Carbon: Conheça o champagne dos pódios da Fórmula 1

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(ACTUALIZAÇÃO: Em 2020, em Portimão, voltou a ser a Moët & Chandon a marcar presença no pódio.)
Já é tradição que os pilotos de Fórmula 1 façam repuxos e se banhem em champagne nos pódios dos Grandes Prémios. Mas, tal como muitos outros momentos associados a grandes acontecimentos, há pormenores que podem passar despercebidos para os olhos menos atentos e, em simultâneo, representar parcerias ou negócios milionários. É o caso da marca das bolhinhas francesas que estão por trás destas efusivas celebrações: a Champagne Carbon.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_gallery type=”flexslider_style” images=”44824,44823,44822,44821,44819,44817,44818″ onclick=”link_no”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Nascida já no século XXI, pelas mãos de Alexandre Mea – herdeiro de cinco gerações de produtores da família Devavry – esta casa de Champagne, que combina alta tecnologia com métodos tradicionais, surgiu precisamente por inspiração na Fórmula 1, e também por isso recebeu o nome “Carbon”. Feitas à mão, todas as garrafas deste produtor são de fibra de carbono, material frequentemente utilizado na construção de automóveis e em outros tipos de veículos. Adicionalmente, cada exemplar vem embrulhado num pano de carbono, num processo que, segundo a empresa, demorou quatro anos a aperfeiçoar e que requer uma semana, e 21 passos muito precisos, por garrafa.
Talvez por isto, embora não se saiba bem se nasceu primeiro “o ovo ou a galinha”, seja a marca que em 2017 substituiu a Moët & Chandon no fornecimento de garrafas para o pódio das provas de Fórmula 1, estendendo em 2018 o acordo milionário por mais três anos. Falamos de exemplares personalizados e decorados para cada “Grand Prix”, contendo um champagne Bruto, com seis anos de estágio, das castas tradicionais da região: Chardonnay, Pinot Noir e Meunier.
A garrafa de Carbon Podium Edition que homens como Lewis Hamilton, Max Verstappen, Charles Leclerc ou Valtteri Bottas já tiveram o prazer de “desperdiçar” em banhos fervorosos tem, normalmente, três litros (uma “Jéroboam”, nome oficial das garrafas com esta capacidade), e um preço médio de 1250 euros. Já a “Mathusalem” (seis litros), chega aos 8 mil euros. Individualmente e também em packs, podem ser adquiridas na loja online do produtor. Outra curiosidade é o facto de, quando utilizadas nos pódios, estas garrafas terem uma action camera montada no gargalo para que o momento fique registado.
Veja o vídeo:
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Colares: O renascimento da Fénix

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text] É uma micro-região com denominação de origem, salpicada pelo Atlântico, com as uvas mais caras do país continental, uvas que não se encontram mais em parte nenhuma, com as videiras a rastejar pelos terrenos arenosos, transmitindo […]
[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
É uma micro-região com denominação de origem, salpicada pelo Atlântico, com as uvas mais caras do país continental, uvas que não se encontram mais em parte nenhuma, com as videiras a rastejar pelos terrenos arenosos, transmitindo o carácter vincado e irreverente aos vinhos que aqui nascem para viver dezenas de anos em garrafa. É uma região sobrevivente, uma autêntica Fénix que está a renascer das cinzas.
TEXTO Valéria Zeferino
FOTOS Ricardo Gomez
Se existisse uma Lista Vermelha para as regiões vitivinícolas em risco de extinção, Colares constava lá de certeza. Fazer hoje um painel completo de, por exemplo, 30 vinhos de Colares seria impossível – não há tantos! Talvez no futuro. E há um interesse crescente por parte dos consumidores esclarecidos. Colares é para quem procura autenticidade e tradição, onde os factores de solo, clima, castas e práticas culturais estão na sua expressão máxima, onde o conceito de terroir não é apenas uma palavra de moda, mas tem um verdadeiro significado que pode ser (com)provado.
Os vinhos de Colares só podem ser provenientes de chão de areia (permitindo incorporar apenas 10% das uvas do chamado “chão rijo”). A legislação estabelece um estágio obrigatório mínimo de 18 meses em vasilhame de madeira, seguido de 6 meses em garrafa para os vinhos tintos e, respectivamente, 6 e 3 meses para brancos. Na realidade, todos os produtores estagiam os vinhos tintos durante muito mais tempo para domar os taninos vigorosos do Ramisco.
Por exemplo, Francisco Figueiredo, enólogo da Adega Regional de Colares responsável pela maioria dos vinhos no mercado, aponta para 7-8 anos de estágio para vinho tinto.

Contra ventos e marés
Colares fica na faixa costeira a norte da Serra de Sintra. O clima é mediterrânico, mas de sub-tipo oceânico dado à forte influência Atlântica com ventos marítimos e nevoeiros frequentes. A precipitação anual é cerca de 750-780 mm. Aqui acontece o fenómeno das “chuvas orográficas”, quando a massa de ar carregada de humidade, ao encontrar a barreira da Serra de Sintra, é obrigada a subir, precipitando-se sob a forma de chuva.
Outro fenómeno que caracteriza esta zona é o efeito Foehn com formação de uma nuvem enorme a fazer lembrar uma onda gigante que se vê do outro lado da Serra, onde por sua vez, sopra um vento forte e seco, deixando sombra e humidade do lado norte da barreira montanhosa.
Daí a importância do chão de areia, que é mais quente e bem drenado, evitando excesso de água e ajudando à maturação. Estas zonas arenosas da período terciário estão assentes sobre um solo argiloso do cretáceo (com calcário formado por conchas de micro-organismos) que pode ficar a 4 ou mais metros de profundidade. As videiras estão plantadas em pé franco e é preciso chegar ao estrato argiloso para poder “unhar” na terra uma vara de poda que mede 2-3 metros. Para isto abre-se uma vala profunda com uma broca ou escavadora. Depois da plantação no primeiro ano é preciso regar e adicionar estrume, preenchendo a vala gradualmente com areia até à superfície à medida que a nova videira vai crescendo. Há que ter paciência durante 3-4 anos até fazer a primeira vindima depois da plantação. Segundo José Baeta, proprietário da Adega Viúva Gomes, a taxa de sucesso é de 85-90%.
Os ventos salgados do norte que sopram o ano inteiro, obrigam à condução baixa, em poda corrida. As videiras ficam suportadas por pequenas forquilhas de madeira para evitar que os cachos toquem no chão. Os muros de pedra ou paliçadas de cana também servem para a protecção do vento e criam um microclima mais quente e favorável à maturação completa.
A produção é muito baixa, apenas 4-5 tn/ha ou menos, como diz o Presidente da Adega Regional de Colares Vicente Paulo, as plantações antigas eram “uma cepa aqui, outra em Ceuta”. Os novos produtores já vão colher mais das plantações mais recentes.

