Primeiro Livro dos Vinhos Ibéricos lançado em Novembro

A publicação convida a uma viagem pelo mundo dos vinhos da Península Ibérica, explorando a história, diversidade e riqueza das regiões vitivinícolas de Espanha e Portugal. Hoje sente-se, de parte a parte, um interesse crescente de um país pelo outro, com espanhóis e portugueses a descobrirem aspectos próximos na sua maneira de viver, e a apreciar e explorar as diferenças.

O Livro dos Vinhos Ibéricos — Um Guia Completo de Espanha e Portugal, escrito pelos especialistas em vinhos Sara Peñas Lledó e Luis Antunes, está no mercado desde o início de Novembro. A publicação convida a uma viagem pelo mundo dos vinhos da Península Ibérica, explorando a história, diversidade e riqueza das regiões vitivinícolas de […]

O Livro dos Vinhos Ibéricos — Um Guia Completo de Espanha e Portugal, escrito pelos especialistas em vinhos Sara Peñas Lledó e Luis Antunes, está no mercado desde o início de Novembro.

A publicação convida a uma viagem pelo mundo dos vinhos da Península Ibérica, explorando a história, diversidade e riqueza das regiões vitivinícolas de Espanha e Portugal. Hoje sente-se, de parte a parte, um interesse crescente de um país pelo outro, com espanhóis e portugueses a descobrirem aspectos próximos na sua maneira de viver, e a apreciar e explorar as diferenças.

À mesa há sempre festa, onde não falta o vinho, característica comum aos dois povos. Mas em ambos os países, produtores antigos e importantes, com estatuto mundial, sempre foram consumidos sobretudo vinhos nacionais. No entanto, os apreciadores de hoje têm curiosidade e gostam de descobrir coisas novas, ir um pouco mais longe. Foi para os ajudar nisso que Sara Peñas Lledó e Luís Antunes criaram este livro, até porque não existia nada que abordasse a temática desta forma.

A obra posiciona-se, assim, como um recurso de referência para profissionais, aficionados e amantes do vinho, oferecendo um conhecimento profundo sobre a forma como o vinho une as culturas dos dois países vizinhos em volta da mesa.

O livro, que já está à venda na Amazon, é composto por dois volumes que abrangem o universo enológico ibérico em toda a sua dimensão. Ambos começam com uma introdução, seguida de um capítulo sobre a geografia e a história e outro sobre a organização administrativa, em termos das nomenclaturas protegidas de acordo com a legislação europeia.

O volume 1, dedicado a Espanha, percorre as regiões vitivinícolas do país, desde a verde Galiza e a bacia do Ebro até aos vinhedos quentes da Andaluzia. Os autores exploram a identidade vitivinícola de cada região, incluindo a dos célebres Cavas e dos vinhos fortificados, autênticos tesouros da tradição espanhola.

O volume 2 leva o leitor numa viagem por Portugal, explorando desde os frescos e singulares Vinhos Verdes do Norte até aos intensos e complexos vinhos do Douro e à riqueza pujante do Alentejo. Também são incluídos os espumantes portugueses, o famoso Vinho do Porto e o resto dos grandes fortificados de Portugal.

O livro apresenta uma classificação clara e acessível das regiões e convida o leitor a descobrir novos matizes e segredos de vinhos já conhecidos. Com O Livro dos Vinhos Ibéricos, Peñas e Antunes criaram uma obra essencial para os conhecedores aqueles que se estão a iniciar no mundo dos vinhos da Península Ibérica.

UTAD Alumni Wine & Cheese Collection dia 20 de Novembro

A 7.ª edição do UTAD Alumni Wine & Cheese Collection, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), está marcada para o próximo dia 20 de novembro em Vila Real e irá ter a presença de quatro vinhos e um queijo produzidos por antigos alunos deste estabelecimento de ensino. Diplomados pela UTAD, Esmeralda Vieira, Marcos […]

A 7.ª edição do UTAD Alumni Wine & Cheese Collection, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), está marcada para o próximo dia 20 de novembro em Vila Real e irá ter a presença de quatro vinhos e um queijo produzidos por antigos alunos deste estabelecimento de ensino.

