Casa Redondo adquire a Sheridan’s à Diageo

redondo

A emblemática garrafa de dupla câmara que separa café e creme faz parte do portefólio premium da Casa Redondo, empresa familiar fundada em 1940 por José Carranca Redondo e sediada na Lousã. Esta aquisição do licor mundialmente reconhecido Sheridan’s à Diageo reforça o compromisso do grupo no que diz respeito à expansão do seu portefólio […]

A emblemática garrafa de dupla câmara que separa café e creme faz parte do portefólio premium da Casa Redondo, empresa familiar fundada em 1940 por José Carranca Redondo e sediada na Lousã. Esta aquisição do licor mundialmente reconhecido Sheridan’s à Diageo reforça o compromisso do grupo no que diz respeito à expansão do seu portefólio no âmbito de marcas de referência e da presença consolidada a nível mundial, reforçando a visão global.

Segundo Daniel Redondo, CEO da Casa Redondo, a “Sheridan’s é uma marca verdadeiramente icónica, com um posicionamento superior e uma ligação forte ao consumidor em vários mercados internacionais. A nossa ambição passa por reforçar a presença da Sheridan’s em mercados onde a marca já é forte e acelerar o seu crescimento nos países estratégicos”. De acordo com o comunicado, a entrada desta marca abre mais de 20 novos mercados à empresa familiar, a somar aos mais de 70 onde o grupo já se encontra presente. Ao mesmo tempo, esta acção além-fronteiras permite à empresa familiar portuguesa prosseguir com a missão de “levar, aos quatro cantos do mundo, a cultura e a gastronomia portuguesas, através das marcas do nosso portefólio que carregam as nossas raízes”, acrescenta Daniel Redondo.

Ricardo Redondo, CFO da Casa Redondo, revela: “para 2026, definimos como objetivo um crescimento muito significativo, com a ambição de duplicar a dimensão do negócio ao longo do ano, sendo também a primeira vez que mais de 50% da faturação do grupo será gerada fora de Portugal.”

Fundada em 1940 por José Carranca Redondo e que ganhou fama com a produção do Licor Beirão possui um portefólio com mais de 50 marcas.

Rocim também levanta voo com a British Airways

Rocim

Afinal, há outro produtor nacional a embarcar em altos voos da British Airways. Trata-se da Rocim, que tem não um, mas dois vinhos nas cabines premium da companhia aérea britânica: o Grande Rocim Branco 2024, na primeira classe, e Herdade do Rocim Alicante Bouschet 2024, na classe executiva. Ambos são feitos a partir de uva […]

Afinal, há outro produtor nacional a embarcar em altos voos da British Airways. Trata-se da Rocim, que tem não um, mas dois vinhos nas cabines premium da companhia aérea britânica: o Grande Rocim Branco 2024, na primeira classe, e Herdade do Rocim Alicante Bouschet 2024, na classe executiva. Ambos são feitos a partir de uva colhida na Vidigueira, sub-região do Alentejo que é morada da Herdade do Rocim, de onde são exportados para mais de 50 países e, agora, passam a ser degustados a 35.000 pés de altitude.

O Grande Rocim Branco 2024 é elaborado a partir da casta Arinto e o Herdade do Rocim Alicante Bouschet 2024 é feito com uvas tintas pisadas a pé em lagares de pedra. “Estes dois vinhos escolhidos pela British Airways expressam a essência do ADN da Rocim, vinhos elegantes e minerais, produzidos a partir de uvas biológicas, que reflectem o melhor das técnicas tradicionais portuguesas aliadas à enologia do século XXI”, afirma Pedro Ribeiro, CEO da Rocim.

 

Sobre a Herdade do Rocim, de Catarina Vieira e Pedro Ribeiro, destaque-se o trabalho efectuado no âmbito dos vinhos de ânfora, que, anualmente, é pretexto de romaria para conhecer de perto as ânforas de barro, saber mais sobre esta matéria através da degustação vínica e de provas comentadas, entre outras actividades. Já o universo Rocim, além de incluir esta propriedade, abrange a produção de vinhos no Douro, Dão, Bairrada, Lisboa, Algarve e Açores.

