Olhar o vinho com outros olhos

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vinhos com um perfil de consumo marcadamente alternativo, alicerçados numa abordagem minimalista aos trabalhos de adega têm, a cada ano que passa, uma oferta aumentada. O grupo Passevinho é uma boa amostra do que se passa em […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vinhos com um perfil de consumo marcadamente alternativo, alicerçados numa abordagem minimalista aos trabalhos de adega têm, a cada ano que passa, uma oferta aumentada. O grupo Passevinho é uma boa amostra do que se passa em Portugal neste conceito de produção vinícola.
TEXTO João Afonso
FOTO Cortesia Goliardos
O grupo é formado por seis jovens carolas que defendem que deve ser mais a “Natureza” a fazer o vinho do que eles próprios. Enfim, um pouco ao jeito dos nossos avós e bisavós que não tinham “a jeito” toda a tecnologia do tempo moderno. Ou seja, desprezam todo o avanço feito pela enologia contemporânea e voltam, mais coisa menos coisa, ao passado do “adegueiro inspirado”.
Neste conceito de vida e vinho, parte-se de uma viticultura orgânica (leia-se em modo de produção biológico, portanto, à partida, sem químicos, ainda que o cobre, oligoelemento usado nos tratamentos fitossanitários das vinhas orgânicas, se possa tornar um problema ainda maior do que os químicos de síntese – mas isso é outra história…). E na adega pouco mais se utiliza além das mãos e dos pés de cada operacional.
Antioxidante (dióxido de enxofre, vulgo – sulfuroso) é usado em quantidades mínimas – doses homeopáticas – como referia António Marques da Cruz, da Quinta da Serradinha, ou é mesmo dispensado do princípio ao fim do processo, como quase sempre faz Rodrigo Filipe da Encosta da Quinta, com a marca Húmus, justificação para comunicar estes vinhos como “naturais”. Claro está que leveduras selecionadas ou qualquer outro produto enológico, nem pensar, e para a garrafa vai o vinho inteiro, ou seja, sem filtração ou colagem. Puro e duro como se costuma dizer. Neste caso, e para os brancos, dá-se o tempo necessário para o vinho fazer a fermentação maloláctica – não se pode correr o risco de deixar que ela se faça na garrafa, pois isso significaria muito provavelmente a ruina do vinho. É tudo muito simples e minimalista. Mas será tudo bom?[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O efeito atlântico
Rodrigo Filipe (marca Humus), António Marques da Cruz (Quinta da Serradinha e COZs), Tiago Teles (Raiz, Gilda e COZs), Pedro Marques (Vale da Capucha) e Sílvia Bastos, Nadir Bensmail e Álvaro Castro (Uvelhas Negras, Quinta da Pellada & Os Goliardos, com a marca Achada) – são os entusiastas deste novo/velho modo de encarar a feitura de vinho.
Vários contextos fazem a comunhão do grupo. Além da questão orgânica das vinhas, já referida, que é transversal a quase todos (excepção para os que trabalham com uva de outros produtores, que é o caso Uvelhas Negras e o vinho Gilda de Tiago Teles que vem de uvas Campolargo), e da questão do fabrico de vinhos, o mais próximo possível do conceito “natural”, há também a partilha entre todos do que é promoção e apresentação dos vinhos, assim como visitas a outros produtores, na senda da cultura e enriquecimento vitivinícola.
Há também a questão geográfica. Todos os elementos, à excepção dos Uvelhas Negras, trabalham com “uvas atlânticas”, criadas em clima com forte influência do grande oceano. A “proximidade do mar” foi insistentemente referida durante a apresentação destes vinhos em Lisboa.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34379″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Por um lado, o efeito atlântico representa dificuldade acrescida para a viticultura biológica, mas, por outro lado, há vantagem nos elevados níveis de acidez que estas uvas normalmente conservam até à colheita. Só para dar uma ideia destes teores, em anos radicais como foi o de 2017, o mosto de Humus de Rodrigo Filipe apresentava no início um pH de 2,65 tendo ficado no final pelos 2,95. Estamos em presença, de um modo genérico, de vinhos com uma acidez bastante elevada que, na maioria dos casos, protege o vinho de oxidações mais nefastas (acidez elevada ajuda a proteger mostos e vinhos).[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vinhos desafiantes
A filosofia enológica “natural”, “alternativa” ou “minimalista” é bastante simples e, também, bastante imaginativa. Não vou cansar o leitor, descrevendo como é feito cada um dos vinhos que provei, mas desde tintos feitos para serem bebidos cedo, ou seja, com um ano e pouco, até brancos com mais de 4 anos de estágio, ou mesmo “abandono”, como se chegou a gracejar durante a apresentação, tudo é possível. Brancos e tintos feitos em lagar, mistura de uva branca com tinta, uso de películas de um vinho para ajudar outro em construção, ausência total ou quase total de correções de mosto, fermentações sem controlo, etc. são algumas das práticas acerrimamente defendidas por estes produtores.
Dos 24 vinhos em prova, 12 brancos e 12 tintos, conclui que houve alguma vantagem de qualidade para o conjunto de brancos que, não tendo, na maioria dos casos, de lidar com a questão “taninos” (um óbice em muitos dos vinhos ditos atlânticos) se apresentam mais afáveis ao palato.
A título meramente pessoal, entendo que este tipo de vinhos diferenciadores constitui uma espécie de lufada de ar fresco (ainda que grande parte dos vinhos brancos provados tenham um registo envelhecido) na oferta de vinhos de hoje, como sabemos, quase totalmente voltada para “o que o mercado quer”.
Estes vinhos chamados “naturais” vêm trazer confronto e discussão à mesa onde são servidos. Os defeitos (ou desvios) de prova são evidentes em vários casos, mas frequentemente passam mais por carácter e feitio. São vinhos que, para muitos palatos (onde, de certo modo, me incluo) são estimulantes ou melhor dizendo, desafiantes. Os melhores casos poderão ser excelentes companheiros de refeição. Mas também é certo que alguns deles estão para lá do minimamente aceitável, os defeitos sobrepõem-se ao feitio. Há que ter critérios bem aferidos para se saber onde está a linha que não deve ser ultrapassada. Claro que cada qual tem a sua linha, mas o senso comum deverá sempre imperar.
Posto isto, neste embate de vinhos alternativos (acho que o grupo não gostará muito desta designação, ainda que eu os considere como tal) tive as minhas preferências. Como já referi alguma vantagem genérica para os brancos ainda que o vinho de que mais gostei fosse um tinto. Nos brancos destaco Humus 2017, Quinta da Serradinha Encruzado e Arinto 2016, COZs Vital 2017 e COZs Maria Gomes 2017; e nos tintos, Raiz 2017, Gilda 2012, Achada VO 2016 e Achada 2013. Dos restantes, alguns interessantes, mas sem capacidades para impressionar o palato e ainda outros, como referi, para lá do aceitável. Os brancos e tintos citados são vinhos que não hesitaria em comprar ou escolher numa carta de restaurante – os preços até são bastante razoáveis.
Concluo, com um cumprimento às intenções de todo o grupo e fazendo votos do maior sucesso para as os seus projectos. Estes vinhos “alternativos” não são uma espécie de patinho feio do vinho português. São sim um respeitável movimento, um modelo diferenciador que importa preservar, defender e promover.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº22, Fevereiro 2019
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Mosel – um rio cheio de caprichos