Diplomados pela UTAD, Esmeralda Vieira, Marcos Hehn Pinto da Silva, Maria Manuel Maia, Pedro Ribeiro e Tiago Garcia são os autores da UTAD Alumni Wine & Cheese Collection 2024.

Foi em vinhas velhas das sub-regiões de Cima Corgo e do Douro Superior que nasceram as uvas selecionadas pela enóloga Maria Manuel Maia para criar o Vinho do Porto. Assinado pelo enólogo Marcos Hehn Pinto da Silva, o espumante foi produzido na região Távora-Varosa, a primeira região demarcada de espumantes em Portugal. É do sul do País que chegam os vinhos tinto e branco, produzidos por Pedro Ribeiro e Tiago Garcia no Alentejo. A esta gama junta-se o queijo de cabra que as mãos e arte de Esmeralda Vieira fizeram nascer em Arcos de Valdevez.

O evento é precedido de três workshops temáticos: Iniciação à Prova de Vinho, Fabrico Artesanal de Queijos e Falemos de Vinho do Porto. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia.

Editorial Novembro: O Douro, por quem o fez

Editorial

Editorial da edição nrº 91 (Novembro 2024) A Grande Prova de tintos do Douro que publicamos nesta edição, levou-me a pesquisar os resultados das provas similares que esta equipa de provadores realiza com periodicidade anual desde há quase três décadas. O resultado foi um autêntico mergulho na história do Douro pela mão dos seus principais […]

Editorial da edição nrº 91 (Novembro 2024)

A Grande Prova de tintos do Douro que publicamos nesta edição, levou-me a pesquisar os resultados das provas similares que esta equipa de provadores realiza com periodicidade anual desde há quase três décadas. O resultado foi um autêntico mergulho na história do Douro pela mão dos seus principais protagonistas.
Os alicerces do Douro moderno começaram a ser construídos na vindima de 1990 através do tinto Duas Quintas, (o Reserva nasceu em 1991), seguido do Quinta da Gaivosa em 1992, Quinta do Crasto em 1994, Vale D. Maria em 1996, Quinta da Leda em 1997. Quando a estas se juntaram, em 1999, três outras marcas de topo – Batuta, Quinta do Vallado e Quinta do Vale Meão – o “Douro além do Porto” ficou lançado.

Comecei, precisamente, pela prova realizada em novembro de 1999. Naturalmente, as marcas nascidas nessa vindima estavam ainda fora da equação. Mas resulta curioso verificar que os tintos melhor classificados nesse embate espelham ainda um mix entre o Douro do “antes” e do “depois”: Barca Velha 1991 (quando o Barca Velha ainda se “atrevia” nestas provas comparativas), Confradeiro 1994 e Quinta do Côtto Grande Escolha 1995, de um lado; Vinha do Fojo 1996, Quinta da Gaivosa 1995 e Duas Quintas Reserva 1994, do outro. Interessante também constatar o tempo de estágio a que os melhores vinhos, mesmo os das marcas “novas”, eram submetidos antes de chegarem ao mercado. Progressivamente, esse ónus iria passar para o consumidor.
Nos vencedores de 2003 assistimos já ao surgir de uma constelação e ao esmorecer de algumas das estrelas antigas: Batuta 1999, Chryseia 2001, Quinta do Vale Meão 1999, Quinta da Leda 1999, Quinta do Vallado Reserva 1999, Duas Quintas Reserva 1999 e Quinta da Gaivosa 1999. Nas provas de 2004 e 2005 juntaram-se a estes, outros campeões: Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2001, Quinta do Crasto Maria Teresa 2001, Pintas 2003, Poeira 2003, Quinta de la Rosa Reserva 2003.

