Sogrape declara três Vintage da colheita de 2016

O ano de 2016 foi excepcional para o Vinho do Porto, considera a Sogrape, que agora anunciou a declaração Vintage para três marcas: Ferreira, Sandeman e Offley. O produtor destaca a “harmonia e elegância” do Porto Ferreira, a “robustez e profundidade” do Sandeman e a “irreverência e juventude” do Offley. Citado em comunicado da Sogrape […]

O ano de 2016 foi excepcional para o Vinho do Porto, considera a Sogrape, que agora anunciou a declaração Vintage para três marcas: Ferreira, Sandeman e Offley. O produtor destaca a “harmonia e elegância” do Porto Ferreira, a “robustez e profundidade” do Sandeman e a “irreverência e juventude” do Offley.

Citado em comunicado da Sogrape Vinhos, Luís Sottomayor, o enólogo que assina as três novidades que estão para chegar, realça a “robustez e estrutura” dos vinhos da colheita de 2016 e antecipa um perfil de Vintage “com níveis de complexidade, cor e estrutura absolutamente excecionais, com taninos presentes, perfeitos para evoluírem na garrafa durante muitos anos”.

O ano de 2016 caracterizou-se, em termos climáticos, por um Inverno seco e ameno, uma Primavera fria e chuvosa e um Verão ameno com alguns picos de calor e noites frias. As vinhas retribuíram com uvas de grande qualidade, que possibilitam a declaração Vintage, reservada para anos de grande expressão.

Ferreirinha Reserva Especial 2009: um tinto glorioso

Um dos mais icónicos vinhos portugueses, o Casa Ferreirinha Reserva Especial, tem mais uma edição em 2009. É um tinto glorioso, cheio e sedutor, mantendo a excelência a que o produtor nos tem habituado, e que na senda das versões de 2007 e de 2003 se afasta progressivamente no estilo do primeiro vinho da casa, […]

Um dos mais icónicos vinhos portugueses, o Casa Ferreirinha Reserva Especial, tem mais uma edição em 2009. É um tinto glorioso, cheio e sedutor, mantendo a excelência a que o produtor nos tem habituado, e que na senda das versões de 2007 e de 2003 se afasta progressivamente no estilo do primeiro vinho da casa, o mítico Barca Velha.

 

TEXTO Nuno de Oliveira Garcia FOTOS Ricardo da Palma Veiga

À primeira vista, trata-se do mais conhecido segundo vinho português, na medida em que é tributário do Barca Velha, o topo da Casa Ferreirinha (parte do universo Sogrape desde 1987). Mas a verdade é que, rigorosamente, não se trata de um segundo vinho (pelo menos à imagem bordalesa que criou o conceito), pois não se trata de uma segunda escolha. Ao invés, trata-se da verdadeira primeira escolha, ou seja, do melhor que a Casa Ferreirinha pode produzir em cada ano, mas cuja prova ao longo do tempo impõe a classificação apenas como Reserva Especial.

Efetivamente, o engenhoso processo de seleção é terrivelmente eficaz. Primeiro, separa-se o melhor lote do Douro da Casa Ferreirinha, antigamente proveniente em grande parte da Quinta do Vale Meão, atualmente da Quinta da Leda, e trata-se com todos os carinhos e atenções (o que inclui, obviamente, estágio nas melhores barricas). Depois, engarrafa-se o vinho, nesse momento denominado Douro Especial, e espera-se entre meia a uma década. Durante esse tempo, provas sucessivas ajudam a que a equipa de enologia faça a derradeira escolha.

Não espanta, por isso, que a decisão de ser Reserva Especial mereça, após cada lançamento, tanto escrutínio e acesa discussão entre os enófilos esclarecidos. Em 17 edições, em pelo menos 3 delas ficou a dúvida se o vinho não poderia ter chegado a Barca Velha; falamos das colheitas de 1980, 1986 e de 2001. De resto, Luís Sottomayor, o atual responsável máximo pela enologia do Douro da Sogrape, reconhece isso mesmo, ao assumir que uma boa garrafa do Reserva Especial de 1980 é dos melhores néctares jamais produzidos no Douro, e que o Reserva Especial de 2001 ainda hoje o surpreende.

