O restaurante Mesa de Lemos, em Silgueiros, acaba de estrear a sua nova carta, totalmente dedicada ao seu proprietário, o carismático empresário dos têxteis Celso Lemos.

 

TEXTO Ricardo Dias Felner FOTOS Cortesia Quinta de Lemos

AO entrarmos no edifício de espelhos, encastrado na colina de granito, deparamo-nos logo com a cozinha galáctica. As ilhas, em inox, usam da última tecnologia e estão instaladas dentro da sala de refeições, uma área em betão maciço que se estende ao longo do vidrado — um ovni na paisagem antiga de pedra escura e hortas do Dão. A primeira mesa está já ali, sem qualquer barreira, primeira plateia para assistir ao show de Diogo Rocha, o chef residente.

Quando chegamos, pelas 18h00, ele está num frenesim, a tratar da refeição. Não há tempo a perder com boas-vindas. “Vão ter de esperar até ao jantar”, atira, voltando à bancada de preparação. Daí a duas horas seremos os primeiros a experimentar a obra mais ambiciosa e, porventura, mais brilhante da sua carreira: o novo menu de Lemos, uma dúzia de pratos “inspirados” na figura do dono da quinta, Celso Lemos.

À primeira vista, a ideia de homenagear o patrão pode parecer graxa fajuta ou adoração provinciana. Mas rapidamente percebemos que o fundador da empresa Abyss & Habidecor, sedeada em Viseu e que alguém já classificou como “o Rolls Royce dos atoalhados”, mas também produtor de vinhos exclusivos, não é um homem qualquer. A primeira prova está no restaurante. A segunda aparece uns metros à frente.

Os quartos onde ficaremos alojados são no prolongamento da sala do restaurante. Ao abrirmos a porta, cinco metros de pé direito em madeira, o espanto outra vez, um espanto ainda maior. Ao centro, uma cama vestida de colchas luxuosas, ao lado uma banheira de granito onde se pode imergir e ficar a ver o cenário verdejante dos montes a sudoeste, só um vidro imenso a separar-nos daquele postal de pôr-do-sol.

Para encontrarmos a terceira prova de que Celso Lemos não é um homem qualquer, é só olharmos para o chão. O tapete gigante de algodão do Egipto, que decora o quarto, é um exemplo da qualidade dos seus têxteis. Muito poucos, todavia, têm tido o privilégio de o pisar. Os quartos são para uso exclusivo de chefs, importadores de vinho e outros amigos da família. A nós, coube-nos a vaga da imprensa.

Jantar completo
Completada a visita guiada — e um banhito na tal banheira, vá — é tempo de comer. Às oito começa o jantar, um festim de cinco horas. A abertura é logo em grande, celebrando uma velha máxima de Celso: uma refeição boa tem de ter bons ovos e boas batatas. Tudo simples, uma patanisca de batata com ovo cozinhado a baixa temperatura e um pickle de cebola — coisa para nos ficar na cabeça durante uma vida.

A filosofia prolonga-se nos outros pratos, sempre sofisticados, mas com poucos elementos e saborosíssimos. Pontos altos, para além do ovo inaugural: o carapau em salmoura; a raia com pinhões e molho de fígados; o atum com fricassé, feijão frade e feijão trigueiro; o tártaro de lagostim. A acompanhar só vinhos da casa, onde não faltou o mítico Dona Paullete, de Encruzado, ou o Jaen de 2008. O Mesa de Lemos abre às quintas e sextas ao jantar, sábados ao almoço e jantar, domingo ao almoço. Menus a começar nos 35 euros e a subirem por aí a fora, até mais de uma centena de euros.

Muito dinheiro, é certo, mas o restaurante faz alta-cozinha de nível Michelin e Diogo Rocha só vai ao tapete se ele for do Celso.

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