Quinta das Cerejeiras, um clássico de Portugal

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Criada em 1926 por Abel Pereira da Fonseca, Quinta das Cerejeiras é uma das mais antigas marcas portuguesas de vinho em actividade. Numa prova que abrangeu cinco décadas, os brancos e tintos desta propriedade de Óbidos justificaram […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Criada em 1926 por Abel Pereira da Fonseca, Quinta das Cerejeiras é uma das mais antigas marcas portuguesas de vinho em actividade. Numa prova que abrangeu cinco décadas, os brancos e tintos desta propriedade de Óbidos justificaram a razão de ainda hoje se manterem uma referência da região de Lisboa.
TEXTO Luís Lopes
As propriedades agrícolas do Bombarral entraram na família pela mão de Abel Pereira da Fonseca, no início do século XX. Eram (e são) três quintas – Cerejeiras, Sanguinhal e S. Francisco –, que ocupam hoje 140 hectares, dos quais 100 de vinha. Para administrar estas propriedades, o fundador criou em 1926 a Companhia Agrícola do Sanguinhal.
A empresa dedicou-se desde sempre à produção e comércio de vinhos. Para o efeito, vinificava separadamente os vinhos da Quinta das Cerejeiras, do Sanguinhal e de São Francisco nas respectivas adegas, possuindo no conjunto uma capacidade em toneis e balseiros de madeira de carvalho e mogno acima dos dois milhões de litros, utilizados para a fermentação, armazenagem e envelhecimento de vinhos, licorosos e aguardentes. Estas últimas, vínicas e bagaceiras, eram destiladas num alambique próprio que ainda hoje, imponente, se mantém como uma das principais peças do núcleo museológico da empresa e do seu enoturismo, onde avulta igualmente um conjunto de lagares dotados das mais impressionantes prensas de vara que alguma vez vi.
Antes de se tornar agricultor, Abel Pereira da Fonseca atingiu estatuto ímpar enquanto comerciante de vinhos. A Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca detinha e explorava a maior rede de estabelecimentos de venda ao público no país, as lojas Val do Rio, de que chegaram a existir cerca de uma centena na zona de Lisboa e que vendiam vinho a copo, garrafa, litro e almude. Como curiosidade, registe-se que Fernando Pessoa era um dos seus clientes diários. Aos grandes armazéns Abel Pereira da Fonseca, situados na zona oriental da cidade, chegavam pelo Tejo, em fragatas, os cascos de vinho que abasteciam as lojas. Em 1937, Abel Pereira da Fonseca vendeu a sua posição na sociedade comercial para se dedicar em exclusivo às propriedades do Bombarral, e à Companhia Agrícola do Sanguinhal, que continua nas mãos de seus netos e bisnetos.
Também na vertente agrícola, Abel Pereira da Fonseca foi inovador. No Bombarral, plantou as primeiras vinhas estremes da zona – ali a tradição era plantar as cepas no meio dos pomares e misturadas com as árvores de fruto. As suas vinhas eram igualmente alinhadas e aramadas, uma inovação numa época em que a mecanização ainda não tinha chegado à região, e divididas em talhões monocasta. A adaptação de novas castas ao clima atlântico do Bombarral foi uma das suas preocupações e na Quinta do Sanguinhal fez plantar o talhão das “Experiências”, com mais de 30 variedades diferentes.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34096″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Marca com história
As vinhas da Quinta das Cerejeiras contabilizam actualmente 15 hectares, em diferentes talhões, e estão plantadas em encostas suaves, de solo argilo-arenoso e expostas a sul. As principais castas são as brancas Arinto, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Fernão Pires e as tintas
Castelão, Touriga Nacional, Aragonez e Syrah. No entanto, não há muito tempo, a variedade branca Vital e as tintas Tinta Miúda e Carignan mantinham presença significativa nos vinhedos.
O lote clássico do Quinta das Cerejeiras Clarete tinto assentava, aliás, no Castelão, na Tinta Miúda e no Carignan. A mais antiga colheita de que há registo e rotulagem é a de 1926, e a menção “Clarete”, que durante muitas décadas se manteve nos rótulos, nada tem a ver com a cor do vinho, mas sim com uma “colagem” aos tintos de Bordéus, que eram conhecidos como “Claret” nos principais mercados mundiais. Nos anos 30, a pioneira obra “Culinária Portuguesa”, da autoria de António Maria de Oliveira Belo (Olleboma), dedica uma atenção especial ao Quinta das Cerejeiras Clarete, o que atesta a sua importância numa época em que os grandes vinhos engarrafados não abundavam. Com o tempo, a marca assumiu-se como um dos vinhos portugueses mais cotados e prestigiados, só começando o seu impacto a diluir-se no final dos anos 80, com o “boom” dos vinhos nacionais e a introdução no mercado de milhares de outras referências engarrafadas.
O moroso processo de elaboração do Quinta das Cerejeiras Clarete diz muito sobre a atenção que os seus produtores lhe dispensavam. Vinificado em balseiros de madeira, estagiava depois dois ou três anos em grandes tonéis. De seguida, era transferido para meias pipas usadas de carvalho americano onde descansava mais dois anos. Após cinco anos em várias madeiras, passava mais cinco anos em garrafa. E agora vem a parte melhor: dez anos depois da vindima, as garrafas eram decantadas uma a uma e o vinho passado para novas garrafas, com molde próprio da Companhia Agrícola do Sanguinhal, sendo então colocado no mercado.
Esta prática extraordinária manteve-se até à colheita de 1980, a primeira a ser lançada por Carlos João Pereira da Fonseca, neto do fundador e responsável pela empresa familiar, onde é acompanhado no dia a dia pelos sobrinhos Diogo e Ana. Com o apoio do enólogo da casa, José António Fonseca, no ano de 1990 Carlos decantou todas as garrafas do 1980 para um único depósito, sendo o engarrafamento feito a partir do lote final. Lembro-me bem desse 1980 porque há dois anos bebi a última garrafa que dele possuía e revelou-se um tinto extraordinário, cheio de frescura, elegância e persistência. Infelizmente, já não existem no produtor garrafas suficientes e o vinho não marcou presença na prova agora organizada.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34097″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Um branco dos anos 20
Esperar dez anos para lançar um vinho deixou naturalmente de ser viável e, a partir da colheita de 1990, a empresa passou a colocar o Quinta das Cerejeiras no mercado com “apenas” cinco anos de idade. Com o tempo, os balseiros de fermentação (havia 14) foram também sendo abandonados por dificuldade de higienização. No lote do tinto, entraram a pouco e pouco a Touriga Nacional e o Aragonez, substituindo, primeiro, o Carignan e depois a Tinta Miúda. Mas o Castelão das vinhas velhas continua a ser casta fundamental para a definição do perfil de um vinho que, desde a colheita de 2012 (a mais recente no mercado), usa o designativo Grande Reserva.
