Bágeiras como nunca se viu

Mário Sérgio e Frederico Nuno, pai e filho, são a face mais visível da Quinta das Bágeiras, empresa familiar nascida na vindima de 1989. Como em tantas outras casas de viticultores da Bairrrada, até aí os vinhos produzidos nas Bágeiras eram vendidos a granel para as caves da região, actividade iniciada pelos avós de Mário […]
Mário Sérgio e Frederico Nuno, pai e filho, são a face mais visível da Quinta das Bágeiras, empresa familiar nascida na vindima de 1989. Como em tantas outras casas de viticultores da Bairrrada, até aí os vinhos produzidos nas Bágeiras eram vendidos a granel para as caves da região, actividade iniciada pelos avós de Mário Sérgio e continuada por seus pais.
Quando resolveu seguir o árduo caminho de vitivinicultor-engarrafador, Mário Sérgio contou com o apoio total da família, que colocou propriedades e adega nas suas mãos, na certeza de que aquele rapaz, de apenas 23 anos, sabia exactamente onde queria chegar e como. O onde, estava claro para o jovem produtor: possuir uma marca de vinho reconhecida que, através da criação de valor, permitisse às actuais e futuras gerações viver da agricultura com o mínimo de conforto. O como, nunca foi, para si, em discussão: preservar, melhorar e acrescentar o património (vinhas, adegas, conhecimentos, processos) deixado por seus antepassados, de forma a produzir vinhos clássicos, ancorados na mais pura tradição bairradina, vinhos que se assumissem como diferenciadores num mundo que, em 1989 e nas duas décadas seguintes, se deixava encantar pela tecnologia e pela inovação.
Quase 37 anos passados, Mário Sérgio Alves Nuno mostra ter acertado no percurso escolhido. A Quinta das Bágeiras tornou-se uma referência absoluta entre os vinhos da Bairrada e de Portugal. E processos de vinificação que, nos anos 90, eram considerados retrógrados, completamente ultrapassados (“fundamentalistas do engaço” assim foram num jornal classificados o produtor e seu enólogo de então, Rui Moura Alves), hoje são valorizados enquanto expressão de um terroir, onde o factor humano é tão importante quanto o clima, o solo e as castas.
Assim, os vinhos da Quinta das Bágeiras continuam assentes nas uvas tradicionais (Baga, Maria Gomes, Bical, Cercial…) e na vinificação “à antiga”, mantendo-se lagares, engaço, prensa vertical e tonéis velhos nos tintos; e decantadores abertos de cimento, fermentação e estágio em tonel, nos brancos. Os Garrafeira, brancos e tintos, são obtidos de vinhas centenárias, não aramadas. Na linha Pai Abel, a concessão à “modernidade” começa das vinhas, com “apenas” vinte e alguns anos de idade e continua na adega, onde os tonéis são substituídos por barricas borgonhesas muito usadas.
Não se pense, porém, que nada mudou nas Bágeiras nas últimas décadas. Desde logo, porque Mário Sérgio é um produtor aberto ao mundo, e sobretudo às regiões francesas de Champanhe, Bordéus e Borgonha, que visita com frequência e onde recolhe inspiração e conhecimento que posteriormente aplica nos espumantes e vinhos tranquilos da Bairrada. E depois, porque uma nova geração, protagonizada por Frederico Nuno, está a deixar a sua marca nos vinhos da casa.
Frederico Nuno cresceu por entre vinhas, pilhas de espumante, tonéis e alambiques. Após a licenciatura em enologia na Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro e estágios em produtores de dimensões e conceitos muito diversos (Lusovini, Susana Esteban, Sogrape, Anselmo Mendes ou Barão de Vilar), assumiu o seu papel na empresa familiar a partir da vindima de 2022. Com o pai, forma uma dupla que alia experiência e irreverência, e se complementa perfeitamente, gerindo bem os habituais conflitos inter-geracionais. Frederico Nuno é, também ele, intransigente defensor dos princípios e processos que fazem a identidade da casa, como trabalhar exclusivamente com uva própria (a Quinta das Bágeiras é membro fundador dos Vignerons de Portugal) ou vinificar os tintos com engaço no lagar. Mas promoveu, por exemplo, a introdução de controlo de temperatura nos lagares de tintos e novas formas de trabalhar o vinho base, e multiplicar as leveduras nos espumantes, entre outros ajustes que vieram trazer mais elegância e afinamento às clássicas referências Bágeiras, sem prejudicar a sua vincada identidade. E quando, por via das “inovações”, o resultado sai fora do estilo da casa, entra em cena a linha Fogueira.
Revolução na tradição
Desde há muito que, em cada vindima, Mário Sérgio reserva tempo e espaço para materializar inspirações recolhidas noutras paragens, experimentando vinificações ou estágios diferentes do habitual nas Bágeiras. Nos casos em que o resultado o entusiasma verdadeiramente, ao ponto de lamentar não ter onde “encaixar” o vinho no portefólio, nasce um Fogueira. Até ao momento, só tinha acontecido três vezes, com um branco, um rosé e um tinto.
O branco, que agora surge no mercado com a marca Fogueira, é uma autêntica revolução no estilo Bágeiras. Desde logo, pela casta principal, Chardonnay, que representa 50% num lote onde se incluem Cercial (40%) e Bical. E depois, pela utilização, em estreia absoluta na casa, de barricas novas.
