Casa Relvas: Novidades de pai para filho

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A história do vinho deste produtor começou no início do século e de lá para cá não tem parado de crescer. E ao lado de vinhos de muito volume também encontramos as pequenas especialidades, a mostrar que […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A história do vinho deste produtor começou no início do século e de lá para cá não tem parado de crescer. E ao lado de vinhos de muito volume também encontramos as pequenas especialidades, a mostrar que não se perdeu o gosto pela inovação.

TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga

O encontro foi, como dizem os franceses, em “petit comité”. À volta de uma mesa em casa cheia de história – Palácio Chiado – falou-se da terra, das gentes, do clima, dos gostos e desgostos da profissão de produtor de vinho, do pai e do filho, ali frente a frente. A Casa Agrícola Alexandre Relvas começou, com o pai Alexandre, a produzir com marca própria em 2003 mas logo em 2006 o filho Alexandre (nome original…!) fez a primeira vindima e de então para cá, a par do gosto dos cavalos, não mais largou o vício. E os números são impressionantes, já que se passou das 30.000 em 2003 para cerca de seis milhões de garrafas em 2018.
Não são seguramente muitos os produtores que podem apresentar um currículo deste calibre. Sabemos todos que, neste caso, o crescimento se faz muito à custa das marcas de volume, das exportações maciças, da presença nos postos de venda onde os consumidores se abastecem – as grandes superfícies –, mas também na restauração. Sabemos também que negociações com compradores de supermercado obrigam a grande jogo de cintura, calmantes sempre no bolso e muita paciência, sobretudo no caso de uma região – Alentejo – muito procurada pelos consumidores e pelos mercados/alvo das exportações, como o Brasil, Estados Unidos e Holanda.
Mas o caminho faz-se caminhando e estando atento aos ventos e marés. Por isso, na Casa Relvas também têm lugar os vinhos estagiados em ânforas ou os tintos com enologia de outros tempos; não são para todos os consumidores, mas destinam-se aos que querem e gostam de coisas diferentes e originais. A área de vinha contempla 15% de uva branca e a produção da empresa incorpora 70% de uvas próprias.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34187″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O portefólio é muito completo e extenso mas este momento foi aproveitado para mostrar algumas novidades, como o Herdade de São Miguel Pé de Mãe, vinificado com leveduras indígenas, com grande predominância da casta Trincadeira, em cubas de inox, com bago inteiro, 20% de engaço e uma maceração de 30 dias; o Reserva é um tinto feito em lagar, onde fermenta, e depois tem um estágio de 12 meses em barrica de 400 litros e 6 meses em tonel. O Amphora é feito com Arinto, tem 2 meses de maceração após fermentação em talha pesgada, leveduras indígenas, 8 meses de estágio em ânforas, sobre borras. A produção é muito pequena, de 2400 garrafas. Esta é a 3ª colheita em tinto e a segunda em branco. São vinhos originais e com muita personalidade.
Novidade também foi a apresentação do Passi, um Colheita Tardia tinto onde se cruzam várias castas, com trabalho enológico apurado e atento: fermenta em barris rotativos e a fermentação é parada com o frio e sulfuroso. Depois estagia 9 meses em barrica, tendo resultado apenas 2500 garrafas. O resultado final está bem conseguido. Entretanto a anterior marca Private Collection (de que se fazem 2800 garrafas) vai passar a Friend’s Collection, com alguns amigos da casa chamados para o efeito.
O pai Alexandre encontrou no Alexandre, filho, um sucessor à altura, empenhado e cheio de energia. À família Relvas saiu a taluda…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]

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Edição Nº21, Janeiro 2019

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A caminho do centenário: Caves São João lança 98 Anos de História

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É um vinho do Dão, é branco e da colheita de 2017. Foi este o vinho escolhido pelas Caves São João para dar seguimento à preparação da celebração do centenário da empresa que decorrerá daqui a dois […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É um vinho do Dão, é branco e da colheita de 2017. Foi este o vinho escolhido pelas Caves São João para dar seguimento à preparação da celebração do centenário da empresa que decorrerá daqui a dois anos, em 2020.

TEXTO João Geirinhas
NOTA DE PROVA Luis Lopes

Integrado no projecto “Rumo ao Centenário” e sob a temática 100 Anos de História, esta casa de Anadia tem vindo a lançar desde 2010 e em cada ano, um vinho comemorativo das diferentes décadas que atravessaram a história da empresa. Como explicou Célia Alves, administradora das Caves São João, desta vez evocou-se a década de 2010 a 2020 e o tema-acontecimento escolhido para a ilustrar foi a descodificação do Genoma Humano cujo ADN ficou concluído nesses anos. Por isso a rotulagem do vinho, da responsabilidade de António Quintas, vai buscar a inspiração à conhecida espiral de dupla hélice que representa o ADN.
Falando do vinho que foi apresentado à imprensa na Pousada de Viseu, trata-se de um lote feito a partir das castas Encruzado (80%) Cerceal e Malvasia-Fina, ambas com 10% cada. O enólogo José Carvalheira, na apresentação do vinho, indicou que houve a preocupação de reduzir ao mínimo a intervenção na adega de forma a potenciar a grande qualidade da matéria prima que lhe deu origem e ao mesmo tempo respeitar a memória dos grandes clássicos vinhos brancos do Dão. O vinho fermentou a temperaturas mais elevadas, estagiou sobre borras finas em barricas de madeira usada e foi engarrafado sem estabilização e ligeira filtração.
O resultado é um vinho pleno de subtileza, em que uma inicial austeridade esconde uma grande complexidade aromática com predomínio de notas minerais e vegetal seco. Na boca sobressai a sua frescura com uma acidez viva, aliada a uma grande elegância, deixando antever uma boa parceria à mesa e um excelente potencial de envelhecimento.
No mesmo almoço foram ainda apresentadas as novidades do Frei João Clássico Bairrada branco 2016, feito a partir de Cercial e Bical, muito afinado e de grande frescura e o Apartado 1 Colheita Tardia Bairrada branco 2016, produzido com uvas Semillon e Alvarinho da Quinta do Poço do Lobo e colhidas no início de Novembro, já botrytizadas. Estávamos com muita curiosidade para provar este vinho porque por feliz coincidência, assistimos à sua vindima, no mesmo dia em que tinha sido apresentado o 95 Anos de História. E as expectativas foram plenamente cumpridas, revelando uma grande complexidade aromática e o excelente equilibro entre acidez e doçura. No almoço na Pousada de Viseu, as principais atenções dos participantes não puderam deixar de se fixar numa daquelas relíquias que só as Caves São João nos podem proporcionar. Falamos do extraordinário Porta dos Cavaleiros Dão Reserva branco 1984, servido em garrafa Magnum, um verdadeiro monumento em forma de vinho! Um dos tais velhos brancos clássicos do Dão que auguram por certo o bom desempenho que se espera deste novo 98 Anos de História.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]

