SOGRAPE: Ferreira, Sandeman e a “mão de Deus”

A apresentação dos vintages da Sogrape foi um momento de celebração e, claro, de regozijo. É que desde 2018 que a Ferreira não declarava um Vintage Clássico. O termo clássico, muito caro às empresas inglesas e muito negligenciado por muitas outras, é aqui empregue, porque foi nesses termos que Luís Sottomayor, chefe da equipa de […]
A apresentação dos vintages da Sogrape foi um momento de celebração e, claro, de regozijo. É que desde 2018 que a Ferreira não declarava um Vintage Clássico. O termo clássico, muito caro às empresas inglesas e muito negligenciado por muitas outras, é aqui empregue, porque foi nesses termos que Luís Sottomayor, chefe da equipa de enologia da Sogrape, se referiu à edição de 2024 dos vintages da empresa.
Recordemos que, para os ingleses, clássico significa que se trata de um ano excepcional em que são editados vinhos com o próprio nome da empresa, como Fonseca, Taylor’s, Graham, etc. A distinção faz-se em relação aos anos não clássicos, para os quais a comunidade inglesa criou a designação single quinta, vintages com nomes das quintas, bem mais baratos e, em princípio, sem a profundidade e longevidade dos clássicos.
O ano de 2014 é um ano clássico e todo o sector está a declarar com as principais marcas. Isso já não acontecia desde o último Clássico, o de 2017. Curiosamente, e teimosamente, a Ferreira, optou por não declarar o 2017, mas sim o 2018. E Luís Sottomayor não se arrepende, tal como deixou transparecer recentemente, reafirmando o seguinte: “no futuro, ainda me vão dar razão de ter declarado o 18 e não o 17!”
Em relação aos mais recentes anos realmente declarados por todos (2011), poderia haver a tentação de uma comparação com o 2024. No entanto, o 2011 foi um ano muito mais quente. Gerou vinhos poderosos, mas mais gordos e cheios, ao contrário do 2024 que, beneficiando de um clima favorável, originou vinhos muito mais elegantes e finos. Percebe-se, assim, melhor o comentário do enólogo: “o vintage [20]24 tem uma classe que o [20]11 não tinha!”
Duas casas, diferentes tempos e estilos
As uvas vêm da mesma região, por vezes de zonas bem próximas, e com elas podem fazer-se perfis de Vinho do Porto bem diferenciados. No caso da Ferreira e da Sandeman, esse aspecto é relevante. O facto de, em novos, os vinhos serem mais ou menos robustos não condiciona necessariamente a evolução em cave. Se no momento do nascimento forem feitos com equilíbrio e bom balanço, podem atingir o mesmo nível de qualidade. Na Ferreira fazem-se vinhos que nascem com elegância, no seguimento do estilo criado por Fernando Nicolau de Almeida, sempre bem distinto do estilo dos ingleses; já na Sandeman são vinhos mais rijos, com taninos bem presentes, feitos com muito engaço, para terem aromas um pouco mais herbáceos e vegetais.
A Sandeman só entrou para o universo Sogrape em 2002 e houve uma mudança de estilo uma vez que, segundo Luís Sottomayor, sobretudo nos anos 80 do século XX, os vinhos estavam em perda de definição. Em 1994 o vinho mostrou uma recuperação de perfil que se concretizou, depois, no de 1997, ora provado. Tradicionalmente, a Sandeman abastecia-se em pequenos produtores, em Celeirós, Pinhão e Rio Torto; a primeira propriedade que esta casa possuiu foi a Quinta do Vau. No fundo, todas as empresas ainda compravam (e compram) vinho feito, sobretudo em adegas cooperativas, para suprir as lacunas em vinho e, ao mesmo tempo, cumprir o benefício.

Feitas as apresentações, importa falar acerca da prova de vintages, momento em que foram revisitadas algumas edições antigas das duas empresas. Da Ferreira, provámos o Vintage de 1952, nascido numa década muito parca em bons vintages. O grande ano Clássico dos anos 50 foi o Vintage de 1955; nos outros anos, aqui e ali, houve vintages interessantes. O de 1952, nascido provavelmente em vinhas de field blend, teria uvas da Quinta do Seixo, Eira Velha (propriedade que, hoje, pertence à Fladgate), Quinta de Roriz e, talvez, algum vinho da Quinta do Vesúvio. As uvas eram vinificadas nas propriedades do Douro. Os lotes eram feitos em Gaia. Este Vintage de 1952 mostrou-se acastanhado na cor, com uma delicadeza aromática estonteante, uma riqueza de pequenas nuances, onde já se revelavam alguns frutos secos ao lado de notas licoradas e fruta em calda, caramelo e leite-creme, com perfeito equilíbrio na boca (19,5). Este Vintage nasceu no mesmo ano do primeiro Barca Velha e Luís Sottomayor fez questão em salientar: “ainda está aqui com capacidade para viver, e bem, em garrafa!”