“Sou verdadeiramente apaixonado pelos Chardonnay de Champanhe e Borgonha”, revelou Mário Sérgio na apresentação no novo Fogueira branco 2023. “Plantámos, pela primeira vez, Chardonnay em 2002 e temos utilizado apenas em alguns espumantes, e em muito pequena quantidade. Esta foi a primeira vez que nos atrevemos a colocar esta variedade num branco tranquilo.”
Se Mário Sérgio é “responsável” pela escolha da uva, Frederico Nuno é o “culpado” pelas barricas novas. O jovem enólogo fez uma vindima em Monção e Melgaço com Anselmo Mendes. Com o “Senhor Alvarinho” aprendeu muito sobre o trabalho de barricas novas em vinhos brancos – volumes, tipos de madeira, origens, tostas. Foi, aliás, Anselmo Mendes que o orientou na escolha da barrica certa para o novo vinho pretendido.
“O estilo da Quinta das Bágeiras não contempla madeira nova, mas isso não significa que eu e meu pai não apreciemos vinhos com barrica nova, brancos ou tintos. E este é o nosso primeiro a utilizar este tipo de madeira, já que no Pai Abel usamos só barricas muito usadas, e no Garrafeira só tonéis antigos. Aqui fizemos fermentação e estágio em barricas novas de 500 litros”, diz Frederico Nuno. “São bem mais de 2000 euros cada barrica e, para este efeito, só servem dois anos…”, completa Mário Sérgio. E acrescenta: “Mas é dinheiro muito bem gasto. Só faz sentido investir em madeira nova se for de grande qualidade.” O estágio na barrica, após a fermentação, não incluiu bâtonnage, para evitar a incorporação de oxigénio, preocupação que Frederico Nuno trouxe da aprendizagem com Anselmo Mendes. O vinho foi passado a limpo no mês de Janeiro seguinte à vindima, voltando de imediato à barrica.
O Fogueira 2023 é um vinho absolutamente extraordinário, para mim, talvez o melhor branco de sempre da Quinta das Bágeiras. Dotado de notável elegância e frescura, evidencia toda a nobreza e cremosidade da casta dominante conjugada com a firmeza da Cercial, num conjunto moldado pelo forte carácter atlântico da Bairrada. “Esta é, sobretudo, uma região de brancos”, salienta Mário Sérgio, “é mais fácil fazer todos os anos um grande branco do que um grande tinto. O clima marítimo, os solos de argila e calcário, a vibrante acidez que se manifesta em todas as castas, tudo aponta para brancos de topo.”
Aquando da apresentação do Fogueira à imprensa, que teve lugar no restaurante Pedro Lemos, no Porto – “há largos anos, o Pedro ajudou-me com uma grande encomenda, e nunca me esqueci disso, além de que adoro a cozinha dele”, diz Mário Sérgio – já era público o importante prémio alcançado por este vinho, considerado o melhor blend branco no Concurso Vinhos de Portugal. Mas prémios e classificações não vão condicionar o futuro deste branco “revolucionário” no portefólio Bágeiras. À pergunta sobre se o modelo seria para repetir, dado que os três Fogueira anteriores, todos de castas e técnicas distintas, só ocorreram uma vez, Frederico Nuno não poderia ser mais sincero: “não faço ideia. Logo se vê.”
(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)
MALTA: PATRIMÓNIO VINHATEIRO, HISTÓRICO E GASTRONÓMICO

Malta é um pequeno arquipélago situado no coração do Mar Mediterrâneo constituído por três ilhas habitadas: Malta (a maior e principal), Gozo e Comino. Apesar do seu tamanho reduzido, o país possui uma densidade histórica impressionante, tendo sido influenciado e ocupado por fenícios, romanos, árabes, normandos e, mais tarde, pelos Cavaleiros da Ordem de São […]
Malta é um pequeno arquipélago situado no coração do Mar Mediterrâneo constituído por três ilhas habitadas: Malta (a maior e principal), Gozo e Comino. Apesar do seu tamanho reduzido, o país possui uma densidade histórica impressionante, tendo sido influenciado e ocupado por fenícios, romanos, árabes, normandos e, mais tarde, pelos Cavaleiros da Ordem de São João. Trata-se, portanto, de um verdadeiro ponto de encontro de civilizações, que depois de muitos séculos, se converteu numa mistura cultural que se reflete na arquitetura, na gastronomia, nas tradições… e, claro, na produção vitivinícola, que ocupa um lugar cheio de dignidade e identidade.
Mas vamos por partes, até porque, nesta viagem, o tempo desdobra-se em camadas neste território privilegiado do Mediterrâneo, onde a vinha e o vinho malteses fazem parte de uma narrativa única.
Castas nativas e um terroir singular
Fenícios e romanos foram os primeiros a introduzir o cultivo da videira no arquipélago, enquanto os Cavaleiros de São João consolidaram a produção de vinho durante a sua presença na ilha de Malta. E apenas a partir do final do século XX, a indústria vitivinícola começou a modernizar-se, focando-se mais na qualidade do que na quantidade.
