Quanta Terra: 25 anos festejados em grande

Quanta Terra

Sem terra e sem uma adega convencional, Quanta Terra é uma parceria em busca do seu vinho perfeito e uma marca que provoca a emoção no consumidor. O projecto começou em 1999, fruto da cumplicidade profissional de Celso Pereira e Jorge Alves, que se conheceram nas Caves Transmontanas no início dos anos 1990. Conhecendo o […]

Sem terra e sem uma adega convencional, Quanta Terra é uma parceria em busca do seu vinho perfeito e uma marca que provoca a emoção no consumidor. O projecto começou em 1999, fruto da cumplicidade profissional de Celso Pereira e Jorge Alves, que se conheceram nas Caves Transmontanas no início dos anos 1990. Conhecendo o Douro como a palma das suas mãos, definiram desde logo as zonas da proveniência das uvas para garantir a qualidade dos vinhos: para os tintos, vale do Tua, e para brancos e rosés as terras de altitude 600-700 metros com solos de transição para o granito, no planalto de Alijó, onde mesmo em anos quentes conseguem maturações equilibradas e uvas com frescura natural. As ligações duradoras com os viticultores que lhes fornecem as uvas, desde o início do projecto, asseguram a matéria prima de qualidade sem ter necessidade de adquirir as vinhas. O importante é acompanhá-los e pagar bem as uvas.

 

A “adega” da Quanta Terra, inserida numa antiga destilaria da Casa do Douro, recuperada em colaboração com o arquitecto Carlos Santelmo é algo único. De layout pouco habitual, o espaço, para além de acomodar uma cave de barricas, está transformado num ambiente museológico dedicado à história do Douro e serve de palco a exposições artísticas temporárias. A vinificação propriamente dita é feita nas adegas dos seus parceiros de outros projectos vitivinícolas.
Olhando para o seu percurso de 25 anos na Quanta Terra, os enólogos consideram que o importante foi saber “evoluir improvisando”. “Criámos perfis de vinhos e validámos com as vendas no mercado”, permanecendo numa dinâmica criativa.

Mas parece que os dois também gostam de provocar o mercado de vez em quando. No mundo, onde os restaurantes nem aceitam um vinho branco de há dois anos, onde o consumidor procura vinhos fáceis e frutados, lançar um branco com estágio de vários anos em barrica é de loucos. Mas quem conhece Jorge Alves e Celso Pereira, sabe que isto faz parte do ADN do projecto. O estágio prolongado exige paciência, implica o investimento em barricas e o empate do capital, e ainda obriga a lidar com a volatilidade das tendências do mercado. O factor incerteza também tem a ver com o próprio vinho, pois durante um estágio de muitos anos nunca se sabe ao certo que perfil o tempo vai esculpir no final. Ao provar o Gold Edition 2017 com quase sete anos em barrica e o Family Edition 2007 com 14, percebe-se porque às vezes vale a pena ir até ao limite.

O primeiro Gold Edition foi da colheita 2011, da qual houve duas barricas que ficaram para trás, não propositadamente. O resultado motivou a repetição da experiência em anos bons, em que a qualidade esperada justifique um estágio prolongado. “Sentimos que o mercado pode ter apetência para estes vinhos diferenciados”.
O Family Edition foi ainda mais longe. Começou em 2007 como uma base de espumante que, por decisão interna, ia ficando em barricas novas de 225 litros. Passados 14 anos e ao contrário do que se pode pensar, não está marcado pela barrica, pois o vinho ia concentrando e a barrica ia envelhecendo com o vinho e acabou por integrar completamente. O resultado, com mais de 8 g/l de acidez e um pH baixíssimo, oferece, ao mesmo tempo, o sabor e a textura para envolver a estrutura acídica e trazer à prova um vinho cheio de vida e personalidade. Decidiram lançá-lo no aniversário dos 25 anos. É uma edição única, com apenas 670 garrafas.

Outra novidade é o espumante Quanta Terra Éclat feito de Pinot Noir proveniente da zona de Lamego. Quase que apetece dizer: “até que enfim!”. Sendo Celso Pereira o reconhecido Senhor das Bolhas, espanta-me como é que aguentaram 25 anos sem se meter na produção de espumantes. Mas aqui vai!