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Quando pensamos em vinhos alemães é muito provável que nos venham à memória duas regiões: Mosel e Rheingau. Ambas estão intimamente relacionadas com rios que lhes dão o nome. É do Mosel que tratamos hoje. TEXTO João […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Quando pensamos em vinhos alemães é muito provável que nos venham à memória duas regiões: Mosel e Rheingau. Ambas estão intimamente relacionadas com rios que lhes dão o nome. É do Mosel que tratamos hoje.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS cortesia Deutsches Weininstitut
O Mosel (em português chamamos-lhe Mosela) é um rio que atravessa três países – França, Luxemburgo e Alemanha. Ao longo dos seus 560 km vamos encontrando paisagens magníficas, algumas delas de cortar a respiração pelo incrível trabalho humano que exigem. O rio percorre a Alemanha de Oeste para Este desaguando no rio Reno, em Koblenz. Apesar de atravessar três países e de ser nome importante aposto numa garrafa de vinho, é verdade que a fama e prestígio dos vinhos aqui produzidos derivam exclusivamente das zonas alemãs e, mesmo na Alemanha, há vinhas absolutamente míticas e outras de menos valia. São sobretudo as condições de solo e exposição solar que são responsáveis por essas diferenças. Estamos numa zona de clima frio onde, mesmo nos estios considerados quentes, é muito raro a temperatura subir acima dos 18º.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34370″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Onde o sol manda e o solo obedece
Mosel é uma das trezes regiões demarcadas alemãs. Já em tempos se chamou Mosel-Saar-Ruwer (com referência a dois rios afluentes do Mosel) mas a partir de 2007 adoptou oficialmente o nome de Mosel. Dados de 2008 apontavam para 9.000 ha de vinhedos. O rio tem um percurso muito original, serpenteando entre montes e vales e fazendo com que facilmente se perca a noção de onde está o norte e o sul. Isto também significa que, com poucas centenas de metros percorridos, podemos passar de uma zona de vinha altamente qualificada e com muito prestígio, para uma outra cujas vinhas apenas produzem vinhos vulgares. É nas margens do rio, sobretudo nas de maior declive e viradas a sul e poente que se situam as parcelas com mais nobreza. Em frente a estas, e na margem oposta do rio, podemos encontrar uma zona plana também repleta de vinhedos. As zonas planas são bem mais produtivas e os vinhos carecem de concentração, ao contrário das zonas mais íngremes e bem expostas ao sol onde se pratica uma viticultura heróica, totalmente manual e com inclinações que podem pôr em risco a própria vida de quem ali trabalha. Há mesmo uma vinha com uma inclinação record de 65%. No solo domina a ardósia, vulgarmente pedra solta que torna o terreno muito cascalhento. Tem um efeito duplo: por um lado drena o excesso de água e por outro reflecte a luz solar e transmite calor à planta, o que favorece a maturação das uvas. É depois a combinação da ardósia com subsolos de outra composição, com mais ou menos argila e variações de calcário que originam as diferenças de terroir que os vinhos espelham.
Como acontece um pouco na Borgonha, aqui estamos (nos melhores vinhedos) em terra de monocasta, por aqui é a Riesling que reina em absoluto, com frequência plantada em pé-franco. Desde os finais do sec. XVII que a Riesling adquiriu a supremacia sobre as outras variedades. Actualmente há mais castas brancas, como Müller-Thurgau e vários cruzamentos de Riesling e até tintos, como é o caso da Spätburgunder (Pinot Noir).
O reconhecimento das qualidades destas encostas para gerarem vinhos notáveis é antiga. Muito antiga mesmo. A atestá-lo estão os achados arqueológicos romanos que, no sopé de uma das encostas bem íngremes, nos dizem que já os súbditos de Roma ali faziam vinho em lagares de pedra. Os vinhos, sobretudo nos anos com Verões um pouco mais quentes, tendiam a não conseguir levar a fermentação até ao fim ficando por isso com açúcar por desdobrar, ou seja, doces. O resultado final era então um vinho com pouco álcool e doce. Foi esse modelo que foi ganhando adeptos e fez dos vinhos do Mosel um modelo neste perfil de álcool baixo, acidez elevada e açúcar residual. À volta de 1850 começa-se a usar a chaptalização (adição de açúcar ao mosto) para compensar os maus anos em que não havia boas uvas com açúcar suficiente. A técnica ainda é usada, mas os produtores fiéis ao método ancestral não usam açúcar (rigoroso controle estatal) e essa indicação também pode surgir no rótulo quando vem em abreviatura (Qmp) ou por extenso, Qualitätswein mit Prädikat.
Percentualmente, a região até produz mais vinhos secos de que doces, mas os doces continuam a ser a referência e ainda que a casta esteja plantada em muitos locais do mundo, em nenhum como no Mosel aquela combinação mítica funciona tão perfeitamente. Acresce também que a casta tem ainda a particularidade (rara) de, mesmo imatura, conseguir originar vinhos finos e de grande elegância. Mesmo na região do Rheingau (Reno) onde a Riesling também domina, os vinhos são em geral bem mais alcoólicos e mais secos do que no Mosel.
No seu percurso alemão, o Mosel divide-se em três zonas, alto, médio e baixo Mosel. É na zona média que se situam 50% das vinhas mais famosas da região, com o centro nevrálgico em Bernkastel e Piesport. Com frequência encontramos vinhas com relógios de sol (Sonnenuhr) e isso vem depois incorporado no nome do vinho. Dois exemplos: Brauneberger Juffe Sonnenuhr (onde fica a famosa vinha do produtor Fritz Haag), e Wehlener Sonnenuhr onde vários produtores tem algumas filas de cepas, como J.J. Prum ou Dr. Loosen.
A hierarquia dos vinhos desta região faz-se também em relação ao teor de açúcar que incorporam. É um modelo nem sempre fácil de interpretar, mas que basicamente se pode dizer que vai dos mais baixos níveis de açúcar, de Kabinet Trocken até aos vinhos feitos com uvas atacadas de botrytis e que são os mais doces, chamados Trockenbeerenauslese. Nos patamares intermédios temos os Spätlese, Auslese e Beerenauslese, sempre em crescendo de doçura. A cada um destes tipos corresponde um teor máximo de açúcar. Alguns produtores optam por aumentar esse teor sem que, com isso, os vinhos mudem de categoria. Assim, um Spätlese ou Auslese com mais açúcar poderá (opção do produtor) levar uma cápsula dourada – caso do vinho que hoje apresentamos – ou mesmo “extra-longa” cápsula dourada.
O fabrico destes brancos cumpre a regra de “deixar a casta brilhar” e por isso apenas barricas usadas são utilizadas para a fermentação. Barricas novas não é tema de conversa por estes lados. Os vinhos de entrada de gama são vinificados em inox. O facto de serem vinhos doces torna-os mais exigentes no que toca à ligação com a comida. São essencialmente vinhos para consumo a solo com os mais doces a poderem ser perfeitos companheiro para um foie-gras. Exigem uma temperatura de serviço mais baixa e o facto de serem vinhos de graduações muito baixas, permitem uma prova fácil e muito agradável.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”flexslider_style” images=”34371,34372,34373″ onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Como sobreviver nesta confusão?
Para o consumidor desprevenido e pouco familiarizado com estas particularidades ficam aqui duas ou três sugestões que podem ajudar na escolha, sobretudo quando não conhecemos nomes de produtores ou vinhas. Em primeiro lugar a indicação VDP na cápsula é mais do que meio caminho andado. A Associação VDP – Verband Deutscher Prädikatsweingüter – com a imagem da águia de asas abertas, nasceu timidamente no séc. XIX mas foi em 1971 que tomou o nome que ainda tem. Em 2010 comemorou 100 anos com o actual perfil e tem agora, dados de 2015, 200 membros, que correspondem a outros tantos produtores dispersos pelas várias regiões demarcadas. Cerca de 7% da Riesling plantada no mundo está nas vinhas destes 200 membros. O extremo rigor na admissão de novos membros (e há quem a apelide também de fortemente elitista…) e a exigência de qualidade (nomeadamente a produção de vinhos Qmp) são regras assumidas entre os membros; depois é bom ter presente alguns nomes dos produtores que mais fama deram à região do Mosel. Serão sempre os mais caros mas…um dia não são dias: Egon Müller, Dr. Loosen, J.J. Prüm, A. S. Prüm, Willi Schaefer, von Schubert ou Fritz Haag. Caso visite a região, reze às alminhas para que William Haag, do produtor Fritz Haag, não esteja em casa e seja alguém outro a recebê-lo. É que, a par de uma simpatia e generosidade contagiantes, William tem um aperto de mão que lhe pode partir a sua. Não é bem uma mão, é mais uma tenaz…
Pode também escolher um vinho a partir do nome da vinha, uma vez que aqui no Mosel as vinhas mais famosas são partilhadas por vários produtores. Assim, nomes como Brauneberger Juffe, Whelener, Graacher Himmelreich, Scharzhofberger, Erdener Treppchen, Erdener Prälat, Maximin Grünhaus e Ürziger Würzgarten são apostas seguras.
O produtor do vinho que seleccionámos – Robert Eymael – contempla vinho de algumas das mais famosas vinhas da região: Ürziger Würzgarten, Erdener Treppchen e Erdener Prälat. Não encontrei preço para este 98. Apenas para o 2001, a $65 nos EUA.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº22, Fevereiro 2019
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TINTOS DE 2009: BELOS VINHOS EM ANO DIFÍCIL

