Taylor’s apresenta a nova garrafa

Mais leve e com um design mais sustentável, a nova garrafa da Taylor’s, desenvolvida pela Vidrala, será introduzida progressivamente em toda a gama a partir deste mês. Apesar de manter os pormenores que definem a identidade da marca, como a silhueta e o brasão em relevo, apresenta alterações subtis que permitirão poupar cerca de 350 […]
Mais leve e com um design mais sustentável, a nova garrafa da Taylor’s, desenvolvida pela Vidrala, será introduzida progressivamente em toda a gama a partir deste mês. Apesar de manter os pormenores que definem a identidade da marca, como a silhueta e o brasão em relevo, apresenta alterações subtis que permitirão poupar cerca de 350 toneladas de vidro por ano, como o peso – são 440 gramas, isto é, menos 140 gramas a menos em comparação com os 580 gramas da anterior, o que representa uma redução de aproximadamente 24%.
Adrian Bridge, Diretor-Geral da Taylor’s, afirma, em comunicado, que esta nova garrafa “demonstra que é possível alcançar melhorias ambientais significativas sem comprometer a qualidade, a elegância e a identidade que definem a Taylor’s há mais de três séculos.”
Em números, dentro do universo da produção anual da Taylor’s, correspondente a aproximadamente 2,5 milhões de garrafas, esta redução traduzir-se-á na redução de cerca de 350 toneladas de vidro por ano, evitando à volta de 210 toneladas de emissões de dióxido de carbono associadas ao fabrico das garrafas. Por outro lado, contribui para uma maior eficiência no transporte ao longo de toda a cadeia logística.
Há ainda a opção pelo papel proveniente de fontes responsáveis e o aumento da reciclabilidade dos materiais, bem como de topos de rolhas RE:WOOD®, composto fabricado a partir de resíduos de madeira e fibras provenientes de serralharias, bem como a redução progressiva da utilização de plástico virgem em toda a gama. O redesenho da garrafa e rotulagem é da autoria da agência criativa This Is Pacifica. A produção dos rótulos esteve a cargo da Etiquel e a nova rolha foi desenvolvida pela Amorim Cork Solutions.
REAL COMPANHIA VELHA: 270 anos de história

Há momentos em que a história do vinho se cruza com a própria identidade de uma nação de forma tão visceral, que o cenário escolhido para a celebrar não pode ser fruto do acaso. Foi precisamente essa a sensação ao entrar na Alfândega do Porto, para comemorar os 270 anos da Real Companhia Velha. Pela […]
Há momentos em que a história do vinho se cruza com a própria identidade de uma nação de forma tão visceral, que o cenário escolhido para a celebrar não pode ser fruto do acaso. Foi precisamente essa a sensação ao entrar na Alfândega do Porto, para comemorar os 270 anos da Real Companhia Velha. Pela primeira vez, este edifício histórico, outrora a porta de entrada das mercadorias do mundo, testemunho da mudança de impérios e rotas comerciais, abriu as suas imponentes naves para acolher o legado vivo da mais antiga empresa vinícola de Portugal. Havia uma simetria quase literária nessa escolha: dois pilares da identidade portuense, frente a frente, a reconhecerem-se mutuamente.
Instituída a 10 de setembro de 1756, por Alvará Régio de D. José I, sob o punho visionário do Marquês de Pombal, a Real Companhia Velha nasceu para proteger e regular o comércio dos vinhos do Douro, numa época em que o vinho do Porto era já moeda de prestígio nas mesas da Europa. Chegar a 2026, com o mote “270 Anos de Excelência do Douro para o Mundo” estampado nos painéis negros e dourados que forram a nave central, mantendo a relevância, o vigor e a capacidade de surpreender, é um feito raro.
Pedro Silva Reis, a voz
À entrada do espaço, uma parede em cinzento antracite, com o numeral dourado “270” e as letras soltas de “Real Companhia Velha” a orbitarem em torno do logótipo comemorativo, serve de cenário às entrevistas concedidas pelo administrador da empresa, Pedro Silva Reis. De fato azul-marinho e lenço no bolso, os gestos largos de quem está habituado a discursar sobre história, mas que, acima de tudo, acredita genuinamente no que diz. As suas palavras, calmas e autorais, tão comuns neste tipo de celebrações, definem o tom do dia: “esta não é uma festa nostálgica, mas uma declaração de intenção sobre o futuro”.
A mensagem de Pedro Silva Reis é clara: a empresa que herdou do pai e que agora partilha com a geração seguinte não vive, nem pode viver, de acontecimentos do passado. Vive de os honrar com a mesma audácia com que foram construídos.
“Estes vinhos existem, porque nos propomos explorar diferentes ideias que nos ensinem algo passível de uso numa aplicação comercial”

Tiago Silva Reis, a nova geração
Se o pai representa a continuidade e a solidez, Tiago Silva Reis, filmado no interior animado da Alfândega, com as bancas de vinho e os convidados ao fundo, encarna a transição com uma naturalidade que tranquiliza. Jovem, articulado, claramente apaixonado pelo que faz, fala do evento com o entusiasmo de quem o ajudou a conceber e não apenas de quem o herda.
Em segundo plano, a banca da Royal Oporto, com as garrafas alinhadas em prateleiras de madeira natural sobre fundo vermelho, confere ao enquadramento a profundidade cromática de um evento vínico. A casa tem um novo rosto que conhece o produto pela raiz.
Mapa vivo do Alto Douro Vinhateiro
O formato do evento abandonou a disposição clássica em favor de uma experiência imersiva. Distribuídas em bancas individuais, cada uma das cinco quintas da empresa apresentou-se como um universo próprio: a Quinta das Carvalhas, com as suas vinhas centenárias e uma das mais ricas coleções de castas autóctones durienses; a Quinta de Cidrô, o laboratório experimental localizado no planalto de São João da Pesqueira; a Quinta dos Aciprestes, abraçada ao curso do Douro; a Quinta do Casal da Granja, em Alijó, e a Quinta do Síbio, no vale do Roncão. No total, 557 hectares de vinha própria.
Ao longo da nave central, enormes painéis suspensos do alto da estrutura metálica verde da Alfândega do Porto, essa característica cobertura industrial que ainda cheira a século XIX, contavam a cronologia de uma casa que atravessou Invasões Francesas, o liberalismo, a ditadura e a democracia. Num deles, uma fotografia de família: Pedro Silva Reis rodeado pelos filhos, ao ar livre, numa das quintas. Sobre a imagem, o selo comemorativo “270 Years – 1756–2026”. Uma imagem que vale mais do que qualquer comunicado de imprensa: a empresa tem dono, tem nome, tem cara.

Os vinhos: do clássico ao experimental
A banca da inovação revelou uma empresa que não tem medo de se reinventar. O grande lançamento do ano, o Royal Oporto 10 Anos Tawny propõe uma entrada generosa, mas acessível no universo dos vinhos velhos da casa. Do mesmo patamar, o imponente Royal Oporto 40 Anos Tawny, com o rótulo bordô e o blend número 25036, lembra a quem visita que a Real Companhia Velha é, antes de mais, uma guardiã do tempo.
Mas a surpresa reservada para os conhecedores estava na linha Séries. Rotulagem branca, tipografia sóbria, a indicação “1.500 Garrafas” e a casta Baga na região Douro: um projeto de exploração vitícola que testa castas fora da sua zona canónica, com tiragens muito limitadas. Nas palavras de Pedro Silva Reis: “a Real Companhia Velha representa a procura de novos vinhos. Estes vinhos existem, porque nos propomos explorar diferentes ideias que nos ensinem algo passível de uso numa aplicação comercial.” É a linguagem da curiosidade científica a entrar pela adega dentro.
