Manuel Pinheiro é o novo Presidente da CVR do Dão

Administrador da Global Wines (Casa de Santar e Quinta de Cabriz) até 2022, Manuel Pinheiro assume, agora, a função de Presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, para o triénio 2026-2028. Em declarações para a Revista Grandes Escolhas, sublinhou a importância de reforçar a valorização dos vinhos produzidos na região vitivinícola que representa, já […]
Administrador da Global Wines (Casa de Santar e Quinta de Cabriz) até 2022, Manuel Pinheiro assume, agora, a função de Presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, para o triénio 2026-2028. Em declarações para a Revista Grandes Escolhas, sublinhou a importância de reforçar a valorização dos vinhos produzidos na região vitivinícola que representa, já que se trata de um produto de “grande qualidade” que nada tem a ver não se coaduna com “o mercado de grandes volumes”, mas antes num mercado em que a qualidade se posiciona num patamar superior.
Com o intuito de firmar e perpetuar a mais-valia associada ao vinho, enquanto produto de qualidade, o novo responsável pelo território vitivinícola do Dão sublinha a importância de preservar a diversidade de castas tradicionais. A formação técnica destinada aos viticultores, bem como a criação de uma academia destinada aos profissionais, são outras das propostas para o triénio 2026-2028. Tornar o Dão um destino enoturístico apetecível é outro dos objectivos inscritos no programa, cuja aposta incide no incremento da venda directa do vinho na adega, no sentido de gerar valor imediato para o produtor.
No currículo, Manuel Pinheiro soma a presidência da Comissão Vitivinícola da Região dos Vinhos Verdes com a função de Secretário-Geral, seguida da de Presidente da ANDOVI – Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícola Portuguesas, bem como o cargo de Vice-Presidente do Conselho Europeu Interprofissional do Vinho.
Os novos órgãos sociais da CVR do Dão serão apresentados no dia 23.
Inscrições abertas para o Concurso Vinhos de Portugal 2026

Até ao dia 20 de Março, os produtores podem inscrever os vinhos na 13ª edição do Concurso Vinhos de Portugal da ViniPortugal. O valor a pagar é de 80€, para além do IVA, por referência. Para quem preferir efectuar a inscrição antecipada, há a possibilidade de a realizar até 20 de Fevereiro, com um desconto de […]
Até ao dia 20 de Março, os produtores podem inscrever os vinhos na 13ª edição do Concurso Vinhos de Portugal da ViniPortugal. O valor a pagar é de 80€, para além do IVA, por referência. Para quem preferir efectuar a inscrição antecipada, há a possibilidade de a realizar até 20 de Fevereiro, com um desconto de 5€ por cada vinho. O registo é feito através do site oficial desta iniciativa (https://www.concursovinhosdeportugal.pt/).
A primeira fase desta acção está agendada para as manhãs dos dias 4, 5 e 6 de Maio, nas instalações do CNEMA, em Santarém. Eis o palco do Júri Regular composto por 24 jurados internacionais, a que se juntarão os nacionais – enólogos, escanções, jornalistas especializados, membros das câmaras de provadores das Entidades Certificadoras e Organizações de Certificação, chefs de cozinha, profissionais da área da comercialização de vinhos e enófilos.
Já o Grande Júri, responsável pela segunda fase, reunirá nas manhãs dos dias 7 e 8 de Maio, em Évora. Este painel é constituído por nomes de reconhecido prestígio nacional nas áreas da prova, crítica, comunicação e formação, como Luís Lopes, Bento Amaral e Dirceu Vianna Junior MW, bem como Paulo Nunes, que se estreia nesta iniciativa da ViniPortugal. A nível internacional, estarão presentes John Sumners, recentemente nomeado provador responsável pela categoria Portugal da Wine Enthusiast, e Victoria MacKenzie MW, Head of Product Development for Wine Qualifications no Wine & Spirit Education Trust (WSET), entre outros. Neste contexto, consta a avaliação de todos os vinhos classificados com Medalha de Ouro, procedendo-se a atribuição das medalhas Grande Ouro e à selecção dos Melhores do Ano por categoria.
