Num Douro que nasceu para o Vinho do Porto, as suas zonas limítrofes foram quase sempre encaradas como de “terceira categoria”. Quando os vinhos não fortificados se começaram a impor no mercado, esse preconceito atenuou-se, mas não desapareceu. Porém, na última década, vindimas quentes associadas à crescente procura por vinhos mais leves e frescos, vão mudando a percepção. E a Quinta da Rede tem vindo a ganhar com isso.
O verão tórrido e seco de 2022, que em tantas zonas do Douro, sobretudo as mais próximas do rio, nos mostrou videiras sofridas, amareladas, ansiando por uma gota de água, revelou, aos olhos mais atentos, o carácter diferenciador daquele local e daquela propriedade, designada por Quinta da Rede desde antes da demarcação pombalina. Ali, à beira da região dos Vinhos Verdes, as vinhas preservavam o aspecto viçoso e saudável, mesmo no pico do calor. E nas outras parcelas da quinta, que se estendem pelas encostas do Marão até aos 500 metros de altitude, a diferença era (e é) ainda mais sensível.
José Alves comprou a propriedade em 1995 e ali foi residir com sua família. Nascido e criado em Mesão Frio, desde sempre trabalhou no mundo do vinho, ligado à produção e comércio a granel. Após adquirir a quinta que conhecia desde menino, foi ganhando “fôlego”, para cumprir o objectivo principal: produzir um vinho desde a videira até à garrafa e colocá-lo no mercado com a sua marca. Recuperou a vinha, mantendo as parcelas mais antigas, construiu adega, com lagares mecânicos e sala de barricas climatizada, e fez a primeira vindima em 2007. Hoje, José Alves trabalha as uvas provenientes dos 19 hectares de vinha, com o apoio de Jorge Cardoso, enólogo residente, e Paulo Nunes, enólogo consultor.
Não por acaso, os brancos da Quinta da Rede ganharam fama muito mais rapidamente do que os tintos. Mas também estes, num perfil onde a estrutura ácida é evidente, vão cada vez mais ao encontro do mercado que busca a diferença. O portefólio tem o primeiro degrau na referência Rede, brancos, rosés e tintos com assinalável relação qualidade/preço. Mas é na marca Quinta da Rede que as coisas se tornam ainda mais sérias. Em 2025 provámos, entre outros, os brancos Reserva 2023, Vinha do Pinheiro 2020 (a tal parcela do Marão), Grande Reserva 2020 e Reserva da Família 2019; o Reserva rosé 2024; e os tintos Sousão 2023 e Reserva da Família 2019. São vinhos marcantes, que aliam qualidade e personalidade a sentido de lugar. E que colocam a Quinta da Rede e este Douro de fronteira, mais vibrante e fresco, sob a atenção da crítica e dos apreciadores.
O Prémio Produtor do ano foi patrocinado por Copidata
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)





