PELOS números da OIV (Organização Internacional da Vi­nha e do Vinho), Portugal é o primeiro país do mundo se levarmos em conta o consumo anual de vinho per capita. Cada português bebe, em média, 54 litros por ano. Em números redondos isto dá praticamente um copo de vi­nho por dia e por pessoa para cada português com idade acima de 15 anos. Estamos a falar de médias, claro. Este valor terá de ser tomado, muito provavelmente com uma pitada de sal, especialmente se pensarmos que Portugal recebe, por ano, o equivalente em turistas a vez e meia o volume da sua população. Ou seja, muitos destes também consomem vinho… Seja como for, e se ainda restavam dú­vidas, os portugueses adoram vinho. Esta estatística está, aliás, de acordo com a área de vinha relativamente à área do país: Portugal estará também no primeiro lugar mun­dial (ou lá muito perto).

Os países seguintes no consumo per capita são a França (51,8 litros), a Itália (41,5) a Suíça (40,4) e Áustria (32,4). Do top 5 de produtores mundiais de vinho, 3 países não estão neste ranking do Top 5 do consumo: a Espanha (3º do mundo) consome per capita 25,4 litros/ano; a Austrália (5º), 27 litros; os EUA (4º do mundo) apenas 11,9 litros. A China é o sexto maior produtor mundial de vinho mas, em termos de consumo por cabeça, representa apenas 1,4 litros por pessoa/ano (quase ao fundo da lista). Atreve­mo-nos a dizer que se os chineses (que têm quase 1,4 mil milhões de pessoas, ou seja 140 vezes mais que Portugal) passassem a consumir como os portugueses, não haveria vinho no mundo para satisfazer a procura!

Estas conclusões resultam da análise aos mais recentes dados do relatório anual da OIV, sobre o ano de 2016. Os restantes dados indicam valores pouco diferentes face a 2015: a área de vinha para vinho manteve-se estável, e a produção também (menos 3% que em 2015). O maior produtor mundial de vinho continua a ser a Itália, seguida da França, Espanha e EUA. Em consumo absoluto, tam­bém não existem grandes diferenças face à média dos últimos 10 anos. Os EUA mantêm-se como maior consu­midor mundial em absoluto, representando 13% do mun­do. Atrás vem a França (11%), Itália (9%), Alemanha (8%) e China (7%). Estes 5 países representam praticamente metade do consumo mundial.

O relatório da OIV detecta também as grandes tendên­cias de consumo no mundo. Os “mercados tradicionais” (França, Itália, Espanha, Alemanha, etc) estão a descer em consumo per capita mas partem de bases muito altas. Os “mercados maduros”, como EUA, Canadá, Austrália, paí­ses nórdicos e outros, mostram a médio/longo prazo uma tendência de estagnação ou ligeiramente em alta. Os mercados em alta, como a China, Brasil, México, Japão ou Coreia do Sul, indicam crescimento a médio/longo prazo mas partem de consumos baixos per capita. Final­mente, os mercados emergentes (México, Nigéria, India, etc) mostram bons crescimentos, mas a base de consumo é bastante baixa.

Finalmente, em termos de exportações, o mercado mun­dial é dominado pelos países do Velho Mundo. Em volu­me, Espanha, Itália e França representam mais de meta­de. Se levarmos em conta valores de exportação, os paí­ses são os mesmos, mas a França domina largamente: o preço por garrafa ou litro exportado é bem mais alto que na Itália ou Espanha. A nível de importações, os maio­res mercados são, em volume, a Alemanha, Reino Unido e EUA. Em valor, a ordem não é igual: os americanos e ingleses importam vinhos mais caros; os alemães conten­tam-se com vinhos mais baratos. O relatório completo pode ser consultado no site da OIV (www.oiv.int).
AF

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