TOP 30 - Os vinhos de sonho de 2020

Milhares de provas todos os anos e a dificuldade continua a mesma: eleger os 30 melhores dos melhores, no meio de tantos vinhos de excelência. A qualidade aumenta de ano para ano, bem como a quantidade de projectos plenos de carácter e raça. Isso torna esta tarefa ainda mais desafiante, mas enche-nos de orgulho e satisfação.

Os melhores, tinto, branco, espumante e fortificado, foram apurados como resultado de uma votação entre a equipa de provadores da Grandes Escolhas — Dirceu Vianna Júnior MW, João Paulo Martins, Luís Lopes, Mariana Lopes, Nuno de Oliveira Garcia e Valéria Zeferino — com base neste TOP 30, sempre com grande sentido de responsabilidade, isenção e rigor. O vinho distinguido é o que vem em primeiro lugar, a abrir a categoria, entrando os restantes, a seguir, por ordem alfabética.

É a nossa Grande Escolha, que pretende ser também um guia para os consumidores saberem o que colocar na sua mesa, com a confiança de que seguiram o conselho do grupo de críticos de vinho mais experiente do país, uma curadoria de luxo.

Todos os vinhos que se seguem, representam a excelência do nosso país dentro de garrafas. São a “crème de la crème” de 2020.

ESPUMANTES

Murganheira Vintage
Távora-Varosa Espumante branco 2011
Soc. Agr. Com. do Varosa

É quase sempre nas regiões de clima mais frio que é possível tirar partido da localização das vinhas, ou seja, solo, exposição e altitude para a produção de espumantes de alta qualidade. Por imitação (positiva, entenda-se…) da região de Champagne, a casta Pinot Noir vulgarizou-se no mundo como sendo especialmente apta para a produção de espumante, quer em branco, quer rosé. Nas Caves da Murganheira já há muitos anos que se trabalha com esta casta que é, toda ela, de produção própria nas vinhas que ficam perto da empresa. A história ensinou que o longo estágio em cave apropriada, antes do dégorgement, é absolutamente determinante para a qualidade e sobretudo o requinte do produto final. Também por isso este Murganheira Vintage, com 10 anos de estágio, é de elevadíssima qualidade e uma referência absoluta da produção nacional. A produção foi de 23000 garrafas, quantidade que se tem mantido estável nas últimas edições. J.P.M.

BRANCOS

Guru NM
Douro branco
Wine & Soul

Primeiro foi o Pintas em 2001, depois o Character, mais tarde o branco Guru. A seguir veio a entrada nos vintages (o melhor de sempre: 2018), o extraordinário super tawny 5G. Finalmente os novos vinhos da Quinta da Manoella (branco, rosé e dois tintos), e ainda a reformulação recente do portefólio de Portos com tawny, ruby e 10 anos. Pois bem, quando se julgava que o projeto Wine & Soul se encontrava a beneficiar de uma fase de acalmia… eis que surge mais um produto fabuloso. O terceiro branco Douro do produtor, seguindo-se agora a opção por um blend de várias colheitas. Não sendo modelo único em Portugal, é sem dúvida desafiante e inovador, sobretudo num perfil que procura manter a frescura e a tensão. Com efeito, a mistura de anos tende a privilegiar a complexidade em detrimento da vivacidade, mas com o Guru NM (cujas iniciais significam não ser de um ano apenas: ‘Non Millésime’) o perfil tenso é, inclusivamente, ampliado! Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges estão mais uma vez de parabéns! N.O.G.

Anselmo Mendes Tempo
Vinho Verde Monção e Melgaço
Alvarinho Branco 2016
Anselmo Mendes Vinhos

Orange wine em bom, a interpretação de Anselmo Mendes deste tipo de vinhos, ou o que lhe quiserem chamar. O Tempo é um “raça” de um vinho, diferente na sua génese, brilhante no resultado. Pioneiro em Portugal, este branco mostra a técnica da curtimenta totalmente dominada, não fosse Anselmo Mendes “doutorado” neste tipo de vinificação: a curtimenta total é feita em dois lotes, um sem engaço que fermenta com as películas até ao fim da fermentação alcoólica, e outro com os cachos inteiros, deixados durante dois meses numa cuba fechada a fermentar e macerar. Ambos estagiam depois em barricas de carvalho francês de 400 litros. “Curto até ao pinho, uma curtição”, disse Anselmo num live recente do Instagram. Não se trata, de facto, de um orange wine tradicional, mas sim de encontrar o que, neste espectro, combina melhor com o Alvarinho e não o desvirtua, conferindo-lhe uma grande originalidade. Para mim, é melhor. M.L.