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Após dois anos seguidos de estios suaves – 2007 e 2008 – eis que surge um ano complicado que se tornou muito desafiante para os produtores. Como se vê, muitos superaram o desafio com todo o brilhantismo. […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Após dois anos seguidos de estios suaves – 2007 e 2008 – eis que surge um ano complicado que se tornou muito desafiante para os produtores. Como se vê, muitos superaram o desafio com todo o brilhantismo.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga
O assunto das alterações climáticas há muitos anos que é tema de conversa, de preocupação e de análise por parte dos especialistas. O clima nunca foi, mesmo em tempos recuados, uma linha contínua e sempre existiram anos quentes e outros frios, uns chuvosos e outros secos. A batida frase do “não há duas vindimas iguais” não sei quando foi criada, mas poderá ter sido em tempo imemoriais, tal a “normalidade” com que as variações climáticas devem ser entendidas. Mais recentemente tem-se verificado um aumento da temperatura média e o que mais temos conhecido – e isso por força da desvairada intervenção do homem no meio ambiente – são acidentes climáticos constantes, como se um ano normal com a chuva e o calor no momento certo já fossem assuntos de um passado cada vez mais longínquo.
Tudo isto vem a propósito do ano de 2009. Os dois anteriores quase que davam razão aos que se recusavam a aceitar a inevitabilidade da alteração do clima. Tínhamos tido então dois verões amenos e não é assim por acaso que, por exemplo, os brancos de 2008 ainda estejam em excelente forma, sem sinais de oxidação precoce, ou seja, tudo aquilo que um enófilo gosta de ouvir, de beber e de sorrir perante as garrafas que tem em cave.
Os verões suaves permitem maturações lentas e sem sobressaltos, o Eden para os enólogos e viticultores. Foi assim em 2007 e 2008 e até deu para pensar que, afinal, as alterações climáticas não eram nenhum papão. Mas o ano de 2009 veio mostrar que as preocupações faziam sentido e que, por mais que se tente, é quase inevitável que a forma como decorreu o ano do ponto de vista climático acabe por influenciar o perfil, o estilo, a longevidade e a energia dos vinhos. Isto é ainda mais verdade se estivermos a falar de tintos de topo, aqueles que os produtores pretendem que sejam a expressão do terroir, da vinha e da sua idade e, por arrastamento, do clima. Esse são quase sempre vinhos menos intervencionados e é neles que é mais fácil fazer a leitura do ano.
O desenvolvimento do ano vitícola de 2009 começou com uma pesada herança, ou seja, um Inverno muito seco com pouca pluviosidade. Em Novembro de 2008 estávamos então no sétimo mês consecutivo com pluviosidade abaixo do normal, o que se prolongou até Janeiro. Tivemos um Inverno muito frio, com neve em zonas pouco habituais e também no Douro. Só em Janeiro começou a chover com força tendo então superado as médias de pluviosidade. A chuva prolongou-se no mês de Fevereiro, juntamente com frio. Março despertou com temperaturas amenas e muito baixa pluviosidade. O Verão foi depois muito quente e seco (no Douro apenas 7 mm de chuva em Julho, Agosto e Setembro), somente com alguns “pingos de água” que não chegaram para evitar que muitas castas tivessem resistido mal ao excesso de calor e isso também acabou por determinar o perfil dos vinhos, mais cálidos e maduros, sobretudo nas zonas mais a sul do país. Em quantidade, a produção foi muito baixa. Tudo obrigou a um trabalho de vindima de grande precisão para se saber seleccionar exactamente o que colher em cada momento, muito mais em função da maturação do que a já tradicional vindima por parcela e por casta.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Trabalhos compensados
A prova que agora fizemos – e que a cada ano que passa nos mostra que o número de amostras a selecionar poderia ser multiplicado por dois, três ou quatro – evidenciou aquilo que se tem vindo a confirmar nos últimos anos: a moderna viticultura, capaz de produzir uvas de excelente qualidade e muito equilibradas, permite depois, com menos intervenção, fazer grandes vinhos, mesmo em anos difíceis. Todo o país está nesta “onda” e por isso encontramos muito bons vinhos em todas as regiões. Neste caso, o 2009 foi um pouco mais castigador para as zonas do sul, em virtude do calor imenso, gerando vinhos mais cálidos. No Dão, embora o número de amostras em prova não permita considerações sustentadas, provámos vinhos de grande equilíbrio, o que nada tem de estranho pois essa é mesmo a principal característica da região. Tivemos em prova mais amostras do Douro e os resultados mostraram que as cepas mais velhas (quase todos os vinhos provados desta região tinham origem em vinhas com idade) resistiram bem ao calor e não deixaram de originar grandes vinhos. Por comparação com outras provas anteriores dos tintos com 10 anos de idade, verificamos que a origem dos melhores vinhos varia, o que é sinal de que os vinhos espelham o ano e as maiores ou menores dificuldades de cada produtor.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34364″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Desconcertante foi o número de segundas garrafas que tiveram de ser abertas, mais propriamente sete, o que representa um percentagem de quase 30%, o que é muito: duas delas por TCA evidente (num dos casos a rolha, visualmente, era uma obra de arte) e as outras pelo problema bem mais irritante do “isto não está bem, vamos abrir a segunda”, atitude que se revelou bem compensadora, já que todas as segundas garrafas abertas estavam em muito boa forma.
Globalmente, fomos surpreendidos muito positivamente pela incrível juventude de muitos dos vinhos provados, com imensa vida pela frente, longe de chegarem ao plateau onde permanecerão, cremos, por muito tempo. E alguns deles poderão mesmo, no futuro, dar ainda melhor prova do que nesta fase.
Há painéis de prova que são mais fáceis ou agradáveis do que outros. Provar estes tintos com uma década, no auge das suas qualidades, é algo que enriquece e compensa esta vida de provador.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
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Quinta da Touriga-Chã
Tinto - 2009 -

Palácio da Bacalhôa
Tinto - 2009 -

Ex aequo
Tinto - 2009 -

Três Bagos
Tinto - 2009 -

Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo
Tinto - 2009 -

Quinta das Marias
Tinto - 2009 -

Quinta do Crasto
Tinto - 2009 -

Marquês de Borba
Tinto - 2009 -

J de José de Sousa
Tinto - 2009 -

Esporão Private Selection
Tinto - 2009 -

Cortes de Cima
Tinto - 2009 -

Quinta das Bágeiras
Tinto - 2009 -

Villa Oliveira
Tinto - 2009 -

Quinta do Vallado Field Blend
Tinto - 2009 -

Quinta de Carvalhais Único
Tinto - 2009 -

Quinta da Leda
Tinto - 2009 -

Luís Pato Vinha Pan
Tinto - 2009 -

Kompassus Private Collection
Tinto - 2009 -

Duas Quintas
Tinto - 2009 -

Dona Maria
Tinto - 2009 -

Robustus
Tinto - 2009 -

Chryseia
Tinto - 2009 -

Quinta do Vale Meão
Tinto - 2009 -

Pintas
Tinto - 2009
Edição Nº22, Fevereiro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row]
Um brinde à elegância

