Vinhos do Alentejo na BTL

BTL

De 25 de Fevereiro a 1 de Março, os Vinhos do Alentejo marcam presença na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, em parceria com a ERT Alentejo e Ribatejo. Esta ação está associada à promoção e à aposta reforçada no âmbito da oferta de enoturismo na região, através de um programa diversificado em torno […]

De 25 de Fevereiro a 1 de Março, os Vinhos do Alentejo marcam presença na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, em parceria com a ERT Alentejo e Ribatejo. Esta ação está associada à promoção e à aposta reforçada no âmbito da oferta de enoturismo na região, através de um programa diversificado em torno do universo de Baco. Para o efeito, foram desenhadas mais de uma dezena de provas de vinho a realizar ao longo dos quatro dias da BTL, algumas das quais contam com produtores da região. Objectivo? Mostrar quão diversa é a produção vínica em tão vasto território vitivinícola.

Afinal, o enoturismo é um dos eixos prioritários do Plano Estratégicos dos Vinhos do Alentejo 2026-2031 da Comissão Vitivinícola Regional do Alentejo (CVRA). Sobre esta matéria Luís Sequeira, Presidente da CVRA, declara o seguinte: “o crescimento sustentado do enoturismo no Alentejo confirma a capacidade do território para oferecer experiências autênticas e diferenciadoras, cada vez mais valorizadas pelos visitantes, sendo a presença na BTL, em parceria com o Turismo do Alentejo e Ribatejo, uma oportunidade estratégica para reforçar o nosso posicionamento como um destino onde o vinho se afirma como porta de entrada para a cultura, a paisagem e a identidade do território.”

Eis o ponto de partida para rumar ao Alentejo, com o intuito visitar vinhas, adegas e caves, provar vinhos, participar em workshops e cursos dedicados ao vinho, deixar-se levar nas sessões de vinoterapia, fazer passeios pedestres, de bicicleta e a cavalo pelas vinhas, entre outras experiências que incitam a partir à descoberta.

 

Na Latitude da alta cozinha dos Açores

Latitude

Cinco anos após a inauguração, o restaurante da Azores Wine Company, a adega localizada na encosta Norte da ilha do Pico, nos Açores, de Filipe Rocha e António Maçanita, ganha nome próprio: Latitude. A mudança acontece no sentido de reforçar o projecto gastronómico centrado nos produtos regionais. Todos são submetidos a técnicas contemporâneas e protagonizam viagens gastronómicas […]

Cinco anos após a inauguração, o restaurante da Azores Wine Company, a adega localizada na encosta Norte da ilha do Pico, nos Açores, de Filipe Rocha e António Maçanita, ganha nome próprio: Latitude. A mudança acontece no sentido de reforçar o projecto gastronómico centrado nos produtos regionais. Todos são submetidos a técnicas contemporâneas e protagonizam viagens gastronómicas conduzidas pelo Chef açoriano Rui Batista à volta do vinho, o ponto de partida de todo o roteiro culinário.

Instalado na área mais elevada da adega, o Latitude é uma ampla panorâmica para o mar e as vizinhas ilhas do Faial e de São Jorge. A esta mais-valia, soma-se a arquitetura e a decoração minimalista e cuidada. Já a comida vai muito além da partilha à mesa. É, isso sim, desenhada para ser apreciada ora ao balcão, que circunda a cozinha aberta e oferece uma vista para a adega, onde são saboreados os menus de quatro ou seis momentos, ora na Mesa Pico, obra-prima de Mircea Anghel, artista romeno radicado em Portugal e fundador do atelier Cabana Studio, na qual é servido o menu de 10 momentos.

No contexto vínico, há vários destinos a explorar. Para o primeiro alinhamento de pratos estão elaboradas cinco sugestões de harmonizações, das quais quatro são compostas por três vinhos. A segunda e a terceira propostas de menus apresentam, cada uma, três pairings de vinhos diferentes. No fundo, são roteiros traçados com vinhos nos Açores, dos mais conhecidos aos mais raros, além de outras referências do portefólio António Maçanita (Douro, Alentejo, Madeira e Porto Santo) e de outras ilhas vulcânicas, como Canárias ou Sicília.

A mais-valia? Poder dormir descansadamente na adega da Azores Wine Company e acordar com vista sobre os currais, as vinhas típicas dos Açores.

 

QUINTA DOS LOIVOS: A promessa de uma nova estrela no Douro

Loivos

Se a isso juntarmos a ambição de ali, em Casal dos Loivos, erguer-se, em breve, uma adega e, a partir de Abril, um restaurante de referência com assinatura de um chefe com pergaminhos, de nome Vitor Adão, a que se seguirá, mais tarde, um hotel de charme, ficamos com a ideia que vontade e ambição […]

Se a isso juntarmos a ambição de ali, em Casal dos Loivos, erguer-se, em breve, uma adega e, a partir de Abril, um restaurante de referência com assinatura de um chefe com pergaminhos, de nome Vitor Adão, a que se seguirá, mais tarde, um hotel de charme, ficamos com a ideia que vontade e ambição não faltarão para ali estar, a breve prazo, um dos spots mais mediáticos do Douro. Esta é afinal uma pequena jóia com capitais brasileiros, por um lado, e a criatividade portuguesa, por outro, alicerçada numa meia dúzia de profissionais com provas dadas na região, tornaram possível concretizar em relativamente pouco tempo – foi há poucos meses que comecei a ouvir a experiente Ana Mota falar, com um entusiasmo de menina, sobre o novo projecto em que mergulhou de corpo inteiro.