Ao longo dos anos seguintes, diversas marcas se intrometeram no topo das classificações: Quinta das Tecedeiras, Quinta de Macedos, Quinta do Infantado, Ázeo, Quinta da Gricha, Passadouro, Quinta dos Frades Vinhas Velhas, Conceito, Kopke Vinhas Velhas, Quinta da Casa Amarela Grande Reserva, Maritávora Reserva, Quinta de S. José Reserva, CV, Quinta da Touriga-Chã, Quinta do Noval, Quinta do Monte Xisto, Carvalhas, Duorum Reserva, Xisto, Quinta da Manoella Vinhas Velhas. Algumas, nunca mais abandonaram os lugares cimeiros.

A prova de 2014 tinha um título sugestivo – “Rumo à elegância” – assinalando uma tendência que ainda hoje se mantém. O espaço limitado nesta página obriga-me, a contragosto, a saltar mais uns anos, para 2020, o ano do covid-19. Movidos pela conjuntura, estabelecemos um limite de preço (€30) à prova anual. As casas emblemáticas impuseram-se: Monte Meão Vinha dos Novos 2017, Vallado Reserva 2017, Pintas Character 2017 e Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2017. E termino esta breve viagem com as provas de 2022 e 2023, e com o advento dos vinhos de parcela, vários deles a inscrever o seu nome entre os vencedores: Vallado Vinha da Granja 2018, Quinta da Boavista Vinha do Oratório 2018, Quinta Nova Centenária 2019, Quinta Vale D. Maria Vinha do Rio 2020, Pala Pinta 2020 (dos irmãos Maçanita), Quinta da Romaneira Carrapata 2021, Quinta de São Luiz Vinha Rumilã 2018.

Esta é, muitíssimo resumida, a história do Douro moderno, região de vinhos grandiosos nascidos numa viticultura de montanha, de baixas produções e elevado custo. Apontar como solução para a crise fazer vinhos para destilar e aguardentar o Porto, e assim competir com regiões destiladoras que produzem 25 toneladas por hectare e fazem vinhos que para mais nada servem, não é apenas estúpido. É também um atestado de incompetência e um desrespeito pelo Douro e pelas suas gentes. (LL)

O Tannat do Gradil

gradil

E assim, para celebração de um quarto de século de gestão de Luís Vieira, bem como do seu interesse em castas diferentes, exóticas, pouco trabalhadas e exploradas, aliado ao seu compromisso com a qualidade e a diferenciação, nos reunimos no passado no fantástico Restaurante Federico, no Palácio Ludovice Wine Experience Hotel, para uma degustação das […]

E assim, para celebração de um quarto de século de gestão de Luís Vieira, bem como do seu interesse em castas diferentes, exóticas, pouco trabalhadas e exploradas, aliado ao seu compromisso com a qualidade e a diferenciação, nos reunimos no passado no fantástico Restaurante Federico, no Palácio Ludovice Wine Experience Hotel, para uma degustação das melhores Colheitas de Tannat, incluindo a inicial, de 2009, até uma amostra da próxima colheita a sair para o mercado, do ano 2022.
As mais antigas referências à Quinta do Gradil remontam ao Século XV, mais precisamente a 14 de fevereiro de 1492. Mais de cinco anos antes de Vasco da Gama partir para a Índia (!), um Documento Régio de D. João II registava a doação da jurisdição e rendas do Concelho do Cadaval e da Quinta do Gradil a D. Martinho de Noronha. A propriedade esteve depois nas mãos da Casa de Bragança, sendo um importante couto de caça da realeza, nunca tendo, no entanto, aquelas terras deixado de produzir uva e vinho.

