devidamente admoestado. A jardinagem é aqui levada muito a peito. São cinco os trabalhadores que zelam para que tudo por aqui esteja devidamente cuidado, incluindo as roseiras que, trepando árvores acima, se lembraram de florir a cinco metros de altitude. Esta exuberância vegetativa também já a tínhamos conhecido na casa da família, em Avintes, onde se nota o mesmo cuidado e o mesmo empenho dos seus membros que, como comprovámos, sabem os nomes de todas as plantas e a idade, ainda que aproximada, de todas as árvores. Estamos assim num microcosmos, rodeado de muitas vinhas, quase todas pertencentes à Aveleda.

150 anos de história
A empresa, que completou já 150 anos de história e é responsável pela produção de cerca de 20 milhões de garrafas/ano, não deixou de procurar novos vinhos, novas abordagens das castas de que dispõe, e alargou mesmo a sua zona de interesse e intervenção a outras regiões do país, como a Quinta da Aguieira (Bairrada) em primeiro lugar e, mais tarde, com aquisições no Douro e no Algarve.
Alguns dos ícones da casa mantêm a sua fama e prestígio, como a aguardente Adega Velha, agora em várias versões de diferentes idades, e cujo stock repousa, tranquilamente, em armazém próprio, onde nos contemplam cerca de 300 cascos. Todos os anos se destila e, ainda que o mercado dos destilados não conheça hoje o brilho de outrora, a marca Adega Velha continua a ser uma referência. A marca Casal Garcia, rótulo emblemático dos Vinhos Verdes, ultrapassa os 10 milhões de garrafas/ano e é verdadeiramente o ex-libris da casa. Nascida em 1939 continua a ser um vinho que leva, para fora, o nome do país.
A equipa foi reforçada recentemente com a contratação de Diogo Campilho (ex-quinta da Lagoalva) para a área de enologia, onde colabora com Susete Rodrigues, que já estava na empresa. A ancestral ligação à casta Loureiro, muito forte nesta zona dos Verdes, tem vindo a ser complementada com uma aposta cada vez mais evidente no Alvarinho. Joga-se, aqui, depois um puzzle com várias componentes: como lidar com as castas em terrenos de xisto e de granito? Como combinar, no lote final, as duas variedades para que o resultado expresse o local de onde vieram? E, na adega, como poderá ser possível criar modelos diferentes, jogando, por exemplo, com as borras e respectiva percentagem dentro das cubas? E se quisermos usar barricas para fermentação ou estágio, como poderemos conseguir equilibrar o lote, não prejudicando o perfil próprio de cada casta? Nada disto é fácil, até porque actualmente trabalham com 15 parcelas diferentes de Alvarinho, espalhadas pela região e estaremos muito errados se pensarmos que lá porquanto a região seja a mesma (Vinhos Verdes) e os perfis se assemelham; até a decisão do momento de vindima pode determinar o estilo do vinho que se obtém. Por aqui estão a fazer vindimas nocturnas de algumas castas e a começar em meados de Agosto. Só assim se consegue que o vinho seja mais fiel à casta e ao território.
Seguindo as novas tendências, na Aveleda está-se a trabalhar com menores teores de sulfuroso, o que é facilitado pelo pH mais baixo e acidez mais alta características da região, no caso da vindima ser feita no momento certo. A regra de não haver regra é levada a peito. Por exemplo, há vinhos que apenas estagiam no inox, caso do Aveleda Alvarinho e o Aveleda Loureiro mas já os Solos de Xisto e Solos de Granito fermentam em inox e aí estagiam com as borras por um período mais longo, sem contacto com a madeira. O Parcela do Roseiral, por sua vez, fermenta em inox e cerca de 30% estagia em barrica.

