QUEVEDO WINES: Friendology forever e o Legado de 1986

QUEVEDO WINES

Durante mais de cinco gerações, os antepassados de Óscar e Cláudia Quevedo – representantes da quinta geração e que estão, hoje, à frente do projeto –, dedicaram-se ao cultivo da vinha. As primeiras terão sido plantadas em 1889, em Valongo dos Azeites, no concelho de São João da Pesqueira, onde se encontra a sede e a […]

Durante mais de cinco gerações, os antepassados de Óscar e Cláudia Quevedo – representantes da quinta geração e que estão, hoje, à frente do projeto –, dedicaram-se ao cultivo da vinha. As primeiras terão sido plantadas em 1889, em Valongo dos Azeites, no concelho de São João da Pesqueira, onde se encontra a sede e a adega desta empresa familiar. Até meados da década de 80 do século passado, produziam uva e vinho a granel, que posteriormente era vendido às grandes companhias exportadoras sediadas em Vila Nova de Gaia. Sobretudo Vinho do Porto.

Ao longo dos anos, a família cultivou 100 hectares de vinha e 25 hectares de olival biológico, legado preservado amiúde. Só em 1993 é que a marca Quevedo foi oficialmente fundada, marcando uma nova era para a família, que começou a engarrafar vinhos do Porto com o próprio rótulo, graças à entrada do país, em 1986, na então Comunidade Económica Europeia (atual União Europeia). “É a União Europeia [UE] que obriga Portugal a alterar a legislação. Uma lei que vem da demarcação da região instituída pelo Marquês de Pombal, em 1776! Portanto, quando Portugal adere à UE, tudo se altera. Aparece um grande grupo de pequenos produtores – nós inclusive –, que muda para sempre a região e está, hoje, a produzir em nome próprio, e a levar o nome do Douro e a marca Vinho do Porto por este mundo fora” afirma Óscar Quevedo.

QUEVEDO WINES

De facto, este marco histórico traz consigo uma enorme mudança legislativa para a região: o fim do “Entreposto de Gaia”. Até então, qualquer Vinho do Porto destinado à exportação tinha de ser obrigatoriamente armazenado e expedido a partir de Vila Nova de Gaia. Com a nova legislação, os produtores do Douro passaram a poder engarrafar e exportar os vinhos com identidade própria, dando início a toda uma nova fase de independência para muitas casas familiares.

A quinta geração

Foi este sopro de autonomia que impulsionou Óscar e Beatriz Quevedo (pais de Óscar Jr. e Cláudia Quevedo) a fundarem a marca com o próprio nome. Em 1991, a empresa foi constituída e, em 1993, os primeiros vinhos com o rótulo Quevedo chegaram ao mercado, assinalando o princípio de uma nova era de orgulho familiar.

Por conseguinte, atualmente, a empresa é conduzida pela quinta geração da família: Cláudia Quevedo é enóloga e responsável pela produção dos vinhos, enquanto Óscar Quevedo lidera o desenvolvimento internacional da marca. Há cerca de um ano juntou-se, à equipa, Cristina Azevedo, para desenvolver o mercado nacional. “A partir de 2009, comigo a 100% na empresa, continuamos muito esta linha de exportação que, de certa forma, vinha do passado. Com a vinda da Cristina quisemos [re]conquistar o mercado nacional”, refere Óscar Quevedo.

A Quevedo gere, no presente, um património vitícola de cerca de 114 hectares distribuídos por cinco quintas com características geológicas e climáticas distintas. Esta diversidade é a “caixa de ferramentas” da enologia da casa. Quinta Senhora do Rosário, a mais antiga das propriedades da Quevedo e onde se localiza a adega; Quinta Vale D’ Agodinho, excelente para os melhores Portos; Quinta da Trovisca, o campo experimental das novas variedades ou processos de viticultura; Quinta da Valeira, com vinhas a uma altitude de cerca de 500 metros; Quinta da Alegria, com vinha e pomar, e uma frente ribeirinha com mais de 700 metros de comprimento. Sobre esta última, acresce o facto de estar dividida pelo caminho-de-ferro que liga o Porto ao Pocinho.

