13º Festival do Vinho do Douro Superior de 22 a 24 de Maio

festival

Entre 22 e 24 de Maio, Vila Nova de Foz Côa celebra o Douro Superior de copo na mão ou não fosse o grande destaque do 13º Festival do Vinho do Douro Superior, a ter lugar no pavilhão Expocôa, o 13º Concurso de Vinhos do Douro Superior. Este momento, realizado sob a direcção técnica de […]

Entre 22 e 24 de Maio, Vila Nova de Foz Côa celebra o Douro Superior de copo na mão ou não fosse o grande destaque do 13º Festival do Vinho do Douro Superior, a ter lugar no pavilhão Expocôa, o 13º Concurso de Vinhos do Douro Superior.

Este momento, realizado sob a direcção técnica de Luís Lopes, crítico de vinhos e coordenador de provas da Revista Grandes Escolhas, junta especialistas nacionais e internacionais, compradores, escanções, críticos, jornalistas e representantes de garrafeiras e wine bares. Alinhadas com esta matriz estão as três provas comentadas por dois críticos de vinhos da referida publicação. A primeira acontece logo na sexta-feira, após a inauguração da 13ª edição do Festival do Vinho do Douro Superior, por Pedro Duarte, Presidente do Município. Tem como tema “Grandes Tintos do Douro Superior” e está nas mãos de Paulo Pimenta, o mesmo interlocutor da prova de Domingo, intitulada “Vinho do Porto”. Entretanto, no Sábado, é a vez dos “Grandes Brancos do Douro Superior” serem esmiuçados por Rui Caroço dos Santos.

A grande novidade deste ano é o 1º Concurso de Azeites. Está agendado para a manhã de Sábado e a direcção técnica é assumida por Francisco Pavão, Presidente da APPITAD – Associação de Agricultores de Portugal. Mas este assunto não fica por aqui, até porque, à tarde, conduz a prova comentada “Azeites do Douro Superior e Trás-os-Montes. Já o anúncio dos resultados dos dois desafios está marcado para a tarde de Domingo.

Para além dos vinhos e do azeite, os três dias contam com a presença de produtos regionais. No contexto musical, na sexta-feira e no Sábado o cartaz é preenchido, respectivamente, pelo músico e compositor brasileiro Maninho e pelo músico portuense Pedro Abrunhosa. As atuações sonoras em palco são complementadas pela dupla de Dj’s John Diaz e Mc Miguel Teixeira, bem como pelo DJ Ricardo Reis.

festival

Escolha do Mercado Experience: Um prolongamento natural de um concurso único

experience

No dia 18 de Maio de 2026, a partir das 15h, apresenta-se em Lisboa o Escolha do Mercado Experience. O evento, exclusivo para profissionais, nasce como um prolongamento natural de um concurso – o Escolha do Mercado – já reconhecido por inverter a lógica tradicional: aqui, quem avalia são os decisores reais do mercado. Num […]

No dia 18 de Maio de 2026, a partir das 15h, apresenta-se em Lisboa o Escolha do Mercado Experience.

O evento, exclusivo para profissionais, nasce como um prolongamento natural de um concurso – o Escolha do Mercado – já reconhecido por inverter a lógica tradicional: aqui, quem avalia são os decisores reais do mercado.

Num conceito simples, mas de impacto concreto, o evento abre ao público profissional a possibilidade única de provar todos os vinhos — Brancos, Rosés e Espumantes — que estiveram a concurso anteriormente.

Da avaliação à experiência – Mais do que uma prova, pretende ser uma ferramenta de negócio.

Durante a manhã, o concurso – dentro das suas regras e regulamento – decorre com um painel único de jurados seleccionados entre compradores que definem tendências de consumo: restauração, hotelaria, distribuição e retalho especializado.

À tarde, o espaço transforma-se e, a partir das 15h, nasce o Escolha do Mercado Experience — uma mostra profissional onde o sector pode provar, comparar e identificar os vinhos a concurso, numa optica verdadeiramente de mercado.