Quanto ao branco Quinta das Cerejeiras, Carlos João sempre pensou que a referência não existia no tempo do seu avô. Porém, uma pasta de rótulos descoberta da sede da Abel Pereira da Fonseca, em Lisboa, revelou vários exemplares de colheitas dos anos 20 do Quinta das Cerejeiras branco. Na era “moderna”, o primeiro Reserva branco nasceu na vindima de 1987, baseado na Vital, clássica casta da região. O mercado não revelou grande interesse (injustamente, como hoje se percebe da prova do vinho), e Carlos João só voltou ao Quinta das Cerejeiras branco em 2010, agora com o apoio do enólogo Miguel Móteo, na casa há 22 anos e responsável pela vinha e adega.
O 2010 já tinha Chardonnay e Arinto a fazer companhia à Vital. De então para cá (a colheita mais recente é o Grande Reserva branco de 2016) a presença da Vital tem vindo a diminuir. É uma casta muito difícil na vinha (de película muito fina, o bago racha com facilidade e também desidrata com frequência), mas a empresa não quer perder este património vitícola regional e ainda mantém 4 hectares de cepas com 30 anos. Com viticultura apropriada, Carlos Pereira da Fonseca e Miguel Móteo acreditam que esta casta pouco aromática quando jovem, mas que desenvolve aromas terciários muito interessantes em vinhos mais velhos, pode ter (tal como o Castelão no tinto) um papel a desempenhar na definição do estilo e identidade de uma marca tão antiga e clássica quanto o Quinta das Cerejeiras.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Cinco décadas de Cerejeiras”][vc_column_text]A prova vertical de Quinta das Cerejeiras branco e tinto abrangeu cinco décadas, e avaliar no copo a evolução cronológica de lotes de castas, vinificação e perfis de vinho é uma experiência fascinante. A ajudar esta viagem pelo tempo, o detalhe de o rótulo do Quinta das Cerejeiras praticamente não ter mudado desde que foi criado, nos anos 20 do século passado…
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Quinta das Cerejeiras Vinho de Mesa Clarete
Tinto - 1977 -

Quinta das Cerejeiras Vinho de Mesa Clarete
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Quinta das Cerejeiras
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Quinta das Cerejeiras
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Quinta das Cerejeiras
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Quinta das Cerejeiras Vinho de Mesa
Branco - 1987 -

Quinta das Cerejeiras
Branco - 2010 -

Quinta das Cerejeiras
Branco - 2012 -

Quinta das Cerejeiras
Branco - 2015 -

Quinta das Cerejeiras
Branco - 2016
Edição Nº21, Janeiro 2019
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Lisboa e os seus tintos

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]De Colares a Leiria estamos na região de Lisboa. Os seus melhores tintos procuram agora afirmar-se como referências, deixando para trás o paradigma que durante muitos anos esteve associado à região: granel e vinhos baratos. Numa Lisboa […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]De Colares a Leiria estamos na região de Lisboa. Os seus melhores tintos procuram agora afirmar-se como referências, deixando para trás o paradigma que durante muitos anos esteve associado à região: granel e vinhos baratos. Numa Lisboa com evidente diversidade, o potencial para a grandeza está lá e começa a ser descoberto pelos apreciadores.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Fazer uma prova de vinhos tintos da região de Lisboa, outrora conhecida com Estremadura, resulta num encontro entre mundos diferentes, entre passado e futuro. A região é demasiado extensa para poder ser considerada uma unidade territorial com pontos de contacto a unir as várias zonas que a integram. Quando se fez a demarcação da região em sub-regiões terá sido esta diversidade que esteve na mente do legislador, para além das rivalidades regionais. Criaram-se então múltiplas sub-regiões com identidade e uniformidade próprias. Para além das clássicas e antigas regiões à volta da cidade de Lisboa (Colares, Bucelas e Carcavelos), a região desdobrou-se depois em várias sub-regiões: Alenquer, Arruda, Torres Vedras, Óbidos, Encostas d’Aire, Lourinhã e Alta Estremadura.
De tão vasta região chegam vinhos tão diferentes que vão dos antigos e famosos vinhos de Colares, Bucelas e Carcavelos até ao Vinho Leve e às aguardentes da Lourinhã. Mas, apesar das várias sub-regiões, a região de Lisboa é sobretudo produtora de vinhos com a indicação Vinho Regional. Esta categoria é bem mais maleável em termos de castas e procedimentos e terá sido essa a razão que levou a maioria dos produtores a adoptarem esta designação e não a DOC (Denominação de Origem Controlada), o que é evidente nos vinhos provados: para além de dois vinhos de Colares, somente três pertencem à denominação Óbidos; das outras sub-regiões não chegaram representantes à nossa mesa.
A região como um todo continua muito ligada à produção de vinho a granel, mas agora é possível exportar vinho a granel com Indicação Geográfica (IG) e engarrafada no destinatário com supervisão da CVR. Mesmo no mercado interno é normal que circule vinho entre regiões, uma vez que a designação Vinho Regional autoriza que 15% do lote seja de fora da região. Para António Ventura, enólogo com larga experiência na região, Lisboa tem de “fazer melhor e subir preços médios, porque é muito mau para a região que ela esteja colada ao estigma de vinhos baratos, ainda que muito bons”. O crescimento das exportações tem sido constante e, ainda segundo Ventura, os provadores e wine writers internacionais que provam os vinhos acham escandalosamente baixos os preços a que são oferecidos no mercado externo. Assim sendo, há que cambiar o paradigma da região: em vez de ser terra sobretudo produtora de “vinhos de entrada de gama”, há que mostrar valor acrescentado nos vinhos e subir preços.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Uma região e tanto” title_align=”separator_align_left” align=”align_left”][vc_column_text]Lisboa é terra de vinho. Segundo dados do IVV, a região de Lisboa teria, em 2017, 18.641 hectares (ha) de vinha. Destes, apenas 1.041 estão inscritos para a produção de vinhos com direito a DOC e 7.255 para a produção de Vinho Regional. O site da CVR tem números diferentes, especialmente no total, referindo mais de 30.000ha! No site referem-se ainda as antigas e clássicas regiões à volta de Lisboa: 17ha em Colares, 10 em Carcavelos e 142 em Bucelas. Por outro lado, a região da Lourinhã, onde só as aguardentes têm direito à Denominação de Origem, integra 50ha de vinhas. Em 2018 (ainda sem números definitivos) a região chegará aos 100 milhões de litros produzidos e aos 50 milhões de garrafas, com um aumento significativo de 18% em relação a 2017. Lisboa é, segundo Carlos Pereira da Fonseca, produtor e vogal da Direcção da CVR, a segunda região que mais produz a seguir ao Douro e a que mais exporta, absorvendo o mercado externo cerca de 80% da produção. Outrora bem mais numerosas, as adegas cooperativas em laboração, são actualmente nove, contando-se alguns gigantes, como S. Mamede da Ventosa, Azueira ou Labrujeira; outras bem pequenas, como Alcobaça, Batalha, Cadaval ou Vermelha; e duas de média dimensão, Dois Portos e Carvoeira.