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Todos sabemos que a Bairrada produz grandes vinhos, com muita personalidade e longevidade. Pela sua exclusividade e custos de produção elevados, não é uma região vocacionada para vinhos baratos. O caminho pode e deve ser outro. Mas […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Todos sabemos que a Bairrada produz grandes vinhos, com muita personalidade e longevidade. Pela sua exclusividade e custos de produção elevados, não é uma região vocacionada para vinhos baratos. O caminho pode e deve ser outro. Mas consegue ainda assim oferecer vinhos com qualidade e elegância a preços competitivos, sem sacrificar a identidade regional.
TEXTO Dirceu Vianna Junior MW
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Para muitos a Bairrada continua sendo uma região misteriosa. É um desafio conseguir penetrar os seus segredos e desfrutar do encantamento de seus vinhos, cuja produção está documentada desde o período da civilização Romana.
Esta região rica em valores históricos e culturais situa-se entre dois importantes centros urbanos do país, Coimbra e Aveiro. É banhada ao norte pelo Rio Vouga e ao sul pelo Rio Mondego. No seu poente, encontram-se as areias das praias da Costa Nova, de Mira e da Figueira da Foz, e para a nascente as montanhas do Caramulo e do Buçaco. Grande parte de seus vinhedos estão localizados num verde planalto com leves ondulações entre o mar e a serra. A Bairrada tem um clima ameno com notável influência marítima. Chama a atenção devido à acentuada amplitude térmica que na época da colheita pode atingir 20ºC de diferença entre o dia e a noite. Essa forte influência marítima frequentemente impõe desafios devido ao excesso de chuva, entre 800mm e 1200mm, que em certos anos ameaçam a região durante a Primavera, mas principalmente na época do final do ciclo vegetativo, no início do Outono. Os solos mais adequados à vinha, principalmente de uvas tintas, são os solos argilosos com maior ou menor presença de calcário. Existem também solos de aluvião, xisto, quartzitos e solos arenosos propícios para uvas brancas e estilos de vinhos tintos mais leves.
A Bairrada possui longa tradição na produção de vinhos elaborados a partir de sua principal casta, a Baga. Outro diferencial pertinente é o facto de grande parte dos vinhedos de Baga na região possuírem 50 anos de idade ou mais. A Bairrada é certamente um dos locais mais desafiadores em Portugal para a produção de vinhos, especialmente tintos, por depender fortemente de uma variedade que possui um ciclo de crescimento longo, aliado a um clima imprevisível. A Baga na Bairrada é tão difícil de lidar quando o Pinot Noir na Borgonha. A verdade, porém, é que grandes riscos são frequentemente acompanhados de grandes recompensas, pois quando a natureza colabora e as uvas são vinificadas por mãos competentes, os resultados muitas vezes são fenomenais.
Existem, porém, métodos distintos e inúmeras alternativas incluindo a selecção de castas nos lotes, uso de engaço, técnicas de extração, e estágio em carvalho ou não. Estilos tradicionais, como o Quinta das Bágeiras Garrafeira, são vinificados em lagar aberto e sem desengace, envelhecidos em tonéis de madeira de grande porte e compostos unicamente pela casta Baga. São vinhos formidavelmente estruturados e exigem certo tempo de envelhecimento para revelar seu potencial. Por outro lado, uma abordagem moderna opta por eliminar ou utilizar apenas uma pequena percentagem dos engaços como é o caso da Niepoort na elaboração do seu rótulo Poeirinho, que tende a ser mais acessível e fácil de apreciar mais cedo, sem exigir um longo processo de envelhecimento em tonéis ou barris de madeira. A percepção de que a casta Baga é excessivamente adstringente e de que necessita de muito tempo para que seus taninos fiquem suaves é indevidamente generalizada e frequentemente mal compreendida.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Estilos muito diversos
Além de Baga, desde 2003, estão oficialmente permitidas uma multiplicidade de castas para elaboração de vinhos tintos incluindo Alfrocheiro, Aragonez, Bastardo, Camarate, Castelão, Jaen, Touriga Franca, Touriga Nacional e também Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah, além de outras, que podem aparecer em lotes nas mais variadas proporções. Por esse motivo, os vinhos tintos da Bairrada, actualmente, denotam uma variação desconcertante de estilos. Se isso, por um lado, revela diversidade, por outro, gera muita confusão. E esta é uma das principais razões pela qual a compreensão dos vinhos da região escapa à maioria dos críticos internacionais, sem falar dos consumidores. Embora os estilos sejam diversos, o futuro que os vinhos tintos da Bairrada devem trilhar é bem mais claro: a região precisa focar-se na elaboração de vinhos de alta qualidade e onde a Baga desempenha papel dominante. Mário Sérgio, proprietário e enólogo da Quinta das Bágeiras, acredita que esse é o caminho para conseguir notoriedade nacional e internacional. Na opinião de João Póvoa, proprietário do projecto Kompassus, é preciso reunir condições para que seja possível efectuar uma rigorosa classificação e ordenação dos solos segundo a sua capacidade vitícola, para que no futuro os produtores possam ostentar no rótulo essa diferenciação.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34355″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma opinião válida desde que o produto tenha características organolépticas distintas. Esse pensamento segue a tendência de outras regiões como Marlborough, na Nova Zelândia e Mendoza na Argentina que, apesar de mais jovens, já estão se adiantando nesse aspecto. Com olhos no longo prazo, essa diferenciação certamente irá ocorrer em muitas regiões produtoras e a Bairrada não deveria ficar para trás.
Além disso, na opinião de Mário Sérgio, um dos principais perigos que a região enfrenta actualmente, é julgar que a visibilidade atingida pela casta Baga seja suficiente para pensar que já está quase tudo feito. Na verdade, ainda existe um trabalho muito importante a ser realizado. Um dos principais desafios, de acordo com João Póvoa, é a comunicação, que precisa ser feita de forma mais dinâmica, direcionada à um público mais jovem e com forte aposta no marketing digital. Em termos de comunicação, além de afirmar a qualidade dos vinhos brancos (de grande mineralidade, salinidade e longevidade) é preciso divulgar os atributos positivos dos espumantes, especialmente Blanc de Noirs e Rosé, e logicamente os tintos elaborados com a casta Baga que são únicos e raramente surgem em outras regiões. São vinhos elegantes e gastronómicos, mas sobretudo inimitáveis.
É geralmente aconselhável colocar as coisas em ordem antes de iniciar um programa de comunicação e marketing, mas no caso da Bairrada esse conceito deve ser ignorado, pois a região já conta com produtos de qualidade, enólogos respeitados e boa diversidade nos seus produtos. Porém, ao contrário do que muitos pensam, a Bairrada, com poucas excepções, não é propriamente uma região conhecida internacionalmente. Basta examinar a oferta de importadoras e cartas de restaurantes na Inglaterra, Alemanha, China ou Estados Unidos. Quando é possível encontrar um vinho da região, geralmente estão na carta devido à dedicação e ao trabalho de uma minoria de produtores que viajam incansavelmente para construir suas marcas. Encontram espaço devido à boa qualidade de seus produtos e permanecem na carta devido a uma forte relação forjada entre o produtor e os seus clientes ao longo do tempo. Nesses casos, a identidade da região não é o factor determinante para o comprador.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34354″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Pagar o preço justo
Agora é o momento para a região se unir, demonstrar confiança e agir, pois a tendência na busca por vinhos opacos, super encorpados e ultra concentrados já começou ceder espaço a vinhos com mais harmonia, pureza e que demonstram originalidade. Será a descoberta do potencial que a região possui que irá gerar maior procura, preços mais altos e consequentemente ajudará ao seu impulsionamento. Os produtores precisam e merecem obter um preço justo pelo seu trabalho.
A Bairrada é uma pequena região onde a economia de escalas é um desafio. A região precisa valorizar mais o trabalho dos seus pequenos viticultores. Não faz sentido apostar na qualidade dos vinhedos quando o preço da uva não atinge o valor pago por um quilo da casta Airén em La Mancha, um valor excessivamente inferior ao preço pago por um quilo de uva na região de Champagne que na última safra ultrapassou seis euros.
Preço justo é vital para que a mão de obra do sector vitivinícola seja protegida, bem como os vinhedos velhos de Baga que devem ser preservados para evitar que seja, substituídos por variedades internacionais como Merlot, Syrah e Cabernet Sauvignon. Não faz sentido vender matéria prima por um preço baixo a empresas que não tem intenção de ajudar reforçar a imagem da região.
O que actualmente auxilia países como o Chile e Austrália a melhorar sua imagem junto de profissionais e consumidores é o trabalho que está sendo feito por uma geração de enólogos jovens que buscam matéria prima de pequenas parcelas, vinhedos velhos, demonstram a sua criatividade elaborando vinhos com personalidade e excelente qualidade, e contam a sua história com convicção. Nesse caso, como o volume de produção é restrito, a distribuição é feita por empresas de menor porte que realmente se preocupam em vender produtos de qualidade e contar a história, ajudando assim o produtor e a região a construir uma boa imagem. Esse é o caminho que deve ser trilhado pelos produtores da Bairrada, que não anseiam vender grandes volumes, mas sim oferecer produtos autênticos, de qualidade, a preços justos. A região necessita imperativamente atrair jovens vitivinicultores, com boa formação e ambição para ajudar com esse trabalho.
A Bairrada é uma região produtora de vinhos rica de história. Conta com excelentes vinhos e precisa urgentemente comunicar isso sem timidez, com energia e fazer esse trabalho em conjunto. O que a maioria dos profissionais e consumidores estão buscando actualmente são vinhos mais autênticos, com harmonia, e a Bairrada oferece vinhos que esbanjam elegância e frescura que vão justamente ao encontro dessa tendência.
Não tenho dúvidas que, no futuro, a região deverá preocupar-se menos com a quantidade e valorizar a qualidade acima de tudo. A lista de vinhos que agora provei inclui vinhos de produtores respeitados, mas propositadamente não são os seus topo de gama, em muitos casos são os vinhos de entrada. Por esse motivo podem até não representar o que a região deve aspirar a ser no futuro. Mas são vinhos que oferecem excelente custo e benefício e servirão para atrair consumidores, ajudando-os entender que os vinhos da Bairrada são únicos: vibrantes, frescos, elegantes, e gastronómicos. A Bairrada continua sendo uma região misteriosa para muitos consumidores, mas chegou o momento de o mundo descobrir os seus segredos e brindar à elegância que os vinhos da região tem para oferecer.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº22, Fevereiro 2019
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
ALENTEJO PREMIUM: Brancos com ambição