Deu-la-Deu “Histórico”
Vinho Verde Monção e Melgaço Alvarinho branco 2017
Adega Regional de Monção

Adega Regional de Monção é uma referência em termos de vinhos Alvarinho produzidos nesta sub-região. E referência não apenas em termos de quantidade (é o maior produtor local) mas também em termos de consistência, com um padrão sempre elevado em quase toda a gama de 100% Alvarinho que produz, desde o Deu-la-Deu “normal”, até ao Premium (fermentado em barrica), passando por vinhos especiais como o Fernando Moura 30 anos, da colheita 2016, elaborado para homenagear a já longa ligação deste prestigiado enólogo à Adega de Monção, ou o Terraços, do mesmo ano, feito com leveduras de Alvarinho. Faltava-lhe, no entanto, um vinho completamente diferenciador. Faltava, mas já não falta. Este Deu-la-Deu, chamado “Histórico” pelo classicismo da rotulagem, foi feito de curtimenta completa (fermentado com as películas da uva), em cuba inox, tendo depois estagiado nas mesmas cubas durante um ano sobre as borras. Um perfeito exemplo de que, em Monção e Melgaço, é possível fazer um Alvarinho de excelência sem recorrer à barrica. L.L.

Pedra Cancela Intemporal
Dão branco 2012
Lusovini

Um branco de 2012 tirado da cartola da Lusovini, qual coelho mágico, quando ninguém estava à espera, depois de sete anos de estágio em garrafa. Um “acto de fé” de Sónia Martins — enóloga e actual presidente da empresa — que, como vários outros, acabou por se revelar acertado. De Encruzado (20% com estágio em barrica usada), Malvasia-Fina e Cerceal-Branco, este vinho tem tudo o que se quer num branco com idade: cor dourada bonita, aromas e sabores com evolução elegante e digna, exotismo e complexidade, muita vivacidade e tensão. Segundo o que consta, no Dão, 2012 foi o ano com maturação mais lenta e regular da segunda década de 2000, seco e com temperaturas bem amenas. Claramente que isso se reflectiu neste Intemporal, um branco notável que é, sem sombra de dúvida, uma “pedra preciosa do Dão”, e também de Portugal. M.L.

Pêra-Manca
Alentejo branco 2017
Fundação Eugénio de Almeida

Este branco da Fundação Eugénio de Almeida nasceu na colheita de 1990. Desde então tem assumido uma postura bem conservadora, clássica, sem cedências a modas, tendências ou manias. Entre outros aspectos, mantém-se fiel às duas castas de sempre, Antão Vaz e Arinto (vinhas com 30 anos), instaladas em solos graníticos. Esse lado conservador reflecte-se também no momento de colocação no mercado; em vez que se apresentar como vinho novo, do ano, cheio de fruta jovem e muita frescura, o Pêra-Manca prefere revelar-se com mais tempo de estágio, com mais volume e, claro, com mais carácter e personalidade. Parte do mosto fermenta em inox e parte em barrica, fazendo-se depois a baliza dos dois vinhos. A grande surpresa é que, ao contrário do que uma primeira prova apressada poderia sugerir, o vinho resiste muito bem ao tempo e aguenta anos e anos. Deste 2017 fizeram-se 93000 garrafas, entretanto esgotadas no produtor (o que diz bem do sucesso da marca e do perfil…) e o 2018 já está a caminho. J.P.M.

TINTOS

Quinta das Bágeiras Pai Abel
Bairrada tinto 2015
Mário Sérgio Alves Nuno

O tinto Pai Abel continua como o seu homenageado Abel Nuno, pai de Mário Sérgio Nuno: um bairradino com carácter e garra, forte de espírito, de postura firme mas serena e elegante. Na verdade, uma boa personificação do lote de Baga e Touriga Nacional, que compõe este vinho (com larga predominância da primeira), uvas provenientes de uma parcela onde as castas estão misturadas, e onde são feitas intervenções de modo a limitar a produção a dois ou três cachos por videira, replicando assim a concentração e complexidade de uma (boa) vinha velha. A fermentação é feita sem desengace, durante uma semana em lagar aberto, com várias remontagens por dia, e depois acaba e estagia em barricas usadas de carvalho francês e em tonel de madeira. Escusado será dizer que é um vinho quase eterno na longevidade e na persistência, daqueles Bairrada impactantes, que não saem da cabeça, nem da boca, tão cedo… M.L.

