Este texto está a ser escrito quando quase todo o país está debaixo de água, com rios a um nível altíssimo e acidentes em diferentes zonas. Há já muitos anos que não se viam cheias com esta amplitude, como que a relembrar que o clima manda em nós e não o contrário. A ligação, vá lá, ténue, com 2016 é que o Inverno de 2015/16 foi especialmente chuvoso, com muito mais água do que era habitual. Regiões, como o Douro, chegaram mesmo a ter cheias ainda na Primavera. Tudo como está a acontecer agora, ainda que com mais moderação. O excesso de chuva, ao prolongar-se, já se sabe o que traz consigo: doenças da vinha, com o míldio e o oídio a exigir intervenção constante e muitos tratamentos. Por arrasto, os pequenos produtores, sem folga financeira, dimensão ou conhecimento, são quem mais sofre as consequências com elevada perda de produção das vinhas.
O ano de 2016 correspondeu exactamente à ideia de “vindima desafiante”, frase usada vezes sem conta pelos enólogos, para caracterizar uma colheita árdua. Esta foi mesmo difícil e ainda que, com tratamentos feitos a tempo e horas, o ano foi diverso de qualidade. Porque é que este painel não espelha isso? Porque os produtores que aqui estão, representam, de certa forma, a nata da produção nacional (ou parte da nata…), gente que é profissional e não se preocupa com a “muita intervenção” em vez da “pouca”, apregoada por quem não consegue tratar as uvas. Trabalhar bem, e a tempo, ajuda na qualidade da vindima. Já Charles Symington, enólogo responsável do grupo Symington, indicava, no relatório de vindima de 2016, o seguinte: “O tempo ao longo da vindima esteve excepcionalmente bom, o que possibilitou o desenrolar perfeito das maturações. Pudemos decidir os momentos de vindimar sem nos preocuparmos com alterações no estado do tempo e, assim, escolher o melhor momento para vindimar em cada propriedade de acordo com o estado de maturação de cada.” E mais adiante, “Touriga Franca poderá ter produzido os melhores vinhos desta vindima”. A consequência deste final de vindima tranquilo e sem pressas foi que a apanha da uva só terminou em meados de Outubro. Raro e cada vez menos visto.
Elegância acima de tudo
O Palácio da Bacalhôa, com origem na região de Setúbal, foi uma das surpresas da prova. É um tinto que mudou de perfil nos últimos anos: passou de um estilo muito extraído (moda Robert Parker, dizemos nós) dos inícios deste milénio, para um vinho que, com redobrados cuidados de enologia, ficou mais franco e aberto, no qual os 5% de Petit Verdot ajudam, aliados aos 70% de Cabernet Sauvignon e aos 25% de Merlot. Menos extracção e mais elegância deram este resultado, o que se aplaude vivamente. E Vasco Penha Garcia, enólogo da empresa, reforça a ideia que, quando se trabalha com profissionalismo na vinha, as diferenças entre as várias colheitas se diluem, porque a enologia acaba por compor o que houver a compor.
No caso do Alentejo, o ciclo vegetativo foi mais favorável do que no Norte do país, com menos problemas sanitários. A Fundação Eugénio de Almeida, no seu registo de vindima, assinala: “no que respeita ao potencial produtivo, foi um ano com fertilidade geral média a baixa, tendo a maturação ocorrido um pouco mais tarde que nos últimos anos, mas em excelentes condições (…) para as tintas que atingiram uma adequada maturação fenólica”.
