Churchill’s junta-se à declaração Vintage 2020

Com o lançamento do Churchill’s Porto Vintage 2020 e do Churchill’s Quinta da Gricha Porto Vintage 2020, a empresa Churchill Graham juntou-se ao grupo de produtores de vinho do Porto que já declarou 2020 como ano Vintage. Johnny Graham, fundador e provador principal da Churchill’s, descreve o Churchill’s Vintage 2020 como “poderoso e vibrante”. Acrescenta, […]
Com o lançamento do Churchill’s Porto Vintage 2020 e do Churchill’s Quinta da Gricha Porto Vintage 2020, a empresa Churchill Graham juntou-se ao grupo de produtores de vinho do Porto que já declarou 2020 como ano Vintage.
Johnny Graham, fundador e provador principal da Churchill’s, descreve o Churchill’s Vintage 2020 como “poderoso e vibrante”. Acrescenta, ainda, que “este foi um ano grande e maduro, em que a acidez natural da Quinta da Gricha desempenhou um papel importante no lote Vintage. Com uma poderosa cor vermelha ‘sangue-de-boi’, este vinho do Porto musculado tem uma veia fresca de taninos. A boca é vibrante, com notas ricas de compota, assegurando um final equilibrado e elegante. É um vinho do Porto Vintage concentrado, mas fresco, com uma qualidade intrínseca que lhe permite envelhecer muito bem em garrafa durante várias décadas”. Em contraste, Johnny Graham classifica o Churchill’s Quinta da Gricha Vintage 2020 como “sedutor e elegante, com uma acidez vibrante e uma precisão encantadora”.
Esta será a primeira vez que os Porto Vintage desta casa serão apresentados com os novos rótulos em forma de diamante, parte da nova imagem que a marca lançou ainda este ano.
“Como parte da missão da Churchill’s de educar e divulgar o estatuto icónico dos vinhos do Porto Vintage, foi lançada, no novo website da marca, uma linha temporal de Vintage que liga a cultura pop e eventos históricos às declarações de Vintage da Churchill’s que ocorreram nos mesmos anos: um lembrete de que os Vintage, tal como os ícones culturais e os eventos, são retratos de anos que vivem na nossa imaginação”, refere a empresa, em comunicado.
Zoe Graham, Directora de Marketing e Vendas da Churchill’s, refere: “Embora 2020 venha a ficar registado nos livros de História como o ano em que o mundo parou, estes vinhos do Porto Vintage são a prova do poder da natureza e do espírito humano para a resiliência. Esperamos que seja este aspeto a ser recordado quando os nossos bisnetos provarem estes excepcionais vinhos ao longo das suas vidas”.
A produção de Churchill’s Porto Vintage 2020 é de 3200 caixas de 6 garrafas, e a de Churchill’s Quinta da Gricha é de 600 caixas, representando 10% da produção de vinho do Porto da propriedade, nesse ano.
Costa Boal é nome de Porto Vintage 2020

O produtor familiar português Costa Boal Family Estates — conhecido sobretudo pelos seus vinhos do Douro com o mesmo nome, e pelos de Trás-os-Montes chamados Palácio dos Távoras — acaba de declarar o seu Costa Boal Vintage 2020. Recentemente nomeado Produtor do Ano 2021 nos Prémios Grandes Escolhas, António Boal, director-geral da empresa, assume este […]
O produtor familiar português Costa Boal Family Estates — conhecido sobretudo pelos seus vinhos do Douro com o mesmo nome, e pelos de Trás-os-Montes chamados Palácio dos Távoras — acaba de declarar o seu Costa Boal Vintage 2020.
Recentemente nomeado Produtor do Ano 2021 nos Prémios Grandes Escolhas, António Boal, director-geral da empresa, assume este momento como “uma afirmação gradual e natural do caminho de excelência que temos vindo a desenvolver. Declarar um Vintage é um marco importante e de grande responsabilidade, pois temos a consciência que a disputa na categoria dos vinhos do Porto é de qualidade”.
