Cortes de Cima: Direito ao Atlântico

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text] A menos de três quilómetros do mar, equidistante de Vila Nova de Milfontes, encontramos vinhas defronte do lindíssimo vale do Rio Mira e miramos um verdadeiro Alentejo atlântico, a última fronteira na produção de vinhos em […]

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A menos de três quilómetros do mar, equidistante de Vila Nova de Milfontes, encontramos vinhas defronte do lindíssimo vale do Rio Mira e miramos um verdadeiro Alentejo atlântico, a última fronteira na produção de vinhos em frescura e sedução.

TEXTO Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS Cortesia do Produtor

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Imagine-se passar a ponte do rio Mira em direção ao sul, deixando Vila Nova de Milfontes atrás, e, em pleno Parque Natural da Costa Vicentina, encontrar um vale com vinhas plantadas em solos de areia com o rio Mira ao fundo, serpenteando. Foi neste território praticamente inexplorado em termos de viticultura que, em 2008, Hans e Carrie Jorgensen decidiram comprar terrenos para complementar o seu projeto na Vidigueira (centrado quase exclusivamente em tintos, com a excepção de Viognier), ao mesmo tempo que buscavam condições de produção de vinho significativamente mais frescas que o restante Alentejo. A este respeito, note-se que a diferença média de temperatura entre Vila Nova de Milfontes e Vidigueira é de cerca de 10ºC, dado verdadeiramente revelador das diferentes condições climatéricas da região!
As primeiras vinhas foram plantadas em solos de areia amarela, com alguma pedra rolada e substrato de argila, com plantas de Chardonnay, Sauvignon Blanc e Pinot Noir, três castas típicas do Novo Mundo à beira mar plantado (do Chile à Nova Zelândia, passando pela África do Sul). Entretanto, mais terra foi adquirida, tarefa nem sempre fácil na área, dada a concorrência de produtores de fruta e hortícolas em estufas. As mais recentes plantações privilegiam já uvas tintas como Syrah, Aragonês e até Jaen, todas em solos de areia cinzenta. Das duas primeiras castas, espera-se um perfil diferente dos vinhos produzidos na Vidigueira, da última pretende exotismo e diferença. Nas novas plantações, o solo mantém-se de origem arenosa, com muita drenagem e pouco material orgânico. Actualmente, são já mais de 60 hectares de vinha plantada, espalhadas por três parcelas: Zambujeira Velha com 19ha, plantados em 2008, Zambujeira Nova com 16,5ha plantados em 2009 e Vinha das Furnas com 24ha, de castas tintas plantadas em 2016.

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No que respeita à vinificação, o maior problema é sanitário pois os nevoeiros matinais podem contribuir com algumas doenças para as castas menos resistentes, como tem sido o caso do Chardonnay, pelo que a palavra de ordem é prevenção e rápida intervenção. A enologia mantém-se a cargo do experiente Hamilton Reis, que trabalha para a empresa há mais uma década, sendo que Anna – filha de Hans e Carrie, e com várias vindimas já um pouco por todo o mundo – monitoriza a operação com mestria e confiança. Pelo que vimos, Hamilton e Anna são mesmo uma dupla a ter em conta em Cortes de Cima.
Tivemos a oportunidade recente de provar todos os vinhos produzidos neste terroir tão específico, quer em versão monocasta, quer em mistura com variedades e uvas plantadas na Vidigueira (caso dos Dois Terroirs recentemente lançados no mercado e abaixo provados). Verdadeiramente espantosa é a evolução dos Sauvignon Blanc provados, com os melhores exemplares a serem os das colheitas de 2013 (bela acidez, jovem ainda e com enorme final) e de 2014 (perfil menos fresco, mas com muito sabor no centro de boca e ainda alguma mineralidade). Igualmente em forma esteve a colheita de 2015 (com notas de lima e gengibre, compacto em boca e com agradável amargo final), sendo que os mais novos – 2016 e 2017, inclusive – revelaram um inevitável fruto jovem exótico e notas primárias muito sedutoras.
A mesma evolução positiva foi confirmada nos Alvarinhos – das colheitas de 2014 a 2017, inclusive –, com destaque para o vinho de 2015, muito tenso e jovem, tudo indicando um futuro radioso. Aliás, no que respeita à casta minhota, é interessante notar que mantém no Alentejo litoral o perfil aromático habitual (com notas de pera e citrino maduro), conjugado, todavia, com um corpo mais amplo e um final de boca muito preenchido. Provámos ainda as três edições do Pinot Noir – 2014 a 2016, inclusive –, todos num perfil de tinto carnudo e especiado, com boa evolução, sendo que a edição de 2016 está a revelar-se particularmente interessante no atual momento de prova.
Em suma, o projeto atlântico Cortes de Cima está ‘de pedra e cal’ e é uma aposta ganha da família Jorgensen, sendo que o joker é mesmo a evolução dos vinhos, em especial do Sauvignon Blanc. Tudo aponta, portanto, para que nos próximos anos tenhamos melhores surpresas ainda deste terroir e deste produtor!

[/vc_column_text][image_with_animation image_url=”34788″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][vc_text_separator title=”EM PROVA” color=”custom” accent_color=”#888888″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº23, Março 2019

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A olhar para o enófilo português

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Álvaro e Fernando van Zeller são dois irmãos que decidiram lançar-se num projecto de vinhos a que deram o nome de Barão de Vilar. Um amigo juntou-se-lhes e a equipa parece funcionar com excelência, a julgar pelo […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Álvaro e Fernando van Zeller são dois irmãos que decidiram lançar-se num projecto de vinhos a que deram o nome de Barão de Vilar. Um amigo juntou-se-lhes e a equipa parece funcionar com excelência, a julgar pelo crescimento que têm registado nos últimos anos.

TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA Luís Lopes
FOTOGRAFIA Anabela Trindade[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Corria o ano de 1996 e Fernando Luiz van Zeller deixa uma herança de Vinho do Porto aos seus filhos Fernando e Álvaro. O stock era suficiente (mais de 150 mil litros) para se conseguir criar uma empresa de produção e comércio de Vinho do Porto e foi exactamente isso que os irmãos fizeram, recorrendo para o nome da empresa ao título de um antepassado, o Barão de Vilar.
Nenhum dos intervenientes era estreante nos vinhos, muito pelo contrário. A família van Zeller tem longuíssimos pergaminhos no vinho, especialmente no Vinho do Porto. São, pelo menos, 15 gerações dedicadas à produção e comércio de vinhos! O primeiro antepassado chegou a Portugal no século 17, fugido das guerras religiosas nas terras holandesas. “É um caso ímpar em Portugal”, considera Rui Correia de Carvalho, o sócio dos van Zeller nesta aventura. Rui é uma espécie de gestor polivalente; Fernando trata da área comercial e Álvaro da enologia.
Rui só entra em 2008, para dinamizar a empresa, que estava numa espécie de ‘limbo’. Foi colega de curso de Fernando, mas quando entrou no projecto tinha acabado de vender uma empresa sua. E a equipa funcionou como uma banda de música de sucesso… No espaço de 10 anos, diz-nos Rui, “cresceram todos os meses”. Em termos de recursos humanos, falamos de passar de 3 para 40 pessoas; em volume, de 80 mil litros de Vinho do Porto vendido anualmente para, este ano, quase 1 milhão; e ainda conseguiram multiplicar a facturação 14 vezes, fechando 2018 com mais de 7 milhões de euros! Números impressionantes para “a mais jovem empresa de Vinho do Porto, mas com uma história familiar de 4 séculos”. Palavras de Rui Correia de Carvalho.

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Como é isto possível? Um dos segredos residiu no know-how comercial de Fernando van Zeller, especialista em vender vinhos portugueses no estrangeiro, mesmo em grandes quantidades. Junte-se isto à capacidade enológica do ‘master blender’ Álvaro van Zeller, e o cocktail estava semi-pronto. Faltava apenas arranjar produto e gamas/marcas consistentes. “Apostámos na diferenciação face às outras empresas de Vinho do Porto”, revela Rui. Especificando, a equipa trabalhou na criação de vinhos diferentes (Porto branco velho, por exº), na criação de Portos biológicos (são 5 as referências que a empresa tem) e um cuidado extremo na apresentação, tanto nos rótulos como na embalagem e/ou garrafa. A empresa vende também em vários formatos (mais de uma centena!), incluindo diversas garrafas mais pequenas e os tubos (Wine in Tube, parecido com um tubo de ensaio). Só destes vendem-se centenas de milhar, revela Rui. O facto de existirem conjuntos temáticos – como os vários estilos de Vinho do Porto, por exemplo – ajudou muito.
Outro factor de sucesso passou ainda por conseguirem preços mais acessíveis para o Porto, em cada uma das gamas, mas em especial nas mais caras. “Muitas pessoas não compravam portos mais caros por falta de dinheiro ou por não lhe atribuírem o valor que custa. A partir do momento que têm um produto um pouco mais em conta, as vendas disparam”, refere-nos Rui. E dá o exemplo do tawny 40 anos, segmento em que a empresa detém 25% da quota de mercado, sendo o maior operador. Aliás, apesar do seu tamanho ainda pequeno, a Barão de Vilar é a quinta maior empresa do Vinho do Porto nas categorias especiais, ultrapassando operadores com produções muito maiores. Rui diz-nos que a empresa vende entre 80 e 85% em vinhos de categorias especiais, uma percentagem muito elevada face à maior parte da concorrência.

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34687″ alignment=”center” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Vinho do Porto é rei, mas cresce aposta nos DOC Douro”][vc_column_text]

Em cada 100 euros facturados nesta casa, o Vinho do Porto é responsável por 85. Se falarmos em quantidades, a proporção é mais equilibrada: 70/30. Como é evidente, o preço médio do Porto é superior ao do vinho do Douro. Por outro lado, a grande maioria do vinho vai para o estrangeiro. Mais concretamente 85%. “É mais fácil um alemão ou dinamarquês conhecer uma marca nossa que um português”, graceja Rui. Mas as coisas estão a mudar e a empresa vai dar mais atenção este ano ao mercado nacional. Até contrataram uma especialista em comunicação/marketing, Mariana Cestari.
Por outro lado, os responsáveis não escondem que querem crescer nos vinhos não-generosos, especialmente nas gamas altas. Que já tem vinhos muito premiados, a nível internacional e também nacional. O Zom Grande Reserva Touriga Nacional 2011, por exemplo, foi o vencedor da última edição do Concurso de Vinhos do Douro Superior, na categoria de tintos, batendo uma fortíssima concorrência.

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Adega no Douro Superior, armazém em Gaia”][vc_column_text]

Este vinho vem de uma das quintas – a Quinta de Zom – com que a Barão de Vilar trabalha directamente. Pertence aos sogros de Álvaro e está quase encostada a Espanha, no Douro Superior. A outra quinta é mesmo dos van Zeller e chama-se Quinta do Saião. Tem cerca de 80 hectares e situa-se também no Douro Superior, no Concelho de Vila Nova de Foz Côa.
Só lá estão 9 hectares de vinha (a maioria é recente) mas é possível ampliar a área até aos 40 ha. Estas e outras uvas, adquiridas a viticultores locais, vão para a adega da casa, instalada em Santa Comba da Vilariça, sobretudo dedicada a DOCs Douro. À frente está Mafalda Machado, técnica com várias vindimas realizadas no Douro, especialmente em não-generosos. Álvaro está agora a prepará-la para ficar mais à vontade no Vinho do Porto e em especial, claro, na arte do lote. De facto, tal como as outras empresas do ramo, a Barão de Vilar recorre à compra de vinhos (e também uvas) por todo o Douro. E nessa tarefa será mesmo o operador mais activo da região, calcula Rui. Não surpreende, contudo, dada a juventude da empresa. Todos os outros têm stocks de longa data… Aqui, temos que distinguir o que é a aquisição de stocks de vinho do Porto e a chamada compra de vindima. No primeiro caso, as aquisições são pontuais. No segundo, a Barão de Vilar tem fornecedores regulares e as aquisições são, diz Rui, “selectivas”. Ou seja, só compram o melhor…
Tudo tem que ser provado (e aprovado) e só depois se fazem lotes. Com esta equipa prova o conhecido enólogo Manuel Vieira, amigo de longa data de Álvaro. As provas decorrem todas as semanas em Vila Nova de Gaia, onde estão a sede e os armazéns, que pertenciam à Quinta do Noval (que foi propriedade van Zeller). Aqui repousam alguns cascos de Vinho do Porto e preciosidades já lotadas em pequenas cubas de inox, à espera do enchimento. As Instalações são de boa dimensão, mas precisariam de obras de vulto para serem preparadas para o enoturismo. Não está, contudo, nos planos próximos da gestão.

