COSTA BOAL: Dar tempo ao tempo. E ao vinho

Legenda da foto: António Boal, produtor, e o enólogo Paulo Nunes

“São os três melhores vinhos que apresentei até hoje”, afirma António Boal, o rosto da Costa Boal Family Estates, ao revelar três rótulos muito especiais do seu portefólio: a estreia absoluta do Costa Boal Garrafeira branco de 2022 e do tinto de 2017, e o relançamento das últimas 500 garrafas do Homenagem tinto 2011, dedicado ao pai. “O vinho não é feito de dias, nem de meses; é feito de anos”, reflecte António Boal, o produtor de origem duriense que, desde há mais de vinte anos, vai construindo o seu património constituído por pequenas propriedades.

A Costa Boal Family Estates é relativamente recente, mas a história vitivinícola da família, como é habitual no Douro, remonta a meados do século XIX, quando os antepassados de António Boal produziam vinho para empresas exportadoras. Após o falecimento do pai, em 1999, António Boal assumiu a gestão do legado familiar e, em 2004, fundou a empresa. Desde então, não tem parado de crescer, não apenas em hectares de vinha, mas também em reconhecimento, dentro e fora do país.

Neste momento, a Costa Boal possui propriedades nas regiões do Douro, Trás-os-Montes e Alentejo: Quinta do Vale de Mouro, em Foz Côa, Quinta do Sobredo e Quinta dos Tojais, em Alijó, Quinta da Pia, em Murça, Quinta dos Távoras, em Mirandela, e Herdade dos Cardeais, em Estremoz. As vinhas velhas sempre foram uma grande aposta de António Boal e, para trabalhar esta preciosidade, encontrou o parceiro enológico certo: Paulo Nunes, apaixonado por estas relíquias.

Garrafeira e Homenagem

A menção Garrafeira não é muito comum no Douro, provavelmente porque exige um estágio prolongado: mínimo de 30 meses, dos quais, pelo menos, 12 em garrafa, para os tintos, e 12 meses com, pelo menos, seis em garrafa, para os brancos. “Muitas vezes, transformamos a emoção em racionalidade. Não damos tempo ao vinho para se exprimir”, afirma Paulo Nunes, em tom filosófico. Mas, para além da filosofia, aqui fala a voz da experiência, de quem sabe esperar e conhece os vinhos desde a vindima, acompanhando a sua evolução.

O Costa Boal Garrafeira branco 2022 tem por base as vinhas velhas de Códega de Larinho e Rabigato, com o tempero de Arinto das vinhas mais recentes. “A Arinto dá profundidade e permite pensar na evolução”, explica Paulo Nunes. O solo é maioritariamente granítico e está localizado a uma altitude de 600 metros. O estágio decorreu em barricas usadas de 225 litros. Dois invernos (rigorosos) em barrica, contribuiram para uma estabilização natural. Depois de engarrafado, o vinho estagiou até ao lançamento. Foram produzidas 700 garrafas.

O Costa Boal Garrafeira tinto 2017, para além das vinhas velhas, tem Tinto Cão e Sousão, duas castas que conferem acidez e tensão ao vinho. Ficou três invernos em barricas usadas e novas antes de ser engarrafado. Foram produzidas 960 garrafas. Já o Costa Boal Homenagem Grande Reserva tinto da colheita de 2011 teve vários lançamentos de quantidades limitadas ao longo do tempo. Numa altura, foi refrescado com um pouco de Tinto Cão e Sousão de 2017, mas o que está agora a ir para o mercado, são as últimas 500 garrafas do lote original, que Paulo Nunes desafiou António Boal a guardar. Neste lote, só entram Touriga Nacional e Touriga Franca, sem nenhum refrescamento posterior.

 

A menção Garrafeira não é muito comum no Douro, provavelmente porque exige um estágio prolongado: mínimo de 30 meses, dos quais, pelo menos, 12 em garrafa, para os tintos, e 12 meses com, pelo menos, seis em garrafa, para os brancos

Novo visual

Conhecendo o perfeccionismo de António Boal, percebe-se que neste lançamento nada foi deixado ao acaso, desde a imagem e packaging até à escolha do local para a apresentação, o Palácio do Marquês de Pombal, espaço nobre e com grande peso histórico. O projecto criativo foi idealizado pela equipa interna da Costa Boal, em colaboração com a MA Creative Agency. “Desde o início, pretendia-se uma imagem que se processasse visualmente sem dificuldade”, explica Luís Marques, responsável pela agência criativa. Optou-se por uma elegância sóbria com detalhes que fazem a diferença. No topo da rolha, está uma pequena peça, que representa a marca Costa Boal. Não precisa de ser removida antes de se abrir a garrafa e permite o uso de qualquer saca-rolhas, mais “pro” ou menos “pro”. No gargalo, uma gargantilha em veludo de cores diferentes distingue os vinhos: verde para o branco e preta para o tinto.

A madeira das matas queimadas em incêndios de 2025, cuidadosamente recuperada e tratada, foi transformada em caixas distintas, para complementar o packaging, seguindo um conceito de reaproveitamento. Duas peças metálicas, uma com o brasão para os Garrafeira e outra com o busto do fundador, no caso do Homenagem, com tratamento “antique”, conferem nobreza ao rótulo e à caixa.

As propostas de harmonização estiveram a cargo de Justa Nobre. O cabrito assado à Transmontana permitiu que ambos os tintos revelassem o seu encanto e carácter. O Costa Boal Garrafeira 2017, focado e austero, disputava a primazia com o prato pela força do sabor, enquanto o Costa Boal Homenagem Grande Reserva 2011, rico e amplo, aconchegava o cabrito sem luta. Este último proporcionou ainda muito prazer ao saboreá-lo depois da refeição, graças às suas notas balsâmicas e resinosas.

(Artigo publicado na edição de Novembro de 2025)

 

 

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