Ventos da moda
Os ventos da moda voltaram a trazer os vinhos brancos para a ribalta e a procura mantém-se intensa, mas hoje os consumidores exigem mais precisão, melhor definição do carácter de cada vinho, mais equilíbrio entre acidez e corpo e mais pureza de fruta. Tudo somado, pode dizer-se que o desafio é enorme, mas poderá ser, cremos, muito compensador para quem tem de tomar decisões. E à refeição pudemos também usufruir de alguns vinhos muito velhos que fomos buscar às caves da casa mas… já se sabe que a célebre frase continua válida: não há bons vinhos velhos, há boas garrafas de vinhos velhos! E assim foi, mas o verdadeiro enófilo não vira a cara a uma garrafa, com ou sem rótulo!
Os anfitriões, Martim e António Guedes, que nos guiaram toda a visita, fizeram questão de apresentar também a segunda edição de um branco-homenagem que funciona como o topo de gama de todo o portefólio dos Vinhos Verdes da casa. Trata-se de um vinho que resulta de um lote entre Alvarinho e Loureiro, que combina bem a fermentação em inox com a barrica. É um branco luxuoso, a um preço que está muito longe de ser de ourivesaria. Justa homenagem a Manoel Pedro Guedes, antepassado e que herdou, em 1870, a quinta da Aveleda. Foi aí que tudo começou.

(Artigo publicado na edição de Junho de 2024)

Sub-região de Monção e Melgaço celebra aniversário de certificação exclusiva

O selo de certificação é a materialização da particularidade e caráter de uma sub-região que continua a senda de afirmação na liderança do segmento de vinhos de grande qualidade da região dos Vinhos Verdes.

A Associação de Produtores de Alvarinho celebrou o 7º Aniversário da criação do selo de certificação exclusivo da sub-região de Monção e Melgaço, com uma prova coletiva na Escola do Vinho do World Of Wine, em Vila Nova de Gaia. A prova dirigida a enófilos, profissionais e jornalistas, dividiu-se em dois momentos distintos. O primeiro […]

A Associação de Produtores de Alvarinho celebrou o 7º Aniversário da criação do selo de certificação exclusivo da sub-região de Monção e Melgaço, com uma prova coletiva na Escola do Vinho do World Of Wine, em Vila Nova de Gaia.

A prova dirigida a enófilos, profissionais e jornalistas, dividiu-se em dois momentos distintos. O primeiro envolveu um momento mais intimista intitulado “Meet the Producer”. Seguiu-se uma masterclass com produtores de referência do território: Anselmo Mendes, Quinta do Regueiro, Valados de Melgaço, Soalheiro, Quinta de Santiago, Dom Ponciano, Provam, Cortinha velha, Vinhos Bagagem, Poema, Quinta da Pedra, Vale dos Ares e Quinta do Mascanho.

O selo de certificação é a materialização da particularidade e caráter de uma sub-região que continua a senda de afirmação na liderança do segmento de vinhos de grande qualidade da região dos Vinhos Verdes. A sub-região tem mais de 2000 viticultores e cerca de 50 produtores, que todos os dias procuram desvendar e partilhar os mistérios do seu território, os diferentes solos, as diferentes altitudes, as diferentes exposições e vinhos.

Barcos Wines: A Revolução do Loureiro

Barcos Wines

Se, há uns anos, por uma questão de justiça e equidade, a, até então, Adega Cooperativa de Ponte da Barca consagrou na sua designação social a sua vila contígua, Arcos de Valdevez, hoje, por força da importância dos mercados externos e de uma comunicação mais fluída e perceptível, a cooperativa assume o “naming” de Barcos […]

