Revelados os vencedores do 1º Concurso de Fotografia Vinhos do Tejo

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Foi no ano passado que a Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo abriu, em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, o seu primeiro concurso de fotografia, com o intuito de promover os vinhos, a gastronomia […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Foi no ano passado que a Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo abriu, em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, o seu primeiro concurso de fotografia, com o intuito de promover os vinhos, a gastronomia e o território. O tema do concurso era livre, tendo apenas como requisito que a região dos Vinhos do Tejo estivesse representada de alguma forma.
Esta primeira edição teve vinte e quatro inscrições, vindas de Norte a Sul de Portugal e até da Polónia, “um dos mercados estratégicos para a promoção dos Vinhos do Tejo”, diz o comunicado. Chegaram à final treze participantes, tendo cada um deles enviado nove fotografias. No final, o júri, composto pelos fotógrafos profissionais Gonçalo Villaverde, João Nauman e Vitor Neno, avaliou 117 fotografias, tendo apurado os três primeiros prémios e sete menções honrosas.
Na galeria de fotos pode ver-se todos os trabalhos premiados, devidamente identificados:[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”flexslider_style” images=”47869,47870,47871,47872,47873,47874,47875,47876,47877,47878″ onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row]
Vinhos Falua com imagem totalmente renovada

A febre dos “rebrandings” parece estar longe de acabar. A gama Falua – do produtor do Tejo com o mesmo nome – acaba de apresentar uma nova imagem, “mais actual e vanguardista, que expressa os valores da marca e da Falua em cinco referências que ambicionam posicionar os vinhos no topo das preferências dos apreciadores”, […]
A febre dos “rebrandings” parece estar longe de acabar. A gama Falua – do produtor do Tejo com o mesmo nome – acaba de apresentar uma nova imagem, “mais actual e vanguardista, que expressa os valores da marca e da Falua em cinco referências que ambicionam posicionar os vinhos no topo das preferências dos apreciadores”, diz a empresa em comunicado.
“Vinho com história…” é a assinatura que a Falua imprime aos novos rótulos do Falua Reserva Unoaked, em branco e tinto; e Falua Duas Castas, em branco, rosé e tinto; com foco na embarcação que dá nome ao Grupo, numa analogia à conquista de novos mercados em todo o Mundo.
“Falua Duas Castas desvenda vinhos criados a partir de lotes de duas castas que evidenciam o equilíbrio e a elegância de um blend naturalmente concebido para surpreender em tons de branco, tinto e rosé. Já os Falua Reserva Unoaked são uma opção distinta para dar a conhecer a excelência natural das castas, em vinhos brancos e tintos, sublinhando a pureza de um terroir único.”, explica também o produtor.
Tejo promove pequenos produtores, em prova

TEXTO João Geirinhas Foi sob o lema “Pequenos produtores, grandes descobertas” que a CVR Tejo organizou uma prova comentada de vinhos para a imprensa em Lisboa. Segundo as palavras do presidente Luís de Castro, esta prova insere-se num conjunto de iniciativas destinadas a chamar a atenção dos consumidores para a diversidade e qualidade dos vinhos […]
TEXTO João Geirinhas
Foi sob o lema “Pequenos produtores, grandes descobertas” que a CVR Tejo organizou uma prova comentada de vinhos para a imprensa em Lisboa. Segundo as palavras do presidente Luís de Castro, esta prova insere-se num conjunto de iniciativas destinadas a chamar a atenção dos consumidores para a diversidade e qualidade dos vinhos da região que não se esgota nas marcas e produtores mais conhecidos. Por outro lado, também pesou forte na concretização desta prova o reconhecimento de que estão entre os pequenos produtores do Tejo aqueles que mais se viram afectados no seu negócio, pela recente e profunda crise gerada pela pandemia, já que dispõem de frágeis estruturas de distribuição, especialmente prejudicadas pelo confinamento e respectiva quebra das vendas. Não obstante, e falando em termos mais globais sobre o conjunto da região, Luís de Castro mostrou satisfação pelo aumento substancial da certificação dos vinhos do Tejo, que atingiu no último ano 46% de crescimento, sobretudo em resultado do aumento de certificação das duas maiores adegas da região, Almeirim e Cartaxo. Mesmo não considerando estas duas cooperativas, o aumento de certificação dos outros agentes económicos foi de 11%, número que deixa os responsáveis da região com algum optimismo, apesar da crise.