Os vinhos presentes são na sua maioria vinhos em processo de lançamento, organizados segundo a lógica real de mercado (preço), num ambiente de prova livre, sem pressões nem constrangimentos, e com acesso imediato aos contactos comerciais do produtor/ distribuidor.

O concurso Escolha do Mercado distingue-se por colocar o mercado no centro da decisão.

O Experience leva essa lógica mais longe: transforma avaliação em contacto directo, reputação em relação comercial e um evento em negócio real.

Porque, no fim, não basta ser bom — é preciso fazer sentido no mercado. Aqui, a prova não é um fim — é o início de uma relação comercial.

 

Informação do evento:

Escolha do Mercado Experience

(Acesso: exclusivo a profissionais do sector do vinho e media)

Data: 18 de maio de 2026

Horário: 15h00 – 18h00

Local: Hotel Vila Galé Ópera, Lisboa

JOÃO TIQUE: O culto do vinho do Alentejo

João Tique

João Tique há muito que cultiva uma relação, direta e indiretamente, com o vinho. Inicialmente, através da indústria de preparação da cortiça e, mais tarde, o sector da distribuição, em Macau. O fascínio pelo mercado asiático determinou a criação da empresa Portuguese Topwines, com o objetivo de levar, para outras latitudes, vinhos produzidos. No âmbito […]

João Tique há muito que cultiva uma relação, direta e indiretamente, com o vinho. Inicialmente, através da indústria de preparação da cortiça e, mais tarde, o sector da distribuição, em Macau. O fascínio pelo mercado asiático determinou a criação da empresa Portuguese Topwines, com o objetivo de levar, para outras latitudes, vinhos produzidos. No âmbito deste negócio lidou, ao longo de alguns anos, com diversas especificidades, como seleção de referências vínicas nacionais, logística, fichas técnicas, compra e venda, e feiras internacionais em Hong Kong, Tóquio, Singapura e Xangai, em prol da produção nacional e com a audácia de colocar de parte o chamado mercado da saudade.

Ao regressar definitivamente ao Alentejo, João Tique decide avançar, em 2019, com o projeto próprio associado ao vinho produzido “como antigamente”, expressão repetida vezes sem conta. A comercialização começou um ano depois. São “vinhos que não se repetem”, garante, assumindo-se como o responsável pelas funções de viticultor de cinco hectares de vinha na Casa do Governador, na Quinta Alta da Queimada, propriedade localizado a norte da cidade de Évora. A composição varietal restringe-se a apenas três castas tintas: Alicante Bouschet, Syrah e Petit Verdot. “Ali só se consegue trabalhar à mão”, continua o produtor, referindo-se às tarefas que envolvem este pedaço de terra, no qual não entram herbicidas. A vindima decorre em outubro, à semelhança do que se fazia outrora. A finalidade consiste em “salvaguardar a qualidade e garantir a longevidade do vinho”, enaltece.

Produto de luxo

A vinificação das uvas tem lugar na Quinta da Plansel, produtor vitivinícola localizado no concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora. É feita “sem leveduras selecionadas, sem sulfuroso na fermentação e sem correções de acidez ou de cor”, com o intuito de cada vinho deixar transparecer “a expressão mais honesta da terra e do tempo”, declara João Tique, que assegura a própria enologia. “Fui aprendendo a fazer vinho de maneira artesanal”, revela, com os ensinamentos transmitidos pelo Professor Francisco Colaço do Rosário, figura incontornável no mundo dos vinhos alentejanos.

