Maiores, modernas e funcionais, interactivas. As Caves Cálem já reivindicavam o título de mais visitadas do país. Agora, após um investimento de três milhões de euros, querem ser as mais populares do mundo. O “boom” turístico no Porto alimenta as expectativas.

 

TEXTO Luís Francisco FOTOS Anabela Trindade

O turismo no Grande Porto continua a crescer a ritmos anuais de dois dígitos e a Sogevinus, proprietária das marcas Barros, Burmester, Cálem e Kopke, sabe que tem uma quota-parte nessa equação. Com 235 mil visitantes em 2016, as Caves Cálem, em Vila Nova de Gaia, são um dos grandes destinos turísticos da região e os investimentos feitos este ano prometem reforçar esse estatuto. Sem beliscar a tradição, a visita foi enriquecida com experiências interactivas, que fazem a ponte entre o passado e o futuro. Setembro marca o início de uma nova era na mais visitada das caves de Vinho do Porto.

Mesmo sem inauguração oficial (estava agendada para o dia 13 de Setembro, mas a celebração foi adiada, devido à morte do bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos), o agora chamado Museu Interactivo das Caves Cálem já está a funcionar em pleno, oferecendo aos visitantes todo um novo leque de possibilidades lúdicas, que aliam o entretenimento a uma assumida vocação didáctica. As instalações foram remodeladas, criando um circuito para grupos com marcação prévia e outro para os visitantes individuais, que podem agora “entreter-se” na área interactiva do museu até chegar a hora de seguirem na visita guiada pelas caves.

E visitantes é coisa que não falta por aqui. O corrupio de gente é constante, ali mesmo a um passinho da ponte Luís I, junto ao Douro pontilhado por barcos rabelo e embarcações turísticas, o cais da Ribeira e as suas esplanadas do outro lado do rio. A fachada branca debruada a pedra, a vetusta escadaria que nos leva ao interior e o brasão sobre a entrada garantem a atmosfera de autenticidade e tradição que compõe o apelo do Vinho do Porto. Mas lá dentro a modernidade irrompe nas linhas estilizadas da recepção e em alguns pormenores de decoração.

Caso existam dúvidas, somos convidados a espreitar por duas aberturas na parede (ao nível dos olhos dos adultos e das crianças), para confirmarmos que lá dentro nos aguarda a atmosfera solene e serena das caves onde envelhecem os vinhos vindos da zona demarcada do Douro. E então somos novamente surpreendidos.

Porque o primeiro espaço onde entramos até tem as paredes e a luz “certas”, mas o resto é completamente diferente do que esperávamos. Em vez de balseiros e barricas, mapas e ecrãs interactivos, painéis e vídeos informativos, um jogo de identificação de aromas que prende a atenção de toda a gente. Passamos por um mapa tridimensional do Douro, onde podemos consultar informação sobre a orografia e alguns indicadores meteorológicos; percebemos como se estendem as raízes das videiras num painel com um corte vertical do solo de xisto; identificamos as castas tradicionais do Douro que são usadas pela Cálem nos seus vinhos; são-nos explicadas as categorias de Porto e mostradas as cores que nelas podemos encontrar. No final, quem quiser pode responder a um questionário (são três questões) e receberá por mail a imagem de uma garrafa cujo rótulo tem o nome do inquirido.

Provas, compras e… fado
Por razões logísticas, este espaço não está integrado no circuito dos grupos organizados, a quem são proporcionadas experiências e informações similares mas num registo diferente. A partir daqui, a visita é semelhante, com as caves, a sala de provas e a loja no itinerário. E se é verdade que a grande novidade é mesmo a zona interactiva, também há muito para descobrir no resto do trajecto.

Começamos pelo enorme balseiro onde podemos projectar um conjunto de dados que seleccionamos num ecrã. Conhece os níveis da água no historial das cheias do Douro? Qual é a capacidade deste depósito em madeira? Quanto tempo demora a ser feito? E sabia que lá dentro cabe… bom, o melhor é mesmo cada um descobrir por si. Mais à frente encontramos um ecrã onde podemos aprofundar o nosso conhecimento sobre as famílias e tipos de Porto.

Uma elegante escadaria conduz-nos a um andar superior, criado especialmente para albergar a nova sala de provas, multifuncional graças às divisórias que podem ser corridas entre as filas de mesas, criando espaços maiores ou mais pequenos conforme as necessidades. A lotação total é de 210 pessoas, mais 100 do que no espaço anteriormente existente, junto à loja.

E é mesmo para a loja que descemos. Cresceu, claro, aproveitando o espaço deixado vago pela construção da nova sala de provas – com 283 metros quadrados, passou a ter o dobro da área. Mas, essencialmente, modernizou-se e adoptou uma filosofia extremamente “user friendly”, dividindo os vinhos por expositores temáticos. Os vinhos provados na visita, os mais premiados, os mais vendidos, os Tawnies Velhos, os Vintage, os Porto Branco… Enfim, aqui ninguém se perde nem deixa de comprar por não encontrar o que procurava. Gadgets, T-shirts e pequenas ofertas completam o lote de artigos expostos.

Os circuitos normais terminam aqui e somos devolvidos às margens do Douro com a sensação de termos feito uma verdadeira viagem no tempo. Mas há programas que prolongam a visita, levando-nos a conhecer ainda um outro espaço inédito: a sala de provas especiais, onde podemos apreciar harmonizações de Porto com diversos tipos de comida e, até, vibrar com uma sessão diária de fado. As reacções do público – que diferem conforme as origens e nacionalidades – dariam um verdadeiro tratado sociológico e não se espante se por lá encontrar japoneses a cantar “em português”…

O Porto continua a crescer como destino turístico e as caves de Vinho do Porto são uma das experiências mais marcantes da oferta local. Projectos como a anunciada Cidade do Vinho, da Fladgate, propõem-se capitalizar e reforçar essa identificação entre a cidade e o vinho, uma aposta que também explica o investimento feito agora pela Sogevinus nas caves Cálem. O objectivo assumido é passar dos 235 mil visitantes anuais que lhe dão o título de “campeã nacional” (o Bacalhôa Budha Éden, na Quinta dos Loridos, recebe mais turistas, mas o foco principal não é o vinho), para mais de 300.000, o que permitiria destronar a chilena Concha y Toro e tornar-se a adega mais visitada do mundo. O céu é o limite.

 

MUSEU CALÉM
Morada: Av. de Diogo Leite, 344, 4400-111 Vila Nova de Gaia
Tel: 223 746 660 / 916 113 451
Fax: 223 746 699
(Taberna da Adega: 919 001 166)
Mail: turismo@sogevinus.com
Web: www.sogevinus.com
GPS: Latitude: 41º; 8’17.51”N; Longitude: 8°36’39.32”O
As caves estão abertas todos os dias excepto 25 de Dezembro e 1 de Janeiro, das 10h às 19h (fecho às 18h de Novembro a Abril). O bilhete standard custa 10 euros (crianças: grátis; dos 11 aos 17 anos: 5 euros), incluindo museu interactivo, visita guiada às caves e prova de dois vinhos; com upgrade para três vinhos passa a 15 euros. O bilhete que inclui a sessão de fado (ao final da tarde) fica por 21 euros. Informações em tour.calem.pt e reservas on-line em byblueticket.calem.pt.

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