As últimas colheitas e lançamentos, todavia, têm trazido um novo vetor de diferenciação entre Reserva Especial e Barca Velha. Na verdade, se as últimas duas edições de Barca Velha (2004 e o fantástico 2008) trouxeram consigo um relativo corte com o passado na adoção de um perfil mais fresco, jovem e focado, já os mais recentes Reserva Especial (2003 e 2007) mantém um perfil clássico, marcado pelas típicas notas licoradas e a tabaco doce, bem como deliciosos taninos suaves. O Reserva Especial de 2009 agora lançado segue essa demarcação, com a prova de nariz a evidenciar já leve evolução e revelando-se sedoso e lácteo em boca, prontíssimo a beber, mas podendo ser guardado em cave sem hesitação.

De resto, o ano de 2009 não foi muito diferente de 2007 e caracterizou-se, à semelhança de 2003, por ser muito seco, com um Verão extremamente quente, principalmente durante o mês de agosto, o que levou a um rápido desenvolvimento da maturação. Essa maturação está bem patente no vinho, com os taninos absolutamente macios e bem maduros.

Se a nossa tese estiver certa, haverá mais probabilidade de declarações de Barca Velha em anos frescos, e de Reserva Especial em anos quentes. Mas, no final do dia, uma coisa é certa: a qualidade tem sempre sido excecional, e por isso não se espera coisa diferente para o futuro. E esse fantástico resultado é em grande parte explicado, além da reconhecida capacidade da região para grandes tintos e da mestria da equipa de enologia da Sogrape, pelo exaustivo processo de elaboração deste néctar.

Nesta edição de 2009, e após a escolha das melhores uvas, estas sofreram uma maceração suave em lagares com robots, com a fermentação alcoólica a ocorrer em cubas de inox com remontagem à mão. Depois, o vinho seguiu para Vila Nova de Gaia, onde realizou a fermentação maloláctica em barricas usadas. Após nova seleção, apenas os melhores vinhos foram transferidos para barricas novas de carvalho francês, onde estagiaram durante 12 meses. Finalmente, e uma vez selecionado o lote final, este voltou para as barricas durante mais 4 a 5 meses. É caso para dizer que foi uma autêntica via sacra para as 18.000 garrafas que estarão para venda pouco antes deste Natal. Resta dizer que o preço, sendo significativamente elevado para o padrão nacional, é menos de metade do último Barca Velha.

1836: foto de família num regresso às origens

A família do topo de gama da Companhia das Lezírias ganhou mais um membro: ao tinto e ao branco junta-se agora um espumante. Ocasião para celebrar e homenagear os homens e mulheres que desde 1836 deram corpo a este colosso da nossa agricultura.   TEXTO Luís Francisco FOTOS Ricardo Palma Veiga A Companhia das Lezírias […]

A família do topo de gama da Companhia das Lezírias ganhou mais um membro: ao tinto e ao branco junta-se agora um espumante. Ocasião para celebrar e homenagear os homens e mulheres que desde 1836 deram corpo a este colosso da nossa agricultura.

 

TEXTO Luís Francisco FOTOS Ricardo Palma Veiga

A Companhia das Lezírias é enorme. Na área (ocupa cerca de 18.000 hectares na margem sul do Tejo), na história (que remonta a 1836), no desempenho empresarial (mais de seis milhões de euros de receitas em 2016). Mas o vinho é um caso muito especial. “O vinho é o nosso grande embaixador e da nossa história”, resumiu António Saraiva, presidente do Conselho de Administração, no jantar de apresentação dos novos vinhos da gama 1836.

Depois do primeiro passo dado em 2012, com o lançamento do primeiro 1836 tinto, seguiu-se o alargamento da gama ao branco, em 2015, e a terceira etapa concretiza-se agora com o espumante da colheita 2015. A família 1836 – cujo nome alude à data de fundação da Companhia das Lezírias – está assim mais completa, sob a batuta do enólogo da casa, Bernardo Cabral. Este é já o seu sexto ano à frente do projecto, com um objectivo assumido desde a primeira hora: “Aproveitar o tesourinho que estava ali e lançar coisas novas.”

O “tesourinho” são 130 hectares de vinha, rodeados de floresta num isolamento que os põe ao abrigo das pragas e fomenta a biodiversidade. Apesar de ficar em linha de vista com Lisboa (e a poucos minutos por estrada), esta zona de fronteira entre as regiões do Tejo (onde se integra) e da Península de Setúbal exibe maiores amplitudes térmicas do que a capital. Esse factor e a envolvência natural ajudam a explicar a frescura e carácter vincado dos vinhos da Companhia das Lezírias.