Nas vinhas, compostas por parcelas de dimensões exíguas, as castas nativas e raras são fortemente preservadas. São elas a Girgentina (branca), que potencia a produção de vinhos leves, frescos e com notas cítricas, e a Ġellewża (tinta), que dá origem a vinhos frutados, suaves e de corpo médio. A tendência atual na ilha de Malta consiste em combinar estas variedades locais com as internacionais, como Syrah, Merlot e Chardonnay, para produzir vinhos equilibrados, sem desvirtuar a identidade mediterrânica.
As especificidades estendem-se à viticultura de Malta. Os solos são predominantemente calcários e argilosos, formados por antigas rochas marinhas, o que os torna altamente alcalinos, conferindo, aos vinhos, um perfil mineral diferenciador; enquanto a forte exposição solar e a baixa pluviosidade dá lugar a um clima quente, seco e ventoso. Se, por um lado, estas condições climáticas são aliadas dos produtores de Malta na fase da maturação das uvas, por outro, condicionam o rendimento por videira. No entanto, o resultado não podia ser maior: os vinhos são aromáticos, concentrados, apresentam boa estrutura e revelam personalidade. E são a companhia perfeita para a ftira – pão crocante, a base que une a combinação de ingredientes locais, como tomate, azeitonas, alcaparras, atum e anchovas -, recentemente reconhecida como Património Cultural Imaterial pela UNESCO, bem como para o fenek moqli (coelho refogado) e para os pastizzi, pastéis de massa folhada recheados com ricota ou ervilhas, além da enorme variedade de frutos do mar frescos.

Valletta e as adegas centenárias
A chamada produção de boutique faz com que grande parte dos vinhos de Malta seja conduzida, raramente, para o mercado exterior. Serve esta realidade para promover a experiência cultural aliado ao turismo enológico e, ao mesmo tempo, fomentar a crescente importância do enoturismo. Há pretexto maior para efetuar um roteiro vitivinícola?
Valletta é o ponto de partida. A capital de Malta surge entre a pedra dourada e o Mar Mediterrâneo. Fundada no século XVI pelos Cavaleiros de São João, conserva o estilo barroco entre ruas estreitas e praças que se abrem para o porto, com destaque para a Concatedral de São João, onde estão expostas duas obras-primas de Caravaggio. Património Mundial da Humanidade pela UNESCO desde 1980, acolhe os Jardins Upper Barrakka, com vista para o Grande Porto e as Três Cidades.
Para lá de Valletta, está a adega familiar mais antiga, a Delicata Winery. Fundada em 1907, enaltece o seu trabalho com produtores locais, contribuido para o reconhecimento do vinho maltês além-fronteiras. A segunda paragem faz-se na Marsovin Winery. Fundada em 1919, esta casa é tida como uma das grandes referências do vinho maltês. As suas vinhas e castas autóctones definem o vinho que ‘nasce’ diretamente do solo.
Pré-história e vitícola contemporânea
O percurso continua pelo património pré-histórico: os Templos de Tarxien, com relevos de animais e espirais nos altares, Hagar Qim, aberto para o mar e famoso pelas suas esculturas de Vénus, e Mnajdra, o templo com mais de 5.000 anos. A viagem prossegue pelo pelos templos de Ta Hagrat, que ostentam uma visão mais íntima das primeiras comunidades humanas de Malta, em Mgarr. Muito perto dali, em Zebbiegħ, os templos de Skorba conservam vestígios de antigas cabanas neolíticas.
Ainda há tempo para visitar a Meridiana Wine Estate, que dá a conhecer uma leitura contemporânea da produção de vinho em Malta. A adega tem promovido, desde os anos 90 do século XX, uma produção mais premium, precisa e cuidada, com uma identidade distintivamente mediterrânica.
Sob a cidade de Paola, está o Hipogeu de Hal Saflieni. Classificado como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, é descrito como um complexo subterrâneo escavado na rocha, constituído por três níveis e que se estende por câmaras, corredores e salas, cuja função continua envolta em mistério.

No sul da ilha de Malta
Mdina, a antiga capital de Malta, conhecida como “A Cidade do Silêncio” e clasificada de Património da Humanidade pela UNESCO, é um dos tesouros mais bem preservados do mundo. Fundada pelos fenícios por volta do ano 700 a.C. e, posteriormente, fortificada pelos romanos e pelos árabes, testemunhou a passagem de diversas civilizações. Exemplos a explorar? A Catedral de São Paulo, um ícone barroco, e o Palácio Vilhena, onde está instalado o Museu Nacional de História Natural. Das muralhas, a vista alcança a paisagem maltesa e o mar Mediterrâneo.
Na lista de produtores de referência, localizados no lado sul da ilha de Malta, constam duas adegas: a Ta’Betta Wine Estates e a Markus Divinus. A primeira, situada em Girgenti, nos limites de Siġġiewi, foi criada em 2002 e aposta grandemente na produção de vinhos com grande potencial de envelhecimento, bem como no enoturismo. A segunda, com localização próxima dos Dingli Cliffs, é considerada uma adega boutique, cuja produção anual é de cerca de 6.000 garrafas, abrindo caminho para a exclusividade e na presença em hotéis de luxo e restauração de topo.
Gozo e a cultura enológica
Mais verdejante e tranquila, a ilha de Gozo denota uma envolvente paisagística dominada por colinas suaves e pela ruralidade. É uma verdadeira viagem no tempo, onde os Templos de Ggantija, datados de cerca do ano 3600 a.C., constituem um dos conjuntos megalíticos mais antigos do mundo.
