VINEADOURO: Vinhas antigas, a herança da terra

O local escolhido para o lançamento não é comum entre os produtores de vinho, mas fazia todo o sentido no contexto da Vineadouro. A apresentação teve lugar numa sala do Laboratory for Sustainable Land Use and Ecosystem Services (TERRA), do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Trata-se de um laboratório associado dedicado à produção de conhecimento científico e evidência socioecológica aplicada à gestão […]
O local escolhido para o lançamento não é comum entre os produtores de vinho, mas fazia todo o sentido no contexto da Vineadouro. A apresentação teve lugar numa sala do Laboratory for Sustainable Land Use and Ecosystem Services (TERRA), do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Trata-se de um laboratório associado dedicado à produção de conhecimento científico e evidência socioecológica aplicada à gestão sustentável do território.
A Quinta da Vineadouro localiza-se em Numão, uma pequena povoação com cerca de 200 habitantes, no concelho de Vila Nova de Foz Côa. A paisagem envolvente é marcada por vinhas e olivais, áreas de mato e pelo Castelo de Numão, implantado no topo de uma longa crista xistosa que, durante séculos, funcionou como ponto de controlo visual do território. Vista à distância, essa crista ondulante, rodeada por uma muralha, faz lembrar a silhueta de um dragão adormecido.
A presença da família Moutinho de Gouveia em Numão remonta ao século XVIII, estando documentada a produção de vinho na quinta desde o final do século XIX, com a conclusão da adega datada em 1890. O edifício funcionava como solar, com a família a residir no piso superior e a adega instalada no piso térreo, sendo as uvas da propriedade destinadas à produção de Vinho do Porto. Actualmente, é a sétima geração da família que explora os 140 hectares da propriedade e que, a partir de 2014, assumiu a recuperação do património edificado e das vinhas. A escala vitícola mantém-se reduzida: pouco mais de quatro hectares, distribuídos por quatro parcelas, onde a vinha mais jovem tem cerca de 50 anos e a mais velha é centenária.
Em 2019, nasceu a marca Vineadouro. O nome deriva da junção de duas palavras em latim: vinea, que significa “vinha”, e douro, que remete a algo precioso. Em 2020, foram lançados os primeiros vinhos: um tinto de 2017 e um branco de 2019. A enologia está a cargo de Manuel Malfeito Ferreira e Virgílio Loureiro, nomes com longa ligação ao ensino e à investigação vitivinícola e microbiológica, o que explica a abordagem técnica rigorosa. A consciência de sustentabilidade leva a aplicarem práticas ambientais sempre que possível, incluindo a implementação da gestão cuidadosa de água, energia e resíduos, promovendo a biodiversidade. Em setembro de 2024, abriram um pequeno hotel vínico, as Casas da Vinha, o primeiro EchoTech Resort sustentável dedicado ao enoturismo.
A família é representada pelo casal Teresa e Carlos Correia de Lacerda e as três filhas-gémeas. Apesar de todos terem outras profissões, estão profundamente envolvidos no projecto. Por este motivo, o lançamento do Vineadouro Grande Reserva é um acontecimento de grande importância para a família, reforçando a herança em prol da continuidade.
O vinho nasceu na parcela chamada Vinha da Coitadinha, plantada em socalcos tradicionais, a cerca de 450 metros de altitude. Trata-se de uma vinha centenária, constituída por castas misturadas, com presença de Rufete, Touriga Franca, Casculho, Tinta Amarela, Bastardo e Tinta Roriz, num conjunto mais vasto de variedades, difícil de quantificar com precisão. A fermentação decorreu em lagares de granito com leveduras indígenas; seguiu-se maceração prolongada e estágio de 18 meses em barricas novas de carvalho francês de tosta média. Foram produzidas cerca de 3.000 garrafas. Ao mesmo tempo foi apresentada a nova colheita do branco Vineadouro Vinhas Antigas, da mesma vinha, o qual inclui Síria, Folgazão, Gouveio, Trincadeira Branca, Malvasia Fina, Malvasia Rei, Rabigato e Carrega Branco. Vinificado só em inox para realçar a delicadeza das vinhas velhas.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
A Organização do ano é…. Vignerons de Portugal

O nome vigneron identifica um produtor que apenas produz vinhos com as suas próprias uvas. Este termo, ainda que francês, vulgarizou-se por cá, uma vez que a palavra portuguesa correspondente é complicada e ainda diz pouco aos consumidores: vitivinicultor-engarrafador. Será esta a designação que engloba todo o produtor que não compra a terceiros, apenas laborando […]
O nome vigneron identifica um produtor que apenas produz vinhos com as suas próprias uvas. Este termo, ainda que francês, vulgarizou-se por cá, uma vez que a palavra portuguesa correspondente é complicada e ainda diz pouco aos consumidores: vitivinicultor-engarrafador. Será esta a designação que engloba todo o produtor que não compra a terceiros, apenas laborando as próprias uvas que transforma em vinho. Na linguagem dos apreciadores de vinho está bem estabelecida a noção de produtor-engarrafador, mas essa designação não obrigava ao uso exclusivo das próprias uvas, algo que acontece agora com os Vignerons de Portugal.