 

Produção própria e viticultores selecionados

O portefólio vínico é extenso, sobretudo no que diz respeito aos vinhos do Porto, génese da empresa, com colheitas de praticamente todos os anos e de variadíssimos estilos – Tawny, Ruby, Crusted, LBV, Colheita, Vintage –, graças a um enorme espólio de inegável qualidade. Os vinhos DOC Douro, embora sejam uma aposta mais recente, apresentam uma imagem renovada e um perfil moderno, como Óscar Quevedo passa a explicar: “os vinhos que produzimos são todos de produção própria ou de viticultores selecionados da zona de São João da Pesqueira. Queremos produzir vinhos mais frescos, com menos extração, menos álcool e tanino”. Vinhos que se enquadram na filosofia friendology forever, e que a empresa defende: “é, basicamente, um estado de espírito. Achamos que o convívio, a amizade, as portas abertas são uma forma de estar. E o vinho sabe muito melhor com companhia. E com partilha!”

A gama DOC douro está distribuída pelas referências Truques, nas versões branco, tinto e rosé, são vinhos frescos e não são submetidos a barrica; Alegra, em branco e tinto, traduzidos nos reserva da casa, com barrica, mas num perfil de grande equilíbrio e frescura; a gama Q.Lab, que consiste em vinhos mais experimentais, como o  extraordinário branco 100% Folgazão, um curtimenta feito a partir da casta Gouveio ou um inusitado e delicioso clarete 100% Tinta Amarela e, finalmente, os Grande Reserva Q, um branco e um tinto com um perfil duriense mais clássico.

 

A empresa foi constituída em 1991 e, em 1993, chegaram ao mercado os primeiros vinhos com o rótulo Quevedo

A joia da coroa

Todos os DOC Douro estiveram disponíveis ao longo do almoço servido na Quevedo Lodge, espaço da Quevedo Wines instalado numa antiga tanoaria convertida em centro de visitas e eventos, localizado em Vila Nova de Gaia, onde é possível provar todos os vinhos, mergulhar em degustações e harmonizações, e participar em workshops. A refeição preparada com produtos locais pelo restaurante Toca da Raposa, de São João da Pesqueira, onde a comida tradicional prima pela excelência, foi irrepreensível. Tratou-se de um almoço que serviu de mote para o lançamento de um vinho muito especial, o Quevedo White Colheita 1986, produzido no referido ano que tanta simbologia trouxe à região do Douro; evoluiu lentamente em casco de castanho, ganhando concentração, complexidade aromática e uma textura envolvente.

Cláudia Quevedo foi quem acompanhou esta “joia da coroa” de perto, com o propósito de assegurar a sua estabilidade e preservar o equilíbrio entre frescura e maturidade. Com o conhecimento de quem o viu evoluir ao longo do tempo, a enóloga indicou o momento certo para o revelar. “Este vinho é muito especial para mim: tinha 10 anos quando foi feito e acompanhá-lo ao longo do tempo deu-lhe ainda mais significado. Impressiona pela riqueza aromática, pelo volume que preenche a boca e, sobretudo, pela forma como permanece – longo, persistente – muito depois de ser provado. É um vinho que pede tempo, para ser apreciado com calma”, explica Cláudia Quevedo, com evidente comoção. Um vinho que é uma homenagem ao ano da “independência” da família, além de que preserva e enobrece o legado de séculos de um produtor familiar.

(Artigo publicado na edição de Abril de 2026)

Há um novo wine bar no cais de Gaia

dalva wine

Chama-se Dalva Wine and The City e está no nº 154 da Avenida Diogo Leite. Trata-se de um espaço informal dedicado a novas formas de apreciar o universo da Dalva através do consumo de vinhos do Porto e Douro, com vista para as ribeiras de Gaia e do Porto, no interior ou na esplanada. Disponíveis […]

Chama-se Dalva Wine and The City e está no nº 154 da Avenida Diogo Leite. Trata-se de um espaço informal dedicado a novas formas de apreciar o universo da Dalva através do consumo de vinhos do Porto e Douro, com vista para as ribeiras de Gaia e do Porto, no interior ou na esplanada.

Disponíveis estão 21 referências de Vinho do Porto, desde os Tawny aos Vintage, dos biológicos aos LBV. Junte-se dois cocktails à base de Porto Tónico, as opções de brandy, Colheita Tardia, Moscatel e espumante, bem como os DOC Douro – tinto, branco e rosé. Tudo está disponível a copo e sem o conceito habitual de prova. A dinâmica envolve, isso sim, a equipa de sala com formação especializada, que aconselha consoante o gosto e a curiosidade de cada visitante.

Para acompanhar, o Chef José Guedes elaborou um menu de petiscos dividido em cinco partes. Só para abrir o apetite, há focaccia de presunto com mozarela e molho de cogumelos trufado e bacalhau fumado com azeitona verde e coentros, além de borrego com tempero do Magreb e camarões com pesto vermelho em espetada, entre outras sugestões. Quem vai resistir aos papos de anjo com calda de laranja ou ao brownie de chocolate e molho de caramelo?

