Domaine Pierre Damoy na Roederer Collection

Roederer Collection

O Domaine Pierre Damoy já faz parte da prestigiada casa de Champagne Roederer Collection. Com esta aquisição, a emblemática propriedade de GevreyChambertin, situada no Côte de Nuits, na Borgonha francesa, começa a escrever um novo capítulo da sua história. Paralelamente, esta aquisição assinala um marco para a Louis Roederer, que concretiza a sua primeira aquisição […]

O Domaine Pierre Damoy já faz parte da prestigiada casa de Champagne Roederer Collection. Com esta aquisição, a emblemática propriedade de GevreyChambertin, situada no Côte de Nuits, na Borgonha francesa, começa a escrever um novo capítulo da sua história. Paralelamente, esta aquisição assinala um marco para a Louis Roederer, que concretiza a sua primeira aquisição na referida regiãoo vitivinícola no ano em que celebra o seu 250.º aniversário.

A propriedade reúne um património vitivinícola considerado singular, graças à elevada proporção de vinhas velhas e à excepcional diversidade genética, factores que, de acordo com o comunicado, se associam à filosofia da Roederer Collection: “preservar, cuidar e transmitir propriedades vitivinícolas de excelência, cada uma com uma identidade própria, profundamente enraizada no seu território e assente num profundo respeito pela natureza.”

No total, o Domaine Pierre Damoy reúne cerca de oito hectares de vinhas classificadas como Grand Cru, maioritariamente localizadas nas denominações Chambertin, Chambertin-Clos de Bèze e Chapelle-Chambertin, bem como o Clos Tamisot, vinha situada em GevreyChambertin.

Sobre a Roederer Collection, é de realçar o roteiro vitivinícola que possui pelo mundo, de Champagne a Bordéus, da Vale do Rhône à Provence e do Douro à Califórnia.

Roederer Collection

Frédéric Rouzaud, CEO da Louis Roederer, afirmou, em comunicado o seguinte: “Este passo reflecte profundamente aquilo que somos: uma casa independente e familiar, comprometida com o longo prazo, com a terra, com o saber-fazer paciente e com a transmissão às gerações futuras. Foi precisamente o Domaine Pierre Damoy que nos levou a dar este passo, por reunir tudo aquilo que mais valorizamos: terroirs excecionais, um património vitícola ímpar, uma identidade forte e uma das histórias mais emblemáticas da Borgonha. A nossa missão é agora acompanhar esta propriedade com humildade e elevado sentido de exigência, dando continuidade ao extraordinário trabalho desenvolvido pela família Damoy, preservando tudo o que a torna verdadeiramente única.”

Caves Burmester com nova experiência museológica

Burmester

A Burmester, fundada em 1750 por Henry Burmester e John Nash, agora pertencente à Kopke Group, reabre as portas em Vila Nova de Gaia, com um novo projeto museográfico. Entre balseiros centenários, corredores de pedra granítica e vinhos que envelhecem há várias gerações, há o convite para embarcar numa viagem pela memória, tradição e identidade […]

A Burmester, fundada em 1750 por Henry Burmester e John Nash, agora pertencente à Kopke Group, reabre as portas em Vila Nova de Gaia, com um novo projeto museográfico. Entre balseiros centenários, corredores de pedra granítica e vinhos que envelhecem há várias gerações, há o convite para embarcar numa viagem pela memória, tradição e identidade desta casa históricas do Vinho do Porto.

Aqui, património e tecnologia cruzam-se através de fotografias antigas e de aromas, bem como de conteúdos audiovisuais, instalações luminosas e elementos interactivos que revelam a história da família Burmester e a sua ligação com o Vinho do Porto. Várias questões vão surgindo ao longo do percurso num diálogo constante entre passado e presente. “Com quase três séculos de história, a Burmester continua, assim, a afirmar o seu carácter elegante, cosmopolita e profundamente ligado ao Douro, preparando-se para entrar no seu tricentenário sem perder a autenticidade que a tornou uma referência incontornável no universo do Vinho do Porto”, salienta, em comunicado, Maria Manuel Ramos, Directora de Turismo do Kopke Group.

LAVRADORES DE FEITORIA: 25 anos de vida

Lavradores de Feitoria

«O Douro é vinho. Vinho e vinha. Pode ser rio, pode ser terra. Região ou vila. Mas é, sobretudo, vinho. A monocultura é assim, impregna tudo, os montes, as casas e os homens. Como em qualquer outra região do país, os Durienses participaram em toda a história de Portugal. Influenciaram‑na e por ela foram condicionados. […]

«O Douro é vinho. Vinho e vinha. Pode ser rio, pode ser terra. Região ou vila. Mas é, sobretudo, vinho. A monocultura é assim, impregna tudo, os montes, as casas e os homens. Como em qualquer outra região do país, os Durienses participaram em toda a história de Portugal. Influenciaram‑na e por ela foram condicionados. Têm as suas glórias e as suas misérias. Ajudaram a consolidar a nacionalidade e deram o seu contributo para as explorações marítimas. Estiveram presentes nas lutas dinásticas, perseguiram espanhóis, foram valentes no combate aos exércitos franceses de ocupação. Envolveram‑se nas guerras liberais e em quase todas as revoluções dos séculos XIX e XX.