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A Aliança perfeita

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Três aguardentes de referência e um espumante de superior qualidade são as novidades da Aliança, casa plena de história e de experiência na região bairradina. TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA Luís Lopes As caves da Aliança, […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Três aguardentes de referência e um espumante de superior qualidade são as novidades da Aliança, casa plena de história e de experiência na região bairradina.

TEXTO Mariana Lopes
NOTAS DE PROVA Luís Lopes

As caves da Aliança, em Sangalhos, são, desde 2010, o cenário do Underground Museum, um projecto que funde vinho e arte debaixo de terra, por entre pupitres de espumante em estágio e barricas com aguardentes muito velhas. Além de colecções como a Arqueológica, a de Arte Etnográfica Africana, Escultura Contemporânea do Zimbabué, Minerais, Fósseis, Azulejos e Cerâmica das Caldas, o museu tem uma bonita sala de eventos. Nesta, foram apresentados o mais recente espumante Aliança Grande Reserva branco 2012 e três novas aguardentes vínicas, Aliança XO 10 Anos, Aliança XO 20 Anos e Aliança XO 40 Anos.
Segundo o enólogo Francisco Antunes, o Aliança Grande Reserva Branco surgiu para ocupar o lugar do Aliança Vintage, o espumante topo de gama da casa, já extinto. De uma produção que ronda os 80 mil exemplares, este espumante apresenta-se num novo modelo de garrafa e tem no seu lote as uvas Chardonnay e Baga, provenientes de solos argilo-calcários. O vinho base estagiou em inox durante 18 meses e o espumante permaneceu em cave desde 2014 até ao momento. Com bolha muito fina, o Grande Reserva é um espumante sério, complexo, volumoso com biscoito e tostados, mas também mineralidade e fruta, apresentando uma secura nobre e grande finesse na textura.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A três aguardentes “surgem do desafio de criar uma linha XO”, disse Francisco Antunes. A XO 40 Anos já existe desde 1994, o ano seguinte ao da chegada do enólogo à Aliança. “Há, nesta casa, um espólio de aguardentes que nos permite ser criativos”, contou. A sugestão de alargar a gama foi, assim, bem acolhida, mas fazê-lo dentro do mesmo estilo não é tão fácil como parece, como explicou Francisco: “O mais difícil é criar uma linha comum às três aguardentes, de tal modo que o consumidor perceba que há uma ligação entre elas; mas que ao mesmo tempo sejam bem distintas entre si.”
Partindo desta premissa, o enólogo manteve o perfil clássico da XO 40 Anos, com leves afinações, e desenvolveu as outras duas. A XO 10 Anos (3500 garrafas) é a aguardente para todo o público, mais fácil de entender por este e a mais “gulosa”, nas palavras de Francisco. Tem a madeira das barricas mais perceptível e também notas de doçura. A 20 Anos (2500 garrafas) é a mais tradicional e austera, segundo o estilo da Bairrada. “Alinhada, séria e directa no nariz”, com notas de frutos secos e bem mais “firme e aromática” do que a primeira. Já a XO 40 Anos (1500 garrafas) sofreu um ligeiro ajuste em relação às suas edições anteriores. “Limaram-se algumas arestas, nomeadamente a agressividade aromática”, elucidou Francisco Antunes.
No seu já conhecido tom de brincadeira, o enólogo terminou com alguns conselhos de prova: “Nunca aqueçam o balão (o copo tradicional de aguardente) e não agitem a aguardente, como se fosse vinho. Deve-se fazer uma aproximação muito lenta ao nariz, por causa do álcool.” A provocação era mais séria do que parecia.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”60″][image_with_animation image_url=”34176″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº21, Janeiro 2019

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A Poda

O Inverno chegou, com ele o adormecimento vegetativo da videira. É tempo de podar e começar a preparar a próxima colheita. A quantidade, e a sempre consequente qualidade da uva (e vinho), dependem desta operação. TEXTO João Afonso A poda Consiste no corte de total ou parcial dos ramos (pâmpanos) da videira. Existem dois tipos […]

O Inverno chegou, com ele o adormecimento vegetativo da videira. É tempo de podar e começar a preparar a próxima colheita. A quantidade, e a sempre consequente qualidade da uva (e vinho), dependem desta operação.

TEXTO João Afonso

A poda
Consiste no corte de total ou parcial dos ramos (pâmpanos) da videira. Existem dois tipos de poda: a poda lenhosa, feita habitualmente nos meses de Janeiro e Fevereiro e que regulariza o crescimento vegetativo e produtivo da planta; e a poda em verde que se realiza na Primavera e se destina a retirar os ramos “ladrões”, (que tiram “força” à planta) e abrir a copa da videira permitindo o seu arejamento e melhor exposição solar das folhas e dos cachos de uva. A poda mais importante é a lenhosa.

A poda e a produção de uva
O número de gomos deixados pela poda lenhosa devem estar aferidos à capacidade vegetativa da planta e à quantidade de produção de uva. Uma carga de gomos excessiva resulta no enfraquecimento da planta e numa produção excessiva e com dificuldades futuras de maturação (e qualidade). Pelo contrário uma carga de gomos insuficiente vai favorecer o vigor vegetativo da planta em detrimento da produção de uva. Uma poda correcta e equilibrada é muito importante para o equilíbrio e qualidade da colheita.

A técnica de poda
Um bom podador identifica com facilidade os vários tipos de ramos da videira (do ano anterior ou mais velhos, ou os chamados ramos ladrões) e executa a tarefa com destreza e rapidez. O tempo de poda por planta é importante para a contabilização dos custos de produção de uva.

