Romana Vini: Boutique vínica no Tejo e em Lisboa

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Romana Vini é o nome da empresa que produz vinhos a partir de uvas de duas quintas próximas entre si. Quis o destino que ficassem em duas regiões vitivinícolas diferentes: Lisboa e Tejo. Só uma tem adega, mas as duas compartilham o compromisso do proprietário de fazer apenas vinhos de excepção.

TEXTO António Falcão           NOTAS DE PROVA Nuno de Oliveira Garcia            FOTOS Ricardo Gomez

O património da Romana Vini começa na Quinta do Porto Nogueira, que data da primeira metade do século XVIII e esteve sempre na posse da mesma família. Sem herdeiros, por volta de 1980, o último proprietário ofereceu a quinta à Academia das Ciências de Lisboa. Em 2002 é vendida aos actuais proprietários, António Barreira e sua mulher. O nome da empresa vem da ponte romana sobre o rio Arnóia, quase encostada à adega. O conjunto de edifícios é importante e é atravessado pela estrada que sai para sul de Alguber, a escassos 250 metros desta aldeia.
A outra propriedade chama-se Quinta da Escusa e uma parte dela já pertencia aos avós e aos pais dos actuais proprietários, que aí exerceram a agricultura e a viticultura ao longo de décadas. A área é sobretudo agrícola, vinha e muita floresta, mas existe ainda uma pequena adega na aldeia de Quintas.
Quis a sorte que a Quinta do Porto Nogueira ficasse na região de Lisboa (sub-região de Óbidos), no concelho do Cadaval, cerca de 60 Km a norte de Lisboa, em linha recta. É aqui que está a sede da exploração e onde chegam todas as uvas da casa. Incluindo as que vêm da Quinta da Escusa, que fica a 10/15 minutos de carro, mas está na região do Tejo e no concelho de Rio Maior. O produtor tem uma licença para vinificar tudo na mesma adega, um procedimento normal nestes casos.
Quem gere a Romana Vini é António Barreira, consultor de gestão e habituado a tudo o que é empresarial. E é sobretudo alguém que sabe fazer contas. Antes de se lançar nesta aventura, António estudou a sua lição e vai optar, desde o início, por uma estratégia arriscada: criar marcas premium baseadas em vinhos de muito alta qualidade. E é exactamente aqui que esta empresa produtora se destaca face a muitas outras deste país.

António Barreira (proprietário), Manuel Botelho (viticultura), António Ventura (enologia) e Filipe Catarino (residente em viticultura e enologia).

Dois terroirs a caminho do biológico

A vinha da Quinta do Porto Nogueira, com os edifícios da casa em segundo plano. Ao fundo, a povoação de Alguber.

A pergunta seguinte que António Barreira se colocou foi esta: como se fazem vinhos de ‘muito alta’ qualidade? Essa é fácil, bastando saber perguntar a quem sabe. E um dos que mais sabe neste país é sem dúvida António Ventura, um dos enólogos mais experientes deste país e que cada vez mais, na nossa opinião, está à vontade a fazer pequenos volumes, como é este o caso. Na viticultura está Manuel Botelho Moreira, um técnico da região já com bastante experiência e que faz uma perninha no ensino universitário, no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. No dia-a-dia da vinha e adega pontua Filipe Tomé Catarino, que faz o interface com os dois consultores. António Barreira vai-se informando, chegando à conclusão de que os “grandes vinhos são feitos de pequenos pormenores”.
E tudo começou na vinha, com a escolha dos melhores terroirs para cada uma das castas. Depois, tudo é feito para ter as videiras saudáveis e conseguir as melhores uvas possíveis. As práticas agrícolas para isso apontam: pouca mobilização do solo, não se usam herbicidas nem fertilizantes, apenas estrume natural. Manuel Botelho diz-nos ainda que “estamos também a reduzir os fungicidas e queremos, no futuro, deixar de os usar”. As vinhas estão em modo de produção integrada, mas há a intenção de as passar, em breve, para o modo biológico.
A empresa, já agora, tem tomado medidas para potenciar a biodiversidade e ser o mais sustentável possível. Por exemplo, diz-nos António Barreira, “toda a energia consumida na nossa adega é produzida em Porto Nogueira a partir de energia solar e conseguimos auto-suficiência energética”. As áreas de floresta que rodeiam a vinha, em ambas as quintas, estão certificadas pelas normas FSC – Forest Stewardship Council. A terceira cultura da casa, já agora, é a Pêra Rocha. Esta fruta, a vinha e a floresta são, portanto, os 3 pilares onde assenta a agricultura da casa.
No total estamos a falar de 27 hectares de vinha: 17 em Porto Nogueira, com terrenos argilosos, e 10 na Escusa, que possui solos mais arenosos. O encepamento é variado, mas a viticultura privilegiou as castas tintas na Escusa, onde o clima mais quente permite melhores maturações para os tintos. Quase toda a vinha é recente e, à excepção de uma pequenina parcela de vinha velha, as plantas mais antigas são de 2012. As mais recentes nem sequer estão em produção.

A importância dos pormenores

As instruções que Manuel Botelho recebe vão no sentido de “fazer as melhores uvas possíveis”. podas estão, logo no início, adaptadas ao perfil dos vinhos, e não existem restrições a nível de produção por hectare, gastos de mão-de-obra ou quaisquer outras. O pináculo desta estratégia chega na altura da vindima, onde há escolha de cachos no campo e depois na adega. Mas não acaba aqui: uma mesa de inox permite ainda a escolha de bagos. Não entra assim um bago de uva com defeito na adega. Um único. É por isso que António Ventura nos diz que “aqui tudo é fácil para o enólogo, com esta qualidade da uva”. Neste sentido, Ventura tem ainda o encargo de deixar que os vinhos reflictam o terroir onde nasceram as uvas. António Barreira não hesita neste aspecto: “quero que os nossos vinhos sejam verdadeiros”. Outra exigência do proprietário é que os vinhos consigam suportar o teste do tempo: “Trabalhamos também para vinhos longevos”, afirma, mas que quer ainda, ao longo das futuras vindimas, “consistência e comparabilidade“. Ou seja, fidelizar os seus consumidores mais assíduos, ano após ano.

Vista aérea da vinha da Quinta da Escusa.

A Romana Vini só usa as uvas próprias e nem todo o vinho vai para as marcas da casa: qualquer branco ou tinto que não seja de topo é vendido a terceiros. O resto do processo na adega é o normal e, como se calcula, não faltam equipamentos de qualidade. Incluindo o parque de barricas, das melhores marcas e proveniências.
As produção começou em 2015, com apenas 21 mil garrafas. Têm vindo a aumentar anualmente e para 2020 o objectivo é chegar às 45 mil garrafas. António Barreira espera conseguir atingir a velocidade de cruzeiro em 2022/2023, com 75 mil garrafas. E não quer mais. Nessa altura espera vender 60% no mercado de exportação, que já se iniciou na Alemanha, Bélgica, Canadá, Japão, França e EUA.
Na distribuição nacional, António Barreira trilhou também um caminho pouco usado: prefere trabalhar directamente na Grande Lisboa e na região Oeste, usando distribuidores apenas no resto do país. “se entregássemos toda a produção num distribuidor seríamos apenas mais um; assim conseguimos explicar os nossos vinhos aos compradores”, garante o gestor.

Estratégia arriscada, mas bem calculada

O portefólio da casa está também definido, sendo igual para as duas quintas. De um lado os vinhos de lote, do colheita ao Grande Reserva ou Grande Escolha. Por outro, um conjunto de monovarietais, “produzidos e engarrafados apenas em anos de uvas excepcionais”. Pelo meio, alguma coisa especial, como um espumante, que já existe e tem o nome de Berbereta (nome dado à borboleta em tempos que já lá vão) ou, quem sabe, um colheita tardia.
O leitor já calculou que, com estas exigências, os preços não podem ser baratos. É uma consequência da estratégia seguida e dos custos assumidos. Diga-se em abono da verdade que há muito vinho a ser vendido mais caro e não tem a qualidade e consistência da gama da Romana Vini. Os vinhos são sérios, bem feitos, distintos, e um sinal disto é que os prémios já começaram a chover, um pouco por todo o mundo.

Em força para o enoturismo

Para o futuro mais próximo, a empresa pretende fazer uma aposta muito forte no enoturismo. As instalações estão praticamente prontas e incluem vários quartos para hospedes. Uma visita rápida deixou-nos água na boca, com excelentes instalações e primorosa decoração, a cargo da mulher de António Barreira.
Fica assim completo o ciclo do vinho: vinha, adega, vinhos e agora o enoturismo. Só falta mesmo o mais importante, o estabelecimento da marca como um ponto de referência entre os enófilos com maior poder de compra. Os primeiros passos nesta estratégia já foram dados, com o lançamento de vinhos bem-apresentados e com inegável qualidade. O resto vai levar mais tempo, mas António Barreira já o sabe e não está muito preocupado. Todos os negócios têm os seus timings e este não é diferente: só precisa um pouco mais de tempo…

Instalações em Porto Nogueira, a anunciarem um ambicioso projecto enoturístico.

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Edição n.º32, Dezembro 2019

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L’and Vineyards: Terras, vinhas, vinhos, gastronomia e muito charme

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Um pequeno paraíso a apenas uma hora de Lisboa, em Montemor-o-Novo. O bem-estar e viver fora da confusão da capital, sob o sol generoso e o céu estrelado do Alentejo, com gastronomia refinada e no ambiente de luxo sóbrio. O L’and Vineyards é tudo isto e muito mais.

TEXTO Valeria Zeferino
FOTOS Ricardo Gomez e L’and Vineyards

É um projecto inovador com várias vertentes, cujo tema central é o vinho. Pertence à família Cunhal Sendim, onde um dos quatro irmãos, José de Sousa Cunhal Sendim, é responsável por este projecto que arrancou em 2008 como o primeiro condomínio do vinho em Portugal. Neste momento, estão vendidas 28 casas de diversas tipologias, das quais 4 são disponibilizadas para exploração turística sob a gestão do hotel. Os proprietários são estrangeiros e não vivem em Portugal, mas usufruem das suas casas 5 semanas por ano nas alturas escolhidas por eles.

