“Os Melhores Vinhos do Dão” atribuem 42 medalhas 

  Mas antes dos medalhados, há que dar a conhecer o grande vencedor da 17.ª edição do concurso “Os Melhores Vinhos do Dão”, o Morgado de Silgueiros Touriga Nacional tinto 2023, da dega Cooperativa de Silgueiros. O anúncio foi feito no decorrer da cerimónia de entrega de prémios promovidos pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão […]

 

Mas antes dos medalhados, há que dar a conhecer o grande vencedor da 17.ª edição do concurso “Os Melhores Vinhos do Dão”, o Morgado de Silgueiros Touriga Nacional tinto 2023, da dega Cooperativa de Silgueiros. O anúncio foi feito no decorrer da cerimónia de entrega de prémios promovidos pela Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), que teve lugar no Museu do Vinho e das Artes, em Santar.

Destaque ainda para as cinco medalhas de Platina, reservadas aos vinhos de excelência absoluta em cada categoria. Entre os vinhos distinguidos com Grande Ouro, constam oito referências vínicas, enquanto as medalhas de Ouro foram distribuídas por 28. O galardão de Prata ficou limitado a um vinho. As 176 referências a concurso, que se traduzem na participação de 41 agentes económicos do Dão, foram avaliadas por um painel de especialistas constituído por jornalistas do sector, sommeliers, produtores e enólogos.

Manuel Pinheiro, presidente da CVR Dão, evidencia “a adesão recorde registada nesta edição”, ação que reflecte “o forte compromisso dos agentes económicos com a valorização coletiva da marca Dão e com a afirmação da região nos diferentes mercados”

 

Lista dos vencedores

Melhor Vinho a Concurso

Morgado de Silgueiros Touriga Nacional tinto 2023 (Adega Coop. de Silgueiros)

 

Platina

Cabriz Espumante Bruto branco 2020 (Global Wines)

Casa da Passarella Abanico Reserva branco 2024 (Casa da Passarella)

Raríssimo by Osvaldo Amado Encruzado branco (Casa dos Amados)

Villa Oliveira tinto 2017 (Casa da Passarella)

Morgado de Silgueiros Touriga Nacional tinto 2023 (Adega Coop. de Silgueiros)

 

Grande Ouro

Cabriz Edição Especial tinto 2018 (Global Wines)

Casa da Passarella Abanico Reserva tinto 2023 (Casa da Passarella)

Castelo de Azurara Grande Reserva tinto 2017 (Adega Coop. de Mangualde)

Caminhos Cruzados tinto 2020 (Caminhos Cruzados)

Tazem tinto 2022 (Adega Coop. de Vila Nova de Tazem)

Morgado de Silgueiros Reserva tinto 2023 (Adega Coop. de Silgueiros)

Sequoia 37 Grande Reserva Encruzado branco 2024 (Soc. Agr. Quinta de Santo António)

Castelo de Azurara Grande Reserva Alfrocheiro tinto 2020 (Adega Coop. de Mangualde)

 

Ouro

Quinta Dona Sancha Vinha da Avarenta branco 2024 (Quinta Dona Sancha)

Ribeiro Santo Vinha da Neve branco 2024 (Magnum Wines)

Caminhos Cruzados branco 2024 (Caminhos Cruzados)

Quinta do Cerrado Reserva branco 2024 (União Comercial da Beira)

Taverna da Aldeia branco 2025 (Casa Santos Lima)

Adega da Corga Reserva branco 2024 (Virgínia Marques Barbosa Formoso)

Adega de Penalva Reserva tinto 2020 (Adega Coop. de Penalva do Castelo)

Janela XVI Reserva tinto 2020 (Soc. Agr. Quinta de Santo António)

Casa de Santar Reserva tinto 2021 (Global Wines)

Quinta dos Carvalhais Reserva tinto 2020 (Sogrape Vinhos)

Tesouro da Sé tinto 2021 (UDACA – União das Adegas Cooperativas do Dão)

Quinta de Lemos Dona Santana tinto 2017 (Quinta de Lemos)

Dom Daganel Grande Reserva tinto 2021 (Adega Coop. de Silgueiros)

Tesouro da Sé Reserva Encruzado branco 2023 (UDACA – União das Adegas Cooperativas do Dão)