Os anos, como o 2016, sobretudo quando têm um final de Verão quente e sem chuva, geram sempre a dúvida habitual na região do Douro e entre os produtores de Vinho do Porto: será ano de Porto Vintage? Se sim, será do agrado de todos ou os “ingleses” irão avançar com as declarações de Vintage Single Quinta? Para muitos consumidores isto é “assunto de lana caprina”, mas para o sector do Porto não é, porque as declarações consideradas clássicas são momentos importantes no negócio, uma alavanca sempre bem-vinda em termos comerciais. O ano de 2016 foi ainda complicado porque algumas casas não tinham declarado o 2015 e ficaram à espera de declarar o 2016. Aconteceu, então, que a declaração de 2016 foi clássica (cerca de 100 vinhos declarados) e muito poucos produtores terem resolvido ficar de fora, como a Ramos Pinto, que declarou o 2015. A situação pode repetir-se este ano: tudo estava encaminhado para a declaração clássica do Vintage 2024 e eis que, de repente, a qualidade do 2025 veio baralhar tudo. Aguardemos os próximos capítulos. Este assunto interessa-nos na qualificação do 2016 porque há uma regra no Douro que é quase matemática: os anos melhores para Vintage não são os melhores para DOC Douro. E o 2016 poderá confirmar isso: grandes tintos, mas…vintages gloriosos.
Qualidade e grande potencial
Uma ideia que podemos registar desta prova é que os vinhos muito bons se distribuíram geograficamente e, quer o Alentejo, quer a região de Setúbal, ainda que com presença em número normalmente inferior (ou mesmo muito inferior) ao Douro, revelaram vinhos de grande qualidade e com enorme potencial. Para vários provadores do painel isso foi especialmente evidente no tinto da Bacalhôa, um tinto de perfil bordalês que, passados 10 anos, está num patamar incrível, ainda em crescimento. Quase apetece dizer que, se se fizesse uma prova de tintos com 20 anos, talvez este Bacalhôa já estivesse no ponto de excelência e perfeição, algo que ainda não está.
Como é de esperar, a evolução dos vinhos é desigual e alguns mostraram que, estando bons, já não têm argumentos para longas vidas em cave. No caso de um dos vencedores, foi a segunda garrafa que salvou a prova, porque a primeira estava em estado duvidoso. Com isso também aprendemos que as conclusões, com apenas uma garrafa aberta, são sempre precipitadas. No painel, seguimos isso à risca e três vinhos foram retirados de prova.
A qualidade dos 2016 mostrou-se muito boa, talvez até melhor do que se poderia esperar. Quase todos os vinhos estão em grande momento de prova e é bom que não se tirem “conclusões hierárquicas” precipitadas. Os vinhos que integram o último grupo dão muito boa prova agora, são verdadeiros tintos prazenteiros que já chegaram ao melhor momento, grandes companheiros da refeição; apenas perderam para outros que ainda estão em crescendo e que o painel valorizou. E, num painel alargado como este, a classificação mais baixa ser 17 valores dá clara indicação que estamos perante um conjunto notável de tintos.
19
Chryseia
Douro tinto 2016
Prats & Symington
Excelente evolução, ganhou em polimento e harmonia, com fruta madura muito bem integrada, taninos de luxo, tudo com balanço perfeito. No palato mostra-se envolvente, cheio, maduro, mas aqui nada há de excessivo, a fruta negra é muito agradável e saborosa. Dá muito prazer a beber, rico e sério. (14%)
19
Mouchão
Alentejo tinto 2016
Vinhos da Cavaca Dourada
Duas garrafas provadas, a primeira muito evoluída. A segunda está muito bem, com aquele foco na fruta madura, mas com o lado mais mentolado, mais mineral, mais químico, que sempre se reconhece no Mouchão. Clássico na boca, com muita elegância de taninos, excelente perfil e a mostrar muita personalidade. (15%)