Requisitos de poda
Nas grandes áreas de vinha utilizam-se equipamentos que fazem a pré poda (corte mecânico das hastes da videira) para que posteriormente um rancho de podadores munidos de tesouras manuais ou eléctricas executem com maior rapidez a operação. É ainda importante desinfectar lâminas de corte da tesoura de videira para videira, de modo a evitar a transmissão de doenças.A poda lenhosa é a operação mais importante da viticultura. Além de permitir a formação da planta jovem, possibilita nas plantas formadas definir a qualidade e quantidade da produção de uva, assim como gerir a longevidade da videira.
A poda controla o vigor da planta e ajuda a equilibrar a relação entre produção de lenha (ramos e folhas) e fruta. Permite ainda definir convenientemente a exposição solar da superfície foliar da copa e dos frutos da videira. Por tudo isto, a poda é uma tarefa importantíssima e fundamental na produção de uva e vinho.

(*agrónomo, responsável de viticultura da Real Companhia Velha)

Edição Nº21, Janeiro 2019

 

Rita Rivotti: A marca que cria marcas

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A arte é uma forma de comunicação e comunicar o vinho é hoje uma arte. Rita Rivotti é já um nome bem conhecido neste mundo, tendo dado imagem a mais marcas do que se imagina. TEXTO Mariana […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A arte é uma forma de comunicação e comunicar o vinho é hoje uma arte. Rita Rivotti é já um nome bem conhecido neste mundo, tendo dado imagem a mais marcas do que se imagina.

TEXTO Mariana Lopes
FOTOS Ricardo Palma Veiga e cortesia Rita Rivotti

“We love what we do”, lê-se na instalação artística pendurada no tecto, palavras distribuídas por garrafas verdes penduradas em cascata. Num estúdio aconchegante e bem decorado, com mezzanine, todo em madeira, trabalha a dream team de quatro criadores artísticos sob o comando de Rita Rivotti. São estas cinco pessoas que criam e recriam muitas das marcas que tão bem conhecemos, e outras que deveríamos conhecer.
Grandes ou pequenas, não são poucas as empresas que recorrem a Rita, que já se tornou numa espécie de salvadora de negócio. Há quem lhe chame Sherlock Holmes do vinho, pela investigação em campo que faz, mas eu chamo-lhe Professor X, a fonte das ideias e gestora dos seus pequenos génios, cada um com a sua especialidade mas todos a convergir para o mesmo objectivo: a criação de um nome, de um rótulo, de um conceito.
O caminho de Rita foi tudo menos linear. Estudou Engenharia Agronómica na UTAD, em Vila Real, e sempre esteve ligada à produção agrícola e ao campo. No entanto, o fascínio pelas artes esteve sempre lá, mas… “Naquela altura não se ia para artes, era muito raro, e nem o meu pai considerava isso como curso.” O pai, figura mais importante da sua vida, era economista de profissão e entusiasta das artes e da cultura por paixão. Também era pintor, mas via-o como um hobby.
Quando terminou o curso, Rivotti teve nota máxima a uma disciplina chamada Planeamento, que era matemática financeira. Em virtude disso, a professora convidou-a a estagiar com ela no BPI, convite que aceitou, tendo mais tarde integrado o CAC, Centro de Análise de Crédito. “Foi muito interessante, mas não era a minha paixão”, confessou. Após nascer a sua filha mais velha, despediu-se e resolveu ser mãe a tempo inteiro. E assim fez durante sete anos, até a terceira e última ir para a escola.
Entretanto, Paul Myhre, que hoje em dia também faz o mesmo tipo de trabalho, desafiou-a a iniciar com ele um negócio do género, de imagem de vinhos. “Eu já gostava muito de vinhos, principalmente pelo meu pai, que sempre me ensinou tudo e que além de economista era historiador e um homem que se interessava por tudo, e por vinho também”, disse Rita, que ia com o progenitor visitar adegas e que sempre o acompanhou em tudo na vida. O seu trabalho reflecte, hoje, tudo isso e essas memórias são uma grande fonte de inspiração.
Foi assim que, há cerca de 14 anos, Rita e Paul foram pioneiros de uma revolução de imagem dos vinhos portugueses, numa altura em que Portugal começou a aparecer no panorama internacional e quando começaram as exportações em peso. “Os mercados internacionais não aceitavam as imagens que a maioria dos nossos produtores tinha para os vinhos, que eram altamente desactualizadas”, explicou. Depois foi fazer um mestrado em marketing e gestão de marcas e também o WSET. Três anos depois, Paul mudou de cidade e Rita assumiu a liderança de uma equipa, hoje totalmente renovada.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Equipa de sonho
Rita visita os clientes e faz muito trabalho de campo. João Saul, Sandra Costa, Sara Correia e Pedro Roque são os designers que ilustram os conceitos, mas que também fazem parte da concepção. Cada um acrescenta riqueza aos projectos, à sua maneira, e as competências são divididas conforme as especialidades e consoante o tipo de imagem de que cada um mais gosta, um mais cartoon, outros mais minimalista, outros mais complexo. “Há conceitos que pedem algo mais estridente, outros algo mais clássico”, revelou Sara.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34134″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Vê-se bem a assinatura de cada um nas peças, Rita percebe e eles próprios também, porque comunicam todos através do trabalho artístico que fazem. “Wine branding e design” é o nome que dão ao ofício, porque foi com o vinho que o negócio cresceu. “O que nós fazemos é embalagens premium para produtos alimentares variados, mas 90% disso é vinho. Temos agora, por exemplo, um projecto nos Estados Unidos de mead, uma bebida de mel fermentado, geralmente aromatizada com bagos silvestres. É surpreendentemente bom”, esclareceu Rita.