Identidade varietal
No panorama multi-varietal do país, é uma denominação única em Portugal com a identidade associada a apenas duas castas, uma branca e uma tinta – Malvasia de Colares e Ramisco, respectivamente. Há outras castas autorizadas, mas são poucas e ficam como “tempero”, espécie de sal e pimenta da Malvasia e do Ramisco.
De acordo com a legislação em vigor, o vinho DOC Colares tem que ser elaborado com, no mínimo, 80% de casta recomendada, que é Ramisco para os vinhos tintos e Malvasia para os vinhos brancos. Os restantes 20% podem ser compostos por outras castas autorizadas: João de Santarém (aka Castelão), Molar (aka Tinta Negra na Madeira) e Parreira-Matias (que é um cruzamento de Alfrocheiro e Airen) para os tintos; e Arinto, Galego-Dourado e Jampal para os brancos. Dada a escassez da matéria prima e dificuldade de cultivo, um quilo de Ramisco custa cerca de 3,40 euros e um quilo de Malvasia de Colares 3,30 euros.
Ramisco
Não há dúvidas que é uma das castas portuguesas com mais personalidade. Não é consensual, mas apaixonante. Origina vinhos de cor aberta, corpo médio mas tenso, baixo grau alcoólico, acidez vincada e tanino pouco amigável. É preciso tempo para equilibrar estes extremos que conferem aos vinhos um carácter diferenciador e inconfundível.
É uma casta muito tardia em tudo: abrolhamento, floração, pintor e maturação. Por isto, na zona mais saloia, com os solos franco-argilosos frios (o tal chão rijo), o ciclo começa ainda mais tarde e há risco de não conseguir maturação completa.

Para o enólogo de Casal Sta. Maria, Jorge Rosa Santos, Ramisco é uma espécie de Pinot Noir rústico. Extracto seco baixo, um bom esqueleto, rusticidade, robustez e complexidade. Aromas balsâmicos e resinosos, cogumelos. Um pouco “quadrado” na boca quando novo, com os seus taninos frontais. Precisa de tempo e só fica no ponto com 10-15 anos.
Na opinião de Francisco Figueiredo, Ramisco representa um maior desafio do que a Malvasia. É uma casta de maturação difícil, varia muito de ano para ano. Nunca amadurece antes da última semana de Setembro que calha precisamente no início das chuvas de Outono. Para além disto, a grande dificuldade neste momento é a qualidade de material genético, estando uma grande percentagem infectada com vírus GLRaV 3 que provoca doença do enrolamento foliar da videira, causando forte redução da capacidade fotossintética e afectando a maturação.
Na adega, Ramisco aumenta rapidamente a acidez volátil logo a seguir à fermentação, depois estabiliza. Nos últimos anos fazem a fermentação espontânea, quando o ano permite, ou utilizam levedura neutra. Fermentam com engaço se estiver maduro. Estagiam o vinho cerca de 2 anos em barrica usada de carvalho francês e mais 5 em antigos (cerca de 200 anos) toneis de mogno e castanho de 1000 e 1500 litros.
O enólogo e produtor da Casca Wines, Helder Cunha, confessa que em 2009 a experiência inicial com Ramisco foi traumática: os primeiros aromas de vinificação eram pouco agradáveis. Passado um ano – um ano e meio de estágio, desapareceram e começou a revelar-se o Ramisco com notas de folha seca e tabaco. Nos primeiros anos não usavam engaço. Depois começaram a adicionar – primeiro 30%, no ano a seguir 50% e agora 50-70%, mas claro, desengaçando primeiro e escolhendo o engaço maduro.
No primeiro dia fazem uma pisa a pé dentro das cubas abertas, e depois só baixam a manta com “macacos”. No final de fermentação deixam as massas em maceração pós-fermentativa durante cerca de 4 semanas. Estagiam 3-4 anos em barricas velhas (no início usavam uma barrica nova e repararam que tapava um pouco o carácter da casta).
Perfil aromático – tinta da China, tabaco, algum herbáceo, funcho. A acidez volátil já nasce alta (0,5-0,75 g/l), mesmo com barricas atestadas. Dado o álcool baixo, é a salinidade que adiciona volume ao vinho, na opinião de Hélder.
Malvasia de Colares

À boa maneira portuguesa, a Malvasia de Colares, que muitas vezes é chamada simplesmente Malvasia, não tem nada a ver com a família de Malvasias, sendo um cruzamento das variedades Gibi (Mourisco Branco) e Amaral (utilizada na região dos Vinhos Verdes).
Tem bagos convenientemente soltos e película grossa a resistir bem às condições adversas.
Jorge Rosa Santos reconhece a Malvasia como uma casta semi-aromática. Película grossa dá estrutura e secura (costumam fazer macerações peliculares longas). Aguenta-se bem na vinha. Desenvolve aromas de fermento, champignon, brioche, flor de laranjeira e fica assim durante anos. Salinidade e mineralidade são outras características da casta.
Hélder Cunha lembra-se que quando começaram com o projecto em Colares em 2008, pareceu mais seguro avançar com um branco primeiro. Fizeram uma vinificação convencional com protecção do oxigénio ao máximo (inertização com azoto, sulfuroso etc.). O vinho mostrou-se logo diferente de outras regiões – muito salino. Evidenciou que a região é mais forte do que a casta, o tipo de vinificação ou de estágio. A partir de 2010 já não se preocuparam com oxidação de mosto, fermentam em barrica e estagiam 18 meses com borras totais em barricas velhas. O vinho fica sem sulfuroso até Abril, onde adicionam um pouco e depois só no engarrafamento. Dá aromas de iodo, maresia, deixa sal na boca. Não é uma casta muito aromática (de 1 a 10 fica mais ou menos nos 5), nem se for fermentada a temperaturas mais baixas; neste caso, desenvolve aromas herbáceos e vegetais.
Colares em retrospectiva
Segundo alguns documentos históricos, o cultivo da vinha em Colares remonta ao século XIII. D. Afonso III doava as terras com a obrigação de plantar vinhas. Algumas crónicas indicam que as primeiras exportações foram feitas no reinado de D. Fernando (segunda parte do século XIV) e que o vinho de Colares também era carregado nas naus com destino à Índia na época dos descobrimentos.
A desgraça de uns faz a felicidade de outros. Em 1865 foi assinalada a devastadora marcha da filoxera pelas vinhas de Portugal que deixou intocáveis apenas os terrenos arenosos de Colares. O insecto malicioso que destrói as raízes das videiras, praticamente não se consegue mexer em solos de areia, fica sufocado. Para os vinhos de Colares começou uma era de ouro.

