Kopke sobe a parada

Kopke vinho do Porto

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A mais antiga empresa de vinho do Porto em actividade é a Kopke, que foi fundada em 1638. Leram bem, 1638. Foi no século XVII, bem antes de a região ser demarcada, são quase 400 anos. Integrada no grupo Sogevinus, que vem há algum tempo ajustando o posicionamento das suas marcas, a Kopke afirma-se agora como uma pedra de toque na estratégia do grupo para chegar aos lugares cimeiros dos vinhos não fortificados do Douro.

Texto: Luís Antunes                     

Crédito nas fotos: Sogevinus

Vejamos em primeiro lugar o significado profundo da data 1638. A região do Douro só seria demarcada em 1756, mais de 100 anos depois. Os grandes vinhos de Bordeaux, que têm o seu epítome nos Premiers Crus do Médoc, só tiveram essa classificação em 1855, 200 anos mais tarde. Aliás, é conhecida a história do Barão Philippe de Rothschild, proprietário do Château Mouton-Rotschild, que após uma classificação original de Deuxième Cru, conseguiu em 1973 ser promovido a Premier. Quando perguntaram ao Barão sobre as razões deste sucesso único (até hoje), ele respondeu: “o que custa são os primeiros 100 anos.”

Ora, e os primeiros 400? Faltam apenas duas décadas para lá chegar, mas fazendo um fast-forward sobre os primeiros 350 anos, chegamos ao Douro moderno. O grupo Sogevinus define-se por volta da viragem do milénio em torno das suas marcas: Kopke, Barros, Cálem e Burmester. Marcas históricas no Vinho do Porto, marcas onde se dão os primeiros passos nos vinhos de mesa Douro DOC. Após um enredo de bancos, fusões, intervenções etc., a propriedade é hoje do banco espanhol Abanca, parte do grupo Banesco, do venezuelano de origem espanhola Juan Carlos Escotet. A direcção-geral está desde Abril de 2018 entregue a Sérgio Marly Caminal, espanhol com importante trajecto profissional na área das bebidas. Os investimentos dos últimos 20 anos mostram o fascínio que o Vinho do Porto exerce, o respeito que inspira, e a aposta no futuro que a liderança do grupo afirma. O grupo, que é líder de mercado em Portugal em volume e em valor, exporta mais de metade da sua produção anual de cerca de 8 milhões de garrafas (7 milhões são de Porto). A aposta incluiu investimentos significativos no sector do turismo, com as caves de Gaia a serem renovadas, e a compra ou modernização das suas quintas no vale do Douro. A área total de vinha própria é hoje de cerca de 250 hectares.

Todo este processo foi pacato e seguro, mas subitamente foram feitas jogadas decisivas que afirmam um reposicionamento mais ambicioso. Entre elas, a compra da Quinta da Boavista ao grupo Lima-Smith. Uma quinta histórica do Douro, que chegou a pertencer ao Barão de Forrester, e de onde saem hoje vinhos tintos de classe mundial. A consultoria do enólogo francês Jean-Claude Berrouet vai manter-se, em colaboração com a equipa de enologia DOC Douro da Sogevinus, liderada por Ricardo Macedo.

Esta equipa de enologia trabalha em estreita colaboração com a de viticultura, sob a responsabilidade de Márcio Nóbrega. Juntos, exploram a potencialidade das castas e dos locais onde elas mais brilham. A experimentação em pequenas vinificações deu origem a uma série de vinhos a que chamaram Winemaker’s Collection. Este ensaio de descoberta dos terroirs de origem dos vinhos vai assim sendo conhecido e divulgado, aproveitando as experiências mais bem sucedidas para incorporar o portefólio dos vinhos do grupo.

Kopke vinho do porto
A Quinta do Bairro, no Baixo Corgo, foi adquirida em 2011 e reenxertada em branco.

Winemaker’s Collection, confinamento e desconfinamento

Estávamos em pleno período de Covid-confinamento quando à equipa de comunicação e marketing, chefiadas respectivamente por Ana Pereira e Gabriela Coutinho, foi pedido um feito quase hercúleo: construir um evento digital de lançamento do Winemaker’s Collection Douro Tinto Cão rosé 2018. Quase 80 provadores receberam em suas casas o vinho, e entraram simultaneamente em linha para provarem e partilharem as suas impressões. Um pesadelo logístico, um sucesso de organização. Mas as saudades não se matam assim, por isso para o vinho seguinte, da Collection, o plano era de começar nas vinhas.

Máscaras e autocarros, mesas separadas, copos em profusão, críticos de vinhos transportados até São João de Lobrigos, para no anfiteatro voltado a Nascente da Quinta do Bairro se provarem já amostras de cuba dos vinhos de 2020. Esta quinta foi comprada em 2011, e 90% do encepamento era tinto. Os brancos da região eram já conhecidos, pela compra de uvas a agricultores nesta zona do Baixo Corgo, perto de Santa Marta de Penaguião, onde a altitude ajuda à frescura das noites. Aliás, o primeiro Winemaker’s Collection foi de Arinto e Rabigato comprado aqui. Assim, como a qualidade dos tintos não era a desejada e a promessa dos brancos iluminava a ilusão, mudou-se quase todo o encepamento para brancos. Foram usadas várias técnicas, como a re-enxertia de cepas velhas de Touriga Franca, que passados 3 anos forneciam um excelente Viosinho. Nos 300m de altitude plantaram Rabigato e Gouveio. Plantaram ainda Arinto, Esgana Cão (Sercial), Folgazão (Terrantez) e Códega do Larinho. Dos 25 hectares ficaram apenas em tinto 2ha de Sousão.

Kopke vinho do Porto
A adega da Quinta de S. Luiz tem vindo a ser modernizada.

Provados os novos vinhos, com a fermentação acabada de terminar e o aspecto leitoso de vinhos novos ainda por filtrar, o Rabigato mostrou citrino maduro, minerais como giz, flores secas. Gordo na boca, muito volumoso, com notas amargas discretas, muita acidez, final muito longo e com carácter. Já o Gouveio estava um pouco mais reservado, com notas vegetais e flores secas, citrinos como toranja, pêssego. Na boca, equilibrado, com corpo médio, ligeiros amargos, acidez viva, alguma rugosidade no final de bom comprimento. Estes são vinhos que vão alimentar as marcas do grupo, sem destino ainda escolhido. A ideia principal é ter mais uvas próprias, para não depender tanto de uvas compradas.

Em princípio, cada quinta está ligada a uma marca do grupo. A Boavista permanecerá um projecto separado com identidade própria, a Quinta do Arnozelo (Douro Superior) fornece a Burmester, a Quinta de S. Luiz fornece a Kopke. A Quinta do Bairro servirá de apoio.

Kopke vinho do Porto
A equipa de enologia DOC Douro da Sogevinus é liderada por Ricardo Macedo.

Mudanças em S. Luiz

Máscaras e autocarros, vamos para a Quinta de S. Luiz, perto de Adorigo. Esta quinta pertencia à Kopke quando esta companhia foi comprada pela Barros. São 125 hectares, que resultaram de agrupar cinco quintas. 93 hectares são de vinha. É evidente a remodelação recente que se focou no acolhimento de visitantes. Mas na adega também há várias novidades. A recepção de uvas foi melhorada, e inclui agora uma câmara de frio onde as uvas são arrefecidas antes de serem processadas, um método que incrementa a intensidade aromática dos mostos. Um desengaçador suave não esmaga o engaço, para eliminar sabores vegetais desagradáveis. Depois, uma selectora óptica elimina as uvas indesejáveis bago a bago: rejeita folhas, engaço, uvas de cor desadequada, passas, etc. Para isso usa uma fotografia como exemplo das uvas a eliminar. A equipa de enologia faz vinificações cada vez mais pequenas, para perceber melhor o potencial de cada casta em cada talhão de vinha. Entre as várias soluções de vinificação, desenvolveram uma cuba de aço inoxidável em forma de diamante, como um duplo cone. Este formato tem várias vantagens, por exemplo ao fazer a delestage há uma prensagem natural, o que aumenta a extracção de uma forma cremosa e suave. O formato favorece que a maior parte das massas esteja mergulhada no líquido. Permite ainda remontagens muito curtas, pela primeira vez conseguiram fazer apenas 30 segundos. Outra solução é a fermentação em cascos de madeira, que têm um sistema rotativo, permitindo “removimentos” sem bombas, sem mosquitos, uma pequena quantidade que se pode manusear com rapidez.

Passeamos pela adega, sempre com todas as precauções anti-contágio, e provamos os vinhos de 2020. O branco de Folgazão mostra pêssego e flores, num tom mineral muito equilibrado. Rico e complexo na boca, com corpo e carácter, muito ligeiros amargos abaunilhados, final longo e excitante. O tinto de vinhas velhas da Quinta de S. Luiz está a começar a fermentação maloláctica e mostra-se denso e complexo, já muito feito. Cremoso, tem muito equilíbrio e comprimento. A Tinta Roriz da Quinta do Arnozelo revela tanino firme, corpo médio, acidez boa. Outra vinha velha de S. Luiz, a Vinha da Rumilá exibe fruta negra densa, grafite, está ainda muito cru. Cremoso na boca, suave e denso, boa acidez, muita profundidade, promete bastante.

Kopke vinho do Porto
Sergio Marly é o CEO da Sogevinus desde 2018.

