A produção de espumantes pelo método clássico – a segunda fermentação ocorre em garrafa, com leveduras livres – é, naturalmente, herdeira do saber e da técnica usada em Champagne, a região que serve de modelo a todas as outras que querem seguir este procedimento. A técnica pode ser muito simples ou extremamente complicada, pode ser muito rápida ou demorar mais de uma década. Recordo-me de ter provado espumantes que saiam para o mercado em Dezembro/Janeiro, feitos a partir de uvas colhidas três meses antes, mas também me recordo de provar vinhos que estiveram dez e mais anos em cave, à espera que o tempo fizesse o seu papel, para, então, serem colocados no mercado.
Na Murganheira (e na Raposeira) o método clássico é levado muito a sério e todos os vinhos seguem esta técnica. Isso obriga a longos períodos de estágio em cave e são muitos milhões as garrafas que nas adegas descansam à espera que lhes seja dada “guia de marcha”, para poderem ser consumidas. Ainda que usando algumas castas portuguesas e locais, é com as clássicas champanhesas – Pinot Noir e Chardonnay – que os topos de gama se fazem, porque são as variedades que melhores resultados mostram.
Marta Lourenço entrou para a Murganheira como estagiária em 2006. Dois anos depois, passou a responsável da enologia e da viticultura, quer da Murganheira, quer da Raposeira. Confessa que a primeira aprendizagem a sério nos espumantes foi feita com os Cava da casa Gramona, mas todos os anos ruma a Champagne onde, com os contactos que tem, vai actualizando o saber e as técnicas. Beneficia da relação privilegiada com a Station Oenotechnique de Champagne (herdada do Professor Lourenço) e uma ligação pessoal forte com a equipa técnica da Möet & Chandon. Apesar do portefólio já muito completo, Marta reconhece que há vinhos que lhe dão muito mais trabalho que outros, como é o caso do Czar, um rosé especialmente exigente na fase do acompanhamento da prensagem, porque o clima e as castas da região não são propícios àquele tipo de espumante. Está a trabalhar em espumantes bio e também em espumantes feitos pelo método ancestral. Responsável pela enologia e viticultura de duas empresas tão grandes não é um desafio excessivo? “É, mas eu gosto”, diz-nos Marta! J.P.M.
O Prémio Enóloga do ano é patrocinado por: Cosvalinox
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)





