QUINTA DO NOVAL: Qualidade de um ano perfeito

A história mais recente da Quinta do Noval sob a gestão de Christian Seely, Director-Geral da AXA Millésimes, é, sem dúvida, a mais intensa e rica desde a fundação da propriedade, em 1715. Para além da tradição que sempre se fez questão em preservar, para Christian Seely e toda a equipa da Quinta do Noval, […]
A história mais recente da Quinta do Noval sob a gestão de Christian Seely, Director-Geral da AXA Millésimes, é, sem dúvida, a mais intensa e rica desde a fundação da propriedade, em 1715. Para além da tradição que sempre se fez questão em preservar, para Christian Seely e toda a equipa da Quinta do Noval, estes 33 anos foram “um período de descobertas e redescobertas”. Em 1994 só se fazia Vinho do Porto; mais tarde descobriram que os terroirs da propriedade também tinham grande potencial para vinhos não fortificados. O primeiro tinto surgiu com a colheita de 2004 e, alguns anos mais tarde, chegaram os brancos. Outra redescoberta foi o potencial qualitativo das vinhas velhas e dos field blends.
O grande 2024
O porquê de 2024 ser extraordinário explica Carlos Agrellos, Director Técnico da Quinta do Noval: “tivemos uma série de anos secos. Primeiro 2020, depois 2021, um ano razoável, 2022 novamente seco e 2023 com alguns problemas de chuva na vindima. Mas 2024, em traços gerais, foi um ano muito equilibrado do ponto de vista climático. Tivemos um inverno chuvoso, o que é sempre positivo, seguido de uma primavera amena, com alguma chuva. E convém dizer que, em 2024 choveu menos do que em 2023, e a precipitação foi muito bem distribuída ao longo do ano. Apenas o mês de Agosto não teve qualquer pluviosidade. Isto permitiu um ciclo vegetativo mais longo e, olhando para as declarações passadas, podemos afirmar que um ano em que toda a vindima decorre sem paragens, geralmente conduz a bons vinhos. Houve alguma chuva nocturna a 16 e 23 de Setembro, que não impediu a continuidade da vindima. E foi muito esticada, tendo começado no dia 22 de Agosto e terminado a 11 de Outubro, e as uvas acabaram por ter uma maturação fenólica e uma acidez muito equilibradas.”
Nada melhor confirma estas observações do que os próprios vinhos. Posto isto, a sequência da prova começou nos brancos (que embora já tenham sido provados anteriormente, serviram de bom exemplo neste contexto), continuou com os tintos e terminou em grande com os vinhos do Porto Vintage, incluindo o mítico Noval Nacional. Mas antes vamos ver os pontos em comum entre os vinhos não fortificados e os do Porto.
Vale de Mendiz e do Roncão
A Quinta do Noval e a Quinta do Passadouro, adquirida em 2019, têm vinhas em dois vales – Vale de Mendiz e Vale do Roncão. Carlos Agrellos explica que há uma diferença marcante entre os vales de Mendiz e do Roncão. O primeiro, situado na margem esquerda do rio Pinhão, situa-se no fundo do vale, numa zona muito quente, mas com uma identidade muito própria e particularmente importante para o Douro, marcada pelo carácter típico do Vale de Mendiz. A zona do Roncão, também conhecida como Ribeira do Roncão, que conduz ao Douro, embora seja quente, beneficia de um fluxo de vento que entra pelo vale acima e ajuda a manter as vinhas bem arejadas. “Curiosamente, os vinhos do Vale de Mendiz apresentam sempre muita pureza de fruta silvestre e notas florais, uma assinatura do Vale de Mendiz, que não encontramos no Roncão onde os vinhos são mais frutados, nem tanto florais, e têm mais estrutura”, conclui o Director Técnico da Quinta do Noval.
O monovarietal de Touriga Nacional da Quinta do Passadouro é uma combinação de parcelas do vale de Mendiz, onde se concentram as vinhas velhas, e da vinha do Síbio, no vale do Roncão, onde as plantações são organizadas por casta. Por sua vez, o monovarietal de Touriga Nacional da Quinta do Noval resulta de quatro parcelas: três no Vale de Mendiz e uma no Roncão.
Mesmo no Vintage da Quinta do Noval, que tem maior proporção de uva do Vale de Mendiz, alguma parte provém sempre do Roncão, “para lhe dar músculo”.