Agora à mesa

Foi já na longa mesa de almoço que chegámos então à razão principal desta viagem. O novo Kopke Winemaker’s Collection é um branco de 2016. Ora, lançar um branco de 2016 em 2020 é já algo especial, e tinha de ser grande a confiança da equipa de enologia no vinho a apresentar. Tinha de ser, era, e com boas razões para isso. São apenas 2202 garrafas deste vinho de 70% de Folgazão e 30% de Rabigato, uvas compradas a viticultores junto à Quinta do Bairro. O vinho fermentou em cuba de aço inoxidável, e estagiou depois durante 4 anos em barricas usadas de carvalho francês. É espantosa a juventude deste vinho, a sua riqueza aromática e ao mesmo tempo a sua contenção e equilíbrio. Ao ser lançado com esta idade, o vinho mostra que tem um carácter que aguenta a passagem do tempo. Aliás, já aguentou, ganhando em complexidade e crescendo no prazer que proporciona a quem o beber. Mostra ainda que será uma pena não guardar algumas garrafas para acompanhar a sua evolução daqui a mais alguns anos. Os brancos velhos de grande nobreza são raros, mas oferecem aos provadores um requinte que os vinhos novos dificilmente atingem.

Kopke vinho do Porto
Márcio Nóbrega gere os 250 hectares de vinha da empresa.

Com a refeição cozinhada pelo duriense Rui Paula (em grande forma e a mostrar talento e confiança), provou-se ainda um Kopke Vinhas Velhas tinto de 2016, um vinho de vinhas da Quinta de S. Luiz anteriores a 1932, com belíssima concentração e profundidade, um enorme prazer à mesa. São apenas 2362 garrafas, que vale a pena procurar.

Finalmente, com a requintada sobremesa baseada em chocolate, vieram dois Vinhos do Porto extraordinários. Um Kopke Branco 40 anos, uma categoria relativamente nova que pouco a pouco tem trazido o Porto branco para a ribalta, e um Colheita de 1981, portanto um vinho com quase 40 anos, que desta vez obliterou o 40 anos branco. Extraordinário em todos os sentidos, um vinho de enorme prazer e sedução, um monumento ao Vinho do Porto e à sua história, um vinho de volúpia, cheio de requinte e bom-gosto. O preço macio faz deste um Porto obrigatório para os devotados aos tawny de luxo.

Reflectindo e sumariando. A Kopke honra os seus antigos pergaminhos e é neste momento uma decidida aposta do grupo Sogevinus, que catapultou esta marca e os seus vinhos para a linha da frente, subindo a parada em todos os capítulos onde opera. Douro de todas as cores, Porto de qualidade excelsa, esta é uma marca que sendo velha traz de novo uma ambição que depois corresponde no copo e à mesa. Tenho de dizer parabéns, Kopke é hoje um nome a ter em conta, um trunfo bem jogado.

(Artigo publicado na edição de Novembro 2020)

 

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Costa Boal com monocastas e um branco muito especial

Costa Boal Douro

O produtor Costa Boal mantem forte aposta no Douro, apesar da sua operação em Trás-os-Montes continuar a dar frutos. Tanto assim é que lançou agora três novidades durienses, um enorme branco de 2015 e dois monocasta irresistíveis! Texto: Nuno de Oliveira Garcia Crédito nas fotos: Costa Boal Family Estates Porventura o consumidor associa o produtor […]

O produtor Costa Boal mantem forte aposta no Douro, apesar da sua operação em Trás-os-Montes continuar a dar frutos. Tanto assim é que lançou agora três novidades durienses, um enorme branco de 2015 e dois monocasta irresistíveis!

Texto: Nuno de Oliveira Garcia

Crédito nas fotos: Costa Boal Family Estates

Porventura o consumidor associa o produtor Costa Boal a Trás-os-Montes, em virtude do sucesso dos seus vinhos Palácio dos Távoras que, em poucos anos, se tornaram uma referência na região, plena de potencial por explorar. Com efeito, fundada em 2009, a Costa Boal lançou os primeiros vinhos da colheita de 2011, na região de Trás-os-Montes (Flor do Tua e Palácio dos Távoras).

Sucede que António Boal nasceu no Douro, e nunca deixou de querer apostar na sua região-berço. Começou pela recuperação da adega centenária da família (1857), localizada na aldeia de Cabêda, e depois com a aquisição de vinhas em Alijó, Murça, e Foz Côa. Na gama duriense já existia o Flor do Côa (três brancos e quatro tintos), surgindo agora um segmento super-premium Costa Boal com reservas tinto e branco (este designado por Homenagem, lançado com vários anos em garrafa), e monocastas Sousão e Tinto Cão. A gama fica completa com um Porto Tawny Muito Velho, de excelsa qualidade, apresentado no ano passado, e um Porto Vintage 2014.

São poucos os produtores com vinhas de Alijó até Mirandela e Miranda do Douro, quase todas com várias dezenas de anos. Pode-se mesmo dizer que a empresa Costa Boal é tributária da riqueza de dois terroirs a norte – Douro e Trás-os-Montes – com várias gamas de vinhos de duas regiões vitivinícolas. Se os vinhos da empresa sempre foram conhecidos pela sua estrutura e intensidade, com a chegada do enólogo Paulo Nunes ganharam uma acidez mais viva e, potencialmente, capacidade de envelhecimento. Essa nota evolutiva é particularmente evidente nos três vinhos Costa Boal que agora chegam ao mercado e que estão em linha com o melhor que o Douro faz. Por um lado, o Costa Boal Homenagem, da colheita de 2015, que ao buscar essa longevidade foi engarrafado quase 4 anos após a vindima, ainda que sendo refrescado com uma percentagem pequena de 2017. Este novo reserva branco junta-se ao tinto Homenagem 2011, um vinho igualmente com capacidade de guarda lançado em outubro de 2019, ambos tributo ao pai Augusto Boal, viticultor toda a vida no Douro.

O resultado é excelente, com a madeira em evidência neste momento, mas com uma prova de boca que está longe de se resumir a essa característica, num vinho muito rico e afinado, a dar imenso prazer e a prometer um futuro radioso nos próximos, pelos menos, cinco anos. Paulo Nunes, já distinguido como ‘Enólogo do ano’ pela nossa revista, confessa que “estamos muito no início no que toca aos vinhos DOC Douro, especialmente nos brancos”. Acrescenta, e com razão, que não se recorda de um branco do Douro entrar nas listas dos melhores do mundo das revistas internacionais da especialidade, mas não perde a confiança nesse feito, mais a mais agora que vai conhecendo melhor a região que também o viu nascer.

Outra particularidade muito positiva nos novos Douro Costa Boal, certamente resultado da sinergia entre produtor e enólogo, é a leveza dos tintos agora apresentados, que beneficiam ainda de um grau alcoólico moderado, ligeiramente abaixo dos 13%. Isso não impediu que ambos os monocastas ficassem certificados como grau 3 – com a classificação Grande Reserva –, sinal que também as entidades certificadoras privilegiam cada vez mais a moderação e não apenas a concentração e maturação. Os monovarietais são produzidos com as castas Sousão e Tinto Cão que, apesar de estarem em excelente momento de prova – sobretudo o Tinto Cão – irão melhorar com mais um par de anos em garrafa, aspeccto que merece a concordância da crítica e de produtor. Paulo Nunes destaca a acidez do Tinto Cão e a maturação fenólica excepcional (mesmo com 13%!) no ano de 2017, bem como a estrutura e o volume de boca do Sousão, casta mais presente no Douro ano após ano.

Costa Boal Douro
©Paulo Pereira

Na apresentação realizada no restaurante clássico alfacinha Solar dos Presuntos, foi ainda provado o Palácio dos Távoras Gold Edition 2017, um blend feito de uvas selecionadas de uma parcela específica da vinha velha que a Costa Boal possui em Trás-os-Montes. Da habitual diversidade de castas destas vinhas antigas da região, surge um vinho muito maduro e potente, no qual predominam as castas Alicante Bouschet, Baga e Touriga Nacional de uvas colhidas de uma parcela específica da vinha velha, da Quinta dos Távoras, localizada em Mirandela.

(Artigo publicado na edição de Novembro 2020)

Quinta Vale D. Maria: O Sabor do Douro Superior

sabor douro superior

A Quinta Vale D. Maria expandiu recentemente o seu portfólio para o Douro Superior, com vinhos oriundos da Quinta Vale do Sabor, junto a Torre de Moncorvo. Um branco e dois tintos, agora no mercado. Texto: Mariana Lopes Antes de adquirir a Quinta Vale D. Maria à família Van Zeller, em 2017, a Aveleda já […]

A Quinta Vale D. Maria expandiu recentemente o seu portfólio para o Douro Superior, com vinhos oriundos da Quinta Vale do Sabor, junto a Torre de Moncorvo. Um branco e dois tintos, agora no mercado.

Texto: Mariana Lopes

Antes de adquirir a Quinta Vale D. Maria à família Van Zeller, em 2017, a Aveleda já tinha, em 2016, comprado um conjunto de várias quintas contíguas no Douro Superior, que formam hoje a Quinta Vale do Sabor. Localizada junto à foz do rio que lhe dá nome — o rio Sabor, em Torre de Moncorvo — esta quinta é a segunda da marca Vale D. Maria. Juntas representam, para António Guedes, administrador da Aveleda e descendente da quinta geração da família fundadora da empresa, “a oportunidade de fazer vinhos premium no Douro, de diferentes perfis”.