Hoje, como directora de operações e responsável pela viticultura da Quinta dos Loivos, de 12 hectares, dos quais sete são vinha, sente-se no brilho dos seus olhos o quanto esta tarefa a entusiasma: “É um desafio apaixonante, um investimento de enorme qualidade, único e cativante.” Não está sozinha. Jorge Alves, enólogo consultor, volta a trabalhar na mesma equipa e partilha do entusiasmo: “A Quinta dos Loivos é um projecto emblemático. A altitude, o xisto, o microclima, tudo se junta para criar vinhos únicos.” Jorge Alves conta com o apoio de Adriana Covas, na função de enóloga residente. Por trás, tiveram a vasta experiência no Douro de Bruno Simões, como Business Developer, que concebeu o projecto e resumiu num parágrafo aquilo que o cativou: “A paisagem da Quinta dos Loivos é inigualável – uma visão circular sobre o Douro, onde o rio se revela em três direcções. Do ponto mais alto, junto a um antigo marco militar, vemos seis ou sete concelhos e sentimos o Douro em toda a sua dimensão.”

Produções limitadas

Na mente dos responsáveis, conforme foi insistentemente referido, esteve sempre a preocupação na conservação do riquíssimo património natural que a propriedade usufrui. Neste sentido, uma das grandes mais-valias da Quinta dos Loivos são as vinhas velhas, algumas delas centenárias, plantadas em solos de xisto muito duro e com grande inclinação, que obrigaram a um paciente e demorado trabalho de identificação das castas, operação que contou com a colaboração do viticultor António Magalhães. O resultado desta pesquisa foi surpreendente, na medida em que foram identificadas 74 variedades, o que dá bem a ideia do potencial que a propriedade encerra.

Os vinhos que foram dados a provar à imprensa especializada nesta primeira apresentação, decorrida no restaurante Plano, em Lisboa, dão algumas pistas sobre o que se pode esperar no futuro. Ainda com produções muito limitadas e com recurso a uvas compradas à produção, no caso dos vinhos de entrada de gama, nota-se o fio condutor que norteia o projecto. A marca Venera, constituída por seis vinhos com as gamas Colheita, Reserva e Grande Reserva compreendem as versões branco, rosé e tinto, e chegam ao mercado com uma tipologia de preços bem definida: cerca de 13€ para os Colheita, 30€ para os Reserva, e 40€ para os Grande Reserva.

Já os três vinhos apresentados com a chancela Quinta dos Loivos são produzidos exclusivamente a partir de vinhas próprias, em quantidades muito limitadas (na ordem das centenas de garrafas) e obedecem a um critério curioso e pouco frequente: são lotes feitos, não tanto a partir das suas castas – quase sempre vinhas velhas com variedades misturadas –, mas a partir da orientação solar das várias parcelas da quinta. Assim temos o Loivos Nascente, elaborado com uvas vindimadas nas vinhas voltadas para Leste; o Loivos Poente, de uvas colhidas nas vinhas viradas a Oeste; e o Loivos Sul, onde as vinhas acabam por ter o maior tempo de exposição solar. Esta opção reflecte-se necessariamente no perfil dos vinhos, embora o padrão qualitativo, muito alto, diga-se, não registe alterações significativas.

A expectativa criada é grande e será, por certo, interessante verificar até que ponto, no futuro, com a produção dos vinhos a entrar em modo standard, a qualidade agora apresentada se manterá quando as quantidades produzidas forem substancialmente aumentadas. Arrojo, competência e recursos não faltam para atingir esse desiderato.

 

Os três vinhos com a chancela Quinta dos Loivos são produzidos exclusivamente a partir de vinhas próprias e em quantidades muito limitadas

 Loivos

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

 

 

Terceiro mandato de Rodolfo Queirós

A Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior conta, pelo terceiro ano consecutivo, com Rodolfo Queirós na presidência. A direção deste órgão institucional integra Agostinho Monteiro e Tiago Cristóvão, respectivamente, na qualidade de representantes da Produção e do Comércio. O Presidente do Conselho Geral, José Madeira Afonso, foi igualmente reconduzido para um terceiro mandato. Para este […]

A Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior conta, pelo terceiro ano consecutivo, com Rodolfo Queirós na presidência. A direção deste órgão institucional integra Agostinho Monteiro e Tiago Cristóvão, respectivamente, na qualidade de representantes da Produção e do Comércio. O Presidente do Conselho Geral, José Madeira Afonso, foi igualmente reconduzido para um terceiro mandato.

Para este triénio (2026-2029), a direção pretende e a elevar a consolidação da marca Beira Interior no universo vitivinícola, assim como valorizar o território através das vendas dos vinhos com denominação DO Beira Interior e IG Terras da Beira, tanto no mercado nacional como além-fronteiras, e do enoturismo, destacando o projecto “Beira Interior Wine Villages” (link: https://biwinevillages.com/pt), integrado na Rota dos Vinhos da Beira Interior.

