Editorial: Vinho? Nem vê-lo!

Editorial

Editorial da edição nrº 106 (Fevereiro de 2026) Imaginem o mundo sem vinho. Um mundo onde séculos de cultura, economia e conhecimento agrícola e enológico seriam descartados em prol de um zelo sanitário. Nada de brindes ou convívios, nada de partilha ou harmonização de vinho e comida. Apenas uma sensação de satisfação de que conseguimos […]

Editorial da edição nrº 106 (Fevereiro de 2026)

Imaginem o mundo sem vinho. Um mundo onde séculos de cultura, economia e conhecimento agrícola e enológico seriam descartados em prol de um zelo sanitário. Nada de brindes ou convívios, nada de partilha ou harmonização de vinho e comida. Apenas uma sensação de satisfação de que conseguimos reduzir um ou dois por cento de risco estatístico comunicado pelas instituições oficiais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, que tanto se preocupam com o nosso bem-estar. Nesta realidade, eu ficaria sem trabalho, é certo, mas será que o mundo realmente se tornaria mais saudável?

O “tsunami” de campanhas anti-álcool, que atingiu a indústria vitivinícola no último ano, promove uma narrativa que demoniza o vinho ao colocá-lo indiscriminadamente no mesmo saco de todas as bebidas alcoólicas, como se fosse o responsável directo por uma extensa lista de doenças, ignorando contextos culturais, padrões de consumo e diferenças entre produtos.

Longe vai o tempo em que beber vinho era, em termos sanitários, menos arriscado do que beber água (embora, em alguns países, ainda seja verdade). Hoje, o vinho é tratado como inimigo da saúde pública; ao mesmo tempo, a cannabis é reabilitada e ressurge quase como uma nova panaceia da indústria do bem-estar. Não sou apologista de teorias de conspiração, mas não posso ignorar a realidade: as vendas do vinho continuam a descer a nível mundial, enquanto a indústria legal da cannabis movimenta quase 70 mil milhões de dólares por ano, alimentada por grandes investidores, farmacêuticas e multinacionais de bebidas. Os setores tradicionais, como a vitivinicultura, tornam-se alvos convenientes para campanhas alarmistas. E como normalmente acontece com temas polémicos, poucos se dão ao trabalho de ir além dos títulos sensacionalistas. Leem na diagonal, veem os bonecos de infográfica e retêm os slogans do género “o vinho provoca cancro”, que depois se propagam como fogo nas redes sociais. Raramente alguém lê os estudos originais, que muitas vezes nem estão disponíveis ao público. Mas o que está sempre ao alcance são artigos anti-álcool repletos de números assustadores que, muitas vezes, distorcem a realidade pela forma como os riscos estão apresentados. A maior parte das publicações que relacionam vinho e doenças apoia-se em estudos que identificam correlações estatísticas, mas não demonstram a causalidade directa. Estes estudos não controlam de forma suficiente variáveis como dieta, sedentarismo, fatores socioeconómicos, poluição, estilo de vida, outras doenças ou medicação associada. A medicina não é uma ciência exacta, como física ou matemática, porque o corpo humano é complexo e nem sempre previsível. O conhecimento evolui à medida que novas investigações surgem, muitas vezes para corrigir ou contrariar conclusões anteriores. As organizações governamentais e reguladoras, com as suas agendas políticas, acabam inevitavelmente por influenciar a forma como estes estudos são comunicados.

Não quero negar o óbvio: o vinho contém álcool, cujo consumo abusivo é, realmente, prejudicial à saúde, tal como o consumo abusivo de açúcar, sal e até água. Existe uma diferença abismal entre beber vodka, para cair redondo no sofá, e desfrutar uma experiência enogastronómica, em que o vinho é um elemento cultural, social, sensorial e intelectual, se quiserem, e não um atalho para a embriaguez. A moderação é essencial e tem raízes na cultura gastronómica e vínica, que pode e deve ser ensinada. Neste mundo – ainda com vinho, felizmente – continuamos a precisar de bom senso e, ocasionalmente, de um bom copo para enfrentar a realidade. Aliás, alguém já se lembrou de estudar o impacto do vinho na felicidade humana? V.Z.

ESTIVE LÁ: A COLMEIA HERITAGE

Colmeia Heritage

Foi a iniciativa e o arrojo de Fernando Neves, cuja visão não se encerra nos apertados limites de uma ilha no meio do Atlântico, que levou o empresário, na viragem do século, a comprar o belo e vetusto edifício onde em jovem estudou, no centro de Ponta Delgada, e a o transformar num hotel. Nasceu […]

Foi a iniciativa e o arrojo de Fernando Neves, cuja visão não se encerra nos apertados limites de uma ilha no meio do Atlântico, que levou o empresário, na viragem do século, a comprar o belo e vetusto edifício onde em jovem estudou, no centro de Ponta Delgada, e a o transformar num hotel. Nasceu assim o Hotel do Colégio. Nesta unidade quis fazer um restaurante, que marcasse a diferença face ao panorama cinzento da restauração açoriana à época.