A nível orográfico, a Quinta Vale do Sabor é, no mínimo, original, perfazendo, numa perspectiva longitudinal, a forma de um “W”, que seria ainda mais visível se se fizesse um corte na vertical e se pudesse contemplar todo o solo e subsolo. Estendendo-se por 43 hectares de vinha (cerca de 140 mil plantas), esta propriedade comporta uma grande diversidade de exposições e tipos de solo, indo dos 170 aos 300 metros de altitude. A maior parte das vinhas contempla idades a partir dos 10 anos, mas há também doze hectares com videiras que já levam 35 anos. Quem nos contou foi a dupla Manuel Soares, director de enologia do grupo Aveleda, e Pedro Barbosa, director de viticultura, que nos acompanhou numa caminhada de reconhecimento do terreno, juntamente com Cristiano Van Zeller, enólogo e administrador da Quinta Vale D. Maria, e António Guedes. “Numa parte do vale a reenxertia já está concluída, e na outra está em curso”, descortinou Pedro. O encepamento inclui castas como as tintas Touriga Francesa, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alicante Bouschet e Baga; ou as brancas Rabigato, Viosinho, Arinto, entre outras. Parte da Touriga Nacional veio das vinhas da Aveleda na Bairrada e em Nelas: “Achámos interessante complementar a Touriga Nacional que está agora no mercado vitícola com uns clones mais antigos…”, explicou António Guedes. E Pedro Barbosa referiu o porquê da ausência de Sousão: “Não gostamos dele aqui. Por sua vez, o Alicante Bouschet dá-se aqui melhor. Mesmo a Touriga Francesa porta-se melhor do que a Nacional nesta quinta, por causa da severidade do calor”. Adicionalmente, a Baga veio da Bairrada, “para complementar os lotes”. Quanto à água para as vinhas, utilizam a da chuva, que é recuperada para dois reservatórios durante o Inverno, e a rega é feita por gravidade. “O respeito pelo terroir e pela sustentabilidade dizem-nos muito. Todos os projetos que temos vindo a desenvolver são pensados numa ótica de longo prazo”, expõe António Guedes.

sabor douro superior

Já o edifício principal, é uma mistura entre pragmatismo e organização, nas zonas de trabalho enológico, e deslumbre e contemplação, na área dedicada às provas, refeições e lazer, com uma varanda invejável para o vale. A adega tem três lagares, já construídos depois de 2016, vinte e sete cubas de armazenagem e 18 de fermentação, de diferentes dimensões. No centro da zona das cubas está uma praça de barricas para fermentação. A cave de estágio, por sua vez, alberga dezenas de barricas de 250, 300 e 500 litros, e também três balseiros para Touriga Nacional e Francesa. “Estamos a apostar cada vez mais nos balseiros, que conferem muita elegância à Touriga Nacional”, adiantou Manuel Soares.

Os vinhos que agora surgem no mercado revelam todo este cuidado. O tinto Vale D. Maria Douro Superior 2018 tem no lote Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, e outras em quantidade residual. Tendo fermentado em inox, estagiou em barricas de carvalho francês de 2º e 3º ano, durante seis meses, e depois voltou a cubas de inox para estagiar mais 13 meses. O Vale D. Maria Vinhas do Sabor tinto 2018 já é composto por Touriga Francesa, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alicante Bouschet e Baga, que fermentam e são pisadas em lagar de granito. O vinho faz maloláctica e estagia depois vinte e um meses em barricas usadas, sendo depois feita uma selecção das melhores barricas. A colheita de 2017 deste vinho está ainda no mercado, a mostrar o potencial de evolução. Já o Vale D. Maria Vinhas do Sabor branco 2019 é um blend de Rabigato, Viosinho e Arinto, que fermenta e estagia nove meses em barrica.

(Artigo publicado na edição de Novembro 2020)

O Douro de Márcio Lopes

Douro Márcio Lopes

O projecto no Douro do enólogo Márcio Lopes tem vindo a ganhar consistência e dimensão desde que foi fundado em 2010. O lançamento do primeiro Vinha Velha do Pombal é um marco neste percurso feito à base de vinhos de carácter, que não deixam ninguém indiferente. TEXTO: Luís Lopes A personalidade de Márcio Lopes tem […]

O projecto no Douro do enólogo Márcio Lopes tem vindo a ganhar consistência e dimensão desde que foi fundado em 2010. O lançamento do primeiro Vinha Velha do Pombal é um marco neste percurso feito à base de vinhos de carácter, que não deixam ninguém indiferente.

TEXTO: Luís Lopes

A personalidade de Márcio Lopes tem sido definidora da sua carreira enquanto enólogo e produtor. Dotado de convicções fortes, sabe o que quer para os seus vinhos, sendo possível encontrar muitos denominadores comuns entre a linha Pequenos Rebentos, na região dos Vinhos Verdes, ou os Proibido na região do Douro. Nuns e noutros, Márcio Lopes foca-se nas castas tradicionais, sempre que possível nas vinhas de maior idade e procura preservar ao máximo a expressão do território.

O projecto Proibido, que inclui as marcas Permitido e Anel, tem origem em parcelas de pequenos agricultores espalhadas um pouco por todo o Douro Superior (e uma ou outra no Cima Corgo), com idades entre os 40 e os 120 anos, plantadas desde os 150m até aos 800m de altitude. “O nosso trabalho”, diz Márcio Lopes, “é procurar castas em desuso, devolver vida aos solos, sem uso de herbicidas, e tentar fazer vinhos distintos com um cunho pessoal.” O resultado são cerca de 80.000 garrafas exportadas para 15 países.

O grande salto foi dado em 2015, com a aquisição da Quinta do Pombal, com 5 hectares de vinha em Vila Nova de Foz Coa. Ali encontramos uma pequena parcela de vinha muito antiga, com bastantes castas misturadas, parcela essa que deu origem ao Proibido Vinha Velha do Pombal, tinto que agora se estreia no mercado. Essa mesma vinha tem igualmente “emprestado” varas para desenvolver na quinta um campo experimental de castas antigas. Os vinhos são feitos em adega alugada, localizada perto da Régua, e estagiados num armazém em Sabrosa.

Neste ano conturbado de 2020, foram lançados nada menos que sete novos vinhos/colheitas. Os dois brancos já me haviam impressionado nas colheitas anteriores. O Rabigato 2019 é mais um comprovativo do fortíssimo potencial desta casta, sobretudo nas zonas mais altas do Douro Superior, onde é capaz de trazer muita frescura aos lotes ou de brilhar a solo. O Branco de Centenária vem de uma vinha de 0,2 ha, já a caminho de Vila Real, plantada a quase 800 metros de altitude e com várias castas misturadas, sobressaindo a Côdega (Síria) com 25% do lote. Muita personalidade e sentido de terroir num branco duriense que fermentou em barrica usada e de que se fizeram 1300 garrafas. O Clarete mostrou-se uma bela surpresa, elaborado a partir de mistura de castas, com maloláctica em barrica usada, um verdadeiro clarete na cor e no potencial gastronómico.

Douro Márcio Lopes
Na adega existe uma forte componente artesanal.

O Marufo (ou Mourisco Preto, como também é conhecido no Douro) entra nos lotes do Proibido desde 2012, mas na vinha em São João da Pesqueira a casta foi agora vindimada em separado. Fermentou e fez maceração prolongada (quase 2 meses!) em lagar, e depois estagiou em barricas usadas de 400 litros. Originou apenas 1000 garrafas. Já o Proibido À Capela tinto vem de duas vinhas em Vila Nova de Foz Côa, vinhas antigas com 10% de castas brancas misturadas. Foi tudo desengaçado à mão, bago a bago e pisado em dornas, com estágio posterior em barricas usadas de 225 litros. Não deu mais de 800 garrafas…

O Proibido Grande Reserva é já um clássico da casa, misturando o fruto de várias vinhas velhas (Foz Côa, Mêda, Covelinhas…) no melhor ponto de maturação. A versão 2017 mostra toda a concentração do ano, mas a estreia de outras parcelas, entre elas uma com um Sousão muito especial, deu outra dimensão ao vinho. Tal como os anteriores, pisa a pé e barrica usada são obrigatórios. 2500 garrafas produzidas. Finalmente, a estrela, o Proibido Vinha Velha do Pombal. Vem de uma parcela plantada a 500 metros de altitude, 0,6 hectares de xisto com muito quartzo onde assentam as cepas plantadas em 1957, com muitas e variadas castas. São 800 e poucas garrafas de um vinho exemplar no conceito e que resume muito bem o que é a “filosofia Douro” de Márcio Lopes.

(Artigo publicado na edição de Novembro 2020)

Os vinhos dos nuestros hermanos

vinhos nuestros hermanos

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A nossa vizinha Espanha não é só um dos principais players no mercado de vinho a nível mundial, como é um dos países do velho mundo mais dinâmicos. A diversidade climática e varietal, investimento, empreendorismo e ambição […]

[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]A nossa vizinha Espanha não é só um dos principais players no mercado de vinho a nível mundial, como é um dos países do velho mundo mais dinâmicos. A diversidade climática e varietal, investimento, empreendorismo e ambição são os factores essenciais para o seu sucesso no palco internacional. A amplitude de oferta é impressionante, variando de vinhos de qualidade consistente a preços acessíveis, até vinhos de culto e colecção, cotados nos leilões especializados. As regiões de Rioja e Priorato são bons exemplos desse sucesso.

