RESTAURANTE LAURENTINA: Onde o amigo continua fiel

É o caso do restaurante Laurentina – O Rei do Bacalhau, que acaba de comemorar o seu cinquentenário. O Laurentina será provavelmente o mais antigo restaurante de Lisboa em actividade dedicado ao bacalhau. Tudo começou quando o então jovem António Pereira, natural do Fundão, com fortes raízes na Beira Baixa e com pouco mais de […]
É o caso do restaurante Laurentina – O Rei do Bacalhau, que acaba de comemorar o seu cinquentenário. O Laurentina será provavelmente o mais antigo restaurante de Lisboa em actividade dedicado ao bacalhau. Tudo começou quando o então jovem António Pereira, natural do Fundão, com fortes raízes na Beira Baixa e com pouco mais de 20 anos, partiu para Moçambique onde, passado algum tempo, fundou um restaurante em Lourenço Marques (hoje Maputo). Ali desenvolveu durante duas dezenas de anos uma paixão pela gastronomia. Começou por aperfeiçoar a preparação do bacalhau, inspirando-se nas receitas da sua terra natal, com alguma influência dos sabores africanos. Quando, após a independência da ex-colónia, regressa à metrópole, em 1976, é natural que a opção fosse continuar a actividade, replicando e desenvolvendo o conceito que tinha criado.
Aparece assim, em Lisboa, já na Avenida Valbom, a poucos metros onde, hoje, se encontra o Laurentina. O nome é uma homenagem aos habitantes da capital moçambicana (os laurentinos), ao mesmo tempo que evocava a mais popular cerveja da terra. É quando se muda para a porta ao lado, com o n.º 71 A, em 1986, que assume orgulhosamente a designação “O Rei do Bacalhau”. Para além de assinalar uma evidência – o restaurante ganhou fama entre os clientes pela forma como o ‘fiel amigo’ era ali venerado –, a designação assume um compromisso sério de máximo respeito pela matéria-prima, procurando os melhores fornecedores e garantindo uma consistência que desafiou o tempo. Os filhos, actualmente, à frente do negócio, fazem questão de mostrar como as couves, o azeite, as batatas, as frutas, entre outros ingredientes, continuam a vir da Beira Baixa, honrando assim o legado do fundador.
Com a deterioração da saúde do Pai António, os filhos, Marco e Rita, assumem a direcção do restaurante por volta dos anos 2004/2005. Não lhes foi difícil o encargo, já que ali cresceram e desde pequenos ali comeram e praticamente viviam no dia-a-dia. Marco e Rita Pereira depressa perceberam que a melhor maneira de preservar a obra do Pai e a sua identidade é fazer evoluir o projecto. Sem nunca comprometerem a herança, respeitando receitas e saberes acumulados, foram introduzindo novos pratos e, sobretudo, remodelado totalmente o espaço. Quem entra no Laurentina não deixa de se sentir confortável, com a qualidade da amesendação, a simpatia do atendimento, a decoração clássica do espaço, em que as paredes com um jardim vertical emprestam uma sensação de frescura e sofisticação. O espaço é suficientemente amplo e diversificado para o cliente sentir-se à vontade. Com 60 lugares no rés-do-chão, 100 na cave a que se juntam mais 40 na frondosa esplanada, não faltam opções.
A oferta do menu é bastante ampla. Cobre algumas das mais populares receitas que eram esperadas num restaurante temático e também dispõe de alternativas em peixes frescos da costa, polvo, carnes e opções vegetarianas. Mas é de facto em torno do ‘fiel amigo’, aqui exclusivamente proveniente das águas frias e cristalinas da Islândia, que a ementa se desdobra em declinações tentadoras. Em recente visita, tivemos a oportunidade de provar as pataniscas, servidas como aperitivo, finas, de formato redondo, crocantes, secas de óleo e com bom equilíbrio entre massa, cebola, salsa e lascas. De segunda a sexta-feira, há pratos do dia com preços mais moderados (à volta de €18). O destaque vai, contudo, para os pratos de resistência que, na ocasião, tivemos oportunidade de experimentar. A saber: O popular bacalhau à Brás, húmido quanto baste, com o ovo cremoso e envolvente e batata palha muito crocante feita na casa; o bacalhau alto assado (duas pessoas/€58), um posta do lombo de altura absolutamente descomunal, com batata a murro e verdura salteada; a couvada de bacalhau à Pereira da Laurentina (duas pessoas/€52), prato de assinatura e especialidade maior da casa, confeccionado à maneira da Beira, com produtos da região, em que as couves e batatas servem de cama a outra peça do lombo gigante, tudo envolvido dentro de um tacho de barro fumegante; e, não podia faltar, o arroz de bacalhau ao estilo malandrinho, bago carolino gordo e bem envolvido numa calda com espinafres e tomate. Há outras opções clássicas como o à Minhota, com broa, natas e espinafres, o lascado especial (preços médios a rondar os €25). Os sabores moçambicanos continuam presentes, com a moqueca de bacalhau (€26,50) e os camarões tigre à moçambicana (€45). Uma das inovações introduzidas recentemente foi uma carta de sobremesas ambiciosa e uma lista de vinhos bem adequada à oferta gastronómica.