“É este paradoxo do Douro: uma zona quente onde conseguimos fazer vinhos destes, com frescura e finesse”, resume Carlos Agrellos
“Não queremos abdicar da possibilidade de produzir um Porto Vintage que expressa não só os nossos terroirs, mas também o ano”, explica Christian Seely
Vinhas velhas, o componente essencial
Como referiu no início Christian Seely, as vinhas velhas foram uma grande descoberta na Quinta do Noval e também no Passadouro. Quando a propriedade foi adquirida, as parcelas plantadas na década de 1930 estavam muito bem preservadas, exigindo apenas algumas retanchas. Foi também feito, em colaboração com a PORVID, o levantamento de todas as castas presentes (mais de 30), que hoje se encontram catalogadas. O lote do Quinta do Passadouro Reserva é composto maioritariamente por vinhas velhas (74%), mais 16% de Touriga Nacional e 10% de Touriga Francesa.
O Quinta do Noval Reserva era tipicamente um blend de Touriga Nacional e Touriga Francesa, mas em 2020, no Douro em geral, esta última amadureceu muito mais cedo do que o normal e não estava na sua melhor forma na altura da vindima. E, pela primeira vez, as uvas da vinha velha entraram no lote. O resultado foi tão relevante, que passaram a representar uma grande parte desta referência. O Reserva de 2024 conta com 50% de vinhas velhas, 32% de Touriga Nacional e 18% de Touriga Francesa.
A título de exemplo, o Quinta do Passadouro Reserva tem acidez total de 6,10 gramas por litro e um pH 3,54 e o Quinta do Noval Reserva regista 6,40 gramas por litro de acidez e um pH de 3,47. Ambos evidenciam taninos muito finos, do mesmo tipo que, com mais trabalho e pisa em lagar, dão origem aos Porto Vintage. “É este paradoxo do Douro: uma zona quente onde conseguimos fazer vinhos destes, com frescura e finesse”, resume Carlos Agrellos.
Abordagem na adega
Na adega, os vinhos da Quinta do Passadouro são trabalhados de forma diferente dos da Quinta do Noval. Os primeiros fermentam em lagar, mas por pouco tempo, privilegiando a extracção pré-fermentativa em detrimento da maceração pós-fermentativa. Por isso, após uma breve pisa, o vinho é trasfegado.
O estágio decorre integralmente em barrica, com uma proporção de 15-20% de madeira nova, 5-10% de segundo ano e 70-80% de terceiro ano. Esta utilização de barricas de segundo e terceiro ano preserva o carácter frutado e floral, sem dominar o vinho.
O Noval Nacional representa apenas 0,65% do volume total do Vinho do Porto produzido na propriedade.
Terroir Series
A filosofia por trás desta designação é bastante simples: sempre que nas múltiplas vinificações surge um vinho claramente distinto dos restantes (seja monovarietal, seja de vinhas velhas, como até agora), é engarrafado como Terroir Series. Para já, existem dois vinhos feitos a partir de uvas provenientes de parcelas praticamente centenárias, com castas misturadas.
O Vinha da Marka viu a sua primeira expressão em vinho em 2019 e, desde então, tem sido lançado todos os anos. É uma parcela situada ao lado da Quinta do Crasto. A sequência da Vinha da Ponte, da Maria Teresa e da Marka, sugere uma contemporaneidade na plantação, parecendo ser vinhas da mesma época. A vinha da Marka com mais de 30 castas a 140-180 metros de altitude junto ao rio, apresenta um rendimento médio de 15 hectolitros por hectare. Vindimou-se numa manhã no dia 30 Setembro e resultou em 1024 garrafas.
Mais uma vez a título de exemplo: o Vinha da Marka com 14%, tem 6,60 gramas por litro de acidez total e um pH 3,44. Na opinião do enólogo, estes valores indicativos das vinhas velhas “nunca entram em sobrematuração”, produzindo um grande equilíbrio entre tanino e frescura, com finesse e um potencial de evolução como se fosse um grande Vintage.