O Costa Boal Porto Vintage 2020, que originou 1200 garrafas, provém de diversas parcelas durienses do produtor, e tem no seu lote várias castas tradicionais da região, com predominância de Touriga Nacional. Paulo Nunes, enólogo da Costa Boal, sublinha que este é um Vintage com “robustez e estrutura absolutamente excepcionais, taninos bem vincados e perfeitos para evoluir em garrafa durante muitos anos”.
Quinta da Romaneira terá vinho do Porto Vintage 2020

A Quinta da Romaneira — propriedade situada em Cotas, no Douro — anunciou recentemente que engarrafará o seu vinho do Porto Vintage de 2020. Christian Seely, Director Geral da Quinta da Romaneira, comenta, em comunicado de imprensa: “Estou muito feliz por poder declarar o nosso Porto Vintage 2020 da Quinta da Romaneira. O lote final […]
A Quinta da Romaneira — propriedade situada em Cotas, no Douro — anunciou recentemente que engarrafará o seu vinho do Porto Vintage de 2020.
Christian Seely, Director Geral da Quinta da Romaneira, comenta, em comunicado de imprensa:
“Estou muito feliz por poder declarar o nosso Porto Vintage 2020 da Quinta da Romaneira. O lote final de 833 caixas, representa uma porção muito pequena da produção total da nossa vinha de 86 hectares, e cerca de 15% da nossa produção total de vinho do Porto em 2020. Como sempre, as escolhas foram rigorosas. As castas são Touriga Nacional 60%, Touriga Francesa 34%, e Sousão 6%.
As condições climáticas em 2020 caracterizaram-se por precipitações significativas até ao final de Maio, importantes para repor os níveis de água no solo, seguidas de um longo período de amadurecimento com tempo muito quente e ensolarado durante o resto do Verão e Outono. Como é, frequentemente, o caso num grande ano Vintage, tivemos um dia de chuva muito útil, uma precipitação intensa no dia 20 de Agosto, que foi de grande importância para garantir a qualidade final das uvas. O tempo quente e seco que se seguiu levou, no entanto, a uma queda significativa nos rendimentos e a elevadas concentrações de açúcares e polifenóis nas uvas. A vindima começou cedo, a 31 de Agosto, e foi bastante rápida, terminando no dia 25 de Setembro.
Como sempre, o Porto Vintage da Romaneira tem uma forte e distinta personalidade, com finos aromas a flores selvagens e especiarias, expressando o carácter único desta grande vinha histórica do Douro. Existe uma intensidade e profundidade excecionais no 2020 que o torna num dos mais notáveis Vintage que alguma vez produzimos. Embora a Romaneira seja, hoje, mais conhecida pela sua gama de vinhos tintos não fortificados do Douro, que representam a maioria da nossa produção, dedicamo-nos à ideia de produzir uma pequena quantidade de Porto Vintage de altíssima qualidade, sempre que possível. Este vinho representa tanto uma continuação da história secular da Quinta da Romaneira, como também uma grande progressão no renascimento da reputação da vinha como uma grande Quinta de vinho do Porto, desde a nossa aquisição em 2004”.
Quinta do Noval declara Porto Vintage 2020

O ano de 2020 é Vintage para a Quinta do Noval, produtor que acaba de anunciar os seus dois “habitués”: Quinta do Noval Nacional Vintage 2020 e Quinta do Noval Vintage 2020. Christian Seely, director-geral da empresa, escreveu em comunicado que “2020 foi um ano quente e seco, com um período longo de maturação que […]
O ano de 2020 é Vintage para a Quinta do Noval, produtor que acaba de anunciar os seus dois “habitués”: Quinta do Noval Nacional Vintage 2020 e Quinta do Noval Vintage 2020.
Christian Seely, director-geral da empresa, escreveu em comunicado que “2020 foi um ano quente e seco, com um período longo de maturação que culminou numa vindima precoce com uvas maduras no início de Setembro. Os vinhos resultantes são extremamente ricos e intensos, encorpados, sedosos e com uma grande densidade. A estrutura tânica é imensa mas com uma notável elegância”.
Sobre o Noval Nacional, Christian Seely adianta que “Existem anos que sabemos logo após a pisa em lagar que iremos declarar um Porto Vintage Nacional, e 2020 foi um desses anos. O vinho exibe complexidade e profundidade que são típicas de um grande Nacional”.