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O Século XIX seria marcado por D. Maria do Carmo Romeiro da Fonseca, que herdou a Quinta da Gradil de seu pai, construiu o imponente palácio amarelo e transformou a propriedade numa exploração agrícola, onde o vinho teria o papel principal. Curiosamente, a sua filha acabaria por casar com o futuro Marquês de Pombal, descendente do mesmo Sebastião José de Carvalho e Melo que, um século antes, tinha tentado arrancar as vinhas do Gradil para favorecer a cultura de cereais e, por outro lado, interesses próprios no Douro, ligando assim a propriedade aos Marqueses de Pombal, a quem pertenceu durante uma parte do Século XX, até ser vendida, em 1963, a uma sociedade liderada por Isidoro Maria d’Oliveira, lavrador, homem de cultura e poeta. O vinho continuou a ocupar o papel principal na produção e a abastecer o crescente mercado de Lisboa.

O Século XXI é o Século de Luís Vieira, que adquiriu a Quinta em 1999. Com uma herança familiar ligada ao comércio de vinho desde 1945, Luís Vieira aprendeu com o avô, António Gomes Vieira, todos os segredos do negócio. Foi através dele que herdou a paixão pelo vinho que ainda o move até aos dias de hoje. Líder da Parras Wines, um dos maiores Grupos do Sector do Vinho de Portugal, Luís Vieira comprou a Quinta do Gradil com um objetivo claro: torná-la no porta-estandarte do Grupo na região de Lisboa. Para tal, apostou na total reabilitação da vinha com castas nacionais e internacionais, e na produção de vinhos de qualidade e diferenciadores.

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Uma referência na casa

O primeiro exemplar de Tannat remonta à vindima de 2009, com lançamento em 2013 e, desde então, tem-se afirmado como um marco na história dos vinhos da Quinta do Gradil. Na primeira colheita (2009) e na seguinte (2014), a casta Tannat surgia em blend com 15% de Touriga Nacional. Desde 2015, este vinho assume-se como monovarietal e um claro espelho do perfil da casta e do carácter atlântico do terroir onde nasce. A variedade Tannat é proveniente de França, mais precisamente de uma região localizada próxima aos Pirenéus, chamada Madiran.
Porém, foi no Uruguai que a variedade ganhou notoriedade, tendo sido introduzida no país por volta de 1870, por um basco pioneiro produtor de uvas chamado Pascual Harriague (nome pela qual a Tannat também passou a ser conhecida naquela origem!). Repousando no Oceano Atlântico entre os Paralelos 30º e 35º, o Uruguai compartilha a mesma latitude com as principais regiões vinícolas do hemisfério sul.

A Tannat foi a casta tinta que melhor se adaptou às condições de solo e clima do Uruguai. É, como já referimos, uma variedade de origem francesa, que acabou por ganhar muita expressão no Uruguai. Esta tipologia de uva dá origem a vinhos taninosos, com carácter, bastante corpo e estrutura, grande intensidade de cor, aromas a frutas escuras, especiarias e chocolate, com óptima concentração. É uma casta exigente em termos de solos e clima, mas que, no terroir da Quinta do Gradil, tem apresentado uma consistência qualitativa e um equilíbrio surpreendentes, como pudemos verificar durante esta prova.

A Quinta do Gradil está situada no concelho do Cadaval, ocupando uma área de 200 hectares, dos quais 120 plantados com vinha. A sua localização privilegiada, entre a serra de Montejunto e o mar, permite tirar partido da influência atlântica, determinante para o equilíbrio ácido e frescura dos vinhos, mas, ao mesmo tempo, usufruir de um bom número de horas de sol, importante para a conveniente maturação das uvas. A argila e o calcário formam a matriz principal dos solos da propriedade, onde encontramos plantadas uma grande diversidade de castas, brancas e tintas. Umas são naturais da região ou estão ali aclimatadas desde há séculos, dando origem a vinhos de vincado carácter regional: é o caso das emblemáticas uvas brancas Arinto e Fernão Pires. Outras, são de presença mais recente no local, mas acabaram por se revelar surpresas muito positivas, pela forma extraordinária como se adaptaram a este terroir. Aconteceu com as castas brancas Viosinho, Alvarinho e Sauvignon Blanc e a tinta Tannat. Por seu lado, as variedades Chardonnay, Syrah, Alicante Bouschet ou Touriga Nacional, por exemplo, são castas que, na Quinta do Gradil, mostram sempre grande consistência qualitativa.