Laurentina – O Rei do Bacalhau
Av. Conde de Valbom, 71 A, Lisboa
Tel.: 962 959 725 / 217 960 260
Horário: de Segunda-feira a Sábado, das 12h00 às 16h00 e das 19h00 às 23h00 Encerra: Domingos e feriados
Preço médio: €40
Editorial: Negra Mole em pedra dura

Editorial da edição nrº 1112 (Agosto de 2026) Tanto bate até que fura. A Negra Mole passou décadas a bater à porta do reconhecimento, até conseguir abrir caminho. Não por ser uma casta espampanante no copo, mas através do soft power que lhe é característico. Lembro-me de, em 2012, durante umas férias em Vilamoura, ter […]
Editorial da edição nrº 1112 (Agosto de 2026)
Tanto bate até que fura. A Negra Mole passou décadas a bater à porta do reconhecimento, até conseguir abrir caminho. Não por ser uma casta espampanante no copo, mas através do soft power que lhe é característico.
Lembro-me de, em 2012, durante umas férias em Vilamoura, ter procurado o vinho monovarietal de Negra Mole lançado pela Quinta João Clara, mas os sommeliers nos restaurantes e wine bars encolhiam os ombros: nunca tinham ouvido falar da casta. Acabei por encontrar uma garrafa, curiosamente, em Lisboa.
O reencontro com a Negra Mole aconteceu há alguns anos, num contexto algo sui generis: o Concurso Mundial de Bruxelas. Num flight de amostras surgiu um vinho que se destacava de imediato pela sua cor translúcida. No aroma e na boca era suave e delicado, com uma fruta deliciosa, mas num registo contido. Não exibia uma acidez particularmente elevada, mas não pecava por falta da frescura, apresentando um equilíbrio exemplar dentro deste perfil. Gostei muito do vinho. Percebi que se tratava de uma casta autóctone, mas a Negra Mole nem sequer me ocorreu. Qual não foi, por isso, o meu espanto quando consultei a listagem entregue aos jurados no final da sessão de provas e descobri que era a Negra Mole da Arvad!
Na minha recente incursão pelo Algarve, tive a oportunidade de provar mais vinhos desta casta e rendi-me definitivamente à sua personalidade.
A Negra Mole sempre existiu no Algarve, mas durante décadas esteve fora do seu tempo. Numa época em que se procuravam cor, concentração e músculo, não tinha como se afirmar. Pouco lhe valeu ser uma das castas mais antigas de Portugal; teve de esperar décadas para, finalmente, ser compreendida e valorizada. E, mesmo hoje, não reúne consenso entre os produtores, e, na verdade, a casta é tudo menos consensual.
Tem bagos grandes e soltos, com película fina e polpa mole – daí o nome. Uma das características mais singulares da Negra Mole é a sua heterogeneidade cromática. Ou seja, na mesma videira e, frequentemente, no mesmo cacho coexistem bagos de diferentes cores do negro-azulado ao rosado e ao quase branco, embora todos estejam fisiologicamente maduros. Um palhete feito no cacho!
Pelas suas características, a Negra Mole facilita o trabalho na elaboração de rosés, blanc de noirs ou espumantes, porque, mesmo que se distraia durante a maceração, não passa cor em excesso. Pessoalmente, prefiro-a na sua forma mais pura, como vinho tinto, porque mantém a leveza, mas com maior expressão de sabor e uma cor sem igual, que faz lembrar a toranja. É uma casta com um poder de atracção singular e uma força identitária que lhe permitem assumir o papel de porta-bandeira da região vitivinícola onde nasceu.
