Reguengos Garrafeira dos Sócios – A desafiar preconceitos

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Fizemos a proposta à CARMIM e foi aceite de imediato: uma vertical desta marca que sempre se assumiu como o topo de gama da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz. O resultado foi surpreendente e contraria os que defendem que os vinhos do Alentejo são para ser apreciados enquanto jovens.
TEXTO João Paulo Martins FOTOS Mike The Axe
A CARMIM, mais do que uma adega cooperativa é uma Cooperativa Agrícola. A diferença tem razão de ser porque uma grande percentagem dos sócios não é produtora de uva mas sim de azeitona. Estamos em terras quentes e onde dominam as culturas de sequeiro. Essa característica foi de resto determinante para que, apesar da proximidade com a albufeira do Alqueva, Reguengos ficasse inicialmente fora do perímetro de rega. Há então cerca de 45% dos produtores que só fazem viticultura de sequeiro. A água da albufeira só chegará em 2022, segundo Miguel Feijão, presidente da CARMIM. Viticultura de sequeiro significa também que a produtividade é muito baixa, não chegando às seis toneladas/hectare. Já o olival não tem conhecido grande expansão porque “não há terrenos livres e os que há são de muito pequena dimensão; encontrar um terreno livre de 10 hectares é um luxo”, lembra o presidente, também ele viticultor.
A CARMIM tem há 15 anos um posto de enoturismo que recebe muitos visitantes (6.000 por ano) e uma loja no centro da vila onde a venda de produtos é até mais forte do que na própria cooperativa. Miguel Feijão diz também, com orgulho que “toda a electricidade que gastamos é produzida por nós em placas foto-voltaicas e nas nossas instalações vinificamos cerca de 20 milhões de quilos de uva, numa laboração muito planeada que nos permite fazer vinhos de perfis e estilos muito diferenciados. Somos também dos maiores exportadores do Alentejo”.
Há muitos anos a dirigir a enologia está Rui Veladas, agora coadjuvado por Tiago Garcia que esteve anteriormente na Herdade das Servas. São 3,300 hectares de vinha que têm de apoiar e todos os anos há entre 200 e 300 ha a serem reconvertidos. Por aqui ainda existem muitas vinhas com castas antigas, como Tamarez, Moreto, Periquita e Carignan e, nas vinhas velhas de castas misturadas também aparece o Alicante Bouschet. Foi na sequência da identificação de vinhas velhas com as antigas castas da região que nasceu o tinto Primitivo, um vinho sem barrica de que se fizeram 10.000 garrafas. Há alguns vinhos varietais e um vinho de parcela (ainda sem nome) que incorporará Alicante Bouschet, Aragonez e Trincadeira de vinhas dos anos 80. Nos brancos a CARMIM apronta um Verdelho (que Rui Veladas fez questão de salientar que não é Gouveio) e vai haver um re-lançamento do espumante. Os vinhos “de combate” mantêm-se, com as marcas Reguengos e Terras d’el Rei.
Ao contrário do que vêm fazendo vários produtores da região, a cooperativa ainda não decidiu engarrafar vinhos de talha; já têm dois anos de experiência mas não há lançamentos previstos até porque só há duas ta-lhas preparadas. Estágio em ânfora “talvez possa ser interessante, vamos ver”, confessa Rui Veladas. Ao contrário de outras cooperativas, a CARMIM certifica praticamente tudo o que produz, ou seja, mais de 15 milhões de garrafas.
UMA MARCA COM HISTÓRIA
O Garrafeira dos Sócios é o mais clássico vinho da casa e foi durante muito tempo um ex-libris do Alentejo, com a fama a justificar o crescimento do número de garrafas produzidas em cada colheita. Antes, houve outros vinhos, claro, como o Reguengos de Monsaraz 1972, o primeiro tinto da cooperativa e que também provámos.
O 1972, que não tem teor alcoólico indicado no rótulo, foi feito por Paulo Lourenço, um enólogo da antiga Junta Nacional do Vinho e que apoiou tecnicamente várias cooperativas alentejanas quando da sua fundação. Foi o primeiro vinho da adega. Quanto a castas, é muito provável que tenha Moreto, Periquita (Castelão), Tinta Caiada, entre outras.
O 1982, sem as indicar, diz que foi feito com “castas recomendadas” e no rótulo ainda menciona “vinho do Rei”. João Portugal Ramos entrou na cooperativa em finais dos anos 80, coincidindo com o crescimento de notoriedade da marca Garrafeira dos Sócios.
O 1989 é o primeiro vinho a surgir com a então muito recente denominação de origem Alentejo (VQPRD) e deixa ao mesmo tempo de se chamar Terras d’el Rei. Foi feito em depósitos de cimento e balseiros, uma vez que a adega, na época, ainda não possuía cubas inox.
Como curiosidade, refira-se que na prova efectuada verificámos que os vinhos dos anos 80 quase não deixam depósito na garrafa, ao contrário dos da década de 90 que mostram imensa precipitação. Não temos uma explicação conclusiva para esse facto.
A partir da colheita de 2001 o Garrafeira dos Sócios passa a centrar-se nas castas Trincadeira e Aragonez, com um toque de Cabernet Sauvignon. O 2003 é o primeiro a assumir a DOC Alentejo. Finalmente, desde a colheita de 2011 o vinho tem menos Trincadeira e Aragonez e mais Alicante Bouschet.
No conjunto, a prova do Reguengos Garrafeira dos Sócios revelou-se uma excelente surpresa que evidenciou o potencial da região do Alentejo para fazer vinhos que desafiam o tempo. E derrubam pre-conceitos…
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Reguengos Garrafeira dos Sócios
Tinto - 2014 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios
Tinto - 2013 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios
Tinto - 2012 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios
Tinto - 2011 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios
Tinto - 2003 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios VQPRD
Tinto - 2002 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios VQPRD
Tinto - 2001 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios VQPRD
Tinto - 2000 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios VQPRD
Tinto - 1998 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios VQPRD
Tinto - 1996 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios VQPRD
Tinto - 1995 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios VQPRD
Tinto - 1994 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios VQPRD
Tinto - 1993 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios VQPRD
Tinto - 1989 -

Reguengos Terras d’el Rei Garrafeira dos Sócios
Tinto - 1988 -

Reguengos Terras d’el Rei Garrafeira dos Sócios
Tinto - 1987 -

Terras d’l Rei Garrafeira dos Sócios
Tinto - 1984 -

Reguengos Garrafeira dos Sócios
Tinto - 1982 -

Reguengos de Monsaraz
Tinto - 1972
Edição Nº25, Maio 2019
A Touriga que é Nacional