Provou-se também o Vintage Sandeman 1963, um ano verdadeiramente marcante na história do Vinho do Porto. Foi o primeiro fôlego positivo depois do ambiente depressivo do pós 2ª Guerra, em que o vinho não se vendia e as empresas estavam descapitalizadas. Foi também o último ano que, no Douro, todo o Vinho do Porto foi feito a lagar. A partir de 1964 começaram a usar-se os auto-vinificadores e o Douro não voltou a ser o mesmo. O Vintage de 1963 que, em conjunto com o de 1966, formam os dois anos clássicos da mesma década, mostrou ainda bons tons avermelhados (ao contrário do Ferreira de 1952), com muito boa presença aromática, muito fino, a notarem-se com evidência os tradicionais aromas de garrafa. Licorado na boca, ainda com atractiva austeridade (19).
Da Sandeman provámos também o 1997. Aqui também falamos de um ano Clássico. Mostrou-se com muita cor, aroma com leve oxidação, mas boa fruta vermelha em compota. Ainda com taninos firmes, combinando estrutura com suavidade. Nesta época seria seguramente a Quinta do Vau a base das uvas para este Vintage (18).
Para completar esta prova, que antecedeu a dos 2024, ainda provámos o Ferreira Vinhas Velhas 2018. O vinho mostrou-se extraordinário, com grande estrutura, vigoroso, doce, mas no ponto certo, a revelar uma saúde de ferro e um equilíbrio a que a acidez deu forma. Logo na altura da pisa a pé, nos lagares da Quinta do Seixo, Luís Sottomayor afirmou, ao provar o mosto do 2018 que não se lembrava de ter provado um vinho de vindima com aquela qualidade; a mesma sensação foi evidente em 2024. São vinhos com um açúcar que ronda os 100 gramas por litro, embora essa doçura não seja evidente, permanecendo escondida pela complexidade do vinho.
Nos Vintage Ferreira, encontramos sobretudo Touriga Nacional, Touriga Francesa e Sousão, tudo vinificado em conjunto. Nos Sandeman, temos uvas de vinha velha, Touriga Nacional, Touriga Francesa e mais Sousão, com mais peso do engaço.
O facto da Sogrape dispor de 600 hectares de vinha na região do Douro permite identificar as parcelas que poderão contribuir para o estilo de cada uma das casas. Podemos afirmar que o backbone da Sandeman é a Quinta do Seixo (margem esquerda) e o da Ferreira é a Quinta do Porto (margem direita). Também foi declarado o Vintage Offley que terá, sobretudo, expressão em alguns mercados externos, como a Dinamarca. Não foi objecto de prova.
Os vinhos novos são colocados em tonéis não atestados, com algum ar e é isso que permite verificar quais os que aguentam esse embate. Os que oxidarem rapidamente mostram que não têm garra para aguentar o futuro. É um teste fundamental. Estes, cremos, têm um longo futuro pela frente. Os preços são indicativos e não vinculativos.
(Artigo publicado na edição de Agosto de 2026)
VENTOZELO APOSTA EM COSMÉTICA NATURAL, EM PARCERIA COM A OLIÓFORA

Ventozelo Hotel & Quinta reforça a aposta na sustentabilidade e na valorização dos recursos locais através de uma parceria com a Oliófora, marca artesanal de cosmética natural sediada em Amarante e fundada por Daria Maximova. Iniciada em 2022, com a criação de sabonetes naturais, a colaboração evoluiu em 2026 para um projeto de economia circular que […]
Ventozelo Hotel & Quinta reforça a aposta na sustentabilidade e na valorização dos recursos locais através de uma parceria com a Oliófora, marca artesanal de cosmética natural sediada em Amarante e fundada por Daria Maximova. Iniciada em 2022, com a criação de sabonetes naturais, a colaboração evoluiu em 2026 para um projeto de economia circular que integra a produção de amenities e demais produtos, inspirados nos aromas e nas matérias-primas e com com ingredientes naturais provenientes do Ventozelo.
A alfazema ali cultivada, assim como os resíduos de citrinos, cuja produção abunda na Quinta, foi incorporada nas formulações desenvolvidas em exclusivo para esta unidade hoteleira, dando origem a produtos que evocam o Jardim dos Aromas e a paisagem natural de Ventozelo Hotel & Quinta.
Esta parceria assenta num modelo de aproveitamento e troca de recursos: Ventozelo fornece à Oliófora alfazema seca, colhida anualmente na propriedade, bem como resíduos de limão e laranja, utilizados na produção dos amenities do hotel e de outros artigos da marca, como sabonetes e sais de banho; por seu lado, a Oliófora disponibiliza farinha de amêndoa, um subproduto da produção dos seus óleos de amêndoa adquirida a produtores do Douro, que é posteriormente utilizada na Cantina de Ventozelo na confecção da tradicional Tarte de Amêndoa e dos biscoitos oferecidos como cortesia aos hóspedes do hotel e clientes do restaurante.
Esta iniciativa integra uma estratégia mais ampla de sustentabilidade que privilegia a valorização das produções da Quinta, a colaboração com produtores locais (como já é o caso do pão e dos enchidos servidos em Ventozelo, por exemplo) e o reaproveitamento de matérias-primas.
Os amenities e demais produtos desenvolvidos no âmbito desta colaboração estão disponíveis na Mercearia de Ventozelo e, em alguns casos, também na loja online do grupo Granvinhos ( www.cave360.pt ), incluindo sabonetes naturais, fragrância exclusiva de Ventozelo, spray de alfazema para almofada, saquinhos de alfazema, sais de banho e um conjunto de amenities inspirado nos aromas da propriedade.
