Notícias Vinho

Pinot Noir em Portugal, uma uva imprevisível

By 4 de Fevereiro, 2019 Sem comentários

Considerada por muitos como a casta que origina os mais elegantes e sofisticados tintos do mundo, em particular na Borgonha, a Pinot Noir é, no entanto, uma uva muito difícil e particularmente exigente quanto ao clima, solos, práticas vitícolas e enológicas. Num país como Portugal é quase imprevisível, evidenciando grande variabilidade de colheita para colheita.

TEXTO Dirceu Vianna Junior MW
FOTOS Ricardo Palma Veiga

A Borgonha é um lugar mágico. É também o local ideal para ajudar desvendar os segredos e aprender sobre a magia da sua principal casta tinta, Pinot Noir. A variedade tem a capacidade de expressar as pequenas diferenças do terroir e por esse motivo é uma das castas mais interessantes e estimulantes; por outro lado, pode ser uma das mais difíceis, frustrantes e decepcionantes. O sucesso comercial vem da sua extraordinária habilidade para compor vinhos complexos e longevos, mas também macios, frutados e fácil de apreciar. Existem, porém, limitações geográficas. A casta não se adapta a climas demasiadamente frios e húmidos ou muito quentes, preferindo regiões moderadamente frias capazes de proporcionar um ciclo de crescimento que seja longo o suficiente para produzir uvas com maturação fenólica adequada juntamente com aromas e sabores interessantes.
Literatura antiga explica a possibilidade de que Pinot Noir represente uma domesticação direta de Vitis sylvestris há cerca de 2000 anos. Menções escritas referem a casta Moreillon, um dos antigos sinónimos da casta Pinot Noir, no ano de 1283. Na Idade Média, a nobreza e a igreja cultivaram Pinot Noir em terrenos favorecidos, enquanto os camponeses franceses cultivavam varietais inferiores, como Gouais Blanc, mais orientados para a quantidade.

escolha mestre vinho

Registos históricos do ano de 1375 mostram que o Duque Filipe II, que reinou entre 1363 e 1404, enviou 2500 litros de vinho elaborado com a casta Pinot Noir para a Bélgica antes de uma visita para ser usado em banquetes. Entre os factos históricos mais conhecidos está a preferência do Duque pela casta, declarando em julho de 1395 que apenas Pinot Noir deveria ser cultivada e, numa medida draconiana, ordenou que os produtores arrancassem os seus vinhedos de Gamay até à Páscoa seguinte.
A casta é geneticamente bastante mutável e gerou importantes variações, incluindo Pinot Blanc, Pinot Gris e Pinot Meunier. O relacionamento entre Pinot Noir e Gouais Blanc produziu descendentes famosos como Chardonnay, Aligoté, Melon e Gamay e alguns menos conhecidos como Beaunoir, Gros Bec, Romaine e Sacy. A partir do século XV, a designação Pinot Noir começou a substituir outras grafias como Pineau, Pinoz, Pynos, Pynotz, Pignotz. Fora da Borgonha, a primeira menção confiável à casta data de 1470 na região de Rheingau e em 1766 na Suíça. Depois do século XVIII surgiram menções em diversos países.

A chegada a Portugal
Em 2004 a casta obteve popularidade em várias partes do mundo, principalmente nos Estados Unidos, devido ao filme “Sideways”, cujo personagem principal defendia as qualidades da Pinot Noir enquanto criticava a Merlot. Consequentemente, houve uma queda nas vendas de Merlot e o interesse pela Pinot Noir aumentou signifitivamente. O mundo seguiu essa moda mas Portugal já estava adiantado à esse respeito. Carlos Campolargo, da empresa familiar Campolargo Vinhos, explica que o Pinot Noir já estava presente na Bairrada desde o fim do século XIX, onde chegou com o propósito de elaborar espumantes. Aponta igualmente que na década de cinquenta os serviços da Junta Nacional do Vinho haviam recomendado o plantio da casta na região, mas o sucesso foi limitado. O interesse pela reintrodução começou a germinar na Bairrada por volta de 1980. Em 1994, Carlos Campolargo plantou os seus primeiros vinhedos visando elaborar vinhos tintos.
Jorge Rosa Santos, enólogo responsável pelos vinhos do Casal Santa Maria, no litoral de Colares, explica que o desejo de plantar Pinot Noir veio do Barão Bodo Von Bruemmer, que optou por esta variedade por questões de preferência pessoal no início de 2000. Carlos Lucas, da Magnum Vinhos, no Dão, decidiu plantar Pinot Noir em 2012 também por preferência pessoal e refere que a sua experiência até agora tem sido positiva, com os vinhos mostrando boa qualidade e adicionando algo diferente no portefólio. No principio pensou fazer espumante, mas como a quantidade no primeiro ano era pouca optou por fazer um tinto. O vinho estagiou em barricas antes de ser engarrafado e a primeira colheita foi lançada no mercado em 2015 com bastante sucesso.