Arché
Alentejo tinto 2016
Herdade do Sobroso

A Herdade do Sobroso está localizada na zona leste da DOC Vidigueira, a dois passos do Guadiana e da albufeira do Alqueva. Encostada à Serra do Mendro, a herdade de 1600 hectares combina planície e montanha, e tem como principais valências um excelente turismo de natureza (abunda a fauna de pequeno e grande porte), um hotel vínico de referência e claro, a produção de belos vinhos a partir de um vinhedo de 60 hectares. A propriedade, adquirida há uma vintena de anos por António Ginestal Machado é gerida pela sua filha e genro, Sofia Ginestal Machado e Filipe Teixeira Pinto, ela zoóloga, ele enólogo. No início de 2016 o casal decidiu projectar um vinho que fizesse justiça à visão e trabalho do fundador, arquitecto de profissão, e nasceu assim a marca Arché, posicionada no topo do portefólio. O tinto de 2015 foi lançado em 2018, e mostrou-se inteiramente à altura da ambição. Em 2020 surgiu a segunda edição, ainda mais afinada, proveniente das melhores parcelas de Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional. L.L.

Casa da Passarella
Dão tinto 2009
O Abrigo da Passarela

A região do Dão é especialmente vocacionada para gerar vinhos longevos. Não por serem muito robustos ou alcoólicos, não por serem muito taninosos ou duros enquanto novos, mas por uma razão bem mais simples: por serem harmoniosos e terem todas as componentes em perfeito diálogo e equilíbrio, diálogo esse sempre facilitado pela acidez notável que os vinhos têm, não só brancos como tintos. A Casa da Passarella, que na última década se solidificou num lugar de primazia entre os apreciadores da região, está cada vez mais a apostar nos vinhos com idade e este 2009, agora relançado no mercado, mostra exactamente o que é suposto esperar de um tinto longamente estagiado em garrafa. Ele tem origem em várias parcelas centenárias com mais de 20 castas e foi feito em lagar com estágio posterior em barricas usadas de 600 litros. Desde 2011 que dorme em garrafa. Apenas se produziram 3000 garrafas e é provável que venha a ter nova edição na colheita de 2011. J.P.M.

Chryseia
Douro tinto 2018
Prats & Symington

Fruto de uma parceria entre as duas famílias, Prats e Symington, o Chryseia é produzido desde a colheita de 2000 e de imediato se tornou um enorme sucesso internacional. A colheita de 2001 colocou o Chryseia como o primeiro vinho não fortificado português a figurar no Top 100 da Wine Spectator. A partir de 2004 o lote é composto por duas castas Touriga Nacional e Touriga Franca, cuja proporção varia em função do ano.
O ano de 2018 começou muito seco, com os solos ressequidos pelo défice de chuva do ano anterior. No entanto, a primavera trouxe chuva abundante com os meses de março e abril a registarem uma precipitação acima da média. Apesar do atraso no ciclo da vinha devido às condições húmidas e instáveis no início do verão, o mês de agosto quente e seco acelerou as maturações. A vindima decorreu em condições quentes e secas. Foi claramente o ano que favoreceu a Touriga Franca, por isto, ao contrário de anos anteriores, entra em maioria (55%) no lote. O estágio decorreu em barricas novas de 400 litros durante 15 meses. O resultado – o melhor Chryseia de sempre. V.Z.

Conde Vimioso Vinha do Convento
Reg. Tejo tinto 2017
Falua

Este vinho nasce na vinha icónica da Falua, com características únicas e uma imagem inconfundível para assinalar 20 anos da marca Conde Vimioso. Coberta de calhau rolado a Vinha do Convento na zona de Charneca, foi plantada em 1996 com 9 castas entre tintas e brancas. Para este vinho foram escolhidas as melhores parcelas dentro desta vinha com as castas Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Castelão, vinificadas em separado. Seguiu-se o estágio de 24 meses em barricas novas de 300 litros de carvalho francês.
O lote final resultou da selecção das 11 melhores barricas e o objectivo principal não foi apenas produzir um vinho tecnicamente perfeito, mas criar um vinho que correspondesse à mesa na parte emocional. Conseguiu-se fazer com que duas castas poderosas e com personalidades vincadas como a Touriga e a Cabernet “trabalhassem em equipa” e ainda recebessem o contributo de Castelão. Criou-se um grande vinho, cheio de emoção, do qual foram produzidas apenas 4.387 garrafas. V.Z.

