Vinhos de Portugal na Wine Paris 2026

Está reforçada a aposta da presença dos Vinhos de Portugal na edição de 2026 da Wine Paris, feira internacional dedicadas ao sector das bebidas a decorrer de 9 a 11 de Fevereiro, no Parc des Expositions, Porte de Versailles, em Paris, França. O expositor, o terceiro maior de um país estrangeiro presente no certame, estará […]
Está reforçada a aposta da presença dos Vinhos de Portugal na edição de 2026 da Wine Paris, feira internacional dedicadas ao sector das bebidas a decorrer de 9 a 11 de Fevereiro, no Parc des Expositions, Porte de Versailles, em Paris, França. O expositor, o terceiro maior de um país estrangeiro presente no certame, estará no Hall 4, com uma área de 2.540 m², e contará com a participação de mais de 300 produtores portugueses.
“A Wine Paris tornou-se, ao longo das últimas edições, num dos principais pontos de encontro para os profissionais da indústria do vinho. Estar presente neste evento é, por isso, estratégico para os Vinhos de Portugal. A nossa participação tem vindo a crescer de forma consistente, com um aumento superior a 150% nos últimos três anos, reflectindo o interesse crescente dos mercados internacionais pela diversidade e qualidade dos vinhos portugueses”, declara Frederico Falcão, Presidente da ViniPortugal.
Em destaque está a sessão “Hidden Gems of Portugal”, agendado para o dia 10 de Fevereiro, às 12h00, e conduzido pelo Master of Wine Dirceu Vianna Junior. Esta acção propõe uma viagem por castas raras portuguesas, que habitualmente estão fora dos grandes circuitos comerciais, por forma a mostrar que a diversidade de castas autóctones é um atributo de diferenciação no mercado global.
No programa, consta, ainda, um Free Tasting, com a prova de 50 vinhos produzidos em várias regiões do país. Esta iniciativa será realizada no âmbito do enoturismo, enquanto vertente de valor para o sector, enquanto ferramenta de promoção, bem como uma mais-valia no contexto da valorização económica, cultural e territorial dos vinhos nacionais.
Há um vinho português a bordo da British Airways

Quinta da Bacalhôa tinto 2022, do Grupo Bacalhôa, foi seleccionado para integrar a carta de vinhos da classe executiva Club World da British Airways, passando a ser servido aos passageiros de classe executiva da reconhecida companhia aérea durante o 1º trimestre de 2026. A eleição das referências vínicas passa por um processo de avaliação e […]
Quinta da Bacalhôa tinto 2022, do Grupo Bacalhôa, foi seleccionado para integrar a carta de vinhos da classe executiva Club World da British Airways, passando a ser servido aos passageiros de classe executiva da reconhecida companhia aérea durante o 1º trimestre de 2026. A eleição das referências vínicas passa por um processo de avaliação e prova, conduzido pelos especialistas responsáveis pela curadoria de bebidas a bordo.
Esta colheita de 2022 é feita a partir de um lote de duas castas: Cabernet Sauvignon e Merlot. De acordo com a sugestão inscrita no comunicado do grupo, “é um vinho versátil, ideal para acompanhar pratos de carnes vermelhas e caça”, a qual pode ficar como dica para quem ficar em terra. Para quem embarcar na classe executiva da referida companhia de aviação do Reino Unido, fundada em 1916, testemunhará o quão alto pode ir um vinho de produção nacional.
Sobre a Bacalhôa, importa relembrar que se trata de uma empresa vitivinícola nacional com presença fixa no Alentejo, na Península de Setúbal, na Bairrada e no Douro, reunindo mais de 1200 hectares de vinhas, 40 castas diferentes e quatro centros vínicos.
Azeite biológico para os mais novos