Ainda há pouco tempo, no meio das dificuldades da fundação do Estado democrático, foi da Régua e dos vales do Douro que vieram gritos rebeldes em defesa das liberdades. A história dos Durienses vale a dos seus conterrâneos de qualquer região. Mas, se um Duriense fala da sua terra, o vinho será imediatamente o tema. Chamem‑lhe fino ou licoroso, generoso ou de feitoria, de embarque ou de carregação, ou simplesmente, como em todo o mundo, vinho do Porto: será esse o seu bilhete de identidade.

Os povos gostam de se identificar com algo que os distinga, uma glória do passado ou um especial traço do presente. O vinho é, no Douro, a memória de todos, o fio condutor de gerações. O vinho está presente do modo mais indelével que seja: nas consciências e nos sentimentos. Mas também reina na paisagem, naqueles formidáveis socalcos que, montanha acima, acabaram por lhe dar forma e feitio. “É o mais belo e mais doloroso monumento ao trabalho do povo português” (Jaime Cortesão). E é tema indispensável na literatura local ou sobre a região.

É evocado nos cantares e nas tradições culturais. É, finalmente, o centro da vida económica regional, tendo já sido o principal trunfo português no comércio externo. A sociedade contemporânea, com os serviços, a administração, as escolas, uma incipiente industrialização, os meios de comunicação e a televisão, é muito diferente daquela que ainda recordam os Durienses com cinquenta ou mais anos. O império do vinho parece menos marcado. O relógio das adegas e das vinhas deixou de governar os dias do Douro. O calendário das vindimas já não dita a sua lei. Os trabalhos da vinha e do vinho já não são obsessivamente os únicos que interessam e preocupam os Durienses. Isso é verdade. Mas o reino do vinho, embora menos despótico, ainda existe.

Grande parte do vinho produzido no mundo não tem origem. Ou antes, o local de nascimento é desconhecido. Ou é vago. Os lotes e as misturas, legais ou improvisados, são responsáveis pela massificação vinícola. Durante muito tempo, até meados do século vinte, esta era a situação dominante. Ora, nas últimas décadas, a evolução dos gostos e dos mercados alterou essa realidade, sendo cada vez mais numerosos os vinhos com nome de sítio. Os vinhos com origem demarcada constituem a fidalguia da espécie. E, como sempre acontece nestas coisas, há os que são mais fidalgos do que outros. Uma “região demarcada” é melhor do que uma “origem determinada”. Dentro das regiões demarcadas, há também diferenças, como na aristocracia. Há os que são “mais nobres” do que outros, ou mais antigos, ou com mais pergaminhos. Nesta classificação imaginada, o Douro vem entre os primeiros.

Com efeito, a região foi a primeira do mundo a ser demarcada, antes mesmo de se ter inventado o conceito. Desde o século XVIII que o vinho do Douro, mais propriamente o vinho do Porto, é aquele que provém de uma região bem definida. Décadas mais tarde, os franceses fizeram operação semelhante, demarcando o Bordéus, depois o Borgonha, o Champanhe e outros. Italianos e Espanhóis seguiram. E Alemães, Austríacos, Húngaros, Jugoslavos e Suíços. Hoje, Australianos, Sul‑Africanos e Americanos fazem o mesmo.

Demarcar significa dar identidade. A verdade é que um vinho, se tem personalidade, vem de um sítio. Para ter carácter, um vinho faz‑se numa região. Particulares condições naturais, o sol e a pedra, a terra e a água, ajudam a criar um produto singular, um vinho diferente. Mas isto é apenas o princípio. Nenhum vinho, tal como o conhecemos, é produto directo da natureza. Nenhum vinho que bebemos é igual ao que se bebia há dois ou três séculos, muito menos igual aos que se bebiam nos tempos da Bíblia, que de vinho tanto fala; ou dos conventos da Idade Média, que pelo vinho tanto fizeram; ou das explorações marítimas, que do vinho tantas saudades tiveram. É mesmo provável que, se nos fosse dado beber vinho feito como há um ou dois milénios, sentíssemos real repugnância em fazê‑lo.

Os vinhos que temos diante de nós são o resultado de um longo apuramento do gosto e de uma evolução ininterrupta dos métodos de fabrico e de conservação. O vinho da natureza não é o vinho dos homens. Este último é fabricado. Com sabor, gosto, lutas e mercado; com sonhos, riqueza, coragem e pobreza; com arte e ciência, com técnica e sofrimento.