A oferta permite aos visitantes prolongar a experiência sensorial de Ventozelo além da sua estadia, levando consigo produtos que refletem a identidade da Quinta e a sua ligação ao território.
PRODUTOS DISPONÍVEIS:
Gel de cabelo e corpo
Disponível como cortesia nos quartos.
À venda na Mercearia de Ventozelo em embalagem individual de 100 ml. PVP: 18€.
Loção corporal
Disponível como cortesia nos quartos.
À venda na Mercearia de Ventozelo em embalagem individual de 100 ml. PVP: 18€.
Amaciador de cabelo
Disponível como cortesia nos quartos.
À venda na Mercearia de Ventozelo em embalagem individual de 100 ml. PVP: 18€.
Sabonetes naturais
Disponíveis como cortesia nos quartos.
À venda na Mercearia de Ventozelo e em www.cave360.pt . Pack 6 unidades. PVP: 12.99€.
Fragrância de Ventozelo
Micado aromático, utilizado em diversos espaços da propriedade.
À venda na Mercearia de Ventozelo. PVP: 30€
Good Night Pillow Spray
Spray difusor à base de óleo essencial de alfazema.
À venda na Mercearia de Ventozelo. PVP: 18€.
Saquinho de Alfazema
É utilizado para perfumar os vários espaços de Ventozelo.
À venda na Mercearia de Ventozelo e em www.cave360.pt . PVP: 9.50€
Sais de banho
À venda na Mercearia de Ventozelo. PVP: 18€.
Pack de amenities do quarto
Bolsa composta por: 1 embalagem de 50 ml de gel de cabelo e corpo, 1 embalagem de
50 ml de loção corporal e 1 embalagem de 100 ml de condicionador de cabelos.
À venda na Mercearia de Ventozelo e em www.cave360.pt . PVP: 40€.
GRANDE PROVA CASTELÃO

Castelão 2.0: new beginnings A expressão remete-nos para toda uma ideia de começar de novo, de fresco, frequentemente com um novo sentido de esperança e renovação. Significa mudança, de um capítulo da nossa vida para outro, amiúde após um período de reflexão ou crescimento. Significa todo um deixar para trás, em consciência, de velhos hábitos, […]
Castelão 2.0: new beginnings
A expressão remete-nos para toda uma ideia de começar de novo, de fresco, frequentemente com um novo sentido de esperança e renovação. Significa mudança, de um capítulo da nossa vida para outro, amiúde após um período de reflexão ou crescimento. Significa todo um deixar para trás, em consciência, de velhos hábitos, experiências e circunstâncias, em direcção ao futuro, com uma renovada perspectiva.
Não vos parece que isto tem vindo a acontecer com a casta tinta Castelão? A mim sim, e que bom que assim é.
Não tenho medo de assumir – aliás, até acho que o devo fazer – o quanto gosto destas renovadas perspectivas da Castelão, do Douro, do Tejo, do Alentejo, embora na sua região de sempre também já existam novos começos. Gosto destes novos Castelões que se parecem com a Sangiovese de um Rosso di Montalcino ou com uma Nero d’Ávola da Sicília, ou, claro, com um bom Pinot Noir, ou uma Grenache, porque não, mas, no fundo, não são nenhuma delas, não. É um Castelão, nosso, português, com um novo rumo, virado para o futuro e com renovada perspectiva.
Produtividade e adaptação
O equivalente ao nosso Cartão do Cidadão, para uma casta é o VIVC – Vitis International Variety Catalogue, no qual a Castelão figura com o nº 2324. Variedade originária da Península Ibérica, resulta do cruzamento natural de Cayetana Blanca com Alfrocheiro Preto. A sua cultura aparece referenciada antes de 1799. Ruy Fernandes, em 1531, refere a Castelão como sendo cultivada na região de Lamego.
Actualmente, representa cerca de 5% do encepamento nacional, com aproximadamente 10 000 hectares e com especial incidência nas regiões de Lisboa, Tejo, Península de Setúbal e Alentejo. É a quinta variedade com maior área de cultura.
A Castelão é considerada a casta-referência para os estados fenológicos das variedades tintas. O abrolhamento e a floração são precoces, o pintor e a maturação ocorrem em época média, na altura da floração adquire um aspecto bastante característico, em que as folhas se dispõem como telhas de um telhado, apresentando-se a cepa bastante fechada, vertical e vigorosa.
Tem boa produtividade, com tendência para rebentação múltipla; é sensível ao desavinho e à podridão, no período de floração, o qual ataca o pedúnculo do cacho. Mas já é pouco vulnerável à podridão no período de maturação e é pouco susceptível ao oídio. É muito versátil, pois adapta-se bem a terrenos húmidos e ajusta-se a várias situações edafoclimáticas, agradecendo, contudo, solos de média a baixa fertilidade, para exprimir todo o seu potencial enológico. Encontra na Península de Setúbal a região onde atinge maior notoriedade, goste-se ou não do perfil generalizado que a casta aí apresenta. A sua capacidade de adaptação deve-se, em grande parte, ao facto de possuir uma película grossa, dotando-a da capacidade de resistência aos escaldões.