A Touriga Nacional é uma casta de grande personalidade, capaz de produzir todo o tipo de vinhos – desde espumantes de alta qualidade até Vinhos do Porto. É expressiva, com muita frescura aromática, numa fina elegância que integra os traços inconfundíveis de violeta, bagas e citrinos de bergamota. Mesmo tendo o carácter varietal bem definido, […]
A Touriga Nacional é uma casta de grande personalidade, capaz de produzir todo o tipo de vinhos – desde espumantes de alta qualidade até Vinhos do Porto. É expressiva, com muita frescura aromática, numa fina elegância que integra os traços inconfundíveis de violeta, bagas e citrinos de bergamota. Mesmo tendo o carácter varietal bem definido, deixa transparecer o terroir, a abordagem enológica e até o estilo do produtor, sem perder a sua identidade. Nesta prova de 50 vinhos de Touriga Nacional, a grandeza e versatilidade da casta ficaram bem evidentes.
TEXTO Valéria Zeferino FOTOS Ricardo Gomez
A casta tinta mais nacional nem sempre foi apelidada como tal. Ao longo da sua existência teve muitas sinonímias em várias zonas do país – Tourigo e Touriga, Tourigo Fino e Touriga Fina, Mortágua, Preto Mortágua e até Azal. Considera-se que, precisamente, os nomes Tourigo e Mortágua indicam a origem da casta, ligando-a à região do Dão, onde existem duas localidades com o mesmo nome. De acordo com o Estudo de Ampelografia Portuguesa de 1865, a Touriga era de longe a casta mais plantada no Dão antes da filoxera.
As primeiras referências do seu cultivo surgem em 1790 por Lacerda Lobo e em 1791 é Rebelo da Fonseca que a caracteriza como “uma casta produtiva e de maturação precoce”. Vis¬conde de Villa Maior em 1865 elogia a Touriga, dizendo que “é excelente e dá vinho muito coberto, resiste ao oídio (…)”.
Em 1900, Cincinato da Costa referiu a variedade no seu monumental O Portugal Vinícola como “casta tinta de valor, geralmente aprecia¬da em todo o norte do país pelo grande rendimento que dá e a superior qualidade dos vi¬nhos que origina.” Dizia ainda que na região da Beira e em especial entre os rios Mondego e o Dão, “os vinhedos têm um cunho muito característico e são justamente afamados, é a Touriga a casta predominante (…)”.
O potencial enológico da Touriga Nacional foi com¬provado, o que não só a salvou da extinção, como fez dela o primeiro objecto de investigação clonal aprofundada em Portugal, que permitiu identificar do universo de 197 clones os melhores em termos de resistência a doenças, rendimento, açúcar, acidez etc.
O combate da filoxera obrigou o uso de porta¬-enxertos americanos, resistentes ao insecto malicioso. Esta medida, embora tenha resolvido o problema da praga, não foi particularmente acertada no caso da Touriga Nacional, reduzindo drasticamente a sua produtividade. A casta, com “muita parra e pouca uva”, passou de bestial a besta no meio dos viticultores, pois o rendimento baixíssimo (menos de 800 gramas por planta) não era comercialmente viável.
A recuperação da fama foi lenta e só aconteceu a partir de meados do século passado graças aos estudos de Gastão Taborda no Douro nos anos 50 (continuados posteriormente por José António Rosas e João Nicolau de Almeida) e Alberto Vilhena no Dão dos anos 60. O potencial enológico da Touriga Nacional foi com¬provado, o que não só a salvou da extinção, como fez dela o primeiro objecto de investigação clonal aprofundada em Portugal, que permitiu identificar do universo de 197 clones os melhores em termos de resistência a doenças, rendimento, açúcar, acidez etc.
ADAPTÁVEL MAS COM MUITA PERSONALIDADE
A Touriga dá-se bem em todos os tipos de solos, mesmo pesados e férteis. Continua a ser uma casta com vigor vegetativo notável e tem porte retumbante, crescendo para os lados, o que exige mais trabalho na vinha e pode causar danos físicos à planta em condições de ventos fortes. Para além do baixo rendimento, a Touriga Nacional ainda tem a tendência para o desavinho e a bagoinha, com abrolhamento e floração precoce, problemas que podem acentuar-se nas condições climáticas adversas na primavera. Actualmente, com conhecimento adquirido, é possível controlar o vigor e o rendimento através de clones e porta-enxertos apropriados e da poda correcta conforme as condições.
A Touriga Nacional amadurece algo tarde, sendo uma casta de ciclo longo, cujo amadurecimento completo às vezes pode ser comprometido pelo frio e chuvas de outono. Produz cachos pequenos de cerca de 100-200 gramas, raramente atingindo 250 gramas. Os seus pequenos e relativamente soltos bagos possuem uma película bastante grossa que é rica em polifenois e protege o bago do sol e do calor. É uma autêntica trabalhadora, resiste bem ao calor e continua a fazer fotossíntese até a última graças à elevada eficiência do uso da água. Entretanto, o stress hídrico tem que ser controlado, sobretudo quando combinado com calor excessivo. Nestas condições, a Touriga é sensível ao escaldão das folhas e tem tendência a livrar-se delas, expondo os cachos ainda mais ao sol.
N’O Portugal Vinícola, a Touriga é referida como uma casta aneira que produz muito num ano para dar pouco noutro. O enólogo Manuel Vieira (Caminhos Cruzados) não a considera aneira do ponto de vista enológico e é até bastante regular em termos qualitativos: não varia do óptimo para péssimo, antes oscila entre óptimo e muito bom ou bom. Tinta Roriz e Alfrocheiro, neste aspecto, são mais aneiras, diz Manuel Vieira. Mas o factor ano acaba por ser importante quando se quer fazer um vinho varietal de grande qualidade, repara o enólogo da Quinta do Crasto, Manuel Lobo. Como diz, e bem, Pedro Rodrigues, da Quinta dos Termos, a Touriga Nacional dá o que toda a gente quer: cor, álcool, tanino, acidez e um aroma atraente.
É uma casta terpénica pela concentração elevada de terpenos livres, responsáveis pelos aromas florais e frutados que, curiosamente, são mais intensamente encontrados sobretudo em variedades brancas como Moscatel, Gewurztraminer, Viognier ou Alvarinho.
A Touriga ainda é particularmente rica em norisoprenóide beta-ionona, associado ao aroma de violeta. Conforme os estudos do Instituto Superior de Biotecnologia, a concentração deste composto diminui com a presença de oxigénio, o que explica porque os aromas de violeta são mais evidentes quanto menos barrica se usa na vinificação.
Sabe-se também que a nossa Touriga é atreita a desenvolver fenóis voláteis (o desagradável aroma de suor de cavalo) por ter grande teor de ácido ferúlico e cumárico, utilizados no metabolismo de brettanomyces. Se, ainda por cima, o vinho for estagiado em barricas novas que mais rapidamente absorvem o sulfuroso, é preciso um controlo redobrado.
A Touriga funciona bem nos vinhos de entra¬da de gama por ter um aroma imediatamente atractivo e ser naturalmente muito equilibra¬da. Mas existem Tourigas que evoluem muito bem. Manuel Lobo atribui à Touriga uma longevidade média, já Graça Gonçalves afirma que na Quinta do Monte D’Oiro tem Tourigas de 2004 e estão óptimas, e Manuel Vieira lembra-se de provar no final dos anos 80 as mini-vinificações de Touriga Nacional feitas nos anos 50 pelo Eng.º Vilhena em Nelas, que estavam de perfeita saúde.