Na viragem para o século 20, a importância de Colares cresceu de tal forma, que em 1908 foi uma das regiões demarcadas para o “vinhos de pasto”, ao mesmo tempo com Dão, Vinho Verde e Bucelas entre outros, compreendendo toda a freguesia de Colares e terrenos de areia solta das freguesias de S. Martinho e S. João das Lampas do concelho de Sintra. Naquela altura o vinho era considerado regional.
Em 1931 foi fundada a Adega Regional de Colares, associação cooperativa que também passou a ter as funções de entidade certificadora. Esta medida foi necessária para proteger a origem e genuinidade dos vinhos afamados das aldrabices e das tentações de vender vinhos de outras zonas como Colares.
Sempre existiu distinção entre vinhas plantadas em “chão de areia”, que davam origem aos vinhos de qualidade superior, e outras plantadas em “chão rijo” que produziam vinhos menores. Inicialmente, foram criados dois tipos de marcas para aplicar nos recipientes em que se vendia o vinho: “de origem” – para o vinho tinto das areias soltas, considerado de excelência e “de garantia” destinadas aos demais vinhos tintos e brancos dos restantes terrenos da região. Mas a partir de 1934 os últimos deixaram de poder usar selos e o nome de Colares.
A Adega também era a principal promotora dos vinhos da região no mercados nacional e internacional. Mas não foi fácil. A viticultura trabalhosa e lenta, os estágios longos, os vinhos ásperos, duros e pouco frutados e a falta de massa crítica comparativamente com outras regiões, faziam com que o funcionamento de Adega não fosse viável financeiramente. Os anos da crise vieram substituir os anos da glória. A Segunda Guerra Mundial também não ajudou. Nos anos 70-80 estagnaram as vendas nos mercados de exportação como brasileiro e norte-americano devido ao crescimento da produção própria. A Adega precisava de investimento em modernização. Mas mesmo com a entrada de Portugal na União Europeia em 1986, a Adega, sendo uma entidade pública, não se podia candidatar para beneficiar dos fundos comunitários, – comenta Vicente Paulo.
Em 1994 criou-se a Comissão Vitivinícola de Bucelas, Carcavelos e Colares, responsável por estas três denominações, até que em 2008 a Comissão Vitivinícola de Lisboa (Estremadura na altura) passou a exercer funções de controlo da produção e comércio e de certificação de produtos vitivinícolas na Região de Lisboa, onde Colares pertence.
Enquanto algumas regiões sofreram do isolamento e do afastamento dos grandes centros, para Colares, ao contrário, a proximidade da capital constituiu um dos grandes problemas. O destino às vezes é irónico: uma das pouquíssimas regiões na Europa que resistiu à filoxera, foi vítima da rápida urbanização que praticamente expulsou a vinha daquela zona. Construir prédios era mais proveitoso.
Nos últimos 20 anos do século passado, a região encontrava-se na miséria e sob risco de extinção.
Colares hoje
A partir de 2006 começou a renascer das cinzas. No final da primeira década apareceram novos produtores (Fundação Oriente, Casca Wines, Casal Sta. Maria) e a pouco e pouco, novas plantações.
Na altura da demarcação, havia 2.000 hectares de vinha. Hoje, nos registos da CVR de Lisboa constam apenas 12 hectares, onde Malvasia e Ramisco, em conjunto, representam cerca de 50% da área, em partes sensivelmente iguais. Poderão existir outras vinhas destinadas à produção de vinho de mesa ou de vinhos de Lisboa, que não contam para a Região Demarcada de Colares.

12 hectares é uma área que facilmente poderia ter um produtor relativamente pequeno. Algumas vinhas classificadas como Grand Cru na Borgonha (Chambertim, Clos de la Roche ou Clos de Vougeot, por exemplo) ultrapassam as vinhas de Colares.
Grande densidade populacional e imobiliária inflaccionou o preço de terra. Vicente Paulo refere que um metro quadrado chegou a custar 15-20 euros. Agora, com o novo Plano Director Municipal de Sintra, em alguns terrenos já não se pode construir e o preço tem descido. Já é possível encontrar terrenos por 6-7 euros/m2.
E já há mais plantações de vinha por iniciativa de produtores como Adegas Beira-Mar, Viúva Gomes, Casal Santa Maria.
Segundo informação da CVR Lisboa, a produção anual é muito dependente do ano, ficando entre 10 e 20 mil litros. Por exemplo, em 2019 foi produzido apenas 12.500 litros de vinho (tinto e branco). É cem vezes menos do que 1.276.041 litros de vinho tinto das vinhas de areia, referentes à colheita de 1930. E segundo Vicente Paulo, a Adega Regional no passado longínquo chegou a produzir até 1.500.000 litros de vinhos.
Neste momento o vinho que há não chega para as solicitações. Daqui a 3 ou4 anos haverá mais produção, mas nunca crescerá muito dada a limitação da área.
A realidade de produtores de Colares é bem diferente do resto da região, fortemente orientado para exportação (mais de 80%). O enoturismo de excelência (finalmente a proximidade da capital traz benefícios), as vendas na adega, e a presença dos vinhos em garrafeiras e restaurantes de topo têm-se revelado uma grande mais valia para os produtores.
Na exportação vê-se também uma apetência crescente, em especial, no mercado dos Estados Unidos. E até na loja dos Vinhos de Lisboa no mercado da Ribeira, há muitos turistas americanos a perguntar e comprar vinhos de Colares.
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Viúva Gomes Collares
Tinto - 2011 -

Arenae
Tinto - 2010 -

Colares Ramisco
Tinto - 2011 -

Monte Cascas
Tinto - 2012 -

Colares Chitas
Tinto - 2010 -

Casal Sta. Maria
Tinto - 2010 -

Colares Chitas
Branco - 2015 -

Viúva Gomes Collares
Branco - 2017 -

Colares Malvasia
Branco - 2015 -

Arenae
Branco - 2017 -

Casal Sta. Maria
Branco - 2015 -

Monte Cascas
Branco - 2014
Edição nº 35, Março de 2020
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Ladeira da Santa: One man (anti) show

