Editorial: My precious

Editorial

Editorial da edição nrº 104 (Dezembro de 2025) Serão as festividades o momento certo para abrir grandes vinhos? Chega a época festiva e instala-se o habitual desfile: produtores com “sugestões imperdíveis”, supermercados e garrafeiras com caixas de “oportunidades únicas” e revistas a apresentarem os vinhos mais pontuados. E lá vamos nós revistar a garrafeira, à […]

Editorial da edição nrº 104 (Dezembro de 2025)

Serão as festividades o momento certo para abrir grandes vinhos?

Chega a época festiva e instala-se o habitual desfile: produtores com “sugestões imperdíveis”, supermercados e garrafeiras com caixas de “oportunidades únicas” e revistas a apresentarem os vinhos mais pontuados. E lá vamos nós revistar a garrafeira, à procura daquele tesouro esquecido que, supostamente, só deve ser aberto quando os astros se alinham. É grande a tentação de provar, finalmente, aquela garrafa rara, guardada cuidadosamente durante anos à espera do momento perfeito.

Ora o que pode acontecer. Entre confirmar se há guardanapos suficientes e se a carne está no ponto, resolver as últimas tarefas e responder às dúvidas existenciais das crianças sobre o Pai Natal, é difícil controlar a temperatura a que o vinho é servido e, sobretudo, a que é realmente consumido. A conversa anima-se, soltam-se as gargalhadas e o vinho vai aquecenddo no copo, a não ser que festeje o Natal num convento medieval, onde a temperatura ambiente não ultrapassa 12-14ºC.

A azáfama de uma festa raramente permite prestar a atenção desejada ao que está no copo. Um vinho mítico pode acabar por perder todo o protagonismo e, quando damos por ele, resta apenas um gole no fundo do copo e nem nos lembramos bem de como era. Eu própria caí nesse erro há muitos anos, num almoço em minha casa: tinha amigos de Moscovo a visitar-me e, por coincidência, os meus pais estavam de férias em Portugal. Os amigos apareceram com uma garrafa de Quinta do Ribeirinho, de Luís Pato (compraram o vinho mais caro que havia numa loja) e eu coloquei-a na mesa. No turbilhão do almoço, mal tive oportunidade de parar e desfrutar o vinho. Acabei por ter de marcar um novo encontro com este grande Baga para o conhecer como merecia. Valeu muito a pena, mas isto dará uma outra história.

Desde então, estou convencida que um vinho excepcional deve ter um momento próprio, só para ele, fora de qualquer outro contexto.

Este ano, vi, na Netflix, uma minissérie norueguesa chamada La Palma. Retrata um desastre natural na ilha com o mesmo nome, no arquipélago das Canárias: um sismo que desencadeia um tsunami e uma erupção vulcânica. Há um momento particularmente marcante, pouco antes de um tsunami devastar o arquipélago, em que Álvaro Pérez, o chefe do observatório sísmico (interpretado por Jorge de Juan), partilha com um colega uma garrafa de Pingus 2013, que lhe foi oferecido no aniversário e ficou guardado. “As pessoas acham que precisam de uma ocasião especial para abrir um grande vinho. Estão enganadas. O vinho é a ocasião”, diz ele e eu subscrevo por completo. Na iminência de morrer na catástrofe, os dois saboreiam o vinho, o último prazer genuíno no meio do dramatismo. E, numa das cenas finais, os sismólogos, em fatos à prova de fogo, aproximam-se da cratera em erupção. Um deles leva a garrafa para acabar o vinho e ambos desaparecem na lava, a desfrutar o derradeiro gole de Pingus.

Não é preciso esperar pelo fim do mundo para abrir uma tal garrafa, mas também não vale a pena desperdiçá-la numa festa agitada. Para uma celebração em casa, costumo abrir vinhos que conheço bem e que garantidamente me darão prazer, mesmo quando a atenção está dividida, deixando os mais raros e especiais que não conheço para momentos em que realmente posso apreciá-los. Porque estes não precisam de um motivo especial, eles próprios o são.