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vinhos brancos de grande qualidade e para todos os gostos revelam uma região cada vez mais diversificada. Se o Arinto aporta, muitas vezes, acidez e frescura aos lotes com Antão Vaz, o leque das castas utilizadas não […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vinhos brancos de grande qualidade e para todos os gostos revelam uma região cada vez mais diversificada. Se o Arinto aporta, muitas vezes, acidez e frescura aos lotes com Antão Vaz, o leque das castas utilizadas não se fica por aqui…
Texto: Nuno de Oliveira Garcia
Fotos: Ricardo Palma Veiga
A história ensina-nos que o Alentejo foi, durante séculos, uma terra com brancos afamados. A confirmar esse passado de vinhos brancos, temos a existência de mais uma dezena de castas brancas tradicionais – Antão Vaz, Arinto, Fernão Pires, Perrum, Roupeiro, Rabo de Ovelha, Manteúdo, Trincadeira das Pratas, Tamarez, Alicante Branco e Diagalves –, e pelo menos dois terroirs historicamente famosos pelos brancos, caso dos míticos ‘brancos da Vidigueira’ e dos conceituados ‘brancos de Beja’. Também no Alentejo das talhas, nas adegas e tabernas, era (e em certos locais ainda é) o branco o vinho maioritário e o preferido. Às referidas castas poderíamos juntar as variedades Verdelho (muitas vezes Verdejo…) e Gouveio, cada vez mais utilizadas, bem como as denominadas ‘castas melhoradoras’ como seja as nortenhas Alvarinho e o Viosinho, e a francesa Viognier, introduzidas em força nos anos ‘90. O igualmente francês Chardonnay também aparece amiúde e por regra com qualidade sobretudo a norte da região.
Todavia, no final dos anos ’70, e após mais de três décadas cativa do estigma de ser o ‘celeiro de Portugal’, o renascimento da região centrou-se na produção de tintos, à revelia da sua tradição centenária.
Efetivamente, os anos ’80 e a primeira metade dos ’90 foram de aposta na vinha tinta no Alentejo, com vários novos produtores a anteverem que a combinação de um clima tendencialmente quente, solos de boa produção (ainda hoje a produção média é superior a 8 toneladas por hectare), e um mercado sedento por vinhos tintos jovens de taninos maduros, era uma ‘aposta ganha’. E foi; pois o Alentejo tornou-se, em pouco mais de uma década, na região líder no mercado nacional nos vinhos tintos, tanto ao nível da quota de mercado em volume, como em valor, na categoria de vinhos engarrafados de qualidade com classificação DOC e IG, representando quase um ¼ das exportações nacionais de vinhos com aquela classificação.
Sucede que, com o aproximar do novo milénio, e com novos perfis de consumidores cada vez mais à procura de vinhos frescos e leves (acompanhando a tendência internacional, diga-se), os brancos voltaram a ganhar terreno na região, de tal modo que muitos hectares (re)plantados com castas tintas nos anos ’70 voltariam a ser enxertados com castas brancas na segunda metade dos anos ’90. Atualmente, cerca de 25% do encepamento é branco, o que significa uma franca recuperação em relação ao passado recente, com as sub-regiões da Vidigueira, Borba e Reguengos a liderar na área de vinha branca cadastrada.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]E se é verdade que as ditas ‘castas melhoradoras’ se revelaram úteis para produzir em quantidade e qualidade (fundamentais, por exemplo, para a produção de vinhos de sucesso com preço entre €3,5 e €6,5), também o é que muitos produtores buscam atualmente cada vez mais uma matriz regional que distinga os seus produtos dos restantes produzidos pelo país.
Sucede que, com o aproximar do novo milénio, e com novos perfis de consumidores cada vez mais à procura de vinhos frescos e leves (acompanhando a tendência internacional, diga-se), os brancos voltaram a ganhar terreno na região, de tal modo que muitos hectares (re)plantados com castas tintas nos anos ’70 voltariam a ser enxertados com castas brancas na segunda metade dos anos ’90. Atualmente, cerca de 25% do encepamento é branco, o que significa uma franca recuperação em relação ao passado recente, com as sub-regiões da Vidigueira, Borba e Reguengos a liderar na área de vinha branca cadastrada. E se é verdade que as ditas ‘castas melhoradoras’ se revelaram úteis para produzir em quantidade e qualidade (fundamentais, por exemplo, para a produção de vinhos de sucesso com preço entre €3,5 e €6,5), também o é que muitos produtores buscam atualmente cada vez mais uma matriz regional que distinga os seus produtos dos restantes produzidos pelo país.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34346″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Identidade com diversidade”][vc_column_text]Neste âmbito, a conjugação das castas Antão Vaz e Arinto é das que mais sucesso reúne, como demonstra o presente painel onde a parelha é claramente dominante. A estrutura, sabor e firmeza, da primeira uva unem-se na perfeição com a acidez, tensão e mineralidade, da segunda. A completar o triângulo dourado das castas, o Roupeiro – uva disseminada no passado, depois caída em desgraça e agora de novo mais utilizada em vinhos com ambição – transfere perfume citrino e poder de atração. Das três variedades, é grande a tentação em destacar o Antão Vaz, mas, rigorosamente, é o Arinto que mais aparece nos lotes, e que é mais transversal à região.
Sucede, que o Alentejo é uma região enorme, com distâncias significativas entre os limites Norte e Sul, e entre os limites Este e o Oeste. Com quase 22 mil hectares de vinha apta à produção de vinho com Denominação de Origem ou Indicação Geográfica, o Alentejo é um país dentro do país, com diferentes climas e solos. Por isso, a utilização das castas ditas regionais não é sequer uniforme, como sucede, por exemplo, com o Antão Vaz que tem dificuldade em amadurecer a norte de Évora e em regiões húmidas próximas do litoral. A existência de oito sub-regiões de Denominação de Origem, e a circunstância de se produzir vinho um pouco por toda a região – do litoral vicentino ao norte de Portalegre, passando por Montemor – faz da reunião alentejana um labirinto apaixonante para os consumidores exigentes que procuram diversidade. Por isso, podemos encontrar, no limite norte da região, um Chardonnay estagiado em barrica com uma frescura surpreendente (Monte da Raposinha), mas também um blend de Viognier da Vidigueira com Alvarinho e Sauvignon Blanc do litoral costeiro (Cortes de Cima), entre tantas outras variações e declinações.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34344″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Castas brancas do Alentejo” color=”black”][vc_column_text]Antão Vaz é considerada a casta bandeira do Alentejo. O que não deixa de ser curioso para uma variedade que, no início dos anos 80, era quase inexistente fora da Vidigueira. As noites mais frescas desta sub-região alentejana (influência da serra do Mendro) conferem mais frescura, equilíbrio e mineralidade, sobretudo quando plantada em solos de xisto e granito. Fora da Vidigueira, precisa muitas vezes do apoio de uma casta mais ácida. Fruto expressivo, corpo, elegância, são alguns dos seus atributos.
Até à ascensão da Antão Vaz, a Síria (ou Roupeiro, como é conhecida localmente) era a rainha das uvas brancas alentejanas. Ainda hoje mantém o segundo posto, mas longe do predomínio de outrora. Origina vinhos muito aromáticos quando jovens, mas não mostra no clima alentejano a resistência ao tempo que revela no planalto da Beira Interior. Ainda assim, continua a ser de grande utilidade nos lotes.
Arinto é a parceira ideal da Antão Vaz, conferindo-lhe a acidez e frescura que por vezes lhe falta. Uva antiga, presente em todo o país, é muito provavelmente a casta branca portuguesa mais útil, pela sua polivalência, adaptabilidade, acidez natural e aromas e sabores citrinos. Na região do Alentejo e sua utilidade é enorme, sendo mais plástica, polivalente e determinante que a própria Antão Vaz.
Fernão Pires e Rabo de Ovelha, são duas castas tradicionais na região (e em quase todo o Portugal continental, na verdade), mantendo ainda uma pequena presença (pouco mais de 5% cada) nas plantações alentejanas. A Fernão Pires origina vinhos de grande intensidade floral e corpo cheio, mas precisa ser vindimada bem cedo, sob pena de perder a acidez e a graça. Tal como a Fernão Pires, a Rabo de Ovelha tem produtividade elevada, e necessita cuidados acrescidos para originar vinhos de qualidade.
Verdelho, Gouveio e Alvarinho (as primeiras duas são muitas vezes confundidas, até pelos próprios produtores) são castas recentes na região, mas em forte expansão. A elegância aromática, o perfume, a capacidade de manter acidez com a maturação são trunfos importantes a seu favor.
Rabo de Ovelha, Perrum, Diagalves, Manteúdo. Juntamente com o Roupeiro, antigamente encontravam-se por todo o Alentejo, mas estão agora em acentuado declínio. Raramente são objecto de atenção nas novas plantações, ainda que se comece a assistir à redescoberta da Perrum, uma casta de grande qualidade, pela acidez e componente mineral que empresta aos vinhos. (LL)[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”extra-color-1″][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Um Alentejo por descobrir”][vc_column_text]A respeito da enorme diversidade da região, António Maçanita (Fita Preta) destaca que, mesmo sem sair de Évora e do Redondo, tem tido descobertas recentes de vários terroirs húmidos e com enorme frescura, alguns deles já com vinha relativamente velha, pelo que, afirma, “não há um só Alentejo”. Hamilton Reis (Cortes de Cima) e Bernardo Cabral (Vicentino e Balanches) destacam os desafios do litoral alentejano com maior dificuldade de amadurecimento e algum risco de podridão, aspectos compensados pela inegável vantagem ao nível da preservação da acidez natural da fruta. Por sua vez, Pedro Baptista (Fundação Eugénio Almeida) destaca a heterogeneidade dos solos. O administrador e enólogo contou-nos que plantou, não há muito tempo, a casta Encruzado num afloramento de granito a poucas dezenas de quilómetros de Évora e inserido numa propriedade de relevo acidentado e com muitos outros solos (em especial xisto quer em solos amarelos, quer em solos pardos). Depois de monocastas de Alvarinho e de Viosinho, entre outras, em 2016 o Scala Coeli branco foi produzido a partir precisamente de uva dessa vinha de Encruzado, com o vinho daí resultante a ser um dos vencedores da prova![/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34343″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Por sua vez, e proveniente de um solo xistoso, a casta Arinto colocou no pódio o produtor Herdade de São Miguel. A propósito do vinho, Alexandre Relvas confessou-nos que desde o início que a empresa separarou um pequeno lote de Arinto, e que o mesmo foi para barricas com a sua evolução monitorizada, mas sem utilização noutros lotes. Daí ter ficado ‘Esquecido’ (denominação comercial do vinho) e, depois de prova recente que confirmou a sua extraordinária qualidade, ter sido decidido o seu engarrafamento em separado.
Por fim, o outro vencedor – Procura Vinhas Velhas –, um branco da Serra de São Mamede, nada mais nada menos do que proveniente de parcelas de uma vinha velha com mais de 80 anos e mistura de castas com baixíssima produção. Susana Esteban, enóloga espanhola de formação, trabalha as várias parcelas desde 2011, sendo que a sua incessante procura da melhor expressão das uvas levou-a a fermentá-las apenas em inox e a estagiar o vinho em barricas da Borgonha verdadeiramente usadas, neste caso, todas com mais de 6 anos. Como se vê, (também) nos brancos, o Alentejo não é um só, é um conjunto que forma um todo. Apaixone-se por ele![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
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Vidigueira
Branco - 2013 -

Volte-Face Private Selection
Branco - 2017 -

Régia Colheita
Branco - 2017 -

Marquês de Borba Vinhas Velhas
Branco - 2017 -

Dona Maria Amantis
Branco - 2016 -

Balanches
Branco - 2017 -

Adega de Borba
Branco - 2016 -

Tiago Cabaço Vinhas Velhas
Branco - 2017 -

Sericaia Tapada do Coronel
Branco - 2015 -

Reserva do Comendador
Branco - 2017 -

Quinta do Carmo
Branco - 2016 -

Quetzal
Branco - 2014 -

Pousio
Branco - 2015 -

Poliphonia
Branco - 2017 -

Paulo Laureano Vinhas Velhas Private Selection
Branco - 2017 -

Olho de Mocho
Branco - 2017 -

NB 180 Anos
Branco - 2015 -

Mingorra
Branco - 2017 -

Malhadinha
Branco - 2017 -

Humanitas
Branco - 2017 -

Herdade dos Grous
Branco - 2017 -

Herdade do Sobroso Cellar Selection
Branco - 2017 -

Herdade do Perdigão
Branco - 2017 -

Herdade Paço do Conde
Branco - 2016 -

Herdade das Servas
Branco - 2017 -

Herdade Grande
Branco - 2016 -

Alento
Branco - 2017 -

Terrenus Vinha da Serra
Branco - 2016 -

Tapada do Chaves
Branco - 2017 -

Tapada de Coelheiros
Branco - 2016 -

Ravasqueira Premium
Branco - 2015 -

Palpite
Branco - 2017 -

Esporão Private Selection
Branco - 2016 -

Scala Coeli
Branco - 2016 -

Procura Vinhas Velhas
Branco - 2016 -

Arinto Esquecido
Branco - 2017
Edição Nº22, Fevereiro 2018
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Uma península com toque alentejano