Em 2011, ao empreendimento imobiliário juntou-se a vertente turística – hotel com um restaurante ambicioso. O projecto foi desenhado pelo reconhecido atelier de arquitectura Promontório, que faz projectos excepcionais em Portugal, Angola, Moçambique, Brasil, Estados Unidos, Suíça (entre muitos outros). A decoração dos interiores foi idealizada pelo arquitecto brasileiro Marcio Kogan. A simplicidade de linhas, a elegância de elementos decorativos e a integração com a natureza conferem distinção ao empreendimento.

Já foi considerado um dos 52 melhores novos hotéis pela revista norte-ameircana Travel&Leisure, pelo The Global Travel Experience Award na categoria de Melhor experiência de sono, entrou nos “Hot Lists” da Conde Nast Traveller dos 35 melhores hotéis e dos melhores Spas, obteve o prémio de Hotel Revelação pelo Guia Boa Cama Boa Mesa e foi distinguido pelos European Residential Property Awards nas categorias de “Melhor Arquitetura” e “Melhor Projecto”.

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As estrelas do Alentejo

A vinha à volta do hotel, bem como à frente de cada suite, e a adega que pode ser observada do hall e dos corredores do hotel, criam de imediato uma ligação ao vinho. Cada hóspede, ao entrar na sua suite, encontra uma garrafa de 375 ml de vinho com o seu nome no rótulo e um bilhete manuscrito a desejar boas-vindas. Um pequeno mimo da gerência que consiste na atenção de bem receber os visitantes, fazendo-os sentirem-se únicos e importantes e que neste lugar estavam à sua espera. Como sempre, os pequenos detalhes fazem grande diferença.

As 26 suites, com decoração minimalista e conforto intrínseco, têm duas tipologias – 16 de Land View e 10 de Sky View. Fazendo jus ao nome, nestas últimas, uma parte do tecto em cima da cama abre-se com um comando, deixando o azul do céu fazer parte da decoração  e permitindo observar as estrelas e a lua a partir da cama. O vidro também se pode abrir para respirar o puro ar alentejano. Para além de uma banheira com uma dimensão considerável, cada suite tem um pátio privado com uma “plunge pool” de água aquecida.

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O tema vínico está presente também no L’and Spa através de produtos Caudalie com ingredientes naturais, extraídos da vinha e do vinho, valorizados pelas suas propriedades antioxidantes, que contribuem para o bem-estar e a vitalidade. A Esfoliação Crushed Cabernet, o Envolvimento Mel e Vinho e o tratamento Vinoperfect – são apenas alguns exemplos de tratamentos de beleza. O Spa ainda conta com sauna e uma piscina interior aquecida.

Actualmente, 60% dos hóspedes são portugueses. Não é um hotel onde as famílias passem as férias de verão. É mais procurado para estadias curtas (1-2 dias) em busca de relaxamento, plena experiência enogastronómica e romantismo proporcionado pelo ambiente.

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Actividades vínicas e Wine Club

Os proprietários que têm vinha, fazem parte do Wine Club (de momento são 9). Pagam um fee anual e 400 euros por ano para lhes tratarem da vinha. Têm ainda direito a uma quantia de 50 a 100 garrafas, conforme acordado na aquisição da casa. O preço por garrafa varia: 5 euros se o vinho é produzido em inox, 7,50 se o vinho é produzido em madeira e 10 euros se pretendem fazer um blend específico. Os vinhos têm rótulos personalizados, com a imagem escolhida por cada membro do Wine Club.

Há várias actividades vínicas ao longo do ano e o calendário é enviado aos proprietários logo em Janeiro. A festa de vindima é o evento de maior dimensão, e este ano bateu recordes, reunindo cerca de 150 pessoas.

A seguir à apanha de uva, quem quer pode participar na sua selecção no tapete de escolha. Quem voltar no ano seguinte, recebe uma garrafa do vinho resultante desta vindima. Uma grande jantarada finaliza o dia, com música e convívio, com a lua a subir por trás do castelo de Montemor, deixando o seu reflexo no lago.

Para os hóspedes do hotel todos os dias às 17h no bar é realizada uma tertúlia dedicada a vinhos.

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Um restaurante alentejano com toque nórdico

O restaurante do L’and Vineyards é único no Alentejo que desde 2014 é destinguido com uma estrela pelo Guia Michelin (excepto o ano 2016). Com a saída do Chef Miguel Laffan, este ano o restaurante ficou liderado pelo chef José Tapadejo, que abraçou este desafio ambicioso com talento e determinação.

Os sabores regionais do Alentejo continuam a ser a inspiração principal. A localização permite o acesso fácil à matéria prima de melhor qualidade, como o peixe fresco de Setúbal e a carne de origem alentejana – o peru preto, o borrego merino, a vaca mertolenga e o porco alentejano. Mas também há novas interpretações e reinvenção dos pratos. Todas as vivências e experiências do Chef reflectem-se nas suas criações gastronómicas.

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José Tapadejo é alentejano, cresceu em Castelo de Vide. A sua mãe era cozinheira de profissão, mas devido aos horários complicados de trabalho, quem cozinhava em casa para os seus irmãos era José, que na altura tinha 15 anos. Descobrindo cedo a sua vocação, estudou Gestão e Produção de Cozinha na Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Portalegre (ESHTP), onde mais tarde regressou como professor. A sua carreira começou precisamente no L’and Vineyards com Miguel Laffan, onde chegou a subchefe. Em 2016 aceitou um convite para liderar um restaurante num pequeno hotel nos fiordes e rumou à Noruega. Foram dois anos a experienciar uma nova cultura e abordagem gastronómica. Em 2018 regressou e agora assumiu a responsabilidade pelo restaurante do L’and Vineyards. Se na Noruega trabalhou a cozinha escandinava com um toque português, agora trabalha a cozinha portuguesa com um toque nórdico.

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Um dos pratos, extremamente bem conseguido, une cavala fumada com caviar, aneto e funcho – intenso no sabor e delicado na textura transparece a influência da gastronomia do norte da Europa. A atenção às raízes (no sentido literal e figurado) está representada no prato com o mesmo nome e conjuga os sabores de beterraba, aipo e tupinambor, também conhecido como alcachofra de Jerusalém (é uma planta com tubérculo comestível). O prato de porco preto é acompanhado com couve romanesco e malva-de-cheiro (influência da infância do Chef). O risoto de Lula com raíz de salsa e parmesão mostrou-se saborosíssimo. Tal como o Pregado com alho negro, lima e salicórnia (uma planta suculenta de sabor salgado). Ou ainda o Lombo de vaca no ponto com mostarda dijon, cenouras e cogumelo shitake. Tudo é finalizado com sobremesas deliciosas.

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Um dos pratos, extremamente bem conseguido, une cavala fumada com caviar, aneto e funcho – intenso no sabor e delicado na textura transparece a influência da gastronomia do norte da Europa. A atenção às raízes (no sentido literal e figurado) está representada no prato com o mesmo nome e conjuga os sabores de beterraba, aipo e tupinambor, também conhecido como alcachofra de Jerusalém (é uma planta com tubérculo comestível). O prato de porco preto é acompanhado com couve romanesco e malva-de-cheiro (influência da infância do Chef). O risoto de Lula com raíz de salsa e parmesão mostrou-se saborosíssimo. Tal como o Pregado com alho negro, lima e salicórnia (uma planta suculenta de sabor salgado). Ou ainda o Lombo de vaca no ponto com mostarda dijon, cenouras e cogumelo shitake. Tudo é finalizado com sobremesas deliciosas.

A cozinha do Chef José Tapadejo é um equilíbrio de intensidades e texturas e funciona em tandem com as harmonizações propostas pelo sommelier Gonçalo Mendes, um dos poucos membros da equipa que está no restaurante praticamente desde o início. Na carta de vinhos, com fóco óbvio nos vinhos regionais e portugueses, há espaço para néctares provenientes de outros países. O resto do pessoal transparece simpatia natural e está à vontade para explicar os pormenores de pratos ou responder a alguma questão acerca dos seus ingredientes.

O preço do menu de degustação L’AND é 105 euros mais 55 pela harmonização com vinhos. O menu Viagem só com quatro momentos custa 75 euros e mais 40 euros pela harmonização.

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Aqui respira-se vinho

A produção de vinho não é a principal actividade do projecto, mas a sua parte integrante e inseparável. O vinho é produzido desde 2009 sob a batuta do reconhecido enólogo da região Paulo Laureano. Em 2013 iniciou-se a conversão de vinha para produção biológica, e foi certificada em 2016. Ultimamente o enólogo residente era João Ramos, que agora foi trabalhar para a Esporão. O novo enólogo residente será anunciado muito em breve.

O L’and é, literalmente, o vinho de casa. É produzido na adega inserida no espaço hoteleiro a partir das castas Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (25%) e Alicante Bouschet (25%) com um estágio de 12 meses em barricas de 225 litros de carvalho português de 2º ano. Pode ser adquirido no hotel pelo preço 22 euros e encontra-se na carta de vinhos do restaurante por 45 euros.

Mas há mais vinho produzido na família. O Paulo Sendim, um dos quatro irmãos, é produtor de vinhos desde 2003, plantando a sua vinha em 1999. Sempre acreditou que o trabalho principal é feito pelos agricultores e não pelos enólogos e em 2005, segundo o produtor, foi o primeiro no Alentejo a obter certificação de agricultura biológica. Nesta altura, a vinha também deixou de ser regada, pois está inserida numa zona húmida com o lençol freático muito alto. Na adega privilegia a fermentação espontânea com leveduras indígenas e tenta adicionar o menos possível de sulfuroso. No total conta com 19 hectares perto de Montemor-o-Novo, dos quais 18 são de castas tintas (Trincadeira, Aragonez, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e um pouco de Cabernet Sauvignon) e apenas um dedicado a castas brancas (Arinto com Verdelho da Madeira) e produz cerca de 7 mil garrafas de vinho. A gama Zebro foi buscar o seu nome de uma espécie de cavalo selvagem que vivia na Península Ibérica até ao século XVII.