Se, há uns anos, por uma questão de justiça e equidade, a, até então, Adega Cooperativa de Ponte da Barca consagrou na sua designação social a sua vila contígua, Arcos de Valdevez, hoje, por força da importância dos mercados externos e de uma comunicação mais fluída e perceptível, a cooperativa assume o “naming” de Barcos Wines. Com 36 mercados externos onde coloca os seus vinhos, a Barcos Wines foca-se cada vez mais numa missão de internacionalização, assumindo-se como uma instituição de vertente essencialmente exportadora, colocando o nome Vinho Verde nos quatro cantos do mundo. Uma aposta que o Director Geral, José Antas Oliveira, reputa de muito positiva, contribuindo para a notoriedade do produto e da Adega.
Fundada em 1963, a cooperativa tem como associados os agricultores de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, contribuindo, cada uma destas povoações, equitativamente e em percentagens idênticas com as uvas que elaboram os seus vinhos.
Num território de minifúndio, a Adega possui cerca de 800 associados, os quais representam 900 hectares de vinha em produção de uva. A média por agricultor não ultrapassa o hectare e meio. Uma realidade que se vem alterando perante uma nova visão de obtenção de maior rentabilidade da vinha. O crescente abandono da actividade por agricultores mais idosos tem levado à alienação dessas propriedades a produtores mais jovens e profissionais, que concentram agora propriedades mais extensas, diminuindo custos e aumentando os rendimentos. São estes novos produtores, com áreas que podem ultrapassar os seis hectares, que representam o futuro do Vale do Lima e a maior profissionalização dos procedimentos da Adega. A última década trouxe também uma política sistemática de valorização do preço pago pela uva, sobretudo motivada pelo aumento substancial dos custos de produção e pelo incentivo à continuidade da atividade económica, através da angariação de novos viticultores. Neste campo, o contributo do departamento de viticultura da Adega tem sido fundamental, quer no acompanhamento às novas plantações, com submissão dos projetos VITIS, quer no aconselhamento na escolha das videiras a plantar, análise de solos ou definição das melhores exposições solares na plantação. As próprias videiras são adquiridas na Adega, seguindo um critério de escolha prévio feito pelo departamento de viticultura. Essa definição conjunta da planificação tem dado bons frutos. No âmbito dessa cooperação de proximidade, e só nos últimos 10 anos, a Adega submeteu ao VITIS mais de 500 hectares de vinha a plantar.

 

Num território de minifúndio, a Adega possui cerca de 800 associados, que representam 900 hectares de vinha.  Os vinhos brancos representam cerca de 80 a 85% da produção, cabendo 10% a rosados e apenas 5% aos vinhos tintos.

 

Loureiro “on”, Vinhão “off”
Há actualmente um fenómeno paradigmático e que representa uma mudança significativa do encepamento que, não obstante a maior rentabilidade económica, está a causar o definhamento daquela que já foi a casta mais importante do Vale do Lima, Vinhão.
Sabemos pela história que o Vinhão, nos séculos XVIII e XIX, dominava a paisagem vinhateira e representava o grosso das exportações, sobretudo para o Reino Unido. O director geral e responsável de enologia, José Antas de Oliveira, não precisa ir tão longe e recorda que, ainda há 20 anos, as castas tintas eram maioritárias na sub-região, com as brancas a terem uma expressão menor. Hoje, os vinhos brancos na Adega representam cerca de 80 a 85% da produção, cabendo 10% à produção de rosados e apenas 5% aos vinhos tintos. Dir-se-á que é a procura que demanda as regras e, nesta cooperativa virada para o exterior, é a crescente busca de vinhos brancos leves e frescos que define, não apenas as estratégias da Adega, mas igualmente de todo o Vale do Lima. Os números são claros e não permitem visões apenas emocionais: a Barcos Wines exporta 75% da sua produção e, no primeiro trimestre do ano corrente, perante a contração do mercado nacional, o volume de exportação já subiu para os 88% da produção global. E, aqui, são os brancos quem mais ordena, seguidos ainda de longe pelos rosados que se vão impondo com uma quota ascendente.

 

São 6,5 milhões de unidades, entre vinho engarrafado e Vinho Verde certificado em lata, tendo a região percebido a importância destes novos formatos, criando regulamentação específica.

 