Rocim

 

AEVP contra o uso de aguardente duriense no Vinho do Porto

Segundo a Associação de Empresas de Vinho do Porto (AEVP), o projecto-lei do deputado do partido Juntos Pelo Povo aprovado, no passado dia 30 de Janeiro, em Assembleia da República, “põe seriamente em causa a continuidade da Denominação de Origem Douro (DOC Douro)” e irá ter repercussões negativas “na credibilidade, imagem, reputação e competitividade internacional” […]

Segundo a Associação de Empresas de Vinho do Porto (AEVP), o projecto-lei do deputado do partido Juntos Pelo Povo aprovado, no passado dia 30 de Janeiro, em Assembleia da República, “põe seriamente em causa a continuidade da Denominação de Origem Douro (DOC Douro)” e irá ter repercussões negativas “na credibilidade, imagem, reputação e competitividade internacional” de um negócio centenário e reconhecido além-fronteiras, o do Vinho do Porto”. A decisão recai na obrigatoriedade do uso exclusivo de aguardente vínica da Região Demarcada do Douro na produção do Vinho do Porto.

No sentido de sustentar este argumento, a AEVP remete para o resultado de um estudo efectuado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), a pedido do Governo, em 2024, segundo o qual esta imposição “é tecnicamente inviável, economicamente insustentável e estrategicamente arriscada”. De acordo com a conclusão dos técnicos do IVDP, além do excedente de vinho DOC Douro não ser suficiente para a produção de aguardente, o que implicaria o aumento de preço desta última, o número de destilarias da região não iria assegurar a quantidade necessária deste produto.

Face a este cenário, a AEVP “reafirma a sua oposição firme a esta medida, que reputamos de perigosa, irresponsável, demagógica e populista, subscrevendo as conclusões do estudo levado a cabo pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto”. Acresce ainda que o uso da aguardente duriense se estende à produção de Moscatel do Douro.

SOGRAPE: Mudança dentro da tradição

Sogrape

Da ligação à região e das profundas mudanças ocorridas… No ano de 1972, deu-se a criação do projeto e, com ele, foram justapostas apenas três letras que representam as iniciais das três províncias que constituem a denominação de origem da Rioja: Logronho, Álava e Navarra (LAN). Naquela época, a Rioja assumia-se como uma zona vínica […]

Da ligação à região e das profundas mudanças ocorridas…

No ano de 1972, deu-se a criação do projeto e, com ele, foram justapostas apenas três letras que representam as iniciais das três províncias que constituem a denominação de origem da Rioja: Logronho, Álava e Navarra (LAN). Naquela época, a Rioja assumia-se como uma zona vínica de luxo controlada por um monopólio de empresas históricas assumidamente voltadas, quase exclusivamente, para os escaparates nacionais, sonhando com uma internacionalização de sucesso.

A impressão digital de então a respeito da região estava, por um lado, ligada a empresas que detinham vários andares de barricas obscurecidas pelo lento passar do tempo, nas quais envelheciam o vinho. Por outro lado, perfilava-se uma longa fileira de pequenos produtores com adegas subterrâneas constituídas, grosso modo, por um enorme tonel de envelhecimento, vários depósitos de cimento e uma estreita passagem de acesso. Era o tempo em que a maioria dos engarrafadores detinha uma pequena quantidade de vinha própria, pois era mais rentável comprar vinho às cooperativas ou aos pequenos viticultores, loteando posteriormente com vinhos que poderiam provir das três sub-regiões entretanto criadas.

A LAN adotou o princípio básico de que a vinicultura começa com o cultivo da vinha, conceito inovador na altura que se traduziu num firme compromisso com as vinhas e com o sucesso do projeto.