Futuro de família e de Douro
Ao final do dia, entre os 800 convidados que enchiam as naves da Alfândega, a narrativa do evento fechava-se com coerência, uma empresa que nasceu por decreto régio para proteger um território e que, 270 anos depois, continua a fazê-lo, agora também através da nova geração, dos vinhos experimentais, da garrafa redesenhada e do cenário escolhido para a celebração. Os homens criam as efemérides. O rio, a terra e a paciência permitem que a história continue a ser escrita. A Real Companhia Velha parece estar pronta para os próximos 270 anos.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
QUINTA DOS ARCOS Vinhos com sotaque francês

Assim que passamos a entrada da Quinta dos Arcos, junto à Nacional 379, em Azeitão, o ligeiro declive que percorremos permite-nos visualizar parte do casario desta propriedade localizada na região vitivinícola da Península de Setúbal. Adquirida em 2013, é delimitada por uma área de 77 hectares, dos quais cerca de 13 estão confinados à vinha, […]
Assim que passamos a entrada da Quinta dos Arcos, junto à Nacional 379, em Azeitão, o ligeiro declive que percorremos permite-nos visualizar parte do casario desta propriedade localizada na região vitivinícola da Península de Setúbal. Adquirida em 2013, é delimitada por uma área de 77 hectares, dos quais cerca de 13 estão confinados à vinha, para além do montado, e está, hoje, nas mãos de uma família proveniente de Paris, França. Christine Antunes, que ali nasceu e exerceu advocacia durante 35 anos, radicou-se em Portugal em 2018. O filho mais velho, Rodolphe Antunes Bouquillard, arquiteto de formação, cuja licenciatura foi tirada na capital francesa e o mestrado na Universidade Autónoma de Lisboa, assume o papel de produtor. É, portanto, o responsável pelo projeto de recuperação de alguns dos edifícios, sempre alinhada com a traça da fachada original, enquanto outros já constam no papel e outros estão integrados no plano de reabilitação a médio prazo.
No entanto, a compra da propriedade estava destinada, inicialmente, para fundar centro destinado a autistas, para proporcionar atividades ao ar livre até surgir a ideia de plantar vinha, “porque o meu pai tinha direitos de vinha e eu aceitei os 13 hectares que me proporcionou”, começa por contar a nossa anfitriã. De certa forma, o vinho não é assunto
Christine Antunes: “provei muitos. Acho que tudo o que existe de bom passou por mim, além de vinhos que valem muito dinheiro. Os grandes Bordeaux, os grandes Borgonha… mais tarde, passei a provar vinhos estrangeiros.” Ou seja, referências vínicas produzidas fora de Portugal e França. “Quando vim para Portugal, também provei quase todos os vinhos que são feitos por cá.”
Castas francesas como bandeira
Christine Antunes foi advogada da revista Sommeliers International dirigida, na época pelo escanção Jean Frambourg e era parceira da Association de la Sommellerie Internationale e da Union de la Sommellerie Française. Esta ligação favoreceu o passo seguinte: a plantação da vinha. Isto é, a nossa anfitriã decidiu recorrer a técnicos franceses com provas dadas na viticultura. “Quem aconselhou a vinda dos técnicos franceses à minha mãe, foi o sommelier Philippe Faure-Brac, que se tornou, em 2016, presidente da Union de la Sommellerie Française”, conta Rodolphe Antunes Bouquillard. “Fizeram análises ao solo da propriedade, provaram vinhos da região e acharam que a única forma de fazer a diferença seria optar por castas francesas, até porque se iriam adaptar muito bem aqui”, descreve Christine Antunes.
Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, nas tintas; Sauvignon Blanc, nas brancas. Christine Antunes fez questão de incluir uma quinta casta a esta curta lista, a Moscatel Graúdo, “para ter uma variedade representativa da região da Península de Setúbal”, justifica. Dada a indicação dos sítios onde se iria plantar cada variedade – as duas primeiras castas foram plantadas em solos maioritariamente arenosos, enquanto as restantes estão implantadas nas zonas predominantemente argilocalcárias –, deu-se início à plantação da vinha. Este processo demorou aproximadamente dois anos, entre 2014 e 2016, com a Merlot a protagonizar a última plantação.
Depois, foi preciso recorrer a quem sabe a matéria de enologia. A verdade é que Christine Antunes desejava ter António Saramago, decano da enologia no país e nome bem conhecido na Península de Setúbal, na Quinta dos Arcos. “Apresentamos-lhe o projeto da adega, dos vinhos e da vinha.” Entusiasmado, aceitou a proposta, fazendo parte da equipa desde 2024. “Estou cá todos os dias”, afirma o profissional com veemência. E com ele foi a adegueira brasileira, Lariza Camelatto.
“Há muito Sauvignon Blanc, mas eu não tenho de fazer vinhos iguais. Com as mesmas uvas, posso fazer 500 vinhos diferentes, uma força de expressão, porque há várias técnicas de trabalhar as uvas, e dentro dessas técnicas, sobretudo para quem as conhece, pela experiência, podemos pôr na mesa vinhos diferentes”, exemplifica António Saramago.
A vinha está repartida, ora por encostas suaves da Quinta dos Arcos, uma das quais pontilhada por sobreiros e ladeada por montado, ora na pequena planície junto à ribeira que delimita atravessa um dos extremos da propriedade delimitada por floresta, que empresta a quietude à paisagem. A nossa anfitriã refere a importância da fauna neste ecossistema, entre raposas, águas, texugos e javalis.
Devido à ribeira e à influência atlântica sentida na propriedade, “temos de usar produtos para o oídio e o míldio”, combatidos através de tratamentos fitossanitários, “quando estritamente necessário e dependendo do ano”, assegura, “mas, ainda assim, temos de tratar a vinha com produtos mais eficientes, porque os biológicos não são suficientes, sobretudo junto à ribeira”, descreve. No âmbito dos trabalhos da vinha, são utilizados intercepas e o corta-mato, com a finalidade de suprimir o excesso do coberto vegetal, mantendo alguma da vegetação, com o intuito de proteger o solo do sol.
Há 15 ânforas de barro de Impruneta e dois ovos da Fornace Artenova, ambos feitos em Itália, dois balseiros de carvalho francês do Allier e barricas de carvalho de Vosges
Estreia é feita com colheita tardia
A vindima ocorre, habitualmente, a meio do mês de agosto. É manual e a seleção dos cachos é efetuada na vinha, “para qualquer tipo de vinho”, reforça Christine Antunes. O mesmo critério rigoroso está implementado na adega, onde a seleção se repete no tapete de escolha.
Tudo estava preparado para que a primeira apanha da uva tivesse lugar em 2018, “mas o escaldão desse ano devastou a uva”. Curiosamente, em novembro desse ano, Christine Antunes constatou que alguns talhões próximos da ribeira tinham uvas com Botrytis cinerea. Incrédula, pois até então não tinha imaginado que fosse possível a propriedade reunir condições para dar origem à podridão nobre, avançou para a produção de uma colheita tardia feita a partir da casta Sauvignon Blanc.
O resultado traduziu-se em 150 litros para consumo próprio. Ao invés das cubas de inox ou de barricas, todo o processo de vinificação foi feito em ânfora, objeto de eleição de Christine Antunes no que à elaboração de vinho diz respeito. “Encontro harmonia entre as castas francesas e as ânforas”, elucida. Esta conclusão vem na sequência de sucessivos ensaios realizados ao longo dos primeiros cinco anos do projeto vitivinícola, “o que contribuiu para o arranque da Quinta dos Arcos”, sublinha.
Não é por acaso que há 15 ânforas na adega, todas feitas a partir de barro de Impruneta, provenientes de Itália. “É dos melhores barros do mundo para ânforas, nos quais fazemos vinhos tardios”, evidencia, referindo-se à colheita tardia.
A exceção foi a produção de um passito, inspirado no célebre vinho italiano feito a partir de uvas desidratadas ao sol, pois a nossa anfitriã é apreciadora deste tipo de vinho. É da colheita de 2025 e foi elaborado com Moscatel Graúdo, “que se encontra em cinco destas ânforas”, sob a supervisão de António Saramago.