A Colmeia, que recusou ser um simples complemento do serviço a hóspedes, mas antes um sítio de encontros e partilhas, aberto à comunidade, um ponto de confluência de apreciadores, para a celebração dos produtos e sabores açorianos, mas sempre com uma preocupação de alargar horizontes a outras influências. Foi nessa Colmeia que, em 2005, Fernando Neves voltou a inovar, promovendo o primeiro jantar vínico, facto inédito na época, convidando, para tal, o produtor (na altura apenas duriense) Rui Roboredo Madeira. Do sucesso desse jantar resultaram duas coisas: uma amizade para a vida entre estes dois protagonistas e a afirmação da Colmeia como restaurante de referência no que toca à oferta de vinhos e à excelência no serviço.

Passados 20 anos, o restaurante reinventa-se e passa a chamar-se A Colmeia Heritage, com um conceito alargado, assente no respeito pela tradição açoriana (justamente sublinhado no nome), mas com uma aposta permanente na inovação e na procura equilibrada de novas apostas, ao introduzir técnicas exógenas, que valorizam a excelência dos produtos endógenos dos Açores. E para celebrar a renovação do espaço e a abertura a novos sabores, nada como recriar esse memorável jantar vínico, com o mesmo produtor, agora também ele com uma presença alargada à região da Beira Interior, onde faz vinhos com uma identidade muito própria.

Nesse momento, e em outras duas refeições que tivemos a oportunidade de participar, A Colmeia Heritage revelou-se um restaurante surpreendente na forma como trabalha os produtos locais, com destaque para o fabuloso atum-rabilho, presente em várias composições, o delicadíssimo lírio e outros peixes do riquíssimo mar dos Açores ou como recria uma bem conseguida versão açoriana do italiano vitello tonatto, com a designação “do mar ao prado”, na qual finas fatias de lombo de novilho são envolvidas num sápido molho de atum e alcaparras, aqui bem complementada com o vinho Beyra Pinot Noir, de Rui Madeira.

À criatividade do Chef residente, Filipe Estrela Rego, contrapõe-se as muito apreciadas opções orientais de que o restaurante também foi um precursor na ilha de São Miguel, nomeadamente no shushi e no sashimi, fazendo-se valer da frescura irrepreensível da matéria-prima e do corte preciso da preparação, pela mão do talentoso Sushiman. Tradição e modernidade estão de mãos dadas num restaurante elegante, onde o prazer da mesa e a qualidade do atendimento falam mais alto.

A Colmeia Heritage

Travessa do Colégio, 9500-610 Ponta Delgada, Açores

Almoço e jantar todos os dias, das 12h00 às 15h00 e das 18h00 às 22h00

Tel.: 296306610

 

QUINTA DO PESSEGUEIRO: O Douro gracioso

Quinta do Pessegueiro

Graciosidade talvez seja a palavra que melhor define a Quinta do Pessegueiro no seu conjunto, aqui englobando vinhos, arquitectura, imagem, forma de estar e receber. Localizada em Ervedosa do Douro, concelho de São João da Pesqueira, a propriedade foi adquirida, em 1991, por Roger Zannier, empresário francês que criou um gigante têxtil orientado para a […]

Graciosidade talvez seja a palavra que melhor define a Quinta do Pessegueiro no seu conjunto, aqui englobando vinhos, arquitectura, imagem, forma de estar e receber. Localizada em Ervedosa do Douro, concelho de São João da Pesqueira, a propriedade foi adquirida, em 1991, por Roger Zannier, empresário francês que criou um gigante têxtil orientado para a moda infantil e que acabou por conhecer o Douro no âmbito das suas visitas profissionais a Portugal, ali decidindo deixar a sua “marca”. Em 2003, com o apoio do genro Marc Monrose, borgonhês de gema, ligado à terra e ao vinho, Zannier deu início à reconversão das vinhas existentes e à plantação de novas áreas, com sucessivas intervenções em 2007, 2008, 2011 e, mais recentemente, em 2021. A construção da adega, localizada numa zona mais alta da propriedade, arrancou em 2008, ficando terminada em 2010, ano da primeira colheita. Trata-se de um projecto arquitectónico arrojado da autoria de Artur Miranda e Jacques Bec, com a área de vinificação e armazenagem a estender-se por cinco pisos, de forma a aproveitar ao máximo a gravidade e a excluir a bombagem de massas e líquidos, contando, para tal, com a ajuda de uma cuba elevatória.

Quinta do Pessegueiro

A casa principal é também um alojamento de charme, aberto ao turismo, integrando-se na rede de unidades Zannier Private Estates e Hotels

 

Em 2012 terminou a reconstrução do edifício principal da quinta, localizado a três quilómetros da adega. Esta bela casa integra-se perfeitamente na paisagem, num estilo que une a tradição duriense com um design mais moderno, acima de tudo ao nível de interiores. Além de apoiar a estrutura de trabalho da propriedade, o edifício é também um alojamento de charme, aberto ao turismo, integrando-se na rede de unidades Zannier Private Estates e Hotels, espalhadas por França, Espanha, Namíbia, Maurícias, Cambodja e Vietname.

No dia-a-dia da Quinta do Pessegueiro, sobretudo a partir de 2008, e com impacto decisivo no que toca à estratégia, da arquitectura, da imagem e, claro, dos vinhos, têm estado envolvidas três outras pessoas: Célia Varela, Directora-Geral, que acompanhou o nascimento e desenvolvimento do projecto; João Nicolau de Almeida, enólogo responsável pelos vinhos da casa desde a primeira hora; e Hugo Helena, Director de Viticultura e Enologia que, desde 2010, trabalha em estreita colaboração com o enólogo.

