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Herdade das Servas: Quatro novidades e uma bela surpresa

By 11 Janeiro, 2019 Sem comentários

O melhor que se pode dizer das propostas mais recentes da Herdade das Servas é que fazem jus ao nome e estilo da casa. Vinhos cheios, mas elegantes, traçando a ponte entre as tradições do passado e os gostos actuais. E, desta vez, até havia mais qualquer coisa…

TEXTO Luís Francisco
FOTOS Cortesia do produtor
NOTAS DE PROVA Nuno de Oliveira Garcia

Há produtores sempre atentos à possibilidade de “piscar o olho” ao mercado, constantemente em busca de algo novo, diferente, que chame a atenção. Outros assentam a sua estratégia na solidez das propostas e na manutenção de uma imagem de marca que fala por si. A Herdade das Servas inclui-se, claramente, neste segundo grupo, mas nem por isso deixou de surpreender durante o lançamento recente dos seus novos vinhos, apresentando um Garrafeira que nos faz viajar no tempo.
Comecemos pelo final, exactamente o momento da refeição em que foi servido o Herdade das Servas Garrafeira tinto 2010, um vinho de que apenas foram feitas 1059 garrafas e que só estará disponível na loja e restaurante da própria herdade, em S. Bento do Ameixial, Estremoz. Feito com as castas tradicionais do Alentejo (Alicante Bouschet, Trincadeira, Aragonez), mas trabalhado para criar algo “completamente diferente”, como explicou Luís Serrano Mira, um dos responsáveis pela enologia (com Ricardo Constantino), este é um vinho fermentado em barricas rotativas de 500 litros, onde estagiou mais 24 meses. Esteve seis anos em garrafa e fala-nos de outras eras, da complexidade e riqueza dos tempos em que o tempo passava mais devagar.
“Sempre nos foi passado pelo nosso pai o culto dos vinhos velhos”, recordou Luís Serrano Mira, acompanhado pelo seu irmão Carlos, responsável pela viticultura. E foi destas memórias que surgiu a vontade de fazer um Garrafeira, em edição limitada e exclusiva, mas que poderá ter sucessores – se houver procura, há vinhos na adega para satisfazer o gosto de um público forçosamente restrito (a garrafa custa 70 euros).
E é desta relação de contínuo equilíbrio entre a herança do passado (pelo menos 350 anos e 13 gerações a fazer vinho naquela terra) e os novos caminhos ditados pelas exigências do mercado e as opções estratégicas da empresa que se tem feito a imagem da Herdade das Servas. Uma casa pouco dada à procura incessante de novidades, como já foi dito, mas longe de qualquer conformismo – e isso ficou evidente há dois anos, quando assumiu a opção de risco de acabar com a gama de entrada Vinha das Servas e concentrar esforços nas restantes, Monte das Servas e Herdade das Servas, reestruturando de caminho a adega e as vinhas.

Com uma produção anual que oscila entre 1,2 e 1,5 milhões de garrafas e apenas 15% dirigida à exportação, as marcas Servas são basicamente omnipresentes na restauração e muito pouco vistas nas grandes superfícies. Também isto explica a prioridade de manter um perfil estável a cada nova colheita, missão mais uma vez cumprida com os vinhos agora apresentados. Da “vindima mais precoce de que há registo nas Servas” chegam-nos o Monte das Servas rosé 2017 e o Herdade das Servas Colheita Seleccionada branco 2017. O ano de 2015, que permitiu “uma bela colheita de tintos”, oferece-nos o Herdade das Servas Reserva tinto e o Herdade das Servas Alicante Bouschet, varietal que terá em breve a companhia de um Touriga Nacional. Muito sabor e volume de boca, com uma elegância que se sobrepõe ao grau alcoólico elevado. São tintos das Servas e está tudo dito.

  • Herdade das Servas
    Regional Alentejano, Colheita Seleccionada, Branco, 2017

    16.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Herdade das Servas
    Regional Alentejano, Reserva, Tinto, 2015

    17.0
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Herdade das Servas
    Regional Alentejano, Alicante Bouschet, Tinto, 2015

    16.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Herdade das Servas
    Regional Alentejano, Rosé, 2017

    15.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor

Edição Nº16, Agosto 2018

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