Até aqui não existia uma associação com estas características e esta acabou por surgir por iniciativa de Mário Sérgio, rosto da Quinta das Bágeiras que reuniu, em 2024, na sua adega, na Bairrada, a propósito dos 35 anos da empresa, um primeiro grupo e que, em finais de 2025, se apresentou ao público, em Lisboa. São dez produtores de seis regiões diferentes e todos assumem o compromisso de serem responsáveis por todos os processos de elaboração dos seus vinhos, da uva à garrafa. É essa a razão de ser do lema do grupo: “As nossas uvas, os nossos vinhos”.
Falamos de produtores que têm as suas propriedades em várias regiões, desde os Vinhos Verdes até ao Alentejo. O conceito é exigente, porque obriga a que cada um apenas utilize o que as suas uvas produzem. Mas se por um lado não é uma garantia absoluta da qualidade, por outro podemos ficar com a certeza que é a expressão das uvas e do trabalho, na vinha e na adega, deste ou aquele produtor. O vigneron sofre quando tem falta de uvas e tem de resolver o problema quando as tem em excesso, mas esse é o desígnio a que está obrigado. O hábito do consumidor adquirir vinhos na propriedade está a crescer, por conta do enoturismo e isso ajuda à melhor compreensão do conceito de vigneron: é aquele produtor, são aquelas vinhas e aquele vinho. É uma ligação a desenvolver e é isso que este grupo se propõe a fazer através de eventos anuais abertos ao público, uma vez em cada quinta. J.P.M.
O Prémio Organização do ano é patrocinado por: DIAM / Oenotech
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
O Prémio de Viticultura do ano é….Lusovini

O projeto desenvolvido pela Lusovini em torno do estudo e recuperação de castas autóctones do Dão é um bom exemplo da ligação profunda entre viticultura, conhecimento adquirido e visão estratégica. Esta iniciativa nasce de uma inquietação antiga de Casimiro Gomes, fundador da Lusovini, e da constatação de que muitas castas históricas da região existiam apenas […]
O projeto desenvolvido pela Lusovini em torno do estudo e recuperação de castas autóctones do Dão é um bom exemplo da ligação profunda entre viticultura, conhecimento adquirido e visão estratégica. Esta iniciativa nasce de uma inquietação antiga de Casimiro Gomes, fundador da Lusovini, e da constatação de que muitas castas históricas da região existiam apenas na memória dos viticultores, sem caracterização agronómica consistente nem expressão enológica que permitisse avaliar o seu real potencial. Desde os anos 1980, quando fundou a empresa no Dão, ouviu falar repetidamente dessas variedades quase desaparecidas. Em vez de esperar por estudos oficiais, decidiu avançar e criar as condições para as conhecer no terreno.
A oportunidade surgiu em 2015, com a aquisição da Vinha da Fidalga, em Carregal do Sal, uma propriedade com origem no século XVIII. Instalou-se ali uma vinha experimental de cerca de 3,5 hectares dedicada a castas minoritárias e em risco de extinção, tendo envolvido, inicialmente, 22 castas, com aproximadamente mil plantas de cada uma. Ao longo dos anos, o acompanhamento rigoroso em vinha permitiu observar o ciclo vegetativo, a resistência a doenças, a adaptação ao solo e ao clima e definir práticas de condução adequadas, num contexto em que praticamente não existia informação técnica disponível.
Deste trabalho resultaram 12 castas mantidas em estudo, entre as quais Barcelo, Uva Cão, Douradinha, Luzidio, Malvasia Preta, Monvedro, entre outras pouco conhecidas. Entre 2020 e 2023 realizaram-se microvinificações, com uma abordagem enológica deliberadamente neutra, pensada para revelar as uvas no seu estado mais direto. O objetivo foi gerar conhecimento: compreender perfis sensoriais, níveis de acidez, equilíbrio e potencial de evolução. Nos últimos dois anos foram apresentados alguns dos vinhos, já na vertente comercial, mas em edições muito limitadas.
Este investimento excede a dimensão patrimonial. Ao criar conhecimento vitícola consistente, a Lusovini contribui para o seu próprio futuro e para o futuro da região, assegurando que estas castas deixam de ser apenas memória, para voltarem a ter um papel ativo na viticultura de amanhã. V.Z.