Ânforas, balseiros e barricas
Vamos por partes. Sangue Real é a designação que consta no rótulo da gama de entrada. Foi atribuído em homenagem a “uma zona específica da propriedade, que já se chamava assim”, esclarece. O mesmo sítio tinha sido, em tempos, ocupado por vinha plantada pelos antigos donos da Quinta dos Arcos, que resultou, em tempos idos, da compra de várias propriedades. No alinhamento do portefólio vínico consta o rótulo Adega das Ânforas. Tal como o nome indica, está reservado aos vinhos feitos nas ânforas. “Todas têm um pez à base de mel, feito em Itália.” Aqui, enquadram-se o Rodolphe’s Merlot 2023, bem como as duas colheitas tardias de 2024: um de Sauvignon Blanc e outro de Moscatel Graúdo
A linha Quinta dos Arcos contempla, por sua vez, vinhos feitos em balseiros e em barricas. É o caso do primeiro vinho deste produtor. Trata-se de uma colheita tardia DOC Palmela de 2020, em que as uvas de Sauvignon Blanc foram vinificadas em inox e submetidas a um estágio de 36 meses em barrica. Neste patamar estão, ainda, o Quinta dos Arcos Reserva tinto 2023, bem como três outros vinhos de 2024: o Sauvignon Blanc, o Sauvignon Blanc Reserva e o Sauvignon Blanc. Os rótulos de todos os vinhos são da autoria de Rodolphe Antunes Bouquillard, que eleva a pintura como forma de expressão vínica, se assim a podemos designar.
Os dois balseiros de 5000 litros dispostos na adega são de carvalho francês do Allier e têm o cunho da Tanoaria JM Gonçalves, situada em Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, Trás-os-Montes. São usados apenas para tintos – primeiramente para fermentação e, depois da remoção das massas, são reutilizados no processo de vinificação. As uvas de cada variedade são vinificadas a solo e, uma vez que são três, “há uma casta que tem de esperar que uma acabe a fermentação, para ser acolhida”, avança Christine Antunes. As barricas, de 300 litros, foram encomendadas à mesma empresa e são feitas a partir de carvalho de Vosges. Segundo António Saramago, esta madeira é adequada para os vinhos brancos, que aqui fermentam e estagiam. É o caso do Quinta dos Arcos Reserva Sauvignon Blanc. Já o Grande Reserva Sauvignon Blanc 2024, “que já está em garrafa, mas ainda não está comercializado, estagiou em barricas de carvalho francês das Vosges”, acrescenta Rodolphe Antunes Bouquillard.
Os balseiros são usados pela “tendência para aumentar o tempo de estágio, porque estamos a falar de volumes grandes”. A respeito das barricas, “estamos à procura de aromas, de complexidade, de finesse nos brancos”, afirma António Saramago. Juntam-se ainda os dois recipientes em forma oval da Fornace Artenova, produzidos no sul de Florença, Itália, para estágios de vinhos tintos. O interior também é revestido com o mesmo pez das ânforas. “É preciso provar muito”, sublinha o enólogo.
Adega de filigrana
De acordo com as contas feitas pelos novos proprietários, a Quinta dos Arcos foi palco de produção de vinho até à década de 70 do século XX. “Havia esta adega e uma pequena adega”, que, embora degradada, ainda existe. “Servia de apoio a esta e já era mais moderna”, constata Christine Antunes. Os registos fotográficos que possuem indicam a antiguidade dos imóveis. “São anteriores a 1951. Veem-se na fotografia de 1947 e esse prédio [a pequena adega] é posterior, porque não existe nessa fotografia de 1947”, continua.
A adega atual está instalada na outrora primeira adega da propriedade. Foi parcialmente concluída em 2024, ano da estreia na receção da uva e de todo o processo de vinificação. O término aconteceu em 2025. “Todo o vinho que faço na Quinta dos Arcos tem controlo de temperatura. O que é inovador aqui é o caso do barro”, comenta António Saramago, referindo-se às ânforas, acrescentando que os balseiros também estão equipados de sistema de frio, assim como as cubas de inox. “Das ânforas saíram coisas fantásticas. É um componente para que o vinho tenha alguma coisa de diferente”, destaca o enólogo.
Toda a adega foi pensada e desenhada na totalidade por Rodolphe Antunes Bouquillard, quer a arquitetura, quer o sistema tecnológico e de segurança. É provida de detetores de monóxido de carbono, que, em caso de alerta, comandam a abertura automática das portadas espalhadas pelo edifício. “Os pilares azuis têm uma tinta especial, pelo que, se houver um incêndio, faz uma espuma, para abafar o oxigénio”, explica o produtor. A manga azul que atravessa o teto permite aquecer ou arrefecer o ambiente, consoante a necessidade baseada na temperatura registada, a tinta branca que reveste as paredes da adega é antibacteriana e o chão é revestido com resina epóxi. A água usada na adega vai para uma ETAR da propriedade e o teto foi desenhado de modo a reter a água da chuva, com destino a um depósito, disposto no exterior, que a encaminha diretamente para a vinha. Nas traseiras do edifício, estão os geradores de emergência e painéis solares.
Os 13 hectares de vinha são predominados por quatro castas francesas e uma portuguesa, a Moscatel Graúdo
Experiências no terreno
Ao lado da adega está o antigo picadeiro do mestre Nuno de Oliveira, em tempos, figura incontornável da cultura equestre portuguesa. O edifício foi igualmente recuperado por Rodolphe Antunes Bouquillard. No interior, os quadros da sua autoria emprestam o colorido às paredes brancas, enquanto a sala do estágio de barricas resulta de uma pequena mostra de um painel de azulejos do século XVIII. Do lado oposto a esta sala, está o armazém, destinado à rotulagem e armazenamento das garrafas. O engarrafamento é feito por intermédio de aluguer.
Em outro edifício está a loja. A abertura prevista para a época de estio deste ano. O teto é digno de contemplação, graças à mestria de Rodolphe Antunes Bouquillard. Em breve, o terraço deste espaço encher-se-á de apreciadores de vinho, que, em contrapartida receberão a oferta da vista para a Serra da Arrábida. Petiscos, queijos e enchidos protagonizarão tábuas que acompanharão os vinhos produzidos na acalmia da Quinta dos Arcos. “Aqui serão feitas as provas de vinho”, informa Christine Antunes ao abrir a porta. Já as provas premium estão pensadas para a mina de água da Quinta dos Arcos recuperada pelo produtor e arquiteto da propriedade. Os programas são complementados por visita à adega e vinha.
Em jeito de conclusão, Christine Antunes deixa uma nota: “vamos aguardar o sucesso com os vinhos. Depois, plantamos a Boal de Setúbal (tem a Sémillon como sinonímia) e alguma Chardonnay, que o senhor engenheiro António Saramago quer, e a Pinot Noir.” E ainda haverá espaço para fundar o centro destinado a pessoas com autismo. Até lá, contemos com dois espumantes no final deste ano da colheita de 2024, um Blanc de Blanc de Sauvignon Blanc e Moscatel Graúdo e um rosé de Cabernet Franc.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
Há uma nova esplanada em Celeirós

Com o verão no auge, que tal conhecer o Casal de Celeirós Visitors’ Center, no Douro, onde há uma nova esplanada a céu aberto? Está instalada no topo do edifício e foi criada para a realização de provas vínicas (a partir de €20). Ao todo, são 11. Estão disponíveis as clássicas e as de introdução […]
Com o verão no auge, que tal conhecer o Casal de Celeirós Visitors’ Center, no Douro, onde há uma nova esplanada a céu aberto? Está instalada no topo do edifício e foi criada para a realização de provas vínicas (a partir de €20). Ao todo, são 11. Estão disponíveis as clássicas e as de introdução ao vinho do Porto, bem como as mais segmentadas e exclusivas, centradas em terroirs distintos, vinhos do Porto Tawny, vinhos moscatel, rosés e brancos, e podem ser acompanhadas por degustações de produtos tradicionais, como azeite, tábuas de queijos e enchidos portugueses, bolachas regionais e amêndoas da terra. A oferta é complementada pela calmaria da aldeia histórica de Celeirós e pela vista privilegiada para os vinhedos da região.
Disponíveis todos os dias, das 10h00 às 18h00, as provas de vinhos são antecedidas pela visita às vinhas desta propriedade pertencente à The Fladgate Partnership, à sala de estágio dos vinhos e às caves de envelhecimento dos vinhos fortificados. Para uma experiência completa, fica a sugestão da The Manor House de Celeirós, a unidade hoteleira do mesmo grupo, com piscina exterior, e a Casas das Pipas Restaurant.