… até às mudanças atuais

O sucesso alcançado dentro de portas não passou despercebido no nosso país, o que levou à aquisição da Bodegas LAN em 2012, pela Sogrape. Desde então, o projeto foi reformulado tendo em vista o alinhamento com as mais recentes tendências de mercado, sem nunca perder a essência da tradição da região. A cambiante mais recente da LAN passou pela alteração da rotulagem de praticamente toda a gama. Como referiu a responsável pela marca em território nacional, “o rótulo surge agora mais limpo e surpreendente nos escaparates. Tratou-se de um exercício focado em entender o consumidor e criar vínculos emocionais baseados no quotidiano geradores de satisfação e empatia entre a marca e as pessoas”.

O projeto congrega 72 hectares de vinhedos abraçados pelo rio Ebro, nos arredores de Fuenmayor, uma zona de excelência na produção de vinhos. A extensa oferta do projeto LAN totaliza cerca de quatro milhões de garrafas e é composta por várias referências, que compreendem um rosé, um branco e sete vinhos tintos, no qual se destaca o topo de gama (Culmen) bastante apreciado pelos consumidores.

Para a apresentação dos vinhos da Bodegas LAN, o local escolhido recaiu sobre o bar de vinhos By The Wine, espaço cosmopolita e descontraído na baixa da cidade do Porto. Na carta vínica, consta toda a gama de vinhos da Sogrape, incluindo as marcas das propriedades desta empresa familiar, que estão espalhadas pelo mundo.

Sogrape

(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)

Serras, o novo terroir dos Vinhos do Tejo

São 375 hectares dispersos pelas zonas serranas dos concelhos de Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Constância, Abrantes, Sardoal e Mação, dentro da região dos Vinhos do Tejo. As vinhas, plantadas nas encostas e nos planaltos, são muito antigas, sendo 1978 o ano médio de plantação das mesmas. Nas castas, há o registo […]

São 375 hectares dispersos pelas zonas serranas dos concelhos de Ferreira do Zêzere, Tomar, Vila Nova da Barquinha, Constância, Abrantes, Sardoal e Mação, dentro da região dos Vinhos do Tejo. As vinhas, plantadas nas encostas e nos planaltos, são muito antigas, sendo 1978 o ano médio de plantação das mesmas. Nas castas, há o registo da mistura de variedades ou field blend, com a forte presença da Fernão Pires, nas brancas, e da Castelão, nas tintas. Os solos são muito pedregosos, com o xisto e o granito a predominar, característica indicadora da existência de videiras “com raízes mais profundas”, nas palavras de João Silvestre, Diretor-Geral da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Tejo. O clima é fresco e húmido, e a precipitação ocorre acima dos 800 milímetros, podendo atingir os 2000. Este conjunto de características atribuídas ao terroir Serras tem impacto na maturação das uvas, que resulta mais lenta, e as “produções são mais moderadas”, segundo o Director-Geral da CVR do Tejo.

O terroir Serras envolve 11 produtores de vinho – Casal das Freiras, Solar dos Loendros, Herdade dos Templários, Adega Casal Martins, Pedro Sereno, Santos & Seixo, Quinta da Alba, Quinta da Anunciada, Adega da Gaveta, Quinta do Vale do Armo e Quinta do Côro – e “representa apenas 3% de toda a região [do Tejo]”, afirma João Silvestre. O Director-Geral da CVR do Tejo adiantou ainda à Revista Grandes Escolhas o trabalho efectuado, em simultâneo, por duas empresas, que, com base no estudo dos solos, a par com a informação fornecida sobre as vinhas pelo Instituto da Vinha e do Vinho e com dados climáticos obtidos a partir das estações meteorológicas da região, conseguiram chegar às características específicas deste novo terroir. Esta investigação começou na pós-pandemia. “Havia essa necessidade, porque os vinhos revelavam características diferentes”, remata.