No Douro, que produz um vinho complexo, um vinho mais feito e mais “fabricado” do que outros, os homens desbravaram o mato, subiram as encostas, aterraram e surribaram. Desfizeram a pedra, fabricaram terra, levantaram muros, construíram milhares de quilómetros de socalcos, serra acima e vale adentro. Quebraram a rocha, cavaram a terra, saltaram os rios, procuraram água e marcaram sítios para viver. Plantaram, enxertaram, podaram as vides, colheram as uvas, pisaram, trasfegaram, transportaram e fizeram o vinho. Conservaram, armazenaram, fizeram lotes, misturaram aguardente, envelheceram e apuraram.

Lavradores de Feitoria
Paulo Ruão comanda os destinos da enologia da Lavradores desde 2005

E o vinho fez uma região, fez os solares, as quintas e os casebres. Fez os lagares e os cardenhos; as pipas e os rabelos; os ricos e os pobres. Nada de importante, no Douro, é independente do vinho. Nem as Igrejas e os mosteiros, que o vinho fez e que vinho fizeram.

Foi o vinho que fez o Douro, porque o Douro, antes do vinho, era muito pouco o que é hoje. Até as montanhas são diferentes. Não foi o Douro que fez o vinho. Foi o homem que fez o vinho. O homem, as suas técnicas e o mercado. De volta, o vinho fez o Duriense. Condicionou‑o, influenciou‑o.

A história do vinho é a história do Douro e marcou a história dos Durienses. Por isso é possível dizer, com Orlando Ribeiro, que “…foi o homem que trouxe o maior reforço à meridionalidade da região”. E, com Virgílio Taborda, que “foi a vinha, o fabrico e o comércio do vinho do Porto que fizeram o Alto Douro”. O Douro de que aqui se fala é tão só o Alto Douro. Mas quase nem é preciso dizê‑lo.

A história e o vinho confiscaram o nome e expropriaram as outras regiões que dele se podiam reclamar. Da Régua ou de Barqueiros até ao Porto, até à Foz do Douro, para ser mais preciso, também é Douro, mas, para se saber de que se trata, é necessário acrescentar “Litoral”. De Barca d’Alva até Miranda, dir‑se‑á que é o Douro “internacional” e faz fronteira entre Portugal e a Espanha há séculos. O Douro demarcado, o Douro do vinho, Alto Douro para os geógrafos, é o Douro fidalgo, o que tem morgadio. Dentro dele, poder‑se‑á falar de Baixo Corgo, de Cima Corgo e de Douro Superior, mas isso já é nomenclatura técnica. Douro é Douro, é o Alto Douro e mais nenhum.»

 

Nenhuma destas palavras acima são minhas, não. Tomara eu. São palavras superiores, de uma mente superior, como a de António Barreto, sociólogo português, duriense e Presidente da Assembleia Geral de Lavradores de Feitoria entre 2002 a 2020. Mas quem escreve assim sobre o Douro, com este conhecimento, com esta crueza narrativa, com sentido de lugar e profundidade emocional, tem de ser, de forma inelutável, um dos principais responsáveis, senão o principal mesmo, pelo sucesso e pelos 25 anos de duração do projecto Lavradores de Feitoria. Esta é a pequena homenagem que aqui lhe presto.

A responsabilidade que ficou para quem veio a seguir, e para os que virão no futuro, é, certamente, enorme de igual modo, mas a parte mais difícil do trabalho ficou praticamente feita, como se António Barreto, em vez de ensinar só a pescar, tivesse também ensinado os peixes a morder o anzol, tornando a pesca e o trabalho das gerações seguintes de pescadores muito mais fácil e prazeirosa. E, assim, pode dizer-se que o vinho fez o Douro, fez o duriense e fez a Lavradores de Feitoria.

Lavradores de Feitoria
Alvarelhão é a casta vindimada numa parcela de 0,6 hectares de uma vinha plantada, em 1920, na Casa de Mateus

O início do projecto

O nome Lavradores de Feitoria tem a sua origem remota nos vinhos de feitoria da época Pombalina, uma suposta selecção dos melhores vinhos da região do Douro, que, a posteriori, o Marquês de Pombal destinava aos apreciadores mais exigentes do nosso país e do mundo, como forma de promover a ‘sua’ recém demarcada região do Douro.

Nascida no ano 2000, a Lavradores de Feitoria resulta inicialmente da união de 15 lavradores do Douro, proprietários de 19 quintas, sob um modelo de gestão e produção unificado, como forma de obter sinergias e ganhos de escala em todas as etapas da produção de vinho. Mas esta era, sobretudo, uma ideia e uma visão para o futuro – actualmente, é constituída por 51 accionistas, 15 dos quais possuem 20 propriedades na região.

A aquisição pela Lavradores de Feitoria, em 2008, da Quinta do Medronheiro, em Sabrosa, mesmo ao lado do Palácio de Mateus, com fundos exclusivamente próprios, marcou o início da produção de uva própria. Este feito culminou em 2021, com a conclusão da nova adega, transportando definitivamente o projecto para um patamar evolutivo e de qualidade superiores.