QUINTA DO SAMPAYO: A temporada 2.0

Vale da Pinta, freguesia do concelho do Cartaxo, integrado no território vitivinícola do Tejo. É uma espécie de planalto, com a floresta a ladear uma extensa propriedade agrícola, cujo início remonta a 1995, ano da compra da Quinta da Caneira, seguindo-se a aquisição da Quinta do Sampayo. O negócio foi efetuado pelo empresário José Júlio […]
Vale da Pinta, freguesia do concelho do Cartaxo, integrado no território vitivinícola do Tejo. É uma espécie de planalto, com a floresta a ladear uma extensa propriedade agrícola, cujo início remonta a 1995, ano da compra da Quinta da Caneira, seguindo-se a aquisição da Quinta do Sampayo. O negócio foi efetuado pelo empresário José Júlio Macedo e dono do Grupo Agroseber.
“Houve um grande investimento por parte do meu pai. Era um homem visionário. Pretendia fazer sempre o melhor e, aqui, queria fazer um dos melhores vinhos do mundo. Por isso investiu o que investiu”. Aquando da plantação das vinhas, nos anos 90 do século XX, foi construída uma primeira adega. Mais tarde, esta foi substituída por outra, “uma adega totalmente visionária, naquele tempo”, conta Ana Macedo, recordando os momentos passados nesta propriedade do Tejo. “Vinha sempre com ele, nas férias e ao fim de semana. Só os dois.”
Em 2022, é ponderada a decisão de colocar a propriedade à venda. Mas antes de avançarem com o negócio, Ana Macedo e o marido, Pedro Emídio, dão a conhecer a Quinta do Sampayo aos dois filhos. “Quando trouxemos os miúdos, foi uma loucura!” Ter espaço para correr e dar azo à brincadeira, explorar o campo e descobrir os ciclos da natureza ao vivo são imagens que a nossa anfitriã recorda com um sorriso rasgado: “foi uma decisão em família.”
Face a este cenário, e após 10 anos de interregno, Ana Macedo e Pedro Emídio, ambos licenciados no curso de Direito, resolvem retomar a atividade centrada na vinha e na produção de vinho. O investimento feito, outrora, por José Júlio Macedo, colocou de parte a eventual necessidade de substituir o equipamento da adega. Porém, quando retomaram o projeto, tiveram de ativar a estação de tratamento de águas residuais (ETAR) da adega. “Em princípio, no próximo ano, vamos ter uma nova ETAR, que permite aproveitar a água residual tratada para a rega”, informa Ana Macedo, que sublinha a importância de toda a equipa da Quinta do Sampayo, da qual fazem parte Marco Crespo e André Domingos, respetivamente, responsáveis pela enologia e pela viticultura desde janeiro de 2025.
Solos sãos, plantas sãs
São cerca de 100 hectares de terra dominada por solos argilocalcários, “aqui com mais calcário que é natural”, acrescenta Marco Crespo, com um percurso de 22 anos na enologia. Como tal, as videiras plantadas nas zonas excessivamente alcalinas deixam transparecer algumas dificuldades, motivo pelo qual são tomadas medidas, no sentido de minimizar os efeitos causados pela deficiência de nutrientes.
Mas nem tudo é imperfeito. A localização favorável da Quinta do Sampayo, que se estende numa parte do Vale da Pinta “relativamente alta em relação ao resto da região”, de acordo com André Domingos, responsável pela viticultura, permite que tenha o vento como aliado no “arejamento das plantas”, beneficiando-as “em desfavor das pragas”. Caso contrário, a humidade permaneceria por um número indeterminado de horas nas folhas, o que levaria ao aumento de míldio e oídio, o dueto mais temido pelos viticultores. Em contrapartida, a precipitação, que não é uma constante por aqui – regra geral, o clima é quente e seco –, é considerada uma mais-valia, já que as águas pluviais ficam armazenadas nos solos de barro, favorecendo as videiras, sobretudo, de sequeiro.
Há dois anos, foram dados os primeiros passos no âmbito da agricultura regenerativa, como “trabalhar o solo e renovar o ecossistema, que as práticas agrícolas convencionais degradaram”, elucida André Domingos. O responsável pela viticultura da Quinta do Sampayo referiu algumas práticas implementadas, “como a descompactação, porque estes solos têm um alto teor de argila, por isso compactam muito facilmente só com a água da chuva, para não falar da transitabilidade das máquinas, que são sempre mais, duas, três, quatro toneladas a passar durante a campanha. Vamos atuar por aí, pela descompactação, para oxigenar as camadas inferiores da terra, dar nova vida aos solos, nomeadamente fungos e bactérias aeróbicas, espécies muito importantes na simbiose com a nossa cultura, que é a vinha”, acrescenta.