(Artigo publicado na edição de Outubro de 2024)

Estive Lá: Deambulando pela Serra da Estrela e petiscando

Estive lá

Se há coisa que gosto de ver e ouvir é água límpida de montanha a correr entre pedras. Como há muito tempo não íamos à Serra da Estrela, aproveitei um fim de semana de verão para lá dar um pulo, para rever Louriga e calcorrear um pouco nas suas ruas, mas sobretudo para descobrir as […]

Se há coisa que gosto de ver e ouvir é água límpida de montanha a correr entre pedras. Como há muito tempo não íamos à Serra da Estrela, aproveitei um fim de semana de verão para lá dar um pulo, para rever Louriga e calcorrear um pouco nas suas ruas, mas sobretudo para descobrir as suas piscinas fluviais de montanha, de águas bem límpidas e enquadramento estético em pleno vale glaciar. Em volta, várias matizes de verde da paisagem, das grandes pedras de granito e montanhas quase a tocar no céu de um azul português, parcialmente encoberto de nuvens muito brancas naquele dia.

Soube mesmo bem estar ali um pouco, naquela paz, a escutar o som das águas antes de partirmos montanha acima até à Torre, para mais uma subida, nesse dia muito mais sossegada do que as de dias em que a neve e o frio levam milhares de pessoas à serra. Depois, uma descida até ao Covão da Ametade para relembrar passeios que não fazia há mais de 20 anos. Feito tudo isto, e sempre de forma muito calma e serena, fizemo-nos à estrada, primeiro em direcção a Seia, e depois para Nelas, o nosso destino de jantar nesse sábado, a Taberna da Adega da Lusovini, onde uma boa amiga nos esperava para um repasto, calmo e sereno, de boa conversa animada por petiscos que gosto de comer nesta casa.

Pelo caminho, e com muita sorte porque só acontece uma vez por ano, apanhámos o dia de transumância na estrada em direcção a Seia, ou seja, a mudança de alguns milhares de ovelhas e cabras das zonas baixas da Serra da Estrela para as altas, conduzidas pelos seus pastores, trazendo, a reboque, algumas dezenas de curiosos, muitos deles carregados com as suas máquinas fotográficas para captar um momento realmente único e muito interessante.

Depois foi hora de continuarmos o caminho para o repasto que nos esperava em Nelas. Começámos com os inevitáveis, pelo menos para mim, Folhados de Queijo da Serra, Mel e Nozes, Cogumelos Shitake em Azeite e Alecrim e Croquetes de Alheira com molho de mostarda, na companhia de um Pedra Cancela Vinha da Fidalga Uva Cão 2022. Também escolhi Truta de escabeche com cebola rocha, pela curiosidade e porque gosto de escabeches, que não estava nada má. Por fim, porque sou adepto incondicional de carnes grelhadas, saboreámos, bem devagar, uma Posta à Taberna. Este tipo de carne grelhada sabe sempre melhor assim, fatiada e comida com tempo, à medida que a conversa flui e se vai saboreando, sobretudo porque o prazer que tive foi acrescentado pela a boa companhia do tinto da casta Monvedro da colheita de 2022. Para terminar, enquanto os outros iam saboreando coisas doces, fui apreciando queijo da serra com um Porto Andresen White 20 Anos.

(Artigo publicado na edição de Outubro de 2024)

Henri Giraud Ay + Pinot + barrica = grande Champagne

Henri Giraud

Robert Parker classificou, um dia, os vinhos da casa Henri Giraud como “o maior Champagne de que nunca ouviu falar”. O elogio vale o que vale, mas a verdade é que os Champagnes desta empresa familiar merecem (e muito) ser falados e, sobretudo, apreciados. Algo agora mais fácil de conseguir neste cantinho ocidental da Europa, […]

