Estávamos em 1999 quando a Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo foi adquirida à Real Companhia Velha. Integrada então na empresa de Vinho do Porto Burmester, que pertencia à família Amorim, a quinta acabou por ficar fora do negócio quando a Burmester foi vendida, mantendo-se assim na família. Um dos vinhos emblemáticos da quinta, o Grande Reserva, faz agora 10 anos, idade certa para conferir o estilo e a evolução deste tinto duriense?

 

TEXTO João Paulo Martins FOTOS Cortesia do produtor

A produção de vinhos DOC Douro na Quinta Nova inseriu-se, desde o início, num projecto integrado onde tiveram também lugar a produção de Vinho do Porto e o enoturismo. Foi assim que a quinta acabou por ser reconhecida como um dos mais conceituados spots para o enoturismo duriense. Inicialmente teve o apoio técnico de Rui Cunha e posteriormente foi Francisco Montenegro o enólogo responsável. Actualmente, e desde 2011, a responsabilidade enológica é de Jorge Alves. Luísa Amorim é administradora e a alma do projecto, que já movimenta 400.000 garrafas oriundas dos 85 hectares de vinhas.

Ali, na vindima de 2005 foi evidente, na prova das barricas, que havia duas delas que se destacavam pela originalidade e complexidade de aromas e sabores. Nasceu assim o Grande Reserva, um dos topos de gama da casa, feito a partir de uma pequena parcela de Touriga Nacional existente na propriedade. Nas parcelas mais antigas, que atingem 7ha, e de onde vêm as uvas para o Grande Reserva, também existe Touriga Franca e Tinta Amarela. Actualmente a Touriga Nacional ocupa 22 hectares da quinta, que tem sobretudo uma orientação sul e poente e uma localização privilegiada no Cima Corgo, na margem norte, não muito longe do Pinhão.

Para dar a conhecer as novas colheitas e fazer esta prova integral das colheitas do Grande Reserva, Luísa Amorim e Jorge Alves estiveram em Lisboa, no novíssimo restaurante JNcQUOI, um espaço cosmopolita, cheio de luz e a fazer lembrar um ambiente parisiense. Melhor seria difícil. A colheita de 2015, que foi 30% superior em quantidade face à de 2014, resultou numa qualidade excepcional na quinta, o que permitiu também declarar o ano como Porto vintage, o que não tem acontecido regularmente nesta propriedade.

O momento foi também aproveitado para dar a conhecer as novas colheitas da marca Mirabilis Grande Reserva branco, um vinho feito com uvas compradas noutras zonas do Douro, assim como o Grande Reserva Referência, um tinto feito de Tinta Roriz, o que não é fácil de encontrar na região. Jorge Alves reconhece que “a Roriz tem aqui um comportamento muito superior ao que é habitual na região, provavelmente por se conjugarem as características do solo com a exposição específica da quinta”. Depois de se terem redesenhado as marcas do rosé, foram agora alguns destes topos de gama que beneficiaram de uma nova imagem, com nova garrafa. Um novo caminho que se abre para a Quinta Nova, cada vez mais uma referência obrigatória do Douro.

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