19
Palácio da Bacalhôa
Reg. Pen. Setúbal tinto 2016
Bacalhôa Vinhos
Muito escuro na cor, ainda em fase ascendente, muito complexo, cheio de fruta negra, groselha preta e amoras, leves apimentados; intensa presença na boca, com taninos finos e um perfil bordalês clássico, muito bem desenhado e surpreendentemente jovem e atraente. Numa versão robusta, embora com boa frescura de boca. É um grande tinto. (14%)
19
Pintas
Douro tinto 2016
Wine & Soul
Aroma de luxo, com a dispersão de aromas comum nas vinhas velhas, polimento geral de grande nível, fruta bonita e barrica bem inserida, a mostrar uma saúde incrível num ano menos fácil. Prazer enorme na boca, com uma elegância arrebatadora. Cativante, com imenso para dar; um grande tinto que faz jus à marca. (14%)
19
Quinta da Touriga Chã
Douro tinto 2016
Jorge Rosas
Em muito boa forma, cheio de fruta especiada, polido e elegante, com madeira no ponto, tudo em muito bom equilíbrio, perfeito balanço de taninos e fruta. Este tinto é sempre muito seguro na enorme qualidade que apresenta, muito apetecível e com muito sabor. Uma grande aposta. (14,5%)
18,5
Gauvé
Dão tinto 2016
Moreira, Olazabal & Borges
Tem origem em vinhas velhas com castas misturadas. Muito elegante no aroma, leve nota floral que lembra Touriga Nacional, com delicadeza de fruta, erva seca e madeira no ponto. Grande harmonia de boca, um toque mineral bem atractivo e um polimento de grande nível. (13%)
18,5
Monte Branco
Reg. Alentejano tinto 2016
Luís Louro
O lote inclui Alicante Bouschet e Aragonez. Concentrado na cor, a sugerir um tinto hermético. Porém, mostra grande finura, com fruta negra em destaque, madeira bem ligada e, no conjunto, resulta com elegância. Taninos filigrânicos, mas presentes, o conjunto mostra-se muito bem, polido e apetecível. (14%)
18,5
Poeira 42 barricas
Douro tinto 2016
Jorge Nobre Moreira
Feito em lagar. Fruta vermelha no aroma, vivo e com muita frescura que resulta atractiva, madeira superiormente inserida no conjunto, notas terrosas, muito bem proporcionado. Arredonda na boca, macio, seco, fruta vermelha, cereja preta e amoras. Este tinto nunca desilude, mesmo num ano menos conseguido. (14%)
18,5
Quinta da Leda
Douro tinto 2016
Sogrape Vinhos
Muito bem na cor, vivo e complexo no aroma, com muita fruta madura e as primeiras notas licoradas a surgirem. Grande polimento no palato, ainda com taninos presentes, embora muito finos; um tinto robusto, mas muito bem equilibrado e desenhado. (13,5%)
18,5
Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa
Douro tinto 2016
Quinta do Crasto
O que mais se destaca no aroma é a fruta madura, em camadas, especialmente bem casada com a madeira de luxo, a verdadeira marca da casa. Excelente complexidade, especiarias de pimenta e cardamomo; fresco na boca, polido e muito envolvente, todo ele em grande forma. Dá muito prazer a beber. (14,5%)
18,5
Quinta do Vale Meão
Douro tinto 2016
Olazabal & Filhos
Temos, nesta edição, um Meão de maceração moderada e daí resulta um aroma fino, sempre num registo de bom equilíbrio com a madeira ainda presente, mas apenas a amparar o conjunto. No palato, mostra-se muito bem, bem mais elegante que noutras edições, resultando num tinto que pode dar todo o prazer de consumo desde já. (14%)
18,5
Quinta Vale D. Maria Vinha da Francisca
Douro tinto 2016
Quinta Vale D. Maria