Adega de Penalva Branco Cerceal branco 2023 (Adega Coop. de Penalva do Castelo)

Terra by Osvaldo Amado Reserva Encruzado branco 2024 (Casa dos Amados)

Quinta do Covão Reserva Encruzado branco 2024 (Soc. Agr. da Quinta do Covão)

Adega de Penalva Cerceal branco 2022 (Adega Coop. de Penalva do Castelo)

Adega de Penalva Encruzado branco 2024 (Adega Coop. de Penalva do Castelo)

Fonte do Ouro Reserva Especial Encruzado branco 2024 (Soc. Agr. Boas Quintas)

Casa de Santar Vinha dos Amores Encruzado branco 2022 (Global Wines)

Quinta de Lemos Dona Santana Encruzado branco 2024 (Quinta de Lemos)

Casa da Passarella O Enólogo Encruzado branco 2024 (Casa da Passarella)

Quinta Dona Sancha Cerceal branco 2023 (Quinta Dona Sancha)

Adega da Corga Reserva Touriga Nacional tinto 2022 (Virgínia Marques Barbosa Formoso)

Tesouro da Sé Reserva Touriga Nacional tinto 2021 (UDACA – União das Adegas Cooperativas do Dão)

Castelo de Azurara Grande Reserva Jaen tinto 2023 (Adega Coop. de Mangualde)

Ribeiro Santo Branco Cerceal branco 2020 (Magnum Wines)

 

Prata

Casa da Passarella Fugitivo rosado 2025 (Casa da Passarella)

Concurso Vinhos de Lisboa: Os melhores da região

Concurso

De acordo com o resultado da XVI edição do Concurso de Vinhos de Lisboa, promovido pela Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVRL), foram distinguidos 44 vinhos de produtores deste território. Do total de referências vencedoras, nove arrecadaram as Grandes Medalhas de Ouro, 25 os galardões de Ouro e dez os de Prata. Foram eleitos […]

De acordo com o resultado da XVI edição do Concurso de Vinhos de Lisboa, promovido pela Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVRL), foram distinguidos 44 vinhos de produtores deste território. Do total de referências vencedoras, nove arrecadaram as Grandes Medalhas de Ouro, 25 os galardões de Ouro e dez os de Prata. Foram eleitos ainda o Melhor Arinto, o Melhor Vital, o Melhor Branco, o Melhor Tinto e o Melhor Leve. No total, foram aferidas 147 amostras em prova cega por um painel constituído por 32 jurados, distribuídos por dois grupos, entre enólogos, sommeliers, jornalistas e wine educators.

“O concurso é um importante instrumento de valorização dos nossos produtores e da diversidade da região, distinguindo vinhos que representam o melhor que hoje se faz em Lisboa e reforça a notoriedade junto dos consumidores e dos mercados”, declara, em comunicado, Bernardo Gouvêa, Presidente da CVRL.

Lista dos vencedores por categoria

Melhor Tinto AdegaMãe Reserva 2019 (AdegaMãe)

Melhor Branco Casa das Gaeiras Fernão-Pires 2021 (Tapada das Gaeiras)

Melhor Arinto Madame Pió Reserva 2022 (Cas’amaro)

Melhor Vital Casa das Gaeiras Reserva 2024 (Tapada das Gaeiras)

Melhor Leve Azulejo 2025 (Casa Santos Lima)

Concurso

Grande Ouro

Villa Oeiras Superior, Vinho Licoroso Superior (Município de Oeiras)

Figurativo 627539, Aguardente Vínica Extra Old/XO (Adega Coop. da Lourinhã)

Património Aguardente Vínica (António Francisco Bonifácio & Filhos)

AdegaMãe tinto Reserva 2019 (AdegaMãe)

Madame Pió Reserva branco 2022 (Cas’amaro)

AdegaMãe tinto 2017 (AdegaMãe)

Touriz tinto 2020 (Casa Santos Lima)

Quinta do Gradil Reserva tinto 2022 (Quinta do Gradi)

Guarita da Chocapalha Reserva Tinto 2017 (Casa Agr. das Mimosas)

 

Ouro

Adega d’Arrocha Arinto Reserva branco 2023 (Arribas & Parcelas)