TEXTO: Valéria Zeferino

De acordo com os mais recentes dados da OIV, Espanha é o país com maior área de vinha plantada (969 mil hectares), a contribuir com 13% das plantações mundiais. Nos cinco primeiros também estão China com 12%, França com 11%, Itália com 9% e Turquia com 6%, tendo em conta que na China e na Turquia apenas 10% e 3% de uva produzida, respectivamente, é destinada à produção de vinho. Em termos de volume de produção, Espanha com 44 milhões de hectolitros ocupa o terceiro lugar, a seguir a França e Itália. Quase metade do vinho produzido vai para exportação, sendo a Espanha o maior exportador de vinho em volume, ficando no 3º lugar em valor, novamente a seguir a França e Itália.

No século passado, a partir dos anos 60 começaram as mudanças radicais em termos de enologia – cubas de inox e controlo de temperatura, o que era particularmente importante para as regiões mais quentes como La Mancha e Levante. Acontece que a modernização traz os benefícios em paralelo com uma certa desvalorização da identidade tradicional. Em muitas regiões, as castas internacionais tomaram o lugar das locais para, no futuro, dar início ao movimento inverso. Nos anos 90, as tendências internacionais assentavam em uvas sobremaduras, muita extracção, muita barrica nova (até 200%!). Ao mesmo tempo os tradicionais estágios prolongados muitas vezes não foram ditados por razões de qualidade, sendo consequência de falta de encomendas.

A produção era, e ainda é, dominada pelas grandes empresas que compram uvas e vinho em todo o país, mas recentemente desenvolveu-se uma nova geração de produtores fortemente orientados para o terroir, que cultivam a sua vinha, experimentam, encontrando o seu próprio conceito e equilíbrio entre o moderno e o tradicional. Há mais de 70 denominações de origem em Espanha, mas apenas duas são distinguidas como DOCa – Denominacione de Origen Calificada, que é considerado de qualidade superior – Rioja e Priorat.

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Paisagem de vinha das Bodegas LAN.

Rioja: história, tradição e fama

É a região vitivinícola de Espanha mais conhecida internacionalmente, com maior peso histórico, grande tradição e com movimento modernista presente. A DOCa Rioja com mais de 65.000 hectares de vinha fica no norte de Espanha, nas margens do rio Ebro, e é dividida em três sub-regiões: Rioja Alta, Rioja Alavessa e Rioja Oriental (chamada Rioja Baja até 2018).

A Rioja Alta é a parte mais ocidental da região com maior área de vinha. Tem altitude mais pronunciada e, mesmo com protecção da Serra de Cantabria, recebe alguma influência Atlântica, providenciando condições mais frescas. A Rioja Alavesa é representada por dois enclaves em Rioja Alta e fica no território de País Basco, na província Álava que originou o seu nome. A Rioja Oriental fica a sudeste da Rioja Alta, onde o clima é mediterrânico com menos precipitação e condições mais quentes.

A proximidade com Bordeaux explica a influência nas práticas de vinificação em Rioja. Na segunda metade do século XIX, quando o míldio e a filoxera devastaram as vinhas em França, os negociantes franceses passaram a comprar vinho em Rioja, onde estas desgraças chegaram muito mais tarde (só em 1901), quando já se aprendeu a lidar com filoxera, usando porta-enxertos americanos. A prática corrente em Rioja naquela altura era a maceração carbónica (hoje também é popular para obter vinhos mais frutados e menos taninosos para consumo mais rápido).

Graças aos técnicos franceses, foram introduzidas as barricas de carvalho de 225 litros. A popularidade de carvalho americano deve-se ao menor custo em comparação com o carvalho francês e ao comércio transatlântico desenvolvido. Hoje em dia, muitos produtores usam também o carvalho francês. O parque de 1.3 milhões de barricas em Rioja deve ser o maior do mundo.

Os tempos de estágio são longos e rigorosamente regulamentados para as categorias tradicionais de Crianza, Reserva e Gran Reserva. Por exemplo, para Crianza tinto é obrigatório um estágio de 2 anos, dos quais 1 ano em barrica; para Reserva – 3 anos, dos quais 1 ano em barrica; para certificar um vinho como Gran Reserva, o estágio terá de ser no mínimo de 5 anos, dos quais 2 anos em barrica. Actualmente, muito dos novos produtores que cultivam vinhas próprias, preferem nos seus vinhos de topo enfatizar o terroir do que preocuparem-se com designativos “reservas” e estágios obrigatórios.

A casta Tempranillo (que é a nossa Tinta Roriz/Aragonez) é a rainha das vinhas e dos vinhos em Rioja; ocupa 87% da plantação. Outras são Garnacha Tinta, Graciano (a nossa Tinta Miúda), Mazuelo (aka Carignan) e Maturana Tinta. Nos encepamentos brancos predomina a Viura que é o nome local para Macabeo.

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Caves da Marquês de Riscal.

Marqués de Riscal é uma das propriedades lendárias da Rioja, e uma das mais antigas, fundada em 1858. Foi o enólogo frances Jean Pineau que tratou da produção no início. O projecto actual inclui o majestoso e futurista edifício “City of Wine” desenhado pelo prestigiado arquitecto Frank Gehry, onde fica o hotel e um restaurante de estrela Michelin.

É uma empresa que concilia uma grande produção com altos padrões de qualidade e faz parte das 50 marcas de vinho mais admiradas do mundo. Para o Gran Reserva utilizam apenas uvas das vinhas com mais de 80 anos de idade (próprias e dos seus fornecedores habituais). É uma das expressões clássicas da Tempranillo. Estagia quase 3 anos em barrica de carvalho francês e mais 3 anos em garrafa antes de ser lançado para o mercado.

La Rioja Alta é também um dos produtores clássicos em Rioja. Foi fundada em 1890 por cinco famílias e gerida por uma mulher, Doña Saturnina García Cid y Gárate. Em 1904 houve uma fusão com a Bodega Ardanza. Ambas as datas são homenageadas nos seus vinhos de topo Gran Reservas 890 e 904.

Conta com 420 hectares de vinhas nas três sub-regiões da Rioja, em conversão para viticultura orgânica, e com uma tanoaria própria. Ao contrário do que é habitual nas casas clássicas da região, não compram nem um bago de uva, e, independentemente da área considerável, toda a vinha é trabalhada manualmente. O Gran Reserva é uma expressão de 90% Tempranillo com mais de 60 anos e 10% de Graciano. Estagiou em barricas de 4º ano de carvalho americano durante 4 anos e foi engarrafado em 2015.

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Vinha velha das Bodegas LAN.

Bodegas LAN foram fundadas em 1972 e em 2012 adquiridas pela Sogrape. O nome LAN representa os iniciais das províncias que compõem a denominação de origem Rioja: Logroño (agora La Rioja), Álava e Navarra.

Possuem 70 hectares de vinha e o resto das uvas compram aos produtores locais. Apostam em estágios longos e gerem o seu enorme parque de 25.000 barricas dos mais diversos tipos de madeira (carvalho francês, americano, húngaro, russo etc.) e até barricas híbridas com aduelas de um tipo de madeira e tampas de outro.

As uvas para o LAN A Mano provêm de uma parcela de 5 ha de vinha situada em Rioja Alta, a uma altitude de 491 metros acima do mar. As vinhas têm 35-40 anos de idade. Tempranillo com 87% predomina no lote, com 9% de Mazuelo e 4% de Graciano. As vinhas tradicionalmente plantadas em vaso, dão apenas 3500 kg/ha. Fez maloláctica em barricas novas de carvalho, onde depois estagiou durante 7 meses e ainda mais 4 meses em barricas novas de carvalho caucasiano.

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Priorat: uma pequena grande região

Com a sua paisagem fascinante, encostas íngremes, repleto de terraços, de relance faz lembrar o nosso Douro. É um anfiteatro formado pela serra de Montsant, que proteje a área dos ventos nortenhos. O solo pobre e bem drenado chamado llicorella, é composto por mica parcialmente fragmentada e quartzo o que lhe dá um brilho característico. Tem um pouco mais de 2000 hectares de vinhas, muitas delas velhas plantadas em vaso, sendo Garnacha e Cariñena as castas principais.

Nos anos 80 do século passado, o revolucionário enólogo e produtor René Barbier serviu de inspiração a outros enólogos talentosos que com os seus projectos colocaram o Priorat no mapa das melhores regiões mundiais. Um deles era Alvaro Palacios. É um nome incontornável quando se fala de Priorat (e também de Bierzo). Apesar de ter nascido numa família de produtores em Rioja (e com oito irmãos) Álvaro preferiu seguir o seu caminho ao invés de integrar a empresa familiar.

Estudou em Bordeaux e depois de trabalhar dois anos no Château Petrus, em 1990 comprou a sua primeira vinha no Priorat.

O seu Gratallops é um vinho de vila (vi de vila) com o mesmo nome e que faz parte das 12 zonas de produção no Priorat. As uvas vêm de seis vinhas diferentes. A maioria (85%) do lote é Garnacha com 13% de Cariñena e 2% de castas brancas (Garnacha Blanca, Macabeo e Pedro Ximénez). Estagiou 16 meses em barricas novas de carvalho francês.

Clos Figueras é um projecto do ex-proprietário da importadora de vinhos Europvin com sede em Bordeaux, Christopher Cannan, com a sua filha Anne Josephine. Tudo começou em 1997 com a compra de 10 hectares de uma vinha abandonada, a norte da Gratallops, chamada “Figueras” por ter duas magnificas árvores de figos. O sucesso começou a partir de 2000 com altas pontuações dadas por Robert Parker.