(Artigo publicado na edição de Setembro de 2024)

Beira Interior – Vinhos & Sabores de 15 a 17 de Novembro

A par do Salão de Vinhos e Sabores, que decorre no Centro Logístico de Pinhel, com a participação de cerca de 50 produtores, haverá ainda provas comentadas de vinhos, degustações de produtos regionais, showcookings, um seminário dedicado ao tema da Internacionalização, uma área de restauração com várias propostas e, ao longo dos três dias, animação musical a condizer com o ambiente pretendido para este evento.

A 9ª edição do Beira Interior – Vinhos & Sabores, evento organizado pelo Município de Pinhel em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), vai decorrer no próximo fim de semana, entre 15 e 17 de Novembro. A par do Salão de Vinhos e Sabores, que decorre no Centro Logístico de Pinhel, […]

A 9ª edição do Beira Interior – Vinhos & Sabores, evento organizado pelo Município de Pinhel em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), vai decorrer no próximo fim de semana, entre 15 e 17 de Novembro.

A par do Salão de Vinhos e Sabores, que decorre no Centro Logístico de Pinhel, com a participação de cerca de 50 produtores, haverá ainda provas comentadas de vinhos, degustações de produtos regionais, showcookings, um seminário dedicado ao tema da Internacionalização, uma área de restauração com várias propostas e, ao longo dos três dias, animação musical a condizer com o ambiente pretendido para este evento.

As provas comentadas serão conduzidas por Luís Lopes, Diretor da Revista Vinho – Grandes Escolhas, o enólogo Tiago Macena e o escanção Paulo Vale. Os showcookings serão dinamizados por chefes de cozinha da região, que vão usar produtos regionais para partilhar os seus saberes e sabores com os visitantes. A participação nas provas e showcookings é gratuita, mas é preciso fazer a inscrição no secretariado do certame.

Destaque ainda para Concurso de Vinhos “Escolha da Imprensa”, que irá decorrer no dia 15, e para a Maratona BTT – Pinhel Cidade Falcão, iniciativa do Município de Pinhel agendada para domingo, dia 17 de Novembro.  Conheça o programa completo AQUI.

Rota dos Vinhos do Alentejo celebra vinho de talha

rota dos vinhos

A Rota dos Vinhos do Alentejo está a celebrar o vinho de talha, com uma iniciativa que pretende dar a conhecer ao público a suas características, o método de produção e a tradição milenar que lhe deu origem. Nesse sentido, já estão a decorrer, em Novembro, e irão prolongar-se por Dezembro, provas realizadas na Rota […]

A Rota dos Vinhos do Alentejo está a celebrar o vinho de talha, com uma iniciativa que pretende dar a conhecer ao público a suas características, o método de produção e a tradição milenar que lhe deu origem. Nesse sentido, já estão a decorrer, em Novembro, e irão prolongar-se por Dezembro, provas realizadas na Rota que incluem, em exclusivo, vinhos produzidos através do método ancestral de fermentação em talhas de barro. O processo confere-lhes sabores e aromas distintos, que são hoje ligados ao Alentejo e ao seu terroir.

A iniciativa tem a participação de produtores como a Adega Cananó, Adega Cartuxa, Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito, Adega das Flores, Adega de Borba, Adega Marel, Abegoaria Wines, Espaço Rural, Esporão, Gerações da Talha, Herdade dos Outeiros Altos, Hillvalley Limited, PL Wines e Talha de Frades.

A vinificação em talha foi introduzida há mais de dois mil anos no Alentejo pelas mãos dos romanos, mantendo-se até hoje. É um dos símbolos da cultura e tradições da região.