A TOURIGA E A BARRICA
“Touriga é uma casta muito plástica, capaz de dar vinhos bem diferentes uns dos outros. Sem barrica dá vinhos elegantes, mas também tem especial apetência pela barrica, não se deixa comer pela madeira. Tem personalidade, é uma casta criativa.” – defende Manuel Vieira. O enólogo costuma fazer maceração pré e pós-fermentativa, ao que Touriga responde bem. Utiliza barricas de primeiro, segundo e terceiro ano, prefere tosta média, mas varia o nível de tosta para fazer um lote final.
Já Manuel Lobo indica que a casta não tem muito tanino, comparativamente com a Tinta Roriz ou Touriga Franca. Às vezes falta-lhe um pouco de dimensão e de persistência e não tem camadas como algumas outras castas. Precisa de madeira para lhe conferir algum tanino, mas prefere barricas com porosidade apertada e não gosta de tosta muito elevada.
Graça Gonçalves menciona que a Touriga Nacional se porta muito bem na fermentação alcoólica, costuma ser a mais rápida a atingir o pico, por isto é necessário um bom arrefecimento na vinificação. Tem uma cor fabulosa, mas perde-a com alguma facilidade por não ter muito tanino a fixar antocianinas. Prefere Touriga em barricas usadas, mas utiliza 30% de barrica nova com tosta média.
Na Quinta dos Termos opta-se por um lote de barricas de carvalho francês e húngaro. Pro¬curam “não matar a frescura”. Utilizam madeiras com tempo de secagem longo (8 anos) pela convicção que é preferível do que usar uma barrica velha com poros saturados, ex¬plica Pedro Rodrigues.
Bernardo Cabral, enólogo da Companhia das Lezírias, afirma que quando é feito um bom trabalho de campo, a Touriga equilibra-se bem na adega. Não gosta de utilizar carvalho americano, que mascara a personalidade da Touriga Nacional, ao contrário do carvalho francês que eleva a casta. E sempre tem uma parte sem barrica para compor o lote final.
Na opinião do enólogo e produtor António Maçanita é o perfil aromático que define a casta, por isto não utiliza barrica para preservar a pureza dos aromas varietais. “É mais difícil fazer uma grande Touriga de concentração do que uma Touriga igual a si própria. Não vale a pena forçar. Há outras castas para potência”, refere.
MANTENDO O CARÁCTER REGIONAL
O terreno do Douro com um número infinito de exposições multiplicadas por diversas altitudes permite fazer um lote de vinhas como, por exemplo, acontece na Quinta do Crasto. Utilizam uvas oriundas das três vinhas com exposições diferentes: uma virada a nascente, outra a sul e a terceira apanha um pouco de exposição norte. As vinhas ficam à altitude de cerca de 300m, que parece ser a ideal, por¬que estão afastadas dos calores das cotas baixas, mas sem comprometer a maturação. Como as vinhas não são rega¬das, é importante que em baixo do xisto, a um metro de profundidade, exista argila que retém água do inverno.
No mais húmido Dão, a resistência da casta às chuvas é um requisito importante. Manuel Vieira explica que a película da Touriga Nacional é bastante elástica e não deixa o bago rebentar quando incha, como acontece com Alfrocheiro. A Touriga Nacional do Dão tem frescura, equilíbrio e complexidade. Os aromas raramente chegam a lembrar fruta em compota. O clássico aroma ao citrino bergamota é para Manuel Vieira associado a pouca maturação.
António Maçanita trabalha com Touriga Nacional em duas regiões. No Alentejo, inicialmente andava à procura da concentração na Touriga. Em 2015 ficou impressionado com o seu perfil aromático (pétalas de rosas, flor de laranjeiro), quando vindimada mais cedo.
A partir daí privilegia a elegância à concentração. No Douro, a sua Touriga do Cima Corgo também só estagia em inox para acentuar os aromas, mas a do Douro Superior tem mais consistência e estrutura, por isto já utiliza alguma barrica.
Segundo Pedro Rodrigues, na Beira Interior a Touriga demora muito a amadurecer, sendo geralmente das últimas a ser colhida. A acumulação de açúcares não acontece rápido, por isso tem tempo para desenvolver os aromas. Mesmo que chova não há problema, porque resiste à chuva. Considera que o factor ano é importante para o perfil do vinho monovarietal. Em 2016 conseguiram o perfil que tanto procuravam – leve, elegante e aromático.
A TOURIGA E O CONSUMIDOR
Nas lojas de vinhos nacionais os consumidores, normalmente, não procuram os vinhos pela variedade, diz Vanessa Neves da garrafeira Empor Spirits & Wine em Lisboa, mas quando se sugere a Touriga Nacional a maioria reconhece e valoriza a casta. Ivone Ribeiro, a proprietária da garrafeira Garage Wines em Matosinhos, nota que há algum interesse pelos monovarietais, quando o consumidor vai à procura da essência das castas. Alguns grupos de clientes até se juntam para provar, por exemplo 10 Tourigas diferentes.
Ambas apontam que a casta funciona sempre bem como opção de oferta. Os Tourigas estruturados e com madeira normalmente impressionam, mas os consumidores mais “exigentes” ou com mais conhecimento de marcas e estilos procuram Touriga mais fresca e elegante.
Mesmo tendo muito orgulho na nossa Touriga Nacional, temos que ter noção que para maioria dos consumidores estrangeiros a casta continua uma ilustre desconhecida. Marco Alexandre – diretor do Table Group com 8 restaurantes no centro de Lisboa, onde 95% da clientela é internacional, afirma que os estrangeiros procuram mais aquilo que conhecem – Sauvignon Blanc, Chardonnay e Cabernet Sauvignon. Mas aceitam provar um vinho de Touriga Nacional quando é sugerido e normalmente gostam.
Inegável é o facto de que, entre as mais de 250 castas portuguesas, a Touriga Nacional é a variedade tinta que possui mais notoriedade e imagem mais consolidada entre os enófilos e os profissionais. O ritmo de crescimento da Touriga nas novas plantações é o reflexo disso mesmo. E lá fora, é quase sempre a casta bandeira do país, autêntica embaixadora quando se fala de vinhos de Portugal. Elegante, personalizada, impositiva, exuberante (demasiado, por vezes), a Touriga Nacional não deixa ninguém indiferente.
Cada vez mais plantada
Em 1989 (há 30 anos) a Touriga Nacional nem sequer fazia
parte das 15 castas mais plantadas de Portugal, ou seja,
representava menos de 1% dos encepamentos nacionais
(na altura a lista era liderada por Fernão Pires, Castelão e
Baga com 9, 8 e 5% respectivamente).
De acordo com os dados mais recentes do Instituto da
Vinha e do Vinho, a Touriga Nacional subiu ao terceiro lugar
(a seguir a Aragonez e Touriga Franca) e ocupa 13.032 ha, o
que corresponde a 7% da plantação nacional. A maior área
da Touriga está no Douro – 4.524 ha. No Dão é a 2ª casta
mais plantada, a seguir à Jaen, com 3.191 ha. No Alentejo
ocupa 1.313 ha, em Trás-os-Montes 1.169 ha, ficando as
Beiras (Bairrada + Beira Interior) com 930 ha, a região de
Lisboa com 646 ha e o Tejo com 504 ha.
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Quinta do Pinto
Tinto - 2015 -