O Prémio Viticultura do ano é patrocinado por: Vieirinox
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
O Enólogo de vinhos generosos do ano é…. Francisco Albuquerque

Francisco Albuquerque nasceu em 1964 numa família ligada ao Vinho Madeira, com vinhas e produção de vinho. O avô explorava a Quinta do Arco, localizada no concelho de Santana, no norte da ilha da Madeira. As uvas eram fornecidas à H.M. Borges, empresa de outros familiares. Essa imersão no mundo do vinho levou-o à Escola […]
Francisco Albuquerque nasceu em 1964 numa família ligada ao Vinho Madeira, com vinhas e produção de vinho. O avô explorava a Quinta do Arco, localizada no concelho de Santana, no norte da ilha da Madeira. As uvas eram fornecidas à H.M. Borges, empresa de outros familiares. Essa imersão no mundo do vinho levou-o à Escola Agrária de Santarém, mas a escolha recaiu na produção animal, para complementar os conhecimentos sobre o universo vitivinícola trazidos do berço. Segundo o enólogo, foi um “conceito romântico sobre os agrónomos, uma ideia que vinha da Quinta da Anita.” O romantismo não o afastou do vinho. Pelo contrário, Francisco Albuquerque concluiu vários cursos na Estação Vitivinícola Nacional em Dois Portos, localizado em Torres Vedras, e uma pós-graduação em Agricultura Biológica e Enologia. Em 1990, fez um estágio de vindima iniciado no Douro e terminado na Madeira, durante o qual absorveu toda a experiência que a equipa da família Symington trouxe para o Vinho Madeira. A partir de 1993, teve carta branca para liderar a enologia na Madeira Wine Company, aliando o saber empírico dos madeirenses, tanto na vinificação como no envelhecimento, com os estudos científicos, nos quais colaborou com a Universidade da Madeira, em especial a partir de 1996.
Muitos conhecimentos estavam pouco sistematizados. Por isso, os processos que Francisco Albuquerque e os colegas foram desenvolvendo destinavam-se a perceber melhor o processo de envelhecimento, em particular através do isolamento dos factores e catalisadores. Com 16 armazéns de envelhecimento distribuídos entre o Funchal e o Caniçal, na ilha da Madeira, são inúmeros os parâmetros a estudar, para decifrar o puzzle dos grandes e imortais vinhos Madeira. Exemplo das descobertas: os mais secos envelhecem melhor no Funchal e os mais doces preferem o Caniçal. Contudo, os secos com mais de cinco anos são mais compatíveis com as condições climáticas do Caniçal, já que, no Funchal, ficam mais concentrados e balsâmicos, mas menos complexos. Francisco Albuquerque também tem grandes contributos na defesa da viticultura e na melhoria da vinificação. Há um paradoxo aparente: o vinho deve ser vinificado com todo o cuidado, para evitar a oxidação e a acidez volátil, por forma a preservar os factores que desencadeiam um bom envelhecimento oxidativo.
Ao fim de 37 anos na Madeira Wine Company, Francisco Albuquerque é um dos grandes responsáveis pela preservação de tradições centenárias, agora iluminadas pelo rigor do conhecimento científico. E, ano após ano, é o autor de algumas das mais preciosas pérolas do universo Vinho Madeira. L.A.
O Prémio Enólogo de vinhos generosos é patrocinado por: Casa Ermelinda Freitas
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
O Prémio Enólogo/a do ano é….. Marta Lourenço

A produção de espumantes pelo método clássico – a segunda fermentação ocorre em garrafa, com leveduras livres – é, naturalmente, herdeira do saber e da técnica usada em Champagne, a região que serve de modelo a todas as outras que querem seguir este procedimento. A técnica pode ser muito simples ou extremamente complicada, pode ser […]
A produção de espumantes pelo método clássico – a segunda fermentação ocorre em garrafa, com leveduras livres – é, naturalmente, herdeira do saber e da técnica usada em Champagne, a região que serve de modelo a todas as outras que querem seguir este procedimento. A técnica pode ser muito simples ou extremamente complicada, pode ser muito rápida ou demorar mais de uma década. Recordo-me de ter provado espumantes que saiam para o mercado em Dezembro/Janeiro, feitos a partir de uvas colhidas três meses antes, mas também me recordo de provar vinhos que estiveram dez e mais anos em cave, à espera que o tempo fizesse o seu papel, para, então, serem colocados no mercado.
Na Murganheira (e na Raposeira) o método clássico é levado muito a sério e todos os vinhos seguem esta técnica. Isso obriga a longos períodos de estágio em cave e são muitos milhões as garrafas que nas adegas descansam à espera que lhes seja dada “guia de marcha”, para poderem ser consumidas. Ainda que usando algumas castas portuguesas e locais, é com as clássicas champanhesas – Pinot Noir e Chardonnay – que os topos de gama se fazem, porque são as variedades que melhores resultados mostram.
Marta Lourenço entrou para a Murganheira como estagiária em 2006. Dois anos depois, passou a responsável da enologia e da viticultura, quer da Murganheira, quer da Raposeira. Confessa que a primeira aprendizagem a sério nos espumantes foi feita com os Cava da casa Gramona, mas todos os anos ruma a Champagne onde, com os contactos que tem, vai actualizando o saber e as técnicas. Beneficia da relação privilegiada com a Station Oenotechnique de Champagne (herdada do Professor Lourenço) e uma ligação pessoal forte com a equipa técnica da Möet & Chandon. Apesar do portefólio já muito completo, Marta reconhece que há vinhos que lhe dão muito mais trabalho que outros, como é o caso do Czar, um rosé especialmente exigente na fase do acompanhamento da prensagem, porque o clima e as castas da região não são propícios àquele tipo de espumante. Está a trabalhar em espumantes bio e também em espumantes feitos pelo método ancestral. Responsável pela enologia e viticultura de duas empresas tão grandes não é um desafio excessivo? “É, mas eu gosto”, diz-nos Marta! J.P.M.