Valéria Zeferino

Cork Supply com certificação B Corp

Cork Supply

A norte-americana Cork Supply, fundada em 1981 e com sede de Investigação & Desenvolvimento implementada em Portugal, obteve a certificação B Corp. Atribuída pela organização sem fins lucrativos B Lab, esta declaração formal destaca o reconhecimento desta empresa no âmbito da responsabilidade corporativa. Assim, para além das boas práticas nas antigas florestas ibéricas de sobreiros, […]

A norte-americana Cork Supply, fundada em 1981 e com sede de Investigação & Desenvolvimento implementada em Portugal, obteve a certificação B Corp. Atribuída pela organização sem fins lucrativos B Lab, esta declaração formal destaca o reconhecimento desta empresa no âmbito da responsabilidade corporativa. Assim, para além das boas práticas nas antigas florestas ibéricas de sobreiros, ganha destaque pela ética, graças ao trabalho efetuado com artesãos especializados nas unidades de produção.

Paralelamente, é dado destaque às parcerias de longa duração com proprietários florestais, trabalho que deu azo ao desenvolvimento de programas de gestão e reabilitação florestal, por forma a promover a qualidade da cortiça e, ao mesmo tempo, apoiar as economias locais.

“O nosso propósito sempre foi mais do que apenas negócio. Vemos a sustentabilidade como um dever para com as nossas equipas, comunidades e para com o planeta, criando valor a longo prazo para todos. Esta certificação é um reconhecimento dos valores que moldaram o nosso grupo desde a sua origem”, afirma o fundador e Presidente da Cork Supply, Jochen Michalski.

Por esse motivo, a mesma dedicação que resultou na obtenção da certificação B Corp é extensível ao Harv 81 Group – grupo centrado na especialização em cápsulas de madeira, bartops para espirituosos, barris e alternativas de carvalho, e cujo nome é inspirado no ano em que Michalski fundou a Cork Supply e se tornou importador de rolhas no norte da Califórnia –, que alcançou 89,3 pontos, número superior ao exigido para a certificação B Corp.

Já na área de investigação & desenvolvimento, o objectivo consiste em “produzir as rolhas mais consistentes, preservando, simultaneamente, recursos essenciais como a cortiça e a água”, de acordo com o comunicado. Este investimento permitiu desenvolver uma acção circular, em que os subprodutos da produção de rolhas naturais são destinados ao fabrico de rolhas técnicas, enquanto o pó de cortiça é recolhido nas unidades industriais, para alimentar as caldeiras. Mas sem descurar a parte da sustentabilidade, seja ambiental, seja social, por forma a promover a economia local.

 

Nova temporada no Esporão

esporão

José Luís Moreira da Silva, que está há 10 anos no Esporão, é o novo CEO da empresa, cargo a ocupar a partir de 1 de Janeiro de 2026. Esta nomeação assinala a nova era, que, de acordo com o comunicado, vai dar “continuidade dos valores, da cultura e da visão que têm guiado o […]

José Luís Moreira da Silva, que está há 10 anos no Esporão, é o novo CEO da empresa, cargo a ocupar a partir de 1 de Janeiro de 2026. Esta nomeação assinala a nova era, que, de acordo com o comunicado, vai dar “continuidade dos valores, da cultura e da visão que têm guiado o Esporão ao longo das últimas cinco décadas”.

“A nomeação do José Luís marca um momento importante para o futuro do Esporão. A sua competência, visão e profundo entendimento da nossa cultura dão-nos total confiança na liderança que irá exercer neste novo ciclo. Estou certo de que continuará a criar valor e a inspirar toda a equipa”, declara João Roquette, Presidente do Conselho de Administração do Esporão. Por sua vez, José Luís Moreira da Silva afirma o seguinte: “é um enorme privilégio e uma grande responsabilidade liderar o Esporão, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pelo João.”

Recordamos que José Luís Moreira da Silva iniciou funções em 2015 como gestor de enologia da Quinta dos Murças. O empenho determinou a nomeação para o cargo de COO, integrando, desde 2022, o Conselho de Administração do Esporão. João Roquette continuará como Presidente do Conselho de Administração não executivo.

Grupo Abegoaria com nova Directora de Marketing

Abegoaria

Márcia Farinha assume o cargo de Diretora de Marketing do Grupo Abegoaria, com a missão de assumir o desafio de reforçar a estratégia de crescimento e o posicionamento das marcas de vinhos da empresa. O objectivo deste compromisso estende-se à aposta reforçada a respeito da comunicação e do marketing, no sentido de expandir o nome […]

Márcia Farinha assume o cargo de Diretora de Marketing do Grupo Abegoaria, com a missão de assumir o desafio de reforçar a estratégia de crescimento e o posicionamento das marcas de vinhos da empresa. O objectivo deste compromisso estende-se à aposta reforçada a respeito da comunicação e do marketing, no sentido de expandir o nome do produtor no mercado nacional como internacional.