Serras del Priorat  é o mais recente vinho da Clos Figueras, de abordagem mais fácil, onde transparece mais a fruta e destinado ao consumo mais rápido, mas, no entanto, mostra as características regionais. Lote de Garnacha (55%), Cariñena (20%), Syrah (15%) e Cabernet Sauvignon (10%). Estagia 7 meses em barricas de carvalho francês de 2º ano de 300 e 500 litros.

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Daniel del Castillo, cortesia Vinalda.

(Artigo publicado na edição de Novembro de 2020)[/vc_column_text][vc_column_text][/vc_column_text][vc_column_text]

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José Luís, Sandra, David: Três enólogos do Esporão à conversa

Três enólogos entrevista

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Após 28 anos a liderar a enologia do Esporão, David Baverstock passou a coordenar a Educação e Cultura Vínica da empresa, fazendo também o acompanhamento de mercados externos como “embaixador” da marca. Porém, cubas e barricas não ficam definitivamente para trás, pois vai continuar a apoiar os responsáveis técnicos Sandra Alves, no Alentejo, e José Luís Moreira da Silva (Quinta do Ameal e Quinta dos Murças). A mudança na vida deste australiano de alma e coração português constituiu o pretexto para uma animada conversa com os três enólogos, onde falámos dos novos desafios que todos têm pela frente.

TEXTO: Luís Lopes

David, em Portugal, começaste por trabalhar em 1982, em vinho do Porto, passaste em 1991 para o vinho Douro e em 1992 chegaste ao Alentejo, e ao Esporão. Conheces bem as duas regiões, portanto. Sabes que vários produtores e enólogos, sobretudo do norte do país, ainda olham para o Alentejo como uma região homogénea, plana, que faz vinhos muito iguais. O que dirias a quem vê o Alentejo dessa forma?

DB – Quem diz isso só pode estar com inveja (risos). No Alentejo conseguimos fazer vinhos com escala, de qualidade superior, e praticamente todos os anos, o que no Douro é mais difícil. E os melhores vinhos do Alentejo competem ao mesmo nível dos melhores vinhos do Douro, numa rivalidade muito saudável entre duas grandes regiões. Mas o Alentejo é muitíssimo mais diverso, em termos de solos, castas e clima, do que algumas pessoas pensam. O que tem Beja a ver com Reguengos? Portalegre, por exemplo, é uma das sub-regiões que vai seguramente dar cartas nos próximos anos…

O José Luís tem feito o seu percurso profissional no Douro, entrou no Esporão em 2015 directamente para a Quinta dos Murças, mas recentemente também “mergulhou” nos Vinhos Verdes, tendo já em 2019 liderado a primeira vindima na Quinta do Ameal. Como é passar de uma região continental para uma região atlântica, do xisto para o granito, das Tourigas para o Loureiro?

JLMS – É uma mudança realmente muito grande. O Douro tem o calor, a secura, é uma região de extremos. Chega-se ao Lima e é tudo verde. Fazer a viagem entre Murças e Ameal, durante as vindimas, é como mudar de mundo. É evidente que em termos de viticultura os desafios são muito diferentes, mas o objectivo acaba por ser o mesmo: produzir vinhos de qualidade que expressem cada uma das quintas. No Douro, a expressão do calor e da concentração, nos Vinhos Verdes a expressão da frescura, da leveza, da exuberância.

Três enólogos entrevista
José Luis Moreira da Silva

Uma vindima é certamente pouco para ficar a perceber o Vale do Lima e o terroir da Quinta do Ameal em particular. Ainda assim, o que mais o surpreendeu pela positiva? E qual o principal desafio a superar no Ameal?

JLMS – O que mais me surpreendeu foi a casta em si, a Loureiro. Estou no Douro habituado a trabalhar com 30 castas e nos Verdes passei a trabalhar só com uma. Mas a Loureiro é tão especial no Ameal e no vale do Lima, está tão bem adaptada ao local, que não apetece ali experimentar outras. Fiquei espantado com a sua plasticidade, capaz de fazer vinhos com perfis muito distintos e, sobretudo, vinhos longevos. Quanto ao grande desafio, para mim, passa por perceber melhor a origem, perceber melhor a casta e perceber até onde é que a podemos “esticar”, o que podemos fazer de diferenciador, como a podemos levar a oferecer uma expressão cada vez mais verdadeira.

 “O que mais me surpreendeu no vale do Lima foi a casta em si, a Loureiro”, José Luis Oliveira e Silva

Tal como David Baverstock, também a Sandra começou no Douro e integrou a equipa do Esporão em 2001. É fácil ou difícil trabalhar com o David? 

SA – Quando cheguei ao Esporão era uma miúda, tinha acabado de sair da Universidade. Foi o David quem me acolheu na equipa, quem me ensinou as principais bases da prova e da enologia, foi ele o meu grande mestre ao longo de 20 anos. E 20 anos é quase metade da minha vida, acho que isso diz tudo… Posso dizer que foi muito fácil trabalhar com ele, é uma pessoa genuína, generosa, que gosta de partilhar o conhecimento. Foi uma sorte ter calhado com alguém com a personalidade dele.

Durante vários anos foi responsável pelos vinhos brancos do Esporão, só mais tarde alargando esse trabalho aos tintos. Há quem diga que fazer um grande branco é mais difícil do que um grande tinto. Está de acordo?

SA – Quando em 2004, ainda com pouco tempo de Esporão, me propuseram ficar com os vinhos brancos, confesso que pensei algo como “ainda agora comecei e já vou ficar com a minha carreira estragada, será muito difícil fazer brancos de topo no Alentejo”. Mas ao mesmo tempo assumi esse objectivo, era algo que tinha de conquistar. Neste momento, diria que é mais natural fazer acontecer um grande tinto no Alentejo do que um grande branco. Só que fazer um branco de primeira linha numa região quente é um desafio aliciante e, quando o alcançamos, como tem acontecido no Esporão, torna-se muito compensador.

Ao contrário do que acontecia quando vieste para Portugal, hoje o enólogo tem uma ligação forte à vinha, conhece em profundidade as suas forças e fraquezas. O Esporão fez uma aposta muito forte no orgânico, no caso do Alentejo com 500 hectares de vinha e mais de 40 castas. Sentes alguma diferença nas uvas que te chegam adega e nos vinhos produzidos em modo orgânico?

DB – Claramente. É uma viticultura completamente diferente. Sem a ajuda dos tratamentos, a película da uva fica mais resistente às pragas e doenças. E, isto pode ser algo empírico, ainda não comprovado com dados concretos, mas desde o primeiro tinto orgânico lançado em 2015 até aos tintos que fazemos agora, sentimos muito maior densidade na cor e nos taninos. De tal forma que temos vindo a alterar o modo como trabalhamos na adega, esmagando menos a uva, fazendo menos remontagens e macerações, separando mais os vinhos de prensa, pois sentimos nas uvas taninos mais sólidos, que não podemos extrair tanto. Isto são análises sensoriais, das provas que fazemos durante fermentações ou na elaboração dos lotes, ainda teremos de trabalhar isto de forma científica, mas tenho ideia de que há uma mudança, para melhor, no perfil dos vinhos.

três enólogos entrevista
David Baverstock

José Luís, a Quinta dos Murças está também em modo orgânico, a Quinta do Ameal já esteve em tempos, mas deixou de estar. Este é um modelo de viticultura certamente mais fácil de implementar no Douro do que no vale do Lima, não é verdade?

JLMS – Não tenho a menor dúvida. No Douro (e no Alentejo), acredito que é possível ter uma agricultura biológica que seja sustentável. Não basta ter a certificação, temos de estar seguros de que as práticas são as melhores para sustentabilidade. E na Quinta dos Murças estamos plenamente convencidos de que estamos no caminho certo, conseguimos produzir uvas boas e sãs com doses de cobre (uma das principais críticas ao biológico) bastante abaixo dos limites legais, alcançando assim o equilíbrio do ecossistema. No Ameal, a pressão é muito maior. Tendo pegado na quinta só no ano passado, o desafio é perceber se as práticas biológicas são uma solução sustentável para a agricultura que queremos fazer. Ainda não temos a resposta para isso. Gostaríamos que fosse possível, mas temos as nossas dúvidas. Este ano, por exemplo, estivemos até meados de Abril sem aplicar fungicida, mas aí a pressão começou a ser tão grande que tivemos de aplicar. Mas não aplicámos qualquer herbicida. Portanto, talvez na região dos Vinhos Verdes tenhamos de encontrar uma solução intermédia. Neste momento, é a produção integrada. Mas gostava de ir mais longe. Veremos se é possível, precisamos de mais tempo para avaliar.

“A viticultura orgânica levou-nos a mudar o modo como trabalhamos na adega”, David Baverstock

David, da experiência que tens no Alentejo, quais as variedades de uva de que mexem mais contigo?

DB – Nos brancos, gosto imenso de Arinto, acho que é uma grande casta portuguesa, com um papel muito importante nos vinhos do Alentejo. Semillon, que é a base de um vinho que foi e é diferenciador no Alentejo (o Private Selection, em 2001). Gosto cada vez mais de Verdelho (ou Verdejo, como quiserem). No campo das tintas, aprecio Aragonez, está um bocado fora de moda, mas em certos anos, com noites mais frescas, dá vinhos excelentes. Estou menos fã da Touriga Nacional na região, acho que já teve ali o seu momento de fama. E continuo a gostar bastante de Syrah, tem tido problemas com doenças de lenho, é verdade, mas é uma grande casta. E em termos de futuro, até por questões ligadas ao aquecimento global, sem dúvida Alicante Bouschet.

