Concurso Nacional de Escanções distingue os melhores de 2024

Marc Pinto foi o vencedor do XIX Concurso Nacional de Escanções, que decorreu no final de Novembro em Palmela. Em competição estiveram 14 concorrentes, entre os quais foram selecionados três para a final que teve, como vencedor, pelo terceiro ano consecutivo, Marc Pinto, actual escanção e head sommelier do restaurante Fifty Seconds, em Lisboa. Seguiram-se […]

Marc Pinto foi o vencedor do XIX Concurso Nacional de Escanções, que decorreu no final de Novembro em Palmela. Em competição estiveram 14 concorrentes, entre os quais foram selecionados três para a final que teve, como vencedor, pelo terceiro ano consecutivo, Marc Pinto, actual escanção e head sommelier do restaurante Fifty Seconds, em Lisboa. Seguiram-se Diogo Pereira e Vasile Grebencea, nos segundo e terceiro lugares, respectivamente. O concurso contou, novamente, com a condução de Teresa Barbosa, escanção e directora comercial da João M. Barbosa Vinhos.

Nas provas eliminatórias da competição, os concorrentes tiveram de identificar vinhos fortificados, fazer uma prova organoléptica de dois vinhos (um deles sem álcool), um exame teórico e uma prova de serviço prático de vinhos. Os finalistas tiveram de identificar vinhos espumantes, fazer serviço de bar com cocktail e sake, serviço de vinho com decantação, prova de aguardentes, prova organoléptica de vinhos, harmonização de um menu com cervejas e, por fim, um quizz técnico.

Quanto ao Concurso Nacional Fernando Ferramentas, no qual participaram igualmente 14 finalistas, de norte a sul do país, seleccionados após a conclusão do Curso Nacional Fernando Ferramentas nas cidades onde realizaram a formação durante os anos de 2023 e 2024, foram distinguidos, com Medalha de Ouro, Ana Banha, gestora de Enoturismo na Tapada de Coelheiros, Medalha de Prata, Nuno Carvalho, gestor de Marketing na POW – Portugalonwater e Medalha de Bronze, Luis Espigão, chefe de sala no restaurante Origens em Évora.

Exportações nacionais de vinho crescem em 2024

As exportações nacionais de vinhos atingiram os 698 milhões de euros em valor desde Janeiro até Setembro de 2024, com os Estados Unidos a consolidarem a sua posição como principal mercado de destino do sector, sobretudo para vinhos certificados com Denominação de Origem (DO/IG). Esta foi uma das informações reveladas durante o Fórum Anual dos […]

As exportações nacionais de vinhos atingiram os 698 milhões de euros em valor desde Janeiro até Setembro de 2024, com os Estados Unidos a consolidarem a sua posição como principal mercado de destino do sector, sobretudo para vinhos certificados com Denominação de Origem (DO/IG). Esta foi uma das informações reveladas durante o Fórum Anual dos Vinhos de Portugal, organizado pela ViniPortugal, que decorreu em Leiria no mês passado.

Para além dos dados mais recentes sobre o mercado nacional e as exportações de vinhos portugueses, foram apresentadas, durante o evento, as principais tendências, os desafios actuais e as estratégias para o futuro. Foi também divulgado o Plano de Marketing e Promoção, para 2025, da ViniPortugal com a marca Wines of Portugal.

A sessão de boas-vindas esteve a cargo do Presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, seguindo-se a apresentação, pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), de dados de mercado referentes aos períodos entre 2016 e 2023 e Janeiro e Setembro de 2024. Os valores revelados mostraram que o mercado nacional de vinhos tranquilos teve um aumento significativo nos últimos anos, com as vendas em volume a crescerem para 280 milhões de litros do ano passado e, em valor, para 1,144 mil milhões. O preço médio por litro de vinho em 2023 foi de 4,08 euros.

Segundo o IVV, baseado nos dados de uma empresa de estudos de mercado, no período de Janeiro a Setembro de 2024 verificou-se em Portugal um aumento de 3,6% no volume total de vendas, impulsionado por um crescimento significativo de 22% na restauração. São números animadores, mas contrariam a percepção da generalidade dos produtores e distribuidores. O mesmo estudo revela que as vendas de vinho em garrafa representaram a maioria do valor total, que correspondeu a um preço médio de 7,34 euros/litro, enquanto outros formatos de preços mais acessíveis, como o bag-in-box, mantiveram uma presença importante no mercado.