O Prémio Enóloga do ano é patrocinado por: Cosvalinox
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
O Prémio Singularidade do Ano é…. Materramenta

A par com mais duas ou três regiões no continente, dúvidas não existem de que os Açores, com destaque para o Pico e para a Terceira, produzem alguns dos mais excitantes vinhos brancos portugueses. Aliás, nunca como agora os vinhos daquele arquipélago foram tão frescos e definidos, conseguindo-se néctares cuja salinidade e frescura não se […]
A par com mais duas ou três regiões no continente, dúvidas não existem de que os Açores, com destaque para o Pico e para a Terceira, produzem alguns dos mais excitantes vinhos brancos portugueses. Aliás, nunca como agora os vinhos daquele arquipélago foram tão frescos e definidos, conseguindo-se néctares cuja salinidade e frescura não se encontravam no perfil tradicional e antigo das ilhas, por regra licoroso e com alguma uva atacada por podridão.
Pois bem, nestes últimos 15 anos muito trabalho foi feito e esse perfil clássico ficou confinado aos licorosos, cuja qualidade também tem melhorado muito. Durante este período, a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico teve um labor resiliente e modernizou-se. O experiente enólogo e produtor Paulo Machado consolidou marcas e apresentou referências memoráveis. No meio desta concorrência feroz, um outro nome tem-se imposto lentamente na última década, estabelecendo-se como um dos melhores produtores (senão o melhor…) da ilha Terceira, graças ao seu magnífico DO Biscoitos, apresentando, ainda, um portefólio de vinhos da Graciosa e do Pico. O nome? Materramenta. E antes que o leitor conclua ser uma designação arrevesada, quero lembrar-lhe que Materramenta foi o primeiro proprietário das terras dos Biscoitos, na ilha Terceira, tendo vendido essas terras a Pero Anes do Canto, Provedor das Armadas e Naus da Índia em todo o arquipélago.
À frente do projeto Materramenta está Luís Vasco Cunha, empresário cuidadoso e experiente, cujo currículo e maneira de ser atestam profissionalismo e rigor. Prova disso é a adega e sala de provas, de dimensões contidas e ajustadas a produções e visitantes, resultantes de uma recuperação zelosa de um edifício do século XIX, junto às vinhas de Biscoitos. Prova disso é também a escolha dos enólogos, com Constantino Ramos a capitanear, sendo os vinhos fora da Terceira feitos por Paulo Machado. Acresce ainda o alojamento para o número crescente de turistas que visitam a região.
Após várias provas de todos os vinhos produtores açorianos, grande parte dos quais provados lado a lado, ficamos com a certeza que os vinhos Materramenta estão entre os melhores da região e são os mais interessantes da DO Biscoitos. O perfil é esteticamente depurado e autêntico, com tensão e salinidade, sem perder em elegância e equilíbrio. Numa palavra, são singulares! N.O.G.
O Prémio Singularidade do Ano é patrocinado por: Casa Havaneza
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
VENÂNCIO DA COSTA LIMA: 112 anos de uma história viva

“Esta adega foi fundada em 1914 pelo Senhor Venâncio da Costa Lima. Na altura, tinha 22 anos. Com essa idade, iniciou-se na área de comércio de vinho, cereais e azeite. Uns anos depois, deixou o negócio do azeite e dos cereais, e dedicou-se só à produção e comercialização de vinhos.” A introdução é feita por […]
“Esta adega foi fundada em 1914 pelo Senhor Venâncio da Costa Lima. Na altura, tinha 22 anos. Com essa idade, iniciou-se na área de comércio de vinho, cereais e azeite. Uns anos depois, deixou o negócio do azeite e dos cereais, e dedicou-se só à produção e comercialização de vinhos.” A introdução é feita por Elsa Sousa, responsável pelo enoturismo da Venâncio da Costa Lima, empresa familiar situada na Quinta do Anjo, lugar pertencente ao concelho de Palmela e à região da Península de Setúbal. Homem de negócios empreendedor e visionário, Venâncio da Costa Lima adquiriu espaços comerciais – as tabernas, de então – no referido território vitivinícola, os quais eram dados à exploração. Objetivo? Vender o vinho produzido na adega homónima. “Atualmente, seria um franchising”, afirma a nossa cicerone em tom de brincadeira.
O sucesso estava garantido: “entre os anos 30 e 50 do século passado, éramos a segunda maior adega da região.” Elsa Sousa contextualiza o cenário socioeconómico desses tempos firmados na cultura da vinha e do vinho: “só aqui, na Quinta do Anjo, havia entre 10 a 15 adegas a funcionar. Neste momento, a produzir e a comercializar só há uma, a nossa.”