Aroma clássico dos tintos do Douro, com madeira de luxo bem trabalhada, notas apimentadas e fruta negra, ainda em ascensão, leve nota floral, muito boa complexidade. Muita especiaria e notas de grafite, muito tanino no palato; um tinto com garra e boa rugosidade. (14%)
18,5
Terrenus Vinhas Velhas
Alentejo Portalegre Reserva tinto 2016
Rui Reguinga
Média concentração de cor, típica de vinhas velhas. Aroma complexo e difuso onde a fruta se espraia com elegância, com boa definição da barrica aqui bem inserida. Muito fino na boca, taninos presentes, mas delicados. Dá muito prazer a beber. Teve 18 meses em barrica e 24 em garrafa, o que gerou um tinto muito equilibrado. (14%)
18,5
Villa Oliveira Vinha das Pedras Altas
Dão tinto 2016
O Abrigo da Passarella
Muito boa concentração na cor, polimento aromático conseguido com o estágio em madeira usada, com boa definição de fruta na boca, perfil fino e com muito para dar, agora e no futuro. Leve e agradável nota mentolada, taninos presentes, excelente acidez. Tudo a garantir um bom futuro. (14%)
18
Casa de Saima
Bairrada Baga Garrafeira tinto 2016
Graça Miranda
Este é um clássico tinto da Bairrada, com imensa fidelidade à casta Baga que aqui surge com as notas de ginja, ambiente balsâmico, sempre num registo mais elegante do que assente em potência; polido no copo, fruta em calda no aroma. Muito prazer a beber. (14%)
18
Esporão Private Selection
Alentejo tinto 2016
Esporão
O lote inclui Aragonez, Touriga Francesa e Alicante Bouschet. Concentrado na cor, fruta negra e levemente compotado, é um tinto que pende para o lado robusto das castas com que é feito; taninos muito presentes, envolvente, cheio, algo complicado, que só o tempo poderá ajudar a descomplicar os vários elementos. (14,5%)
18
Giz Vinhas Velhas
Bairrada tinto 2016
Luís Manuel Gomes
Elaborado com a casta Baga, feito em lagar na melhor tradição bairradina, estágio em carvalho francês. Fiel à casta, com um estilo polido na fruta, taninos macios e bom equilíbrio de conjunto, pronto a beber. Os 20 meses em barrica ajudaram a que tudo se harmonizasse e está, agora, no seu melhor. (13%)
18
Herdade do Rocim Clay Aged
Alentejo Reserva tinto 2016
Rocim
Feito com Alicante Bouschet, Petit Verdot, Trincadeira e Tannat. Nota-se uma cor mais aberta, leve nota de barro, muito ligeiro mentolado. As castas usadas conferem aqui um lado austero na boca, com taninos finos e ambiente bem curioso. Ainda jovem, apesar de se sentir já alguma evolução. (14,5%)
18
Malhadinha
Reg. Alentejano tinto 2016
Herd da Malhadinha Nova
Feito com Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon e Aragonez; lagares com pisa, 15 meses em barrica nova. Notas de azeitona, fruta madura, aroma complexo resultante de múltiplas castas, de onde não há protagonismos. Com perfil fino, um tinto da planície, tudo muito bem conseguido, macio, bem desenhado. (15%)
18
Marquesa do Cadaval
DoTejo tinto 2016
Casa Cadaval
Feito com Touriga Nacional, Trincadeira e Alicante Bouschet, com um ano de estágio em barrica. Detecta-se uma boa ligação entre as três castas, ambiente especiado, elegante, directo e com bom perfil. Clássico pelo equilíbrio que mostra na boca, notas de noz moscada e fruta madura, taninos finos, leves licorados. Tudo no ponto. (13,5%)
18
Quinta do Carmo
Reg. Alentejano Reserva tinto 2016
Soc. Agr. Quinta do Carmo
Lote de Alicante Bouschet e Aragonez, 18 meses de estágio em barrica. O primeiro impacto é muito atraente, com uma combinação entre fruta e madeira em perfeito diálogo, taninos muito polidos, fácil na boca, perfeito na acidez. Absolutamente consensual. Este tinto já chegou ao seu melhor momento. (14,5%)
18
Quinta do Monte d’Oiro Parcela 24