No terceiro trimestre de 2024, os vinhos certificados continuaram a dominar o mercado, representando 67% das vendas. Os tintos mantiveram a preferência dos consumidores, representando 55,6% do volume total comercializado, enquanto os brancos aumentaram ligeiramente a sua expressão.

No plano internacional, Portugal reforçou o seu papel como exportador de vinho, com uma quota de 2,6% do mercado global em 2023. As exportações entre Janeiro e Setembro de 2024 atingiram os 698 milhões de euros, um aumento de 2,5% face ao mesmo período do ano anterior. Em volume, foram exportados 260 milhões de litros (+7,8%).

Os Estados Unidos consolidaram-se como maior mercado de destino dos vinhos portugueses, destacando-se pela sua crescente procura de vinhos tranquilos com Denominação de Origem (DO/IG). Este segmento representou 74% do valor total das exportações para o mercado norte-americano nos primeiros nove meses de 2024. Os países terceiros foram o principal destino das exportações nacionais, mas a Europa Comunitária apresentou maior crescimento em volume face ao mesmo período de 2023.

Os dados apresentados durante o Fórum Anual demonstram que o sector vitivinícola português tem conseguido crescer no mercado interno e externo. Frederico Falcão destacou, durante o evento, “a necessidade de reforçar a competitividade e inovação no sector, apostar em marketing digital, consolidar a imagem de qualidade dos vinhos portugueses e focar mais nos mercados estratégicos”, defendendo que “este trabalho será fundamental para continuar a crescer num cenário global altamente competitivo”.

A valorização das certificações e a aposta em segmentos premium, como vinhos DO/IG, foram apontadas como estratégias-chave para alavancar o sector. Para além disso, a sustentabilidade e a adaptação às novas exigências dos consumidores serão temas prioritários para os produtores nacionais.

10 milhões de euros para os associados da Adega de Monção

A Adega de Monção decidiu, em Assembleia Geral, fixar um valor máximo de 1,25€/kg de uva recebida dos seus mais de 1600 associados, valor que abrange 99% da colheita de uva da casta Alvarinho

A Adega de Monção decidiu, em Assembleia Geral, fixar um valor máximo de 1,25€/kg de uva recebida dos seus mais de 1600 associados, valor que abrange 99% da colheita de uva da casta Alvarinho. É, assim, a primeira cooperativa nacional a ultrapassar a barreira dos 10 milhões de euros de remuneração pela colheita. O valor […]

A Adega de Monção decidiu, em Assembleia Geral, fixar um valor máximo de 1,25€/kg de uva recebida dos seus mais de 1600 associados, valor que abrange 99% da colheita de uva da casta Alvarinho. É, assim, a primeira cooperativa nacional a ultrapassar a barreira dos 10 milhões de euros de remuneração pela colheita. O valor poderá crescer ainda mais com bónus eventuais, dependentes dos resultados comerciais apurados para a vindima de 2024.

“O sucesso económico e comercial que alcançamos é o dos nossos associados, pois são eles quem nos entrega uns espantosos 99% de uvas Alvarinho com a máxima classificação de qualidade”, salienta Armando Fontainhas, o presidente da Adega de Monção, acrescentando que, “assim, é apenas justo devolvermos-lhe o recorde, que é tanto deles como nosso, e sermos a primeira adega cooperativa de Portugal a superar os 10 milhões de euros na remuneração da uva de quem a cultiva.”.

Uma política comercial que permitiu a valorização do produto e um crescimento significativo, com base sólida, tem contribuído para a Adega de Monção investir na qualidade, inovação e nas marcas de vinhos que produz e ser também das que pagam melhor a uva aos seus produtores.

A Adega de Monção produz e comercializa volumes elevados de Vinhos Verdes brancos resultantes de blends de vinhos de uvas das castas Alvarinho e Trajadura e vinhos monocasta Alvarinho, para além de Vinhos Verdes tintos e rosados, espumantes brancos, tintos e rosados, aguardentes vínicas e vinho licoroso IG Minho.