Vejam só, quando os importadores internacionais procuram os Chillable Red Wines, em Portugal foram reabilitados os palhetes e claretes, e os produtores procuram fórmulas e castas adequadas à produção de tintos mais leves e apetecíveis, que não exijam um bife ao lado, a Negra Mole surge como a resposta algarvia a esta tendência internacional. É talhada precisamente para este perfil e com um storytelling já feito, não é preciso inventar nada.
Com isto não quero dizer que o Algarve tem que se resumir à Negra Mole, mas espero que haja cada vez mais produtores a descobrir as diferentes facetas desta casta. E espero, daqui a uns anos, poder fazer uma grande prova dedicada exclusivamente à Negra Mole. (V.Z.)
CONVERSAS A COPO: Maria João Vieira Pinto

O que marca uma marca de vinho? Marca a diferença, a ousadia, o não ser de ‘fórmula’, em que o perfil não muda ano após ano, apesar da muita chuva ou do sol a pique. Acha que construir uma marca de vinho é mais desafiante do que construir marcas noutros sectores? De todo. A criação, […]
O que marca uma marca de vinho?
Marca a diferença, a ousadia, o não ser de ‘fórmula’, em que o perfil não muda ano após ano, apesar da muita chuva ou do sol a pique.
Acha que construir uma marca de vinho é mais desafiante do que construir marcas noutros sectores?
De todo. A criação, lançamento e construção de uma marca é um desafio gigante, seja em que sector for. Claro que em mercados mais saturados e pulverizados, como é o dos vinhos em Portugal – com centenas de marcas em todas as regiões –, o trabalho fica redobrado. Mas uma marca é uma marca, um ecossistema onde o produto, o preço, a distribuição e comunicação se encaixam para chegar a um público e, no final, ganhar o seu espaço, a sua quota.
O vinho é talvez um dos produtos onde emoção, território e marca coexistem de forma particularmente forte. Enquanto observadora do universo do marketing, como vê hoje a construção das marcas de vinho em Portugal?
É incontável o actual número de marcas de vinhos portugueses, em todas as regiões, e que só é um bom reflexo de um mercado dinâmico. Mas, a verdade é que o espaço é curto para tantas. A exportação é uma das vias para a sobrevivência ou, claro, a construção de marca. E têm sido várias as que têm feito um bom caminho, sendo que nunca bastará ter uma marca forte. É preciso presença na distribuição e no HoReCa, assim como comunicação contínua e alinhada. Olhando para os últimos anos, acho mesmo que as marcas portuguesas, neste sector, têm vindo a fazer um belo trabalho.
Um vinho precisa sobretudo de ser bom… ou de contar uma boa história?
É como tudo, lá está. Já não basta que o hotel seja bom, mas que tenha uma narrativa, já não chega que o restaurante seja de topo, se, no final, não resultar numa experiência… Isto é o que o mercado tem vindo a dizer, sendo que, no final, vale o que vale. Em relação à pergunta, um vinho deveria ser – antes de tudo – bom. Mas há muitos exemplos no mercado que têm vindo a afirmar-se e a crescer em pouco tempo, a contar histórias reais ou não. Uma boa história vende. E, nos vinhos, há sempre belas histórias para contar, basta saber procurá-las e saber partilhá-las. Ou seja, um bom vinho vende per si, desde que a crítica o diga. Mas uma história, às vezes, ajuda a vender mais depressa o produto.
Marca presença em lançamentos e provas vínicas. Recorda-se de algum vinho ou de momento vínico que a tenha marcado particularmente? E porquê?
Por acaso recordo um momento, bem simples, mas que mantenho na memória, porque me permitiu perceber o vinho em causa e o seu potencial. Há uns anos, numa apresentação do Invisivel (o branco de uvas tintas), da Ervideira, casou-se o vinho a diferentes temperaturas – desde gelado ao seu estado normal – com diferentes pratos, entre sushi, peixe mais temperado e carne. Ao mostrar a plasticidade do vinho, este momento simples, mas prático, fez-me entendê-lo muito melhor do que, por vezes, algumas longas dissertações sobre acidez e leveduras.
