QUINTA DA ROMEYRA: Um novo capítulo para Bucelas

Se há região portuguesa subvalorizada na atualidade é Bucelas. O que é incompreensível perante a qualidade dos vinhos brancos e a vetusta história por detrás da denominação. Incompreensível, mas não sem explicação, sendo que anos de aposta num produto mais barato e comercial apenas serviram para banalizar um vinho – o Arinto de Bucelas e, concretamente, o Branco Velho de Bucelas –, que tinha tudo para manter-se como um néctar clássico de nicho. Mais recentemente, mas nos últimos anos apenas, assistimos a um reerguer da região, inclusivamente com novos produtores a disputar os poucos solos da ondulante e florestal região vinhateira. A Quinta da Romeyra não é um desses novos produtores. Por isso, e pela sua história e dimensão, tem ainda mais responsabilidade na região. Com origens documentadas desde 1218, o nome foi testemunha de episódios marcantes – da passagem do Duque de Wellington, durante as Invasões Francesas, à instituição do Morgado de Santa Catherina, em 1703.

Num contexto em que a Sogrape tem vindo a afirmar projetos em diversas regiões vitivinícolas, Bucelas surge, agora, como território de renovada ambição. Conhecida pelos seus brancos frescos, tensos e marcados por solos calcários únicos, a região começa a querer viver um momento de redescoberta. Esperemos, e tudo indica ser esse o futuro, que a Quinta da Romeyra se assuma como peça central dessa estratégia.

 

Conhecida pelos seus brancos frescos, tensos e marcados por solos calcários, Bucelas surge, agora, como território de renovada ambição

 

 

Nova grafia, novos vinhos

A nova grafia que recupera o original – com a utilização letra ‘y’, simultaneamente clássica e sofisticada – e as novidades do portefólio recentemente apresentadas, expressam, com clareza, essa visão: valorizar a Arinto e devolver a Bucelas o protagonismo que historicamente lhe pertence enquanto única denominação de origem portuguesa exclusivamente dedicada a vinhos brancos. Os vinhos apresentados espelham efetivamente um equilíbrio entre tradição e inovação, procurando interpretar Bucelas a partir da diversidade da própria propriedade: diferentes solos, diversas exposições, distintas expressões da mesma casta. No centro de tudo, a casta Arinto.

Entre as novidades do portefólio da Sogrape no que toca ao vinho produzido em Bucelas, destaca-se o Quinta da Romeyra Colheita 2025, com parte fermentada em barrica de 500 litros, e que se quer posicionar como expressão fiel e versátil da propriedade, o verdadeiro porta-estandarte do projeto.

Num registo mais ambicioso, surge também como boa nova um verdadeiro topo de gama, o Vinha dos Fósseis 2021, elaborado apenas em anos verdadeiramente notáveis. Como o nome indica, é proveniente de solos jurássicos ricos em fósseis marinhos, apresentando uma mineralidade intensa e grande complexidade. Lançado com cinco anos de evolução, assume-se como um gesto ousado que invoca os brancos velhos de antigamente e ombreiam com grandes brancos nacionais e não só.

Ainda sobre a gama dos vinhos, mantêm-se as referências emblemáticas, agora com nova imagem, caso do Prova Régia e do Espumante Bruto Quinta da Romeyra e, ainda, do neoclássico Morgado de Santa Catherina, marca que acompanhou mais do que uma geração de enófilos portugueses no que a brancos com estágio de madeira diz respeito.

A enologia está a cargo de Luís Cabral de Almeida, que destaca os investimentos feitos na adega e a renovação de grande parte da vinha. Para o experiente enólogo, a maior riqueza da propriedade é permitir-lhe explorar a casta Arinto em diversas derivações, sempre com detalhe.

Terminamos como começámos: num setor onde tradição e inovação se cruzam constantemente, renovamos os votos para que este novo capítulo da Quinta da Romeyra represente mais do que um relançamento e a apresentação de novos vinhos. Esperamos que seja um marcador do regresso ao futuro radioso de Bucelas.

 

A nova grafia da Quinta da Romeyra e as novidades do portefólio expressam a vontade de valorizar a Arinto e devolver a Bucelas o protagonismo que historicamente lhe pertence

Quinta da Romeyra

(Artigo publicado na edição de Junho de 2026)

 

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