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TEXTO Mariana Lopes
FOTOS Mário Cerdeira
De Coimbra a Tábua, no extremo Sul do Dão, são 60 minutos pelo tenebroso IP3, e é esse o percurso de ida e volta que João Cunha faz praticamente todos os dias. Tem 32 anos e, sendo avesso a toda e qualquer exposição – apesar da cortesia e simpatia que nunca falham – para ele a Ladeira da Santa é, sem sombra de dúvida, o refúgio perfeito. É um “loner”, como se diz em inglês, e mantém o seu grupo de amigos em regime de “poucos e bons”, ao qual se juntou recentemente a cadela Zoumi, uma Border Collie de quatro meses que já é a menina dos seus olhos. João tirou Enologia no Porto e Engenharia Alimentar em Coimbra e, em 2008, fez o seu primeiro vinho na “Ladeira”, como habitualmente chama à propriedade familiar. Quanto à parte “da Santa”, não se sabe bem a razão, apenas que já tinha esse nome quando adquirida pelo seu pai, Arlindo Cunha, nascido em Tábua. Economista e professor da Universidade Católica do Porto, Arlindo Cunha foi Secretário de Estado da Agricultura, Ministro da mesma área e vice-presidente da Comissão Parlamentar da Agricultura, razões mais do que suficientes para que, em 1996, se virasse para a Ladeira da Santa, para “espairecer e largar o stress”: adquiriu o terreno, praticamente todo pinhal, que incluía um hectare do seu sogro e, até 2006 – com ajuda de uma pessoa que tomava conta do sítio, e de um enólogo consultor que lá fez os vinhos até o filho assumir as rédeas – dedicou-se a comprar mais área e a plantar vinha, fazendo vinho “na desportiva” desde 2000. “O bom beirão gosta sempre de ter uma adega”, brincou. Foi então, em 2006, que a família fundou a empresa Ladeira da Santa. Em 2009, João Cunha já lá fazia todos os vinhos da casa, plantando ele próprio cinco hectares de vinha em 2017, através do programa Jovem Agricultor.
Hoje já são dez hectares de videiras, cinco de uvas brancas e cinco de tintas, que se estendem pela encosta abaixo, rodeando a casa e a adega, e por outro terreno, praticamente do outro lado da estrada, que desce no sentido oposto, permitindo a João tomar partido de várias exposições solares. Agora é ele que, a título pessoal, é proprietário e arrendatário de todos os vinhedos, vendendo as uvas à Ladeira da Santa. Os solos, complexos e de transição de granito para xisto, apresentam umas aflorações rochosas aleatoriamente distribuídas pelas vinhas que estão viradas a Sul, rodeadas de altos pinheiros e que encaram as serras do Açor e de Arganil, graciosamente pintadas no horizonte, sempre em plano de fundo. E esses blocos de pedra, a par do declive considerável da ladeira, são elementos fundamentais para João Cunha pôr em prática uma das suas maiores paixões, o BTT, ou “mountain biking”. No local, é fácil de ver os percursos idealizados pelo produtor e os obstáculos naturais do terreno, e de perceber que ali, entre as uvas e a bicicleta, João tem tudo o que precisa. Aliás, quando não está a fazer vinho, está a descer alguma coisa, em cima de alguma coisa, com ou sem rodas. Após uma chamada não atendida, já depois da visita à propriedade, a justificação foi “estava a acabar uma pista”, e isso diz tudo.

Terroir Ladeira
Esta personalidade livre de João Cunha faz dele várias coisas, e uma delas é a de um enólogo e produtor sem concessões, multifacetado, que trata de quase tudo, desde a vinha à rotulagem, passando pelo principal, os vinhos. Na maior parte do tempo, um autêntico “one man show”. Na verdade, e como contou, “isto subsiste muito à base da amizade. São os nossos amigos que vêm ajudar na poda, por exemplo. Na vindima, contratamos cerca de dez pessoas e vêm uns quarenta amigos vindimar também”. As referências são actualmente cinco, dois brancos e três tintos, com uma produção anual de cerca de 26 mil garrafas. “O nosso objectivo é sermos um produtor familiar e tradicional do Dão, de dimensão média”, explicou Arlindo Cunha. E João complementou: “Não nos preocupamos muito em aumentar os números, queremos fazer um crescimento sustentável”.
O Colheita Seleccionada branco 2018 é um lote de Malvasia Fina (40%), Arinto (30%), Gouveio, Encruzado e Bical, um branco sem madeira, super agradável, aromático e equilibrado, fresco e muito bem feito. Por sua vez, o Encruzado Reserva branco 2018, de perfil cremoso e vegetal, fermentou em inox e parte dele estagiou em barricas usadas e novas (10%) de carvalho francês durante seis meses. Nos tintos, o Colheita Seleccionada 2018 faz maceração longa em lagar durante dez dias e tem Tinta Roriz, Touriga Nacional e Alfrocheiro. O estágio é feito por três meses em barrica e dois meses em garrafa, originando um vinho todo ele silvestre e polido, com grande aptidão para a mesa do dia a dia. Quanto ao Touriga Nacional 2015, este também faz maceração em lagar, durante sete dias, e estagia quase 24 meses em barricas com seis anos e um ano e meio em garrafa. Um vinho igual a si mesmo, bem floral e fino. Por fim, o Grande Reserva 2017 fica em lagar oito dias e estagia um ano em barricas usadas (de um a quatro anos de idade) e seis meses em garrafa, resultando num tinto de fruta profunda, com intensidade e muita elegância.
Todos estes vinhos cheiram e sabem a Dão, com o terroir daquele sítio em Tábua muito evidente, onde a assinatura do enólogo está bem presente, mas não se sobrepõe. Já para não falar da excelente relação qualidade-preço. Os brancos bem frescos, florais e minerais, com a típica Encruzado a conferir estrutura e – quando conjugada com madeira – cremosidade, e os tintos com o pinhal que rodeia a Ladeira da Santa a expressar-se, elegantes e com um lado terroso ténue. E João Cunha entra aqui a tratar das uvas como suas amigas, em tudo o que isso implica – com todo o carinho e atenção, mas sem bajulações – e a utilizar as barricas de uma forma muito precisa, a dar aos vinhos não só o que eles precisam delas, mas também um certo “je ne sais quoi” que só ele sabe entregar, fazendo da Ladeira da Santa um projecto cheio de carácter.
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Edição nº 35, Março de 2020
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Grande Rocim em versão branco

TEXTO Luis Lopes A Herdade do Rocim acaba de estrear no mercado o Grande Rocim branco, da vindima de 2018, apresentado online pela dupla Catarina Vieira/Pedro Ribeiro. Tal como acontece com o Grande Rocim tinto, topo de gama da casa, o conceito passa por escolher a melhor casta de cada ano e, dentro desta, as […]
TEXTO Luis Lopes
A Herdade do Rocim acaba de estrear no mercado o Grande Rocim branco, da vindima de 2018, apresentado online pela dupla Catarina Vieira/Pedro Ribeiro. Tal como acontece com o Grande Rocim tinto, topo de gama da casa, o conceito passa por escolher a melhor casta de cada ano e, dentro desta, as melhores barricas. Para este primeiro Grande Rocim branco, a eleita foi a Arinto. Até agora, a versão tinto tem sido feita, em todas as vindimas, com base na mesma casta, Alicante Bouschet, mas, segundo Pedro Ribeiro, nada garante que isso venha a acontecer com o branco da mesma marca.
No entanto, dada a “enorme consistência de qualidade” (palavras de Catarina Vieira) das uvas de Arinto oriundas da parcela com 20 anos de idade existente no Rocim e, acrescento eu, o facto de já existir na casa um 100% Antão Vaz de primeira linha (Olho de Mocho Reserva), a probabilidade de os próximos Grande Rocim continuarem a ser feitos de Arinto é bastante elevada.
Catarina e Pedro revelam que desde que começaram a pensar este vinho quiseram um branco de perfil mais leve, pensado num estilo que privilegiasse a elegância, mineralidade e frescura, mas sempre com potencial de longevidade. Escolhida a parcela de Arinto, num afloramento granítico, apesar da heterogeneidade de maturação e acidez das uvas entre a zona mais baixa e a cota mais alta, esta foi vindimada em conjunto, no sentido de se obter o melhor equilíbrio entre corpo e frescura. No final, o mosto ficou com 12,5% de álcool provável e 6,3 g/l de acidez, valores que revelam bem o enorme potencial da casta Arinto nestas terras da Vidigueira (e no Alentejo em geral…).
Após 12 horas de maceração na prensa, aproveitou-se apenas o mosto de lágrima (sem aperto) que iniciou a fermentação em cubas de cimento e terminou em barricas novas e usadas. Seguiu-se um estágio de 16 meses em 20 barricas, tendo sido escolhidas apenas as três melhores para o lote final. O resultado é um Arinto de excelência, de enorme expressão, precisão e finura, verdadeiro hino à casta e à região.
Moscatel de Setúbal: Um tesouro a descobrir