Três parcelas

As vinhas da Quinta do Pessegueiro abrangem 28 hectares em produção, distribuídos por três propriedades distintas. A Teixeira é a maior e mais próxima da adega, com 18 hectares, exposta a noroeste, com uma altitude que varia entre 75 e 418 metros. Parte das vinhas foram plantadas no início dos anos 80 do século XXI e, desde 2011, decorreram novas replantações com inúmeras castas. Ali foram igualmente recuperados socalcos pré-filoxera e plantado meio hectare com mais de 30 castas, que deverá originar, no futuro, um field blend muito especial. A seguir vem a vinha do Pessegueiro, propriamente dita, de nove hectares de vinhedos em encostas íngremes viradas a oeste, entre os 197 e os 355 metros de altitude. Vinhas velhas com mais de 110 anos (1,5 hectares) e vinhas plantadas há mais de 40 anos compõem esta área, onde as uvas amadurecem mais tarde. Finalmente, a Afurada tem apenas um hectare, acima dos 500 metros de altitude e com exposição sul.

Em termos de encepamento, predomina, nos tintos, a Touriga Nacional, seguindo-se Touriga Franca, Tinta Roriz, Sousão e Tinto Cão. Numa fase mais recente, plantaram-se outras tintas tradicionais mais raras (Tinta da Barca, Tinta Amarela, Rufete, Alicante Bouschet) e apostou-se decididamente nas uvas brancas, com destaque para Rabigato, pouco comum nesta zona do Cima Corgo, mas que os dois enólogos apreciam particularmente pela vivacidade e frescura, e Folgasão. Todas as plantações foram feitas a partir de seleção massal própria, não foi utilizada seleção clonal.

As três propriedades possuem também, como é habitual no Douro, velhas oliveiras, com as variedades Madural, Cobrançosa, Verdeal, Picual e Carrasquenha. Da apanha manual com extração a frio, a quinta produz um azeite de superior qualidade. E na Teixeira, algumas colmeias permitem, igualmente, uma pequena produção de mel, reforçando, assim, a biodiversidade do terroir, contribuindo, ao mesmo tempo, para o equilíbrio do ecossistema.

Pureza e elegância

A abordagem vitícola e enológica de João Nicolau de Almeida, aqui totalmente apoiada por Hugo Helena, é bem conhecida: vinha velha sempre que seja boa, agricultura biológica, vinificação clássica. Assim se tem feito na Quinta do Pessegueiro, onde, por exemplo, herbicidas não entram nas vinhas, um desafio acrescido face aos diferentes modelos de plantação existentes, que vão dos patamares de um bardo à vinha ao alto, passando por parcelas não mecanizadas com muros tradicionais.

Tradicional é também a vinificação, com a fermentação a decorrer com leveduras indígenas, privilegiando-se lagares de granito com pisa a pé, balseiros de madeira para os tintos e cubas inox e pipos de 600 litros para os brancos. Na adega, os vinhos são separados por parcelas, permitindo exaltar cada uma das suas singularidades, depois conservadas em cubas de pequena dimensão. A ausência total de bombagem (a cuba elevatória é preciosa) permite manter a fruta no seu estado mais puro.

A pureza da fruta é precisamente aquilo que mais marca, e impressiona, os vinhos da Quinta do Pessegueiro. Numa produção relativamente pequena – cerca de 100 mil garrafas, entre Douro e Porto –, esta expressão de fruta é transversal às várias referências, acompanhada de evidente frescura, leveza, equilíbrio e elegância. Estes vinhos, brancos ou tintos, não se destacam pela grande estrutura ou potência, antes pela notável finura e pela absoluta proporção. Parece estar tudo no sítio certo. É esta precisão, esta graciosidade, que define a forma de ser e estar da Quinta do Pessegueiro. Num mercado onde a oferta é gigante e onde não é fácil conjugar qualidade e diferença, isto tem de valer alguma coisa.

(Artigo publicado na edição de Janeiro de 2026)

 

TRÁS-OS-MONTES: O despertar do “reino maravilhoso”

Trás-os-Montes

É acima das nuvens que, junto à capela de Santa Comba, onde a bela pastora se entregou a Deus, que avistamos o território dual de Trás-os-Montes. Inóspito, simultaneamente verdejante, misterioso, mágico ou, como lhe chamava Miguel Torga, um “reino maravilhoso”. Por entre uma manta de retalhos geológicos, avistam-se formações de granito ou de xisto, neste […]

É acima das nuvens que, junto à capela de Santa Comba, onde a bela pastora se entregou a Deus, que avistamos o território dual de Trás-os-Montes. Inóspito, simultaneamente verdejante, misterioso, mágico ou, como lhe chamava Miguel Torga, um “reino maravilhoso”. Por entre uma manta de retalhos geológicos, avistam-se formações de granito ou de xisto, neste território do nordeste de Portugal. É o clima e a morfologia que definem a divisão destes mais de cinco mil quilómetros quadrados, dividido pelas sub-regiões de Chaves, Valpaços e o Planalto Mirandês.