Os vinhos Tyto Alba foram a primeira face desta nova era e seguiu-se a aposta no topo de gama 1836. O jantar nas instalações do Grémio Literário, em Lisboa e paredes-meias com o edifício que serviu de sede à Companhia das Lezírias durante cerca de 150 anos, serviu para apresentar o tinto 2015, o branco 2016 e o espumante 2015. De caminho, provaram-se as edições anteriores de branco e tinto, como que a certificar que os anos em garrafa só farão bem aos néctares agora libertados.

Todos são monovarietais. O tinto provém de uma vinha velha (mais de 60 anos) de Alicante Bouschet, o branco usa exclusivamente uvas de Fernão Pires e o espumante é feito de Arinto. No caso deste último, 20 por cento do vinho-base fermentou em barrica, onde permaneceu 9 meses. São produções relativamente pequenas. A primeira edição do branco proveio de uma única barrica; a segunda duplicou a quantidade, mas não chega às 700 garrafas. Do tinto, que estagiou 13 meses em barricas novas (80%) e de um ano (20%), fizeram-se 5.500 garrafas. Quando à edição de estreia do espumante, são 4.000 garrafas.

A Passarella e o velho/novo Dão

Renovar a região, colocá-la no mapa, dar a conhecer o que tem de original e preservar o que merece ser mantido é a tarefa dos novos produtores do Dão. A Casa da Passarella assume que está neste combate e os seus vinhos mostram que está no caminho certo.   TEXTO João Paulo Martins FOTOS Ricardo […]

Renovar a região, colocá-la no mapa, dar a conhecer o que tem de original e preservar o que merece ser mantido é a tarefa dos novos produtores do Dão. A Casa da Passarella assume que está neste combate e os seus vinhos mostram que está no caminho certo.

 

TEXTO João Paulo Martins FOTOS Ricardo Palma Veiga

O que é que se faz perante uma vinha com 90 anos, de produção minimalista e que dá mais trabalho e dores de cabeça do que uvas? Entre as várias hipóteses, sobressai a óbvia: arrancá-la! Este foi o cenário com que Paulo Nunes se deparou quando chegou à quinta em 2008, mas pediu (se não foi de joelhos poderia ter sido…) para que não se arrancasse para ele poder estudar a vinha e ver o que se poderia, ou não, fazer dela. Esta é a história simples que explica que a tal vinha velha ainda hoje seja objecto de estudo mas de onde saem alguns dos melhores vinhos da quinta, algo que os apreciadores aplaudem vivamente.

A história da quinta é muito antiga – era uma das propriedades emblemáticas do Dão – mas foi exactamente no final da década passada que de novo se voltou a ouvir falar da Passarella. O tempo que mediou foi o suficiente para que os seus vinhos se tenham tornado dos melhores da região. Tal deve-se à vinha e a quem soube preservá-la e ao enólogo que tem procurado ir mais além na busca da diversidade, com qualidade, que a região autoriza. O enólogo descobriu (ou confirmou), por exemplo, que esta vinha velha está muito mais imune às variações climatéricas porque, com as suas raízes fundas, não é tão influenciada pelo clima exterior. É algo que há muito se sabe, mas que é sempre reconfortante confirmar na prática.

Na apresentação dos novos vinhos, Paulo Nunes trouxe algumas novidades e algumas mudanças no estilo de alguns vinhos. Por exemplo, o Villa Oliveira, a marca emblemática da casa, tem agora um branco com menos presença da madeira nova (o que se saúda) e foi também apresentado um branco sem data, fruto da junção de vinhos de várias colheitas, cremos que inspirado num outro branco deste perfil, feito na Quinta dos Carvalhais. É uma excelente aposta porque a região (clima, solos, castas) o permite e o resultado é, como se vê, bem interessante. Para a elaboração destes vinhos são reservadas em média duas barricas por ano e faz-se então o lote ao fim de cinco anos; serão assim feitas duas edições por década.

Foi também apresentada a segunda edição do branco de curtimenta, feito a partir de mosto com engaço que fermentou em cubas de cimento e é depois estagiado em barricas usadas. Como se trata de um método redutor, o vinho precisa de arejamento e por isso requer menos sulfuroso. Este ano só levou um pouco na fase do engarrafamento, mais nada. Na condução dos trabalhos de adega estão, o que acontece há três gerações, mulheres. Prática antiga na Passarella, tradição a continuar.