Numa época em que o verdadeiro sabor dos alimentos é tema de debate entre especialistas da área da nutrição e cozinheiros, em especial no que aos hábitos alimentares das crianças diz respeito, eis que surge no mercado um azeite de produção biológica certificada criado especialmente para os mais pequenos. Chama-se Mainovo e é da Mainova, […]
Numa época em que o verdadeiro sabor dos alimentos é tema de debate entre especialistas da área da nutrição e cozinheiros, em especial no que aos hábitos alimentares das crianças diz respeito, eis que surge no mercado um azeite de produção biológica certificada criado especialmente para os mais pequenos. Chama-se Mainovo e é da Mainova, nome reconhecido no mundo vitivinícola no coração do Alentejo.
Quanto às características deste azeite, a Mainova destaca a acidez baixa, o perfil aromático mais suave em relação aos demais e a origem 100% natural. Por isso, e de acordo com o comunicado, “o Mainovo assume-se como um aliado na introdução de novos alimentos, contribuindo para o desenvolvimento de um paladar variado, curioso e equilibrado”.
Para os mais curiosos, a Mainova desenvolveu o audiobook infantil intitulado “As Aventuras do Mainovo” (As aventuras do Mainovo | Podcast on Spotify). Há ainda três receitas elaboradas pela Nutricionista Joana Azevedo Nunes, Mestre em Nutrição Pediátrica e histórias em áudio no site da Mainova (Mainovo).
Manuel Pinheiro é o novo Presidente da CVR do Dão

Administrador da Global Wines (Casa de Santar e Quinta de Cabriz) até 2022, Manuel Pinheiro assume, agora, a função de Presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, para o triénio 2026-2028. Em declarações para a Revista Grandes Escolhas, sublinhou a importância de reforçar a valorização dos vinhos produzidos na região vitivinícola que representa, já […]
Administrador da Global Wines (Casa de Santar e Quinta de Cabriz) até 2022, Manuel Pinheiro assume, agora, a função de Presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, para o triénio 2026-2028. Em declarações para a Revista Grandes Escolhas, sublinhou a importância de reforçar a valorização dos vinhos produzidos na região vitivinícola que representa, já que se trata de um produto de “grande qualidade” que nada tem a ver não se coaduna com “o mercado de grandes volumes”, mas antes num mercado em que a qualidade se posiciona num patamar superior.
Com o intuito de firmar e perpetuar a mais-valia associada ao vinho, enquanto produto de qualidade, o novo responsável pelo território vitivinícola do Dão sublinha a importância de preservar a diversidade de castas tradicionais. A formação técnica destinada aos viticultores, bem como a criação de uma academia destinada aos profissionais, são outras das propostas para o triénio 2026-2028. Tornar o Dão um destino enoturístico apetecível é outro dos objectivos inscritos no programa, cuja aposta incide no incremento da venda directa do vinho na adega, no sentido de gerar valor imediato para o produtor.
No currículo, Manuel Pinheiro soma a presidência da Comissão Vitivinícola da Região dos Vinhos Verdes com a função de Secretário-Geral, seguida da de Presidente da ANDOVI – Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícola Portuguesas, bem como o cargo de Vice-Presidente do Conselho Europeu Interprofissional do Vinho.
Os novos órgãos sociais da CVR do Dão serão apresentados no dia 23 de Janeiro.
Novo ciclo