O enrelvamento é outra das práticas a implementar. Esta ação visa contribuir para a sanidade dos solos. Para o efeito, são introduzidas entre oito a nove espécies de plantas herbáceas, como leguminosas, brássicas, crucíferas, gramíneas, entre as linhas. “Queremos ter uma panóplia grande, para termos aqui diferentes sistemas radiculares”, explica André Domingos. O objetivo é favorecer a biodiversidade local, a par com a instalação de hotéis para insetos, de modo a minimizar a dominância de pragas e, simultaneamente, contribuir para o equilíbrio do ecossistema.
Paralelamente, a equipa de campo está a substituir os tratamentos convencionais por outros, como “extratos de cavalinha, de mimosa, de carvalho, de óleo de laranja, produtos de base mineral”, enumera o responsável pela viticultura da Quinta do Sampayo, que defende a “gestão nutricional de planta a planta, para obter plantas saudáveis, que se defendam melhor de fatores externos – pragas, doenças stress hídrico” e melhorar a qualidade da matéria-prima.
A introdução de outros sistemas de condução, a replantação de videiras e a supressão das parcelas que “ultrapassam o limiar da rentabilidade” são outras das ações estratégicas postas em prática na Quinta do Sampayo, no que à restruturação das vinhas diz respeito. Mas a reconversão requer tempo. Portanto, fica a promessa de tudo ser feito com calma. “Queremos que esta vinha esteja plantada pelo menos, por 40, 50 ou, se possível, por mais anos”, acrescenta André Domingos.
“A ideia é fazer vinhos mais leves, mais frescos”, adianta Mário Crespo
Foco nas castas brancas e regionais
A par com esta mudança, surge a aposta no aumento da área de vinha de castas brancas nacionais, nomeadamente regionais, como a Trincadeira das Pratas, que consta na lista das variedades a plantar em 2026. “Caiu muito em desuso, porque é uma casta muito mais difícil de trabalhar, mas queremos ir buscá-la, trabalhá-la e trazê-la para a adega”, continua André Domingos. Antão Vaz, Gouveio, Arinto e Fernão Pires fazem igualmente parte deste plano traçado para o próximo ano. Em 2023, foi plantada a Encruzado. “Também temos Chardonnay e Sauvignon Blanc no encepamento, mas não é tanto a linha que queremos seguir”, continua.
Nos tintos, fazem parte a Castelão, a Touriga Nacional, a Aragonez e a Trincadeira Preta. Esta última é muito valorizada pela equipa da Quinta do Sampayo, motivo pelo qual irá ocupar mais área de vinha em 2026, na propriedade. Em suma, a finalidade é optar por castas que se adaptam ao solo e ao clima desta zona do território vitivinícola do Tejo, embora não haja vontade de “eliminar por completo as castas internacionais, pois podem trazer benefícios no futuro”, reforça André Domingos.
A exploração agrícola soma ainda o olival tradicional contíguo à Quinta do Sampayo, com as variedades de azeitona Galega e Cobrançosa, adquirido em 2023. Uma vez que “estava praticamente abandonado”, houve a necessidade de fazer uma poda de rejuvenescimento, por forma a revitalizar as árvores. Apesar de ainda não haver uma previsão para tornar o azeite um produto a incluir no negócio da quinta, é manifestada a vontade de criar uma marca de azeite a comercializar no futuro.
O investimento feito, na década de 1990, revela que o então empresário José Júlio Macedo foi um homem visionário, uma vez que o equipamento dá resposta às exigências enológicas atuais
Da vinha para a adega
Marco Crespo reforça a afirmação de Ana Macedo em relação à adega: “está perfeitamente atual”. Aqui, entra apenas uva apanhada à mão, sendo a seleção dos cachos feita na vinha: “prefiro que deitem tudo para o chão e tenham muito cuidado na vinha, que levem mais tempo a apanhar, mas apanhem melhor”. Não obstante se traduzir numa tarefa morosa, rentabiliza o tempo entre paredes. “A maioria da uva é vendida”, revela, com a intenção de esclarecer que o foco está na qualidade do vinho, em detrimento da quantidade. “A ideia é fazer vinhos mais leves, mais frescos”, adianta.