Quinta da Lapa
Tinto - 2015 -

Quinta das Estrémuas
Tinto - 2010 -

Monte da Caçada
Tinto - 2016 -

Castelo de Azurara
Tinto - 2014 -

Bridão
Tinto - 2016 -

Adega de Pegões
Tinto - 2016 -

Sanguinhal
Tinto - 2015 -

Quinta da Cuca
Tinto - 2016 -

Quinta da Caldeirinha
Tinto - 2015 -

Borges
Tinto - 2016 -

Adega Mayor
Tinto - 2016 -

A Touriga Vai Nua Unoaked
Tinto - 2018 -

Adega Mãe
Tinto - 2016 -

Tyto Alba Vinhas Protegidas
Tinto - 2015 -

Touriga Nacional da Peceguina
Tinto - 2015 -

Terras de Sto. António
Tinto - 2015 -

Ribeiro Santo
Tinto - 2014 -

Quinta dos Termos
Tinto - 2016 -

Quinta de S. José
Tinto - 2016 -

Quinta de Saes
Tinto - 2015 -

Quinta do Monte d’Oiro
Tinto - 2015 -

Quinta das Marias
Tinto - 2015 -

Quinta dos Carvalhais
Tinto - 2017 -

Quinta do Cardo
Tinto - 2016 -

Herdade do Rocim
Tinto - 2017 -

Fonte do Ouro
Tinto - 2016 -

Elpenor
Tinto - 2014 -

Casa Burmester
Tinto - 2016 -

Vale da Raposa
Tinto - 2015 -

Quinta de Ventozelo
Tinto - 2016 -

Quinta da Romaneira
Tinto - 2016 -

Quinta de Lemos
Tinto - 2010 -

Paulo Laureano Selectio
Tinto - 2013 -

Passadouro
Tinto - 2016 -

Cortes de Cima
Tinto - 2015 -

CH By chocapalha Vinhas Velhas
Tinto - 2016 -

Vallado
Tinto - 2016 -

Quinta do Portal
Tinto - 2003 -

Quinta do Noval
Tinto - 2016 -

Quinta do Cume
Tinto - 2015 -

Monte Meão Vinha dos Novos
Tinto - 2016 -

Allgo
Tinto - 2016
Edição Nº25, Maio 2019
O Dão de Carlos Lucas, e a Quinta de Santa Maria

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Não é o mais antigo produtor do Dão, mas o vinho não escolhe idades. Com um portefólio diverso, de qualidade mais do que comprovada, Carlos Lucas continua a adquirir terreno e a alargar os horizontes da empresa.
TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA Luís Lopes e Mariana Lopes FOTOS Anabela Trindade

Há vinhos que se associam a um homem e um não faz sentido sem o outro. Condição sine qua non. É o caso do Ribeiro Santo e de Carlos Lucas, dois nomes que juntamos desde o ano 2000, data do primeiro vinho assim baptizado. Localizada em Oliveira do Conde, Carregal do Sal, a Magnum Carlos Lucas Vinhos materializa-se numa adega bonita e discreta, mas moderna e prática, bem ao estilo pragmático do seu mentor. Mas é aqui que esta palavra se torna plural: mentores. Sempre ao lado de Carlos Lucas está Carlos Rodrigues e, juntos, estes dois enólogos criam vinhos no Dão e também além das suas fronteiras, essencialmente no Douro (com os vinhos Baton) e no Alentejo (origem dos Maria Mora).
Carlos Lucas iniciou a sua carreira em enologia em 1992, na Adega Cooperativa de Nelas, após ter concluído a formação em Montpellier. Um par de anos mais tarde, dedicou-se à fundação e administração de outros projectos, uma era que culminou na criação da empresa que tem o seu nome, em 2011, e à qual acoplou a marca Ribeiro Santo. Enquanto tudo isto, várias consultorias tomaram lugar e também a responsabilidade pelo projecto Quinta da Ala¬meda de Santar, que partilha com o amigo Luís Abrantes. Carlos Rodrigues, por sua vez, é bairradino e foi nessa região começou a actividade enológica, sob a orientação de Mário Pato, um dos primeiros enólogos a ensinar o ofício em Portugal. Provavelmente foi essa vivência que o fez ligar-se tanto à investigação e participar em vários estudos científicos. Apesar de ter feito vinhos em várias regiões do país, foi na Bairrada que se afirmou como “mestre” em espumantes, experiência que hoje aplica na Magnum Vinhos.
A QUINTA DO RIBEIRO SANTO
Conta a história que nesta quinta havia um ribeiro que nunca parava de correr, nem nos anos mais secos. Tendo outrora sido quinta de fidalguia, foi depois adquirida por um padre, que crismou esse ribeiro e o tornou “santo”. Mais tarde, em 1994, a Quinta do Ribeiro Santo tornou-se propriedade da família de Carlos Lucas, que encetou a reconversão das vinhas. Plantadas, no solo de granito pobre, estão as uvas tradicionais do Dão, as tintas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinto Cão e a branca Encruzado. Além do vinho homónimo, é desta quinta que saem nomes como Automático, Envelope e o icónico E.T. (nome que vem de Encruzado e Touriga Nacional), entre outros.
A produção anual já vai nos 200 mil litros, mas Carlos Lucas revelou que vão “duplicar a capacidade das cubas de inox até ao Verão”, o que significa que esse número continuará a crescer. Para fora de Portugal vai 60% dessa produção, principalmente para o Brasil, que é o melhor mercado da Magnum Carlos Lucas Vinhos. No entanto, “as vendas crescem cada vez mais nos países da Europa e nos Estados Unidos”, disse o enólogo.
APOSTANDO NA REGIÃO, E NÃO SÓ…

Foi com as aprendizes e jovens enólogas Natália Korycka e Nádia Rodrigues que Carlos Lucas nos levou à Quinta de Santa Maria, propriedade adquirida por si em Maio de 2018. São dez hectares em Cabanas de Viriato, uma vila com um encanto muito próprio, daquele que só as pequenas localidades do Dão comportam, com as casas em pedra onde o sol reflecte e reluz ao amanhecer. Com muita história, Cabanas de Viriato é o berço de Aristides de Sousa Mendes, cuja casa ainda lá figura.
O primeiro impacto ao pôr os pés no terreno é a deslumbrante vista para a Serra da Estrela, em plano de fundo. A quinta, murada em todo o seu redor, tem vinhedos com 18 anos e esteve abandonada durante cinco, antes de passar para as mãos da Magnum Vinhos. Era posse de uma família de Nelas que lá tinha raízes e Carlos já conhecia bem o potencial daquelas parcelas, tendo sido ele a plantá-las quando do seu anterior projecto. Rodeadas por oliveiras e retalhos de bosque, as uvas são 30% brancas e 70% tintas, com Encruzado, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinto Cão a crescer no solo típico da região, pobre, granítico e arenoso, de raízes superficiais. Mas ainda há planos para plantar mais Encruzado nos espaços livres, deixando sempre as manchas de pinheiros bravos. “A partir de agora, tudo o que eu puder plantar será branco”, revelou Carlos Lucas.
Caminhando pela propriedade adentro, chega-se a uma adega antiga, ainda intocada, que será remodelada, mantendo o seu carácter tradicional. Depois, uma casa que parece descansar ali há muito tempo… Virando a sua esqui¬na, somos surpreendidos por uma pérgola de granito coberta por musgos, condição própria de um habitat que está quase sempre à sombra da casa. O interior está “romanticamente” abandonado, com algum mobiliário velho e esquecido, e algumas garrafas de vinho, de outro tempo, partidas no chão. E é quando passamos para a frente desta que entendemos tudo: aquele local tem um grande potencial para enoturismo e Carlos Lucas sabe disso. Toda essa zona, protegida por árvores, convida a um almoço “on site” descontraído a olhar para as videiras, harmonizado com os vinhos Magnum. “Vamos remodelar a casa e construir mais quartos no meio da vinha, para que o visitante possa ter aqui a experiência completa”, adiantou Carlos Lucas. Mas esta quinta tem um objectivo maior: fazer um vinho de topo, um Vinha Santa Maria. Por enquanto, temos de esperar por ele.
A expansão, no entanto, não acaba aqui. Foi em jeito de notícia em primeira mão que o enólogo nos contou que 109 hectares, no Douro, já são seus, dez desses de vinha. “Eu não quero ser a maior empresa, quero ter credibilidade, bons vinhos e uma equipa feliz”, confessou. Daquilo que apurámos, parece que tudo se confirma.
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Edição Nº25, Maio 2019
Vercoope, uma adega muito especial