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A região a que se convencionou chamar de Península de Setúbal contém, em boa parte da sua superfície, largos hectares de área da região, esta administrativa, do Alentejo. É a zona sul, a mais atlântica, que dá […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A região a que se convencionou chamar de Península de Setúbal contém, em boa parte da sua superfície, largos hectares de área da região, esta administrativa, do Alentejo. É a zona sul, a mais atlântica, que dá vinhos diferentes dos que estão a Norte e a Leste. Dois produtores da região mostram isso muito bem.
TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA João Paulo Martins e Mariana Lopes
Não é a região de Azeitão, Palmela e Fernando Pó, por exemplo. Nem é Reguengos, ou Borba, ou Portalegre. A zona sul da Península de Setúbal é um terroir próprio, dominado pela influência atlântica, boas amplitudes térmicas e pelos solos onde predomina a areia com subsolo de média fertilidade.
“Por aqui não há temperaturas exageradas e a proximidade do mar ameniza tudo”, diz-nos José da Mota Capitão, proprietário da Herdade do Portocarro. E acrescenta, “qui conseguimos incríveis teores de acidez”. A sua colega Jacinta Sobral está de acordo. A proprietária da Serenada nem precisava de o dizer: os seus vinhos mostram bem a influência atlântica na salinidade e na frescura.
Este terroir é tão particular que espanta como é que existam aqui poucos produtores de vinho e de pequena dimensão. Mota Capitão tem pena: “não temos produtores suficientes para fazer massa crítica; somos apenas uma meia dúzia. E alguns estão em evoluções diferentes”. Pior ainda: nenhum dos ‘pesos-pesados’ da Península de Setúbal, com milhões de litros anuais, possui vinhas nesta zona. Podem comprar aqui uva (ou vinho), mas não estão cá. E, ao contrário do que começa a acontecer mais a sul, com a entrada de produtores alentejanos à procura de acidez para os seus vinhos, por aqui não se nota esse movimento.
Jacinta Sobral e José Mota Capitão pode ter pena, mas não perdem uma noite a pensar nisso. Ambos lideram projectos com sucesso, fazem vinhos de que gostam e, melhor ainda, vendem bem.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Serenada / Serras de Grândola” title_align=”separator_align_left” color=”custom” accent_color=”#888888″][image_with_animation image_url=”34328″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][vc_column_text]O nosso primeiro destino está no concelho de Grândola Não é difícil lá chegar porque tem um pequeno hotel, muito charmoso. Tudo é pertença de Jacinta Sobral, farmacêutica de profissão em Lisboa, mas nascida e criada nestas paragens. A propriedade está na família desde pelo menos 1680, porque existe um testamento dessa data, que Jacinta exibe com orgulho. Está, aliás, parcialmente retractado nos rótulos dos seus vinhos mais caros, como o Cepas Cinquentenárias. A quinta tem 23 hectares no total e a primeira vinha nasce em 1961, pelo pai de Jacinta, que plantou apenas um hectare, com castas brancas e tintas, todas misturadas (75% tintas). Não havia grande tradição de vinha na região e Jacinta lembra-se apenas de Pinheiro da Cruz e Melides, aqui de forma muito artesanal. Em 1970 nasceu mais um pedaço de vinha, com outro hectare. A vinha abrange três tipos de solos bastante diferentes, com 7, 65 e 300 milhões de anos de idade. Existem areias, xistos e mesmo argilas. E vários outros minérios, como manganês. Um bom sinal, porque solos diferentes dão vinhos diferentes e Jacinta já reparou que isso acontece, por exemplo, no Verdelho. Poderá ter a ver com diferentes fertilidades de solo, ou quaisquer outras razões. Mas as diferenças existem.
Voltemos à história: nos primeiros anos, o pai de Jacinta fermentava tudo ao mesmo tempo e só uns bons anos depois começou a separar brancos e tintos. Jacinta ajuda no que pode, mas com mais força na vindima e nos últimos anos de vida do pai.
Em 2006, o pai morre e Jacinta faz contas com os dois irmãos, tomando conta da propriedade. Afastada do mundo do vinho, a farmacêutica fica sem saber muito bem o que fazer. Decide plantar mais vinha, mas aconselham-na a arrancar a vinha velha. Antes de tomar decisões apressadas e gastar (bom) dinheiro, Jacinta decide ampliar a sua formação vínica. Em 2007 vai para o Instituto Superior de Agronomia e tira um mestrado: “Foi a melhor coisa que fiz”, diz-nos ela com indisfarçável orgulho. “Ao fim de 2 ou 3 meses percebi que não ia arrancar coisa nenhuma”.
A área de vinha, entretanto, vai crescendo e está hoje nos 6,5 hectares. No total contém mais de 20 castas, porque Jacinta gosta de experimentar.
A vinha está rodeada por floresta, de tal forma que faz pensar, a espaços, nas vinhas do Dão.[/vc_column_text][vc_gallery type=”image_grid” images=”34331,34329,34330″ layout=”3″ gallery_style=”1″ load_in_animation=”none”][vc_column_text]NASCE UMA ADEGA
Em 2008 Jacinta resolveu fazer uma adega (a adega original está em terrenos que ficaram para o irmão). Não vai ganhar prémios de arquitectura, mas está bem equipada para a função de fazer bom vinho. “Já está a ficar pequena”, lamenta Jacinta. “Por causa do estágio”. Pois… a enóloga gosta de vinhos com estágio e, como não tem pressa de vender, as garrafas ocupam muito espaço. Na adega repousam vinhos da sua marca, Serras de Grândola, de 2013 para a frente, brancos sobretudo. Arinto e Verdelho envelhecem muito bem. “Ainda não sei como será o Gouveio…”, diz-nos Jacinta.
A adega está cheia de cubas de pequena capacidade (de 150 a 1.000 litros), herdadas. Mas são ideais para fazer pequenas quantidades e, claro, muitas experiências. “Vou enchendo e só depois faço os lotes”, diz-nos Jacinta. A maior cuba, de 6.000 litros, pouco é usada. Para os tintos existem duas cubas de 2.500 litros. Ou seja, dá tudo um trabalhão, mas a proprietária aprende e diverte-se. Para as cubas que não têm frio, Jacinta usa placas endógenas.
Os vinhos são secos, austeros, sem artifícios. Podem mesmo ser considerados algo difíceis para o consumidor menos enófilo, habituado à actual doçura residual. Mas são muito gastronómicos, porque muito frescos, cheios de carácter. Mas, depois de provar várias colheitas antigas, agradecem o estágio.
Jacinta faz algum vinho de base, em bag-in-box, para consumo local e alguns clientes fiéis. Mas, diz Jacinta Sobral com um sorriso de orelha a orelha: “cada vez faço menos vinho de base e cada vez faço mais vinhos especiais, os que gosto de fazer”.[/vc_column_text][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
A sua herdade do Portocarro fica no concelho de Alcácer do Sal, freguesia do Torrão. Foi adquirida por Pepe há bem mais de uma década, depois de cursar Agronomia em Lisboa, onde vivia. Desde cedo que mostrou sentido e gosto para a agricultura, cultivando arroz nas lezírias sadinas da herdade. A vinha nasceu em 2002, com a assistência técnica de Paulo Laureano, que aqui esteve até 2012. Actualmente é António Rosado que dá a assistência técnica, tanto na vinha como na adega. Os dois complementam-se na vontade de experimentar e fazer melhor. Nestes anos já acumularam um invejável manancial de conhecimentos e é um gosto falar com eles sobre vinha e vinho. Pepe já tem vinhos da casta Boal (famosa na Madeira) e Galego Dourado (de Carcavelos) e possivelmente o vinho mais famoso da casa, o Anima, é feito com a casta italiana Sangiovese. Na altura era único no país (e se calhar ainda é), mas era muito bom e vendeu – e continua a vender – muito bem. A propósito, aparecer uma versão Sangiovese em branco, de nome Manda Chuva.
PRIVILÉGIO PARA A MATÉRIA-PRIMA
A vinha está um brinco, plantada sobretudo em encosta suave. É aqui que Pepe e António passam muito tempo, não só porque gostam da viticultura e querem as melhores uvas, mas também porque têm muitas castas diferentes para cuidar. E só assim a equipa consegue conhecer os “humores” de cada uma, do Cabernet à Touriga Franca, do Galego Dourado ao Sercial. No total são 18 hectares, com várias exposições e altitudes diferentes. O terroir é a menina dos olhos de Pepe: “esta é uma região abençoada para a vinha”.
As uvas vão para a adega, ali ao lado, transformada de um antigo barracão. Mas o que está lá dentro, incluindo um conjunto de dispendiosos balseiros da Seguin Moreau, é material de alta qualidade. Tanto servem para fermentações como para estágio, e todos os vinhos passam por aqui. Os resultados compensam, mas os balseiros dão muito trabalho a higienizar. Tudo é fermentado casta a casta. Lotes, só à posteriori. E não há linha de engarrafamento. Mas, ainda assim, a adega está a ficar pequena…
“O nosso maior lote é de 50 mil litros (Autocarro 27). Os outros têm entre 2.500 e 10.000 litros”, diz-nos António Rosado. Ou seja, pequenas tiragens de vinhos com um perfil especial. “O estilo da casa é sobretudo a frescura, elegância, vegetal”, afirma o proprietário. E manter teores alcoólicos moderados. Em primeiro lugar porque Pepe e António não gostam de fruta exuberante. E depois porque não precisam de forçar nada: graças às maiores amplitudes térmicas na altura antes da vindima, as plantas não param de trabalhar e as maturações fenólicas costumam andar à frente das alcoólicas. No final ambos reconhecem que não fazem os vinhos mais consensuais do mercado: quem goste de vinhos muito encorpados, alcoólicos, de fruta exuberante, tosta e finais adocicados pode procurar em outro lado. A frescura e elegância (e os taninos, nos tintos) são características de vinhos longevos e é por isso que aqui não há pressas em lançar os vinhos para o mercado. O mercado agradece, incluindo o estrangeiro: “Exportamos metade e, melhor ainda, vendemos lá fora os vinhos mais caros do que cá”, revela Pepe. A casa vai de vento em popa, batendo recordes todos os anos. Mas Pepe não está satisfeito…[/vc_column_text][vc_gallery type=”image_grid” images=”34334,34335,34336″ layout=”3″ gallery_style=”1″ load_in_animation=”none”][vc_column_text]À PROCURA DE VINHAS
Ali ao pé, em Melides, em terras de xisto, Pepe entrou num projecto chamado Pego da Moura, em sociedade com Manuel Ricciardi, proprietário de parte das vinhas. O restante vem de parcelas locais, algumas com muitas décadas e outras ainda em pé franco. Fizeram-se alguns acordos com os proprietários locais e daí já nasceu um Boal e um Castelão (2015), da marca Pego da Moura Impossible Vineyads. No meio da sociedade entrou ainda um artista plástico inglês, que também já tem vinhas plantadas com varas retiradas das plantas velhas da região. O provámos é extraordinário e estamos em crer que o futuro ainda trará ainda melhores novidades.[/vc_column_text][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº 22, Fevereiro 2019
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De Valpaços a Vidago