Tratando-se de um projeto pequeno, a produção divide-se num trio de referências, com nomes em latim, em homenagem à era romana da cidade de Évora: Suavis, Bellus e Cultus. O primeiro é atribuído a “vinhos simples, consensuais”, enquanto o segundo é dado aos que se querem “memoráveis”. A produção de ambos restringe-se às cubas de inox, uma vez que João Tique prefere “defender a pureza” das castas. Já os Cultus “primam pela finesse. Têm lá tudo e em nada são exagerados”, esclarece o produtor, e, como “antigamente, as barricas eram utilizadas em vinhos excecionais”, o uso destas é igualmente limitado a esta terceira gama. A produção anual varia muito e a maior de todas foi de 3.000 garrafas.

Mas vamos por partes, até porque a prova realizada num reconhecido restaurante em Lisboa incluiu as gamas Bellus e Cultus. Na degustação entrou o Bellus branco 2024, um DOC Alentejo de curtimenta feito a partir “das uvas do ti João Menino” vindimadas numa vinha de 60 anos, localizada no Redondo. “Tem tudo a ver com os vinhos alentejanos de antigamente”, frisa João Tique. O Bellus Petit Verdot rosé 2024, com uma cor reveladora de grande extração pelicular, também foi incluído na prova, assim como o Bellus tinto 2023, o Bellus Alicante Bouschet tinto 2023, o mais consensual, e o Bellus Syrah tinto 2024, com os taninos ainda bem presentes. Para finalizar, houve o Cultus Grande Reserva Petit Verdot tinto 2021, vinho engarrafado em 2025.

Para João Tique, os vinhos “são um produto de luxo” e “só devem entrar no mercado quando estão no ponto”. Eis os motivos pelos quais se foca, sobretudo, na restauração, mais concretamente em mais de 150 restaurantes do país. O fornecimento é feito por via direta em aproximadamente 90% dos casos.

(Artigo publicado na edição de Março de 2026)

Boeira compra Romariz Vinhos

Boeira

Seis décadas depois, a Quinta da Boeira e a Romariz Vinhos, criadas no início do século XIX por um emigrante português, voltam a unir-se na sequência da aquisição efetuada pela primeira. “A Romariz Vinhos traz consigo um reconhecido portefólio internacional de clientes, garantindo continuidade e expansão da presença global da Quinta da Boeira”, reforça Albino […]

Seis décadas depois, a Quinta da Boeira e a Romariz Vinhos, criadas no início do século XIX por um emigrante português, voltam a unir-se na sequência da aquisição efetuada pela primeira. “A Romariz Vinhos traz consigo um reconhecido portefólio internacional de clientes, garantindo continuidade e expansão da presença global da Quinta da Boeira”, reforça Albino Jorge, sócio-gerente da empresa. Ou seja, a compra permite a ampliação do portefólio da Quinta da Boeira e, ao mesmo tempo, actuação em diferentes segmentos do mercado de Vinho do Porto, através dos contactos mantidos com clientes tradicionais e da abertura de oportunidades em novos territórios.

Assim, a Romariz Vinhos, que firma presença em vários países, como Dinamarca, Espanha, Áustria, França, Bélgica, Holanda, Brasil, Estados Unidos e Austrália, está prestes a chegar a dois novos mercados, China e Nova Zelândia, pela mão da Boeira.

De acordo com o comunicado, esta operação “surge num momento de crescimento do sector do Vinho do Porto, especialmente na categoria premium e especiais, onde a Boeira actua”.

VINEADOURO: Vinhas antigas, a herança da terra

VINEADOURO

O local escolhido para o lançamento não é comum entre os produtores de vinho, mas fazia todo o sentido no contexto da Vineadouro. A apresentação teve lugar numa sala do Laboratory for Sustainable Land Use and Ecosystem Services (TERRA), do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Trata-se de um laboratório associado dedicado à produção de conhecimento científico e evidência socioecológica aplicada à gestão […]

O local escolhido para o lançamento não é comum entre os produtores de vinho, mas fazia todo o sentido no contexto da Vineadouro. A apresentação teve lugar numa sala do Laboratory for Sustainable Land Use and Ecosystem Services (TERRA), do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Trata-se de um laboratório associado dedicado à produção de conhecimento científico e evidência socioecológica aplicada à gestão sustentável do território.