O futuro dos tintos
E que futuro se avizinha para o Vinhão? A preocupação existe e a consciência de que, no futuro, esta casta outrora bandeira de toda a região, pode tornar-se rara e, numa abordagem alarmista, até desaparecer do encepamento minhoto, faz soar os alarmes. O Vinhão tradicional é, cada vez mais, um lampejo do passado. De forte pendor rústico, o seu consumo cinge-se à região e a um consumidor mais velho e saudosista. Os jovens já não lhe mostram a devoção dos antigos e o seu consumo retrai-se. A Adega está consciente dessa viragem e pretende assumir as rédeas do renascimento da casta. Se o perfil tradicional não atravessa fronteiras, há que o subjugar a novas formas de vinificação que, não lhe retirando a identidade aromática e gustativa do “verde tinto”, retiram-lhe a rusticidade, subtraindo-lhe o mais intenso contacto com as películas no processo fermentativo, criando vinhos de cor menos retinta, menos extraídos, com menor teor alcoólico e, sobretudo, mais elegantes e contemporâneos. Esta nova abordagem nasce em 2017, com as referências Reserva dos Sócios Vinhão, com estágio em barricas de carvalho francês, ou o espumante Naperão Vinhão Bruto, este elaborado pelo método charmat. Esta abordagem diferenciada do Vinhão tem permitido, num contexto internacional, e perante a sua exuberância de fruta, juventude e cor mais aberta, compará-lo aos Beaujolais ou Gamay. E, é nesta perspectiva de encontrar outro modo de abordar a vinificação do Vinhão que se tentará, presente e futuramente, combater a sua cada vez menor expressão nas vinhas, encontrando nas suas potencialidades, novas formas de o preservar. Aliado a esta nova abordagem, a Adega assumiu também a responsabilidade cultural da sua preservação, aumentando o preço pago pela uva, superior ao pago pela Loureiro, como forma de incentivar o incremento da produção e desmotivando o seu arranque para produção de uvas brancas. Os dados estão lançados para assegurar o futuro desta casta cheia de autenticidade e potencial. E a Adega assume essa responsabilidade de a fazer renascer.
Contudo, o Loureiro veio para ficar e reinar. A sua elegância, a frescura dos vinhos que dela nascem, o forte pendor mineral, para além de ser “amiga” do produtor graças à sua graciosidade para produzir em quantidade e qualidade, tornam-na hoje rainha absoluta e incontestada de todo o Vale do Lima.

 

 

Barcos Wines
José Antas Oliveira, enólogo e director geral da Barcos Wines.

A espumantização na Adega já leva 8 anos, tendo-se optado pelo Método Charmat, de modo a vincar o perfil das castas e da tradição de vinhos jovens, frescos, frutados e de consumo mais rápido.

 

Lata, pet nat, curtimenta, premium…
A Adega tem sido um foco de pioneirismo e inovação, antecipando tendências e desbravando mercados. Actualmente produz 6,5 milhões de unidades, entre vinho engarrafado e vinho verde certificado em lata, tendo a região, e bem, percebido a importância destes novos formatos, criando regulamentação que permite a sua certificação, levando o nome “Vinho Verde” a todo o mundo. Com meio milhão de latas produzidas, a Adega vê neste segmento de negócio já não um nicho, mas uma realidade económica muito significativa nas contas. A certificação marca o compromisso inalienável com a região e é mais uma bandeira que se hasteia nos melhores mercados brasileiros e americanos, denotando-se um crescimento acentuado noutros, como a Alemanha, Polónia, Estónia ou México.
Brasil e Estados Unidos levam hoje a dianteira nos mercados preferenciais da Adega. O “país irmão” tem, nos últimos anos, liderado as exportações e, acredita a Direcção, com uma tendência de crescimento absolutamente notável.
José Antas Oliveira não deixa de salientar a vertente experimentalista e inconformada que existe nas equipas de viticultura e enologia que lidera. A potenciação do Loureiro, nos últimos 10 anos passou não apenas pelo cada vez maior conhecimento e rigor técnico no volume, mas igualmente pela séria aposta no segmento Premium. Do pensamento ao acto foi apenas um piscar de olhos. Hoje o Loureiro veste-se com diferentes roupagens e surge em versões espumantizadas, nos Pet Nat, em vinhos com maceração pelicular ou vinhos de curtimenta. Dentro desta vertente experimental, surgem também os diferentes estágios em madeira, utilizando diversos materiais – carvalho, castanho português e acácia – com resultados distintos, revelando a plasticidade da casta e, também, o seu potencial de longevidade com imensa qualidade e sem perda de singularidade e distinção. Não obstante a Adega privilegiar o volume, a robustez financeira tem permitido criar produtos diferenciados, em pequena escala, também eles destinados a nichos, até agora, com pleno sucesso, aportando maior notoriedade à Cooperativa e permitindo-lhe reforçar as posições nos mercados internacionais habituais e, ao mesmo tempo, entrar em novos e mais exigentes espaços.
A espumantização na Adega já leva oito anos, tendo-se optado pelo Método Charmat de modo a vincar o perfil das castas e também as práticas tradicionais da região de criar vinhos mais jovens, mais frescos, frutados e de consumo mais rápido. A identidade da Sub-Região, que dá os primeiros passos na produção de espumantes, passa pelos monovarietais de Loureiro e Vinhão. A categoria espumante já representa entre 20 a 30 mil garrafas de venda anual, e com foco no mercado nacional, sendo um segmento que está em crescimento e que pode ser mais uma alternativa na afirmação da versatilidade desta Adega que já completou 60 anos desde a sua criação.
A dinâmica de criatividade e sensibilidade ao futuro próxima está solidamente reflectida na Adega. Necessidades dos mercados, lançamento de novos produtos, antecipação de tendências, de hábitos de consumo, nomeadamente, de redução do teor alcoólico dos vinhos e redução da pegada ecológica, são constantes do seu quotidiano. Entretanto, e porque o mundo continua a girar a uma velocidade estonteante, a Adega continua a realizar investimentos avultados, mantendo-se na linha da frente da inovação e vanguarda que a tornam ponta de lança da valorização e promoção do verdejante território do Vale do Lima.

