Terceiro mandato de Rodolfo Queirós

A Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior conta, pelo terceiro ano consecutivo, com Rodolfo Queirós na presidência. A direção deste órgão institucional integra Agostinho Monteiro e Tiago Cristóvão, respectivamente, na qualidade de representantes da Produção e do Comércio. O Presidente do Conselho Geral, José Madeira Afonso, foi igualmente reconduzido para um terceiro mandato. Para este […]

A Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior conta, pelo terceiro ano consecutivo, com Rodolfo Queirós na presidência. A direção deste órgão institucional integra Agostinho Monteiro e Tiago Cristóvão, respectivamente, na qualidade de representantes da Produção e do Comércio. O Presidente do Conselho Geral, José Madeira Afonso, foi igualmente reconduzido para um terceiro mandato.

Para este triénio (2026-2029), a direção pretende e a elevar a consolidação da marca Beira Interior no universo vitivinícola, assim como valorizar o território através das vendas dos vinhos com denominação DO Beira Interior e IG Terras da Beira, tanto no mercado nacional como além-fronteiras, e do enoturismo, destacando o projecto “Beira Interior Wine Villages” (link: https://biwinevillages.com/pt), integrado na Rota dos Vinhos da Beira Interior.

Natural de Marco de Canaveses, Rodolfo Queirós é licenciado em Engenharia Agrícola, pela Escola Superior Agrária de Viseu, e possui uma pós-graduação em Marketing de Vinhos, pela Escola Superior Agrária de Ponte de Lima. No currículo, conta ainda com o diploma WSET 3 e exerce funções como formador no Turismo de Portugal. É também presidente da Associação das Rotas dos Vinho de Portugal (ARVP) e vogal da direcção da Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (ANDOVI).

 

QUINTA DA FONTE SOUTO: A descoberta dos brancos

Fonte Souto

A viagem da Symington Family Estates – profundamente enraizada no Douro – para o Alentejo levou 135 anos, e não foi em vão. Numa estratégia de diversificação regional, a zona de Portalegre não foi escolhida por acaso. É aquele Alentejo que, contrariando o nosso imaginário colectivo, fica a norte de Lisboa. Está bem mais perto […]

A viagem da Symington Family Estates – profundamente enraizada no Douro – para o Alentejo levou 135 anos, e não foi em vão. Numa estratégia de diversificação regional, a zona de Portalegre não foi escolhida por acaso. É aquele Alentejo que, contrariando o nosso imaginário colectivo, fica a norte de Lisboa. Está bem mais perto de Espanha do que da costa, onde a continentalidade do clima aliada à altitude, entre os 490 e os 550 metros, providenciam uma frescura natural e maior amplitude térmica, mas sem ondas de calor superior a 45° C. As noites bem frescas, mesmo no verão, promovem uma maturação mais lenta e homogénea. “Isto permite esperar pelas uvas e, logo na vinha, fazer uma selecção através de várias passagens”, explica Ricardo Constantino, o enólogo residente da propriedade.

A Symington Family Estates adquiriu a propriedade a João Lourenço (outrora Altas Quintas), em 2017. O negócio incidiu apenas sobre a quinta e a vinha, sem marca nem stock de vinhos. À data da aquisição, dos cerca de 200 hectares da propriedade, 41 eram ocupados por vinha, maioritariamente com castas tintas, sendo apenas 2,5 hectares dedicados a variedades brancas (6% de plantação). “Comprámos esta quinta para [vinhos] tintos. Os brancos foram uma descoberta”, conta Rupert Symington, Presidente da empresa. Assim, os vinhos brancos deixaram de ser vistos apenas como um complemento do portefólio e, hoje, assumem um papel imprescindível na identidade da marca. Logicamente, tornou-se essencial aumentar a presença de castas brancas no encepamento. Entre novas plantações e sobreenxertia, a área dedicada a estas variedades atingiu os 15 hectares, correspondendo a 28% da vinha, composta por Verdelho, Arinto, Gouveio, Alvarinho e Bical, a par com duas internacionais: Viognier e Chardonnay. Nas castas tintas, contam com Syrah, Trincadeira, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Aragonez, Touriga Nacional, Grand Noir, Castelão, uma pequena área de 0,75 hectares com mistura de castas e ainda um pouco de Pinot Noir e de Monvedre. Esta última é uma casta do Dão, mas, em Portalegre, é conhecida como Tinta de Olho Branco, porque na altura de rebentação tem escamas brancas. “É muito ácida, tânica e rústica”, nota Ricardo Constantino.

Vindimam manualmente, uma vez que em Portalegre ainda é possível arranjar mão de obra. Praticam, desde o verão passado, a vindima noturna, o que permite que a uva chegue fresca à adega, dispensando o recurso à refrigeração e reduzindo o consumo energético. Por sua vez, a adega exigiu uma intervenção profunda. O telhado teve que ser reparado, pois “chovia dentro como se fosse na rua”, recorda Charles Symington, Director de Produção da empresa. Sem grande confiança no histórico dos balseiros existentes, optou-se pela sua substituição por cubas de inox. A zona de receção foi ampliada, no sentido de favorecer uma gestão mais cuidada da vindima. Foi recuperada a antiga adega com talhas. Contudo, para já, funciona apenas como um pequeno museu em homenagem à história da quinta e da região. Como refere o enólogo residente, na zona de Marvão ainda subsiste a tradição de se fazer vinho de talha, acção localmente conhecida como “fazer vinho em pote”.

As dificuldades e “surpresas” iniciais estão a ser ultrapassadas ao mesmo ritmo que se comprova o potencial do lugar e a qualidade dos vinhos. Para a Symington, a Quinta da Fonte Souto representa o investimento a longo prazo, um compromisso estratégico inscrito numa visão de futuro. “Não viemos cá para uns anos. Viemos para ficar muitos anos”, afirma Charles.

Mini-vertical

O Quinta da Fonte Souto branco resulta sempre de uma aliança entre Arinto, que representa cerca de 75% do lote, e Verdelho. Uma pequena prova vertical demostrou dois aspectos: a variação natural de cada colheita, própria de vinhos que procuram expressar o ano vitícola, e o processo de aprendizagem sobre as castas, as condições da Serra de São Mamede e da consequente adaptação da abordagem enológica. Na vindima inaugural de 2017, usou-se naturalmente mais barrica nova de 500 litros; em 2018 já houve barricas de segundo uso; e, em 2019 e 2023, utilizaram-se barricas de segundo e terceiro ano, com 10% e 15% do vinho, respectivamente, a estagiar em inox para preservar a frescura varietal. Também ficou claro que, no caso da casta Verdelho, determinados níveis de tosta não funcionam.