Paulo Ruão, comanda os destinos da enologia da Lavradores desde 2005. Conhecedor profundo de cada vinha, cada parcela, cada exposição, cada altitude e de cada lavrador, faz os vinhos, privilegiando sempre a frescura, a elegância e o equilíbrio, com o cunho do carácter único e vincado da região do Douro.

Boal, Códega, Gouveio, Malvasia, Sauvignon Blanc e Viosinho são as castas brancas, enquanto nas tintas, algumas de vinhas com mais de 80 anos, podemos encontrar Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Francesa, Touriga Nacional e Alvarelhão.

Foi, em particular, o Alvarelhão que fomos provar. Proveniente de uma pequena parcela de 0,6 hectares de uma vinha plantada em 1920, na vizinha Casa de Mateus, esta casta nativa, ancestral e rara, impõe grandes desafios na viticultura, mas recompensa largamente pela sua extraordinária finesse. E é claro que não nos ficámos só pelo Alvarelhão. Afinal, são quase cinco horas de viagem de Lisboa até Sabrosa e a Lavradores de Feitoria tem sempre algo mais para mostrar.

(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)

 

Um novo olhar sobre a região do Tejo

Até 31 de agosto, estão abertas as inscrições para a 4ª edição do Concurso de Fotografia Vinhos do Tejo, iniciativa bienal promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo), em parceria com a Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo e com a Rota dos Vinhos do Tejo. Sob o tema “Vinho e…”, a finalidade […]

Até 31 de agosto, estão abertas as inscrições para a 4ª edição do Concurso de Fotografia Vinhos do Tejo, iniciativa bienal promovida pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo), em parceria com a Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo e com a Rota dos Vinhos do Tejo. Sob o tema “Vinho e…”, a finalidade deste desafio consiste em dar a conhecer a paisagem vitivinícola da região de uma forma mais artística.
Com produtores, na vinha, na adega, em momentos de enoturismo, à mesa, enquadrado no património ou integrado em tradições ou momentos culturais. Eis os protagonistas e os cenários válidos neste concurso. As fotografias podem ser de arquivo pessoal, desde que sejam originais e inéditas, a cores ou a preto e branco e não é necessário ser um fotógrafo profissional. No envio de cada uma imagem, devem constar os direitos do autor de quem se candidata a esta edição.
A inscrição é gratuita e é feita através do acesso ao site da Confraria, em www.confrariadotejo.pt, onde pode consultar o regulamento do concurso e onde está disponível a ficha de inscrição. Depois de preenchida, deve ser enviada para o e-mail confraria.enofila.tejo@gmail.com, por meio do qual cada concorrente deve enviar, no máximo, seis fotografias.
O júri do Concurso de Fotografia Vinhos do Tejo é constituído por fotógrafos profissionais, que avaliarão as três melhores fotografias de cada participante. São atribuídos prémios ao 1º, 2º e 3º lugares; do 4º ao 10º são entregues diplomas de menção honrosa. O grande vencedor recebe um fim-de-semana na região dos Vinhos do Tejo (para duas pessoas), com visita e prova na Quinta da Ribeirinha, na Póvoa de Santarém, seguida de jantar, dormida e pequeno-almoço no hotel de charme Casa da Amieira, em Amiais de Cima. Ao segundo lugar é oferecida uma visita e prova de vinhos na Quinta da Badula, em Arrouquelas, Rio Maior, e jantar na Tasquinha do Lagar, na vila da Marmeleira, também em Rio Maior (para duas pessoas). O titular do terceiro lugar recebe 12 garrafas de vinhos do Tejo premiados no Concurso Vinhos do Tejo.
Os resultados serão divulgados em 2027, sendo os prémios e os diplomas entregues na anual Gala Vinhos do Tejo.

Papa Figos com nova imagem

O icónico Papa Figos apresenta uma linguagem mais contemporânea, graças à nova identidade visual, projecto desenvolvido em parceria com o estúdio português Rita Rivotti Design Studio, o qual se estende às caixas de transporte em cartão kraft. O novo packaging do branco, rosé e tinto destaca-se pela adoção de papel autocolante de maior gramagem e […]

O icónico Papa Figos apresenta uma linguagem mais contemporânea, graças à nova identidade visual, projecto desenvolvido em parceria com o estúdio português Rita Rivotti Design Studio, o qual se estende às caixas de transporte em cartão kraft. O novo packaging do branco, rosé e tinto destaca-se pela adoção de papel autocolante de maior gramagem e pela integração de outros elementos, como relevos, texturas, vernizes braille e dourados mais expressivos. Objectivo? Conferir maior elegância e protagonismo à ave que dá nome à marca.
Afinal, esta marca, inspirada no Oriolus oriolus, foi apresentada ao mercado em 2012, a ave migratória que, na Primavera, regressa ao Douro, simbolizando, segundo o comunicado, “a vitalidade e o equilíbrio do ecossistema da região”. Logo após ter entrado no mercado, o Papa Figos “tem ultrapassado os dois milhões de garrafas vendidas”.
Para Filipe Gonçalves, Chief Marketing Officer da Sogrape, esta nova fase de Papa Figos “é um passo estratégico que reafirma a nossa confiança na força da marca para continuar a levar a personalidade única do Douro a novos públicos e mercados”. A nova imagem começa a chegar ao mercado durante este mês, com implementação progressiva nos diferentes canais de distribuição nacionais e internacionais.