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A estrutura de imóveis da empresa contempla ainda um enorme armazém no Pocinho (Douro Superior), onde estão centenas de cascos a envelhecer Vinho do Porto. “É o nosso cofre”, considera Álvaro, a pensar em volumes superiores ao milhão de litros. Usar madeira é uma solução cara, por várias razões, incluindo a evaporação do vinho. Neste sentido, a Barão de Vilar entrou num curioso projecto com um engenheiro especialista em climatização para minorar as perdas por evaporação. Isso passará por controlo de humidade e de temperatura e Rui considera que serão soluções inovadoras. Estas instalações servem ainda de recuperação de cascos velhos que a empresa vai adquirindo a vários produtores da região. Ao mesmo tempo, apoiam a formação de novos tanoeiros.
Para o futuro mais próximo, a equipa da Barão de Vilar quer consolidar o que já foi alcançado. Mas não vai abandonar o crescimento, que este ano irá basear-se sobretudo no mercado português e, em grande parte, nos vinhos não-generosos. “Vamos deixar de ser ilustres desconhecidos em Portugal”, garante Mariana Cestari. Os enófilos portugueses vão certamente agradecer.

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Edição Nº23, Março 2019

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O renascimento dos vinhos da Moldova

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A tradição de fazer vinho nasceu na Moldova (ou Moldávia, como também é conhecido este país) muito antes de Cristo. As evidências arqueológicas são bastante convincentes. Mas é na história mais recente que surge a maior ambição […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A tradição de fazer vinho nasceu na Moldova (ou Moldávia, como também é conhecido este país) muito antes de Cristo. As evidências arqueológicas são bastante convincentes. Mas é na história mais recente que surge a maior ambição e o esforço em afirmar-se como um país produtor de vinhos de qualidade.