(Artigo publicado na edição de Junho de 2024)

João Portugal Ramos reforça presença nos Vinhos Verdes

João Portugal Ramos

O produtor irá começar a produzir vinhos da casta Loureiro no Vale do Lima, em parceria com o Paço do Cardido, onde a empresa começou o seu percurso nos Verdes, em 2010. “Esta é uma região com um clima e terroir com muito para oferecer, pois é propícia à produção de vinhos brancos frescos, com […]

O produtor irá começar a produzir vinhos da casta Loureiro no Vale do Lima, em parceria com o Paço do Cardido, onde a empresa começou o seu percurso nos Verdes, em 2010. “Esta é uma região com um clima e terroir com muito para oferecer, pois é propícia à produção de vinhos brancos frescos, com muita qualidade” explica o enólogo João Portugal Ramos a propósito desta nova parceria na Região dos Vinhos Verdes.

A transferência da operação dos Vinhos Verdes de Monção e Melgaço para Ponte de Lima, através da parceria com a família Portela Morais, permitirá ao Grupo reforçar a sua presença nesta região, e um maior controlo sobre a vinha e matéria-prima. João Portugal Ramos acredita que só assim é possível assegurar a qualidade reconhecida nos seus vinhos, mas também dar resposta a um mercado exigente e que dá cada vez mais protagonismo à casta Loureiro.

Os primeiros vinhos do Grupo, vinificados na adega pertencente ao Paço do Cardido, sairão já da vindima deste ano e virão completar uma gama que já conta com um vinho Alvarinho e dois espumantes da mesma casta. As novidades serão reveladas no final do ano.

WineStone: Grupo José de Mello cria holding e investe no Douro e Vinhos Verdes

WineStone

No sector do vinho, o Grupo José de Mello já não significa apenas “Ravasqueira”. Oitenta anos depois da aquisição, pela família José de Mello, da propriedade em Arraiolos, Monte da Ravasqueira, que viria a ser a base deste projecto alentejano, o grupo cria uma holding de investimentos, WineStone, e anuncia as primeiras apostas: as propriedades […]

No sector do vinho, o Grupo José de Mello já não significa apenas “Ravasqueira”. Oitenta anos depois da aquisição, pela família José de Mello, da propriedade em Arraiolos, Monte da Ravasqueira, que viria a ser a base deste projecto alentejano, o grupo cria uma holding de investimentos, WineStone, e anuncia as primeiras apostas: as propriedades Quinta do Retiro Novo e Quinta do Côtto, no Douro; Paço de Teixeiró, na região dos Vinhos Verdes; e a marca de vinho do Porto Krohn.

A WineStone vem reforçar, segundo o grupo, a vontade de crescimento “em diferentes áreas da actividade económica” e de posicionamento “no top 3 da liderança do sector do vinho”.

Num evento para a imprensa (que aconteceu no dia 17 de Outubro), o Grupo José de Mello descortinou, ainda, outros objectivos ambiciosos: crescer, até 2030, pelo menos dois dígitos percentuais por ano; passar dos actuais 21 milhões de euros anuais, em facturação, para 60 milhões; e duplicar as exportações, dos 30% de hoje para 60%.