O Quinta da Fonte Souto 2017 resultou de um ano quente. “As maturações evoluíram rapidamente. Tivemos de fazer o jogo de cintura e tivemos muito menor área de brancos, na altura. Porém, mesmo assim, o resultado agradou muito e mostrou o potencial: volume, textura e frescura”, garante Charles Symington. O vinho revelou nariz com complexidade de evolução, repleto de laranja doce, tosta, especiaria, ervas aromáticas e mel; revela-se suculento, cremoso, com volume, frescura natural e leve amargo. (17)

A vindima de 2018 começou tardíssimo, devido a uma vaga de calor que atrasou o processo de maturação. “Só começámos vindimar a 12 de Setembro e terminámos em 19 de Outubro”, conta Pedro Correia, o enólogo da empresa. Dourado na cor, com aroma mais fresco, a lembrar ananás, laranja, leve flor de laranjeira, hortelã e gengíbre. Um pouco menos complexo na boca, madeira mais discreta, textura amanteigada e final salivante. (17)

Já o Quinta da Fonte Souto 2019 foi o fruto do ano ameno, com elevadas amplitudes térmicas durante os meses mais quentes e produções relativamente baixas. Uma particularidade: o vinho apresenta mais de 14% de teor alcoólico o que, na prova, não comprometeu a frescura. Novamente, sente-se a influência do ano: a videira fotossintetiza permanentemente durante o dia, mas, com noites frias, a acidez não cai tão depressa e a uva acaba por acumular bastante açúcar. Madeira menos evidente, notável complexidade com destaque para os citrinos, como laranja e tangerina, alperce e ananás; tudo muito afinado na boca. (17,5)

Segundo o enólogo residente, no ano 2023 a vindima foi muito precoce e longa. Decorreu de 7 de Agosto a 13 de Outubro. Tiveram uma semana de paragem devido à chuva e registaram um mês de diferença na maturação entre as parcelas de Arinto. Neste ano, entrou mais Verdelho no lote (35%). Ainda é muito jovem em comparação com os vinhos anteriores. Mostra-se citrino e mais vegetal, com folhas verdes, especiaria e cominhos; denso, com acidez presente e novamente a confirmar o componente vegetal, bem integrado no perfil. (17,5)

A produção do Quinta da Fonte Souto branco triplicou desde a primeira vindima em 2017, com cerca de 8.000 garrafas para aproximadamente 24.000 garrafas.

 

“Comprámos esta quinta para tintos. Os brancos foram uma descoberta”, afirma Rupert Symington

 

Ensaios de tintos

Provámos expressões monovarietais de duas castas, ambas de carácter vincado, embora manifestem comportamentos diametralmente opostos. Se o Alicante Bouschet é consistente e fiável na entrega de qualidade, o Alfrocheiro revela-se mais exigente e sensível, não tolerando bem a chuva. Como observa Pedro Correia, “nem sempre as condições se reúnem, mas quando isso acontece, dá um grande vinho”, como ficou demonstrado na prova a seguir.

Do Quinta da Fonte Souto Alicante Bouschet 2018 foram produzidas 6.267 garrafas e o vinho ainda se encontra disponível no mercado, com um PVP de €30. É uma expressão do ano mais tardio, quando era preciso esperar pelas maturações. Estágio em barricas de segundo ano, para preservar aromas varietais, escuro e opaco, groselha preta esmagada e macerada, casca de árvore fresca e vegetal doce. Cheio, denso, musculado e um pouco amargo no final a lembrar azeitona preta. (17,5)

Do Quinta da Fonte Souto Alfrocheiro 2019 foram produzidas 6.211 garrafas e esta referência está completamente esgotada (resta esperar quando as condições se reúnem novamente). Fragrante, atraente, intrigante; nuance floral bonita, cereja e ameixa, aneto e eucalipto, louro, mentol e caruma; suculento e envolvente, com fruta pura, mas também com complexidade, sedoso e sedutor. (18).

Fizeram também um Field Blend em 2020 e um monovarietal de Syrah em 2021, que ainda não se encontram em comercialização. Fica o teaser.

Taifa 2022 

Esta é a terceira edição. A primeira foi um monovarietal de Arinto, vinificado 100% em barrica nova. Este lote de 2022 combina 70% de Arinto com 30% de Verdelho, demonstrando uma notável sinergia entre as castas. Fruto de uma vindima minuciosa, realizada em várias passagens pelas mesmas parcelas, o vinho fermentou em barrica, com uma menor proporção de madeira nova (70%), de modo a realçar a fruta e conferir maior equilíbrio. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês e húngaro e dois anos em garrafa, o que explica a sua óptima integração no momento do lançamento. Foram produzidas 3.215 garrafas e 15 em Magnum.

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

 

QUINTA DONA SANCHA: Vinho frescos e sedutores

dona sancha

A Quinta Dona Sancha apresentou num almoço, que decorreu no restaurante Pabe, em Lisboa, seis referências de vinho, de três gamas diferentes, entre as quais estiveram presentes as novas colheitas da gama Avarenta tinto e branco, o Quinta Dona Sancha Encruzado e Touriga Nacional. O Vinha Ancestral tinto de 2019 e o monocasta de Jaen […]

A Quinta Dona Sancha apresentou num almoço, que decorreu no restaurante Pabe, em Lisboa, seis referências de vinho, de três gamas diferentes, entre as quais estiveram presentes as novas colheitas da gama Avarenta tinto e branco, o Quinta Dona Sancha Encruzado e Touriga Nacional. O Vinha Ancestral tinto de 2019 e o monocasta de Jaen de 2022 foram as duas novidades absolutas.

Rui Parente, o produtor da Quinta Dona Sancha, defende que os seus vinhos já demonstram hoje uma matriz de sabores e aromas que os diferenciam

 

Pensados ao detalhe

Segundo Rui Parente, fundador do projecto e proprietário da Quinta Dona Sancha, os vinhos apresentados “foram pensados ao detalhe, para despertar lembranças e emoções”, expressando “a identidade que procuram afirmar, desde a primeira vindima”, o terroir de Silgueiros, da região do Dão. O enólogo Paulo Nunes tem sido o consultor da empresa desde o primeiro dia, contribuindo, com o seu conhecimento, e saber fazer, para a produção e comercialização de vinhos, com a frescura e elegância que os caracteriza. Rui Parente, que já o conhecia há muitos anos, ainda antes de se dedicar à produção de vinhos, já tinha encetado conversações, para que se envolvesse neste projecto antes de o iniciar.

O objectivo, desde o início, foi procurar fazer vinhos com identidade, marcados pelas características que diferenciam o terroir de Silgueiros e do Dão, “acreditando que havia espaço para colocar a região na rota do sucesso, o lugar que um território com pergaminhos históricos na produção de vinho de qualidade merece”, defendeu Rui Parente no dia do lançamento, salientando que, à sexta vindima, a empresa mostra que é uma empresa representativa daquilo que é a sub-região de Silgueiros, a quinta e o terroir. “Acabámos de os provar e a identidade da quinta nota-se em todos os vinhos”, salientou, com algum orgulho, nesse dia, defendendo que mostram “uma matriz que identifica o projecto, o que tem sido o meu objectivo de médio e longo prazo desde o primeiro dia”.

dona sancha
Paulo Nunes, enólogo consultor da empresa

50 hectares de vinha

A Quinta Dona Sancha nasceu de um sonho de Rui Parente. Os pais produziam vinhos para terceiros, sem marca, mas o empresário teve sempre esse desejo de criar um projecto próprio na Região do Dão. Talvez tenha sido essa a finalidade de iniciar o percurso no sector ainda muito jovem, lançando-se por conta própria em 2011, quando criou o seu negócio, a Cave Lusa, em Viseu, que inclui uma garrafeira e uma empresa distribuidora de vinhos.