Três enólogos entrevista
Sandra Alves

Sandra, partilha da opinião do David ou as suas preferências são outras?

SA – Temos alguns pontos em comum, mas também algumas diferenças. Nos brancos, acredito cada vez mais no trio maravilha do Alentejo: Roupeiro, Arinto e Antão Vaz. Ano após ano, são as castas que respondem melhor às alterações que temos implementado na viticultura e às próprias alterações climáticas. Nos tintos, claramente Aragonez (quando é bom, é muito bom), estou a aprender a gostar de Trincadeira, é uma casta bem interessante, e Touriga Franca, sem dúvida. E aprecio muito o Moreto das nossas vinhas velhas, é diferente de qualquer outra casta.

“Estou no Esporão há 20 anos, estou muito confortável com a responsabilidade”, Sandra Alves

José Luís, a mesma pergunta para o Douro, calculo que casta de Verdes nem vale a pena perguntar…

JLMS – Claro, essa é a resposta mais fácil: Loureiro. No Douro já há algum tempo que não fazemos vinificações estremes de uma casta, o lote é feito na vinha, fazemos co-fermentação, com várias castas a fermentar em conjunto. A ter de escolher uma, seria, de longe, a Touriga Franca, creio que é a casta mais bem adaptada, na vinha e na adega, à região. E também aquela que melhor exprime o que é o Douro. Mas num lote gosto imenso de Tinto Cão e Tinta Francisca (difícil na vinha, mas confere muita frescura e elegância ao vinho). Sendo certo que, no Douro, é o lote das castas que fala sempre mais alto.

Sandra, com a passagem do David para outras funções, a enologia do Esporão no Alentejo está agora nas suas mãos. Sente-se o peso dessa responsabilidade?

SA – Eu estou no Esporão há 20 anos, conheço bem o histórico da casa e tenho muito claro os nossos objectivos, o caminho que vamos percorrer, o nosso futuro. É evidente que há uma responsabilidade, como há em tudo aquilo que fazemos. Mas estou muito confortável com essa responsabilidade. Além de que o nosso trabalho é feito em equipa, apoiamo-nos sempre uns aos outros.

David, uma última questão: não vais ter saudades de uma vindima quase sem tempo para dormir?

DB – Não estou minimamente a pensar deixar de fazer vindimas. Quero fazer (pelo menos!) mais duas vindimas no Esporão e a partir daí vou-me entreter por este mundo do vinho. A vindima vai continuar a estar sempre presente na minha vida.

(Artigo publicado na edição de Novembro de 2020)[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][divider line_type=”Full Width Line” line_thickness=”1″ divider_color=”default”][/vc_column][/vc_row][vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/3″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]

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Tintos de luxo do Alentejo – Por menos de €30

Tintos do Alentejo

Clássicos ou modernos, com castas portuguesas ou internacionais, os vinhos do Alentejo surpreendem pela qualidade em estilos muito distintos. Demonstram uma diversidade de abordagens enológicas e talento de quem os faz, independentemente de serem produzidos por uma casa familiar, uma grande empresa ou uma adega cooperativa. E dão-nos a possibilidade de aceder a tudo isto […]

Clássicos ou modernos, com castas portuguesas ou internacionais, os vinhos do Alentejo surpreendem pela qualidade em estilos muito distintos. Demonstram uma diversidade de abordagens enológicas e talento de quem os faz, independentemente de serem produzidos por uma casa familiar, uma grande empresa ou uma adega cooperativa. E dão-nos a possibilidade de aceder a tudo isto por um preço sensato.

Texto: Valéria Zeferino

Fotos: Ricardo Palma Veiga

 A região do Alentejo não só contribui com 18% da produção nacional de vinhos (3º lugar a seguir ao Douro e Lisboa) mas também representa a maior quota do mercado, quase 40% em valor e 35% em volume. É por si só uma grande marca.

O Alentejo tem um papel importante na projecção da imagem de qualidade e classe dos vinhos portugueses no palco internacional. Embora não tenha beneficiado da histórica protecção regulamentar do Douro e tenha atravessado várias crises, encontrou o seu caminho para a excelência.

A fama nem sempre traz só coisas boas. Segundo o produtor e enólogo João Portugal Ramos, quando uma região se torna famosa, é sempre um objecto de cobiça, atrai novos investimentos. Por um lado é bom, mas existem dois tipos de operadores. Uns vêm para prestigiar a região, outros  procuram apenas fazer negócio, criando volume sem valor.

Tintos do Alentejo
A região do Alentejo é muito diversa em solos e climas e está dividida em 8 sub-regiões.

Zonas diferentes – qualidade transversal

A região do Alentejo caracteriza-se por 4 zonas distintas – Alto Alentejo mais a norte, Alentejo Central, Baixo Alentejo a sul e Alentejo litoral. Dadas às condições edafoclimáticas e históricas, é dividida em 8 sub-regiões.

Mais a norte, no Alto Alentejo, fica Portalegre situado no sopé da Serra de São Mamede. É bem diferente do resto da região devido a maior altitude – até 700 metros – que se traduz em precipitação abundante (cerca de 800 mm/ano) e maior continentalidade que promove grandes amplitudes térmicas diurnas e anuais. Os solos são maioritariamente de origem granítica com algum xisto. Teve grande impulso e investimento nos últimos 10 anos graças às suas características únicas.

No Alentejo central a serra da Ossa separa duas sub-regiões com tradição vitivinícola bem antiga. A norte fica Borba com maior precipitação e a sul está Redondo, protegida pela serra dos ventos nortenhos. As suas encostas e planícies onduladas são expostas a sul, proporcionando condições climáticas mais quentes e secas.

Junto à cidade de Évora localiza-se a sub-região com o mesmo nome. As vinhas estendem-se em zonas planas, com grande nível de insolação e cerca de 600 mm de precipitação anual.

A este, e até ao rio Guadiana, estende-se Reguengos, também com fortes tradições vitivinícolas. Na margem esquerda do Guadiana fica Granja-Amareleja, na zona com mais horas de sol de Portugal, com Verões muito quentes e dos mais secos de todo o Alentejo. A precipitação anual baixa aos 500 mm, sendo bastante desafiante, sobretudo em condições de aquecimento global.

Mais a sul, já no Baixo Alentejo, encontra-se a sub-região de Moura, a que tem menor área de vinha e também a Vidigueira, desde há muito famosa pela casta Antão Vaz e pela excelência dos seus vinhos brancos. Por muito distintas que sejam, de norte a sul, do litoral ao interior, em praticamente todas as zonas do Alentejo há produtores de topo e marcas conhecidas e respeitadas.

As grandes marcas

Alentejo é uma região de fama relativamente recente, mas tem os seus vinhos de culto e ícones históricos, cujo reconhecimento no mercado enalteceu a imagem da região, e também as estrelas em ascenção que projectam o seu futuro.

A Herdade das Servas, por exemplo, tem uma história ligada à produção de vinho, que abrange mais de três séculos, comercializando os seus vinhos em garrafa a partir de 1940. Na mesma época, já eram famosos os vinhos de talha da casa José de Sousa Rosado Fernandes, adquirida em 1986 pela histórica José Maria da Fonseca.

A história da Mouchão no Alentejo começou nos finais do século XIX com a plantação das primeiras cepas de Alicante Bouschet trazida de França. A construção da adega, iniciada em 1901 assinalou o novo século. Em 1954 foi lançado o primeiro vinho com a marca Mouchão que se tornou um dos ícones da região.

A Tapada do Chaves pode gabar-se de uma história secular, tendo plantado as suas primeiras vinhas em 1901 (castas tintas) e 1903 (castas brancas), e são das parcelas mais velhas no Alentejo, na sub-região de Portalegre.  Há três anos foi adquirida pela outra empresa de grande renome na região – Fundação Eugénio de Almeida. Fundada em 1963, é associada a três grandes marcas portuguesas: Cartuxa, criada ainda na década dos 80, Pêra Manca lançada em 1990, ambos num estilo bem clássico, com castas tradicionais alentejanas. O Scala Coeli surgiu em 2005 para expressar um estilo mais moderno.

Quando sararam as cicatrizes da revolução, na altura dos anos 80-90 aparecem mais marcas emblemáticas.

Em 1985, realiza-se a primeira colheita sob a marca Esporão e desde aquela altura a empresa associa arte ao vinho, convidando artistas portugueses para criar os rótulos dos Esporão Reserva e Private Selection – uma decisão de marketing inovadora na altura. Este ano, a marca Esporão foi reconhecida pela revista Drinks International como uma das 50 marcas de vinho mais admiradas do mundo, ficando em 13º lugar no ranking.

Júlio Bastos, proveniente de uma antiga família produtora de vinhos, assinala esta época com os seus famosos Garrafeiras da Quinta do Carmo (de 1985, 1986 e 1987). A marca hoje pertence à Bacalhôa, mas a partir de 2000 o produtor avança com um novo projecto – Dona Maria

João Portugal Ramos é uma figura incontornável no Alentejo, conhece a região como ninguém. Começou o seu percurso enólogico em 1980. Quando se deu o boom dos vinhos do Alentejo a partir de 1985, prestou consultadoria a várias casas conhecidas da região, e na década dos 90 arrancou com o seu próprio projecto em Estremoz.