J.P.M.[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34079″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Mudar ou conservar?
A região teve inicialmente de repensar os seus encepamentos quando criou as denominações de origem. Muitas das castas estavam vocacionadas para a produção excessiva, contando sobretudo a quantidade em detrimento da qualidade. Basta uma vista de olhos na listagem de castas autorizadas na região, sobretudo para a produção de Vinho Regional, para se perceber que é quase tudo possível, mas que estamos perante uma ficção: a maioria das castas não existe ou está em extinção e são as novas castas, muitas delas internacionais ou vindas de outras regiões nacionais, que acabaram por vingar.
No caso dos tintos será que alguém se arrisca a colocar no mercado um tinto de lote com a participação das variedades Amostrinha, Cabinda, Preto Cardana e Tintinha? E, mesmo que se disponha a isso, encontrará plantas para iniciar o projecto? Ao lado destas castas que hoje não têm mais do que um interesse meramente ampelográfico, chegaram à região as variedades que hoje todos plantam: Syrah, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Caladoc e, em algumas zonas, Pinot Noir.
O perfil está assim a mudar, ainda que castas como o Castelão devam ser mantidas. É essa a opinião de Sandra Tavares da Silva, enóloga em Chocapalha, onde mantém cerca de 7ha de Castelão, agora com 30 anos. Já em relação à Tinta Miúda, decidiram “arrancar porque apodrecia facilmente”, mas em relação a outras tiveram de “ter paciência, porque a Touriga Franca, por exemplo, só agora com 15 anos de idade é que começou a mostrar o que vale e o Alicante Bouschet funciona muito bem, mas somente nas vinhas velhas”.
Também António Ventura vem em defesa do Castelão, que vê como “casta altamente diferenciadora e que merece continuar a fazer parte dos encepamentos”: “A Tinta Miúda, outrora tão vulgar em Arruda, precisa de condições especiais de calor para se dar bem, mas era uma boa casta. Já a Caladoc, cada vez mais vulgar, parece-me ser casta que não acrescenta qualquer valor aos vinhos da região; para além de produzir muito, é bastante atípica e favorece apenas os vinhos de entrada de gama. Das novas que aqui chegaram, sem dúvida que a Syrah foi a que melhor se mostrou e essa é para continuar, mas a aposta deverá ser sobretudo nas castas portuguesas, já que é daí que vem a diferenciação”, disse.
Os pontos fortes da região de Lisboa são conhecidos e sublinhados por Sandra: uma frescura muito grande nos mostos, quer brancos quer tintos, maturações fenólicas mais integradas, acidez bem equilibrada. Os tintos são estáveis e com boa longevidade, todos beneficiando do clima ameno e das maturações prolongadas, tão habituais na região que levam a que as vindimas se estendam bem mais no tempo do que em outras zonas do país.
Por vezes mais referida como região de brancos, Lisboa tem excelentes condições para os tintos e disso foi prova este conjunto de vinhos agora provados. Cá continuam os originais e “fora do baralho” tintos de Colares, que são sempre vinhos que precisam de ser enquadrados para melhor serem apreciados. Os estilos possíveis são muitos, as combinações de castas também. Tudo a favor de tintos com grande aptidão gastronómica e boa capacidade para resistir à cave e ao tempo.
Muito há ainda por fazer e por mudar (a começar pelo website da CVR Lisboa, assustadoramente desactualizado, até na imagem que dá da região), mas o potencial, natural e humano, está todo lá.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
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Edição Nº21, Janeiro 2019
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A alma da margem esquerda do Guadiana

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Pode até parecer a parte desconhecida do Alentejo vitícola, mas na verdade está em verdadeira mudança. A margem esquerda do Guadiana está a usufruir do renascimento da Cooperativa de Granja, a cargo do empresário Manuel Bio, homem […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Pode até parecer a parte desconhecida do Alentejo vitícola, mas na verdade está em verdadeira mudança. A margem esquerda do Guadiana está a usufruir do renascimento da Cooperativa de Granja, a cargo do empresário Manuel Bio, homem de grande visão e capacidade de gestão.
TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA Luis Lopes e João Paulo Martins
FOTOGRAFIAS Ricardo Palma Veiga
Ali ao pé de Mourão, o rio Guadiana desvia para dentro do território nacional e deixa de fazer fronteira entre Portugal e Espanha. Faz depois uma espécie de barriga para dentro do território português, inflectindo outra vez para Espanha até desempenhar novamente o papel de divisor dos dois países, uns bons 100 quilómetros mais a sul, ao pé de Alcoutim, já no Algarve. Esta área, de bom tamanho, é o que costuma referir-se como a margem esquerda do Guadiana. Antes uma zona seca e muito quente, agora potencialmente mais fresca e mais húmida graças à enorme albufeira da barragem do Alqueva, quase omnipresente por onde andamos.
Em termos vitivinícolas, parte desta zona – mais a norte – pertence à sub-região Granja-Amareleja, uma das oito existentes no Alentejo. Aqui pontua a Cooperativa Agrícola de Granja, uma empresa com mais de 60 anos de história, fundada em 1952. É a mais pequena das cooperativas alentejanas e começou, com a aguardente de figo e azeite. Ainda faz o Azeite, embora o lagar não seja muito grande (labora até mil toneladas de azeitona). Mas, verdade seja dita, rapidamente a actividade se estendeu aos vinhos. À falta de grandes produtores na sub-região, a Granja sempre foi o maior produtor de vinhos da margem esquerda do Guadiana. No final da década de 80, a sua fama vínica atingiu o seu expoente máximo com um vinho de 1983 que ganhou um concurso de vinhos em Ljubljana (ex-Jugoslávia) e passou a ser conhecido por cá como “Campeão do Mundo”.