A oportunidade de se estrear na produção surgiu em 2018, com a compra de duas propriedades que constituem, hoje, a Quinta Dona Sancha, uma referência na região do Dão situada a 12 quilómetros de Viseu, com cerca de 47 hectares de vinha e um portefólio reconhecido pela autenticidade e pela elegância dos seus vinhos.

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

Sua excelência a batata

batata

A batata tem uma história longa para contar. São mais de oito mil anos, desde que os primeiros exemplares medraram e eclodiram nos planaltos da grande cordilheira dos Andes, na América do Sul. É um tubérculo, pois cresce enterrada até ser colhida. Assim retém e acumula o máximo de nutrientes e de água. É fonte […]

A batata tem uma história longa para contar. São mais de oito mil anos, desde que os primeiros exemplares medraram e eclodiram nos planaltos da grande cordilheira dos Andes, na América do Sul. É um tubérculo, pois cresce enterrada até ser colhida. Assim retém e acumula o máximo de nutrientes e de água. É fonte importante de energia e podemos compará-la com alimentos da mesma categoria. Um quilo de batatas fornece-nos 73,6 kcal e contém 14,8 gramas de hidratos de carbono. Destes, 14,1 gramas são de amido e 0,7 gramas são de fibra. E há outros dados importantes, distintivos e diferenciadores da batata em relação aos restantes tubérculos e rizomas. Nesse mesmo quilo de produto, obtemos 2,3 gramas de proteínas e 0,11 gramas de gordura. Em termos de minerais, a vitamina C contabiliza 17 miligramas e o cálcio 6,9 miligramas. A cenoura mostra-nos um cenário diferente. O conteúdo energético é de 39,5 kcal, cerca de metade da batata, 6,9 gramas de hidratos de carbono, dos quais 4,3 gramas de amido e 2,6 gramas de fibra. Já a batata doce apresenta 114 kcal e 24,1 gramas de hidratos de carbono. O conteúdo aproximado de hidratos de carbono é de 24,1 gramas. Destes, 19,5 gramas são amido e 3,1 gramas são fibra.

É impossível não deitar o olho à cherovia ou pastinaca. O conteúdo energético é de 70,1 kcal, semelhante à batata, enquanto tem apenas 11,1 gramas de hidratos de carbono, e uns parcos 5,6 gramas de amido. São as pequenas diferenças que fazem da batata um alimento único e, quando cozinhado e consumido com contenção, é bastante saudável. O teor de amido é o elemento diferenciador das variedades de batata entre si e, deste modo, lhes damos destinos culinários distintos. Os oito mil anos iniciais da batata devem ser 12 mil, se tivermos em conta que foi no Chile tudo começou. A adopção do tubérculo no estado selvagem terá acontecido com os índios mapuches e araucanos.

A domesticação da batata, tal como a conhecemos, dá-se aproximadamente dois mil anos antes da era cristã. Aconteceu nos planaltos dos Andes. A flor da batata do Perú e da Bolívia é cor de rosa, enquanto a do Chile é branca. O assunto não é despiciendo, porque a maioria da carreira da batata ao serviço dos humanos aconteceu enquanto planta ornamental. Que, diga-se, tem os seus encantos.

Bem-vinda à humanidade!

A batata chegou à Europa no século XVI pela mão dos conquistadores espanhóis. O primeiro registo foi feito por Pedro de Cieza de León, numa obra exaustiva dedicada à história do Peru. Trabalhou intensamente com Francisco Pizarro, conhecido como o feroz conquistador espanhol, anotando, descrevendo e levantando costumes, técnicas e produtos. Dedicou parte significativa da sua obra à batata. Conta, em particular, que o consumo no Perú terá começado em 1538 e como se secavam ao sol, para aumentar a sua longevidade. As primeiras batatas foram inicialmente enviadas a Filipe II, rei de Espanha, em 1834, que, por sua vez, as enviou para o Papa Pio IV. E foi assim que se iniciou a epopeia deste tubérculo em Espanha e em Itália. E não só. Um enviado do Vaticano levou amostras do tubérculo a Philippe de Sivry, governador belga em Sivry, que o passou, em 1588, ao reputado botânico Charles de l’Écluse, também conhecido como Clusius. Em 1601, este publica a primeira descrição científica da papas peruanorum, o que difundiu este tubérculo por toda a Europa, incluindo Portugal.

Entretanto, em 1580, tinham já chegado as primeiras batatas a Inglaterra, provenientes da província americana da Virgínia, trazida pelos primeiros colonos. A proveniência mais provável terá sido do México. Dali terá migrado para a América do Norte, donde transpôs o Atlântico rumo a Inglaterra e à Irlanda, e, depois, o resto da Europa. A que conhecemos como batata é, provavelmente, resultado do cruzamento dos tubérculos da Virgínia e do Perú.

O termo batata surge da designação em espanhol “patata”. Curiosamente, vem da batata doce, variedade Ipomea batatas. O país vizinho concatenou “papa” – da língua nativa Quechua – com “batata”, que, numa língua ainda mais ancestral, queria dizer batata doce. O batismo definitivo de batata, patata e patate, respetivamente, em português, espanhol e francês, aconteceu nos relatos escritos da grande viagem de Fernão de Magalhães.

batata

Eis que surge Parmentier

Mesmo após ganhar reconhecimento de iguaria comestível e interessante, a evolução da batata tardou a penetrar no quotidiano. Em França, gozava de má reputação, principalmente por não se conseguir panificar – imagine-se! – e também por apresentar parco sabor. Pior ainda, eram-lhe atribuídas diversas doenças graves, algumas mortais. As coisas não foram, de facto, fáceis para o pequeno tubérculo. Porém, tudo mudou com Antoine Augustin Parmentier. O consagrado especialista conseguiu impor as virtudes deste produto hortícola. Ele próprio foi prisioneiro das tropas prussianas, que lhe deram batata para comer, com o fim de o torturar, mas espantosamente sobreviveu. Uma coisa leva à outra e, em 1785, acontece o momento mais feliz da epopeia da batata: o rei Luís XVI foi convencido por Parmentier a plantar os primeiros botões de flor deste tubérculo.

Grandes vultos da época, como Benjamim Franklin, Vilmorin, Lavoisier e até mesmo o próprio Voltaire, renderam-se aos encantos da batata. França, famosa pela vanguarda culinária e agrícola, adoptou com força e apego a batata. Num golpe de génio, Parmentier decide plantar batatas em Paris, em hortas vigiadas pelo exército. Conhecedor profundo do género humano, sabia que isso iria despoletar a migração imediata para as hortas da periferia. O fenómeno contagiou todo o continente europeu e o tubérculo ganhou grande popularidade, para nunca mais a perder.

Nós, por cá, ainda oferecemos alguma resistência à adopção estrita da batata enquanto acompanhamento preferencial. São vários os pratos da grande tradição nacional que ainda apresentam este tubérculo com arroz e, muitas vezes, com castanhas. Ainda estamos a atravessar um período de transição, para o qual ainda não se vê nem se prevê o fim. Por outro lado, os nutricionistas parecem estar contra a batata na alimentação diária. Dizem, demonstram e provam que engorda.