Em 1986, Joaquim e Leonilde Silveira plantaram a sua primeira vinha na Tapada de Coelheiros, na zona de Arraiolos. O primeiro vinho chegou ao mercado em 1994 com o rótulo inspirado num tapete de Arraiolos com cenas de caça.

Em 1988 um casal americano-dinamarquês, Hans e Carrie Jorgensen, iniciaram a sua aventura de Cortes de Cima no Alentejo perto da Vidigueira. A Sogrape entra no Alentejo em 1991 e em 1996 adquire a Herdade do Peso para reforçar a sua posição na região promissora. Em 1994 o irreverente Miguel Louro estreou-se com vinhos de carácter desruptivo.

Na viragem do século, surgem os “millennials” da região a fazer uma nova história.

Catarina Vieira, realizando o sonho do seu pai, começou a plantar vinhas no Baixo Alentejo, entre a Vidigueira e Cuba, em 2001, e em 2007 o mercado conheceu a primeira marca da Herdade de Rocim – Olho de Mocho. É uma das casas mais dinâmicas e empreendedoras da reigão.

Em 2004 António Maçanita arranca com a Fita Preta, abraçando projectos desafiantes, criando vinhos com carácter vincado e marcas irreverentes que geram polémica e criam empatia. Em 2005 entra no palco a Herdade da Malhadinha, com os rótulos desenhados pelas crianças da família, e foi construída a adega da Herdade dos Grous, também no Baixo Alentejo.

Do outro lado da região, no Alto Alentejo, no mesmo ano arranca o projecto de Altas Quintas baseado nas vinhas de altitude. Há três anos a família Symington adquiriu esta propriedade com 43 hectares de vinha instalada entre os 490 e os 550 metros nos solos xistosos e graníticos e criou a marca Fonte Souto. Pedro Correia, o enólogo dos “não fortiticados” da Symington, afirma que “aquela zona pouco ou nada tem a ver com o Douro”. Em Portalegre acabaram a vindima apenas em meados de Outubro, quando no Douro já tinham acabado há tempo. Julho, Agosto e Setembro no Douro marcam pelas temperaturas extremamente elevadas e em Portalegre não aquece tanto e as noites estão mais frias.

Tintos do Alentejo
O Alentejo oferece um elevado nível de qualidade aliado a variedade de castas e estilos.

Grandes vinhos dão trabalho

Os vinhos de gama alta e média alta exigem muita atenção por parte dos produtores. A diferença está nas nuances e pormenores, que são infinitos.

O enólogo da Esporão, David Baverstock, afirma que os detalhes são indispensáveis quando se quer produzir grandes vinhos. Desde os cuidados a ter na viticultura à abordagem enológica – tudo em função da parcela e da casta. Os rendimentos não podem ultrapassar 4-5 tn/ha para maioria das castas e 7/8 tn/ha no caso de Alicante Bouschet. A separação das uvas destinadas para os vinhos de topo é feita na altura da vindima. Para vinificações usam cubas mais pequenas, que levam apenas 5 toneladas e não 50 como para Monte Velho, por exemplo. Usam lagares de mármore ou cubas rotativas (estas, por serem fechadas, funcionam bem na vinificação da Touriga Nacional, preservando melhor a sua parte aromática). David nota que as castas como Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Nacional aguentam bem barricas novas, mas prefere as de maior dimensão (500 litros) “para uma fusão melhor e evolução mais lenta”.

Para António Maçanita, o vinho do Alentejo é textura, concentração “e até mais frescura do que no Douro”. O desafio é evitar passas, vindimar quase maduro. Logo que as uvas ganham cor (a fase do pintor), tira uns cachos mais atrasados para promover o amadurecimento mais homogéneo. Acompanha as parcelas de perto e apanha só o que já está maduro. Porque a mesma casta, nas parcelas distintas, amadurece nas alturas diferentes, vai colhendo um pouco de cada vez. A logística da vindima é complexa, mas vale a pena. Um lote de vinhos também não é estanque e pode variar em função do ano. Em seu entender, a Touriga Nacional no Alentejo não entrega qualidade todos os anos, por exemplo.

Preocupações com o álcool

Sendo o Alentejo uma região quente, inevitavelmente, surge a questão do teor alcoólico dos vinhos que ao longo dos anos tem tendência a subir (um tema transversal a várias regiões do país). Tirando uma parte dos consumidores adeptos dos vinhos “potentes”, existe uma preocupação geral e uma pressão internacional de várias companhias anti-álcool.

Os produtores estão cientes disto. David Baverstock confirma a preocupação sobre o tema, sobretudo a nível de aceitação comercial. Pessoalmente, acha que “até 15%, se a concentração permite, tudo bem, mais do que isto já é um exagero”.

Mesmo colocando de lado a questão do aquecimento global, muitas coisas mudaram ao longo das décadas. Supostamente para melhor. Com viticultura de antigamente e o objectivo de produzir mais, os vinhos não chegavam a 10,5-11% de álcool, por vezes adicionava-se mosto concentrado (sendo esta prática autorizada) para aumentar 1-2%. Aprendeu-se a controlar as produções, orientar a viticultura para a planta ser mais eficiente na sua capacidade fotossintética, escolheram-se clones menos produtivos, pratica-se monda de cachos… O resultado – álcool a mais.

“Agora queixamo-nos que Aragonez fica sem acidez”, – dá um exemplo António Maçanita, “mas é o Aragonez que fica sem acidez, ou aquele que nós seleccionámos para dar mais álcool?”

Castas e tendências

Segundo os dados do IVV, em 30 anos a área de vinha plantada no Alentejo duplicou (de 11.510 hectares em 1989 para 24.709 em 2019). Embora o património vitícola na região seja bastante jovem, nas sub-regiões de Portalegre, Granja-Amareleja e Vidigueira, sobretudo, existem vinhas centenárias.

A questão das castas portuguesas vs. internacionais e estilo clássico vs. moderno continua a ser pertinente. Uns produtores, como Paulo Laureano ou Duarte Leal da Costa defendem, desde sempre, as castas portuguesas.

Os números mostram que as castas nacionais como Aragonez e Trincadeira continuam a ser as mais plantadas, seguidas de Alicante Bouschet. Esta, embora seja de origem francesa, já se pode considerar tradicional no Alentejo pela sua longa história e méritos confirmados. Obtida por cruzamento de Grenache com Petit Bouschet nos meados do século XIX, terá sido trazida para Portugal no final do mesmo século e plantada na Herdade do Mouchão pela família Reynolds. O reconhecimento da casta pelos produtores e consumidores não foi imediato e só aconteceu nos anos 90 do século passado. Hoje, há mais Alicante Bouschet em Portugal do que em França, de onde é original e onde é praticamente desprezada.  Gosta de clima quente, precisa de muitas horas de sol, para amadurecer os seus taninos esmagadores. Com produção controlada e plantada no sítio certo, dá vinhos com estrutura e concentração, preparados para aguentar anos em garrafa.

Syrah apareceu na região há apenas duas décadas, pela mão dos proprietários da Cortes de Cima, onde a primeira vindima aconteceu em 1998 “incognitamente” porque não fazia parte de castas permitidas para a região. Hoje é a quarta casta mais plantada no Alentejo e continua a liderar a lista das castas mais utilizadas na reestruturação da vinha. A Cabernet Sauvignon também faz parte das primeiras 10 na lista de castas mais plantadas da região.

João Portugal Ramos refere que nos seus topos de gama dá preferência às castas portuguesas. Também gosta de Syrah, como uma casta melhoradora, e repara que “no Alentejo a Syrah é moldada pela região; ou melhor, o perfil da casta vai ao encontro do perfil do Alentejo.”

António Maçanita acha que esta abertura foi uma fase necessária para a região: mostrámos que conseguimos fazer as castas mais conhecidas como noutras regiões do mundo. O foco agora é recuperar equilíbrio. “As castas e os vinhos do século XXI não devem ser uma cópia do passado, mas uma integração gradual de castas que podem complementar o perfil.”

A verdade é que, como esta prova mais uma vez demonstrou, o Alentejo oferece um nível de qualidade aliado a diversidade de castas e estilos, como talvez nenhuma outra região do mundo. E poder aceder a estes vinhos por valores bastante razoáveis é, sem dúvida, um privilégio.

As uvas nacionais como Aragonez e Trincadeira continuam a ser as mais plantadas, seguidas de Alicante Bouschet.

Monte da Ravasqueira: Uma carta de amor ao Alentejo

Monte da Ravasqueira Alentejo

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[vc_row type=”in_container” full_screen_row_position=”middle” scene_position=”center” text_color=”dark” text_align=”left” overlay_strength=”0.3″ shape_divider_position=”bottom”][vc_column column_padding=”no-extra-padding” column_padding_position=”all” background_color_opacity=”1″ background_hover_color_opacity=”1″ column_shadow=”none” column_border_radius=”none” width=”1/1″ tablet_text_alignment=”default” phone_text_alignment=”default” column_border_width=”none” column_border_style=”solid”][vc_column_text]Há três gerações que a família Mello é proprietária do Monte da Ravasqueira, em Arraiolos, mas foi na segunda que o projecto de vinhos nasceu. Hoje, é um negócio sólido e consolidado, e isso reflecte-se num portfólio de luxo.