O Dalva Wine and The City, em Vila Nova de Gaia, abre de Quarta-feira a Domingo, das 12h30 às 21h00.

UDACA, 60 anos dedicados ao cooperativismo

UDACA

A União das Adegas Cooperativas do Dão (UDACA) – Mangualde, Penalva do Castelo, Silgueiros, Vila Nova de Tázem e Ervedal da Beira – celebrou o seu 60.º aniversário, numa cerimónia realizada em casa própria. A cerimónia foi marcada pela presença de António Leitão Amaro, Ministro da Presidência, de João Azevedo, Presidente da Câmara Municipal de […]

A União das Adegas Cooperativas do Dão (UDACA) – Mangualde, Penalva do Castelo, Silgueiros, Vila Nova de Tázem e Ervedal da Beira – celebrou o seu 60.º aniversário, numa cerimónia realizada em casa própria. A cerimónia foi marcada pela presença de António Leitão Amaro, Ministro da Presidência, de João Azevedo, Presidente da Câmara Municipal de Viseu, de João Soares, de Arlindo Cunha, antigo Ministro da Agricultura, e António Mendes, o Presidente desta associação, bem como de diversas personalidades do sector agrícola, cooperativo, académico e empresaria, entidades nacionais, regionais e representantes dos sectores vitivinícola e cooperativo.

O exemplo da estratégia colectiva da UDACA, a qual envolve o território e os seus produtores, foram salientadas nas intervenções institucionais. Analisados foram, por sua vez, a valorização da estratégia do cooperativismo agrícola e a coesão entre estruturas ligadas à actividade agrária face à conjuntura actual no âmbito da vitivinicultura no território nacional. A sessão ficou marcada, ainda, por um momento solene traduzida numa homenagem a Mário Soares através da entrega, a João Soares, de uma garrafa serigrafada em 1989, ano da visita presidencial do antigo Presidente da República às instalações da UDACA. Estas foram oficialmente inauguradas por Arlindo Cunha, a quem foi prestado o tributo “pelo seu contributo para o desenvolvimento do sector agrícola nacional”.

Os festejos foram alargados ao descerrar da placa do novo Espaço UDACA – Enoturismo, projecto firmado na aposta reforçada na marca Dão e na criação de experiências associadas ao vinho e à identidade da região. Chegado momento do jantar, foi apresentado o Invulgar Colheita 2023, vinho comemorativo dos 60 anos da UDACA, e feita a prova de um vinho histórico da colheita de 1985.

Sabe quais são os melhores vinhos do Douro Superior?

Douro Superior

O 13º Festival do Vinho do Douro Superior, organizado pelo Município de Vila Nova de Foz Côa e produzido pela Grande Escolhas, recebeu, ao longo de três dias, em Vila Nova de Foz Côa, a presença de cerca de 6000 visitantes. O evento teve lugar no centro de exposições Expocôa e comprovou, uma vez mais, […]

O 13º Festival do Vinho do Douro Superior, organizado pelo Município de Vila Nova de Foz Côa e produzido pela Grande Escolhas, recebeu, ao longo de três dias, em Vila Nova de Foz Côa, a presença de cerca de 6000 visitantes. O evento teve lugar no centro de exposições Expocôa e comprovou, uma vez mais, a suma importância que possui no universo vitivinícola, testemunhando, novamente, a elevada qualidade dos vinhos produzidos na referida sub-região do Douro.

Sem mais delongas, impera o destaque do habitual Concurso de Vinhos do Douro Superior, cujo objectivo consiste em eleger o melhor nas categorias de vinhos brancos, tintos e vinhos do Porto, bem como atribuir as medalhas de ouro e prata. “O Concurso de Vinhos do Douro Superior tem a particularidade de ser o único centrado exclusivamente nos vinhos desta sub-região do Douro. Os membros do júri, cerca de 20 provadores, entre críticos de vinho e profissionais do retalho especializado, tiveram, assim, uma visão muito alargada sobre a realidade do Douro Superior”, elucida Luís Lopes, crítico de vinhos e coordenador de provas da Revista Grandes Escolhas. Neste contexto, foram avaliadas, em prova cega, 181 amostras.

 

De acordo com o resultado deste 13º Concurso de Vinhos do Douro Superior, houve três referências vínicas que arrecadaram o prémio de “Melhor Vinho do Douro Superior 2026”: o CARM Gouveio 2023, da CARM, nos brancos, o Rasga Grande Reserva 2022, do produtor Artur Rodrigues, nos tintos, e o Burmester Porto Tawny 30 anos, da Kopke Group, nos fortificados. A respeito das demais distinções, foram atribuídas 67 medalhas: sete de ouro e 15 de prata, nos brancos; 13 de ouro e 24 de prata, nos tintos; e duas de ouro e seis de prata, nos fortificados (ver lista completa no final).