Com um portefólio vínico constituído apenas por quatro vinhos – dois brancos e dois tintos –, o responsável pela enologia da Quinta do Sampayo salienta as alterações na vinificação, comparando a colheita de 2023, ano da retoma da produção vínica, com a de 2024. O Quinta do Sampayo branco 2023 foi feito a partir de Arinto e Fernão Pires, sendo, esta última, a casta preferida do responsável pela enologia. Ambas foram vindimadas e fermentadas em conjunto. Parte do lote estagiou por seis meses em barrica. Resultado: “é mais direto e mais complexo, e evoluiu muito bem ao fim de dois anos.” A respeito do Quinta do Sampayo branco 2024, revela que a vindima da Fernão Pires ficou registada a 26 de agosto e a da Arinto foi efetuada a 19 de setembro. Ao contrário da primeira edição, o blend ocorreu antes do engarrafamento, datado de maio de 2025. Nos tintos, enaltece as características da edição de 2023, um vinho feito a partir das castas Castelão, Syrah e Touriga Nacional, submetido a um estágio de seis meses em barricas. “Tem muita fruta silvestre, nada marcado pela madeira e super expressivo”, descreve Mário Crespo.
Outra mudança a enaltecer nesta nova temporada da Quinta do Sampayo é a opção por uma garrafa mais leve: “reduzimos para aquilo que achamos que é sustentável, que é abaixo dos 400 gramas.” A alteração foi extensível aos rótulos, agora com uma imagem mais estilizada. A próxima novidade será um rosé elaborado com as castas tintas Touriga Nacional, Aragonez e Castelão, e estagiado na ânfora feita à mão instalada na adega da propriedade.
No âmbito da exportação, o foco continua no mercado do Reino Unido, a par com a vontade de entrar no Canadá. Por cá, o vinho da Quinta do Sampayo está presente em restaurantes de Santarém, bem como em hotéis de Lisboa e do Algarve.
Eis o início da nova temporada da Quinta do Sampayo, a respeito da qual Ana Macedo declara: “estou muito motivada com este projeto e a minha vida deu uma volta bastante grande, mas para melhor.”
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
CVRA aprova acordo com a Mercosul

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul foi aprovado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), que considera esta acção “um passo estratégico relevante no reforço das relações comerciais entre os dois blocos e uma oportunidade concreta para a afirmação internacional dos Vinhos do Alentejo”, de acordo com o comunicado. Para a CVRA, […]
O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul foi aprovado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), que considera esta acção “um passo estratégico relevante no reforço das relações comerciais entre os dois blocos e uma oportunidade concreta para a afirmação internacional dos Vinhos do Alentejo”, de acordo com o comunicado.
Para a CVRA, a eliminação progressiva de tarifas aduaneiras sobre o vinho europeu pode catapultar os produtores portugueses no Mercado Comum do Sul da América, um gigante espaço económico, constituído por quatro países membros (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e os países associados (Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador). O destino prioritário é, porém o Brasil, onde o vinho do Alentejo tem vindo a consolidar-se uma notoriedade marcante.
Neste contexto, Luís Sequeira, presidente da CVRA, explica que “o mercado brasileiro é o mais importante destino das exportações dos vinhos do Alentejo, tendo representado cerca de quatro milhões de litros em 2025.” Em relação ao contexto global, este acordo representa, para os Vinhos do Alentejo, “uma oportunidade relevante para aprofundar a presença em mercados-chave, criar valor e reforçar a internacionalização da região”, destaca o presidente da CVRA.
Recorde-se que a internacionalização é um dos pilares centrais do Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026–2031. Este plano tem como objectivo o incremento das exportações, “assente na valorização da origem, na diferenciação da oferta e na afirmação do Alentejo como uma das grandes regiões vitivinícolas do mundo”.
A assinatura deste acordo decorrerá amanhã, dia 18 de Janeiro, na capital do Paraguai e dará início à maior zona de comércio livre do mundo.