É amiga do lavrador, no sentido de que se traduz numa elevada produtividade, podendo chegar às 15 toneladas por hectare, todavia com um grande senão: a qualidade da matéria-prima é inversamente proporcional ao volume e as melhores práticas apontam para rendimentos entre as seis e as sete toneladas por hectare. Exigente em potássio, é sensível a excesso de azoto, o causador do desavinho (acidente fisiológico caracterizado pela ausência de fecundação das flores, impedindo estas a não se transformem em fruto).
Devido à grande capacidade de adaptação, encontramos a Castelão desde as regiões mais frescas e húmidas do Norte do país até às áreas mais quentes e áridas do Sul
Sinonímia e disseminação
A Castelão é uma das variedades mais emblemáticas do património vitivinícola português. Durante muito tempo, foi conhecida como Periquita, nome popularizado graças a José Maria da Fonseca, que, no século XIX, plantou varas desta uva na Cova da Periquita, em Azeitão. O sucesso dos vinhos aí produzidos foi tão grande, que o nome acabou por se confundir com a própria casta.
Oficialmente designada Castelão, esta variedade também foi chamada de João Santarém, Castelão Francês, Trincadeira (sem relação com a verdadeira Trincadeira), em diferentes regiões do país, e Tinta Merousa, na sub-região duriense Baixo Corgo. A multiplicidade de nomes revela a sua longa história e disseminação por boa parte do território nacional, assim como o seu papel central no mapa vínico português.
Devido à grande capacidade de adaptação, encontramos a Castelão desde as regiões mais frescas e húmidas do Norte do país até às áreas mais quentes e áridas do Sul. Espalhou-se pela maioria das regiões portuguesas, incluindo Trás-os-Montes, Douro, Távora-Varosa, Beira interior, Lisboa, Tejo, Alentejo e Algarve, e estabeleceu o seu reduto forte na região da Península de Setúbal onde, na década de 60 do século passado, chegou a cobrir mais de 90% da área ali plantada.
A casta ganha especial relevância nas vinhas velhas e de baixa produtividade, reveladoras do melhor do seu potencial, dando origem a vinhos de enorme complexidade e estrutura, mas frescos, apesar da concentração, com notas de groselha, ameixa e frutos silvestres, muitas vezes em calda ou compotados. Nos solos arenosos de Palmela e Poceirão, onde o clima quente e seco favorece a maturação, dá origem a vinhos estruturados, concentrados, densos, de cor violácea e aroma intenso, capazes de envelhecer durante muitos anos. E nos solos argilo-calcários da Arrábida, gera vinhos mais leves e elegantes, de menor grau alcoólico, mais frutados e frescos.
Fruto de vários factores, que não importa trazer agora à tona, a partir de meados da década de 2000, a Castelão perdeu terreno. Foram arrancadas vinhas substituídas por outras variedades, inclusive internacionais. Todavia, nem de propósito, em conversa recente com Luís Sousa Mendes, da Associação de Viticultores do Concelho de Palmela (AVIPE), se há dez anos era típico plantar Syrah em vez de Castelão, agora esta tendência travou. Curiosamente, é com agrado que se regista que há mais gente na região a plantar Castelão. E alguns substituem as cepas velhas por novas, utilizando o material policlonal.
A este cenário acresce o facto de que, nos últimos anos, as novas perspectivas da Castelão, aqueles new beginnings, se têm feito sentir, às vezes parecendo até com maior profusão, fora desta zona/região de conforto da casta. Desde o Douro, passando pelo Tejo e pelas zonas mais Atlânticas de Setúbal, até ao Alentejo, a versão 2.0 desta variedade, os tais os novos começos, têm produzido vinhos extremamente interessantes e mais originais até, em que a Castelão transmite, no copo, todo o potencial, a elegância e a frescura de um vinho de clima costeiro, ou que beneficia de alguma influência marítima, em que a extração foi claramente substituída por um trabalho de adega menos intrusivo, mostrando a sua incrível capacidade de adaptação e versatilidade, tão necessária aos dias de hoje, para responder aos desafios inerentes às alterações climáticas. É também, nesse sentido, uma casta muito actual e, por conseguinte, de não menos futuro.
Perfis e a influência climática
O perfil geral dos vinhos feitos a partir de Castelão continua a ser marcado pela rusticidade, com taninos firmes e uma acidez vincada, atributos que, à partida, garantem longevidade e capacidade de evolução em garrafa. Apresentam notas expressivas de groselha, ameixa em calda e frutos silvestres, como amora e framboesa, e, em exemplares mais antigos ou sujeitos a estágio em madeira, há a probabilidade de surgir nuances de caça, tostados e boa complexidade que, em grandes anos, podem até lembrar vinhos com vários anos de garrafa da margem esquerda de uma certa região famosa. Bordéus, isso mesmo.
Acidez natural elevada e estrutura firme torna a casta facilmente compatível com estágio em madeira, preferencialmente barricas de carvalho francês, unanimemente consideradas as melhores. Mas a exemplo da Baga, Sangiovese ou Nebbiolo, a Castelão também responde positivamente quando envelhecida em tonéis de madeira de grande porte.