Robert Parker classificou, um dia, os vinhos da casa Henri Giraud como “o maior Champagne de que nunca ouviu falar”. O elogio vale o que vale, mas a verdade é que os Champagnes desta empresa familiar merecem (e muito) ser falados e, sobretudo, apreciados. Algo agora mais fácil de conseguir neste cantinho ocidental da Europa, uma vez que são importados e distribuídos em Portugal pela Disalto.
A casa Henri Giraud é relativamente recente, pois foi registada enquanto “Negociant-Manipulant” apenas em 1975, o que significa que cria as suas próprias uvas e compra uvas a terceiros. As suas raízes, porém, remontam 1625, quando François Hémart e sua família se instalaram em Ay, onde o Champagne nasceu no século XVIII e uma das 17 Grand Cru entre as 323 “villages” que compõem a região. A família Hémart produziu uvas e vinhos ao longo de muitas gerações, até que a filoxera, primeiro, e a Primeira Guerra Mundial, depois, arruinaram o seu principal sustento.

No princípio do século XX, Léon Giraud casou com Madeleine Hémart e dedicou-se a reconstruir todo o património vitivinícola familiar, que viria a ser desenvolvido e ampliado pelos seus descendentes, o filho Henri Giraud e o neto Claude Giraud, membro da 12ª geração.

Henri Giraud
As 2000 barricas de carvalho da floresta de Argonne, são essenciais ao estilo da casa.

Reputação e estilo

Foi Claude que desenvolveu a reputação e o estilo Henri Giraud, assentando-o em três pilares: vinhos Grand Cru Ay; uvas Pinot Noir; e barricas de carvalho de Argonne. Este último é hoje absolutamente definidor do estilo da casa. Claude reintroduziu progressivamente a fermentação em barrica a partir de 1993, algo que, com poucas excepções (Krug, Bollinger…) foi abandonado pelas casas de Champagne desde os anos 50. Mas, para Claude, não bastava fermentar todos os seus vinhos em barrica, objectivo atingido em 2016. Era fundamental fazê-lo em barricas construídas a partir de carvalhos da histórica floresta de Argonne, plantada no século XIV a 60 km de Reims, onde tiveram origem as clássicas barricas de Champagne. Convencido de que “não existem grandes vinhos que não estejam associados a uma grande floresta”, Claude levou mais de duas décadas estudando e selecionando carvalhos muito antigos (de grão super fino e alta densidade), encarregando-se de tostar directamente as madeiras, depois levadas à Tonnelerie de Champagne para o fabrico das barricas cuja certificação oficial Argonne alcançou. Ao mesmo tempo, lançou-se na recuperação da floresta de Argonne, abandonada a partir dos anos 60 do século XX, assumindo, perante a organização florestal do estado francês, a sua gestão. Como resultado, a casa Henri Giraud patrocinou a replantação em Argonne de 50.000 árvores nos últimos 10 anos.

A empresa orgulha-se de ser a única casa de Champagne a utilizar exclusivamente barricas da floresta de Argonne. E não são poucas. Na cave alinham-se cerca de 2000 barricas, usadas durante apenas 8 a 10 anos, para fermentar e estagiar os vinhos base que irão ser espumantizados, contribuindo decisivamente para a cremosidade, complexidade e carácter “boisé” dos champanhes Henri Giraud. Para algumas cuvées mais singulares, a empresa usa igualmente pequenas ânforas de grés (arenito com terracota e caulino), no sentido de potenciar a micro-oxigenação e interacção do vinho base com as borras finas. Outro factor distintivo é a baixa pressão dos seus Champagnes, a rondar os 3,6 bar (o mínimo legal é 3,5 bar e a média em Champagne anda pelos 5,5 bar), o que acentua a voluptuosidade e sensação de volume dos vinhos.
Expulso da fermentação, na Henri Giraud o inox mantém, no entanto, uma função: conservar intocada aquela que é um dos grandes ex libris da casa, a chamada “reserva perpétua”, constituída a partir de 1990 e considerada como um “segredo de família”. Consiste em 28 tanques quadrangulares, de 10 mil litros cada um, enterrados no solo, contendo vinhos velhos sem sulfuroso e com dezenas de anos de idade. A uma temperatura constante de 10,5ºC, estes vinhos não “mexem”, envelhecendo com enorme lentidão. Em cada ano, 20% do vinho velho é retirado para o blend, sendo atestado com vinho novo.