Hexagon
Reg. Península de Setúbal tinto 2015
José Maria da Fonseca

O primeiro tinto Hexagon nasceu na colheita de 2000, em plena época de explosão de marcas nacionais e alguma euforia por vinhos cada vez mais aprumados, de taninos maduros, e longo estágio em garrafa. Provado no início de novembro de 2020, esse mesmo 2000 continua a dar uma excelente prova. De um momento para o outro, a clássica casa José Maria da Fonseca entrava no mercado dos topos de gama modernos, e o Hexagon – uma homenagem à sexta geração da família à frente dos destinos da casa – revelava-se um dos trabalhos mais aprimorados do enólogo Domingos Soares Franco. Desde então, houve apenas 8 edições lançadas, todas a partir de 6 castas (com destaque para Touriga Nacional, Syrah e Trincadeira) e provadas recentemente encontraram-se em forma (enormes os 2005 e 2009)! Na colheita de 2015 tudo se conjugou para um vinho fabuloso e o estágio em garrafa desde então só serviu para o aprimorar. O melhor Hexagon até há data, o que não é propriamente dizer pouco! N.O.G.

Herdade de São Miguel Resumo de 15 Vindimas
Reg. Alentejano tinto
Casa Relvas

Este é um vinho muito especial da Casa Relvas, pois vem comemorar 15 anos de vindimas do produtor familiar, completados em 2017, num lote de várias colheitas que vão de 2003 até esse ano. Num processo demorado e complexo, com várias dezenas de provas pelo meio, os vinhos “coleccionados” até esse momento foram escolhidos, e chegou-se a um lote com predominância de vinhos de 2005 e 2011, os que se mostraram, nesse momento, mais jovens e vivos à equipa da Casa Relvas, aportando o que esta pretendia ao lote final. O resultado deste vinho-projecto de Alexandre Relvas Jr. não defrauda, de todo, a elevada expectativa que se pode depositar num vinho com este conceito, muito pelo contrário: é um tinto muito complexo e elegante, com uma classe extraordinária, textura de veludo e muita presença. Um produto que se pretende exclusivo, do qual foram feitas apenas 1000 garrafas, e que vem celebrar tudo o que a Casa Relvas conquistou, com muito sucesso, até hoje. M.L.

Incógnito
Reg. Alentejano tinto 2013
Cortes de Cima

A história será porventura já conhecida: em 1991, cepas da casta Syrah com excertos vindos do Vale do Ródano, foram plantadas num dos raros cabeços calcários (parcela 9C) da propriedade Cortes de Cima, sita na Vidigueira. Ao tempo, a casta era pouco conhecida no Alentejo e não encaixava na denominação. Ficou, assim, incógnito de nome, mas não de fama. Desde cedo que foi um sucesso, o autêntico porta-estandarte do estilo intenso e sedutor que os consumidores na virada do século privilegiavam. Esse estilo generoso e grandioso criou um séquito de fiéis, que se mantiveram aquando da consolidação de um estilo mais fino, preciso e elegante, bem visíveis nas colheitas de 2012 e 2014. Fruto de um inverno frio e de uma primavera chuvosa, a colheita de 2013 está mais tensa e austera, razões que levaram Anna JØrgensen a decidir lançá-lo mais tarde. O vinho continuou a evoluir até ser lançado em 2020, no melhor momento de prova possível, mas com capacidade para crescer ainda nos próximos anos. N.O.G.

Kompassus Private Collection
Bairrada Baga tinto 2013
Kompassus Vinhos

João Alberto Póvoa vem de uma família de tradicionais lavradores e viticultores da Bairrada, acostumados desde há gerações a trabalhar a casta Baga num dos melhores terroirs da região, Cordinhã, concelho de Cantanhede. Este médico oftalmologista “mergulhou” no mundo do vinho desde muito cedo, acostumando-se a ajudar os pais naquela que era a vida do viticultor local: trabalhar a terra, fazer o vinho e vendê-lo depois às empresas que o engarrafavam e valorizavam com as suas marcas. João Póvoa quebrou esse ciclo em 1991 quando criou a Quinta de Baixo, projecto diferenciador que atingiu grande notoriedade. Em 2006, problemas de saúde levaram-no a vender, mas conservou as melhores vinhas que mais tarde, já recuperado, estiveram na base da marca Kompassus. Desde há alguns anos com a assessoria de Anselmo Mendes, João Póvoa faz espumantes, brancos e tintos de excepção, que aliam qualidade a imensa personalidade. O Private Collection é a referência de topo, tinto de lagar, com algum engaço, e estágio em barricas novas e usadas de 400 e 700 litros. Um Baga de eleição. L.L.