A prova, conduzida pelo sommelier Rodolfo Tristão, deu a conhecer nove vinhos de outros tantos produtores do Tejo, sendo que foram seis brancos, um rosé e dois tintos que enumeramos a seguir. Foram assim trazidos à mesa de provas, os vinhos Herdade dos Templários branco 2019, um blend de Arinto, Fernão Pires e Arinto, Quinta da Badula Reserva branco 2012, feito de Arinto e Alvarinho, Quinto Elemento Reserva branco 2019 (Quinta do Arrobe), 100% Arinto, Rui Reguinga Vinha da Talisca branco 2018, feito a partir de Marsanne, Roussanne e o Viogner, Casal das Aires Chardonnay branco 2018 (Pine Nuts Vines & Wines), Quinta da Escusa Harvest branco 2016 (Romana Vini), feito a partir de Arinto e Moscatel, Zé da Leonor rosé 2019 (Casa Agrícola Rebelo Lopes), com Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon, Quinta da Arriça Reserva tinto 2017, a partir de Pinot Noir, Sousão e Syrah e finalmente Joana da Cana Reserva tinto 2016 (Vinhos Franco), de Touriga Nacional e Tinta Barroca.
Como comentário final, podemos dizer que o objectivo de mostrar a diversidade dos vinhos do Tejo foi plenamente conseguido, tantos foram as castas, os estilos, perfis e mesmo a segmentação de preços (entre os €4,50 e os €21) dos vinhos provados. Os responsáveis da região têm ultimamente reforçado a ideia de apresentar o Fernão Pires como casta bandeira do Tejo, mas isso não transpareceu na amostragem em prova. Por isso, a percepção de um denominador comum a todas estas estas propostas é mais difícil de identificar, mostrando como o Tejo é hoje de facto uma região com imenso potencial, com produtores correndo a várias velocidades e com objectivos bem diferenciados. Pode ser a sua força, mas pode também tornar mais difícil uma afirmação de identidade regional junto dos consumidores.
#21 – Conde Vimioso Sommelier Edition branco 2019

vinho da casa #21 – Conde Vimioso Sommelier Edition branco 2019
vinho da casa #21 – Conde Vimioso Sommelier Edition branco 2019
Falua abraça novo desafio e entra em Monção e Melgaço

A Falua, renomada empresa produtora de vinho na região do Tejo, já tinha sido adquirida em 2017 pelo grupo francês Roullier, que a escolheu para o arranque do seu projecto de vinhos em Portugal. Na verdade, a Falua, com mais de 25 anos de idade, é o primeiro investimento do grupo no sector do vinho, […]
A Falua, renomada empresa produtora de vinho na região do Tejo, já tinha sido adquirida em 2017 pelo grupo francês Roullier, que a escolheu para o arranque do seu projecto de vinhos em Portugal.
Na verdade, a Falua, com mais de 25 anos de idade, é o primeiro investimento do grupo no sector do vinho, grupo este que está presente noutras áreas de actividade em 131 países, e que conta com mais de 8 mil colaboradores em todo o mundo e um volume de negócios superior a 2 mil milhões de euros.
Agora, a Falua incursa num novo desafio, com a entrada em Monção e Melgaço, sub-região dos Vinhos Verdes. A compra de uma adega aí sediada, confirma a fama e o proveito do berço da casta Alvarinho como origem de vinhos brancos de qualidade superior.
“Uma aposta séria e ambiciosa no sector dos vinhos em Portugal levou o Grupo Roullier a formar uma nova equipa de gestão, com a missão de criar e desenvolver um projecto de vinhos sólido e de sucesso em Portugal e no Mundo: Rui Rosa, Administrador da filial do Grupo Roullier em Portugal há mais de 20 anos, acumula desde 2017 a Administração do Grupo para o sector vitivinícola”, é explicado em comunicado. Antonina Barbosa, ligada ao sector dos vinhos há 20 anos e à Falua desde 2004, assumiu em 2019 a Direção Geral do projecto de vinhos, acumulando com a Direção de Enologia.
Adega do Cartaxo: um caminho de revoluções até ao sucesso

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É curioso ver como evoluem algumas empresas produtoras de vinho ao longo das décadas. No caso das cooperativas, quem não tinha especiais valores acrescentados – caso de Monção, com o Alvarinho, e o Moscatel, com Favaios, por […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]É curioso ver como evoluem algumas empresas produtoras de vinho ao longo das décadas. No caso das cooperativas, quem não tinha especiais valores acrescentados – caso de Monção, com o Alvarinho, e o Moscatel, com Favaios, por exemplo – só sobreviveu quem soube adaptar-se à evolução do mercado. Foi exactamente o que aconteceu com a Adega do Cartaxo, a fazer quase 66 anos de idade.