Mas, daí para a frente, as coisas começaram a correr mal. Acontece que, conta-nos José Piteira, da enologia da casa, “a cooperativa não se soube actualizar e modernizar nos anos seguintes, ao contrário do que aconteceu com as outras cooperativas alentejanas; ficámos para trás”. Por isso, a Granja Amareleja começa a passar gradualmente por momentos cada vez mais difíceis. De tal maneira que, em 2005 estava num estado de pré-falência, com atrasos no pagamento de quatro ou cinco colheitas aos seus associados![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34060″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#f4f4f4″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Um grupo em Forte Expansão ” title_align=”separator_align_left” align=”align_left”][vc_column_text]A actividade empresarial de Manuel Bio na região está longe de estar restringida à Adega da Granja. O empresário tem sociedades e parcerias aqui, mas também em outras zonas do país. Por exemplo, com três outras cooperativas: Alijó, no Douro, onde vai inclusive fazer a gestão nos próximos 15 anos; Adega de Penalva do Castelo, no Dão; e Dois Portos, na região de Lisboa (parceria comercial). Mas possui ainda parceria nos Vinhos Verdes, com a holding de cooperativas da região, chamada Viniverde. E, finalmente, o empresário explora a comercialização dos vinhos da Quinta Vale de Fornos (Tejo) e é o maior accionista da Herdade da Madeira Velha (Evoramonte, Alentejo). Existe ainda uma parceria comercial de peso, com a Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito (Alentejo). E existe ainda a Amareleza Vinhos, uma sociedade de Manuel Bio e José Piteira, para néctares de grande qualidade, incluindo os vinhos de talha da marca Piteira e José Piteira.
Centro logístico em Mourão
Em Mourão está instalado um enorme parque que concentra toda a distribuição das empresas do grupo. São milhares de metros quadrados de área coberta que conseguem albergar, num dia cheio, mais de 1,2 milhões de garrafas! Luís Bio, responsável pela Exportação (área em grande expansão) e sobrinho de Manuel, diz-nos que vão aqui implementar um sistema de picking com o objetivo de ter erro zero.
Pode parecer uma loucura criar aqui o centro logístico, mas o facto é que o espaço é barato e os acessos bons. Ou seja, importa menos a localização, ao pé de Espanha. Daqui saem os transportes para os maiores clientes (a grande distribuição nacional) e para mais de 20 países. Falamos de praticamente todas as grandes cadeias de supermercados do país e os mercados externos mais relevantes. E existem marcas/vinhos que existem apenas para determinadas cadeias de supermercados em Portugal e no exterior.
Qual é o segredo da equipa?
A estratégia parece simples: assegurar a viabilidade comercial das empresas, e, em alguns casos ir mesmo mais longe. De facto, a comercialização é a tarefa mais complicada para a maioria dos produtores de vinho, grandes e pequenos. Esta é uma das maiores mais-valias da equipa de Manuel Bio: a sua visão estratégica e comercial e a busca de soluções na produção, para dar resposta a esta expansão.[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34062″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A Recuperação
Na história entra Manuel Bio, um empresário e gestor originário da zona. O seu pai era associado da Cooperativa e Manuel, por herança, foi ver o que se passava. O que descobriu deixou-o assustado. Mas, como bom filho da terra, propôs-se ajudar. Os seus préstimos na área de gestão (especialmente na área comercial) acabaram por levá-lo à presidência da direcção, em 2007. Manuel Bio tomou conta do negócio e conseguiu, em poucos anos, não só dar credibilidade como também recuperar a colaboração de quase todos os associados; na verdade, sem receber, muitos estavam a entregar a uva a outros produtores de vinho da região alentejana. Pior ainda, outros abandonaram a vinha, seja por idade avançada, seja por venda de licenças de plantação para outras sub-regiões; ou ainda pela simples falta de dinheiro ou motivação para tratar a vinha. Ou tudo junto… “Em dez anos houve uma redução drástica na produção de uva”, considera José Piteira, que observava de perto esta situação.[/vc_column_text][vc_column_text]A vinha da Aldeia da Luz
Com pouca uva, a primeira grande ajuda passou pela vinha da Aldeia da Luz. Para quem não sabe, o enchimento da albufeira do Alqueva submergiu a aldeia original e, em compensação, o estado português fez uma nova aldeia mais acima, respeitando ao máximo o que as pessoas já tinham em termos de áreas e inclusive tentou manter as mesmas vizinhanças. O estado não só ‘ofereceu’ uma vinha ali ao pé, com parcelas atribuídas a cada morador, como investiu cerca de 1 milhão de euros na modernização da Adega da Cooperativa da Granja, para receber e vinificar essas uvas. Estamos a falar de vinha de tamanho considerável, com 80 hectares. Ora, toda a uva vai para a cooperativa de Granja, que beneficiou, e muito, desta solução. Até porque, diz José Piteira, “esta vinha dá uvas de muito boa qualidade”.
Actualmente a Granja Amareleja produz mais de 2 milhões de litros de vinho, quase 90% de tinto. Mas há 40 anos, essa quantidade era, pelo menos, duas vezes maior. E era, em grande maioria, vinho branco! Ficamos boquiabertos. Porquê, se estamos provavelmente na região mais quente de Portugal? José Piteira dá duas hipóteses: “já vem do tempo dos romanos; e depois aqui, numa taberna, quando você pede um copo de vinho, dão-lhe um branco. Se for em Reguengos (ali a 20 Km), esse copo é de tinto”.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34061″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#f4f4f4″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Abegoaria, uma jóia a crescer no Alqueva” title_align=”separator_align_left” align=”align_left”][vc_column_text]Mais recentemente, Manuel Bio adquiriu uma herdade nos arredores de Mourão, com cerca de 500 hectares de terra. A Herdade da Abegoaria é uma pequena jóia, que começa no enorme muro que rodeia as muitas edificações e termina na espantosa entrada, adornada por dois torreões que servem de depósitos de água. Pouco comum no Alentejo, para não dizer único, cortesia de influências espanholas. O território espanhol está a menos de 4 quilómetros! Coincidência curiosa, esta herdade era refúgio de caça de gente poderosa e o próprio Conde de Barcelona – avô do rei de Espanha – tinha aqui o seu quarto.