TEXTO Valéria Zeferino
FOTOS DR

Na segunda parte do século XIV a Moldova estabeleceu relações comerciais com a Rússia, Ucrânia e Polónia. Depois de um período de estagnação na produção de vinho durante o domínio do Império Otomano, devido ao Islão, acabou por ser adicionada à Rússia em 1812, o que impulsionou novamente a actividade vitivinícola. No final do século XIX foram trazidas videiras de França, como Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Chardonnay.
Na época da União Soviética, a Moldova tornou-se na sua maior região vitivinícola e no início dos anos 80 contava com 240 mil hectares de vinha (quase como em Portugal há alguns anos). A campania anti-alcoólica de Gorbachev entre 1985 e 1987 reduziu a área de vinha quase para metade e resultou em grandes prejuízos.
Após a dissolução da União Soviética em 1991, começou a reestruturação do sector do vinho.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Os investimentos obtidos ajudaram a modernizar a produção nas adegas públicas de dimensões industriais e começaram a surgir produtores privados. A Rússia continuava a ser o seu principal mercado e por isto as crises na relação entre os países em 2006 e 2011 deixaram a Moldova sem possibilidade de escoar os seus vinhos.
Mas há males que vêm por bem. A única solução era diversificar os mercados, subir os padrões de qualidade, ajustar a legislação vitivinícola em conformidade com as normas europeias e criar uma política de promoção.
Actualmente, 80% do vinho produzido na Moldova é exportado para mais de 50 países. Embora os principais mercados continuem a ser ex-repúblicas soviéticas (Bielorússia, Casaquistão, Rússia e Ucrânia), alguns paises da Europa Central (República Checa, Polónia e Eslováquia) e a vizinha Roménia. Os vinhos moldavos também já apareceram nos mercados dos Estados Unidos e China. No entanto, apenas 40% dos vinhos são engarrafados; a maior parte ainda é vendida a granel.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34663″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Três grandes regiões”][vc_column_text]O clima da Moldova é continental com 2.100-2.500 horas de sol por ano e precipitação anual de 350 a 600 mm (como no nosso Douro Superior ou Cima Corgo). No pico de verão as temperaturas podem atingir mais de 40˚C e no inverno normalmente ficam ao nível de 15˚C negativos e podem cair até 30˚C negativos.
Os solos maioritariamente férteis, muito escuros e ricos em humus, não são geralmente os melhores para viticultura, mas o clima bastante seco obriga as videiras a desenvolverem as suas raízes em profundidade, em busca de água para chegarem à rocha-mãe.
Neste momento, na Moldova existem três Indicações Geográficas Protegidas, como pode ver no mapa anexo.
A maior em termos de área plantada é Codru, situada no centro do país e conta com mais de 61 mil hectares de vinha. Tem o clima continental com invernos longos e rigorosos, e verões e outonos quentes. A topografia é representada pelos vales cobertos de florestas e atravessados por pequenos rios, permitindo aproveitar diferentes exposições. Aqui é produzido maioritariamente vinho branco e espumante. É nesta região que ficam as famosas caves subterrâneas de Cricova e Milestii Mici.
Ştefan Vodă fica no sudeste da Moldova e tem fronteira com Codru. O clima é moderadamente continental com influência do mar Negro. Nos terraços de baixa altitude (cerca de 120 metros) estão plantados apenas 10 mil hectares de vinha com predominância das castas tintas.
No sudoeste, ao longo da fronteira com a Roménia estende-se a região mais quente e mais seca da Moldova – Voul lui Traian. O clima aqui é mediterrânico com verões quentes e secos e invernos curtos e mais temperados. Caracteriza-se por planícies e planaltos nas altitudes que variam entre 5 e 310 metros. Dos mais de 43 mil hectares de vinha, 60% são castas tintas. É nesta região que também se produzem vinhos licorosos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34673″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#f2f2f2″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Sabia que…” title_align=”separator_align_left” color=”custom” accent_color=”#888888″][vc_column_text]. As adegas subterrâneas mais fundas do mundo são na Moldova. A Milestii Mici (na foto) atinge quase 100 metros de profundidade! A colecção de vinhos desta adega entrou no Livro dos Recordes do Guiness em 2005 como a maior do mundo, com mais de um milhão e meio de garrafas. O vinho mais antigo desta colecção é de 1969.
. Krikova é praticamente uma cidade vínica subterrânea. Estende-se por 70 km de ruas com nomes das castas, onde podem circular carros. É também o maior produtor da Moldova de espumante feito pelo método clássico. É uma “Enoteca Estatal”, onde estão guardados os vinhos não só da Moldova, mas de outras regiões mundiais (Bordeaux, Bourgogne, Mosel, Vinhos do Porto entre outros).[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”nectarslider_style” images=”34668,34672,34670,34669″ bullet_navigation_style=”see_through” onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Castas europeias e autóctones”][vc_column_text]Cerca de 70% das videiras moldavas são de castas brancas. A maioria das castas são europeias (Chardonnay, Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Pinot Grígio, Riesling, entre outras), somando no total 73%. 17% são castas de Cáucaso como Saperavi, Rkatsiteli, por exemplo, e 10% castas autóctones, como Feteasca Alba, Feteasca Regala, Feteasca Neagra, Rara Neagra, Plavai, Viorica etc.
Fetească Albă em tradução significa “menina branca”e é cultivada na Moldova desde há séculos. É uma casta resistente a temperaturas baixas de inverno. Origina vinhos com bastante corpo, acidez média e aromas de fruta cítrica, fruta de caroço e notas florais. É utilizada para fazer vinhos brancos (secos e doces) e espumantes. Um cruzamento natural de Fetească Albă com Furmint resultou em Feteasca Regala.
Fetească Neagră, como é fácil de adivinhar significa “menina negra”. É uma casta tinta, também muito antiga, cultivada na Moldova. Foi praticamente extinta durante a época da União Soviética e começou a ser replantada nos anos 2000. Tem vantagens de ser resistente ao frio e ao calor. Amadurece tarde. A sua pele grossa produz vinhos concentrados de cor e tanino. Dá vinhos encorpados com aromas intensas de especiaria, fruta preta e vermelha, sobretudo ameixa e cereja. Utilizada muitas vezes em lotes com Cabernet e Merlot, mas também em monovarietais.
Rara Neagră significa “negra rara” e tem várias sinonimias. Também é uma casta tinta, mas ao contrário da Fetească Neagră produz tintos leves e com acidez pronunciada.
Com os seus outonos prolongados e temperaturas negativas no Inverno, a Moldova tem todas as condições para produzir óptimos colheitas tardias e ice wine de uma forma regular e consistente.
A tradição de fazer vinhos licorosos na Moldova surgiu ainda na altura da Bessarábia. Mais tarde foi com sucesso exportado para a Rússia em substituição do vinho opaco que vinha da região francesa Cahors, propositadamente adocicado para servir como vinho de missa na Igreja Ortodoxa. Ficou conhecido como Kagor, Cagor ou Cahor. A sua produção não tinha nada a ver com Cahors francês, que é um vinho seco feito maioritariamente da casta Malbec. Kagor costumava a ser produzido de Cabernet Sauvignon; praticava-se o aquecimento do mosto e paragem de fermentação pela adição de destilado.
Desde Março deste ano, na sequência do acordo assinado com União Europeia, a Moldova deixou de usar nos rótulos os nomes genéricos que são indicações geográficas de outros países, como por exemplo Champagne ou Cognac. O Kagor também ficou abolido e passou a ser chamado Pastoral.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34671″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”A Moldova em Portugal”][vc_column_text]Fáutor e Château Varterly, duas das mais prestigiadas e premiadas empresas vinícolas da Moldova, são algumas das representadas em Portugal pela Atlantikdynamik, que aposta decididamente na sua divulgação no nosso país.
Fáutor é uma adega familiar. Foi fundada nos finais do século XX e conseguiu modernizar-se no início dos anos 2000, renovando equipamento e replantando as vinhas. Actualmente tem 350 hectares com castas indígenas e internacionais. Curiosamente, é o único produtor a trabalhar com castas ibéricas como Alvarinho e Tempranillo e faz vinhos varietais e lotes com castas autóctones. Conquistou reconhecimento quer no mercado nacional, quer internacionalmente. Em 2017 foi o produtor moldavo mais premiado em concursos internacionais.
Château Vartely Winery foi fundado em 1996 com ambição e convicção. Situado perto de Chisinau, possui cerca de 300 hectares de vinha em duas regiões – Codru e Vlul lui Traian – e trabalha com castas internacionais e indígenas. Também faz uma boa performance em concursos internacionais e tem uma forte aposta no enoturismo.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”EM PROVA”][vc_column_text]

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Edição Nº22, Fevereiro 2019

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Quetzal lança novos topos de gama

Quinta do Quetzal Familia branco e tinto

Chama-se Quetzal Família e até agora só tinha saído um branco, da colheita de 2012. Desta vez saíram dois vinhos, um branco e um tinto e são de facto os vinhos mais caprichados da casa Quetzal, localizada junto a Vila de Frades, Vidigueira. De tal maneira que apenas são produzidos em anos que a qualidade […]

Chama-se Quetzal Família e até agora só tinha saído um branco, da colheita de 2012. Desta vez saíram dois vinhos, um branco e um tinto e são de facto os vinhos mais caprichados da casa Quetzal, localizada junto a Vila de Frades, Vidigueira. De tal maneira que apenas são produzidos em anos que a qualidade foi muito acima da média e apenas são engarrafados em garrafa de litro e meio, vulgarmente chamado de magnum.

Cees de Bruin, o proprietário da Quinta do Quetzal, estava radiante. “Estou orgulhoso de apresentar os vinhos da família. Quando comecei a produzir, não acreditava que fosse possível atingir esta qualidade”. O orgulho é justificado, porque os dois vinhos apresentados são de facto muitíssimo bons. Foram introduzidos por Rui Reguinga, o enólogo consultor, que explicou como foram conseguidos: “já temos um bom histórico das vinhas e escolhemos as melhores uvas das melhores parcelas para os vinhos Familia”. A grande parte deste trabalho recaiu nas mãos de José Portela, o responsável de viticultura e enólogo residente. Portela está desde o início do projecto na Quinta do Quetzal (2003) e conhece por isso cada palmo dos 49 hectares de vinha aí existentes.