Natural de Marco de Canaveses, Rodolfo Queirós é licenciado em Engenharia Agrícola, pela Escola Superior Agrária de Viseu, e possui uma pós-graduação em Marketing de Vinhos, pela Escola Superior Agrária de Ponte de Lima. No currículo, conta ainda com o diploma WSET 3 e exerce funções como formador no Turismo de Portugal. É também presidente da Associação das Rotas dos Vinho de Portugal (ARVP) e vogal da direcção da Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (ANDOVI).

 

QUINTA DA FONTE SOUTO: A descoberta dos brancos

Fonte Souto

A viagem da Symington Family Estates – profundamente enraizada no Douro – para o Alentejo levou 135 anos, e não foi em vão. Numa estratégia de diversificação regional, a zona de Portalegre não foi escolhida por acaso. É aquele Alentejo que, contrariando o nosso imaginário colectivo, fica a norte de Lisboa. Está bem mais perto […]

A viagem da Symington Family Estates – profundamente enraizada no Douro – para o Alentejo levou 135 anos, e não foi em vão. Numa estratégia de diversificação regional, a zona de Portalegre não foi escolhida por acaso. É aquele Alentejo que, contrariando o nosso imaginário colectivo, fica a norte de Lisboa. Está bem mais perto de Espanha do que da costa, onde a continentalidade do clima aliada à altitude, entre os 490 e os 550 metros, providenciam uma frescura natural e maior amplitude térmica, mas sem ondas de calor superior a 45° C. As noites bem frescas, mesmo no verão, promovem uma maturação mais lenta e homogénea. “Isto permite esperar pelas uvas e, logo na vinha, fazer uma selecção através de várias passagens”, explica Ricardo Constantino, o enólogo residente da propriedade.

A Symington Family Estates adquiriu a propriedade a João Lourenço (outrora Altas Quintas), em 2017. O negócio incidiu apenas sobre a quinta e a vinha, sem marca nem stock de vinhos. À data da aquisição, dos cerca de 200 hectares da propriedade, 41 eram ocupados por vinha, maioritariamente com castas tintas, sendo apenas 2,5 hectares dedicados a variedades brancas (6% de plantação). “Comprámos esta quinta para [vinhos] tintos. Os brancos foram uma descoberta”, conta Rupert Symington, Presidente da empresa. Assim, os vinhos brancos deixaram de ser vistos apenas como um complemento do portefólio e, hoje, assumem um papel imprescindível na identidade da marca. Logicamente, tornou-se essencial aumentar a presença de castas brancas no encepamento. Entre novas plantações e sobreenxertia, a área dedicada a estas variedades atingiu os 15 hectares, correspondendo a 28% da vinha, composta por Verdelho, Arinto, Gouveio, Alvarinho e Bical, a par com duas internacionais: Viognier e Chardonnay. Nas castas tintas, contam com Syrah, Trincadeira, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Aragonez, Touriga Nacional, Grand Noir, Castelão, uma pequena área de 0,75 hectares com mistura de castas e ainda um pouco de Pinot Noir e de Monvedre. Esta última é uma casta do Dão, mas, em Portalegre, é conhecida como Tinta de Olho Branco, porque na altura de rebentação tem escamas brancas. “É muito ácida, tânica e rústica”, nota Ricardo Constantino.

Vindimam manualmente, uma vez que em Portalegre ainda é possível arranjar mão de obra. Praticam, desde o verão passado, a vindima noturna, o que permite que a uva chegue fresca à adega, dispensando o recurso à refrigeração e reduzindo o consumo energético. Por sua vez, a adega exigiu uma intervenção profunda. O telhado teve que ser reparado, pois “chovia dentro como se fosse na rua”, recorda Charles Symington, Director de Produção da empresa. Sem grande confiança no histórico dos balseiros existentes, optou-se pela sua substituição por cubas de inox. A zona de receção foi ampliada, no sentido de favorecer uma gestão mais cuidada da vindima. Foi recuperada a antiga adega com talhas. Contudo, para já, funciona apenas como um pequeno museu em homenagem à história da quinta e da região. Como refere o enólogo residente, na zona de Marvão ainda subsiste a tradição de se fazer vinho de talha, acção localmente conhecida como “fazer vinho em pote”.

As dificuldades e “surpresas” iniciais estão a ser ultrapassadas ao mesmo ritmo que se comprova o potencial do lugar e a qualidade dos vinhos. Para a Symington, a Quinta da Fonte Souto representa o investimento a longo prazo, um compromisso estratégico inscrito numa visão de futuro. “Não viemos cá para uns anos. Viemos para ficar muitos anos”, afirma Charles.

Mini-vertical

O Quinta da Fonte Souto branco resulta sempre de uma aliança entre Arinto, que representa cerca de 75% do lote, e Verdelho. Uma pequena prova vertical demostrou dois aspectos: a variação natural de cada colheita, própria de vinhos que procuram expressar o ano vitícola, e o processo de aprendizagem sobre as castas, as condições da Serra de São Mamede e da consequente adaptação da abordagem enológica. Na vindima inaugural de 2017, usou-se naturalmente mais barrica nova de 500 litros; em 2018 já houve barricas de segundo uso; e, em 2019 e 2023, utilizaram-se barricas de segundo e terceiro ano, com 10% e 15% do vinho, respectivamente, a estagiar em inox para preservar a frescura varietal. Também ficou claro que, no caso da casta Verdelho, determinados níveis de tosta não funcionam.