A Quinta da Vineadouro localiza-se em Numão, uma pequena povoação com cerca de 200 habitantes, no concelho de Vila Nova de Foz Côa. A paisagem envolvente é marcada por vinhas e olivais, áreas de mato e pelo Castelo de Numão, implantado no topo de uma longa crista xistosa que, durante séculos, funcionou como ponto de controlo visual do território. Vista à distância, essa crista ondulante, rodeada por uma muralha, faz lembrar a silhueta de um dragão adormecido.

A presença da família Moutinho de Gouveia em Numão remonta ao século XVIII, estando documentada a produção de vinho na quinta desde o final do século XIX, com a conclusão da adega datada em 1890. O edifício funcionava como solar, com a família a residir no piso superior e a adega instalada no piso térreo, sendo as uvas da propriedade destinadas à produção de Vinho do Porto. Actualmente, é a sétima geração da família que explora os 140 hectares da propriedade e que, a partir de 2014, assumiu a recuperação do património edificado e das vinhas. A escala vitícola mantém-se reduzida: pouco mais de quatro hectares, distribuídos por quatro parcelas, onde a vinha mais jovem tem cerca de 50 anos e a mais velha é centenária.

Em 2019, nasceu a marca Vineadouro. O nome deriva da junção de duas palavras em latim: vinea, que significa “vinha”, e douro, que remete a algo precioso. Em 2020, foram lançados os primeiros vinhos: um tinto de 2017 e um branco de 2019. A enologia está a cargo de Manuel Malfeito Ferreira e Virgílio Loureiro, nomes com longa ligação ao ensino e à investigação vitivinícola e microbiológica, o que explica a abordagem técnica rigorosa. A consciência de sustentabilidade leva a aplicarem práticas ambientais sempre que possível, incluindo a implementação da gestão cuidadosa de água, energia e resíduos, promovendo a biodiversidade. Em setembro de 2024, abriram um pequeno hotel vínico, as Casas da Vinha, o primeiro EchoTech Resort sustentável dedicado ao enoturismo.

A família é representada pelo casal Teresa e Carlos Correia de Lacerda e as três filhas-gémeas. Apesar de todos terem outras profissões, estão profundamente envolvidos no projecto. Por este motivo, o lançamento do Vineadouro Grande Reserva é um acontecimento de grande importância para a família, reforçando a herança em prol da continuidade.

O vinho nasceu na parcela chamada Vinha da Coitadinha, plantada em socalcos tradicionais, a cerca de 450 metros de altitude. Trata-se de uma vinha centenária, constituída por castas misturadas, com presença de Rufete, Touriga Franca, Casculho, Tinta Amarela, Bastardo e Tinta Roriz, num conjunto mais vasto de variedades, difícil de quantificar com precisão. A fermentação decorreu em lagares de granito com leveduras indígenas; seguiu-se maceração prolongada e estágio de 18 meses em barricas novas de carvalho francês de tosta média. Foram produzidas cerca de 3.000 garrafas. Ao mesmo tempo foi apresentada a nova colheita do branco Vineadouro Vinhas Antigas, da mesma vinha, o qual inclui Síria, Folgazão, Gouveio, Trincadeira Branca, Malvasia Fina, Malvasia Rei, Rabigato e Carrega Branco. Vinificado só em inox para realçar a delicadeza das vinhas velhas.