A Terra Fria do Nordeste Transmontano estende-se pelos concelhos de Vinhais, Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro, caracterizando-se pela elevada altitude e o clima frio e húmido. Pátria do porco de raça Bísara, da alheira, das chouriças de carne, do azedo e do butelo, do cabrito transmontano e do queijo de cabra e, claro, da posta mirandesa obtida a partir dessa raça magnífica de gado bovino, a Mirandesa. Não esquecendo esse rico e ancestral alimento, a castanha, aqui disponível em, nada mais, nada menos, em 10 variedades. Já a Terra Quente estende-se pelos concelhos de Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães e Valpaços.

Foi precisamente em Valpaços, em vésperas da segunda edição do Trás-os-Montes Wine Experience, evento realizado no belíssimo Vidago Palace, que contou com a presença de uma vintena de produtores e um jantar assinado pelo Chef Vitor Matos, que fomos encontrar Ana Alves, a atual presidente da Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes, que completou, agora, um ano de mandato, após um ato eleitoral com alguns percalços pelo meio. Com 44 anos e licenciada em enologia, iniciou a vida profissional na Adega de Valpaços, esteve envolvida em vários projetos a nível pessoal e, a partir de 2007, ingressou na Comissão Vitivinícola Regional como técnica, função que, dada a exiguidade de pessoal, acumula como presidente da referida entidade regional. O início desta função de liderança não foi fácil e revelou-se, de algum modo, complexa. Mais que racional, foi uma decisão de coração, não apenas sua, mas de toda a Direção, a de agarrar o leme da região. Trás-os-Montes foi notoriamente prejudicada com os incidentes ocorridos durante o processo eleitoral e mostrava-se urgente devolver a boa reputação à região, que, para esta nova direção, era um velho conhecido, apesar de estarem cientes das dificuldades que se lhes deparavam. A afirmação mostrava-se premente, havendo noção que o que se produz é de elevada qualidade e plenamente diferenciador. No entanto, haverá ainda algum preconceito ou aceitação deste território na sua plenitude, mostrando-se absolutamente relevante dar força a Trás-os-Montes e a tudo aquilo que identifica a afirmação da região, impondo-a no mercado.

Trás-os-Montes

 

Inóspito, simultaneamente verdejante, misterioso, mágico ou, como lhe chamava Miguel Torga, um “reino maravilhoso

 

Região diferenciadora

E o que podem os vinhos desta região aportar em identidade e diferenciação? Não há como não valorizar o terroir, assumido como território, solos, castas, orografia, costumes, práticas e, naturalmente, as gentes. Resumidas, talvez três: altitude, clima e solos. Este trio de variáveis dão uma identidade muito própria aos vinhos e viticultura de montanha, assumida pelas vinhas plantadas em cotas que vão dos 400 aos 800 metros de altitude, o que representa a grande maioria dos vinhedos da região, encontrando-se as cotas mais altas no Planalto Mirandês. O fator altitude mostra-se relevante pela moderação nas temperaturas e amplitudes térmicas mais regradas, garantindo uma marca evidente nos vinhos, aportando-lhe acidez natural mais elevada, maior frescura e destaque dos aromas primários.

A grande maioria dos solos são xistosos. Depois existem os afloramentos graníticos. A maior área de vinha ainda está implantada em solos graníticos, não obstante haver diversas parcelas em solos xistosos. A conjugação da altitude com esta tipologia também permite diferenciar o perfil dos vinhos: os de solos xistosos possuem maior matéria corante, maior concentração e, em tese, um teor alcoólico mais elevado. A heterogeneidade do território mostra-se através da diferenciação dos solos, podendo afirmar-se que, em Trás-os-Montes, é na terra de composição granítica que se obtêm os perfis mais frescos, com maior acidez, facto que promove a dita diferenciação nos vinhos desta região.

O encepamento de Trás-os-Montes apresenta semelhanças com a região duriense. A Tinta Amarela é, em termos absolutos, a casta mais plantada na região, e se falarmos de vinhas velhas, esta variedade é sempre a que predomina, mesmo nas vinhas mais antigas. Houve uma aposta muito forte nesta casta por toda a região, sobretudo na última década, a qual se traduz na crescente produção de monovarietais no mercado. Sendo uma uva muito sensível a doenças na região vizinha, o Douro, em Trás-os-Montes encontra, provavelmente, o melhor habitat e as melhores condições para se desenvolver de um modo imaculado, beneficiando da menor humidade e temperaturas mais frias no inverno, o que lhe permite um estado de hibernação sem interferência de pragas, que se desenvolvem com temperaturas mais elevadas.

Nas castas brancas há mais diversidade, cabendo uma maior predominância da Códega de Larinho, da Viosinho, da Gouveio e da Verdelho, aportando, estas duas últimas, elevada acidez aos vinhos, além de que também são as predominantes nas vinhas velhas. As qualidades destas castas são propícias à produção de vinhos cheios de tensão, perceção de mineralidade e frescura, que também inspiram os produtores a nelas apostar com maior determinação, dando azo à cada vez maior aposta em monovarietais, entendendo-se que este é o caminho e o perfil de diferenciação, e identidade da região. Há registo ainda de outras castas, como a Malvasia Fina e a Fernão Pires, com menor expressão, mas igualmente úteis para finalização e aperfeiçoamento dos lotes.