ENOTURISMO: QUINTA DA CÔRTE

Situada entre o Baixo Corgo, mais húmido e verdejante, e o Douro Superior, mais seco, quente e extremo, a sub-região do Cima Corgo ocupa uma posição de charneira. É território de equilíbrio, mas não de facilidade. Aqui, a vinha cresce entre forças opostas e as uvas recebem calor suficiente para amadurecer com intensidade, mas conserva, […]
Situada entre o Baixo Corgo, mais húmido e verdejante, e o Douro Superior, mais seco, quente e extremo, a sub-região do Cima Corgo ocupa uma posição de charneira. É território de equilíbrio, mas não de facilidade. Aqui, a vinha cresce entre forças opostas e as uvas recebem calor suficiente para amadurecer com intensidade, mas conserva, em muitos locais, a frescura necessária para que os vinhos não se tornem apenas potentes. O resultado traduz-se numa região de maturações consistentes, mas também de nuances, onde a altitude, as encostas e a exposição solar mudam o carácter da matéria-prima.
A orografia é outro um dos grandes fatores desta sub-região. As vinhas avançam por encostas inclinadas, patamares, socalcos e pequenos vales, que desenham uma paisagem de rara dramaticidade. O homem não encontrou aqui uma terra pronta a ser cultivada. Teve de a construir, pedra sobre pedra, muro sobre muro, transformando a montanha em vinha e a dificuldade em património. A viticultura é também uma forma de arquitetura, uma maneira de organizar o impossível.
Os solos, dominados pelo xisto, dão à videira uma condição quase ascética. São solos pobres, pedregosos, fraturados, com pouca generosidade aparente. No entanto, é precisamente dessa pobreza que nasce parte da grandeza dos vinhos. A raiz é obrigada a procurar fundo, a insinuar-se nas fissuras da rocha, a vencer a secura e a escassez. A videira aprende, assim, uma lição antiga, aquilo que é fácil raramente produz profundidade.
Já o clima do Cima Corgo é marcado por uma transição progressiva. À medida que se avança para o interior do vale duriense, diminui a influência atlântica e aumentam o calor, a secura e as amplitudes térmicas. A chuva, mais moderada que no Baixo Corgo e menos escassa que no Douro Superior, coloca a sub-região do Cima Corgo num ponto intermédio particularmente interessante. Há água suficiente para evitar, em muitos anos, o sofrimento extremo da videira, mas não tanta que dilua a concentração. É uma pluviosidade de medida difícil, quase filosófica, nem excesso, nem ausência; apenas o bastante para manter viva a tensão. É nessa tensão que o Cima Corgo encontra a sua assinatura. Os microclimas multiplicam-se de encosta para encosta, consoante a exposição ao sol – uma vinha virada a sul amadurece de forma diferente de uma vinha voltada a norte. As cotas mais altas podem preservar acidez e elegância, enquanto as zonas mais baixas e quentes podem oferecer corpo, maturação e densidade.
Vinhas velhas, arquivos vivos
As castas tintas encontram aqui um dos seus palcos naturais. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela e Sousão fazem parte do vocabulário essencial da região. Cada uma contribui com a sua voz. Umas trazem perfume, outras estrutura, umas dão cor, outras frescura, umas oferecem fruta madura, outras firmeza tânica. As castas brancas – Rabigato, Viosinho, Gouveio, Códega do Larinho e Malvasia Fina – ajudam a desenhar vinhos de maior tensão, sobretudo quando plantadas em altitude ou em exposições menos castigadas pelo sol.
Mas a verdadeira alma do Cima Corgo está, muitas vezes, nas vinhas velhas, onde várias castas partilham a mesma parcela como uma comunidade antiga. São arquivos vivos que guardam decisões tomadas por gerações anteriores, adaptadas ao relevo, ao clima e à experiência. Ali, a complexidade advém de uma sabedoria rural, que, muito antes da teoria, percebeu que a diversidade é uma forma de equilíbrio.
Os vinhos tintos do Cima Corgo costumam revelar uma combinação rara entre concentração e elegância, têm cor profunda, fruta madura, notas florais, especiarias, esteva, taninos firmes e uma capacidade natural para evoluir em garrafa. A sua força está na proporção. Têm músculo, mas também nervo, têm densidade, mas também ritmo, têm presença.
Nos brancos, a sub-região mostra uma faceta menos óbvia, mas cada vez mais valorizada. As vinhas de altitude, os solos de xisto e as exposições menos soalheiras e, por conseguinte, mais frescas, permitem criar vinhos com acidez firme, textura mineral e grande vocação gastronómica. São brancos que não se limitam à leveza aromática. Trazem pedra, citrino, ervas secas, fruta contida e persistência.
O Cima Corgo é igualmente território fundamental para os grandes Vinhos do Porto. A maturação das uvas, a concentração fenólica e a riqueza estrutural das castas tintas fazem desta sub-região uma origem privilegiada para vinhos intensos, profundos e longevos. Aqui, Porto e Douro DOC são duas expressões da mesma matriz.
Memórias regionais à mesa
O acervo gastronómico duriense é uma herança de gestos, de lume brando, de mãos calejadas, de panelas que guardam o tempo. À mesa sente-se o perfume da terra. O azeite contém a memória das oliveiras antigas. O pão conserva o calor do forno comunitário. Os enchidos, os presuntos, as carnes fumadas e curadas são o reflexo de invernos longos, de matanças partilhadas, de famílias reunidas em torno de um ritual onde nada se desperdiçava. A cozinha era baseada, antes de tudo, na ética de aproveitar, respeitar, prolongar.
Cabrito assado, arroz de forno, feijoada à transmontana, rancho, posta, bola de carne e peixes do rio, quando o rio ainda se dava com generosidade, transpõem uma verdade sem artifício. São sabores telúricos, comida de casa, de festa e de trabalho. Comida que sacia e reconcilia o corpo com a origem.
A doçaria, por sua vez, revela o lado íntimo deste património, com os doces de ovos, as cavacas, os folares, a aletria, o arroz-doce, as compotas de fruta madura, a amêndoa e o mel. Tudo parece nascer de uma delicadeza doméstica, de uma sabedoria feminina muitas vezes anónima, transmitida sem tratados, mas com precisão. Cada doce guarda uma festa, uma promessa, uma romaria, um domingo.
Falar do acervo gastronómico desta parte do Douro é, portanto, falar de uma biblioteca sem estantes, mas sim de salgadeiras, tachos, fornos, adegas, lagares e toalhas de linho. As páginas escrevem-se com aromas de alho, louro, vinho, fumo, azeite e canela. Os leitores somos nós, sempre que nos sentamos à mesa com disponibilidade para provar e sermos felizes.
Num tempo em que a globalização tende a uniformizar o gosto, esta cozinha permanece como ato de resistência e de partilha. O futuro gastronómico do Douro depende dessa capacidade de honrar a tradição sem a cristalizar e inovar sem romper o fio invisível que liga cada prato à paisagem humana. Porque a gastronomia, quando é verdadeira, pertence ao passado, mas é igualmente memória em movimento.
A decoração introduz uma vibração inesperada, com peças de artesãos locais e obras de arte distribuídas por vários recantos
Visão atual do vinho
Voltar ao Douro é aceitar que a paisagem nunca se repete. Há qualquer coisa de inaugural em cada chegada. Foi esse impulso, quase inevitável, que me levou à Quinta da Côrte, localizada em Valença do Douro, no concelho de Tabuaço. Integrada no portefólio do grupo Vignobles Austruy, que reúne cinco produtores em França, Portugal e Itália, esta propriedade duriense simboliza o encontro entre a visão contemporânea do vinho e uma herança profundamente enraizada na história. À frente deste projeto está Philippe Austruy, empresário francês ligado à indústria médica, mas movido por uma paixão antiga e crescente pelo universo vitivinícola.
