QUINTA DA LAGOALVA: Vinhos de Verão em alta

As apresentações de novos vinhos vão ajudando a descobrir uma Lisboa antiga, que se renova por dentro. Antigos palácios e palacetes, outrora decadentes e, acima de tudo, escondidos pela teia de vielas que rendilham as encostas da cidade vão, pouco a pouco, sendo descobertos pelos tecelões do Portugal is so nice e ‘ressuscitados’ em hotéis chiques, com rooftops sensacionais a oferecer a vista para as colinas e com pequenos jardins, onde bares e cadeirões proporcionam a vida glamourosa das férias.

Foi num ambiente assim, no Hotel The One Palácio da Anunciada, na rua das Portas de Santo Antão, que a Quinta da Lagoalva de Cima apresentou algumas das suas novidades para o Verão de 2026. Pedro Pinhão, administrador com o pelouro da enologia, trouxe parte da sua equipa, para alguns momentos descontraídos, acompanhados por finger food saborosa para os presentes debicarem ao longo de uma tarde agradável, onde o calor do sol era modulado por uma brisa suave e por sombras da tarde que, lentamente, cobriam o jardim.

Segundo Pedro Pinhão, os vinhos de 2025 são mais elegantes e frescos do que os correspondentes a 2024. Já há anos que os Lagoalvas, em especial nas suas gamas de entrada, mostram uma saudável contenção alcoólica. Muitos vinhos estão nos 12% ou apresentam um teor alcoólico bastante menor, o que os torna uma opção sensata para o a época de veraneio, quando queremos vinhos refrescantes que não castiguem pelo peso a opção por um segundo copo.

 Lagoalva
Os enólogos Pedro Pinhão e Luís Paulino

 

 

Bolhas e nova edição de Alfrocheiro

As novidades no campo das bolhas também são muito relevantes. O Pét Nat é muito limpo. É o que eu chamo de Pét Nat de enólogo, pois não deixa que os ‘aromas-off’ tomem conta do vinho. Simples, vivo, refrescante, mas sempre muito focado, é o que se espera de uma boa companhia à mesa ou para desfrutar em modo cocktail.

Mas a grande surpresa veio do espumante Lagoalva Reserva, com quatro quintos de Arinto e o um quinto de Alfrocheiro. Nada distingue no rótulo este novo lançamento dos anteriores, embora a marca ‘L-081241’ na garrafa o permita distinguir. Este é todo da colheita de 2023 e é sensacional. Consegue o raro milagre de equilibrar uma fruta cítrica jovem com suaves tostados do estágio em garrafa, a puxar para o estilo do Norte de França. Ainda por cima, com um preço muito comedido. Recomendo-o sem hesitar!

Finalmente, destaque para a nova edição do Alfrocheiro de 2024 de produção biológica. Alfrocheiro é sempre uma casta rara, com incidências no Dão e no Alentejo. No entanto, esta vinha já adulta vai alimentando o tinto topo de gama da casa em modo lote, entra no espumante o qual mencionei acima, aparece em lote com Syrah e ainda em modo estreme neste Grande Reserva, que agora é biológico. A beleza desta casta tinta é esta leveza e alegria.

(Artigo publicado na edição de Agosto de 2026)

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