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Que caso especial é este? De facto, não existe nenhum projecto semelhante em Portugal. E existe há umas boas décadas na região dos Vinhos Verdes, embora poucos enófilos o conheçam. Veja o relato de uma associação que não só teima em singrar, como está apostada em fazer mais e melhor.
TEXTO António Falcão NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS Anabela Trindade
Em Portugal, a maioria das cooperativas vitivinícolas nasceu nos anos 60 do século passado. Nestas últimas décadas, a história encarregou-se de validar este modelo empresarial (e social) e, olhando para trás, chegamos à conclusão de que foram muitas as que, entretanto, tombaram, caindo no esquecimento dos consumidores. Sobretudo por falhas de gestão, e, dentro destas, por falta de capacidade comercial.
Nos anos 60, um conjunto de seis cooperativas da região dos Vinhos Verdes teve a visão de se associar para, em conjunto, conseguirem ter mais força no mercado. Assim nasceu a Vercoope, criada em 1964 e que reuniu sete adegas cooperativas: Alto Cávado, Amarante, Felgueiras, Guimarães, Paredes, Vale de Cambra e Vila Nova de Famalicão. Algumas tinham já anos de laboração, como Felgueiras e Amarante. Outras tinham acabado de nascer.
O objectivo era o de criar uma espécie de braço comum para receber os vinhos vinificados por cada um dos associados, fazer os respectivos lotes, engarrafar e tratar de todo o marketing e da comercialização do vinho.
Esta filosofia de funcionamento seria pouco comum nos dias de hoje, mas nos anos 60 terá certamente sido extraordinária. Melhor ainda, o projecto foi singrando ao longo dos anos e hoje mantém-se de pedra e cal. Implica entre 4.000 e 5.000 viticultores e muita gente se teria questionado que, se não tivesse existido a Vercoope, quantas destas adegas ainda estariam vivas…
A Cooperativa de Felgueiras é a maior por boa margem e por isso não espanta que o administrador da Vercoope tenha vindo de lá.
DA VINHA ATÉ À ADMINISTRAÇÃO
A ‘cabeça’ da Vercoope chama-se Casimiro Alves e é engenheiro agrónomo de formação. Teve, contudo, um percurso muito sui generis, quase sempre ligado à Adega de Felgueiras: começou na vinha, mas passou depois para a adega, como enólogo. Algum tempo depois transitou para a área comercial, antes de entrar, em 2011, como administrador da Vercoope. Ou seja, Casimiro conhece todo o processo de produção e, melhor ainda, os meandros da comercialização. Esse conhecimento certamente lhe faz muito jeito no dia a dia, nomeadamente no relacionamento com João Gaspar, o enólogo residente da Vercoope.
O trabalho de João passa fundamentalmente por provar (e analisar) os vinhos nas respectivas adegas e depois fazer lotes, já nas instalações da Vercoope. A maioria do vinho vem das adegas em monocasta e o facto de ir para lote ou ser engarrafado como varietal é depois decisão de João Gaspar, que toma resoluções depois de consultar a área comercial e de gestão. Em alguns casos, João faz lotes de meio milhão de litros, como o Escolha da marca Via Latina.
No total, contudo, a Vercoope produz anualmente cerca de 9 milhões de garrafas.
UMA ADEGA DE GENEROSO TAMANHO
Já se adivinha que, para armazenar e engarrafar todo este vinho, a adega tem de ser grande. E é de facto enorme, ocupando vários pavilhões industriais junto à estrada nacional 105, vizinha à povoação da Agrela, concelho de Santo Tirso. Estas instalações foram inauguradas em 1980, mas já foram alvo de muitas obras. Como as que foram feitas para acomodar as duas linhas de engarrafamento, usadas não só para os produtos da casa, mas ainda para algumas marcas feitas pelas próprias adegas associadas. Ou ainda para terceiros. Uma das linhas consegue 5 a 6 mil garrafas/hora; a outra, mais moderna e totalmente automatizada, de 8 a 10 mil. Estas linhas trabalham praticamente to¬dos os dias da semana.
A adega inclui um laboratório bastante completo, agrupando a parte química e microbiológica. “Todos os dias se fazem aqui análises, de vinhos a encher até vinhos que recebemos”, diz o administrador. E continua: “os vinhos são pagos consoante a qualidade; aqui fazemos a parte laboratorial; a prova organoléptica é feita na Comissão de Viticultura, no Porto”.
O quê? Análises? Químicas e sensoriais? E de repente, nós paramos, atónitos.
UM MODELO BASEADO NA RESPONSABILIDADE
Pois é, apesar de os fornecedores serem associados (leia-se, sócios), aqui não há facilidades. Ou o vinho que vem das adegas é bom, e o preço compensa, ou é fraco e mal se paga a si mesmo. E os parâmetros de análise são os mais completos que vimos até hoje. Refira-se que a prova sensorial na Comissão dos Vinhos Verdes é cega: os provadores/avaliadores não sabem o que estão a provar. Este serviço, claro, é pago pela Vercoope.
Quer isto dizer que se um vinho não vier em condições, ele pode nem ser pago pela Vercoope ao associado. É para se ver a seriedade com que se trabalha aqui; ou seja, não existem filhos e enteados. “Trabalhamos em clima de confiança total com os nossos accionistas”, garante o administrador.
O preço base do litro adquirido ronda os 75 cêntimos para o branco (o tinto é mais barato) e depois pode ir valorizando até quase ao euro. A única excepção é a casta Alvarinho, que vale quase o dobro. A propósito, a Vercoope também tem Alvarinho de Monção e Melgaço, mas adquire-o na região a produtores locais.
Embora possam parecer baixos, estes preços são compensadores para os associados. De tal maneira que, segundo nos revelou José Sequeira Braga, presidente da Adega de Guimarães e membro da administração da Vercoope, não existem grandes tentações de os próprios accionistas fazerem, por exemplo, o seu vinho ‘especial’ à margem da Vercoope.
EM CONSTANTE CRESCIMENTO
A adega foi sendo remodelada ao longo dos anos, no sentido de melhorar as condições, modernizar a tecnologia e criar condições para certificações cada vez mais exigentes. E agora vai ser ampliada, diz-nos Casimiro. Mais milhão e meio de litros de armazenagem, mas também para fermentação de mostos fora de época. Os mostos são amua¬dos (não se deixam fermentar por acção de sulfuroso) e vão sendo fermentados à medida das necessidades. Isto é benéfico para vinhos de baixa gama, que ficam assim com fruta mais fresca e maior vivacidade. A parte técnica também vai receber novos equipamentos, para aumentar a eficiência e a qualidade dos vinhos. Este ano e nos próximos a Vercoope vai investir 300.000 euros por ano.
Em termos de quantidades, a adega está a receber 10% mais vinho todos os anos. O enorme crescimento vem da reconversão e novas plantações nas vinhas/terras dos associados das respectivas adegas. Este ano deverá superar-se a barreira das 10 milhões de garrafas.
As vendas crescem também mais de 10% ao ano. “Não há muita gente que se possa orgulhar disto”, garante Casimiro Alves, visivelmente satisfeito. Os pagamentos às adegas associadas são por isso rápidos e já ocorreram casos que foram antecipadas, por alguma necessidade pontual. A Vercoope tem estofo financeiro para isso…