Quinta d’Amares: Um verde com dez séculos…

Quinta D`Amares

Conta a história que as primeiras edificações do lugar de acolhimento e estudos religiosos que abrigaram, durante séculos, os monges beneditinos de Cluny e Cister, surgem em 1090, fundadas pelo nobre Egas Pais de Penagate, um dos mais importantes senhores da época, proprietário de vastas propriedades de Entre Homem e Cávado. Intimamente ligado à reconquista […]

Conta a história que as primeiras edificações do lugar de acolhimento e estudos religiosos que abrigaram, durante séculos, os monges beneditinos de Cluny e Cister, surgem em 1090, fundadas pelo nobre Egas Pais de Penagate, um dos mais importantes senhores da época, proprietário de vastas propriedades de Entre Homem e Cávado.
Intimamente ligado à reconquista cristã, o Mosteiro de Rendufe é uma das principais edificações religiosas do Norte do país, passando por diversas transformações ao longo dos séculos. Até ao século XVI, a pecuária e a agricultura dominavam a paisagem e eram as principais fontes, não apenas da autossustentabilidade dos eclesiásticos, mas, igualmente, um rendimento. De origem francófona, crê-se que ali plantaram extensas manchas de vinha, tornando a propriedade numa das mais vastas e ricas de todo o Norte, alcançando maior dimensão e produtividade que o próprio mosteiro de Tibães.
Após o século XVI, o Mosteiro continua a ser uma das mais relevantes Escolas de Estudos Superiores em Teologia. Contudo, com a introdução do milho na Europa, a cultura da vinha torna-se secundária, diminuindo consideravelmente a sua área, cingindo-se apenas às bordaduras.

Não obstante a construção da nova igreja, dependências conventuais e a Capela do Santíssimo Sacramento, o declínio do Mosteiro começa a ocorrer a partir de 1755. A divisão da imensa propriedade torna-se inevitável num país depauperado após Terramoto de Lisboa e o maremoto que se lhe seguiu, causando a quase total destruição da cidade. O comércio das especiarias já era praticamente inexistente e o ouro que nos chegava do Brasil era escasso. Os grandes comerciantes das cidades do Porto e Lisboa, perante o peso da carga fiscal imposta, radicam-se na Flandres.

Parte do património do mosteiro, seus edifícios e fontanários, são destruídos para aproveitamento da pedra para construção de muros de delimitação e outras edificações. Após a extinção das Ordens Religiosas, em 1834, parte da propriedade e edificações são alienadas a privados. Um grande incêndio acaba por consumir parte do Mosteiro e, hoje, aquilo que nos é dado a conhecer é apenas um vislumbre da sua dimensão original, mantendo, no entanto, a imponência do seu estilo barroco e rococó.

Quinta D`Amares

Um negócio de família

Albino Pedrosa, pai do atual proprietário, José Pedrosa, sempre esteve ligado ao negócio dos vinhos. Radicado no Porto, fazia da compra e venda a granel, em larga escala, a sua atividade principal, comercializando vários milhões de litros mensalmente, mantendo a atividade em todas as regiões vitivinícolas do país. Na cidade invicta detinha, igualmente, uma destilaria onde destilava 50 mil litros semanalmente, produto que, nos anos 60 e 70 do século passado, era quase exclusivamente escoado para as colónias africanas com quem mantinha relações comerciais privilegiadas.

À época, o comércio de vinhos da região dos Vinhos Verdes fazia-se quase exclusivamente de tintos. Do mesmo modo, no encepamento da região dominavam as castas tintas, com o Vinhão à cabeça, cabendo às uvas brancas uma presença e comercialização bastante discreta.
Em 1986, prevendo um abrandamento do comércio a granel e cumprindo um desejo de possuir um negócio de vinho da base até ao topo, Albino Pedrosa, já com o seu filho José Pedrosa ao lado, inicia a aquisição da Quinta D`Amares, num processo complexo de negociação, uma vez que a propriedade dentro de muros estava, à data, dividida em oito parcelas, de outros tantos proprietários.

Após a primeira parcela, foram adquirindo as restantes, terminando a operação global já no início deste século. A conversão da propriedade, que nos anos 80 estava destinada essencialmente à pecuária, inicia-se logo a partir de 1986, requerendo uma intervenção total, dado o estado de abandono a que estava votada há muitos anos. A vinha era uma miragem do passado, existindo apenas nas bordaduras, preenchendo a cultura de cereal e floresta a quase totalidade da Quinta. Com toda uma vida dedicada ao grande volume, a família Pedrosa percebeu que os mercados exigiam agora qualidade e identidade. Fazer vinhos de quinta era agora o propósito, associando essa nova vertente à potenciação do património constituído pelo Mosteiro e pelo Aqueduto, este do século XVII, sob a tutela e manutenção da Quinta.