O branco, da colheita de 2014, foi feito com uvas de Antão Vaz, de uma parcela adquirida há alguns anos a um vizinho, coronel de profissão, e por isso a vinha ficou com esse nome. Tem quase 40 anos e está localizada na zona mais alta da quinta. O Antão Vaz daqui é por isso mais concentrado, mas também mais fresco. O mosto foi a fermentar com leveduras indígenas em barricas de 500 litros. Por ali ficou 18 meses, com battonage semanal. Depois foi a engarrafar e por lá dormiu dois anos.

Quanto ao tinto, da colheita de 2013, foi feito com uvas de Alicante Bouschet e Syrah. Rui Reguinga achou que o Alicante por si só não seria suficiente para fazer um grande vinho, com harmonia. Daí o Syrah, que trouxe notas de chocolate e especiarias. A vinha escolhida foi a que a equipa chama das Pedras, ao pé da adega. É uma terra pobre, muito pedregosa, e a vinha produz pouco, mas com boa qualidade. Na adega, Rui Reguinga optou mais uma vez pelo minimalismo, a começar pelas leveduras indígenas e macerações longas (6 semanas). O vinho estagiou dois anos em barricas de 500 litros.
Ambos os vinhos custam cerca de 65 euros a garrafa na loja da adega.

A apresentação decorreu na mesma altura em que o Quetzal festejou outra faceta importante do seu proprietário: a arte. A exposição “Mitos da Caverna – Espeleologia infinita)” foi inaugurada na mesma altura em que os Família foram oficialmente lançados. A exposição está patente no Quetzal e pode ser visitada até ao final de Março do próximo ano. Aproveite e almoce (ou jante, na sexta e sábado) no restaurante da quinta, dirigido pelo chef alentejano João Mourato. Pode fazer as suas reservas pelo site da casa: www.quintadoquetzal.com/
(texto de A. Falcão)

Sovibor reinventa-se aos 50 anos

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Respeito pela tradição dos vinhos de talha, aliada à modernidade na gestão e a uma forte aposta na qualidade do produto, são as traves mestras de uma empresa que ao meio século de vida conseguiu reinventar-se. TEXTO […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Respeito pela tradição dos vinhos de talha, aliada à modernidade na gestão e a uma forte aposta na qualidade do produto, são as traves mestras de uma empresa que ao meio século de vida conseguiu reinventar-se.

TEXTO João Geirinhas
NOTA DE PROVA Luís Lopes
FOTOS Cortesia Sovibor

A Sovibor é uma empresa com história no Alentejo que não quer ficar agarrada ao passado. Fundada há 50 anos, na cidade de Borba, com instalações próprias mesmo no centro urbano, passou por várias fases, ao ritmo das oscilações próprias do negócio e das variações na sua estrutura accionista, até ter sido adquirida pelo empresário Fernando Tavares no final de 2014. Começou aí o futuro e os resultados estão agora a revelar-se e deixam perceber que o melhor está a chegar.
Na origem desta forte aposta, que corresponde a um investimento já realizado de 750 mil euros, está a paixão do empresário pelos vinhos da região, particularmente os vinificados nas tradicionais talhas. Quem visita agora a adega da Sovibor não deixa de ficar impressionado com a bela e imponente visão das cerca de 30 talhas cuidadosamente expostas numa cave, o que contribui para tornar o ambiente em redor num misticismo quase religioso.
Não se ficou por aqui o esforço de modernização da nova Sovibor. Os edifícios foram objecto de uma ampla recuperação, renovou-se toda a linha de engarrafamento, substituíram-se velhos equipamentos de vinificação e apostou-se em novos, como as cubas de fermentação, balseiros e barricas e ainda lagares em mármore. Para o futuro próximo está a intenção de investir no enoturismo, requalificando as instalações da Adega do Passo e adaptando-as a centro de visitas e provas e a uma loja.[/vc_column_text][image_with_animation image_url=”34417″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][vc_column_text]Em termos de enologia, a adega está bem entregue à equipa liderada por António Ventura e assistida no terreno por Rafael Neuparth e Rita Tavares, filha do proprietário. Não dispondo de vinhas próprias, a Sovibor tem contractos com viticultores da região que lhe asseguram o fornecimento de uvas provenientes de cerca 170 hectares, muitas delas vinhas velhas. Assumem particular importância as parcelas com Alfrocheiro e Syrah com mais de 50 anos que lhes permitem apresentar agora vinhos distintos e de forte caracter.
A recuperação da empresa passou também pela preservação daquelas que eram as marcas mais conhecidas do seu portefólio como era o caso da Borba Sovibor, Adega do Passo e Valflor e Passo dos Terceiros mas o foco principal vai agora a introdução de novas referências onde os responsáveis da empresa querem colocar os vinhos mais ambiciosos e de melhor qualidade. É o caso da gama Mamoré da qual já saíram para o mercado as versões do Branco, Tinto, Reserva branco, Reserva tinto e Grande Reserva tinto. A gama Mamoré também se estende aos vinhos de talha, brancos e tintos e ainda ao tinto chamado Petroleiro que recuperam os tradicionais processos de produção em que as talhas são preparadas com pez-louro, cera de abelha e azeite e para onde se destinam as uvas de castas antigas como o Rabo de Ovelha, Moreto e Carignan.
Na comemoração do 50º aniversario, a Sovibor lançou um muito especial Mamoré Grande Reserva Rinto Ed. Comemorativa, da colheita de 2015, um Mamoré Licoroso e uma Aguardente Ed. Comemorativa 50 anos. Qualquer deles um caso muito sério![/vc_column_text][vc_column_text]

Edição Nº22, Fevereiro 2019

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][/vc_column][/vc_row]

A Cor

A cor é um atributo do vinho que pela sua nuance, matiz ou intensidade, indicia ou sugere em provadores e consumidores características do vinho que vão beber. TEXTO João Afonso FOTO Ricardo Palma Veiga Compostos fenólicos No vinho tinto, os compostos fenólicos que dão cor ao vinho têm o nome de antocianinas. Absorvem comprimentos de […]

A cor é um atributo do vinho que pela sua nuance, matiz ou intensidade, indicia ou sugere em provadores e consumidores características do vinho que vão beber.