Neste cenário encontra-se a Ta’ Mena Estate, uma propriedade familiar com uma abordagem baseada na ligação entre a produção e o território, oferecendo uma experiência de enoturismo profundamente enraizada na paisagem de Gozo. Há ainda a Tal-Massar Winery, uma adega familiar que recupera tradições antigas e produz vinhos de topo, incluindo licorosos elaborados através do método de ‘appassimento’.
De um modo geral, além das provas de vinho personalizadas e visitas a caves e adegas, no arquipélago de Malta, o enoturismo tem evoluído para a criação de wine libraries e de experiências gastronómicas ligadas à cultura local.
Para fechar em grande, fica a nota do evento anual destinado aos amantes do vinho, o Malta International Wine Festival, que decorre, em junho, nos Jardins Argotti, em Floriana. Um cenário histórico que, durante vários dias, oferece uma seleção de vinhos locais e internacionais, harmonizados com propostas gastronómicas e acompanhados por música ao vivo. Uma oportunidade perfeita para descobrir a diversidade, a qualidade e a hospitalidade associadas ao vinho maltês.
(Mais informação em: Wineries & Vineyards)
Crónica: O Douro em brancos a chamar por nós

Em Murça, estamos em terras de brancos. Por aqui, são eles que marcam o compasso dos dias. Isso é claramente uma virtude numa época em que a tendência aponta mais para este tipo de vinhos. Daí a importância crescente do evento Brancos na Praça, que teve este ano a 4ª edição. Não será fácil dividir […]
Em Murça, estamos em terras de brancos. Por aqui, são eles que marcam o compasso dos dias. Isso é claramente uma virtude numa época em que a tendência aponta mais para este tipo de vinhos. Daí a importância crescente do evento Brancos na Praça, que teve este ano a 4ª edição.
Não será fácil dividir o Douro em zonas estanques, do tipo aqui brancos, ali tintos, aqui Touriga Francesa, acolá Rabigato. Ainda assim, começa a fazer sentido falar de áreas onde algumas castas e alguns tipos de vinho ganham mais preponderância. Isso é visível quer em zonas especialmente vocacionadas para produzir certos tipos de vinho do Porto, como o Cima Corgo, quer em áreas onde os brancos se dão especialmente bem. Historicamente, sabemos que a região sempre produziu muita uva branca que se destinava ao Porto branco, mas a História também nos disse que esse tipo de Porto nunca foi devidamente valorizado, uma vez que preenchia objectivos simples, destinando-se a ser servido como aperitivo, algo muito valorizado pelo mercado francês, por exemplo. Mas os tempos mudaram e a região, que nasceu para os DOC Douro, muito associada aos vinhos feitos com as uvas que não preenchiam o benefício, foi, aos poucos, descobrindo que as mesmas uvas brancas usadas para fazer o simples Porto branco, afinal também poderiam originar vinhos de muito boa qualidade. Foi assim que, em meados dos anos 90, várias empresas de Vinho do Porto se abalançaram a fazer vinhos brancos, secos e cheios de personalidade, com técnicas até então pouco ou nada utilizadas, como a fermentação em barrica, o estágio também em madeira, descobrindo virtudes em castas até então menosprezadas.
Varietais de Arinto no Douro são raros. Este é particularmente aromático na boca. A colheita anterior parece ter evoluído rapidamente
Uma nova febre tomou conta da região e os brancos começaram a surgir como se, até aí, estivessem escondidos debaixo das pedras. A febre não foi passageira e veio para ficar; e, hoje, o número de marcas e de produtores que se interessam pelos brancos não cessa de aumentar. Foi neste quadro de busca das melhores zonas e parcelas mais originais que Murça emergiu como zona com condições perfeitas para a produção de vinhos brancos: localização que joga com a altitude e o clima mais ameno, boa quantidade de vinhas velhas de castas misturadas (que continua a ser o maná para os grandes vinhos) e boa disponibilidade de uvas. Não tardou que vários produtores se começassem a interessar por Murça, vindo aqui comprar uvas para elaborarem os seus melhores lotes.
E foi do interesse dos produtores pela região e do empenho da Câmara Municipal que nasceu o evento Brancos na Praça, totalmente dedicado aos vinhos brancos e a que responderam quer os produtores locais, quer as empresas que nesta zona também se abastecem de uvas. O evento vai na 4ª edição e decorreu a 29 e 30 de Maio últimos.
Um dos pontos de interesse do certame são duas provas de vinhos brancos orientadas pelo autor destas linhas. Com uma assistência (mediante inscrição) que tem crescido em número todos os anos, organizam-se duas provas de brancos: uma de vinhos de Douro/Murça versus grandes vinhos do mundo e outra, mais específica, de brancos de Murça versus brancos originais do resto do país. Mas o certame não se esgota nestas provas: há um workshop sobre azeites de Murça (Francisco Vilela) e há percursos comentados nos vários stands orientados por Teresa Gomes. O espaço, desta vez bem mais amplo, acolheu uma população muito interessada, que também pôde comprar vinhos, algo sempre muito apelativo para os consumidores.