O VITIS foi a alavanca essencial para transformar a paisagem de toda a região dos Vinhos Verdes. Nela estão também os 55 hectares que compreendem a totalidade da propriedade entremuros da Quinta D`Amares. O tempo dos tintos havia chegado a um fim anunciado. As castas brancas impuseram-se e, na propriedade, no processo de restruturação, a Loureiro levou a melhor, ocupando, hoje, cerca de 75% de toda a área de vinha, tornando-a, provavelmente, uma das maiores áreas de vinha contínua da casta, que é rainha nesta sub-região do Cávado. A formação em engenharia química de José Pedrosa foi fundamental para a forma como se olhou para a composição dos solos, relevo, sistema de rega e plantação da vinha em cordão simples.

Quinta d'amares

Abundância de água

Não obstante a sub-região do Cávado beneficiar de níveis pluviométricos muito elevados no Inverno, os verões quentes, cujas temperaturas facilmente atingem os 40 graus em Agosto, exigem que a vinha possua um sistema de rega gota a gota. Afortunadamente, o engenho dos monges beneditinos, desde o século XI, salvaguardou a abundância de água, construindo o Mosteiro de Rendufe numa zona muito rica em recursos hídricos, possuindo a atual propriedade seis minas com nascentes, que providenciam toda a água utilizada nas regas, assim como para todas as operações na adega, desde a refrigeração até às limpezas. Erigido no século XVII, o Aqueduto que desemboca no Mosteiro encontra-se hoje perfeitamente funcional e ativo, recolhendo água numa das minas existentes no seu topo, transportando-a para o interior do Mosteiro e vários reservatórios existentes no interior da Quinta.

Rentabilidade e otimização de processos estiveram na base da decisão de criar um projeto de envergadura. Posicionar as vinhas com diversas orientações, permitindo diferentes estágios de maturação, foi fundamental para organizar uma vindima espaçada no tempo. Nos primeiros anos, durava aproximadamente um mês e era realizada por uma centena de pessoas. Hoje, a escassez de mão de obra é transversal a todo o país agrícola, razão pela qual é inevitável o recurso à vindima mecanizada, sobretudo quando há risco de pluviosidade próxima.
A propriedade, atualmente já se estende fora dos muros, prolongando-se em várias outras parcelas externas. Se o Loureiro predomina, constatou-se que o Alvarinho encontra neste terroir condições de exceção para se exprimir, granjeando virtudes próprias, distintas das que lhe são aportadas em Monção e Melgaço. Aposta mais recente tem sido o Arinto, localizado numa parcela mais alta, fresca e ventosa. A sua espumantização pelo método clássico já não é um mero alargamento do portfólio, tornando-se um caso de sucesso comercial entre e fora de portas. Essa perceção leva já a idealizar-se criar referências mais exigentes e ambiciosas de modo a solidificar a Quinta D`Amares também como produtor de espumantes de qualidade evidente.

Nas parcelas externas aos muros, o Vinhão coexiste com o Espadeiro. A influência do Vinhão, à semelhança do que ocorre em toda a região, é cada vez menor, representando uma ínfima parte da produção. Na vindima de 2024, prevê-se apenas a produção de 5000 litros de Vinhão, num universo de um milhão de litros produzidos. Despertos para esta redução drástica de produção de vinhão, também forçada pela diminuição do seu consumo, a Quinta d`Amares procura novas abordagens à casta, experienciando diferentes formas de vinificação, com menos extração, maior leveza que, de algum modo, lhe retire a componente de rusticidade sem lhe mascarar a autenticidade.

Quinta D`Amares
Diogo Schartt, o enólogo residente da empresa, acompanha o dia-a-dia da adega e das vinhas.

Os vinhos de parcela

A equipa de enologia e viticultura mantém-se desde o primeiro dia, estando a enologia entregue ao enólogo consultor António Sousa, tendo o jovem Diogo Schartt como enólogo residente a acompanhar o dia-a-dia da adega e vinhas. É de um triângulo coeso que resultam todas as ações e estratégias da empresa. José Pedrosa, Diogo Schartt e Tiago Ferreira, o diretor comercial, reúnem-se diariamente nos escritórios, debatendo os novos desafios e tendências, baseados nas experiências e viagens de cada um. O surgimento dos Pét-Nat no portefólio da Quinta D`Amares nasce de uma visita do diretor comercial ao Canadá, onde estes espumantes de “método ancestral” alcançaram um sucesso notável, sobretudo nos wine bars e junto de um público mais jovem.