Sobre esta boa nova, Márcia Farinha afirma: “é a oportunidade de contribuir de forma decisiva para o crescimento de um dos players mais relevantes do setor, que valoriza a qualidade, a inovação e o compromisso com as pessoas. Encaro este desafio com entusiasmo, motivação e um forte sentido de missão: reforçar a presença das nossas marcas e potenciar o crescimento sustentável de um grupo que é referência no panorama vitivinícola português.”

O percurso de Márcia Farinha inclui a Quinta da Alorna, na região do Tejo, a Quinta de Pancas, no território dos Vinhos de Lisboa, bem como a Herdade das Servas e da Adega de Borba, ambas no Alentejo.

Sobre o Grupo Abegoaria, é de destacar que se trata de um dos cinco maiores produtores em Portugal, com vinhos nas regiões de Vinhos Verdes, Douro, Dão, Tejo, Lisboa, Beira Interior, Alentejo, Algarve e Açores.

 

Anadia recebe a 1ª competição ibérica de escanções

Anadia

Entre os dias 26 e 29 de Novembro de 2025, a Anadia, na região da Bairrada, é a anfitriã da 1ª edição do Iberian Sommelier Contest. Trata-se de um encontro que reúne os cinco melhores profissionais do vinho dos dois países vizinhos, Portugal e Espanha, distribuídos por igual número entre os dois países da Península […]

Entre os dias 26 e 29 de Novembro de 2025, a Anadia, na região da Bairrada, é a anfitriã da 1ª edição do Iberian Sommelier Contest. Trata-se de um encontro que reúne os cinco melhores profissionais do vinho dos dois países vizinhos, Portugal e Espanha, distribuídos por igual número entre os dois países da Península Ibérica. Os participantes foram previamente selecionados através dos respetivos concursos nacionais. O objectivo é, por um lado, eleger o “Melhor Sommelier Ibérico 2025”, com base na valorização do conhecimento, da comunicação, do serviço e da capacidade de liderar experiências enogastronómicas de alto nível, e, por outro lado, enfatizar a excelência profissional, reforçar o intercâmbio de conhecimento e enaltecer a visibilidade das regiões vitivinícolas dos dois países.

Tiago Paula, Presidente da Associação dos Escanções de Portugal, “o Iberian Sommelier Contest reforça a ambição da classe portuguesa dos escanções: competir ao mais alto nível e afirmar a nossa identidade profissional. Mas mais do que um concurso, é um espaço de partilha, crescimento e valorização do talento, que promove formação contínua e contribui para elevar a imagem de Portugal como referência internacional no serviço de vinho.”

O programa do Iberian Sommelier Contest inclui, ao longo dos quatro dias, competição, formação, provas de vinhos e gastronomia regional, envolvendo produtores, entidades do sector e profissionais. De acordo com o alinhamento, o dia 27 de Novembro fica marcado pela Feira de Vinhos aberta ao público e pela abertura do Bar dos Sommeliers. Sobre o dia 28 de Novembro, destacam-se a realização de provas teóricas e organolépticas, no Museu do Vinho da Bairrada, e as provas práticas de serviço. Além das masterclasses de vinhos da Bairrada e da Beira Interior, o dia 29 de Novembro fica marcado pelo momento-chave da revelação do “Melhor Sommelier Ibérico 2025”, no Cineteatro de Anadia, e pelo jantar de gala que assinala o desfecho deste acontecimento.

O evento é coorganizado pela Associação dos Escanções de Portugal e pela Unión Española de Sumilleres, e conta com o patrocínio principal do Município de Anadia, bem como com o apoio do Turismo Centro de Portugal e da Comissão Vitivinícola da Bairrada.

Os melhores vinhos e espumantes da Bairrada

bairrada

Foram 32 as referências distinguidas na edição de 2025 do Concurso de Vinhos e Espumantes da Comissão Vitivinícola da Bairrada que se dividiram em 25 medalhas de Ouro e sete de Prata. O grande destaque desta competição vai para Pedra Só Super-Reserva, de Idálio de Oliveira Estanislau, laureado com os títulos de ‘Melhor Vinho do […]

Foram 32 as referências distinguidas na edição de 2025 do Concurso de Vinhos e Espumantes da Comissão Vitivinícola da Bairrada que se dividiram em 25 medalhas de Ouro e sete de Prata. O grande destaque desta competição vai para Pedra Só Super-Reserva, de Idálio de Oliveira Estanislau, laureado com os títulos de ‘Melhor Vinho do Concurso’ e ‘Melhor Espumante’.