Ao redor do enorme monte nasceu há dois anos uma vinha com cerca de 55 hectares. Manuel Bio queria mais, mas as autoridades não deixaram: esta é uma área protegida, porque frequentada por espécies migratórias, especialmente Grous e Abetardas, aves de grande tamanho. Mas descansem os enófilos, vão existir uvas mais do que suficientes para fazer vinho em boa quantidade. E aqui o objectivo é claro: fazer os melhores vinhos que for possível, com o melhor enólogo. A adega também já está planeada. Este vai ser aquilo que Manuel Bio apelida de “projecto de referência no Alentejo”, e vai incluir um hotel de 28 quartos e enoturismo a condizer. Na forja está a possibilidade, por exemplo, de os hóspedes poderem fazer os seus próprios vinhos. E têm muitas castas ao dispor, tanto tintas como brancas.
Em 2020, Manuel Bio espera ter quase tudo pronto. Um dos braços da albufeira do Alqueva está ali próximo e o ambiente circundante é muito bonito. A Abegoaria é definitivamente um projecto a seguir com muita atenção.[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34064″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]As castas da margem esquerda
José Piteira avança ainda outra razão: a casta branca Diagalves, que, tal como a tinta Moreto, se dá muito bem com o calor, quase sem perder frescura. Este é o terroir certo para estas duas castas, possivelmente as que melhor se adaptam às (potenciais) alterações climáticas que aí vêm. E o resto das brancas eram companheiros de viagem, como a Manteúdo, o Rabo de Ovelha, o Roupeiro ou o Perrum. E, para o provar, Piteira avança-nos um copo de um ‘talha’ branco de 1999, ainda cheio de vida e frescura. Impressionante…
Outra curiosidade: a partir de Mourão em direcção à Amareleja, o solo vai passa de granito a xisto. Amareleja é assim de predomínio xistoso, um pouco como no Douro, com algumas partes de areia. “É nestas terras pobres que o Moreto atinge o seu auge”, considera Piteira. Essas uvas são mais bem pagas à entrada da adega, para incentivar a sua continuação e, inclusive, ampliação de área.[/vc_column_text][vc_column_text]Uma região difícil
Reguengos, fora desta sub-região, tem 12 grandes produtores de vinho. Aqui só existe a cooperativa, um dos maiores empregadores da zona. De facto, a Granja Amareleja possui um generoso corpo de pessoal, mas é de propósito: é uma forma de manter emprego nesta zona, mesmo à custa de alguma rentabilidade. Ou seja, existe aqui consciência social, provavelmente compensando algum distanciamento dos centros de poder. Na verdade, José Piteira considera que a Granja-Amareleja tem sido votada a algum esquecimento, até pelas entidades vitivinícolas e universitárias. Menos mal que dois professores do Instituto Superior de Agronomia aparecem por aqui com frequência: Virgílio Loureiro (já jubilado) e Manuel Malfeito Ferreira são consultores da adega há vários anos. Virgílio Loureiro está aqui desde 2009 e ajudou à formação de José Piteira, ele próprio um autodidacta, mas com grande experiência em vinhos de talha, que começou a fazer desde adolescente, com o padrinho.
Com nova gestão, a adega foi-se modernizando, e não só em equipamentos. Mas a mais-valia continua a ser o seu terroir e o seu conjunto de castas, algumas inéditas no resto do mundo. Melhor ainda: considerando o clima quente e seco, fazer viticultura biológica será mais fácil que em qualquer outro lado. Tudo isto para dizer que, num mundo onde a diferença é cada vez mais valorizada, diz José Piteira com um sorriso nos lábios, “nós estamos mais perto do que muitos outros, porque não nos actualizámos e modernizámos tanto ao longo dos anos”.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”34063″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” bg_color=”#f4f4f4″ scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom” shape_type=””][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_text_separator title=”Três perguntas a Manuel Bio” title_align=”separator_align_left” align=”align_left”][vc_column_text]O que o levou a investir numa cooperativa que estaria à beira da falência?
A Cooperativa estava em falência. No entanto, sempre tive uma visão social das empresas e acredito que quem melhor defende a pequena agricultura e os pequenos agricultores são o associativismo e o cooperativismo. Assim não tive dúvidas que o caminho que iria percorrer, passava pela sua recuperação e nunca a deixar cair para depois adquirir os activos. Na verdade, o que construímos foi muito mais do que uma cooperativa, foi uma associação de várias entidades com uma gestão profissional e com o objetivo claro de melhorar o rendimento de todos, dinamizando a economia local e criando postos de trabalho. Esta “Coooperativa” (Cooperativa, Empresas Privadas, Associações) emprega em média mais de 60 pessoas por ano e está de muito boa saúde, apresentando hoje excelentes resultados e libertando anualmente um valor significativo para reinvestir na adega.
Considerando o chamado aquecimento global, não tem receio do futuro agrícola desta sub-região?
Temperaturas extremas há muitos que as temos neste território e cresci aqui com dias de 45 graus em Agosto. As castas que aqui encontramos já estão adaptadas a esse clima. As nossas vindimas para produzir os nossos vinhos de Talha, sempre foram feitas em final de Setembro ou início de Outubro, só assim conseguimos ter adegas climatizadas para uma boa fermentação dos vinhos dentro das talhas .
Que podemos esperar para os próximos anos da Granja Amareleja?
Hoje a Adega da Granja Amareleja tem mais de 95% de produção da região e isso duplica a nossa responsabilidade. Os grandes objectivos estão traçados:
1. Investir mais de 2 milhões de euros na Adega, criando um novo pavilhão de engarrafamento, uma completa recuperação do exterior da Adega, criar um grande espaço de enoturismo e aumentar a capacidade de produção em 50%.
2. Ser a Adega “Coooperativa” que melhor paga a uva dos seus associados. Este objectivo queremos atingi-lo em 2022 (até lá temos de concretizar os investimentos de 2 milhões de Euros).[/vc_column_text][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column centered_text=”true” column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][nectar_animated_title heading_tag=”h6″ style=”color-strip-reveal” color=”Accent-Color” text=”Em prova”][vc_column_text]
Edição Nº21, Janeiro 2019
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AdegaMãe: Novidades caídas do céu

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Como visitar seis vinhas diferentes, algumas separadas por muitos quilómetros, em apenas uma hora? Para Bernardo Alves, director-geral da AdegaMãe, a resposta é simples: de helicóptero. A isto chama-se entrar em grande no lançamento dos novos Dory […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Como visitar seis vinhas diferentes, algumas separadas por muitos quilómetros, em apenas uma hora? Para Bernardo Alves, director-geral da AdegaMãe, a resposta é simples: de helicóptero. A isto chama-se entrar em grande no lançamento dos novos Dory Reserva.