QUINTA DO NOVAL: Qualidade de um ano perfeito

Quinta do Noval

A história mais recente da Quinta do Noval sob a gestão de Christian Seely, Director-Geral da AXA Millésimes, é, sem dúvida, a mais intensa e rica desde a fundação da propriedade, em 1715. Para além da tradição que sempre se fez questão em preservar, para Christian Seely e toda a equipa da Quinta do Noval, […]

A história mais recente da Quinta do Noval sob a gestão de Christian Seely, Director-Geral da AXA Millésimes, é, sem dúvida, a mais intensa e rica desde a fundação da propriedade, em 1715. Para além da tradição que sempre se fez questão em preservar, para Christian Seely e toda a equipa da Quinta do Noval, estes 33 anos foram “um período de descobertas e redescobertas”. Em 1994 só se fazia Vinho do Porto; mais tarde descobriram que os terroirs da propriedade também tinham grande potencial para vinhos não fortificados. O primeiro tinto surgiu com a colheita de 2004 e, alguns anos mais tarde, chegaram os brancos. Outra redescoberta foi o potencial qualitativo das vinhas velhas e dos field blends.

 

O grande 2024

O porquê de 2024 ser extraordinário explica Carlos Agrellos, Director Técnico da Quinta do Noval: “tivemos uma série de anos secos. Primeiro 2020, depois 2021, um ano razoável, 2022 novamente seco e 2023 com alguns problemas de chuva na vindima. Mas 2024, em traços gerais, foi um ano muito equilibrado do ponto de vista climático. Tivemos um inverno chuvoso, o que é sempre positivo, seguido de uma primavera amena, com alguma chuva. E convém dizer que, em 2024 choveu menos do que em 2023, e a precipitação foi muito bem distribuída ao longo do ano. Apenas o mês de Agosto não teve qualquer pluviosidade. Isto permitiu um ciclo vegetativo mais longo e, olhando para as declarações passadas, podemos afirmar que um ano em que toda a vindima decorre sem paragens, geralmente conduz a bons vinhos. Houve alguma chuva nocturna a 16 e 23 de Setembro, que não impediu a continuidade da vindima. E foi muito esticada, tendo começado no dia 22 de Agosto e terminado a 11 de Outubro, e as uvas acabaram por ter uma maturação fenólica e uma acidez muito equilibradas.”

Nada melhor confirma estas observações do que os próprios vinhos. Posto isto, a sequência da prova começou nos brancos (que embora já tenham sido provados anteriormente, serviram de bom exemplo neste contexto), continuou com os tintos e terminou em grande com os vinhos do Porto Vintage, incluindo o mítico Noval Nacional. Mas antes vamos ver os pontos em comum entre os vinhos não fortificados e os do Porto.

Quinta do Noval

Vale de Mendiz e do Roncão

A Quinta do Noval e a Quinta do Passadouro, adquirida em 2019, têm vinhas em dois vales – Vale de Mendiz e Vale do Roncão. Carlos Agrellos explica que há uma diferença marcante entre os vales de Mendiz e do Roncão. O primeiro, situado na margem esquerda do rio Pinhão, situa-se no fundo do vale, numa zona muito quente, mas com uma identidade muito própria e particularmente importante para o Douro, marcada pelo carácter típico do Vale de Mendiz. A zona do Roncão, também conhecida como Ribeira do Roncão, que conduz ao Douro, embora seja quente, beneficia de um fluxo de vento que entra pelo vale acima e ajuda a manter as vinhas bem arejadas. “Curiosamente, os vinhos do Vale de Mendiz apresentam sempre muita pureza de fruta silvestre e notas florais, uma assinatura do Vale de Mendiz, que não encontramos no Roncão onde os vinhos são mais frutados, nem tanto florais, e têm mais estrutura”, conclui o Director Técnico da Quinta do Noval.

O monovarietal de Touriga Nacional da Quinta do Passadouro é uma combinação de parcelas do vale de Mendiz, onde se concentram as vinhas velhas, e da vinha do Síbio, no vale do Roncão, onde as plantações são organizadas por casta. Por sua vez, o monovarietal de Touriga Nacional da Quinta do Noval resulta de quatro parcelas: três no Vale de Mendiz e uma no Roncão.

Mesmo no Vintage da Quinta do Noval, que tem maior proporção de uva do Vale de Mendiz, alguma parte provém sempre do Roncão, “para lhe dar músculo”.