No final do passado mês de Dezembro, deixei as funções executivas na Grande Escolhas, como gerente da sociedade, director de negócios e publisher. Foi uma opção livre, ponderada e pensada, para coincidir com a chegada aos meus 70 anos. Gostaria, contudo, de esclarecer que com esta decisão não estou propriamente a despedir-me. Continuarei ligado ao […]
No final do passado mês de Dezembro, deixei as funções executivas na Grande Escolhas, como gerente da sociedade, director de negócios e publisher. Foi uma opção livre, ponderada e pensada, para coincidir com a chegada aos meus 70 anos. Gostaria, contudo, de esclarecer que com esta decisão não estou propriamente a despedir-me. Continuarei ligado ao projecto como sócio, com uma quota relevante na sociedade proprietária da revista e terei, a partir de agora, se para tanto tiver vida e saúde, bem mais tempo para fazer aquilo que mais gosto: viajar, desfrutar e escrever livremente, sem pressão e compromissos de agenda, sobre vinhos e gastronomia, afinal as áreas a que dediquei a minha vida.
Nesta hora de mudança, quero deixar aqui duas notas. A primeira é que foi um orgulho imenso fundar com o meu amigo Luis Lopes e a companhia dos meus colegas, a Grandes Escolhas no ano já longínquo de 2017. Este foi verdadeiramente o meu grande projecto de vida profissional, finalmente realizado já numa fase bem madura, depois de mais 30 anos a trabalhar nesta área. Ao contrário do que ingenuamente pensei na altura, não foi de todo fácil. Os pressupostos sobre os quais tínhamos planeado o projecto Grandes Escolhas ficaram subitamente alterados e, como quase sempre acontece, dificuldades de conjuntura foram semeando obstáculos inesperados. Vieram depois os anos terríveis da pandemia, em que tudo esteve em jogo, mas que permitiram por à prova uma resiliência que até a mim me surpreendeu.
A outra nota que gostava de sublinhar é que deixo estas funções de coração cheio. As relações que ao longo de tantos anos pude estabelecer com tanta gente nesta área, colegas, parceiros, clientes, fornecedores, leitores, consumidores, frequentadores de eventos e tantos outros, constituiu um capital riquíssimo que só posso dar graças de ter acumulado. Não tenho a pretensão de ter agradado a todos os que comigo se cruzaram, mas guardo a convicção gratificante que com a grande maioria conseguimos construir relações de respeito mútuo e em muitos casos de amizade que ultrapassam em muito as meras relações profissionais.
Uma das coisas que a vida me ensinou é que as pessoas não se devem eternizar nos cargos e que sangue novo, novas dinâmicas, ideias inovadoras e, muitas vezes, disruptivas são o fermento que as organizações precisam para continuar a crescer. É o que espero que aconteça com a Grandes Escolhas.
Como todos sabemos, os tempos não estão fáceis e muitas incertezas se advinham no horizonte. Mas tenho a plena confiança que os meus sócios e todos os colegas na Grandes Escolhas continuarão este trabalho e farão certamente mais e melhor. O futuro está à porta e nós continuaremos a vermo-nos por aí.
Um sentido abraço!
João Geirinhas
CVRA aprova acordo com a Mercosul

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul foi aprovado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), que considera esta acção “um passo estratégico relevante no reforço das relações comerciais entre os dois blocos e uma oportunidade concreta para a afirmação internacional dos Vinhos do Alentejo”, de acordo com o comunicado. Para a CVRA, […]
O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul foi aprovado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), que considera esta acção “um passo estratégico relevante no reforço das relações comerciais entre os dois blocos e uma oportunidade concreta para a afirmação internacional dos Vinhos do Alentejo”, de acordo com o comunicado.
Para a CVRA, a eliminação progressiva de tarifas aduaneiras sobre o vinho europeu pode catapultar os produtores portugueses no Mercado Comum do Sul da América, um gigante espaço económico, constituído por quatro países membros (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e os países associados (Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador). O destino prioritário é, porém o Brasil, onde o vinho do Alentejo tem vindo a consolidar-se uma notoriedade marcante.
Neste contexto, Luís Sequeira, presidente da CVRA, explica que “o mercado brasileiro é o mais importante destino das exportações dos vinhos do Alentejo, tendo representado cerca de quatro milhões de litros em 2025.” Em relação ao contexto global, este acordo representa, para os Vinhos do Alentejo, “uma oportunidade relevante para aprofundar a presença em mercados-chave, criar valor e reforçar a internacionalização da região”, destaca o presidente da CVRA.
Recorde-se que a internacionalização é um dos pilares centrais do Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026–2031. Este plano tem como objectivo o incremento das exportações, “assente na valorização da origem, na diferenciação da oferta e na afirmação do Alentejo como uma das grandes regiões vitivinícolas do mundo”.
A assinatura deste acordo decorrerá amanhã, dia 18 de Janeiro, na capital do Paraguai e dará início à maior zona de comércio livre do mundo.
Blanc de Noirs: Quando as tintas viram brancas