Também nos tintos há novidades, com um tinto – 125 anos – que procura reproduzir os vinhos feitos em 1893, de que ainda existem algumas garrafas na quinta. Aqui entram castas agora menos habituais na região (ou, nalguns casos, apenas menos faladas) como Baga, Alvarelhão, Tinta Amarela e Tinta Carvalha, além de Jaen. Um tinto fora do baralho, muito provavelmente como seriam os que então eram produzidos. Aqui não se procurou fazer um tinto que fosse consensual, optou-se por um tinto mais rústico, bem mais vegetal, mais austero e, quem sabe, mais longevo.

A busca continua e o entusiasmo também. Paulo Nunes e a equipa parece terem mais trunfos para jogar. Aguarde-se.

Quinta de S. José: na rota para se tornar um clássico

Numa região competitiva como é o Douro, com excelentes vinhos tanto de grandes como de pequenos produtores, um jovem enólogo, com um projeto independente e familiar, não tem vida fácil. João e Sofia Brito e Cunha trilham esse caminho desde 2004, e desde então têm vindo a proporcionar-nos alguns dos mais excitantes vinhos durienses.   […]

Numa região competitiva como é o Douro, com excelentes vinhos tanto de grandes como de pequenos produtores, um jovem enólogo, com um projeto independente e familiar, não tem vida fácil. João e Sofia Brito e Cunha trilham esse caminho desde 2004, e desde então têm vindo a proporcionar-nos alguns dos mais excitantes vinhos durienses.

 

TEXTO Nuno de Oliveira Garcia FOTOS Ricardo Palma Veiga

JOÃO Brito e Cunha é descendente de Dona Antónia Ferreira (Ferreirinha) e consultor de enologia no Douro há mais de década e meia. Foi responsável por alguns dos primeiros vinhos da Lavradores de Feitoria, e ainda hoje assina alguns grandes vinhos do Douro, como os tintos da Touriga-Chã e do Lubazim. Por tudo isso, quando, em 1999, o seu pai comprou a Quinta de S. José, magnificamente localizada na margem esquerda do Douro, próximo de Ervedosa e defronte da Quinta da Romaneira, João Brito e Cunha não hesitou e tomou conta da enologia do projeto, que já então era concebido também numa vertente turística (ainda hoje existe e com qualidade). Quis o destino, e a determinação de João e de Sofia, que em 2005 houvesse a possibilidade de aquisição à restante família de toda a área de vinha e mato da quinta, bem como a marca S. José, que, aos poucos mas de forma expressiva, tinha vindo a consolidar-se no mercado.

Pode, pois, dizer-se que é a partir de 2005 que começa uma fase de maior investimento na propriedade e, em especial, no negócio do vinho – incluindo replantações de vinha e, mais tarde, uma nova adega –, ao mesmo tempo que João Brito e Cunha aperfeiçoava o seu conhecimento dos vários terroirs e se ia afastando progressivamente de um ou outro projeto de consultadoria. Naturalmente, tratando-se de um projeto verdadeiramente familiar, os investimentos são sempre realizados a uma velocidade controlada, por vezes até longe da desejada. Mas a verdade é que, volvida uma década, começaram a sair da adega da Quinta de S. José vinhos verdadeiramente excitantes, puros no desenho da vertente frutada, e com um perfil marcante que se destaca pelo carácter mineral dos tintos.

Dos 20 hectares da propriedade, 11 são de vinha, espalhados por quase duas dezenas de parcelas, uvas essencialmente tintas e a diferentes altitudes, pois é grande o desnível existente na quinta totalmente virada a norte. Já os brancos levam a chancela Flor S. José, precisamente por virem de vinhas fora da propriedade, vinhas que João conhece faz muitos anos, desde o tempo em que produzia a marca Ázeo (que teve um relevante sucesso comercial, diga-se), e ainda hoje são muitos aqueles que não hesitam em considerar que João Brito e Cunha é um especialista em vinificar brancos frescos e crocantes. Atualmente, o projeto é, em absoluto, a dois, pois Sofia é a responsável pela comercialização, desdobrando-se em trabalhos por todo o país. Quem conhece o casal sabe que a força motriz é distribuída equitativamente, o que nem sempre é comum no mundo dos vinhos…

Os vinhos agora apresentados mostram um perfil de grande maturidade e de perfeito conhecimento da propriedade vizinha da Quinta de Roriz (Chryseia). Há que assumir: os vinhos da Quinta de S. José sempre foram bons (e por isso, em 2009, a jornalista inglesa Sarah Ahmed elegeu o Reserva Tinto de 2007 como um dos 50 melhores vinhos portugueses do ano), mas pode-se afirmar com segurança que estão agora melhores do que nunca.