Casa das Gaeiras Fernão-Pires branco 2021 (Tapada das Gaeiras)

Casa das Gaeiras Vital, Reserva branco 2024 (Tapada das Gaeiras)

Casa Santos Lima Colheita Tardia branco 2024 (Casa Santos Lima)

Carlota a Imperatriz Sauvignon-Blanc branco 2025 (QVBFG – Sociedade de Vinhos da Estremadura)

Carlota a Imperatriz Arinto Reserva branco 2023 (QVBFG – Sociedade de Vinhos da Estremadura)

CH by Chocapalha Arinto Reserva branco 2022 (Casa Agr. das Mimosas)

Confraria Espumante Grande Reserva, Arinto e Chardonnay branco 2017 (Adega Coop. do Cadaval)

Decreto 14676 Arinto branco 2022 (Next Corner)

Galodoro Reserva tinto 2024 (Casa Santos Lima)

Mi Hijo Grande Reserva branco 2024 (Nuno Filipe Galvão Carvalho Duarte)

Peripécia Arinto Grande Reserva branco 2022 (Quinta do Cerrado da Porta)

Pica-Pau Reserva tinto 2021 (Casa Santos Lima)

Quinta do Boição Arinto Reserva branco 2022 (Enoport)

Quinta do Boição Arinto Reserva branco 2024 (Enoport)

Quinta do Espírito Santo Reserva tinto 2022 (Casa Santos Lima)

Quinta de Pancas Grande Reserva tinto 2021 (WineStone Group)

Quinta de S. Francisco Vital branco 2025 (Comp.ª Agr. do Sanguinhal)

Quinta do Sanguinhal Grande Escolha branco 2022 (Comp.ª Agr. do Sanguinhal)

Quinta das Setencostas tinto 2022 (Casa Santos Lima)

Quinta da Vassala Arinto Reserva branco 2023 (Vassala Wines)

Sem Reservas Reserva tinto 2024 (Casa Santos Lima)

Stagiaire Arinto Premium branco 2022 (Casa Agr. Horácio Nicolau)

Vingrand Reserva Especial tinto 2019 (Adega Coop. de Azueira)

Villa Oeiras branco (Município de Oeiras)

 

Prata

Adega da Murnalha branco 2024 (Frutas Nobres -Soc. de Comércio Agrícola)

Alma de Lisboa Reserva branco 2024 (Adega Coop. de São Mamede da Ventosa)

Adega da Vermelha Reserva Especial tinto 2017 (Adega Coop. de São Mamede da Ventosa)

Casa Santos Lima branco 2025 (Casa Santos Lima)

Correio Mor branco 2024 (Agro Rio)

Encostas de Xira branco 2024 (Município de Vila Franca de Xira)

Influente Espumante rosé Reserva 2023 (Adega Coop. do Cadaval)

Quinta de Pancas Reserva tinto 2022 (WineStone Group)

Reserva D’Amizade Friendship Fado tinto Reserva 2023 (Paço das Cortes)

Valmaduro Premium tinto 2021 (Casa Santos Lima)

 

 

RESTAURANTE MAPA: Miguel Laffan, take 2

É um local especial para a memória do Chef Miguel Laffan, porque foi ali que conquistou a sua primeira estrela Michelin e a deixou como herança quando dali saiu, em 2019. Muita água correu debaixo da ponte desde então e o restaurante do L’AND Vineyards, em Montemor-o-Novo, passou por várias fases e conheceu outras lideranças, […]

É um local especial para a memória do Chef Miguel Laffan, porque foi ali que conquistou a sua primeira estrela Michelin e a deixou como herança quando dali saiu, em 2019. Muita água correu debaixo da ponte desde então e o restaurante do L’AND Vineyards, em Montemor-o-Novo, passou por várias fases e conheceu outras lideranças, embora nem sempre se tenha mantido no zénite. Mas valha a verdade reconhecer que o momento é feliz: estrela dada, estrela devolvida. Pouco antes de voltar a Montemor, viu o Mapa voltar a ostentar a cobiçada distinção, mercê do trabalho de David Jesus, que deixou inesperadamente o restaurante um mês após a sua recuperação.