3 VINHOS NO TOP 10 DA REGIÃO
As grandes marcas da casa são duas: Via Latina e Pavão. Mas aqui que são também feitas outras referências muito importantes, como Terras de Felgueiras e Urbe Augusta (esta exclusivo Pingo Doce), as duas com mais de um milhão de unidades por ano. A Via Latina vai, na sua maioria (60%), para a exportação, com a Rússia à frente. Todas as outras marcas são muito fortes no mercado interno. No total, a Vercoope tem 3 marcas no top 10 da região.
Só para se ter uma ideia do que tem sido o percurso desta empresa, há 15 anos, por vasilhames, a casa vendia um terço em garrafão, outro terço em garrafa de litro e o restante na normal garrafa de 0,75l. Hoje é quase tudo em garrafa de 0,75. “Ainda não conseguimos acabar com o garrafão, porque alguns clientes, incluindo internacionais, o exigem”, explica Casimiro Alves. Outra exigência do mercado é o vulgar gás adicionado a praticamente todos os vinhos da casa na altura do engarrafamento.
UMA CASA A AUMENTAR EM VELOCIDADE
Casimiro diz-nos ainda que “as vendas estão a correr bem e diversificamos bastante o nosso portefólio, com vários varietais e bi-varietais (Alvarinhos, Loureiro, Azal, Arinto, Espadeiro, etc), Escolhas e Grandes Escolhas…” O monocasta que mais vende é o de Loureiro, mas é a uva Arinto a mais usada nos vinhos da Vercoope. Vai é sobretudo para lotes…
Em termos de mercados, a VVV apenas exporta cerca de 30% da produção. O objectivo, contudo, é aumentar este valor, tarefa a cargo de José Castro, responsável de exportação: “queremos vender este ano 3 milhões de euros em exportação”.
A nossa visita chega ao fim. Não vimos um pé de vinha, quase não se falou em terroir, solos ou climas. São temas importantes, claro, mas aqui na Vercoope o fulcro é manter esta associação de boa saúde para que possa cumprir os seus encargos e que sobre espaço para crescer. Afinal, tal como qualquer empresa que se preze. O que lhe falta? O bem-disposto Sequeira Braga diz na brincadeira que falta “um brasão no portão, o palacete, o charme”. Casimiro Alves pensa em outros voos, como os de fazer conseguir aumentar paulatinamente o preço médio dos vinhos. Afinal, diz ele, “os nossos vinhos têm vindo a melhorar bastante”.
Edição Nº25, Maio 2019
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Lua Cheia em tom de Bronze

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De uma quinta em Vale Mendiz e de uma vinha de Barcelos, surgem agora o tinto Quinta do Bronze e o Maria Bonita Barrica Loureiro. Dois vinhos que mostram muito bem a versatilidade da Lua Cheia em Vinhas Velhas e do enólogo Francisco Baptista.
TEXTO Mariana Lopes FOTOS cortesia do produtor
Como tantas estórias do mundo do vinho, esta começa com um “bicho atrás da orelha”. O projecto Lua Cheia em Vinhas Velhas (LCVV) iniciou-se em 2009, fruto da paixão de dois bairradinos, Francisco Baptista e Manuel Dias, pela região do Douro, com vinhos brancos da zona de Murça. Em 2010 já tinham adega, em Martim, e em 2012 já faziam Alvarinho em Monção. Um ano depois, puseram pé no Alentejo e, em 2015, no Dão. Daí nasceram marcas já bem consolidadas como Lua Cheia, Andreza, Poseidon, Maria Bonita, Maria Papoila ou Insurgente, entre outras. Mas foi algures entre todas essas aventuras que teve início a que deu origem aos dois novos vinhos, lançados em Março.
“Queríamos adquirir uma propriedade para tintos, uma que fosse mesmo nossa”, contou Francisco Baptista, enólogo da LCVV. Esse desejo foi concretizado em 2012, com a compra de 12 hectares de vinha (agora já são mais) em Vale Mendiz, no Cima Corgo do Douro. Na altura eram vinhas com 15 e 30 anos, a 350 metros do rio, das quais Francisco e Manuel queriam fazer um vinho que se identificasse com a sua filosofia, um tinto menos pesado, com equilíbrio. Desde o início que fizeram vários ensaios: começaram pela zona mais baixa e foram subindo, até encontrarem a identidade que procuravam. Mas só com a colheita de 2015 sentiram que acertaram no perfil e na qualidade, surgindo daí o Quinta do Bronze tinto 2015. De Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinto Cão, este vinho estagiou em barricas durante 24 meses e esteve um ano em garrafa, tendo sido feitas cerca de 6 mil garrafas. Recentemente, Francisco Baptista deu início à limpeza de ruínas presentes na quinta e, para sua surpresa, encontrou lagares de xisto e prensas, tudo muito antigo. A propriedade tem também uma vinha centenária, da qual o enólogo aproveita material vegetativo, para reprodução.