Legado
Douro tinto 2015
Sogrape

O vinho Legado, que nasce na Quinta do Caedo, é um dos expoentes máximos do portefólio da Sogrape, um genuíno e autêntico hino ao Douro, às vinhas velhas e ao património notável que as gerações antigas nos legaram. Inicialmente as vinhas da quinta – 24 ha, dos quais 7,6 ha de vinha velha – produziam apenas uvas para vinho do Porto. Esta vinha, por vontade explícita de Fernando Guedes, não foi reconvertida – destino quase certo, face à pequeníssima produção que tinha/tem (100 gramas por pé) – e tomou-se a decisão de fazer então um vinho tinto. É um lote de todas as castas que ali existem e destacou-se como um vinho notável desde a primeira edição, da colheita de 2008, tendo sido editado anualmente desde então. Seguramente a sobrevivência desta vinha veio ajudar ao cada vez maior respeito que as vinhas velhas têm na região. Um verdadeiro legado que Fernando Guedes deixou à família e aos apreciadores da colheita de 2015 fizeram-se 4666 garrafas. J.P.M.

Luís Pato Vinha Barrosa
Bairrada tinto 2017
Luís Pato

Um dos vinhos mais impactantes da Bairrada, com carácter vincado da casta Baga e da sua origem numa vinha centenária. Surgiu em 1995 a par com Vinha Pan, outro vinho de uma única vinha, quando Luís Pato, uma figura incontornável na região, introduziu este conceito para mostrar como o terroir molda a casta. O seu espírito revolucionário também o levou a questionar práticas habituais, começando a desengaçar as uvas e a estagiar o vinho em barricas novas de carvalho francês para obter vinhos menos rústicos e com um polimento diferente.
A Vinha Barrosa fica na freguesia de Aguim, plantada no solo argilo-calcário de forma tradicional antes de 1932, rodeada por uma floresta de pinheiros onde também existem alguns eucaliptos. O vinho é vinificado em inox, seguido por um estágio em pipos novos e usados de carvalho Allier. Mais uma edição fabulosa deste vinho com personalidade única que comprova a sua qualidade, ano após ano, ao longo de mais de duas décadas. V.Z.

Maria do Carmo
Reg. Lisboa Alicante Bouschet tinto 2015
Quinta do Gradil

No processo de renovação de imagem e afirmação da Quinta do Gradil como produtor referência da região de Lisboa, a Alicante Bouschet é uma das castas que para isso contribui, mostrando ali, na zona do Cadaval e no sopé da Serra de Montejunto, um desempenho, carácter e consistência pouco comuns. É ela que dá corpo ao novo topo de gama tinto da empresa, o Maria do Carmo (nome da herdeira da propriedade no século XIX, que a transformou num negócio agrícola de sucesso). Antes da fermentação, que se dá durante oito dias em cubas troncocónicas, o vinho faz maceração durante 48 horas. Depois, estaria em barricas de carvalho francês, de 225 e 300 litros, por doze meses. Um tinto autêntico, estruturado, mas ao mesmo tempo super-elegante e complexo, que vem provar que Lisboa é região de grandes e ambiciosos vinhos. M.L.

Marmelar
Reg. Alentejano tinto 2017
Casa Agrícola HMR

A Casa Agrícola Herdade Monte da Ribeira insere-se naquilo a que podemos chamar Vidigueira dos argilo-calcários, tipologia de solo onde estão instalados os cerca de 50 hectares de vinha, numa propriedade vasta, que atinge os 1100 hectares, a maior parte dos quais na encosta sul da serra do Mendro. Esta casa produtora de vinhos e azeites pertence à Fundação Carmona e Costa e pode ser já considerada um nome “clássico” do Alentejo, tendo iniciado a actividade vitivinícola em 1991. A empresa é, sobretudo, conhecida pela marca Pousio, uma linha de brancos, rosés e tintos com enorme consistência qualitativa em diversos segmentos de preço, dos Selection aos Reserva, passando pelos mono e bivarietais, tudo sob a supervisão dos enólogos Nuno Elias e Luís Duarte. No topo da pirâmide está o Marmelar, vinho produzido apenas nos anos de excelência. Nascido na vindima de 2012, desde então fizeram-se apenas mais dois: o 2014 e este 2017, sem dúvida o mais completo, sofisticado e longevo de todos. L.L.