 

“É este paradoxo do Douro: uma zona quente onde conseguimos fazer vinhos destes, com frescura e finesse”, resume Carlos Agrellos

“Não queremos abdicar da possibilidade de produzir um Porto Vintage que expressa não só os nossos terroirs, mas também o ano”, explica Christian Seely

 

Vinhas velhas, o componente essencial

Como referiu no início Christian Seely, as vinhas velhas foram uma grande descoberta na Quinta do Noval e também no Passadouro. Quando a propriedade foi adquirida, as parcelas plantadas na década de 1930 estavam muito bem preservadas, exigindo apenas algumas retanchas. Foi também feito, em colaboração com a PORVID, o levantamento de todas as castas presentes (mais de 30), que hoje se encontram catalogadas. O lote do Quinta do Passadouro Reserva é composto maioritariamente por vinhas velhas (74%), mais 16% de Touriga Nacional e 10% de Touriga Francesa.

O Quinta do Noval Reserva era tipicamente um blend de Touriga Nacional e Touriga Francesa, mas em 2020, no Douro em geral, esta última amadureceu muito mais cedo do que o normal e não estava na sua melhor forma na altura da vindima. E, pela primeira vez, as uvas da vinha velha entraram no lote. O resultado foi tão relevante, que passaram a representar uma grande parte desta referência. O Reserva de 2024 conta com 50% de vinhas velhas, 32% de Touriga Nacional e 18% de Touriga Francesa.

A título de exemplo, o Quinta do Passadouro Reserva tem acidez total de 6,10 gramas por litro e um pH 3,54 e o Quinta do Noval Reserva regista 6,40 gramas por litro de acidez e um pH de 3,47. Ambos evidenciam taninos muito finos, do mesmo tipo que, com mais trabalho e pisa em lagar, dão origem aos Porto Vintage. “É este paradoxo do Douro: uma zona quente onde conseguimos fazer vinhos destes, com frescura e finesse”, resume Carlos Agrellos.

 

Abordagem na adega

Na adega, os vinhos da Quinta do Passadouro são trabalhados de forma diferente dos da Quinta do Noval. Os primeiros fermentam em lagar, mas por pouco tempo, privilegiando a extracção pré-fermentativa em detrimento da maceração pós-fermentativa. Por isso, após uma breve pisa, o vinho é trasfegado.

O estágio decorre integralmente em barrica, com uma proporção de 15-20% de madeira nova, 5-10% de segundo ano e 70-80% de terceiro ano. Esta utilização de barricas de segundo e terceiro ano preserva o carácter frutado e floral, sem dominar o vinho.

 

O Noval Nacional representa apenas 0,65% do volume total do Vinho do Porto produzido na propriedade.

Quinta do Noval

Terroir Series

A filosofia por trás desta designação é bastante simples: sempre que nas múltiplas vinificações surge um vinho claramente distinto dos restantes (seja monovarietal, seja de vinhas velhas, como até agora), é engarrafado como Terroir Series. Para já, existem dois vinhos feitos a partir de uvas provenientes de parcelas praticamente centenárias, com castas misturadas.

O Vinha da Marka viu a sua primeira expressão em vinho em 2019 e, desde então, tem sido lançado todos os anos. É uma parcela situada ao lado da Quinta do Crasto. A sequência da Vinha da Ponte, da Maria Teresa e da Marka, sugere uma contemporaneidade na plantação, parecendo ser vinhas da mesma época.  A vinha da Marka com mais de 30 castas a 140-180 metros de altitude junto ao rio, apresenta um rendimento médio de 15 hectolitros por hectare. Vindimou-se numa manhã no dia 30 Setembro e resultou em 1024 garrafas.

Mais uma vez a título de exemplo: o Vinha da Marka com 14%, tem 6,60 gramas por litro de acidez total e um pH 3,44. Na opinião do enólogo, estes valores indicativos das vinhas velhas “nunca entram em sobrematuração”, produzindo um grande equilíbrio entre tanino e frescura, com finesse e um potencial de evolução como se fosse um grande Vintage.

No caso do Vinha do Passadouro, trata-se de uma parcela com 28 castas (numa combinação diferente da Vinha da Marka) situada a 320 metros de altitude e com uma elevada densidade de plantação para uma vinha velha do Douro: cerca de 5500 pés. Também plantada na década de 1930, apresenta um rendimento ainda mais baixo, de 12 hectolitros por hectare. Foi produzido 2020, 2021 e 2024, com 968 garrafas neste último. E novamente, temos 6,30 gramas por litro de acidez total e um pH de 3,54.

Porto Vintage

Com vinhas situadas entre os 100 e os 480 metros de altitude e com diferentes exposições, desde 2011 a Quinta do Noval conseguiu fazer declarações de Vintage todos os anos. “São declarações pouco convencionais, porque não seguimos a regra de só declarar em anos clássicos. Mas, às vezes, são apenas 1000 caixas (12 mil garrafas), o que representa menos de 3% da nossa produção total do vinho do Porto. Fazemos isto, não porque queremos ganhar muito dinheiro, mas porque não queremos abdicar da possibilidade de produzir um Porto Vintage que expressa não só os nossos terroirs, mas também o ano. Esta é a nossa política”, explica Christian Seely.