Murça está a fazer o seu trabalho, procurando o reconhecimento da valia dos seus vinhos no conjunto dos brancos do Douro. Tal reconhecimento não pode deixar de passar pela valorização do preço das uvas. Não há meio termo. Essa é a condição sine qua non para que o prestígio do vinho tenha correspondência na valorização do trabalho e na qualidade de vida de quem o produz. E a resposta-refúgio que muitas vezes se ouve a quem compra uvas, tipo “estou a pagar acima do preço do mercado”, não é suficiente, uma vez que no Douro se pagam as uvas a preços que não compensam o granjeio. A frase não é “pagar acima”, é pagar três ou quatro vezes o preço habitual do mercado. E quem começar a fazer isso vai perceber que a concorrência não poderá deixar de acompanhar a tendência. E, a ser assim, até se percebe melhor que as garrafas dos grandes brancos de Murça custem 100 ou mais euros. De outra forma, é um pouco escandaloso, convenhamos. (JPM)
Quinta do Crasto abre as portas para uma série de jantares vínicos exclusivos

A Quinta do Crasto decidiu abrir as portas da sua casa para uma experiência vínica exclusiva, reservada a um número muito restrito de convidados que a queiram descobrir por inteiro. Numa série de apenas três jantares vínicos, conduzidos por quem todos os dias contribui para escrever a história desta propriedade, os participantes terão a oportunidade […]
A Quinta do Crasto decidiu abrir as portas da sua casa para uma experiência vínica exclusiva, reservada a um número muito restrito de convidados que a queiram descobrir por inteiro.
Numa série de apenas três jantares vínicos, conduzidos por quem todos os dias contribui para escrever a história desta propriedade, os participantes terão a oportunidade de conhecer as pessoas e a visão que deram origem a alguns dos vinhos mais emblemáticos da Quinta do Crasto.
O jantar de harmonização, irá juntar à mesa membros da família Roquette e das equipas de viticultura, enologia e enoturismo, para partilhar memórias e curiosidades.
A primeira edição acontece já no dia 20 de Agosto, com um menu cuidadosamente elaborado para harmonizar com uma seleção de vinhos do Douro e do Porto, que incluem algumas das referências mais conhecidas da Quinta do Crasto e também colheitas especiais. O menu e as harmonizações mudam em todas as datas, tornando cada experiência única.
À mesa, com os convidados, estarão Miguel Roquette, administrador da Quinta do Crasto, Tiago Nogueira, responsável pela viticultura, Cátia Barbeta, enóloga, e Gilberto Rodrigues, diretor de turismo, para apresentar cada um dos vinhos e abrir caminho a perguntas, comentários e reflexões.
Tudo isto acontece na casa de família e o terraço panorâmico, debruçado sobre o vale do Douro, numa atmosfera descontraída, onde o vinho, a gastronomia e o ambiente de partilha que naturalmente se cria à volta da mesa dão origem a conversas informais sobre o Douro, a filosofia da Quinta do Crasto e a responsabilidade – mas também o privilégio – de produzir vinho numa paisagem classificada como Património Mundial pela UNESCO.
Os jantares vínicos repetem-se nos dias 24 de Setembro e 22 de Outubro, sempre com menus distintos e diferentes convidados da equipa da Quinta do Crasto, permitindo aos participantes descobrir novas histórias, novos vinhos e diferentes perspetivas sobre a propriedade. Para garantir o ambiente intimista que se pretende, as sessões estão limitadas a 20 pessoas.
Cada jantar tem o custo de 175€ por pessoa e para participar é necessária marcação prévia, que pode ser feita através do e-mail enoturismo@quintadocrasto.pt ou do contacto telefónico +351 937 760 572. Para saber mais sobre a Quinta do Crasto e os seus vinhos, consultar www.quintadocrasto.wine ou www.heritagewines.pt.
RESTAURANTE LAURENTINA: Onde o amigo continua fiel

É o caso do restaurante Laurentina – O Rei do Bacalhau, que acaba de comemorar o seu cinquentenário. O Laurentina será provavelmente o mais antigo restaurante de Lisboa em actividade dedicado ao bacalhau. Tudo começou quando o então jovem António Pereira, natural do Fundão, com fortes raízes na Beira Baixa e com pouco mais de […]
É o caso do restaurante Laurentina – O Rei do Bacalhau, que acaba de comemorar o seu cinquentenário. O Laurentina será provavelmente o mais antigo restaurante de Lisboa em actividade dedicado ao bacalhau. Tudo começou quando o então jovem António Pereira, natural do Fundão, com fortes raízes na Beira Baixa e com pouco mais de 20 anos, partiu para Moçambique onde, passado algum tempo, fundou um restaurante em Lourenço Marques (hoje Maputo). Ali desenvolveu durante duas dezenas de anos uma paixão pela gastronomia. Começou por aperfeiçoar a preparação do bacalhau, inspirando-se nas receitas da sua terra natal, com alguma influência dos sabores africanos. Quando, após a independência da ex-colónia, regressa à metrópole, em 1976, é natural que a opção fosse continuar a actividade, replicando e desenvolvendo o conceito que tinha criado.
Aparece assim, em Lisboa, já na Avenida Valbom, a poucos metros onde, hoje, se encontra o Laurentina. O nome é uma homenagem aos habitantes da capital moçambicana (os laurentinos), ao mesmo tempo que evocava a mais popular cerveja da terra. É quando se muda para a porta ao lado, com o n.º 71 A, em 1986, que assume orgulhosamente a designação “O Rei do Bacalhau”. Para além de assinalar uma evidência – o restaurante ganhou fama entre os clientes pela forma como o ‘fiel amigo’ era ali venerado –, a designação assume um compromisso sério de máximo respeito pela matéria-prima, procurando os melhores fornecedores e garantindo uma consistência que desafiou o tempo. Os filhos, actualmente, à frente do negócio, fazem questão de mostrar como as couves, o azeite, as batatas, as frutas, entre outros ingredientes, continuam a vir da Beira Baixa, honrando assim o legado do fundador.