Já o Quinta do Noval Vintage 2020, “apresenta um estilo invulgarmente concentrado e intenso para este vinho, mas mantém a pureza e frescura do vale do Pinhão, típica dos vinhos da Noval. Como habitualmente, fizemos uma selecção rigorosa dos melhores lotes de diferentes parcelas da nossa vinha. Este ano o lote final é composto por 3 lotes diferentes do vale do Pinhão e um lote do vale do Roncão”, acrescenta o administrador da Quinta do Noval.
Nicolau de Almeida: Do Douro até Gaia

Os últimos anos têm sido de grandes mudanças na casa Nicolau de Almeida e no projecto da Quinta do Monte Xisto. A história familiar no negócio do Vinho do Porto impulsionou uma espécie de regresso às origens, traduzida não apenas no lançamento dos seus primeiros fortificados como também na instalação de um armazém em Vila […]
Os últimos anos têm sido de grandes mudanças na casa Nicolau de Almeida e no projecto da Quinta do Monte Xisto. A história familiar no negócio do Vinho do Porto impulsionou uma espécie de regresso às origens, traduzida não apenas no lançamento dos seus primeiros fortificados como também na instalação de um armazém em Vila Nova de Gaia para o estágio dos vinhos. Pelo meio, a linha de tintos da Quinta do Monte Xisto cresceu…
Texto: Luís Lopes
Fotos: DR
O casamento, em 1976, de João Rosas Nicolau de Almeida e Graça Eça de Queiroz Cabral, significou igualmente a união de duas famílias com uma rica história vitivinícola, ligada ao Douro e ao vinho do Porto. Em 1870, António Nicolau de Almeida Júnior, bisavô de João, tinha já a sua própria empresa de exportação de vinho do Porto, firma que no início dos anos 60 seria absorvida pela Real Companhia Velha. Fernando Nicolau de Almeida, seu pai, tornou-se famoso na Casa Ferreirinha enquanto enólogo e criador do icónico Barca Velha. Pelo lado materno, o seu tio-trisavô Adriano Ramos Pinto foi o fundador, em 1880, da casa com o seu nome e que ainda hoje perdura, englobada no grupo Roederer. A mesma Ramos Pinto onde João Nicolau de Almeida trabalhou várias décadas enquanto enólogo e administrador. As raízes de vinha e vinho de Graça Queiroz Cabral, não são menos impactantes. Seu bisavô paterno, Afonso Pereira Cabral, era proprietário da Quinta do Paço de Monsul e da Quinta do Cachão. Do lado materno, e através do seu tetravô José Maria Rebello Valente, a família foi durante quase 100 anos proprietária da Quinta do Noval. Dos três filhos de João e Graça, dois (Mateus e João), são enólogos; e Mafalda, ligada às artes e à cultura, é um dos motores e responsável pela comunicação da empresa familiar João Nicolau de Almeida & Filhos, criada para desenvolver o projecto da Quinta do Monte Xisto.
Apaixonado pelo Douro onde, inserido na casa Ramos Pinto, realizou notável trabalho de investigação e desenvolvimento vitícola e enológico, deixando legado técnico e científico que lhe valeu o unânime reconhecimento dos seus pares enólogos e produtores e também de apreciadores de todo o mundo, João Nicolau de Almeida começou no início dos anos 90 a sonhar com uma quinta e um vinho a que pudesse chamar seus. O local, um pequeno monte no concelho de Vila Nova de Foz Côa, no Douro Superior, foi identificado em 1993. Mas daí até que as diversas parcelas de terreno (num total de 55 hectares) com diferentes proprietários, chegassem às suas mãos, passou mais de uma década. O que cativou João de imediato foi a “anormalidade” geológica da zona, que proporciona ali características diferenciadoras às quintas de beira rio, sobretudo em termos de exposição solar das vinhas. Na quase totalidade do seu percurso, o rio Douro corre de este para oeste, portanto os terrenos ou estão expostos a sul ou a norte. Acontece que em Foz Côa existe uma falha tectónica, a Falha da Vilariça, que provocou um conjunto de curvas, fazendo com que o rio aqui corra de sul para norte. Como resultado, a propriedade do Monte Xisto, tem todo o tipo de exposição solar. A vinha, cuja plantação se iniciou em 2005, reflecte isso mesmo, com as castas ordenadas segundo a inclinação do terreno, a altitude e as horas de sol que cada parcela recebe.