Caves São João: Serena é a mudança

Caves São João

A inovação e criatividade sempre foram uma forma de estar das Caves São João. As influências do melhor que se fazia lá fora eram trazidas pelos seus fundadores, homens viajados e cosmopolitas. Na segunda metade do século XX, todo o país conhecia e reconhecia as referências “Frei João” e “Porta dos Cavaleiros”, rótulos que encimavam […]

A inovação e criatividade sempre foram uma forma de estar das Caves São João. As influências do melhor que se fazia lá fora eram trazidas pelos seus fundadores, homens viajados e cosmopolitas. Na segunda metade do século XX, todo o país conhecia e reconhecia as referências “Frei João” e “Porta dos Cavaleiros”, rótulos que encimavam todas as mesas da restauração portuguesa. Em 1971, antevendo as mudanças do paradigma de consumo de vinhos e espumantes e o surgimento de consumidores que procuravam maior identidade nos vinhos, é adquirida a Quinta do Poço do Lobo, no concelho de Cantanhede e, a partir dali, nasce a marca homónima, passando as caves a possuir vinhos de Quinta.

Como empresa familiar, a Sociedade dos Irmãos Unidos, designação social da mesma, sofreu os reveses das querelas internas. No final da segunda década deste século entrou num período mais conturbado, acabando, por vicissitudes várias, a ser alienada a quase totalidade do capital social a um conjunto de investidores em 2022. A partir daí, aguardavam-se as mudanças que os novos sócios, da área imobiliária e financeira, iriam imprimir à empresa centenária e que é a mais antiga em atividade na Bairrada. Fernando Sapinho, Enrique Castiblanques, Mário Vigário, Nuno Ramos, Paulo Morgado e Mário Mateus, são empresários em diversos ramos de atividade. O vinho surge-lhes como uma paixão racional de quem olha para as Caves São João como um diamante a lapidar.

No centro destas mudanças, ficou Célia Alves, ela que em tempo de marés violentas e tormentas várias, não largou o leme de uma marca secular e histórica, não permitindo que, em momento algum, ficasse à deriva.

Serenamente, os últimos anos foram de restruturação, dando uma nova luz à empresa que, com os seus fundadores, esteve no passado ligada à criação da região demarcada da Bairrada e à Confraria dos Enófilos da Bairrada, que, curiosamente, teve na sua liderança nos últimos anos Célia Alves, que mantém a gerência das Caves conjuntamente com os ativos sócios Fernando Sapinho e Enrique Castiblanques

No passado dia 24 de Junho, Dia de São João, as Caves São João destaparam o véu da revolução tranquila que têm operado, celebrando o seu 104º aniversário com várias novidades. A maior, e porque o palco escolhido para os festejos foi a Quinta do Poço do Lobo, revelou-se na expansão que aquela propriedade teve com esta nova estrutura societária. Ao longo dos últimos dois anos, entre reconversão de área de floresta em vinha e aquisição de parcelas contíguas, houve um aumento da área de vinha em 10 hectares, que se somam aos 30 já existentes. Com o aumento da produção de espumante no horizonte, nascem ali novas plantações das castas brancas Bical, Arinto e Maria Gomes (Fernão Pires).

Do Poço do Lobo ao Porta dos Cavaleiros

A casa, que mantém o classicismo que sempre a caracterizou, não descura o arrojo e ousadia e, na apresentação dos novos vinhos, mostrou que segue de perto as tendências e, para isso, não deixou de surpreender. O Baga Novo Natcool, um tinto da colheita de 2022, mostra toda a irreverência da casta, num vinho disruptivo mas totalmente assertivo. Nascido de uma parceria com a Niepoort, empresa familiar que possui relações comerciais com a empresa bairradina que remontam a meados do século XX, rompe com estigmas e mostra o quanto a Baga em jovem é capaz de criar vinhos absolutamente emocionantes. Nos espumantes, deu-se a conhecer a nova edição do Quinta do Poço do Lobo, na sua versão rosé, da colheita de 2021 e já com mais de 24 meses de estágio. Aqui reinam, num blend que casa com sucesso, a Baga e o Pinot Noir.