O Quinta da Fonte Souto 2017 resultou de um ano quente. “As maturações evoluíram rapidamente. Tivemos de fazer o jogo de cintura e tivemos muito menor área de brancos, na altura. Porém, mesmo assim, o resultado agradou muito e mostrou o potencial: volume, textura e frescura”, garante Charles Symington. O vinho revelou nariz com complexidade de evolução, repleto de laranja doce, tosta, especiaria, ervas aromáticas e mel; revela-se suculento, cremoso, com volume, frescura natural e leve amargo. (17)

A vindima de 2018 começou tardíssimo, devido a uma vaga de calor que atrasou o processo de maturação. “Só começámos vindimar a 12 de Setembro e terminámos em 19 de Outubro”, conta Pedro Correia, o enólogo da empresa. Dourado na cor, com aroma mais fresco, a lembrar ananás, laranja, leve flor de laranjeira, hortelã e gengíbre. Um pouco menos complexo na boca, madeira mais discreta, textura amanteigada e final salivante. (17)

Já o Quinta da Fonte Souto 2019 foi o fruto do ano ameno, com elevadas amplitudes térmicas durante os meses mais quentes e produções relativamente baixas. Uma particularidade: o vinho apresenta mais de 14% de teor alcoólico o que, na prova, não comprometeu a frescura. Novamente, sente-se a influência do ano: a videira fotossintetiza permanentemente durante o dia, mas, com noites frias, a acidez não cai tão depressa e a uva acaba por acumular bastante açúcar. Madeira menos evidente, notável complexidade com destaque para os citrinos, como laranja e tangerina, alperce e ananás; tudo muito afinado na boca. (17,5)

Segundo o enólogo residente, no ano 2023 a vindima foi muito precoce e longa. Decorreu de 7 de Agosto a 13 de Outubro. Tiveram uma semana de paragem devido à chuva e registaram um mês de diferença na maturação entre as parcelas de Arinto. Neste ano, entrou mais Verdelho no lote (35%). Ainda é muito jovem em comparação com os vinhos anteriores. Mostra-se citrino e mais vegetal, com folhas verdes, especiaria e cominhos; denso, com acidez presente e novamente a confirmar o componente vegetal, bem integrado no perfil. (17,5)

A produção do Quinta da Fonte Souto branco triplicou desde a primeira vindima em 2017, com cerca de 8.000 garrafas para aproximadamente 24.000 garrafas.

 

“Comprámos esta quinta para tintos. Os brancos foram uma descoberta”, afirma Rupert Symington

 

Ensaios de tintos

Provámos expressões monovarietais de duas castas, ambas de carácter vincado, embora manifestem comportamentos diametralmente opostos. Se o Alicante Bouschet é consistente e fiável na entrega de qualidade, o Alfrocheiro revela-se mais exigente e sensível, não tolerando bem a chuva. Como observa Pedro Correia, “nem sempre as condições se reúnem, mas quando isso acontece, dá um grande vinho”, como ficou demonstrado na prova a seguir.

Do Quinta da Fonte Souto Alicante Bouschet 2018 foram produzidas 6.267 garrafas e o vinho ainda se encontra disponível no mercado, com um PVP de €30. É uma expressão do ano mais tardio, quando era preciso esperar pelas maturações. Estágio em barricas de segundo ano, para preservar aromas varietais, escuro e opaco, groselha preta esmagada e macerada, casca de árvore fresca e vegetal doce. Cheio, denso, musculado e um pouco amargo no final a lembrar azeitona preta. (17,5)

Do Quinta da Fonte Souto Alfrocheiro 2019 foram produzidas 6.211 garrafas e esta referência está completamente esgotada (resta esperar quando as condições se reúnem novamente). Fragrante, atraente, intrigante; nuance floral bonita, cereja e ameixa, aneto e eucalipto, louro, mentol e caruma; suculento e envolvente, com fruta pura, mas também com complexidade, sedoso e sedutor. (18).

Fizeram também um Field Blend em 2020 e um monovarietal de Syrah em 2021, que ainda não se encontram em comercialização. Fica o teaser.

Taifa 2022 

Esta é a terceira edição. A primeira foi um monovarietal de Arinto, vinificado 100% em barrica nova. Este lote de 2022 combina 70% de Arinto com 30% de Verdelho, demonstrando uma notável sinergia entre as castas. Fruto de uma vindima minuciosa, realizada em várias passagens pelas mesmas parcelas, o vinho fermentou em barrica, com uma menor proporção de madeira nova (70%), de modo a realçar a fruta e conferir maior equilíbrio. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês e húngaro e dois anos em garrafa, o que explica a sua óptima integração no momento do lançamento. Foram produzidas 3.215 garrafas e 15 em Magnum.

