A história das empresas de Vinho do Porto, que chegaram até nós, é rica e complexa de explicar em poucas palavras. O que hoje conhecemos é o resultado de inúmeras fusões, aquisições e doações; famílias antigas que deixaram de produzir e outras que conseguiram manter o espírito de grupo e criaram algo de novo, com base no espólio adquirido.
A Real Companhia Velha (RCV) é um caso paradigmático de empresa, que resulta da união de várias companhias e conserva, hoje, um carácter familiar. Os Silva Reis compraram a empresa Miguel de Souza Guedes em 1953 (e com ela a Quinta das Carvalhas) e, em 1960, a RCV. Com a aquisição da Real Vinícola, em 1963, a empresa tornou-se um gigante, mas não deixou de ser familiar. Actualmente, já há uma nova geração de Silva Reis empenhada na continuação deste legado. E o legado inclui muitos e extraordinários vinhos velhos que pudemos apreciar em 2025, tawnies que desafiam o tempo e revelam toda a apetência que o Vinho do Porto tem pelo “sono em cave”.
Pedro Silva Reis, CEO da empresa, ainda que nunca escondendo o seu gosto pelo Vinho do Porto e pela arte do blend, tem mostrado total abertura a novos rumos, nomeadamente nos DOC Douro, deixando, à nova geração, o poder de decisão sobre novos produtos e novas experiências, com base em uvas das várias quintas, sempre “abençoadas” pela mão segura de Álvaro Lopes e o “nariz” apurado do enólogo Jorge Moreira.
O portefólio dos vinhos velhos é muito completo, de que são bom exemplo os tawnies 50 e 80 anos provados, bem como os Very Old Tawny que não nos saem da memória. A conservação destes vinhos muito velhos reveste-se de grande dificuldade e um provador tem de ser formado ao longo de muitos anos. Não é assunto que se aprenda na Faculdade. E é esse saber antigo que as actuais empresas do sector têm de ser capazes de assegurar para as gerações futuras. A RCV já está a trabalhar nesse assunto. Pedro Silva Reis tem mostrado uma disponibilidade e uma abertura ao diálogo com a imprensa que é de registar: abre as portas, abre os livros, mostra os “segredos” e a conversa flui. Assim deveria ser sempre e na Real já é! J.P.M.
O Prémio Empresa de Vinhos Generosos do ano foi patrocinado por: BA Glass
(Artigo publicado na edição de Março de 2026)