TEXTO João Afonso
FOTO Ricardo Palma Veiga

Compostos fenólicos
No vinho tinto, os compostos fenólicos que dão cor ao vinho têm o nome de antocianinas. Absorvem comprimentos de onda que “refletem” na faixa de luz visível (para a espécie humana) padrões de cores vermelho/púrpura/azul. A cor nos vinhos brancos (menos conhecida) é também devida a compostos fenólicos que, em menor presença no mosto, reagem com os ácidos orgânicos do vinho, emitindo a tonalidade verde/amarelo/dourado.

Película é cor
A matéria corante encontra-se na película da uva (existem castas tintureiras com matéria corante na polpa, como Alicante Bouschet, por exemplo) e o teor varia entre as variedades de uva. O grau de maturação determina a quantidade de antocianinas disponíveis na uva. Geralmente, mais maturação significa mais cor.

O pH e a cor
O pH (acidez) influencia a cor: com valores baixos (< 3.5) as antocianinas ganham uma cor vermelha mais estável, enquanto que com valores elevados (> 3.6) uma cor de tons púrpura e azul é menos estável.

O sulfuroso e a cor
O dióxido de enxofre (sulfuroso) também influi: antes da fermentação aumenta a solubilidade e a extracção de matéria corante, mas depois do vinho feito, retira-lhe cor.

A idade e a cor
Com a idade sucedem-se fenómenos de polimerização/oxidação (compostos fenólicos e taninos). Estes polímeros têm cor acastanhada. Vão ganhando tamanho e peso e formando sedimento. Por esta razão, os tintos perdem cor e ganham tons acastanhados e os brancos vão escurecendo igualmente até aos tons acastanhados.“Tenho cuidado com as cores dos vinhos. No rosé principalmente, porque as marcas e produtores pedem muito o estilo ‘Provence’ – cor salmão. Temos de colher a uva mais cedo, prensar menos para a ter a cor desmaiada salmonada, conseguimos assim mais acidez, menos álcool, mas depois temos de dar estrutura a tudo isso.
Nos brancos jovens, procuro sempre laivos esverdeados porque são sinónimo de frescura e de um bom trabalho, porque não houve demasiada extração de polifenóis.
Nos tintos, caminho cada vez mais no sentido oposto ao que fazia há alguns anos. Em vez do opaco ou retinto, procuro cores mais abertas, mais leves, associadas a menos álcool, menos extracção e a mais frescura e elegância.”

(*enólogo consultor)

Edição Nº21, Janeiro 2019

A importância dos copos

Já lá vão os dias em que qualquer enófilo se arriscava a ir a um restaurante com ambições, pedir um bom vinho e descobrir copos com bojos (ou corpo) de meio balão ou em V. Mais ainda, em casa dos enófilos passou-se um fenómeno semelhante, graças sobretudo à informação que foi passando para o público […]

Já lá vão os dias em que qualquer enófilo se arriscava a ir a um restaurante com ambições, pedir um bom vinho e descobrir copos com bojos (ou corpo) de meio balão ou em V. Mais ainda, em casa dos enófilos passou-se um fenómeno semelhante, graças sobretudo à informação que foi passando para o público e também pela facilidade com que é possível adquirir copos em qualquer grande superfície, com preços para todas as bolsas.
Mas, afinal, tanto copo porquê? Que fascínio exerce o copo nos amantes do vinho? E será que vale a pena gastar dinheiro em copos de qualidade?

Os bons copos fazem a diferença?

Esta é de facto a pergunta do milhão de euros. E, para a responder, nada melhor do quer fazermos uma prova de… copos. São já famosas estas provas, que podemos assistir em alguns eventos de vinhos. Recordo-me de ter ficado estarrecido com a primeira que fiz, já lá vão quase duas décadas. O condutor da prova, um francês que trabalhava com os copos da marca austríaca Riedel, ia-nos pedindo para passarmos os vinhos de uns copos para outros. E depois bastava cheirar e provar. As diferenças eram enormes, especialmente as que separavam os bons copos de vinhos dos modelos vulgares que existiam (e existem) em cafés e restaurantes de poucas ambições. Lembro-me de, na altura, me prometer repetir esta prova, mas desta vez usando de um maior cepticismo, para evitar possíveis sugestões do condutor da prova. E na verdade, ao longo dos anos, repetia esta prova mais três ou quatro vezes.. E a conclusão era sempre a mesma: um copo adequado é fundamental à correcta fruição do vinho.
O enófilo não emborca vinho, degusta-o. Aprecia-o. Desfruta dele.

A técnica dos copos: cheiros e sabores

Para se calcular a influência do copo nos aromas, temos que compreender que, segundo vários especialistas, diferentes aromas ocupam diferentes espaços do copo, consoante a sua densidade. Por exemplo, a parte superior do copo fica com os aromas mais ligeiros (flores e fruta); no meio ficam os aromas de pendor vegetal e mineral, como os terrosos e cogumelos; finalmente, no fundo do copo estão os aromas mais pesados, como o álcool e a madeira. Diferentes copos separam assim os aromas de formas diversas. E, a menos que agite o vinho no copo, diferentes copos fazem realçar diferentes características de determinado vinho.
Vamos agora aos sabores, percebidos pelos sensores que temos na boca.

Ora, desde logo a forma do copo condiciona a posição da nossa cabeça durante a prova. Isto tem também influência na posição de entrada do vinho na nossa boca e na sua chegada aos sensores, como a língua e o palato. Como acontece com a comida ou outras bebidas, os gostos do vinho podem ser separados em vários sabores de base: doce, ácido, amargo e salgado. Ao condicionar a forma da chegada do vinho à boca, o copo de vinho pode fazer realçar uma determinada característica do vinho. Por exemplo, um copo destinado aos brancos ligeiros e frutados de grande acidez, como um Alvarinho ou um Riesling, deve conduzir o vinho para a borda da língua, onde são acentuados os sabores doces (frutados) e diminuir o carácter ácido.

Copos de vinho

Como comprar um copo de vinho?

Primeiro, verifique se o copo tem gravações ou entalhes de qualquer espécie. Isso, e hastes coloridas, são normalmente sinal de copos antigos. A menos que goste muito, passe à frente. Depois, olhe para o copo contra a luz. Deve ser transparente, do cálice até ao pé. Se mostrar laivos esverdeados, isso significa que esse copo é feito com vidro de baixa qualidade. Passe à frente.
Outro sinal de menos qualidade é o bordo do copo arredondado, como se tivesse um micro-pneu a toda a volta. Algumas marcas dizem que é um toque de segurança, mas, na verdade, é uma forma de poupar dinheiro no fabrico. Os bons copos têm o bordo cortado quase recto, como se cortados com uma tesoura.

