Sabores

Esporão aposta no sector cervejeiro

Com a aquisição da empresa Os Três Cervejeiros, produtora da marca Sovina, o Esporão alarga os seus negócios ao sector das cervejas, que se juntam aos vinhos, azeites e queijos no seu portefólio. O foco é o mercado nacional.

TEXTO José Miguel Dentinho
FOTOS Cortesia Esporão

O Esporão adquiriu recentemente a empresa Os Três Cervejeiros, fundada em 2009, que se dedica, desde 2011, à produção e comercialização das cervejas Sovina, marca pioneira no sector da cerveja artesanal em Portugal.

Uma oportunidade de negócio
Para João Roquette, CEO do Esporão, esta operação “foi motivada pela oportunidade de criação de um mercado de cervejas de qualidade em Portugal, à semelhança do que aconteceu com os vinhos e azeites”. Segundo este responsável, “a marca Sovina é uma referência no mercado das cervejas artesanais e tem um posicionamento alinhado com o nosso e atributos que admiramos, como a qualidade de produto, um portefólio completo e uma excelente imagem”.
Tudo começou numa prova de cervejas com amigos há alguns anos. Nesse dia, João Roquette ficou surpreendido com o potencial de “uma marca com cinco cervejas, todas de boa qualidade e diferentes umas das outras, a sugerir momentos diferentes de usufruto com a comida, ou apenas de convívio”. Mais importante do que isso, “abriam o leque de hipóteses às pessoas, num país com grande potencial de crescimento das cervejas artesanais, à semelhança do que estava a acontecer no resto do mundo”, contou também o responsável do Esporão. Explicou, depois, a lógica da decisão de entrada no mercado das cervejas da sua empresa.
Falou do papel inovador desta quando introduziu no mercado vinhos diferentes com origem no Alentejo, na década de 80, do alargamento do negócio aos azeites, com o lançamento, entre outros, de uma gama de varietais, e da aposta nos queijos. “Senti que o mesmo podia acontecer com a cerveja, até porque se pode comunicar da mesma forma que o vinho, olhando mais para o produto”, algo que podia ser feito com a distribuidora nacional do Esporão, a Prime Drinks. Três anos depois de terem sido iniciadas as negociações, a empresa produtora das cervejas Sovina foi adquirida.

Potencial de crescimento
O mercado nacional de cervejas vale, actualmente, cerca de 1000 milhões de euros e deverá crescer, segundo a APCV – Cervejeiros de Portugal, 20% nos próximos cinco anos, com base no incremento do consumo interno devido ao crescimento do turismo e à melhoria das perspectivas dos portugueses em relação à evolução da economia nacional. Por outro lado, e segundo João Roquette, o sector das cervejas artesanais no nosso país apenas representa uma fatia de 0,5% do total de vendas, enquanto num mercado mais maduro nesta área, como os Estados Unidos, essa parcela é de 20%.
Em face destes dados, o potencial de crescimento do sector das cervejas artesanais em Portugal é elevado. Mas, primeiro, é preciso passar da fase da novidade e da descoberta, por parte dos consumidores, para uma verdadeira cultura de consumo de cervejas com estilos distintos, com grande variedade de aromas e gostos, ou seja, é preciso criar e enraizar hábitos de consumo de cervejas artesanais nos portugueses, seja para consumo fora, no bar, no restaurante, onde for, ou em casa. “Nós queremos fazer parte dessa cultura”, afirma João Roquette. Acrescenta que “é um caminho difícil, que implica criar hábitos de consumo, o que leva o grupo Esporão a olhar para a Sovina, que factura actualmente 500 mil euros, como uma unidade de negócio separada, investindo na sua sustentabilidade para manter a sua identidade, com compromisso para o seu futuro”.

As cervejas Sovina

Munich Helles
Cerveja suave e fresca, com aromas de malte e algum citrino. Tem 5,2% de álcool, e é feita com base na receita da cerveja de Munique. Deve servir-se fresca, entre 4 e 7ºC.

May Bock
Cerveja Lager alemã, com 7,5% de álcool, de longa maturação e adequada à Primavera, segundo o produtor. O seu aroma é marcado por notas ligeiras de fermento, algum citrino e caramelo. Na boca é fresca e elegante. Deve servir-se fresca, entre 4 e 6 ºC.

Indian Pale Ale (IPA)
Cerveja tipicamente inglesa, com aroma complexo, a mostrar notas maltadas, alguma fruta citrina e uma nota de iodo. Na boca é cremosa e fresca, com final longo, amargo qb. É uma cerveja apropriada para a companhia de comida. Tem 6% de álcool e deve ser servida entre os 6 e os 8ºC.

Amber
Recriação da receita tradicional de Bière de Garde, do norte de França, tem um frutado fumado complexo e algo lupulado. Boa cremosidade na boca e final longo com notas amargas. Tem 6% de álcool e deve servir-se entre os 7 e os 10ºC.

Stout
Cerveja preta, estilo Dry Stout, cheia, com estrutura e aroma marcado pelas notas de café e fumados. Tem 5,2% de álcool e pode ser servida entre os 4 e os 10ºC.

Trigo
Como o nome indica, é uma cerveja de trigo, ligeiramente turva, como é característico neste tipo. Mostra aromas a malte de trigo e fruta a lembrar banana. Tem 4,9% de álcool e deve ser servida entre os 5 e os 8ºC.

Uma marca reconhecida
As cervejas Sovina são produzidas apenas com produtos naturais – água, malte, levedura e lúpulo. Segundo Arménio Martins, mestre cervejeiro da casa, quando a empresa foi fundada, em 2009, não havia cervejas do tipo Indian Pale Ale em Portugal, tal como muitos outros tipos desta bebida. Tudo começou numa garagem, onde os sócios da empresa fizeram muitas experiências até ao lançamento da primeira Sovina, em 2011. Mas foi somente em 2013 que a unidade de produção mudou para as instalações actuais, no Porto. “Hoje, a Sovina é uma marca reconhecida em todo o país”, afirma Arménio Martins.
Para isso acontecer, a empresa que a produz tem cuidados especiais com os ingredientes das suas cervejas, como a água, o componente principal desta bebida. A instalação de filtros permite a sua purificação, essencial para a produção de todos os seus estilos de cerveja. Os maltes de cevada, trigo, centeio e aveia usados são comprados a diversos fornecedores que garantem a qualidade do produto, tal como acontece com as leveduras, e as cerca de 50 variedades de lúpulo usadas como conservantes naturais, para acrescentar aromas e intensificar o carácter amargo, característico, por exemplo, das cervejas Indian Pale Ale (IPA). “Numa cerveja equilibrada temos de distinguir todos esses aromas e gostos”, explica Arménio Martins.

 

Edição Nº16, Agosto 2018

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