Durante o festival, vários foram os que tiveram a oportunidade de conhecer e trocar impressões sobre os vinhos disponíveis para prova nos 77 expositores instalados no interior do recinto do Expocôa. Sem esquecer os 17 stands reservados a produtos regionais, entre amêndoas, mel, compotas e doces, doçaria, além de produtos cosméticos feitos a partir de matéria-prima produzida na região e do azeite.

O papel preponderante que o azeite tem vindo a conquistar no mercado foi, por sua vez, o mote para a criação do 1º Concurso de Azeite do Douro Superior, o qual foi conduzido por Francisco Pavão, Presidente da APPITAD – Associação de Agricultores de Portugal e grande conhecedor desta matéria. Inscritos estiveram 39 azeites de 25 produtores aferidos por 11 jurados, que foram aferidos por um painel de jurados qualificado para o efeito. Neste contexto, ficou o registo de dois vencedores na categoria de “Melhor Azeite”: Quinta Vale de Carvalho, do produtor Pedro Luís Morgado Correia, e o Acushla Gold Edition, da Acushla. Distribuídas foram, ainda, quatro medalhas de ouro, sete de prata e duas de bronze (ver lista completa no final).

Em jeito de resumo, João Albino, Director de Eventos da Grandes Escolhas, declara: “o Festival do Vinho do Douro Superior tornou-se um dos exemplos mais relevantes do calendário anual dos vinhos em Portugal. Face ao ano anterior, teve mais produtores, mais gente e mais vinhos a concurso. É um evento que representa o que de melhor esta sub-região produz. O território tem um terroir próprio, tem massa crítica, e quem visita o evento testemunha isso mesmo.”

Vinho e azeite também foram as palavras-chave de três provas de vinhos comentadas por dois críticos de vinhos da Revista Grandes Escolhas. A primeira aconteceu após a inauguração da do festival, protagonizada por Pedro Duarte, Presidente do Município, o anfitrião do Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, que marcou igualmente presença no evento, com Paulo Pimenta a mostrar a diversidade dos “Grandes Tintos do Douro Superior” e o legado da região, o “Vinho do Porto”. Já Rui Caroço dos Santos selecionou os “Grandes Brancos do Douro Superior”, para tema de conversa. No alinhamento do 1º Concurso de Azeites, houve espaço para aprimorar o conhecimento sobre esta matéria na prova comentada “Azeites do Douro Superior e Trás-os-Montes”, liderada por Francisco Pavão.

Uma reportagem mais alargada poderá ser lida na edição de Julho, da Revista Grandes Escolhas.

13º Concurso de Vinhos do Douro Superior

Melhores Vinhos do Douro Superior 2026

Branco

CARM Gouveio 2023 (CARM)

Tinto
Rasga Grande Reserva 2022 (Artur Rodrigues)

Fortificado
Burmester Porto Tawny 30 anos (Kopke Group)

 

Brancos

Medalha de Ouro

Casa Agrícola Rebelo Afonso 2025 (Casa Agrícola Rebelo Afonso)

Crasto Superior 2024 (Quinta do Crasto)

Duorum Vinha dos Muros 2025 (Dourum Vinhos)

Eremitas Paulo de Tebas 2021 (Ameztoy & Almeida)

Fonte Cerdeira 2024 (João Damas)

Fraga Alta 2024 (Maria Lucinda Todo Bom Cardoso)

Os Xistos Altos 2022 (Muxagat Vinhos)

Medalha de Prata

Cadão PM Vinhas Velhas 2024, Mateus & Sequeira Vinhos

Graça Donzelinho & Samarrinho 2023, Vinilourenço

EspadaCinta Reserva 2024, EspadaCinta Vinhos

Mimu’s Reserva Rabigato 2024, Quinta do Gravançal

Quinta da Bulfata Alvarinho Reserva 2024, Quinta da Bulfata

Quinta da Terrincha Reserva 2025, Quinta da Terrincha

Selores Selection 2024, Viniselores

Sem Abrigo Grande Reserva 2023, Physis Wines

Senhor Abel Reserva 2023, Falhas Vineyards

Socalcos do Côa Reserva 2022, Segredos do Côa

Soulmate Lote Francisco Duarte Grande Reserva 2021, Cortes do Tua

Terras do Grifo Grande Reserva 2021, Rozès

Usufrui 2023, Recantos do Vinho

Villarôco Reserva 2021, José Carlos Pereira Côrte Real

Vinha Corceira Reserva 2024, NR Winery

 