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

 

QUINTA DONA SANCHA: Vinho frescos e sedutores

dona sancha

A Quinta Dona Sancha apresentou num almoço, que decorreu no restaurante Pabe, em Lisboa, seis referências de vinho, de três gamas diferentes, entre as quais estiveram presentes as novas colheitas da gama Avarenta tinto e branco, o Quinta Dona Sancha Encruzado e Touriga Nacional. O Vinha Ancestral tinto de 2019 e o monocasta de Jaen […]

A Quinta Dona Sancha apresentou num almoço, que decorreu no restaurante Pabe, em Lisboa, seis referências de vinho, de três gamas diferentes, entre as quais estiveram presentes as novas colheitas da gama Avarenta tinto e branco, o Quinta Dona Sancha Encruzado e Touriga Nacional. O Vinha Ancestral tinto de 2019 e o monocasta de Jaen de 2022 foram as duas novidades absolutas.

Rui Parente, o produtor da Quinta Dona Sancha, defende que os seus vinhos já demonstram hoje uma matriz de sabores e aromas que os diferenciam

 

Pensados ao detalhe

Segundo Rui Parente, fundador do projecto e proprietário da Quinta Dona Sancha, os vinhos apresentados “foram pensados ao detalhe, para despertar lembranças e emoções”, expressando “a identidade que procuram afirmar, desde a primeira vindima”, o terroir de Silgueiros, da região do Dão. O enólogo Paulo Nunes tem sido o consultor da empresa desde o primeiro dia, contribuindo, com o seu conhecimento, e saber fazer, para a produção e comercialização de vinhos, com a frescura e elegância que os caracteriza. Rui Parente, que já o conhecia há muitos anos, ainda antes de se dedicar à produção de vinhos, já tinha encetado conversações, para que se envolvesse neste projecto antes de o iniciar.

O objectivo, desde o início, foi procurar fazer vinhos com identidade, marcados pelas características que diferenciam o terroir de Silgueiros e do Dão, “acreditando que havia espaço para colocar a região na rota do sucesso, o lugar que um território com pergaminhos históricos na produção de vinho de qualidade merece”, defendeu Rui Parente no dia do lançamento, salientando que, à sexta vindima, a empresa mostra que é uma empresa representativa daquilo que é a sub-região de Silgueiros, a quinta e o terroir. “Acabámos de os provar e a identidade da quinta nota-se em todos os vinhos”, salientou, com algum orgulho, nesse dia, defendendo que mostram “uma matriz que identifica o projecto, o que tem sido o meu objectivo de médio e longo prazo desde o primeiro dia”.

dona sancha
Paulo Nunes, enólogo consultor da empresa

50 hectares de vinha

A Quinta Dona Sancha nasceu de um sonho de Rui Parente. Os pais produziam vinhos para terceiros, sem marca, mas o empresário teve sempre esse desejo de criar um projecto próprio na Região do Dão. Talvez tenha sido essa a finalidade de iniciar o percurso no sector ainda muito jovem, lançando-se por conta própria em 2011, quando criou o seu negócio, a Cave Lusa, em Viseu, que inclui uma garrafeira e uma empresa distribuidora de vinhos.

A oportunidade de se estrear na produção surgiu em 2018, com a compra de duas propriedades que constituem, hoje, a Quinta Dona Sancha, uma referência na região do Dão situada a 12 quilómetros de Viseu, com cerca de 47 hectares de vinha e um portefólio reconhecido pela autenticidade e pela elegância dos seus vinhos.

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

Sua excelência a batata

batata

A batata tem uma história longa para contar. São mais de oito mil anos, desde que os primeiros exemplares medraram e eclodiram nos planaltos da grande cordilheira dos Andes, na América do Sul. É um tubérculo, pois cresce enterrada até ser colhida. Assim retém e acumula o máximo de nutrientes e de água. É fonte […]

A batata tem uma história longa para contar. São mais de oito mil anos, desde que os primeiros exemplares medraram e eclodiram nos planaltos da grande cordilheira dos Andes, na América do Sul. É um tubérculo, pois cresce enterrada até ser colhida. Assim retém e acumula o máximo de nutrientes e de água. É fonte importante de energia e podemos compará-la com alimentos da mesma categoria. Um quilo de batatas fornece-nos 73,6 kcal e contém 14,8 gramas de hidratos de carbono. Destes, 14,1 gramas são de amido e 0,7 gramas são de fibra. E há outros dados importantes, distintivos e diferenciadores da batata em relação aos restantes tubérculos e rizomas. Nesse mesmo quilo de produto, obtemos 2,3 gramas de proteínas e 0,11 gramas de gordura. Em termos de minerais, a vitamina C contabiliza 17 miligramas e o cálcio 6,9 miligramas. A cenoura mostra-nos um cenário diferente. O conteúdo energético é de 39,5 kcal, cerca de metade da batata, 6,9 gramas de hidratos de carbono, dos quais 4,3 gramas de amido e 2,6 gramas de fibra. Já a batata doce apresenta 114 kcal e 24,1 gramas de hidratos de carbono. O conteúdo aproximado de hidratos de carbono é de 24,1 gramas. Destes, 19,5 gramas são amido e 3,1 gramas são fibra.