No caso do Vinha do Passadouro, trata-se de uma parcela com 28 castas (numa combinação diferente da Vinha da Marka) situada a 320 metros de altitude e com uma elevada densidade de plantação para uma vinha velha do Douro: cerca de 5500 pés. Também plantada na década de 1930, apresenta um rendimento ainda mais baixo, de 12 hectolitros por hectare. Foi produzido 2020, 2021 e 2024, com 968 garrafas neste último. E novamente, temos 6,30 gramas por litro de acidez total e um pH de 3,54.
Porto Vintage
Com vinhas situadas entre os 100 e os 480 metros de altitude e com diferentes exposições, desde 2011 a Quinta do Noval conseguiu fazer declarações de Vintage todos os anos. “São declarações pouco convencionais, porque não seguimos a regra de só declarar em anos clássicos. Mas, às vezes, são apenas 1000 caixas (12 mil garrafas), o que representa menos de 3% da nossa produção total do vinho do Porto. Fazemos isto, não porque queremos ganhar muito dinheiro, mas porque não queremos abdicar da possibilidade de produzir um Porto Vintage que expressa não só os nossos terroirs, mas também o ano. Esta é a nossa política”, explica Christian Seely.
A qualidade dos Porto Vintage percebe-se logo na vindima. Há parcelas que, historicamente, dão origem a Vintage, sendo vinificadas separadamente e mantidas até à decisão final, momento em que algumas acabam por ser rejeitadas. Segundo Carlos Agrellos, o Quinta do Passadouro Vintage resulta de seis parcelas, de um total inicial de dez, tendo quatro ficado de fora do lote final. No caso do Quinta do Noval Vintage, o processo começou com 14 parcelas, das quais quatro foram eliminadas. Isto resultou em 555 caixas (6600 garrafas) do Vintage da Quinta do Passadouro e 2166 caixas (25 992 garrafas) da Quinta do Noval.
O Noval Nacional provém sempre da mesma parcela de vinha velha, com menos de um hectare, situada em frente à casa. Foi vindimado numa manhã a 30 de Setembro. Com 167 caixas (2004 garrafas) representa apenas 0,65% do volume total do Vinho do Porto produzido na propriedade. É um vinho com uma concentração de outro mundo e uma finesse típica que só aquela parcela cirurgicamente preservada, consegue expressar num grande Porto Vintage.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
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Quinta do Noval Nacional
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Quinta do Noval
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Quinta do Passadouro
Fortificado/ Licoroso - 2024 -

Quinta do Noval Terroir Series Vinhas do Passadouro
Tinto - 2024 -

Quinta do Noval Terroir Series Vinhas da Marka
Tinto - 2024 -

Quinta do Noval
Tinto - 2024 -

Quinta do Passadouro
Tinto - 2024 -

Quinta do Noval
Tinto - 2024 -

Quinta do Passadouro
Tinto - 2024
Quinta do Noval declara Porto Vintage 2024 x 3

Quinta do Passadouro Vintage Port 2024 constituem o trio associado ao anúncio de declaração de vinhos do Porto excepcionais. Christian Seely, Administrador da Quinta do Noval, afirma em comunicado: “os vinhos mostram grande pureza de fruto, estrutura e profundidade aromática. São precisos, refinados e muito equilibrados, com uma notável combinação de elegância e intensidade. São […]
Quinta do Passadouro Vintage Port 2024 constituem o trio associado ao anúncio de declaração de vinhos do Porto excepcionais. Christian Seely, Administrador da Quinta do Noval, afirma em comunicado: “os vinhos mostram grande pureza de fruto, estrutura e profundidade aromática. São precisos, refinados e muito equilibrados, com uma notável combinação de elegância e intensidade. São Portos Vintage já muito expressivos na juventude, mas com a estrutura, a profundidade e o equilíbrio necessários para uma longa e promissora evolução em garrafa”.
Segundo o comunicado, as condições climáticas registadas ao longo do Inverno e durante o Verão contribuíram para a “maturação lenta e homogénea das uvas”. Graças a este cenário somado às noites frescas de Setembro, foi possível preservar “a frescura, a pureza aromática e o equilíbrio”. Christian Seely salientou ainda a qualidade excepcional “de várias vinhas de Touriga Nacional, Touriga Francesa e Sousão”, bem como da Vinha Nacional e de diversos talhões de vinhas velhas constituídos por castas distintas.