Em relação à Quinta do Retiro Novo e à respectiva marca Krohn, foi feita aquisição directa, enquanto que na Quinta do Côtto, na mesma região, e no Paço de Teixeiró, nos Vinhos Verdes, foi feito um contrato de exploração total, sem terem sido revelados valores ou prazos. As equipas das propriedades agora adquiridas e geridas serão mantidas, mas David Baverstock, recentemente integrado na Ravasqueira, assume a liderança de toda a enologia. O reconhecido enólogo confessou, à Grandes Escolhas, que já supervisionou a vindima deste ano nas três regiões.

Além da entrada do grupo numa nova categoria de vinhos, vinho do Porto, com a marca Krohn, a WineStone — que apresenta Pedro Pereira Gonçalves como Presidente Executivo — vai também trazer desenvolvimento do segmento de vinhos “luxury”, como dito pelos próprios, mas o maior foco será “no meio da pirâmide”, os vinhos “premium”.

Pedro Pereira Gonçalves liderou, nos últimos anos, o processo de desenvolvimento e afirmação da Ravasqueira. “O nosso principal objectivo é desenvolver uma estratégia de crescimento com ambição, consistência e sustentabilidade, numa perspetiva de longo prazo, para conseguirmos produzir e comercializar vinhos de qualidade em todas as regiões em que estamos presentes, com marcas admiradas pelos consumidores dos diferentes segmentos, no mercado nacional e com impacto nos mercados internacionais”, afirma o Presidente Executivo da WineStone.

Já Salvador de Mello, Presidente Executivo do Grupo José de Mello, reforça que “a criação da nova plataforma de negócios WineStone representa mais um passo na concretização da nossa ambição de crescimento e constitui também um desafio para assumirmos, a exemplo das outras áreas de negócios em que estamos presentes, uma posição de liderança no sector do vinho”.

A WineStone garante, adicionalmente, que tenciona vir a entrar na região de Lisboa e expandir a acção no Alentejo, bem como desenvolver enoturismo no Douro.

Quinta de Monforte: Cem hectares de pujança e ambição

Quinta de Monforte

Já falámos anteriormente do projecto da Quinta de Monforte. Fizemo-lo para destacar a raiz familiar e a história do seu fundador Daniel Rocha que, literalmente, cresceu a olhar para a propriedade que viria a adquirir anos depois. Falamos de uma propriedade com origem no século XVII, atualmente com 100 hectares, cerca de metade com vinha […]

Já falámos anteriormente do projecto da Quinta de Monforte. Fizemo-lo para destacar a raiz familiar e a história do seu fundador Daniel Rocha que, literalmente, cresceu a olhar para a propriedade que viria a adquirir anos depois. Falamos de uma propriedade com origem no século XVII, atualmente com 100 hectares, cerca de metade com vinha plantada entre 2015 e 2016. O projecto vitivinícola arrancou com pujança e ambição. Pujança relativamente aos investimentos: um sistema de drenagem, em toda a propriedade, e levantamento de muros de granito a suster os terraços de vinha, entre outros melhoramentos. Ambição, pois o objectivo é de atingir as 500 mil garrafas no prazo de 10 anos.

Voltámos a falar com Francisco Gonçalves, técnico encarregue dos vinhos e com muita experiência também no Douro e em Trás-os-Montes, que nos confirmou a excelência do terroir da propriedade, já de si sita numa das sub-regiões da região dos Vinhos Verdes com mais horas de sol e menor pluviosidade. A aposta em castas tradicionais, algumas até esquecidas, como veremos, todas muito bem-adaptadas à região, e as referidas condições climatéricas, asseguram uma produção regular e uma qualidade excepcional, mesmo que as vinhas sejam relativamente novas.
A par do terroir e clima, a filosofia da Quinta de Monforte parece também ser vencedora, num conceito de gama premium e ultra-premium com vinhos diferenciados do perfil habitual, ou seja, privilegiando-se vinhos complexos e estruturados, ainda que mantendo a frescura e acidez, e apostando em castas tradicionais, mas, como acima referimos, quase esquecidas.