Entre encostas austeras e luminosas, a propriedade testemunha uma história nobre marcada pelo primeiro registo de plantação de vinha em 1814. Do ponto de vista vitícola, a Quinta da Côrte apresenta uma matriz profundamente duriense, sendo ocupada por cerca de 26 hectares de vinha classificada com a Letra A, com exposição a norte, densidade média de plantação entre 3500 e 4000 pés por hectare e idade média de 40 anos. Parte significativa do património vitícola é constituída por vinhas com idades entre os 90 e os 110 anos, instaladas em socalcos tradicionais. Esta idade avançada das videiras contribui para baixos rendimentos naturais, maior profundidade radicular, maior equilíbrio vegetativo e uvas de elevada concentração, aspetos essenciais quer para vinhos tranquilos DOC Douro, quer para categorias especiais de Vinho do Porto.
Tradicionalmente ligada à produção de Vinho do Porto, a Quinta da Côrte iniciou, em 2013, uma nova etapa com a produção e engarrafamento de vinhos DOC Douro e Porto sob marca própria, após a integração no universo de Philippe Austruy. Não se tratou apenas de acrescentar um nome a um rótulo, mas de afirmar uma visão, preservar a alma da propriedade, valorizar o passado e projetá-la para o futuro, com rigor, elegância e autenticidade.
Para dar corpo a esse sonho, Philippe Austruy convidou o arquiteto e designer Pierre Yovanovitch a assumir a conceção e decoração dos interiores da casa. Desse encontro nasceu também uma amizade, fundada na sensibilidade estética e na atenção ao detalhe. A prioridade foi clara: preservar a autenticidade da Quinta da Côrte. Numa primeira fase, Pierre Yovanovitch introduziu adaptações técnicas, reabilitou e modernizou a antiga adega de Vinho do Porto, mantendo a estrutura original e o caráter que Philippe Austruy fez questão de salvaguardar. O resultado é um diálogo raro entre tradição e contemporaneidade, onde cada pedra, cada pipa e cada linha arquitetónica parecem recordar que, no Douro, inovar também é saber escutar o passado.
Luxo discreto
Na Quinta da Côrte, a casa renasceu de uma recuperação que não se limitou a devolver vida aos edifícios, reinventou-lhes a presença. Pierre Yovanovitch, trouxe ao lugar uma leitura contemporânea. O resultado é um espaço onde o Douro antigo dialoga com uma sensibilidade cosmopolita. A arquitetura preserva a memória, mas a decoração introduz uma vibração inesperada, peças de artesãos locais, obras de arte distribuídas com naturalidade pelos vários ambientes, fotografias, litografias e candeeiros de autor que permanecem acesos como pequenas vigílias de luz. Dispõe de oito quartos, quatro deles reservados a hóspedes, todos trabalhados sob a ideia de um luxo discreto, feito de detalhe e contenção. A roupa de cama em linho bordado, as almofadas e atoalhados com monogramas, as casas de banho revestidas a faiança artesanal portuguesa e a presença constante da arte compõem uma atmosfera onde nada parece excessivo.
Na casa principal, a traça original foi respeitada com uma linguagem atual. A biblioteca, a sala de estar e as lareiras constroem uma ideia de abrigo, de casa vivida, onde o conforto se sente antes de se explicar. Mas é na cozinha que pulsa o verdadeiro coração da Quinta da Côrte. A monumental chaminé revestida a azulejo concentra a atenção. À sua volta, o lume crepita a todas as horas, oferecendo calor, uma espécie de hospitalidade ancestral. Ao centro, a mesa ampla, revestida por uma criação original que reproduz a paisagem do Vale do Douro e a própria Quinta da Côrte, transforma cada refeição num prolongamento do território. Ao almoço e ao jantar, a mesa é palco da cozinha tradicional despretensiosa e profundamente ligada à região. Chegam pratos feitos com produtos locais, o azeite da Quinta da Côrte, a marmelada da casa e os legumes da horta.
Os espaços exteriores prolongam essa sensação de abrigo e serenidade. O alpendre abre-se a almoços demorados e jantares tranquilos nos dias mais quentes, enquanto a piscina, que parece estar suspensa sobre uma vista panorâmica para o vale do Douro, convida ao repouso. Sob a sombra das azinheiras, o tempo abranda e a paisagem impõe o seu próprio ritmo.
Para quem procura uma ligação mais ativa ao território, há trilhos entre vinhas, com diferentes níveis de dificuldade, capazes de desafiar os mais aventureiros e aproximar cada visitante da geografia viva que dá origem aos vinhos. A visita às duas adegas completa a imersão no universo duriense. Entre tradição e modernidade, o visitante descobre os bastidores da produção dos Vinhos do Porto e dos vinhos DOC Douro, compreendendo melhor o rigor, a sensibilidade e o conhecimento que sustentam cada colheita. Esse trabalho nasce da dedicação do responsável pela viticultura, Flávio Rodrigues, e da mestria da enóloga Alexandra Guedes, que desenha vinhos pensados para serem provados e serem sentidos.

Receber com alma
O enoturismo não se resume a uma visita, a uma prova ou a um percurso entre vinhas e memórias. Ganha rosto, presença e sensibilidade através de Cátia Moura, diretora de enoturismo, uma profissional de exceção que transforma cada encontro numa experiência de autenticidade e zelo.
Cátia Moura possui uma dessas qualidades raras que distinguem quem trabalha não apenas por competência, mas por verdadeira paixão. A sua dedicação sente-se na forma como acolhe, na atenção que dedica a cada visitante e na elegância discreta com que conduz cada momento. Há nela uma entrega serena, uma capacidade natural de fazer com que quem chega se sinta esperado, respeitado e envolvido pela identidade profunda da Quinta da Côrte.
Profissional rigorosa, simpática e profundamente comprometida com aquilo que faz, Cátia Moura representa o enoturismo no seu sentido mais nobre: a arte de contar um território através do vinho, da paisagem, da história e das pessoas. O seu conhecimento alia-se a uma sensibilidade humana rara, criando uma ponte harmoniosa entre a excelência da casa e a emoção de quem a visita. A Cátia Moura é, por conseguinte, guardiã de experiências, intérprete de um lugar e embaixadora de uma forma de receber onde o vinho se encontra com a alma.
Neste quadro de sentimento e de valor, a Quinta da Côrte é, por isso, mais do que uma propriedade duriense. É uma casa aberta sobre o vale, um lugar onde a viagem desacelera e ganha profundidade. Um território onde o enoturismo encontra o refúgio onde a natureza, a vinha e a hospitalidade se unem para recordar ao visitante que há geografias que não cabem nos mapas, porque continuam a crescer dentro de nós muito depois da partida.
A Quinta da Côrte não foi apenas um destino, foi uma pausa com sentido. Aqui fui feliz!
CADERNO DE VISITA
Comodidades e serviços
Línguas faladas: português, espanhol, inglês, francês
Loja de vinhos
Sala de prova: capacidade para 16 pessoas ou sala para entre 4 a 8 pessoas
Diferentes atividades e refeições: almoços ou jantares vínicos com marcação prévia e piquenique na vinha
Parque para automóveis ligeiros: capacidade para 12 carros
Parque para autocarros: junto à quinta, com capacidade para 2 autocarros
Provas comentadas (ver programas)
Wifi gratuito disponível
Visita às vinhas e à adega
Outras atividades/facilidades: Programas combinados com passeios de 4×4 ou trekkings guiados (serviços prestados por parceiros)
Eventos
Eventos corporativos: atividades com e para empresas.