Pegos Claros
Palmela Grande Escolha tinto 2016
HPC

Pegos Claros é um dos símbolos da casta Castelão, e um símbolo de Palmela. Por entre uma herdade extensa e maioritariamente florestal, encontra-se uma vinha velha (cepas com mais de 90 anos), em solos de areia pobre e sem rega, sita em Santo Isidro de Pegões, quase em transição para o Alentejo. Produzido pelo menos desde 1920, ganhou reputação no início da década de ’90 do século passado com vinhos que continuam a dar óptima prova. Recentemente, a adega foi melhorada e o enólogo Bernardo Cabral (que sucede a João Ramos, João Corrêa e Frederico Falcão) encontra-se já totalmente familiarizado com todas as facetas do projeto liderado por José M. Gomes Aires. Com o tradicional recurso a lagar e a utilização de uma pequena percentagem de engaço, compensada com um prolongado estágio em garrafa, a colheita do Grande Escolha de 2016 está fabuloso, ao melhor nível da marca, lado a lado com os míticos 1993, 1995, 1996 e 2005. N.O.G.

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa
Douro tinto 2017
Quinta do Crasto

O primeiro vinho Douro comercializado sob a marca Crasto foi da colheita de 1994 e o primeiro Vinha Maria Teresa data de 1998. Provado recentemente, encontra-se glorioso. A edição de 2017 é, apenas, a 12ª em 22 anos, o que revela o cuidado em produzi-lo e o privilégio em prová-lo. Como o nome indica, trata-se de um vinho de uma única vinha, cultivada em quase 5 hectares, em cota baixa, a nascente da casa da propriedade. É fruto de um mosaico verdadeiramente intrincado de 50 castas, típico de uma vinha muito velha (110 anos…), de baixíssima produção (300g por videira), e que o produtor pretende conservar a todo o custo. Para tal, iniciou em 2013 um mapeamento genético da vinha (Pat Gen Vineyards) e foram criados berçários de videiras. Naturalmente, nada neste vinho é normal, e no copo revela todo o seu esplendor na fantástica, mas pouco produtiva, colheita de 2017. Com fruto complexo e exótico, enorme cremosidade (imagem de marca do produtor, diga-se) e sofisticação, pertence, por direito, ao Olimpo dos tintos do Douro. N.O.G.

Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo
Douro tinto 2016
Alves de Sousa

Na senda do seu pai e avô, Domingos Alves de Sousa acabaria por abraçar as vinhas da família no Douro, não sem antes ter tido uma carreira de sucesso na engenharia civil. Arranca com o projeto Quinta da Gaivosa (e a Quinta do Vale da Raposa adjacente) no final dos anos ’80 do século passado, e desde então coleciona distinções e, mais importante, o reconhecimento dos pares. Como os nossos leitores sabem, os vinhos da família Alves de Sousa são repetentes nas listas dos melhores do ano. Se desde o início, o clássico Quinta da Gaivosa (cuja primeira edição data de 1992) triunfa no seu perfil sério e longevo, nos últimos anos, as marcas criadas para os vinhos monovinha arrasaram num perfil mais envolvente, capitoso e exclusivo. A partir da vinha mais velha da propriedade, superior a um século de idade, o Vinha de Lordelo é, desde a sua criação em 2003, sempre um vinho poderoso e que provoca enorme emoção. O equilíbrio da colheita de 2016 ajudou a esculpir um tinto que alia a esse poder uma superior tensão e elegância! N.O.G.