Quando Venâncio da Costa Lima morre, não havia descendência direta. Por conseguinte, deixou o legado a seis sobrinhos. Quatro gerações mais tarde, são os primos Joana Vida e João Vida, gerentes, e Carlota Lima, que faz parte da equipa de enoturismo, os representantes da quarta geração da centenária empresa familiar, com 35 funcionários permanentes. “E ainda temos cá um elemento da terceira geração, o pai da Carlota, que é Filipe Matos”, evidencia João Vida, referindo-se ao responsável pela área comercial.

Uva de 10 produtores locais
Em consequência das partilhas e com a passagem do tempo, a Venâncio da Costa Lima deixou de ter vinha na sua posse. Quanto à área total inerente à plantação de videiras detidas pelo então fundador da empresa, “teria de ser uma área razoavelmente grande, dado que foi o segundo maior produtor [de vinho] daquela altura”, afirma João Vida. A compra da uva entrava, em simultâneo, na equação deste negócio familiar. Paralelamente, o número de produtores de uva tem vindo a diminuir.
Hoje, “temos viticultores com os quais estabelecemos uma ligação desde há muito tempo”, revela Joana Vida, que conta com 10 produtores de uva locais, o que perfaz uma área de vinha total de aproximadamente 100 hectares, com especificidades de solos e orientações distintas. A vinha plantada há mais tempo tem mais de 50 anos e é de Castelão. Em relação à quantidade de matéria-prima reunida na adega, aquela “varia muito de ano para ano”, continua João Vida.
No enquadramento da localização atual das vinhas, a área maior está concentrada no Lau, localidade situada no concelho de Palmela. Os solos são arenosos, uma mais-valia para a casta Castelão, que, na região da Península de Setúbal, ocupa 2.935 hectares, representando 58% do encepamento de castas tintas, segundo dados fornecidos pela Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal. Porém, as temperaturas altas registadas, durante o verão, neste território vitivinícola, põem em alerta permanente os responsáveis da Venâncio da Costa Lima. Joana Vida explica que o calor causado pelo sol nos solos arenosos reflete na planta, provocando escaldões na vinha. “A altura crítica é antes da passagem para a fase do pintor [quando as uvas mudam de cor e dá-se início à maturação]”.
Em contrapartida, “não há uma amplitude tão grande, o que permite uma boa maturação da Castelão”, salvaguarda Eduardo Silva, enólogo da empresa desde 2024. Embora na legislação da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal impere que 2/3 desta casta faça parte do lote de um tinto DO Palmela, no portefólio vínico desta adega a Castelão é usada a 100% nos seguintes vinhos tintos: Venâncio Costa Lima, Venâncio Costa Lima Reserva, Pioneiro e Rubrica Reserva.
De volta aos solos, o caso muda de figura nas vinhas da Serra do Louro, parte integrante do Parque Nacional da Serra da Arrábida, “porque os solos são argilocalcários”, justifica a gerente.

Acompanhamento planeado
Para minimizar os contratempos na vinha, a Venâncio da Costa Lima arranca com o acompanhamento aos 10 viticultores na fase do pintor, com o controlo da maturação, a verificação da acidez e avaliação da produção. Esta missão é partilhada por João Vida, Eduardo Silva e Carlos Dias, enólogo que presta apoio à empresa no âmbito da viticultura. O passo seguinte baseia-se na elaboração de um plano que incide no controlo de maturação. Os enólogos fazem a recolha por casta e efetuam a análise de laboratório. A finalidade consiste em traçar um calendário inerente à entrega da matéria-prima na adega, o qual é comunicado a posteriori a cada viticultor.
Independentemente desta tarefa assegurada pela empresa, “todos os viticultores são acompanhados por técnicos da AVIPE [Associação de Viticultores do Concelho de Palmela]. São engenheiros agrónomos, que aconselham e ajudam os viticultores a garantir um protocolo de produção integrada, ou seja, só tratam a vinha quando é necessário e com as substâncias ativas permitidas”, elucida João Vida. Os produtos fitofarmacêuticos adicionados à vinha são controlados pela referida entidade através de uma conta corrente, informação essa que é passada à empresa, por forma a conduzir os trabalhos em concordância.
Ao contrário do que acontecia há duas décadas, a vindima tem vindo a começar entre 10 e 15 de agosto, porque se a maturação da Moscatel Roxo e a acidez estão no ponto, impera a apanha. Esta casta é a primeira a dar entrada na adega Venâncio da Costa Lima, para dar corpo aos vinhos generosos, seguindo-se as outras variedades brancas (Fernão Pires, Verdelho e Arinto) e, posteriormente, as tintas (Castelão, Touriga Nacional, Aragonez e Syrah). O ciclo fecha com a colheita da Moscatel de Setúbal igualmente utilizada na produção de generosos.