Nos vinhos brancos, esteve em alta o Pé de Ganso Reserva 2021, da Sociedade Agrícola Quatro Cravos, com medalha de Ouro e a distinção de ‘Melhor Vinho Branco’, enquanto o QMF Blush, da Quinta da Mata Fidalga, foi agraciado com medalha de Prata e na categoria de ‘Melhor Rosé’. Em relação aos vinhos tintos, a evidência maior foi a da Adega de Cantanhede, com o Marquês de Marialva UNOAKED Reserva 2015, que arrecadou medalha de Ouro e o prémio de ‘Melhor Tinto’. Na lista de espumantes Baga Bairrada, ganhou o Montanha Real Baga Bairrada, das Caves da Montanha. Já o ‘Melhor Vinho da Sub-Região Terras de Sicó’ foi parar às mãos de Alberto da Costa Almeida, pelo Vinha das Penicas 2021.

A edição 2025 do Concurso de Vinhos e Espumantes da Bairrada contou com a 138 amostras de produtores da Beira Atlântico e Bairrada – mais seis vinhos que no ano anterior –, as quais foram submetidas a prova cega feita por um painel constituído por 15 jurados composto, entre enólogos, jornalistas e escanções. A cerimónia de entrega de prémios desta competição decorreu no Grande Hotel do Luso, na Mealhada.

Lista de Premiados

Grande vencedor

Espumante Pedra Só Super-Reserva 2021 (Idálio de Oliveira Estanislau)

Brancos

Melhor Vinho Branco

Pé de Ganso Reserva branco 2021 (Sociedade Agrícola Quatro Cravos, Lda.)

Melhor Vinho da Sub-Região Terras de Sicó

Vinha das Penicas branco 2021 (Alberto Costa de Almeida)

Medalhas de Ouro

Original Reserva branco 2022 (Sociedade Agrícola Quatro Cravos, Lda.)

Vinha das Penicas branco 2021 (Alberto Costa de Almeida)

Pé de Ganso Reserva branco 2021 (Sociedade Agrícola Quatro Cravos, Lda.)

Rosés

Melhor Rosé e Medalha de Prata

QMF Blush rosé 2024 (Quinta da Mata Fidalga – Agricultura e Turismo Rural, Lda.)

Tintos

Melhor Tinto Marquês de Marialva Unoaked Reserva tinto 2015 (Adega Cooperativa de Cantanhede, C.R.L.)

Medalha de Ouro

Pedra Lascada Reserva tinto 2022 (Isabel Maria de Jesus Pessoa Branco)

Talhão dos Manos Grande Reserva tinto 2020 (Quinta do Ortigão – Sociedade Agro-Turística, Lda.)

Quinta da Laboeira Grande Escolha tinto 2021 (Alberto Silva Marques)

Bacalhôa Clássico tinto 2019 (Aliança – Vinhos de Portugal, S.A.)

PGA Grande Reserva tinto 2017 (Pedro Guilherme Oliveira Santos Andrade)

Quinta Dos Abibes Sublime tinto 2019 (Quinta dos Abibes Vitivinicultura Lda.)

Quinta d´Aguieira tinto 2020 (Aveleda, S.A.)

Marquês de Marialva Unoaked Reserva tinto 2015 (Adega Cooperativa de Cantanhede, C.R.L.)

Quinta do Poço do Lobo tinto 1991 (Caves São João – Sociedade dos Vinhos Irmãos Unidos, Lda.)

Medalhas de Prata

Ti Aniano Reserva tinto 2023 (Manuel Alves Ribeiro de Almeida & Filhos, Lda.)

Casa de Sarmento Grande Escolha tinto 2020 (Casa de Sarmento, S.A.)

Quinta dos Abibes Reserva tinto 2019 (Quinta dos Abibes Vitivinicultura, Lda.)

97 Anos de História tinto 2014 (Caves São João – Sociedade dos Vinhos Irmãos Unidos, Lda.)

Espumantes

Melhor Espumante

Pedra Só Super Reserva branco Bruto 2021 (Idálio de Oliveira Estanislau)

Melhor Espumante Baga Bairrada

Montanha Real Baga Bairrada Grande Reserva Bruto 2018 (Caves da Montanha – A. Henriques S.A.)