Os vinhedos estão plantados “ao alto”, em solos de xisto, com parcelas separadas por casta e algumas com as variedades misturadas. São 10 hectares de vinha, que se estendem desde os 220 aos 320 metros de altitude, e incluem as tintas Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinto Cão, Tinta da Barca, Tinta Francisca, Sousão e Tinta Roriz; e as brancas Rabigato, Viosinho, Arinto e Códega.
O modelo de viticultura biológica (com alguns princípios biodinâmicos) está implementado de raiz na Quinta do Monte Xisto. Inicialmente céptico, o pai João acabou por ser convencido pelos filhos Mateus e João e hoje está imensamente satisfeito com os resultados. Tal como a família Nicolau de Almeida faz questão de salientar, este modelo de agricultura “vai muito além das restrições ou inibições de produtos químicos: trata-se, acima de tudo, de preservar e fomentar a biodiversidade trabalhando um mosaico cultural”. Nesse sentido, Monte Xisto junta à vinha uma extensa área de mata (zimbros, carrascos e cornalheiras, sobretudo), um olival de onde se faz azeite, amendoeiras, e um pequeno pomar de laranjeiras.
Certas práticas da biodinâmica são aqui aplicadas, nomeadamente as infusões de diversas plantas que são pulverizadas na vinha com o intuito de prevenir doenças e proteger as videiras contra o calor, ou ainda, ser incorporadas no solo, funcionando como adubo. A vontade de experimentar e investigar esteve sempre presente na família Nicolau de Almeida. O mais recente projecto, inserido num consórcio sob a liderança da Deifil Technology, e onde participam igualmente a Sogrape, o Instituto Politécnico de Bragança e a ADVID (Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense), visa desenvolver uma solução fungicida de origem natural para o combate de míldio, oídio e podridão cinzenta.

O RETORNO A GAIA
O movimento de Vila Nova de Gaia para o Douro, por parte dos produtores tradicionais de vinho do Porto, estendendo a sua operação e investimentos para as quintas durienses, ocorre desde há muitas décadas. O que é absolutamente invulgar, ou até, de certo modo, inédito, é o movimento no sentido contrário. Ou seja, uma empresa que começa pela produção e comercialização a partir do Douro, estender-se para Gaia para aí centralizar o estágio, afinamento, engarrafamento e expedição dos seus vinhos. Mas foi precisamente isso que a João Nicolau de Almeida e Filhos fez, ao instalar-se na Rua Rei Ramiro, uma das mais clássicas e históricas artérias da “Gaia do Vinho do Porto”.
O propósito não foi apenas de ganhar maior eficácia logística com a proximidade dos circuitos de transporte e comercialização. Seguindo a lógica que sempre norteou as antigas casas de vinho do Porto, também a família Nicolau de Almeida confia no clima ameno da cidade, onde a influência atlântica proporciona aos vinhos perfeitas condições de temperatura e humidade para estágio prolongado, sem necessitar de climatização artificial. Assim, após a fermentação no Douro, os vinhos da Quinta do Monte Xisto vão de imediato o armazém de Gaia, onde estagiam em barricas de diversas capacidades, cubas de cimento e toneis de madeira. Parte dos 2018, todos os 2019 e colheitas seguintes já fizeram este percurso para Vila Nova de Gaia. “Em Gaia sempre se ‘fez’ vinho”, diz a propósito João Nicolau de Almeida, “é preciso recuperar e manter essa identidade, não podemos deixar que se transforme num enorme centro comercial”.