Até hoje, já trataram de milhares de referências, quer sejam criações do zero, ou reformulações/rebranding. Quando se olha para as prateleiras com centenas de garrafas, no estúdio, parece tudo fácil, mas é quando se pega numa que nos apercebemos de toda a labuta que carrega aquele rótulo. É um trabalho complexo e ter a ideia certa não é, de todo, algo imediato. Rita alertou: “Não é tudo fácil, há aqui projectos que foram bem difíceis de concluir. Há ilustrações que são aceites à primeira, mas são poucas, e outras que andam para cá e para lá.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Os favoritos
O várias vezes galardoado trabalho feito para a gama de vinhos Lés-a-Lés foi, por sua vez, muito rápido. Este projecto do enólogo Jorge Rosa Santos assenta na recuperação de castas antigas de algumas regiões portuguesas, sendo “cada rótulo um bilhete para a descoberta dum património esquecido”. O concurso internacional Pentawards deu à equipa Rita Rivotti, em 2018, a Medalha de Ouro na Categoria Vinhos, pela imagem do Lés-a-Lés. “É o concurso de packaging mais importante, e nós fomos o rótulo de vinhos mais bonito do mundo. Competimos com as maiores agências do globo, que têm até orçamentos muito maiores do que os nossos. Ainda nem processámos bem a informação”, disse Rita. Quando questionados sobre a liberdade que os clientes lhes dão na criação, a resposta foi: “Em todos os projectos que ganharam prémios, tivemos liberdade total. Achamos que isso diz alguma coisa…”
Ravasqueira foi uma marca onde fizeram um grande rebranding: “Tirámos o brasão de armas do rótulo e incluímos o azulão, substituindo o dourado. Hoje em dia, entra-se numa loja ou num grande estabelecimento comercial e vê-se logo a Ravasqueira.”
Muito sui generis é o caso do vinho Tyto Alba, um caso que é muito querido à equipa de Rivotti. “A Companhia das Lezírias não era uma empresa com muito boa imagem, a juntar ao facto de ser do Estado, o que também não lhe dava muita piada…”, introduziu Rita. “Tem cerca de 20 mil hectares e é uma das poucas empresas públicas que dá lucro. Era preciso transmitir isso.” Assim, estudando todas as causas que a Companhia apoia, Rita deparou-se com uma que lhe chamou a atenção: a coruja-das-torres está em extinção em todo o mundo e a Companhia criou a maior comunidade do planeta através da distribuição de caixas de ninho por toda a herdade.
Assim nasceu o Tyto Alba, nome em latim que é dado à espécie no Velho Mundo. Escreveu, também, no rótulo “Vinhas Protegidas”, pois os biólogos da empresa explicaram que esta coruja se alimenta dos roedores que estragam a vinha. Além disso, esta coruja é indicadora de qualidade ambiental, porque não existe em locais poluídos. Quão cool é isso? Fiquei convencida. E os Pentawards também, tendo-lhe atribuído a Medalha de Prata em 2015.
Depois há o Vicentino, da Costa Alentejana. Sunrise, Sunset e Foggy não são nomes dos vinhos, mas sim referências internas dos rótulos, alusivas ao local das vinhas de Ole Martin Siem, um norueguês que se dedica, há mais tempo do que ao vinho, ao cultivo de produtos hortícolas. Também é um dos favoritos.
Da “conta” Casal Sta. Maria, destaca-se o Mar de Rosas, o mais recente rosé, inspirado no jardim de 5 mil rosas, junto ao mar, que o barão Bodo von Bruemmer plantou em homenagem à sua esposa.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34137″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][divider line_type=”No Line” custom_height=”20″][image_with_animation image_url=”34138″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]No meio dos vários milhares de marcas, há pequenas especialidades e outras bem conhecidas, como Cartuxa, Duorum, Papa Figos, Quinta do Côtto ou Trinca Bolotas. “O mais importante é o que está dentro da garrafa e nós temos de arranjar uma história para contar a origem. Essa história não tem de ser só bonita, mas relevante, única e verdadeira”, dissertou Rivotti. Para a equipa, estas são as três premissas que devem estar por trás de cada projecto. “Relevante porque tem de ajudar o consumidor a entender o vinho. Único porque o mercado está cheio de vinhos e interessa estar sempre à frente do que já existe, ser diferente num universo de semelhanças. Verdadeiro porque temos de encontrar uma linguagem vínica credível, a comunicação do vinho não pode sair dessa linguagem, e porque a história contada tem de ter verdade. No caso do Crochet, por exemplo, não há uma vinha, são elas as duas, a Sandra Tavares da Silva e a Susana Esteban, que gostam de se juntar para ‘fazer crochet’. Esse é o conceito da marca.”
E assim vão fazendo pequenas revoluções pelo país, que têm impacto directo nas vendas. Agora, já se estão a preparar para a internacionalização e a ambição que Rita Rivotti emana mostra que tudo isto foi só o início. “Temos o know-how e a experiência para estar lá fora e competir com os grandes. Vamos fazer isso.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”image_grid” images=”34146,34147,34148″ layout=”3″ gallery_style=”1″ load_in_animation=”none”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº21, Janeiro 2019