No entanto, o carácter dos champanhes Henri Giraud não começa na cave, mas sim na vinha e, em particular, no terroir de Ay. A quase totalidade é Pinot Noir de encosta (nada de Pinot Meunier) com uma pequena quantidade de Chardonnay de zonas mais baixas do vale do Marne. Toda a uva utilizada tem origem no Grand Cru, com uma camada superficial (por vezes 20 centímetros) de terra arável sobre a rocha de giz, profundamente calcária. Cerca de 10 hectares pertencem à empresa, trabalhando 30 hectares de outros proprietários, mas com o seu próprio pessoal.

Cuidado com o detalhe
Este cuidado com o detalhe associado a uma identidade muito própria é algo que tem sido possível manter graças à pequena dimensão (entre 300 e 350 mil garrafas/ano) e ao carácter intrinsecamente familiar: para além de Claude Giraud, os outros pilares da empresa são sua filha Emmanuele Giraud, na gestão, e o seu genro Sébastien Le Golvet, enólogo principal.

“Ne s’interdire à rien, ne s’obliger à rien, faire du bom vin naturellement” (não se proibir de nada, não se obrigar a nada, fazer o bom vinho naturalmente) era o lema de Henri Giraud, que os seus descendentes têm procurado seguir. A tradição e a inovação coexistem bem neste conceito, como o demonstram os vinhos que Stephane Barlerin, director comercial da casa, nos apresentou recentemente e onde se incluem, para além de champanhes de primeiríssima linha, uma Ratafia Champenoise, ou seja, uma irreverente e imprevista…jeropiga, criada por Claude para acompanhar o seu charuto. “Fazemos vinhos complexos, mas não complicados”, diz Stephane. Para Portugal estão alocadas 3000 garrafas de Champagne Henri Giraud. É aproveitar.

(Artigo publicado na edição de Outubro de 2024)

Madeira Wine Company: Grandes Madeira, salgados e eternos

Madeira

A ilha da Madeira, com 66% da superfície classificada como Parque Natural, tem no seu vinho generoso um dos seus ex-libris. Esta é uma espécie de verdade de La Palice, uma vez que o reconhecimento das virtudes e qualidades daquele vinho é já secular. Mas uma história tão antiga está sujeita a flutuações, períodos de […]

A ilha da Madeira, com 66% da superfície classificada como Parque Natural, tem no seu vinho generoso um dos seus ex-libris. Esta é uma espécie de verdade de La Palice, uma vez que o reconhecimento das virtudes e qualidades daquele vinho é já secular. Mas uma história tão antiga está sujeita a flutuações, períodos de euforia e de retracção.

Estamos actualmente a enfrentar tempos difíceis, como nos foi dado a conhecer na recente apresentação dos novos vinhos da Madeira Wine Company. Ali fomos informados que a área de vinha da ilha continua paulatinamente a diminuir e que a superfície que, até há pouco, era sempre anunciada – 450 ha de vitis vinífera – já está agora (dados de 2023) reduzida a 400 ha, correspondendo a 1680 produtores. Lamentavelmente, diz Francisco Albuquerque, enólogo da empresa, “continuamos a ver serem construídas casas em terrenos que até há pouco tempo eram vinhas”, tendência que só piorará se nada for feito.

Madeira

O processo de candidatura da produção do Vinho da Madeira a Património da Unesco está em marcha e poderá haver novidades em 2025.

Uma luz ao fundo do túnel poderá advir da candidatura da Produção de Vinho da Madeira a Património da Unesco. O processo está em marcha e, dizem-nos, poderá haver novidades em 2025. Não será o vinho que será objecto de classificação, mas sim o processo, das vinhas em latada aos canteiros. Pode ser que assim se proíba, por exemplo, o arranque de vinhas e, até por comparação com o que aconteceu nos Açores – actualmente com mais de 1000 ha de vinhas – a própria área seja substancialmente alargada.
A casta Tinta Negra – que em Colares tinha o nome de Molar – foi dali levada para o Porto Santo porque por lá também havia terrenos de areia. Como se revelou muito produtiva, foi também introduzida na Madeira, onde ganhou o estatuto de casta mais plantada, ocupando actualmente uma considerável área de 240 ha (contra quatro de Terrantez, 14 de Bual, 25 de Sercial, 60 de Verdelho e 35 de Malvasia), tudo áreas de vinha que, pela sua escassez, não podem deixar os apreciadores satisfeitos.