Regressado, e em troca de ideias com a equipa, não houve dúvidas que aquele era um produto digno de se apostar, desde que se elevassem os patamares de qualidade em relação ao que, à data, existia no mercado. O Quinta D`Amares Pét-Nat é hoje uma realidade e peça importante do portefólio constituído por 12 vinhos, já esgotando com as compras feitas, sobretudo, pelo mercado norte-americano.

O curso do tempo, e a realização de mais de uma vintena de vindimas, trouxe, à equipa, um maior conhecimento das características dos solos e dos vários microclimas existentes nos 55 hectares de vinha. Os solos arenosos e graníticos de várias densidades predominam, ainda que com índices de nutrição diferentes, sendo as cotas mais elevadas e inclinadas mais pobres, por contraponto às parcelas mais nutridas, situadas, sobretudo, ao redor do Mosteiro. Aliás, é na cercania de edificado religioso que se situa a mais incomum parcela da Quinta, bastante mais fresca, sobretudo por se encontrar no interior de um corredor de vento de Norte, daí advindo temperaturas bastante mais amenas que nas restantes parcelas da vinha. É desta parcela sui generis que nasce o Quinta D`Amares Claustrum, vinho monovarietal de Loureiro. Ao invés de se definir um perfil jovem, frutado, fácil e para beber jovem, pretendeu conferir-se maior complexidade ao vinho, tornando-o mais exigente em termos de prova, sem a exuberância aromática usual e com potencial sério de guarda.

Quinta D`Amares

 

 

Enoturismo como desígnio

José Pedrosa tem a perfeita consciência que todo o património histórico circundado pelas vinhas é um diamante por lapidar, com um potencial enoturístico de monta. Atualmente, parte do Convento, que corresponde aos antigos aposentos dos monges, foi adjudicada a privados pelo Estado, proprietário do imóvel, para criação de unidade hoteleira de luxo, desejando-se que a sua execução se inicie a breve trecho.

A par disso, irá abrir, já em 2025, o Centro de Provas e Espaço de Eventos, atendendo à necessidade que a região possui de espaços que possam acomodar várias centenas de pessoas, num edifício construído de raiz, com dois pisos. Um edifício sustentável que aproveitará os recursos hídricos em abundância na propriedade para refrigeração dos espaços, com reutilização dessa mesma água para a rega.

O constante crescimento das exportações, com novos mercados a despontarem para além dos clássicos, nomeadamente, o forte crescimento na Suécia e Japão, pressupõe que, a breve trecho, tenha que se aumentar o número de litros produzidos e engarrafados com marca própria. Vinificando um milhão de litros anualmente, correspondendo apenas a metade da uva produzida, possuindo, ainda, a adega, capacidade para uma maior vinificação, prevê-se que o volume de venda de uva a granel diminua em prol do aumento da quantidade vinificada. Sem passivos e com ativos vultuosos, a Quinta D`Amares não se atemoriza com os ventos de uma crise anunciada e olha para o futuro com um sorriso confiante.

Nota: o autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

(Artigo publicado na edição de Outubro de 2024)

 

Vale do Lima é Região Europeia da Gastronomia e Vinho em 2025

A eleição resultou de uma candidatura conjunta dos municípios de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Viana do Castelo

A Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) distinguiu, o Vale do Lima, como Região Europeia da Gastronomia e Vinho 2025. A eleição resultou de uma candidatura conjunta dos municípios de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Viana do Castelo, que estão unidos, para além do rio Lima, por uma paisagem […]

A Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) distinguiu, o Vale do Lima, como Região Europeia da Gastronomia e Vinho 2025.

A eleição resultou de uma candidatura conjunta dos municípios de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Viana do Castelo, que estão unidos, para além do rio Lima, por uma paisagem verde, muitas vezes montanhosa, com muitos cursos de água sedutores e atractivos e por um património que vale a pena descobrir. Para além disso, a AMPV considerou que, nos quatro municípios banhados pelo rio Lima, a gastronomia e vinhos são “dos mais importantes produtos da oferta turística”, razão pela qual justificou a distinção, “como forma de estimular a sua ligação”.

A região, onde existem 45 produtores-engarrafadores, é detentora da marca Loureiro do Vale do Lima, criada com o objetivo de valorizar e promover o vinho verde. “Loureiro do Vale do Lima – um vinho, um território, um destino” é o mote da  estratégia comum aos quatro municípios, que tem, como objetivo principal, o crescimento do enoturismo através do desenvolvimento de ações de promoção e marketing do vinho verde, centradas na casta Loureiro enquanto produto patrimonial e identitário da região do Vale do Lima, apostando numa marca territorial de grande valor”, diz ainda um comunicado dos municípios envolvidos no projecto.