(Artigo publicado na edição de Março de 2026)

 

A Organização do ano é…. Vignerons de Portugal

Vignerons

O nome vigneron identifica um produtor que apenas produz vinhos com as suas próprias uvas. Este termo, ainda que francês, vulgarizou-se por cá, uma vez que a palavra portuguesa correspondente é complicada e ainda diz pouco aos consumidores: vitivinicultor-engarrafador. Será esta a designação que engloba todo o produtor que não compra a terceiros, apenas laborando […]

O nome vigneron identifica um produtor que apenas produz vinhos com as suas próprias uvas. Este termo, ainda que francês, vulgarizou-se por cá, uma vez que a palavra portuguesa correspondente é complicada e ainda diz pouco aos consumidores: vitivinicultor-engarrafador. Será esta a designação que engloba todo o produtor que não compra a terceiros, apenas laborando as próprias uvas que transforma em vinho. Na linguagem dos apreciadores de vinho está bem estabelecida a noção de produtor-engarrafador, mas essa designação não obrigava ao uso exclusivo das próprias uvas, algo que acontece agora com os Vignerons de Portugal.

Até aqui não existia uma associação com estas características e esta acabou por surgir por iniciativa de Mário Sérgio, rosto da Quinta das Bágeiras que reuniu, em 2024, na sua adega, na Bairrada, a propósito dos 35 anos da empresa, um primeiro grupo e que, em finais de 2025, se apresentou ao público, em Lisboa. São dez produtores de seis regiões diferentes e todos assumem o compromisso de serem responsáveis por todos os processos de elaboração dos seus vinhos, da uva à garrafa. É essa a razão de ser do lema do grupo: “As nossas uvas, os nossos vinhos”.

Vignerons

Falamos de produtores que têm as suas propriedades em várias regiões, desde os Vinhos Verdes até ao Alentejo. O conceito é exigente, porque obriga a que cada um apenas utilize o que as suas uvas produzem. Mas se por um lado não é uma garantia absoluta da qualidade, por outro podemos ficar com a certeza que é a expressão das uvas e do trabalho, na vinha e na adega, deste ou aquele produtor. O vigneron sofre quando tem falta de uvas e tem de resolver o problema quando as tem em excesso, mas esse é o desígnio a que está obrigado. O hábito do consumidor adquirir vinhos na propriedade está a crescer, por conta do enoturismo e isso ajuda à melhor compreensão do conceito de vigneron: é aquele produtor, são aquelas vinhas e aquele vinho. É uma ligação a desenvolver e é isso que este grupo se propõe a fazer através de eventos anuais abertos ao público, uma vez em cada quinta. J.P.M.

O Prémio Organização do ano é patrocinado por: DIAM / Oenotech

(Artigo publicado na edição de Março de 2026)

Fladgate Family Wines declara 2024 um ano Vintage

Fladgate

No alinhamento da tradição da Fladgate Family Wines, hoje, Dia de São Jorge, a divisão de vinhos do grupo The Fladgate Partnership anuncia o lançamento de Vintage 2024 da Taylor’s (com duas edições, uma das quais o Taylor’s Sentinels Vintage Port), Croft e Fonseca. Trata-se da primeira declaração conjunta das três centenárias casas desde 2017. […]

No alinhamento da tradição da Fladgate Family Wines, hoje, Dia de São Jorge, a divisão de vinhos do grupo The Fladgate Partnership anuncia o lançamento de Vintage 2024 da Taylor’s (com duas edições, uma das quais o Taylor’s Sentinels Vintage Port), Croft e Fonseca. Trata-se da primeira declaração conjunta das três centenárias casas desde 2017. De acordo com o comunicado, este acto representa “um momento histórico, não apenas pela convergência entre Taylor’s, Croft e Fonseca, mas sobretudo porque representa a mais limitada declaração de sempre destas casas”.

Adrian Bridge, Director-Geral da Fladgate Family Wines, sublinha a “qualidade excecional” e a “incrível profundidade e complexidade” do quarteto de vinhos do Porto Vintage, cujos números representam menos quantidade. Mas a “qualidade compensa a matemática”, assegura, em comunicado, David Guimaraens, director de enologia da Fladgate Family Wines, até porque “declarar um ano clássico é uma enorme responsabilidade”.