Atividades team-building: atividades de enoturismo são combinadas com turismo da natureza
Programas e experiências
Visitas e Provas de Vinho
Découverte
Princesa DOC Douro Reserva tinto 2019 e Quinta da Côrte Porto Vinho do Porto LBV 2018
Preço: €34
Créative
Côrte DOC Douro branco 2022, Quinta da Côrte DOC Douro Grande Reserva tinto 2018 e Quinta da Côrte Vinho do Porto 10 Anos
Preço: €46
Expert
Côrte DOC Douro branco 2022, Quinta da Côrte Grande Reserva tinto 2018, Quinta da Côrte Porto Vinho do Porto LBV 2018 e Quinta da Côrte Vinho do Porto 20 Anos
Preço: €62
Premium
Princesa DOC Douro Reserva tinto 2019, Quinta da Côrte Grande Reserva tinto 2018, Quinta da Côrte Vinho do Porto Vintage 2017 e Quinta da Côrte Vinho do Porto Colheita 2015
Mínimo: 4 pax
Preço: €68
Vintage
Quinta da Côrte Porto Vintage 2015, Quinta da Côrte Porto Vintage 2017, Quinta da Côrte Porto Vintage 2020 e Quinta da Côrte Porto Vintage 2021
Mínimo: 4 pax
Preço: €92
Notas e horários
Horários de visita disponíveis
11h00, 15h00 e 17h00 (verão)
11h00, 14h00 e 16h00 (inverno)
Experiências
Passeios pelas vinhas centenárias
Passeios de barco
Vindimas, pisa a pé em lagares de granito e lagaradas tradicionais
Piquenique nas vinhas ou a bordo de um veleiro
Experiência disponível entre maio e outubro, das 12h30 às 14h30, para duas pessoas. O piquenique pode ser realizado junto às vinhas ou, em opção exclusiva, a bordo de um veleiro, com transferes incluídos. O serviço inclui um cesto tradicional, com produtos regionais: vinho DOC Douro branco ou tinto, fumeiros, salada com requeijão e vinagrete, covilhetes, fruta, água, sumo natural ou refrigerante e sandes de pão de caco com rosbife e rúcula. Reserva obrigatória com 24 a 48 horas de antecedência. Alergias ou pedidos especiais devem ser comunicados no ato da reserva.
Preço: €50
Nota: as experiências estão sujeitas à época do ano, nomeadamente à vindima e ao ciclo da vinha.
Refeições
A Quinta da Côrte disponibiliza refeições leves, com base numa lista constituída por sugestões de snacks, em vários espaços da propriedade, com produtos regionais, ingredientes da horta e pomares da quinta, e a cultura vínica à mesa. Os jantares incluem um menu diário composto entrada, prato principal, com opção de peixe ou carne, e sobremesa. Impera a reserva prévia até às 17h30 do próprio dia.
Horário: das 19h30 às 20h30
Preço: €47
Nota: caso o hóspede opte por vinho a copo, é aplicada uma taxa adicional de €28 ou €34 por pessoa, incluindo 3 copos de vinho.
Privatização da casa
Pode ser privatizada para celebrações, eventos íntimos ou reuniões privadas, com uma equipa dedicada à disposição. Tudo é feito mediante consulta prévia
Reservas:
enoturismo.reservas@quintadacorte.com
Contactos:
Quinta da Côrte
5120-491 Valença do Douro
www.quintadacorte.com
Tel.: +351 964 536 200
Tecnologia para travar avanço da Flavescência Dourada

A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), o INESC TEC e o INIAV apresentaram os resultados do projecto VineShield-DT, na Casa dos Vinhos Verdes, no Porto. O objectivo consiste em mudar a forma como são vigiadas e protegidas as vinhas da Flavescência Dourada, uma das maiores e mais persistentes ameaças da viticultura […]
A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), o INESC TEC e o INIAV apresentaram os resultados do projecto VineShield-DT, na Casa dos Vinhos Verdes, no Porto. O objectivo consiste em mudar a forma como são vigiadas e protegidas as vinhas da Flavescência Dourada, uma das maiores e mais persistentes ameaças da viticultura no país.
Este projecto contempla ainda um modelo preditivo com a capacidade de antecipar a disseminação da doença, que se está a espalhar pelo território, e o rumo do seu insecto vector, o Scaphoideus titanus, por forma a implementar a rede de armadilhas inteligentes que, aos poucos, vai substituir a inspecção manual por detecção em tempo real. Para o efeito, foram instaladas, durante a fase piloto, 15 armadilhas no terreno, com a finalidade de testar e afinar o sistema antes de qualquer alargamento futuro da rede.
“O desenvolvimento deste projecto com as entidades parceiras e a implementação de uma plataforma digital e do digital twin da vinha, permite a criação de uma rede de cerca de mil armadilhas inteligentes que se está a implementar em benefício da Região dos Vinhos Verdes, da vinha e do vinho em Portugal e de maior sustentabilidade do negócio do vinho para os produtores”, destaca Dora Simões, Presidente da CVRVV.
A apresentação do projecto, coordenada por Alexander Cornejo, Director de Sustentabilidade, I&D Inovação e Academia dos Vinhos Verdes da CVRVV, contou com a presença do investigador Lino Oliveira, da equipa do INESC TEC – liderada pelo investigador Filipe Neves dos Santos -, que explicou a plataforma digital que transforma os dados recolhidos no terreno em mapas de risco e alertas.
O VineShield-DT faz parte da iniciativa DigitalTwins4SmartTerritories (DT4ST), promovida pela Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
PROVAM: Três décadas de história de Monção e Melgaço

Corria o ano de 1992 quando dez viticultores das freguesias de Barbeita e Messegães, em Monção, (Fernando Ferreira, Fernando Costa, Manuel Gil Batista, José Silva, Américo Barbosa, José Manuel Costa, Cândido Costa, Sofia Rodrigues, Cândido Rodrigues e João Sousa), tomaram uma decisão que mudaria para sempre o destino da Alvarinho nesta sub-região. Não era uma […]
Corria o ano de 1992 quando dez viticultores das freguesias de Barbeita e Messegães, em Monção, (Fernando Ferreira, Fernando Costa, Manuel Gil Batista, José Silva, Américo Barbosa, José Manuel Costa, Cândido Costa, Sofia Rodrigues, Cândido Rodrigues e João Sousa), tomaram uma decisão que mudaria para sempre o destino da Alvarinho nesta sub-região. Não era uma decisão fácil. O minifúndio sempre foi a marca da paisagem minhota, parcelas de meio hectare, vinhas de família, uma tradição de autossuficiência que tanto preservava a identidade, como limitava a ambição. Mas aqueles dez homens e mulheres viram mais longe. Quiseram juntar o que tinham de melhor: terra, conhecimento e vontade coletiva. Assim nasceu a PROVAM – Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção.
A escolha do local não foi acidental. Barbeita ocupa uma posição privilegiada num microclima único, protegido por um anfiteatro de montanhas que mitiga a influência atlântica e cria as condições necessárias para que a uva Alvarinho atinja uma maturação lenta, aromática e com uma acidez que a distingue de qualquer outra casta portuguesa. Os verões são mais quentes e secos do que no restante território dos Vinhos Verdes, os solos são graníticos, pobres e bem drenados e as raízes das videiras descem fundo à procura de água e minerais. É desta integração que nasce a complexidade inconfundível dos vinhos desta casa.
A fundação oficial de 1992 foi apenas o primeiro passo. Em 1993, sob a orientação técnica dos enólogos Anselmo Mendes e Luís Euclides, foi o ano da primeira vindima da PROVAM, lançando as bases do Portal do Fidalgo, um nome que rapidamente se tornaria sinónimo do que de melhor se fazia na região. A designação não era uma afetação, mas uma declaração de intenções: tratar esta casta como se de um fidalgo se tratasse.
Desde o início, a equipa estabeleceu uma prática que seria determinante para o prestígio futuro da casa: guardar stock de cada colheita do Portal do Fidalgo. Este arquivo líquido, como alguns o chamam, permitiu estudar a evolução da Alvarinho ao longo das décadas seguintes, provando de forma inequívoca que esta casta, ao contrário do que o senso comum afirmava, tem um potencial de envelhecimento extraordinário, colocando-a ao lado dos grandes brancos do mundo.
Uma rede de 200 guardiões
Trinta e três anos depois, a PROVAM não é apenas a história dos seus fundadores. É o sustento e a razão de ser de aproximadamente 200 viticultores da sub-região de Monção e Melgaço, que, juntos, cultivam cerca de 160 hectares de vinha. Os dez sócios originais representam, hoje, cerca de um quarto da produção total, o restante provém de uma rede de micro-produtores e, muitos deles, fornecem a adega há mais de 20 anos.
