PARQUE TERRA NOSTRA: O princípio do belo

Desta vez, convido-vos a embarcar numa viagem no tempo pelo Parque Terra Nostra, o mais belo retiro a céu aberto que visitei até hoje. Curiosamente, as três ocasiões em que o explorei ocorreram durante as estações assinaladas pelo solstício: verão e inverno. Em qualquer uma delas, foi notável a exuberância do inhame plantado junto à ponte, logo após a entrada. Sabia que se trata de uma planta altamente resistente aos fungos? Do lado oposto, os tanques contíguos de água férreas ficam mais bonitos no estio, época em que os nenúfares preenchem de cor este curso hídrico.

Sem mais delongas, eis o momento de contemplação do tanque de água termal, pois a visita a este jardim centenário ficou refém do cronómetro. Caso contrário, teria ido a banhos em dia de chuva intermitente, proeza justificada pela temperatura da água, que oscila entre os 37 e 40º C. Avancemos! Pedro André Silva, o guia, chama a atenção para as majestosas araucárias, árvores que conferem o misticismo bucólico a este cenário, a par com o carvalho-roble plantado na década de 1780, além dos tulipeiros, com a floração a dar o ar da sua graça entre maio e julho. Ao fundo, está o Botania Hall, o alojamento complementar do Terra Nostra Garden Hotel, originalmente chamada de Yankee Hall e, mais tarde, de Casa do Parque.

Rumo às bromeliáceas, o percurso leva-nos parque adentro, com passagem próxima dos lagos situados numa cota mais baixa em relação à referida villa. Afinal, as Bromélias são uma das cinco coleções deste jardim secular. Nativas do sul da América, estas plantas estão numa pequena clareira recriada numa pequena elevação de terra, já que a irrigação não se faz através do solo, mas sim por meio das folhas, que retêm o orvalho. Desta mostra, faz parte o ananaseiro, que dá origem a um dos frutos mais famosos do arquipélago. Ao lado, o jardim de flora endémica e nativa dos Açores, que fazem parte da região da Macaronésia, representativo de uma exposição ancestral. Dois passos adiante, está a coleção de cycadales, constituída por 88 espécies exóticas. A origem remonta ao período Jurássico e não há como deixar de conquistar pela dupla de “fósseis vivos”, assim denominados, por não evoluírem há milhões de anos. Memorável é também a coleção de camélias, a qual fundamenta o título “Internactional Camellia Garden of Excellence” atribuído ao Parque Terra Nostra. As flores grandes, que vão do branco ao vermelho, passando por diferentes tons rosa, emprestam cor a este enorme jardim, onde uma ínfima parte do solo da alameda ladeada por 47 ginkgos preserva as folhas douradas destes gigantes da natureza.

O mirante, designado de O Açucareiro, devido à forma que ostenta, é outro dos lugares a constar na viagem. Dali são visíveis as esculturas zoomórficas esculpidas pelas mãos de Fernando Costa, o jardineiro chefe, com a destreza de um mestre. Sem, esquecer as grutas, onde o canal de água serpenteante remete para os passeios de outrora, em pequenas embarcações ao estilo britânico, o Vale dos Fetos, com duas centenas de espécies diferentes, duas das quais endémicas, ou o lago de águas vulcânicas, próximo da reta final da visita.

Muito ficou por explorar nesta viagem pelo Parque Terra Nostra, habitat de mais de 1.800 exemplares botânicos específicos distribuídos por 12,5 hectares, resultante de um trabalho iniciado há mais de 200 anos e firmado na preservação deste que é o mais belo refúgio da ilha de São Miguel, nos Açores.

TERRA NOSTRA

Parque Terra Nostra

Largo Marquês da Praia e Monforte, 9675-061 Furna, São Miguel, Açores

E-mail: terra.nostra@bensaude.pt

Tel.: 296 549 090

Bilhete geral: €17

Nota: Visitas histórias e botânicas são feitas por um valor adicional

 

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