O Zebro branco é feito de castas Arinto e Verdelho e esteve 6 meses sobre borras finas em inox. O Zebro blanc de noirs é produzido desde 2013 e é feito da casta Aragonês, vindimada muito cedo e logo prensada para obter sumo sem ganhar cor. Amoreira da Torre tem por base Aragonez e Trincadeira com um pouco de Cabernet Sauvignon. O Quinta da Amoreira da Torre Reserva é um bem conseguido dueto de Alicante Bouschet e Touriga Nacional. Fermentou em inox, depois fez a fermentação maloláctica em barricas usadas de 300 litros, onde estagiou um ano e mais um ano em garrafa.

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Edição Nº31, Novembro 2019

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Tão natural como a sua fome

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A moda dos vinhos naturais já chegou a Lisboa e deixou toda a gente de barriga cheia.

TEXTO Ricardo Dias Felner

No dia 20 de Dezembro de 2016, o chef António Galapito provou pela primeira vez uma garrafa de Serragghia Bianco 2013, da Sicília. Era o seu aniversário e desde então ele nunca mais olhou para o vinho da mesma maneira.
Esse momento, uma jornada vínica épica, acabaria por moldar a garrafeira daquele que viria a ser um dos maiores êxitos gastronómicos dos últimos anos, em Lisboa. Mal se estreou, em 2017, o seu restaurante Prado apostou numa carta de vinhos só com pequenos produtores e filosofia de intervenção mínima, a acompanhar a sua cozinha alternativa e ecológica. De então para cá, muita coisa mudou na capital e o Prado ganhou companhia. A cidade confirmou-se como um sítio onde tudo parecia possível, à semelhança de cidades como Paris, Copenhaga e Nova Iorque. E os vinhos naturais apareceram a acompanhar cada vez mais menus — ou o seu contrário. Muitos sommeliers, muitos empregados de mesa, ouviram desaforos de clientes indignados com “o vinho estragado”, mas na maioria dos casos a aposta correu bem.

Da Comida Independente ao Senhor Uva
Alguns dos projectos mais arrojados nasceram em sítios igualmente arrojados. Foi assim que Rita Santos Paul abriu a Comida Independente, em Santos, então uma zona pouco dada à culinária. A loja começou como uma mercearia, com muito do melhor que se faz no país — dos queijos aos enchidos, passando pelo legumes biológicos e pelas conservas —, mas rapidamente se transformou também num palco para vinhos preocupados com a sustentabilidade e para o petisco. Hoje em dia, há charcutaria artesanal, pratos com produtos biológicos a partir das 19 horas, conservas — e é obrigatório provar a famosa sandes de pastrami, feita na casa.
Igualmente periférico relativamente ao eixo Baixa-Chiado-Cais do Sodré é o bar-restaurante Senhor Uva. Situado na Lapa, perto do Jardim da Estrela, nasceu há oito meses e, actualmente, é difícil conseguir mesa, mesmo a meio da semana. A história é de alguma forma reveladora de uma nova imigração lisboeta, qualificada e jovem. Os donos são um casal de canadianos, ela Stephanie Audet, uma chef reconhecida em Montreal, especialista em cozinha vegetariana, ele Marc Davidson, adepto de vinhos naturais, o homem à frente da sala, sempre disponível para abrir qualquer garrafa para servir a copo.
Da cozinha aberta do Senhor Uva saem burratas com pólen de abelha, couves coração grelhadas ou tostas de centeio com puré de cherovia e rabanete fermentado. Da garrafeira, só constam vinhos de naturais, orgânicos ou biodinâmicos, um agradável constrangimento, diz Marc. O facto de Portugal só agora estar a acordar para este tipo de vinhos é um privilégio e uma “sorte”. “Temos acesso a vinhos que desapareceriam num segundo em qualquer outra grande capital, mesmo que ainda haja muito trabalho a ser feito para se conseguir mais produtores”, concretiza Marc.
A lista apresenta muitos dos vinhos portugueses que se repetem em todas as garrafeiras de nível, e os empregados falam de cada produtor como se fosse um amigo lá de casa. Mas são os rótulos estrangeiros a levar os maiores aplausos, como os vinhos de Jean Pierre Robinot, de Alice Bouvot, ambos franceses, ou os da estrela da região italiana de Friuli, Josko Gravner, mago dos chamados vinhos laranja — presença obrigatória em qualquer carta abrangente de vinhos naturais.

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Vinhos por quem sabe deles
Uma das últimas — e mais ambiciosas aberturas — foi o Wines by Heart. O nome, em inglês, situa desde logo o seu posicionamento no mercado e na cidade, estando instalado mesmo em cima da luxuosa e internacional Avenida da Liberdade. Propriedade de brasileiros experientes no sector, com Guilherme Corrêa à cabeça, premiado sommelier brasileiro (Best Brazilian Sommelier 2006 & 2009 ABS/ASI), a loja-restaurante inaugurada em Setembro foi buscar Rodrigo Osório, um chef com experiência Michelin (entre eles o três estrelas Piazza Duomo, em Alba, Itália) para dar sabor à sua garrafeira.
Aqui, não há exclusividade de vinhos naturais, mas 60 referências das 800 inscrevem-se neste conceito restrito e algumas são jóias raras e valiosas, como o Soldera Sangiovese 2013, com preço de 485 euros a garrafa. Outra originalidade é que não é o vinho que é escolhido para a comida, mas mais a comida que é escolhida para o vinho. A missão de Rodrigo “é entregar pratos que sejam ao mesmo tempo incríveis, transparentes na expressão da excelência dos ingredientes, e amigos do vinho”, concretiza Guilherme.
Independente de qual seja o posicionamento em matéria de vinhos de intervenção mínima, o facto é que eles vieram em força. E trouxeram boa comida com eles.

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Edição Nº30, Outubro 2019

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Douro tinto, a hora dos magníficos

São grandes tintos do Douro, mas são sobretudo grandes vinhos em qualquer parte do mundo. Em poucas décadas, muitos dos vinhos não fortificados da região saíram de um quase anonimato para se tornarem nomes distinguidos pelos apreciadores de todo o mundo. A viticultura de montanha e a enorme diversidade da região fazem do Douro um […]

São grandes tintos do Douro, mas são sobretudo grandes vinhos em qualquer parte do mundo. Em poucas décadas, muitos dos vinhos não fortificados da região saíram de um quase anonimato para se tornarem nomes distinguidos pelos apreciadores de todo o mundo. A viticultura de montanha e a enorme diversidade da região fazem do Douro um cadinho onde se constrói a excelência.

TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga

A região do Douro parece ter um íman, algo que atrai de forma irresistível quem se aproxima. Não são só os visitantes turistas, são também os profissionais do sector, sejam eles jornalistas, sommeliers, importadores, distribuidores e todos os apreciadores de vinho. A paisagem e as qualidades naturais da região para originar um grande vinho são razões que bastam para que a tal atracção não tenha parado de crescer nos últimos anos. É verdade que há um “visitante de raspão” que passa sem verdadeiramente entrar na região, que vê a paisagem do seu barco de turismo e que não chega a entender nada de nada, mas, e ainda bem, há cada vez mais turistas que querem ver, falar, palmilhar caminhos e descobrir os vinhos do Douro. Para um turismo de qualidade requer-se uma oferta que lhe corresponda e o Douro tem conhecido um enorme desenvolvimento neste campo. Todos beneficiam com isso. O tema da atracção poderia estender-se a uma quantidade de produtos que se dão muito bem na região, desde o azeite aos produtos hortícolas, dos citrinos aos frutos secos. Terra abençoada dizem uns, terra difícil e muitas vezes ingrata dizem os que lá vivem.

A produção de vinho DOC Douro interessa cada vez a mais produtores que tradicionalmente já eram produtores de uvas para Porto. Não se estranha assim que surjam constantemente novas marcas que procuram entrar no mercado em patamares elevados de preço, o que não é fácil. Não é fácil vender, desde logo por falta de empresas de distribuição dispostas a agarrar mais uma marca; e o consumidor precisa de reconhecer uma qualidade continuada à marca para estar disponível para pagar caro por uma garrafa. Muitos desses vinhos são editados em quantidades muito limitadas que, por outro lado, não chegam a todo o país. O tema é de difícil resolução e a oferta de vinhos DOC Douro a preços elevados é muito, muito grande. A qualidade poderá amplamente justificar o que se paga, mas esse não é o único factor a ter em conta na formação do preço de uma garrafa de vinho.

A região continua a produzir mais Vinho do Porto do que DOC Douro, com o Cima Corgo a ser a principal sub-região, logo seguida pelo Baixo Corgo e, bem mais abaixo, o Douro Superior. No total falamos, dados relativos a 2018, de cerca de 38,5 milhões de litros, sensivelmente metade do que a região produz em Vinho do Porto. Já em termos de vinho comercializado, o Douro já suplantou o Porto em virtude da lei do terço que obriga os operadores do Vinho do Porto a apenas poderem comercializar 1/3 do stock. Os vinhos IG Duriense (que conhecemos pelo nome de Vinhos Regionais) têm aqui uma expressão muito pequena, principalmente se comparados com outras regiões do país. Do ponto de vista das variedade de uva utilizadas, as principais são as tradicionais (ver caixa) e as castas vindas de fora (da região ou do país) são raramente plantadas. Temos assim uma área de vinha de cerca de 40 000 hectares aptos à produção de vinhos Douro e um pouco mais de mil agentes (1.082), que vão dos pequenos produtores-engarrafadores aos armazenistas (engarrafadores não vinificadores) e grandes empresas produtoras.