O primeiro Quinta do Monte Xisto nasceu na vindima de 2011 e ao longo de quase uma década manteve-se uma só referência, a perpetuar o nome da família com o símbolo da estrela que identificava a antiga casa Nicolau de Almeida no século XIX. Mas a linha de produtos tem estado a ser preparada para crescer e, da colheita de 2018, surgiu o primeiro Quinta do Monte Xisto Oriente. Agora, a gama ampliou-se significativamente, com o aparecimento de mais um tinto e, como não poderia deixar de ser, dado o histórico familiar, dois vinhos do Porto.
No mercado estão assim, neste momento três tintos, já da colheita de 2019. O primogénito, Quinta do Monte Xisto, é feito, como habitualmente, a partir das variedades Touriga Nacional e Touriga Francesa, com um toque de Sousão para “temperar”. Vinificado em lagar, com pisa a pé e leveduras indígenas, veio depois para Gaia estagiar em pipas de 600 litros e tonéis “foudres” de 2000 litros. Originou cerca de 7000 garrafas. A segunda edição do Quinta do Monte Xisto Oriente segue o conceito da inicial. Tem assim origem em duas pequenas parcelas viradas a leste (oriente, portanto), uma plantada com Tinto Cão e outra com Tinta Francisca. Fermenta em cuba de cimento e estagia depois em pipas de 600 litros, enchendo pouco mais de 1000 garrafas. Pelo perfil das castas e exposição solar da vinha, é sempre um tinto mais centrado na elegância e frescura do que na potência. Na vindima de 2019 estreou-se a nova referência em tintos, o Monte Xisto Órbita. Trata-se de um blend de várias castas, oriundas das parcelas que orbitam (daí o nome) em torno das videiras que dão origem ao vinho bandeira, o Quinta do Monte Xisto. Assim, tendo embora uma base muito importante (70%) de Touriga Nacional, inclui ainda 30% de uvas vindas de uma parcela, plantada em 2003, com várias castas misturadas. Propõe-se ser um vinho menos concentrado e com menos estágio em barrica do que o seu irmão mais velho. Fermenta em cuba de cimento e depois, já em Gaia, faz estágio em cimento e em pipas de 600 litros. A produção ronda as 6.000 garrafas.
Novidades são igualmente os dois Porto, comercializados sob a histórica marca Nicolau de Almeida. A abrir, um Porto branco leve seco. Baseado em Rabigato (70%), com Arinto, Viosinho e Códega, é pisado em cuba de cimento aberta, onde inicia a fermentação com a película ao longo de 3 dias. Depois de fortificado com aguardente, vai fazer o resto do estágio em cimento. O vinho agora colocado no mercado resulta de um lote de quatro colheitas, tem apenas 16,5% de álcool e 24 g/l de açúcar (leve e seco, não esquecer). Encheram-se 4000 garrafas de 500ml. Finalmente, e obviamente, um Vintage, também de 2019. São apenas 1200 garrafas de um vinho elaborado a partir de um blend semelhante ao Quinta do Monte Xisto original, ou seja, Touriga Nacional e Touriga Francesa com algum Sousão, de parcelas com exposição norte e sul. Pisado e fermentado em lagar tradicional e depois estagiado em cimento (algo pouco comum nesta categoria), reflecte inteiramente a matriz do Douro Superior bem como a pureza e frescura frutada dos vinhos da propriedade.
Em muito pouco tempo, portanto, a família Nicolau de Almeida operou uma quase revolução estratégica no seu modelo de negócio: por um lado, alargou consideravelmente o portefólio de referências; por outro, estendeu a produção até Vila Nova de Gaia, aproveitando assim por inteiro a dimensão histórica e geográfica da denominação de origem. Justifica-se assim que termine esta prosa repetindo o que escrevi em 2013, quando da estreia do Quinta do Monte Xisto e a propósito desta saga familiar: “É mais do que um vinho. É o destino.”