Medalha de Ouro

Ortigão branco Bruto 2020 (Quinta do Ortigão – Sociedade Agro-Turística, Lda.)

Colinas Reserva branco Bruto 2020 (Quinta Colinas de São Lourenço, Lda.)

Lagoa Velha branco Bruto 2020 (Quinta da Lagoa Velha, Unipessoal Lda.)

Rama Branco bruto 2021 (J. Rama, Lda)

Todos by Osvaldo Amado branco 2020 (Casa dos Amados – Vinhos de Portugal, Lda.)

Unum Primavera Super Reserva branco Bruto Natural 2011 (Caves Primavera, Lda.)

Encontro branco Extra Bruto 2017 (Quinta do Encontro Sociedade Vitivinícola, Lda.)

Homenagem a Luiz Costa branco Bruto Natural 2019 (Caves São João – Sociedade dos Vinhos Irmãos Unidos, Lda.)

Raríssimo by Osvaldo Amado branco 2007 (Casa dos Amados – Vinhos de Portugal, Lda.)

Pedra Só Super Reserva branco Bruto 2021 (Idálio de Oliveira Estanislau)

Casa de Sarmento Baga Bairrada branco Bruto 2019 (Casa de Sarmento, S.A.)

Borlido Baga Bairrada Branco 2021 (Borlido, Lda.)

Montanha Real Baga Bairrada Grande Reserva Bruto 2018 (Caves da Montanha –  A. Henriques S.A.)

Medalhas de Prata

Colinas Reserva rosé Bruto 2017 (Quinta Colinas de São Lourenço Lda.)

Quinta dos Abibes Reserva branco Bruto 2023 (Quinta dos Abibes Vitivinicultura, Lda.)

Milheiro Selas branco Brut Nature 2019 (António Assunção Coelho Selas)

Rama Baga Bairrada branco Bruto 2022 (J. Rama, Lda.)

 

Alentejo, referência mundial do Vinho de Talha

Alentejo

Com cerca de 50 produtores provenientes de seis países e 1850 visitantes, a 8ª edição do Amphora Wine Day voltou a afirmar que o Alentejo é o palco mundial do Vinho de Talha. O evento decorreu, uma vez mais, na Herdade do Rocim, propriedade vinhateira localizada no concelho de Cuba, onde reuniu jornalistas, especialistas e […]

Com cerca de 50 produtores provenientes de seis países e 1850 visitantes, a 8ª edição do Amphora Wine Day voltou a afirmar que o Alentejo é o palco mundial do Vinho de Talha. O evento decorreu, uma vez mais, na Herdade do Rocim, propriedade vinhateira localizada no concelho de Cuba, onde reuniu jornalistas, especialistas e apaixonados pelo vinho, em particular por esta tradição milenar.

Um dos momentos altos foi o Amphora Wine Talks. A conversa, moderada pelo especialista de vinhos Nuno Oliveira Garcia, incidiu no tema “Da Argila ao Copo: como promover o Vinho de Talha”. Jamie Goode, nome incontornável da crítica internacional, Jenia Nikolaichuk, Wine Expert, Agathe Plantade, Wine Manager, e João Soares, produtor da Herdade da Malhadinha, em Albernôa, Beja, e da Quinta da Teixinha, na serra de São Mamede, Portalegre. Fomentar a confiança, criar cultura, reforçar a identidade alentejana e promover a autenticidade foram alguns dos aspetos debatidos ao longo deste momento.

Face a este cenário, Pedro Ribeiro, CEO e enólogo da Herdade do Rocim, e mentor do evento, declara: “o que começou no Alentejo, já não pertence apenas ao Alentejo. Pertence ao mundo.” A afirmação resulta do desafio manifestado por vários produtores, a par com a crescente afluência de uma comunidade internacional unida pela paixão pela vinificação em ânfora.

Este interesse crescente pelo Vinho de Talha tem vindo a refletir-se nas exportações. Em 2025, registou um crescimento de 22% nas exportações, com especial incremento na Ucrânia, onde o Rocim já marca presença. Estados Unidos, Alemanha, Polónia e Japão reforçam, igualmente, a aposta nos vinhos de ânfora.