Da produção ao comércio

Os vinhos DOC Douro não são dos mais consumidos entre nós (estão bem atrás do Alentejo e Vinho Verde, por exemplo) mas são dos que têm mais procura em alguns segmentos do mercado, nomeadamente na gama média/alta dos apreciadores. Jaime Vaz, da Garrafeira Nacional em Lisboa, tem cerca de 500 referências de vinhos do Douro. Neste número incluem-se, naturalmente, várias colheitas da mesma marca (Pintas, Quinta do Vale Meão, por exemplo) e se pensarmos apenas em marcas diferentes, diz-nos Jaime, serão cerca de 400. O negócio de uma garrafeira é bem diferente do de uma grande superfície e aqui vêm sobretudo consumidores que são conhecedores e estrangeiros que procuram os grandes nomes da região. Não se estranha assim que cerca de metade dos vinhos que estão disponíveis nas prateleiras se situem numa gama de preço acima dos €40. A procura tem crescido, têm sido acrescentadas novas marcas mas nada que “dê vazão” à quantidade enorme de produtores que aparecem na loja com a expectativa de ali poderem vender os seus vinhos. As mais recentes entradas na lista da Garrafeira Nacional contemplam a Quinta da Vacaria, Quinta da Zaralhôa, Quinta do Côtto e Quinta do Vale da Perdiz (marca Cistus). Conseguir vender é o enorme desafio dos pequenos produtores.

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O negócio dos vinhos na região tem matizes que se têm alterado, tal como as condições climáticas. Tradicionalmente a zona do Baixo Corgo – fértil e com grande pluviosidade – era sobretudo a região onde se faziam vinhos do Porto das entradas de gama, onde se colhiam uvas com baixa graduação e pouca estrutura. A situação está a alterar-se com as mudanças climáticas e, ironicamente, para melhor. Segundo Paulo Ruão, enólogo da empresa Lavradores de Feitoria, a diminuição da chuva no Baixo Corgo veio a beneficiar os vinhos e, onde antes se encontravam vinhos com 11% de álcool hoje vendem-se com 13% e, mais importante, “os vinhos têm mais estrutura também por via de uma melhor viticultura; na zona de Mesão Frio, que está a ser cada vez mais procurada, conseguem-se comprar hoje vinhos de uma qualidade muito superior à que estávamos habituados há apenas 5 anos”. Este fenómeno liga-se directamente às alterações climáticas e, ainda segundo Paulo Ruão, “o desafio do futuro próximo é muito mais a adaptação das melhores castas do que a introdução da rega”.

É também esta a opinião de Manuel Vieira, enólogo consultor, que não se mostra muito preocupado com o futuro uma vez que “há que tirar partido do património de castas que temos e escolher as que melhor possam responder; também a localização das vinhas passará a ter uma importância fundamental e as encostas viradas a norte e as vinhas em altitude que outrora eram consideradas zonas menores, terão no futuro um papel fundamental”. Neste novo quadro é possível que se tenha de tomar mais atenção aos porta-enxertos, escolhendo sobretudo os mais resistentes à seca (que eram os que tradicionalmente e usavam na região) e é provável que algumas castas tendam a perder importância, como a Tinta Barroca, Tinta Amarela e Tinta Roriz. Ainda sobre o tema das castas, quer Manuel Vieira quer Paulo Ruão concordam com a capacidade da Touriga Nacional para responder a estes desafios mas há menos certezas em relação a castas que têm sido muito faladas como a Sousão, que precisa de clima fresco, como nos Verdes (Ruão) e a Alicante Bouschet que produz bem mas ainda é cedo para se perceber se será casta com muito futuro. E castas que antes amadureciam mal (como a Tinta Francisca) estão agora a dar muito boa resposta.

Há aqui um enorme desafio que se coloca às empresa e produtores: pesquisar, estudar e compreender muitas das castas antigas que estiveram “em arquivo” e apenas presentes nas vinhas velhas e que poderão responder bem às mudanças do clima. A região tem, no entanto, uma enorme vantagem, como salienta Paulo Ruão: o solo xistoso que permite a passagem das raízes entre os fragmentos da rocha e a capacidade do xisto de conservar alguma frescura mesmo em ambiente de pouca pluviosidade, são grandes vantagens, é algo de muito original no Douro”.

O negócio dos vinhos na região tem matizes que se têm alterado, tal como as condições climáticas. Tradicionalmente a zona do Baixo Corgo – fértil e com grande pluviosidade – era sobretudo a região onde se faziam vinhos do Porto das entradas de gama, onde se colhiam uvas com baixa graduação e pouca estrutura. A situação está a alterar-se com as mudanças climáticas e, ironicamente, para melhor. Segundo Paulo Ruão, enólogo da empresa Lavradores de Feitoria, a diminuição da chuva no Baixo Corgo veio a beneficiar os vinhos e, onde antes se encontravam vinhos com 11% de álcool hoje vendem-se com 13% e, mais importante, “os vinhos têm mais estrutura também por via de uma melhor viticultura; na zona de Mesão Frio, que está a ser cada vez mais procurada, conseguem-se comprar hoje vinhos de uma qualidade muito superior à que estávamos habituados há apenas 5 anos”. Este fenómeno liga-se directamente às alterações climáticas e, ainda segundo Paulo Ruão, “o desafio do futuro próximo é muito mais a adaptação das melhores castas do que a introdução da rega”.

É também esta a opinião de Manuel Vieira, enólogo consultor, que não se mostra muito preocupado com o futuro uma vez que “há que tirar partido do património de castas que temos e escolher as que melhor possam responder; também a localização das vinhas passará a ter uma importância fundamental e as encostas viradas a norte e as vinhas em altitude que outrora eram consideradas zonas menores, terão no futuro um papel fundamental”. Neste novo quadro é possível que se tenha de tomar mais atenção aos porta-enxertos, escolhendo sobretudo os mais resistentes à seca (que eram os que tradicionalmente e usavam na região) e é provável que algumas castas tendam a perder importância, como a Tinta Barroca, Tinta Amarela e Tinta Roriz. Ainda sobre o tema das castas, quer Manuel Vieira quer Paulo Ruão concordam com a capacidade da Touriga Nacional para responder a estes desafios mas há menos certezas em relação a castas que têm sido muito faladas como a Sousão, que precisa de clima fresco, como nos Verdes (Ruão) e a Alicante Bouschet que produz bem mas ainda é cedo para se perceber se será casta com muito futuro. E castas que antes amadureciam mal (como a Tinta Francisca) estão agora a dar muito boa resposta.

Há aqui um enorme desafio que se coloca às empresa e produtores: pesquisar, estudar e compreender muitas das castas antigas que estiveram “em arquivo” e apenas presentes nas vinhas velhas e que poderão responder bem às mudanças do clima. A região tem, no entanto, uma enorme vantagem, como salienta Paulo Ruão: o solo xistoso que permite a passagem das raízes entre os fragmentos da rocha e a capacidade do xisto de conservar alguma frescura mesmo em ambiente de pouca pluviosidade, são grandes vantagens, é algo de muito original no Douro”.

Desafios de futuro

Nos anos mais recentes a região conheceu um novo problema que em 2018 assumiu contornos de tragédia: a escassez de mão de obra na vindima. Os relatos que nos chegaram de produtores que queriam vindimar, tinham gente contratada e que no dia acordado tinham 5 pessoas quando tinham contratado 20 (este número é um mero exemplo) mostra bem o drama que se está a viver. O recurso a mão de obra estrangeira contratada apenas para a vindima não só é, dizem-nos, complicada do ponto de vista legal como tudo se agudiza por serem trabalhadores que vêm de países não produtores que de vinha nada percebem e de vinho não consomem. A solução, ainda com Paulo Ruão, tem duas direcções: pagar melhor a mão de obra e “já em 2019 notámos que por termos aumentado a jorna, tivemos menos dificuldade nos vindimadores e, nas zonas onde for possível, introduzir a máquina de vindimar”. As primeiras experiências no sentido da mecanização da vindima foram feitas pelo grupo Symington e os resultados são animadores. A Lavradores de Feitoria já usou este ano a vindima mecânica na zona vitícola do palácio de Mateus e os resultados, segundo Ruão, foram excelentes: “poder vindimar no dia e na hora que se quer, inclusivamente de noite, é um avanço tremendo; já estamos a rentabilizar a máquina alugando a produtores da zona.”

Charles e Rupert Symington estão a utilizar máquinas de vindimar em zonas difíceis com resultados animadores, sobretudo em patamares de um bardo. Não vai decorrer muito tempo para que se veja a replicação destas experiências.

Uma prova de excelência

Os vinhos que provámos são do melhor que se faz na região e em Portugal. Seria impossível estarem todos na nossa mesa de provas, mas percebe-se muito facilmente porque a região do Douro interessa a cada vez mais wine writers, winemakers, sommeliers e investidores estrangeiros. A originalidade do terroir do Douro é transmitida ao vinho e o que aqui tivemos é uma espécie de “passeio da fama” onde desfilam vinhos de enorme qualidade e carácter, vinhos que nos entusiasmam vivamente. O preço elevado a que muitos são vendidos é a certidão do reconhecimento nacional e internacional e reflecte a relação entre a oferta e a procura. São vinhos de excelência de uma região que, apesar dos desafios que enfrenta, atingiu já um elevadíssimo patamar. Sabendo que, com as condições de solo, clima, património varietal e sobretudo, dinamismo e talento dos seus viticólogos, enólogos e produtores, muito tem ainda para descobrir, crescer e oferecer aos apreciadores.