Tintos

Medalha de Ouro

CARM Touriga Nacional 2021 (CARM)

Cortes do Reguengo Reserva 2020 (Vinaze – Vinhos & Azeites)

Crasto Superior 2023 (Quinta do Crasto)

Crasto Superior Syrah 2023 (Quinta do Crasto)

Duorum Reserva 2023 (Duorum Vinhos)

Montes Ermos Grande Reserva (A. C. de Freixo de Espada à Cinta)

Quinta da Extrema Reserva 2021 (Colinas do Douro Soc. Agr.)

Quinta das Mós Grande Reserva 2021 (Mikael Monteiro Cabral)

Quinta do Monte Xisto 2023 (Nicolau de Almeida)

Remisi’us Grande Reserva 2021 (Valley Company)

Socalcos do Côa Reserva 2022 (Segredos do Côa)

Terras do Grifo Grande Reserva 2019 (Rozès)

Vallado Lady Baga 2024 (Quinta do Vallado)

 

Medalha de Prata

40 Castas Reserva 2024 (NR Winery)

Cadão PM Vinhas Velhas 2023 (Mateus & Sequeira Vinhos)

Casa da Palmeira 2018 (Quinta de Vila Maior)

Casa d’Arrochella Quinta do Cerval 2021 (Soc. Agr. Casa d’Arrochella)

Casa Ferreirinha Quinta da Leda 2022 (Sogrape Vinhos)

Dona Berta Sousão Reserva 2022 (H&F Verdelho)

Duas Quintas Reserva 2023 (Adriano Ramos Pinto Vinhos)

Duvalley Reserva 2021 (Soc. Agr. Castro de Pena Alba)

Estrela do Peredo Reserva 2022 (Bustorff Ferreira)

Mimu’s Reserva 2022 (Quinta do Gravançal)

Mix Grape Reserva 2022 (Terraloga)

Moinhos do Côa Reserva 2023, Artur Rodrigues

Palato Touriga Nacional 2021 (5 Bagos – Soc. Agr.)

Perdigota 2023 (Caves da Quinta do Pocinho)

Quinta da Bulfata Touriga Nacional 2019 (Quinta da Bulfata)

Quinta da Ribeira Teja Reserva 2024 (Casa Agrícola Rebelo Afonso)

Quinta da Terrincha Reserva 2021 (Quinta da Terrincha)

Restrito Reserva 2022 (Restrito)

Selores Selection 2023 (Viniselores)

Sequeira Reserva 2024 (Mário Monteiro Cardoso)

Tumelo Reserva 2024 (Pedro Eduardo Carvalho Neto)

Vale da Veiga Reserva 2019 (Vale da Veiga)

Vale Marianes Reserva 2020 (Rui Saraiva Caldeira)

Vineadouro Heritage 2021 (Quinta da Vineadouro)

 

Fortificados

Medalha de Ouro

Cortes do Reguengo Porto Tawny 20 anos (Vinaze – Vinhos & Azeites)

Ramos Pinto Porto Branco 20 anos (Adriano Ramos Pinto Vinhos)

 

Medalha da Prata

Maynard’s Crusted Orgânico Porto eng. 2019 (The Wine Collection)

Nicolau de Almeida Porto Vintage 2022 (Nicolau de Almeida)

Porto Ferreira Dona Antónia Porto Tawny 10 anos (Sogrape Vinhos)

Quinta do Grifo Porto Vintage 2023 (Rozès)

Souza Dias Moscatel do Douro 2006 (Caves da Quinta do Pocinho)

Vale da Teja Porto Tawny 20 anos (Adega Coop. Vale da Teja)

 

1º Concurso de Azeite do Douro Superior

Vencedores na categoria Melhor Azeite 2026

Quinta Vale de Carvalho (Pedro Luís Morgado Correia)

Acushla Gold Edition (Acushla)

 

Medalha de Ouro

Azeite Preguiça (Catarina Miranda)

Quinta do Vale Meão (F. Olazabal & Filhos)

D’Olivier (Quinta D’Olivier)

CARM Grande Escolha (CARM)

 

Medalha de Prata

Montes Ermos Grande Escolha (Adega Cooperativa de Freixo de Espada à Cinta)

Ameztoy & Almeida Azeite Biológico Virgem Extra (Ameztoy & Almeida)

Essência de Ventozelo Biológico (Quinta de Ventozelo)

Quinta do Arnozelo (Kopke Group Fine Wines)