João Vida relembra que a Moscatel Roxo esteve em vias de extinção, porque amadurece muito cedo, enquanto a Castelão entra na fase de maturação mais tarde, tendo em conta que ambas as variedades estavam misturadas na vinha. “Por isso, a vinificação era feita com todas as castas, mas a Moscatel Roxo já estava comida pelas abelhas e pelos pássaros.” A recuperação da casta beneficiou com a plantação a solo, para que passasse a ser vindimada em separado e, de seguida, facilitar a vinificação. Hoje, os vinhos Moscatel Roxo de Setúbal são os ex-libris da região, onde, atualmente, ocupa uma área de vinha de 66 hectares, num universo de 7.500 hectares, de acordo com a Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal. “Na adega, também representa 10%”, comunica João Vida.
Produto de excelência
Quer no Moscatel de Setúbal, quer no Moscatel Roxo de Setúbal, a vinificação das respectivas uvas é igual, ou seja, depois de esmagada e desengaçada, é colocada dentro do depósito, onde faz uma ligeira fermentação durante 24 horas. Findo este período, abafa-se com “aguardente selecionada pela Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal em conjunto com outras adegas. É álcool vínico, porque tem de ser o mais neutra possível”, esclarece Eduardo Silva. Após este procedimento, o processo de maceração pelicular, dentro do depósito, decorre até abril do ano seguinte. Este método “é muito importante pois, através de extração alcoólica, todos os aromas e sabores vão passar da uva para o líquido. Na primavera, abrem-se finalmente os depósitos de Moscatel e vai para prensa”, explica Joana Vida.
A experiência determina se a opção é apostar num Moscatel jovem ou se o resultado denota potencial para fazer um estágio mais prolongado. No caso dos moscatéis de Setúbal, o líquido obtido permanece em depósito de inox e sem estágio em madeira, para que o resultado revele “os aromas primários da casta: os aromas de flor de laranjeira, o do mel e a frescura, os descritores mais usuais neste caso. É quase como um perfume”, descreve a gerente. No âmbito do Moscatel Roxo de Setúbal, este “fica mais tempo a ganhar aromas, para ser um produto excelência”, declara enólogo, em barricas de carvalho francês de 225 e 250 litros, anteriormente usadas em vinho tinto, “porque não nos interessa que a madeira marque muito; é mais para potenciar a micro-oxigenação”, explana João Vida. O objetivo é evidenciar a elegância e a complexidade aliada aos aromas terciários.
À mesa, e segundo a nossa anfitriã, os moscatéis jovens são recomendados para aperitivo ou na companhia de uma “sobremesa com mais acidez ou com o ananás, ou abacaxi, por exemplo, ou queijos curados, salgados e gordurosos”. Já o Moscatel Roxo combina melhor com bolos de nozes ou chocolate; os mais velhos são para apreciar com calma e à temperatura ambiente, no inverno; no verão, o frigorífico é um bom aliado.
Para lá da fronteira de Portugal, é de recordar que esta empresa familiar já conquistou, por cinco vezes, o lugar cimeiro na competição Muscat du Monde. Esta estreia teve lugar em 2011, com o Moscatel de Setúbal Reserva 2006. “Este concurso alavancou a Venâncio da Costa Lima e alavancou a região e o produto, que passou a figurar com maior firmeza nos fortificados de Portugal”, realça Joana Vida. A proeza repetiu-se em 2017, com o Moscatel Roxo 2013, em 2020, com o Moscatel Roxo Reserva da Família 2016, em 2022, com o Moscatel Roxo Reserva da Família 2018, e em 2023, com o Moscatel de Setúbal 2019. Fora os moscatéis da empresa distinguidos no Top 10 e com medalhas de ouro deste concurso mundial.
Desafios de uma empresa centenária
“O facto de sermos uma empresa familiar antiga e com muita gente acarreta alguns desafios”, avança Joana Vida. Por outro lado, este cariz familiar aporta “confiança ao nosso consumidor, quer ao nosso cliente, quer ao nosso importador, quer ao mercado. É uma empresa que vai celebrar 112 anos”, sublinha. Em cima da mesa, está em destaque as alterações do mercado, com as quais o sector do vinho tem vindo a deparar amiúde. De acordo com a gerente, esta mudança ocorreu há 10, 15 anos, quando a Venâncio da Costa Lima começou a deparar-se com pedidos de “vinhos mais frescos”. Portanto, maior frescura e grau alcoólico mais baixo são duas variáveis alinhadas com a antecipação das vindimas. Neste contexto, controlo de maturação é o factor mais relevante, por forma a se conseguir um grau alcoólico mais baixo e maior frescura no vinho. “É nesta fase do controlo na vinha que entra o Carlos Dias”, acrescenta.
Mas uma vez que os moscatéis são a referência desta adega centenária, nem sempre é fácil fomentar a compra por parte do consumidor. Por esse motivo, enoturismo tem vindo a ser desenvolvido neste sentido, apesar de não ser a única solução. Esta prática é complementada pela venda em grandes superfícies e pela exportação que se resume a 5%. Os principais mercados são os Estados Unidos, o Brasil e a Europa, nomeadamente Países Baixos, Reino Unido e França. “Tanto o Moscatel de Setúbal como o Moscatel Roxo são vinhos de nicho, são difíceis de exportar”, razão pela qual “no Reino Unido vendemos para um importador que vende uísques e conhaques”, argumenta Joana Vida. A respeito do moscatel em Portugal, está “mais estável do que o vinho, porém difícil”. Já o grande volume é destinado para a restauração.