Fladgate Family Wines declara 2024 um ano Vintage

No alinhamento da tradição da Fladgate Family Wines, hoje, Dia de São Jorge, a divisão de vinhos do grupo The Fladgate Partnership anuncia o lançamento de Vintage 2024 da Taylor’s (com duas edições, uma das quais o Taylor’s Sentinels Vintage Port), Croft e Fonseca. Trata-se da primeira declaração conjunta das três centenárias casas desde 2017. […]
No alinhamento da tradição da Fladgate Family Wines, hoje, Dia de São Jorge, a divisão de vinhos do grupo The Fladgate Partnership anuncia o lançamento de Vintage 2024 da Taylor’s (com duas edições, uma das quais o Taylor’s Sentinels Vintage Port), Croft e Fonseca. Trata-se da primeira declaração conjunta das três centenárias casas desde 2017. De acordo com o comunicado, este acto representa “um momento histórico, não apenas pela convergência entre Taylor’s, Croft e Fonseca, mas sobretudo porque representa a mais limitada declaração de sempre destas casas”.
Adrian Bridge, Director-Geral da Fladgate Family Wines, sublinha a “qualidade excecional” e a “incrível profundidade e complexidade” do quarteto de vinhos do Porto Vintage, cujos números representam menos quantidade. Mas a “qualidade compensa a matemática”, assegura, em comunicado, David Guimaraens, director de enologia da Fladgate Family Wines, até porque “declarar um ano clássico é uma enorme responsabilidade”.
Como é do conhecimento dos entendidos nesta matéria, cada casa se afirma através de uma expressão muito própria do seu terroir duriense. Em comunicado, no Taylor’s Vintage 2024, lote produzido a partir das uvas das vinhas da Quinta de Vargellas, da Quinta da Terra Feita e da Quinta de Junco, “os taninos firmes e musculados são equilibrados, com sabores de fruta vivos e delicadas notas herbais, resultando num vinho vibrante e complexo, com a elegância e a precisão típicas”. Já o Taylor’s Sentinels Vintage Port 2024, elaborado a partir das uvas das propriedades históricas no Douro, revela um “perfil mais direto e generoso”. O Croft Vintage 2024, cujas base é feita com uvas da Quinta da Roêda, denota “equilíbrio entre opulência e contenção”, enquanto o Fonseca Vintage 2024, lote de uvas vindimadas na Quinta do Panascal, “revela a sua habitual profundidade, intensidade e generosidade de fruta, conjugada com uma mineralidade muito apelativa e um final fresco”.
Os Vintage 2024 da Taylor’s, Croft e Fonseca vão para o mercado em setembro de 2026, com distribuição exclusiva da Heritage Wines.
Kopke Group anuncia duplo lançamento de Vintage 2024

Das casas Burmester e Kopke resultam as duas declarações Vintage de 2024 da Kopke Group. De acordo com o comunicado, o inverno e a primavera amenos e chuvosos, e o verão quente e seco, equilibrado por noites frescas e temperaturas mais moderadas durante a vindima, contribuíram para “maturações completas, com excelente sanidade, e um notável […]
Das casas Burmester e Kopke resultam as duas declarações Vintage de 2024 da Kopke Group. De acordo com o comunicado, o inverno e a primavera amenos e chuvosos, e o verão quente e seco, equilibrado por noites frescas e temperaturas mais moderadas durante a vindima, contribuíram para “maturações completas, com excelente sanidade, e um notável equilíbrio entre concentração, frescura e estrutura”.
Tanto o Burmester Vintage 2024, como o Kopke Vintage 2024 são assinados por Carlos Alves, Master Blender do Kopke Group, e cada um expressa o perfil da respectiva casa. De uma maneira geral, “são vinhos que expressam, de forma muito clara, o carácter do Douro e aquilo que procuramos enquanto enólogos: autenticidade, precisão e longevidade”, reforça. O primeiro é “marcado pela elegância e pela expressividade aromática”, enquanto na boca enaltece-se “um estilo mais refinado e acessível, sem comprometer a sua capacidade de envelhecimento”. A respeito do segundo, “revela uma profundidade aromática marcada por notas de fruta ácida, nuances cítricas, apontamentos de especiaria e cacau, bem como subtis notas mentoladas. Na boca, evidencia volume, estrutura e taninos firmes, sustentados por uma acidez vibrante que lhe confere tensão e capacidade de evolução”.