Quinta do Javali (Quinta do Javali)

Dulfar DOP Lote C5 (Dulfar – Soc. Oleícola)

Quinta de Canivães Azeite Virgem Extra (Ermelinda Vinhos Portugal)

 

Medalha de Bronze

Segredos do Côa – Premium Bio (Segredos do Côa)

Quinta Vale d’Aldeia Extra Biológico (Quinta Vale d’Aldeia)

O Douro vai receber o Concours Mondial de Bruxelles (CMB) 2027

Concours Mondial de Bruxelles

O Concours Mondial de Bruxelles (CMB) anunciou, no passado sábado, que a sua Sessão de Vinhos Tintos e Brancos de 2027, bem como a Sessão de Vinhos Doces e Fortificados, terão lugar em Portugal, no Vale do Douro. As duas sessões decorrerão entre os dias 14 e 16 de maio de 2027. O CMB é […]

O Concours Mondial de Bruxelles (CMB) anunciou, no passado sábado, que a sua Sessão de Vinhos Tintos e Brancos de 2027, bem como a Sessão de Vinhos Doces e Fortificados, terão lugar em Portugal, no Vale do Douro. As duas sessões decorrerão entre os dias 14 e 16 de maio de 2027.

O CMB é um prestigiado concurso internacional de vinhos que recebe mais de 15 mil participações anuais nas suas diferentes sessões e competições. Fundado em 1994, o concurso saiu, em 2006, da Bélgica tendo sido Lisboa a primeira cidade a acolher o evento fora do seu país de origem. Desde então, o CMB já passou por vários países e continentes, cumprindo a sua missão de promover e valorizar grandes terroirs vitivinícolas de todo o mundo, tanto clássicos como emergentes.

Em 2012, o concurso realizou-se em Guimarães e, agora, regressa a Portugal. Organizado em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), este evento de relevância internacional reunirá várias centenas de compradores, sommeliers e jornalistas especializados no coração de uma das regiões vitivinícolas mais emblemáticas do mundo.

Para João Gonçalves, Presidente da CIM Douro, “Receber o Concours Mondial de Bruxelles é uma oportunidade extraordinária para projetar o Douro junto de decisores, especialistas, compradores, jornalistas e líderes de opinião de todo o mundo. Queremos que quem venha ao Douro descubra muito mais do que uma região vinícola: descubra um território vivo, acolhedor, inovador e preparado para construir futuro.”

Morgado do Quintão começa novo capítulo com Mariana Salvador

Morgado do Quintão

Após uma década dedicada à recuperação da propriedade, à afirmação das castas locais e à construção de uma identidade vínica própria, o Morgado do Quintão, propriedade vitivinícola, com turismo rural, localizada no concelho de Lagoa, no Algarve, acolhe a enóloga Mariana Salvador. Formada em Viticultura e Enologia pelo Instituto Superior de Agronomia, possui um currículo […]

Após uma década dedicada à recuperação da propriedade, à afirmação das castas locais e à construção de uma identidade vínica própria, o Morgado do Quintão, propriedade vitivinícola, com turismo rural, localizada no concelho de Lagoa, no Algarve, acolhe a enóloga Mariana Salvador.

Formada em Viticultura e Enologia pelo Instituto Superior de Agronomia, possui um currículo com diferentes abordagens técnicas desenvolvidas na Austrália, Nova Zelândia e no Chile. Já sobre Portugal, consta a integração na Herdade da Comporta (Península de Setúbal) e a Textura Wines (Dão), bem como o projecto pessoal, designado de Revela. No presente, e para além do Morgado do Quintão, inclui o projecto Ethos, na Beira Interior, e os vinhos tranquilos da Barbeito, na Madeira.

“O Morgado do Quintão é um projecto profundamente ligado ao território e com uma identidade muito clara. O Algarve tem um potencial enorme ainda por revelar, e é isso que mais me motiva”, declarou Mariana Salvador, em comunicado. Por sua vez, Filipe Caldas de Vasconcellos, proprietário do Morgado do Quintão, afirmou o seguinte: “estes primeiros dez anos foram de construção, aprendizagem e afirmação. A Mariana traz exatamente essa combinação de rigor técnico e sensibilidade na leitura do lugar, que sentimos ser essencial para o próximo capítulo. Sempre acreditámos que o Algarve tinha uma voz própria, ainda por revelar.”