MENIN: Legado do tempo em prova

Há cerca de um ano, a Menin Douro Estates lançou 10 vinhos do Porto em simultâneo: cinco brancos e cinco tawnies, com entre os 10 e os 50 anos de envelhecimento. Um feito difícil, que parecia impossível de superar. “Sentimos que tínhamos de dar seguimento a esses vinhos de excelência”, começa por dizer Tiago Alves […]
Há cerca de um ano, a Menin Douro Estates lançou 10 vinhos do Porto em simultâneo: cinco brancos e cinco tawnies, com entre os 10 e os 50 anos de envelhecimento. Um feito difícil, que parecia impossível de superar. “Sentimos que tínhamos de dar seguimento a esses vinhos de excelência”, começa por dizer Tiago Alves de Sousa, enólogo consultor desta casam, “dando um passo ainda maior em frente com o lançamento de dois Portos de 80 anos, um branco e um Tawny”.
São de facto dois vinhos monumentais, com precisão, equilíbrio e uma complexidade notáveis, que foram servidos antes da refeição servida no DOP, restaurante localizado no centro da cidade do Porto. O objetivo deste desafio conjugou-se com a atenção e o destaque merecidos, já que nos foi permitido que ambos permanecessem nos copos durante toda a refeição, para irmos apreciando os aromas inebriantes e as sucessivas nuances que foram apresentando com a passagem do tempo.
No final do almoço, foi fantástico constatar que, mesmo com a temperatura mais elevada, os dois vinhos do Porto são realmente de outra dimensão, pois mantiveram totalmente intacta a singularidade e equilíbrio de cada um. Notável! E que perfume permaneceu na sala. “Estes dois vinhos do Porto 80 anos que agora lançamos são um pedaço de história do Douro, um tesouro, uma peça de ‘relojoaria’, para ser admirada com a reverência que merece”, sublinha Tiago Alves de Sousa.
“Estes dois vinhos do Porto 80 anos que agora lançamos são um pedaço de história do Douro, um tesouro, uma peça de ‘relojoaria’”, afirma o enólogo Tiago Alves de Sousa
Em busca da excelência no Douro
A Menin nasceu de um sonho: produzir grandes vinhos do Douro e colocá-los no mundo. Este sonho passou a tornar-se realidade em 2018, pelas mãos de Rubens Menin, um dos maiores empresários brasileiros, com uma diversidade de negócios que vai desde a CNN Brasil à banca, passando pela detenção da maior construtora do continente americano. “Tive oportunidade de conhecer todas as regiões vinícolas do mundo e a mais bonita é o Douro”. Beleza que alia a “uma qualidade super especial nos vinhos de mesa, que, no Douro, são relativamente novos e de elevado potencial”, destaca.
Na Menin Douro Estates, com vinhos produzidos em Gouvinhas, na Quinta da Costa de Cima e Quinta do Sol, e na H.O Horta Osório, cujos vinhos são feitos a partir das uvas vindimadas na região do Baixo Corgo, em Santa Marta de Penaguião, a filosofia é a mesma, isto é, totalmente reforçada pela visão de Fásia Braga. Para a diretora-geral da empresa, para quem é crucial produzir vinhos de gama alta, que espelhem o terroir duriense, privilegiando a qualidade ao invés da quantidade. “Estes dois vinhos com 80 anos não são apenas a continuação de um trabalho especial.
São uma afirmação clara do nosso compromisso com a excelência e com o legado duriense. Representam um passo em frente, e ao mesmo tempo, um regresso à origem, à memória, à tradição, à essência do Vinho do Porto”, salienta Fásia Braga.
Foram engarrafadas apenas 200 garrafas de meio litro de cada variedade vendidas em caixa de madeira, com o branco ‘vestido’ de prata e o Tawny de ouro
Dois hinos à região
Com total carta branca por parte da empresa, e o acesso a lotes muito especiais, a equipa de enologia da Menin Douro Estates, constituída por Tiago Alves de Sousa e Manuel Saldanha, no papel de enólogo residente, lançou-se num trabalho de composição, tendo como base vinhos identificados e adquiridos a pequenos viticultores, para perpetuarem o estágio e, posteriormente, serem trabalhados para o lote final.