O ponto de partida é agora, por isso, outro. A ambição não se resume à manutenção do estatuto alcançado, mas, quem sabe, superá-lo. Em entrevista recente ao semanário Expresso, Miguel Laffan não tem pejo em afirmar: “se alguém no Alentejo tem condições para chegar a uma segunda estrela, sou eu.”

Contudo, não será preciso esperar pela segunda estrela para apreciar, desde já, a criatividade do Chef. O que nos é oferecido agora, no Mapa, com os dois menus disponíveis – “Caminhos 9 Momentos” (€175) e “Caminhos 5 Momentos” (€145), a que acrescem as propostas de harmonização (€115 e €90, respectivamente) – é mais que suficiente para apreciar a visão muito pessoal da gastronomia de Miguel Laffan, assente em memórias, viagens, trajectos e experiências vividas de um caminho que já é longo e rico. Para quem teve contactos anteriores com a cozinha do Chef, há elementos que se mantêm, seja a forte influência do Oriente, constante em todo o menu, seja a omnipresença do mar e dos seus produtos, seja ainda a preferência por certos ingredientes, em especial pelas especiarias, que assumem justificado protagonismo, seja, finalmente, pelo suave perfume que exalam as suas composições, sempre servidas por um apurado aprumo estético.

No menu Caminhos, mais alargado, e que tivemos o privilégio de provar, a fusão entre as referências asiáticas, as técnicas clássicas da cozinha francesa e o produto nacional resulta bastante evidente. Que melhor exemplo disso que a composição do lírio dos Açores, em que a delicadeza do peixe combina com as algas marinhas e o perfume do mar nos enche os sentidos? Ou no prato chamado Laksa, essa sopa malaia, que serve de base à “nossa” lula, onde o sabor pungente do ouriço do mar é suavizado pelas notas de bergamota? Ou ainda pela gamba vermelha do Algarve, tingida pelo açafrão, perfumada pela lima, e onde o caviar e o mexilhão dão a melhor sequência ao diálogo? Disruptivo, o pato real (o único prato de carne deste menu), apresentado em duas versões/momentos: primeiro na forma de um bolinho a vapor, com raspas de foie gras e jus, e depois, numa tranche com cogumelos morilles e pak choi.

Cozinha personalizada e fortemente identitária esta. “A minha cozinha é o resultado daquilo que sou. Hoje em dia sei quem sou: sou um criativo e a minha forma de expressar é na cozinha”, proclama Laffan em forma de um statement. Não se espere encontrar aqui, portanto, alguma concessão à chamada “cozinha de território”, em que o peso do lugar assume protagonismo. Apenas num dos snacks servidos no princípio da refeição, em que um pequeno apontamento com cabeça de xara e lagostins evoca a anterior passagem de Laffan por este restaurante.

O Mapa está no Alentejo, mas podia estar em Lisboa, em Paris ou noutro lugar. O Mapa é, hoje, a expressão de uma cozinha criativa, fortemente personalizada e vincadamente afirmativa.

Mapa

L’AND Vineyards; Herdade das Valadas, 4, Montemor-o-Novo

Tel.: 266 242 400

Horário: de Quarta a Domingo das 13h00 às 16h00 e das 19h00 às 23h00

 

Concurso Escolha da Imprensa 2026 – Abertas as inscrições

Concurso escolha da imprensa

A Grandes Escolhas vai organizar mais uma edição do “ESCOLHA DA IMPRENSA” aberto a todos os produtores nacionais e com as seguintes características: – Um júri constituído por críticos e jornalistas, em particular os que habitualmente cobrem os temas ligados aos vinhos e gastronomia. – Divulgação e exposição pública dos vencedores durante o evento GRANDES ESCOLHAS […]

A Grandes Escolhas vai organizar mais uma edição do “ESCOLHA DA IMPRENSA” aberto a todos os produtores nacionais e com as seguintes características:

– Um júri constituído por críticos e jornalistas, em particular os que habitualmente cobrem os temas ligados aos vinhos e gastronomia.
– Divulgação e exposição pública dos vencedores durante o evento GRANDES ESCOLHAS | VINHOS & SABORES, a decorrer na FIL, Parque das Nações, de 17 a 19 de Outubro, com atribuição dos respectivos Diplomas aos vencedores
– Divulgação pública dos resultados no site, na revista Grandes Escolhas e nas redes sociais.