À semelhança de outras regiões, Trás-os-Montes também padece do fenómeno de diminuição substancial da área total de vinha. Os fatores são diversos. Entre eles constam os transversais ao território nacional, como a falta de mão-de-obra, o exponencial aumento dos custos de produção, bem como o envelhecimento dos agricultores e a falta de motivação das mais novas gerações, que não olham para a cultura da vinha como uma atividade aliciante. As dificuldades por que têm passado as adegas cooperativas também não são despiciendas, nomeadamente na falta de dinamismo e incapacidade para uma gestão mais avisada, levando os pequenos viticultores a uma situação de insegurança e desconfiança.

Vinhas antigas

O genoma de Trás-os-Montes não pode ser dissociado do riquíssimo património vitícola ali existente. As vinhas velhas são e podem vir a ser o fator determinante para a afirmação dos vinhos da região no país e, até mesmo, fora de portas. Ana Alves, refere que a comissão faz um esforço onde cabe o lado emotivo e de sensibilização dos agricultores na preservação dos vinhedos antigos, dando-lhes conta da mais-valia que os mesmos podem originar, uma vez que tudo o que é singular, terá maior aptidão a ser valorizado, não obstante o menor rendimento que essas mesmas vinhas dão origem. A viabilidade deste património passa pelo posicionamento dos vinhos de vinhas velhas num patamar de preço mais elevado, desde que isso também se traduza na valorização da uva no produtor. Felizmente, é um fator já há vários anos considerado, pelos principais produtores engarrafadores, como alavanca de valorização do património e, por via disso, da própria região. Das três sub-regiões, é no Planalto Mirandês que a política de valorização dos vinhedos mais antigos é mais premente, pelo facto de ser nesse território onde estão as maiores manchas de vinhas velhas e onde também há um maior número de castas autóctones, que as transformam num verdadeiro tesouro histórico da região. Falta, no entanto, a ousadia de valorizar o produto que se coloca no mercado, vencendo, sem pudor, um certo estigma que a região ainda não ultrapassou.

Para Amílcar Salgado (Quinta de Arcossó), a Tinta Amarela, em Trás-os-Montes, é uma casta que vale pelas suas características e pela perfeita adaptação ao território da região, tendo como mais-valia não necessitar de qualquer correção, revelando sempre teor alcoólico e acidez em perfeito equilíbrio. Será, para a Quinta de Arcossó, a casta que melhor se afirma no contexto da região e aquela que melhor identidade de terroir expressa, graças aos seus herbáceos conjugados com a fruta límpida, sendo sempre desafiante e arrojada. Fruto da sua rebentação mais tardia, é muito menos propensa ao desenvolvimento de doenças. É uma casta que desde sempre existiu na Quinta do Arcossó, sendo intemporais as vinhas, uma vez que não há qualquer registo das suas datas de plantação.

Rui Cunha, enólogo com profundo conhecimento de Trás-os-Montes, onde, há 29 anos, trabalha com Valle Pradinhos, enaltece igualmente as virtudes da Tinta Amarela na região. Porém, alerta para a enorme diversidade de clones da casta, predominando os mais produtivos, que são totalmente díspares das características desta variedade em vinha velha. Em Valle Pradinhos, o trabalho desenvolvido tem incidido na busca de vinhas velhas, uma vez que a enxertia não se mostra qualitativamente interessante, dadas as características da maioria dos clones disponíveis.

A mancha de vinha velha na região também diverge de uma sub-região para outra. O Planalto Mirandês, por exemplo, possui manchas de pequena dimensão, mas de elevado valor, com a Tinta Gorda a dominar. As maiores manchas, nas duas outras sub-regiões, possuem mais diversidade de castas, brancas e tintas, que permitem criar, por exemplo, vinho palhete, muito em voga nas tendências de consumo contemporâneas. Para Rui Cunha, a via de afirmação com uma identidade própria e singular tem de se alhear do Douro, como tem feito, insistindo na plantação de Touriga Nacional e Touriga Francesa, por forma a determinar o próprio caminho através da recuperação das castas mais típicas deste território e abandonar a produção de vinhos ao estilo do Douro, concentrados, alcoólicos e com muita expressão da madeira. Trás-os-Montes ainda insiste nesta mimética e essa linha não é, certamente, a identidade desta região, nem aquilo que o mercado hoje procura.

Lagares rupestres

A narrativa de Trás-os-Montes não pode ignorar o vasto número de lagares rupestres, muitos deles datados da ocupação romana e ainda existentes no território. É um dos vetores no modo como se pretende promover a região, percebendo-se que são uma evidente mais-valia. Para tal, desenvolveu-se um trabalho que incide neste legado ancestral, sobretudo no concelho de Valpaços, onde existem 113 lagares rupestres identificados.

Preservando uma riqueza arqueológica e cultural de enorme relevância, a comissão vitivinícola procurou meios para dinamizar estes achados, colocando essa identidade num vinho único que está a ser feito em Trás-os-Montes. Junto do Instituto da Vinha e do Vinho, certificou-se uma metodologia ancestral, que passa pela identificação prévia de vinhas velhas, comprovadamente com mais de 40 anos, sendo obrigatório que as massas vínicas sejam daí provenientes. De acordo com a regulamentação aprovada, as uvas são pisadas ou prensadas num dos lagares rupestres devidamente certificado e que conste no cadastro existente na Comissão Vitivinícola Regional, sendo vedada a utilização de qualquer solução enológica, com exceção do sulfuroso, de modo a tentar produzir um vinho que, teoricamente, é semelhante àqueles que ali teriam sido feitos há mais de 2000 anos.