A respeito do Morgado do Quintão, a sua fundação deve-se ao Conde de Silves, em 1810, mantendo-se na família até aos dias de hoje. Filipe e Teresa Caldas de Vasconcellos, irmãos e actuais proprietários, desde 2017, têm vindo a dar destaque às castas da região, nomeadamente à variedade tinta Negra Mole e à Crato Branco, plantadas nos 23 hectares de vinha em regime biológico, onde são vindimadas as uvas para produzir os vinhos certificados como biológicos, desde 2024. À cultura da vinha e do vinho, somam-se as casas de família restauradas e convertidas em alojamento, provas ao ar livre e almoços sob oliveiras centenárias frondosas.

Morgado do Quintão

Quem são os vencedores dos Mutante Awards Design at Wine?

mutante

O Douro é a região que arrecadou mais prémios, com sete tranquilos e três vinhos do Porto. Segue-se o Alentejo, com cinco referências vínicas galardoadas, a somar ao trio de rótulos que, de uma assentada só, ganha uma distinção. Em terceiro lugar, está a Beira Interior e o Tejo marca a quarta posição. Com um […]

O Douro é a região que arrecadou mais prémios, com sete tranquilos e três vinhos do Porto. Segue-se o Alentejo, com cinco referências vínicas galardoadas, a somar ao trio de rótulos que, de uma assentada só, ganha uma distinção. Em terceiro lugar, está a Beira Interior e o Tejo marca a quarta posição. Com um vencedor ficam as regiões de Lisboa, Algarve e Açores.

Se quisermos ter outra abordagem sobre os resultados, dentro de mais de uma centena de garrafas inscritas em concurso, estão contabilizados os seguintes vencedores por categoria: três, em Baixo Álcool, quatro em Espumante e Pet Nat, seis nos Brancos, três em Curtimenta, três em Rosés, dois em Palhetes & Claretes, sete nos Tintos e quatro nos Licorosos. Em jeito de conclusão, a WineStone Group (várias regiões) e a Herdade da Malhadinha Nova (Alentejo) levaram para casa, três galardões, cada um; a Encosta da Fornalha (Alentejo), Márcio Lopes Winemaker (várias regiões) e Quinta dos Loivos (Douro) ficaram com dois, cada um. Mas não é só de vinho que esta competição ‘vive’. Há ainda a categoria dos Azeites, inaugurada na edição de 2025 e que, este ano, contempla quatro premiados.

Mas, afinal, de que falamos? Dos Mutante Awards Design at Wine, criados em parceria entre a revista Mutante e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e cuja 3ª edição foi celebrada, uma vez mais, com a premissa de destacar o papel preponderante dos rótulos de vinho. Garantia de qualidade, marcador simbólico ou ferramenta de comunicação?

Eis a questão! Ou as questões levantadas desde a primeira hora pelos fundadores, João Manaia Rato e Suzana Parreira, ambos investigadores do CIEba – Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes. No fundo, este desafio exalta o design dos rótulos, “colocando os designers no centro de uma relação com potencial positivo para todos os intervenientes”. De um modo geral, os Mutante Awards Design at Wine reúne cooperativas e associações do sector do vinho e do azeite, pequenos e grandes produtores de vinho, ateliers de design especializados e independentes, e agências generalistas.

Ainda sobre a edição de 2026, foi estreado o Prémio Especial Rótulo Histórico entregue ao Soalheiro Alvarinho Clássico, marca indissociável à casta Alvarinho, um dos pilares da região dos Vinhos Verdes. O objectivo desta distinção consiste em destacar rótulos com mais de 25 anos, preservados pelo tempo e reconhecíveis pelo consumidor. De acordo com o comunicado, “este prémio especial celebra um património imaterial que é território, paisagem e tradição ao entender o design e a identidade visual como central à cultura do vinho”.

 

MENIN: A arqueologia vínica do Douro

MENIN

Os vinhos velhos da categoria Tawny conhecem, actualmente, um momento de renascimento, tema que tem interessado a cada vez mais empresas e produtores. Tradicionalmente produzidos, sobretudo, na sub-região duriense do Baixo Corgo, os vinhos muito velhos foram, durante décadas, usados para compor os lotes dos tawnies de 30 e 40 anos, que eram as únicas […]

Os vinhos velhos da categoria Tawny conhecem, actualmente, um momento de renascimento, tema que tem interessado a cada vez mais empresas e produtores. Tradicionalmente produzidos, sobretudo, na sub-região duriense do Baixo Corgo, os vinhos muito velhos foram, durante décadas, usados para compor os lotes dos tawnies de 30 e 40 anos, que eram as únicas categorias onde poderiam ser utilizados. Não havia outra e todas as casas do sector guardavam religiosamente os seus stocks para esse fim. Tudo mudou quando, em 2010, se começaram a comercializar vinhos muito velhos que saíam fora das classificações oficiais existentes.