Para alegrar um pouco a preocupação que grassa, quer do lado dos consumidores quer do lado da empresa, com as exportações em queda “numa época em que os vinhos com mais álcool tendem a perder apreciadores”, com salientou Cris Blandy, para alegrar, dizia, foram dados à prova os novos Colheita, agora da edição de 2011 e, no mesmo evento, foram também apresentados dois vinhos DOP Madeirense de 2023. Trata-se de um rosé, cuja 1ªedição remonta a 1991 e um Verdelho, produzido a partir da colheita de 1996.

Madeira

Os vinhos de Frasqueira – indubitavelmente os mais famosos generosos da ilha – estão obrigados a um mínimo de 20 anos de casco e dois anos de garrafa antes de serem comercializados, indicando, no rótulo, o nome da casta. Estes vinhos têm, com frequência, muito mais de 20 anos, porque é norma da empresa não engarrafar tudo de uma vez e, assim, há alguns que são vendidos com muito mais idade. Por norma apresentam-se como Blandy’s ou Cossart Gordon. A Cossart, cuja fundação remonta a 1745, o que faz dela a empresa de vinho Madeira mais antiga ainda em actividade, apresenta tradicionalmente vinhos mais secos e tem mesmo um armazém próprio para o envelhecimento dos vinhos. A empresa juntou-se à Madeira Wine em 1958.

Os vinhos da Madeira têm vindo a ser presença assídua em leilões, onde atingem valores consideráveis com alguma frequência. No entanto, por vezes sem selo da entidade certificadora, nem sempre é fácil saber exactamente o que se está a comprar. É uma jogada de risco, mas que muitas vezes é amplamente compensadora.

(Artigo publicado na edição de Outubro de 2023)

Promoção dos vinhos ibéricos chega a mais de 100 milhões

ViniPortugal

ViniPortugal e OIVE celebraram, no Porto e em Madrid, o encerramento da campanha “Uma Paixão Partilhada”, que chegou a mais de 100 milhões de consumidores europeus. Promovida pelas interprofissionais do vinho de Portugal e Espanha, destacou, durante três anos, a qualidade e a inigualável versatilidade dos vinhos ibéricos junto do público europeu, através de uma […]

ViniPortugal e OIVE celebraram, no Porto e em Madrid, o encerramento da campanha “Uma Paixão Partilhada”, que chegou a mais de 100 milhões de consumidores europeus. Promovida pelas interprofissionais do vinho de Portugal e Espanha, destacou, durante três anos, a qualidade e a inigualável versatilidade dos vinhos ibéricos junto do público europeu, através de uma série de ativações, incluindo acções em aeroportos e estações, workshops e press trips.

No balanço dos principais resultados da campanha, apresentados pela directora de Marketing da ViniPortugal, Sónia Vieira, e pela directora do OIVE, Susana García, ambas destacaram o profundo impacto que a campanha “Uma Paixão Partilhada” teve junto dos consumidores europeus, com mais de 79,2 milhões de viajantes alcançados através das  acções realizadas em aeroportos e estações de comboio.

Outra componente fundamental da campanha foram as 22 viagens de estudo feitas, que permitiram, a 150 jornalistas e outros influenciadores do sector do vinho conhecer, em primeira mão, uma grande parte da geografia vitivinícola portuguesa e espanhola. As suas publicações chegaram a cerca de 15 milhões de consumidores europeus. A isto, juntaram-se as redes sociais, com destaque para o Instagram, onde o perfil da A Shared Passion conta com mais de 15.000 seguidores e, ainda, outras actividades dirigidas a um público profissional, como workshops ou jantares VIP. No total, o impacto da campanha ultrapassou largamente os 100 milhões de consumidores europeus.

O programa europeu “Uma Paixão Partilhada” procurou transmitir a qualidade dos vinhos de Portugal e Espanha, a sua grande riqueza de castas, o número de denominações de origem e indicações geográficas do vinho e, sobretudo, a paixão com que são elaborados. Esta campanha, financiada pela União Europeia, destacou também a importância do sector vitivinícola em ambos os países, pelo seu papel fundamental na sustentabilidade económica, social e ambiental de muitos dos seus municípios.