Uma casta imprevisível
Devido ao seu comportamento notoriamente difícil, o seu desempenho é imprevisível, demonstrando grandes variações entre colheitas e frequentemente falha. Hamilton Reis, enólogo responsável pelos vinhos de Cortes de Cima, diz que o Pinot Noir foi seleccionado para fazer parte do projecto na Costa Vicentina (Vila Nova de Milfontes) em 2008, mas os primeiros anos apresentaram tremendas dificuldades. As uvas eram heterógenas, com dificuldades de sanidade e maturação e davam origem a vinhos de baixa qualidade, sem tipicidade e, por esse motivo, não foram engarrafados. Lembra que esse período de aprendizagem foi necessário para entender a casta e suas particularidades e alterando operações de vinha, aprimorando processos de vinificação e com muita paciência foi possível obter um vinho com a elegância, profundidade e complexidade desejada. Na sua opinião, o vinho conseguiu chegar ao patamar desejado em 2014, sendo então engarrafado.
É importante considerar a aptidão da casta para terroirs específicos. Pinot Noir gosta de solos calcários, clima frio e amadurecimento lento para reter melhor o aroma, caráter e seu frescor. Carlos Campolargo concorda que solos com maior incidência de calcários mostram melhor aptidão para o Pinor Noir, especialmente parcelas em encostas suaves e bem drenadas, sobretudo as que estão viradas ao norte e para o nascente. Já Jorge Rosa Santos preza a frescura do clima que faz com que a casta se sinta confortável, gerando nessas condições vinhos elegantes e sem sobrematuração. A proximidade do mar no Casal de Santa Maria faz com que se note no vinho uma salinidade muito original e pouco usual. Por outro lado, a floração é um ponto crítico em Colares devido à humidade excessiva e orvalho, que causam algum desavinho. A tendência da uva para produzir cachos compactados deixa a planta mais suscetível a riscos de podridão e doenças fúngicas. Após o fecho do cacho podem surgir focos de botrytis. Aliado a isso, a sua pele fina exige um gerenciamento diligente para evitar humidade excessiva. Por esse motivo Hamilton Reis opta por deixar a vinha bem aberta, com desfolhas atempadas, tratamentos rigorosos e controlo de maturação apertado.

As folhas de Pinot Noir são geralmente menores do que as de Cabernet Sauvignon ou Syrah e no vinhedo o Pinot Noir é sensível ao vento, principalmente antes de a planta estar formada e forte. O abrolhamento é precoce, o que torna a planta suscetível às geadas da primavera. Problemas com vírus podem causar danos significativos à saúde da videira. A casta amadurece cedo e em condições demasiadamente quentes é suscetível ao escaldão. É preferível que o amadurecimento aconteça tardiamente, o que ajuda a conferir maior complexidade de aromas e sabores. Essa complexidade depende, em parte, do material vegetativo selecionado.
Existe uma variação enorme entre as plantas pelo facto de a casta ser geneticamente instável. Em termos de seleção clonal, o clone 115 continua a ser um dos mais plantados no mundo, juntamente com o clone 114, que está bem conceituado. Hamilton Reis trabalha com o clone 209, um clone produtivo e que dá origem à vinhos mais firmes e austeros, e com o clone 777, que, na sua opinião, confere tipicidade e boa concentração. Diogo Lopes, da Adega Mãe, concorda com o perfil varietal que o clone 777 aporta e cita também a sua capacidade de extração de cor e taninos maduros e redondos como características adicionais. Além disso aprecia a boa acidez natural do clone VCR9, que frequentemente é usado para espumantes. Para adicionar estrutura e capacidade de envelhecimento, Diogo Lopes cita o clone VCR18.
Muitos produtores, especialmente os produtores mais tradicionais da Borgonha, preferem fazer uma seleção massal a partir da sua própria população de videiras, ao invés de optar pelo uso de clones. Os principais desafios para Carlos Lucas na Quinta da Alameda incluem produzir a quantidade certa, cerca de 3500kg por hectare, e conseguir fazer um vinho de qualidade e ser fiel aos aromas e sabores da uva. Por outro lado, a grande vantagem do Pinot Noir, de acordo com Carlos Lucas, está na sua singularidade de aroma e sabor relativamente aos outros tintos produzidos na região do Dão. O vinho aparenta ter um certo carisma, o que torna possível vender por um bom preço.