O Burmester Vintage 2024 está limitado a 9 964 garrafas de 0,75 litros e 300 de 1,5 litros; e o Kopke Vintage 2024 está disponível em 11 984 garrafas de 0,75 litros e 600 de 1,5 litros.
Oito expressões Vintage da Symington Family Estates

Depois da colheita do ano de 2017, a família Symington volta a anunciar declaração do Porto Vintage, desta vez de 2024, de todas as suas casas – Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s e Quinta do Vesúvio. A estas referências, somam-se o Graham’s The Stone Terraces e o Capela da Quinta do Vesúvio, ambas de produção muito […]
Depois da colheita do ano de 2017, a família Symington volta a anunciar declaração do Porto Vintage, desta vez de 2024, de todas as suas casas – Dow’s, Graham’s, Warre’s, Cockburn’s e Quinta do Vesúvio. A estas referências, somam-se o Graham’s The Stone Terraces e o Capela da Quinta do Vesúvio, ambas de produção muito limitada, bem como uma restrita selecção da Quinta de Roriz (este conjuntamente com a família Prats).
“Eis o marco que simboliza o regresso a uma vindima clássica no Douro após um intervalo excecionalmente longo de sete anos”, de acordo com o comunicado. Segundo manda a cartilha, são referências que expressam uma qualidade excepcional e respeitam o compromisso com padrões elevados no que à qualidade diz respeito.
Trata-se, portanto, de uma decisão que “não obedece a calendários”, mas antes à virtude de aguardar pelo momento certo, tendo as castas tintas Touriga Nacional e Touriga Franca como “barómetros essenciais de um ano Vintage”. Quanto à produção, esta cinge-se a edições limitadas.
“Um hiato de sete anos entre declarações coloca este Vintage num território de raridade histórica. Mas, mais do que isso, é uma afirmação de princípio: num mundo de urgência, acreditamos no valor da espera, porque os grandes Portos Vintage só acontecem quando a natureza dita o momento certo”, resume Charles Symington, representante da quarta geração, enólogo-chefe e Director de Produção.
Vintage 1994: 30 anos de boa memória

No ano de 1843, a cidade de Londres, ao acordar da modorra noturna, deparou-se com uma publicação anónima que apresentou um título invulgarmente longo, quando comparado com a métrica jornalística atual: A Word Or Two on Port Wine! Showing How, and Why, it is Adulterated, and Affording Some Means of Detecting Its Adulterations. Curiosamente, a […]
No ano de 1843, a cidade de Londres, ao acordar da modorra noturna, deparou-se com uma publicação anónima que apresentou um título invulgarmente longo, quando comparado com a métrica jornalística atual: A Word Or Two on Port Wine! Showing How, and Why, it is Adulterated, and Affording Some Means of Detecting Its Adulterations. Curiosamente, a única referência à sua intrigante autoria também se encontrou na primeira página: By one residing in Portugal for eleven years. Este folheto, cuja autoria terá sido, mais tarde, atribuída ao barão de Forrester, foi a faísca que acabou por incendiar uma enorme polémica genuinamente internacional sobre as práticas de vinificação da altura, tendo por pano de fundo uma aguda crise comercial.
Para o barão, no seguimento da muito famosa colheita de 1820 que apresentou vinhos invulgarmente “cheios, doces e saborosos”, foi desenvolvido um novo sistema de vinificação de encontro aos incontáveis pedidos dos consumidores e dos negociantes pela regularidade deste perfil. O argumento fundamental de Forrester era desconcertantemente simples e avassalador: “raras vezes se podia obter puro um tal vinho, sendo mui raras tão boas estações, recorreu-se à adulteração (…) a fim de produzir coisa que o imitasse (…); e os esforços entre muitos dos exportadores tendiam a que cada um exportasse vinho mais doce, encorpado e de mais cor que o do seu vizinho”. Na sua opinião, a adulteração dos vinhos estava ligada ao crescente uso de jeropiga, baga de sabugueiro e ao uso crescente de aguardente na fermentação, após a fermentação, no momento do carregamento para Vila Nova de Gaia e na ocasião do embarque para Inglaterra. Estes procedimentos, segundo o barão, estavam na génese da crise comercial verificada desde o início da década de quarenta. Forrester defendia precisamente o inverso, ou seja, o fabrico de vinhos “puros”, “secos”, “preparados com bastante fermentação” e com “pouca ou nenhuma aguardente”.