Conheça o regulamento e faça a sua inscrição  AQUI

Em memória de Jim Reader

Jim Reader

Jim era uma figura muito querida no sector do vinho do Porto, consensual e respeitada, quer no Douro, quer em Vila Nova de Gaia, pela sua afabilidade e paixão que nutria pelo país adoptivo e os seus vinhos. Nascido em 1951, Jim cresceu em North Yorkshire, Reino Unido. Formou-se na University of East Anglia, onde […]

Jim era uma figura muito querida no sector do vinho do Porto, consensual e respeitada, quer no Douro, quer em Vila Nova de Gaia, pela sua afabilidade e paixão que nutria pelo país adoptivo e os seus vinhos.

Nascido em 1951, Jim cresceu em North Yorkshire, Reino Unido. Formou-se na University of East Anglia, onde cursou microbiologia e, mais tarde, obteve o doutoramento na Strathclyde University. Chegou a Portugal em 1980 pela mão da Allied Breweries, então proprietários da Casa Cockburn’s – líder de mercado no Reino Unido. Começou como responsável de Controlo de Qualidade, ascendendo ao cargo de Director de Produção e depois ao cargo de Director Geral da Cockburn’s, até à compra desta pela família Symington em 2006, altura em que se reformou.

Jim foi consultor do produtor de vinho do Porto, C. da Silva, além de continuar na influente Câmara de Provadores do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto que assegura os padrões de qualidade de todos os vinhos do Porto. Integrava também a Chancelaria da Confraria do Vinho do Porto, sendo igualmente membro activo da Feitoria Inglesa onde mais recentemente tinha a função de auditor independente. Em Julho de 2025, foi uma das 40 personalidades e organizações homenageadas pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, em reconhecimento do contributo prestado a esta importante instituição de ensino ao longo de quatro décadas.

Conhecido pelo seu sentido de humor apurado, consta que em certa ocasião, enquanto discutia com outro produtor uma possível declaração de Porto Vintage, tomando conhecimento que outras casas iriam declarar, terá dito após uma curta pausa: “sinto que os nossos vinhos melhoram à medida que a nossa conversa avança”!

A equipa da Grandes Escolhas deixa as condolências a toda a família. Até sempre Jim Reader…

RESTAURANTE TOUTA: Do Líbano, com amor

Touta

Aberto no princípio de 2024, o Touta trouxe a Lisboa uma cozinha de inspiração libanesa, trabalhada com técnicas francesas e com vasta utilização de ingredientes locais. São os sabores da cozinha mediterrânica num mosaico colorido, leve e bastante criativo. Fundado pela Chef Cynthia Bitar e por Rita Abou Ghazale, responsável pela sala, o conceito afasta-se […]

Aberto no princípio de 2024, o Touta trouxe a Lisboa uma cozinha de inspiração libanesa, trabalhada com técnicas francesas e com vasta utilização de ingredientes locais. São os sabores da cozinha mediterrânica num mosaico colorido, leve e bastante criativo. Fundado pela Chef Cynthia Bitar e por Rita Abou Ghazale, responsável pela sala, o conceito afasta-se um pouco do registo tradicional do Médio Oriente, para oferecer uma reinterpretação contemporânea que cruza memórias e lugares do percurso da Chef. E não falta currículo a Cyntia Bitar. Primeiro pela herança, já que é filha de uma das mais conhecidas e pioneiras chefs femininas do Líbano, Nazira Bitar, depois pela formação, no prestigiado Instituto Paul Bocuse, em Lyon, e finalmente pelo trajecto acumulado ao longo dos seus 27 anos de experiência profissional. Começou por visitar Portugal como turista e depressa se deixou encantar pelo país e pelo produto português. Daí a ter aberto o Touta (petit nom da chef) entre a Estrela e Campo de Ourique, foi um passo.