Se pudesse deixar um conselho às marcas de vinho portuguesas sobre comunicação e relevância futuras, qual seria?
É tão difícil dar conselhos, quando se está de fora. O Dirk [Niepoort] costuma dizer que não se deve ter medo de arriscar. Eu sublinho e acredito, mesmo, que quando se quer ser uma marca no vinho não há erros, há aprendizagens. É essencial sair do conforto, acreditar que é na diferença que se ganha e que fazer mais do mesmo ou igual aos outros é só uma estratégia a curto prazo. Depois, comunicação contínua, para vários públicos, e formação desses mesmos públicos.
(Artigo publicado na edição de Julho de 2026)
KIMBREL WINES: Investimento americano no Douro

Com percurso consolidado nas áreas da estratégia empresarial e consultoria, e passagens pela The Boeing Company ou Coyvance LLC, e no setor vitivinícola, onde esteve envolvido na conceção, desenvolvimento e operação da adega Dakota Shy, em St. Helena, Napa Valley, nos Estados Unidos, o norte-americano David Sylvester apaixonou-se pelo Douro. Também é coproprietário de uma […]
Com percurso consolidado nas áreas da estratégia empresarial e consultoria, e passagens pela The Boeing Company ou Coyvance LLC, e no setor vitivinícola, onde esteve envolvido na conceção, desenvolvimento e operação da adega Dakota Shy, em St. Helena, Napa Valley, nos Estados Unidos, o norte-americano David Sylvester apaixonou-se pelo Douro. Também é coproprietário de uma garrafeira especializada em Washington, D.C. Junta-se a ele Isaac Campelo, rosto da quarta geração de uma família com tradição vitivinícola, com propriedades na região dos Vinhos Verdes e que, após ter feito vindimas lá fora, regressa, para cofundar a Kimbrel Wines.
“A Kimbrel foi desenhada para posicionar o Douro no mapa mundial do vinho de forma sofisticada e consistente. O nosso foco não é o volume, mas sim vinhos produzidos em parcelas únicas”, afirma David Sylvester. O investimento inicial foi de 800 mil euros, com a aquisição da Quinta do Roncão, de 30 hectares. Localizada no Vale de Roncão, data de 1851 e tem 12 hectares de vinha. Desde a aquisição, em 2022, foi feito um trabalho aprofundado, como a reconstrução de muros de xisto, a requalificação de acessos e a replantação de vinhas. O foco está no micro lote e na criação de vinhos tintos e vinhos do Porto. Porém, não está de parte a aquisição de uvas em cotas altas, para elaborar vinho branco. A produção anual não ultrapassa as 20 000 garrafas, estando o Vinho do Porto em vantagem, com 13 000. O objetivo é reforçar o posicionamento premium da marca. A aposta na viticultura de precisão, mínima intervenção e valorização das parcelas antigas são as premissas da equipa de enologia, constituída também por Hugo Silva (consultor) e Javiera Antúnez (assistente), para além do consultor de viticultura, José Carlos Oliveira.
O plano total de investimento prevê atingir os 10 milhões de euros até ao final da presente década. Com o mercado internacional, sobretudo os Estados Unidos, como prioridade, serão desenvolvidos o enoturismo e a recuperação de armazéns históricos, bem como a criação da adega, de uma guest house e de um espaço exterior para eventos, jantares e provas vínicas.
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
QUINTA DA ROMEYRA: Um novo capítulo para Bucelas

Se há região portuguesa subvalorizada na atualidade é Bucelas. O que é incompreensível perante a qualidade dos vinhos brancos e a vetusta história por detrás da denominação. Incompreensível, mas não sem explicação, sendo que anos de aposta num produto mais barato e comercial apenas serviram para banalizar um vinho – o Arinto de Bucelas e, […]
Se há região portuguesa subvalorizada na atualidade é Bucelas. O que é incompreensível perante a qualidade dos vinhos brancos e a vetusta história por detrás da denominação. Incompreensível, mas não sem explicação, sendo que anos de aposta num produto mais barato e comercial apenas serviram para banalizar um vinho – o Arinto de Bucelas e, concretamente, o Branco Velho de Bucelas –, que tinha tudo para manter-se como um néctar clássico de nicho. Mais recentemente, mas nos últimos anos apenas, assistimos a um reerguer da região, inclusivamente com novos produtores a disputar os poucos solos da ondulante e florestal região vinhateira. A Quinta da Romeyra não é um desses novos produtores. Por isso, e pela sua história e dimensão, tem ainda mais responsabilidade na região. Com origens documentadas desde 1218, o nome foi testemunha de episódios marcantes – da passagem do Duque de Wellington, durante as Invasões Francesas, à instituição do Morgado de Santa Catherina, em 1703.