QUINTA DO VALLADO: Adelaide, a imagem do Douro

Vallado

É um dia solarengo de outono e saímos da estação de Campanhã, na cidade ‘Invicta’. Dirigimo-nos ao Poente by Vallado, instalado num imponente edifício localizado em pleno centro da Ribeira no Porto, onde nos esperam o gestor João Alvares Ribeiro e os enólogos Francisco Ferreira e Francisco Olazabal, ‘altas patentes’ na estrutura do Vallado. Caprichosamente […]

É um dia solarengo de outono e saímos da estação de Campanhã, na cidade ‘Invicta’. Dirigimo-nos ao Poente by Vallado, instalado num imponente edifício localizado em pleno centro da Ribeira no Porto, onde nos esperam o gestor João Alvares Ribeiro e os enólogos Francisco Ferreira e Francisco Olazabal, ‘altas patentes’ na estrutura do Vallado. Caprichosamente recuperado, este novo projeto enoturístico da quinta vinhateira homónima do Douro contém a identificação um pouco por todo o piso térreo e cave, incluindo em bonitas bandeiras, com a habitual cor da casa. Está no coração turístico da cidade, tal como confirmámos, cruzando-nos, em poucos metros, com centenas de visitantes das mais variadas nacionalidades, ou não fosse a frente ribeirinha do Porto, efetivamente, hoje, uma Babilónia.

Sem mais delongas, este edifício pretende funcionar como um farol, sito defronte e concorrentemente aos armazéns das casas do Vinho do Porto do lado sul do rio Douro. Não se diga, porém, que, no Vallado, projeto iniciado em meados dos anos 90 do século passado, o enoturismo é uma vertente recente, bem pelo contrário. Com efeito, o Quinta do Vallado Wine Hotel na Régua há muito que tem as portas abertas, tempo ao longo do qual tem sido um sucesso nas suas ‘duas vidas’ – primeiro funcionou na casa antiga da propriedade, recuperada e adaptada à atualidade, operando, agora, num edifício moderno adjacente que mantém o bom gosto e a discrição.

A mesma discrição e qualidade, mas com maior exclusividade (são poucos os quartos), encontramos na maravilhosa unidade Casa do Rio, outro boutique hotel do Vallado, próximo de Foz Côa e que é já um marco no Douro Superior no que ao luxo rural diz respeito. Aliás, é mesmo caso para dizer que o projeto Vallado – liderado pelos já referido primos João Alvares Ribeiro e Francisco Ferreira, e, desde meados de 2023, também pela família Moreira da Silva que entrou no capital da sociedade –, esteve sempre particularmente atento ao enoturismo e bem consciente da existência de um grande número de visitantes seduzidos pelo Douro. De resto, as duas unidades hoteleiras mencionadas e a loja, na propriedade na Régua, contribuem já significativamente para a faturação e consolidação da marca.

 

Périplo vínico

Voltando à cidade do Porto, é de salientar que se tratava de um momento solene. Por um lado, com a estreia deste enoturismo na Ribeira, espaço constituído por uma loja de vinhos, pelo Wine Bar & Restaurante Poente e por duas salas de provas, uma das quais designada Sala Adelaide. Por outro lado, o motivo maior era a oportunidade de provar a décima e mais recente edição do tinto Vallado Adelaide, o pináculo produzido por esta casa na vertente DOC Douro. Sem esquecer uma coleção de cinco Portos velhos recém lançados no mercado.

Como de resto sucede com outros aspetos do Vallado, o tempo teve uma importância crucial na evolução do perfil da marca e vinho Adelaide. A esse respeito, voltemos atrás… no tempo, para recordar que os primeiros vinhos da época moderna do Vallado, já com Francisco Ferreira e Francisco Olazabal nos comandos enológicos, datam de meados dos anos 90 do século XX. Pouco depois, na entrada do milénio, foi lançado o Quinta do Vallado Reserva tinto merecedor de grande destaque pela imprensa, assim como os monocastas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Sousão, todos sucessos junto dos enófilos. Os rosés foram aparecendo, incluindo um extreme de Touriga Nacional mantido em produção, sendo que o topo passou a ser o fantástico V rosé produzido a partir de Tinto Cão; e o mesmo se diga dos brancos, que começaram mais timidamente, mas estão, atualmente, muito bem posicionados, como demonstra a referência Vallado Reserva (excelentes as últimas edições), sem esquecer o exótico Prima, outro êxito, agora feito a partir de Moscatel Galego em versão totalmente seca.