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Para além das serras do Marão e do Alvão, a Norte do rio Douro, no extremo Nordeste de Portugal, encontra-se a região de Trás-os-Montes. É lá que encontramos dois produtores, Valle de Passos e Quinta de Arcossó, […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Para além das serras do Marão e do Alvão, a Norte do rio Douro, no extremo Nordeste de Portugal, encontra-se a região de Trás-os-Montes. É lá que encontramos dois produtores, Valle de Passos e Quinta de Arcossó, autênticos “must-drink” à espera de ser descobertos.
TEXTO Mariana Lopes
FOTOS Anabela Trindade
NOTAS DE PROVA Mariana Lopes e Luís Lopes
Apesar do relativo “low profile” dos vinhos transmontanos, aqui a tradição vitivinícola é secular. Esta região sempre produziu vinho para consumo local, acima de tudo pela dificuldade de acessos, tendo sido um pouco esquecida quando da industrialização de outras zonas do país. Hoje, com as melhorias consideráveis em todos esses parâmetros, Trás-os-Montes é a origem de vinhos de grande qualidade, que percorrem Portugal e são exportados para todo o Mundo. Segundo os últimos dados (2017) do Instituto da Vinha e do Vinho, actualmente, a área total de vinha ronda os 14.500 hectares, e a produção de vinho, do ano 2017/2018, foi de 85.430 hectolitros. Deste número, 14.082hl foram D.O. Trás-os-Montes e 6.218hl Regional Transmontano.
De solos maioritariamente graníticos, com manchas ocasionais de xisto, esta região é dividida em três sub-regiões: Chaves, Valpaços e Planalto Mirandês. A sua área é de grande extensão mas, não obstante o cultivo da vinha ser muito antigo, esta não era, nem é, a principal actividade agrícola, o que faz com que a predominância nos campos seja de outro tipo de cultivos, como os cereais, a oliveira ou o castanheiro, também com grande peso da criação de gado. O clima é continental, ou seja, seco, com Verões muito quentes e Invernos rigorosos, dotado de grandes amplitudes térmicas. Embora estas características se apliquem em todas as sub-regiões, cada uma delas tem a sua própria especificidade e os microclimas são evidentes. A sub-região de Chaves toca em Espanha no limite Norte de Portugal. É a mais húmida das três e também a mais chuvosa, conhecida pelas águas termais, indo dos 350 aos 400 metros de altitude. Ali, as vinhas desfilam pelas encostas de vales de pequena dimensão, que culminam no rio Tâmega. Já Valpaços localiza-se no coração da comummente chamada Terra Quente. Aqui, os solos apresentam bastantes manchas de xisto, com várias zonas de transição, e a altitude vai desde os 450 aos 650 metros. É onde faz mais calor, no Verão, e onde os valores de humidade, assim como de pluviosidade, são relativamente baixos. No Planalto Mirandês, a conversa é outra: o rio Douro tem grande influência na vinha. Os solos são mais xistosos, localizados dos 350 aos 600 metros, e as suas vinhas sentem amplitudes térmicas muito grandes e valores de humidade muito baixos, com a particularidade de existir grande incidência de vento. Estas características são, inquestionavelmente, favoráveis à inibição de certas doenças e à prática de agricultura biológica.
As castas mais presentes em Trás-os-Montes, apesar serem quase todas comuns à vizinha região do Douro, têm as suas próprias idiossincrasias, sobretudo por estas particularidades edafoclimáticas. Assim, os vinhos são eles próprios únicos e raçudos, frescos, os tintos vegetais e frutados, com taninos marcados nos primeiros anos, sublimes quando se espera por eles, e os brancos gulosos, florais e elegantes. São essas castas Tinta Amarela, Bastardo, Tinta Gorda, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, falando de tintas, e Viosinho, Gouveio, Códega do Larinho, Rabigato, Malvasia Fina, Fernão Pires e Síria, nas brancas.
A casa vitivinícola transmontana mais clássica e com maior notoriedade junto do consumidor é, certamente Valle Pradinhos, em Macedo de Cavaleiros. Mas Trás-os-Montes tem vindo na última década a dar muito boas novas aos apreciadores, com um conjunto de produtores de apreciável qualidade. No Planalto Mirandês, fomos conhecer, há pouco mais de um ano, a casa Costa Boal – Palácio dos Távoras. Agora, nos primeiros dias do ano 2019, foi tempo de visitar mais dois produtores, Valle de Passos, em Valpaços, e Quinta do Arcossó, em Vidago, Chaves.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Quinta Valle de Passos” color=”black” style=”shadow”][image_with_animation image_url=”34260″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][vc_column_text]À entrada de Valpaços, a rotunda anuncia, em jeito de boas-vindas, as castas bandeira: Tinta Amarela, Bastardo e Códega do Larinho. Estão zero graus de temperatura nesse dia, fáceis de ignorar quando o assunto é a descoberta de projectos vínicos. Lurdes Brás e Carla Correia são mãe e filha, mas também são sócias e líderes do projecto Quinta Valle de Passos, um negócio com ambição e que já se anuncia como o maior produtor individual de uvas da região de Trás-os-Montes.
Tudo começou quando Carla, licenciada em Psicologia, mestre em Gestão de Marketing e detentora de um MBA, se viu no ponto em que nada a entusiasmava a nível profissional. Viveu no Porto durante alguns anos e passou por vários ofícios, mas “queria sempre mais qualquer coisa”, afirmou. De facto, a ligação ao vinho já existia, pois o pai detinha algumas vinhas no Douro, e Carla passou os Verões da sua infância e juventude em vindimas. No final de 2013, a jovem, agora com 37 anos, e a mãe Lurdes lançaram-se à compra de vinhas em Valpaços o que, juntamente com outros terrenos herdados, perfez um total de 80 hectares, 50 dos quais de vinha e três de vinha velha, em solos de xisto, divididos entre três quintas, onde por perto se encontra o Rio Torto. Primeiro, adquiriram 21 hectares de vinhedos que tinham sido atingidos, nesse mesmo ano, por incêndios, e que aproveitaram para restruturar. “Eram quase só Syrah, e replantámos com, por exemplo, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Roriz e Bastardo”, disse Carla. Em 2018 já reconverteram outra área que tinha só Touriga Nacional, que apresentava muitas falhas, onde puseram Tinta Amarela e Bastardo, num rácio 50/50. Na vinha de tintos de maior extensão, com 30 hectares, há um lago onde vão buscar água para a rega gota a gota, tudo alimentado por painéis solares, não fosse Lurdes Brás proprietária de um negócio de energias renováveis. Em produção integrada, estas uvas tintas estão todas entre os 250 e os 300 metros de altitude. As uvas brancas, por sua vez, encontram-se entre os 600 e os 650 metros, sendo elas Viosinho, Códega do Larinho, Malvasia Fina, Verdelho, Gouveio, Arinto e Rabigato. Desde 2018 que o enólogo consultor é Luís Seabra, sucedendo-se à dupla Carlos Magalhães e Manuel Vieira. Com ambição de se envolver cada vez mais no processo de produção dos seus vinhos, Carla concluiu, recentemente, uma pós-graduação em enologia.
O primeiro vinho surgiu em 2014 e o portfólio inicial era constituído por dois brancos e dois tintos, um colheita e um Reserva para cada um, e um rosé. Agora, juntam-se a estes um Grande Reserva tinto e um monocasta de Tinta Amarela, numa produção total de quase 60 mil garrafas. A exportação é de 40%, essencialmente para países como os Estados Unidos, o Canadá e o Brasil. O próximo passo é a construção de adega própria e de um espaço de enoturismo, bem como o aumento da produção de vinho. Carla Correia mostra maturidade a nível de negócio, mesmo sendo nova no sector do vinho. Talvez seja o background de Gestão, mas a verdade é que a aposta tem sido, e continuará a ser, num crescimento lento e sustentado.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
As referências são nove: cinco tintos, três brancos e um rosé, que representam uma produção de 60 mil garrafas, das quais 30% é exportado para os Estados Unidos, Brasil, França, Suíça, Bélgica, entre outros. Como complemento, Amílcar Salgado produz cerca de 600 garrafas de azeite, de olival seu e mistura de variedades. “Este ano tive mais 25% de produção”, declarou, com ânimo, o homem que, no seu discurso empolgante, transparece conhecimento em várias áreas, sobretudo a geográfica e histórica, mas também vitivinícola. E advertiu: “Cuidar bem da parede vegetativa é fundamental e pode evitar desastres, como os que aconteceram em muitas vinhas em 2018”.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº22, Fevereiro 2019
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Barbeito junta um branco seco ao seu portefólio