Esta estrutura é, ao mesmo tempo, a maior força e o maior desafio da empresa. Por um lado, garante uma diversidade impossível de replicar numa exploração de propriedade única: parcelas em diferentes exposições, diferentes altitudes, diferentes idades de vinha. Por outro lado, exige uma logística e uma disciplina enológica rigorosas, para garantir que toda essa diversidade se converta em consistência de qualidade nas marcas comercializadas. Produzir cerca de meio milhão de garrafas por ano a partir de centenas de parcelas diferentes, mantendo o caráter e a identidade de cada linha, é um exercício que poucos conseguem dominar.
E domina-o a PROVAM, porque investiu, ao longo dos anos, tanto em infraestrutura, como em relações humanas.
A adega em Barbeita foi crescendo à medida que a ambição crescia. De instalações modestas passou a uma unidade moderna com capacidade para 830 mil litros, linha de engarrafamento capaz de processar 12 000 garrafas por dia, adegas climatizadas para espumantes e uma cave de barricas dedicada ao envelhecimento dos vinhos de grande qualidade. Só entre 2023 e 2025, sob a direção de Élio Lara, o mais recente enólogo da casa, foram investidos cerca de 300 mil euros em melhorias técnicas e de capacidade produtiva.
A relação com os viticultores vai além do contrato de fornecimento. A PROVAM paga habitualmente um preço superior à média regional pela uva Alvarinho, num mercado que movimenta 25 milhões de euros anuais e investe no acompanhamento técnico das vinhas. Esta política não é apenas ética, mas estratégica. Vinhas bem tratadas, com viticultores motivados e economicamente sustentados, produzem melhores uvas. E o envelhecimento progressivo de muitas dessas vinhas, algumas já com mais de 30 anos, está a transformar-se numa vantagem competitiva crescente.
A madeira e as rolhas
Há casas que constroem a sua reputação na continuidade, a PROVAM construiu a sua também na ousadia calculada. Em 1995, quando a adega tinha pouco mais de dois anos de vida, os seus enólogos iniciaram os primeiros ensaios de estágio da Alvarinho em barricas de carvalho francês. Era uma ideia heterodoxa para a época. A Alvarinho de Monção e Melgaço dava origem a vinhos de expressão fresca, aromática e de consumo jovem, nos quais a madeira, argumentavam os mais conservadores, mataria precisamente o que o tornava especial.
A PROVAM não aceitou esse argumento. Em 1996, lançou o Vinha Antiga, tornando-se uma das primeiras casas da sub-região a explorar a fermentação e o estágio em barrica para a Alvarinho. O objetivo não era sobrepor a madeira à casta, mas antes dar-lhe uma estrutura e uma untuosidade adicionais que permitissem ao vinho envelhecer com graça durante anos ou décadas. Os resultados deram-lhes razão. O Vinha Antiga tornou-se uma referência de culto entre os apreciadores mais sérios da Alvarinho e abriu portas a uma conversa mais ampla sobre o potencial de guarda desta casta. Uma conversa que hoje, 30 anos depois, é aceite como um dado adquirido.
O mesmo espírito pioneiro guiou a decisão, em 2000, de investir na espumantização da Alvarinho. Quando a PROVAM lançou o Côto de Mamoelas, o primeiro espumante de Alvarinho pelo método clássico da casa, o mercado ainda olhava com ceticismo para a ideia. Bolhas num Alvarinho? A acidez natural da casta, que tantos vinhos brancos estáticos tornava frescos e vibrantes, era precisamente o ativo mais valioso para a segunda fermentação em garrafa. A PROVAM reconheceu-o antes da maioria.
Hoje, o espumante não é apenas uma linha de produto, mas sim uma convicção estratégica. A cave de espumantes em Barbeita, construída em 2002 e progressivamente ampliada, tem capacidade para acolher volumes significativos. Na adega, foi criada uma sala intimista dedicada a provas exclusivas. Em 2026, após décadas de paciência e investimento, a PROVAM pode afirmar com plena confiança que foi uma das fundadoras de uma categoria que, hoje, é símbolo de distinção: o espumante de Alvarinho de Monção e Melgaço.
De Anselmo Mendes e Élio Lara
Uma casa com 33 anos de história também é uma história de pessoas. A PROVAM foi moldada por uma sucessão de enólogos que, cada um à sua maneira, deixaram marca na identidade dos seus vinhos. Anselmo Mendes, que acompanhou os primeiros anos da empresa juntamente com Luís Euclides, estabeleceu os alicerces técnicos e a ambição qualitativa que definiria os anos subsequentes. A passagem de José Domingues, entre 2003 e 2013, correspondeu a um período de consolidação e refinamento. Abel Codesso marcou uma fase de experimentação e aprofundamento da linguagem da madeira, até 2024.
A chegada de Élio Lara ao leme enológico, em 2025, coincide com o momento de maior investimento e renovação da história da casa. Sob a sua direção técnica, a PROVAM expandiu a capacidade produtiva de 600 para 830 mil litros, modernizou a linha de engarrafamento e introduziu novas abordagens na receção da uva e na vinificação em inox, que visam preservar, ao máximo, a frescura e os aromas primários que são a assinatura da região. É uma filosofia de intervenção mínima: deixar que a uva e o território falem sem interferências desnecessárias.
O portefólio que Élio Lara herda e continua a desenvolver é, simultaneamente, uma tradição e um laboratório. O Contradição, um dos vinhos mais intrigantes da casa, é uma reflexão sobre o que acontece quando se desafia a leitura convencional da Alvarinho. A linha Exemplar representa o padrão de qualidade que a adega pretende para os seus vinhos de topo. Em 2025, o vinho Exemplar foi distinguido com o Prémio de Design na categoria de Vinho de Curtimenta na segunda edição dos “Mutante Awards”, uma validação que vai além da qualidade intrínseca do vinho e reconhece a coerência entre produto, identidade e comunicação.
A adega como centro de experiências
Há uma transformação discreta, mas profunda a acontecer em Barbeita, e ela vai muito além da adega. A PROVAM tem vindo a afirmar-se como um dos operadores de enoturismo mais inovadores do Minho, transformando a sua unidade de produção num centro de experiências culturais e sensoriais que combina vinho, gastronomia, artesanato e tradição local de formas que poucos esperariam encontrar numa adega de dimensão média.
A oferta estruturada de visitas e provas cobre um espectro amplo de interesses e conhecimentos: desde a Prova Terroir, que introduz o visitante à génese da marca, através do Portal do Fidalgo e do Varanda do Conde, à Prova Fidalga, uma experiência completa com seis vinhos e petiscos regionais pensada para os conhecedores mais exigentes. A cave de espumantes ganhou, nos últimos anos, uma sala dedicada a provas mais íntimas e exclusivas, um espaço onde a segunda fermentação em garrafa é não apenas explicada, mas vivida, num ambiente que faz jus à importância do espumante na identidade da casa.
Mas é no chamado turismo criativo que a PROVAM mais surpreende. A ideia de cruzar vinho com outras expressões culturais e artesanais da região não é apenas uma estratégia de diferenciação: é uma declaração de valores. O workshop “Bordado e Vinho”, onde os participantes aprendem a arte do bordado tradicional minhoto enquanto degustam espumantes da casa, combina duas expressões identitárias do território de uma forma que nenhum catálogo turístico poderia inventar. O workshop “Roscas”, dedicado à doçaria ancestral de Monção harmonizada com os vinhos da casa, é outra proposta onde a gastronomia e o vinho se encontram não como categorias separadas, mas como expressões do mesmo saber local.
Para os próximos meses, a agenda continua a expandir-se com propostas que reforçam esta abordagem de colocar o vinho no centro de uma experiência mais ampla, onde gastronomia, cultura e território se articulam de forma natural e autêntica.
200 viticultores da sub-região de Monção e Melgaço cultivam cerca de 160 hectares de vinha
O mercado e os ventos da geopolítica
A PROVAM opera numa sub-região que vive um dos momentos mais interessantes da história comercial. A Alvarinho de Monção e Melgaço é, atualmente, uma das uvas mais valorizadas de Portugal e o conjunto dos produtores da sub-região movimenta uma faturação anual próxima dos 25 milhões de euros. A exportação representa uma fatia crescente desse valor em mercados, como os Estados Unidos, França, Reino Unido, Polónia e Alemanha, que absorvem parcelas cada vez maiores da produção regional.