Na base da gama, que começa alta, o Quinta de S. José Colheita tem, em 2015, a sua melhor edição de sempre, com fruto bonito vivo e impactante. Os brancos (2016) e o Touriga Nacional (2015) continuam aprumados e de enorme elegância; o Grande Reserva afinou-se e, na colheita de 2015, é um elogio expresso às vinhas velhas do Douro, tanta é a subtileza e complexidade que exprime. Mas o vinho mais importante para João e Sofia, e é assim que deve ser, é o seu Reserva; esse sim é o porta-estandarte da quinta, um tinto que agrega as melhores parcelas de Touriga Nacional com vinhas de mais de 50 anos com castas misturadas. É um vinho que tem sabido manter-se entre os melhores da região, ainda que a um preço não especulativo, comparando com alguns pares.

É caso para dizer que se não teve ainda tempo para descobrir os vinhos da Quinta de S. José não sabe o que está a perder, e a partir de agora, ou seja, com este texto, já não tem desculpa para não os conhecer. Melhor ainda, só se for visitar a quinta e lá pernoitar nas belas casas de xisto totalmente recuperadas. Fica a sugestão.

Poças: Simbolicamente falando…

Após um interregno de três anos, o tinto Símbolo voltou a reinar na Poças Júnior como o seu topo de gama, e com novas vestes. No lançamento que o teve como estrela, ficámos também a conhecer mais quatro novos vinhos da empresa.   TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS João Ferrand AS […]

Após um interregno de três anos, o tinto Símbolo voltou a reinar na Poças Júnior como o seu topo de gama, e com novas vestes. No lançamento que o teve como estrela, ficámos também a conhecer mais quatro novos vinhos da empresa.

 

TEXTO Mariana Lopes NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS João Ferrand

AS três parcelas de vinhas velhas (com predomínio de Touriga Franca) da Quinta de Santa Bárbara, no Cima Corgo do Douro, já não originavam Símbolo desde 2011, inclusive. Em 2014, o primeiro ano sob consultoria do enólogo de Bordéus Hubert de Boüard, a Poças Júnior decidiu que era tempo de o trazer de volta.

Apesar de ter sido um ano de viticultura menos fácil (confirma Jorge Pintão, enólogo da casa), o francês viu nas uvas o potencial necessário para o topo de gama. “Foi nos pequenos detalhes que investimos. Fizemos uma enologia de pormenor, quer ao nível da selecção das uvas, quer da vinificação, da guarda e envelhecimento”, comentou Jorge Pintão. Pedro Pintão, director comercial, explicou que o vinho provém de parcelas em altitudes e exposições solares diferentes, e adiantou: “As cotas são relativamente baixas, mas procurou- se a acidez das zonas mais altas dessa vinha.” Assim, surgiram as cinco mil garrafas de um vinho elegante e polido, mas complexo e longevo, também com uma nova imagem, um rótulo simples mas futurista, a marcar bem o início de uma nova era.

Volvidos dezoito meses de estágio em barrica e um ano em garrafa, o Símbolo tinto 2014 apresentou-se ao mundo no restaurante Antiqvvm, do estrelado Chef Vítor Matos, no Porto, e trouxe consigo mais quatro novidades: Poças Reserva tinto 2015, Poças Porto Colheita 2003, Poças LBV 2012 e Poças Vintage 2015.

O Poças Reserva tinto 2015 foi posicionado em segundo lugar na hierarquia, mas não fica de todo atrás do “cabeça de lista”. Também de vinhas velhas da Quinta de Santa Bárbara, este vinho tem Touriga Nacional da Quinta Vale de Cavalos (Douro Superior) e estagiou doze meses em barricas e seis em garrafa. São 10.000 garrafas de um vinho com um grande potencial de envelhecimento.

Apesar de produzir vinhos Douro desde 1990, três anos após Jorge Pintão ter assumido a liderança da equipa de enologia, a grande tradição da Poças Júnior está nos Vinhos do Porto. Da gama mais clássica da casa, o Poças Porto Colheita 2003 é já o segundo colheita lançado este ano, a seguir ao 2007, tendo envelhecido em pipa de carvalho. Já o encorpado e maduro Poças LBV 2012 estagiou cinco anos. O Poças Vintage 2015, fruto de um ano de excepção, foi super-controlado e provado durante o estágio de dois anos em balseiro. É um Vintage muito aromático, poderoso e que adivinha um futuro promissor na garrafa.