 

Romaneira: A diversidade do Douro numa só quinta

Quinta da Romaneira

Aparentemente e ao longe, a região do Douro é marcada por uma forte unidade geográfica, social, económica e cultural, na qual a vinha e o vinho são os elementos comuns e agregadores. No entanto, à medida que nos aproximamos dos seus meandros, socalcos e patamares, descobrimos que o território é bastante heterogéneo. As realidades sub-regionais […]

Aparentemente e ao longe, a região do Douro é marcada por uma forte unidade geográfica, social, económica e cultural, na qual a vinha e o vinho são os elementos comuns e agregadores. No entanto, à medida que nos aproximamos dos seus meandros, socalcos e patamares, descobrimos que o território é bastante heterogéneo. As realidades sub-regionais mostram-se bastante díspares relativamente ao clima, relevo, paisagem, povoamento, modos de produção e, acima de tudo, nas dimensões dos vinhedos.
No ano de 2023, segundo as estatísticas do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), a região demarcada era composta por 95851 parcelas de vinha, de geometria muito variável, perfazendo um total de 43813 hectares que, por sua vez, foram explorados por 18655 entidades registadas. Numa primeira aproximação estatística, cada parcela seria composta por uma média que rondaria cerca de meio hectare. Do mesmo modo percebemos que cada entidade explorou aproximadamente cinco parcelas perfazendo um pouco mais de dois hectares. O que corresponde a dois campos de futebol com as medidas oficiais, aproximadamente.

Numa análise mais fina e articulada percebemos claramente uma realidade muito mais complexa e variável. Os números publicados na página on-line do IVDP, referentes ao ano de 2023, revelam que as parcelas entre meio e um décimo de hectare perfazem cerca de 20,5% do total da área da região.
No entanto, a maioria das parcelas, 37412, que correspondem a 39% do total, apresentam uma área inferior ou igual a um décimo de hectare, ou seja, uma grande parte das frações de vinha apresentam uma área menor ou igual, e em alguns casos muito menor, a uma grande área de um campo de futebol. Ainda assim, estas parcelas apenas representam cerca de 4% do total geral de hectares de vinha. Do outro lado do espectro da análise encontramos apenas 26 parcelas com uma área igual ou superior a 20 hectares, o que corresponde a 0,02% das parcelas e a 1,6% do total de hectares.

 

Quinta da Romaneira

Nos antípodas do Douro

Nos antípodas da fragmentação do território e bem no coração do Cima Corgo encontramos a Quinta da Romaneira, uma das maiores propriedades da região, com um total de 412 hectares dispondo de três quilómetros de frente no rio Douro.
As vinhas, totalizando 86 hectares, estão plantadas em socalcos nas escarpadas encostas da propriedade. Tal como referiu Carlos Agrellos, o enólogo consultor, “esta imensa vastidão de vinhedo, pelos parâmetros durienses, encontra-se dispersa por muitos vales e promontórios, o que origina diversos microclimas em função das inúmeras variações de altitude e exposições solares”.

No entanto, a Quinta da Romaneira nem sempre teve estas dimensões, lembra Carlos Agrellos: “na altura das demarcações Pombalinas, já existiam parcelas de vinhas, bem como algumas das Quintas que passariam a fazer parte da Romaneira. No entanto, foi apenas na década de 40 do século passado que ocorreu a grande aquisição de várias quintas vizinhas, o que fez da Romaneira uma propriedade extremamente grande e rara pelos padrões do Douro”. Curiosamente, muitas das parcelas de vinha continuam a ostentar o nome das anteriores propriedades, adquiridas para criar o projeto tal como ele existe hoje: Liceiras, Carrapata, Malhadal, Barca, Bairral e Pulga, são alguns dos exemplos.

Desde 2004, data em que Christian Seely reuniu um grupo de investidores para concretizar a aquisição da Quinta da Romaneira, tem beneficiado de uma renovação, reconstrução e replantação muito extensa. Ainda assim, como referiu Carlos Agrellos, “só oito anos mais tarde, após André Esteves se ter tornado o acionista principal, é que a Quinta consolidou a sua posição entre os produtores de elite de vinhos e revelou todo o potencial de grandeza do seu terroir histórico”.