Por sua vez, o clima ameno do Algarve, com a sua característica de assinatura, em que as amplitudes térmicas entre o dia e noite não variam radicalmente, transmitindo aos vinhos boa intensidade aromática, aqueles mostram-se mais abertos, são mais redondos e estão prontos para beber mais cedo. Têm, no entanto, o senão de, à partida, não possuírem grande capacidade de envelhecimento.
Por sua vez, Domingos Soares Franco tem sido, ao longo da sua vida enológica, reiterada e repetidamente categórico no que diz respeito à origem dos melhores vinhos de Castelão: a qualidade e dimensão da madeira é importante é certo, mas são os solos arenosos que abrigam as vinhas velhas de baixo rendimento, na Península de Setúbal, a darem origem não somente aos melhores vinhos, mas também aos mais longevos, sendo possível encontrar garrafas de Castelão com mais de meio século que ainda estão na sua plenitude.
A plasticidade da casta
Que Castelão quer o consumidor, essa pessoa que ninguém conhece, mas que legitima grandes tomadas de decisão enológicas, comerciais e outras? Não resta qualquer dúvida que a casta exibe diferentes perfis e é extremamente versátil. A esta versatilidade e capacidade de adaptação eu gosto de acrescentar plasticidade, atributo comum à casta Arinto, nas brancas. É uma variedade que, com a viticultura e a enologia adequadas, consegue exprimir e entregar cada terroir, cada região, cada produtor de maneira superior e diferenciada. Sejam eles vinhos de Castelão fáceis, prontos e confortáveis para se beber ou tintos sérios, personalizados, estruturados e longevos, capazes de surpreender colecionadores e apaixonados pelo vinho, mas sempre sem nunca perderem, quer uns quer outros, elegância, frescura e sofisticação.
São assim estes novos tempos da Castelão. 2.0 é a nova versão. E foi isso mesmo que testemunhamos nos 25 vinhos que se seguem, todos provados às cegas, para não haver ideias predefinidas, estigmas ou preferências pessoais. No fim, ganhou… a Castelão!
Ganha especial relevância nas vinhas velhas e de baixa produtividade, dando origem a vinhos de enorme complexidade e estrutura
Douro e Algarve
O número de vinhos provados é 28 e creio que é seguro afirmar que a Castelão está de parabéns, do Douro ao Algarve. Não houve um vinho extraordinário, é certo, com aquele factor wow que sempre procuramos e que nos entusiasma verdadeiramente, mas é minha opinião que aí a responsabilidade é mais da casta Castelão em si mesma do que dos produtores. Simplesmente não acho que seja uma casta adequada a grandes vinhos ou vinhos extraordinários. Mas que resulta em vinhos muito bons, disso não pode haver dúvidas, e com bom potencial de guarda e envelhecimento; e tivémo-los aqui, mas, testemunhamos, sobretudo, uma grande qualidade global nas várias regiões do país que por aqui desfilaram.
Uma nota de realce: apraz-me registar a revelação de outras interpretações da Castelão, mais abertas, menos extraídas, com menos grau alcoólico. Creio que a casta também se expressa muito bem dessa maneira. Porém, os clássicos são clássicos e merecem sempre o nosso respeito. É de notar ainda que muito me agradou o facto de, ao longo de toda a prova, não termos encontrado nenhum vinho com excesso de madeira ou com esta a sobrepor-se. Pelo contrário, nas referências com estágio em madeira, esta apresentou-se muito bem integrada, a confirmar a qualidade dos vinhos apresentados, bem como o trabalho afinado de enologia que, hoje em dia, se pratica, de forma transversal a várias regiões vínicas de Portugal.
Uma menção especial para os dois vinhos mais pontuados: a Castelão do Douro, de Luís Seabra, um terroir pouco usual para a casta, mas onde se percebe o grande talento e afinamento por parte do produtor; e a Castelão da Casa da Atela, aqui num terroir mais habitual para a casta, que também revelou uma performance a assinalar.
Nota – A Grande prova Castelão realizou-se em Prova Cega por: Rui Caroço dos Santos, João Paulo Martins, Valéria Zeferino
(Artigo publicado na edição de Agosto de 2026)
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A herança de Michel Rolland: entre o vinho limpo e o palato globalizado

Michel Rolland (1947-2026) Foi, sem sombra de dúvida, o grande arquiteto da enologia contemporânea, o homem que dividiu o mundo do vinho em duas fações de contornos quase religiosos. De um lado, os acérrimos defensores que o percecionaram como o salvador iluminado portador da higiene às trevas das adegas sujas. Do outro, os detratores que […]
Michel Rolland (1947-2026)
Foi, sem sombra de dúvida, o grande arquiteto da enologia contemporânea, o homem que dividiu o mundo do vinho em duas fações de contornos quase religiosos. De um lado, os acérrimos defensores que o percecionaram como o salvador iluminado portador da higiene às trevas das adegas sujas. Do outro, os detratores que o diabolizaram como o grande destruidor da alma do “terroir” e o mercenário da padronização.