 

Desde a primeira edição, em 2005, ou seja, desde há 20 anos, o Adelaide tinto tem como missão ser o topo de gama da marca do Vallado

 

Tempo em garrafa

Terminado este pequeno périplo pelos vinhos do Vallado que, ao longo dos anos, mais nos marcaram, voltemos ao Adelaide. Desde a primeira edição, em 2005, ou seja, desde há 20 anos, tem como missão ser o topo de gama da marca, ou seja, representar o melhor tinto do produtor, não carregasse, este vinho, o nome solene de Ferreirinha, a famosa Dona Antónia Adelaide Ferreira, de quem João Alvares Ribeiro, bem como Francisco Ferreira e Francisco Olazabal, são descendentes.

Nas primeiras edições, a referência vínica Adelaide era exclusivamente produzida a partir dos melhores lotes das vinhas mais velhas da propriedade matriz, situada junto ao Peso da Régua, e estagiava em barrica nova. Com a passagem do tempo, Francisco Ferreira foi aprofundando o conhecimento relativamente às vinhas mais antigas da Quinta do Vallado, começando a desenhar e elaboração de vinhos de uma vinha só, como o Vinha da Granja e o Vinha da Coroa. Isso fez com que o tinto Adelaide viesse a ser produzido também com recurso a uma vinha velha sita no rio Torto, a qual estava arrendada inicialmente, acabando por ser adquirida. Não admira que, desde 2005, os lotes não sejam todos iguais, além de que houve colheitas cujo estágio em barrica não foi totalmente submetido a madeira nova. Atualmente, ou melhor, desde a colheita de 2011, o Adelaide vem exclusivamente dessa vinha velha sita no rio Torto, parte centenária e parte com mais de 80 anos, tendo sido, esta última, batizada de vinha do Adelaide. Tem a particularidade – pouco comum nas vinhas velhas do Douro – de ter como casta maioritária a Touriga Franca, sendo que esta aprecia o calor característico do verão no rio Torto. O resultado traduz-se em boa concentração, grande expressão frutada e, simultaneamente, um perfil fino. A composição das castas na vinha contribui para um field blend tão específico, que, em 2026, será plantada, na Quinta do Vallado, uma réplica fiel da vinha do Adelaide, ou seja, serão plantadas as mesmas castas na exata proporção e com varas provenientes da vinha original, em alta densidade e com porta-enxerto montícola, como se fazia antigamente.

A nova colheita é a de 2017, sendo, obviamente, uma opção do produtor em lançar o vinho tantos anos depois. Nem sempre assim o foi com as anteriores edições, mas, como é bem sabido, os grandes vinhos agradecem um estágio prolongado e este tinto é mesmo exclusivo, agora também nesse aspeto. O ano de 2017 foi um ano seco – com bons vintages, não esquecer –, mas sem ondas de calor significativas, o que evitou a sobrematuração na vinha. No que releva às uvas do Adelaide, mas aconteceu um pouco por toda a região, a vindima ocorreu em agosto, cerca de duas a três semanas antes do era habitual, porque o ciclo vegetativo se antecipou, o que originou uma ligeira quebra na produção.