O Moscatel de Setúbal é um dos clássicos generosos portugueses, mas a sua notoriedade junto do consumidor está ainda muito distante da sua grandeza enquanto vinho. Merece bem mais do que o que tem, mais reconhecimento, melhores preços, mais visibilidade. Mas apesar disso, a verdade é que continua a crescer em área de vinha e […]
O Moscatel de Setúbal é um dos clássicos generosos portugueses, mas a sua notoriedade junto do consumidor está ainda muito distante da sua grandeza enquanto vinho. Merece bem mais do que o que tem, mais reconhecimento, melhores preços, mais visibilidade. Mas apesar disso, a verdade é que continua a crescer em área de vinha e produção.
TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Mário Cerdeira
Quando se fala da trilogia dos vinhos licorosos portugueses sempre nos lembramos dos três magníficos, Porto, Madeira e Moscatel de Setúbal. É verdade que há outros, como o Moscatel do Douro e o Carcavelos mas nenhum destes dois atingiu o brilho do generoso de Setúbal. Apesar da fama do Setúbal e dos indicadores que são muito optimistas, não só quanto à área de vinha como em relação às quantidades produzidas, a verdade é que os ventos andam contrários. Os tempos, em Portugal e no mundo, não vão de feição para os vinhos doces. Esta verdade é válida não só aqui como também internacionalmente e as regiões que se notabilizaram pela produção de vinhos com elevado teor de açúcar estão a ressentir-se do menor interesse do público. Acontece com o Vinho do Porto tal como acontece com os Sauternes (França), por exemplo. Em alguns casos consegue-se uma melhor rentabilidade pela subida de preços de categorias mais elevadas (caso do Porto) mas as categorias de entrada dos licorosos nacionais (e europeus) tendem a ter preços pouco prestigiantes. O Moscatel de Setúbal consegue ser algo bipolar em termos de segmentação, com preços muito baixos nas gamas de entrada e, depois, vinhos de gama alta vendidos a valores já condizentes com a sua imagem e qualidade.
A região de Setúbal tem conhecido um renovado interesse dos produtores no Moscatel, um generoso com direito a reconhecimento legal como região demarcada desde os inícios do séc. XX. Durante décadas foi a casa José Maria da Fonseca que, quase em exclusivo, manteve o estandarte do generoso Moscatel de Setúbal. A partir dos anos 80 a J.P. Vinhos (mais tarde Bacalhôa Vinhos de Portugal) passou também a incluir o generoso no seu portefólio e de então para cá, sobretudo já neste século, a maioria dos produtores da região assumiu (e bem) que havia como que a “obrigação cívica” de manter, desenvolver e expandir o Moscatel que deu fama à região.
Henrique Soares, Presidente da CVR de Setúbal, confirmou-nos o crescimento sustentado que a área de vinha destinada à produção de moscatel tem tido. Estamos então a falar de 520ha para a produção do Moscatel de Setúbal e 43ha para o Moscatel Roxo de Setúbal. Na versão Roxo verificou-se um crescimento que fez duplicar a área de vinha em cerca de 3 anos e retirou, de vez, a casta do perigo de extinção em que se encontrava nos anos 80 do século passado. A produção global subiu também de forma permanente e situa-se agora (2019) nos 20 000 hectolitros quando, 4 anos antes, era apenas de 15 000 hectolitros.
Para ser Moscatel de Setúbal com direito à Denominação de Origem o vinho deverá incluir 85% da casta embora, ainda segundo Henrique Soares, a maioria dos produtores opte por ter 100% da casta em cada garrafa. Existia também a possibilidade de se fazer um generoso apenas com 2/3 de moscatel e 1/3 com outras castas brancas – tinha então o nome único de Setúbal (e não Moscatel de Setúbal) mas ao que nos informaram essa prática caiu em desuso e já ninguém a utiliza. Pelo facto da Portaria que actualizou as designações relativas ao Moscatel de Setúbal ser de 2014, é possível que se encontrem no mercado vinhos que apenas indicam “Setúbal” em vez de Moscatel de Setúbal e “Roxo” em vez de Moscatel Roxo de Setúbal.
Os segredos do Setúbal
A casta moscatel existe em inúmeros países, desde a bacia do Mediterrâneo até à África do Sul. Contam-se várias estirpes da casta, há nomes variados e perfis diferenciados. Em Portugal conhecemos duas famílias principais: o Moscatel Galego mais presente no Douro e o Moscatel de Alexandria (ou Moscatel Graúdo) em Setúbal. A variedade Moscatel Roxo é uma mutação do Moscatel Galego. Caracteriza-se pela fraca pigmentação tinta do bago, estando aí a origem do nome. Oficialmente, é considerada uma casta rosada, não tinta.
No modo de fabrico segue-se a técnica dos outros generosos, ou seja, a meio da fermentação é adicionada a aguardente que faz com que o processo fermentativo se interrompa e o resultado seja um vinho doce. Esta doçura, no caso dos vinhos com 20 ou mais anos, com concentração através da evaporação em casco, pode chegar aos 340 gramas/litro. Usa-se na região uma aguardente em tudo idêntica à do Vinho do Porto – tem a obrigatoriedade de ser vínica e ter um teor de álcool compreendido entre os 52 e 86% – mas não existem restrições quanto à origem: pode ser nacional (ou não) e alguns produtores, como a José Maria da Fonseca, têm usado aguardente adquirida quer na zona de Cognac quer na de Armagnac, regiões que, como se sabe, são produtores de espirituosos. A variação do teor alcoólico da aguardente prende-se também com o perfil do produto final, já que o Moscatel de Setúbal pode entre 16 e 22% de álcool.
A tradição da região impôs na vinificação uma maceração pós-fermentativa com as películas das uvas (ricas em aromas e sabores) ainda e já com a aguardente adicionada, processo que se estende por vários meses. Durante este “estágio” a cor do vinho pode ganhar tonalidades cada vez mais carregadas, o que também explica as cores “evoluídas” dos moscatéis novos.
No que diz respeito às barricas para o estágio não existem também limitações nem quanto ao volume nem quanto à origem das mesmas. Assim, tanto se podem usar barricas de pequeno volume, onde o envelhecimento tende a ser mais acelerado, como tonéis de grande dimensão. A Bacalhôa tem utilizado barricas onde anteriormente se estagiou whisky e que são colocadas numa estufa sujeita às variações de temperatura entre Verão e Inverno. Para ter direito à Denominação de Origem o vinho é obrigado a um mínimo de 18 meses de estágio.
O tempo, esse grande educador