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Um Dão do avô, das origens e da terra

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um empresário advogado (ou vice-versa) decide aproximar-se das suas origens, no Dão, e comprar terra, plantar uma vinha e, claro, fazer vinho. O avô Manuel Vicente foi figura inspiradora e dá por isso o nome aos vinhos. […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um empresário advogado (ou vice-versa) decide aproximar-se das suas origens, no Dão, e comprar terra, plantar uma vinha e, claro, fazer vinho. O avô Manuel Vicente foi figura inspiradora e dá por isso o nome aos vinhos.

TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga e cortesia Artemis

António Vicente Marques é um advogado com escritório próprio em Lisboa, Luanda e Maputo. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, tem vários mestrados e especializações em áreas como Direito Societário, Ciências Jurídico-Forenses, Direito Administrativo e Aduaneiro, Energia, Mercado de Capitais, Trabalho e Telecomunicações, entre outras.
É, pois, também, um empresário, com muitas viagens anuais para destinos de quatro continentes, centenas de reuniões e uma vida seguramente stressante. “Mas tinha um vazio”, reconhece ele à Grandes Escolhas: “Queria deixar um legado aos meus descendentes.” A escolha pela terra, material que já não se fabrica, foi mais do que natural para o advogado. Afinal cresceu ao pé do avô, Manuel Vicente, “pedreiro e agricultor, homem sempre com um sorriso na boca”. Mesmo quando colhiam uvas na altura da vindima ou apanhavam a azeitona nos dias duros e frios do Dão. Foi esta energia positiva que sempre cativou António Vicente Marques e por isso resultou que a marca dos vinhos exista em homenagem ao avô, Vicente. Essas bonitas recordações ao seu lado, na terra, acompanham-no desde sempre. E a localização foi a mesma, na Oliveirinha, concelho de Carregal do Sal. Por estas zonas António adquiriu duas quintas, que hoje têm 26 hectares de vinha. E arrendou outra, com vinha velha: mais 14 hectares.
Com terra ao dispor, António começou a pensar em contratar técnicos para colocar o projecto em marcha. É aqui que entra António Narciso, que não faz apenas figura de enólogo. Será quase uma espécie de director-geral. Mas não foi o único. Na plantação de vinha foram fulcrais outros técnicos da região. Entraram assim as castas típicas, mas também outras, como a Syrah, a Chardonnay e a Sauvignon Blanc, raras no Dão. Um capricho do proprietário, que não só gosta como quer ver como se portam nestes solos de pendor granítico. Ao mesmo tempo, está em construção uma nova adega.
Tudo foi feito com autofinanciamento, sem se recorrer a créditos. António tinha essa disponibilidade e as coisas andam assim mais depressa. Já o tinha feito, aliás, na aquisição de uma quinta com cerca de 6 hectares, a centenas de quilómetros a sul do Dão, em pleno Algarve, entre Luz de Tavira e Livramento. Também aqui foi plantada uma vinha, que, diz o gestor, “está a ultrapassar as expectativas”. Curiosamente, a casta Baga está a portar-se muito bem…
A empresa produtora chama-se Artemis, Projectos e Desenvolvimento Agrário, e já tem aí as primeiras colheitas. A apresentação decorreu no restaurante Cantinho do Avillez, em Lisboa, e do que provámos e sentimos, esta é um projecto que ainda vai dar muito que falar.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34128″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um futuro que promete
António Marques Vicente não quer parar por aqui: “Nos próximos dez anos pretendemos continuar a desenvolver anualmente, pelo menos, mais dez por cento da área que já temos.” Ou seja, mais e, certamente, melhor vinho. E, quem sabe, o melhor azeite. “Uma parte da minha vida tem sido fazer o improvável e é esta ambição que eu desejo para o projecto Dom Vicente.”
O empresário advogado acha que o avô Vicente e a avó Amélia iriam ficar orgulhosos: “Que pena eu tenho que não possam cá estar, para conhecer e se orgulharem deste projecto.”[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

Edição Nº21, Janeiro 2019

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Masi: O império do “Sr. Amarone”

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma história secular, métodos de trabalho muito específicos e vinhos de enorme qualidade fazem da Masi um dos nomes incontornáveis do panorama vitivinícola italiano. É aqui que nasce o Amarone, o “gigante gentil” que sublima a técnica […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Uma história secular, métodos de trabalho muito específicos e vinhos de enorme qualidade fazem da Masi um dos nomes incontornáveis do panorama vitivinícola italiano. É aqui que nasce o Amarone, o “gigante gentil” que sublima a técnica conhecida como appassimento.