A idade mínima de todos os vinhos que compõem os lotes é de 80 anos, traduzindo-se numa complexidade rara, que encerra na riqueza das notas caracterizadas pelas diferentes fases pelas quais o Douro passou no último século. “São dois vinhos que têm a idade a aproximá-los, mas, depois, têm, efetivamente, muitas outras dimensões que, naturalmente, os separam, conferindo a cada um uma identidade muito especial, muito própria”, descreve Tiago Alves de Sousa. O Porto Tawny 80 anos é de facto impressionante. Denota uma complexidade incrível, com notas de caramelo salgado, especiarias exóticas, noz-moscada e laranja confitada. Na boca, é pura harmonia – acidez vibrante, textura sedosa, final interminável. O Vinho do Porto branco não lhe fica atrás. Ainda mais raro, transporta toda a frescura do Baixo Corgo, de onde provém a maior parte dos lotes. Com uma elegância desconcertante, apresenta notas de casca de citrino, flores secas e um toque iodado.
É um vinho com um final interminável. Em suma, ambos são tão complexos, que as notas de prova não lhes fazem provavelmente jus.
Foram engarrafadas apenas 200 garrafas de meio litro de cada variedade vendidas em caixa de madeira, com o branco ‘vestido’ de prata e o Tawny de ouro, honrando, assim, a sua preciosidade e raridade. Durante o almoço foram também servidos três (belíssimos) vinhos Douro DOC, de que daremos nota de prova nesta peça.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
ASSOCIAÇÃO VIGNERONS: ‘As nossas uvas, os nossos vinhos’

De acordo com o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), entende-se como vitivinicultor-engarrafador “a pessoa singular ou coletiva que elabora vinho a partir de uvas frescas produzidas exclusivamente na sua exploração vitícola, em instalações próprias e exclusivas e que engarrafa nas mesmas ou nas de outrem, em regime de prestação de serviços, assumindo-se como […]
De acordo com o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), entende-se como vitivinicultor-engarrafador “a pessoa singular ou coletiva que elabora vinho a partir de uvas frescas produzidas exclusivamente na sua exploração vitícola, em instalações próprias e exclusivas e que engarrafa nas mesmas ou nas de outrem, em regime de prestação de serviços, assumindo-se como único responsável do produto engarrafado, e de mosto concentrado e mosto concentrado retificado”.
“Se a lei existe, devemos fazê-la cumprir.” Foi com base nesta premissa que Mário Sérgio Nuno, rosto maior da Quinta das Bágeiras, avançou com um movimento que, atualmente, reúne 10 vitivinicultores-engarrafadores de seis regiões do país, para passar dar a conhecer a definição deste ofício, conhecido, em França, como vignerons-independents. A ideia surgiu em junho de 2024, por ocasião dos 35 anos da referida casa bairradina localizada em Sangalhos, no concelho de Anadia. “Grande parte dos produtores que convidei disse que este grupo deveria continuar.” Foi o que fez, criando, a par com os demais produtores envolvidos, os Vignerons de Portugal, sob o lema ‘as nossas uvas, os nossos vinhos’.
Objetivo? Realçar o trabalho realizado com afinco na terra, o cuidado criterioso com as uvas próprias e a atenção aprimorada na feitura do produto final. “Há que falar da nossa genuinidade e da autenticidade dos nossos vinhos. Não são melhores, nem piores do que os vinhos feitos pelos produtores que compram uva ou vinho. Mas o conhecimento que temos das vinhas onde nasceram é único, refletindo-se na forma como as trabalhamos. E isso faz diferença no que entra na garrafa”, elucida Mário Sérgio Nuno.
Trata-se de um trabalho diferenciado quando comparado com o papel desempenhado pelo produtor-engarrafador, o négociant, na língua francesa, que pode comprar uva ou vinho. Mas os Vignerons de Portugal não é um grupo fundado “para ser contra qualquer coisa. No fundo, é para defendermos o nosso conceito e o nosso vinho, e também para promover as marcas de cada um”, adianta o vigneron da Quinta das Bágeiras. Tudo está a ser feito a favor “dos consumidores esclarecidos. Quanto mais claros nós formos na forma como comunicamos, mais perto estamos do sucesso.”