A designação Blanc de Noirs, que surge nos rótulos das garrafas, identifica vinhos brancos feitos com uvas tintas. Nesses rótulos, não se nomeiam as castas usadas, que podem ser várias, sendo mais interessante verificar o resultado do que as uvas utilizadas na feitura do vinho. A técnica (se assim se pode chamar) é tão antiga […]
A designação Blanc de Noirs, que surge nos rótulos das garrafas, identifica vinhos brancos feitos com uvas tintas. Nesses rótulos, não se nomeiam as castas usadas, que podem ser várias, sendo mais interessante verificar o resultado do que as uvas utilizadas na feitura do vinho. A técnica (se assim se pode chamar) é tão antiga como o próprio Champagne, uma vez que, quer Dom Pérignon, quer o seu sucessor, o Frère Pierre, se preocuparam em descobrir como poderiam fazer um vinho branco a partir das uvas disponíveis, no caso a tinta Pinot Noir. O famoso monge beneditino ficou para sempre “coroado” como criador do champanhe. Não é verdade, até porque o que mais o preocupava era, a contrario, perceber como poderia eliminar a efervescência que notava nos vinhos, na Primavera a seguir à colheita.
Deixemos-lhe os louros e vamos em frente. Foi, então, a partir de finais do século XVII, que a técnica se desenvolveu, usada para fazer champanhes ao gosto da época, com elevado teor de açúcar residual. Foi preciso esperar até 1874, para que Louise Pommery colocasse, no mercado, uma autêntica bomba: o primeiro Champagne realmente seco, algo inédito e inusitado para a época. O rosé, que em Champagne resulta de um lote de vinhos branco e tintos, vinificados separadamente, ainda hoje é um produto mais raro e mais caro que o branco.
A designação Blanc de Noirs pouco se usa em Champagne, porque a grande maioria é mesmo feita segundo essa técnica, sobretudo a partir de Pinot Noir, mas também de Pinot Meunier.
Entre nós, e sobretudo depois de 2015, quando foi criada a categoria “Baga-Bairrada”, começou a ver-se com mais frequência nos rótulos a designação Blanc de Noirs.
Na Bairrada, a categoria Baga-Bairrada contempla vinhos brancos ou rosados feitos a partir da casta Baga, sujeitos a regras especiais (cor, estágio, etc.) e com essa distinção a ter de vir indicada no rótulo. Até um espumante tinto feito de Baga poderia entrar na categoria, mas, segundo Pedro Soares, Presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, “até hoje não houve nenhum”. Há, actualmente, 33 referências Baga-Bairrada activas, inicialmente com um desenvolvimento rápido após a criação da categoria, mas, “agora menos, a partir do momento que se alterou o tempo de estágio obrigatório, de nove para 18 meses”. De qualquer forma, com a designação Baga-Bairrada, estamos a falar de 400 000 garrafas por ano, o que é obra.
Na prova que fizemos foi evidente uma grande diversidade de estilos, não sendo evidente, de todo, um padrão aromático que possa identificar a categoria