TEXTO Mariana Lopes
O cenário das vinhas lisboetas de Outono, visto do ar, é de ficar sem fôlego. A manta de retalhos pintada a tons quentes e, em certas localizações, quase banhada pelo azul do Atlântico, forma uma visão privilegiada a que poucos têm acesso. “Atlântico.” A palavra-chave de um terroir que origina vinhos originais, nos quais se sente a influência marcadamente marítima.
São assim os brancos da AdegaMãe, que tem as suas seis vinhas divididas pelo sistema montanhoso Montejunto-Estrela, três brancas de um lado, em Torres Vedras e Cadaval, e três tintas do outro, em Alenquer e Arruda dos Vinhos. As primeiras num clima precisamente atlântico, mais ameno, entre o mar e a cadeia de montanhas, e as segundas num clima continental, onde a amplitude térmica é maior. Em solos argilo-calcários, estes vinhedos foram alvo de restruturação quando a AdegaMãe iniciou a sua actividade, em 2010. A equipa de enologia, constituída por Diogo Lopes e Anselmo Mendes, orientou todo o processo que, juntamente com a construção dos edifícios, adega e implementação do enoturismo representou, até hoje, um investimento de 6,5 milhões de euros, por parte do Grupo Riberalves, detentor da empresa.
Juntando paixão a profissionalismo, João e Bernardo Alves, pai e filho, fizeram nascer em poucos anos um negócio de qualidade e sucesso, com uma produção actual de 1 milhão e 300 mil garrafas, que se traduz numa facturação de 3 milhões de euros, em 2018. Um aumento de 20% face ao ano anterior, que se deve a um forte crescimento no mercado internacional (60% da facturação) e na restauração da Grande Lisboa. Bernardo e os dois enólogos são agora o rosto de uma casa que se ergueu sem vícios e sem bagagem, pronta para retirar da região, e daquele quadriculado pitoresco à beira-mar plantado, todo o seu potencial e reflecti-lo nos vinhos.
“O ano de 2015 foi o melhor de sempre para os tintos da AdegaMãe”, disse Diogo Lopes. O novo Dory Reserva tinto não o deixa mentir. Das vinhas da Quinta da Laje e da Quinta dos Ferrões, ambas em Alenquer, tem no lote Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. Tendo estagiado 14 meses em barricas de carvalho francês, resultou num vinho sublime, intenso, especiado e muito equilibrado. O Reserva Branco 2017, por sua vez, é feito de Viosinho, Alvarinho e Chardonnay da Quinta da Archeira (onde são as instalações da AdegaMãe), em Ventosa, Torres Vedras, a apenas 10 quilómetros do mar. Com estágio de nove meses em barrica, este branco quase não a acusa, muito mineral e gastronómico, longevo na prova. Os Dory colheita, branco e tinto, também chegaram há pouco ao mercado, e a sua prova está incluída neste artigo.
E para compreender o presente, nada melhor do que provar o passado com uma vertical destes dois vinhos. Começando no Reserva branco de 2012, que mostrou um nariz fantástico de querosene e sílex, e uma boca super-mineral com amargos deliciosos. O 2013, ainda jovem e ascendente, revela citrinos e folha de limoeiro, num conjunto ainda fechado. Depois o 2014, que, segundo Anselmo Mendes, é “O Vinho”, com uma acidez e força incríveis. O 2015 representa uma mudança na base, que a partir daqui é Viosinho e Alvarinho com menos Chardonnay, um perfil mais verde, de espargos no aroma. Já o 2016 é todo equilíbrio entre verdes, minerais e salinidade.
A vertical do Reserva tinto arrancou com o 2010, aqui ainda de Touriga Nacional e Syrah, um conjunto já finalizado, redondo e pronto a beber. Em 2011 adicionou-se o Cabernet Sauvignon, sendo o vinho bem salino e fresco, vegetal e intenso. O 2012, já com o lote actual, é, segundo Diogo, “um dos melhores anos, a par do 2015”. Um tinto desafiante, muito bom, com taninos ainda bem activos. O 2013, o meu favorito, revelou-se completo, alcalino, puro e com notas de tabaco, pleno de finesse. No 2014 sente-se bem a pirazina do Cabernet, a par da elegância.
Entre bacalhau e vinho, a família Alves tem mostrado que é possível aliar a emoção à razão, tornando-se um negócio exemplar da região de Lisboa, onde também há espaço para experimentação. Num futuro próximo pode ser que surja um monocasta Vital, mas isso é assunto para outros voos.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº20, Dezembro de 2018
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FALUA: Um empurrão francês contra o preconceito

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text] Quais são as probabilidades de um grande investidor estrangeiro – francês, ainda por cima – entrar para o negócio do vinho através da região do Tejo? Se pensarmos na desconfiança que alguns consumidores ainda mantêm sobre […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Quais são as probabilidades de um grande investidor estrangeiro – francês, ainda por cima – entrar para o negócio do vinho através da região do Tejo? Se pensarmos na desconfiança que alguns consumidores ainda mantêm sobre esta zona do país, muito poucas. Mas aconteceu na Falua. E são vários os argumentos que sustentam esta declaração anti-preconceito.
TEXTO Luís Francisco
FOTOS Ricardo Palma Veiga
O Grupo Roullier nasceu na Bretanha em 1959 e transformou-se num gigante: em 2007, estava presente em 122 países, tinha 8000 funcionários e o seu volume de negócios atingiu os 2,5 mil milhões de euros, em áreas como a agropecuária, a agroalimentar ou produtos para a indústria. Mas só no ano passado se aventurou no mundo dos vinhos, com a aquisição da Falua, empresa portuguesa com 25 anos de história sob a batuta de João Portugal Ramos, agora acionista minoritário. Como se explica que uma grande corporação mundial escolha a região do Tejo para se estrear na produção vitivinícola? “Estamos onde queremos estar.”
Estão na região do Tejo, que não será das mais prestigiadas do país entre os apreciadores nacionais. Mas numa empresa que sempre se colocou na linha da frente ao combate a esse estigma. A Falua faz cerca de 5,5 milhões de garrafas por ano, facturou no ano passado 6,7 milhões de euros, exporta 54 por cento da sua produção e mantém um foco constante na investigação e parcerias com instituições universitárias. E aí reside também o seu poder de atracção para o Grupo Roullier, que aqui encontra um excelente campo de ensaios para os seus produtos.