O mítico chef francês Joel Robuchon trocou as voltas à ciência ao criar o puré de batata que veio a receber o seu nome. Fê-lo com base em batatas da variedade Ratte, originárias da província de Ardeche, em França. Trata-se de uma batata pequena e alongada, com pele muito fina e sabor evocativo da castanha. A receita é incrivelmente simples e o resultado é sempre brilhante. Um quilo de batata Ratte, 300 gramas de manteiga e 30 centilitros de leite gordo são os ingredientes de que precisamos para chegar ao puré genial do grande mestre. As batatas são cozidas com casca e, quando amornam, pelam-se com cuidado e passam-se pelo passevite. A manteiga, bem fria, corta-se em pequenos cubos, que se vão juntando, um a um, ao preparado do puré, batendo à mão devagar. O leite morno vai-se juntando e homogeneizando. Ao fim de cerca de uma hora, está feito o puré. E, em princípio, ficamos sem forças no braço. A verdade é que é um grande desafio. Tentei várias vezes fazê-lo com a varinha mágica e o resultado foi medíocre. Na Bimby, ainda foi pior. Tem mesmo de ser batido à mão, com varas.

Quando se consegue o primeiro, nunca mais se quer outro. Nem aqueles para quem cozinhamos habitualmente. Confesso que não sou tão kafkiano, mas dou razão a quem fica viciado. O puré deixa de ser acompanhamento para passar a ingrediente primordial. É mesmo uma delícia! Só consegui fazer com Ratte uma vez, porque trouxe de França, mas normalmente faço com a variedade de batata Agria, que tem bastante amido, característica muito favorável no que concerne ao processamento do puré. Curiosamente, também gosta da fritura, fica estaladiça por fora e impecável por dentro. Há apenas que fazer alguns testes por sua conta, para afinar a técnica.

Uma batata rica em amido é a melhor para fritar ou assar. Já o baixo teor de amido aponta mais para cozer. Mas as que têm um nível de amido médio são flexíveis. Por isso, vale a pena sistematizar um pouco e escolher a que melhor se adapta ao objetivo pretendido.

Sucesso mundial

Quando por terras de Annecy, na Alta Sabóia francesa, provei o primeiro gratin dauphinois vieram-me as lágrimas aos olhos. As batatas cortadas bem fininhas na mandolina e montadas com molho branco em camadas, alternadas com três queijos, e levadas ao forno, são gloriosas e acompanhamento universal de um prato de carne forte e apurado. Raramente, faço ensopado de borrego sem o gratin a acompanhar. Curiosamente, liga melhor com um branco de Arinto de três ou quatro anos, do que com um tinto. Se for um bom Sauvignon Blanc, ainda melhor. É o céu!

Uma outra preparação favorita de batata é o rosti. A batata é moída e ligada com legumes à escolha; por exemplo, cenoura. Junta-se-lhe queijo São Jorge novo moído, montam-se os pastéis achatados e fritam-se na sertã, em óleo bem quente. Quando se utiliza presunto no rosti, um tinto sem madeira pode funcionar bem, mas se optarmos, por exemplo, por feijão verde ou brócolos – fica delicioso, já agora –, há que chegar-lhe um Alvarinho jovem. A batata rosti recebe, muitas vezes, a designação de batata suíça, justamente pela utilização forte de queijos diversos. É das mais flexíveis e não enjeita um tinto jovem aromático pouco extraído. Merlot é casta amiga da empreitada.

A batata frita é uma extraordinária invenção e configura perdição, quando bem aplicada. Chamamos batata frita à belga, aquela de que mais gostamos, e passa por duas frituras. A primeira a cerca de 150º C e a segunda a 180º C. Há que ter o cuidado de as demolhar por meia hora antes de todo o processo, para libertar o máximo de amido possível. Caso contrário, uma batata rica em amido carameliza e perde o interesse enquanto alimento. No intervalo das duas frituras, é importante escorrer bem e passar por papel absorvente.

A tortilha de batata à espanhola é a delícia de que todos gostamos e é parente próxima da batata suíça, de que falámos atrás. As batatas poutine, muito populares no Canadá, são fritas e consomem-se com pasta de queijo derretido e um molho de carne assada por cima. Já os gnocchi, italianos de gema, são feitos de batata cozida amassada com queijo e posteriormente processados como se de uma massa se tratasse. A preparação aloo gobi, popular na Índia, para mim deliciosa, utiliza um método semelhante ao dos gnocchi e é feita com couve-flor e batata. Excelente com rosé. Prove-a com Mateus rosé e vai ver como se converte em três tempos ao nosso campeão mundial. Mais canónico é o aligot, que se faz por terras de França. É uma esmagada de batata com queijo. Aqui vale a pena ensaiar o mágico e infalível Cabernet Sauvignon. Surpresa garantida!

Nos países da Europa de Leste, as latkes, pequenas panquecas de batata, são fascinantes bases de uma refeição. Pode acrescentar vários ingredientes à vez ou fazer experiências à vontade. Gosto muito das batatas Hasselback. Pegue numa batata grande, coza-a com casca, faça-lhe incisões com uma faca quase até ao fundo e leve-a ao forno quente por algum tempo. Mostarda de Dijon bem picante faz desta iguaria uma delícia dos deuses. Não se esqueça, contudo, da nossa batata assada a murro. Não há igual no mundo para acompanhar o bacalhau ou o polvo à lagareiro.

A viagem que fizemos pela excelente e rainha batata não nos coloca propriamente na crista da onda da história, no tocante à alimentação. Mas temos as nossas boas recompensas e mil receitas históricas, que adoramos e não dispensamos. E, à boa maneira portuguesa, temos todo o direito a fazer iscas com batatas fritas. Ou empadões de quase tudo, que harmonizamos com combinações de purés e legumes, e nos fazem viajar mentalmente, esvoaçando pelo mundo. Entre considerações e efabulações, não toquei nos pratos da cozinha peruana, nem na diversidade incrível das batatas ainda em produção pelas escarpas altas do Perú. Fica para uma próxima. Boas experiências!

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

MANICHE: Depois do futebol, o champanhe

Maniche

Nuno Ricardo de Oliveira Ribeiro, mais conhecido como Maniche dentro das quatro linhas do retângulo futebolístico nacional, foi um dos raros atletas que envergou a camisola dos três clubes conhecidos como os grandes do futebol português. Germinou no Benfica, foi campeão europeu no Futebol Clube do Porto e pendurou a chuteiras, depois de uma rápida […]

Nuno Ricardo de Oliveira Ribeiro, mais conhecido como Maniche dentro das quatro linhas do retângulo futebolístico nacional, foi um dos raros atletas que envergou a camisola dos três clubes conhecidos como os grandes do futebol português. Germinou no Benfica, foi campeão europeu no Futebol Clube do Porto e pendurou a chuteiras, depois de uma rápida passagem pelo Sporting, clube do coração e do qual era sócio. Entretanto, foi ainda atleta de clubes bem conhecidos dos adeptos de bom futebol.

Enquanto jogador foi um médio com grande apetência para municiar o ataque e explorou, com grande sucesso, a apetência para a marcação de golos muito vistosos de longa distância. Para a história, ficou aquele contra a Holanda, no Euro 2004, de um dos ângulos da grande área. Em todo este percurso de sucesso houve um denominador comum – a camisola com o número 18.