Texto: Mariana Lopes
Fotos: Ricardo Gomez

Monte da Ravasqueira familia Mello
Monte da Ravasqueira em Arraiolos

“Ex.ᵐᵒ Senhor, / Sou apenas um aprendiz de vitivinicultura pois só há pouco comecei a ter a vinha plantada na minha propriedade da Ravasqueira, em Arraiolos, com a adega em fase de construção.”. Assim começa a carta escrita, em 2002, por José Manuel de Mello — segunda geração de proprietários do Monte da Ravasqueira — a Luís Lopes (à data, Director da Revista de Vinhos). O seu pai, D. Manuel de Mello, havia adquirido a propriedade em 1943, como casa de família e refúgio de campo, e viria em 1966 a falecer, deixando tudo nas mãos do filho. Com uma grande paixão pelo Alentejo e pelo seu monte, José de Mello dedicou-se ali à agricultura e ao apuramento da raça do Cavalo Lusitano, mas também à plantação de vinha, na esperança de vir a realizar um sonho, que era o de transformar a Ravasqueira num projecto vitivinícola de sucesso e de grande qualidade. Hoje, e desde 2009, são os seus doze filhos que gerem a empresa e o Monte liderados pelo mais novo, Pedro de Mello, vice-presidente do Grupo José de Mello e presidente do Conselho de Administração do Monte da Ravasqueira. O engenheiro agrónomo e enólogo Pedro Pereira Gonçalves é o seu braço direito no negócio do vinho, como administrador executivo e chefe de enologia, apoiado neste campo pelo enólogo assistente Vasco Rosa Santos.

É em 1998 que o sonho começa a materializar-se, com a plantação das primeiras vinhas. José de Mello — “muito de pormenores e interventivo”, diz o seu filho Pedro — tinha levado até esse momento vários estudos geológicos para a escolha das melhores castas a plantar, juntamente com consultores das Universidades de Évora, Trás-os-Montes e Bordéus. Tudo isto deu-se pouco depois de um acontecimento importante para a família: em 1996, uma equipa de quatro Cavalos Lusitanos da Ravasqueira foi Campeã do Mundo de Atrelagem, na Bélgica. Foi a primeira grande vitória de Cavalos Lusitanos numa competição mundial. Esta sempre foi uma dimensão importante do projecto, e por isso há na propriedade um Museu das Atrelagens, com exemplares de vários épocas e séculos. Este é só mais um dos ex-libris da casa brasonada, pintada com branco e com o azul inconfundível de assinatura Ravasqueira. Com várias valências, incluindo o enoturismo que está agora em pausa (para protecção de toda a equipa), é gerida por Cristina Azevedo Coutinho, irmã de Pedro de Mello e administradora executiva.

O sonho começa aqui

Em 2001, surge o primeiro vinho, Monte da Ravasqueira 1ª Colheita tinto 2001, apenas um ensaio para consumo interno, que nunca chegou ao mercado, mas que foi como um pontapé de saída para todos os que ainda estavam para vir, começando no primeiro vinho comercializado já da colheita seguinte, o Monte da Ravasqueira Fonte da Serrana tinto 2002. “O 2001 foi pisado pelos netos do meu pai e feito em talha”, conta Pedro de Mello, “é uma relíquia que temos guardada e que raramente abrimos”. Actualmente, dos 3 mil hectares de extensão total, cinquenta são de vinha. Como manda a tradição das grandes herdades alentejanas, o Monte da Ravasqueira abrange várias actividades agrícolas, sobretudo a cortiça, o mel, o azeite, a comercialização de gado bovino e a engorda de porco preto. No entanto, e aqui a contrariar a tendência, o negócio principal é, de facto, o vinho, produzido sob a umbrela Sociedade Agrícola D. Diniz. As quinze castas presentes no Monte, estão distribuídas por vinte e nove talhões, e plantadas em oito solos distintos — onde predomina o granito —, em vinhas que lembram um refúgio, por estarem rodeadas de floresta com choupos, azinheiras e muitas outras espécies de árvores. As variedades brancas são as tradicionais do Alentejo, como Roupeiro, Antão Vaz e Arinto, mas também algumas autóctones de outras regiões, como Alvarinho, Viognier, Marsanne, Sauvignon Blanc e Semillon. Nas tintas, o encepamento passa por Touriga Nacional, Syrah (estas duas em maioria), Aragonez, Alicante Bouschet e Touriga Franca, mas também Petit Verdot, Nero d’Avola e Sangiovese. Pedro Pereira Gonçalves, que em 2012 revolucionou a estratégia do projecto de vinhos da empresa, refere que ali “havia Cabernet Sauvignon, mas foi totalmente reenxertado com Syrah. É importante para o vinho Ravasqueira Reserva da Família, pois permite manter a consistência ano após ano”. Reserva da Família, em branco e tinto, é uma das marcas mais importantes da casa, designada até 2015 apenas por “Reserva”. São as vinhas mais próximas da casa-mãe que fornecem as uvas para estes vinhos que, segundo Pedro de Mello e Pedro Pereira Gonçalves, pretendem ser fiéis ao território, fruto da escolha das melhores parcelas que permitam atingir isso mesmo. Inserem-se num portfólio nada pequeno mas bem definido, ao lado dos Monte da Ravasqueira Clássico e Superior (em exclusivo para a grande distribuição), os Seleção do Ano (sobretudo para restauração) os Ravasqueira monovarietais, o Vinha das Romãs, os MR Premium (topo de gama) e as “experiências do enólogo”, que passam por um espumante Grande Reserva Brut Nature, um licoroso e um colheita tardia. Estes vinhos são produzidos com as uvas da propriedade mas também de 150 hectares noutras sub-regiões do Alentejo, em regime de aluguer.

Monte da Ravasqueira familia Mello
Pedro de Mello e Pedro Pereira Gonçalves.

Uma vertical de luxo

A marca Reserva da Família é um ícone da Ravasqueira, que para o ano completa 10 edições. Uma prova vertical desta marca foi o pretexto principal para a visita, quatro brancos e quatro tintos, a culminar na colheita que está no mercado. Começando pelo branco, de Viognier e Alvarinho em partes iguais, que fermenta em inox e depois passa para barricas de carvalho francês, 50% novas e 50% usadas (com ligeiras variações destas percentagens de colheita para colheita), onde estagia sobre borras e com bâtonnage ligeira. Começou-se pelo 2016, que mostrou um nariz já complexo com frutos secos, mel, citrinos e fruta branca cristalizados, pedra raspada, ervas aromáticas e especiaria exótica como o caril. Ainda muito crocante e fresco, está já consolidado e muito equilibrado na boca aveludada e estruturada. O 2017, por sua vez, está nos aromas minerais frescos, com grafite, floral branco e nota vegetal, e pimenta branca. Tem bastante intensidade de boca e estrutura no corpo, mas é elegante e amplo, persistente. Já o 2018 apresentou-se mais sério e contido no nariz delicado, com alperce maduro, flores brancas, nota vegetal fresca e toque de aloé vera. Tem muita fruta branca no palato, é saboroso e envolvente, ainda bem jovem. O tinto é um lote de Syrah e Touriga Nacional, também em partes iguais. O Syrah vinifica em lagares, com pisa automática e bastante extracção, e a Touriga em cubas troncocónicas “para que se obtenha uma extracção mais elegante”, desta casta, explica Pedro Pereira Gonçalves. De seguida, 60% do lote estagia doze meses em barricas novas de carvalho francês. O início da vertical dos tintos deu-se com o 2015, bem profundo e silvestre no aroma concentrado, com fruta vermelha e negra madura. Muito elegante na boca, é aveludado nos taninos mas tem bastante carácter e presença. Muito sólido e robusto, com imensa pureza e persistência. O 2016 acrescenta um lado terroso ao silvestre, com caruma e frutos vermelhos perfumados. Menos concentrado, tem imenso equilíbrio e é um vinho chamativo, sedutor. O 2017 é todo ele exotismo na fruta, com bergamota, tangerina e um lado muito floral, a sobressair mais a Touriga Nacional. Bem vegetal, é vivo nos taninos e guloso, com nota de cogumelo e sugestão de cacau.

Tanto o Reserva da Família branco como o tinto agora lançados, de 2019 e 2018, respectivamente, tem a sua nota de prova no final deste artigo. Estas duas verticais permitiram perceber a capacidade de evolução destes vinhos, que a cada ano na garrafa ficam mais finos, apurados e complexos, a mostrar que podemos esperar por eles durante estes e muitos mais anos. As colheitas actuais descortinam isso mesmo, mas estão ainda plenas de juventude e garra, a pedir que o consumidor as guarde para ser surpreendido.

Os números de 2017, ano em que houve uma reestruturação comercial e em que os vinhos já se vestiam de uma nova imagem, indicaram uma facturação de sete milhões de euros. Até hoje, o negócio continua a crescer, com 5 milhões de garrafas produzidas anualmente, mais de metade com destino a países externos.

“Toda a minha vida fui empresário e sei bem como é difícil ‘fazer’ qualquer coisa com valor em Portugal.”, foi como José Manuel de Mello rematou a carta. Pois, hoje, o Monte da Ravasqueira honra esse valor: “Procuramos concretizar, todos os dias, uma cultura vencedora”, diz Pedro de Mello. E os vinhos estão cá para contar…

Monte da Ravasqueira familia Mello

(Artigo publicado na edição de Novembro 2020)[/vc_column_text][vc_column_text]

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