As tourigas e as outras

Tal como acontece com outras regiões, o Douro tem um universo muito extenso de variedades que podem entrar na composição dos lotes, quer de brancos quer de tintos. Nas vinhas velhas encontramos uma proliferação enorme de castas, algumas delas “esquecidas”, mas actualmente a conhecerem mais notoriedade, como a Alicante Bouschet, a Tinta Francisca, Tinta da Barca ou Tinta Carvalha, por exemplo. No entanto, apesar da escolha ser enorme, a verdade é que a história e a tradição foram impondo como mais importantes um conjunto relativamente restrito de castas. São estas que constituem a espinha dorsal dos tintos da região. Em primeiro lugar a Touriga Franca, desde sempre a casta mais plantada, a que mais adaptada está a um clima de intenso calor estival e de produtividade baixa; depois, a Touriga Nacional, com notável “boom” nos anos 90 e que veio a impor-se como casta diferenciadora, cada vez mais casada com a Touriga Franca. Muitos dos vinhos que avaliámos nesta prova resultam de lotes destas duas castas. A Tinta Roriz surge em seguida, já foi mais apreciada, mas continua a ser uma referência, fazendo parte do “núcleo duro” das castas durienses. Menos usada nos vinhos de topo, mas muito presente na região, a Tinta Amarela (Trincadeira). As castas “de tempero” estão a adquirir cada vez mais importância, como Sousão e Tinto Cão, agora acrescentadas das novas variedades renascidas, como a Donzelinho tinto, Bastardo, Casculho ou Malvasia Preta. A Tinta Barroca está tendencialmente a desaparecer dos vinhos DOC Douro sendo apenas usada para fazer Vinho do Porto. A produtividade, apesar de estar autorizada até aos 55hl/hectare, situa-se por norma nos 30 hectolitros, o que mostra a baixa produção que é característica da região.

Edição Nº31, Novembro 2019

Bairrada, a excelência em tons de branco

A Bairrada é uma pequena região de grandes vinhos. E a sua dimensão qualitativa vai muito além da notoriedade dos sólidos tintos de Baga e dos frescos espumantes. Na verdade, a Bairrada é uma das melhores regiões do país para produção de belíssimos vinhos brancos, com uma longevidade invejável. TEXTO Valéria Zeferino FOTOS Ricardo Gomez […]

A Bairrada é uma pequena região de grandes vinhos. E a sua dimensão qualitativa vai muito além da notoriedade dos sólidos tintos de Baga e dos frescos espumantes. Na verdade, a Bairrada é uma das melhores regiões do país para produção de belíssimos vinhos brancos, com uma longevidade invejável.

TEXTO Valéria Zeferino
FOTOS Ricardo Gomez

Há até quem considere que a Bairrada é mais região de brancos do que de tintos e é fácil de perceber porquê. A casta predominante na Bairrada é a Baga, que amadurece tarde, muitas vezes ultrapassando as chuvas de equinócio e, quanto a chuva se prolonga, nem sempre consegue a melhor performance. As castas brancas, amadurecendo mais cedo, têm mais condições para uma maturação perfeita e consistente de ano para ano.
Esta prova evidenciou que os vinhos brancos da Bairrada são de altíssima qualidade e que melhoram substancialmente com o tempo em garrafa.
Em termos quantitativos, os vinhos brancos certificados (sem contar com os vinhos base para espumantes) são em minoria e correspondem a cerca de 20% da produção na Bairrada (de 400 a 450 mil garrafas). Isto deve-se a uma menor popularidade de brancos entre os consumidores e, tirando os Vinhos Verdes, a verdade é que o tinto predomina em todas as regiões do país.Condições edafo-climáticas
A Bairrada está situada no centro litoral do país, orientada no sentido Norte-Sul entre as cidades Águeda e Coimbra e os rios Vouga e Mondego. A leste fica naturalmente demarcada pelas serras do Caramulo e do Buçaco e a oeste estende-se até à orla marítima que exerce forte influência atlântica na região. O clima é temperado, com verões não demasiado quentes, invernos brandos e moderada amplitude térmica anual. As temperaturas médias anuais situam-se entre os 12,5˚C e os 15˚C (em comparação, no Alentejo varia de 15˚C a 17,5˚C). A maioria das zonas da Região da Bairrada usufrui de cerca de 2.500 horas de sol por ano. A precipitação vai de 800 a 1600 mm/ano (este último valor está ao nível da região dos Vinhos Verdes), aumentando de Oeste para Este e concentrando-se nos meses de Outono e Inverno.
Trata-se uma região bastante plana com colinas pouco acentuadas. As vinhas encontram-se plantadas entre os 40 e 120 m de altitude, o que faz sentir a influência Atlântica em toda a região. Geologicamente é muito heterogénea e os solos variam em composição de argila e calcário, com algumas zonas arenosas. Os solos mais argilosos precisam de ser bem drenados e dificultam a sua mobilização e os com mais calcário apresentam cor esbranquiçada e uma maior pedregosidade. Actualmente, conta com cerca de 6000 hectares de vinha.Marcos históricos
A cultura da vinha na região remonta à época da Reconquista cristã aos Mouros que teve início no século VIII. Demonstrou um grande crescimento nos séculos X – XII graças a ordens monásticas.
A produção de vinho estagnou após a demarcação da região do Douro em 1756, quando o Marquês de Pombal decretou o arranque das vinhas nas margens e campinas dos rios Mondego e Vouga. Para além de proteger a origem dos Vinhos do Porto, queria substituir o cultivo da vinha na região, que era abundante, pelo cultivo dos cereais, pois o pão escasseava.
No início do sêculo XIX, lentamente, a vitivinicultura bairradina começou a recuperar, mas mal o vinho voltou a ser valorizado, muitos produtores gananciosos cederam à tentação de plantar vinha em terrenos impróprios. Isto levou à primeira tentativa da demarcação na Bairrada que foi feita pelo político e cientista António Augusto Aguiar em 1867, baseada na relação entre constituição geológica dos terrenos e tipos de vinho.
O vinho de melhor qualidade chamava-se “Vinho de Embarque” e era destinado à exportação, e o vinho de qualidade mais fraca – “Vinho de Consumo” para o mercado interno. Os vinhos brancos de embarque eram produzidos na margem esquerda do rio Cértima até Óis do Bairro, São Lourenço do Bairro e Mogofores. No século passado, a partir dos anos 20, na Bairrada começaram a proliferar as Caves (Irmãos Unidos/Caves São João, Caves do Barrocão, Cave Central da Bairrada, Caves Messias, Caves Aliança, Caves Valdarcos, Caves Borlido, Caves Neto Costa, Caves do Solar de S. Domingos entre outras) que não tendo vinha própria, compravam vinho feito e estagiavam-no nas suas instalações. E não eram vinhos provenientes só da Bairrada, loteavam-se com os vinhos de outras regiões, nomeadamente Ribatejo, Beiras, Douro e Trás-os-Montes. A maior parte do vinho vendia-se a granel, algum em garrafões e muito pouco em garrafas. Os principais mercados de venda, para além do interno, eram as antigas colónias.
Os anos 50 foram marcados pela criação de adegas cooperativas – Adega de Cantanhede, de Mealhada, de Souselas, de Mogofores e Vilarinho do bairro. Até aos dias de hoje sobreviveu apenas a primeira.
Em meados da década de 70 com a independência das colónias, os produtores tinham que procurar mercados alternativos. O vinho foi canalizado para o mercado da saudade nos países europeus (França, Bélgica, Luxemburgo, Suíça e Alemanha) e nas Américas (Estados Unidos, Canadá, Brasil e Venezuela). Mas só este mercado também não era sustentável a longo prazo, à medida que os emigrantes da primeira geração regressavam à Patria e os seus filhos tinham hábitos diferentes. Os novos destinos de exportação trouxeram maiores exigências em termos de qualidade e assim a pouco e pouco começou-se a investir na modernização: higiene, novos equipamentos, cubas de inox, controlo de temperatura, clarificação dos mostos. Esta revolução tecnológica, que se deu um pouco por todo o país, contribuiu para a qualidade crescente dos vinhos – com aromas mais limpos, vinhos menos oxidativos e com óptimo equilibrio.
Em 1979 a Bairrada foi reconhecida como Denominação de Origem e procedeu-se à sua demarcação oficial que recentemente festejou os 40 anos. Nas decadas 70 e 80 surgem os primeiros produtores engarrafadores, que produzem vinho da sua vinha e com a sua marca. A demarcação, embora tenha colidido com o negócio de volume, encorajou os pequenos e médios produtores a avançarem com os seus projectos próprios.
Luís Pato, Quinta das Bágeiras, Casa de Saima, Campolargo, Sidónio de Sousa, entre outros, deram credibilidade e potenciaram a nova imagem da Bairrada a partir do início do século XXI.A polémica Maria Gomes
De acordo com os dados da Comissão Vitivinícola da Bairrada, 70% a 75% uvas produzidas na região são tintas, deixando os restantes 25 a 30% para castas brancas. A mais expressiva em termos de plantação é a Maria Gomes, conhecida noutras regiões como Fernão Pires, seguida de Bical e Arinto. Nos últimos anos registou-se um incremento de Cercial e Sauvignon Blanc. O Chardonnay é bastante valorizado para a produção de espumantes.
O trio principal para um lote bairradino consiste em Maria Gomes, Bical e Cercial, onde cada variedade tem o seu papel. A Maria Gomes, sendo a mais aromática das três, é responsável pelos aromas, sobretudo nos primeiros anos. O Bical dá corpo e untuosidade ao vinho e o Cercial contribui com a estrutura acídica.
A casta Maria Gomes, conhecida também como Fernão Pires no resto do país e que é a casta branca mais cultivada a nível nacional. A sua origem é desconhecida, mas foi mencionada em 1788 relativamente às regiões Tejo, Beiras e Douro. Alguns produtores constatam que nos encepamentos antigos esta casta na Bairrada apresenta uma morfologia ligeiramente diferente e tem bagos mais pequenos, que, provavelmente, poderão ser alguns dos clones diferentes de outras regiões.Maria Gomes amadurece cedo e tem uma curta janela de vindima, pois acumula muito açúcar e perde rapidamente a acidez. Muitas vezes é mal-amada pelos enólogos. As “culpas” são exuberância aromática e falta de acidez. João Soares, o enólogo da Messias aponta as mesmas razões “baixa acidez e normalmente com potencial de guarda reduzido, é muito terpénica, não deixa reflectir o solo”.
O produtor Nuno do Ó também confessa que não morre de amores por esta casta, mas se trabalhar com ela, prefere apanhá-la mais cedo “com carácter mais mineral e menos exuberante”.
Já Mário Sérgio da Quinta das Bágeiras defende a casta que, embora tenha menos acidez, tem aromas interessantes de geleia e floral. E a sua experiência diz-lhe que a qualidade depende da quantidade de uva na videira. A casta naturalmente é muito produtiva e este aspecto tem que ser controlado. Frequentemente colhe Maria Gomes em óptimo estado de maturação, com 14% de álcool, e perfeito equilíbrio ácido, com 7,5 g/l de acidez total e 3 pH.
O experiente Luís Pato, exemplo para muitos produtores de dentro e fora da região, planta a Maria Gomes em solo arenoso para manter acidez (no barro dá vinhos mais gordos), mas com rega, porque a casta é muito sensível ao stress hídrico, “os bagos mirram ainda antes de amadurecerem”. É uma casta muito importante para vinhos de entrada de gama, fornecendo-lhes aromas imediatos e apelativos, mas também ser a base de vinhos de topo.A elegante Bical
Bical, também apelidada como Borrado das Moscas devido às pequenas manchas castanhas que apresentam os bagos maduros. É uma casta autóctone, situada maioritariamente nas regiões das Beiras. Por não ter o porte erecto, dificulta a vida dos viticultores. É muito sensível aos ataques de oídio na floração e a sua produção varia bastante de ano para ano. Comporta-se melhor em solos medianamente férteis, com boa drenagem e não muito alcalinos.
Amadurece mais tarde do que a Maria Gomes, em meados de Setembro e é resistente à podridão graças aos seus cachos com bagos soltos.
É mais neutra em termos aromáticos, confere estrutura e corpo ao vinho. Atinge menos grau alcoólico do que a Maria Gomes e tem menos acidez do que a Cercial. Também tem que ser colhida no momento certo, porque “facilmente perde acidez numa semana”, refere Luís Pato.
O enólogo da Casa de Saima, Paulo Nunes, que também trabalha muito no Dão, confessa que nunca plantaria Bical no Dão, mas que na Bairrada com o clima Atlântico e neblinas matinais frequentes preserva muito melhor a acidez.
Já João Soares é um fã da Bical. Para ele, é a casta que melhor mostra a região, com notas de barro, iodo, maresia, se for apanhada atempadamente. Quando sobremadura desenvolve notas tropicais e de goiabas. Com idade, os vinhos de Bical evoluem para resinas e cera de abelha, fazendo lembrar o cheiro de pranchas de surf. Acha que não tem grande aptidão para ir à barrica e apresenta grande capacidade de envelhecimento em garrafa que considera o mérito da região.
Nuno do Ó também gosta de Bical pela sua austeridade e potencial de guarda. Aguenta vinificação oxidativa (o mosto fica acastanhado por uns tempos, mas depois já não oxida). Utiliza prensa aberta, onde os chachos vão com engaço. Prefere barricas usadas, porque a casta já tem aromas de especiaria e o excesso de barrica não lhe fica bem. Com 2-3 anos de guarda os vinhos cheiram a barro molhado.A nova estrela: Cercial
Deve ser uma das castas cujo nome provoca mais confusão, não só no meio de consumidores, mas também na sua classificação e caracterização histórica. Cercial da Bairrada não é a mesma casta que Cerceal Branco utilizado no Dão e Douro, e também não tem nada a ver com Sercial da Madeira (que no continente é chamado Esgana Cão). Apenas a acidez natural elevada é comum a estas três castas, de resto são bem diferentes.
Amadurece relativamente tarde e é suceptível à podridão dos cachos devido à sua película bastante fina. Tem aroma discreto e enorme capacidade de envelhecimento.
Na opinião de João Soares, a Cercial, tal como Bical, é bastante neutra aromaticamente (fruta branca delicada com um toque de bechamel) , “transparecem atlanticidade”, mas a Cercial é mais vertical, mais tensa.
Mário Sérgio não tem dúvidas que Cercial é uma casta fabulosa. É capaz de, com 14% de álcool provável apresentar 8 g/l de acidez e 2,98 de pH. O problema é que apodrece com facilidade. Porta-se melhor em talhão estreme do que misturada com outras nas vinhas velhas (matura mais sedo e apodrece) e tem maior potencial. Ao envelhecer desenvolve os aromas de favos de mel. Produz relativamente pouco, 5 a 6 mil litros por hectare.
Segundo Luís Pato, a casta tem acidez vibrante, demonstra elegância e tem óptima aptidão para estágio em madeira.
Entre as outras uvas presentes nas vinhas bairradinas, releva a Arinto, que é uma casta nobre plantada em quase todo o país, conferindo acidez aos lotes em que entra. Na Bairrada amadurece mais tarde, nos finais de Setembro, é normalmente a última a ser vindimada, explica Nuno do Ó. Mostra o seu lado “mais salino, mais calcário, com frescura nervosa, o vinho é mais vertical e austero, menos gordo do que em Bucelas”.
Há ainda outras castas com menos expressão, como o Rabo de Ovelha que produz muito e tem cachos grandes, de maturação tardia e conhecida pela acidez alta. Sercialinho, que é muito aromática e com óptima acidez. E as castas internacionais, como Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Blanc e Viognier também são permitidas na legislação regional de DOC (com excepção da categoria Bairrada Clássico), sendo muitas vezes utilizadas em lote com as variedades tradicionais, mais raramente engarrafadas a solo.
Independentemente da casta, o terroir bairradino imprime o seu carácter nos vinhos ali produzidos, e os brancos da região, amplos, vibrantes, longevos, merecem toda a atenção do apreciador exigente.