Tal como acontece com outros generosos, sobretudo com o Porto Tawny e os Madeira, é o estágio prolongado em tonel ou barrica que confere ao vinho toda a complexidade e qualidade que se lhe reconhecem. É também nesse estágio que a tonalidade escurece, ficando com tons acastanhados. Pode, no entanto, parecer estranho que os vinhos novos, apenas com os 18 meses de estágio obrigatórios por lei, tenham já uma tonalidade muito carregada. Filipa Tomaz da Costa, enóloga da Bacalhôa, esclarece: “tenho várias cubas com o moscatel ainda em contacto com as massas (método que segue a tradição da região) e o vinho já apresenta uma tonalidade que sugere uma prolongada oxidação; por isso é normal que mesmo nos vinhos novos surjam tons mais escuros”. A lei permite, de qualquer forma, a utilização do caramelo como corrector de cor.
Depois desta maceração é o tempo em casco que vai, lentamente, operando as modificações que farão surgir um grande generoso, concentrado, por vezes muito doce, mas muito complexo. Também aqui há quem esteja a inovar e o vinho da quinta do Monte Alegre é sobretudo envelhecido em garrafa, um pouco à maneira do Porto Vintage. Ainda é cedo para se perceber se o resultado justifica a prática.
Na Bacalhôa, há muitos anos que o estágio em estufa é praticado. Filipa Tomás da Costa refere: “Usamos este método sobretudo nos primeiros 10 anos do envelhecimento; depois desse tempo trazemos os cascos para dentro do armazém, embora continuem nas zonas altas mais perto do telhado. Como a massa vínica é muito grande dentro da estufa – apesar das pipas serem de 200 litros – há uma forte inércia térmica e no Inverno podemos ter temperaturas exteriores de 4ºC mas no interior da pipa o vinho apenas varia entre os 10 e 15ºC; no Verão, a temperatura no interior da estufa chega facilmente aos 40º mas o vinho apenas oscila entre os 25 e 28ºC”.
A prática de atestar as barricas e passar a limpo nunca se generalizou na região. Na José Maria da Fonseca existiam muito vinhos velhos que já apenas correspondiam a “um fundinho da pipa”, como nos disse Domingos Soares Franco, enólogo da empresa, e tomou-se a decisão (há já alguns anos) de engarrafar todos esses vinhos, tendo-se considerado que apenas estavam a evaporar e que já nada mais havia a esperar do estágio em tonel. Mas, tal como no Vinho do Porto, este estágio pode prolongar-se por mais de 100 anos.
Novas categorias e mais diversidade
A legislação da região permite desde há algum tempo a produção de vinhos com indicação de idade. Assim, no rótulo da garrafa pode vir a indicação 5, 10, 20, 30 e 40 anos. Como muitos operadores ainda não têm vinhos muito velhos a existência de vinhos com as idades 30 e 40 é por enquanto muito limitada.
Pela prova que fizemos verifica-se que a indicação da data da colheita começa a generalizar-se e os vinhos com 5 anos também mostram ser uma categoria que veio para ficar. A designação Superior obriga a um estágio mais prolongado e a uma aprovação como tal na Câmara de Provadores.
Ainda segundo Soares Franco, a aceitação pelo mercado de vinhos com indicação de idade está a ser muito boa, quer em Portugal (que é ainda o principal destinatário) quer no mercado eterno, onde se destacam o Brasil, o Canadá e a Escandinávia.
O grande inimigo do Moscatel de Setúbal é a tendência – que se estende a outros produtos vínicos – de fazer parte dos vinhos que estão permanentemente na mira das grandes superfícies (super e hipermercados) que jogam com os preços cada vez mais baixos, um verdadeiro rolo compressor que não traz nada de bom para a imagem do Moscatel de Setúbal. O futuro da região, muito mais do que vender cada vez mais barato deverá ser vender cada vez melhor, subindo gradualmente os preços, única forma de tornar trabalho rentável, valorizar a uva e o produtor e dignificar o produto de excelência que é o Moscatel de Setúbal.
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Sivipa Moscatel
Fortificado/ Licoroso - 2017 -

Adega de Palmela M Moscatel
Fortificado/ Licoroso - 2016 -

Sivipa Moscatel 10 anos
Fortificado/ Licoroso - -

Quinta do Piloto Moscatel 5 Anos( 1500ml )
Fortificado/ Licoroso - -

Moscatel de Setúbal by Quinta do Monte Alegre Moscatel
Fortificado/ Licoroso - -

Xavier Santana Moscatel
Fortificado/ Licoroso - 2017 -

Quinta do Monte Alegre Moscatel Roxo ( 500 ml )
Fortificado/ Licoroso - 2013 -

Moscatel de Setúbal Moscatel
Fortificado/ Licoroso - 2016 -

Malo Moscatel 5 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Lobo Roxo Moscatel roxo ( 500 ml)
Fortificado/ Licoroso - 2010 -

Filipe Palhoça Moscatel
Fortificado/ Licoroso - 2015 -

Casa Ermelinda Freitas Moscatel
Fortificado/ Licoroso - -

Brejinho da Costa Moscatel Roxo
Fortificado/ Licoroso - 2012 -

Bacalhôa Moscatel
Fortificado/ Licoroso - 2017 -

Xavier Santana Moscatel roxo ( 500 ml )
Fortificado/ Licoroso - 2010 -

Excellent Moscatel roxo
Fortificado/ Licoroso - -

Casa Ermelinda Freitas Moscatel ( 500 ml )
Fortificado/ Licoroso - 2009 -

Brejinho da Costa Moscatel
Fortificado/ Licoroso - 2017 -

Alambre Moscatel roxo 5 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

Adega de Palmela Moscatel 10 anos
Fortificado/ Licoroso - -

Malo Moscatel roxo Superior ( 500 ml)
Fortificado/ Licoroso - 2009 -

Bacalhôa Moscatel Roxo 5 Anos
Fortificado/ Licoroso - -

António Saramago Moscatel ( 500 ml)
Fortificado/ Licoroso - 2013 -

Malo Moscatel ( 500 ml)
Fortificado/ Licoroso - 2004 -

António Saramago Moscatel 10 anos ( 500 ml)
Fortificado/ Licoroso - -

Alambre Moscatel 20 anos ( 500 ml)
Fortificado/ Licoroso -
Edição nº 34, Fevereiro de 2020
Herdade Aldeia de Cima vence Ouro nos European Design Awards