 

Alguns enófilos aconselham ainda a ouvir o copo. Bata no copo, mais ou menos a meio do bojo, com o nó do dedo ou com uma rolha: se o som resultante, quase como um sino, durar vários segundos, é bom sinal. Quanto mais, melhor. Se a pancada apenas dar um ligeiro som metálico, estes enófilos dizem para passar à frente. Nós não somos tão exigentes….

Mas somos, isso sim, escrupulosos com o sentir do copo nas mãos. Copos muito pesados e/ou desequilibrados tornam-se rapidamente desagradáveis. Por outro lado, a base do copo deve ser estável e estar praticamente ao mesmo nível da parte mais larga do bojo. A haste deve ser o mais fina possível, mas sem comprometer a robustez do copo.
Refira-se que as principais marcas no mercado nacional possuem várias gamas de copos. Os mais caros são feitos à mão por operários especializados, enquanto as versões mais baratas são produzidas com recurso a máquinas. Os melhores vidros/cristais ficam, como é óbvio, nos copos feitos à mão.

Que podemos esperar para o futuro?

Quanto ao futuro dos copos, tanto Ralf Schmidt (gestor da Schmidt-Stosberg) como Joaquim Cândido da Silva, (director-geral da Portfolio Vinhos), acreditam que vai na direcção de unidades cada vez mais leves, mais elegantes, mas, ao mesmo tempo, mais resistentes. Esta tendência para copos de vinho cada vez mais finos vai de encontro ao gosto dos enófilos, que procuram uma elegância de manuseamento que os outros copos não conseguem. O problema está na sua fragilidade. Considerando que alguns deles custam acima dos 50 euros a unidade (como os Zalto, modelo Denk`Art), partir um copo destes é uma dor d’alma.
Ambos os executivos acreditam ainda que o preço dos melhores copos deverá baixar nos próximos anos, graças a avanços na mecanização.

Tenho falta de espaço: o que fazer?

Muitos enófilos não têm hoje espaço de armazenamento para vários copos diferentes. Se tivermos em conta que cada modelo terá que ser multiplicado pelo potencial número de comensais, mais umas folgas para as quebras, e passamos a falar de largas dezenas de copos. Nos curtos apartamentos de hoje, não há espaço. Ou seja, muitos enófilos são obrigados a escolher um copo de vinho tinto e um de branco. Os copos de tinto poderão servir também para brancos de Inverno, com fermentação/estágio em madeira; e os copos de branco poderão servir para espumantes e vinhos licorosos.

Onde comprar?

Nos dias que correm não é difícil encontrar bons copos de vinho a preços sensatos. Os melhores exemplares são normalmente encontrados nas lojas especializadas, como as garrafeiras. Tem ainda a vantagem de quase sempre obter atendimento especializado e poder ‘brincar’ com os copos antes de os comprar. O único contra é que aqui os copos são quase todos topo-de-gama e, portanto, de boa qualidade, mas infelizmente mais dispendiosos.

As marcas não são muitas: em Portugal dominam a Schott Zwiesel (líder de mercado), Riedel (ou a sua subsidiária Spiegelau) e mais algumas marcas alemãs, francesas e italianas. A germânica Stölzle, uma das maiores do mundo, está agora a entrar no mercado nacional e em várias garrafeiras. Os preços têm uma gigantesca amplitude: desde o simples euro até às dezenas, por cada unidade. Os copos de cristal feitos à mão são os mais caros.

Vale a pena investir em bons copos? A resposta é um inequívoco ‘sem dúvida’: não é um capricho de enochato, é antes, tão simplesmente, senso comum.

Duas perguntas a Joaquim Cândido da Silva

Director-geral da Portfolio Vinhos, empresa que distribui, desde há alguns amos, a marca de copos Riedel, Joaquim está no mercado de vinhos há algumas décadas e assistiu à sua evolução (e à dos copos).

Copos de Vinho
©Anabela Trindade

Em termos de copos, o que aconteceu em Portugal nas últimas décadas?
A evolução do copo está profundamente ligada à evolução da qualidade dos vinhos: hoje os vinhos são muito mais complexos e exigem um copo onde se consigam expressar (…). Tudo isto é, desde há muitos anos, o lema da Riedel, “o conteúdo determina a forma!”.
Que aconselha para quem tenha pouco espaço?
“Para o espectro dos vinhos portugueses, a Riedel tem 2 ou 3 referências que cobrem uma larga maioria dos vinhos: o copo Riesling para a grande maioria dos brancos e o copo de Touriga Nacional (que resultou de uma escolha alargadíssima de produtores portugueses), não só para os vinhos desta casta como para vinhos de lote de várias castas tintas”.

Duas perguntas a Ralf Schmidt

É o gestor da empresa Schmidt-Stosberg, importadora da marca de copos Schott Zwiesel. Desde 2000 que a marca é parceira na feira Vinhos & Sabores (antes, Encontro com o Vinho), organizada anualmente por esta revista em Novembro. São milhares de copos envolvidos durante três dias.

Copos de vinho

Conte-nos como foi o primeiro Encontro com o Vinho…
Foi em 2000, na Gare Marítima de Alcântara. Fiz um acordo com a organização: levava os copos, vendidos juntamente com o bilhete de entrada. Estimava-se que venderíamos, no máximo, 500 copos. Mas, à cautela, levei mil. E três horas antes de fechar o primeiro dia, estava quase sem copos… Havia de facto apetência para os bons copos.

O ano passado, a Schmidt-Stosberg fez duas acções de copos com uma grande cadeia de retalho. Como correu?
As acções correram muitíssimo bem. Cada €160 de compras permitia comprar dois copos a €2,99. Se asa compras fossem de 320 euros, os dois copos eram oferecidos. Até a minha mulher comprou copos (risos). Fornecemos mais de 2 milhões de copos da Schott Zwiesel.