Com a deterioração da saúde do Pai António, os filhos, Marco e Rita, assumem a direcção do restaurante por volta dos anos 2004/2005. Não lhes foi difícil o encargo, já que ali cresceram e desde pequenos ali comeram e praticamente viviam no dia-a-dia. Marco e Rita Pereira depressa perceberam que a melhor maneira de preservar a obra do Pai e a sua identidade é fazer evoluir o projecto. Sem nunca comprometerem a herança, respeitando receitas e saberes acumulados, foram introduzindo novos pratos e, sobretudo, remodelado totalmente o espaço. Quem entra no Laurentina não deixa de se sentir confortável, com a qualidade da amesendação, a simpatia do atendimento, a decoração clássica do espaço, em que as paredes com um jardim vertical emprestam uma sensação de frescura e sofisticação. O espaço é suficientemente amplo e diversificado para o cliente sentir-se à vontade. Com 60 lugares no rés-do-chão, 100 na cave a que se juntam mais 40 na frondosa esplanada, não faltam opções.
A oferta do menu é bastante ampla. Cobre algumas das mais populares receitas que eram esperadas num restaurante temático e também dispõe de alternativas em peixes frescos da costa, polvo, carnes e opções vegetarianas. Mas é de facto em torno do ‘fiel amigo’, aqui exclusivamente proveniente das águas frias e cristalinas da Islândia, que a ementa se desdobra em declinações tentadoras. Em recente visita, tivemos a oportunidade de provar as pataniscas, servidas como aperitivo, finas, de formato redondo, crocantes, secas de óleo e com bom equilíbrio entre massa, cebola, salsa e lascas. De segunda a sexta-feira, há pratos do dia com preços mais moderados (à volta de €18). O destaque vai, contudo, para os pratos de resistência que, na ocasião, tivemos oportunidade de experimentar. A saber: O popular bacalhau à Brás, húmido quanto baste, com o ovo cremoso e envolvente e batata palha muito crocante feita na casa; o bacalhau alto assado (duas pessoas/€58), um posta do lombo de altura absolutamente descomunal, com batata a murro e verdura salteada; a couvada de bacalhau à Pereira da Laurentina (duas pessoas/€52), prato de assinatura e especialidade maior da casa, confeccionado à maneira da Beira, com produtos da região, em que as couves e batatas servem de cama a outra peça do lombo gigante, tudo envolvido dentro de um tacho de barro fumegante; e, não podia faltar, o arroz de bacalhau ao estilo malandrinho, bago carolino gordo e bem envolvido numa calda com espinafres e tomate. Há outras opções clássicas como o à Minhota, com broa, natas e espinafres, o lascado especial (preços médios a rondar os €25). Os sabores moçambicanos continuam presentes, com a moqueca de bacalhau (€26,50) e os camarões tigre à moçambicana (€45). Uma das inovações introduzidas recentemente foi uma carta de sobremesas ambiciosa e uma lista de vinhos bem adequada à oferta gastronómica.
Laurentina – O Rei do Bacalhau
Av. Conde de Valbom, 71 A, Lisboa
Tel.: 962 959 725 / 217 960 260
Horário: de Segunda-feira a Sábado, das 12h00 às 16h00 e das 19h00 às 23h00 Encerra: Domingos e feriados
Preço médio: €40
Editorial: Negra Mole em pedra dura

Editorial da edição nrº 1112 (Agosto de 2026) Tanto bate até que fura. A Negra Mole passou décadas a bater à porta do reconhecimento, até conseguir abrir caminho. Não por ser uma casta espampanante no copo, mas através do soft power que lhe é característico. Lembro-me de, em 2012, durante umas férias em Vilamoura, ter […]
Editorial da edição nrº 1112 (Agosto de 2026)
Tanto bate até que fura. A Negra Mole passou décadas a bater à porta do reconhecimento, até conseguir abrir caminho. Não por ser uma casta espampanante no copo, mas através do soft power que lhe é característico.
Lembro-me de, em 2012, durante umas férias em Vilamoura, ter procurado o vinho monovarietal de Negra Mole lançado pela Quinta João Clara, mas os sommeliers nos restaurantes e wine bars encolhiam os ombros: nunca tinham ouvido falar da casta. Acabei por encontrar uma garrafa, curiosamente, em Lisboa.
O reencontro com a Negra Mole aconteceu há alguns anos, num contexto algo sui generis: o Concurso Mundial de Bruxelas. Num flight de amostras surgiu um vinho que se destacava de imediato pela sua cor translúcida. No aroma e na boca era suave e delicado, com uma fruta deliciosa, mas num registo contido. Não exibia uma acidez particularmente elevada, mas não pecava por falta da frescura, apresentando um equilíbrio exemplar dentro deste perfil. Gostei muito do vinho. Percebi que se tratava de uma casta autóctone, mas a Negra Mole nem sequer me ocorreu. Qual não foi, por isso, o meu espanto quando consultei a listagem entregue aos jurados no final da sessão de provas e descobri que era a Negra Mole da Arvad!
