Francisco Albuquerque nasceu em 1964 numa família ligada ao Vinho Madeira, com vinhas e produção de vinho. O avô explorava a Quinta do Arco, localizada no concelho de Santana, no norte da ilha da Madeira. As uvas eram fornecidas à H.M. Borges, empresa de outros familiares. Essa imersão no mundo do vinho levou-o à Escola Agrária de Santarém, mas a escolha recaiu na produção animal, para complementar os conhecimentos sobre o universo vitivinícola trazidos do berço. Segundo o enólogo, foi um “conceito romântico sobre os agrónomos, uma ideia que vinha da Quinta da Anita.” O romantismo não o afastou do vinho. Pelo contrário, Francisco Albuquerque concluiu vários cursos na Estação Vitivinícola Nacional em Dois Portos, localizado em Torres Vedras, e uma pós-graduação em Agricultura Biológica e Enologia. Em 1990, fez um estágio de vindima iniciado no Douro e terminado na Madeira, durante o qual absorveu toda a experiência que a equipa da família Symington trouxe para o Vinho Madeira. A partir de 1993, teve carta branca para liderar a enologia na Madeira Wine Company, aliando o saber empírico dos madeirenses, tanto na vinificação como no envelhecimento, com os estudos científicos, nos quais colaborou com a Universidade da Madeira, em especial a partir de 1996.
Muitos conhecimentos estavam pouco sistematizados. Por isso, os processos que Francisco Albuquerque e os colegas foram desenvolvendo destinavam-se a perceber melhor o processo de envelhecimento, em particular através do isolamento dos factores e catalisadores. Com 16 armazéns de envelhecimento distribuídos entre o Funchal e o Caniçal, na ilha da Madeira, são inúmeros os parâmetros a estudar, para decifrar o puzzle dos grandes e imortais vinhos Madeira. Exemplo das descobertas: os mais secos envelhecem melhor no Funchal e os mais doces preferem o Caniçal. Contudo, os secos com mais de cinco anos são mais compatíveis com as condições climáticas do Caniçal, já que, no Funchal, ficam mais concentrados e balsâmicos, mas menos complexos. Francisco Albuquerque também tem grandes contributos na defesa da viticultura e na melhoria da vinificação. Há um paradoxo aparente: o vinho deve ser vinificado com todo o cuidado, para evitar a oxidação e a acidez volátil, por forma a preservar os factores que desencadeiam um bom envelhecimento oxidativo.
Ao fim de 37 anos na Madeira Wine Company, Francisco Albuquerque é um dos grandes responsáveis pela preservação de tradições centenárias, agora iluminadas pelo rigor do conhecimento científico. E, ano após ano, é o autor de algumas das mais preciosas pérolas do universo Vinho Madeira. L.A.
O Prémio Enólogo de vinhos generosos é patrocinado por: Casa Ermelinda Freitas
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)