(Artigo publicado na edição de Fevereiro de 2022)
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Symington anuncia vinhos do Porto Vintage 2020 com duas especialidades

A Symington Family Estates acaba de comunicar que engarrafou três vinhos do Porto Vintage de 2020, com destaque para duas edições especiais, que assinalam marcos históricos deste ano: o bicentenário da Graham’s e os 350 anos da Warre’s. O Vintage Dow’s Quinta do Bomfim completa o trio, que irá ser disponibilizado en primeur. Estes lotes […]
A Symington Family Estates acaba de comunicar que engarrafou três vinhos do Porto Vintage de 2020, com destaque para duas edições especiais, que assinalam marcos históricos deste ano: o bicentenário da Graham’s e os 350 anos da Warre’s. O Vintage Dow’s Quinta do Bomfim completa o trio, que irá ser disponibilizado en primeur. Estes lotes foram selecionados por Charles Symington, enólogo principal da empresa familiar, que concluiu que após uma avaliação dos vinhos mais promissores das melhores propriedades, a sub-região do Cima Corgo tinha dado origem aos vinhos mais notáveis.
O ano de 2020 teve a colheita mais pequena da Symington, do século XXI – “tendo a produção nas propriedades da Symington no Alto Douro estado 21 por cento abaixo da média da última década”, diz a empresa – mas, e apesar da quantidade reduzida, gerou vinhos “incrivelmente concentrados, estruturados e retintos”, desenvolve. Como tal, a família decidiu, excepcionalmente, proceder ao engarrafamento e lançamento limitado do Graham’s Porto Vintage 2020 Edição do Bicentenário (3 mil garrafas), e do Warre’s Vinhas Velhas Porto Vintage 2020 Edição dos 350 Anos (2400 garrafas), a partir de lotes provenientes exclusivamente de um número reduzido de parcelas das propriedades do Cima Corgo. “Tal foi a qualidade desta sub-região”, que a Symington decidiu, também, disponibilizar uma pequena quantidade de Porto Vintage Dow’s Quinta do Bomfim 2020 (1200 garrafas).
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“O ano 2020 foi particularmente desafiante no Douro. A região foi assolada por ondas de calor recorde que determinaram assinaláveis quebras nas produções e também no volume da colheita, na ordem dos 40 por cento face às previsões iniciais. Castas que normalmente avançam as maturações de modo sequencial, convergiram em uníssono pelo que tiveram de ser vindimadas ao mesmo tempo. Adaptámo-nos às condições e vindimámos as parcelas em função das cotas de altitude e vinificámos castas diferentes conjuntamente, o que originou vinhos muito complexos e concentrados”, explica Charles Symington.
“Orgulho-me muito das duas edições limitadas de Portos Vintage 2020 da Graham’s e da Warre’s. Estes demonstram os benefícios dos conhecimentos multigeracionais que a nossa família possui das suas propriedades e dos microclimas, o que nos permitiu produzir vinhos tão equilibrados e elegantes num ano como 2020. Acredito que representam dignos testemunhos dos 200 anos da Graham’s e dos 350 anos da Warre’s e que estão destinados a tomar o seu lugar no pódio dos grandes Portos Vintage destas duas casas históricas”, conclui.
Churchill’s: revolução de imagem, nova marca e um “green state of mind”

Texto: Mariana Lopes Não é só mais uma mudança de imagem, é o rebranding que queríamos e não sabíamos. A Churchill Graham — empresa produtora de vinhos do Porto e Douro, sediada em Vila Nova de Gaia, fundada em 1981 por Johnny Graham — lavou recentemente “a cara” (e a garrafa) não só aos seus […]
Texto: Mariana Lopes
Não é só mais uma mudança de imagem, é o rebranding que queríamos e não sabíamos. A Churchill Graham — empresa produtora de vinhos do Porto e Douro, sediada em Vila Nova de Gaia, fundada em 1981 por Johnny Graham — lavou recentemente “a cara” (e a garrafa) não só aos seus vinhos, mas também às plataformas online, como o site e as redes sociais, apresentando toda uma estratégia renovada e, para fechar o ciclo, um novo nome para os vinhos Douro: Grafite.