Esta é a primeira vez que uma gama de vinhos portugueses é considerada a melhor da Europa nos European Design Awards, os mais prestigiados prémios europeus desta área. A marca recente lançada por Luísa Amorim, com propriedade na Serra do Mendro, Alentejo, recebeu o prémio Ouro, a mais alta distinção na categoria “packaging de bebidas […]
Esta é a primeira vez que uma gama de vinhos portugueses é considerada a melhor da Europa nos European Design Awards, os mais prestigiados prémios europeus desta área. A marca recente lançada por Luísa Amorim, com propriedade na Serra do Mendro, Alentejo, recebeu o prémio Ouro, a mais alta distinção na categoria “packaging de bebidas alcoólicas”.
Mas este prémio é também dos autores do design, do portuense Studio Eduardo Aires, inspirado pela “aldeia numa região conhecida pelas suas pequenas casas baixas e brancas, sublinhadas por grandes pinceladas de cores vivas da natureza, da folha do sobreiro e do solo de xisto vermelho”, de acordo com o comunicado de imprensa. Este é o mesmo estúdio de design que criou a actual imagem gráfica da cidade do Porto, também ela premiada pela mesma entidade. Eduardo Aires refere: “Foi na paisagem alentejana e no território da Herdade da Aldeia de Cima que encontrámos a inspiração para o desenho e a estratégia de comunicação. Acreditamos que a solução representa e potencia este projecto vitivinícola singular de Luísa Amorim. O prémio que agora recebemos é a confirmação pelos nossos pares internacionais do carácter diferenciador da solução gráfica”.
Herdade das Servas: A herança dos Serrano Mira

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A família Serrano Mira tem feito, com a Herdade das Servas, um percurso exemplar ao fundir tradição com modernidade de forma harmoniosa. Tudo começou com a herança de duas talhas de 1667, mas os genes e a inspiração fizeram o resto.
TEXTO Mariana Lopes
FOTOS Herdade das Servas
Estamos entre Vimieiro e Estremoz, mais perto desta última. Está bastante frio, mas o sol de Inverno, no Alentejo, aquece por dentro e por fora. Sair da estrada N4 e entrar pelo portão da Herdade das Servas dá-nos aquela sensação familiar de acolhimento alentejano, um abraço de uma natureza cujo cunho agreste nos dá, paradoxalmente, muita tranquilidade. É aí que avistamos três perdizes, mesmo junto à estrada de terra batida onde as vinhas começam, saltitantes pelo meio das estacas e das videiras nuas. Estamos muito perto, mas não levantam voo, apenas se afastam a correr como quem não tem medo, mas ficou incomodado com a intrusão do carro postiço. Naturalmente, pensamos no quão é bom voltar à região. E é mesmo. Eventualmente, culminamos na casa, branca com os frisos de rodapé e esquadrias das janelas em tom tinto. São vários edifícios, tão bem integrados entre si que não nos deixam perceber a dimensão dos pavilhões adjacentes. Junto à recepção e ao restaurante, já no interior, estão duas talhas com o número 1667 gravado no barro e uma estrela de oito pontas. Dois pedaços de história que passaram de geração em geração até hoje, na família Serrano Mira (original de Estremoz, Borba e Vila Viçosa), que já produzia vinho desde então.
Actualmente, são os irmãos Carlos (responsável pelas vinhas, à esquerda na foto principal) e Luís Mira (vinhos e administração, ao centro na foto principal) que tomam conta da Herdade das Servas, comprada nos anos 60 pelo avô paterno Manuel Joaquim Mira. Ainda nessa década, em 1964, o bisavô materno Henrique dos Anjos Serrano falece e deixa aos seus filhos duas adegas, uma delas a Justino dos Anjos Serrano, avô materno de Carlos e Luís. Em 1968, o pai destes dois irmãos, Francisco José Mira (à direita na foto principal), juntamente com o seu irmão, associa-se a outra família alentejana de produtores e funda a Sociedade dos Vinhos de Borba, mostrando capacidade para assumir o negócio. Nesse mesmo ano, o avô paterno Manuel Joaquim retira-se, deixando a actividade a cargo de Francisco José e do irmão. Apesar da antiguidade na produção, é em 1998 que Carlos e Luís Mira fundam a empresa Herdade das Servas e começam a engarrafar sob essa marca, com a ajuda do pai Francisco José Mira. A dupla pega, assim, nas práticas e ensinamentos que crescera a ver e a ouvir, e inspira-se na tradição e conexão ao meio rural que a família sempre teve.
Vinhas velhas impressionantes
Ao longo do tempo, Carlos e Luís foram plantando vinha e também comprando parcelas a familiares e outros, de forma a produzir somente dos seus próprios vinhedos. Hoje, a Herdade das Servas tem oito vinhas em locais diferentes, incluindo a propriedade-mãe, entre a Serra de São Mamede e a Serra d’Ossa, estando a mais longe na localidade da Orada. São elas a Vinha das Servas, do Clérigo, de Pero Lobo, do Azinhal, da Cardeira Velha, da Cardeira Nova, da Judia e da Louseira. A empresa tem um total de 1000 hectares, dos quais 350 produzem uva, ficando o resto para outras culturas e actividades, como é normal nas grandes herdades da região. A maior de todas é a do Azinhal e tem 90 hectares, e a mais pequena estende-se por 13. Também a Vinha da Judia é das maiores, com 40 hectares, onde se encontra o Afrocheiro. A uma altitude que ronda os 300 metros acima do nível do mar, todos os 350 hectares estão em regime de sequeiro (sem rega), fazendo da Herdade das Servas o produtor com o maior número de vinhas nesta condição.
As muito diferentes idades das parcelas complementam-se entre si, tendo a mais velha 75 anos. É a Vinha do Clérigo, oito hectares em solo xistoso, adquiridos a um tio-avô, que impressionam até os menos susceptíveis. A suas videiras, de tronco largo e filamentos ondulantes, lutam para sobreviver e, em simultâneo, produzem uvas que se destinam aos melhores vinhos da casa. Este cenário repete-se pelo terreno, como testemunha de um grande investimento e perícia, não só dos irmãos Serrano Mira, mas também do enólogo Ricardo Constantino, que entrou na empresa desde 2015, mas que caminha no meio dos carreiros de cepas com a calma de quem já as conhece como a palma da mão. A sorrir, conta que faz a ponte entre os dois irmãos. As 22 castas desses 350 hectares plantadas por talhões, entre brancas (só uma das vinhas tem exclusivamente variedades brancas) e tintas, crescem em solos avermelhados, derivados de calcários pardos e cristalinos, com manchas de xisto, que estão expostos a um clima mediterrânico, de elevadas amplitudes térmicas e Verões quentes e secos. Nas brancas, há Alvarinho, Antão Vaz, Arinto, Encruzado, Roupeiro, Sauvignon Blanc, Sémillon, Verdelho e Viognier. Já as tintas são Alfrocheiro, Alicante Bouschet (omnipresente nos tintos da casa), Aragonez, Cabernet Sauvignon, Castelão, Merlot, Petit Verdot, Syrah, Touriga Franca, Touriga Nacional e Trincadeira. Luís Mira desvenda que estão a ensaiar 60 hectares em produção biológica e Ricardo Constantino explica que o objectivo é conhecer e perceber o que se pode fazer dessa maneira.
Modernidade e tradição, da vinha à adega
Regressamos à casa-mãe e o sol está a desaparecer no horizonte. É tempo de visitar a adega, dividida em vários pavilhões perfeitamente camuflados. O que encontramos espanta-nos mas não deveria espantar: uma unidade de vinificação completamente modernizada, com lagares de mármore equipados tecnologicamente e dezenas de cubas imensas de inox, onde se vinifica casta a casta. Afinal, são 1 milhão e 200 mil garrafas produzidas anualmente, e uma equipa permanente de 40 pessoas. Luís Mira revela o que já estamos à espera de ouvir: são 100% auto-suficientes, da produção ao engarrafamento, sem qualquer prestação de serviços externa. Depois, a cave de envelhecimento mostra que nem tudo é aço: debaixo de arcos e entre colunas que contrastam com o carácter industrial do pavilhão anterior, estão 350 barricas de carvalho francês e americano, com 15 vinhos diferentes no seu interior. Este último tipo de carvalho representa apenas 10%, e Luís Mira diz que a tendência é diminuir.
Daqui surgem os vinhos, que se dividem por duas gamas, uma de entrada, Monte das Servas, e a mais ambiciosa, Herdade das Servas. Desta última, provámos dez vinhos, desde o Colheita Seleccionada branco ao Vinhas Velhas tinto, passando também por um rosé de Touriga Nacional e um tinto de perfil bem diferente, o Sem Barrica, cujas castas variam consoante a edição e que, após fermentação maloláctica, permanece durante sete meses em inox e 6 meses em garrafa. É interessante perceber que em todos esses dez vinhos há uma identidade única e um grande sentido de lugar, e mesmo assim são todos diferentes no perfil e muito bem definidos. É mais um dos sinais de que a Herdade das Servas sabe muito bem o que está a fazer, tanto na produção como a nível de negócio, e isso talvez se deva aos genes… mas não só. A verdade é que, nos últimos 50 anos, a família Serrano Mira acompanhou a grande evolução e as mudanças na região, bem como os avanços da enologia e da viticultura em todo o país e, concretamente, no Alentejo. Sempre inspirados e nunca largando a tradição e a herança vitivinícola familiar, souberam modernizar-se e adaptar a actividade à mutação da realidade ao longo das décadas.
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Herdade das Servas Vinhas Velhas
Tinto - 2015 -