TEXTO Valéria Zeferino

Sandro Boscaini talvez seja a figura mais idiossincrática em Valpolicella. É tradicionalista ligado à região geracionalmente e modernista com espírito revolucionário. Respeitando a tradição, questiona sempre a existência de uma razão lógica por trás. Não aceita compromissos no que toca à qualidade. Não se satisfaz com o alcançado, procurando os caminhos alternativos em busca da perfeição, mesmo que não sejam os mais fáceis.
A história da Masi começou no século XVIII, quando a família Boscaini comprou um terreno com vinhas num pequeno vale – Vaio dei Masi – no coração da Valpolicella.
Sandro Boscaini juntou-se à empresa do seu pai em 1964 e desde 1978 é o Presidente da Masi. Este ano celebrou 80 anos e continua a trabalhar activamente, já com ajuda dos seus filhos, que representam a sétima geração da família.
O produtor nunca foi apologista de entregar tudo na mão de um enólogo, por muito experiente ou famoso que seja. Nos anos 80 criou uma equipa multidisciplinar chamada Grupo Técnico da Masi, que hoje é orientada pelo filho de Sandro, Raffaele Boscaini, e é composta por 13 especialistas nas áreas de agronomia, enologia, biotecnologia e marketing. Desta forma conseguem reunir o conhecimento mais completo acerca de vinho e tomar decisões fundamentadas com visão sobre todos os aspectos da produção.
Foi apelidado de “Senhor Amarone” no livro da escritora inglesa Kate Singleton sobre a sua carreira e esta alcunha assentou-lhe muito bem. Sendo um perito em appassimento (técnica que consistem em secar as uvas depois da vindima, concentrando açúcares e aromas) e um grande conhecedor dos mercados estrangeiros, impulsionou o reconhecimento do Amarone a nível internacional.
Estando profundamente ligada à Valpolicella, a Masi abre horizontes, estendendo a produção dentro e fora da região e para além-fronteiras, na Argentina. Têm uma forte parceria com a nobre família de Serego Alighieri, descendentes de Dante, o autor da famosa “Comédia Divina”, que no início do século XIV viveu em Verona durante alguns anos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34120″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A grandeza do Amarone
Gigante gentil – é a mais concisa descrição do Amarone, que entra no trio dos mais emblemáticos vinhos da Itália, a par do Barolo e Brunello di Montalcino. Para a família Boscaini é mais do que uma técnica, é a filosofia de vida e um objecto de estudo constante que reflete uma grande expertise e uma mestria indiscutível.
Amarone não é o nome da região, nem da casta, como é habitual em Itália. A região chama-se Valpolicella, supostamente do latim “Vallis-polis-cellae” – “Vale de muitas adegas”, e fica no Noroeste da Itália, entre Verona e o lago Garda. Está quase na mesma latitude de Bordeaux (embora isto não signifique a semelhança absoluta do clima) e as condições climatéricas bastante frescas nem sempre permitem a maturação ideal. Isto levou à necessidade de secar as uvas depois da vindima para obter os vinhos mais concentrados do que os típicos Valpolicella. Assim desenvolveu-se o método de appassimento ainda no século IV. Os vinhos resultantes desta técnica eram doces, chamados Recioto della Valpolicella.
O Amarone surgiu já depois da II Guerra Mundial e muito provavelmente foi por acaso. Deixou-se o mosto a fermentar até ao fim, ficando todo o açúcar convertido em álcool. O vinho encorpado, tânico, potente e bastante alcoólico, por contraste com o habitual Recioto pareceu amargo (“amaro” em italiano), sendo batizado “Amarone”.
É um vinho de lote, onde a casta Corvina tem uma presença maioritária e dá estrutura e profundidade ao vinho. Rondinela é a sua maior assistente – confere corpo e cor –, enquanto a mal-amada Molinara é utilizada cada vez menos. Ao contrário dos outros, Boscaini acha que ela tem a sua importância, por adicionar acidez e alguma especiaria extra ao vinho.
Há mais castas autorizadas em percentagens limitadas para produção de Amarone, Valpolicella e Recioto. Sandro descobriu e recuperou uma delas, que estava praticamente extinta. Chama-se Oseleta, o que significa “pequeno pássaro” no dialeto do Veneto. Amplifica taninos e estrutura e contribui com acidez. Também melhora a cor, tendo em conta que a Corvina durante o appassimento perde alguma capacidade corante.
Todos os vinhos da Masi com rótulos pretos contêm Oseleta.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34121″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Botrytis ou não botrytis?
Esta questão é bastante polémica na produção de Amarone. O desenvolvimento de botrytis (um fungo que quando ataca cachos maduros resulta em podridão nobre) geralmente não é procurado no appassimento. A experiência da Masi mostra que das três castas principais a Corvina é a mais suscetível a botrytis. Quando o tempo de appassimento é superior a três meses, alguns cachos ficam parcialmente afectados. Sandro considera que isto não tem grande impacto a nível olfactivo, mas aumenta o teor de glicerol e consequentemente a viscosidade, conferindo a típica percepção de doçura e textura aveludada.
Depois do appassimento, o mosto fica extremamente rico em açúcar, o que dificulta a vida das leveduras. Demoram mais de 10 meses para convertê-lo em álcool, e a fermentação tão lenta cria problemas com oxidação. Para acelerar o processo os especialistas da Masi isolaram as leveduras específicas que conseguem trabalhar num ambiente com alto teor de álcool, permitindo uma fermentação estável e sem paragens, que fica completa em menos tempo.
Masi Costasera Riserva conta com 70% de Corvina, 15% de Rondinella, 10% de Oseleta e 5% de Molinara. O appassimento é particularmente longo – mais de 120 dias – nas gavetas abertas de bambu e com controlo rigoroso sobre temperatura e humidade. Em Fevereiro os cachos perdem cerca de 40% do seu peso por desidratação e alguns ficam atacados por botrytis (apenas Corvina). Depois de parcialmente desengaçadas e prensadas, as uvas começam a fermentar em barricas grandes (botti) de carvalho eslavo ou em inox. A fermentação demora cerca de 45 dias devido ao açúcar acumulado. Depois o mosto é inoculado com leveduras específicas para aguentar o elevado teor alcoólico e a fermentação continua por mais 35 dias já nos toneis com capacidade de 30-40hl, seguida da fermentação maloláctica. O estágio de 40 meses decorre nas barricas de carvalho francês e eslavo, novas e usadas. Ainda passa pelo menos 6 meses na garrafa antes de ser lançado para o mercado.
O lote de Vaio Armaron é constituído por 70% de Corvina, 20% de Rondinela e 10% de Molinara. É feito da semelhante forma, mas fermenta e estagia em toneis de carvalho eslavo, com uma passagem de 4 meses em cascos de cereja.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34122″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Ripasso com caráter
Entre o delgado e ácido Valpolicella e o rico e encorpado Amarone existe um outro tipo de vinho – Ripasso. Foi “inventado” por Guido Boscaini, pai de Sandro, que andava à procura de uma forma de fazer um meio-termo entre os dois estilos. Utilizou-se o bagaço não prensado depois de fermentar Amarone ou Recioto para macerar o vinho novo da mesma vindima.
A primeira versão do vinho Campofiorin Ripasso 1964 foi lançado em 1967 e nos anos 80 ficou bem conhecido comercialmente. A Masi registou a palavra “Ripasso” e os outros produtores, mesmo copiando o método, não podiam usá-la nos seus rótulos. Na viragem do século o Ripasso tornou-se num clássico italiano, teve um grande sucesso dentro e fora do país. A Masi acabou por ceder a marca à Câmara do Comércio de Verona para usufruto de todos os produtores.
Entretanto, Sandro não estava satisfeito com o Ripasso, que praticamente era um subproduto do Amarone. O bagaço nesta fase já está muito extraído pela maceração e fermentação prévia. Restam poucos compostos aromáticos e extraem-se taninos agressivos e amargos, presentes principalmente em grainhas, e muitas vezes com notas evolutivas pronunciadas.
Por isso, nos anos 80, substituiu bagaço por uma parte de cachos com um ligeiro appassimento. Para Boscaini isto foi uma evolução do Ripasso e na Masi praticam este método até os dias de hoje. Mas como não é reconhecido pelo Consorzio de Valpolicella, o vinho é certificado como IGT Rosso del Veronese. É uma espécie de Super Veneto, portanto.
No lote para o Brolo Campofiorin Oro, 80% são de Corvina, 10% Rondinella e 10% Oseleta As uvas são divididas na vindima: 70% vinificam imediatamente e 30% (apenas Corvina e Rondinella) são deixadas a secar, embora não até ao mesmo grau do Amarone, apenas cerca de um mês e meio. Depois são desengaçadas, prensadas e colocadas na cuba de fermentação, onde logo a seguir é adicionado o vinho novo já fermentado. Graças ao açúcar que concentrou durante o appassimento, começa uma segunda fermentação. Segue-se o estágio de 24 meses, 70% em barricas de carvalho francês de tosta média e 30% em barricas de carvalho eslavo. O vinho ganha mais estrutura e mais aromas devido ao appassimento, mantendo a simplicidade e a frescura do vinho base.
O vinho Poderi BellOvile é o fruto da colaboração com a família Serego Alighieri em Toscana. Lote de 80% Sangiovese, 15% Canaiolo e 5% Ciliegiolo de agricultura biológica. Estagiou 12 meses em barricas de 600 litros – 50% novas, 25% de segundo ano e 25% de terceiro ano.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]

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Edição Nº21, Janeiro 2019

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Blanc de Noir: O mundo das estrelas

O desenvolvimento dos espumantes brancos feitos a partir de uvas tintas é ainda relativamente recente em Portugal, mas parece constituir uma via cada vez mais apetecível para os produtores nacionais. A rica história do Blanc de Noir em Champagne atesta a validade do conceito. TEXTO Dirceu Vianna Junior MW FOTOS Ricardo Palma Veiga Comecemos pelo […]

O desenvolvimento dos espumantes brancos feitos a partir de uvas tintas é ainda relativamente recente em Portugal, mas parece constituir uma via cada vez mais apetecível para os produtores nacionais. A rica história do Blanc de Noir em Champagne atesta a validade do conceito.