 

Como é do conhecimento dos entendidos nesta matéria, cada casa se afirma através de uma expressão muito própria do seu terroir duriense. Em comunicado, no Taylor’s Vintage 2024, lote produzido a partir das uvas das vinhas da Quinta de Vargellas, da Quinta da Terra Feita e da Quinta de Junco, “os taninos firmes e musculados são equilibrados, com sabores de fruta vivos e delicadas notas herbais, resultando num vinho vibrante e complexo, com a elegância e a precisão típicas”. Já o Taylor’s Sentinels Vintage Port 2024, elaborado a partir das uvas das propriedades históricas no Douro, revela um “perfil mais direto e generoso”. O Croft Vintage 2024, cujas base é feita com uvas da Quinta da Roêda, denota “equilíbrio entre opulência e contenção”, enquanto o Fonseca Vintage 2024, lote de uvas vindimadas na Quinta do Panascal, “revela a sua habitual profundidade, intensidade e generosidade de fruta, conjugada com uma mineralidade muito apelativa e um final fresco”.

Os Vintage 2024 da Taylor’s, Croft e Fonseca vão para o mercado em setembro de 2026, com distribuição exclusiva da Heritage Wines.

 

O Prémio de Viticultura do ano é….Lusovini

Lusovini

O projeto desenvolvido pela Lusovini em torno do estudo e recuperação de castas autóctones do Dão é um bom exemplo da ligação profunda entre viticultura, conhecimento adquirido e visão estratégica. Esta iniciativa nasce de uma inquietação antiga de Casimiro Gomes, fundador da Lusovini, e da constatação de que muitas castas históricas da região existiam apenas […]

O projeto desenvolvido pela Lusovini em torno do estudo e recuperação de castas autóctones do Dão é um bom exemplo da ligação profunda entre viticultura, conhecimento adquirido e visão estratégica. Esta iniciativa nasce de uma inquietação antiga de Casimiro Gomes, fundador da Lusovini, e da constatação de que muitas castas históricas da região existiam apenas na memória dos viticultores, sem caracterização agronómica consistente nem expressão enológica que permitisse avaliar o seu real potencial. Desde os anos 1980, quando fundou a empresa no Dão, ouviu falar repetidamente dessas variedades quase desaparecidas. Em vez de esperar por estudos oficiais, decidiu avançar e criar as condições para as conhecer no terreno.

A oportunidade surgiu em 2015, com a aquisição da Vinha da Fidalga, em Carregal do Sal, uma propriedade com origem no século XVIII. Instalou-se ali uma vinha experimental de cerca de 3,5 hectares dedicada a castas minoritárias e em risco de extinção, tendo envolvido, inicialmente, 22 castas, com aproximadamente mil plantas de cada uma. Ao longo dos anos, o acompanhamento rigoroso em vinha permitiu observar o ciclo vegetativo, a resistência a doenças, a adaptação ao solo e ao clima e definir práticas de condução adequadas, num contexto em que praticamente não existia informação técnica disponível.

Lusovini

Deste trabalho resultaram 12 castas mantidas em estudo, entre as quais Barcelo, Uva Cão, Douradinha, Luzidio, Malvasia Preta, Monvedro, entre outras pouco conhecidas. Entre 2020 e 2023 realizaram-se microvinificações, com uma abordagem enológica deliberadamente neutra, pensada para revelar as uvas no seu estado mais direto. O objetivo foi gerar conhecimento: compreender perfis sensoriais, níveis de acidez, equilíbrio e potencial de evolução. Nos últimos dois anos foram apresentados alguns dos vinhos, já na vertente comercial, mas em edições muito limitadas.

Este investimento excede a dimensão patrimonial. Ao criar conhecimento vitícola consistente, a Lusovini contribui para o seu próprio futuro e para o futuro da região, assegurando que estas castas deixam de ser apenas memória, para voltarem a ter um papel ativo na viticultura de amanhã. V.Z.

O Prémio Viticultura do ano é patrocinado por: Vieirinox

(Artigo publicado na edição de Março de 2026)