“Quisemos encontrar um espaço para o vinho do Porto dentro de um estilo de vida contemporâneo. E, por isso, procurámos uma identidade visual e uma estética para os nossos vinhos do Porto e do Douro que fosse irreverente e original, fugindo às convenções usualmente associadas a esta categoria”, explica Zoe Graham, directora de Marketing e Vendas da Churchill’s, que representa também o futuro da empresa. Neste sentido, a assinatura estética — desenvolvida em conjunto com o estúdio londrino Made Thought, responsável pela definição de imagem de marcas internacionais de renome como a cervejaria BrewDog, ou a Hunter, conhecida sobretudo pelas suas icónicas galochas — assenta nos valores “Beleza e Minimalismo”, como afirmado pela empresa, mas também na comunicação do caminho de sustentabilidade que a Churchill’s tem traçado.

Nos vinhos do Porto, além dos novos rótulos em forma de diamante, com o uso de letras somente minúsculas (ou em “caixa baixa”, na gíria jornalística), pormenores que conferem modernidade e elegância ao look total, entram, em substituição do brasão convencional, os símbolos da história da Churchill’s e da família: a coroa, a concha, e a torre. “A torre provém dos lagares de granito da Quinta da Gricha [propriedade duriense mais emblemática da empresa] e representa a filosofia de mínima intervenção da Churchill’s no processo de vinificação. A concha provém da heráldica da família Graham e representa a origem, remontando ao símbolo original utilizado pela empresa familiar quando se instalou em Portugal pela primeira vez, em 1808. A geração seguinte quis trazer de volta este símbolo da natureza, para representar o seu compromisso para com o legado e para com um futuro mais sustentável”, desenvolve Zoe Graham. As garrafas também sofreram alterações, sendo que a Churchill’s optou pelo mesmo formato/modelo em toda a gama de Porto, e a distinção entre as linhas passa a ser feita de outras formas: os Ruby, por exemplo, têm uma imagem mais clássica com a utilização, no rótulo, somente das cores branco e preto; e os Tawny, por sua vez, ganham uma garrafa transparente e mais variações de cor nos rótulos, consoante a categoria. Isto “fala” muito mais com o consumidor, que assim consegue perceber mais rapidamente que tipo de produto tem à sua frente.

Numa das gamas de vinhos Douro, uma grande novidade. O nome deixa de ser Churchill’s Estates, e é adoptado o nome Grafite, acompanhado de novas ilustrações, feitas à mão, nos rótulos. A origem de “Grafite” é, segundo Zoe, o facto de este ser o descritivo que a equipa de enologia usa muitas vezes para definir os vinhos da casa, pelas suas notas de mineralidade, e também o estilo de desenho patente no rótulo. Mas a razão da mudança é estratégica: “Com o nome Churchill’s Estates, estes vinhos nem sempre eram associados a Portugal. Decidimos, por isso, dar-lhes um nome português”, avança a directora de Marketing e Vendas. A gama inclui os Grafite Colheita branco e tinto, os varietais Tinta Roriz e Touriga Nacional, e o Grande Reserva tinto. “Utilizamos técnicas diferentes para produzir os nossos vinhos Douro, mas a filosofia é sempre a mesma, mínima intervenção e respeito pelo terroir”, diz Ricardo Pinto Nunes. “O Johnny [Graham] tem sido muito mais do que uma inspiração, e ele tem-me ensinado muito, não só sobre vinhos, mas sobretudo sobre a vida”, confessa o enólogo e director de Produção da Churchill’s.

Também as embalagens dos produtos da empresa estão diferentes, com a utilização de materiais mais ecológicos, e na procura do mínimo desperdício, recorrendo a menor quantidade dos mesmos. As cápsulas são agora 100% recicláveis, feitas a partir de 15% de resíduos de uva e 40% de fibras recicladas pós-consumo, e o papel é certificado como sustentável pela FSC – Forest Stewardship Council (“Conselho de Gestão Florestal”, uma organização global sem fins lucrativos, dedicada a promover a gestão responsável das florestas em todo o Mundo). Adicionalmente, as garrafas dos vinhos Douro são mais leves, “permitindo uma redução de 12% no peso das garrafas em toda a gama, o que representa metade do volume anual total da Churchill’s nesta categoria”, afirma a empresa.
SABIA QUE…
Johnny Graham casou-se em 1980, e o nome da sua esposa era Caroline Churchill. É daqui que vem a designação da empresa, “Churchill Graham”, fundada um ano depois.