Exigente na adega
Para se fazer um bom vinho é imperativo limitar a produtividade. Os baixos níveis de compostos fenólicos significam que os vinhos exibem estrutura mais sedosa, de corpo médio e com pouco tanino. Baixos níveis de antocianinas dão origem a vinhos com menos cor. O comportamento difícil continua na hora da elaboração, onde é vital evitar muita extração. Na adega é sensível a métodos de fermentação.
É uma casta altamente reflexiva do seu terroir, capaz de resultar em vinhos muito diferentes dependendo dos aspectos físicos da região produtora e métodos aplicados. Hamilton Reis trabalha com fermentações usando diferentes percentagens de engaço, temperaturas distintas, variando tempos de extracção e processos de prensagem, buscando expressar melhor a casta e o terroir. Os vinhos são geralmente envelhecidos em carvalho francês. Estilos tradicionais buscam preservar a expressão natural da fruta, mantendo a proporção de carvalho novo baixa, enquanto estilos modernos, cujos vinhos são mais encorpados, com frutas maduras, texturas sedosas e expressões em geral mais intensas, usam uma proporção de carvalho novo mais acentuada transmitindo sabores mais profundos que incluem cedro, moka, fumo, baunilha e cravo.
A casta demonstra uma variação tremendamente ampla de aromas, sabores e texturas. Vinhos provenientes de um clima excessivamente frio ou safras com deficiência de incidência solar, quando as uvas não atingem um nível de maturação adequada, podem apresentar características herbáceas, incluindo notas de alecrim, pimenta branca, beterraba e chá verde. À medida que o clima aquece, os vinhos mostram delicados aromas de frutos vermelhos como framboesas, morangos, cerejas e nuances florais como pétalas de rosa e violeta. Bons exemplos desses estilos podem ser encontrados nas vilas de Mercury, Givry e Rully, na parte sul de Borgonha. Considerando o terroir de Portugal, Diogo Lopes observa que a fruta proveniente de uma parcela plantada numa encosta em Alenquer que recebe maior exposição solar exibe mais corpo, intensidade e mais tanino em comparação com outra vinha plantada em 2011 na propriedade da Adega Mãe, que conta com um clima mais frio devido a influência atlântica e demonstra fruta mais fresca, muita elegância e maior acidez.

Em clima quente, a fruta mostra-se mais intensa e exuberante, como acontece com vinhos da Nova Zelândia e Austrália. O perfil aromático tende a apresentar características e frutas mais escuras – como, por exemplo, ameixas, amoras, cerejas pretas ou frutas de compota – e muitas vezes desenvolve aromas de especiarias exóticas e ervas secas, como é o caso dos vinhos de Central Otago. Para Hamilton Reis, se e a intensidade da fruta e a sucosidade nos fazem lembrar alguns Pinot do Novo Mundo, a tensão de boca pode levar a pensar em Borgonha. Por isso acredita que o estilo do seu vinho de Cortes de Cima esteja a meio caminho entre perfis possíveis de Pinot Noir, um estilo único da Costa Atlântica do Alentejo, reforçando a capacidade diferenciada da casta para conseguir expressar o terroir.
Certos estilos são capazes de incrível longevidade. Esses vinhos, quando jovens, possuem uma coloração mais profunda e taninos firmes. Como exemplo, em Côte de Nuits existem os vinhos da vila de Nuits St. Georges e, mais ao sul, em Côte de Beaune, aparecem os vinhos da vila de Pommard. À medida que esses vinhos envelhecem desenvolvem aromas mais complexos de terra molhada, trufas, ervas secas, legumes em decomposição, couro e relva.

Pinot Noir no mundo
A França lidera a lista de países com maior área plantada de Pinot Noir, com 29.738 hectares, mas a maioria das plantações é destinada à produção de espumantes. Em seguida aparece os Estados Unidos, com 16.776 hectares. A Alemanha vem em terceiro com 11.300 hectares e ali a casta é responsável pelos melhores tintos do país, especialmente em Baden, Pfalz e Ahr. É possível encontrar Pinot Noir na Itália, Espanha, Reino Unido, Áustria, Suíça, Moldávia, Roménia, Hungria, Bulgária, República Checa, Eslováquia, Croácia, Sérvia, Kosovo, Geórgia, Cazaquistão, Rússia, Ucrânia, Turquia e Israel. Em Portugal, a área plantada, de acordo com Antonio Lopes, técnico superior do Instituto da Vinha e do Vinho, é de 252 hectares.
Existem também exemplos expressivos e refinados no Novo Mundo, principalmente nas áreas costeiras que recebem correntes frias dos oceanos, como Carneros, Russian River, Sonoma, vale de Santa Maria e Santa Rita, na Califórnia. Mais ao norte do país, Oregon oferece excelentes exemplos de produtores, como Eyrie Vineyards e Beaux Frères, no vale de Willamette. Mais ao norte, no Canadá, também é possível encontrar exemplos interessantes em Ontário e na Columbia Britânica. Na América do Sul, a Argentina faz vinhos credíveis, como por exemplo Chacra, na região da Patagónia. No Chile, as brisas do oceano Pacífico resfriam os vinhedos localizados perto do mar. Existe um número elevado de produtores fazendo Pinot Noir de excelente custo e benefício. Destacam-se Morandé, Casa Marin e Errazuriz com Las Pizarras, no Vale do Aconcágua. Encontra-se Pinot Noir também no Uruguai, Brasil e Peru, mas existe ainda um caminho a percorrer para atingir a qualidade e consistência necessária.
Na Austrália, bons exemplos surgem de Yarra Valley, Tasmânia e Mornington Peninsula, uma área fresca rodeada por mar. Na Nova Zelândia é possível encontrar excelente qualidade e consistência, destacando-se Clos Henri, Fromm, Neudorf, Felton Road e Ata Rangi, entre muitos outros. A África do Sul conta com influência antártica e os produtores Hamilton Russel, Bouchard Finlayson e Newton Johnson são responsáveis pelos melhores exemplos do país.