A certificação de vinhos de lagares rupestres é algo inédito em Portugal e, julga-se, em todo o mundo. Atualmente, Trás-os-Montes já possui três produtores a certificar vinhos elaborados em lagares rupestres – Quinta do Salvante (Torcolarium), Sociedade Agrícola O Ferrador (Flandório Vinho de Lagar Rupestre) e Junta de Freguesia de Vale de Telhas (Pinetum) – e, dado o manifesto interesse de outros produtores, crê-se que, em breve, outros surgirão.

 

Provar Trás-os-Montes

Promoção e valorização são as bandeiras que a Comissão Vitivinícola Regional mais ergueu neste primeiro mandato, traduzidas em iniciativas de cariz regional, nacional e internacional. No âmbito de proximidade, desenvolveu-se o projeto que pretende implementar, na restauração da região, uma carta de vinhos “Eu provo Trás-os-Montes”, com o propósito de impulsionar uma maior apetência para servir vinhos certificados da região, em espaços onde a presença dos vinhos locais ainda é deficitária, colmatando-se a lacuna e valorizando a gastronomia local. Estranhamente, a restauração e a hotelaria da região ainda estão um pouco de costas voltadas aos vinhos de Trás-os-Montes. E, se à semelhança do que se passa, por exemplo, na região do Algarve, a hotelaria e a restauração deste território tivessem maior sensibilidade, apostando de forma veemente no consumo deste produto da região, garantidamente que os problemas de escoamento seriam ultrapassados.

Para aderir a este projeto, cada restaurante terá de possuir um mínimo de 10 referências de, pelo menos, cinco produtores de Trás-os-Montes. Cumpridos os requisitos, a comissão vitivinícola faculta as cartas físicas, os estabelecimentos passam a constar do site desta entidade regional. Por sua vez, cada um ostentará um selo que atesta ser um dos aderentes a este projeto de alavancagem dos vinhos da região, fomentando uma rede mobilizadora. O intuito é, já em 2026, ter esta medida totalmente implementada. No âmbito deste projeto, estão desenhadas ações de formação junto dos aderentes, que terão por base análise sensorial, serviço de vinhos e informação sobre castas e vinificação.

As ações a nível nacional também têm sido diversas no último ano, desenvolvendo-se através da participação dos produtores, tendo em conta a dimensão, perfil e estratégia de cada um, dando-os a conhecer a profissionais, canais de distribuição e consumidores finais. O “Eu provo Trás-os-Montes” já viajou por Lisboa, Porto e Algarve, com a finalidade de procurar uma implantação forte nos mais relevantes mercados do território nacional. A aceitação foi uma absoluta surpresa, nomeadamente no Algarve, onde os vinhos de Trás-os-Montes eram ainda desconhecidos, tendo a iniciativa aberto a porta a vários produtores, com a vertente negocial deste projeto a começar a dar bons frutos. A nível internacional, as iniciativas passaram pelo Brasil, com sete produtores, sendo este o mercado mais importante nas exportações de Trás-os-Montes, dando continuidade a um trabalho que teve um interregno, voltando agora a ser retomado.

A exportação ainda está num estado incipiente, representando apenas 17% do volume da produção. A Prowein Brasil e a Vinhos e Sabores, em São Paulo e Rio de Janeiro, foram os destinos da iniciativa com registos muito positivos em relação à região.

Trás-os-Montes

Não há como não valorizar o terroir, assumido como território, solos, castas, orografia, costumes, práticas e, naturalmente, as gentes

 

O enoturismo como alavanca

No que concerne ao enoturismo, e à sua preponderância como elemento determinante na faturação dos produtores, há todo um longo caminho a percorrer, com uma importância ainda residual. Neste momento, há uma tarefa de consciencialização do produtor para o valor que representa o enoturismo como fator de alavancagem da atividade. É visível uma ligeira adaptação por parte de um número ainda muito pequeno de produtores que já procuram afirmar o bem receber, o qual se traduz num volume assinalável de vendas à porta da adega, através da estruturação de programas e valências, visitas às vinhas, entre outras experiências, como passar o dia com enólogo, fazer o próprio lote e jantares vínicos. Apesar do valor ainda incipiente, acredita-se que esteja a crescer.

Exemplar tem sido o trabalho da Quinta das Corriças, do Pedra Pura Resort e de Valle de Passos, que se distinguem por possuírem a componente dormida nos programas para visitantes. Sente-se que faltam criar mecanismos de união, através de uma rota de turismo que congregue cada umas destas experiências, de modo a gerar dimensão e valor. Não existindo uma rota vendável, prevê-se, para 2026 e 2027, um plano, no âmbito de medidas de financiamento, vocacionado para o enoturismo e para a região norte, numa candidatura conjunta, que terá o intuito de formalizar a criação de uma Rota de Trás-os-Montes integrada na Grande Rota dos Vinhos e do Enoturismo do Norte. Informalmente, esta já possui cinco aderentes: Arcossó, Casa do Joa, Quinta das Corriças, Encostas de Sonim e Casa Grande do Seixo.

Se muito há para lapidar neste território, que tudo parece ter, nota-se que há uma vontade férrea de elevar esta região. Pelo pouco que vimos, há um trabalho intenso que, compensando oportunidades perdidas, augura, agora, algo absolutamente brilhante para Trás-os-Montes, ansiosa para ser descoberta e explorada.