Concurso espanhol Bacchus deu 29 medalhas a Portugal

Justino's Madeira Colheita Malvasia 1997

O Concurso Internacional de Vinhos Bacchus, que se realiza todos os anos no bonito cenário do antigo casino de Madrid, é organizado pela Unión Española de Catadores (União Espanhola de Provadores). A classe e imponência do local do evento, a qualidade do painel de provadores e um conjunto de actividades paralelas de luxo, fazem desta […]

O Concurso Internacional de Vinhos Bacchus, que se realiza todos os anos no bonito cenário do antigo casino de Madrid, é organizado pela Unión Española de Catadores (União Espanhola de Provadores). A classe e imponência do local do evento, a qualidade do painel de provadores e um conjunto de actividades paralelas de luxo, fazem desta competição a mais prestigiada do género em Espanha.

Este ano, de 8 a 12 de Março, 85 provadores analisaram cerca de 1.700 amostras de 21 países. Além das sessões de prova, os intervenientes puderam assistir a masterclasses dadas por Masters of Wine de calibre, como Pedro Ballesteros (que apresentou “Cavas Grande Reserva y Paraje Calificado”), Sarah Jane Evans (sobre “Embajadores Autóctonos”) e Fernando Mora (com a palestra “Joyas Mediterráneas”).

No que toca a vinhos portugueses, o Madeira Justino’s Malvasia 1997 foi a estrela, a levar para casa o prémio mais alto: “Gran Bacchus de Oro”, medalha atribuída a vinhos com uma pontuação superior a 93. Com “Bacchus de Oro”, outro Madeira Justino’s de 1998; Terra Lenta Premium 2016 (Carmim); Monsaraz Reserva 2015 (Carmim); Colinas de Ança Arinto Reserva 2016 (Ad. Coop. Cantanhede); Conde de Cantanhede Arinto Reserva 2016 (Ad. Coop. Cantanhede); Contraforte 2017 (Ad. Coop. Palmela); Touriz 2014 (Casa Santos Lima); Al-Ria Reserva 2016 (Casa Santos Lima); Algazarra 2016 (Soc. Agr. Quinta do Conde); Deu-la-Deu Alvarinho Reserva 2015 (Ad. Coop. Reg. Monção) e Casa de Canhotos 2017 (Casa de Canhotos Produção de Alvarinho). Quanto aos “Bacchus de Plata”, houve nomes do Alentejo, Bairrada, Porto, Península de Setúbal e alguns sem Denominação de Origem ou Indicação Geográfica, nível no qual se destacou a Casa Santos Lima.

Os resultados podem ser consultados em www.concursobacchus.es no separador “Medallas”.

 

Berliner Wein Trophy dá 3 Grande Ouro a Portugal

Berliner Wein Trophy 2018

Os vinhos portugueses trouxeram de Berlim 139 medalhas, de um total de 2177. Nesta edição – a de Fevereiro de 2018 – entraram 6.700 amostras. O ano passado, os vinhos portugueses tinham trazido 150 medalhas mas menos Grande Ouro, o prémio máximo (pontuação mínima de 92 pontos). Este ano foram três; em Fevereiro de 2017 […]

Os vinhos portugueses trouxeram de Berlim 139 medalhas, de um total de 2177.
Nesta edição – a de Fevereiro de 2018 – entraram 6.700 amostras. O ano passado, os vinhos portugueses tinham trazido 150 medalhas mas menos Grande Ouro, o prémio máximo (pontuação mínima de 92 pontos). Este ano foram três; em Fevereiro de 2017 tinham sido duas. Só a Alemanha (a jogar em casa) e a França conseguiram mais medalhas Grande Ouro (6 e 5, respectivamente).
De resto, a representação portuguesa trouxe ainda 118 Medalhas de Ouro e 18 de Prata. A disparidade entre os Ouros e as Pratas pode ser explicada pela limitação imposta pela OIV de que apenas 30% de todos os vinhos avaliados podem ser medalhados. Ou seja, muitos vinhos com pontuação para medalha de prata não o conseguiram por esta limitação.
Estiveram cerca de 150 provadores em Berlim. Pode consultar os resultados completos em http://www.dwm.de/results/berliner-wein-trophy/2018-february/?L=1

Medalha de Grande Ouro para Portugal
D’Oliveiras Madeira Boal 1993 (Pereira D’Oliveira Vinhos)
Palácio dos Távoras Alicante Bouschet tinto 2015 (Costa Boal Family Estates)
Vinha do Fava Touriga Nacional 2016 (Casa Ermelinda Freitas)