Lugrade lança Vintage e Magnus

A Lugrade, empresa nacional no setor do bacalhau, apresentou oficialmente as novas edições do Bacalhau Lugrade Vintage e do Bacalhau Lugrade Magnus. O evento de lançamento decorreu no Convento São Francisco em Coimbra, em final de Novembro, com a presença do Chef Diogo Rocha, embaixador da marca e dos administradores da empresa, os irmãos Joselito e […]

A Lugrade, empresa nacional no setor do bacalhau, apresentou oficialmente as novas edições do Bacalhau Lugrade Vintage e do Bacalhau Lugrade Magnus. O evento de lançamento decorreu no Convento São Francisco em Coimbra, em final de Novembro, com a presença do Chef Diogo Rocha, embaixador da marca e dos administradores da empresa, os irmãos Joselito e Vitor Lucas.

O Bacalhau Lugrade Vintage distingue-se pelo seu processo de cura prolongada, que respeita os métodos tradicionais e intensifica o sabor. Selecionado entre os melhores exemplares capturados na Islândia, na Baía de Keflavik, é escalado a bordo onde inicia o processo de cura, completado depois nas instalações da Lugrade, em Coimbra. Ao todo, a edição 2024 passou por 20 meses de cura, dos quais 17 em sal. E originou apenas 2100 exemplares, vendidos ao preço de €40/Kg.

O mesmo preço tem o Bacalhau Lugrade Magnus, sendo algo totalmente distinto, desde logo na proveniência, no caso, as águas geladas da Noruega. Como o nome indica, é produzido a partir de exemplares excecionalmente grandes, com mais de 5 Kg, e submetido a uma cura tradicional superior a seis meses. Ao contrário do Vintage, é maturado a bordo durante quatro dias, antes de ser escalado e salgado, dando origem a postas grandes e de textura bastante macia. Da edição 2024 nasceram somente 1800 exemplares

Durante a apresentação, o Chef Diogo Rocha elaborou duas criações gastronómicas com estes peixes, demonstrando as diferenças na matéria prima e processo de cura e as semelhanças na elevadíssima qualidade do produto.  O Bacalhau Lugrade Vintage e Bacalhau Lugrade Magnus estão disponíveis em revendedores especializados e na loja online da Lugrade (loja.lugrade.com) L.L.

Lua Cheia: Bronze que vale ouro

lua cheia

Fomos encontrar o centro de vinificação da Lua Cheia-Saven, em Alijó, em plena azáfama de vindimas. Esta, que é uma das duas adegas da empresa (a outra situa-se em Monção, na região dos Vinhos Verdes), está capacitada para vinificar mais de 2,5 milhões de litros. A sua localização é das mais privilegiadas para obter os […]

Fomos encontrar o centro de vinificação da Lua Cheia-Saven, em Alijó, em plena azáfama de vindimas. Esta, que é uma das duas adegas da empresa (a outra situa-se em Monção, na região dos Vinhos Verdes), está capacitada para vinificar mais de 2,5 milhões de litros. A sua localização é das mais privilegiadas para obter os resultados desejados atualmente, a frescura e a marca da região duriense. No topo do Planalto de Alijó, situando-se próxima dos 800 metros de altitude e beneficiando de noites muito frias e dias de brisas constantes, alcançam-se vinificações mais lentas, aportando aos vinhos maior personalidade e uma mais fidedigna interpretação do Vale Mendiz, ali próximo.

É nestas cotas mais altas do Douro que nascem, além dos mais exclusivos Quinta do Bronze, os Andreza das gamas “Altitude”, vinhos de expressão mais fresca, elaborados com uvas próprias e provenientes de viticultores que trabalham com a Lua Cheia há vários anos, garantindo, à empresa, a qualidade da matéria-prima para criar os vinhos que espelham o caráter do Planalto.

Com uma história cuja origem remonta a 1823, a propriedade foi adquirida em 2012 ao dono de uma farmácia de Favaios.

 

Nos altos de Vale Mendiz
Podíamos começar pelo início da Sociedade Abastecedora de Navios Aveirense (Saven) e de como o dinamismo do seu fundador, o já desaparecido Manuel Dias, criou um império de distribuição de bens alimentares e vinhos, hoje liderado por sua filha Lara Dias, onde se enquadra a Lua Cheia-Saven, nascida de um desafio ao enólogo bairradino Francisco Baptista em 2009. Porém, importa-nos traçar desta feita o retrato da Quinta do Bronze, a propriedade com 14 hectares e vista sobranceira para o mágico Vale Mendiz, com uma vizinhança ilustre nas cercanias.