TEXTO António Falcão
NOTAS DE PROVA Luís Lopes e Nuno de Oliveira Garcia
FOTOS Ricardo Gomez
Cartaxo é um caso à parte dentro da região Tejo. Desde logo pelo seu antiquíssimo histórico vitícola, havendo vestígios que remontam ao século X. E depois pela concentração da vinha e do vinho. Só para se fazer uma ideia, há muitas décadas atrás, uma aldeia do concelho tinha mais de 200 adegas!
A sua adega cooperativa é também um caso extraordinário, e não só na região. Foi fundada em 1954 por 22 associados, mas, desde essa data até à actualidade, muita coisa foi acontecendo, a maioria de cariz positivo. O que mais nos interessa tem a ver com a evolução dos vinhos. E aqui, muito há para dizer, e escrever. A história conta-se depressa. Há 30, 40, 50 anos corria pelo povo vinícola um mito de que o vinho do Cartaxo era “carrascão”. O adjectivo poderia ser entendido de forma negativa, como designando um vinho difícil de beber, verdasco, de taninos amargos. Mas também havia quem considerasse carrascão um sinónimo de vinho concentrado, vivo, de taninos vigorosos, mas puros. Será mais esta a tradição nesta sub-região da região Tejo e tem razão de ser. Antes dos anos 70 do século passado, mais ou menos, a maioria do vinho produzido no Cartaxo ia de barco, Tejo abaixo, até Lisboa. Depois, ou era enviado para outros destinos, como as antigas colónias, ou era consumido na capital, nas tabernas e tascas, que abundavam. Ora, reza a história que “o vinho do Cartaxo era vendido um pouco mais caro que os outros, porque era considerado de melhor qualidade”. Quem conta esta história é Fausto Silva, director executivo da Adega do Cartaxo, gestor de formação e funcionário da empresa desde 1994. Depois, começaram os problemas. Por volta dos anos 70, operadores pouco escrupulosos traziam vinhos de outros lados para fazer lotes que diziam ser apenas do Cartaxo. E depois, ocorreu uma mudança nefasta na viticultura da região, provavelmente para ‘navegar a onda’ de sucesso das décadas atrás: muitos viticultores iniciaram a plantação de castas híbridas, com enorme potencial produtivo, boa cor e corpo, mas que davam vinhos de fraca qualidade. Fausto calcula que foi a partir daqui que começou a fase negativa do termo ‘carrascão’.

Começa o declínio
Nos anos 80, a adega vê-se confrontada com um cenário onde o granel cada vez valia menos porque os paradigmas de consumo estavam em mudança; nos grandes centros bebia-se cada vez menos, mas bebia-se melhor. É nessa altura que começam a desaparecer tascas e tabernas um pouco por todo o lado. E desapareceu também, em 1994, o maior cliente da adega, responsável por assimilar mais de 50% das vendas de todo o vinho engarrafado.
“A Adega do Cartaxo vivia na altura muito virada para si própria”, diz-nos Fausto. Finais dos anos 80 até meados dos anos 90, a casa só fazia reservas de vez em quando. E não tinha frio para as fermentações, nem muita da tecnologia que já existia no domínio da recepção, fermentação, estágio e engarrafamento. E a enologia era feita em part time (o enólogo dava suporte a outra adega da região). A falta de tecnologia implicava um quadro de pessoal exagerado para a capacidade/necessidade da empresa, prejudicando a sua rentabilidade e, por consequência, a sua capacidade de investimento.