A génese do Maria Bonita Barrica Loureiro 2017 é também ela curiosa. Em 2011, a LCVV fez uma parceria com um hospital psiquiátrico, e uma ordem religiosa de Barcelos, que tinha vinhas nos seus terrenos. A primeira resolução foi reabilitar os vinhedos e plantar Loureiro. “Queríamos que os pacientes se sentissem num espaço bonito e à vontade para passear naqueles 34 hectares de vinha”, contou Francisco Baptista. Trinta desses hectares são, neste momento, de Loureiro e quatro de Sauvignon Blanc e Alvarinho. Por trás do hospital-convento, havia patamares de Loureiro com 35 anos e Francisco decidiu fazer algo diferente dessa uva: fermentou-o em barricas usadas, vindas do Douro. Assim, este Maria Bonita estagiou oito meses nessas barricas e mais oito em garrafa, materializando-se em 2 mil exemplares.
A Lua Cheia em Vinhas Velhas tem já uma multiplicidade de faces, é certo, mas ainda não fica por aqui. Francisco Baptista descortinou, entusiasmado: “Estamos prestes a fazer Baga, na Bairrada. Para nós, faz todo o sentido”.
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[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]Edição Nº24, Abril 2019
O legado do senhor Isidro de Albernoa

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Vale Travessos é uma nova marca de vinho lançada pela família Soares, proprietários da Malhadinha Nova e da Garrafeira Soares. Este é um projecto de nicho, feito com uvas de videiras muito velhas, plantadas e cuidadas durante décadas por um pedreiro e viticultor de Albernoa, o senhor Isidro.
TEXTO: António Falcão
NOTAS DE PROVA: João Paulo Martins
FOTOS: Garrafeira Soares

À beira dos 90 anos, Isidro Patriarca, pedreiro e viticultor/produtor de vinhos nas horas livres, decidiu vender as suas vinhas em Albernoa, numa zona a que chamam de Courelas de Valtravessos. A família Soares – quase vizinha com a sua Malhadinha Nova – soube disso e foi visitar o local. Falamos de vinhas muito velhas, com a maioria das plantas a terem muito perto de 70 anos de idade. Sabe-se a idade certa porque foi Isidro que as plantou, tinha ele 20 anos. Ou ajudou a plantar, nos casos das parcelas anexas dos irmãos, que foi comprando ao longo dos anos. Na altura usava-se apenas a plantação directa e as vinhas nunca viram arames na vida. Mais tarde, quando começaram a existir falhas ao longo dos anos, Isidro já plantava com o que ele chama de “bravo”, com a “mãe americana”, resistente à filoxera. A vinha tem, como se esperava da altura, uma mistura de castas, mas estava em muito bom estado e o negócio fez-se. Englobou a vinha, oliveiras, árvores de fruto e a motorizada Macal de Isidro, já completamente restaurada pelos Soares num artista especializado algarvio.
Isidro tem pena de não ter continuado com a vinha, mas, apesar de se mexer e falar como se tivesse menos 20 ou 30 anos, não tem sucessores para continuarem o seu trabalho. Os seus 4 filhos estão longe (alguns no estrangeiro) e a mulher (“a minha companheira”) faleceu há alguns anos: “estou a cansar-me para quê?”, diz-nos ele com olhar triste. Mas rapidamente recupera o sorriso porque vê-se que gosta de contar a sua história e sabe fazê-lo com fala fácil e pensamento escorreito. E depois porque veio de fato ao lançamento do vinho, onde muita gente lhe fazia perguntas. Confessa-nos que ficou contente por terem sido os Soares a ficar com a vinha. Porque sabe que vai ser bem tratada. Paulo Soares, um dos dois irmãos à frente da malhadinha Nova, calcula que será a vinha mais velha (ou lá próximo) do Baixo Alentejo.
POUCO MAIS DE MIL GARRAFAS
Os primeiros vinhos saíram agora, com a marca Vale Travessos, um branco e um tinto da colheita de 2016. Foram apenas 370 garrafas de tinto e 670 de branco, feitos de maneira ligeiramente diferente: em vez das talhas do sr. Isidro, usou-se inox e estágio em barricas. A coordenação esteve a cargo de Nuno Gonzalez, o enólogo residente da Malhadinha, e a supervisão do experiente Luis Duarte.
O modo de venda é a caixa de 3 garrafas, duas de branco e uma de tinto.
O resultado é, quanto a nós, muitíssimo interessante, mostrando a elegância e estrutura fina dos vinhos das vinhas muito velhas. E os taninos muito polidos nos tintos. Como se tivessem nascido prontinhos a serem bebidos. Sem arestas. Isidro Patriarca também gostou muito e não hesitou: “gosto mais destes do que os vinhos que eu fazia”. Mas sem vergonhas, considera que não tinha as mesmas condições, nem o mesmo conhecimento: “a vindima era quando tinha tempo, a fermentação nas talhas começava sozinha e só lá ia uma vez por dia (às vezes nem isso)!” Controlo de temperatura? Leveduras? Remontagens? Não havia, ou quase, mas também não há problema: o vinho que ia para fora esgotava rapidamente. O que ficava em casa apenas durava alguns meses.
Hoje, Isidro já não tem vinha, nem oliveiras, nem árvores de fruto para tratar. Entretém-se a fazer uns biscates lá na terra, a arranjar uma parede, mexer num chão, e vai convivendo no café com outros reformados da vida. Mas o resultado do seu trabalho de sete décadas continua a falar por si, do seu amor à terra. E a dar fantásticos frutos.
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[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]Edição Nº24, Abril 2019
Na casa do Tio Pepe

