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A Aliança perfeita

Três aguardentes de referência e um espumante de superior qualidade são as novidades da Aliança, casa plena de história e de experiência na região bairradina.

TEXTO Mariana Lopes
NOTAS DE PROVA Luís Lopes

As caves da Aliança, em Sangalhos, são, desde 2010, o cenário do Underground Museum, um projecto que funde vinho e arte debaixo de terra, por entre pupitres de espumante em estágio e barricas com aguardentes muito velhas. Além de colecções como a Arqueológica, a de Arte Etnográfica Africana, Escultura Contemporânea do Zimbabué, Minerais, Fósseis, Azulejos e Cerâmica das Caldas, o museu tem uma bonita sala de eventos. Nesta, foram apresentados o mais recente espumante Aliança Grande Reserva branco 2012 e três novas aguardentes vínicas, Aliança XO 10 Anos, Aliança XO 20 Anos e Aliança XO 40 Anos.
Segundo o enólogo Francisco Antunes, o Aliança Grande Reserva Branco surgiu para ocupar o lugar do Aliança Vintage, o espumante topo de gama da casa, já extinto. De uma produção que ronda os 80 mil exemplares, este espumante apresenta-se num novo modelo de garrafa e tem no seu lote as uvas Chardonnay e Baga, provenientes de solos argilo-calcários. O vinho base estagiou em inox durante 18 meses e o espumante permaneceu em cave desde 2014 até ao momento. Com bolha muito fina, o Grande Reserva é um espumante sério, complexo, volumoso com biscoito e tostados, mas também mineralidade e fruta, apresentando uma secura nobre e grande finesse na textura.

A três aguardentes “surgem do desafio de criar uma linha XO”, disse Francisco Antunes. A XO 40 Anos já existe desde 1994, o ano seguinte ao da chegada do enólogo à Aliança. “Há, nesta casa, um espólio de aguardentes que nos permite ser criativos”, contou. A sugestão de alargar a gama foi, assim, bem acolhida, mas fazê-lo dentro do mesmo estilo não é tão fácil como parece, como explicou Francisco: “O mais difícil é criar uma linha comum às três aguardentes, de tal modo que o consumidor perceba que há uma ligação entre elas; mas que ao mesmo tempo sejam bem distintas entre si.”
Partindo desta premissa, o enólogo manteve o perfil clássico da XO 40 Anos, com leves afinações, e desenvolveu as outras duas. A XO 10 Anos (3500 garrafas) é a aguardente para todo o público, mais fácil de entender por este e a mais “gulosa”, nas palavras de Francisco. Tem a madeira das barricas mais perceptível e também notas de doçura. A 20 Anos (2500 garrafas) é a mais tradicional e austera, segundo o estilo da Bairrada. “Alinhada, séria e directa no nariz”, com notas de frutos secos e bem mais “firme e aromática” do que a primeira. Já a XO 40 Anos (1500 garrafas) sofreu um ligeiro ajuste em relação às suas edições anteriores. “Limaram-se algumas arestas, nomeadamente a agressividade aromática”, elucidou Francisco Antunes.
No seu já conhecido tom de brincadeira, o enólogo terminou com alguns conselhos de prova: “Nunca aqueçam o balão (o copo tradicional de aguardente) e não agitem a aguardente, como se fosse vinho. Deve-se fazer uma aproximação muito lenta ao nariz, por causa do álcool.” A provocação era mais séria do que parecia.

Em prova
  • Aliança XO Aguardente Vinica Velha 20 Anos
    Sem DO / IG, Aguardente,

    18.0
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Aliança XO Aguardente Vinica Velha 10 Anos
    Sem DO / IG, Aguardente,

    16.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Aliança XO Aguardente Vinica Velha 40 Anos
    Sem DO / IG, Aguardente,

    18.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Aliança
    Bairrada, Grande Reserva, Espumante Branco, 2012

    18.0
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor

Edição Nº21, Janeiro 2019

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