Ao mesmo tempo, a região que na altura se chamava Ribatejo mostrava dificuldades em se organizar. De tal maneira que vários produtores do Cartaxo decidem criar a sua própria Comissão Vitivinícola, no início dos anos 90. A CVR (Riba)Tejo só seria criada alguns anos mais tarde (1998), acabando por absorver a operação Cartaxo. Contudo, durante anos faltou uma organização forte, que desse orientações aos produtores e promovesse os vinhos da região. Tempo perdido…
Era por isso urgente mudar de rumo e evitar um caminho que iria certamente levar a empresa à ruína, mais tarde ou mais cedo. Foi, aliás, o que aconteceu com muitas cooperativas, que não reagiram a tempo e desapareceram. De tal maneira que hoje, estarão apenas 2 ou 3 em funcionamento (em sistema cooperativo). Eram muitas mais na região…
A revolução no campo
O maior problema, porventura, residia nas vinhas. O caminho para a modernização passava necessariamente pela viticultura e o primeiro passo era substituir os híbridos ultra-produtivos. Esta mudança implica o arranque da vinha existente e a plantação de nova; ou seja, investimentos pesados para os viticultores associados. Assim sendo, como se consegue esta mudança quase radical? Por um lado, os subsídios estatais ao arranque de vinha vieram dar uma ajuda. Mas, por outro, entra o papel de uma direcção forte e esclarecida. A resolução passou por um forte e claro sistema de incentivos às uvas de melhor qualidade. Ou seja, apelar à carteira dos associados. À carteira e ao coração: como nos disse um dos maiores associados da adega e actual membro da direcção, “eu, se tivesse castas híbridas, até podia continuar e ganhar dinheiro. As elevadíssimas produções assim o permitem”. José Barroso acrescenta: “Mas não queria. Não era esse o caminho certo para o futuro”. Ou seja, houve aqui também uma componente de social que não pode ser descurada.
De uma forma ou outra, a mensagem passou e a revolução silenciosa começou. Num espaço de tempo de pouco mais de uma década, a região do Cartaxo mudou substancialmente de encepamento. Onde antes existia Boal Alicante ou Carignan passou a existir Fernão Pires, Arinto, Touriga Nacional, Alicante Bouschet e por aí fora. As produções baixaram em média, é verdade, mas Fausto Silva não tem hesitações e diz que “a qualidade das uvas subiu exponencialmente”. Pedro Gil, o enólogo da casa, vai mais longe: “temos as uvas mais equilibradas de Portugal”. Cortesia de um clima não tão quente nem tão atlântico como em outras regiões.
A revolução na adega
Pedro Gil entra em 1995 e vai dar assistência ao enólogo Azóia Bento e, depois, a Pita Grós. Mais tarde acaba por assumir toda a produção. A adega, preparada para fazer volume e granel, tem de levar obras para se adaptar à nova filosofia de qualidade. Em 1998 é feito um projecto, mas só arranca em 2004. Entram finalmente novas cubas, equipamentos e a enologia funciona a tempo inteiro com orientação para o mercado. São construídas novas alas. Os enormes depósitos de cimento foram revestidos a epoxy e a maior parte dos postigos de madeira foram substituídos por versões de inox. São excelentes para estagiar vinhos. Tudo está agora climatizado. E aumenta brutalmente o investimento em barricas. Todos os melhores vinhos da casa passam por aqui, até ao Terras do Cartaxo. É quase tudo carvalho francês à excepção dos Bridão Private Collection, que só usam carvalho nacional. No total estão aqui cerca de 1.100 barricas!
A partir de agora é muito mais fácil melhorar a qualidade média dos vinhos e, ao mesmo tempo, aumentar a consistência. Dois anos mais tarde, em 2006, a Adega do Cartaxo tinha consolidado a mudança na viticultura e enologia. A estratégia comercial e de exportação, assim como maiores cuidados com a imagem e marketing foram também alvo dos esforços da direcção. Aumentou o número de referências (incluindo varietais) e a exportação arrancou em força. Hoje ocupa cerca de 25% do volume produzido. “Só não temos mais exportação porque a nossa quota de mercado nacional também tem crescido”, declara Fausto. E explica: “havia muito ainda a fazer aqui”. Fausto sabe bem do que fala porque correu (e corre) Portugal e o mundo a promover e vender os vinhos da casa.
O preço médio do vinho, entretanto, também foi crescendo, mas lentamente: não só por precaução, mas também porque, diz Fausto, “queremos dar uma imagem de confiança e consistência ao mercado”.
Desde essa altura os investimentos nunca mais pararam. Jorge Antunes, presidente da Adega do Cartaxo, diz-nos, com orgulho: “nos últimos anos, já investimos 12 milhões de euros”.
Uma parte foi para a mudança cosmética no exterior da adega e para o novo edifício que alberga a área administrativa, moderno e funcional, que inclui uma loja de belíssimo recorte.
Rumo a novos patamares
A ambição da direcção não fica por aqui. Há muito ainda para fazer e melhorar. O grosso da produção vai ainda para vinhos de baixo preço, o Encostas do Bairro (um regional Tejo a cerca de 2,25 euros a garrafa). Seria bom conseguir desviar cada vez mais o volume para a gama Bridão (a começar nos €3,30). Para isso, o Cartaxo terá de melhorar na viticultura e privilegiar ainda mais a qualidade.