Quinta da Romaneira

Os novos vinhos do Douro e Porto

Os diversos vinhos da Quinta da Romaneira são muito específicos e provêm de pequenas parcelas individuais ou de várias localizações particulares da Quinta. Esta opção, “reflete a complexidade e diversidade de toda a vinha. Todos os nossos vinhos são feitos exclusivamente de uvas das nossas vinhas, uma característica distintiva dos vinhos da Quinta da Romaneira”, disse Carlos Agrellos.

Um dos pontos de interesse desta apresentação também esteve ligado à reformulação gráfica levada a cabo. Assim, diversas gamas de vinhos foram repensadas e redesenhados os rótulos, refletindo a precisão quanto às origens individuais de cada vinho. Nas palavras de Carlos Agrellos, “cada vinho produzido na Romaneira tem agora um rótulo com uma imagem gravada que reflete a identidade do vinho e o local de proveniência das uvas que o fazem”.

A apresentação dos novos vinhos brancos e do rosé decorreu sob a batuta do ano 2023 que, nas palavras de Carlos Agrellos “ficou marcado por uma mudança significativa em relação aos quatro anos anteriores caracterizados por temperaturas elevadas e escassas produções, estes fatores garantiram que as vinhas cresceram sem as limitações da carência de água e por isso obtivemos uvas de alta qualidade, permitindo a criação de vinhos excecionais”.

Estes vinhos, para além de apresentarem uma nova roupagem, revelam os distintos microclimas da Quinta e as técnicas enológicas utilizadas nas diferentes castas brancas (Gouveio, Viosinho, Boal e Rabigato) e tintas (Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz e Tinto Cão).
Por fim, foram apresentadas as novidades relacionadas com o vinho do Porto, a primeira um Tawny 20 anos envelhecido durante duas décadas em pequenas barricas de carvalho com 640 litros de capacidade. Este, nas palavras de Carlos Agrellos, “incorpora todas as características de um clássico Tawny premium”. A segunda novidade foi um vinho do Porto Vintage vinificado em lagares de inox, que “além de todas as vantagens tradicionais da pisa a pé para o vinho do Porto, também beneficia da capacidade técnica de os aquecer e arrefecer”, referiu ainda Carlos Agrellos.

Nota: O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico.

(Artigo publicado na edição de Outubro de 2024)

Pipadouro eleita como a melhor experiência inovadora em enoturismo a nível mundial

Pipadouro

A Pipadouro ganhou o prémio de melhor experiência inovadora em enoturismo a nível mundial A empresa de turismo fluvial de luxo, que opera no Douro, foi a única representante portuguesa na lista global dos People’s Choice Awards de 2025 promovidos pela Great Wine Capitals Global Network. Foram distinguidos cinco projetos de Espanha, um de França […]

A Pipadouro ganhou o prémio de melhor experiência inovadora em enoturismo a nível mundial A empresa de turismo fluvial de luxo, que opera no Douro, foi a única representante portuguesa na lista global dos People’s Choice Awards de 2025 promovidos pela Great Wine Capitals Global Network.

Foram distinguidos cinco projetos de Espanha, um de França e um de Portugal, em sete categorias distintas, de entre 83 vencedores dos prémios regionais de cada um dos 12 membros da rede mundial de grandes vinhedos.

A operadora redefiniu o conceito de turismo fluvial no rio Douro e conquistou fama mundial ao longo dos últimos 17 anos com propostas de luxo vintage, que obedecem aos elevados padrões de exigência de um mercado que privilegia a qualidade superior, o conforto e a exclusividade. A originalidade das suas propostas foi reconhecida nos Best of Wine Tourism Awards.