Num contexto em que a Sogrape tem vindo a afirmar projetos em diversas regiões vitivinícolas, Bucelas surge, agora, como território de renovada ambição. Conhecida pelos seus brancos frescos, tensos e marcados por solos calcários únicos, a região começa a querer viver um momento de redescoberta. Esperemos, e tudo indica ser esse o futuro, que a Quinta da Romeyra se assuma como peça central dessa estratégia.
Conhecida pelos seus brancos frescos, tensos e marcados por solos calcários, Bucelas surge, agora, como território de renovada ambição
Nova grafia, novos vinhos
A nova grafia que recupera o original – com a utilização letra ‘y’, simultaneamente clássica e sofisticada – e as novidades do portefólio recentemente apresentadas, expressam, com clareza, essa visão: valorizar a Arinto e devolver a Bucelas o protagonismo que historicamente lhe pertence enquanto única denominação de origem portuguesa exclusivamente dedicada a vinhos brancos. Os vinhos apresentados espelham efetivamente um equilíbrio entre tradição e inovação, procurando interpretar Bucelas a partir da diversidade da própria propriedade: diferentes solos, diversas exposições, distintas expressões da mesma casta. No centro de tudo, a casta Arinto.
Entre as novidades do portefólio da Sogrape no que toca ao vinho produzido em Bucelas, destaca-se o Quinta da Romeyra Colheita 2025, com parte fermentada em barrica de 500 litros, e que se quer posicionar como expressão fiel e versátil da propriedade, o verdadeiro porta-estandarte do projeto.
Num registo mais ambicioso, surge também como boa nova um verdadeiro topo de gama, o Vinha dos Fósseis 2021, elaborado apenas em anos verdadeiramente notáveis. Como o nome indica, é proveniente de solos jurássicos ricos em fósseis marinhos, apresentando uma mineralidade intensa e grande complexidade. Lançado com cinco anos de evolução, assume-se como um gesto ousado que invoca os brancos velhos de antigamente e ombreiam com grandes brancos nacionais e não só.
Ainda sobre a gama dos vinhos, mantêm-se as referências emblemáticas, agora com nova imagem, caso do Prova Régia e do Espumante Bruto Quinta da Romeyra e, ainda, do neoclássico Morgado de Santa Catherina, marca que acompanhou mais do que uma geração de enófilos portugueses no que a brancos com estágio de madeira diz respeito.
A enologia está a cargo de Luís Cabral de Almeida, que destaca os investimentos feitos na adega e a renovação de grande parte da vinha. Para o experiente enólogo, a maior riqueza da propriedade é permitir-lhe explorar a casta Arinto em diversas derivações, sempre com detalhe.
Terminamos como começámos: num setor onde tradição e inovação se cruzam constantemente, renovamos os votos para que este novo capítulo da Quinta da Romeyra represente mais do que um relançamento e a apresentação de novos vinhos. Esperamos que seja um marcador do regresso ao futuro radioso de Bucelas.
A nova grafia da Quinta da Romeyra e as novidades do portefólio expressam a vontade de valorizar a Arinto e devolver a Bucelas o protagonismo que historicamente lhe pertence
(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)
Exposição Student Prize 2026 na Howad’s Folly em Estremoz

Entre 8 de Agosto e 31 de Outubro de 2026, a Howard’s Folly, em Estremoz, recebe a Exposição Portuguese Student Prize da Sovereign Art Foundation (SAF). Esta mostra reúne as 30 obras finalista, no sentido de dar visibilidade a jovens artistas portugueses até aos 18 anos e, ao mesmo tempo, sensibilizar o público para a […]
Entre 8 de Agosto e 31 de Outubro de 2026, a Howard’s Folly, em Estremoz, recebe a Exposição Portuguese Student Prize da Sovereign Art Foundation (SAF). Esta mostra reúne as 30 obras finalista, no sentido de dar visibilidade a jovens artistas portugueses até aos 18 anos e, ao mesmo tempo, sensibilizar o público para a missão social da fundação, através do programa de arteterapia Make It Better, que apoia crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social e emocional.