Quando pendurou as chuteiras, em 2011, ainda tentou enveredar pela carreira de treinador. Orientou o Paços de Ferreira e a Académica de Coimbra, enquanto adjunto. No entanto, no ano de 2016 encerrou esta nova faceta no mundo de futebol, para dar lugar a uma paixão que fermentava com cada vez maior intensidade.

 

“Eu não podia escolher um parceiro qualquer. A mim só me interessam os produtos de topo”, afirma Maniche

 

Do Douro para Champagne

O pontapé de saída no mundo dos vinhos foi dado em 2016 com a compra de vinhas no Douro e posterior lançamento de dois vinhos em parceria com a Quinta da Pacheca. A enologia coube a Maria Serpa Pimentel. Esse seria apenas o primeiro passo na fileira vínica nacional. Tal como na vida futebolística, a paixão de Maniche cresceu e galgou fronteiras em direção à região de Champagne, mais especificamente Reims, localizada no nordeste de França, onde assinou uma nova parceria com uma casa com 400 anos de história desenvolvida ao longo de treze gerações de produtores. Nada mais do que uma das mais prestigiadas referências da região, a Maison Cattier, casa fundada em 1625 pela família homónima. Tal como referiu Maniche: “este foi um passo muito pensado e ponderado tendo em vista a internacionalização do nosso portefólio. Eu não podia escolher um parceiro qualquer. A mim só me interessam os produtos de topo.”

Ainda assim, o vínculo entre o futebol e o vinho volta a fortalecer-se através de um acaso que deveria estar escrito no firmamento futebolístico. Jean-Jacques Cattier, líder da pretérita geração familiar, que conseguiu guindar e cimentar a marca como um produto muito exclusivo e de grande sucesso mundial, também é um dos principais acionistas da equipa Stade de Reims.

O Reims é um dos clubes com mais vitórias na história do futebol francês, com um palmarés que inclui a conquista de seis títulos da Ligue 1, duas Taças da França e cinco Troféus dos Campeões. O clube também ostenta um bom desempenho a nível europeu – no currículo apresenta duas finais, nas edições de 1956 e 1959, da Taça dos Campeões da Europa, a conquista da Taça Latina e da Taça dos Alpes em 1953 e 1977.

Nas palavras de Maniche: “Esta é uma união carregada de pontos comuns, com um futebol ganhador de títulos e de conquistas memoráveis”.

 

Maniche

 

“Esta é uma união carregada de pontos comuns, com um futebol ganhador de títulos e de conquistas memoráveis”, declara o ex-futebolista

 

Novas aquisições vínicas

Nesta renovada temporada de desafios, Maniche apresenta dois champanhes denominados, Cattier Emedezoito by Maniche Brut rosé Premier Cru e Cattier Emedezoito by Maniche Brut Premier Cru. Ambos foram lançados ao público na cidade do Porto, seguido de um evento internacional em Madrid.

Segundo as palavras de Maniche, o primeiro foi produzido “pela adição de vinho tinto à mistura”. É um Brut rosé Premier Cru, que “reflete a qualidade das castas Pinot Noir e Pinot Meunier da Montagne de Reims e a sua deslumbrante complexidade aromática”. Já o segundo “foi produzido a partir de uma mistura dominada por Pinot Noir das minhas nove aldeias favoritas, caracterizando-se pela sua elegância, generosidade e personalidade intensamente frutada, dada pelos três anos de estágio”, concluiu.

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

 

M&A Creative Agency galardoada 3X

M&A Creative

Entre mais de 3.900 projectos a concurso provenientes de 57 países, a M&A Creative Agency foi a única agência portuguesa premiada premiada na categoria de Packaging dos Winner German Design Awards 2026. Melhor ainda, recebeu três distinções atribuídas pelo júri internacional independente desta iniciativa organizada pelo German Design Council. Este reconhecimento no panorama internacional do […]

Entre mais de 3.900 projectos a concurso provenientes de 57 países, a M&A Creative Agency foi a única agência portuguesa premiada premiada na categoria de Packaging dos Winner German Design Awards 2026. Melhor ainda, recebeu três distinções atribuídas pelo júri internacional independente desta iniciativa organizada pelo German Design Council.

Este reconhecimento no panorama internacional do design deve-se ao trabalho desenvolvido entre a M&A Creative Agency e a Casa Aragão, de Trás-os-Montes, a Herdade Grande, do Alentejo, e a Agromariense Copp, dos Açores. Os galardões distribuem-se, respectivamente, pelo Azeite Virgem Extra Premium Podence, pelo Azeite Virgem Extra Herdade Grande, também produtor de vinhos, e pelos vinhos Céptico IG Açores, da Cooperativa de Agricultores Agro-Pecuários da Ilha de Santa Maria, Açores.

De acordo com o comunicado, a agência de comunicação, design e packaging nacional, tratam-se de projectos que “representam a singularidade cultural do pais” e estão integrados em regiões, com “tradições centenárias enraizadas nas pessoas que vivem e ‘lutam’ diariamente para que se mantenham vivas por muitas décadas de forma sustentável”.

THE FLADGATE PARTNERSHIP: Encontro intimista com o Douro

Fladgate Partnership

Numa época em que o consumo do vinho, em particular do Vinho do Porto, regista uma diminuição significativa no país, o enoturismo é considerado uma fórmula eficaz na retoma do incremento do sector vitivinícola, mas com a salvaguarda óbvia: ‘beba com moderação’. Até porque, vale a pena percorrer parte da ‘melhor estrada do mundo’, designativo […]

Numa época em que o consumo do vinho, em particular do Vinho do Porto, regista uma diminuição significativa no país, o enoturismo é considerado uma fórmula eficaz na retoma do incremento do sector vitivinícola, mas com a salvaguarda óbvia: ‘beba com moderação’. Até porque, vale a pena percorrer parte da ‘melhor estrada do mundo’, designativo atribuído ao troço curvilíneo, com cerca de 30 quilómetros, da Estrada Nacional 222. Aquele liga a cidade de Peso da Régua ao Pinhão, acompanha a margem do rio Douro e oferece uma vista singular para os patamares serpenteantes característicos da região demarcada mais antiga do mundo, à qual foi dado o nome do referido curso fluvial.

Estrada fora, ninguém fica indiferente à beleza paisagística que muda de tom consoante a estação do ano. Do verde da primavera aos tons dourados e avermelhados do outono, passando pelo salpicar de cores várias pontuadas pelo movimento formigante dos ranchos, aquando da vindima, a marcar a época de estio, terminando nas tonalidades escuras das cepas espalhadas pelos montes, desde a quota mais baixa ao topo das colinas, onde tudo muda a bel-prazer da natureza entre equinócio e solstício. À boleia da The Fladgate Partnership – grupo detentor de casas do Vinho do Porto e com um portefólio recentemente complementado por vinhos tranquilos das regiões do Douro, Vinhos Verdes, Dão e Bairrada –, fomos conduzidos a quatro propriedades concentradas no Alto Douro Vinhateiro, onde, acima de tudo, o Vinho do Porto está na base do enoturismo. São elas a Quinta do Panascal e a Quinta da Roêda, as unidades The Manor House Celeirós e The Vintage House Hotel, para além do The Yeatman, o hotel vínico localizado fora deste circuito.