Pinot português, que futuro?
Em termos de qualidade e comparação com vinhos feitos com Pinot Noir de fora do país, Carlos Campolargo acredita que, levando em consideração avaliações da crítica e o desempenho comercial, o resultado tem sido positivo. Diogo Lopes refere que o Pinot Noir permite elaborar vinhos distintos, elegantes, fáceis de beber e observa que quando está em companhia de amigos a garrafa de Pinot Noir é frequentemente a primeira a ser esvaziada, sinal de que são vinhos muito consensuais.
Mesmo com esse optimismo, Carlos Campolargo adverte que, quando comparamos a qualidade do Pinot Noir português com os da pátria desta casta, somos levados a pensar que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer. Caminho esse que terá uma série de obstáculos, entre os quais as alterações climáticas poderão ser um factor decisivo. Jorge Rosa Santos acredita que o Pinot Noir será uma das castas mais afectadas caso o clima continue a aquecer. Nesse caso haverá uma tendência de migração para latitudes superiores e climas mais frios ou oceânicos. Além disso, a selecção de material genético mais adaptável ao calor será essencial.
A maioria dos produtores que plantaram Pinot Noir fizeram por preferência pessoal ou buscando o grande desafio que a casta impõe, pois sabem como a casta é exigente tanto no campo quanto na adega. Esses desafios vão continuar crescendo devido aos riscos impostos pelas mudanças climáticas. Além disso resta saber se a casta realmente terá a capacidade de expressar as pequenas diferenças do terroir em Portugal como acontece na Borgonha. Não restam dúvidas de que os produtores de Pinot Noir olham para a Borgonha como fonte de inspiração e comparação. No caso de Portugal, é discutível se realmente é necessário plantar castas estrangeiras num país onde existe um número elevado de castas portuguesas com grande personalidade, capazes de adaptar-se bem às condições do terroir e produzir grandes vinhos.
Os exemplos de Pinot Noir portugueses possuem qualidade razoavelmente boa, mas num contexto mundial estão longe do nível de qualidade dos grandes Borgonhas. Além disso, a relevância comercial desses vinhos fora de Portugal será limitada, visto que países como Chile e Nova Zelândia contam com condições naturais adequadas e economias de escala superiores para produzir vinhos de boa qualidade com preços acessíveis. Para quem optou por plantar esta casta em Portugal, o desafio para o futuro será refinar a qualidade e o estilo para continuar merecendo uma pequena fatia do mercado. Quem ainda não plantou, deveria considerar variedades portuguesas mais adaptadas às condições atuais e também levar em consideração o clima do futuro antes de pensar em plantar essa casta demasiadamente imprevisível e laboriosa.

Em prova

Edição Nº19, Novembro 2018

  • Adega Mãe
    Lisboa, Pinot Noir, Tinto, 2016

    16.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Aneto
    Douro, Pinot Noir, Tinto, 2015

    16.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Campolargo
    Bairrada, Tinto, 2013

    16
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Casa de Saima
    Bairrada, Pinot Noir, Tinto, 2017

    16.5
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Casa Santos Lima
    Lisboa, Pinot Noir, Tinto, 2016

    15
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Casal Sta. Maria
    Lisboa, Pinot Noir, Tinto, 2015

    15.5
    guarda em pé
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Niepoort
    Douro, Pinot Noir, Tinto, 2015

    17.5
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Olho no Pé
    Douro, Pinot Noir, Reserva, Tinto, 2014

    17
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Quinta da Alameda de Santar
    Dão, Pinot Noir, Tinto, 2015

    17
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor
  • Quinta de Cidrô
    Douro, Pinot Noir, Tinto, 2016

    16.5
    guarda inclinada
    *PVP médio indicado pelo produtor

Escreva um comentário