Pouco tempo depois surgiu um novo folheto, igualmente publicado de forma anónima, em Londres, que tentou refutar todas as considerações do primeiro. No seguimento, no Porto, em apoio ao folheto inicial foi difundida uma carta, através do Periódico dos Pobres do Porto, assinada por “um velho lavrador do Douro” na qual dava sustentabilidade total aos argumentos de Forrester. Os detratores do barão acusaram-no de provocar o descrédito do vinho do Porto e contrapunham que a aguardentação convinha ao aperfeiçoamento do produto para atender às solicitações do mercado e resistir à viagem para as ilhas britânicas.
Ainda assim, era no Douro que o Barão de Forrester tinha uma das suas maiores aliadas nesta causa, tratava-se da família Ferreira que, nesta altura, já granjeava uma enorme reputação no mercado dos vinhos. Curiosamente, estes mantinham inteligentemente uma dupla política comercial. Por um lado, existem registos revelando a venda de vinhos retintos e encorpados, a pedido expresso dos exportadores. Por outro lado, os melhores vinhos, provenientes da Quinta do Vesúvio, continuavam a produzir-se com muito menos aguardentação.
Apesar dos esforços do Barão de Forrester e dos seus apoiantes, o que acabou por prevalecer foi o denominado “gosto inglês” que deu preferência a vinhos retintos, fortes, encorpados e, acima de tudo, doces. A preferência por esse perfil característico acabou por ser cristalizada e assumida como a norma na categoria dos vinhos do Porto Vintage. Atualmente, o perfil destes vinhos foi vertido em forma de lei determinando o vinho do Porto Vintage como “…proveniente de uma só vindima, retinto e encorpado…”.
A masterclasse “Os 30 anos do Porto Vintage 1994” foi conduzida por Paulo Russel-Pinto um dos especialistas do IVDP
Uma inesquecível masterclass
Esta colheita é um excelente exemplo do triunfo e herança do “gosto inglês”, mas poucas atingiram a pontuação e o estrelato internacional dos vinhos do Porto Vintage do ano de 1994.
A estratosférica pontuação atribuída por uma das principais revistas mundiais de crítica de vinhos (100 pontos a dois Vintage de 1994: Taylor’s e Fonseca), fez renascer o desejo pelo vinho do Porto no mercado norte-americano e mundial. Por cá, o Vintage foi descoberto pelos consumidores e transformado em produto de moda. Desta forma, as vendas das categorias especiais de vinho do Porto atingiram, na altura, novo pico de venda e um sucesso estrondoso. Muitos dos operadores esgotaram rapidamente as alocações do Vintage de 1994 programadas, muitas delas em apenas três meses, e com preços bem interessantes.
O segredo do sucesso desta colheita esteve relacionado com as condições climátericas ocorridas. Apesar do pobre início, a época de desenvolvimento das uvas foi razoável, com tempo seco, apenas interrompido por reduzidos períodos de chuva. Esta conjuntura redundou numa vindima uniforme e extraordinária e em vinhos que, 30 anos depois, nos envolvem os sentidos.
Isso mesmo comprovámos na atmosfera intimista do Salão Nobre do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro, palco de uma das comemorações mais aguardadas do “Port Wine Day”: a masterclass “Os 30 anos do Porto Vintage 1994”. Esta foi conduzida por Paulo Russell-Pinto, um dos especialistas do instituto, e contou com a presença dos enólogos das empresas representadas. A plateia era constituída por várias classes de profissionais da fileira do mundo do vinho nacional e por alguns jornalistas. Paulo Russel-Pinto fez desfilar oito vinhos de empresas sobejamente reconhecidas pelos mercados nacionais e internacionais: Cálem, Churchill’s, Dow’s, Poças, Quinta do Noval, Ramos Pinto, Rozès e Taylor’s.
O Cálem Vintage 1994, apresentado por Carlos Alves, exibiu ainda uma cor rubi bastante intensa e opaca com as notas de fruta vermelha madura ainda bem marcadas. No palato, os taninos bem marcados, juntamente com a fruta bem madura conferiam uma prova intensa e prazerosa. Um exemplar ainda bastante jovem denotando equilíbrio entre álcool, acidez e açúcar. (19,5 pontos).