Sobre as duas primeiras, tudo indica que o número de visitantes deverá chegar, respectivamente, perto dos 90 000 visitantes e dos 17 000 visitantes, o que representa um aumento de 20% registado nos últimos três anos. O The Vintage House Hotel é o complemento das duas quintas e pode tornar-se indissociável da The Manor House Celeirós, que está a iniciar um novo processo enoturístico dentro da The Fladgate Partnership. O The Yeatman é, por sua vez, a imagem do cliente de nicho curioso com a visita privada à Quinta da Roêda e a refeição intimista na Quinta do Panascal. Mas vamos por partes.

Quinta do Panascal, o diamante duriense

Ao longo do passeio de carro, impera o pequeno desvio de pouco mais de 1,5 quilómetros até à Quinta do Panascal, localizada na freguesia de Valença do Douro, no concelho de Tabuaço. “Temos um dos vales mais antigos do Douro, onde está o Mosteiro de São Pedro das Águas, um mosteiro da era do Românico, fundado no século XIII pelos monges cistercienses. À época, já se produzia vinho e eles próprios adicionavam aguardente, como forma de conservar o vinho”, conta Miguel Campos, coordenador das equipas de enoturismo das quintas do Panascal e da Roêda, e do Centro de Visitas do hotel The Manor House Celeirós, que, juntamente com Paulo Santos, responsável pelo Turismo no Douro, no âmbito da The Fladgate Partnership, aguardam a nossa chegada a esta propriedade de 70 hectares, de portas abertas ao turismo desde 1992. Pertence à The Fladgate Partnership desde 1978 e tem como representante David Guimaraens, diretor técnico de enologia do grupo e rosto da sexta geração desta secular casa de vinhos do Porto da Fonseca, fundada em 1815. O encontro ocorre sob a sombra da esplanada ampliada em 2024, onde são feitas provas com a chancela da casa, a Fonseca. Afinal, estamos no território em que o Vinho do Porto é uma herança cultural a preservar, e onde há uma forte ligação com o vale do rio Távora, que atravessa duas regiões vitivinícolas: Douro e a vizinha Távora-Varosa, separando a Quinta do Panascal – localizada na margem direita deste curso de água – da propriedade situada no lado oposto.

Para conhecer a monumentalidade dos terraços empedrados representativos do Alto Douro Vinhateiro, fez-se a visita guiada de 30 minutos, às vinhas, de 50 hectares. A visita com áudio-guia, disponível em nove idiomas, é a alternativa e realiza-se em 40 minutos. “Há aqui vinhas desde o início do século XX”, avança Miguel Campos, indicando os patamares mais estreitos e com muros toscos, onde, agora, estão plantadas oliveiras. Já a vinha está distribuída por socalcos mais largos, embora o património genético do Douro prevaleça por aqui. Hoje, mais do que nunca, a mudança centra-se nas castas. Segundo o nosso cicerone, estas são selecionadas em função da adaptabilidade relativamente ao solo e à orientação solar. Na lista, constam Tinta Amarela, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca e Tinto Cão. Na época da vindima, as uvas colhidas em vinhas velhas são submetidas a pisa a pé nos lagares em granito instalados no piso térreo da casa principal da Quinta do Panascal, para extrair o mosto. A fermentação é interrompida por meio da adição de aguardente. O vinho é transportado, posteriormente, para os balseiros de mogno e tonéis de carvalho francês, dispostos no espaço contíguo à sala dos lagares. O resultado deste trabalho traduz-se em três tipos de Vintage: o Clássico, o Quinta do Panascal e o Guimaraens.

 

A herança gastronómica duriense traduz-se na comida dita de conforto confecionada na Quinta do Panascal

 

O programa de enoturismo vai além de uma das nove provas de vinhos, da ‘Classic’ à ‘Signature’, bem como da ampla loja instalada na casa secular da propriedade, entre outras sugestões, como o workshop de Vinho do Porto ou o passeio de barco no rio Douro e no rio Távora. Na propriedade, e com o intuito de dar resposta à crescente procura da gastronomia duriense por parte dos turistas, decidiu-se abrir a sala contígua, tornando-a maior, para receber dois grupos e servir entradas diferentes. Cabrito e o bacalhau assados, e o arroz de pato constam na lista das sugestões, além dos bolos de bacalhau e dos rissóis, protagonistas do início de cada refeição.

“Aqui não há fine dining e a ficha técnica é a mão. É uma experiência verdadeiramente regional, com comida de conforto, feita por duas senhoras locais e que transmite cultura e o amor que têm na cozinha e transmitem todo o saber que foram herdando ao longo do tempo”, reforça o coordenador de enoturismo do grupo, referindo-se aos dotes culinários de D. Lúcia e D. Emília, que mantêm este ofício há, respectivamente, 40 e 20 anos, na The Fladgate Partnership. Ambas preservam o serviço personalizado, com reserva obrigatória efetuada, no mínimo, com 24 horas de antecedência, com a garantia de um serviço traduzido na herança cultural no prato.

Quando o tempo não está de feição, a refeição é servida na Sala Fonseca, instalada logo à entrada da casa principal da propriedade. Nos dias soalheiros, o almoço é servido sob a pérgola do terraço, ao ar livre.

 

 

 

Na pacata aldeia de Celeirós

Chegada a hora da despedida, rumamos até à The Manor House Celeirós, unidade de alojamento anexada, em março de 2024, ao portefólio hoteleiro da The Fladgate Partnership. A aquisição reforça a aposta nos vinhos tranquilos – esta compra inclui ainda as Quinta do Confradeiro, com 55 hectares de vinha, e Abelheira, onde está concentrado o encepamento de castas estrangeiras.

Instalado em Casal de Celeirós, no concelho de Sabrosa, este alojamento é constituído por Casa Principal, Casa do Lagar, Casa das Pipas Restaurant e Centro de Visitas de Celeirós. Apesar da estrutura estar montada, foi necessário fazer o levantamento sobre a história e a identidade desta propriedade, para criar a marca e a lançar no mercado. Foi como começar do zero.

A Casa Principal dispõe de 12 quartos. Cada um apresenta uma decoração diferente. Em todos os espaços do interior deste edifício, as alterações passaram a favorecer a entrada de luz natural, desde o piso térreo ao primeiro andar. “Foi preciso libertar do sufoco do mobiliário”, afirma Paulo Santos. Os sofás foram revestidos com novos tecidos de tons mais suaves, para contrastar com a madeira escura predominante no teto e nos armários distribuídos pela casa. “O que interessa está lá fora”, continua o responsável pelo Turismo no Douro da The Fladgate Partnership, chamando a atenção para parte dos 17 hectares de vinha, que preguiça pela propriedade. Em contrapartida, onde outrora havia um lagar de azeite e outro de vinho, está a Casa do Lagar. Esta foi submetida a uma intervenção mais profunda. Aos quatro quartos já existentes somaram outros três, incluindo uma suíte com kitchenette e acesso direto à pacata aldeia de Celeirós. Aliás, dos sete quartos, dois são familiares. “A The Manor House Celeirós é ideal para os hóspedes que gostam de estar ligados à parte da natureza”, resume Paulo Santos. Neste contexto, encaixam as caminhadas pela vinha e pela aldeia, e os passeios de bicicleta. Espaço ao ar livre não falta para os mais novos, bem como a aguardada tranquilidade, requisito tão apreciado pelos casais.