O espaço divide-se em duas salas, sendo que a primeira, à entrada, tem cozinha à vista; e a segunda, separada por um pequeno corredor, é mais tranquila. Ao fundo uma pequena mercearia com produtos libaneses ou produzidos no restaurante. A decoração é simples, mas acolhedora e relaxante. A proposta apresentada aos clientes consubstancia-se numa ementa equilibrada pela importação de alguns produtos artesanais libaneses, com o uso de matéria prima local de pequenos produtores portugueses. O resultado é uma experiência gratificante, ainda para mais com a simpática ajuda de Rita Abou Ghazale que, pese embora as dificuldades de comunicação em português, nos conduz com mão segura numa viagem pelo menu (sazonal), que, de outra forma, poderia causar constrangimentos ao ouvido português.

E foi pelas mãos e conselhos de Rita que mergulhámos pela primeira vez nesta gastronomia de inspiração libanesa. Começámos por um croquete de batata com carne de vaca picada, cebola, com cobertura de couve e ketchup de beterraba, de sabor equilibrado e textura fofa e húmida. Seguiu-se uma ostra do Algarve, com gaspacho de fattoush (salada típica libanesa elaborada com diferentes verduras e legumes) e cubos de pão libanês frito. Não podíamos passar sem uma das entradas míticas da casa: o hommos feito a partir de pinhões de Alcácer do Sal, azeite infusionado com sujuk (salsicha curada), ervas aromáticas e pão libanês. Muito bem conseguido, com sabor suave, mas, ao mesmo tempo, profundo e visualmente muito atraente. Nas entradas ainda se provaram espargos brancos fumados com freekeh turfado (tipo couscous de trigo duro). Agradável, mas talvez o menos impactante de tudo o que provámos. Veio depois um tártaro de novilho maturado, kafta, com ervas frescas acompanhado, à parte, por cubos de batata frita em gordura de vaca. Muito bom o contraste entre a frescura ácida do tártaro e a batata crocante. A paixão da Chef Cynthia Bitar pelos produtos portugueses ficou patente pela proposta seguinte, Provençale de seu nome, que nada mais era que uma fresquíssima lula dos Açores grelhada com gnocchi de açorda e emulsão de coentros e limão, num hino à fusão de cozinhas e sabores de inspiração mediterrânicos. Para acabar o desfile dos pratos principais, não podia faltar o borrego, saff, em modo confitado, com bulgur e grão-de-bico, com couve fermentada. Houve ainda espaço para a sobremesa, uma Dacquoise, um creme emulsionado com zaatar (especiaria aromatizante) curd de maracujá, pontuado por limão e morango.

Assinale-se ainda como positivo a carta de vinhos, com várias propostas libanesas e algumas portuguesas de pequenos produtores, com o senão de ser raro encontrar opções por menos de 30€. Apesar da sua extensão, este menu resulta numa combinação leve, mas com sabores intensos onde as especiarias árabes tradicionais assumem um papel de destaque, texturas surpreendentes, tudo isto servido por uma técnica exemplar.

Touta

Rua Domingos Sequeira, 38, Lisboa

Tel.: 960 494 949

Horário: de Terça-feira a Sábado, das 19h30 às 23h00

Preço médio: €45

Está aberta a época do piquenique

piquenique

Com a chegada do verão, o Ventozelo Hotel & Quinta, em São João da Pesqueira, apresenta uma nova oferta: os piqueniques. Confeccionados diariamente pela equipa do restaurante Cantina de Ventozelo, os piqueniques incluem uma seleção de produtos durienses, além de frutas, hortícolas e vinhos colhidos da horta da quinta. As opções são variadas: folar de […]

Com a chegada do verão, o Ventozelo Hotel & Quinta, em São João da Pesqueira, apresenta uma nova oferta: os piqueniques. Confeccionados diariamente pela equipa do restaurante Cantina de Ventozelo, os piqueniques incluem uma seleção de produtos durienses, além de frutas, hortícolas e vinhos colhidos da horta da quinta. As opções são variadas: folar de Vila Real, queijos e compota, sanduíche de rosbife com mostarda, salada de batata e pimentos, fruta da época, bolo caseiro, entre outros. A harmonização cabe ao vinho da Quinta de Ventozelo: uma monocasta branco, tinto ou rosé e outra de Vinho do Porto. Água aromatizada e café fazem parte deste alinhamento gastronómico descontraído. Depois há que escolher um dos cinco novos pontos preparados para estes repastos. Mesas, cadeirões, almofadas e mantas fazem parte da mise en scène, acompanhada de conversas prolongadas e de uma boa sesta ou de um mergulho no rio Douro.

