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Ventozelo: a jóia da Gran Cruz

By 24 de Fevereiro, 2018 Sem comentários

Situada na margem esquerda do Douro, na freguesia de Ervedosa, sub-região de Cima Corgo, a Quinta de Ventozelo, com os seus 400 hectares de extensão, 200 dos quais de vinha, em forma de anfiteatro natural sobre o rio, é uma das mais belas propriedades da região.

 

TEXTO João Geirinhas NOTAS DE PROVA Luís Lopes FOTOS Ricardo Palma Veiga

SE juntarmos a esta impressionante beleza natural uma história que se perde nos tempos, a dimensão invulgar dos seus limites e as condições naturais de solo e clima para proporcionarem uma viticultura de excelência, percebemos melhor a ambição dos seus actuais proprietários em torná-la uma quinta modelar, berço favorecido para a produção de grandes vinhos do Porto e Douro.

Foi um pouco desta magia do lugar que a Gran Cruz pretendeu trazer a Lisboa na apresentação à imprensa dos seus topos de gama de Ventozelo, pelas mãos de Jorge Dias, director geral do grupo, José Manuel Sousa Soares, chefe da equipa de enologia, e Miguel Castro Silva, chefe do Lumni, onde decorreu o jantar, e há muito regular colaborador da empresa. É muito gratificante ouvir falar Jorge Dias de Ventozelo e José Manuel Soares dos seus vinhos. Falam com o entusiasmo de uma criança que acedeu finalmente ao brinquedo há muito desejado, o brilho dos seus olhos não engana.

Trata-se de uma aquisição recente. Foi apenas em 2014 que a Gran Cruz adquiriu a quinta a um grupo galego com interesses diversificados, mas com forte presença nas pescas e que um dia sonhou ser um grande produtor de vinhos. Condicionalismos e contingências de vária ordem impediram esse desiderato e após anos de incertezas e muitas negociações falhadas com outros pretendentes, a líder mundial na venda de Vinho do Porto tomava posse desta propriedade e começava a partir daí uma revolução silenciosa. Não que Ventozelo estivesse ao abandono, mas perante o desafio que a Gran Cruz tinha em mão e o projecto que Jorge Dias e a sua equipa elaboraram para a propriedade, o trabalho era gigantesco. É que, apesar de dispor da maior marca de Vinho do Porto, o grupo Gran Cruz não tinha vinhas próprias, comprando toda a produção, em vinho ou em uvas, a mais de três mil viticultores e cooperativas da região. Por outro lado, a imagem da empresa estava em geral mais associada ao volume do que aos vinhos de topo de gama. Nas palavras de Gaspar Martins Pereira, na sua excelente monogra a “Ventozelo – Uma Quinta Milenar no Douro Vinhateiro”, recentemente publicada, “a compra da Quinta de Ventozelo integra-se nesse projecto global de viragem estratégica da Gran Cruz”. Investir na produção vitícola e obter matéria-prima de qualidade, a base fundamental para fazer vinhos de excelência, tanto Douro como Porto, é o objectivo mais imediato. Lançou-se por isso um extenso trabalho de requalificação das vinhas, que abrangeu cerca de 20% da área plantada, com a eliminação de castas exógenas e a sua substituição por variedades autóctones. Mas o desfio vai ainda mais além: para Jorge Dias, Ventozelo é uma oportunidade para revelar o que o Douro tem de melhor para oferecer: um projecto integrado, onde além da vinha e da produção dos vinhos, há lugar para outras culturas, como o azeite, e a exploração de um enoturismo de grande qualidade, sustentável e em plena harmonia com a natureza.

Os vinhos que foram agora apresentados reflectem já este compromisso. Tanto os brancos, já conhecidos, como o Viosinho 2014 num lote feito em parceria com Miguel Castro Silva ou o Branco de Ventozelo 2014, revelam-se frescos e gastronómicos, qualidades que foram potenciadas pelas harmonizações com as criações do chefe. Mas o foco estava voltado para as novidades da noite: o Essência de Ventozelo Douro 2014 e o Quinta de Ventozelo Porto Vintage 2015. José Manuel Soares apresentou-os como exemplo do caminho que quer pros- seguir. É aqui que reside a beleza da coisa. Apesar do enorme salto qualitativo que estes vinhos revelam, eles são ainda um ponto de partida. Para quem participou no jantar, a certeza é que, no Ventozelo, o melhor está ainda para vir.

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