Edição Nº30, Outubro 2019

Curral Atlantis: vinhos com sabor a mar

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text] O envolvimento da família Faria com o enólogo Paulo Laureano ao longo de duas décadas tem resultado num portefólio de vinhos de inquestionável qualidade e forte identidade, vinhos que expressam da melhor forma o inimitável terroir […]

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O envolvimento da família Faria com o enólogo Paulo Laureano ao longo de duas décadas tem resultado num portefólio de vinhos de inquestionável qualidade e forte identidade, vinhos que expressam da melhor forma o inimitável terroir da ilha do Pico.

TEXTO Luís Lopes

Há 20 anos, ninguém no Pico sonhava que um dia os brancos da ilha seriam louvados por jornalistas e consumidores exigentes e apresentados como exemplo de singularidade e distinção. Naquela época, o objectivo dos picarotos mais envolvidos com a vinha e o vinho não passava por fazer grandes vinhos brancos e exportá-los para o mundo. A ambição era outra, bem mais simples e prosaica: substituir progressivamente o chamado “vinho de cheiro”, elaborado a partir de videiras não viníferas e autorizado unicamente para consumo local, por vinhos tintos de castas “europeias”, capazes (acreditavam) de relançar a indústria vitivinícola da ilha.
Foi com esse objectivo que o mais experiente viveirista do continente, o alemão Jorge Bohm, fundador da Plansel, começou a visitar o Pico no sentido de ali inserir as suas plantas, enxertadas com as variedades clássicas europeias e com os híbridos desenvolvidos no centro de investigação de Geisenheim. Havia que encontrar uma casta tinta de ciclo curto que, nas condições extremas do clima local, originasse vinhos com taninos maduros e suaves. O seu principal cliente no Pico era Manuel Faria, proprietário de uma empresa de venda de produtos e alfaias agrícolas. Da relação comercial e de amizade entre os dois surgiu a ideia de criar uma empresa produtora de uva e vinho e assim nasceu a Curral Atlantis em 1995.
A dupla adquiriu terrenos e, com o apoio da Universidade de Évora, plantou 3 hectares de uma vinha experimental, com 24 castas, entre elas Viosinho, Chardonnay, Gouveio, Pinot Grigio, Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon e diversos híbridos, videiras que foram conduzidas de forma “moderna”, em espaldeira, ao invés dos currais tradicionais. Em 1997 chegou o enólogo Paulo Laureano para, a partir daí e ao longo dos anos seguintes, vinificar os frutos desta vinha e retirar conclusões técnicas e científicas que alicerçassem o projecto. Não levou muito a perceber que daquela amálgama de castas apenas a Viosinho e as variedades clássicas da ilha, nomeadamente Arinto, Verdelho e Terrantez (tudo castas brancas…) ofereciam as garantias de qualidade pretendida.

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A vinha é desafio permanente
O projecto Curral Atlantis inverteu assim o sentido original e, a partir de 2010, a aposta seria total na vinha e castas tradicionais. Adquiriram-se terrenos, limparam-se matos e reconstruiram-se os currais. Actualmente, a empresa dispõe de 42 hectares de vinha, dos quais 8 hectares em zona plana (outrora em espaldeira, agora transformados em condução baixa, sem arames) e os restantes espalhados pelos inconfundíveis currais de pedra vulcânica. Para além desta matéria prima, o produtor conta com mais 20 hectares alugados a viticultores da região.
Entretanto, a Curral Atlantis tornou-se numa sociedade totalmente familiar, com Manuel Faria a adquirir a parte de Jorge Böhm e a integrar os seus filhos Marco e Rui no dia a dia da empresa. Com o actual “buzz” em torno dos vinhos do Pico e as vendas a crescerem no País e em diversos mercados internacionais, impõe-se agora a construção de uma nova adega, que estará pronta em 2020, primeiro a área de vinificação, mais tarde o enoturismo. Em velocidade de cruzeiro, o projecto conta produzir 250 mil garrafas/ano. A nova adega vai fornecer outras ferramentas a Paulo Laureano para afinar o perfil dos vinhos. O enólogo quer dar consistência ao que existe mas também fazer coisas diferentes (“precisamos saber até onde podemos ir no Arinto e no Verdelho”, diz) e dar outras condições de estágio aos licorosos (que, em rigor, o não são, pois o Curral Atlantis “licoroso” é um branco doce natural, sem adição de aguardente, como é tradição de alguns produtores do Pico).

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Mas também na vinha há muito por fazer. “Os desafios vitivinícolas no Pico são diferentes dos de há 20 anos”, refere. “Temos um terroir extraordinário, mas com enorme dificuldade de maneio e, paralelamente, muita falta de mão de obra. Precisamos controlar de forma mais adequada os infestantes, melhorar a resiliência das plantas e optimizar a produção – que não passa de 1,5 ou 2 kg por cepa”, enumera Paulo Laureano.
Fazer vinha e produzir vinho no Pico não é para qualquer um, é bem evidente. A Natureza impõe-se aqui de forma esmagadora, nada é oferecido, tudo é alcançado com muito labor e cuidados. Mais uma razão para que os produtores da ilha aprendam, cada vez mais, a trabalhar em conjunto em torno de objectivos comuns.