Foi assim que nomes, como a Taylor’s, a Quinta do Vallado, a Quinta do Crasto, a Wine & Soul, a Real Companhia Velha, a Symington, só para citar alguns, resolveram colocar no mercado, a preços que ninguém esperava, vinhos que, ou eram de lotes próprios (caso da Symington), ou tinham sido adquiridos a pequenos lavradores na região, sempre em quantidades muito limitadas. Levamos então cerca de 15 anos de busca e muitas foram as empresas que se interessaram por estes vinhos muito velhos, verdadeiras relíquias que perderiam todo o seu valor intrínseco ao serem usados apenas como parte integrante dos lotes dos tawnies com indicação de idade. O sector e o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) responderam a este movimento, criando novas categorias – 50 anos, 80 anos e VV Old –, sendo vinhos fora de qualquer data e que foram aprovados pelo IVDP, integrando, agora, o núcleo “arqueológico” do Vinho do Porto.

MENIN
Rubens Menin e D. Beatriz

Um Porto da era pré-filoxérica

A empresa Menin, já no mercado com vinhos DOC Douro e vinhos do Porto de categorias especiais, resolveu apresentar a sua relíquia, um Porto da era pré-filoxérica, quando as cepas eram plantadas em pé-franco, numa época em que eram outras as castas, bem diferentes das que, no presente, são conhecidas de todos os consumidores quando se fala do Douro. Estes são vinhos de celebração, daqueles que o senso comum aconselha a que sejam bebidos “a dedal”, em momentos solenes, de exaltação desta região mítica e cada vez mais referenciada no mundo, como sendo a terra dos tesouros, onde arqueólogos feitos enólogos, calcorreiam as adegas dos pequenos produtores à procura dos segredos mais bem guardados.

São vinhos de família, que passaram de geração em geração e, agora, apesar do preço elevado, estão à disposição dos apreciadores. Não chega descobrir cada um. É preciso moldar, afinar, polir, refrescar e fazer lotes, de modo a deixá-los expressar o original sem o alterar. E este trabalho de minúcia pode originar perfis diferentes, algo bem patente nos vários vinhos muito velhos já disponíveis no mercado.

Rubens Menin, que esteve presente no evento, é um empresário de sucesso no Brasil e não olhou a despesas para criar, na sub-região do Cima Corgo, o centro da sua operação. Para o efeito, adquiriu, em Gouvinhas, uma quinta com 42 hectares, a que se juntou a empresa Horta Osório e a Quinta Foz Ceira, que pertencia à empresa Bulas Cruz. Criou assim um património que se aproxima dos 200 hectares. Não compram nem vendem uvas, foi-nos dito, e só os vinhos muito velhos são objecto de aquisição na região. A propriedade da empresa Horta Osório situa-se no Baixo Corgo e tomou-se a opção de manter no mercado os vinhos H.O, em virtude da boa aceitação que já tinham adquirido.

MENIN
Manuel Saldanha, enólogo residente, e Tiago Alves de Sousa, enólogo consultor

Vinhos de vinha centenária

O momento de convívio foi também aproveitado para apresentar dois tintos topos de gama, Maria Fernanda e D. Beatriz, produzidos em homenagem, respectivamente, à filha e à mulher de Rubens Menin. São dois vinhos feitos a partir das uvas colhidas numa extensa parcela de vinha centenária, com mais de 50 castas (onde se inclui uma percentagem de uvas brancas) e dividida em sete blocos, em função da orientação solar e altitude. Cada parcela destas é vinificada separadamente, cabendo, depois, à equipa de enologia – Tiago Alves de Sousa (consultor) e Manuel Saldanha (enólogo residente) – a tarefa de elaborarem os lotes diferenciados.

Por norma, os vinhos tintos elaborados com uvas destas vinhas centenárias têm um carácter muito próprio: muitas das castas tintas usadas tinham pouca cor e o aroma que delas emana afasta-se muito do carácter de fruta viva e vermelha que hoje se consegue obter. Assim, provar estes vinhos obriga a uma atenção redobrada para se entender o carácter e o estilo que outrora – a palavra aqui deverá ser interpretada como “há mais de 100 anos” – fez as delícias dos nossos antepassados. Importa, por conseguinte, perceber muito mais do que comparar a actualidade com o passado.

Os stocks de vinhos do Porto vão dos 10 aos 50 anos. Por isso, vamos ter mais vinhos Menin no futuro. E também num futuro, que se pretende próximo, haverá uma aposta forte no enoturismo.

(Artigo publicado na edição de Abril de 2026)