Com uma história cuja origem remonta a 1823, a propriedade foi adquirida em 2012 ao dono de uma farmácia de Favaios. Durante várias gerações, a Quinta estave quase inteiramente dedicada à produção de uva para vinho do Porto, caracterizando-se pela heterogeneidade de altitudes, exposição e composição de solos. A dimensão inicial era menor, tendo sido adquiridas diversas parcelas contíguas até atingir a dimensão atual. Do fundo da estrada que vai de Alijó ao Pinhão, até ao topo das íngremes vinhas, sobe-se dos 200 até uma cota de 550 metros de altitude. Com forma de um semicírculo, os vinhedos beneficiam de diversas exposições (a Norte, Poente e Sul) que, por sua vez, trazem diversos estados de maturação, permitindo trabalhar as uvas de distintas formas na sua vinificação. Os solos encontram-se numa zona de transição dos xistos para os granitos. Solos muito pobres, que estimulam a capacidade de resiliência das videiras a produções rigorosas.

Os primeiros anos após a aquisição foram de estudo de cada uma das diferentes parcelas da vinha. A pretensão era criar foco no vinho de mesa, identificando as uvas com maior potencial e apetência para tal, reservando a parte sobrante para vinho do Porto. O encepamento ali existente, e as plantações de novas parcelas que foram sendo adquiridas, entretanto, pouco foi alterado. Era o tradicional para elaboração de vinhos do Porto: Touriga Nacional, Touriga Francesa, Sousão e Tinta Roriz. O Tinto Cão surge mais tardiamente, numa perspetiva de dispor de castas mais frescas, entre outras plantadas, sobretudo as mais resistentes à baixa pluviosidade e mudanças climatéricas. Atualmente, é a base consensual para a elaboração do Andreza Altitude Rosé, exclusivamente com esta casta, para marcar o modo como são feitos bons rosados durienses. É um vinho que tem conquistado a preferência dos consumidores,

 

A Vinha do Plagão
A maior curiosidade desta Quinta é uma parcela de um hectare de vinha com quase 50 anos – a Vinha do Plagão – onde se encontra o Tourigão, ou Tourigo, nome que, durante séculos, os agricultores do Dão davam à Touriga Nacional. É nesta vinha, cuja interpretação e conhecimento têm tomado mais tempo ao responsável de enologia, Francisco Baptista, que nasce o vinho de parcela Quinta do Bronze Vinha do Plagão 2016. As imensas incertezas sobre aquele clone antigo da, hoje, conhecida e reconhecida, Touriga Nacional, tornaram a obtenção de um vinho que cumprisse os parâmetros de qualidade exigidos tarefa mais complexa, pois as características naturais do próprio Tourigo, e a sua raridade no encepamento duriense, não facilitaram em nada a tarefa.

Desde a aquisição da propriedade em 2012, apenas em 2016 se conseguiu alcançar a desejada excelência. Francisco Baptista reconhece-lhe a irregularidade, não se conseguindo ali obter colheitas de qualidade a toda a prova ano após ano. Em 2017, não foi possível engarrafar a colheita e, se o estágio evoluir favoravelmente, o próximo lançamento será da vindima de 2018.
Relevante para os objetivos da empresa é, no que toca àquela parcela em particular, respeitar as suas características e identidade, com a perfeita consciência de que só nos anos excecionais dali serão engarrafados os Vinha do Plagão. Manuel Dias, cedo reconheceu a singularidade daquela vinha, dando carta branca ao enólogo para dali fazer os futuros vinhos ícone da Lua Cheia, demorasse o tempo que demorasse. A experienciação teve de nascer de vinificações separadas, de modo a perceber as características diferenciadoras do clone presente nestas vinhas.