[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”30″][image_with_animation image_url=”40754″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

“Há que saber comunicar e vender a forte identidade vínica do local”, diz Paulo Laureano. “Para o conseguirmos, salvaguardando o modelo de negócio e o estilo de cada um, deveremos todos caminhar no mesmo sentido, valorizando o Pico e os seus vinhos”. Nada mais certo.

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Edição Nº30, Outubro 2019

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Casa Cadaval: A nobreza num copo de vinho

Ocupando uma parte da povoação a norte de Muge, a Casa Cadaval é um dos mais antigos e prestigiados produtores de vinho da região do Tejo. Tem nobres pergaminhos na sua história, nacionais e internacionais, e os vinhos seguem o mesmo caminho, com carácter, qualidade e polimento de mãos dadas. TEXTO António Falcão NOTAS DE […]

Ocupando uma parte da povoação a norte de Muge, a Casa Cadaval é um dos mais antigos e prestigiados produtores de vinho da região do Tejo. Tem nobres pergaminhos na sua história, nacionais e internacionais, e os vinhos seguem o mesmo caminho, com carácter, qualidade e polimento de mãos dadas.

TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA Mariana Lopes
FOTOGRAFIAS Ricardo Gomez

Teresa Schönborn é descendente de nobreza nacional, mas ostenta ainda o título de Condessa de Schönborn e Wiesentheid, um título germânico com centenas de anos de história. Teresa teve uma educação esmerada e fala sete línguas diferentes, mas a sua maneira de ser dificilmente poderia transmitir mais simpatia e simplicidade. Como administradora da Casa Cadaval, esta executiva passa parte do seu dia no meio de tractores, estradas poeirentas, gado e cavalos, vinhas e adega. E aqui sente-se feliz, conseguindo ainda ser pessoa muito respeitada na zona, até porque muito tem ajudado a freguesia de Muge, do concelho de Salvaterra de Magos, em pleno Ribatejo.
Esta é uma casa com centenas de anos de história ilustre. Pertenceu a D. Nuno Álvares Pereira de Melo, personagem de grande relevo na história de Portugal e nomeado 1º Duque do Cadaval, em 1648 (não confundir com o general que derrotou Castela em Aljubarrota).
Teresa Schönborn é descendente desta família e o nome alemão vem do casamento de sua mãe, Graziela Álvares Pereira de Melo, com Friedrich Karl Anton, conde de Schönborn-Wiesentheid. A família possui vinhas na Alemanha, na Francónia (bem no coração do país) e no Reno, mais para o lado da França. “Já se faz lá vinho há 800 anos!”, graceja Teresa.
Por cá o terreno é muito maior. De facto, a Casa Cadaval é uma das maiores explorações agrícolas nacionais, com quase 5.000 hectares de terra. Sem contar com o pessoal adstrito à já famosa coudelaria de cavalos lusitanos (que data de pelo menos 1648!), aqui trabalham em permanência 37 pessoas, geridas por António Saldanha, o braço direito de Teresa. Para lá dos tractoristas da casa, que são muitos, a maior parte dos tratamentos e amanhos da vinha são realizados por pessoal de fora.
A herdade abrange muitas culturas – arroz e outros cereais, leguminosas, como tomate, gado de carne, uma enorme floresta de montado e, claro, vinha. Possui cerca de mil hectares de terra extremamente fértil e com abundância de água, dois factores que marcam fortemente a riqueza de uma exploração agrícola e o respectivo valor dessas terras. É por isso que o negócio do vinho nem sequer é o mais importante da Casa Cadaval. “A vinha (e o vinho) dá dinheiro, mas também muito trabalho”, diz-nos Teresa. No entanto, a maioria dos solos da Herdade de Muge é relativamente pobre e é exactamente aí que reside o enorme montado… e a vinha.

Um pulo às vinhas
Vinha e adega estão a cargo de Raquel Santos, a enóloga residente, e do consultor Mário Andrade, conhecido enólogo com um grande pendor na viticultura. Raquel entrou há cerca de um ano, vinda do Alentejo, mas a sua origem é do Dão e tem avô e pai viticultores. Ou seja, dois enólogos que adoram estar nos 45 hectares de vinha, espalhadas por três manchas: Adua, Serradinha e Amoreira. A primeira é a maior, a que tem a vinha mais velha e é onde estão, diz Raquel, “as castas com maior importância para nós”. Ou seja, é da Adua que saem os monocastas da casa, o topo de gama Marquesa de Cadaval, e por aí fora. As melhores partes e as uvas brancas são vindimadas à mão, juntamente com as vinhas muito jovens; o resto fica para uma máquina, alugada.
A vinha mais velha é de Trincadeira e data ainda de tempos antigos, quando a Casa Cadaval chegou a possuir 416 hectares de vinha, numa zona de areias. Na altura da plantação as coisas foram feitas a preceito, com a consultoria de técnicos franceses. A uva ia para vinho a granel e foi só por acção do pai de Teresa (e da avó) que a situação mudou, apostando-se antes em vinho com outras exigências de qualidade. Friedrich Karl Anton era, aliás, um “estudioso da vinha”, diz a filha. A área de vinha foi assim sofrendo reduções sucessivas. Com a nova vinha, e uma parcela de velha, o produtor começou a enviar vinho para a Alemanha, para a adega do pai de Teresa, onde era engarrafado com o rótulo Casa Cadaval. Isto por volta de 1975/1976. Por isso é que a marca tardou alguns anos a ser conhecida por cá, coisa que terá acontecido só por volta do início dos anos 80, altura em que existiam ainda muito poucas marcas no mercado português.
A era moderna da produção de vinho começou com o pai de Teresa, Friedrich, que, à semelhança do que acontecia na Alemanha, achava que as vinha tinha que ser plantada por castas e também que seriam feitos vinhos monovarietais. Hoje é corriqueiro, mas na altura era quase revolucionário. A Casa Cadaval foi assim das primeiras a lançar vinhos de uma só casta. E nas castas tintas apareceu Trincadeira, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Merlot, e, nas brancas, a casta bem típica do Ribatejo, o Fernão Pires. Só bem mais tarde aparecem, por exemplo, outras castas brancas, como Riesling, Viognier e Verdelho.

Os solos de areia
Nos solos predominam as areias, algumas partes com argila no subsolo. Sondas colocadas o ano passado mostram bem os teores de humidade a um metro de fundo e têm ajudado muito os técnicos a planear a rega: “evitamos estar a regar demais ou de menos”, declara Mário. Aqui não há problema de falta de água. A enorme barragem, ao pé da sede agrícola da casa, os canais interiores e a proximidade ao Tejo asseguram que, mesmo nos Verões mais secos, exista sempre água em abundância. E o subsolo é também rico.
Ainda assim, a maioria da vinha está em solos com pouca fertilidade: “em média não conseguimos mais de 5 a 6 toneladas por hectare”, diz-nos Raquel. A técnica sabe que é pouco e que será bom para vinhos de qualidade, mas gostava de ter mais, mantendo o equilíbrio das uvas produzidas. Mário Andrade está de acordo e acrescenta: “aqui, com clima quente e solo pobre, até convém ter os bagos um pouco maiores, porque resistem melhor à seca e aos golpes de calor. Os antigos já o sabiam”.
Apesar de nenhuma vinha estar em terras de aluvião, Mário acredita que estes solos muito férteis são “excepcionais” para vinhos brancos, dando vinhos mais aromáticos e com menos taninos”. Para tintos, é melhor a charneca, a zona de solos mais pobres, que “dá vinhos mais estruturados e com mais taninos”.

À procura daquele solo especial
Mário e Raquel enfrentam, entretanto, num novo desafio, que é o de encontrar o espaço certo para plantar uma nova vinha. Já fizeram vários ensaios, em locais diferentes, mas até agora nenhum conseguiu reunir as condições certas para os requisitos dos técnicos. Os técnicos procuram, em termos muito simples, uma boa parcela, com solos de estrutura e perfil diferentes (para melhor) das existentes. Existe ainda muita terra para explorar e os ensaios vão continuar, porque esta não vai ser apenas mais uma vinha: “tem que ser boa e identitária”, diz Mário Andrade.
Com tanta mexida no campo, Raquel diz-nos que, no último ano, passou mais tempo na vinha que na adega. E vai conseguindo bons sucessos: as podas feitas este ano, por exemplo, foram de correcção. E o resultado foi muito bom, deixando Raquel muito contente: “Via-se que as plantas estavam mais felizes”, gracejou a técnica, enquanto nos dirigíamos para a adega.

Uma adega em remodelação
A adega foi em tempos concebida para vinificar milhares de toneladas de uva, por isso espaço é coisa que não falta. Chegaram-se a vinificar aqui 4 milhões de litros por ano e tudo estava em cimento, como era tradição, em quatro grandes alas. Muita coisa já mudou, entretanto, e outras vão mudar ainda nos próximos tempos. A traça original e vários depósitos vão-se manter, mas o laboratório desce do primeiro andar para o rés-do-chão e as seis prensas Titan – da Casa Hipólito, com 50 anos de idade – vão ser recuperadas. “São óptimas para tintos”, diz Mário.
Descemos ao piso subterrâneo, onde existem tegões de recepção, depósitos e muita maquinaria antiga, que vão sofrer remodelações e restaurações. É aqui que vão passar a ficar as barricas, até porque é o sítio mais fresco. Mário Andrade já espiolhou tudo e fica espantado com o planeamento da adega na altura e com algumas soluções engenhosas. Parece que, de facto, toda a adega foi planeada de raiz por enólogos franceses, há muitas décadas atrás. O enólogo acha que a adega é uma pequena jóia da arqueologia industrial.
De resto, Mário e Raquel são adeptos de vinificações minimalistas e das leveduras indígenas, sempre que possível. “É tudo o mais simples possível”, garante Mário Andrade, que fez centenas de testes ao longo dos anos e os vinhos feitos com métodos mais naturais (os testemunhas) estavam sempre entre os melhores. Por isso a receita é ter “uvas sãs, higiene e deixar correr o processo natural; dá menos trabalho, é mais barato e dá melhores resultados”.