Estilos bem diversos
Na restauração, a categoria Blanc de Noirs não tem um estatuto que mereça destaque. Raramente se propõe um espumante ao cliente por ser desta categoria ou o cliente o pede com esta designação. Foi o que nos contou Gonçalo Patraquim, sommelier, actualmente a trabalhar nos Açores, no Double Tree by Hilton, Lagoa, S. Miguel. Em vez de “pensar” o espumante em função da cor ou do perfil, Gonçalo Patraquim entende que olha mais “de fora”, ou seja, em função do menu ou do gosto que percepciona no cliente, tanto pode propor um Blanc de Noirs, como um branco de castas brancas (o que é mais habitual). Já no caso de haver um pairing de carácter regional, aí sim, faz mais sentido propor um vinho desse tipo, para ligar melhor com o prato escolhido.
É verdade que nem sempre é fácil distinguir um branco de um Blanc de Noirs. Gonçalo Patraquim, aponta “uma maior percepção de fruta vermelha e menos citrina neste tipo, e será por aí que poderemos tentar adivinhar que estamos perante um Blanc de Noirs. Mas não é fácil”, conclui.
Na prova que fizemos foi evidente uma grande diversidade de estilos, não sendo evidente, de todo, um padrão aromático que possa identificar a categoria. Enquanto na Bairrada a presença da Baga pode ser padrão para vários vinhos, já no Dão ou no Douro, com outras castas e outros tempos de estágio, a diversidade é maior. Com um leque de escolhas assim, e com uma enorme diversidade de preços, o consumidor tem muito por onde escolher.
Uma questão de cor
Ao usar uvas tintas para fazer um espumante branco, temos sempre alguma tonalidade rosada que resulta da prensagem. Pode ser maior ou menor conforme o teor de cor das uvas usadas e da prensagem que se efectuou. Vulgarizou-se a prática da descoloração do mosto, tornando-o com um aspecto mais citrino e menos rosado. Os métodos são vários, desde o carvão vegetal no vinho, bentonite no mosto ou bentonite-caseína no mosto.
O método mais radical denomina-se PVPP (polivinilpolipirrolidona), mas é menos usado por retirar muitos dos bons compostos aromáticos do vinho, ficando o vinho muito “rapado”, termo geral usado para este efeito. Sem usar qualquer produto para retirar cor, a solução é fazer uma prensagem muito, muito suave, sendo normal uma muito leve tonalidade rosada nos espumantes Blanc de Noirs. Para se ter uma ideia do que se obtém de uma prensagem suave, podemos dizer que, a partir de 4000 quilos de uva que entram na prensa, se obtêm 2050 litros da cuvée, a melhor das três partes que resultam da prensagem, descartando-se a primeira e a última, mais rústicas e tânicas, e usadas para outros fins.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
*Nota: A ordem dos vinhos apresentados é aleatória
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Original
Espumante - 2019 -