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Poucas garrafeiras em Portugal se podem gabar de uma notoriedade tão positiva como a Tio Pepe, no Porto. Existe há mais de 30 anos e é um exemplo de bem escolher e bem servir.
TEXTO António Falcão FOTOS Anabela Trindade
[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
Não é difícil encontrar o nº 51 da Rua Eng. Ferreira Dias. O exterior da garrafeira Tio Pepe é suficiente¬mente imponente para chamar à atenção. E fica¬mos logo impressionados pelo parque de estacionamento privativo, logo à porta. É verdade que a Tio Pepe tem uma boa loja online com entregas em casa do cliente, mas sabe sempre muito bem, quando se quer comprar à vista, carregar a mala do carro em poucos segundos.
O aspecto interior é fenomenal, a começar pelo chão, de calçada à portuguesa afagada e depois tratada com uma espécie de verniz. O efeito não só é bonito como é prático. Toda a decoração é sóbria, mas elegante, e os expositores das garrafas são de boa feitura. Nada agride a vista do enófilo nesta garrafeira.
Tudo está climatizado, especialmente um espaço especial, a “sala dos Portos”. Contém um notável conjunto de vinhos do Porto e outros vinhos generosos (como Madeira). “Esta sala é a menina dos nossos olhos”, confessa Ana Ferreira, a gerente da loja. Luis Cândido não hesita “temos uma selecção muito forte”.
Ana responde ao seu chefe, o sócio-gerente Luis Cândido da Silva, que nos disse que a garrafeira nasceu em 1986, com origem num negócio de vinhos levados pelos seus pais. Luis entrou logo no negócio, onde estava com a sua mãe. Mais tarde entrou o outro sócio, o irmão, Joaquim Cândido da Silva, e ambos ficaram a sós com o negócio em 1995. No mundo do comércio do vinho português não deverá existir dupla de manos mais conhecida como esta. Joaquim, já agora, é o director-geral da distribuidora Portefólio Vinhos, propriedade da família Symington. Finalmente, há um terceiro sócio, que é Dirk Niepoort.
A equipa está completa com Ana Ferreira, gerente da loja, que entrou para a casa há 11 anos. Com ela está Isa. Ambas têm formação em vinha e vinho (Biotecnologia da Católica, por exemplo, cursos de prova) e isso vê-se em quem procura conselho e conhecimento. Ana diz-nos que “existem muitos clientes que se seguem os nossos conselhos”. A maior parte dos clientes é privada; clientes empresariais só mais no Natal.
[/vc_column_text][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”37729″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]TUDO É ESCOLHIDO
Nenhum vinho corrente entra na garrafeira sem que alguém da equipa o prove primeiro. O portefólio é vasto e, segundo Ana Ferreira, “tem um bocadinho de tudo, para todo o tipo de cliente na gama média-alta”. De facto, o vinho mais barato custa quase 4 euros. Mas, no fundo, vende-se mais Douro e Alentejo. Dão e Bairrada vão a seguir. E os brancos vendem-se cada vez mais: “tem aumentado bastante o consumo de brancos, em paralelo com o aumento do conhecimento dos consumidores”. Os tintos representam, ainda as-sim, 80% das unidades vendidas. Outro crescimento curioso, diz-nos Ana, é a “procura por vinhos antigos”.
No total, garante Luis Cândido, “temos aqui 3.500 referências”. A loja online acaba por vender muito bem, mas, curiosamente, funciona também como um magneto para atrair pessoas à loja física: “o cliente vê no site e vai à loja”, diz Ana Ferreira com um sorriso.
As actividades na casa são muitas, incluindo um interessante calendário de provas. O formato foi mudando ao longo do tempo e neste momento estabilizou num “histórias contadas pelo vinho”, por inscrição paga. O produtor/enólogo conta a sua história e ilustra-a com os vinhos.
A Garrafeira Tio Pepe também tem um negócio de micro-distribuição, gerindo algumas cartas de vinhos de restaurantes. O fabuloso armazém anexo, de grandes dimensões, suporta tudo com facilidade e ajuda nas cargas e descargas.
No final da visita, não podemos deixar de nos sentir bem naquele espaço. Tudo contribui para isso, do acolhimento à experiência, do portefólio aos atraentes preços. Não espanta assim que seja das garrafeiras mais conhecidas e respeitadas de Portugal.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”37730″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][image_with_animation image_url=”37731″ alignment=”” animation=”Fade In” border_radius=”none” box_shadow=”none” max_width=”100%”][/vc_column][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/2″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]
As escolhas de Luis Cândido e Ana Ferreira
Niepoort Turris Douro tinto 2013
€115
“Escolhemos este porque o Dirk tem uma ligação connosco. Depois, gostamos bastante do vinho e é um produto de tiragem limitada, que a maioria dos enófilos desconhece. E inclui um quadro, é por isso uma prenda 2-em-1”.
Quinta da Carolina Douro tinto 2015
€32,50
“Adoro este vinho, que se bebe facilmente, guloso, mas com muita elegância e garra. É um Grande Reserva (embora não seja mencionado) e é uma edição de 1.700 garrafas.
Quinta de Santiago Alvarinho Reserva branco 2016
€13,95
“É da Joana [Santiago] e é uma marca recente e ainda pouco conhecida, mas merece estar aqui. E depois são Alvarinhos mais discretos, sem estarem cheios de fruta tropical, primando mais pela mineralidade. Excelente relação preço/qualidade”.
Graham’s Porto Tawny 20 anos
€41,95
“Apesar de já não ser muito barato, continua a ter uma excelente relação preço/qualidade. Gostamos muito do estilo da Graham’s e aqui vendemos bastante este vinho”.
Dictador XO Perpetual Solera System Rum
€107,50
“Esbateu-se a moda do Gin e agora entra a do rum. Já temos clientes a procurarem. Este é um bom produto, da Colômbia, com um palato diferente”.
Pol Roger Champanhe Vintage 2009 & Copo Riedel Veritas Champanhe
€65,90 + €27,50
“Adoramos este champanhe, de uma qualidade acima da média. O copo Riedel é muito versátil e é o que melhor joga com diversos champanhes”.
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Edição Nº24, Abril 2019
Híbridos e Cruzamentos

A produção de Híbridos e Cruzamentos de castas tem, historicamente e por objectivo, a melhoria e apuramento da videira, dando resposta a necessidades culturais de natureza vária. TEXTO João Afonso A Vitis O género Vitis possui cerca de 60 espécies diferentes, quase todas norte americanas ou asiáticas. A única europeia, ou euro-asiática, é a Vitis […]
A produção de Híbridos e Cruzamentos de castas tem, historicamente e por objectivo, a melhoria e apuramento da videira, dando resposta a necessidades culturais de natureza vária.
TEXTO João Afonso
A Vitis
O género Vitis possui cerca de 60 espécies diferentes, quase todas norte americanas ou asiáticas. A única europeia, ou euro-asiática, é a Vitis Vinifera, a videira produtora das uvas que conhecemos.
Híbrido e Cruzamento
Um Híbrido é um cruzamento entre duas espécies diferentes (Vitis Labrusca americana e a Vitis Vinifera europeia). O Cruzamento, por sua vez, faz-se entre duas plantas da mesma espécie (entre duas plantas Vitis Vinifera).
Híbridos Americanos
Os chamados híbridos americanos surgem devido aos obstáculos climáticos da colonização das Américas e à necessidade de vinho para liturgias (e não só). Cruzaram-se espécies americanas entre si e com a Vitis Vinifera. De todos, o mais famoso é o Isabella, responsável (entre outros) pelo famoso “vinho de cheiro” ou “morangueiro”.
Híbridos e Cruzamentos Franceses
Durante a luta contra a filoxera (finais de XIX) procuravam-se plantas resistentes à praga e produtoras de uva com a qualidade europeia. Foram usados híbridos americanos e Vitis americanas no cruzamento com a Vitis Vinifera. Deste imenso trabalho, além de vários híbridos, resultaram a maior parte dos porta-enxertos que hoje usamos. O século XIX viu igualmente nascer cruzamentos entre castas francesas. Grand Noir de la Colmette e Alicante Bouschet são dois cruzamentos famosos de Henry Bouschet. O primeiro entre Petit Bouschet e Aramon (1855) e o segundo entre Petit Bouschet e Grenache (1865).
Cruzamentos ao serviço do homem
A variedade russa Severny (Malengra com uma Vitis Amurensis) e as Canadia¬nas Cayuga White e Chardonel resistem ao frio extremo. Na Austrália, a Tarrango (Touriga x Sultana) está ao serviço do calor. E merecem especial destaque os híbridos resistentes ao oídio e ao míldio. A pressão ambiental é enorme e o consumo de vinho pode em breve preferir vinhos de variedades resistentes e sem pesticidas. Estes híbridos com mais de 98% do genoma da Vitis Vinífera conseguem produzir vinho de qualidade.
A OPINIÃO DE JOSÉ MANSO*
“Os ensaios com híbridos resistentes ao míldio e oídio demonstram algum potencial enológico mas são ainda muito incipientes. Estas plantas podem ser interessantes nas regiões onde há grande pressão de tratamentos com fito-fármacos (mais de quinze tratamentos/ano) mas, para já, são apenas hipóteses. E não podemos esquecer que evitam alguns tratamentos mas não todos, pois são sensíveis à podridão e a doenças do lenho. Porém, não nego que o futuro lhes possa reservar algum protagonismo”.
*Presidente da ADVID e consultor de viticultura