Hoje, afastados do calor das paixões mais imediatas que marcaram o início do milénio, torna-se imperativo separar o homem da sua caricatura pública e a ciência enológica do panfleto ideológico.
O homem e a lente
Para dissecarmos o “fenómeno Rolland”, somos obrigados a recuar ao abalo provocado por Mondovino, lançado em 2004. Realizado pelo luso-americano Jonathan Nossiter com uma câmara numa mão trémula. Este filme, nomeado para a Palma de Ouro, abalou as fundações da indústria. Mas sejamos claros, a película tratou-se de um manifesto cinematográfico e de um panfleto ideológico quase visceral contra a globalização cultural, usando o vinho como metáfora.
A lente cirúrgica do realizador transformou o consultor no “Darth Vader” da enologia. Rolland raramente pisa a terra no filme e é cinematografado, quase em exclusivo, no banco de trás de um carro com motorista, rindo e fumando charutos enquanto salta de propriedade em propriedade, consolidando a imagem do burocrata mercenário. A sua ordem repetida por telemóvel para “micro-oxigenar” os vinhos tornou-se o símbolo da manipulação laboratorial. A sua arrogância imperial ficou selada quando desvalorizou os críticos com sorrisos condescendentes.
Nossiter teve o mérito de iniciar um debate sobre a perda de tipicidade, mas a sua obra pecou por omissão. A realidade que o filme escondeu é que o vinho tradicional europeu estava frequentemente minado por defeitos bacterianos e outros praticamente intoleráveis nos dias de hoje: a acidez agressiva, os taninos verdes e a temível brettanomyces (que se traduz num odor a estábulo). Na altura eram romanticamente indulgenciados como produtos do “caráter local”. Rolland não inventou uma “fórmula do mal”, mas erradicou estes defeitos, trazendo higiene e ciência às adegas que viviam ancoradas no romantismo de vinhos difíceis. Técnicas diabolizadas, como a micro-oxigenação, salvaram muitos produtores da falência em anos desastrosos.
O A-B-C de Peynaud
Para compreender Michel Rolland, temos de ler a cartilha do seu professor, Émile Peynaud, o verdadeiro “pai” da enologia moderna. Se Peynaud foi o profeta que separou a idade média da idade moderna no vinho, provando que as uvas precisavam de estar fenolicamente maduras e desmistificando a fermentação malolática, Rolland foi o seu mensageiro global. Este assimilou a lição de Peynaud e transformou-a no princípio basilar dos vinhos redondos e agradáveis tornando-a na sua inconfundível assinatura enológica e estilística.
Na Argentina, Rolland encontrou a sua tela em branco. Livre das leis europeias e de adegas infetadas, construiu uma verdadeira utopia enológica, em Mendoza com o projeto “Clos de los Siete”, iniciado no final da década de 1990. Dispondo de 850 hectares a grande altitude, que garantiam uma maturação fenólica perfeita, construiu adegas quase à imagem de blocos operatórios, com higiene imaculada e controlo térmico milimétrico.
Misturou a rústica casta Malbec argentina com a Merlot, Cabernet Sauvignon, Syrah e Petit Verdot. O resultado foi um verdadeiro fenómeno global de vendas ao apresentar um vinho polido e sem arestas, que os detratores acusaram de ter “sotaque argentino, mas que falava francês”.
A “Parkerização” e a guerra em Portugal
Seria ingénuo aplaudir Rolland sem escrutinar a sua hegemonia. No livro de 2012, “Le Gourou du Vin”, Rolland descarta a acusação de padronização, ignorando o seu vínculo estilístico e enológico com o crítico Robert Parker.
Este ditava os preços globais através do seu sistema de pontuação, premiando vinhos opulentos e fortemente amadeirados. Rolland desenhou exatamente esse perfil para os produtores que precisavam dessas notas. Ao forçar a sobrematuração e ao usar proporções massivas de barricas de carvalho novo francês mascarou a tipicidade sob camadas de baunilha, café e tosta.
O resultado foi a “Parkerização”, na qual os vinhos, de vindimas tardias e baixa acidez do Novo Mundo, sabiam exatamente ao mesmo das de um produtor europeu. A sua obstinação dogmática revelou-se ainda no ataque feroz ao movimento dos vinhos naturais, rotulando-os de instáveis resultado de pura incompetência mascarada de marketing.
Em Portugal, a sua intervenção também se manifestou em várias regiões, mas foi no Alentejo, no final da década de 1990 e início de 2000, que ela foi mais cirúrgica.
Rolland prestou consultoria à Fundação Eugénio de Almeida e em especial na referência Pêra Manca. A sua chegada gerou uma verdadeira guerra civil entre críticos “Rollandistas” fascinados pela modernidade e puristas aterrorizados com a descaracterização de um símbolo pátrio.
O legado de um enólogo mitológico
Michel Rolland foi um técnico dotado com uma fé cega de que a ciência corrigiria a natureza. A sua influência saturou o mercado com vinhos pesados e exaustivos. No entanto, temos de reconhecer que ele limpou o mundo vitivinícola, retirando as adegas do quase obscurantismo medieval. O nosso copo, hoje, é indiscutivelmente mais limpo e sedoso por causa das suas premissas enológicas. No entanto, à custa das suas extrações e excessos de madeira, aprendemos que o verdadeiro fascínio do vinho reside muitas vezes na sua imperfeição regional, no bater de coração irregular de um “terroir” que recusa submeter-se à ditadura da perfeição globalizada.