São Domingos
Espumante - 2015 -

Raposeira Blanc de Noirs
Espumante - 2018 -

Quinta do Poço do Lobo
Espumante - 2022 -

Marquês de Marialva Cuvée Blanc de Noirs
Espumante - 2015 -

Aliança
Espumante - 2021 -

Ribeiro Santo Excellence
Espumante - 2020 -

Real Senhor Blanc de Noirs
Espumante - 2021 -

Casa de Santar Vinha dos Amores
Espumante - 2018 -

Vértice
Espumante - 2013 -

Quanta Terra Éclat
Espumante - 2020 -

Murganheira Vintage
Espumante - 2016 -

Kompassus Assemblage Colecção Privada
Espumante - 2016
SOUSÃO: Entre amores e ódios

Sabemos que tem história antiga e, à falta de melhor prova, acredita-se que tenha nascido no Minho, de parentesco (ainda) incerto. É a casta tinta mais plantada na região, ainda que não fosse dominante nas zonas de Monção e Melgaço. Com referências que remontam ao século XVIII, surge em finais do século XIX já como […]
Sabemos que tem história antiga e, à falta de melhor prova, acredita-se que tenha nascido no Minho, de parentesco (ainda) incerto. É a casta tinta mais plantada na região, ainda que não fosse dominante nas zonas de Monção e Melgaço. Com referências que remontam ao século XVIII, surge em finais do século XIX já como nome actual de Vinhão. No Douro ganhou o nome de Sousão, sinónimo. Ao organizarmos esta prova, resolvemos integrar só vinhos com a indicação de Sousão e, por essa razão, escolhemos apenas um da região dos Vinhos Verdes.
A sua introdução no Douro parece estar relacionada com o abandono da baga de sabugueiro usada durante décadas e décadas, para dar cor aos vinhos. De facto, muitas das mais tradicionais castas do Douro, como Bastardo, Tinta Francisca, Malvasia Preta, Cornifesto, Tinto Cão e Mourisco, entre outras, eram reconhecidamente com pouca cor e a baga de sabugueiro, introduzida nos lagares onde se pisavam as uvas, ajudava a dar cor, uma das características (ainda hoje) procurada nos vinhos que se querem transformar em Vinho do Porto. A Sousão é a rainha da cor, não pela polpa (por isso não é considerada casta tintureira), mas pela extrema intensidade corante da película.
Uma vez chegada ao Douro, a Sousão não deixou créditos por mãos alheias. Faz parte das castas que têm crescido em área, sobretudo desde que se começou a apostar fortemente nos DOC Douro; partilha algum protagonismo com a Alicante Bouschet, uma variedade que, apesar de estar presente nas vinhas velhas, é agora que conhece um alagamento do plantio, gradualmente substituindo a Tinta Barroca e mesmo a Tinta Roriz. Quem usa Sousão reconhece-lhe, além das virtudes corantes, a constância da acidez, que conserva bem mesmo em ambiente de maior calor, factor a ter em conta em tempos de alterações climáticas. “Adoro a casta, sobretudo para fazer um lote de DOC Douro, juntamente com Touriga Nacional e Tinto Cão, que é o meu lote favorito!”. Quem o diz é Luís Soares Duarte, enólogo com largos anos de experiência na região. Reconhece que além da boa acidez, tem um pH baixo, “não é raro encontrar uvas com pH de 3.1 e 14º de álcool provável”. Luís Soares Duarte não esconde que é a componente vegetal que muito o atrai na Sousão, ao lado da “cor mais bonita comparativamente à da Alicante Bouschet”. Para Vintage e LBV, a Sousão pode ser uma excelente arma, pela componente fenólica, embora não seja das mais aromáticas. Mas alerta: “às vezes extrai-se demais e perdem-se algumas das subtilezas que tem, como seja as notas de farmácia e tinta da China”, conclui.
A Sousão é a rainha da cor, não pela polpa vermelha, mas pela extrema intensidade corante da película