Em suma, “o sector do vinho atravessa grandes desafios, nomeadamente em relação às questões legais, de saúde, do álcool. Portanto, é preciso que estejamos sempre atualizados.”
Enoturismo desde 2015
A adega original da Venâncio da Costa Lima mantém-se à beira da estrada, com amplas janelas, através das quais, em tempos idos, os viticultores descarregavam a uva com o auxílio de uma forquilha. As paredes grossas protegem os lagares em pedra, a destilaria, bem como o desengaçador, a máquina pasteurizadora e a bomba manual antigas, as ânforas argelinas, os tonéis e os depósitos em cimento. “Era aqui que se faziam, estagiavam, loteavam e engarrafavam os vinhos. Hoje em dia, serve para o enoturismo e o armazenamento de moscatel. Dos melhores vinhos”, revela Joana Vida. Agora, é a guardiã dos moscatéis com 40 e mais anos e está destinado a experiências vínicas.
Das experiências descritas no site da empresa, destacam-se duas: “Da queijaria à adega” e “Das grutas ao vinho”. A primeira inicia-se com uma visita à vizinha queijaria Fernando & Simões, seguindo-se a harmonização de quatro referências vínicas da casa com três queijos de curas distintas, a par com uma tábua bem composta por doces locais, frutos secos e especiarias. A segunda iniciativa incita a um passeio pedestre até aos sepulcros neolíticos existentes no Parque Natural de Arrábida, durante o qual se atravessa a aldeia. Julho é o mês ideal para esta caminhada, já que permite observar a flor do cardo.
Joana Vida revela que Elsa Sousa é uma cozinheira de mão cheia. Quem conhece, sabe quão saborosas são as batatas de molho toucinho servidas em taças de barro, pelas 11h00, na vinha, no âmbito da atividade associada às vindimas, a qual está disponível na devida época do ano. Quem se inscreve, sabe que esta iniciativa é para levar a sério, daí a necessidade de se retemperar forças já depois das boas-vindas das 08h00. “Fazemos tudo o mais genuinamente possível”, assevera a gerente da empresa, que reforça a junção da gastronomia local (pão, queijos, enchidos, sopas tradicionais) com os vinhos da Venâncio da Costa Lima. “As harmonizações que fazemos não é só porque gostamos de bola podre ou de queijo de Azeitão. Há todo um estudo por trás e uma tentativa de ligar sempre a algo que diz respeito à região”, salienta.
O número médio de visitas tem vindo aumentar, graças à proximidade com a capital do país, que permite uma viagem com duração entre 30 a 40 minutos. “Temos estado a absorver o excesso de turismo de Lisboa e Sintra, e temos muitas agências que nos estão a ver como uma alternativa de confiança”, adianta a nossa anfitriã. Sem esquecer o facto de todos os espaços serem acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida, pois a visita à adega faz parte de cada ação realizada no contexto do enoturismo.
Visita guiada à adega
A ampliação da adega ocorreu em três fases ao longo das gerações seguintes, para dar resposta às necessidades da empresa. Pelo meio, foi criada a zona da vinificação e a de receção das uvas. Por fim, foi edificada a nave principal, onde estão instalados o armazém, o laboratório, a zona de loteamento e a de expedição. Acrescem as secções de enchimento, com duas linhas para garrafas, barril de inox e de madeira, e de embalagens, bem como as que estão reservadas à rotulagem. Na Venâncio da Costa Lima movimentam-se três milhões de litros de vinho por ano, já que, além da uva vinificada, é comprado vinho previamente selecionado e posteriormente loteado. Trata-se de “um produto de consumo rápido”, para o qual “não se pretende grandes variações de perfil”, informa João Vida, ao contrário do que acontece com o vinho engarrafado.
À medida que nos aproximamos da adega mais antiga, chegamos ao espaço onde estão instaladas enormes cubas de inox, que, em 2009, vieram substituir os depósitos de cimento subterrâneos. São “os pulmões” da Venâncio da Costa Lima. Armazenam o vinho produzido, o comprado e o que está a estagiar. “Manter esses volumes todos é um dos maiores desafios financeiros da empresa”, justifica Joana Vida. Há ainda outro espaço de armazenamento sob a linha de enchimento. No piso inferior ao da loja, a temperatura baixa e a humidade, favoráveis à estabilidade do vinho, propiciam o repouso de tranquilos e fortificados em barris.