Com 68 hectares de vinhas próprias e outros 250 sob gestão, em colaboração com os proprietários, a Falua tem um portefólio já respeitável, mas concentrado em apenas três marcas: Falua, Conde de Vimioso e a “moderna” Nazaré North Canyon. Esta, por enquanto apenas em versão tinto, visa um público mais jovem; a primeira jogava na conjugação de duas castas em vinhos acessíveis mas alarga-se agora ao nível Reserva; sob a chancela Conde Vimioso albergam-se os vinhos com maiores ambições.
E estes vinhos têm um terroir: a vinha do Convento da Serra, uma improvável extensão de calhau rolado no alto de uma suave colina, muito longe do Tejo (e agora com uma auto-estrada a cortá-la em duas parcelas). A verdade é que, em termos geológicos, esta elevação fez até recentemente parte do leito do rio Tejo – há pelo menos 300.000 anos que as pedras estão aqui e formam uma camada com vários metros de espessura, entrecortada por alguma areia.
Foi por aqui que começou a visita, antes de rumarmos à adega e nos sentarmos à mesa para conhecer melhor este produtor português, o grupo francês que assumiu a sua gestão e, principalmente, os vinhos que por ali se fazem, com enologia a cargo de Antonina Barbosa. O Tejo está de parabéns.
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Edição Nº20, Dezembro 2018
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Horta Osório, o sonho não tem idade

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]O projecto Horta Osório Wines ainda não cumpriu uma década de existência, mas já se afirma como um nome sólido do novo Douro. Por trás dos vinhos há vinhas velhas, uma adega moderna, uma equipa enológica de gabarito. Mas, acima de tudo, está o sonho de um homem.
TEXTO Luís Francisco
NOTAS DE PROVA João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga
Em 2008, José Horta Osório começou a dar forma a um projecto. Na sequência de uma carreira empresarial de sucesso e com a vantagem de já ser proprietário de terras no Douro, decidiu lançar vinhos em nome próprio. Fez aquisições, remodelou a vinha, mandou construir uma adega. A primeira colheita a sair para o mercado foi a de 2012 e a verdade é que neste reduzido lapso de tempo o nome Horta Osório já se tornou sinónimo de qualidade. Toda esta história é exemplar, mas ainda mais notável é o facto de José Horta Osório ter actualmente 88 anos. Sim, tinha 78 quando lançou o projecto.
Hoje, a casa faz cerca de 50.000 garrafas/ano e o resto das uvas vai “para o benefício”, ou seja, é entregue a empresas de Vinho do Porto. Com cerca de 50 hectares de vinha no total, 15 dos quais são de vinha velha (alguma com mais de 80 anos), a Horta Osório Wines tem a sua base no Baixo Corgo, na denominada Quinta dos Osórios, uma encosta sobre o rio Corgo com exposição nascente/sul. A construção de uma adega moderna acrescentou consistência ao projecto, que conta com enologia do residente Fernando Lázaro e do consultor João Brito e Cunha.
Esta é uma zona de excelência – e se dúvidas houvesse, basta dizer que o seu vizinho mais próximo dá pelo nome de Alves de Sousa, com a sua Quinta da Gaivosa… A propriedade inicial era bem mais pequena, mas uma série de aquisições em terrenos circundantes permitiu atingir a área actual, capaz de sustentar um projecto em que a expressão do terroir local e da alma do Douro são as ideias fortes, sustentadas por uma enologia moderna.
A vinha é maioritariamente (80 por cento) composta por castas tintas e é no campo que se centra a maior parte das atenções da equipa. “Tentamos fazer o vinho na vinha”, assume João Brito e Cunha, o enólogo consultor, que é também produtor na região (Quinta de S. José) e responsável por outros grandes vinhos do Douro, como os da Quinta da Touriga Chã ou Lubazim, por exemplo. “Estamos na fase de aprendizagem, de conhecer melhor as vinhas. Solos, produções, diferentes exposições, tudo isso tem influência no produto final.”
E, portanto, há boas razões para crer que o melhor ainda está para vir… Para já, fica a promessa de um Reserva branco que está para chegar e um conjunto de vinhos de belo registo. Na apresentação à imprensa, em Lisboa, que contou com a presença do patriarca da casa, apresentaram-se o colheita branco 2017 (9000 garrafas), o colheita tinto 2016 (30.000 garrafas), o Reserva tinto 2016 (4000 garrafas), um varietal de Sousão da colheita 2015 (1500 garrafas) e o Grande Escolha 2015 (2000 garrafas) – este último ainda em ante-estreia, a precisar de mais tempo em garrafa.
Absolutamente fabuloso![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº20, Dezembro de 2018
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Lavradores tornam-se adultos

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Com a maioridade vem a responsabilidade. Na Lavradores de Feitoria, após 18 anos de trabalho, chegou a hora de grandes decisões e investimentos, centrados agora na nova adega. Razões bastantes para festejar e celebrar a difícil arte de agradar a tantos lavradores diferentes.
TEXTO João Paulo Martins
Jornalistas eram vários, escritores e apreciadores de vinho outros tantos, todos no Clube de Jornalistas para tomar conhecimento das novidades da empresa dirigida por Olga Martins, CEO, e Paulo Ruão, enólogo. Ao evento também não faltou António Barreto, que integra o Conselho Fiscal da empresa. Nem todos os que estiveram ligados ao arranque da Lavradores fazem agora parte do projecto, como Jorge Dias (Gran Cruz), mas um deles, Dirk Niepoort, continua, ao menos, sentimentalmente ligado, já que foi também ele que participou no take-off da empresa e ajudou a desenhar um dos vinhos emblemáticos do portefólio, o Meruge. Fenando Albuquerque (Palácio de Mateus) foi também figura preponderante no arranque e ainda se mantém ligado, fornecendo uvas das duas quintas, nomeadamente as que integram o branco Três Bagos Sauvignon Blanc, provenientes das vinhas que circundam o palácio, em Vila Real.