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Ricardo Diogo Freitas, que em 1991 assumiu de corpo e alma a gestão da empresa da sua família e mudou o rumo da Vinhos Barbeito, continua a surpreender. Incansável e imparável, profundamente dedicado e de certa forma […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Ricardo Diogo Freitas, que em 1991 assumiu de corpo e alma a gestão da empresa da sua família e mudou o rumo da Vinhos Barbeito, continua a surpreender. Incansável e imparável, profundamente dedicado e de certa forma irreverente, apresentou as novidades deste ano, entre as quais há uma surpresa.
TEXTO Valéria Zeferino
O lançamento decorreu na adega em Câmara de Lobos, construída em 2008 de acordo com os requisitos necessários para assegurar o envelhecimento do Madeira. É um espaço amplo com paredes grossas e coberturas diferentes: a de folhas de zinco conduz melhor o calor, contribuindo para uma maior evaporação e evolução de vinho, enquanto a de betão mantém a temperatura mais fresca, atrasando o envelhecimento. Desta forma cria-se maior número de ingredientes para lotes. As janelas feitas propositadamente na parte mais fria da adega permitem refrescar o ambiente quando necessário.
A curiosidade intelectual e o espírito inovador levam Ricardo a fazer inúmeros ensaios nas vinificações. Este ano fez apenas 27. “Apenas”, porque antes já tinha chegado a mais de 40.
A maior novidade foi a estreia do Verdelho na versão do vinho tranquilo. “Um dia tinha que ser” e este dia chegou. Mas foi preparado com muita antecedência. Tudo começou na vinha com um meticuloso trabalho de viticultura. A vinha fica na costa Sul, na zona da Raposeira, concelho da Calheta. Nos últimos 20-30 anos produzia uva para o Madeira com rendimento de 2,2kg por pé. As exigências em termos de qualidade resumiam-se em três palavras – “bastava ser sã”, pois o Madeira tem todo o tempo do mundo para concentrar os seus aromas e sabores durante anos de estágio.
Com o vinho não fortificado, de designativo Madeirense, não havia esta possibilidade, tinha que se chegar à concentração na origem. Através da viticultura correctiva aplicada durante três anos (como, por exemplo, poda curta) “convenceram” a vinha a dar menos uva (cerca de 600g por pé), mas muito mais concentrada. No lote também entra uva de uma outra vinha de Verdelho do Seixal e ainda 4% de Sercial (apenas 600kg) para acentuar a frescura. Uma parte do lote estagiou em barricas de 400 litros de carvalho francês e húngaro, apenas para aumentar a estrutura e não marcar o vinho. Estas barricas em 2016 foram utilizadas para fazer um branco experimental, já com o objectivo de preparar as mesmas. São produzidas 2600 garrafas.
Para além deste vinho não fortificado, a Barbeito apresentou igualmente seis novos Madeira. O Colheita Tinta Negra 2007 vem sempre da mesma vinha das encostas do Estreito da Câmara de Lobos. Fizeram a vindima em duas partes. Primeiro apanharam uva 8-10 dias antes da maturação completa para enfatizar a estrutura acídica. O vinho foi fortificado e ficou a aguardar pela segunda parte das uvas, que vieram completamente maduras. Todas as uvas foram prensadas com engaço – que providencia mais resistência à Tinta Negra. Em Março do ano seguinte juntaram as duas partes e começou o envelhecimento tradicional em madeira pelo método de canteiro até Maio deste ano, quando foram engarrafadas 2378 unidades.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34192″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Malvasia para o Colheita 2004 Casco Único provém da freguesia de São Jorge, na costa norte da Ilha. Ricarco Freitas conta que este vinho não o fez perder muito tempo, porque nunca lhe deu demasiada atenção. Quando o provou, percebeu imediatamente que tinha o carácter para ser engarrafado como estava. “Gosto de vinhos doces, mas mais secos” – confessa o enólogo. O que acontece é que o vinho na sua fase inicial estava meio-doce. Na Barbeito não se adiciona mosto concentrado por considerá-lo um corpo estranho ao vinho. Também não é preciso, pois envelhecimento em canteiro e evaporação natural tratam da concentração necessária. Foram produzidas 1.118 garrafas.
O Verdelho Frasqueira 1994 provem de uma vinha exposta ao mar, que lhe transmite salinidade evidente. É o segundo vinho (a seguir ao Sercial 1988) do projecto de Manuel Eugénio Fernandes, que era grande amigo do avô e da mãe de Ricardo. Fazia visitas semanais à adega que acabavam em grandes conversas. E também com ele Ricardo aprendeu muitas nuances da arte de fazer o Vinho Madeira. Manuel Eugénio Fernandes comprava uvas de Verdelho e Sercial no Seixal, fazia vinhos muito bem-feitos e vendia às empresas. A principal característica dos vinhos de Eugénio é intensidade e acidez – são muito próximas das referências de Ricardo.
Relativamente aos Madeira com indicação de idade, cujo objetivo é manter o estilo da casa, a abordagem da Barbeito é um pouco diferente. Nos vinhos de 3, 5 ou 10 Anos Ricardo tenta fazer lotes praticamente iguais, mas os 20 Anos têm uma maior personalização e acabam por ser sempre diferentes. Quase dava para fazer uma vertical de 20 Anos, engarrafados em alturas diferentes.
A Malvasia 20 Anos faz-se desde 2004 e costuma ter um perfil mais seco do que o habitual. O número de garrafas produzidas varia em função da quantidade dos ingredientes que pretende utilizar para o lote final. Desta vez são só 561 garrafas.
As duas últimas novidades vêm na sequência de vinhos com nomes, como “Mãe Manuela”, “Vó Vera” e “Avô Mário”, que representam lotes especiais e únicos, que não se conseguem repetir. Ao contrário dos vinhos anteriores, esta é uma homenagem não às pessoas da família de Ricardo, mas às pessoas das famílias dos amigos que marcaram a sua época.
O Vinho do Embaixador Boal 40 anos é uma homenagem ao diplomata madeirense Fernão Favila Vieira, que foi colega de escola do pai de Ricardo. Sendo embaixador de Portugal em vários países (Áustria, Marrocos, Brasil, Cuba, entre outros), ele também era um grande embaixador do Vinho da Madeira – “para onde fosse, as garrafinhas iam com ele”. Este vinho é feito em conjunto com a família, que esteve ligada à produção de Vinho da Madeira nos finais do século XIX – início do século XX.
Boal não é de todo a casta favorita de Ricardo. Precisamente por isso, representa o maior desafio para ele. Este lote tem componentes criteriosamente escolhidos (alguns são radicais em termos de características organolépticas), que resultaram num Boal algo irreverente. São produzidas 739 garrafas.
Já o Vinho do Reitor Malvasia 40 Anos é uma homenagem ao reitor Ângelo Augusto da Silva, que fez um grande trabalho para desenvolvimento da educação e melhoria do ensino primário na Madeira e foi responsável pela criação de escola especializada na formação de professores. O seu interesse pelo vinho desenvolveu-se graças ao casamento e o reitor tornou-se num guardião dos vinhos que pertenciam à família da sua mulher. Deste Malvasia são produzidas 717 garrafas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
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Barbeito Vinho do Embaixador 40 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Barbeito Vinho do Reitor 40 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Barbeito 20 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Barbeito Frasqueira
Fortificado/ Licoroso - 1994 -

Barbeito Meio Casco ùnico Colheita
Fortificado/ Licoroso - 2004 -

Barbeito Meio Seco Single Harvest
Fortificado/ Licoroso - 2007 -

Barbeito
Branco - 2017
Edição nº21, Janeiro 2019
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