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Casa Relvas: Novidades de pai para filho

A história do vinho deste produtor começou no início do século e de lá para cá não tem parado de crescer. E ao lado de vinhos de muito volume também encontramos as pequenas especialidades, a mostrar que não se perdeu o gosto pela inovação.

TEXTO João Paulo Martins
FOTOS Ricardo Palma Veiga

O encontro foi, como dizem os franceses, em “petit comité”. À volta de uma mesa em casa cheia de história – Palácio Chiado – falou-se da terra, das gentes, do clima, dos gostos e desgostos da profissão de produtor de vinho, do pai e do filho, ali frente a frente. A Casa Agrícola Alexandre Relvas começou, com o pai Alexandre, a produzir com marca própria em 2003 mas logo em 2006 o filho Alexandre (nome original…!) fez a primeira vindima e de então para cá, a par do gosto dos cavalos, não mais largou o vício. E os números são impressionantes, já que se passou das 30.000 em 2003 para cerca de seis milhões de garrafas em 2018.
Não são seguramente muitos os produtores que podem apresentar um currículo deste calibre. Sabemos todos que, neste caso, o crescimento se faz muito à custa das marcas de volume, das exportações maciças, da presença nos postos de venda onde os consumidores se abastecem – as grandes superfícies –, mas também na restauração. Sabemos também que negociações com compradores de supermercado obrigam a grande jogo de cintura, calmantes sempre no bolso e muita paciência, sobretudo no caso de uma região – Alentejo – muito procurada pelos consumidores e pelos mercados/alvo das exportações, como o Brasil, Estados Unidos e Holanda.
Mas o caminho faz-se caminhando e estando atento aos ventos e marés. Por isso, na Casa Relvas também têm lugar os vinhos estagiados em ânforas ou os tintos com enologia de outros tempos; não são para todos os consumidores, mas destinam-se aos que querem e gostam de coisas diferentes e originais. A área de vinha contempla 15% de uva branca e a produção da empresa incorpora 70% de uvas próprias.

O portefólio é muito completo e extenso mas este momento foi aproveitado para mostrar algumas novidades, como o Herdade de São Miguel Pé de Mãe, vinificado com leveduras indígenas, com grande predominância da casta Trincadeira, em cubas de inox, com bago inteiro, 20% de engaço e uma maceração de 30 dias; o Reserva é um tinto feito em lagar, onde fermenta, e depois tem um estágio de 12 meses em barrica de 400 litros e 6 meses em tonel. O Amphora é feito com Arinto, tem 2 meses de maceração após fermentação em talha pesgada, leveduras indígenas, 8 meses de estágio em ânforas, sobre borras. A produção é muito pequena, de 2400 garrafas. Esta é a 3ª colheita em tinto e a segunda em branco. São vinhos originais e com muita personalidade.
Novidade também foi a apresentação do Passi, um Colheita Tardia tinto onde se cruzam várias castas, com trabalho enológico apurado e atento: fermenta em barris rotativos e a fermentação é parada com o frio e sulfuroso. Depois estagia 9 meses em barrica, tendo resultado apenas 2500 garrafas. O resultado final está bem conseguido. Entretanto a anterior marca Private Collection (de que se fazem 2800 garrafas) vai passar a Friend’s Collection, com alguns amigos da casa chamados para o efeito.
O pai Alexandre encontrou no Alexandre, filho, um sucessor à altura, empenhado e cheio de energia. À família Relvas saiu a taluda…

Em prova
  • Herdade São Miguel
    Regional Alentejano, Reserva, Tinto, 2015

    17.0
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Herdade São Miguel Pé de Mãe
    Regional Alentejano, Tinto, 2016

    17.0
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Herdade São Miguel Passi Colheita Tardia
    Regional Alentejano, Tinto, 2014

    16.0
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Herdade São Miguel Private Collection
    Regional Alentejano, Tinto, 2014

    17.5
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Herdade São Miguel
    Regional Alentejano, Colheita Seleccionada, Branco, 2017

    16.0
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Art.Terra Amphora
    Regional Alentejano, Branco, 2017

    16.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor

Edição Nº21, Janeiro 2019

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