Os 30 finalistas foram seleccionados por um painel de jurados, através das obras submetidas por professores de escolas de todo o país. O Prémio do Júri distingue o estudante com a classificação mais elevada, atribuindo um prémio de 500 euros ao vencedor e de 1500 euros à respectiva escola. Paralelamente, o Prémio do Público distingue a obra mais votada pelos visitantes, atribuindo 300 euros ao estudante vencedor e 800 euros à sua escola.
Qualquer pessoa pode participar na votação pública online assim como licitar as peças através do leilão solidário disponível no site da Sovereign Art Foundation. Metade das receitas angariadas reverterá para o financiamento do programa Make It Better.
“Para a maioria destes jovens artistas, esta será a primeira vez que os seus trabalhos são expostos numa galeria profissional. É muito gratificante observar a sua reação quando vêem as suas obras expostas neste tipo de ambiente e, sobretudo, quando alguém decide comprá-las”, expõe Howard Bilton, fundador da Howard’s Folly e presidente da Sovereign Art Foundation, em comunicado.
Os horários da exposição são os seguinte: Segunda e Terça-feira, entre as 09h00 e as 13h00 e das 14h00 às 18h00 (entrada pela Adega Howard’s Folly); de Quarta-feira a sábado, das 10h00 às 22h00; e aos domingos entre as 12h00 e as 17h00.
Tomate Coração de Boi novamente em festa

No dia 21 de Agosto, a Quinta do Mourão, propriedade da Falua, em Cambres, Lamego, acolhe a 11.ª edição da Festa do Tomate Coração de Boi do Douro. Assim, este ano, o evento acontece à beira-rio, num lugar histórico e com património de Vinho do Porto. Objecto de prova, no sentido de eleger o melhor […]
No dia 21 de Agosto, a Quinta do Mourão, propriedade da Falua, em Cambres, Lamego, acolhe a 11.ª edição da Festa do Tomate Coração de Boi do Douro. Assim, este ano, o evento acontece à beira-rio, num lugar histórico e com património de Vinho do Porto. Objecto de prova, no sentido de eleger o melhor tomate da temporada, este produto volta a unir, no núcleo de jurados, chefes de cozinha de referência, enólogos, jornalistas e outros actores na área da gastronomia. À semelhança das edições anteriores, a partir das 18h00, há jantar volante (€90), onde o tomate coração de boi é rei a par com os vinhos das quintas concorrentes.
Para completar esta experiência, a Quinta de Mourão organiza duas provas especiais na cave Port Knox, local onde estagiam e envelhecem os seus Vinhos do Porto. Assim, durante os dias 21 e 22 de Agosto, estarão disponíveis duas provas de Vinhos do Porto antigos, com 20% de desconto: a prova Silver, focada em Vinhos do Porto Tawny e White envelhecidos (€70) e a prestigiada prova Mothers & Sons, que inclui referências de Portos de 30 e 40 anos e as históricas colheitas Mother Wine de 1972 e 1948 (€212€). As provas estão agendadas para as 11h00, as 12h30, as 14h30 e as 16h00, em ambos os dias. As vagas são limitadas.
As inscrições para o encontro, bem como para as provas especiais, são limitadas e requerem reserva e pagamento prévios através do seguinte e-mail greengrape@greengrape.pt.
Alargado a todos os municípios da região do Douro, o festival “Tomate à mesa (a)gosto” conta com mais de 30 restaurantes, para saborear o tomate coração de boi na sua plenitude. Ou seja, ao longo deste mês de Agosto, os restaurantes de referência da região incluem, nas respectivas ementas, pratos inspirados neste produto (lista mais abaixo).
O programa inclui ainda o encontro Tomate à Capella, na praça da Capela Barroca de Arroios, dia 22 de Agosto, a partir da 17h30. Trata-se de um mercadinho e convívio, com uma prova de tomate, azeite e flor de sal. Também haverá música, animação e petiscos, provas de degustação e venda de vinhos DOC, Douro e Porto, produtos locais e regionais e muito tomate à venda.