Michel Rolland partiu, mas as suas lições, os seus gloriosos acertos e os seus dolorosos erros, continuarão a definir as vindimas das próximas gerações.
P.P.
Forno D’Oro a subir no 50 Top Pizza World 2026

O Forno D’Oro, em Lisboa, do Chef Tanka Sapkota conquistou o 49º lugar no ranking mundial do 50 Top Pizza World 2026, representando uma subida no ranking mundial. Lembramos que no ano de 2025, o mesmo espaço de restauração do Chef nepalês alcançou o 61.º lugar e entrou, pela primeira vez, no Top 10 do […]
O Forno D’Oro, em Lisboa, do Chef Tanka Sapkota conquistou o 49º lugar no ranking mundial do 50 Top Pizza World 2026, representando uma subida no ranking mundial. Lembramos que no ano de 2025, o mesmo espaço de restauração do Chef nepalês alcançou o 61.º lugar e entrou, pela primeira vez, no Top 10 do 50 Top Pizza Europa, depois de ter ocupado a 73.ª posição mundial em 2024 e a 80.ª em 2023.
“Estar no Top 50 das melhores pizzarias do mundo é um enorme orgulho e, acima de tudo, um reconhecimento do trabalho de toda a equipa. Trabalhamos todos os dias com a mesma ambição: fazer cada vez melhor, respeitando a tradição napolitana, a qualidade dos ingredientes e a técnica. É também uma enorme felicidade poder levar Lisboa e Portugal connosco e mostrar que podemos estar lado a lado com os melhores do mundo”, afirma, em comunicado, o Chef Tanka Sapkota.
O Forno D’Ouro abriu em 2014, no nº 16 B, da Rua Artilharia 1, em Lisboa, e tem como foco a pizza napolitana. A massa é feita com base no processo que envolve a fermentação lenta, com 36 horas, e a cozedura, a cerca de 450 ºC e com duração de menos de um minuto, é feita num forno a lenha revestido a folhas de ouro, daí o nome do restaurante.
É de enaltecer a vertente de solidariedade social do Chef Tanka Sapkota, que, este ano, envolveu os seus quatro restaurantes (Forno D’Ouro, Come Prima, Il Mercato e Casa Nepalesa) em duas iniciativas de angariação de fundos: a primeira destinada a apoiar as vítimas na Venezuela e, mais recentemente, com as vítimas das cheias no Nepal, o seu país natal. Ambas dão continuidade a acções que têm vindo a marcar o seu percurso em Portugal.
Relembramos que o Chef Tanka Sapkota recebeu, em 2022, pela Revista Grandes Escolhas, o galardão de “Melhor Cozinha do Mundo em Portugal” pelo trabalho desenvolvido no Come Prima.
Port Wine Day: Prémios Douro + Sustentável 2026

Nuno Pizarro de Magalhães, Pedro Coelho, Torel Quinta da Vacaria – Douro Valley e a Associação Bagos d’Ouro receberam os Prémios Douro + Sustentável 2026 atribuídos pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), no âmbito das celebrações do Port Wine Day. Os galardões foram conferidos, respectivamente, nas categorias de Viticultura, Enologia, Enoturismo […]
Nuno Pizarro de Magalhães, Pedro Coelho, Torel Quinta da Vacaria – Douro Valley e a Associação Bagos d’Ouro receberam os Prémios Douro + Sustentável 2026 atribuídos pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), no âmbito das celebrações do Port Wine Day. Os galardões foram conferidos, respectivamente, nas categorias de Viticultura, Enologia, Enoturismo e Revelação. O objectivo desta iniciativa consiste em valorizar o trabalho desenvolvido em diferentes áreas de atividade, bem como reconhecer acções que visem a dinâmica ligada à sustentabilidade, nas dimensões económica, social e ambiental, e enaltecer percursos e iniciativas que contribuem para a protecção e a projecção da Região Demarcada do Douro.
Vamos por partes. Professor Emérito da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Nuno Pizarro de Magalhães é autor de várias obras de referência e participou na formação de gerações de enólogos e viticultores, deixando um relevante contributo para a investigação, o ensino e a modernização da viticultura portuguesa.
Pedro Coelho é proprietário e enólogo da Pormenor Vinhos, projecto criado em 2013, assente em pequenas produções, e com um percurso que se traduz numa abordagem que associa identidade territorial e valorização da diversidade vitivinícola do Douro.
Inaugurado em 2024, o Torel Quinta da Vacaria – Douro Valley, em Peso da Régua, articula vinho, hotelaria, gastronomia, bem-estar e paisagem numa propriedade com mais de 400 anos de história, transformando esta quinta histórica no contributo para a afirmação turística do Douro.
O prémio atribuído à Associação Bagos d’Ouro destaca, por sua vez, o acompanhamento que tem vindo a ser feito a crianças e jovens de oito concelhos da região, desde a infância até à entrada no ensino superior ou no mercado de trabalho, evidenciando a importância da coesão social, da qualificação e da criação de oportunidades para as novas gerações.