Herdade das Servas
Tinto - 2015 -

Herdade das Servas
Tinto - 2015 -

Herdade das Servas
Tinto - 2015 -

Herdade das Servas Sem Barrica
Tinto - 2017 -

Herdade das Servas
Tinto - 2016 -

Herdade das Servas
Rosé - 2018 -

Herdade das Servas
Branco - 2017 -

Herdade das Servas
Branco - 2018 -

Herdade das Servas
Branco - 2018
Edição nº 34, Fevereiro de 2020
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Taylor’s Vintage 2018: os “porquês” e os “porque não?” de uma terceira declaração seguida

TEXTO Mariana Lopes O grupo The Fladgate Partnership anunciou hoje, 23 de Abril – como já é tradição para a empresa, no dia de São Jorge – a declaração do Taylor’s Vintage 2018, o único “clássico” do trio apresentado, e os Fonseca Guimaraens Vintage 2018 e Croft Quinta da Roêda Vintage 2018. A designação “clássico”, […]
TEXTO Mariana Lopes
O grupo The Fladgate Partnership anunciou hoje, 23 de Abril – como já é tradição para a empresa, no dia de São Jorge – a declaração do Taylor’s Vintage 2018, o único “clássico” do trio apresentado, e os Fonseca Guimaraens Vintage 2018 e Croft Quinta da Roêda Vintage 2018. A designação “clássico”, apesar de não reconhecida oficial e formalmente pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, é para os produtores de Vinho do Porto um sinal de que se atingiu, nesse ano e para uma localização em concreto, uma qualidade muito elevada.
Neste caso de 2018, David Guimaraens, director técnico e de enologia da Fladgate, elucida: “A colheita de 2018 produziu excelentes Vintage, embora o ano tenha tido os seus desafios. Um deles foi a severa tempestade de granizo que devastou muitas vinhas do vale do Pinhão, no dia 28 de Maio, entre elas a Quinta do Junco da Taylor’s. É importante notar que os vinhos de 2018 têm a mais alta intensidade de cor dos últimos anos, o que é normalmente um sinal de boa extracção e longevidade”.
A apresentação dos Vintage 2018 foi feita por Adrian Bridge, administrador do grupo, através de um “directo” na página de Instagram @taylorsportwine. Adrian começou por dizer que “o que tornou 2018 num ano tão bom, foi ter feito bastante calor no Verão, e mesmo no resto do ano o calor ter sido relativamente elevado”. Quanto ao facto de o Taylor’s ser o único dito “clássico” dos três, o CEO explicou que na localização da Quinta de Vargellas (na foto principal e uma das quintas que lhe dão origem), no Douro Superior, “teve óptimas condições meteorológicas para uvas de vinho do Porto, muitas delas vindas de vinhas velhas, o que nos permitiu declarar este Taylor’s como Vintage clássico”. Já o Fonseca Guimaraens, por exemplo, que vem das Quintas Cruzeiro, Santo António e Panascal, viu estas localizações mais frescas do que Vargellas, este ano. Em relação a este Vintage Guimaraens, que é o primeiro de seu nome desde 2015, David Guimaraens afirma “acredito que o 2018 seja um dos melhores exemplos recentes de um Guimaraens Vintage, com os seus ricos e densos frutos da floresta e taninos resistentes, mas optimamente integrados”. Adrian Bridge, durante a apresentação online, acrescentou que “o conceito do Fonseca Guimaraens é o de um vinho com a mesma constituição e carácter que os clássicos Vintage Fonseca, mas feito num estilo mais acessível”. Quanto ao Croft Quinta da Roêda Vintage 2018, Bridge desvenda que este “oferece a fruta madura e perfumada característica dos vinhos da Roêda, juntamente com os taninos tensos”.
Com uma terceira declaração seguida de um Vintage clássico, algo que é inédito no grupo Fladgate e também noutros, é natural que o consumidor se pergunte sobre o que poderá estar na origem de “tantos anos favoráveis” a vinho do Porto Vintage. Adrian Bridge confirmou que, entre outras razões, os grandes avanços técnicos na viticultura e na enologia desempenham um papel muito importante nessa matéria. Também as alterações climáticas terão, com certeza, uma palavra a dizer aqui. “Nunca declarámos três Taylor’s de seguida. É ‘unusual’, mas é o que é. Debatemos muito esta questão, porque seria algo único e inovador para a nossa empresa e por causa da crise mundial que estamos a atravessar, mas chegámos à conclusão de que, se a qualidade está lá, vamos fazê-lo. Se não o fizéssemos por conta do coronavírus, isso não estaria conforme aos nossos standards de qualidade”, reiterou o administrador.
Numa pré-avaliação do futuro do vinho do Porto da sua casa, Adrian confessa: “Vamos ser desafiados por este ano 2020 porque a manutenção da segurança dos trabalhadores será garantida, através, por exemplo, da distância de segurança na vinha ou até nos lagares, o que nos vai levar a mudanças, mas no final a nossa produção manterá a qualidade”.
Do Taylor’s foram feitas 7800 caixas, do Fonseca Guimaraens, 4700, e do Croft Quinta da Roêda, 2000. Estes três Vintage começarão a ser vendidos no início de 2021.