Quinta de Monforte
O enólogo Francisco Gonçalves

Pode-se assim falar de algum exotismo, sobretudo nos novos vinhos da Quinta de Monforte, agora lançados, que demonstram ousadia e confiança. É o caso da casta Padeiro, anteriormente conhecida por Padeiro de Basto que, apesar de pouco valorizada, revela nas mãos do enólogo Francisco Gonçalves uma faceta fascinante, sobretudo para os aficionados de vinhos leves e com fruto encarnado definido. O enólogo diz-nos que, nesta quinta do interior da região dos Vinhos Verdes, a variedade Padeiro consegue preservar alguns taninos que lhe dão estrutura, sem que o lado adstringente habitual se manifeste. E é o caso também da casta Azal, normalmente utilizada para corrigir vinhos devido à sua elevada acidez, que consegue, uma vez mais nas encostas ensolaradas da Quinta de Monforte, uma maturação longa, mantendo, também aqui, a acidez viva que se pretende.

Para o produtor Daniel Rocha, vive-se um momento especial para a sua propriedade, com o lançamento de dois vinhos muito diferentes, fermentados em barricas de carvalho francês, de duas variedades pouco trabalhadas na região. Com este atrevimento, diz-nos, “quisemos dar um lado nobre e sério a estas variedades”. No lançamento, provámos ainda dois varietais de Vinhão, nas versões tinto e rosé, e um Colheita Selecionada branco a partir de Loureiro com uma pequena parte de Alvarinho. No portefólio do produtor, há ainda um varietal de Loureiro e outro de Alvarinho, e um entrada de gama.

(Artigo publicado na edição de Julho de 2023)

 

12 Sugestões de Vinhos Verdes até 15€

Vinhos frescos, leves e perfeitos para dias de calor, fins de tarde em esplanadas, terraços, jardins e sobretudo…. Férias! Ficam aqui algumas sugestões de vinhos verdes provados ao longo deste ano, todos com o selo Boa Escolha!

Vinhos frescos, leves e perfeitos para dias de calor, fins de tarde em esplanadas, terraços, jardins e sobretudo…. Férias!

Ficam aqui algumas sugestões de vinhos verdes provados ao longo deste ano, todos com o selo Boa Escolha!

Granvinhos adquire Quinta de S. Salvador da Torre nos Vinhos Verdes

Granvinhos Vinhos Verdes

A Granvinhos anunciou a ampliação da sua presença noutras regiões vitivinícolas do país, com a aquisição de uma propriedade de 37 hectares na região dos Vinhos Verdes, a Quinta de S. Salvador da Torre. Este investimento foi, segundo a empresa, resultado de meses de negociações com o Grupo Soja de Portugal, ao qual a Granvinhos […]

A Granvinhos anunciou a ampliação da sua presença noutras regiões vitivinícolas do país, com a aquisição de uma propriedade de 37 hectares na região dos Vinhos Verdes, a Quinta de S. Salvador da Torre. Este investimento foi, segundo a empresa, resultado de meses de negociações com o Grupo Soja de Portugal, ao qual a Granvinhos comprou a Agromar S.A., que detém a Quinta de S. Salvador da Torre, no Vale do Lima, concelho de Viana do Castelo.

A Quinta de S. Salvador da Torre, também conhecida como Quinta de Santo Isidoro, localiza-se na margem direita do rio Lima e tem mais de 400 anos de existência. “Uma propriedade agrícola impressionante, com uma casa senhorial datada de 1685”, revela a Granvinhos. Com 30 hectares de vinha, das castas Loureiro e Alvarinho, a quinta beneficia, segundo a Granvinhos, da brisa marítima característica do Vale do Lima, apresentando condições edafo-climáticas excepcionais.

Granvinhos Vinhos Verdes

A Granvinhos manterá o modelo de exploração desta propriedade dos Vinhos Verdes, em parceria com o enólogo Anselmo Mendes, que já era adoptado pela Agromar. Concretiza-se, assim, o primeiro projecto conjunto entre o enólogo e o director-geral da Granvinhos, Jorge Dias, alavancado por uma amizade de mais de 30 anos. Juntos pretendem explorar o potencial da casta Loureiro e a localização privilegiada da quinta, trabalhar na requalificação patrimonial da propriedade e, previsivelmente em 2024, lançar um novo vinho Loureiro.

“Acredito no futuro do Vinho Verde, em particular das castas Alvarinho e Loureiro, produtos bem-adaptados aos novos tempos e hábitos de consumo. No entanto, é necessário valorizar a ligação desses vinhos às respectivas zonas de produção, bem como à dieta atlântica, na qual Portugal tem uma oferta única”, afirma Jorge Dias.