A celebração das tradições durienses estende-se a outras experiências desenvolvidas no âmbito do programa de actividades do Ventozelo Hotel & Quinta, que dispõe de 29 opções distintas de alojamento (a partir de 180 € por noite).

O piquenique (€155, para duas pessoas) está disponível entre as 12h00 e as 18h00 e exige reserva através do email actividades@quintadeventozelo.pt.

GRANDE PROVA: ROSÉS A MENOS DE €15

rosés

Após tantos artigos que dedicamos aos rosés e depois de provar centenas de vinhos, chegámos finalmente à explicação a respeito da razão pela qual alguns consumidores ainda não privilegiam este tipo maravilhoso de vinho ou, pelo menos, que o relegam para segundo plano. Não, não é apenas o antigo o imaginário do rosé nacional, que […]

Após tantos artigos que dedicamos aos rosés e depois de provar centenas de vinhos, chegámos finalmente à explicação a respeito da razão pela qual alguns consumidores ainda não privilegiam este tipo maravilhoso de vinho ou, pelo menos, que o relegam para segundo plano. Não, não é apenas o antigo o imaginário do rosé nacional, que se assemelhava a uma sangria de vinho tinto, de acidez corrigida, com 10 gramas de açúcar por litro e gás carbónico. Não, não é pela fama dos rosés evoluírem mal em garrafa, pois são vários os exemplos mundiais – Viña Tondonia desde logo, mas também os clássicos de Bandol, como Domaine Tempier e Château de Pibarnon – e nacionais – Redoma, da Niepoort, Nélita, da Quinta de Lemos, ou o Reserva, da Quinta do Monte de Ouro – em que os vinhos têm uma evolução positiva em complexidade e seriedade.

E não, não é o preconceito de se tratar de vinho leve, posto que uma das principais modas atuais é precisamente tintos mais leves e abertos. E também não é que o seu consumo se deva restringir ao verão, já que o mesmo se poderia dizer dos champagnes e espumantes. A principal razão é, isso sim, o carácter residual para o qual o rosé foi relegado e que pode ser resumido numa frase dita por um amigo (que é, simultaneamente, um grande provador): “não há nada que goste num rosé que um grande branco não consiga entregar ou até superar”. Explico-me, de seguida.

Como é sabido, durante muitos anos, desde a antiguidade até há menos de um século, a cor dos vinhos era fluída e variada. Fosse por as vinhas com uva branca e tinta estarem coassociadas, fosse por fazer-se muito vinho branco com uvas tintas e sem o aperfeiçoamento da técnica aprimorada de bica aberta ou, simplesmente, por se misturar vinho branco e tinto, e tudo o mais. Até ao início do século XX não havia, portanto, nenhum tipo de preconceito quanto a tonalidades, sendo que a maior parte dos vinhos tintos tinham a famosa cor de petroleiro, de acobreados, de tão ligeiros que eram. Por sua vez, grande parte dos brancos nasciam logo carregados na cor, fosse por excesso de oxidação na vinificação, fosse apenas pela curtimenta.

Durante o século passado, com a viticultura moderna e, sobretudo, com a enologia profissional, os brancos ficaram mais claros e brilhantes, enquanto os tintos se tornaram mais concentrados e escuros. Uma das consequências trazida por esta divisão binária foi a de deportar os vinhos rosados, palhetes e claretes para uma categoria residual.

O que o vinho rosé precisa é que façamos com ele um trato, um acordo sagrado. Que nos lembraremos dele sempre que nos sentamos à mesa

 