Reg. Lisboa tinto 2016
José Bento dos Santos
Deste produtor chega-nos, com frequência, uma versão muito original desta casta. Este mostra-se muito elegante no aroma, fruta fina e boas notas vegetais, alguma mineralidade, muito polimento, terra húmida. Muito delicado no palato, com elegância de corpo. É um Syrah muito fiel à origem francesa. (14%)
18
Quinta do Noval
Douro Reserva tinto 2016
Quinta do Noval
Aroma com boa vibração, tenso, cheio e ainda algo fechado, fruta madura, mas elegante com leves florais e mato seco, ou seja, muito duriense. Muito bem na boca, a mostrar ainda enorme juventude, sendo seguro que não haverá pressa em consumi-lo, tem ainda muito para dar no futuro. (13,5%)
18
Quinta do Vesúvio
Douro tinto 2016
Symington Family Estates
Este tinto é sempre fiel aos calores do Douro Superior, mostra fruta densa, notas terrosas, mato seco, leve pimento vermelho, madeira no ponto que aqui, claramente, envolve e amacia o conjunto. Muito bem definido na boca, redondo, gastronómico, muito bom para consumir agora ou no futuro. Mudou de estilo desde as primeiras edições, cremos que para melhor. (14%)
18
Quinta Nova Referência
Douro Grande Reserva tinto 2016
Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo
Cerca de metade do lote é Tinta Roriz e o resto vinha velha, com castas misturadas e uma produtividade baixíssima. Muito carregado na cor, cremos que por maceração intensa, apresenta notas de azeitona, leves químicos, amoras e ameixas pretas. Todo ele denso, com peso; um estilo maduro, mas que resulta macio. (14%)
18
Vallado
Douro Reserva tinto 2016
Quinta do Vallado
Neste tinto procurou-se uma maceração e extracção moderadas, o que vem sendo habitual nas últimas edições. Aqui, o peso da barrica é sem excessos, apesar dos 16 meses de estágio. Resulta polido, fácil, bem organizado e sempre muito capaz para prova imediata. Muito agradável na boca, macio e a revelar muita qualidade de conjunto. (14,5%)
17,5
Envelope
Dão tinto 2016
Magnum Carlos Lucas
O aroma aposta, sobretudo, no lado mais elegante e, assim, as notas mentoladas que surgem conferem-lhe esse lado mais fino, aliado a fruta vermelha; mostra alguma evolução de conjunto, mas está muito bem. Correcto e de boa definição na boca, acidez marcante, taninos secos no final. (13,5%)
17,5
Guarita da Chocapalha
Reg. Lisboa tinto 2016
Casa Agr. das Mimosas
Muito carregado na cor, aroma fechado, fruta negra e notas de azeitona, sério, enigmático. Tudo aqui nos diz que os primeiros 10 anos de vida foram apenas a introdução para o longo estágio que poderá ter em cave. Boa complexidade na boca, cheio, taninos rijos. Precisa de tempo. (14,5%)
17,5
Herdade dos Grous
Reg. Alentejano Reserva tinto 2016
Monte do Trevo
Elaborado com Alicante Bouschet, Tinta Miúda e Touriga Nacional, feito em lagares e com 16 meses de estágio em barrica. Aromas vegetais secos, madeira presente, média concentração, boa evolução, leve especiaria. Boa prova de boca, está já num patamar de onde não crescerá mais, ainda com bons taninos. Neste momento está a dar uma prova de grande valia. (14%)
17,5
Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo
Douro tinto 2016
Domingos Alves de Sousa
Menos concentrado na cor do que em anteriores edições, a mostrar alguma evolução, agora com aroma de fruta madura, maceração evidente, notas leves de bacon e mentol. Um tinto macio, envolvente, de tonalidades doces, conjunto complexo, mas já muito exposto. (14,5%)
17,5
Quinta das Carvalhas Vinhas Velhas
Douro tinto 2016
Real Companhia Velha