Mas o contexto geopolítico dos últimos anos trouxe turbulência. A ameaça de tarifas aduaneiras elevadas por parte dos Estados Unidos, num cenário que chegou a contemplar a possibilidade de sobretaxas que tornariam inviável a exportação para o principal mercado externo dos vinhos verdes, e as complexidades burocráticas resultantes do Brexit obrigaram produtores, como a PROVAM, a repensar a geografia das suas exportações. A resposta tem sido a diversificação. Brasil, Coreia do Sul, Hungria, Austrália são destinos cada vez mais presentes nas estratégias comerciais da casa.
A valorização das certificações de Denominação de Origem e da distinção específica de Monção e Melgaço, que desde 2017 conta com um selo de garantia exclusivo que certifica a origem integral das uvas nesta sub-região, é vista como o principal argumento de resiliência. Num mercado global saturado de vinhos brancos, a especificidade geográfica e a impossibilidade de replicação do “terroir” são os ativos mais sólidos de que uma casa como a PROVAM dispõe. Um consumidor no Porto, em Paris ou em Seul que compra um Portal do Fidalgo não está apenas a comprar um vinho branco, está a comprar um lugar, uma tradição, uma promessa de autenticidade que não tem equivalente.
A sustentabilidade como modo de vida
Para uma empresa que depende de 200 pequenos produtores e de um território com características únicas e frágeis, a sustentabilidade não é uma tendência de marketing: é uma condição de sobrevivência. A PROVAM compreendeu-o desde cedo e a forma como estrutura a sua relação com os viticultores da rede é, em si mesma, um modelo de sustentabilidade social que vai muito além do que qualquer certificação pode certificar.
Garantir um preço justo pela uva, acima da média regional, é a forma mais direta de combater o abandono rural e a litoralização, que ameaça tantas regiões do interior português. As vinhas velhas que a PROVAM tanto valoriza existem, porque há famílias que as cultivaram por gerações e continuarão a existir apenas enquanto essa atividade for economicamente viável para essas famílias. Quando a adega investe no acompanhamento técnico das vinhas dos seus fornecedores, não está apenas a melhorar a qualidade da matéria-prima, mas a transferir conhecimento que perpetua um modo de vida e preserva um sistema agrícola com décadas de adaptação ao território.
Do ponto de vista ambiental, as vinhas velhas apresentam vantagens significativas: o seu sistema radicular profundo torna-as mais resilientes à seca, exige menos intervenções de irrigação e reduz a necessidade de tratamentos fitossanitários. Numa região onde as alterações climáticas estão já a fazer-se sentir em colheitas mais precoces e em verões mais quentes, preservar este capital vivo é uma aposta de longo prazo. A PROVAM afirma um “compromisso contínuo com a sustentabilidade, cuidando do território, das pessoas e do futuro” e os factos da sua operação sustentam essa afirmação.
Quando o copo confirma a promessa
Ao longo de três décadas, os vinhos da PROVAM acumularam um historial crítico que valida, prova a prova, a consistência do projeto. O Portal do Fidalgo é frequentador assíduo dos pódios de competições internacionais. Os diferentes vinhos produzidos pela empresa têm sido bem pontuados nas revistas, nacionais e estrangeiras, especializadas. O que se traduz numa validação particularmente significativa para um espumante de Alvarinho que está a construir a sua própria categoria.
Estes reconhecimentos funcionam como amplificadores da reputação em mercados externos onde a PROVAM ainda está a construir presença. Para um comprador em Nova Iorque, Berlim ou Seul que ainda não conhece a sub-região de Monção e Melgaço, uma medalha num concurso de referência ou uma pontuação elevada numa publicação especializada serve como prova de confiança e garantia de qualidade. É a tradução do terroir para uma linguagem universal.
Mas o prémio que, em 2025, mais revelou a evolução da casa foi talvez o menos esperado: o Prémio de Design na categoria de Vinho de Curtimenta para o Exemplar 2020, distinguido na segunda edição dos Mutante Awards. Num setor onde o design é frequentemente tratado como um exercício decorativo, a PROVAM escolheu encará-lo como o que realmente é: a extensão visual de uma identidade, o primeiro capítulo da história que um vinho conta antes de ser aberto. Este reconhecimento não premiou apenas um rótulo bonito, mas uma coerência entre produto, território e comunicação que a casa tem vindo a construir pacientemente ao longo de 33 anos.
Um futuro por escrever
Em 2026, quando se olha para o percurso da PROVAM desde aquelas primeiras reuniões entre dez amigos de Barbeita e Messegães, o que mais impressiona não é a dimensão do que foi construído – embora 830 mil litros de capacidade, 200 viticultores associados e presença em dezenas de mercados internacionais não seja pouco. O que impressiona é a coerência do percurso.
Esta é uma casa que nunca se esqueceu de onde veio. Que construiu o futuro sem demolir o passado. Que ousou na madeira e nas bolhas quando os outros hesitavam, mas nunca abandonou a mineralidade granítica e a acidez cítrica que são a alma da Alvarinho de Monção e Melgaço. Que renovou a imagem sem trair a essência. Que transformou a adega num centro cultural sem perder o foco na qualidade do que está na garrafa.
Os desafios que se avizinham são reais. O envelhecimento da rede de viticultores e a dificuldade em atrair novas gerações para uma atividade exigente e fisicamente árdua. A volatilidade geopolítica que torna os mercados de exportação cada vez mais imprevisíveis. A pressão crescente das alterações climáticas sobre um território que deve a sua singularidade precisamente ao seu microclima específico. A necessidade de crescer em escala sem perder a identidade que justifica o posicionamento alicerçado na qualidade.
Mas a PROVAM chega a este momento com ativos que poucos concorrentes têm em igual medida: um arquivo de colheitas que documenta 30 anos de evolução do Alvarinho no seu terroir de origem, uma rede de duzentos viticultores com profundo conhecimento das suas parcelas, uma cave de espumantes construída com paciência e convicção quando ninguém apostava nessa categoria, uma nova geração de vinhos, de comunicação e de experiências de enoturismo, que mostram que a capacidade de reinvenção está intacta. O que emerge destas páginas é o retrato de uma empresa “demasiado grande para ser pequena e demasiado pequena para ser grande”. No final, o vinho continua a ser uma forma de contar histórias. E na PROVAM, essas histórias continuam a escrever-se com tempo, com identidade e, sobretudo, com alma.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
Weingut Dr. Hermann na Sogrape Distribuição

A Sogrape Distribuição reforça a oferta de referências internacionais de topo com a distribuição, em Portugal, dos vinhos da Weingut Dr. Hermann, a histórica casa alemã e uma das mais prestigiadas produtoras de Riesling no Mosel, em Erden, no noroeste da Alemanha. Com esta nova ‘aquisição’, integrada no segmento dos vinhos premium, a empresa portuguesa […]
A Sogrape Distribuição reforça a oferta de referências internacionais de topo com a distribuição, em Portugal, dos vinhos da Weingut Dr. Hermann, a histórica casa alemã e uma das mais prestigiadas produtoras de Riesling no Mosel, em Erden, no noroeste da Alemanha. Com esta nova ‘aquisição’, integrada no segmento dos vinhos premium, a empresa portuguesa do sector do vinho passa a disponibilizar uma selecção de Rieslings que traduzem diferentes expressões do Mosel, desde um Riesling seco e mineral a um Grosses Gewächs de uma das vinhas mais emblemáticas da região, complementados por um Kabinett e um Auslese provenientes das históricas vinhas do Ürziger Würzgarten.
“Estes vinhos trazem uma combinação rara de elegância, frescura e capacidade gastronómica, reforçando o nosso compromisso de disponibilizar aos clientes e consumidores portugueses algumas das mais relevantes referências internacionais do universo do vinho”, declara, em comunicado, Gonçalo Sousa Machado, CEO da Sogrape Distribuição.
Christian Hermann, proprietário e enólogo da Weingut Dr. Hermann, afirma o seguinte: “partilhamos uma paixão pela qualidade, pela autenticidade e pela expressão do terroir, o que torna esta colaboração uma escolha natural.”






