Enoturismo a toda a força
Quem trata de toda a estratégia comercial e de marketing é Cátia Casadinho, com muita experiência nacional e internacional. Cátia organiza ainda o enoturismo da casa, com uma bela loja de vinhos, de generosas dimensões. A loja tem cada vez mais visitas, o resultado, diz Cátia, da crescente notoriedade turística de Portugal (e do seu vinho). As próprias agências pedem visitas, até porque a distância para a capital não é muita (75 km).
Na altura da nossa visita, um grupo de franceses tinha acabado de entrar, atraídos pelo sinal da loja de vinhos. É frequente fazerem aqui vários programas à volta do vinho (ver em www.casacadaval.pt), várias vezes com actividades complementares, como o baptismo de montar um cavalo lusitano, ou conhecer o montado de sobro. “Criamos aqui uma sinergia que acaba por gerar muita curiosidade nas visitas e é para nós uma mais-valia”, diz-nos Cátia. Outros atractivo é, por exemplo, a arqueologia. Prova disso são as vitrines na recepção com toda a espécie de artefactos de várias idades – do neolítico à época romana – encontrados um pouco por toda a herdade. Quase a querer dizer que, de facto, esta casa tem bem mais do que os 400 anos de história…

Edição Nº30, Outubro 2019

Reynolds Wine Growers: O oásis de um homem de paixões

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]À frente da Reynolds está um empreendedor que não tem mãos a medir, de uma energia invejável. Julian Reynolds sabe bem o quer, desde muito cedo, e isso transparece nos vinhos criados à sua imagem e à dos seus antepassados.

TEXTO E NOTAS DE PROVA Mariana Lopes

Estávamos no Monte da Figueira de Cima, em Arronches, e uma das primeiras coisas que Julian Reynolds nos desvendou foi “gosto muito da estética das coisas e de desfrutar delas”. Nota-se, a vinha junto às casas, culminando num monte de sobreiros, é um autêntico jardim de flores e as paredes caiadas a branco, com o friso azul a subir desde a base, estão imaculadas. Não há um canto desarranjado nem um telhado desalinhado. Os bonsais são uma das suas grandes paixões e sabe tudo sobre eles. O interior dos edifícios está recheado de belas obras de arte. Afinal, a formação original de Julian é em Belas Artes (o seu tio Joshua Reynolds fundou The Royal Academy of Arts), passando pelo Cinema (trabalhou seis anos na Columbia Pictures), e também pela Economia, um homem de sete ofícios que já fez de tudo um pouco. Agora, assentou no Alentejo e dedica-se ao vinho, ainda gerindo outros negócios à distância. “Sinto-me responsável pela beleza do Mundo”, disse Julian, com um sorriso sereno, parafraseando o imperador romano Adriano.

O nome Reynolds vem dos seus antecessores ingleses. Tudo começou quando, em 1820, o marinheiro e comerciante Thomas Reynolds chegou a Portugal atraído pelo negócio do vinho e pelas trocas comerciais entre Inglaterra e a Península Ibérica. Em 1838, Thomas e os seus filhos dedicam-se à indústria corticeira em Portugal e Espanha, especificamente em Albuquerque (apenas a 28km, em linha recta, de Arronches), local onde, entretanto, nasceram onze antepassados de Julian. Já em 1850, a família fixa-se em Estremoz. Alguns partiram, depois, para a Nova Zelândia com ovelhas merinas “debaixo do braço”, sem nunca mais voltar. Mas Robert, um dos filhos de Thomas, ficou e, com o mesmo espírito empreendedor que Julian herdou, toma conta dos negócios e cria mais uns tantos, adquirindo novas terras e produzindo ali vinhos de qualidade. Alguns Reynolds depois, nasce Gloria, mãe de Julian e talentosa violinista, e é a ela que este dedica o seu trabalho quando chega ali e compra a propriedade em 1996, criando em 2002 um vinho que leva o seu nome no rótulo: Gloria Reynolds. “Nessa altura, poucos faziam vinho nesta zona, apenas a Adega Cooperativa e a Tapada do Chaves”, contou Julian.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][image_with_animation image_url=”40724″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_column_text]DA SERRA À ADEGA, COM CONVICÇÃO

Como afirmou o produtor, “A História é importante mas o essencial é o que se faz agora, e como se faz”. Não há dúvidas de que estamos num local largamente influenciado pelo microclima da Serra de São Mamede. O vento que sentimos diz-nos isso e é bem-vindo, ajudando as videiras a prevenir-se de doenças. Entre os 200 hectares totais, com gado e plantações diversas, 40 são de vinha, até aos 420 metros de altitude, mais doze na Serra, até aos 600. “Altitude, boa drenagem, solos bastante minerais, excelente exposição e grande amplitude térmica é o que temos aqui, e o que se reflecte nos vinhos”, explicou o proprietário, que também revelou ter comprado aqueles terrenos a conselho do enólogo Francisco Colaço do Rosário. Os solos são xistosos, mas comportam em si muita variedade mineral, incluindo pedras de cariz vulcânico, e Julian lembrou que aquela área tem forte tradição mineira. Para obter mais concentração, reduzem a produção dos vinhedos, onde a casta mais presente é a Alicante Bouschet, bem como nos vinhos, e isso tem uma explicação: foi o bisavô e o seu irmão que trouxeram esta uva para o Alentejo, no século XIX. É caso para dizer “that’s quite a big deal”! Tanto que Julian afirma, e concretiza, “Quero que o Alicante seja a identidade dos nossos vinhos tintos”. Afinal, está-lhe “no sangue”. Mas também outras uvas tintas tradicionais da região marcam presença, como a Trincadeira, o Aragonez e o Cabernet Sauvignon, e brancas como Antão Vaz e Arinto. Quem pega em todas elas e as transforma em vinho são os enólogos Nelson Martins, braço direito de Julian no projecto, e Ana Real. Mas em todos eles se vê a mão do produtor, que sabe muito bem o que quer e transmiti-lo à sua equipa. “Fui criticado por lançar um Arinto, na altura em que estava a começar o projecto, porque me diziam ser uma casta desprezível, que só tinha boa expressão na costa atlântica”, confessou. Estamos a falar de uma casta que, hoje em dia, sabemos ser a branca mais viajável por todo o país, mas é perceptível que um dos grandes segredos do sucesso da Reynolds Wine Growers é a convicção de quem a gere.
O processo de produção está praticamente todo ali, incluindo linha de engarrafamento. A adega está num dos edifícios mais antigos, que outrora foi estábulo de bois, e que agora tem mais de duas dezenas de cubas da tanoaria francesa Seguin Moreau. Debaixo delas, um chão de ardósia com porosidade nula, que ao ser regado mantém a água na superfície e arrefece o ambiente, humidificando-o. Aliás, este é uma das industrias de Julian, a ardósia, e este conhece-a bem. A manutenção destas condições ideais de climatização é muito importante para a Reynolds, que é conhecida por fazer estágios bastante prolongados dos seus vinhos premium, em madeira e em garrafa. “É no campo da excelência e do bom gosto que me sinto confortável”, disse Julian, “e devo tudo à minha equipa, sem eles não faço nada e, aqui, todos ajudam em tudo”. A Reynolds, que produz cerca de 200 mil garrafas por ano, tem três marcas no mercado: Carlos Reynolds (o nome do filho de Julian, entrada de gama), Julian Reynolds e Gloria Reynolds (em anos de “excelente colheita”). Também um licoroso de Alicante Bouschet muito interessante faz parte do portefólio, Robert R. Reynolds, com notas de café e chocolate negro.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][image_with_animation image_url=”40723″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_column_text]SUSTENTABILIDADE DISCRETA

Além do tratamento de águas e reutilização, e da produção da própria electricidade, a Reynolds Wine Growers adopta medidas sustentáveis na viticultura que, actualmente, está em produção integrada. Contam com vários instrumentos tecnológicos, para melhor planificar a estratégia do ano vitivinícola, como estação meteorológica, sondas de humidade de solo, sondas de humidade das folhas e sondas de condutividade do solo. Não fazem tratamentos com nada vindo de fora da Herdade. Para fertilizar o solo produzem, “em casa”, uma massa orgânica composta por restos das podas, coberto vegetal e resíduos de vinificação, como bagaços e borras, juntamente com estrume dos animais. Isto também permite uma maior oxigenação e hidratação do solo. Já durante o desenvolvimento vegetativo, utilizam choques de aminoácidos provenientes das leveduras indígenas. Para conviver com as doenças e as pragas, na vinha, favorecem o aparecimento de predadores naturais. Isso é feito através da construção de abrigos naturais para coelhos, com restos de poda, pois a multiplicação dos coelhos leva ao aparecimento de aves de rapina que, por sua vez, afugentam pequenas aves que consomem as uvas. Utilizam cobre e enxofre de forma muito limitada e, para o evitar, aplicam infusões de plantas. Fazem, também, várias podas em verde para que haja mais arejamento das plantas, eliminando a humidade nas folhas e, consequentemente, evitar o desenvolvimento de fungos. Quanto ao gado, não têm mais do que podem alimentar com a própria plantação.
Julian, que emana uma aura positiva detectável a milhas, declarou: “Hoje, aqui, a fazer o que faço, estou de férias, porque foi pelas fantásticas férias que passava em Portugal, na minha infância, que decidi voltar e ficar. Mas não paro, a minha tarefa é continuar a procurar identidade”.[/vc_column_text][divider line_type=”No Line” custom_height=”10″][vc_text_separator title=”VINHOS EM PROVA”][vc_column_text]

[/vc_column_text][vc_column_text]

Edição Nº28, Agosto 2019

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