A qualidade dos Porto Vintage percebe-se logo na vindima. Há parcelas que, historicamente, dão origem a Vintage, sendo vinificadas separadamente e mantidas até à decisão final, momento em que algumas acabam por ser rejeitadas. Segundo Carlos Agrellos, o Quinta do Passadouro Vintage resulta de seis parcelas, de um total inicial de dez, tendo quatro ficado de fora do lote final. No caso do Quinta do Noval Vintage, o processo começou com 14 parcelas, das quais quatro foram eliminadas. Isto resultou em 555 caixas (6600 garrafas) do Vintage da Quinta do Passadouro e 2166 caixas (25 992 garrafas) da Quinta do Noval.

O Noval Nacional provém sempre da mesma parcela de vinha velha, com menos de um hectare, situada em frente à casa. Foi vindimado numa manhã a 30 de Setembro. Com 167 caixas (2004 garrafas) representa apenas 0,65% do volume total do Vinho do Porto produzido na propriedade. É um vinho com uma concentração de outro mundo e uma finesse típica que só aquela parcela cirurgicamente preservada, consegue expressar num grande Porto Vintage.

(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)

Taylor’s apresenta a nova garrafa

Mais leve e com um design mais sustentável, a nova garrafa da Taylor’s, desenvolvida pela Vidrala, será introduzida progressivamente em toda a gama a partir deste mês. Apesar de manter os pormenores que definem a identidade da marca, como a silhueta e o brasão em relevo, apresenta alterações subtis que permitirão poupar cerca de 350 […]

Mais leve e com um design mais sustentável, a nova garrafa da Taylor’s, desenvolvida pela Vidrala, será introduzida progressivamente em toda a gama a partir deste mês. Apesar de manter os pormenores que definem a identidade da marca, como a silhueta e o brasão em relevo, apresenta alterações subtis que permitirão poupar cerca de 350 toneladas de vidro por ano, como o peso – são 440 gramas, isto é, menos 140 gramas a menos em comparação com os 580 gramas da anterior, o que representa uma redução de aproximadamente 24%.
Adrian Bridge, Diretor-Geral da Taylor’s, afirma, em comunicado, que esta nova garrafa “demonstra que é possível alcançar melhorias ambientais significativas sem comprometer a qualidade, a elegância e a identidade que definem a Taylor’s há mais de três séculos.”
Em números, dentro do universo da produção anual da Taylor’s, correspondente a aproximadamente 2,5 milhões de garrafas, esta redução traduzir-se-á na redução de cerca de 350 toneladas de vidro por ano, evitando à volta de 210 toneladas de emissões de dióxido de carbono associadas ao fabrico das garrafas. Por outro lado, contribui para uma maior eficiência no transporte ao longo de toda a cadeia logística.
Há ainda a opção pelo papel proveniente de fontes responsáveis e o aumento da reciclabilidade dos materiais, bem como de topos de rolhas RE:WOOD®, composto fabricado a partir de resíduos de madeira e fibras provenientes de serralharias, bem como a redução progressiva da utilização de plástico virgem em toda a gama. O redesenho da garrafa e rotulagem é da autoria da agência criativa This Is Pacifica. A produção dos rótulos esteve a cargo da Etiquel e a nova rolha foi desenvolvida pela Amorim Cork Solutions.

REAL COMPANHIA VELHA: 270 anos de história

Real Companhia Velha

Há momentos em que a história do vinho se cruza com a própria identidade de uma nação de forma tão visceral, que o cenário escolhido para a celebrar não pode ser fruto do acaso. Foi precisamente essa a sensação ao entrar na Alfândega do Porto, para comemorar os 270 anos da Real Companhia Velha. Pela […]

Há momentos em que a história do vinho se cruza com a própria identidade de uma nação de forma tão visceral, que o cenário escolhido para a celebrar não pode ser fruto do acaso. Foi precisamente essa a sensação ao entrar na Alfândega do Porto, para comemorar os 270 anos da Real Companhia Velha. Pela primeira vez, este edifício histórico, outrora a porta de entrada das mercadorias do mundo, testemunho da mudança de impérios e rotas comerciais, abriu as suas imponentes naves para acolher o legado vivo da mais antiga empresa vinícola de Portugal. Havia uma simetria quase literária nessa escolha: dois pilares da identidade portuense, frente a frente, a reconhecerem-se mutuamente.

Instituída a 10 de setembro de 1756, por Alvará Régio de D. José I, sob o punho visionário do Marquês de Pombal, a Real Companhia Velha nasceu para proteger e regular o comércio dos vinhos do Douro, numa época em que o vinho do Porto era já moeda de prestígio nas mesas da Europa. Chegar a 2026, com o mote “270 Anos de Excelência do Douro para o Mundo” estampado nos painéis negros e dourados que forram a nave central, mantendo a relevância, o vigor e a capacidade de surpreender, é um feito raro.