Já Álvaro Lopes, chefe de viticultura da Real Companhia Velha, que também usa a casta na Quinta das Carvalhas, apesar de lhe reconhecer as virtudes do factor cor, afirma o seguinte: “porta-se muito mal em vinhas de exposição sul e baixa altitude, caindo facilmente em sobrematuração, o que gera vinhos desequilibrados.” Segundo Álvaro Lopes, para fazer face às alterações climáticas a opção deverá passar por outras castas, como Donzelinho, Tinta Bastardinha (Alfrocheiro) e Tinta Francisca. Se é fundamental num lote de DOC Douro? “Não me parece, até a bairradina casta Baga (que existe dispersa nas vinhas velhas) é preferível à Sousão!”
Diogo Lopes, enólogo, só trabalha a casta no Alentejo, na Herdade Grande. No entanto, reconhece que, com o “novo” clima que temos pela frente, a casta Sousão pode ser um trunfo, não só pela acidez que conserva, como também por aguentar muito bem o impacto da madeira, mesmo nova. “A passagem na madeira ajuda a equilibrar a rusticidade da casta e estou em crer que, ainda que em extensão moderada, se pode apostar na casta aqui no Alentejo. Na Herdade Grande é mesmo o varietal com mais sucesso que temos.”
A casta, não nasceu para ser consensual, antes para provocar acesas discussões. Já não tanto quanto à questão de como deve ser bebido o vinho, se na caneca, se no copo, assunto ultrapassado entre enófilos, mas sim como casta que, cheia de manias e caprichos, pode dar direito a controvérsia. E há lá coisa que se goste mais?
A casta não nasceu para ser consensual, antes para provocar acesas discussões
Mudam-se os tempos
Nas últimas décadas, a Sousão tem conhecido uma significativa alteração de perfil. Se recuarmos até aos anos 80 e 90 do século passado, os Verdes tintos de Vinhão carregavam consigo uma verdadeira chancela “etnográfica”, pois só eram apreciados localmente, onde os consumidores gostavam daquela combinação explosiva que afasta qualquer crítico de vinhos e que inviabiliza o vinho em qualquer concurso: muita cor, excessiva carga vegetal no aroma e, consequente, ausência de fruta, muita acidez, muitos taninos espigados e, frequentemente, baixa graduação alcoólica. Não foi assim de estranhar que tenha ouvido um técnico da Comissão Vitivinícola afirmar: “não comunicamos este vinho nos mercados externos, para além do mercado da saudade.”
Entretanto optou-se por outras práticas vitícolas, os procedimentos em termos de enologia, alterou-se o clima, mudou o gosto do consumidor e, por via disso, os vinhos também mudaram. O desafio agora é, cremos, conseguir que o vinho não perca o seu ADN e, ao mesmo tempo, corresponda ao gosto actual, onde se privilegia um bom equilíbrio entre corpo, acidez e taninos. Baixar intencionalmente a acidez, retirar todos os taninos ou forçar a perda de cor não será seguramente o caminho.
Os vinhos que agora apresentamos têm uma paleta de estilos que permite recuperar o consumidor que andou de costas voltadas ao Sousão/Vinhão. Porém, dá para perceber que se está ainda em fase de “reconhecimento” do terreno: não é por acaso que, à excepção do vinho da Quinta do Vallado, todos os outros são feitos, digamos, em quantidades homeopáticas. Alargam o portefólio e não interferem com a folha Excel…

Em jeito de balanço
Atendendo a que os vinhos apresentam estilos muito variados, é possível agrupá-los pelo perfil apresentado por cada um. Praticamente todos têm uma característica comum: podem ser guardados durante alguns anos. Mas atenção a este tema: os que foram aqui provados dão a ideia (a confirmar em provas futuras) que a longevidade não deverá ultrapassar os cinco ou seis anos, sob pena de se perderem algumas das características mais marcantes da casta.
Feito o balanço, agrupamos os vinhos assim: num perfil mais simples e até, eventualmente, mais consensual – Quinta de Ventozelo e H.O –, com um estilo já um pouco mais evoluído – Quinta dos Aciprestes, Vale da Raposa e Herdade Grande Late Release – e uma versão mais clássica, se tivermos como modelo os Verdes tintos – Quinta de Santa Cristina, Maçanita e Monte Branco; se o nosso gosto apontar para um Sousão, digamos, mais “domesticado”, vamos escolher entre Vallado, Quinta do Côtto, Costa Boal e D. Graça; e se o nosso palato não se incomodar com a presença da madeira e achar que ela envolve a casta e a modela, ficamos com Quinta da Rede e Quinta de São José.
(Artigo publicado na edição de Novembro de 2025)
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Quinta de Ventozelo
Tinto - 2022 -

Vale da Raposa
Tinto - 2021 -

H.O.
Tinto - 2019 -

Costa Boal
Tinto - 2018 -

Vallado
Tinto - 2021 -

Quinta dos Aciprestes
Tinto - 2017 -

Quinta do Côtto
Tinto - 2022 -

Quinta de S. José
Tinto - 2019 -

Quinta de Santa Cristina Cave
Tinto - 2019 -

Quinta da Rede
Tinto - 2023 -

Monte Branco
Tinto - 2021 -

Maçanita Letra A
Tinto - 2022 -

Herdade Grande Late Release
Tinto - 2017 -

D. Graça
Tinto - 2021