Com arte, saber, paciência e autoridade, Olga tem de gerir 17 sensibilidades e outros tantos temperamentos, tantos são os lavradores que, nas 20 quintas e 600 hectares de vinha de que dispõem, contribuem para os vinhos da casa. A paciência e a autoridade, segundo Olga, explicam-se facilmente: todos querem vender as uvas à empresa o mais caras possível e todos querem depois ter dividendos cada vez mais altos. A juntar a esta equação de resolução difícil acresce a gestão das vontades de quase todos em ter no portefólio vinhos com o nome das suas próprias quintas. Tudo isto numa região e num país em que a palavra associação e o verbo negociar são de difícil conjugação. Há assim muito mérito no equilíbrio que se tem conseguido e nos resultados obtidos mas foi “o caminho das pedras”, disse Olga, com os ânimos a serenarem quando os bons resultados apareceram de imediato e tudo isto apesar dos reveses que há uns anos quase levaram à perda do mercado norueguês – pelo volume que representa, é o mais importante para a Lavradores.
O sucesso da Lavradores, com um modelo organizativo inédito no Douro, criou na região um interesse junto de outros produtores. “Temos uma lista de espera e vamos mesmo ter de admitir mais produtores e quintas, porque estamos a ficar apertados em termos de fornecimento de uvas”, diz Olga. A empresa não faz Vinho do Porto e muitos destes lavradores têm de cumprir o benefício, o que, segundo Paulo Ruão, em anos como 2018 levou a que alguns produtores colhessem primeiro para aquele fim e só depois tenham entregue à Lavradores; isto fez com que “tenham entrado uvas com 17º de álcool provável, o que torna depois o trabalho muito difícil”, disse.
Para comemorar a maioridade a Lavradores apresentou um tinto especial, feito de Tinto Cão e apenas comercializado em magnum (700 garrafas), com a particularidade de ser uma garrafa especialmente leve para o formato magnum, algo de novo no mercado português. Trata-se de um tinto feito de uvas da Quinta de Pias, em lagar, com engaço (em que permaneceu dois dias), sendo depois transferido para barrica nova, onde ficou durante 18 meses sobre borras. No momento provou-se também de novo o Tinto Cão de 2006, de que já existem poucas garrafas – mostrou uma óptima saúde e capacidade para enfrentar o futuro.
E, como que em jeito de celebrar a maioridade, vai arrancar a construção da nova adega, também na zona de Sabrosa. Quem sabe, para o ano, temos adega nova…[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº20, Dezembro de 2018
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Quinta do Vesúvio, uma joia do Douro Superior

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Faltam palavras para descrever a Quinta do Vesúvio, a imponência agreste da paisagem, a elegância da casa, a obra faraónica dos muros de xisto que a rodeiam. Talvez a melhor forma de perceber esta a quinta seja beber o vinho. Foi isso que fizemos com os tintos da colheita de 2016, agora colocados no mercado.
TEXTO Luís Lopes
A quinta que outrora foi de António Bernardo Ferreira e D. Antónia Adelaide Ferreira é uma propriedade com características verdadeiramente únicas, que mais singulares se tornam se pensarmos que, na primeira metade do século XIX, nada havia próximo desta dimensão e requinte no árido e quase inacessível Douro Superior de então. Ainda hoje, a casa, as vinhas e, talvez mais do que tudo, a adega com os seus monumentais lagares, impõem admiração e respeito.
Adquirida em 1989 pela família Symington, a propriedade tem 326 hectares, dos quais 137 plantados de vinha, que se estende por distintos terroirs, variando na altitude (até aos 450 metros), exposição solar e solos (maioritariamente xisto, mas com alguns afloramentos graníticos). O Porto Vintage da Quinta do Vesúvio foi produzido pela família Symington logo no ano da aquisição, 1989, tendo daí em diante sido editado quase todos os anos (de fora ficaram as fracas vindimas de 1993 e 2002). Já o primeiro Quinta do Vesúvio Douro tinto, uma ambição de Charles Symington desde a primeira hora, nasceu em 2007.
Uma propriedade criada e pensada para produzir Vinho do Porto nem sempre possui as características ideais para originar um grande vinho Douro tinto. Talvez por isso, aos primeiros Vesúvio, concentrados, maduros e poderosos, faltasse alguma da elegância que hoje se pede aos modernos tintos durienses. Ciente desse facto, a empresa começou logo em 2001 e 2002 a plantar vinhas nas zonas mais altas da quinta, em encostas viradas a norte, menos expostas ao sol e ao calor. Essas uvas foram entrando a pouco e pouco nos vinhos mais recentes e estes 2016 agora apresentados espelham já não apenas a progressiva mudança de vinhedos como também a aposta dos enólogos, Charles Symington e Pedro Correia, num estilo menos extraído, mais fresco e subtil, sem deixar de evidenciar a profundidade e carácter do Douro Superior. “Este perfil de vinho não aconteceu por acaso, fizemos por isso, começando pela vinha”, disse Charles, que neste ano de 2018 comemora a 20ª vindima de Douro DOC.
As uvas da Quinta do Vesúvio são trabalhadas numa linha de vinificação Douro DOC integrada na adega da Quinta do Sol, onde grande parte do Porto Symington é elaborado. Mas a empresa tem já em fase adiantada de projecto uma nova adega a construir no vale da Vilariça. Uma adega que, segundo Johnny Symington, administrador da empresa familiar, será uma referência em termos de sustentabilidade e respeito pelo ambiente, e que, a partir da vindima de 2020, irá albergar não apenas os Quinta do Vesúvio mas também os restantes Douro da casa, com origem nos vastos vinhedos da Quinta do Ataíde.
Voltando ao Vesúvio, o ano de 2016 viu nascer as versões “Pombal” e “Quinta”. O Pombal do Vesúvio é feito com Touriga Nacional (70%), Touriga Franca (25%) e Tinta Amarela (5%). As mesmas castas compõem o lote do Quinta do Vesúvio 2016, mas aqui a Touriga Franca ganha um pouco mais de espaço (40%) à Nacional, mantendo-se a pequena percentagem de Tinta Amarela. As uvas destinadas a um e outro passam por selecção prévia, primeiro na vinha, e depois, bago a bago, em máquina de triagem na adega. O amadurecimento em barricas de carvalho francês de 225 e 400 litros (75% novas no caso do Quinta do Vesúvio) contribui para o afinamento do lote. Prova feita, são vinhos de perfil e propósitos distintos, muito aromático e exuberante o “Pombal” (com a Touriga Nacional a destacar-se), bem mais sério, profundo e contido o “Quinta”. Ambos partilham, no entanto, o clássico polimento de taninos típico do Douro Superior, e uma enorme e surpreendente frescura de boca. O Vesúvio no seu melhor.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição Nº20, Dezembro 2018
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