Guardiões de vinhedos
A apresentação decorreu em Lisboa. Marcaram presença as seguintes casas: Vale dos Ares, da região dos Vinhos Verdes, Casas Altas, da Beira Interior, Quinta do Perdigão, Casa da Passarella e Quinta da Alameda, do Dão, Quinta das Bágeiras, da Bairrada, Quinta de Chocapalha, de Lisboa, Quinta da Atela, do Tejo, Rui Reguinga, do Tejo e de Alentejo, e Tapada de Coelheiros, do Alentejo.
Porquê estes 10 vitivinicultores-engarrafadores? É uma forma de mostrar as especificidades de cada região representada pelos elementos que fazem parte deste movimento.
Luís Patrão, enólogo na Tapada de Coelheiros, exploração agrícola localizada em Arraiolos, no Alentejo, levanta uma questão pertinente: “no imaginário das pessoas, quando falamos de um produtor, pensa-se que este trabalha só com uva própria, o que não é a realidade.” Por conseguinte, justifica a necessidade de se afirmarem como “produtores que trabalham exclusivamente com uvas próprias.
Este trabalho exclusivo centra-se no detalhe e isso reflete-se na qualidade do vinho”. Já Rui Reguinga, vitivivinicultor-engarrafador e enólogo, enaltece a figura do vigneron enquanto guardião das vinhas, “a parte mais importante de todo este processo”. O proprietário de 12 hectares de vinhas “muito antigas e visitáveis” com localização privilegiada na serra de São Mamede, distrito de Portalegre, enfatiza a necessidade de cuidar e salvaguardar os aglomerados de videiras, para que estas continuem a ser preservadas pelas gerações futuras. Por tudo isto, salienta a necessidade de traçar a diferença entre o produto final feito a partir de uvas próprias e “os lotes de vinhos comprados com origens que, muitas vezes, não conhecemos”.
Compromisso com a terra
Sandra Tavares da Silva, representante da Quinta de Chocapalha, propriedade vinhateira da família, com localização privilegiada na Aldeia Galega da Merceana, em Alenquer, concelho pertencente à região dos vinhos de Lisboa, vai mais longe. Além de ser “uma forma de estar no mundo dos vinhos”, um vigneron prima por demonstrar “um compromisso muito grande com a terra, o respeito pelo solo e pela água” e o facto de produzir vinho com uvas vindimadas em videiras que estão na sua posse, permite criar “uma identidade muito própria de cada vinho que produzimos”.
Por sua vez, só se torna possível assegurar um resultado de qualidade, “se produzirmos desde a uva até ao vinho”, argumenta Luís Diogo Abrantes, coproprietário da Quinta da Alameda, localizada em Vilar Seco, no concelho de Nelas, Dão. Engenheiro do Ambiente de formação, eleva o profundo respeito pela ecologia e a biodiversidade, e fala sobre as limitações que a decisão de ser vitivinicultor-engarrafador acarreta, uma vez que, “em anos menos bons, temos de garantir a qualidade das vinhas”.
“Antes de ser produtor e enólogo” Miguel Queimado é viticultor e agrónomo, daí que as vinhas do projeto familiar Vale dos Ares, na sub-região de Monção, na região dos Vinhos Verdes, continuam a ser cuidadas, mesmo em anos de crise, como o que se vive atualmente no sector do vinho. “Ser vitivinicultor-engarrafador em Portugal não é fácil”, acrescenta Mário Sérgio Nuno, exemplificando que, perante o excesso de vinho na adega, “nós não podemos mandar uma carta a nós próprios a dizer que não queremos mais uvas”. E o inverso também é verdade: “quando, num ano mau, não temos uva suficiente para as nossas necessidades, não podemos comprar ao vizinho”. No entanto, “se queremos crescer, crescemos com os nossos investimentos”, até porque o zelo que se tem com a vinha, “não é nada mais que engarrafar o nosso terroir para o nosso consumidor”, reforça Miguel Queimado. Melhor ainda. Para este nosso entrevistado proveniente do território vitivinícola situado mais a nordeste do país, a agricultura é apenas o início de tudo. Afinal, “quando compram um vinho nosso, estão a apoiar a agricultura e estão a contribuir para que este equilíbrio e esta coesão territorial se mantenha.” Por tudo isto, os Vignerons de Portugal querem prosseguir com esta missão, “especialmente por uma questão de transparência para o consumidor”, assume Luís Diogo Abrantes.