Após vencer o prémio regional de Portugal, a Pipadouro concorreu com projetos de outros membros da Great Wine Capitals Global Network: Pasqua Vigneti e Cantine (Verona/Itália), Vergelegen Wine Estate (Cidade do Cabo/África do Sul), Natura Resorts (Bilbao/Espanha), Francey Vins – Nuit des Capites (Lausanne/Suíça), McLaren Vale Distelery/McLaren Vale (Adelaide/Austrália), Chateau de Cérons (Bordéus/França), Estación 83 na Bodega Trapiche (Mendoza/Argentina), Olabisi Winery (São Francisco e Napa Valley/Estados Unidos da América), Smith & Sheth Heretaunga Wine Studio (Hawke’s Bay/Nova Zelândia), e Corazón Continto (Valparaíso-Casablanca Valley/Chile).

“Surgimos com o propósito de proporcionar experiências inesquecíveis a quem nos visita, aliando a excelência e qualidade dos nossos serviços à beleza e autenticidade de uma região única: o Douro. Esta distinção internacional traz reconhecimento à empresa, ao enoturismo na região e igualmente a Portugal, cumprindo um dos nossos grandes objectivos, que passa por promover a região internacionalmente, pois sabemos que o Douro tem caraterísticas únicas – aliando qualidade e autenticidade – que devem ser reconhecidas mundialmente”, diz Ana Clara Silva, directora de operações da empresa.

A Pipadouro, que opera a partir de um cais privado no Pinhão, apresenta dois barcos classificados como Gentleman’s Vintage Boats: para além do Friendship I, um superiate de 1957 que servia a Marinha inglesa, tem ao dispor dos seus clientes o Pipadouro II, um Vintage Boat com 30 pés de comprimento, datado de 1965 e construído nos estaleiros de João Brites, em Lisboa, com recurso a desenhos da Americana Chris-Craft.

Navegando entre a foz do rio Douro, no Porto, e Barca D’Alva, aldeia que faz fronteira com Espanha, com as quintas, os vinhos e os mais distintos produtos locais no menu, a empresa apresenta propostas exclusivas de Um Dia no Douro, Almoço Vintage, Bed & Breakfast, Fim de Tarde, Jantar de Charme, Vintage Breakfast, Wine with a View, Vintage Wild Travel e How Vintage Can You Go, para além das inúmeras possibilidades de programas feitos à medida, e de partidas regulares entre o Pinhão e o Tua.

 

Melhor Sommelier da Europa, África e Médio Oriente de 2024 é Mikk Parre

O evento, que decorreu em Belgrado, na Sérvia, entre 11 e 15 de Novembro, foi seguido, ao vivo, por uma audiência atenta de profissionais de vinhos, sommeliers e entusiastas.

Mikk Parre, da Estónia, foi o vencedor do concurso Melhor Sommelier da Europa, África e Médio Oriente de 2024, organizado pela Associação Internacional de Sommeliers (Association de la Sommellerie Internationale – ASI). O evento, que decorreu em Belgrado, na Sérvia, entre 11 e 15 de Novembro, foi seguido, ao vivo, por uma audiência atenta de […]

Mikk Parre, da Estónia, foi o vencedor do concurso Melhor Sommelier da Europa, África e Médio Oriente de 2024, organizado pela Associação Internacional de Sommeliers (Association de la Sommellerie Internationale – ASI).

O evento, que decorreu em Belgrado, na Sérvia, entre 11 e 15 de Novembro, foi seguido, ao vivo, por uma audiência atenta de profissionais de vinhos, sommeliers e entusiastas.

Para cada concorrente, a viagem até Belgrado foi longa e desafiante, começando, para muitos, na competição nacional e culminando na prova que decorreu na Sérvia. Já na final, cada um dos concorrentes selecionados – para além de Mikk Parre, Pascaline Lepeltier, de França e Martynas Pravilonis, da Lituânia – realizaram uma série de tarefas destinadas a testar a sua experiência, precisão e compostura sob pressão, onde cada um demonstrou o seu grau de conhecimento, capacidade de prova e de realizar serviço, demonstrando o talento e a paixão que definem a profissão de sommelier.

Para o presidente da ASI, William Wouters, o “concurso é uma celebração da notável capacidade e dedicação que os candidatos trazem ao mundo do vinho”. Para este responsável, “Mikk Parre personifica a excelência, integridade e paixão que a ASI representa, e estamos confiantes de que será um excelente embaixador para a comunidade global de sommeliers.”