Pelo meio, a visita é feita a outro espaço de memórias desta centenária empresa familiar, tal como acontece com a oficina de tanoaria, espaço desativado em 2019, já depois de o octogenário Fernando Rubino ter cessado a função de tanoeiro. O futuro reserva, aqui, um núcleo museológico dedicado a esta profissão, com uma mostra constituída pelo buraco do fogacho (fogueira), os utensílios associados a este ofício – o balde de parafina e o funil, o enxó, o martelo de pena ou os ferros de marcar os barris, entre outros – e as cartolas (vasilha de madeira de pequenas dimensões) de castanho.
As memórias de tempos idos reavivam-se uma vez mais quando é dada a conhecer uma das relíquias do fundador da empresa. Trata-se da viatura da norte-americana DeSoto, produzida pela Chrysler, com o registo do ano de 1948. A cor azul em nada teria passado despercebida cada vez que Venâncio da Costa Lima percorria as ruas da Quinta do Anjo. “O meu pai lembra-se de ir a Fátima, neste carro, com Venâncio da Costa Lima, sentado num banquinho, que punham aqui atrás”, recorda Joana Vida.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)
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Venâncio Costa Lima Edição Especial do Centenário
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima
Fortificado/ Licoroso - 2016 -

Venâncio Costa Lima Reserva da Família
Fortificado/ Licoroso - 2019 -

Venâncio Costa Lima Reserva da Família
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima Rúbrica
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima Reserva da Família
Fortificado/ Licoroso - -

Venâncio Costa Lima
Tinto - 2022 -

Venâncio Costa Lima
Tinto - 2023
O Senhor do Vinho é…. António Ventura

Nascido em Paínho, no concelho do Cadaval (1958), António Ventura descende de várias gerações de vitivinicultores. Talvez por isso tenha iniciado a sua formação na Escola Superior Agrária de Santarém, terminando a licenciatura em Agronomia, na Universidade de Évora. Rumou, depois, ao Instituto de Viticultura e Horticultura de Geisenheim (Alemanha), onde se especializou em Viticultura […]
Nascido em Paínho, no concelho do Cadaval (1958), António Ventura descende de várias gerações de vitivinicultores. Talvez por isso tenha iniciado a sua formação na Escola Superior Agrária de Santarém, terminando a licenciatura em Agronomia, na Universidade de Évora. Rumou, depois, ao Instituto de Viticultura e Horticultura de Geisenheim (Alemanha), onde se especializou em Viticultura e Enologia. Procurando sempre novas experiências e fontes de conhecimento, obteve, na Charles Sturt University (Austrália), o diploma Applied Science (Winemaking), finalizando o percurso académico com uma pós-graduação em viticultura e enologia na Universidade Católica do Porto. Nessa altura, tinha já vasta experiência de enologia em diversas casas, o que o levou, em 2000, a constituir a Provintage, empresa de consultoria enológica e estratégica. Ele próprio agricultor e viticultor, possui cerca de 100 hectares na região de Lisboa, 50 dos quais são vinha e os restantes dedicados à floresta.
António Ventura sempre apreciou trabalhar em equipas. Para além dos profissionais que consigo colaboram nas múltiplas adegas e a quem transmite diariamente os seus conhecimentos, foi presidente da Associação Portuguesa de Enologia em dois mandatos, sendo também membro efectivo, desde 1995, da Australian Society of Viticulture and Oenology.
Ao longo de uma carreira de mais de 45 anos, António Ventura passou por oito regiões vitivinícolas de Portugal, tendo ajudado a fundar inúmeros projectos, com muitas vinhas e adegas a terem o seu cunho pessoal
Ao longo de uma carreira de mais de 45 anos, António Ventura passou por oito regiões de Portugal, tendo ajudado a fundar inúmeros projectos, com muitas vinhas e adegas a terem o seu cunho pessoal. Na sua actual “carteira de clientes”, estão nomes tão distintos na dimensão, objectivos e perfis de vinho como Adega de S. Mamede da Ventosa, Adega da Batalha, Quinta do Gradil, Casa das Gaeiras, Paço das Cortes e Casa Romana Vini (Lisboa); Adega de Almeirim, Quinta da Atela, Quinta do Côro, Quinta dos Pegões, Quinta da Badula e Quinta de Vale de Fornos (Tejo); Adega de Cantanhede (Bairrada); Adega Camolas (Península de Setúbal); Altas Quintas, Sovibor e Herdade do Monte Branco (Alentejo). No grupo Abegoaria é consultor para as regiões de Lisboa (Vidigal Wines, com o best seller Porta 6), Tejo, Douro e Beiras.
O facto de ser, muito provavelmente, o enólogo português com mais litros de vinho sob sua directa responsabilidade não lhe tira o sono. Metódico, dotado de prodigiosa memória e sentido de organização, acompanha cada produtor como se fosse o único. E ainda arranja tempo para dar uma ajuda numa prova ou concurso onde o nome dos vinhos de Portugal possa sair valorizado. Sempre espalhando gentileza e sabedoria, a forma de estar no mundo deste grande Senhor do Vinho. L.L.
O Prémio Senhor do Vinho é patrocinado por Cork Supply.
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)


