Foi assim que nasceu uma das mais radicais iniciativas desta direcção: a criação de um sistema de incentivos aos associados. O objectivo é o de receber uvas cada vez melhores, avaliadas através de uma série de parâmetros conhecidos. A maior parte tem a ver com a parcela de onde vêm as uvas, um pouco à imagem do sistema de benefício do Douro. Aqui falamos dos três grandes tipos de solos do Tejo: os de areia (Charneca) e os argilo-calcáreos (Bairro), que são solos de menor fertilidade; e depois os solos de aluvião, o chamado Campo, extremamente fértil, ao lado do Tejo. Ora, são atribuídas diferentes majorações consoante não só o sítio onde estão as parcelas, mas também elementos como produtividade, pedregosidade, exposição solar e casta. E, na altura da vindima, a sanidade das uvas, claro. Pedro Gil usa um sistema de pontuação e, por exemplo, para o topo de gama da casa, o Desalmado, só entram uvas com 900 pontos: estas uvas podem valer 60 ou mais por cento que umas ‘normais’. O sistema, apoiado num cadastro informatizado, ainda não está totalmente implementado, mas o histórico das parcelas já existe. Este é, sem dúvida, um sofisticado e completo sistema de valorização das uvas.
Melhor ainda, estes novos passos podem ser afinados em qualquer altura, em resposta, por exemplo, a estratégias da empresa. Em assembleia geral, tudo isto foi explicado aos sócios. Pedro Gil registou com agrado que a ideia foi muito bem aceite. O panorama da viticultura não fica finalizado sem dizermos que a adega trabalha com a associação de viticultores local (VitiCartaxo) mas está prevista a contratação de um técnico a tempo inteiro. Para além da assistência aos associados, este técnico ajudará a fazer a recolha de dados para um histórico de viticultura das vinhas, com máquinas e ferramentas sofisticadas, ainda em projecto de investimento. O técnico vai dar ainda uma ajuda preciosa num factor fulcral: a data de vindima para cada parcela. Pedro Gil explica: “passamos a escolher a data consoante o perfil de vinho que pretendemos fazer com aquelas uvas”. Na verdade, já o fazem parcialmente para os vinhos de topo, quase sempre oriundos das mesmas parcelas, controladas pela adega.
Criar cada vez maior valor
Em década e meia, a Adega do Cartaxo completou uma pequena revolução. Isto não passou despercebido à agricultura local. Existem muitos viticultores interessados em entrar para a empresa. No entanto, o presidente Jorge Antunes é claro neste aspecto: “damos prioridade aos associados já existentes e alguns estão a aumentar área, com nossa autorização. Não estamos, portanto, a aceitar sócios novos”. No fundo, aumentar a capacidade de uva implicaria investimentos substanciais em vários departamentos, em especial no armazenamento de produto acabado. Com cerca de 400.000 garrafas em estágio, já se luta com falta de espaço…
Para o futuro, Jorge Antunes acha que a adega não quer crescer em volume, quer antes manter o tamanho, mas manter-se estável e, se possível, crescer em facturação. Isto é, ser ainda mais rentável, criar notoriedade, entrar no coração e mente dos enófilos. Isto passará também por promover esta sub-região, de que a adega é o principal operador. Fausto Silva não hesita em considerar que “o Cartaxo tem todas as condições para atingir a excelência”. Mas, aconteça o que acontecer na próxima década ou duas, esta equipa está orgulhosa do que conseguiu até agora. “Sabíamos que tínhamos potencial e nunca virámos as costas aos desafios”, diz Fausto. E acrescenta: “levou vários anos, mas o mercado olha hoje para a adega (e região) com outros olhos”. Considerando o que vimos, ouvimos e provámos, a história dar-lhe-á certamente razão.
A casa ribatejana produz hoje cerca de 10 milhões de litros, mas tem espaço para armazenar 18 milhões (com a ajuda de alguns balões no exterior). Pedro Gil tira partido disto para fazer os lotes: “à excepção do Encostas do Bairro tinto (lote com 5 milhões de litros), todos os nossos vinhos têm um só lote”. Ou seja, mantêm a consistência ao longo do tempo.
Três quartos da produção vem de uvas tintas. Esta casa é a maior cliente da CVR Tejo, o produtor que mais compra selos de certificação.