A Tinta Amarela é, em termos absolutos, a casta mais plantada na região, e se falarmos de vinhas velhas, esta casta é sempre a que predomina, mesmo nestas mais antigas

 

Trás-os-Montes em Lisboa

No seguimento da segunda edição do Trás-os-Montes Wine Experience, 10 produtores deste território vitivinícola marcaram presença no restaurante O Nobre, em Lisboa, para Prova & Jantar a Quatro Mãos, em que a chef Justa Nobre, da casa, convidou Óscar e António Geadas, respetivamente, chef o escanção do restaurante G, da Pousada de Bragança. Objetivo? Dar mais visibilidade à região. Na lista de participantes constaram os projetos Casa José Pedro, Casa do Joa, Flandório, José Preto, Ninho da Pita, Quinta do Salvante, Quinta Serra D’Oura, Villela Seca, Vinho dos Mortos e Vinhas Velhas Mogadouro. “Abrimos o convite a todos os produtores, com o critério de virem a Lisboa os primeiros inscritos”, justificou Ana Alves, que refere a existência de “110 agentes económicos a produzir vinho e 120 marcas no mercado”.

Sobre o território, “uma manta de retalhos de paisagem e de vinhas”, com uma área total de 9.000 hectares, está ocupada por vinhas antigas, a presidente de Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes frisou: “a região faz-se a partir de todos estes projetos, desta diversidade de produtores de vinhos identitários.” E acrescenta “o potencial para a produção de vinhos biológicos”, favorecido pela altitude e pelo clima rigoroso: invernos muito frios e verões muito quentes.

Além do vinho, à mesa fizeram furor a dezena de produtos DOP e IGP Trás-os-Montes: alheira de Mirandela, salpicão de Vinhais, azeitonas ou alcaparras, pão, queijo, azeite, castanhas, cuscus de Vinhais, porco de raça Bísara e amêndoas. Uma parte protagonizou os pratos dos chefs Justa Nobre e Óscar Geadas, entre receitas de infância e as origens de uma cozinha de família.

Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal com novo Presidente

Rodolfo Queiros

Rodolfo Queirós, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, assume a função de Presidente da Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal (ARVP) para o mandato de 2026/2029. O objectivo é incrementar o desenvolvimento desta entidade, através da agregação de mais parceiros e do crescimento da sua representatividade em todo o território nacional. “Acredito […]

Rodolfo Queirós, Presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior, assume a função de Presidente da Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal (ARVP) para o mandato de 2026/2029. O objectivo é incrementar o desenvolvimento desta entidade, através da agregação de mais parceiros e do crescimento da sua representatividade em todo o território nacional. “Acredito que as rotas dos vinhos têm um papel fundamental na promoção do enoturismo e dos diferentes territórios. Por isso, queremos uma associação mais forte, mais musculada, com mais parceiros e que possa impulsionar dinâmicas de trabalho em rede em todo o país”, isto é, “dar um novo impulso à associação, que passará por dar continuidade e consolidar as ações já desenvolvidas, mas, sobretudo, criar novas dinâmicas e encontrar novas soluções e formas de financiamento”, declara.

A eleição dos novos órgãos sociais da ARVP ocorreu em Assembleia Geral no passado dia 31 de Janeiro, em Estremoz, durante a qual foi aprovada por unanimidade a única lista apresentada. De acordo com o comunicado, o presidente da Mesa da Assembleia Geral é Rui Ventura, Presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro (ERTC). Foram admitidos ainda três novos associados: a GRATER – Associação de Desenvolvimento Regional (Açores), a Associação dos Escanções de Portugal (AEP) e a Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA).

De acordo com o comunicado a Mesa da Assembleia Geral é constituída pela ERTC, representada por Rui Ventura (Presidente), a AEP, com Tiago Paula (Vice-Presidente) e a Federação das Confrarias Gastronómicas Portuguesas, com Álcides Nóbrega (Secretário). Na Direcção estão Rodolfo Queirós, como Presidente; Ângelo Machado, da Rota de Vinhos da Península de Setúbal, Pedro Soares, da Rota da Bairrada, e Sara Silva, da CVA, como Vice-Presidentes; José Arruda, da Associação de Municípios Portugueses do Vinho, como Tesoureiro, Manuel Machado, da Federação das Confrarias Báquicas, como Secretário, e Emanuel Pereira, da Associação Madeira Rural, como Vogal. José Santos, da Entidade Regional do Turismo Alentejo e Ribatejo, Paula Santos, da GRATER, e António Oliveira, TOC, são, respectivamente, Presidente, Secretário e Relator do Conselho Fiscal.

Lindeborg Wines reforça estrutura técnica

Duarte

Duarte de Deus, enólogo e nome associado a um já reconhecido produtor vitivinícola do Alto Alentejo, assume, agora, o papel de Coordenador de Enologia do grupo Lindeborg Wines. No âmbito desta função, tem como missão “coordenar a estratégia enológica transversal do grupo, garantir a consistência qualitativa entre projetos, preservando a identidade de cada um, apoiar […]

Duarte de Deus, enólogo e nome associado a um já reconhecido produtor vitivinícola do Alto Alentejo, assume, agora, o papel de Coordenador de Enologia do grupo Lindeborg Wines. No âmbito desta função, tem como missão “coordenar a estratégia enológica transversal do grupo, garantir a consistência qualitativa entre projetos, preservando a identidade de cada um, apoiar nas decisões vitícolas e de adega, em articulação com as equipas locais, e contribuir para o desenvolvimento técnico contínuo do portefólio, tanto para o mercado nacional como internacional”.