Alentejo

Editorial: Renovar

editorial

Editorial da edição nrº 103 (Novembro de 2025)   A renovação é essencial ao desenvolvimento e à própria sobrevivência das organizações. O que é válido para o mundo académico ou empresarial, é-o mais ainda para os media em geral e para a imprensa em particular, onde novas e diferentes formas de experienciar e comunicar o […]

Editorial da edição nrº 103 (Novembro de 2025)

 

A renovação é essencial ao desenvolvimento e à própria sobrevivência das organizações. O que é válido para o mundo académico ou empresarial, é-o mais ainda para os media em geral e para a imprensa em particular, onde novas e diferentes formas de experienciar e comunicar o mundo são condição de sucesso.

A entrada, no passado mês de julho, da jornalista Patrícia Serrado para a chefia de redacção da Grandes Escolhas, marca o início de um processo de renovação que teve, em outubro, um outro momento determinante, com a nomeação de Valéria Zeferino, colaboradora desta revista desde a primeira hora, para sub-directora. São duas profissionais de grande gabarito, que encaram com entusiasmo o desafio que têm pela frente e que, para o superar, contam com um quadro de colaboradores sem paralelo em termos de experiência e conhecimento da temática do vinho. Pretende-se, assim, uma transição suave, sem sobressaltos, que conduza a uma revista mais abrangente em termos de público-alvo, dando resposta às necessidades de informação quer dos leitores mais clássicos, quer daqueles que privilegiam o ecrã do telemóvel como transmissor de conteúdos.

Fui contratado como director de publicações periódicas aos 23 anos, ainda a concluir a universidade. Durante cinco anos dirigi, simultaneamente, revistas especializadas em diversas áreas (com destaque para informática e automóveis) até lançar a Revista de Vinhos em 1989, nascendo aí uma paixão pelo tema, que me obrigou a abandonar tudo o resto. Com 64 anos de idade, atingi 41 anos de direcção ininterrupta de revistas mensais. Acho eu, acham a minha família e os meus amigos, que já é suficiente. Quando, dentro de alguns meses, o processo de transição estiver concluído na Grandes Escolhas, poderei fazer finalmente o que há muito ambiciono: escrever e falar sobre o vinho e o seu mundo, sem qualquer outra responsabilidade, além daquela que o rigor e a consciência me ditam.

Luís Lopes

 

Pretende-se uma transição suave, sem sobressaltos, que conduza a uma revista mais abrangente em termos de público-alvo, dando resposta às necessidades quer dos leitores mais clássicos quer daqueles que privilegiam o ecrã do telemóvel como transmissor de conteúdos.

 

Valeria Zeferino

 

Com origens moscovitas, passei quase metade da minha vida em Portugal. Sou formada em Gestão e trabalhei nessa área até descobrir o melhor que este país tem: o vinho. E, quando gosto de alguma coisa, dedico-me profundamente ao tema. Estou ligada ao mundo dos vinhos desde 2012 e, com a primeira edição da Grandes Escolhas, em maio de 2017, comecei a minha colaboração com a revista. Antes disso, era assinante e fiel leitora da Revista de Vinhos, de onde toda a equipa saiu naquela altura, para fundar um novo projeto.

Tenho a sorte de trabalhar com colegas que admiro e com quem aprendi muito: João Paulo Martins, o grande guru e “papa dos vinhos”, com a sua visão crítica e impressionante consistência na prova; Nuno Oliveira Garcia, com nariz apurado e afiado sentido de humor; e Luís Antunes, que escreve maravilhosamente bem. E, claro, Luís Lopes, que considero o meu mentor e tem sido a minha referência em tudo o que faço profissionalmente.

Sem estas pessoas, eu não seria quem sou hoje. Mas também o sou porque nunca deixei de aprender. Tirei o Diploma da WSET, em Londres, que me abriu horizontes. Mas quis ir mais a fundo. Fiz o Mestrado em Viticultura e Enologia no ISA. A área a que mais me dedico é a análise sensorial, tema da minha tese, que espero concluir em breve.

O desafio é grande. Enorme, mesmo. E farei tudo para estar à altura. Nunca serei como o Luís Lopes – é impossível. Serei, sim, diferente, mas trarei as minhas qualidades, competências e dedicação à revista e aos nossos leitores, para que as escolhas sempre sejam grandes. Este é o meu novo começo, que, no fundo, é uma continuidade do caminho que me trouxe até aqui. Valéria Zeferino