Na minha recente incursão pelo Algarve, tive a oportunidade de provar mais vinhos desta casta e rendi-me definitivamente à sua personalidade.
A Negra Mole sempre existiu no Algarve, mas durante décadas esteve fora do seu tempo. Numa época em que se procuravam cor, concentração e músculo, não tinha como se afirmar. Pouco lhe valeu ser uma das castas mais antigas de Portugal; teve de esperar décadas para, finalmente, ser compreendida e valorizada. E, mesmo hoje, não reúne consenso entre os produtores, e, na verdade, a casta é tudo menos consensual.
Tem bagos grandes e soltos, com película fina e polpa mole – daí o nome. Uma das características mais singulares da Negra Mole é a sua heterogeneidade cromática. Ou seja, na mesma videira e, frequentemente, no mesmo cacho coexistem bagos de diferentes cores do negro-azulado ao rosado e ao quase branco, embora todos estejam fisiologicamente maduros. Um palhete feito no cacho!
Pelas suas características, a Negra Mole facilita o trabalho na elaboração de rosés, blanc de noirs ou espumantes, porque, mesmo que se distraia durante a maceração, não passa cor em excesso. Pessoalmente, prefiro-a na sua forma mais pura, como vinho tinto, porque mantém a leveza, mas com maior expressão de sabor e uma cor sem igual, que faz lembrar a toranja. É uma casta com um poder de atracção singular e uma força identitária que lhe permitem assumir o papel de porta-bandeira da região vitivinícola onde nasceu.
Vejam só, quando os importadores internacionais procuram os Chillable Red Wines, em Portugal foram reabilitados os palhetes e claretes, e os produtores procuram fórmulas e castas adequadas à produção de tintos mais leves e apetecíveis, que não exijam um bife ao lado, a Negra Mole surge como a resposta algarvia a esta tendência internacional. É talhada precisamente para este perfil e com um storytelling já feito, não é preciso inventar nada.
Com isto não quero dizer que o Algarve tem que se resumir à Negra Mole, mas espero que haja cada vez mais produtores a descobrir as diferentes facetas desta casta. E espero, daqui a uns anos, poder fazer uma grande prova dedicada exclusivamente à Negra Mole. (V.Z.)
CONVERSAS A COPO: Maria João Vieira Pinto

O que marca uma marca de vinho? Marca a diferença, a ousadia, o não ser de ‘fórmula’, em que o perfil não muda ano após ano, apesar da muita chuva ou do sol a pique. Acha que construir uma marca de vinho é mais desafiante do que construir marcas noutros sectores? De todo. A criação, […]
O que marca uma marca de vinho?
Marca a diferença, a ousadia, o não ser de ‘fórmula’, em que o perfil não muda ano após ano, apesar da muita chuva ou do sol a pique.
Acha que construir uma marca de vinho é mais desafiante do que construir marcas noutros sectores?
De todo. A criação, lançamento e construção de uma marca é um desafio gigante, seja em que sector for. Claro que em mercados mais saturados e pulverizados, como é o dos vinhos em Portugal – com centenas de marcas em todas as regiões –, o trabalho fica redobrado. Mas uma marca é uma marca, um ecossistema onde o produto, o preço, a distribuição e comunicação se encaixam para chegar a um público e, no final, ganhar o seu espaço, a sua quota.
O vinho é talvez um dos produtos onde emoção, território e marca coexistem de forma particularmente forte. Enquanto observadora do universo do marketing, como vê hoje a construção das marcas de vinho em Portugal?
É incontável o actual número de marcas de vinhos portugueses, em todas as regiões, e que só é um bom reflexo de um mercado dinâmico. Mas, a verdade é que o espaço é curto para tantas. A exportação é uma das vias para a sobrevivência ou, claro, a construção de marca. E têm sido várias as que têm feito um bom caminho, sendo que nunca bastará ter uma marca forte. É preciso presença na distribuição e no HoReCa, assim como comunicação contínua e alinhada. Olhando para os últimos anos, acho mesmo que as marcas portuguesas, neste sector, têm vindo a fazer um belo trabalho.
Um vinho precisa sobretudo de ser bom… ou de contar uma boa história?
É como tudo, lá está. Já não basta que o hotel seja bom, mas que tenha uma narrativa, já não chega que o restaurante seja de topo, se, no final, não resultar numa experiência… Isto é o que o mercado tem vindo a dizer, sendo que, no final, vale o que vale. Em relação à pergunta, um vinho deveria ser – antes de tudo – bom. Mas há muitos exemplos no mercado que têm vindo a afirmar-se e a crescer em pouco tempo, a contar histórias reais ou não. Uma boa história vende. E, nos vinhos, há sempre belas histórias para contar, basta saber procurá-las e saber partilhá-las. Ou seja, um bom vinho vende per si, desde que a crítica o diga. Mas uma história, às vezes, ajuda a vender mais depressa o produto.
Marca presença em lançamentos e provas vínicas. Recorda-se de algum vinho ou de momento vínico que a tenha marcado particularmente? E porquê?