Geradora, o novo restaurante do Esporão

Na histórica Tapada da Ajuda, um edifício industrial centenário reabre a 18 de setembro, no meio de um cenário campestre, com árvores frondosas, dando lugar ao projecto do Esporão na cidade de Lisboa, a Geradora. O Chef Manuel Liebaut, cujo currículo soma várias experiências em restaurantes reconhecidos (ao lado de Ferran Adrià, em Barcelona, n’ […]
Na histórica Tapada da Ajuda, um edifício industrial centenário reabre a 18 de setembro, no meio de um cenário campestre, com árvores frondosas, dando lugar ao projecto do Esporão na cidade de Lisboa, a Geradora. O Chef Manuel Liebaut, cujo currículo soma várias experiências em restaurantes reconhecidos (ao lado de Ferran Adrià, em Barcelona, n’ O Viajante, em Londres, no Noma, em Copenhaga, e no Burnt Ends, em Singapura), promete uma cozinha de produto, sazonal e cheia de sabor. O conceito? Contemporaneidade, mas simultaneamente descomplicada e confortável.
A ligação com o vinho é feita de forma descontraída. Para já, ao almoço. Há a oportunidade de fazer uma prova vínica, ideal para aprofundar o conhecimento inerente a uma região ou a uma colheita. Ou simplesmente beber um copo. Mas o melhor é visitar a garrafeira e cave da Geradora, onde pode escolher uma garrafa, para acompanhar a refeição, ou simplesmente descobrir as referências das diferentes regiões em que o Esporão produz vinho.
Além do restaurante, a Geradora inclui uma loja e um núcleo museológico. É, também, um pólo ligado às artes, com uma programação regular de música, cinema e exposições. Soma-se a proximidade e a relação com o Instituto Superior de Agronomia, ou não fosse a agricultura, a biodiversidade, a ciência e o conhecimento transversal a este projecto. “Queremos que a Geradora seja um lugar aberto e vivo, onde as pessoas possam chegar por razões diferentes e acabar por descobrir mais do que vinham à procura. Vir para almoçar com família ou amigos e encontrar uma exposição, participar numa prova e ficar para um concerto, ou simplesmente passar tempo na Tapada. Mais do que criar um novo espaço, queremos criar um lugar que faça parte de Lisboa e ao qual apeteça voltar”, afirma, em comunicado, João Roquette, Presidente do Conselho de Administração do Esporão.
A título de curiosidade, sabia que o edifício da Geradora, localizado na outrora Tapada Real de Alcântara, criada no século XVIII, por D. João IV, foi construído com o propósito de produzir electricidade para o Palácio da Ajuda, mas acabou por nunca cumprir verdadeiramente a função para a qual tinha sido projectado.
Geradora
Reservas Restaurante Geradora: https://www.sevenrooms.com/explore/geradora/reservations/create/search/
Horário de Quinta a Segunda-Feira
Morada Tapada da Ajuda, Lisboa
APCOR: a cortiça está no coração de Nova Iorque

A campanha internacional Cork.Connect, promovida pela Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), marca presença na Times Square, Nova Iorque, nos Estados Unidos, através da mensagem Drink Responsibly. Choose Wine with a Natural Cork. exibida, até 22 de Novembro, num dos ecrãs mais emblemáticos da cidade, durante praticamente 24 horas por dia. Para além do reforço do […]
A campanha internacional Cork.Connect, promovida pela Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), marca presença na Times Square, Nova Iorque, nos Estados Unidos, através da mensagem Drink Responsibly. Choose Wine with a Natural Cork. exibida, até 22 de Novembro, num dos ecrãs mais emblemáticos da cidade, durante praticamente 24 horas por dia. Para além do reforço do consumo responsável de vinho, “acreditamos que esta campanha contribui para uma valorização crescente da cortiça enquanto vedante de excelência para o vinho, integrada numa estratégia mais ampla de afirmação da cortiça e do seu potencial para responder aos desafios da sustentabilidade, da inovação e da criação de valor”, acrescenta, em comunicado, Paulo Américo Oliveira, presidente da APCOR.
Esta iniciativa reforça, assim, a aposta da indústria da cortiça num dos principais mercados do sector. Ao mesmo tempo, está alinhada com a estratégia internacional de comunicação da indústria do vinho, no sentido de reforçar a notoriedade, o posicionamento e a diferenciação da cortiça em diversos mercados. Por outro lado, esta mensagem estará activa em Times Square durante a realização de alguns dos mais relevantes eventos de vinho em Nova Iorque – Wine Spectator Wine Experience, o New York Food & Wine Festival e o Great Wines of Italy, de James Suckling, entre outros –, constituindo uma oportunidade adicional para chegar a diversos líderes de opinião particularmente relevantes no mercado americano.
Em 2025, os Estados Unidos representaram 14% das exportações portuguesas de cortiça, posicionando-se no top 3 dos mercados de destino. A dimensão desta acção em Nova Iorque acompanha, assim, a relevância do mercado norte-americano para a cortiça e a sua capacidade de influenciar tendências globais no setor do vinho.





