Quinta do Noval
Douro Reserva tinto 2017
Quinta do Noval Vinhos

Embora a Quinta do Noval seja uma casa de absoluta referência nos Vinhos do Porto, desde 2004 produz também com enorme sucesso os vinhos do Douro com a mesma marca.
O inverno de 2017 manteve-se frio e seco, seguido de uma primavera e verão excecpionalmente quentes e secos. O mês de Junho registou-se como o mais quente desde 1980, com temperaturas que atingiram os 42-44˚C durante a onda de calor no vale do Douro entre os dias 7 e 24 do mês. Apesar da forte queda de chuva na Quinta do Noval no dia 6 de Julho, desde Novembro de 2016 caíram apenas 300 mm de precipitação. Todo o ciclo na vinha ficou adiantado 15 a 20 dias, comparando com o ano anterior, mas as vinhas suportaram bem a escassez de água e altas temperaturas. A vindima começou muito mais cedo do que o habitual e decorreu sem ausência de chuva. O lote é formado por 80% de Touriga Nacional e 20% de Touriga Franca. O estágio decorreu integralmente em barricas de carvalho francês durante 12 meses, sendo 35% das barricas novas. V.Z.

Quinta do Paral Vinhas Velhas
Reg. Alentejano tinto 2017
Herdade Tinto e Branco

Juntemos os seguintes ingredientes: uma propriedade histórica numa das mais genuínas regiões do Alentejo; um terroir de excelência para a produção de vinho; uma família alemã com capacidade de investimento, bom gosto e empenhada em recuperar as tradições locais; uma equipa de profissionais conhecedores e talentosos. Desta “receita” nasceu a Quinta do Paral e o resultado das primeiras vindimas já nos diz que ali está coisa muito séria.
Desde a sua aquisição no início de 2017, a Quinta do Paral, na Vidigueira, tem vindo a ser renovada pela família Morszeck, que reabilitou e ampliou a vinha existente para os actuais 33 hectares e logo nesse ano adquiriu mais 19 hectares na zona de Vila de Frades, com diversas parcelas de vinhedos de mais de 70 anos, não aramados, com as castas tradicionais Antão Vaz, Perrum, Aragonez e Tinta Grossa. Sob orientação do enólogo Luís Leão, os vinhos mais ambiciosos da casa vêm precisamente destas vinhas antigas, brancos e tintos de enorme complexidade e profundidade, com forte identidade Vidigueira. L.L.

Quinta dos Termos O Testemunho de Virgílio Loureiro
Beira Interior Escolha tinto 2015
Quinta dos Termos

Nas terras que fazem parte da Quinta dos Termos, em Belmonte, faz-se vinho desde tempos imemoriais. Rodeadas por montanhas, as vinhas assentam em solos graníticos e suportam um clima agreste, com grandes amplitudes térmicas, e noites frescas mesmo no verão. O produtor, João Carvalho, é um empresário têxtil que se rendeu, com a família, à viticultura, na propriedade dos seus antepassados. Desde 1993 tem vindo a recuperar, desenvolver e ampliar o património, dispondo hoje de mais de 100 hectares de vinha (uma enormidade, na região) e adquirindo uvas a diversos lavradores. As idades das parcelas variam muito, desde plantações recentes a vinhas com quase 100 anos.
Embora Touriga Nacional e Tinta Roriz sejam as castas principais em área plantada, e existam “estrangeirismos” como Syrah ou Nebbiolo, João Carvalho presta especial atenção às variedades antigas da região, como Rufete, Síria e Fonte Cal, para além das vinhas velhas com inúmeras castas misturadas. O vinho que aqui premiamos e que leva o nome do enólogo que o acompanha desde 2001 é feito de Baga, Tinto Cão e Touriga Nacional. L.L.

Quinta Vale D. Maria Vinha do Rio
Douro tinto 2017
Quinta Vale D. Maria

A localização é, como sabemos, dos aspectos, se não o mais importante, um dos mais importantes na base da qualidade e personalidade de um vinho. Quando essa qualidade é depois reconhecida pelos consumidores, por norma temos uma marca que adquire grande projecção, notoriedade e preço à altura. Foi o que aconteceu com os vinhos da Quinta Vale D. Maria, situada no rio Torto, um afluente do Douro que é reconhecidamente um dos grandes vales para a produção de notáveis vinhos tintos. A vinha do Rio é uma parcela pequena, com 1,2 ha de área, com orientação Sul e as cepas têm cerca de 80 anos, com uma grande variedade de castas misturadas. A produção contempla 1567 garrafas, 99 magnuns e 20 double magnuns. O patamar de preços é normalmente elevado – é o chamado “preço da fama” – mas os vinhos justificam-no: são de grande expressão e mostram as enormes virtudes daquelas encostas para gerarem tintos robustos, longevos, com tudo para se tornarem absolutamente inesquecíveis. J.P.M.