A maior curiosidade desta Quinta é uma parcela de 1 hectare de vinha com quase 50 anos – a Vinha do Plagão – onde se encontra o Tourigão, ou Tourigo

 

O Tourigo antigo
O Tourigo aparece profusamente referido por António Augusto de Aguiar em 1867, identificando-o e relevando-lhe a presença massiva no encepamento da região do Dão. Daí os beirões reivindicarem para si o berço da, hoje, renomada Touriga Nacional. As suas virtudes enológicas eram já valorizadas no período pré-filoxérico, designadamente a cor profunda dos seus vinhos e o aroma singular que assumia. Contra si tinha a muito pouca produtividade e tendência ao desavinho. Cardoso Vilhena, no Centro de Estudos do Dão, em Nelas, decifrou-lhe algumas fragilidades, explorando as suas potencialidades, ganhando a casta novo fôlego. Certo é que, nas vinhas da Quinta do Bronze, o Tourigo surge ainda numa versão primordial, de cacho de bago pequeno e com uma produtividade que não ultrapassa os 2500 quilos por hectare. Razão para ter sido, pouco a pouco, abandonada pelos agricultores durienses.

Ignorando a parte da rentabilidade, Francisco Baptista, preferiu olhar para esta parcela de um modo diferenciado, procurando sobretudo a mais legítima expressão do território e das características tão especiais daquela casta, que entra em larga maioria no Vinha do Plagão, surgindo também o Sousão em proporções residuais, numa perspetiva de conferir maior firmeza e tensão ao vinho. Certo é que o resultado é uma absoluta surpresa, pelo modo como evoluiu oito anos após a colheita e pelo potencial de longevidade que mostra, antevendo-lhe o enólogo décadas de resistência sem perda de vigor e frescura. Haja essa coragem de resistir à tentação de os colocar nas prateleiras antes do seu tempo ideal.

Do mesmo modo, procura, nas restantes parcelas daqueles 14 hectares, sublimar a altitude, buscando menor concentração, menor teor alcoólico, acidez mais veemente e uma complexidade que diferencie os vinhos da Quinta do Bronze, tornando-os a joia da coroa de todo o universo Saven.

(Artigo publicado na edição de Outubro de 2024)

Carlos Lucas e Praxis lançam cerveja de Encruzado

A ideia nasceu da ligação familiar entre Carlos Lucas e Pedro Baptista, e da vontade de juntar dois produtos icónicos da região centro: o vinho do Dão e a cerveja artesanal de Coimbra.

A ideia nasceu da ligação familiar entre Carlos Lucas e Pedro Baptista, e da vontade de juntar dois produtos icónicos da região centro: o vinho do Dão e a cerveja artesanal de Coimbra. “Este projecto é um exemplo claro do que podemos alcançar quando juntamos tradição e inovação. Queremos criar algo que celebre a nossa […]

A ideia nasceu da ligação familiar entre Carlos Lucas e Pedro Baptista, e da vontade de juntar dois produtos icónicos da região centro: o vinho do Dão e a cerveja artesanal de Coimbra. “Este projecto é um exemplo claro do que podemos alcançar quando juntamos tradição e inovação. Queremos criar algo que celebre a nossa região e, ao mesmo tempo, desafie as expectativas do público”, disse Carlos Lucas, produtor e enólogo, no evento de lançamento desta cerveja realizado nas instalações da Praxis, em Coimbra. Pedro Baptista, CEO da Praxis, fundada por seu pai, Arnaldo Baptista, acrescentou que “esta cerveja artesanal demonstra o potencial de unir mundos aparentemente distintos, como o vinho e a cerveja”. Tanto Carlos Lucas, com o seu conhecimento da casta Encruzado, como a Praxis, com largas tradições na produção de cervejas artesanais, trouxeram as suas especialidades para esta colaboração.

A Praxis Grape Ale de Encruzado by Carlos Lucas é, como o nome indica, uma Ale aromatizada com mosto de Encruzado, a primeira do género no mundo. Para a sua criação, sob a orientação do mestre cervejeiro Márcio Ferreira, foram feitas várias experiências, tendo-se acertado num blend que mistura 90% do mosto da cerveja com 10% do mosto de Encruzado, fermentados em conjunto. A ideia foi que, ao contrário do que acontece com a larga maioria das Grape Ale, esta cerveja continuasse a cheirar e saber a uma Ale, de cevada e trigo maltado, contribuindo o Encruzado com a expressão frutada da casta e a sua acidez. Um resultado, diga-se, plenamente conseguido.

Da nova Grape Ale de Encruzado fizeram-se apenas mil garrafas (note-se que esta cerveja só pode ser elaborada uma vez por ano, durante a vindima) que estão a ser comercializadas nas instalações da Praxis e na sua loja online, bem como na adega da Magnum Carlos Lucas Vinhos e em lojas especializadas. O PVP recomendado (garrafa de 0,75cl) é de €9. L.L.