Os Porta dos Cavaleiros, marca criada nos anos 60 do século passado, consagrando a investida da empresa bairradina na região do Dão, surgem agora totalmente renovados, impondo, na rotulagem, um maior sentido histórico e arquitetónico, onde o monumento representativo – Porta dos Cavaleiros, como uma das medievais portas da cidade de Viseu – ganha um maior rigor e sentido iconográfico. Nos vinhos, a tradição mantém-se. As Caves adquirem os melhores lotes de tintos e brancos produzidos no Dão e, à maneira antiga, procedem à sua “afinação”, lançando-os no mercado. As duas propostas apresentadas foram o Porta dos Cavaleiros tinto 2022, e o Porta dos Cavaleiros Reserva Especial branco, este uma categoria rara no Dão, apenas ao alcance dos vinhos que se destacam em enorme qualidade na câmara de provadores.

Crescer, solidificar mercados, impor-se como marca de prestígio, aumentar área de vinha e ser um verdadeiro referencial da Bairrada do futuro. Este é o caminho que as Caves São João tão bem está a trilhar para este segundo século de vida que se segue.

Nota: O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico.

(Artigo publicado na edição de Setembro de 2024)

QUANTA TERRA VOLTA A SER DESTINO TURÍSTICO DE VINHO A NÃO PERDER EM 2025

Quanta Terra

Verona, em Itália, aplaudiu a atribuição do prémio “Best of Wine Tourism 2025” ao espaço Quanta Terra, dos enólogos Celso Pereira e Jorge Alves, situada na região do Douro Vinhateiro, que, pela segunda vez (a primeira foi 2023), voltou a ser reconhecida pelo seu potencial na categoria de “Arte e Cultura”, entre mais de 640 […]

Verona, em Itália, aplaudiu a atribuição do prémio “Best of Wine Tourism 2025” ao espaço Quanta Terra, dos enólogos Celso Pereira e Jorge Alves, situada na região do Douro Vinhateiro, que, pela segunda vez (a primeira foi 2023), voltou a ser reconhecida pelo seu potencial na categoria de “Arte e Cultura”, entre mais de 640 candidaturas. “Esta distinção, atribuída por especialistas internacionais, enaltece, naturalmente, o impacto da nossa marca no desenvolvimento do enoturismo e da região. Se, por um lado, nos envaidece, por outro também aumenta o nosso sentido de responsabilidade e a vontade incessante de continuar a fazer mais, e cada vez melhor”, destacam os fundadores, que em 2022, com uma exposição de Joana Vasconcelos e a presença da artista, inauguraram o Espaço Quanta Terra, “num formato fora da caixa”, que mistura a arte com as barricas, onde estagiam os vinhos e as antigas cubas de armazenamento de aguardente.

A marca que celebra 25 anos este ano, tem feito deste local, um projecto de recuperação da antiga destilaria da Casa do Douro assinado pelo arquitecto Carlos Santelmo, um espaço de arte e cultura, em comunhão com os vinhos Quanta Terra. Este ano a Quanta Terra surpreendeu com a inauguração de uma exposição com curadoria da plataforma cultural Underdogs, que inclui uma conceituada obra de Vhils.
A mostra pode ser visitada no espaço da marca, em Alijó, de quarta-feira a domingo, entre as 10h00 e as 17h30, até ao próximo dia 15 de Dezembro. A visita inclui uma prova de vinhos.

Importa referir que os prémios “Best of Wine Tourism” são promovidos pela plataforma Great Wine Capitals em onze das mais prestigiadas regiões vitivinícolas do mundo. Portugal é representado pelo Porto, com candidatos de um cluster das regiões Douro/Porto e Vinhos Verdes.
A categoria arte e cultura deste galardão distingue as adegas enquanto espaços culturais e artísticos de relevo, na forma de exposições temporárias ou permanentes, coleções de arte, museus ou eventos específicos.