É impossível não deitar o olho à cherovia ou pastinaca. O conteúdo energético é de 70,1 kcal, semelhante à batata, enquanto tem apenas 11,1 gramas de hidratos de carbono, e uns parcos 5,6 gramas de amido. São as pequenas diferenças que fazem da batata um alimento único e, quando cozinhado e consumido com contenção, é bastante saudável. O teor de amido é o elemento diferenciador das variedades de batata entre si e, deste modo, lhes damos destinos culinários distintos. Os oito mil anos iniciais da batata devem ser 12 mil, se tivermos em conta que foi no Chile tudo começou. A adopção do tubérculo no estado selvagem terá acontecido com os índios mapuches e araucanos.

A domesticação da batata, tal como a conhecemos, dá-se aproximadamente dois mil anos antes da era cristã. Aconteceu nos planaltos dos Andes. A flor da batata do Perú e da Bolívia é cor de rosa, enquanto a do Chile é branca. O assunto não é despiciendo, porque a maioria da carreira da batata ao serviço dos humanos aconteceu enquanto planta ornamental. Que, diga-se, tem os seus encantos.

Bem-vinda à humanidade!

A batata chegou à Europa no século XVI pela mão dos conquistadores espanhóis. O primeiro registo foi feito por Pedro de Cieza de León, numa obra exaustiva dedicada à história do Peru. Trabalhou intensamente com Francisco Pizarro, conhecido como o feroz conquistador espanhol, anotando, descrevendo e levantando costumes, técnicas e produtos. Dedicou parte significativa da sua obra à batata. Conta, em particular, que o consumo no Perú terá começado em 1538 e como se secavam ao sol, para aumentar a sua longevidade. As primeiras batatas foram inicialmente enviadas a Filipe II, rei de Espanha, em 1834, que, por sua vez, as enviou para o Papa Pio IV. E foi assim que se iniciou a epopeia deste tubérculo em Espanha e em Itália. E não só. Um enviado do Vaticano levou amostras do tubérculo a Philippe de Sivry, governador belga em Sivry, que o passou, em 1588, ao reputado botânico Charles de l’Écluse, também conhecido como Clusius. Em 1601, este publica a primeira descrição científica da papas peruanorum, o que difundiu este tubérculo por toda a Europa, incluindo Portugal.

Entretanto, em 1580, tinham já chegado as primeiras batatas a Inglaterra, provenientes da província americana da Virgínia, trazida pelos primeiros colonos. A proveniência mais provável terá sido do México. Dali terá migrado para a América do Norte, donde transpôs o Atlântico rumo a Inglaterra e à Irlanda, e, depois, o resto da Europa. A que conhecemos como batata é, provavelmente, resultado do cruzamento dos tubérculos da Virgínia e do Perú.

O termo batata surge da designação em espanhol “patata”. Curiosamente, vem da batata doce, variedade Ipomea batatas. O país vizinho concatenou “papa” – da língua nativa Quechua – com “batata”, que, numa língua ainda mais ancestral, queria dizer batata doce. O batismo definitivo de batata, patata e patate, respetivamente, em português, espanhol e francês, aconteceu nos relatos escritos da grande viagem de Fernão de Magalhães.

batata

Eis que surge Parmentier

Mesmo após ganhar reconhecimento de iguaria comestível e interessante, a evolução da batata tardou a penetrar no quotidiano. Em França, gozava de má reputação, principalmente por não se conseguir panificar – imagine-se! – e também por apresentar parco sabor. Pior ainda, eram-lhe atribuídas diversas doenças graves, algumas mortais. As coisas não foram, de facto, fáceis para o pequeno tubérculo. Porém, tudo mudou com Antoine Augustin Parmentier. O consagrado especialista conseguiu impor as virtudes deste produto hortícola. Ele próprio foi prisioneiro das tropas prussianas, que lhe deram batata para comer, com o fim de o torturar, mas espantosamente sobreviveu. Uma coisa leva à outra e, em 1785, acontece o momento mais feliz da epopeia da batata: o rei Luís XVI foi convencido por Parmentier a plantar os primeiros botões de flor deste tubérculo.

Grandes vultos da época, como Benjamim Franklin, Vilmorin, Lavoisier e até mesmo o próprio Voltaire, renderam-se aos encantos da batata. França, famosa pela vanguarda culinária e agrícola, adoptou com força e apego a batata. Num golpe de génio, Parmentier decide plantar batatas em Paris, em hortas vigiadas pelo exército. Conhecedor profundo do género humano, sabia que isso iria despoletar a migração imediata para as hortas da periferia. O fenómeno contagiou todo o continente europeu e o tubérculo ganhou grande popularidade, para nunca mais a perder.

Nós, por cá, ainda oferecemos alguma resistência à adopção estrita da batata enquanto acompanhamento preferencial. São vários os pratos da grande tradição nacional que ainda apresentam este tubérculo com arroz e, muitas vezes, com castanhas. Ainda estamos a atravessar um período de transição, para o qual ainda não se vê nem se prevê o fim. Por outro lado, os nutricionistas parecem estar contra a batata na alimentação diária. Dizem, demonstram e provam que engorda.