Como “a ideia é rodar por todas as adegas”, segundo Mário Sérgio Nuno, está previsto um evento aberto ao consumidor em geral, na casa de um destes 10 vitivinicultores-engarrafadores, no primeiro sábado de junho do próximo ano.
(Artigo publicado na edição de Dezembro de 2025)
5ª edição do Concurso de Cocktails Blend Series

Todos os bartenders e mixologistas do mundo inteiro estão convocados a inscrever-se, até ao dia 13 de Fevereiro, na 5ª edição do Concurso de Cocktails Blend Series, uma iniciativa da Symington Family Estates. Objectivo? Criarem cocktails elaborados com os vinhos do Porto Blend Nº5 Branco e Blend Nº 12 Ruby. Para o efeito, basta indicar […]
Todos os bartenders e mixologistas do mundo inteiro estão convocados a inscrever-se, até ao dia 13 de Fevereiro, na 5ª edição do Concurso de Cocktails Blend Series, uma iniciativa da Symington Family Estates. Objectivo? Criarem cocktails elaborados com os vinhos do Porto Blend Nº5 Branco e Blend Nº 12 Ruby. Para o efeito, basta indicar o nome do cocktail, escrever uma descrição e a receita detalhada, e incluir uma fotografia do resultado.
Após o período das inscrições, esta iniciativa avança para as Competições Nacionais, a terem lugar nos meses de Fevereiro, Março e Abril de 2026, nos seguintes países: Reino Unido, Lituânia, Holanda, Alemanha, Portugal, Coreia do Sul, República Checa, Cazaquistão, Islândia, Brasil e Canadá. A nomeação de cada vencedor é entregue a um painel internacional de jurados especialistas convidados a participar na Final Global. Esta etapa está agendada, por sua vez, para o período entre 10 e 12 de Maio de 2026, no Porto, e incluirá experiências no universo da Graham’s, com atividades em Vila Nova de Gaia e no Vale do Douro. O vencedor receberá um prémio no valor de €2.000, stock de Graham’s Blend Nº5 e Blend Nº12 e um convite para representar a marca Graham’s num Guest Shift organizado.
As inscrições na 5ª edição do Concurso de Cocktails Blend Series e outras informações podem ser encontradas aqui (Graham’s – Blend Series).
“Exportação como Motor de Valor”

Eis o nome do programa de apoio estratégico criado no âmbito da parceria estabelecida entre Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) e a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Objectivo? Incitar todos os produtores e empresas de vinhos da referida região vinhateira a reestruturarem a presença fora de portas, de modo […]
Eis o nome do programa de apoio estratégico criado no âmbito da parceria estabelecida entre Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) e a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Objectivo? Incitar todos os produtores e empresas de vinhos da referida região vinhateira a reestruturarem a presença fora de portas, de modo a melhorarem a posição nos diferentes mercados e reforçarem as exportações dos Vinhos do Alentejo além-fronteiras.
O programa “Exportação como Motor de Valor”, parte integrante do Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026–2031, arranca no próximo dia 13 de Janeiro, na Rota dos Vinhos do Alentejo. Além de assinalar o arranque de uma nova fase na abordagem da região face ao mercado externo, tem com finalidade duplicar as exportações ao longo desse período.
Sobre esta matéria, Paulo Rios de Oliveira, Administrador da AICEP, afirma o seguinte: “Com este programa, a AICEP reforça o seu compromisso em apoiar os produtores do Alentejo na construção de uma presença internacional mais estruturada, competitiva e geradora de valor sustentável para o país.” Por sua vez, Luís Sequeira, presidente da CVRA sublinha que “esta parceria vem reforçar a internacionalização como um pilar estratégico, colocando a região numa trajetória clara de expansão internacional e de valorização económica”.
Ainda a respeito do Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026–2031, é de salientar a importância de afirmar internacionalmente a região através de uma abordagem mais lata, integrando não só o vinho, mas também o receituário, o azeite, a cultura e a autenticidade territorial.

