A uma das casas mais recentes na produção de vinho Porto coube a apresentação do Churchill´s Vintage 1994 proveniente de vinhas com mais de 50 anos de idade apresentou uma coloração levemente acastanhada evidenciando aromas a frutos secos, marmelada e alguma fruta vermelha. De perfil seco, fresco e de recorte muito fino, revelou uma faceta elegante. Um dos mais evoluídos em prova. (18,5).
Do universo Symington foi apresentado um vinho cujas uvas foram provenientes da Quinta do Bonfim (Cima Corgo) e da Quinta da Senhora da Ribeira (Douro Superior). Estas resultaram no Dow’s Vintage 2014, que se mostrou ainda retinto e opaco com aromas bem marcados a fruta vermelha compotada, especiarias e alcaçuz. Boa intensidade e equilíbrio entra a doçura e acidez. Ainda jovem e com boa capacidade de guarda. (19).
A batuta de Jorge Manuel Pintão, bisneto do fundador, concebeu o Poças Vintage 2014 de cor levemente acastanhada denotando aromas a pinho, frutos secos, mentol, tabaco e alguma fruta vermelha. O tanino firme e a acidez marcada conferem alguma intensidade e nervo à fruta compotada. Está num excelente momento para ser bebido. (18,5).
A Quinta do Noval, situada no vale Mendiz, apresentou um vinho que resultou da primeira colheita com a gerência do grupo internacional Axa-Milésimes, o Noval Vintage 2014 produzido com uvas provenientes de uma colina apenas, entre os 200 e os 400 metros de altitude. Opaco e retinto marcado por aromas balsâmicos, fruta preta e cacau. Muito persistente, intenso compaginando doçura e acidez com galhardia. (19).
Os Single Quinta são uma categoria menos conhecida pelo consumidor comum e representam a singularidade de um território com bastantes cambiantes. Desta forma foi apresentado, pela mão da Ramos Pinto, o Quinta da Ervamoira Vintage 1994 de cor bastante intensa, brilhante e rubi aparentando apenas uma leve evolução. Grande intensidade de aromas com destaque para a fruta madura, tabaco e algum balsâmico. No palato revelou fruta madura fresca e menta envolvidos por um tanino bem presente. Grande intensidade e volume. Um dos melhores em prova. (19,5).
O Rozès Vintage 1994 mostrou uma coloração menos intensa e acastanhada evidenciando aromas a marmelada e frutos secos. De perfil mais doce e concentração média, revelando estar a atravessar um período menos intenso. (18).
Para o final estava guardada a estrela do dia, provada em formato magnum, o que lhe conferiu impacto adicional. Tratou-se do Taylor’s Vintage 1994 de coloração bastante intensa e aromas ainda bastante fechados, mas bem marcados a fruta vermelha e preta. No palato mostrou bastante intensidade, fruta fresca e mentol. O tanino bem marcado e o perfil ainda fechado conferem um tempo de guarda bastante confortável. Um grande Vintage. (20).
As implicações tardias de um folheto
Na altura em que foram lançados e nos anos subsequentes, os Vintage de 1994 foram elevados ao pináculo superior do estrelato mediático nacional e internacional. Concomitantemente, a região do Douro aproveitando um enorme manancial vínico com 300 anos, transformou-se de forma definitiva.
Na década de noventa, atravessou uma época verdadeiramente dourada, Dirk Niepoort faz, em 1990, duas pipas de vinho para consumo e, em 1991, foi lançado, com enorme sucesso comercial, o Duas Quintas. Durante essa década muitas das marcas que hoje são incontornáveis na região (Quinta da Gaivosa, Quinta do Crasto, Quinta Vale D. Maria, Chryseia, Quinta do Vale Meão ou Quinta do Vallado) viram a luz do dia. Foi o ressurgimento definitivo dos “vinhos secos” a que o barão de Forrester se referia em 1843…
Ainda assim, esta fantástica prova de vinhos relembra, mais uma vez, com veemência e elegância, o triunfo da tradição dos vinhos do Porto Vintage. A história do Douro e dos seus vinhos é muito longa e envolta em muitos meandros…e ainda bem.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2024)
Van Zellers Ocean Aged é o primeiro Vintage a estagiar no fundo do mar

A Van Zellers & Co anunciou o primeiro vinho do Porto Vintage de sempre a estagiar fundo do mar. O Van Zellers & Co Ocean Aged Vintage 2020 será oficialmente lançado no Dia Internacional do Oceano, a 8 de Junho, depois de ter sido afundado em Dezembro no Porto de Sines em colaboração com a […]
A Van Zellers & Co anunciou o primeiro vinho do Porto Vintage de sempre a estagiar fundo do mar. O Van Zellers & Co Ocean Aged Vintage 2020 será oficialmente lançado no Dia Internacional do Oceano, a 8 de Junho, depois de ter sido afundado em Dezembro no Porto de Sines em colaboração com a empresa Ecoalga – Adega do Mar, especializada em armazenamento subaquático.