Palavra final para a aposta cada vez mais vincada do Vallado em vinhos do Portos velhos, em especial tawnies e colheitas. Com efeito, muitas fontes nos confidenciaram que Francisco Ferreira é um autêntico garimpeiro no Douro no que a este tipo de vinhos diz respeito, identificando e adquirindo lotes de vinhos velhos um pouco por onde eles possam existir. É algo que tem vindo a fazer há década e meia e os resultados são bem visíveis, com o Vallado a apresentar uma gama de Portos com dimensão e qualidade, para fazer frente às principais casas da região. É caso para dizer que o Vallado vai de vento em popa!

(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)

Estreia nos Países Baixos e outros investimento além-fronteiras

Os Vinhos de Setúbal estreiam-se, entre final de Março e início de Abril, no mercado dos Países Baixos, com uma prova de vinhos em Amesterdão, na qual vão participar 10 produtores. De acordo com o Plano de Promoção Internacional 2026, está previsto o regresso a Angola, com a realização de dois encontros com profissionais do […]

Os Vinhos de Setúbal estreiam-se, entre final de Março e início de Abril, no mercado dos Países Baixos, com uma prova de vinhos em Amesterdão, na qual vão participar 10 produtores. De acordo com o Plano de Promoção Internacional 2026, está previsto o regresso a Angola, com a realização de dois encontros com profissionais do sector, a ter lugar em Luanda, em data próxima ao Festival de Vinhos de Portugal em Angola, evento da ViniPortugal marcado para 18 de Junho. No mercado brasileiro, mantêm a participação na Prowine São Paulo, agendada entre os dias 6 a 8 de Outubro, e prevêem um encontro com jornalistas, em São Paulo, e uma prova, no Rio de Janeiro.

Entretanto, de 9 a 11 de Fevereiro, os Vinhos de Setúbal estarão presentes na Wine Paris 2026, onde reúnem sete produtores: Adega Camolas, Brejinho da Costa, Filipe Palhoça Vinhos, Herdade Canal Caveira, Herdade do Portocarro, Quinta de Catralvos e Quinta do Piloto.

“O Plano de Promoção Internacional de 2026 representa um reforço estratégico da afirmação dos Vinhos de Setúbal nos mercados externos. A consolidação da nossa presença no Brasil, o regresso a Angola e a estreia nos Países Baixos reflectem uma aposta em mercados com elevado potencial para a valorização dos nossos vinhos, o reforço da notoriedade da região e criação de novas oportunidades para os nossos produtores”, enaltece Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal.

KOPKE: O mais bem guardado segredo

Kopke

O prelúdio da revelação trouxe-nos três Grandes Reservas da São Luiz, a marca que a Kopke tem vindo a valorizar, sobretudo, prestando especial atenção ao património de vinhas velhas ali plantadas, algumas anteriores a 1930, e no caso dos brancos, noutra sub-região. Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Rumilã Grande Reserva tinto 2019 e Quinta […]

O prelúdio da revelação trouxe-nos três Grandes Reservas da São Luiz, a marca que a Kopke tem vindo a valorizar, sobretudo, prestando especial atenção ao património de vinhas velhas ali plantadas, algumas anteriores a 1930, e no caso dos brancos, noutra sub-região. Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Rumilã Grande Reserva tinto 2019 e Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Grande Reserva tinto 2021 são os dois tintos que tiram partido do património vitícola da propriedade situada no Cima Corgo. Já o branco São Luiz Winemaker’s Collection Reserva Folgazão e Rabigato 2021 resulta de um trabalho que tem sido desenvolvido no Baixo Corgo, dada a inexistência de uvas brancas na Quinta de São Luiz. Aqui, é feita uma escolha apurada de castas brancas oriundas de produtores selecionados e, mais recentemente, da Quinta do Bairro, onde, em 2015, o Kopke Group iniciou um projeto piloto de reconversão de encepamento de tintas para brancas.