Por acaso recordo um momento, bem simples, mas que mantenho na memória, porque me permitiu perceber o vinho em causa e o seu potencial. Há uns anos, numa apresentação do Invisivel (o branco de uvas tintas), da Ervideira, casou-se o vinho a diferentes temperaturas – desde gelado ao seu estado normal – com diferentes pratos, entre sushi, peixe mais temperado e carne. Ao mostrar a plasticidade do vinho, este momento simples, mas prático, fez-me entendê-lo muito melhor do que, por vezes, algumas longas dissertações sobre acidez e leveduras.
Se pudesse deixar um conselho às marcas de vinho portuguesas sobre comunicação e relevância futuras, qual seria?
É tão difícil dar conselhos, quando se está de fora. O Dirk [Niepoort] costuma dizer que não se deve ter medo de arriscar. Eu sublinho e acredito, mesmo, que quando se quer ser uma marca no vinho não há erros, há aprendizagens. É essencial sair do conforto, acreditar que é na diferença que se ganha e que fazer mais do mesmo ou igual aos outros é só uma estratégia a curto prazo. Depois, comunicação contínua, para vários públicos, e formação desses mesmos públicos.
(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)
Tomate Coração de Boi novamente em festa

No dia 21 de Agosto, a Quinta do Mourão, propriedade da Falua, em Cambres, Lamego, acolhe a 11.ª edição da Festa do Tomate Coração de Boi do Douro. Assim, este ano, o evento acontece à beira-rio, num lugar histórico e com património de Vinho do Porto. Objecto de prova, no sentido de eleger o melhor […]
No dia 21 de Agosto, a Quinta do Mourão, propriedade da Falua, em Cambres, Lamego, acolhe a 11.ª edição da Festa do Tomate Coração de Boi do Douro. Assim, este ano, o evento acontece à beira-rio, num lugar histórico e com património de Vinho do Porto. Objecto de prova, no sentido de eleger o melhor tomate da temporada, este produto volta a unir, no núcleo de jurados, chefes de cozinha de referência, enólogos, jornalistas e outros actores na área da gastronomia. À semelhança das edições anteriores, a partir das 18h00, há jantar volante (€90), onde o tomate coração de boi é rei a par com os vinhos das quintas concorrentes.
Para completar esta experiência, a Quinta de Mourão organiza duas provas especiais na cave Port Knox, local onde estagiam e envelhecem os seus Vinhos do Porto. Assim, durante os dias 21 e 22 de Agosto, estarão disponíveis duas provas de Vinhos do Porto antigos, com 20% de desconto: a prova Silver, focada em Vinhos do Porto Tawny e White envelhecidos (€70) e a prestigiada prova Mothers & Sons, que inclui referências de Portos de 30 e 40 anos e as históricas colheitas Mother Wine de 1972 e 1948 (€212€). As provas estão agendadas para as 11h00, as 12h30, as 14h30 e as 16h00, em ambos os dias. As vagas são limitadas.
As inscrições para o encontro, bem como para as provas especiais, são limitadas e requerem reserva e pagamento prévios através do seguinte e-mail greengrape@greengrape.pt.
Alargado a todos os municípios da região do Douro, o festival “Tomate à mesa (a)gosto” conta com mais de 30 restaurantes, para saborear o tomate coração de boi na sua plenitude. Ou seja, ao longo deste mês de Agosto, os restaurantes de referência da região incluem, nas respectivas ementas, pratos inspirados neste produto (lista mais abaixo).
O programa inclui ainda o encontro Tomate à Capella, na praça da Capela Barroca de Arroios, dia 22 de Agosto, a partir da 17h30. Trata-se de um mercadinho e convívio, com uma prova de tomate, azeite e flor de sal. Também haverá música, animação e petiscos, provas de degustação e venda de vinhos DOC, Douro e Porto, produtos locais e regionais e muito tomate à venda.
Restaurantes aderentes
Chaxoila — Vila Real
Caisdavilla — Vila Real
Bons Tempos — Vila Real
O Lagar — Torre de Moncorvo
Salma Rio — Mesão Frio
Terra Quente — Murça
Restaurante do Sá — Murça
Taberna da Helena — Carrazeda de Ansiães
Cinta D’Ouro — Freixo de Espada à Cinta
Peto Real, Hotel Verdeal — Moimenta da Beira
Taberna Fornos do Rei — Penedono
Casa do Avô — Sernancelhe
Santa Marta — Santa Marta de Penaguião
Tasquinha do Matias — Tarouca
Taberna da Julinha — Vila Nova de Foz Côa
Vale Abraão, Hotel Six Senses — Lamego
Seixo by Vasco Coelho Santos, Quinta do Seixo — Tabuaço
Taberna do Carró — Moncorvo
Cais da Ferradosa — S. João da Pesqueira
Toca da Raposa — S. João da Pesqueira
Cantina de Ventozelo, Quinta de Ventozelo — S. João da Pesqueira
DOC — Armamar
Castas e Pratos — Peso da Régua
Cêpa Torta — Alijó
Bomfim 1896, Quinta do Bomfim — Pinhão, Alijó
S. Luiz by Vítor Oliveira, Quinta de S. Luíz — Tabuaço
The Wine House, Quinta da Pacheca — Lamego
Panorâmico, Quinta de S. José do Barrilário — Armamar
Calça Curta —Foz do rio Tua, Carrazeda de Ansiães
Casa das Pipas, Quinta do Portal — Sabrosa
Rabelo, The Vintage House Hotel — Pinhão, Alijó











