Sabores

Só mais outro restaurante asiático?

By 19 Dezembro, 2019 Sem comentários

O JNCQUOI Asia é o novo asiático de Lisboa, com quatro cozinhas de raiz e muita ambição.

TEXTO Ricardo Dias Felner
FOTOS cortesia JNCQUOI

Fica uns metros abaixo do irmão mais velho, o JNCQUOI Avenida, e quem lá entra percebe logo que continuamos em modo luxo. A entrada faz-se pelo bar, onde se pode beber vinho, cocktails e sakés em poltronas. A ideia é vir a haver também “finger food” e a possibilidade de se pedir um ou outro prato do restaurante. Continuando a andar, passamos um painel de azulejos da Viúva Lamego, onde foram desenhadas as rotas dos produtos que os portugueses transportaram entre o Ocidente e o Oriente, durante os Descobrimentos, parte da história que o restaurante quer contar à mesa.
A carta, no entanto, há mais do que a herança luso-asiática. Ao todo são quase uma centena de pratos, de quatro regiões asiáticas diferentes, organizadas por tipo de comida. Até aqui nada de novo, podia pensar-se que estamos perante mais um asiático moderno, tendência em Lisboa nos últimos anos. Mas a ideia do Grupo Amorim Luxury, dono dos JNCQUOI, foi subir o nível: fazer tudo de raiz, ir buscar os melhores produtos e as melhores técnicas.
Soraia Manji, do departamento de marketing, dá alguns exemplos dessa exigência, enquanto nos guia pelo espaço, encaminhando-nos para a sala principal. O responsável máximo pelo que se come é o mesmo do JNCQUOI Avenida, o chef António Bóia, e o chef executivo é Mário Esteves, visível de um lado para o outro, logo ao meio-dia e meia, atrás do balcão da lindíssima cozinha aberta. Soraia Manji diz, a propósito, que esta é só a zona de finalização, onde não faltam fornos tandoori embutidos, robata, e equipamentos de ponta de fazer inveja a alguns Michelin. Por baixo, é que está a cozinha. Isto também é luxo.
Bóia é um cozinheiro experiente em cozinha internacional, com currículo académico, Esteves andou a estagiar em Banguecoque e Tóquio com o propósito de se preparar para o projecto. “E temos cozinheiros originários da Ásia”, acrescenta Soraia Manji.
Outro indicador do empenho numa cozinha autêntica foi a contratação de David Thompson como consultor apenas para a parte da cozinha tailandesa. Apesar de ser australiano, Thompson é autor de um dos mais importantes livros de cozinha tailandesa tradicional já editado, “Thai Cooking”, e o grande divulgador desta gastronomia no mundo, tendo ele próprio restaurantes com estrela Michelin na Europa e na Ásia.

Comida de toda a Ásia
Mas sentemo-nos. Estamos então na sala principal, a do esqueleto do dragão, imagem de marca do arquitecto Lázaro Rosa Violán, que voltou a ser chamado para este projecto do grupo. A sala principal tem capacidade para 112 pessoas e tem estado muito composta, sobretudo ao jantar, onde se aconselha reserva com antecedência. Ao lado há outra sala, que podia ser outro restaurante, um enorme balcão em madeira com vitrina de peixe encastrada, o sushi-bar, zona de sushi por excelência. Daqui sai uma porta para o pátio, onde se recria a ideia de jardim japonês, com horta vertical, plantas tropicais e vários recantos.
A ementa não está dividida pelas quatro regiões culinárias abrangidas pelo restaurante — Índia, Japão, China e Sião —, mas sim pelo tipo de comida. Há assim uma secção de sushi e sashimi, outra de saladas e sopas, outra de spring roll, tempura e chamuças, outra de wok, robata e tandoori, outra de caris e, por fim, os clássicos.
Nas sobremesas, é o veterano chef pasteleiro Joaquim de Sousa, chef do JNCQUOI e da Ladurée (marca da Amorim Luxury), quem dá a cara e a técnica. À mesa vem sempre uma bandeja com toda a doçaria, repetindo-se a receita do restaurante-irmão e onde consta um cheesecake impressivo, de sabor acentuado a cabra, para além dos clássicos mil-folhas e demais sobremesas de inspiração francesa.
O ticket médio andará entre os 40 e os 50 euros, “um pouco menos do que o do JNCQUOI Avenida”, diz Soraia Manji, mas com muitos vinhos exclusivos disponíveis para multiplicar este valor várias vezes.

4 clássicos asiáticos obrigatórios

Nasu Dengaku - Japão

A palavra dengaku tem origem nuns bailarinos que animavam as feiras medievais japonesas e que dançavam com uma única perna de pau. Essa perna de pau teria o seu equivalente culinário nos espetos de tofu e vegetais usados para a grelha. De todos os dendaku, contudo, nenhum é hoje tão popular como o de beringela (nasu), aberta ao meio, na qual é barrado o célebre molho de miso, à base de saké, mirin, dashi, açúcar e, por vezes, pasta de sementes de sésamo. A beringela é assada e pincelada com o miso, ficando caramelizada e com notas de fumo.

Biryani - Índia

Para muita gente não é claro a diferença entre biryani e pilaf, dois pratos da gastronomia indiana em que o arroz é o protagonista. No entanto, apesar de o biryani ser muitas vezes usado como um escape para os menos atreitos a malagueta, não é forçosamente assim — e este biryani de borrego do JNCQUOI está cheio de carácter. De origem muçulmana, segundo a maior parte dos historiadores, o biryani consiste em duas camadas de arroz entremeadas com uma de carne, peixe, camarão ou vegetais cozinhadas à parte e condimentadas de caril.

Har gow - China

O har gow (também pode aparecer grafado como ha gow ou haukau) é um dos dumplings (raviolis chineses de massa) obrigatórios numa refeição clássica de dim sum (petiscos chineses). E é também um dos mais difíceis de executar. A massa é feita à base de uma mistura de amidos, que podem ser de trigo, batata ou tapioca. Depois de cozida a vapor, a massa deve ficar translúcida e fina, sem ter cortes, e com umas pregas características (sete). O recheio leva sempre camarão com outros vegetais, tradicionalmente firmes. No JNCQUOI surge acompanhado de castanha de água.

Tom Yam Goong - Tailândia

O har gow (também pode aparecer grafado como ha gow ou haukau) é um dos dumplings (raviolis chineses de massa) obrigatórios numa refeição clássica de dim sum (petiscos chineses). E é também um dos mais difíceis de executar. A massa é feita à base de uma mistura de amidos, que podem ser de trigo, batata ou tapioca. Depois de cozida a vapor, a massa deve ficar translúcida e fina, sem ter cortes, e com umas pregas características (sete). O recheio leva sempre camarão com outros vegetais, tradicionalmente firmes. No JNCQUOI surge acompanhado de castanha de água.

Edição Nº30, Outubro 2019

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