Restaurantes aderentes
Chaxoila — Vila Real
Caisdavilla — Vila Real
Bons Tempos — Vila Real
O Lagar — Torre de Moncorvo
Salma Rio — Mesão Frio
Terra Quente — Murça
Restaurante do Sá — Murça
Taberna da Helena — Carrazeda de Ansiães
Cinta D’Ouro — Freixo de Espada à Cinta
Peto Real, Hotel Verdeal — Moimenta da Beira
Taberna Fornos do Rei — Penedono
Casa do Avô — Sernancelhe
Santa Marta — Santa Marta de Penaguião
Tasquinha do Matias — Tarouca
Taberna da Julinha — Vila Nova de Foz Côa
Vale Abraão, Hotel Six Senses — Lamego
Seixo by Vasco Coelho Santos, Quinta do Seixo — Tabuaço
Taberna do Carró — Moncorvo
Cais da Ferradosa — S. João da Pesqueira
Toca da Raposa — S. João da Pesqueira
Cantina de Ventozelo, Quinta de Ventozelo — S. João da Pesqueira
DOC — Armamar
Castas e Pratos — Peso da Régua
Cêpa Torta — Alijó
Bomfim 1896, Quinta do Bomfim — Pinhão, Alijó
S. Luiz by Vítor Oliveira, Quinta de S. Luíz — Tabuaço
The Wine House, Quinta da Pacheca — Lamego
Panorâmico, Quinta de S. José do Barrilário — Armamar
Calça Curta —Foz do rio Tua, Carrazeda de Ansiães
Casa das Pipas, Quinta do Portal — Sabrosa
Rabelo, The Vintage House Hotel — Pinhão, Alijó
Alentejo e Dão apontam para aumento na produção

A Comissão Vitivinícola Regional do Alentejo (CVRA) estima uma produção de 108 milhões de litros de vinho na campanha de vindimas de 2026, o que representa um crescimento de cerca de 20% face a 2025, ano em que a região registou uma produção de 87 milhões de litros. Estes dados resultam do estudo desenvolvido em […]
A Comissão Vitivinícola Regional do Alentejo (CVRA) estima uma produção de 108 milhões de litros de vinho na campanha de vindimas de 2026, o que representa um crescimento de cerca de 20% face a 2025, ano em que a região registou uma produção de 87 milhões de litros. Estes dados resultam do estudo desenvolvido em parceria com a Universidade do Porto, os quais apontam para uma campanha favorável, tanto em termos quantitativos, como qualitativos, graças às condições climatéricas favoráveis registadas ao longo do ciclo da vinha.
Em comunicado, Luís Sequeira, Presidente da CVRA., declara o seguinte: “Estes resultados reforçam a confiança dos produtores e a capacidade do Alentejo em continuar a afirmar-se pela qualidade dos seus vinhos.” No Alentejo, as vindimas assumem particular relevância, já que, de acordo com a CVRA, a “região representa cerca de 40% do valor total das vendas de vinhos certificados em Portugal, reforçando o peso económico e estratégico dos Vinhos do Alentejo no panorama nacional”.

De acordo com o Boletim de Evolução Intercalar do Ano Vitícola 2026, elaborado pelo Polo do Dão do CoLAB VINES & WINES, em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), estima-se um aumento até cerca de 5%, face ao ano anterior, da produção de vinho. Esta previsão está associada à melhoria da qualidade das uvas, graças às condições climáticas favoráveis, condição que contribuiu positivamente no âmbito do plano fitossanitário.
Para Manuel Pinheiro, presidente da CVR Dão, “esta estimativa representa um sinal de confiança para a região e para os produtores do Dão. Uma previsão de crescimento da produção, ainda que moderado, é positiva para o sector, sobretudo quando está associada a boas perspectivas de qualidade, já que as uvas do ano estão excelentes e estamos, portanto, na expectativa de grandes vinhos.”
O Boletim de Evolução Intercalar do Ano Vitícola 2026 resulta do acompanhamento técnico e científico realizado pelo Polo do Dão do CoLAB VINES & WINES e constitui uma ferramenta de monitorização das condições meteorológicas, fenológicas e fitossanitárias da Região Demarcada do Dão.