TEXTO Dirceu Vianna Junior MW
FOTOS Ricardo Palma Veiga

Comecemos pelo princípio, com a origem e contexto histórico dos blanc de noirs. A região de Champagne, situada no nordeste da França, é sinónimo de espumantes de qualidade. A associação é tão forte que muitos associam esse local com a criação do estilo; no entanto, documentos encontrados na Abadia de St Hilaire, em Limoux, sul da França, datados no ano de 1531, constituem as evidências mais antigas associadas a este estilo de vinho. O primeiro espumante da região de Champagne tem origem em 1690. Conta-nos a história que um monge benedictino foi ouvido chamando entusiasticamente os seus companheiros para o porão da Abadia de Hautvillers sob o pretexto: ‘‘Irmãos venham, estou vendo estrelas”, referindo as pequenas borbulhas evidentes no vinho.
A verdade é que Champagne não foi um produto inventado. O processo foi consequência de uma evolução que durou vários anos e contou com contribuições de várias pessoas. O monge beneditino, conhecido como Dom Perignon, foi talvez o indivíduo que mais contribuiu para o desenvolvimento desse estilo. Pelo facto de gostar do trabalho associado à terra, o monge era um viticultor prolífico e expandiu o conhecimento sobre a poda das vinhas na região. Sendo um estudioso e um meticuloso profissional, Dom Perignon desenvolveu aspectos que ajudaram a compreensão do terroir de Champagne, selecionando as melhores parcelas e identificando onde determinadas varietais poderiam obter os melhores resultados.
Além disso, tinha muito cuidado para manter as uvas intactas e, por esse motivo, preferia que a colheita fosse executada na parte da manhã, em condições mais frescas, seguida de um processo de selecção onde uvas imperfeitas eram rejeitadas. Dom Perignon preferia que o transporte dos vinhedos à adega fosse feito por mulas e burros, citando que esses animais moviam-se mais suavemente, evitando assim a possibilidade de danificar as uvas.
Parecendo entender o impacto positivo do envelhecimento, Dom Perignon optava por deixar os seus vinhos descansando por mais tempo do que os de qualquer outro produtor na época e o resultado era obviamente superior. Numa carta escrita em Novembro de 1700 por Bertin de Rocheter, comerciante da região, destinada a M. d’Artagnan, oficial do exército, ele descreve a qualidade superior dos vinhos de Hautvillers comparando o preço médio de um produto local com o preço de um vinho feito por Dom Perignon, que era quatro vezes mais caro, atingindo, na moeda da época, 900 libras.
Nem sempre era possível obter boa qualidade, principalmente no que diz respeito aos vinhos tintos, devido à falta de maturação. Até então, devido à falta de tecnologia e know-how, não era possível fazer vinhos brancos através do uso de uvas tintas. Os vinhos produzidos na região eram denominados “Vin Gris”. Esses não eram cinza como o nome sugere, mas rosa pálido e ligeiramente turvo. Entre as contribuições feitas pelo monge beneditino, uma das mais significantes foi ter sido o primeiro a produzir um vinho verdadeiramente branco a partir de uvas tintas. A prensagem era feita o mais rápido possível, tentando minimizar a possibilidade de que o mosto fosse tingido pelos componentes fenólicos responsáveis pela cor dos vinhos rosé e tintos. A sua reputação em relação a esse assunto é incontestável. Documentos encontrados na vila de Aÿ, a poucos quilómetros de Hautvillers, na sub-região do Vale de la Marne, escritos logo após a sua morte, confirmam isso.

Blanc de Noirs vs Blanc de Blancs

Quando um vinho branco é produzido exclusivamente a partir de uvas tintas, o termo Blanc de Noirs, de origem francesa, é usado para descrever esse estilo. A polpa das uvas tintas, com poucas exceções, é de facto incolor e desde que o contacto entre o mosto e a pele seja mínimo, o resultado obtido é essencialmente um vinho branco, mesmo que a cor possa apresentar uma tonalidade rosada ou nuances de cobre devido à presença de pigmentos na pele.
Na boca, esse estilo de vinho tende a ser mais encorpado, denso e pesado e frequentemente exibe características de frutos vermelhos. O termo Blanc de Noirs é frequentemente associado com a região de Champagne, onde, entre alguns dos mais notáveis exemplos, é possível destacar Krug Clos d’Ambonnay, que tem origem num pequeno vinhedo murado de somente um hectare na vila de Ambonnay; e Bollinger ‘Vieilles Vignes Francaises’, feito pela primeira vez no ano de 1969 para comemorar o septuagésimo aniversário da Madame Bollinger. Este cuvée tem sido uma das referências em termos de estilo.
Em Champagne, as uvas em questão são Pinot Noir e Pinot Meunier. Noutras regiões produtoras existem uvas locais que podem substituir ou serem incluídas no lote, como, por exemplo, a varietal País no Chile, Cabernet Franc no Vale do Loire e Baga na Bairrada, entre muitas outras.

É possível encontrar excelentes Blanc de Noirs na maioria das regiões produtoras de vinho do mundo, como por exemplo Espanha (Juve y Camps), Itália (Contadi Castaldi), Inglaterra (Ridgeview), Alemanha (Schloss Vaux), EUA (Schamsberg), Austrália (Henschke), Nova Zelândia (Johanneshof), Chile (Bodegas RE) e Brasil (Cave Geisse).
Blanc de Blancs é o estilo oposto ao Blanc de Noirs, uma vez que é feito exclusivamente a partir de uvas brancas. Celso Pereira, que desde 1989 é responsável pela produção da Caves Transmontanas, que inclui a marca Vértice, descreve um Blanc de Blancs como um estilo mais linear, fresco e mineral. Por esse motivo, tende a ser apreciado por sommeliers e profissionais do vinho, embora possa parecer um pouco austero para consumidores iniciantes. Além de acompanhar aperitivos, esse estilo é adequado para harmonizações com pratos mais delicados, especialmente frutos do mar, devido ao seu frescor, tensão e características de salinidade. As melhores sub-regiões nos distritos de Champagne para Blanc de Blancs são a Côte des Blancs e Côte de Sézanne, onde a casta Chardonnay desenvolve-se distintamente bem, especialmente nos vilarejos de Avize, Chouilly, Cramant, Le Mesnil-sur-Oger, Oger e Oiry. Entre os exemplos mais notáveis destacam-se Krug Clos du Mesnil, Pol Roger Blanc de Blancs e Taittinger Comtes de Champagne.