Actualmente, os 205 associados activos da adega exploram uma área de vinha a rondar os 760 hectares. Isto dá cerca de 3,7 hectares por sócio. Nada mau… Neste momento trabalham aqui um pouco mais de 40 pessoas e no ano passado, a Adega do Cartaxo facturou cerca de 10 milhões de euros.
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Edição nº 35, Março de 2020
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]
Vinhos do Tejo certificam mais 76% no primeiro quadrimestre de 2020

O primeiro quadrimestre deste ano dá conta de um aumento de 76,26% na certificação de Vinhos do Tejo, face ao período homólogo de 2019. De Janeiro a Abril de 2020, a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo certificou quase 10,4 milhões de litros. Este crescimento deve-se, entre outros factores, à chegada de novos “players” à região […]
O primeiro quadrimestre deste ano dá conta de um aumento de 76,26% na certificação de Vinhos do Tejo, face ao período homólogo de 2019. De Janeiro a Abril de 2020, a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo certificou quase 10,4 milhões de litros. Este crescimento deve-se, entre outros factores, à chegada de novos “players” à região e ao maior comprometimento por parte de produtores de grande dimensão, tanto de privados como das três maiores adegas cooperativas do Tejo. No total, a região produz 61 milhões de litros por ano, por isso é expectável que estes números de certificação continuem a subir.
É ainda de realçar que, mesmo com a pandemia de covid-19, as vendas dos vinhos do Tejo têm aumentado, e também se verificou uma subida nos números da exportação na ordem dos 39%. Os principais mercados-destino são a França, Brasil, Suécia, China, Estados Unidos da América, Reino Unido, Polónia e Angola.
Foto: Gonçalo Villaverde
Mercado virtual de Vinhos do Tejo tem 13 produtores à disposição

Já perdemos a conta ao número de anúncios de produtores de vinho que avançaram com lojas online próprias para venda directa ao público. Com o encerramento de restaurantes, bares, hotéis e cafés, muitos produtores querem escoar os seus vinhos por outros canais, mas nem sempre sabem como os criar e gerir. O portal de compras […]
Já perdemos a conta ao número de anúncios de produtores de vinho que avançaram com lojas online próprias para venda directa ao público. Com o encerramento de restaurantes, bares, hotéis e cafés, muitos produtores querem escoar os seus vinhos por outros canais, mas nem sempre sabem como os criar e gerir. O portal de compras VivaoVinho tem servido assim para agregar vários produtores. Por lá estão vários produtores do Alentejo, Beira Interior, Douro, Dão e Vinho Verde. E ainda do estrangeiro, com vinhos franceses e da Moldávia. Mas o maior contingente é sem dúvida do Tejo, onde, com o apoio da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo), foi criado um mercado especial (ou Marketplace) de vinhos do Tejo. O mercado virtual foi desenvolvido pela empresa MakeAll Digital. No endereço, já estão cerca de 150 Vinhos do Tejo (alguns vendidos em conjuntos). Pode pagar com cartão de crédito ou através de Multibanco. Os preços por garrafa vão de €2,48 até €45, mas existe, por exemplo, um conjunto de 12 vinhos a €103,80. Alguns conjuntos têm envio grátis até sua casa.
São 13 os produtores que já se inscreveram no Vinhos do Tejo Marketplace: Adega Casal Martins, Adega do Cartaxo, Casal da Coelheira, Casal das Freiras, Casa Paciência, Falua (Conde Vimioso), João M. Barbosa, Quinta da Lagoalva, Quinta da Lapa, Casal Branco, Quinta do Côro, SIVAC e Vinhos Franco. Os organizadores já indicaram que outros produtores da região se irão juntar a este mercado.
Esta é uma iniciativa que complementa as acções que a CVR Tejo tem vindo a desenvolver no âmbito da campanha ‘Vinhos do Tejo Estamos On’, pensada para dinamizar a promoção dos Vinhos do Tejo em tempo de pandemia. Junta-se assim aos directos no Instagram dos Vinhos do Tejo, que começaram no dia 07 de Abril e que às terças, quintas e sábados, às 19h, reúnem produtores de vinhos da região para uma conversa com o sommelier Rodolfo Tristão em torno de dois vinhos; e à divulgação feita no site www.vinhosdotejo.pt das lojas on-line próprias e de outras plataformas digitais onde os produtores dos Vinhos do Tejo têm os seus vinhos à venda. António Falcão