O mítico chef francês Joel Robuchon trocou as voltas à ciência ao criar o puré de batata que veio a receber o seu nome. Fê-lo com base em batatas da variedade Ratte, originárias da província de Ardeche, em França. Trata-se de uma batata pequena e alongada, com pele muito fina e sabor evocativo da castanha. A receita é incrivelmente simples e o resultado é sempre brilhante. Um quilo de batata Ratte, 300 gramas de manteiga e 30 centilitros de leite gordo são os ingredientes de que precisamos para chegar ao puré genial do grande mestre. As batatas são cozidas com casca e, quando amornam, pelam-se com cuidado e passam-se pelo passevite. A manteiga, bem fria, corta-se em pequenos cubos, que se vão juntando, um a um, ao preparado do puré, batendo à mão devagar. O leite morno vai-se juntando e homogeneizando. Ao fim de cerca de uma hora, está feito o puré. E, em princípio, ficamos sem forças no braço. A verdade é que é um grande desafio. Tentei várias vezes fazê-lo com a varinha mágica e o resultado foi medíocre. Na Bimby, ainda foi pior. Tem mesmo de ser batido à mão, com varas.

Quando se consegue o primeiro, nunca mais se quer outro. Nem aqueles para quem cozinhamos habitualmente. Confesso que não sou tão kafkiano, mas dou razão a quem fica viciado. O puré deixa de ser acompanhamento para passar a ingrediente primordial. É mesmo uma delícia! Só consegui fazer com Ratte uma vez, porque trouxe de França, mas normalmente faço com a variedade de batata Agria, que tem bastante amido, característica muito favorável no que concerne ao processamento do puré. Curiosamente, também gosta da fritura, fica estaladiça por fora e impecável por dentro. Há apenas que fazer alguns testes por sua conta, para afinar a técnica.

Uma batata rica em amido é a melhor para fritar ou assar. Já o baixo teor de amido aponta mais para cozer. Mas as que têm um nível de amido médio são flexíveis. Por isso, vale a pena sistematizar um pouco e escolher a que melhor se adapta ao objetivo pretendido.

Sucesso mundial

Quando por terras de Annecy, na Alta Sabóia francesa, provei o primeiro gratin dauphinois vieram-me as lágrimas aos olhos. As batatas cortadas bem fininhas na mandolina e montadas com molho branco em camadas, alternadas com três queijos, e levadas ao forno, são gloriosas e acompanhamento universal de um prato de carne forte e apurado. Raramente, faço ensopado de borrego sem o gratin a acompanhar. Curiosamente, liga melhor com um branco de Arinto de três ou quatro anos, do que com um tinto. Se for um bom Sauvignon Blanc, ainda melhor. É o céu!

Uma outra preparação favorita de batata é o rosti. A batata é moída e ligada com legumes à escolha; por exemplo, cenoura. Junta-se-lhe queijo São Jorge novo moído, montam-se os pastéis achatados e fritam-se na sertã, em óleo bem quente. Quando se utiliza presunto no rosti, um tinto sem madeira pode funcionar bem, mas se optarmos, por exemplo, por feijão verde ou brócolos – fica delicioso, já agora –, há que chegar-lhe um Alvarinho jovem. A batata rosti recebe, muitas vezes, a designação de batata suíça, justamente pela utilização forte de queijos diversos. É das mais flexíveis e não enjeita um tinto jovem aromático pouco extraído. Merlot é casta amiga da empreitada.

A batata frita é uma extraordinária invenção e configura perdição, quando bem aplicada. Chamamos batata frita à belga, aquela de que mais gostamos, e passa por duas frituras. A primeira a cerca de 150º C e a segunda a 180º C. Há que ter o cuidado de as demolhar por meia hora antes de todo o processo, para libertar o máximo de amido possível. Caso contrário, uma batata rica em amido carameliza e perde o interesse enquanto alimento. No intervalo das duas frituras, é importante escorrer bem e passar por papel absorvente.

A tortilha de batata à espanhola é a delícia de que todos gostamos e é parente próxima da batata suíça, de que falámos atrás. As batatas poutine, muito populares no Canadá, são fritas e consomem-se com pasta de queijo derretido e um molho de carne assada por cima. Já os gnocchi, italianos de gema, são feitos de batata cozida amassada com queijo e posteriormente processados como se de uma massa se tratasse. A preparação aloo gobi, popular na Índia, para mim deliciosa, utiliza um método semelhante ao dos gnocchi e é feita com couve-flor e batata. Excelente com rosé. Prove-a com Mateus rosé e vai ver como se converte em três tempos ao nosso campeão mundial. Mais canónico é o aligot, que se faz por terras de França. É uma esmagada de batata com queijo. Aqui vale a pena ensaiar o mágico e infalível Cabernet Sauvignon. Surpresa garantida!

Nos países da Europa de Leste, as latkes, pequenas panquecas de batata, são fascinantes bases de uma refeição. Pode acrescentar vários ingredientes à vez ou fazer experiências à vontade. Gosto muito das batatas Hasselback. Pegue numa batata grande, coza-a com casca, faça-lhe incisões com uma faca quase até ao fundo e leve-a ao forno quente por algum tempo. Mostarda de Dijon bem picante faz desta iguaria uma delícia dos deuses. Não se esqueça, contudo, da nossa batata assada a murro. Não há igual no mundo para acompanhar o bacalhau ou o polvo à lagareiro.