A imagem de marca da Quinta de São Luiz reflete a tradição da propriedade de caiar os muros na época da Páscoa, criando um desenho de linhas brancas, que sublinha os patamares, a horografia, prestando homenagem aos DOC Douro da Kopke. O São Luiz Vinhas Velhas Rumilã Grande Reserva tinto 2019 nasce da parcela de vinha homónima e centenária, com produções muito reduzidas, daí que esta colheita esteja limitada a apenas 1.252 garrafas. O ano proporcionou menos intensidade e concentração, o que se traduziu numa melhor perceção da frescura, elegância e até uma certa delicadeza. Nesta vinha, os procedimentos são manuais e minuciosos. A fermentação alcoólica ocorreu sem esmagamento dos bagos, usando 20 por cento do engaço, passado, depois, para barricas de 225 litros, onde fez a fermentação maloláctica. O estágio foi expressivo, traduzindo-se em dois anos em barrica e outros dois em garrafa, para dar corpo a um vinho revelador do conhecimento de que existe uma micro parcela capaz de grandes feitos.

Pequenas parcelas, grandes vinhos

A espinha dorsal do São Luiz Vinhas Velhas Grande Reserva tinto 2021 tem origem em pequenas parcelas com mais de 50 anos, exposição maioritariamente a norte, em cotas baixas (80 metros de altitude) e mais elevadas (400 metros de altitude). O ano de 2021 revelou alguma atipicidade, com um inverno bastante frio e uma primavera instável, com ocorrência de trovoadas e granizos. A vindima em São Luiz iniciou-se em agosto com temperaturas moderadas, tendo a maturação abrandado em setembro, devido à ocorrência de precipitação. Em vinhas velhas de baixíssima produção, todos os detalhes contam, pelo que a escolha do momento correto da vindima é fundamental para o resultado pretendido. A produção de apenas 2.400 garrafas resulta do facto de se realizar uma segunda triagem de uvas para a elaboração dos lotes finais. O vinho foi submetido a um estágio de 16 meses em barrica, tempo esse que lhe conferiu carácter, bem definido pela maior imposição da Sousão, casta que predomina nestas parcelas de vinhas velhas.

É do exterior da Quinta de São Luiz, e mesmo da sub-região, que chegam as uvas de Folgazão e Rabigato que compõem o Winemaker’s Collection. Não possuindo uvas brancas na propriedade, Ricardo Macedo, o enólogo dos vinhos tranquilos do Kopke Group, tem um apurado processo de seleção no Baixo Corgo das uvas destas duas castas, que melhor preenchem o perfil desejado de tensão, frescura e mineralidade. A gama Winemaker’s Collection dá asas ao experimentalismo das equipas de viticultura e enologia, privilegiando a possibilidade de testar diversas castas e o seu desempenho em diversos micro terroirs, de modo a encontrar as melhores expressões. Daqui, resultam sempre edições limitadas e assinadas pelo ‘winemaker’, que, no caso, se traduziu em 3.970 garrafas.

Kopke

Um Porto esculpido com devoção

Se havia casa que podia beneficiar da aprovação pelo Conselho Interprofissional do Instituto do Vinho do Douro e do Porto da menção tradicional DOP Porto com indicação de idade 80 anos, era, sem margem para dúvidas, a Kopke, nascida em 1638, bem antes do Douro se tornar numa região demarcada e regulamentada. Os quase 390 anos da marca conferem-lhe um estatuto especial que um inédito Tawny materializa numa criação demorada (foram três meses de afinação e aperfeiçoamento diário do lote) através da arte de blending e da inclusão, no mesmo, de vinhos de 1900, 1941 e 1947. Tal só é possível, porque existe um espólio que é património vivo e indelével de vinhos do Porto de várias idades, que acompanharam a história e os feitos da humanidade.

Com um longo e meticuloso envelhecimento nas caves da Kopke em cascos sem idade, agora despertados para criar um vinho quase místico, profundamente complexo e emotivo, este Kopke 80 anos é uma perícia de gerações a homenagear, desde os que o vinificaram, passando pelos que o guardaram. até à mais recente equipa de enologia que assumiu a responsabilidade de o acordar, esculpindo algo que merece a nossa mais intensa devoção. Absolutamente perfeito.

(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)