Diversidade na produção

Sucede que, como já escrevemos noutras peças, a vinificação de um vinho rosé não perde em técnica ou rigor para os restantes tipos de vinho. Pelo contrário. Com efeito, a atenção na adega é permanente, desde a definição do nível ótimo de extração e prensa (de preferência, utilizando apenas o mosto lágrima) à temperatura de fermentação escolhida. Na mesma linha está a opção pela bâtonnage (agitação das borras), podendo-se eleger uma menor influência de oxigénio ou, em contrapartida, permitir alguma oxidação que ajude a proteger o vinho, contribuindo para uma maior longevidade, evitando-se aromas excessivamente frutados. Pode-se misturar parte do mosto de tinto sangrado com outra parte constituída por um rosé de bica aberta ou mosto de tinto sangrado prensado com as películas de vinho branco, sendo fermentado a posteriori, por exemplo numa pipa, com ou sem tampo, sendo que alguns dos melhores rosés nacionais fermentam, parcial ou totalmente, em barrica. Complexidade não falta, como se vê. O mesmo rigor é implementado no que respeita a castas, sendo eleitas uvas de variedades consagradas. É o caso evidente dos rosés do Douro e Dão – e até no Alentejo –, da Baga, na Bairrada, e do Moscatel Roxo, na Península de Setúbal e Palmela.

Em suma, no nosso território produzem-se excelentes rosés com recurso às mais variadas castas. No entanto, em alguns casos, são variedades menos evidentes do que as utilizadas na produção de tintos, essencialmente por serem uvas colhidas, por regra, mais cedo e, muitas vezes, sem que a maturação fenólica esteja completa.

Harmonizações aprimoradas

Mas então, para além da cor, o que mais contribuiu para o referido carácter residual para o qual foi atirado o vinho rosé? A resposta é: a ligação à gastronomia! Efetivamente, muito se escreve sobre a maridagem entre vinhos brancos e peixe, marisco, ostras e saladas. Surgiram enciclopédias que esmiuçam os segredos da harmonização de vinhos tintos com carnes vermelhas assadas, com molhos ou em tártaro. Neste frenesim binário não se evitaram erros crassos identificáveis por um palato sem vícios, como a de sugerir vinho tinto a acompanhar queijos curados ou caril picante.

Enquanto se debatia sobre combinações de sabores entre comida e vinhos, o rosé foi deixado de lado, carecendo de uma motivação ou fundamentação – quase sempre fútil – para ser consumido. A única justificação? Degustar o rosé à beira da piscina, numa festa de jardim ou num piquenique com a invocação da Provence, a famosa região do sul da França. É como se imperasse uma razão para o abrir… O impulso imponderado e, tantas vezes, espontâneo que nos leva a abrir um vinho branco nos dias quentes ou um tinto no inverno, transforma-se em reflexão profunda (quando não numa meditação filosófica) sobre se devemos ou não abrir um rosé e por que o deveremos fazer. Que falta de imaginação e que desperdício!

O que o vinho rosé precisa é que façamos com ele um trato, um acordo sagrado. Que nos lembraremos dele sempre que nos sentamos à mesa, para comer, seja pratos de carne ou peixe, ou à base de outros produtos. É o que faço em casa, onde tenho sempre um frigorífico (que não uma cave de vinhos) exclusivamente cheio de bons vinhos brancos e rosés, dispondo-os enquanto cozinho ou provo um conjunto alargado de comidas.

É o rosé a minha primeira escolha para um cremoso bacalhau à Brás, para um violento chacuti de borrego, mas também para uma elegante casquinha de caranguejo, uma paella reforçada com molejas, para um sofisticado risoto de vieiras ou um sushi exótico. Se for mais carregado na cor e no perfil (podendo até, em parte, resultar de sangria), será o meu predileto para acompanhar uns ovos rotos, um tártaro ou outro cru de boi, uma quiche de carne, uma pizza com salame picante e rúcula, uma salada de cogumelos, entre tantos outros pratos que “pediriam” mais umas quantas linhas nesta peça, com o propósito de firmar o ponto que entendo ser mais relevante.

Temos de os abrir, mais e mais, sobretudo quando Portugal tem, hoje, dezenas de rosés a um nível muito alto e que em nada ficam atrás ao que melhor se faz nos restantes países produtores (não conheço muitos rosés espanhóis ou italianos, australianos, americanos ou argentinos que nos façam frente). Àqueles que gostam de rosés, peço que o assumam junto dos demais à mesa. A quem raramente se lembram deste tipo de vinho, memorizem que, com tantos pratos, como alguns dos mencionados atrás, é mesmo o rosé a melhor, quando não a única combinação possível à mesa!

(Artigo publicado na edição de Maio de 2026)