A viagem que fizemos pela excelente e rainha batata não nos coloca propriamente na crista da onda da história, no tocante à alimentação. Mas temos as nossas boas recompensas e mil receitas históricas, que adoramos e não dispensamos. E, à boa maneira portuguesa, temos todo o direito a fazer iscas com batatas fritas. Ou empadões de quase tudo, que harmonizamos com combinações de purés e legumes, e nos fazem viajar mentalmente, esvoaçando pelo mundo. Entre considerações e efabulações, não toquei nos pratos da cozinha peruana, nem na diversidade incrível das batatas ainda em produção pelas escarpas altas do Perú. Fica para uma próxima. Boas experiências!

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

MANICHE: Depois do futebol, o champanhe

Maniche

Nuno Ricardo de Oliveira Ribeiro, mais conhecido como Maniche dentro das quatro linhas do retângulo futebolístico nacional, foi um dos raros atletas que envergou a camisola dos três clubes conhecidos como os grandes do futebol português. Germinou no Benfica, foi campeão europeu no Futebol Clube do Porto e pendurou a chuteiras, depois de uma rápida […]

Nuno Ricardo de Oliveira Ribeiro, mais conhecido como Maniche dentro das quatro linhas do retângulo futebolístico nacional, foi um dos raros atletas que envergou a camisola dos três clubes conhecidos como os grandes do futebol português. Germinou no Benfica, foi campeão europeu no Futebol Clube do Porto e pendurou a chuteiras, depois de uma rápida passagem pelo Sporting, clube do coração e do qual era sócio. Entretanto, foi ainda atleta de clubes bem conhecidos dos adeptos de bom futebol.

Enquanto jogador foi um médio com grande apetência para municiar o ataque e explorou, com grande sucesso, a apetência para a marcação de golos muito vistosos de longa distância. Para a história, ficou aquele contra a Holanda, no Euro 2004, de um dos ângulos da grande área. Em todo este percurso de sucesso houve um denominador comum – a camisola com o número 18.

Quando pendurou as chuteiras, em 2011, ainda tentou enveredar pela carreira de treinador. Orientou o Paços de Ferreira e a Académica de Coimbra, enquanto adjunto. No entanto, no ano de 2016 encerrou esta nova faceta no mundo de futebol, para dar lugar a uma paixão que fermentava com cada vez maior intensidade.

 

“Eu não podia escolher um parceiro qualquer. A mim só me interessam os produtos de topo”, afirma Maniche

 

Do Douro para Champagne

O pontapé de saída no mundo dos vinhos foi dado em 2016 com a compra de vinhas no Douro e posterior lançamento de dois vinhos em parceria com a Quinta da Pacheca. A enologia coube a Maria Serpa Pimentel. Esse seria apenas o primeiro passo na fileira vínica nacional. Tal como na vida futebolística, a paixão de Maniche cresceu e galgou fronteiras em direção à região de Champagne, mais especificamente Reims, localizada no nordeste de França, onde assinou uma nova parceria com uma casa com 400 anos de história desenvolvida ao longo de treze gerações de produtores. Nada mais do que uma das mais prestigiadas referências da região, a Maison Cattier, casa fundada em 1625 pela família homónima. Tal como referiu Maniche: “este foi um passo muito pensado e ponderado tendo em vista a internacionalização do nosso portefólio. Eu não podia escolher um parceiro qualquer. A mim só me interessam os produtos de topo.”

Ainda assim, o vínculo entre o futebol e o vinho volta a fortalecer-se através de um acaso que deveria estar escrito no firmamento futebolístico. Jean-Jacques Cattier, líder da pretérita geração familiar, que conseguiu guindar e cimentar a marca como um produto muito exclusivo e de grande sucesso mundial, também é um dos principais acionistas da equipa Stade de Reims.

O Reims é um dos clubes com mais vitórias na história do futebol francês, com um palmarés que inclui a conquista de seis títulos da Ligue 1, duas Taças da França e cinco Troféus dos Campeões. O clube também ostenta um bom desempenho a nível europeu – no currículo apresenta duas finais, nas edições de 1956 e 1959, da Taça dos Campeões da Europa, a conquista da Taça Latina e da Taça dos Alpes em 1953 e 1977.

Nas palavras de Maniche: “Esta é uma união carregada de pontos comuns, com um futebol ganhador de títulos e de conquistas memoráveis”.

 

Maniche

 

“Esta é uma união carregada de pontos comuns, com um futebol ganhador de títulos e de conquistas memoráveis”, declara o ex-futebolista

 

Novas aquisições vínicas

Nesta renovada temporada de desafios, Maniche apresenta dois champanhes denominados, Cattier Emedezoito by Maniche Brut rosé Premier Cru e Cattier Emedezoito by Maniche Brut Premier Cru. Ambos foram lançados ao público na cidade do Porto, seguido de um evento internacional em Madrid.

Segundo as palavras de Maniche, o primeiro foi produzido “pela adição de vinho tinto à mistura”. É um Brut rosé Premier Cru, que “reflete a qualidade das castas Pinot Noir e Pinot Meunier da Montagne de Reims e a sua deslumbrante complexidade aromática”. Já o segundo “foi produzido a partir de uma mistura dominada por Pinot Noir das minhas nove aldeias favoritas, caracterizando-se pela sua elegância, generosidade e personalidade intensamente frutada, dada pelos três anos de estágio”, concluiu.

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)