Blanc de Noirs em Portugal

Em Portugal os registos históricos atestam que o primeiro espumante de método tradicional foi feito pelo engenheiro José Maria Tavares da Silva, na Escola Prática de Viticultura e Pomologia da Bairrada, em 1890, mas o período em que surgiu o primeiro Blanc de Noirs de Portugal é incerto. A Caves Messias parece ter sido um dos pioneiros desse estilo na década de 80, mas é provável que o enólogo da empresa naquela época, Adelino Pato Macedo, já utilizasse a casta Baga para lotes de espumantes vinificados no estilo Blanc de Noirs anteriormente a esse período. De facto, havia na altura muita procura para base de espumantes e em certos momentos não havia volume de castas brancas suficientes para a suprir.
Miguel Pereira, responsável comercial da Caves Messias, descreve o estilo Blanc de Noirs português como um espumante tipicamente robusto, potente, redondo, diferenciando-se sobretudo pela fruta vermelha, apresentando certa austeridade enquanto jovem e revelando textura mais palpável e complexidade com pouco tempo em garrafa. O que o torna perfeito para acompanhar canapés e pratos principais à base de aves ou peixes.
De acordo com Luís Pato, respeitado e carismático produtor da Bairrada que iniciou a sua carreira em 1980, a sua inspiração vem de Champagne. Resolveu fazer um Blanc de Noirs à base de Baga em 1990 e hoje elabora um estilo sem uso de sulfuroso ou qualquer adjuvante para retirar a cor. Na interpretação de Luís Pato, a casta Baga comporta-se de forma semelhante ao Pinot Noir e quando plantada em solos argilo-calcáreos pode desenvolver características similares aos bons espumantes da região de Champagne.
Apesar de o solo desempenhar um papel importante no estilo do vinho, existem uma série de parâmetros essenciais como, por exemplo, altitude e exposição. Celso Pereira descreve as condições naturais da vinha que foi plantada com Pinot Noir no Planalto de Alijó, com exposição nascente e altitude da ordem dos 610 metros, como factores críticos. O ciclo dessa parcela é curto. As vindimas ocorrem no final de Agosto, resultando em fruta com alta acidez e pH baixo, critérios fundamentais para elaboração de um vinho base para espumante de alta qualidade. Luís Pato descreve o seu Blanc de Noirs como um produto de um aproveitamento, visto que as uvas são oriundas de uma primeira vindima que é feita antecipadamente com o objetivo de reduzir a quantidade de cachos e melhorar a qualidade das uvas que serão destinadas ao vinho tinto. A primeira passagem é feita na época adequada para fazer espumantes, pois as uvas dispõem de mais acidez, mais leveza e menos aromas. Aromas delicados e frescor são vitais. Para o estilo Blanc de Noirs, a Cave Messias prefere a casta Baga oriunda de solos arenosos, que conferem intensidade da fruta adequada, aliada à leveza e ao frescor.

Os maiores desafios

Na adega, um dos maiores desafios durante a elaboração de um Blanc de Noirs, de acordo com Luís Pato, é conseguir um vinho base sem precisar de recorrer a processos como uso de carvão ou PVPP (Polivinilpolipirrolidona) para remover vestígios de cor. Celso Pereira aponta, entre os principais obstáculos, a extração e separação das diversas fracções ao longo do ciclo de prensagem, juntamente com o estágio, tanto em inox como em barricas usadas de 225 litros, como desafios permanentes. No entanto, explica que os desafios de um longo estágio, tanto na parte técnica quanto no esforço financeiro necessário, são uma das formas que encontra para diferenciar os seus produtos.
Fazer um vinho espumante diferenciado e de alta qualidade exige paciência e determinação, explica Celso Pereira. Os custos inerentes são elevados e por esse motivo comercializar um espumante que aparece no mercado nacional na faixa dos 50 euros nem sempre é fácil e em âmbito global acaba competindo directamente com um bom vinho da região de Champagne. Luís Pato explora, além da qualidade, o lado natural do produto, visto que não adiciona sulfitos e não corrige a dosagem antes de lançar o produto no mercado. Para Miguel Pereira a vantagem na hora da comercialização, mais do que ser um Blanc de Noirs, é ser um “Baga Bairrada”, pelo facto de ser uma categoria única.

Filosofias distintas resultam em vinhos bastante diferentes. Por um lado, esse aspecto enriquece a diversidade dos vinhos que Portugal tem a oferecer ao consumidor; mas, por outro, essa heterogeneidade de estilos torna a escolha complexa, pelo facto de essa categoria não oferecer um estilo consistente como acontece no caso de vinhos da região de Prosecco, Cava ou Champagne. Ainda existe um trabalho a ser feito em certos aspectos para que o consumidor venha a entender claramente o perfil do espumante português, o que tem a oferecer ao consumidor e a sua capacidade diferenciadora.
Existem exemplos de vinhos jovens, simples e refrescantes, como é o caso do espumante Baga Barrada da Caves Aliança, que certamente preenchem os requisitos de consumidores que buscam um produto bem feito, com boa relação entre custo e benefício. Espumantes como Muros Antigos Alvarelhão e Luís Pato Vinha Pan são exemplos de vinhos individuais, que demonstram criatividade e certamente poderão atrair a atenção de consumidores que buscam algo diferente e interessante para compartilhar com os seus amigos.
Ora, há evidência de que Portugal tem o terroir e a capacidade para produzir espumantes aptos a satisfazer até os paladares mais exigentes. Alguns desses Blanc de Noirs exibem qualidade e classe o suficiente que fariam até o próprio criador desse estilo sorrir e gritar aos quatro ventos: ‘‘Irmãos venham, estou vendo estrelas.”[/vc_column_text]

 

Edição Nº21, Janeiro 2019