Dona Matilde-O privilégio das vinhas históricas

Nesta bonita propriedade na margem do rio Douro têm sido vários os ensaios que procuram espelhar melhor as virtudes das vinhas. Sobretudo as que têm mais passado e muito que contar, as vinhas históricas. Texto: João Paulo Martins Foto: Quinta Dona Matilde Começam agora a chegar à verdadeira velhice as vinhas que resultam das plantações […]
Nesta bonita propriedade na margem do rio Douro têm sido vários os ensaios que procuram espelhar melhor as virtudes das vinhas. Sobretudo as que têm mais passado e muito que contar, as vinhas históricas.
Texto: João Paulo Martins
Foto: Quinta Dona Matilde
Começam agora a chegar à verdadeira velhice as vinhas que resultam das plantações pós-filoxéricas que se fizeram no Douro. Para combater a praga usaram-se porta-enxertos resistentes e a lógica do plantio seguiu os ensinamentos que vinham de há séculos: misturar as castas na vinha porque num ano em que não davam umas davam outras e, por outro lado, a vindima não distinguia variedades e todas eram colhidas em simultâneo; provavelmente umas mais maduras que dariam mais álcool e outras mais verdes que confeririam mais acidez. Era este o conceito que hoje chamamos de field blend, em que o lote já vinha feito da vinha, não era necessário fazer ensaios na mesa de provas.
São estas vinhas, comummente chamadas de “vinhas velhas” que José Carlos Oliveira, o técnico de viticultura da quinta prefere, e bem, apelidar de “vinhas históricas”. Elas ainda existem no Douro, apesar das maldades e perfeita destruição de património que se operou nos anos 80 quando se replantaram vinhas com o patrocínio do Banco Mundial, se arrancaram vinhas velhas (e com elas perdeu-se muito do património genético) e se afunilou a selecção das castas a plantar. Estava na mente de todos a produção de uvas para Vinho do Porto mas o que ninguém imaginava era que, passados 40 anos, o DOC Douro fosse mais importante que o Vinho do Porto. Hoje andamos a tapar as feridas, a tentar recuperar estas vinhas muito velhas e a procurar conservar clones e genes. A verdade é que o apreço pelas vinhas históricas é hoje bem maior do que então era e a região só tem a ganhar com isso. O conceito de vinha histórica prende-se também com o facto de não haver duas iguais, quer pela localização de cada uma (exposição, altitude) quer pela malha de castas que torna cada vinha única e irrepetível. Na vindima de 2017 a empresa tinha apresentado o tinto Vinha dos Calços Largos e, agora, surge da vindima de 2019, o Vinha do Pinto.
O tinto da Vinha do Pinto procura expressar essa complexidade da vinha histórica com uma ousadia ainda pouco tentada no Douro: fazer um tinto topo de gama sem que tenha tido qualquer contacto com barrica, nova ou usada. Este vinho apenas estagiou em inox e o que perdeu (eventualmente) em complexidade e mistério ganhou (seguramente) em elegância, precisão e aptidão gastronómica. A vinha tem 30 castas e à entrada da adega foram retiradas as uvas brancas que a vinha também tinha e que estavam lá para ajudarem no ajuste da cor, sobretudo para a produção de Porto tawny. A produção deste primeiro “tinto sem madeira” limitou-se a 2800 garrafas numeradas. João Pissarra, enólogo, optou por uma intervenção minimalista em termos de adega e daí deriva também a ausência da madeira.
O branco, menos ousado, é também um field blend de uma vinha com 25 anos e com estágio de 6 meses em barrica. Na vinha encontramos Arinto, Viosinho, Gouveio e Rabigato, quatro das mais emblemáticas variedades da região.
A quinta de 93 ha, com larga frente de rio entre a Régua e o Pinhão, tem 28 ha de vinha e uma alargada área de mato e floresta; está na posse da família Barros desde 1927 e integrava o património da empresa de Porto Barros Almeida. Aquando da venda da empresa à Sogevinus (2006) a família Barros recuperou a posse desta quinta, agora dirigida por Manuel Ângelo Barros e seu filho Filipe. A quinta também produz Vinho do Porto.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2021)
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