The Manor House Celeirós é o mais recente hotel da The Fladgate Partnership, onde o restaurante e o Centro de Visitas dispõem de todo o portefólio de vinhos tranquilos do grupo

 

A vista privilegiada para a vinha estende-se à Casa das Pipas Restaurant. Espaçoso e luminoso, este edifício foi ligeiramente intervencionado, no sentido de o tornar mais funcional, e ganhou mais vida com a exposição fotográfica alusiva à temática do Douro de outrora. A cozinha permanece nas mãos do chef Milton Ferreira, ofício partilhado no The Vintage House Hotel, com localização privilegiada no Pinhão. “O chef Milton estava na Quinta do Portal e aceitou o desafio de transmitir a identidade do Douro à mesa do restaurante”, resume Paulo Santos. O foco está nos produtos locais e regionais, e a inspiração tem como base as receitas tradicionais. Porém, o chef Milton Ferreira não se inibe em aliar influências de outras latitudes culinárias aos pratos confecionados neste espaço de restauração. A carta de vinhos engloba todo o portefólio vínico da The Fladgate Partnership, com referências do Douro, do Dão, da Bairrada e dos Vinhos Verdes. Para Miguel Campos, esta realidade é uma mais-valia. “Temos todos os vinhos do grupo para prova, para além dos vinhos da Taylor’s e do Portal”, exemplifica.

No Centro de Visitas de Celeirós, onde o xisto e a cortiça coabitam com o betão, a entrada é feita pela loja de vinhos e de produtos regionais, com porta de acesso para a cave de envelhecimento destinada ao Vinho do Porto e ao moscatel. Já o vinho tranquilo descansa a nove metros abaixo da terra, onde os 12º C são uma constante e a humidade prevalece nos 80%. No piso superior, há uma sala de provas complementada por uma área técnica – copa e zona de apoio – e porta envidraçada de acesso ao terraço, com vista para um Douro sem fim. A ideia é destinar este espaço exterior para provas vínicas, ao mesmo tempo que se oferece a envolvente paisagística predominada pelos vinhedos e a morfologia durienses. Os hóspedes do The Manor House Celeirós têm 50% de desconto na visita e prova de vinhos no Centro de Visitas de Celeirós.

Fladgate
Casa das Pipas Restaurant, do The Manor House

 

Quinta da Roêda, a joia da coroa

A manhã soalheira abre caminho à curta viagem até à Quinta da Roêda, com uma área que ultrapassa os 100 hectares. É, desde 1889, a casa da Croft, com localização privilegiada na vila do Pinhão e tem como insígnia o lendário Croft Vintage 1945 ou a eterna relíquia, o Vintage Roêda 1914. A paisagem circundante carregada de vinhas (cerca de 70 hectares) empresta as cores da estação a esta propriedade duriense, adquirida, em 2001, pelo grupo Taylor Fonseca, ano esse em que o grupo passa a designar-se The Fladgate Partnership.

Face ao tamanho do estacionamento, admite-se a popularidade da Quinta da Roêda, cuja “estrutura está centrada no Vinho do Porto”, salienta Miguel Campos. Aqui, o enoturismo é implementado em 2016 e “a partir de 2018, 2019 houve uma explosão enorme de visitas. Atualmente, está em velocidade cruzeiro, mas temos de estar muito atentos, porque o mercado é muito dinâmico e a oferta no Douro é muito maior do que há oito anos”, continua o nosso cicerone. Entre maio e outubro, a Quinta da Roêda tem muita procura, com as manhãs muito requisitadas por grupos grandes. “Da parte da tarde, separo os grupos, de maneira a que as pessoas tenham visitas mais privadas.” Só na época de estio recebe entre 400 a 500 pessoas por dia. “Entre outubro e abril, podemos oferecer aqui visitas praticamente privadas”, acrescenta o coordenador de enoturismo da The Fladgate Partnership.

A cidade do Porto é o ponto de partida para a maioria dos visitantes, dos quais 90% são estrangeiros. “Aqui, 98% das visitas são guiadas”, informa Miguel Campos, mas também há espaço para o self-guided tour, para o qual basta aceder ao QR Code desenhado para o efeito. Ou seja, a aposta no enoturismo tem vindo a ser reforçada, graças ao aumento de turistas de vários pontos do mundo. Segundo Paulo Santos, “2022 foi o ano da recuperação e 2023 foi o ano do grande arranque”. Setembro de 2025 é o mês com a maior receita de sempre.

Entre o vinhedo que se estende colina abaixo, há três hectares de um património vitícola preservado nas vinhas da Ferradura, da Benedita e do Forno, o qual remonta ao início do século XX, isto é, à fase pós-filoxera, onde estão plantados os primeiros exemplares da casta tinta Touriga Francesa, resultante do cruzamento da Mourisco e da Touriga Nacional. O legado estende-se aos patamares desse período da história do Vinho do Porto. As vinhas com mais de 40 anos ocupam 30% da plantação.

O regresso ao Centro de Visitas, instalado nos antigos estábulos restaurados de acordo com a traça tipicamente duriense, ocorre à hora do almoço. A escolha reparte-se entre o buffet regional e o barbecue, servidos no interior ou no terraço do casario. Ambos são preparados para grupos, com o mínimo de 30 pessoas. O piquenique na quinta é a alternativa. É apresentado em formato tradicional nas versões ‘Cesto Clássico’, ‘Cesto Premium’ e ‘Cesto Vegetariano’, e pode ser saboreado com vagar em um dos muitos sítios espalhados pela propriedade. As experiências passam ainda pelas nove provas, que vão da ‘Roêda’ à ‘Commoisseur’, sempre com Vinho do Porto Croft. Em época de vindima, há a possibilidade de somar à visita a degustação de quatro vinhos do Porto e pisar as uvas num dos três lagares tradicionais em granito, na Casa dos Lagares.

Mais abaixo, está outra casa datada dos anos 1920, com tetos em madeira e paredes em xisto, ideal para eventos para grupos grandes, que arrecadam daqui momentos gastronómicos cingidos ao receituário da região do Douro. “Há um constante trabalho relacionado com a memória, porque estiveram numa quinta onde é produzido o vinho que experimentaram no local”, sublinha Miguel Campos.

 

A Quinta da Roêda preserva três hectares de um património vitícola dividido pelas vinhas da Ferradura, da Benedita e do Forno, o qual remonta ao início do século XX, isto é, à fase pós-filoxera

 

Hotel de charme à beira-rio

Com a memória fotográfica bem viva, agraciada pela beleza paisagística impregnada de socalcos e de um verde infinitos, e mais saber acerca do Vinho do Porto, partimos para o The Vintage House Hotel, situado a 1,7 quilómetros da Quinta da Roêda. Contíguo à estação de comboio do Pinhão, este cinco estrelas tem registado um acréscimo em termos de procura. O facto de não fechar as portas desde o verão de 2021 comprova o sucesso. Vale pela presença do rio Douro, do qual é separado apenas pela rua sobranceira a este curso de água, e pela vista para as colinas durienses. A decoração clássica em tons suaves e o conforto complementam a lista de preferências.