Muita pureza de fruta, nascida em vinhas de castas misturadas, com o lado enigmático que daí deriva, com barrica a envolver; tudo muito bem composto, com alguma barrica em evidência, mas está bem no conjunto. O tinto mostra todas as condições para ser apreciado agora, sem mais delongas. Primeira garrafa com rolha. Tira-se? (13,5%)
17,5
Quinta do Bronze Vinha do Plagão
Douro tinto 2016
Lua-Cheia Saven
Aroma muito maduro, denso na cor, notas de chocolate, cacau fresco, fruta preta madura, algo sobreextraído. Gordo no palato, cheio, com toque muito denso e algo pesado. É também um certo tipo de tinto que a região permite, apontando para um perfil mais Novo Mundo. (14,5%)
17,5
Scala Coeli
Reg. Alentejano Alicante Bouschet tinto 2016
Fundação Eugénio de Almeida
Muito concentrado na cor, capitoso, com evidência do álcool, notas de azeitonas e casca de árvore, madeira presente, tudo em camadas, tudo denso, tudo complexo. Muito macerado, resulta num perfil pesado e escuro, ainda longe do seu melhor. 6500 garrafas produzidas. (15%)
17
Adega Mãe Terroir
Reg. Lisboa tinto 2016
Adega Mãe
Notas de fruta madura, algum couro, sem espessura aromática, mas com boa prova de boca, num perfil maduro, sem perder alguma elegância de conjunto. A leve secura final não acrescenta nada ao vinho, mas não chega a perturbar a boa prova. (14%)
17
Marquês de Borba Vinhas Velhas
Alentejo tinto 2016
Portugal Ramos
Média concentração de cor, fruta madura no aroma, sempre num registo em que se pretende privilegiar a elegância e a boa integração da barrica onde estagiou um ano. Prova de boca com excelente polimento, resulta assim especialmente agradável, para consumir agora. (14,5%)
17
Pedra Cancela Amplitude
Dão tinto 2016
Lusovini
O vinho sugere estar em fase de transição, a perder algum fulgor juvenil, apesar de manter ainda alguma redução no nariz. No aroma destacam-se muitas notas da madeira, notas doces e de caramelo salgado. Leve floral na boca ajuda à prova. Poderá não ter argumentos para mais estágio em cave. (13%)
17
Quinta da Giesta
Dão Grande Reserva tinto 2016
Soc. Agr. Boas Quintas
Feito com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alicante Bouschet. Fruta madura no aroma, leve nota de rebuçado, alguma especiaria, notas florais combinadas com algum vegetal seco e azeitonas. É um clássico tinto do Dão, mais apostado no bom diálogo das castas e na elegância de conjunto. Poderá estar já no seu melhor momento. (13,5%)
17
Quinta de Lemos
Dão Touriga Nacional tinto 2016
Quinta de Lemos
Sente-se a casta, mas aqui com algum peso notório da fruta e da madeira, escondendo o lado mais floral que lhe é reconhecido. Sugere muita maceração, embora melhore muito na boca, com estilo polido e sem arestas, por isso muito capaz de dar boa prova desde já, assim se encontre o pairing perfeito. (14%)
17
Quinta de Ventozelo Essência
Douro tinto 2016
Quinta de Ventozelo
O aroma traz-nos uma fruta madura, algumas notas de eucalipto que lhe dão boa frescura, mas não faz esconder alguma evolução evidente. Tonalidade doce na fruta que se percebe na boca, mostra-se envolvente, leve balsâmico; tudo indicando que poderá já estar no seu melhor momento de prova. (14%)
17
Quinta do Perdigão
Dão Touriga Nacional tinto 2016
Quinta do Perdigão
Média concentração de cor, leve redução aromática, que faz esconder um pouco a casta. Na boca, temos um tinto elegante e fino (o que é a marca da casa), está bem, ainda que carecendo de mais complexidade. Seguramente, mostra-se muito gastronómico e dará prazer a beber agora, sem mais esperas. (13%)
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)