Segundo Thomas Lindeborg, Chairman e Fundador da Lindeborg Wines, “a integração de Duarte de Deus representa um passo natural na consolidação do nosso projecto. Acreditamos que o crescimento deve ser acompanhado por rigor técnico, visão de longo prazo e respeito absoluto pela identidade de cada terroir”. Por sua vez, António Pista, CEO do grupo, enaltece que “a sua integração permite-nos elevar o nível de consistência e ambição dos nossos vinhos, sem nunca perder a autenticidade de cada projecto”.

Actualmente, a Lindeborg Wines detém uma quinta no Sul da Suécia, a Tånga Vingård, localizada em Ängelhol. Em Portugal, está presente em várias regiões vitivinícolas, com destaque para a Quinta da Folgorosa, os Vinhos Cortém e a Quinta da Barrosa, três propriedades localizadas na região dos Vinhos de Lisboa), a Quinta Vale do Armo, no Tejo, e a Herdade da Cabeceira, no Alentejo.

Casa Redondo adquire a Sheridan’s à Diageo

redondo

A emblemática garrafa de dupla câmara que separa café e creme faz parte do portefólio premium da Casa Redondo, empresa familiar fundada em 1940 por José Carranca Redondo e sediada na Lousã. Esta aquisição do licor mundialmente reconhecido Sheridan’s à Diageo reforça o compromisso do grupo no que diz respeito à expansão do seu portefólio […]

A emblemática garrafa de dupla câmara que separa café e creme faz parte do portefólio premium da Casa Redondo, empresa familiar fundada em 1940 por José Carranca Redondo e sediada na Lousã. Esta aquisição do licor mundialmente reconhecido Sheridan’s à Diageo reforça o compromisso do grupo no que diz respeito à expansão do seu portefólio no âmbito de marcas de referência e da presença consolidada a nível mundial, reforçando a visão global.

Segundo Daniel Redondo, CEO da Casa Redondo, a “Sheridan’s é uma marca verdadeiramente icónica, com um posicionamento superior e uma ligação forte ao consumidor em vários mercados internacionais. A nossa ambição passa por reforçar a presença da Sheridan’s em mercados onde a marca já é forte e acelerar o seu crescimento nos países estratégicos”. De acordo com o comunicado, a entrada desta marca abre mais de 20 novos mercados à empresa familiar, a somar aos mais de 70 onde o grupo já se encontra presente. Ao mesmo tempo, esta acção além-fronteiras permite à empresa familiar portuguesa prosseguir com a missão de “levar, aos quatro cantos do mundo, a cultura e a gastronomia portuguesas, através das marcas do nosso portefólio que carregam as nossas raízes”, acrescenta Daniel Redondo.

Ricardo Redondo, CFO da Casa Redondo, revela: “para 2026, definimos como objetivo um crescimento muito significativo, com a ambição de duplicar a dimensão do negócio ao longo do ano, sendo também a primeira vez que mais de 50% da faturação do grupo será gerada fora de Portugal.”

Fundada em 1940 por José Carranca Redondo e que ganhou fama com a produção do Licor Beirão possui um portefólio com mais de 50 marcas.

Rocim também levanta voo com a British Airways

Rocim

Afinal, há outro produtor nacional a embarcar em altos voos da British Airways. Trata-se da Rocim, que tem não um, mas dois vinhos nas cabines premium da companhia aérea britânica: o Grande Rocim Branco 2024, na primeira classe, e Herdade do Rocim Alicante Bouschet 2024, na classe executiva. Ambos são feitos a partir de uva […]

Afinal, há outro produtor nacional a embarcar em altos voos da British Airways. Trata-se da Rocim, que tem não um, mas dois vinhos nas cabines premium da companhia aérea britânica: o Grande Rocim Branco 2024, na primeira classe, e Herdade do Rocim Alicante Bouschet 2024, na classe executiva. Ambos são feitos a partir de uva colhida na Vidigueira, sub-região do Alentejo que é morada da Herdade do Rocim, de onde são exportados para mais de 50 países e, agora, passam a ser degustados a 35.000 pés de altitude.

O Grande Rocim Branco 2024 é elaborado a partir da casta Arinto e o Herdade do Rocim Alicante Bouschet 2024 é feito com uvas tintas pisadas a pé em lagares de pedra. “Estes dois vinhos escolhidos pela British Airways expressam a essência do ADN da Rocim, vinhos elegantes e minerais, produzidos a partir de uvas biológicas, que reflectem o melhor das técnicas tradicionais portuguesas aliadas à enologia do século XXI”, afirma Pedro Ribeiro, CEO da Rocim.

 

Sobre a Herdade do Rocim, de Catarina Vieira e Pedro Ribeiro, destaque-se o trabalho efectuado no âmbito dos vinhos de ânfora, que, anualmente, é pretexto de romaria para conhecer de perto as ânforas de barro, saber mais sobre esta matéria através da degustação vínica e de provas comentadas, entre outras actividades. Já o universo Rocim, além de incluir esta propriedade, abrange a produção de vinhos no Douro, Dão, Bairrada, Lisboa, Algarve e Açores.

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