A propriedade tinha, em tempos há muito idos, um armazém de vinhos. Pertencia às famílias de Adrian Bridge, CEO da The Fladgate Partnership, e de David Guimaraens. Em 1998, foi transformado numa unidade de charme em pleno Douro vinhateiro, com 43 quartos. Pouco tempo depois, passou por duas empresas hoteleiras e, em 2015, voltou para o grupo. Um ano mais tarde, com as mudanças estruturais no edifício, a oferta passou para 50 quartos. Destes, quatro são master suítes e estão instaladas no piso acima da zona da receção transposta, nesse ano, para o local atual. Com a passagem do tempo, decidiu-se pela instalação, ao ar livre, da estrutura disposta sobre as mesas do Restaurante Rabelo, a par com a fonte construída de raiz. À semelhança do Casa das Pipas Restaurant, a cozinha deste espaço de restauração é da responsabilidade do chef Milton Ferreira, com a primazia dos sabores durienses no prato e uma aposta clara na apresentação contemporânea. Já o Salão do Rio, sobranceiro ao curso de água com o nome da região, é palco do pequeno-almoço. O Bar Library é ideal para uma refeição mais descontraída ou um brinde, antes de seguir para Restaurante Rabelo, ou beber um chá pela tarde, na companhia de um livro, à lareira, nos dias frios de inverno. Aproveite para se informar sobre as experiências vínicas disponíveis no hotel.

Os mercados americanos, inglês e português são de de valor acrescentado para o The Vintage House Hotel, bem como o brasileiro, segundo Paulo Santos. “Trabalhamos muito com grupos. É uma fatia muito importante da nossa faturação”, sobretudo em termos de food & beverage (F&B). “Os meses mais impactantes são abril e maio, setembro e outubro”, continua o responsável pelo Turismo no Douro da The Fladgate Partnership. Quanto a 2026, Paulo Santos mostra-se otimista, revelando que ainda “bebemos muito do turista que passa pela cidade do Porto”.

Montra de vinhos raros e exclusivos

O número de garrafas aproxima-se das 40 000 divididas por 1400 referências vínicas, das quais 97% são nacionais, existentes na Garrafeira, considerada uma das maiores caves de vinhos portugueses do mundo, reservada a provas cegas, masterclasses ou jantares vínicos exclusivos, entre outras experiências desenhadas para hóspedes e visitantes do The Yeatman, o hotel vínico urbano com 15 anos de história, localizado entre caves de Vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia. “A Garrafeira é o nosso showroom”, afirma Elisabete Fernandes, diretora de vinhos deste cinco estrelas pertencente ao grupo The Fladgate Partnership. É a responsável pela formação das equipas na The Yeatman Wine School e, por conseguinte, pelos seis escanções da unidade, bem como pela elaboração do vasto programa associados ao vinho, como os jantares vínicos a ter lugar à quinta-feira de cada mês, as cartas de vinhos nos bares e restaurantes, o Christmas Wine Experience, que decorre anualmente no início de dezembro, ou os sunsets de verão.

“O facto de termos parceiros associados ao hotel filtra muito”, explica Elisabete Fernandes referindo-se aos mais de uma centena de produtores, cujos nomes estão distribuídos por cada quarto do The Yeatman. Cada vinho é provado antes de constarem no The Wine Book. Além de referências nacionais e internacionais, esta lista inclui a seleção de edições raras e exclusivas feita pela diretora de vinhos. “As edições muito exclusivas já vêm alocadas ao restaurante gastronómico”, onde a harmonização do menu de degustação muda com regularidade. Falamos do multipremiado espaço centrado na cozinha do chef executivo aveirense Ricardo Costa, onde, desde o início, tem apostado na valorização do receituário regional do país e da matéria-prima nacional, através de uma ação baseada na contemporaneidade e na criatividade. No entanto, não é descurar a carta de vinhos do The Orangerie, restaurante familiar de comida designada de conforto. Por outras palavras, cada espaço tem uma lista específica no que às edições vínicas diz respeito. Sem esquecer as linhas de copos escolhidos a dedo por Elisabete Fernandes, ação reveladora do rigor implementado, desde o primeiro momento, no The Yeatman, um anfiteatro alusivo aos socalcos do Douro, com vista para o rio Douro e a ‘Invicta’. Inicialmente com seis pisos e 82 quartos, número que cresce para 10 pisos e 109 quartos a partir de 2019, oferece, na maioria dos casos, terraços privados de jardins relvados. “Todos os pisos acompanham a morfologia do terreno”, sintetiza Claire Aukett, diretora de comunicação e relações públicas do hotel.

Fladgate
Elisabete Fernandes, diretora de vinhos do The Yeatman

A filosofia do hotel é visível nas exposições distribuídas pelo hotel, inclusive nas escadas de acesso a cada andar do edifício, com o propósito de cruzar a cultura do vinho e as artes, desde a fotografia à escultura, passando pela pintura. Douro, Porto, Portugal, viagens, cortiça e vinho são temas abordados nesta mostra cultural extensível ao The Yeatman Wine Spa, onde a uva desempenha o papel principal e o vinho tinto partilha protagonismo com a própria matéria-prima a partir da qual é feito.

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

 

Tejo Gourmet em ação!

tejo

Até ao dia 31 Março, 55 restaurantes de Portugal Continental e da ilha da Madeira criam menus de harmonização com Vinhos do Tejo, no âmbito da 12ª edição do Tejo Gourmet, iniciativa que inclui 17 novos espaços de restauração. Este evento gastronómico, organizado pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) e pela Confraria Enófila […]

Até ao dia 31 Março, 55 restaurantes de Portugal Continental e da ilha da Madeira criam menus de harmonização com Vinhos do Tejo, no âmbito da 12ª edição do Tejo Gourmet, iniciativa que inclui 17 novos espaços de restauração. Este evento gastronómico, organizado pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) e pela Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo, é mais do que um concurso, com direito a um painel de jurados, entre gastrónomos e especialistas na matéria, com a missão de avaliar o alinhamento constituído por entrada, prato, sobremesa e referências vínicas da referida região vitivinícola. É, também, o convite aberto ao público em geral a experimentar as novidades dos 56 restaurantes aderentes (espreite AQUI a lista) e conhecer o pairing selecionado entre vinhos certificados DoTejo e Vinho Regional Tejo. Na lista de inscritos para esta edição, a maioria está localizada no centro do país, seguindo-se Porto e Norte, Alentejo, Algarve e Madeira.

A 22 de Maio, no espaço IVV, em Almeirim, onde terá lugar a Gala Tejo 2026, será revelado o melhor restaurante da competição, assim como os que se destacaram pela carta de vinhos e pela harmonização. Sem esquecer os mais bem classificados nos conceitos gastronómicos a que se candidatam: casa de petiscos, cozinha tradicional, cozinha de autor e cozinha internacional. Em cada categoria, serão ainda entregues diplomas de grande ouro, ouro e prata.

O Tejo Gourmet teve início em 2010, com o objetivo de promover os Vinhos do Tejo. De uma competição de índole regional passou a contemplar, dois anos mais tarde, os restaurantes de lés-a-lés do país.