 

Edição Nº22, Fevereiro 2019

 

O regresso do ‘filho pródigo’

Esta é a história de um tonel muito especial. Uma história com muitas estórias pelo meio. Mas aqui vamos contar apenas a parte da chegada de uma espécie de filho pródigo, mais de um século depois. TEXTO António Falcão FOTOGRAFIAS Ricardo Palma Veiga A história começa no Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, por […]

Esta é a história de um tonel muito especial. Uma história com muitas estórias pelo meio. Mas aqui vamos contar apenas a parte da chegada de uma espécie de filho pródigo, mais de um século depois.

TEXTO António Falcão
FOTOGRAFIAS Ricardo Palma Veiga

A história começa no Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, por volta do século XVIII. Foi residência oficial de Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal. Esta quinta, com mais de 200 hectares, produzia na altura diversos produtos agrícolas, incluindo uva e vinho. Como tal, possuía adega e tonéis para estágio de vinhos. A dada altura, provavelmente pela pressão urbana que foi crescendo, a quinta foi vendida e estes tonéis foram atrás. E o rasto perdeu-se…
A história é retomada muitos anos mais tarde, já nos nossos dias. O protagonista passa a ser Adriano Sérgio, um luthier português. O que é um luthier? Pois bem, é um profissional que se dedica à construção e/ou reparação de instrumentos de cordas (nota: luthier, segundo a Wikipédia, também pode ser conhecido como violeiro, guitarreiro ou luteiro). Pois bem, nos seus instrumentos, Adriano usa sempre madeiras seleccionadas e, de preferência, velhas. Um belo dia, soube que numa quinta do Ribatejo estava um conjunto de madeiras velhas e foi lá ver. Era de facto um conjunto notável de tonéis desmontados, sobretudo de mogno da América do Sul (Honduras) e algum vinhático. Seis toneladas de madeira! O proprietário não sabia ao certo o ano daquelas madeiras, mas lembrava-se dos seus antepassados afirmarem que as tinham comprado no Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras. Ou seja, contas feitas às gerações, estamos a falar de madeiras com, pelo menos, dois séculos e meio. O histórico do palácio confirma estes indícios. Ora, madeira com esta idade e com esta qualidade não é nada fácil de encontrar e é muito procurada pelas suas características ímpares.
O investimento era pesado e por isso Adriano contactou alguns colegas europeus e rapidamente se arranjou um conjunto envolvendo meia dúzia de luthiers.
A história saiu na imprensa e foi parar aos ouvidos de Alexandre Eurico Lisboa, o Coordenador Técnico do Projecto da Vinha e do Vinho da Câmara Municipal de Oeiras; este município é o proprietário do palácio e o maior produtor existente de vinhos com a denominação Carcavelos. Alexandre Lisboa contactou Adriano Sérgio e conseguiu convencê-lo a dispensar à Câmara um dos tonéis. Adriano concordou e o conjunto foi para Espinho, para a tanoaria J. Dias, onde foi totalmente restaurado. Este trabalho, disse-nos Mickael Santos, que supervisionava o trabalho de instalação, levou cerca de 3 semanas e envolveu vários especialistas. O tonel leva 7 mil litros, pesa cerca de uma tonelada e é quase integralmente feito de mogno, uma madeira que, pelos vistos, já foi usada em tempos para estagiar vinhos. No final, o tonel levou ainda uma ligeira tosta.
A colocação do tonel na cave do palácio não foi uma tarefa fácil, mas, ao fim de umas horas de manobras, lá ficou a descansar na sua morada definitiva. O plástico protector foi removido e, logo de seguida, foi cheio com vinho Carcavelos da colheita de 2018.

Do ouvido para a boca?
Alexandre Lisboa estava radiante com o resultado, até porque este tonel (e uma generosa barrica que também veio, feita com sobras) acaba por regressar a casa, mais de um século depois. Melhor ainda, a operação acabou por sair relativamente barata à Câmara de Oeiras; a J. Dias também ajudou neste aspecto, pela faceta histórica do assunto. Ficou ainda combinado que será aqui, no Palácio do Marquês de Pombal, em Setembro, que serão apresentadas seis guitarras feitas com as madeiras dos tonéis do marquês. Cada um dos luthiers fará a sua. A de Adriano ficará com o nome de Carcavelos. Todas as suas criações têm, aliás, o nome de uma cidade portuguesa. E, espera-se que na altura já se possa provar o novo vinho em estágio…
Adriano Sérgio também estava exultante: o mogno estava em muito bom estado, à vista e ao tacto. Melhor ainda: o técnico bate suavemente com um pedaço de mogno em pedra e o som sai completamente diferente do de outras madeiras, como pinho ou carvalho. Mostrando quase uma tensão nervosa no material, um toque a sugerir o metálico. Adriano sabe do que fala: “Estas madeiras vão estabilizando ao longo dos anos; essa estabilidade (entre outras características) confere excelentes qualidades acústicas aos instrumentos”. O caso mais conhecido é o dos violinos Stradivarius, que custam uma fortuna cada. A madeira velha de boa qualidade é, definitivamente, um dos grandes segredos da qualidade do som. Agora só falta ver se este mogno velho vai transmitir a mesma excelência, mas no palato, ao vinho Carcavelos que aí vai estagiar. Afinal, são todos sentidos humanos e deverá existir sinergia. Mas, na verdade, só o tempo o poderá dizer. Nada que assuste, aliás, os bons vinhos Carcavelos, que, à semelhança dos Madeira, conseguem facilmente durar muitas décadas. Se dúvidas houvessem, bastaria provar o fantástico Villa Oeiras Colheita 2005, à venda na loja do Palácio, por 64 euros.

É notável o papel que o município de Oeiras tem realizado na defesa do seu património vínico. Diríamos mesmo ímpar em Portugal. Ao seu cuidado estão neste momento 12 hectares de vinha, que é de facto a única produção neste momento na denominação Carcavelos. Por isso, o município já começou a dar apoio a outros produtores interessados em investir na região (como na Quinta da Samarra, na freguesia de Livramento) e está aberta a qualquer outro interessado com vinha. A própria Câmara Municipal de Cascais está interessada, o que faz todo o sentido pois Carcavelos pertence ao concelho de Cascais. Como nos disse Alexandre Lisboa, “o objectivo primordial deste projecto é a recuperação do vinho de Carcavelos e de toda a sua região”.

Edição Nº22, Fevereiro 2019