Taboadella Grande Villae
Dão tinto 2018
Taboadella

A Taboadella, propriedade e marca, acaba de se erguer no Dão e entra a matar. Há muita pertinência, tipicidade e qualidade em todo o portefólio de vinhos inicial, mas os topos de gama Grande Villae são de outra liga. A jogar no campeonato mundial dos melhores, são os clássicos no perfil, os super-premium, em branco e tinto que, mesmo mostrando ainda a sua tenra idade se revelam autênticos diamantes em bruto, com enorme capacidade de resistência ao tempo. Este, o tinto, é um lote de Alfrocheiro, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Com estágio de doze meses em barrica nova de carvalho francês (absolutamente integrada e sublime no vinho), originou cerca de 3500 garrafas. Quando o provámos pela primeira vez, ficámos de boca aberta, não só pela qualidade absoluta, mas também por se tratar do primeiro topo de gama comercializado por este projecto, a parecer que já está ali a produzir vinho há anos. Uma chegada impactante ao mercado. Venham mais. M.L.

FORTIFICADOS

Sandeman
Porto Vintage 2018
Sogrape

É um Vinho do Porto Vintage monumental, robusto e assente numa grande estrutura e concentração. Para o enólogo da Sogrape, Luís Sottomayor, o ano 2018 é dos melhores, se não o melhor ano Vintage a que assistiu. A seguir ao inverno frio e seco veio a primavera extremamente chuvosa, que afetou a floração, dando origem a perdas significativas. Apesar do verão quente e seco, os níveis de humidade nos solos proporcionaram um final de maturação longo e equilibrado, permitindo produzir vinhos de excelente qualidade.
As uvas provêm das melhores parcelas das Quintas do Seixo e do Vau, sendo a composição varietal dividida entre 50% de Touriga Franca, 40% de Touriga Nacional, 5% de Sousão e 5% de Tinto Cão. A fermentação decorreu em lagares de granito com pisa a pé na Adega da Quinta do Seixo. Após a vindima os vinhos permaneceram no Douro, sendo transportados para as caves, em Vila Nova de Gaia, na primavera seguinte, onde ficaram a estagiar em balseiros de carvalho até ao engarrafamento. V.Z.

Kopke
Porto Colheita 1981
Sogevinus

A casa Kopke fundada em 1638 é a mais antiga na região com uma grande tradição e conhecimento de estagiar Vinhos do Porto, criando tawnies velhos de uma dimensão e elegância incrível.
O Colheita 1981 é o vinho de um só ano submetido ao estágio longo em cascos e engarrafado por encomenda. A composição varietal conta com Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinto Cão. A parte das uvas provém de cotas mais altas que aportam ao vinho frescura e acidez e outra parte de cotas mais baixas, com maior maturação, contribuindo com riqueza de sabores e volume de boca. De acordo com regulamentação, o Vinho do Porto Colheita tem que permanecer em cascos pelo menos 7 anos, mas quanto mais tempo passa nesta evolução oxidativa, mas complexidade adquire, desenvolvendo aromas e características organolépticas extraordinárias. O último engarrafamento ocorreu em 2020, que resultou em 1750 garrafas, permitindo provar este néctar com 39 anos de evolução. V.Z.

Taylor’s
Porto Vintage 2018
The Fladgate Partnership

A declaração de um vinho do Porto como Vintage é a conclusão de um trabalho imenso de provas de lotes diferentes, uma tarefa que exige profundo conhecimento das origens e dos perfis de cada componente, um trabalho de uma complexidade que escapa ao comum dos consumidores. Escolher o que é que vai ou não para um lote de Vintage é decisão sempre difícil, com uma fortíssima componente técnica mas também com duas outras, comercial e institucional. Nenhuma empresa pode correr o risco de declarar Vintage um vinho que não seja excepcional e que não seja fiel ao perfil e estilo da casa. Na Taylor’s, além de toda esta “carga” técnica e histórica, foi possível, em 2018, romper uma tradição secular e declarar Vintage pelo terceiro ano consecutivo. Com uma forte componente de uvas da quinta de Vargellas (Douro Superior), o Vintage 2018 incorpora também vinhos de outras quintas, resultando num vinho clássico, robusto mas também de rara elegância e complexidade. A produção foi de 7800 caixas de 12 garrafas. J.P.M.

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