Este lançamento inédito acontece em parceria com a Zouri Shoes, marca de calçado “eco-vegan” que ficou responsável pela criação da embalagem da garrafa do Van Zellers & Co Ocean Aged, propositadamente desenhada em forma de concha. Na sua construção, a marca utilizou apenas plástico recuperado da costa portuguesa (cerca de uma tonelada de plástico foi recolhida nas praias, com o contributo de 600 voluntários) e borracha natural.
Francisca van Zeller, representante da 15º geração da família, ajudou a afundar 102 garrafas no passado dia 7 de Dezembro, 10 metros de profundidade. “Aqui as garrafas encontram 2 bar de pressão, que é um valor seguro para iniciar o processo de envelhecimento do Porto Vintage. As garrafas também vão beneficiar de uma temperatura constante e de um ambiente escuro para um bom desenvolvimento. E uma mais-valia são as belas algas marinhas que começam a aparecer nas garrafas”, explica a responsável de Marketing e Comunicação da Van Zellers & Co.
O Van Zellers & Co Ocean Aged Vintage 2020 (p.v.p. €1000, 75cl) foi produzido com uvas oriundas de vinhas muito velhas, localizadas no coração do Douro, colhidas à mão. As primeiras 35 garrafas, disponíveis a partir do dia 8 de Junho, serão vendidas exclusivamente através do WineChain, um mercado para NFTs de vinhos (as restantes chegarão ao mercado pela altura do Natal). A WineChain garante, segundo a Van Zellers & Co, “uma reduzida pegada de carbono tendo em conta a compra, a venda e a guarda dos vinhos, sendo que oferece 12 meses de armazenamento gratuito com a compra do NFT”. Todas as garrafas estagiarão 11 meses debaixo de água, e serão retiradas no dia 16 de Novembro de 2023 (Dia Nacional do Mar), prontas para serem embaladas e enviadas o mercado.
A Van Zellers & Co vai ainda utilizar parte das receitas para apoiar um programa educativo, organizado pelo Oceanário de Lisboa, sobre a importância do oceano, dirigido a crianças em idade escolar da região do Douro.
Kopke e Burmester anunciam Porto Vintage 2021

A Sogevinus anunciou esta semana o lançamento de dois Porto Vintage 2021 “single quinta”, Kopke Quinta de São Luiz e Burmester Quinta do Arnozelo. Segundo Carlos Alves, director de enologia do grupo Sogevinus, o ano de 2021 “ficou marcado pelo Inverno frio e pelas precipitações elevadas durante o mês de Fevereiro, ao qual se seguiu […]
A Sogevinus anunciou esta semana o lançamento de dois Porto Vintage 2021 “single quinta”, Kopke Quinta de São Luiz e Burmester Quinta do Arnozelo.
Segundo Carlos Alves, director de enologia do grupo Sogevinus, o ano de 2021 “ficou marcado pelo Inverno frio e pelas precipitações elevadas durante o mês de Fevereiro, ao qual se seguiu uma Primavera tipicamente amena, pontuada por chuvas no mês de Abril, o que permitiu a reposição de água no solo. A antecipação da vindima deveu-se ao Verão quente e seco, ainda que as chuvas do arranque de Setembro, juntamente com temperaturas amenas, tenham abrandado o ritmo de maturação das uvas”.
O Kopke Quinta de São Luiz Porto Vintage 2021 originou 12133 garrafas e tem um p.v.p. recomendado de €60; e do Burmester Quinta do Arnozelo Porto Vintage 2021 foram feitas 8830 garrafas, cada uma com p.v.p. de €55.