 

Pedro Silva Reis, a voz

À entrada do espaço, uma parede em cinzento antracite, com o numeral dourado “270” e as letras soltas de “Real Companhia Velha” a orbitarem em torno do logótipo comemorativo, serve de cenário às entrevistas concedidas pelo administrador da empresa, Pedro Silva Reis. De fato azul-marinho e lenço no bolso, os gestos largos de quem está habituado a discursar sobre história, mas que, acima de tudo, acredita genuinamente no que diz. As suas palavras, calmas e autorais, tão comuns neste tipo de celebrações, definem o tom do dia: “esta não é uma festa nostálgica, mas uma declaração de intenção sobre o futuro”.

A mensagem de Pedro Silva Reis é clara: a empresa que herdou do pai e que agora partilha com a geração seguinte não vive, nem pode viver, de acontecimentos do passado. Vive de os honrar com a mesma audácia com que foram construídos.

 

“Estes vinhos existem, porque nos propomos explorar diferentes ideias que nos ensinem algo passível de uso numa aplicação comercial”

 

Real Companhia Velha
Pedro Silva Reis

Tiago Silva Reis, a nova geração

Se o pai representa a continuidade e a solidez, Tiago Silva Reis, filmado no interior animado da Alfândega, com as bancas de vinho e os convidados ao fundo, encarna a transição com uma naturalidade que tranquiliza. Jovem, articulado, claramente apaixonado pelo que faz, fala do evento com o entusiasmo de quem o ajudou a conceber e não apenas de quem o herda.

Em segundo plano, a banca da Royal Oporto, com as garrafas alinhadas em prateleiras de madeira natural sobre fundo vermelho, confere ao enquadramento a profundidade cromática de um evento vínico. A casa tem um novo rosto que conhece o produto pela raiz.

 

Mapa vivo do Alto Douro Vinhateiro

O formato do evento abandonou a disposição clássica em favor de uma experiência imersiva. Distribuídas em bancas individuais, cada uma das cinco quintas da empresa apresentou-se como um universo próprio: a Quinta das Carvalhas, com as suas vinhas centenárias e uma das mais ricas coleções de castas autóctones durienses; a Quinta de Cidrô, o laboratório experimental localizado no planalto de São João da Pesqueira; a Quinta dos Aciprestes, abraçada ao curso do Douro; a Quinta do Casal da Granja, em Alijó, e a Quinta do Síbio, no vale do Roncão. No total, 557 hectares de vinha própria.

Ao longo da nave central, enormes painéis suspensos do alto da estrutura metálica verde da Alfândega do Porto, essa característica cobertura industrial que ainda cheira a século XIX, contavam a cronologia de uma casa que atravessou Invasões Francesas, o liberalismo, a ditadura e a democracia. Num deles, uma fotografia de família: Pedro Silva Reis rodeado pelos filhos, ao ar livre, numa das quintas. Sobre a imagem, o selo comemorativo “270 Years – 1756–2026”. Uma imagem que vale mais do que qualquer comunicado de imprensa: a empresa tem dono, tem nome, tem cara.

 

Real Companhia Velha
Tiago Silva Reis é o rosto da nova geração da família, na Real Companhia Velha

 

Os vinhos: do clássico ao experimental

A banca da inovação revelou uma empresa que não tem medo de se reinventar. O grande lançamento do ano, o Royal Oporto 10 Anos Tawny propõe uma entrada generosa, mas acessível no universo dos vinhos velhos da casa. Do mesmo patamar, o imponente Royal Oporto 40 Anos Tawny, com o rótulo bordô e o blend número 25036, lembra a quem visita que a Real Companhia Velha é, antes de mais, uma guardiã do tempo.

Mas a surpresa reservada para os conhecedores estava na linha Séries. Rotulagem branca, tipografia sóbria, a indicação “1.500 Garrafas” e a casta Baga na região Douro: um projeto de exploração vitícola que testa castas fora da sua zona canónica, com tiragens muito limitadas. Nas palavras de Pedro Silva Reis: “a Real Companhia Velha representa a procura de novos vinhos. Estes vinhos existem, porque nos propomos explorar diferentes ideias que nos ensinem algo passível de uso numa aplicação comercial.” É a linguagem da curiosidade científica a entrar pela adega dentro.

 

Futuro de família e de Douro

Ao final do dia, entre os 800 convidados que enchiam as naves da Alfândega, a narrativa do evento fechava-se com coerência, uma empresa que nasceu por decreto régio para proteger um território e que, 270 anos depois, continua a fazê-lo, agora também através da nova geração, dos vinhos experimentais, da garrafa redesenhada e do cenário escolhido para a celebração. Os homens criam as efemérides. O rio, a terra e a paciência permitem que a história continue a ser escrita. A Real Companhia Velha parece estar pronta para os próximos 270 anos.

(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)